Mostrar mensagens com a etiqueta ECHA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ECHA. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de agosto de 2026

A comida que compras no supermercado vai mudar (e não é no preço)


Primeiro foi a reciclagem de embalagens através do sistema Volta. Agora, a preocupação está literalmente à volta daquilo que comemos.

A União Europeia está a apertar as regras para as embalagens e os resíduos de embalagens e a primeira mudança com impacto direto na saúde dos consumidores começa já a aplicar-se: novos limites para os chamados PFAS, conhecidos como “químicos eternos”.

Os PFAS são um grupo de milhares de substâncias químicas utilizadas para conferir resistência à gordura, à humidade e ao calor, contudo, algumas destas substâncias são extremamente persistentes no ambiente e podem acumular-se no organismo humano.

É por isso que a União Europeia decidiu limitar a sua presença nas embalagens destinadas a entrar em contacto com alimentos, como, por exemplo, uma embalagem de queijo, de pizza ou de comida pronta em take away.

A partir de 12 de agosto de 2026, não podem ser colocadas no mercado embalagens que ultrapassem os valores definidos para estas substâncias. E a regra não se limita ao material de que é feita a embalagem que reveste comida ou bebidas quentes. Abrange também tintas, revestimentos e adesivos.

O que acontece aos alimentos que já estão nas prateleiras?
A recente mudança não significa que, de um dia para o outro, todas as embalagens dos supermercados tenham de ser substituídas.

As novas obrigações entram em vigor de forma faseada e existem períodos de adaptação previstos no novo enquadramento europeu. Para além disso, a partir de agora, as informações sobre o fabricante das embalagens terão de estar visíveis, permitindo identificar e contactar quem as colocou no mercado.

Mas as mudanças não ficam por aqui. A partir de 2028, deverá começar a aplicar-se em toda a União Europeia um sistema de rotulagem harmonizado para as embalagens. A ideia é tornar mais simples perceber como devem ser separadas e encaminhadas para reciclagem ou compostagem.

Já em 2030, a ideia é introduzir novas regras sobre a quantidade de espaço vazio nas embalagens, metas de reutilização e restrições a determinados formatos de plástico descartável de pequena dimensão, utilizados, por exemplo, no setor da hotelaria e restauração.

Segundo a Comissão Europeia, cada cidadão europeu deita fora, em média, cerca de meio quilo de embalagens por dia, isto entre copos de café, cápsulas de bebidas, películas aderentes, folhas de alumínio, caixas e embalagens de compras online.

Sem novas medidas, Bruxelas estima que o desperdício de embalagens na União Europeia poderia aumentar 19% até 2030. No caso específico dos resíduos de embalagens de plástico, o crescimento poderia chegar aos 46%.

Ainda faltam alguns anos para que grande parte das novas regras esteja plenamente em vigor. Mas a direção está definida: no supermercado do futuro, não estará apenas em causa aquilo que compramos dentro da embalagem. Também contará, cada vez mais, aquilo de que a própria embalagem é feita.

quarta-feira, 25 de março de 2026

O Tratado Global sobre Plásticos: O Momento Decisivo

O planeta enfrenta uma crise que já não se mede apenas em ilhas de lixo flutuantes ou em praias desfiguradas. A invasão do plástico tornou-se biológica e sistémica. Todos os anos, milhões de toneladas de polímeros e as letais redes fantasma – armadilhas de nylon que perduram por séculos – invadem os nossos oceanos, dizimando baleias, tartarugas e aves marinhas, enquanto asfixiam ecossistemas vitais para a regulação do clima. Contudo, o perigo mais insidioso é aquele que não conseguimos ver a olho nu.

As milhões de toneladas de plástico que acabam no oceano chegam à nossa mesa e ao nosso corpo através do peixe, da água e até do sal. A ciência já confirmou: trata-se de um perigo para a saúde pública.

A ciência moderna confirmou o que há muito se temia: o plástico já faz parte da biologia humana. Microplásticos e nanoplásticos foram detetados no sangue, em órgãos vitais e até em placentas, o que significa que as novas gerações já nascem num ambiente de contaminação interna. De acordo com o estudo sobre Microplásticos na placenta humana, estas partículas não são inertes; elas transportam um cocktail de mais de 4.200 substâncias perigosas utilizadas na sua produção. 

Em Portugal, a preocupação com os microplásticos já saltou das páginas das revistas científicas para os alertas das autoridades de saúde. Substâncias como os bisfenóis, os ftalatos e os PFAS (químicos eternos) são classificados pela Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) e pelo National Institute of Environmental Health Sciences como disruptores endócrinos. Estes compostos têm a capacidade de interferir com o nosso equilíbrio hormonal, estando cientificamente ligados à infertilidade, ao aumento de doenças metabólicas como a obesidade e a formas agressivas de cancro. Não se trata de uma ameaça distante: o projeto europeu de biomonitorização (HBM4EU), no qual Portugal participou, confirmou que estes químicos estão presentes no organismo da vasta maioria dos cidadãos europeus, provenientes da nossa alimentação e da degradação desenfreada do plástico no meio ambiente.

Apesar da gravidade da situação exposta em relatórios sobre o impacto nos ecossistemas marinhos, a resposta global tem sido, até agora, insuficiente. Falar apenas em "limpar o lixo" ou em melhorar a reciclagem — que processa menos de 10% do plástico mundial — é ignorar a raiz do problema. Estamos a tentar secar um chão inundado sem fechar a torneira. É por isso que o Tratado Global sobre Plásticos, agora na sua fase decisiva de negociação nas Nações Unidas, não pode ser um acordo de intenções vagas.

Exigimos um tratado ambicioso que não se foque apenas na gestão do resíduo final, mas que imponha limites vinculativos à produção de plástico virgem. É imperativo banir os químicos tóxicos que impedem uma economia circular segura e responsabilizar financeiramente as empresas pelo ciclo de vida completo dos seus produtos. O tempo das soluções cosméticas terminou. O que está em causa não é apenas a preservação da natureza, mas a integridade da saúde humana e a viabilidade da vida nos oceanos. Precisamos de um compromisso que trave a produção na origem, antes que o plástico substitua permanentemente a vida no nosso planeta azul.

Assina e divulga esta petição

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Relatórios e críticas académicas sobre o REACH

Em complemento ao que já foi dito aqui, sugiro a leitura da seguinte informação. Apesar dos seus progressos, diversos estudos académicos têm apontado limitações importantes que comprometem a sua eficácia ambiental.

Entre as principais críticas destaca-se a lentidão dos processos de avaliação e autorização, que faz com que muitas substâncias perigosas permaneçam no mercado durante anos antes de qualquer restrição efetiva. A qualidade e transparência dos dados submetidos pelas empresas também suscitam dúvidas: análises recentes revelam que mais de metade dos estudos utilizados não seguem padrões regulatórios consistentes.

Outro ponto central é a avaliação insuficiente dos efeitos combinados de misturas químicas. O REACH tende a analisar substâncias isoladamente, ignorando o chamado efeito cocktail, em que misturas de compostos aparentemente inofensivos podem causar sérios impactos sobre ecossistemas aquáticos e terrestres. Investigadores e organizações ambientais defendem a introdução de um mixture assessment factor para refletir melhor a realidade ecológica.

Estudos em ecotoxicologia demonstram que os dados de toxicidade ambiental no REACH são incompletos ou de baixa qualidade, o que dificulta a avaliação da pegada ecológica das substâncias. Isto tem implicações diretas na biodiversidade, na contaminação da água e do solo, e na saúde dos ecossistemas.

Além disso, há disparidades na aplicação entre Estados-Membros, o que fragiliza a coerência da proteção ambiental. A indústria, por seu lado, reconhece o valor do REACH, mas critica os custos e a burocracia associados.

1. Comissão Europeia / ECHA


Socio-economic analysis in REACH. Portal da ECHA que explica como são feitas as análises socioeconómicas para autorizações e restrições.

