sábado, 15 de agosto de 2026
A comida que compras no supermercado vai mudar (e não é no preço)
quarta-feira, 25 de março de 2026
O Tratado Global sobre Plásticos: O Momento Decisivo
O planeta enfrenta uma crise que já não se mede apenas em ilhas de lixo flutuantes ou em praias desfiguradas. A invasão do plástico tornou-se biológica e sistémica. Todos os anos, milhões de toneladas de polímeros e as letais redes fantasma – armadilhas de nylon que perduram por séculos – invadem os nossos oceanos, dizimando baleias, tartarugas e aves marinhas, enquanto asfixiam ecossistemas vitais para a regulação do clima. Contudo, o perigo mais insidioso é aquele que não conseguimos ver a olho nu.
As milhões de toneladas de plástico que acabam no oceano chegam à nossa mesa e ao nosso corpo através do peixe, da água e até do sal. A ciência já confirmou: trata-se de um perigo para a saúde pública.
A ciência moderna confirmou o que há muito se temia: o plástico já faz parte da biologia humana. Microplásticos e nanoplásticos foram detetados no sangue, em órgãos vitais e até em placentas, o que significa que as novas gerações já nascem num ambiente de contaminação interna. De acordo com o estudo sobre
Em Portugal, a preocupação com os microplásticos já saltou das páginas das revistas científicas para os alertas das autoridades de saúde. Substâncias como os bisfenóis, os ftalatos e os PFAS (químicos eternos) são classificados pela Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) e pelo National Institute of Environmental Health Sciences como disruptores endócrinos. Estes compostos têm a capacidade de interferir com o nosso equilíbrio hormonal, estando cientificamente ligados à infertilidade, ao aumento de doenças metabólicas como a obesidade e a formas agressivas de cancro. Não se trata de uma ameaça distante: o projeto europeu de biomonitorização (HBM4EU), no qual Portugal participou, confirmou que estes químicos estão presentes no organismo da vasta maioria dos cidadãos europeus, provenientes da nossa alimentação e da degradação desenfreada do plástico no meio ambiente.
Apesar da gravidade da situação exposta em relatórios sobre o
Exigimos um tratado ambicioso que não se foque apenas na gestão do resíduo final, mas que imponha limites vinculativos à produção de plástico virgem. É imperativo banir os químicos tóxicos que impedem uma economia circular segura e responsabilizar financeiramente as empresas pelo ciclo de vida completo dos seus produtos. O tempo das soluções cosméticas terminou. O que está em causa não é apenas a preservação da natureza, mas a integridade da saúde humana e a viabilidade da vida nos oceanos. Precisamos de um compromisso que trave a produção na origem, antes que o plástico substitua permanentemente a vida no nosso planeta azul.
terça-feira, 11 de novembro de 2025
Relatórios e críticas académicas sobre o REACH
Em complemento ao que já foi dito aqui, sugiro a leitura da seguinte informação. Apesar dos seus progressos, diversos estudos académicos têm apontado limitações importantes que comprometem a sua eficácia ambiental.
Entre as principais críticas destaca-se a lentidão dos processos de avaliação e autorização, que faz com que muitas substâncias perigosas permaneçam no mercado durante anos antes de qualquer restrição efetiva. A qualidade e transparência dos dados submetidos pelas empresas também suscitam dúvidas: análises recentes revelam que mais de metade dos estudos utilizados não seguem padrões regulatórios consistentes.
Outro ponto central é a avaliação insuficiente dos efeitos combinados de misturas químicas. O REACH tende a analisar substâncias isoladamente, ignorando o chamado efeito cocktail, em que misturas de compostos aparentemente inofensivos podem causar sérios impactos sobre ecossistemas aquáticos e terrestres. Investigadores e organizações ambientais defendem a introdução de um mixture assessment factor para refletir melhor a realidade ecológica.
Estudos em ecotoxicologia demonstram que os dados de toxicidade ambiental no REACH são incompletos ou de baixa qualidade, o que dificulta a avaliação da pegada ecológica das substâncias. Isto tem implicações diretas na biodiversidade, na contaminação da água e do solo, e na saúde dos ecossistemas.
Além disso, há disparidades na aplicação entre Estados-Membros, o que fragiliza a coerência da proteção ambiental. A indústria, por seu lado, reconhece o valor do REACH, mas critica os custos e a burocracia associados.
