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terça-feira, 9 de junho de 2026

Money and Machismo are Undermining America


Drones have rapidly transformed modern war. The U.S. military, the most sophisticated, best supplied force in history, has been humiliated by Iran, largely thanks to Iran’s effective use of inexpensive drones to menace shipping, energy production, and even U.S. bases. Meanwhile, Ukraine’s growing superiority in drone warfare is increasingly giving it the upper hand over Russia. Remember, not so long ago the American far right celebrated Putin’s macho posturing and his supposed military invincibility.

Given this radical turn of events, shouldn’t the United States be eager to make a drone deal with Ukraine, benefiting from its technology and expertise?

Apparently not. The Hill reports that Donald Trump has been dragging his feet on such a deal, quoting U.S. military analysts who say that they don’t understand the delay and that they are “mystified.” But I assume that they’re being disingenuous and prefer to avoid saying the obvious. In fact, Trump’s unwillingness to make a deal that would clearly benefit America’s national interest is no mystery at all.

I’ll get to the obvious in a moment. First, let me take a slight detour into something that seems unrelated but in fact helps explain drone aversion: this administration’s hostility to renewable energy and its desperate, doomed and wasteful effort to revive the coal industry.

There was a time when “drill, baby, drill” could be portrayed as a realistic, hard-headed position. Does anyone remember the Cheney Energy Task Force? However, in the past few years, radical declines in the cost of solar power, wind power, and batteries — which solve the problem that the sun doesn’t always shine and the wind doesn’t always blow — have made renewables the most cost-effective way to generate electricity. By contrast, coal is completely unviable. Here are the Federal Energy Regulatory Commission’s estimates for utility capacity additions in 2025:



Yet Trump is trying to block renewable energy projects any way he can and has just invoked wartime authority to spend $700 million subsidizing new power plants using “clean, beautiful” coal.

Why? Part of the answer is big money. Fossil fuel interests were huge supporters of Trump in 2024. In fact, the Trump presidency is itself the result of billions of dollars spent by the Koch Brothers and others to corrupt and undermine U.S. political institutions -- the Supreme Court very much included. Anti-renewable, pro-fossil fuel policy is their reward, along with the destruction of the Voting Rights Act and the adoption of Project 2025.

What’s the other part? Clean energy has become a bogeyman in the culture wars: mining and burning coal are considered “manly” activities, while renewable energy is portrayed as woke and effeminate. Real men don’t worry about black lung and airborne particulates, let alone climate change.

So a combination of big money and fragile male egos drives Green Derangement Syndrome. And the same is true for both the Iran debacle and the refusal to learn from the catastrophe by turning to Ukraine.

Why was the United States so unprepared for the Iranian drone threat, despite the obvious successes of Ukrainian drones against Russia? Well, as investigative reporters delve into the story, I would urge them to follow the money.

America has a huge, highly profitable defense industry, dedicated to a suite of technologies that are rapidly being rendered obsolete, as $4 million Patriot missiles, that take years to build, are being used to shoot down $35,000 Shahed drones that can be manufactured in months.

So it wouldn’t be surprising if defense-industry interests are playing a significant role in the Trump administration’s refusal to admit that the rules of war have changed — the same way that fossil fuel companies have campaigned against the new realities of energy technology. After all, a deal with drone-savvy Ukrainians would mean less money going to US defense contractors.

While this is speculative, we do know that recognition of the drone revolution in warfare by Trump and his inner circle would require that they abandon their fantasy of macho military power. Pete Hegseth has been purging the military of capable officers — especially Blacks and women — he considers insufficiently loyal to Donald Trump. Beyond loyalty tests, however, he has exalted the importance of “warrior ethos” and physical fitness, as if he were leading the 300 Spartans rather than a high-tech military in an age of drones and electronic warfare.

It’s true that Hegseth, perhaps chastened by his abject failure in Iran — why does he still have a job? — recently admitted that the U.S. has learned from Ukraine. But an admission that his entire conception of war was wrongheaded will be a step too far for him.

Likewise, Trump himself is in love with big, expensive weapons as symbols of virility and power. He’s still pushing for giant “Trump-class” battleships, even though they would be sitting ducks in a modern war. Just ask the Ukrainians, who have used missiles and naval drones to force Russia’s once-vaunted Black Sea Fleet to cower in a fortified refuge. But Trump doesn’t want to give up his fantasies.

And he’s especially unwilling to learn from Ukraine. After all, he cut off aid to Ukraine in a hissy fit over Zelenskyy’s well-deserved reputation for heroism, only to he humiliated by Ukraine’s refusal to lose its war. Admitting that he needs Ukrainian help would be a further humiliation.

As I said earlier, there is no mystery about why Trump refuses to make a drone deal with Ukraine. Never mind the national interest. In military strategy as in energy policy, Trump is betraying America in the service of money and machismo.

domingo, 17 de maio de 2026

Portugal em risco de falhar metas climáticas - associação Zero


A associação ambientalista Zero alertou ontem que Portugal poderá falhar as metas climáticas de 2030, após ter reduzido em apenas 3% as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) em 2024.

A propósito dos dados oficiais das emissões de GEE em 2024, a associação diz em comunicado que a redução assenta na eletricidade renovável e em fatores conjunturais (como a chuva), enquanto os transportes representam 35% do total de emissões.

Sem mudanças profundas nos transportes, Portugal pode não cumprir metas, avisa a Zero, que destaca que o inventário de GEE confirma progressos relevantes, mas também “evidencia fragilidades estruturais profundas”, tanto no setor dos transportes como “na ausência de uma governação climática robusta e coerente enquadrada na Lei de Bases do Clima” (LBC).

Segundo os dados, que cobrem o período 1990-2024, Portugal emitiu 51,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono-equivalente (MtCO₂e) em 2024 (excluindo o setor do uso dos solos, alteração do uso do solo e florestas), menos 3% do que em 2023 e cerca de 40% abaixo de 2005.

Confirma-se uma tendência de redução começada em 2005, associada ao fim dos combustíveis mais poluentes, ao aumento da eficiência energética e à expansão das energias renováveis. Em 2024 a produção elétrica renovável aumentou cerca de 18%.

“O setor da energia representa 65,6% das emissões nacionais, sendo que os transportes continuam a ser o principal foco de pressão, com 35,2% do total”, refere a Zero.

Desde 2013 há uma tendência de crescimento ou estagnação do consumo de gasóleo e gasolina, com 2024 a registar uma estabilização.

Mas a Zero nota que os dados mais recentes indicam uma inversão preocupante: em 2025 o consumo voltou a crescer cerca de 0,9%, e no primeiro trimestre deste ano há um aumento ainda mais expressivo, da ordem dos 2,5% face ao período homólogo.

E aponta culpados: A sistemática incapacidade do Governo e da Assembleia da República para implementar políticas públicas robustas neste domínio, o que agrava riscos económicos e impactos ambientais e na saúde pública.

Outras leituras dos dados sobre 2024 indicam que a combustão na indústria, que representa cerca de 10% das emissões, tem vindo a reduzir o seu peso, e na agricultura, responsável por 13,5%, há estabilidade.

Nos resíduos, com 11% das emissões, não tem havido descida. Os gases fluorados, que representam cerca de 4% das emissões totais, registaram um aumento muito significativo desde 1995.

