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domingo, 9 de agosto de 2026

Suede - Saturday Night

Melhor som aqui

Letra
[verse 1]
Today she's been walking
She's been talking
She's been smoking
It's gonna be alright
'Cause tonight we'll go dancing
We'll go laughing
We'll get car sick

[verse 2]
And it'll be okay like everyone says
It'll be alright and ever so nice
We're going out tonight
Out and about tonight

[refrão]
Oh, whatever makes her happy
On a Saturday night
Oh, whatever makes her happy
Whatever makes it alright

[verse 3]
Today she's been sat there
Sat there in a black chair
Office furniture
It'll be alright
'Cause tonight we'll go drinking
We'll do silly things
And never let the winter in

[verse 2]

[refrão]

[verse 4]
We'll go to freak shows and peepshows
We'll go to discos, casinos
We'll go where people go and let go

[refrão] 2X

Oh oh
La la la la la la (5X)

A cidade subterrânea e a poética do escapismo em "Saturday Night"
O videoclipe de "Saturday Night", dirigido por Pedro Romhanyi e rodado nos túneis e plataformas do metro de Londres - com destaque para a icónica e desativada estação de Aldwych e alusões a Holborn-, funciona como uma alegoria perfeita sobre a alienação e a solidão nas metrópoles contemporâneas. Toda a narrativa visual constrói um contraste marcante entre o anseio coletivo de festa e celebração associado ao sábado à noite e a crua realidade do isolamento urbano. No centro deste cenário subterrâneo, o vocalista Brett Anderson assume o papel de um flâneur baudelaireano modernizado: um observador poético e solitário que deambula pelas carruagens e corredores de betão, testemunhando a existência de diversas figuras à deriva. Ao longo do percurso, a câmara cruza-se com casais em momentos de intimidade, trabalhadores exaustos, um idoso a carregar um peixe num saco de plástico e jovens imersos numa festa improvisada. Cada uma destas imagens traduz a busca desesperada por pequenos fragmentos de felicidade, afeição ou evasão, refletindo a premissa central da canção de anestesiar a rotina e o peso da vida quotidiana através do hedonismo noturno.

Esta reflexão sobre a melancolia e o escapismo urbano ganhou forma com o lançamento original do tema no aclamado álbum Coming Up, editado a 2 de setembro de 1996, tendo sido posteriormente lançado como o terceiro single do disco a 13 de janeiro de 1997 pela Nude Records. Mais do que uma simples balada de pop-rock, a escrita de Brett Anderson em "Saturday Night" assenta num denso substrato literário e filosófico. A canção dialoga diretamente com o Existencialismo e o Absurdismo de Jean-Paul Sartre e Albert Camus, retratando a tentativa de conferir sentido à existência através do prazer e da evasão temporária diante do vazio da vida moderna. Da mesma forma, a influência do escritor J.G. Ballard é evidente na psicogeografia do videoclipe, onde os transportes subterrâneos e a arquitetura pós-industrial se tornam símbolos da alienação humana. Por fim, a estética decadente da banda inspira-se no romantismo trágico e na ironia de Oscar Wilde, consolidando "Saturday Night" como uma celebração trágica e melancólica do quotidiano nas margens da grande cidade.

A assinatura singular dos Suede: quando a herança transforma-se em identidade
As grandes bandas da história da música raramente surgem num vácuo cultural. A verdadeira originalidade não reside na invenção de uma linguagem inteiramente sem antecedentes, mas sim na capacidade de reunir referências díspares, filtrá-las através de uma vivência própria e devolvê-las ao mundo sob a forma de uma assinatura artística inconfundível. No caso dos Suede, embora a sombra lírica de David Bowie, o romantismo dramático dos The Smiths e a densidade atmosférica do post-punk dos anos 80 estejam presentes no seu ADN, a banda britânica construiu um universo estético e sonoro genuinamente único, que redefiniu o panorama do rock alternativo nos anos 90.

No início dessa década, numa altura em que a cena musical do Reino Unido se encontrava refém do grunge americano e desprovida de uma identidade própria, os Suede irromperam como o catalisador de uma revolução. Eles foram os verdadeiros arquitetos do movimento que mais tarde viria a ser batizado de Britpop, resgatando a essência e a urgência da cultura urbana britânica antes de qualquer outra banda da sua geração. Contudo, enquanto os seus pares versavam sobre o quotidiano da classe trabalhadora com tom satírico ou festivo, a escrita de Brett Anderson fundou um léxico poético singular, frequentemente apelidado de gutter glamour. Anderson transformou a sordidez dos subúrbios cinzentos, a ambiguidade sexual, a decadência das noites de aluguer, o consumo de drogas e o romance trágico dos marginalizados em autênticas odes orquestradas e melodramáticas.