1. Comissão Europeia / ECHA
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
REACH: Entre a Protecção e a Burocracia Química
terça-feira, 30 de setembro de 2025
A beleza da Perdiz-Vermelha e o dilema invisível nos nossos campos
A natureza tem uma forma única de nos desarmar. Recentemente, cruzei-me com uma imagem que me fez parar: uma perdiz-vermelha (Alectoris rufa), com o seu colar preto bem marcado e o bico de um vermelho vivo, a caminhar livremente pelo campo. Completamente selvagem e alheia ao mundo dos humanos. É uma imagem pacífica, mas para quem conhece a realidade do nosso mundo rural, ela traz consigo um dilema profundo. À medida que as temperaturas descem e o mês de outubro avança, os campos portugueses ganham uma nova dinâmica com a abertura da época venatória. É o momento em que a tradição e a conservação colidem.
A caça à perdiz-vermelha é considerada por muitos o pináculo da caça menor em Portugal. O "arranque" - o voo súbito, ruidoso e extremamente rápido da ave quando se sente encurralada - exige reflexos rápidos e perícia por parte do caçador. Nesta atividade, o papel dos cães é absolutamente central. Raças excecionais como o nosso autóctone
Por trás da perícia da caça esconde-se, contudo, uma ameaça invisível: as munições de chumbo. Durante décadas, toneladas de pequenos bagos de chumbo foram acumulando-se nos solos, gerando um impacto ambiental devastador. Este problema manifesta-se sobretudo através do saturnismo, que ocorre quando as aves confundem o chumbo com pequenas pedras necessárias para moer o alimento no moageiro e o ingerem, sofrendo uma morte lenta por envenenamento. Além disso, assiste-se à contaminação da cadeia alimentar, dado que os predadores que consomem estas aves, bem como os humanos que comem a sua carne, acabam por acumular este metal pesado no organismo.
Para combater este cenário, a União Europeia implementou restrições severas. Atualmente,
Perante este cenário, muitos ponderam a criação de perdiz-vermelha em cativeiro para consumo alimentar ou repovoamento. Embora seja uma atividade legal, o processo está longe de ser simples. Para avançar, o criador enfrenta um labirinto burocrático que exige licenciamento junto do
Em meados de outubro, com a época de caça oficialmente aberta - cujos períodos regulamentares podem ser consultados em detalhe no
terça-feira, 29 de julho de 2025
Precisamos de banir PFAS agora mesmo
- Proibindo o uso de PFAS na Europa em todos os produtos o mais rapidamente possível.
- Obrigar as empresas químicas a pagar os custos de limpeza da poluição por PFAS.
- Estabelecendo normas muito mais rigorosas para o PFAS em águas superficiais e potável.
sábado, 25 de maio de 2024
É imoral que a União Europeia exporte pesticidas que são proibidos aqui
sábado, 18 de novembro de 2023
Bruxelas autoriza a utilização de glifosato na UE por mais 10 anos
sábado, 4 de novembro de 2023
O glifosato causa leucemia nas primeiras fases da vida
segunda-feira, 3 de julho de 2023
As suas roupas estão a pô-lo doente? O mundo opaco dos químicos na moda
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
Projeto europeu descobre substâncias tóxicas em vários artigos no mercado
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quinta-feira, 7 de julho de 2022
Agência Europeia dos Produtos Químicos declara que glifosato não causa cancro
Uma comissão de especialistas da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) considerou que “não era justificado” concluir que o herbicida glifosato causa cancro. A declaração levou a críticas generalizadas de ativistas ambientais e de saúde, informa o portal Euractiv.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Cartoon- os agricultores e os pesticidas
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Relatório OMS - Os princípios para avaliação dos riscos de saúde nas crianças associados com os produtos químicos
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| Para melhor visualização consulte aqui |
Os factores ambientais desempenham um papel principal na saúde e no bem estar das crianças. Estudos indicam que as crianças, que compreendem um terço da população mundial, são o grupo mais vulnerável dentro da população do mundo e que os factores ambientais podem afectar a saúde de crianças de forma completamente diferente da saúde dos adultos. A Organização Mundial de Saúde (OMS / WHO) estima que mais de 30% de doenças nas crianças é atribuído aos factores ambientais...e em especial os riscos químicos.
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