A Zero insiste que, para cumprir o objetivo do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) de reduzir as emissões em 55% até 2030 face a 2005, Portugal terá de passar dos atuais 51,5 milhões de toneladas para cerca de 38,7 milhões em 2030, o que significa um corte de quase 13 milhões de toneladas em apenas seis anos.

Será necessário, enfatiza, “uma aceleração estrutural das políticas climáticas, em particular nos setores mais emissores, como os transportes”.

É imperativo, considera, cumprir integralmente a LBC, orientar o processo de reindustrialização para uma estratégia industrial verde e, no setor dos transportes, é urgente acelerar a eletrificação dos veículos de uso intensivo, reforçar o investimento no transporte público e na ferrovia, e implementar soluções de mobilidade que reduzam estruturalmente a dependência do automóvel individual.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

O futuro passa pelas Comunidades de Energia Renovável (CER) mas com mais reindustrialização solar dentro da Europa /União Europeia

Produção e partilha de energia limpa por um grupo de cidadãos e instituições públicas e privadas a custos vantajosos com redução significativa da emissão de CO2 é o foco que está na origem da criação das Comunidades de Energia Renovável (CER).

Em 2019 foi introduzido em Portugal o Decreto-Lei n.º 162/2019 que define as bases para a criação destas Comunidades. A energia solar é a fonte de energia preferencial na Europa para a criação de CER pela abundância, custos mais reduzidos e simplicidade do planeamento da instalação. Conheça neste artigo o que são as Comunidades de Energia Renovável, como se podem constituir e quais os seus benefícios.

De acordo com o Fundo Ambiental, as Comunidades de Energia Renovável tornam possível que cidadãos, empresas e entidades públicas e privadas, produzam, consumam, partilhem, armazenem e vendam a energia produzida a partir de fontes de energia renováveis. Desta forma, participam ativamente na transição energética, na transformação das redes elétricas convencionais em redes elétricas inteligentes e, ao mesmo tempo, conferem maior qualidade de serviço e segurança de abastecimento, ao permitirem a integração significativa de fontes renováveis.

CER – O que são e como funcionam?
Uma Comunidade de Energia Renovável (CER) reúne cidadãos, empresas e instituições, inclusive Municípios, na realização de projetos de energia renovável com proveito e partilha dessa energia para satisfazer as suas necessidades locais. Baseia-se numa participação aberta e voluntária dos seus membros que estão localizados na proximidade desses projetos. O objetivo principal de uma CER é proporcionar aos seus membros e às localidades onde se encontra benefícios ambientais, económicos e sociais.

O Decreto-Lei n.º 162/2019 que regula as CER visa facilitar a participação ativa na transição energética de empresas e de cidadãos interessados em investir, sem subsídios públicos, em recursos energéticos renováveis que respondam às necessidades de consumo.

Os membros de uma Comunidade de Energia Renovável têm de ter proximidade geográfica e podem organizar-se entre si para Autoconsumo Coletivo (ACC). No entanto, enquanto no Autoconsumo Coletivo os autoconsumidores têm de ser proprietários das instalações de autoconsumo, no caso das CER esta obrigatoriedade não se coloca. Ou seja, a Comunidade de Energia Renovável destina-se à satisfação das necessidades de energia elétrica dos seus membros e não tem necessariamente de ser proprietária das instalações de consumo que deverá alimentar, mas apenas da(s) Unidade(s) de Produção para Autoconsumo (UPAC).

Para clarificar, o Autoconsumo Coletivo refere-se à atividade de produção de energia renovável para consumo próprio através de uma ou mais Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC), constituída por, pelo menos, dois autoconsumidores locais. Destina-se à satisfação das necessidades de energia elétrica dos autoconsumidores que constituem o coletivo que são também proprietários da(s) UPAC(s) e das instalações de consumo e partilham a energia de acordo com coeficientes previamente definidos pelos próprios. Os autoconsumidores são, assim, detentores dos contratos de fornecimento de energia elétrica que devem ser alimentados pelo coletivo.

Quais os benefícios de uma Comunidade de Energia Renovável?
O principal benefício é a redução na fatura da eletricidade que pode alcançar uma média de 30%. Uma poupança considerável numa altura em que os preços da eletricidade alcançam máximos históricos. Para a indústria é particularmente relevante, tendo em conta que a eletricidade influencia muito o custo de produção, logo, a rentabilidade ou até a manutenção do negócio.

Outro benefício imediato é a redução de CO2 e o consequente impacto benéfico no planeta. As Comunidades de Energia Renovável podem desempenhar um papel fundamental no cumprimento das metas e objetivos de Portugal e da Europa no que se refere ao clima e à sustentabilidade.

A criação de Comunidades de Energia Renovável tem ainda como objetivo estimular a coesão social e territorial ao envolver pessoas e instituições públicas e privadas, o que pode gerar emprego e contribuir para uma melhor distribuição do tecido empresarial por todo o país e também proporcionar maior competitividade.

A partilha do excedente de produção de energia elétrica das Comunidades é outra das vantagens.

Que fonte de energia renovável escolher para criar uma CER?
A maioria dos projetos de Comunidades de Energia em desenvolvimento na Europa são de energia solar. A energia solar revela-se a mais indicada para este tipo de projetos por vários fatores.

Quais os fatores que tornam a energia solar a principal escolha para criar uma Comunidade de Energia Renovável?
Um deles, no caso concreto de Portugal, tem a ver com a abundância. Portugal é um dos países da Europa com maior disponibilidade de radiação solar: 2.500 a 3.200 horas de sol por ano. Outro, é o baixo custo quando comparado a outras fontes renováveis. Além disso, o planeamento de uma instalação fotovoltaica é mais simples. De acordo com o mesmo guia, a energia solar é uma ótima opção para ambientes urbanos e tem um grande impacto na criação de empregos e no desenvolvimento económico local.

Como constituir uma Comunidade de Energia Renovável?
O novo Decreto-Lei define as bases para o Autoconsumo Coletivo (ACC) e Comunidades de Energia Renovável (CER) que se tratam de novos modelos de organização local de autoprodução de energia que apresentam novas oportunidades para as comunidades locais de consumidores, para a indústria e para os fornecedores de serviços e tecnologias de autoprodução e autoconsumo a partir de fontes de energia 100% limpa. Significa que particulares, Autarquias, Juntas de Freguesia, Parques Industriais e pequenas e médias empresas podem tornar-se produtores, armazenistas e vendedores de energia. Assim, é possível alcançar uma redução da fatura de eletricidade, através de uma utilização sustentável dos recursos locais disponíveis na própria comunidade, bem como contribuir para as metas de descarbonização e, com isso, para um planeta mais saudável.

Como constituir então uma Comunidade de Energia Renovável?
A Comunidade pode ser constituída por pessoas físicas ou jurídicas e qualquer entidade pública ou privada que queira criar uma Comunidade de Energia Renovável. Até mesmo um conjunto de pessoas que vive no mesmo bairro pode fazê-lo.

O primeiro passo é escolher uma área próxima dos consumidores para instalar a estrutura para a produção. Este passo é de extrema importância. Se estivermos a falar de um sistema fotovoltaico para autoconsumo, a área deve ter uma boa exposição solar para assegurar que se obtém o melhor rendimento. Opções podem ser telhados ou terrenos.

No caso das Comunidades de Energia Renovável, a estrutura selecionada não precisa de ser propriedade da comunidade, a não ser que se opte pela solução de Autoconsumo Coletivo. Numa CER, a estrutura pode ser fornecida por um ou mais membros da Comunidade ou até por outras pessoas ou entidades que não fazem parte da Comunidade.