Evaluation under REACH. Página da ECHA que explica como funcionam os processos de avaliação (compliance check, substance evaluation, testing proposals).


2. Relatórios de avaliação económica ou de custo-benefício

SWD (2018) – Cost and benefit assessments in the REACH restriction dossiers. Este é um relatório da Comissão Europeia (Serviço de Apoio) que analisa os custos e benefícios das restrições propostas sob o REACH (Anexo XVII).

ECHA (2021) “REACH authorisation has positive health and environmental impacts”. Notícia / estudo de impacto socioeconómico que mostra que a exigência de autorização fez muitas empresas substituir substâncias muito preocupantes.

10 REACH Tests (ECHA) — relatório da EEB (European Environmental Bureau) com críticas sobre a metodologia socioeconómica da ECHA e propondo “10 testes” para melhorar a atuação da agência.


3. Críticas Académicas e Impactos Ambientais

1.Santos, A. C. T. e outros. Towards a more effective REACH legislation in protecting human health. Toxicological Sciences. Este artigo discute a lentidão do processo de avaliação/substância e a necessidade de decisões mais rápidas sob o REACH.

2.Spielmann, H. e outros   A critical evaluation of the 2011 ECHA reports on compliance with the REACH and CLP regulations and on the use of alternatives to testing on animals for compliance with the REACH regulation.  Este artigo faz uma crítica aos primeiros relatórios da ECHA sobre conformidade e uso de alternativas a testes em animais.


4. Beyer, Petersen, Song, Ruus, Grung, Bakke, Tollefsen (2014) — Environmental risk assessment of combined effects in aquatic ecotoxicology: a discussion paper. Efeitos combinados de contaminantes aquáticos; relação com REACH, Water Framework Directive (WFD) e Marine Strategy Framework Directive (MSFD).  Aborda desafios ecológicos concretos — misturas aquáticas, biodiversidade, várias espécies de fauna aquática

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

REACH: Entre a Protecção e a Burocracia Química


Quando foi criado em 2007, o REACH (Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemicals) prometia uma revolução silenciosa: tornar o mercado europeu mais seguro para as pessoas e o ambiente, obrigando as empresas a provar que as suas substâncias químicas são seguras antes de as colocarem no mercado. O princípio era simples e poderoso — “sem dados, sem mercado” — e pretendia inverter a lógica que, durante décadas, permitiu a comercialização de produtos cujos riscos eram pouco conhecidos.

Quase duas décadas depois, o balanço do REACH é ambivalente. O regulamento é, sem dúvida, um dos mais ambiciosos instrumentos de política ambiental e de saúde pública da União Europeia. Graças a ele, milhares de substâncias foram avaliadas, algumas restringidas e outras substituídas por alternativas menos perigosas. Porém, o seu percurso tem sido marcado por contradições, entraves administrativos e dilemas éticos que merecem reflexão.

A promessa e o peso da burocracia
O REACH é um sistema complexo. Exige que as empresas recolham, testem e submetam à Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) extensos dossiês de informação sobre cada substância fabricada ou importada. Na prática, isso traduziu-se num fardo burocrático pesado, sobretudo para pequenas e médias empresas, que raramente dispõem de recursos técnicos e financeiros para cumprir todos os requisitos.

A boa intenção de responsabilizar a indústria acabou, por vezes, transformada numa teia de procedimentos administrativos, onde a transparência e a qualidade dos dados nem sempre acompanham o volume de informação exigido. Muitos dossiês submetidos contêm lacunas, atrasando as avaliações e comprometendo a eficácia do sistema.

O dilema dos testes em animais
Um dos pontos mais sensíveis do REACH é a questão dos testes toxicológicos em animais. Embora o regulamento promova métodos alternativos, a realidade mostra que, para muitas substâncias, ainda se recorre a ensaios dolorosos e dispendiosos. Organizações de proteção animal criticam o paradoxo de um sistema que pretende ser moderno e ético, mas que mantém práticas experimentais ultrapassadas em nome da segurança humana.

Competitividade e desigualdade global
A indústria química europeia argumenta que o REACH, ao elevar os padrões ambientais e de segurança, também aumentou os custos de produção e reduziu a competitividade face a países onde a regulação é mais branda. Alguns setores alertam para a deslocalização da produção para fora da Europa — um efeito colateral que, paradoxalmente, pode aumentar os impactos ambientais a nível global, ao deslocar a poluição em vez de a reduzir.

Além disso, a ausência de harmonização internacional dificulta o comércio e cria barreiras técnicas, já que outras regiões do mundo não adotaram sistemas equivalentes. O ideal europeu esbarra, assim, na realidade de uma economia global desigual.

A lenta substituição das substâncias perigosas
Outro objetivo central do REACH era incentivar a inovação química verde. Mas a substituição de substâncias perigosas tem sido mais lenta do que o esperado. Muitas vezes, as alternativas introduzidas no mercado revelam-se apenas ligeiramente menos tóxicas — um fenómeno conhecido como regrettable substitution.

Este impasse mostra que o desafio não é apenas regulatório, mas também científico e económico: criar produtos verdadeiramente seguros requer investimento em investigação e vontade política para transformar cadeias produtivas inteiras.

Entre o avanço e a estagnação
Apesar das suas falhas, o REACH continua a ser um marco global. Inspirou legislações fora da Europa e forçou um debate inadiável sobre a responsabilidade da indústria química. No entanto, permanece a necessidade de simplificar processos, melhorar a transparência e acelerar a substituição de substâncias perigosas.

Nomeadamente a fraca qualidade de muitos dossiers relativos a substâncias químicas registadas, implica que muitas substâncias continuam a ser usadas, sem que se tenha informação suficiente para avaliar a sua segurança para a saúde e o ambiente.

Também os processos de restrição de substâncias chegam a demorar mais de uma década para ser completado, com graves perdas para a saúde humana e para o ambiente.

A anterior Comissão Europeia tinha prometido rever o Regulamento REACH durante o seu mandato para o tornar mais eficaz. Contudo, essa promessa não foi cumprida. O atraso existe desde o primeiro trimestre de 2023 (31 de março de 2023), altura em que deveria ter sido publicada a proposta de revisão.

Em resumo
O equilíbrio entre proteção ambiental, bem-estar animal e competitividade económica é delicado — e o REACH é o espelho dessa complexidade. É um exemplo notável de progresso regulatório, mas também um lembrete de que a transição ecológica exige mais do que boas intenções: precisa de coerência, inovação e coragem política.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

A beleza da Perdiz-Vermelha e o dilema invisível nos nossos campos

A natureza tem uma forma única de nos desarmar. Recentemente, cruzei-me com uma imagem que me fez parar: uma perdiz-vermelha (Alectoris rufa), com o seu colar preto bem marcado e o bico de um vermelho vivo, a caminhar livremente pelo campo. Completamente selvagem e alheia ao mundo dos humanos. É uma imagem pacífica, mas para quem conhece a realidade do nosso mundo rural, ela traz consigo um dilema profundo. À medida que as temperaturas descem e o mês de outubro avança, os campos portugueses ganham uma nova dinâmica com a abertura da época venatória. É o momento em que a tradição e a conservação colidem.

A caça à perdiz-vermelha é considerada por muitos o pináculo da caça menor em Portugal. O "arranque" - o voo súbito, ruidoso e extremamente rápido da ave quando se sente encurralada - exige reflexos rápidos e perícia por parte do caçador. Nesta atividade, o papel dos cães é absolutamente central. Raças excecionais como o nosso autóctone Perdigueiro Português ou o ágil Epagneul Breton são fundamentais no terreno através de duas funções principais: a parada, onde o cão deteta o odor da ave e paralisa no terreno, apontando a sua direção; e o cobro, que acontece após o disparo, quando o cão localiza e traz a ave de volta, evitando que esta se perca inutilmente no mato.

