Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra Civil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra Civil. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ilwad Elman - Foco e Filosofia

"O colapso ecológico e o colapso da governação estão intrinsecamente ligados. Eles reforçam-se mutuamente. E as consequências não são apenas locais. São globais." - Ilwad Elman

Ilwad Elman é uma das mais influentes ativistas somali-canadianas da atualidade, centrando a sua atuação na intersecção entre a paz, a segurança e os direitos humanos.  Filha de pais também eles ativistas, Ilwad, nascida em 1989, na Somália, viveu parte da sua juventude no Canadá, mas decidiu regressar à Somália em 2010 para se juntar à sua mãe, Fartuun Adan, na gestão do Elman Peace and Human Rights Centre. Este centro foi fundado em memória do seu pai, Elman Ali Ahmed, um pacifista assassinado em 1996 pelo seu trabalho de reabilitação de jovens afetados pela guerra.

Em 2010, quando regressaram, o conflito ainda era intenso e a maioria das regiões de Mogadíscio e do Centro-Sul da Somália haviam sido perdidas para o controle do grupo terrorista Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda. Gradualmente, a organização Elman Peace foi pioneira em toda a Somália nas prioridades temáticas sobrepostas de paz e justiça, clima e segurança, direitos humanos e proteção, questões de género e igualdade, educação, meios de subsistência e criação de empregos.

Em 20 de novembro de 2019, as autoridades locais confirmaram que uma de suas irmãs, Almaas Elman, que também havia retornado à Somália como trabalhadora humanitária, foi morta a tiros num carro, perto do Aeroporto Internacional Aden Adde, em Mogadíscio

Ao longo da sua carreira, Ilwad destacou-se pela implementação de programas inovadores de desarmamento e reintegração social, focando-se especialmente na recuperação de ex-crianças-soldado e na proteção de mulheres sobreviventes de violência sexual. O seu trabalho ganhou uma dimensão global através do seu envolvimento como conselheira das Nações Unidas, onde tem defendido que a estabilidade política não pode ser dissociada da justiça social e, cada vez mais, da sustentabilidade ambiental.

Como sugere a citação na imagem, Elman é uma das vozes líderes na sensibilização para a segurança climática. Ela argumenta que a degradação ambiental e a escassez de recursos provocada pelas alterações climáticas e desigualdade promovidas por políticas belicistas e de lavagem verde, exacerbam os conflitos armados, principalmente no Sul Global e alimentam a sua instabilidade política, tornando a justiça ecológica um pilar fundamental para uma paz duradoura.

Pelo seu impacto humanitário, foi já nomeada em várias ocasiões para o Prémio Nobel da Paz, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas na resolução de conflitos em contextos complexos.

Recentemente, o seu percurso académico e contributo para a paz foram reconhecidos com distinções honorárias, incluindo um Doutoramento Honoris Causa em Direito (LL.D.) pela Carleton University, em reconhecimento pelo seu trabalho humanitário e liderança global.

sexta-feira, 11 de março de 2022

The Mirror - Directed by Andrei Tarkovsky


Tudo sobre o filme aqui

O filme "O Espelho" representa reflexões, pensamentos da pessoa aqui identificada como o Autor. Não aparece pessoalmente, apenas a sua voz cansada ressoa. E no ecrã, como num espelho, surgem imagens do seu passado. À partida, as memórias parecem dispersas: o amor pela mãe, que o Autor não sabe como exprimir, um sentimento profundo pelo pai, a insatisfação consigo próprio pela relação pouco desenvolvida com o filho… Gradualmente, tudo se torna claro: trata-se de um relato pessoal, de um difícil juízo de consciência, talvez até de uma sentença. O filme ocupa um lugar especial na obra de Andrei Tarkovsky. Nele, retrata a sua mãe idosa, Maria Ivanovna Vishnyakova-Tarkovsky, enquanto, ao fundo, se ouve a voz do seu pai, o poeta Arseny Tarkovsky, a recitar os seus belos poemas. É um filme de confissão, um filme de revelação.

domingo, 26 de dezembro de 2021

Romancero de Durrutti - Chicho Sánchez Ferlosio



0:00 Por alli viene Durrutti... 
0:58 Historia de tres amigos... 
3:13 Canta garganta... 
4:58 Fotografías de presos políticos coleccionadas por un policía 
5:46 Yo soy del campo... 
6:56 El ejército español... 
7:54 Malditas elecciones... 
9:12 19 de noviembre malos tiempos me recuerdas... 
10:47 Los de Oviedo 
12:36 Aunque en Madrid y en Paris... 
14:12 Para tierras africanas...