Quais os incentivos para constituir uma Comunidade de Energia Renovável (CER)?
Apesar do Decreto-Lei que serve de base à criação das Comunidades de Energia Renovável ter entrado em vigor no início de 2020, em Portugal ainda são conhecidas poucas Comunidades de Energia Renovável. Foi lançado de 14 de junho a 31 de outubro de 2022 um concurso com um apoio total de 30 milhões de euros para a criação de Comunidades de Energia Renovável (CER) e Autoconsumo Coletivo (ACC). Um concurso integrado no programa “Eficiência energética em edifícios de serviços” e com apoios disponíveis para edifícios residenciais, de serviços e da Administração Pública. O aviso de abertura do concurso está disponível aqui.

O objetivo é o financiamento do Autoconsumo Coletivo e das Comunidades de Energia Renovável como modelos essenciais para assegurar a produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis. De acordo com a Recuperar Portugal, espera-se que este apoio permita alcançar cerca de 30% do consumo de energia primária nos edifícios beneficiados, o que representa 93 MW.

Novas medidas em 2026 (Decreto-Lei n.º 58/2026 e atualizações da DGEG) visam acelerar o licenciamento, reforçar o acesso às redes e criar modelos de partilha mais justos, reduzindo a burocracia.

Minha análise
Ponto 1 - O modelo energético que as políticas públicas devem incentivar cada vez mais é o da energia dos e para os cidadãos e cidadãs. A legislação já permite o desenvolvimento de Comunidades de Energia Renovável (que não são as "comunidades energéticas ou de energia" publicitadas por grandes empresas do ramo), mas sim associações, cooperativas, fundações ou sociedades sem fins lucrativos em que pessoas que vivem na mesma zona (num raio de 2 - 4 km consoante os casos) se juntam para produzir, partilhar energia renovável e desenvolver outras atividades na área da energia, como compras coletivas para renovação energética das suas casas, mobilidade partilhada elétrica, literacia energética, entre outras. O caminho da autonomia e da descarbonização passa pela cooperação! A Comunidade de Energia Renovável de Telheiras/Lumiar, da Associação Viver Telheiras com o apoio da Junta de freguesia do Lumiar, é um exemplo pioneiro de base cidadã, mas há outros na Culatra, na Comenda e em todo o país a dar os primeiros passos. Isso sim é que o Governo deve apoiar com incentivos fiscais, financiamento e capacitação técnica. A Coopérnico tem apoiado tecnicamente vários projetos, tem em curso um programa de mentoria e tem feito um enorme esforço de defesa da clarificação da lei, da desburocratização e da agilização dos procedimentos para os cidadãos se envolverem e recolherem os benefícios dessa participação democrática no setor da energia. Mas as políticas e entidades públicas têm de ser coerentes, mostrar claramente o caminho e não obstaculizar o modelo descentralizado gerido pelos cidadãos e cidadãs

Ponto 2- Há um grande dilema aqui. Ficar refém dos fabricantes chineses de painéis solares, baterias e aerogeradores é reduzir a dependência energética? Se a UE vai proibir os inversores chineses porque continua a importar os outros equipamentos que podem pôr em causa a segurança energética europeia? Fonte

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Espanha: Elétricas e PP propagam notícias falsas culpando as renováveis pelo apagão

A Greenpeace denunciou quatro notícias falsas que estão sendo propagadas por empresas elétricas e pelo Partido Popular (PP), com o objetivo de culpar as energias renováveis pelo apagão e justificar a manutenção de centrais nucleares e de gás:

1: “Havia energia renovável em excesso”
Realidade: O apagão foi causado por falhas no controle de tensão atribuíveis a centrais de gás e nucleares (que não forneceram os serviços de segurança pelos quais foram pagas). Países com maior participação renovável (Alemanha, Grécia) não sofreram apagão.

2: “Não podemos prescindir da energia nuclear para evitar novos apagões”
Realidade: A nuclear foi um peso durante a crise. Mais de metade do parque nuclear estava operacional, mas não ajudou a estabilizar o sistema (inclusive há processos contra centrais como Almaraz, Ascó e Vandellós II). Além disso, centrais nucleares são lentas para religar (levam dias), ao contrário de outras tecnologias.

3: “Sem gás não podemos viver”
Realidade: Embora as centrais de gás tenham ajudado na recuperação pós-apagão, 16 centrais de gás também falharam em controlar a tensão para evitar o colapso (e estão sendo sancionadas).

4: “Só com renováveis não podemos funcionar”
Realidade: Um estudo da Greenpeace (Energia para viver melhor) conclui que Espanha e Portugal podem abandonar completamente os combustíveis fósseis e a energia nuclear até 2040, com redução de 39% da procura energética total e abastecimento 100% renovável (eólica, solar, hidráulica, armazenamento e gestão da procura).

A Greenpeace sugere a aplicação de um imposto específico sobre as grandes empresas elétricas (que aumentaram lucros pós-apagão) para financiar o combate à pobreza energética e uma transição energética justa.

sábado, 14 de março de 2026

Now comes the heat

Iam (mostly) going to take a break from writing about the war for a day, because big though it is, it’s not quite the biggest thing happening on our planet. Or rather, its widespread destruction is taking place inside a larger context. Trump’s endless folly (first tariffs, now a desperately stupid war that has closed the Strait of Hormuz) has caused what everyone is beginning to understand is widespread economic damage. As the Times reported today, “this is the big one,” and “the fallout is rattling households and businesses in neighborhoods all over the globe.”

On a stable planet, though, the damage might be contained and repaired; someone as incompetent as Trump (who is now describing his war as a “short excursion” and insisting that the Strait is in “very good shape”) will eventually (please God) burn himself out. Our bigger problem, as we’re about to be reminded, is that the planet is the furthest thing from stable. The backdrop is about to become the foreground, and with that the drama will shift once more.

It’s already hot, all over the world and here in the United States. That’s been a little hidden these past months, because the country’s population and power center—the northeast corridor from Boston to DC—has had a cold winter; until the last few days of rapid-onset mud season it’s felt like an old-school winter in New England (with sublime skiing, which has kept me sane). And Minnesota, the source of much of the year’s news so far, was cold too, at least in bursts. But we’ve been the exception: in fact, it was the second-warmest winter on record in the continental U.S., and that’s because the West broke every possible record, usually by a mile.

Several cities can now claim winter 2025-26 as their warmest on record, including locations with over a century of data, like Salt Lake City (152 years of data), Tucson (130 years of data) and Rapid City, South Dakota (114 years of data).

Phoenix, Arizona, obliterated its previous record (a record that was only a year old, mind you) by almost 3 degrees, a pummeling of a record in the realm of three-month temperature data.

Albuquerque, New Mexico, clobbered its previous record warmest winter by 3 degrees, according to the Southeast Regional Climate Center. Helena, Montana, Las Vegas and Lubbock, Texas, were among the other cities record warm this winter.

I don’t want to brush by those numbers. Phoenix and Albuquerque have temperature records going back more than a century. If they were going to beat the old record for a three-month stretch, something that shouldn’t happen very often, it should be by a tenth of a degree. That’s how statistics work on a set that large—or it’s how they did work on a stable planet. Three degrees is insane. And if that’s insane, then what’s going to happen in the next week is truly bonkers. A giant heat dome is set to settle in over the Southwest, bringing new temperature records. As the Washington Post reported today, Palm Springs California is projected to reach 104 degrees on Monday; the old record for the date is 95 degrees. Again, that’s statistically bizarre in a way that makes my head hurt.