Por trás da perícia da caça esconde-se, contudo, uma ameaça invisível: as munições de chumbo. Durante décadas, toneladas de pequenos bagos de chumbo foram acumulando-se nos solos, gerando um impacto ambiental devastador. Este problema manifesta-se sobretudo através do saturnismo, que ocorre quando as aves confundem o chumbo com pequenas pedras necessárias para moer o alimento no moageiro e o ingerem, sofrendo uma morte lenta por envenenamento. Além disso, assiste-se à contaminação da cadeia alimentar, dado que os predadores que consomem estas aves, bem como os humanos que comem a sua carne, acabam por acumular este metal pesado no organismo.

Para combater este cenário, a União Europeia implementou restrições severas. Atualmente, segundo as diretrizes da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), é totalmente proibido o uso de chumbo em zonas húmidas e num raio de 100 metros destas, forçando a transição para alternativas ecológicas como o aço ou o tungsténio. No entanto, a transição em Portugal ainda enfrenta resistência no terreno devido ao custo dos novos cartuchos, à incompatibilidade com espingardas mais antigas e à complexidade da fiscalização por parte das autoridades.

Perante este cenário, muitos ponderam a criação de perdiz-vermelha em cativeiro para consumo alimentar ou repovoamento. Embora seja uma atividade legal, o processo está longe de ser simples. Para avançar, o criador enfrenta um labirinto burocrático que exige licenciamento junto do ICNF para a detenção de espécies cinegéticas, além do cumprimento das estritas normas sanitárias,  e de bem-estar animal exigidas pela DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária). Esta enorme barreira burocrática e financeira muitas vezes afasta os pequenos produtores locais, que gostariam apenas de desenvolver um negócio artesanal.

Em meados de outubro, com a época de caça oficialmente aberta - cujos períodos regulamentares podem ser consultados em detalhe no Calendário Venatório do ICNF -, os nossos campos tornam-se o palco deste eterno braço de ferro entre a exploração dos recursos e a conservação da biodiversidade. Ao olhar para a perdiz selvagem da fotografia, o meu desejo imediato era que o mundo não olhasse para tudo o que é belo apenas como um recurso regulado, licenciado ou consumível. Proteger a natureza e garantir que estas aves continuem a voar livres e sem a ameaça de contaminação nos nossos campos não devia ser um dilema burocrático ou cultural - devia ser a nossa única escolha.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Precisamos de banir PFAS agora mesmo



PFAS, estão por todo o lado. Já deve ter ouvido falar de PFAS em frigideiras antiaderentes e impermeáveis, mas sabia que estes produtos químicos eternos se encontram em inúmeros outros produtos? Até mesmo em embalagens de alimentos, medicamentos e pesticidas. 

Muitos PFAS são tóxicos; outros interferem com o seu sistema hormonal. No entanto, a indústria química recusa-se a eliminar os PFAS, pois lucra com a sua produção, pondo em risco a saúde de milhões de europeus.

A ciência é clara: os PFAS podem causar danos no fígado, distúrbios da tiroide, obesidade, problemas de fertilidade, doenças cardiovasculares e cancro. O Conselho Nórdico de Ministros estimou que o custo dos PFAS para a saúde pública é de uns impressionantes 52 a 84 mil milhões de euros por ano na Europa.

Como os PFAS quase não se degradam naturalmente e são utilizados há décadas, estão agora em todo o lado. Estudos mostram que muitos de nós estão expostos aos PFAS através de alimentos e água potável, criando riscos para a saúde humana.

Isto precisa acabar. Não podemos permitir que a indústria química continue a envenenar o nosso ar, a nossa água potável, o nosso solo e, em última análise, os nossos corpos, para sempre. A nova Comissão Europeia deve agir já:
  1. Proibindo o uso de PFAS na Europa em todos os produtos o mais rapidamente possível.
  2. Obrigar as empresas químicas a pagar os custos de limpeza da poluição por PFAS.
  3. Estabelecendo normas muito mais rigorosas para o PFAS em águas superficiais e potável.
É importante que as nossas vozes sejam ouvidas. A indústria química quer continuar a operar como sempre. E é um adversário formidável: o setor químico é um dos que mais investe em lobistas na Europa. Mas juntos podemos vencê-los.

sábado, 25 de maio de 2024

É imoral que a União Europeia exporte pesticidas que são proibidos aqui


Compromisso europeu de banir exportação de pesticidas proíbidos nunca saiu do papel, tendo sido bloqueado pela indústria química, diz relatório do Corporate Europe Observatory.
“Estes produtos são proibidos na União Europeia devido ao seu impacto negativo nos seres humanos e nos ecossistemas. Mas continuam a ser vendidos em muitos outros países, sem ter em conta os seus efeitos noutros territórios. Não só isso, mas esses mesmos produtos podem acabar por regressar para a União Europeia, como um bumerangue, em importações de alimentos que contêm resíduos desses pesticidas proibidos”, refere o relatório intitulado Deadly Exports (que significa, numa tradução livre, “exportações mortais”)

Ler mais: Público

Saber mais:

sábado, 18 de novembro de 2023

Bruxelas autoriza a utilização de glifosato na UE por mais 10 anos


A Comissão Europeia autorizou, quinta-feira, a utilização de glifosato na União Europeia (UE) por mais 10 anos, depois de os Estados-membros não terem chegado a acordo sobre proibir a sua utilização.

"A Comissão, com base em avaliações de segurança exaustivas efetuadas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA) e pela Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), em conjunto com os Estados-membros da UE, irá proceder à renovação da aprovação do glifosato por um período de 10 anos, sujeita a determinadas condições e restrições novas", afirmou em comunicado.

"Estas restrições incluem a proibição da utilização pré-colheita como dessecante e a necessidade de determinadas medidas para proteger os organismos não visados", acrescentou.

O glifosato é um herbicida de amplo espetro e dessecante de culturas agrícolas, usado para matar ervas daninhas, especialmente as folhosas perenes e gramíneas. A AESA afirmou numa avaliação, em julho passado, que não tinha encontrado "áreas críticas de preocupação" para a renovação da utilização para além de 15 de dezembro, quando expirava o prazo de autorização.

O executivo da UE tem o poder de aprovar a sua própria proposta depois de os Estados-membros não terem conseguido, pela segunda vez, alcançar uma maioria qualificada a favor ou contra o plano apresentado, em setembro.

A bancada dos Verdes no Parlamento Europeu está contra a decisão, tendo a eurodeputada francesa Marie Toussaint dito, à Euronews, que há estudos em sentido contrário ao da AESA.

"A Europa tem uma escolha: ou se envenena ou se protege. E esta votação, esta abstenção dos Estados-membros - que tinham os meios para impedir esta proposta - acaba por contribuir para a deterioração da saúde, para a devastação da natureza. Esta proposta de renovação do glifosato é um drama para a saúde humana, com um número crescente de vítimas que sofrem de cancro e deformações desde tenra idade, e também para outros organismos vivos. Numerosos estudos demonstraram o efeito devastador do glifosato na biodiversidade", explicou.

"A Europa tem uma escolha: ou envenena ou protege. E esta votação, esta abstenção dos Estados-membros - que tinham os meios para impedir esta proposta - acaba por contribuir para a deterioração da saúde, para a devastação da natureza. Agora escondem-se por detrás da sua abstenção, alegando que se opuseram porque se abstiveram, para não passarem um cheque em branco à Comissão Europeia, o que é totalmente hipócrita", concluiu Marie Toussaint.

O presidente da Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu, Pascal Canfin, criticou a decisão por ser contrária aos pareceres científicos: “Esta proposta não tem o apoio dos três maiores países agrícolas do nosso continente - França, Alemanha e Itália. Lamento profundamente. Não é a Europa de que gosto."

Aplicação depende de cada país
Embora o executivo comunitário tomado esta decisão, recordou que os Estados-Membros são responsáveis pelas autorizações nacionais dos produtos fitofarmacêuticos que contêm glifosato.