terça-feira, 12 de maio de 2020

The Clash - Spanish Bombs

Melhor som aqui
Letra
Spanish songs in Andalucia
The shooting sites in the days of '39
Oh, please, leave the ventana open
Federico Lorca is dead and gone
Bullet holes in the cemetery walls
The black cars of the Guardia Civil
Spanish bombs on the Costa Rica
I'm flying in on a DC 10 tonight

[refrão]
Spanish bombs, yo te quiero infinito
Yo te quiero, oh mi corazón
Spanish bombs, yo te quiero infinito
Yo te quiero, oh mi corazón

Spanish weeks in my disco casino
The freedom fighters died upon the hill
They sang the red flag
They wore the black one
But after they died it was Mockingbird Hill
Back home the buses went up in flashes
The Irish tomb was drenched in blood
Spanish bombs shatter the hotels
My señoritas rose was nipped in the bud

[refrão]

The hillsides ring with: Free the people
Or can I hear the echo from the days of '39?
With trenches full of poets
The ragged army, fixin' bayonets to fight the other line
Spanish bombs rock the province
I'm hearing music from another time
Spanish bombs on the Costa Brava
I'm flying in on a DC 10 tonight

[refrão]
Oh mi corazón, oh mi corazón

Spanish songs in Andalucia, Mandolina, oh mi corazón
Spanish songs in Granada, oh mi corazón
Oh mi corazón, oh mi corazón
Oh mi corazón, oh mi corazón

Lançada em 1979 no aclamado álbum duplo London Calling, "Spanish Bombs" é uma das composições mais ricas e multifacetadas dos The Clash. A canção, escrita por Joe Strummer e Mick Jones, destaca-se musicalmente por construir um forte contraste entre a sua sonoridade e o seu conteúdo lírico. Estilisticamente posicionada no ponto de transição entre o punk rock inicial da banda e o post-punk com influências de new wave e jangle pop, a faixa combina guitarras melodiosas, um ritmo fluido com nuances de ska e reggae e uma melodia luminosa com uma letra sombria sobre guerra, assassinato e terrorismo. Um dos elementos mais marcantes da dinâmica musical é o refrão cantado num espanhol gramaticalmente imperfeito, fruto da abordagem direta e intencionalmente crua de Strummer ao tentar expressar afeição na língua local sem ter um domínio formal do idioma.

Historicamente, a canção estabelece uma ponte direta entre dois momentos de forte tensão política e social. De um lado, resgata a memória da Guerra Civil Espanhola (1936–1939), o sangrento conflito em que as forças republicanas de esquerda tentaram conter o avanço do fascismo liderado pelo General Francisco Franco. Do outro, reflete o contexto contemporâneo do final dos anos 1970, período em que Strummer viajou pela Andaluzia durante a conturbada transição espanhola para a democracia. Na época, a Espanha lidava com atentados bombistas do grupo separatista basco ETA em zonas turísticas da Costa del Sol, enquanto o Reino Unido vivia a violência do IRA e o surgimento de movimentos radicais.

Neste sentido, o significado de "Spanish Bombs" gira em torno do desencanto político, da perda da inocência revolucionária e da reflexão sobre a violência histórica. A letra confronta a visão romântica do heroísmo das Brigadas Internacionais da década de 1930 com a realidade brutal e cega do terrorismo moderno, questionando como causas ideológicas nobres acabam muitas vezes afogadas em sangue e destruição. Trata-se, sem dúvida, de uma música de intervenção política e social. No entanto, longe de operar como um mero panfleto ideológico, a intervenção da banda faz-se pela via da conscientização histórica, resgatando a memória da luta antifascista num momento em que a Europa vivia uma nova guinada à direita e enfrentava crises de segurança interna.

O impacto cultural da canção foi significativo. "Spanish Bombs" demonstrou a maturidade do movimento punk ao provar que o género podia articular temas geopolíticos e literários complexos sem perder a urgência ou a energia crítica. A música reintroduziu a narrativa da Guerra Civil Espanhola a uma nova geração de jovens nos anos 80 e influenciou profundamente o rock alternativo de cariz político que surgiria nas décadas seguintes, servindo de referência para bandas como os Manic Street Preachers, R.E.M. e artistas como Billy Bragg.

Por fim, as inspirações literárias e filosóficas da canção são explícitas e profundas. A figura do poeta e dramaturgo andaluz Federico García Lorca, assassinado por milícias fascistas em 1936, é evocada diretamente nos versos que recordam Granada como o local onde o poeta tombou. Além de Lorca, a obra Homenagem à Catalunha, de George Orwell, surge como uma influência fundamental na representação da complexidade e do romantismo trágico da resistência republicana, onde conviviam fações anarquistas e comunistas. Esse imaginário dialoga também com a literatura de  em Por Quem Os Sinos Dobram e com o idealismo do anarquismo e do socialismo libertário, transformando "Spanish Bombs" numa elegia poética sobre a solidariedade internacional e os custos humanos da luta pela liberdade.