This record-breaking heat dome will contribute to worsening drought conditions across the Intermountain West.

In Utah, snowpack remains at record low levels according to Meyer. He said that it would take a foot of snow in Salt Lake City for the season to catch up with even the second-lowest seasonal snowfall total — and that a storm of that magnitude isn’t expected to come.

“The knockout punch comes in the form of Utah’s reservoirs, which are only at 40 percent of capacity right now,” Meyer said. “All this means we are likely going to see some very tangible water supply cuts and conservation efforts by the state this year.”

The weather forecast and climate outlook community in Utah was “filled with trepidation” because drought relief looked unlikely, added Meyer, stressing that much more meaningful impacts were possible for agricultural communities as water conservation efforts grow.

“Right now, every drop is going to count this year,” he said.

Across the region, New Mexico was also reporting its lowest snowpack on record and Colorado was in a similar situation.

Here’s how Daniel Swain and the good folks at Weather West described the heat dome that is forming as of this morning

In fact: the strongest mid-tropospheric ridge ever observed in the southwestern U.S. in March is expected to develop by Friday, and then will probably go on to break that new record (set this week) when it re-organizes into an even broader and stronger ridge next week.

In case you’re wondering, this heat is in no way confined to land. The oceans, which have soaked up most of the planet’s excess warmth, are crazily warm right now too.

Sea surface temperatures off the coast of Southern California have risen as much as five degrees above average for the time of year, causing a strong, Category 2 marine heat wave to develop.

These unusually warm waters will provide a boost to air temperatures near the coast, especially at night, preventing them from dropping off as much as they otherwise would.

“A strong to severe marine heatwave is ongoing off the coast of California,” wrote Colin McCarthy, a storm chaser affiliated with the University of California at Davis.

In early March, ocean temperatures reached the mid- to upper 60s at Scripps Pier in La Jolla, California.

“That’s the average ocean temperature for mid-June,” McCarthy said.

And here’s the kicker. All this is happening during a La Niña “cool phase” of the Pacific, something that will soon change. I alerted you exactly a month ago to the likelihood we were going to see an El Niño kick off sometime this summer; in the last few weeks the chances of that have grown stronger, and more to the point it looks like it could be an exceptionally strong “super” version of the warming current. The normally cautious-almost-to-a-fault climate scientist Zeke Hausfather came out with his new forecast this afternoon, and it was a doozy.

I’ve collected 11 different models that have been updated since the beginning of March. Each of these in turn features a number of ensemble members, so that we end up with 433 total ENSO forecasts…

These clearly show that a strong El Niño is indeed likely to develop later in the year. While I’d probably discount some of the higher values (much above 3C) as outliers here, the median and mean across all the models still gives an estimate around 2.5C, which would put it notably stronger than the 2023/2024 El Niño and close to if not matching what we saw back in 2015/2016.

So what does this mean for global temperatures this year and in 2027? All things being equal, the lag between peak El Niño conditions and the global surface temperature response would result in the largest impacts on 2027 temperatures (as El Niño events generally peak between November and January). It would still boost 2026, but probably not enough to set a new record this year.

However, I have to be a bit cautious here. Long time readers may remember my post in May 2023 where I deemed it unlikely that 2023 would set a new record (given this historical lag in global temperature response to El Niño) and argued that 2024 would instead. I was partially wrong – 2023 was weird, and the heat came much earlier than expected. We think the extended triple-dip La Niña event between 2020 and 2023 may have primed the system for more rapid heating, something absent this time around. But we don’t know for sure. Fool me once, and all that.

Either way, this means that 2027 looks increasingly likely to set a new record, perhaps by a sizable margin if we end up on the high end of the range of El Niño forecasts.

That Hausfather and the brasher Jim Hansen are in basic agreement here should terrify us. We’re going to see temperatures unlike any that humans have seen before, which means we’re going to see chaotic weather unlike humans have seen before. If you think this is some kind of lefty enviro fantasy, check out this source: “Due to the increasing concentration of greenhouse gases, the climate system cannot effectively exhaust the heat released in a major El Niño event before the next El Niño comes along and pushes the baseline upward again,” Defense Department meteorologist Eric Webb said.

Therefore, a super El Niño in 2026-27 would disperse more heat than other very strong events in 1982-83, 1997-98 and 2015-16.

And were not going to know what hit us, in several ways. The substack Future Earth Catalog published an interview today with veteran Florida weatherman John Morales which was the best account I’ve seen yet of what the Trump cuts to our scientific system mean in real time.

The cuts to NOAA and the National Weather Service have been devastating. If you look at the statistics of forecast accuracy for tropical cyclone tracks and intensities from the National Hurricane Center, they were off in 2025. And anecdotally, I’m not the only meteorologist who will tell you that day-to-day forecasting has become more challenging. The weather models are flip-flopping from one solution to the next.

Think about how many times TV meteorologists in the fall of 2025 had to show you two or three models with different solutions and say, “Well, this is what this model says, but yesterday it was saying something different.” That leads to more confusion among the public — and it makes our job of saving life and property more difficult.

We’ve been missing 15 to 20 percent of our weather balloon data. And those missing balloons are upstream — out West, in the Plains, in the Intermountain West, and especially in Alaska. That’s where our weather comes from. We’re no longer able to really know what’s going on out there. And nothing provides the detail weather balloons can: every 15 feet, all the way up to 100,000 feet.

So we may not know what’s coming, but we can guess it’s going to be bad. For instance, I noted before that the western snowpack is at record low levels. Even in California, which, due to a couple of record-level atmospheric rivers off the warm Pacific saw lots of midwinter snow, the early heat in the Sierras has already led to widespread melt. I do not think it’s fear-mongering to warn that fire may be a serious danger this season in the West.

And what’s happening in the U.S. will be paralleled in places around the planet as El Niño takes us up the escalator. A new study just found that rising temperatures are already taking many humans past the point where they can live with any kind of comfort. As Todd Woody reports, " the number of days where extreme heat makes it too dangerously hot to walk the dog, sweep the porch and engage in other ordinary pursuits has doubled around the world over the past 75 years, according to new research."

Scientists determined that on average, those 65 and older experience a month a year when heat prevents them from routine activities. Parts of Asia, Africa, Australia and North America are becoming unlivable for senior citizens, the researchers said. Younger adults also are losing time as climate-driven heat restricts their lives for 50 hours a year.

Overall, more than a third of the global population resides in regions where heat severely affects daily life, according to the peer-reviewed paper published Tuesday in the journal Environmental Research: Health.

But it may be getting too hot for some key physical systems too. It seems likely that this is the year the Colorado River system may finally have to deal with the fact that it simply can’t provide the water people have been counting on. A new study last week found clear signs that the Gulf Stream is beginning to drift northward, a “clear sign” that worries about the collapse of the Atlantic Meridional Overturning Current (AMOC) are no mere phantasm.

The findings indicate that the movement of the Gulf Stream could be a “canary in the coal mine” for the AMOC’s collapse. According to their analysis of satellite data, the Gulf Stream has already been nudged northwards from the coast near Cape Hatteras, North Carolina, since the early 1990s. This is likely to be the result of the AMOC dwindling and losing its grip.