Cada país da UE continuará, por conseguinte, a ter a possibilidade de restringir a sua utilização a nível nacional e regional, se o considerar necessário, "em função dos resultados das avaliações de risco, tendo em conta, em especial, a necessidade de proteger a biodiversidade", afirmou a CE.

Um estudo europeu, divulgado no passado dia 6 de setembro, que envolveu 12 países, revela que Portugal é campeão em termos de concentração tóxica para consumo humano do herbicida glifosato em cursos de água doce. As amostras foram recolhidas em rios, ribeiras e lagos. Uma das amostras em Portugal, recolhida em Idanha-a-Nova, continha três microgramas/litro (µg/L), isto é, 30 vezes mais que o limite legal, tendo sido a mais elevada concentração de glifosato detetada nas amostras analisadas no estudo. O limite de segurança para o glifosato na água potável é de 0,1 µg/L.

Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) tenha alertado, em 2015, para os riscos cancerígenos do glifosato, a Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos e a Agência Europeia dos Produtos Químicos afirmaram ter provas científicas para classificar o herbicida como não cancerígeno.

Assim, após dois anos de polémica, o herbicida glifosato (da empresa norte-americana Monsanto) recebeu, em 2017, luz verde para continuar a ser utilizado na UE, embora por um período mais curto do que o habitual, cinco anos em vez dos habituais 15. No ano passado, a licença foi renovada mais uma vez até 15 de dezembro, na pendência de um relatório da EFSA, que foi publicado este verão.

sábado, 4 de novembro de 2023

O glifosato causa leucemia nas primeiras fases da vida


Em Bolonha, Itália, acaba de ser apresentado um estudo toxicológico multi-institucional, internacional e de longo prazo , que concluiu que “baixas doses de herbicidas à base de glifosato causam leucemia em ratos. É importante destacar que metade das mortes por leucemia identificadas nos grupos de estudo ocorreram em idade jovem”, afirma o comunicado oficial que acompanhou a apresentação.

Os dados, apresentados quarta-feira, 25 de outubro, foram divulgados na conferência científica internacional “Ambiente, trabalho e saúde no século 21: estratégias e soluções para uma crise global”, e fazem parte do Estudo Global do Glifosato (GGS) .

No estudo apresentado, os pesquisadores administraram glifosato sozinho e duas formulações comerciais, Roundup BioFlow (MON 52276) usado na UE e Ranger Pro (EPA 524-517) usado nos Estados Unidos, em ratos através da água potável desde a vida pré-natal em doses. de 0,5, 5 e 50 mg/kg de peso corporal/dia.

Daniele Mandrioli, coordenadora do Estudo Global sobre Glifosato e diretora do Instituto Ramazzini, observou que “aproximadamente metade das mortes por leucemia observadas em ratos expostos ao glifosato e aos herbicidas à base de glifosato ocorreram em menos de um ano de idade”.

As descobertas questionam fortemente a base que permite o uso do herbicida. Estas doses utilizadas no estudo são atualmente consideradas seguras pelas agências reguladoras e correspondem à Ingestão Diária Aceitável (DDA) da União Europeia (UE) e ao Nível de Efeito Adverso Não Observado da UE (Noael) para o glifosato.

Mandrioli anunciou que todo o estudo será publicado em breve e explicou o motivo desse avanço. “Essas descobertas são de tal relevância para a saúde pública que decidimos que era vital apresentá-las agora, antes da publicação. Os dados completos serão disponibilizados ao público e submetidos para publicação em revista científica nas próximas semanas.”

O Estudo Global sobre Glifosato é o estudo toxicológico mais abrangente já realizado sobre glifosato e herbicidas à base de glifosato. Examina os impactos do glifosato e dos herbicidas à base de glifosato na carcinogenicidade, neurotoxicidade, efeitos multigeracionais, toxicidade de órgãos, desregulação endócrina e toxicidade no desenvolvimento pré-natal.

O GGS publicou anteriormente um estudo piloto mostrando toxicidade endócrina e reprodutiva em ratos em doses de glifosato atualmente consideradas seguras pelas agências reguladoras dos EUA (1,75 mg/kg de peso corporal/dia). Estas descobertas foram posteriormente confirmadas numa população humana de mães e recém-nascidos expostos ao glifosato durante a gravidez.

As descobertas do GGS sobre a toxicidade do glifosato para o microbioma , que foram revisadas por pares e publicadas no final de 2022 e apresentadas ao Parlamento da União Europeia em 2023, também mostraram efeitos adversos em doses atualmente consideradas seguras na UE (0,5 mg/kg). peso corporal/dia, equivalente à ingestão diária aceitável na UE).

O GGS é coordenado pelo Instituto Italiano Ramazzini e conta com a participação de cientistas da Europa, dos Estados Unidos e da América do Sul. As universidades americanas participantes são Boston, Icahn Medicine at Mount Sinai, George Mason e California. Também participaram a Universidade de Pádua (Itália), o King's College (Reino Unido), Copenhague (Dinamarca) e a Universidade Federal do Paraná (Brasil).

“ Renovar a licença do glifosato é completamente ilegal”
O glifosato foi classificado como provável carcinógeno humano em 2015 pela mais alta autoridade mundial em câncer, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC) da OMS. Apesar desta afirmação, a maioria das agências reguladoras, incluindo o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), continuam a permitir o uso do perigoso herbicida.

O avanço dos resultados do GGS ocorre no âmbito da renovação da licença do herbicida glifosato na União Europeia que está a ser definida nestes meses. Uma decisão que mantém a atenção de todos os países membros da UE, mas também de toda a comunidade internacional que procura erradicar o perigoso herbicida mantido no mercado pelas mais importantes empresas agroquímicas do mundo.

Assim que foram conhecidos os dados do estudo, da Alemanha, o toxicologista Peter Clausing, membro da Pesticide Action Network (PAN), num comunicado daquela organização, afirmou: “Este estudo de alta qualidade precisa de toda a atenção das autoridades europeias. , pois fornece novas evidências alarmantes que corroboram descobertas anteriores sobre os efeitos cancerígenos do glifosato no sistema linfático observados em estudos com ratos e em estudos epidemiológicos em humanos.

Por sua vez, Angeliki Lysimachou, Diretora de Ciência e Política (PAN Europa) concluiu: “O estudo sublinha que a renovação da licença do glifosato é mais do que questionável, é completamente ilegal. As autoridades da União Europeia cometeram um grande erro ao concluir que o glifosato e a sua formulação representativa são seguros. “O passo certo agora é a UE retirar a atual proposta de reautorização e pressionar para que ela não seja renovada.”

segunda-feira, 3 de julho de 2023

As suas roupas estão a pô-lo doente? O mundo opaco dos químicos na moda


A primeira coisa que aconteceu quando Mary, hospedeira-de-bordo da Alaska Airlines, recebeu um novo uniforme sintético de alto desempenho na primavera de 2011 foi uma tosse seca. Então uma erupção floresceu no seu peito. Em seguida, vieram enxaquecas, nevoeiro cerebral, coração acelerado e visão embaçada.

Mary (cujo nome omiti para proteger seu emprego) foi uma das centenas de hospedeiras da Alaska Airlines relatando naquele ano que os uniformes estavam a causar erupções cutâneas com bolhas, pálpebras inchadas com crostas de pus, urticária e, no caso mais grave, problemas respiratórios e reações alérgicas tão graves que um hospedeiro-de-bordo, John, teve que ser retirado do avião e levado pelo pronto-socorro várias vezes.

Testes encomendados pela Alaska Airlines e pelo sindicato dos comissários de bordo revelaram fosfato de tributil, chumbo, arsénico, cobalto, antimónio, corantes dispersos restritos conhecidos por causar reações alérgicas, tolueno, cromo hexavalente e fumarato de dimetila, um antifúngico recentemente banido em a União Europeia. Mas o fabricante de uniformes, Twin Hill, evitou a culpa no tribunal, dizendo que nenhum desses muitos produtos químicos misturados, por conta própria, estava presente em níveis altos o suficiente para causar todas as diferentes reações. A Alaska Airlines anunciou em 2013 que compraria novos uniformes, sem admitir que os uniformes causaram problemas de saúde. Um processo de hospedeiros-de-bordo contra Twin Hill foi arquivado em 2016 por falta de provas.