We don’t know for sure how the Iran war will play out, nor the El Niño; at the moment, though, things look ominous. All I’m saying is, the next six months could be the ultimate in teachable moments, with rapidly rising prices for oil, and rapidly rising temperatures. And what do you know, we have a midterm exam coming up on November 3.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Este é o sistema hidroelétrico mais potente do mundo. Projeto secreto de Pequim pode dar início a conflito entre duas potências nucleares


Megabarragem está a ser edificada no curso inferior do rio Yarlung Tsangpo, no Tibete. Este projeto no remoto rio dos Himalaias exigirá o realojamento de aldeias onde vivem grupos indígenas que dependem da agricultura para a sua subsistência. Na Índia, já a imprensa apelida a construção megalómana chinesa como a "bomba de água"

A centenas de quilómetros da populosa linha costeira da China, uma curva acentuada num remoto rio dos Himalaias está prestes a tornar-se a peça central de um dos mais ambiciosos - e controversos - projetos de infraestruturas do país até à data.

Ali, espera-se que um sistema hidroelétrico de 168 mil milhões de dólares (cerca de 143 milhões de euros) produza mais eletricidade do que qualquer outro no mundo - um grande benefício para a China, à medida que se aproxima de um futuro em que os veículos elétricos dominam as suas estradas e os modelos de IA, ávidos de energia, correm para superar os rivais internacionais.

O líder chinês, Xi Jinping, apelou a que o projeto “avançasse de forma enérgica, sistemática e eficaz” durante uma rara visita no início do ano ao Tibete, uma região onde Pequim continua a apertar o cerco em nome do crescimento económico e da estabilidade.

Segundo os especialistas, o sistema hidroelétrico, construído no curso inferior do rio Yarlung Tsangpo, no Tibete, será um feito de engenharia sem igual. Aproveitando uma queda de 2 mil metros de altitude, através da abertura de túneis numa montanha, permitirá à China aproveitar um rio importante numa região conhecida como a torre de água da Ásia e numa altura em que os governos estão a concentrar-se mais na segurança da água.

O projeto poderá contribuir para os esforços globais no sentido de abrandar as alterações climáticas e ajudar a China - atualmente o maior emissor de carbono do mundo - a abandonar a energia produzida a partir do carvão. Mas a sua construção poderá também perturbar um ecossistema raro e imaculado e as casas ancestrais dos habitantes indígenas.

Dezenas de milhões de pessoas também dependem do rio a jusante, na Índia e no Bangladesh, onde os especialistas dizem que o potencial impacto no ecossistema, incluindo na pesca e na agricultura, continua a ser pouco estudado.

As manchetes na Índia já apelidaram o projeto de uma potencial “bomba de água” - e a sua proximidade da fronteira disputada entre a China e a Índia coloca-o em risco de se tornar um ponto de inflamação numa disputa territorial há muito acesa entre as duas potências com armas nucleares.

Apesar destes riscos, o projeto continua envolto em secretismo, aprofundando as questões sobre um plano que mostra as imensas capacidades técnicas da China e a sua vontade de obter energia limpa, mas também a sua falta de transparência, mesmo quando se trata de um empreendimento com consequências potencialmente de grande alcance.

Pistas sobre a conceção do projeto - tanto referenciadas em relatórios oficiais ou científicos como em informações de fonte aberta compiladas pela CNN - sugerem um sistema complexo que poderá incluir barragens e reservatórios ao longo do rio Yarlung Tsangpo, bem como uma série de estações hidroelétricas subterrâneas ligadas por túneis, aproveitando a energia à medida que uma parte desviada do rio faz um declínio acentuado da elevação.

“Este é o sistema de barragens mais sofisticado e inovador que o planeta já viu”, disse Brian Eyler, diretor do Programa de Energia, Água e Sustentabilidade do Centro Stimson, em Washington. “É também o mais arriscado e potencialmente o mais perigoso”.

A China discorda. Num comunicado enviado à CNN, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que o projeto “passou por décadas de investigação aprofundada” e “implementou medidas rigorosas de segurança de engenharia e proteção ecológica para garantir que não afetará negativamente as áreas a jusante”.

“Desde a preparação inicial e o início oficial do projeto, a parte chinesa sempre manteve a transparência em relação às informações pertinentes e manteve linhas abertas de comunicação com os países a jusante”, disse o ministério, acrescentando que “à medida que o projeto avança” Pequim “partilhará as informações necessárias com a comunidade internacional” e “reforçará a comunicação e a cooperação com os países a jusante”.

O projeto, explicou, “visa acelerar o desenvolvimento de energia limpa, melhorar os meios de subsistência locais e abordar ativamente as alterações climáticas”.

Mas Pequim pode também ter outras prioridades em mente. A ambiciosa iniciativa em matéria de infraestruturas surge numa altura em que Xi se esforça por reforçar a segurança nacional, não só assegurando o fornecimento de energia à China, mas também reforçando o controlo ao longo das fronteiras disputadas e das regiões onde vivem as minorias étnicas.

“Se ligarmos os pontos do desenvolvimento das infraestruturas chinesas nos Himalaias, especialmente nas áreas onde a China faz fronteira com a Índia ao longo do Tibete, elas estão estrategicamente colocadas”, aponta Rishi Gupta, diretor adjunto do Asia Society Policy Institute em Nova Deli.

“O projeto alinha-se com o objetivo mais amplo da China de aproveitar os seus recursos naturais para consolidar o controlo sobre regiões críticas como o Tibete e as suas fronteiras.”

Informações de fonte aberta dão pistas sobre o que poderá ser o projeto de barragem maciça da China
A CNN e especialistas do Centro de Estudos Stimson criaram esta simulação de um possível projeto utilizando informações de fonte aberta e avaliações técnicas. Prevê-se que o projeto inclua cinco estações hidroelétricas em cascata e um sistema de túneis que desvie uma parte do rio, permitindo-lhe perder cerca de 2.000 metros de elevação ao longo de 50 quilómetros e gerar energia através desta rápida queda de elevação.

Jogo de poder nos Himalaias
Conhecido como o maior rio do mundo, o Yarlung Tsangpo serpenteia a partir de um glaciar nos Himalaias, atravessando o planalto que abrigou o budismo tibetano, em direção ao extremo sul do país.

Um dos troços do rio, junto à fronteira de facto do Tibete com um estado indiano cujas terras a China reivindica, há muito que chama a atenção pelo seu potencial de produção de energia.

Aí, a via fluvial faz uma dramática curva em ferradura ao contornar uma massa de montanhas no que é conhecido como a Grande Curva - uma trajetória que faz com que o rio perca cerca de 2 mil metros de altitude em aproximadamente 50 quilómetros.

Estima-se que essa descida tenha potencial para gerar cerca de 300 mil milhões de quilowatts-hora de eletricidade por ano - aproximadamente o triplo da produção da barragem chinesa das Três Gargantas, atualmente a mais potente do mundo.

O desenvolvimento hidroelétrico no curso inferior do Yarlung Tsangpo “não é apenas uma iniciativa hidroelétrica”, é também um projeto de segurança nacional, que engloba a segurança dos recursos hídricos, a segurança territorial e muito mais, afirmou Yan Zhiyong, então presidente da Power Construction Corporation of China (PowerChina), num discurso proferido em 2020, de acordo com a publicação da imprensa estatal chinesa.

Há décadas que se fala de um projeto deste tipo ao longo do curso inferior do rio, mas nunca foi tentado - há muito que é visto como um desafio notório numa zona remota e traiçoeira, difícil mesmo para um país que lidera a construção de megabarragens a nível mundial.

Agora, imagens de satélite, documentos empresariais disponíveis ao público e publicações nas redes sociais da zona analisadas pela CNN mostram que estão em curso obras de construção e alargamento de estradas, construção de pontes, construção de instalações de armazenamento de explosivos, expansão do serviço de telemóvel e realojamento de aldeões - tudo esforços aparentes para abrir caminho à construção, que começou oficialmente em julho.

Os documentos oficiais referem-se frequentemente ao projeto utilizando as iniciais romanas “YX” para designar uma abreviatura do curso inferior do Yarlung Tsangpo, mas fornecem poucas informações sobre a sua conceção. Os meios de comunicação social estatais afirmam que o projeto emprega principalmente um método de “endireitar e desviar o rio” através de túneis e inclui cinco estações hidroelétricas em cascata.

A análise da CNN de informações de fonte aberta, incluindo trabalhos de investigação académica, concursos oficiais, patentes de projetos de centrais elétricas registadas por uma subsidiária da PowerChina, um documento de planeamento urbano local, bem como imagens de satélite e publicações nas redes sociais da zona, permitiram esclarecer melhor a forma como este projeto de grande envergadura pode estar a tomar forma.

Uma simulação baseada nesta informação e produzida em conjunto com especialistas do Programa de Energia, Água e Sustentabilidade do Centro Stimson, que forneceram análises técnicas e geográficas, sugere que o projeto poderá ser um sistema extenso de centrais hidroelétricas, túneis e reservatórios, que no seu conjunto poderão estender-se por cerca de 150 quilómetros em linha reta desde a primeira até à última central elétrica.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Projeto de megacentral fotovoltaica em Castelo Branco volta a ser chumbado


A Agência Portuguesa do Ambiente voltou a chumbar a central fotovoltaica da Beira, em Castelo Branco.

O projeto da central solar da Beira iria ocupar mais de 500 hectares nos concelhos de Idanha-a-Nova e Castelo Branco. Previa a instalação de mais de 400 mil módulos fotovoltaicos, com 22 quilómetros de linhas de muito alta tensão, em paisagens protegidas e áreas classificadas.

O projeto foi chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente. A confirmação foi dada à SIC pela ministra Maria da Graça Carvalho.

A APA já tinha chumbado um projeto para esta central no ano passado. Com o novo chumbo, a empresa pode ainda apresentar uma nova versão.

A Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional garante que continuará atenta, tendo também como foco outra megacentral solar, o projeto Sophia. Este é igualmente alvo de protestos e tem uma dimensão ainda maior.

São cerca de dois mil hectares nos concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova. O projeto está ainda em fase de avaliação do estudo de impacte ambiental e aguarda parecer da Agência Portuguesa do Ambiente.

domingo, 28 de dezembro de 2025

A grinding, pivotal year ahead

Fonte


I’ve been thinking a lot about this over the past few days in part because the Trump administration did yet another indefensible thing—they shut down all work on five offshore wind farms off the eastern seaboard. As the Times put it, the move


essentially gutted the country’s nascent offshore wind industry in a sharp escalation of President Trump’s crusade against the renewable energy source.

The decision injected uncertainty into $25 billion worth of projects that were expected to power more than 2.5 million homes and businesses across the Eastern United States, according to Turn Forward, an offshore wind advocacy group. The five wind farms were projected together to create together about 10,000 jobs.

The administration said there were “national security” reasons for the shutdown that they couldn’t explain but that had something to do with radar. You are forgiven your skepticism about this rationale. Retired naval commander Kirk Lippold said the Department of Defense had fully vetted the projects, and added “ironically, these projects will actually benefit our national security by diversifying America’s energy supplies, providing much-needed reliable power for the grid and helping our economy.” If you want more on this aspect, check out Peter Gleick’s fine essay. Or maybe just look at a map of Asian wind installations, offshore and on; the Chinese coast, by Trumpian logic, is apparently the most vulnerable place on planet earth.



No, everyone knows that this decision, like so many in 2025, results from a combination of two obvious things. One is the president’s detestation of windpower, because you can see turbines from the 18th hole of his Turnberry golf course in Scotland, a sight he has described as “disgusting.” (By the way, it’s a prejudice he shares with his sidekick Bobby “Measles” Kennedy—here’s the letter some of us wrote to him 20 years ago next week pointing out that he was being an ass for trying to protect the view from his Cape Cod compound). The second thing, of course, is Trump’s efforts to pay off his fossil fuel donors—they gave him half a billion in campaign help, and they are now reaping the largest return on investment in recorded history.

But there’s a third reason too, I think, and one that reminds us of the politics inherent in all of this. For New England, New York, and Virginia those now-halted windfarms offer something like a first stab at energy independence. And that’s anathema to the fascist mind, which values centralization and control above all. California has already begun to escape that control—it has so much solar and wind energy that it could, if it had to, increasingly make do on its own (and the hydro-charged northwest as well). But the northeast is the other center of resistance to Trump’s ugly project; it’s currently tied to the end of the gas pipelines stretching back to the Gulf, and Trump et al are determined to keep it that way.

And for now there’s nothing we can do about it (except go to court, which actually worked when Trump tried to shut down one wind farm in the fall). Without control of either the House or Senate, Democrats have no way to stand up to even something as egregiously stupid as this windpower ban. Getting a majority in either chamber would not rein in the MAGA project, but it would allow questions to be publicly asked, and it would allow at least a budget fight about such venality. It’s nowhere near what we need, but it’s not nothing. And nothing is what we have right now, which is why the last year has been so hard—those of us who care about, say, science and economics (or justice) have had to stand there and take it, our hands essentially tied behind our backs.

We’ve done our best in the circumstances—the No Kings Day protests, for instance, have been crucial in sapping support for what seemed at first like a juggernaut. But the reason to drive down Trump’s popularity is to make it harder for him to win elections (and harder to rig elections—the refusal of the Indiana GOP to go along with the president’s redistricting plan this month was a good reminder that Trump at 38 percent approval is less effective than Trump at 55 percent).

The elections will, of course, be a hard fight. Hard because MAGA has all the advantages of incumbency (including an ever-more-compliant media—the fact that the White House now controls CBS is a particular blow to those of us old enough to remember Murrow and Cronkite). And hard because in many places the Democrats we will need to support won’t be precisely the champions we’d most like. Prepare for a lot of tap-dancing around “climate,” for instance—what we need to hope for is that these candidates are sensible enough at least to seize on the popularity of solar and windpower and make a decent argument for energy both cheap and clean. Some Mamdanis will emerge, and we’ll treasure them, but the basic job is straightforward: beat MAGA everywhere we can, hopefully with margins sufficient to start reorienting our hideous politics.

I’ll obviously keep covering the energy marvels appearing in the rest of the world—reporting on the ongoing sunpower revolution keeps me optimistic enough to stagger on. But I think my main job over the next ten months is to do all I can to help the elections on Nov. 3 come out the right way; I’ll be writing, and through Third Act I’ll be organizing (look for the next rounds of the Silver Wave tour). Those hoped-for victories are the necessary first step to preserving both some of our democracy and some of our climate system. And remember how good it felt to take home some preliminary wins last month in New York, New Jersey, Virginia. Wiping more of the smirk off the presidential mug is our potential reward—that and a future.