Mas um estudo de Harvard de 2018 descobriu que, após a introdução dos uniformes , o número de hospedeiros-de-bordo com sensibilidade química múltipla, dor de garganta, tosse, falta de ar, coceira na pele, erupções cutâneas e urticária, coceira nos olhos, perda de voz e visão turva aumentou. tudo mais ou menos em dobro. “Este estudo encontrou uma relação entre queixas de saúde e a introdução de novos uniformes”, concluíram os autores do estudo.

Em 2021, John, que gozava de perfeita saúde antes da introdução dos uniformes, morreu aos 66 anos, após anos a procurar e a não conseguir tratamento para os seus sintomas. A causa oficial de sua morte foi paragem cardiorrespiratória, asma secundária. Mary, que continuou com alguma dificuldade a trabalhar para a Alaska Airlines, foi diagnosticada no ano passado com três doenças autoimunes: doença mista do tecido conjuntivo, lúpus e Sjögren. O parceiro sobrevivente de Mary e John dizem que os uniformes foram os culpados.

Esta história dos hospedeiros-de-bordo doentes repetiu-se várias vezes, já que a American Airlines, a Delta e a Southwest introduziram novos uniformes , que eram de poliéster de cores vivas em vez do antigo modo de espera, lã, e foram revestidos com camadas anti-rugas, resistentes a manchas e tecnologia têxtil retardante de chama.

Mary e John estão longe de estar sozinhos. O impacto da exposição a produtos químicos nocivos em trabalhadores têxteis, muitos dos quais trabalham em países em desenvolvimento, foi bem documentado e inclui problemas respiratórios, erupções cutâneas e até morte, mas eu estava menos ciente de que tantos nos EUA estavam a relatar efeitos nocivos simplesmente de vestir roupas. Em vez disso, como descobri enquanto pesquisava para o meu livro To Dye For: How Toxic Fashion is Making us Sick – and How We Can Fight Back , eles fazem parte de um grupo diverso e díspar de pessoas que acreditam ter sofrido com os efeitos de drogas tóxicas na saúde e moda.

“Os comissários de bordo são o canário na mina de carvão por causa da duração e consistência da sua exposição”, disse a Dra. Irina Mordukhovich, uma das autoras do estudo de Harvard. “Isso não significa que outras pessoas da população não estejam sendo afetadas de alguma forma. Digamos que alguém tenha roupas com os mesmos componentes – eles podem nem perceber; eles simplesmente não usam tanto.

Karly Hiser é enfermeira pediátrica em Grand Rapids, Michigan. O seu filho mais velho era um bebé quando o seu eczema piorou, disse ela. Ela trocou a sua família por sabonetes sem fragrância e produtos de limpeza não tóxicos, e o lambuzou com loção, vaselina e creme esteróide prescrito após longos banhos. “Tudo o que tentamos não ajudou”, disse ela. Feridas abertas desenvolveram-se nas suas mãos e atrás dos joelhos, e elas foram infectadas.

Como qualquer pai com orçamento limitado, Hiser comprava roupas baratas de marcas do mercado de massa, incluindo roupas desportivas de poliéster, mas recusava-se a vestir as roupas. “Ele é um garoto muito doce, bem comportado e discreto. E todas as manhãs para se vestir era um pesadelo, apenas ataques de raiva”, disse ela. O que finalmente tornou o eczema do seu filho administrável, disse ela, foi pegar a máquina de costura de sua avó, comprar tecidos não tóxicos numa loja online e costurar todas as roupas sozinha.

Apesar de seu trabalho como enfermeira, Hiser levou mais de um ano para descobrir o que ela agora acredita firmemente: que as roupas eram o problema. “Sabe, como a rotulagem nutricional para alimentos, eu preferiria que houvesse uma rotulagem melhor para roupas”, disse ela. “Nem todos os produtos químicos são ruins ou prejudiciais, mas eu gostaria de pelo menos estar ciente do que está nas roupas das crianças.”

Jaclyn é ex-gerente de produção de moda na cidade de Nova York. Ela me contou sobre a sua experiência abrindo caixas de amostras da Ásia e da América do Sul todos os dias e sendo atingida no rosto pelo cheiro pungente de produtos químicos sintéticos. Depois de anos tocando nessas roupas recém-feitas, ela desenvolveu erupções cutâneas nas mãos e nos braços. Quando o seu dermatologista a testou para alergias, ela descobriu que era alérgica a vários produtos químicos normalmente usados ​​na produção de moda, incluindo um corante disperso azul usado para tingir poliéster. Infelizmente, não havia nada que ela pudesse fazer para se proteger – todos esses alérgenos são perfeitamente legais para vestir. Mesmo que ela deixe o emprego, ela tem que usar roupas para viver. A sua saúde piorou depois disso, ela acredita,

Produtos químicos em roupas são uma área complexa, opaca e pouco pesquisada. “Não há necessariamente muitas evidências para decidir o que é um limite seguro de um produto químico”, disse Mordukhovich. “Mesmo que cada produto químico esteja abaixo dos limites que seriam considerados um problema de segurança direto, o que não sabemos é se você tem centenas de produtos químicos interagindo juntos, quais efeitos isso tem?”

Para seu doutorado no departamento de toxicologia integrada e saúde ambiental da Duke, a Dra. Kirsten Overdahl passou anos destilando e catalogando corantes dispersos num esforço para provar, em artigo submetido para revisão por pares, que eles são sensibilizadores da pele. A maioria nem mesmo é rotulada ou catalogada na literatura, muito menos testada quanto à segurança. “Eu vejo todos os dias, apenas em nossos dados brutos que os instrumentos produzem, que muitas vezes existem milhares de produtos químicos em uma amostra que não podem ser comparados a um produto químico conhecido. Isso é absolutamente aterrorizante”, disse ela. “Isso não significa que todo produto químico é ruim. Talvez seja inofensivo. Mas se não conseguirmos associar um nome a uma estrutura química, isso significa que os dados não estão disponíveis. Então você não pode dizer que não é seguro, mas também não pode dizer que é seguro.”

Recentemente, pesquisadores e defensores intensificaram a prática de comprar e testar roupas comuns e os resultados são esclarecedores. O Centro de Saúde Ambiental da Califórnia encontrou altos níveis do BPA, produto químico que desregula as hormonas, em meias de poliéster e elastano e sutiãs desportivos de dezenas de grandes marcas, incluindo Nike, Athleta, Hanes, Champion, New Balance e Fruit of the Loom, em até 19 vezes o limite de segurança da Califórnia.

Quando a Canadian Broadcasting Corporation testou 38 peças de roupas infantis das marcas de moda ultrarápidas Zaful, AliExpress e Shein, descobriu que uma em cada cinco tinha níveis elevados de produtos químicos tóxicos, como chumbo, PFAS e ftalatos. Este ano, a marca de calcinhas de época Thinx resolveu um processo decorrente de um teste feito por um professor da Notre Dame mostrando altos níveis de flúor, indicando a presença de PFAS, uma classe altamente tóxica de “produtos químicos eternos” que fornecem repelência à água e manchas.

Alguns dos produtos químicos que os cientistas descobriram nas roupas - como fosfato de tributil , fumarato de dimetila e corantes dispersos - podem ser extremamente tóxicos ou perigosos, causando reações na pele ou asma. Foi comprovado que outros, além de seu uso em roupas, têm ligações com câncer, toxicidade reprodutiva, alergias e sensibilização da pele.

Um estudo de 2022 da professora Miriam Diamond, da Universidade de Toronto, e do professor Graham Peaslee, da Notre Dame, estimou, entretanto, que, em média, as crianças que usam uniformes escolares resistentes a manchas seriam expostas a 1,03 partes por bilião de PFAS por quilograma de seu corpo. peso por dia através da pele. Os PFAS têm sido associados a vários tipos de cancro, anormalidades fetais, distúrbios reprodutivos, obesidade e redução da função do sistema imunológico. Quando se acumula no sangue, os PFAS são considerados tóxicos no nível de partes por bilhão. Mais pesquisas são necessárias sobre a rapidez com que o PFAS derramado da roupa pode ser absorvido pela pele e pela corrente sanguínea, mas os resultados são alarmantes o suficiente para estimular os bombeiros a se revoltarem contra seus equipamentos de proteção carregados com PFAS .

Alguns produtos químicos encontrados em roupas, como BPA, PFAS e ftalatos, foram encontrados em experimentos com prazo determinado e estudos longitudinais para imitar hormônios e interferir em nosso sistema endócrino, causando uma cascata pouco compreendida de efeitos à saúde que variam de flutuações extremas de peso e fadiga para infertilidade e doença crônica.

Uma vez que a exposição cessa, alguns produtos químicos, como o BPA, podem ser metabolizados e eliminados pelo corpo, acabando por se decompor e desaparecer. Outros, como os metais pesados, se acumulam no organismo e no meio ambiente, durando décadas ou, no caso do PFAS, para sempre.

Quando testadas em contextos diferentes da moda, descobriu-se que muitas dessas substâncias, como pesticidas e solventes, danificam o corpo ao longo de anos de exposição crónica, ainda que infinitamente pequena. A presença deles na moda preocupa alguns especialistas. Como Diamond, da Universidade de Toronto, me disse: “Sabemos que os produtos químicos são continuamente perdidos de qualquer material ao longo do tempo. É uma realidade física que os produtos químicos migram para a sua pele a partir de suas roupas, com e sem suor.”

“Vemos as tendências, mas não podemos identificar as tendências para este e aquele produto químico”, disse-me em 2021 o Dr. Åke Bergman, um toxicologista ambiental sueco especializado em desreguladores endócrinos, sobre o aumento de distúrbios reprodutivos e infertilidade. Ele fez parte de uma força-tarefa convocada em 2020 para aconselhar a Suécia sobre a tributação de produtos químicos tóxicos usados ​​na moda. “Há um uso enorme de um grande número de produtos químicos. Sentimos fortemente que existe uma ligação entre as exposições a esses produtos químicos e os efeitos observados”.

Apesar de todas as evidências, no entanto – os resultados dos testes tóxicos que estão se acumulando, os pesquisadores e advogados na América do Norte e na Europa tocando o alarme , os relatos de queimaduras na pele causadas por sapatos, meias e sutiãs no site da Comissão de Segurança de Produtos de Consumo – este é um assunto extremamente difícil de fazer declarações conclusivas e uma área impopular de pesquisa científica. Não há estudos relacionando as experiências dos funcionários da moda e das companhias aéreas com as experiências da população em geral, nem estudos examinando os efeitos da exposição diária crônica por meio do uso de tecidos com esses contaminantes e acabamentos perigosos próximos à nossa pele. Enquanto isso, a própria complexidade da moda se presta ao ofuscamento e à confusão.

Nos Estados Unidos, não há padrões federais para o que pode ser colocado em roupas e vendido para adultos. A UE proibiu mais de 30 substâncias para uso na moda e rejeitará algumas remessas na fronteira, mas seu programa de testes é pequeno e facilmente contornado.

Além da moda, está claro que muitos americanos estão preocupados com o fato de o governo estar a falhar em seu trabalho de nos proteger de substâncias nocivas. Alimentos orgânicos que prometem ser livres de resíduos de pesticidas são o setor que mais cresce no mercado de alimentos, com vendas atingindo US$ 57,5 ​​biliões em 2021. A beleza vem logo atrás, com milhões de mulheres reformando todos os armários de banheiro na última década, deitando fora o legado marcas com ingredientes tóxicos como ftalatos e parabenos. Influenciadores, blogueiros e marcas de beleza alimentaram esse medo e desconfiança para angariar engajamento e vender produtos – enquanto muitas vezes vão longe demais ao demonizar substâncias perfeitamente seguras.

No entanto, a moda, uma indústria global de US$ 2,5 triliões, de alguma forma escapou completamente do mesmo escrutínio.

Uma razão é que nem os consumidores nem os profissionais sabem quais, ou mesmo quantas, substâncias químicas são usadas para fabricar, processar, tecer, tingir, finalizar e montar roupas e acessórios.

“Está ficando mais difícil evitar esses produtos químicos”, diz a Dra. Elizabeth Seymour, do Centro de Saúde Ambiental de Dallas, sobre aditivos como solventes e metais pesados. “Existem vários produtos químicos que são colocados em tudo. E suas roupas estão incluídas nisso.” Mas enquanto produtos de beleza, limpeza e alimentos embalados vêm com uma lista de ingredientes, a moda não, embora os testes revelem que ele possui alguns dos perfis químicos mais complicados e multicamadas de qualquer produto, chegando a 50 produtos químicos ou mais.

Depois de pesquisar isso durante dois anos, agora tenho mais cuidado com minhas próprias roupas. Evito marcas de moda baratas, falsificadas ou ultrarrápidas. Eu compro a empresas em quem confio, que se preocupam com a sua reputação e têm um programa de gestão dos produtos químicos ou rótulos como bluesign, Oeko-Tex ou GOTS. Escolho fibras naturais sempre que possível e evito promessas extravagantes como repelência a manchas, acabamentos antiodores, tecidos fáceis de cuidar e antirrugas. Eu lavo qualquer roupa nova antes de usá-la, com sabão em pó não tóxico e sem perfume. E eu confio no meu nariz – se algo cheira mal, eu devolvo.

Mas o que eu realmente quero ver é a ação dos nossos governos. Alguns estados têm requisitos de rotulagem ou proibições futuras de PFAS em roupas, mas o governo federal não regulamenta quais produtos químicos podem ser colocados em roupas e vendidos a consumidores adultos. Precisamos de uma revisão total de como gerenciamos produtos químicos em produtos de consumo neste país.

Eu gostaria de ver o governo federal alcançar o bom trabalho que está sendo feito pela União Européia – e ir além. Deve implementar impostos e tarifas sobre produtos químicos não testados para financiar pesquisas desesperadamente necessárias, exigir que as empresas químicas registrem todos os produtos químicos em uso e compartilhem qualquer pesquisa associada, banir certas classes de produtos químicos para uso na moda e expandir a capacidade da Consumer Product Safety Commission de testar e lembre-se da moda tóxica.

Estas podem parecer grandes perguntas. Então, talvez possamos começar simples. Vamos exigir que a moda venha com uma lista de ingredientes – uma lista de ingredientes realmente completa. Porque se os consumidores realmente soubessem o que há em suas roupas, bem, eles poderiam não querer usá-las.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Projeto europeu descobre substâncias tóxicas em vários artigos no mercado

33% de 106 artigos analisados em 13 países europeus continham "substâncias químicas de elevada preocupação" que podem ser cancerígenas, bioacumulativas, persistentes ou interferir com o sistema hormonal.


Cerca de um terço dos 106 artigos analisados em 13 países europeus, incluindo Portugal, no segundo trimestre, no âmbito do projeto LIFE AskREACH, continha pelo menos uma substância perigosa para a saúde e ambiente.

A informação foi avançada 7de julho pela associação ambientalista Zero, que manifestou preocupação com os resultados da análise feita no âmbito do projeto europeu LIFE AskREACH, no segundo trimestre deste ano.

Dos 106 artigos analisados por um laboratório independente e acreditado, proveniente de 13 países europeus, incluindo Portugal, "cerca de um terço continha pelo menos uma substância química de elevada preocupação e 10 continham estas substâncias acima de 0,1%, o que significa que um conjunto significativo dos artigos disponíveis no mercado europeu ainda contém substâncias que podem ter impactos negativos na saúde humana e no ambiente", explicou a associação.