In other energy and climate news:

+As they shut down wind farms, America’s energy czars are pledging billions on a particularly absurd scheme: big gas pipelines in Alaska designed for an export LNG market that almost certainly won’t exist by the time they’re built. Lois Parshley has some fine reporting in Grist


The cost is staggering: Official estimates put it at $44 billion, though independent analysts suggest it could top $70 billion. Experts say it has required substantial government support to develop and will require “a mix of public and private capital to move forward.”

The pipeline’s backers are already eyeing additional federal support, including $30 billion in loan guarantees. That backstop would leave the public on the hook if the endeavor falters, an outcome that has plagued previous state megaprojects. “Every taxpayer should be furious that the federal government is chasing this project,” said Cooper Freeman, the state director for The Center for Biological Diversity, which is suing the federal government over the proposed pipeline’s threat to endangered species.

Meanwhile, a wave of liquified natural gas development is expected to flood global supply by 2030, including from export projects in British Columbia that are closer to completion and share Alaska’s proximity to Asian markets. In a blunt assessment, independent energy market firm Rapidan Energy Group warned that investors “could incur substantial financial losses” and said the Alaska project is what happens when “politics overrides commercial logic.”

Prediction: the federal government won’t be able to find private parties to put up serious money for this project. It will be a taxpayer-financed boondoggle if it happens at all—which is the same dynamic affecting plans for Canadian tarsands pipelines. Perhaps Trump has the political muscle to make all of us pay for this folly; or perhaps the upcoming elections will provide a stumbling block (see above). By the way, a widely predicted the EU seems not to be living up to its pledges to buy more LNG in return for reducing its tariffs.

+Don’t miss David Roberts’ Volts interview with Saul Griffith from earlier today. Readers of this newsletter will be long acquainted with his basic arguments about how to make solar cheaper, but his comparison of putting solar on the roof of his home in Sydney and his office in San Francisco is truly breathtaking. (Spoiler: five times cheaper down under). Here’s how he describes the Aussie process:

You have to remember, this is a first world country where 40% of people have rooftop solar. At 40% of households having it, it’s pretty hard to commute home from work without seeing a truck that says on the side of it, “Hot Electric” or “Solar Hub Electric” or “Joe’s Mom and Her Dog’s Electric Solar and Water Heater Service.” You can probably call one of those on your commute. They will probably show up the next morning before 7 am and have a look at your roof. Depending upon their backlog, they’ll be on your roof within 48 hours. Or maybe it’ll be a week

+Robert Rosner has a comprehensive rundown on the prospects for nuclear power in the decades ahead from the Bulletin of the Atomic Scientists. Though I’m going to put in bold the question I think may actually turn out to be most decisive.

Whether a nuclear renaissance actually occurs in the coming decade or two will depend, to a significant degree, on the answers to three fundamental questions: Are these new designs safer than their predecessors? Do the new designs lead to changes in how one will have to deal with the inevitable waste products (including the “spent” fuel)? And do thee new designs raise additional (or new) questions regarding nuclear weapons proliferation? In posing these questions, I am willfully excluding from my analysis additional key questions that actually determine whether a true “nuclear renaissance” is now likely to arrive in the United States: Will the strong increase in assured 24/7-always available electricity demand continue? Will the cost of electricity from the new generation of nuclear reactors be competitive with that obtained from alternate electricity-generation technologies? And will we finally succeed in dealing responsibly with our high-level nuclear waste and move this material into permanent repositories?

+Kentucky is the absolute heart of coal country, of course—but a new study finds that if you started retiring aging coal-fired power plants and replacing them with renewable energy, Kentuckians would save immense amounts of money. As Liam Niemeyer explains,

“Here in Kentucky, coal was the least-cost way to produce electricity, but as our coal plants age and as the cost of renewable energy continues to fall, that’s simply no longer the case,” the head of the group that commissioned the report, said. “Continuing to rely on aging, uneconomic power plants simply leads us to less stable, less dependable and higher-cost electricity when compared to the other pathways that are modeled in our report.”

Using an open source electricity planning model, the report analyzes four pathways that Kentucky utilities could take. The analysis considered pending proposals to build new power plants and other planning documents filed by utilities. It found the least-cost pathway creates up to $2.6 billion in savings for ratepayers through 2050 by replacing coal-fired power with “clean energy resources,” primarily solar power paired with batteries to store the power.

+Americans have some company in our political misery. Czechia has a new environment minister, from the rightwing Motorists for Themselves party (admittedly, a great name that pretty much sums up all the forces wrecking the earth), and he is vowing that “green blood will run” as he makes policy changes. On assuming office, the new guy announced "the climate crisis is over today."

+Sadly, “enhanced rock weathering” does not seem to be as useful a carbon removal technology as some had hoped, a new study finds. “Integrating the pore water results with model analyses, we estimated that the average CO2 removal rate was 100 ± 30 kg CO2 ha–1 yr–1, which is 10 to 30 times lower than the upper rates reported in some previous modeling and experimental studies.”

+In much better news, check out these numbers: E-bike (and trike and rickshaw) sales are soaring across the planet, and doing far more than EVs to drive down oil demand. From Muhammad Rizwan Azhar and Waqas Uzair:

On the world’s roads last year, there were over 20 million electric vehicles and 1.3 million commercial EVs such as buses, delivery vans, and trucks.

But these numbers of four or more wheel vehicles are wholly eclipsed by two- and three-wheelers. There were over 280 million electric mopeds, scooters, motorcycles, and three-wheelers on the road last year. Their sheer popularity is already cutting demand for oil by a million barrels of oil a day—about 1 percent of the world’s total oil demand, according to estimates by Bloomberg New Energy Finance.

As they point out, it comes down to money: far more humans can afford to buy these vehicles. And to operate them.

If you commute on an e-bike 20 km a day, five days a week, your charging cost would be about $20—annually.

+And one other delightful note on which to end the year. A new study is showing that growing crops in solar farms is not just good for the crops, it’s good for the farmworkers.

Agrivoltaics creates coveted shaded areas for farmworkers. That’s critical when you consider they are 35 times more likely to suffer fatal heat-related illnesses than nonagricultural workers.

Scientific data backed the workers’ instincts on the shade. Solar panels reduced the wet bulb globe temperature, a heat-measuring system, by up to 10 degrees.

Here’s an image from Shandong province, China.


The researcher, Talitha Neesham-McTiernan at the University of Arizona, interviewed lots of farmworkers. One of them confessed they found it hard to imagine ever going back to work on traditional full-sun farms — where, they added, their favorite crops had always been tomatoes, because of the shade the tall plants offered.

“By 9 a.m., in the summer, you’re just cooking,” Neesham-McTiernan said. “Being able to take that direct heat load off makes such a difference.”

Shade keeps drinking water cool too, the workers noted — a crucial benefit, given water’s role in mitigating heat stress. “They can pop their bottles under the panels and they stay cool all day,” Neesham-McTiernan said, “rather than it being, as one of the farmworkers described it, like drinking tea.”

Another worker said these benefits helped them feel less exhausted by day’s end, leaving more energy for social life and allowing a faster recovery for the next day’s work. Others said simply knowing shade was nearby reduced their mental stress.

On that note, I wish you too a week with reduced mental stress, the better to prepare for the important work ahead. See you in 2026!