Segundo a Zero, trata-se de substâncias que podem ser cancerígenas, bioacumulativas, persistentes ou interferir com o sistema hormonal.

A análise deu preferência a artigos de bricolagem, de jardinagem e natação.

"Enquanto consumidores temos o direito a saber se um artigo que queremos comprar contém substâncias químicas de elevada preocupação (habitualmente designadas por SVHC)", apontou a associação, lembrando que "as marcas e os retalhistas estão legalmente obrigados a informar o consumidor, a seu pedido, se o produto contiver alguma destas substâncias em concentração superior a 0,1% em peso", tratando-se de um direito consagrado no regulamento europeu de produtos químicos "REACH".

Para facilitar a comunicação entre empresas e consumidores, bem como ao longo da cadeia de abastecimento, 20 organizações de 13 países estão a trabalhar em conjunto no âmbito do projeto LIFE AskREACH, financiado pelo programa LIFE da União Europeia, que desenvolveu a aplicação ('app') Scan4Chem, que permite aos consumidores digitalizar o código de barras de um produto e enviar um pedido de informação sobre a presença de SVHC.

A aplicação tem, atualmente, uma lista de 223 substâncias, que é regularmente atualizada.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Agência Europeia dos Produtos Químicos declara que glifosato não causa cancro


Uma comissão de especialistas da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) considerou que “não era justificado” concluir que o herbicida glifosato causa cancro. A declaração levou a críticas generalizadas de ativistas ambientais e de saúde, informa o portal Euractiv.

“Com base numa ampla revisão dos elementos de prova científicos, o comité conclui mais uma vez que a classificação do glifosato como cancerígeno não se justifica”, escreveu a ECHA num parecer do Comité de Avaliação de Riscos (RAC) da agência.

Este parecer surge no âmbito do processo de avaliação dos glifosatos promovido pela União Europeia e vai contribuir para o processo de decisão de renovar ou não a aprovação de comercialização em vigor (que expira no final de 2022).

As reações à decisão da ECHA
A posição não é consensual dentro da comunidade científica e entre agências públicas. Por exemplo, a International Agency for Research on Cancer (IARC), da Organização Mundial de Saúde (OMS), avaliou a substância como “provavelmente cancerígena”. Já a FAO, das Nações Unidas, conclui que “é pouco provável que represente um risco cancerígeno” para os humanos quando consumido através da sua dieta.

Com a sua avaliação mais recente, a ECHA confirma o seu veredito anterior classificando o glifosato como não cancerígeno. No entanto, reafirmou que pode causar “graves danos oculares” e é também “tóxico para a vida aquática com efeitos duradouros”.

Como reação, o Glyphosate Renewal Group congratulou-se pela opinião da ECHA e afirmou que “continua empenhado em cumprir todos os aspetos do processo regulamentar em curso na União Europeia”.

Por sua vez, a senior science policy officer da HEAL (organização que junta associações europeias ambientais e de saúde), Angeliki Lyssimachou, considera que a ECHA ignorou os argumentos científicos sobre a ligação do glifosato ao cancro apresentados “por peritos independentes”.

Por sua vez, a coligação de ONGs Ban Glyphosate considera que a ECHA “mais uma vez, confiou unilateralmente nos estudos e argumentos da indústria”. No entanto, o Comité de Avaliação de Riscos revela que “considerou um vasto volume de dados científicos e muitas centenas de comentários recebidos durante as consultas”.
O próximo passo

Após o parecer da ECHA, falta agora a posição da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). No entanto, a agência tinha revelado recentemente que só no verão de 2023 deverá conseguir emitir o seu parecer devido ao inesperado número de contributos dos stakeholders.

Em comparação com a avaliação do ECHA, o relatório da EFSA deverá ser mais vasto, abrangendo não só a classificação de risco do glifosato como substância ativa, mas também questões mais amplas dos riscos de exposição à saúde e ao ambiente.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cartoon- os agricultores e os pesticidas



Dossiê Pesticidas actualizado.

Quinze dos 27 Estados-membros deram à Comissão o apoio necessário para sair do impasse em que a UE estava quanto ao uso de três químicos “neonicotinóides” em culturas que atraem as abelhas.

O diário britânico The Independent, que fez lóbi a favor da proibição, escreve que o Reino Unido votou contra, por causa de uma eventual falta de evidência científica que justifique a medida.

O jornal, no entanto, lembra que “mais de 30 estudos científicos encontraram ligações entre o uso de neonicotinóides […] e a diminuição do número de abelhas” e a proposta para proibir os inseticidas “baseia-se num estudo realizado pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, que em janeiro descobriu que os pesticidas representam, de facto, um risco para a saúde das abelhas”.

O diário reconhece que a comunidade científica está dividida sobre esta proibição. O professor Lin Field, chefe do departamento de química biológica e proteção de culturas no Rothamsted Research, teme que a decisão tenha sido tomada com base num “lóbi político” e que possa levar os governos a descurarem outros factos, enquanto o Doutor Lynn Dicks, investigador da Universidade de Cambridge, diz que a votação foi “uma vitória do princípio da precaução, que deve nortear a regulamentação ambiental”.

O Daily Telegraph afirma que alguns observadores agrícolas estão preocupados com as consequências inesperadas da proibição, incluindo os agricultores que usam pesticidas mais antigos que são mais prejudiciais para as culturas e para as outras espécies.

No entanto, num editorial, The Times defende a proibição, dizendo que abre caminho a uma melhor compreensão do que está a acontecer às abelhas: " A moratória deverá permitir avaliar se, na ausência de neonicotinóides, as colónias de abelhas recuperam. E também representa uma oportunidade para um estudo mais abrangente sobre as outras possíveis causas de diminuição do número de abelhas e para criar uma estratégia eficaz para a sua revitalização."

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Relatório OMS - Os princípios para avaliação dos riscos de saúde nas crianças associados com os produtos químicos

Para melhor visualização consulte aqui

Os factores ambientais desempenham um papel principal na saúde e no bem estar das crianças. Estudos indicam que as crianças, que compreendem um terço da população mundial, são o grupo mais vulnerável dentro da população do mundo e que os factores ambientais podem afectar a saúde de crianças de forma completamente diferente da saúde dos adultos. A Organização Mundial de Saúde (OMS / WHO) estima que mais de 30% de doenças nas crianças é atribuído aos factores ambientais...e em especial os riscos químicos.

Novos Dossiers BioTerra
Agricultura Sustentável
Ar
Água
Aves
As Minhas Leituras
Naturismo
Poesia
Terra Filosófica
TV-Verde e Cinema Ecológico

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Estudo do IPO- substâncias prejudiciais à saúde e ao ambiente


Estudos- lista compilada e retirada das conclusões, em 11 de Maio de 2006 do Ciclo de Conferências Ambiente e Cancro 2005/2006, organizado conjuntamente pela LPCC e IPO-Porto
Procure nas embalagens de produtos que usa em casa estas substâncias...são prejudiciais à saúde e ao ambiente

METODOLOGIA

As seguintes substâncias foram detectadas após análise toxicológica e alergológica de produtos de higiene (sabonetes; perfumes; dentífricos; toalhitas; leite protector; elixires; desodorizantes; champô e loção corporal), comprados em grandes superfícies, optando-se por marcas de qualidade

Alpha-isomethyl ionone - Desregulador do SNC (sistema nervoso central) .
Benzyl salicylate - Sensitizador dérmico.
BHT - Teratogénico. Suspeito de ser carcinogénico. Irritante para olhos e pele.
Butyl methoxydibenzoylmethane - Causa erupções cutâneas. É um foto-alergénio, o que significa que a luz do sol desencadeia a reacção. Sofre fotodecomposição, o que pode levar à formação de compostos tóxicos.
Butylphenyl methylpropional - Uso restrito no UK devido ao elevado potencial de sensitização. Em animais causa deformações em esperma e perturbaçãos no SNC.
Butylparaben - Desregulador hormonal.
Cetyl alcohol - Causa dermatite.
CI 15510 - Efeitos por estudar.
CI 16035 - Associado a tumores linfáticos.
CI 17200 - Efeitos por estudar.
CI 42053 - Carcinogénico em animais, irritante para os olhos, pele e aparelho respiratório.
CI 47005 - Corante que pode causar asma, dermatite e sensitização de contacto. Pode conter impurezas que são neurotóxicas e carcinogénicas. Proibido na Austrália, EUA e Noruega.
C12-15 alkyl benzoate - Efeitos por estudar CI 42090 - Pode causar hiperactividade, erupções cutâneas e é um agente carcinogénico potencial.
CI 59040 - Proibido na UE para quaisquer usos em que possa entrar em contacto com as mucosas dos olhos, boca, nariz, aparelho respiratório e orgãos genitais.
CI 60730 - Efeitos por estudar Carrageenan - Associado com cancro gastrointestinal em animais. É possível que actue como desencadeador de cancro da mama em humanos.
Citronellol - Pode causar irritação dérmica severa. Também usado como pesticida.
Cocamidopropyl betaine - Detergente irritante para a pele e olhos, pode estar contaminado com diethanolamine que, quando combinado com formaldeído (há ingredientes que o libertam durante armazenamento), poduz nitrosaminas que são carcinogénicas.
Coumarin - É absorvido rapidamente por via dérmica ou oral. Vários tipos de coumarin foram já proibidos na UE. Em animais pode causar cancro do pulmão e do fígado. Tóxico para os rins.
Dimethicone - Irritante para a pele. É um amaciador sintético à base de silicone que forma um filme à superfície da pele (dá a sensação de pele macia) e impede que ela respire.
Disodium EDTA - Irritante para a pele e olhos. Altera a estrutura dérmica e facilita a penetração de outros compostos.
Distearyldimonium chloride - Estudos sobre eventual impacto na saúde são inexistentes.Etidronic acid - Irritante para a pele e aparelho respiratório, muito irritante para os olhos com risco de danos oculares, LD50 para ratos é 1,8 g/kg.
Ethylparaben - Desregulador hormonal.
Ethylhexyl methoxycinnamate - Aumenta o risco de cancro da pele. Desregulador hormonal.
Geraniol - Irritante dérmico. Sensitização.
Glyceryl oleate - Alergénio dérmico.
Glyceryl stearate - É sensitizador e causa dermatites de contacto Hexyl cinnamal - Um dos alergénios de contacto mais encontrados em cosmética.
Hydrated silica - Enfraquece o esmalte devido à abrasão. Pode causar inflamação das gengivas.
Hydroxycitronellal - Alergénio de contacto. Irritante pulmonar.
Isobutane - Pode causar dores de cabeça, dificuldades em respirar, náusea, vómitos, sintomas de bebedeira e, em doses altas, convulsões e coma. Bioacumula-se no leite materno.
Isobutylparaben - Desregulador hormonal.
Isopentane - Causa dificuldades respiratórias, tem efeito anestésico na pele, pode alterar o ritmo cardíaco, desencadear dores de cabeça e irritar o nariz e garganta. É um dos componentes importantes do vapor de gasolina.
Limonene - Insecticida comum. Agente potente de sensitização. Pode causar asma. Produz tumores e defeitos de nascimento em animais.
Linalool - Irritante para a pele, olhos e aparelho respiratório. Em animais causa perturbações do SNC e afecta o controle muscular.
PEG-150 distearate - Irritante dérmico.
Methylparaben - Desregulador hormonal.
Methylchloroisothiazolinone - Alergénio forte. Persistente na pele. Causa danos neuronais. Mutagénio potencial. Suspeito de ser carcinogénio devido à sua acção corrosiva na pele.
Octocrylene - Irritante dérmico. Pertence ao grupo do cinnamates, alguns dos quais são desreguladores hormonais. Investigação preliminar aponta paraque os cinnamates, em baixas doses, causem morte prematura das células dérmicas.
Oxidized polyethylene - Pouco estudado. Considerado tóxico por ingestão.
Palmitic acid - Causa dermatites de contacto
Paraffinum liquidum - Pode estar contaminado por PAHs, que têm sido implicados no cancro da mama.
PEG-150 distearate - Irritante dérmico.
PEG-100 stearate - Pode conter impurezas ligadas ao cancro da mama (como o 1,4 dioxane e o ethylene oxide).
PPG-15 stearyl ether - Alergénio de contacto. Tóxico para organismos aquáticos.
Phenoxyethanol - Extremamente irritante no contacto com os olhos. Muito irritante no contacto com a pele, ingestão ou inalação. Tóxico para rins, fígado e sistema nervoso
Propylparaben - Desregulador hormonal.
PTFE - Carcinogénico. Causa defeitos de nascimento e enfraquece o sistema imunitário.
Poloxamer 407 - Surfactante potencialmente contaminado com 1,4-dioxane e ethylene oxide, impurezas ligadas ao cancro da mama.
Propylene glycol - Irritante para olhos e pele. Altera a estrutura dérmica, o que permite a outros tóxicos penetrar mais profundamente na pele.
Salicylic acid - Irritante, seca a pele e cria foto-sensitização dérmica.
Sodium benzoate - Agente alergénico e sensibilizador, pode causar asma, urticária, rinite e choque anafiláctico em exposição dérmica.
Sodium hydroxide - Irritante dérmico (muito usado em detergentes para limpeza de fornos e canos).
Sodium laureth sulfate - Detergente que causa irritação ocular e está potencialmente contaminado com 1,4-dioxane, impureza ligadas ao cancro da mama.
Sodium Lauryl Sulfate - Irritante para as mucosas. Pode causar aftas e eczema de contacto. Carcinogénio potencial.
Sodium saccharin - Carcinogénico. Proibido nos EUA.
Sodium fluoride - Pode causar fluorose dental, osteoporose, hipersensibilidade, náusea, vómitos e diarreia. Num tubo de pasta de 100 ml há fluor suficiente para matar uma criança pequena.
Stearic acid - Alergénio dérmico.
Stearyl alcohol - Pode causar alergias ou dermatites de contacto
Styrene/acrylates copolymer - Pode causar depressão, falhas de concentração, astenia, náusea, toxicidade hepática e renal. Carcinogénico humano provável.
Triclosan - Causa úlceras, morte prematura dos tecidos gengivais, mata a fauna microbiana patogénica mas também mata a útil, deixando o ecossistema bucal desprotegido, à mercê de oportunistas. O triclosan é químicamente muito semelhante às dioxinas (que são os químicos mais tóxicos que se conhece) e pertence à classe dos clorofenóis, um grupo implicado em cancros em animais.
Triethanolamine - Causa dermatite de contacto, pode formar nitrosaminas (que são carcinogénicas) durante o armazenamento ou na pele/no corpo após absorção. A exposição crónica causa danos ao fígado e rins.
Tetrasodium EDTA - Irritante dérmico, dermatite de contacto, alergénio de contacto.
Yellow 5 (CI 19140) - Associado a reacções alérgicas em animais.
PVM/MA Copolymer - Estudos sobre eventual impacto na saúde são inexistentes.

Existem soluções?
As melhores formas de tratar o cancro, estimular a ética no investimento e a responsabilidade empresarial bem como proteger a saúde e o ambiente passará por
3.1.Prevenção, Prevenção, Prevenção
3.2.Princípio da Precaução
3.3.Inversão do ónus da prova
3.4.Produção Limpa/Descarga zero
3.5.Avaliação por grandes classes químicas
3.6.Participação pública no processo de decisão
Todas as novas intervenções e tecnologias têm de se provar seguras antes da comercialização... ou continuaremos a ser expostos indevidamente.
Isso inclui os químicos, mas também os transgénicos, a nanotecnologia, etc...(Conclusões IPO- adaptado)