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Serão as agências de classificação do carbono a chave para evitar o greenwashing?


Com a União Europeia a retomar a utilização de créditos de carbono como um mecanismo para ajudar as indústrias e empresas europeias a compensar as suas emissões de gases com efeito de estufa, a Euronews falou com Sebastien Cross, cofundador e diretor de inovação da agência de classificação de carbono BeZero Carbon, sediada em Londres.

Fundada em 2020, a agência tem como principal função avaliar os créditos de carbono e analisar a probabilidade de estes compensarem uma tonelada de carbono, um método análogo à forma como as agências de notação financeira avaliam a probabilidade de incumprimento de obrigações e instrumentos financeiros.

"O que fazemos como agência de notação é avaliar os créditos", disse Cross. "Não fornecemos as metodologias, não acreditamos. Analisamos os créditos e dizemos qual é a probabilidade de estes créditos refletirem efetivamente uma tonelada de carbono emitida, o que todos eles são rotulados como fazendo".

O mercado de carbono da UE27, o Regime de Comércio de Licenças de Emissão (CELE) permite às empresas europeias comprar e vender licenças para cobrir as suas emissões. Até 2020, o bloco utilizou créditos de carbono, então conhecidos como créditos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permitiam às nações mais ricas ganhar créditos investindo em projetos sustentáveis nos países em desenvolvimento.

A utilização dos MDL foi abandonada na sequência de acusações de "greenwashing", de crédito excessivo e de desvio dos esforços genuínos de redução das emissões a nível interno. No entanto, com o advento da lei da UE relativa ao objetivo climático para 2040, que visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 90%, o bloco está novamente a considerar a utilização de créditos de carbono internacionais para reduzir 5% das suas emissões.

Mercados de carbono em maturação
O cofundador da agência BeZero afirmou que os governos que utilizam classificações estão a procurar ajuda para avaliar a credibilidade dos créditos que estão a adquirir ao abrigo do artigo 6.

"Vimos o interesse dos governos em usar as classificações como uma ferramenta enquanto procuram projetar como desejam usar os créditos de carbono em seus sistemas de conformidade", disse ele. "Obviamente, as discussões na UE são muito interessantes nessa perspetiva".

Cross observou que muita coisa mudou nos últimos cinco anos, incluindo a mentalidade sobre o risco e o desempenho real dos créditos de carbono.

"A agência de notação está a fornecer aos compradores e investidores uma medida de risco que lhes permite compreender a dinâmica subjacente real", afirmou, referindo que há cinco anos os mercados de carbono não tinham qualquer métrica de risco associada.

Cross afirmou que os mercados de carbono estão a tornar-se mais maduros, o que considerou um desenvolvimento positivo, dada a crescente atenção política aos créditos de carbono e ao seu papel na descarbonização.

A UE, o Brasil, a China, a França, a Alemanha e o Reino Unido, entre outros, aprovaram recentemente um compromisso global para os mercados de carbono, à margem da cimeira sobre o clima COP30. Esta iniciativa assinala uma ampla intenção de desenvolver mecanismos de fixação de preços do carbono e um mercado mundial do carbono.

Os créditos de carbono são emitidos em dois sistemas distintos: o mercado de cumprimento e o mercado voluntário.

Os governos gerem o mercado de conformidade, no qual certas empresas têm de comprar licenças oficiais que lhes permitem libertar uma determinada quantidade de CO2 ao abrigo de leis e limites rigorosos.

O mercado voluntário, por sua vez, permite às empresas comprar créditos de projetos ambientais, como a proteção das florestas ou a energia limpa, para reduzir a sua pegada de carbono.

No entanto, como explicou Cross, com a UE aberta a incluir os créditos de carbono como instrumento de descarbonização e a integrar o artigo 6.º do Acordo de Paris nos seus objetivos, será a UE ou os Estados-membros a fixarem o preço dos créditos.

"Precisamos de preços de carbono mais elevados para manter o incentivo à descarbonização", afirmou Cross. "E a preocupação é que, se os créditos forem permitidos no estrangeiro, o preço do carbono é reduzido, o que não incentiva as empresas a investir nas coisas necessárias para descarbonizar a nível nacional".

Também partilhou preocupações sobre as implicações da integração de créditos de carbono no CELE, uma vez que a UE27 está atualmente a ponderar a inclusão de remoções permanentes de carbono no seu âmbito.

"Existe um risco percetível de que isso reduza o preço do CELE, uma vez que os créditos serão mais baratos", disse Cross.

O problema da validação
Num sistema de crédito de carbono, os países ou empresas que emitem mais gases com efeito de estufa têm de comprar mais licenças de crédito. Caso emitam menos emissões, podem vendê-las, criando assim um sistema de comércio de licenças.

"O crédito de carbono considera uma atividade, ou melhor, uma intervenção, que está a reduzir ou a remover carbono e tenta creditar o carbono que foi reduzido ou removido", explicou Cross.

Estas intervenções podem ser baseadas na natureza, como a florestação e a proteção de mangais e turfeiras, ou não baseadas na natureza, como a utilização de tecnologias de captura e armazenamento de carbono.

"No que respeita às intervenções não baseadas na natureza, temos tido historicamente muitos créditos de energias renováveis. Se os créditos se referem ao facto de a energia marginal que produzimos ser proveniente de energias renováveis e não da rede, estamos a reduzir a intensidade de carbono", afirmou Cross.

Sempre que os créditos de carbono são emitidos, as empresas que os utilizam são obrigadas a tornar pública uma determinada quantidade de informação.

"Quando analisamos projetos emitidos, podemos começar com a informação disponível ao público. Depois, contactamos o promotor ou o proprietário do projeto se algumas informações não forem claras, precisarem de ser clarificadas ou estiverem em falta", explicou Cross.

"O papel da agência de notação é fornecer o máximo de informação e dados que pudermos para questionar a exatidão desses números. E isso reflete-se depois na nossa classificação principal".

Desempenho dos créditos de carbono
Cross disse à Euronews que existe uma variação considerável entre a eficácia dos diferentes créditos de carbono e que avaliar o seu verdadeiro desempenho é muitas vezes impossível.

"Não se pode observar exatamente o que estão a conseguir porque existem fatores como as linhas de base contrafactuais, em que não se pode observar, apenas se tenta estimar", disse. "Nunca há dados perfeitos por trás do número de créditos que são emitidos".

No caso da captura direta de dióxido de carbono da atmosfera, por exemplo, existe muita informação disponível para avaliação, porque os sistemas tecnológicos determinarão a quantidade de carbono que está a ser separada de outros componentes do ar e transportada. No entanto, ainda é necessário determinar um valor de referência para avaliar o impacto que estes esforços estão realmente a ter.

"É a parte mais controversa de um projeto de crédito de carbono - tentar perceber o que teria acontecido se o projeto não fosse para a frente - porque é isso que é preciso creditar entre essas duas linhas", disse Cross.

Esta é uma das razões pelas quais a UE teve dificuldades com a integração do MDL, explicou, porque vários projectos alegaram falsamente que estavam a fazer algo que levaria a evitar um certo número de emissões.

"A principal diferença agora é a disponibilidade de ferramentas como as nossas, que permitem compreender realmente o que está a ser alcançado ao nível do projeto", acrescentou, referindo-se a imagens de satélite e tecnologias mais avançadas do que qualquer outra disponível anteriormente.