Essa poeticidade decadente encontrou a sua tradução musical perfeita na simbiose entre a vocalidade visceral de Anderson e a arquitetura de guitarra de Bernard Butler nos primeiros discos, e mais tarde na energia vibrante de Richard Oakes. Os Suede refundiram a agressividade áspera das guitarras do post-punk com a grandiosidade e o brilho do glam rock, criando paredes de som dramáticas e melodias de uma sensibilidade pop angustiada que não tinham paralelo na época. O resultado foi uma discografia coesa e marcante - desde a densidade concetual de Dog Man Star ao imediatismo efervescente de Coming Up -, que provou que os Suede não eram uma mera soma das suas influências, mas sim uma das vozes mais originais, audazes e influentes da história do rock britânico.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A verdadeira história da canção "Heroes" de Bowie e a interpretação de KinGeorg and Apoptygma Berzerk - Helter (David Bowie cover)


Helter significa Heróis em Norueguês 

Para escutar os 3 temas do álbum aqui

A canção Heroes foi escrita a dois, David Bowie e Brian Eno e originalmente cantada por David Bowie.

"Heroes": O Triunfo do efémero e a resistência do instante
A canção  foi escrita em 1977, durante o período em que Bowie vivia em Berlim Ocidental, imerso no que viria a ser conhecido como a sua “trilogia de Berlim” — Low, Heroes e Lodger — ao lado de Brian Eno e do produtor Tony Visconti. A cidade não era apenas o cenário: era o conceito. Dividida por um muro, carregada de tensão política, ideológica e emocional, Berlim oferecia a Bowie algo que ele procurava naquele momento da vida: distância do caos de Los Angeles, onde o vício em cocaína e o isolamento criativo quase o destruíram, e uma paisagem urbana que refletia a sua própria fragmentação interna.

O beijo sob o olhar da Stasi
A história por trás da canção é conhecida, mas nunca banal. Bowie escreveu “Heroes” inspirado num episódio real: ao observar pela janela do estúdio Hansa, localizado a poucos metros do Muro de Berlim, viu Tony Visconti a beijar uma mulher junto à barreira que separava o Leste do Oeste. A mulher era Antonia Maass, corista do álbum e, à época, envolvida com Visconti, apesar de ambos terem outros relacionamentos. O gesto, simples e arriscado, transformou-se no núcleo emocional da música. Não se tratava de amantes a desafiar apenas uma circunstância pessoal, mas de um ato de intimidade num dos espaços mais vigiados e simbólicos do planeta.

Engenharia de som como dramaturgia
Musicalmente, “Heroes” também nasce de uma experiência. Brian Eno construiu a paisagem sonora com sintetizadores e tratamentos electrónicos que expandiam a ambição do rock para além da sua forma tradicional. Visconti criou um sistema de microfones posicionados a diferentes distâncias da voz de Bowie, que se abriam progressivamente à medida que ele cantava mais alto, captando não apenas a performance, mas a própria arquitetura do estúdio.

O resultado é uma interpretação que cresce em intensidade, como se a canção literalmente ganhasse espaço físico à medida que Bowie se aproxima do clímax. É a técnica ao serviço da emoção.

A recusa do heroísmo grandioso
A letra, por sua vez, é deliberadamente simples. “We can be heroes, just for one day.” Não há promessa de eternidade, glória ou redenção total. Há apenas um instante. Um dia. Um gesto. Bowie nunca romantiza a vitória definitiva; ele oferece resistência temporária. E é exatamente essa recusa do heroísmo grandioso que torna a música tão poderosa. Num mundo de muros — físicos, políticos, afetivos —, ser herói por um dia já é um ato de coragem.

Do insucesso ao estatuto de Hino
Quando lançada, “Heroes” não foi um sucesso imediato nas tabelas de vendas. Alcançou posições modestas no Reino Unido e passou quase despercebida nos Estados Unidos. A crítica, entretanto, reconheceu desde cedo a sua singularidade, e a música começou a construir a sua reputação não pelo consumo rápido, mas pela sedimentação cultural. Com o tempo, tornou-se uma das faixas mais emblemáticas da carreira de Bowie, ao lado de “Space Oddity”, “Life on Mars?”, “Let’s Dance” e “Changes” — o quinteto que hoje define o coração do seu legado. 

Em 6 de junho de 1987, Bowie tocou "Heroes" no Reichstag, em Berlim Ocidental, o que foi considerado um catalisador para a queda do Muro.
 
Porquê agora?
Nada disto, porém, explica sozinho por que motivo “Heroes” ressoa tanto agora. Talvez porque vivamos novamente num mundo de muros, não apenas geopolíticos, mas simbólicos: polarização, guerras culturais, ansiedade coletiva, isolamento tecnológico. . Talvez porque, em tempos de exaustão moral, a ideia de um heroísmo possível, ainda que breve, soe mais honesta do que qualquer promessa de redenção total. “Heroes” não diz que o amor vence tudo. Diz que ele pode, por um instante, desafiar o impossível. E isso, para quem vive em 2026, não é pouco.

Um legado em datas
Após a morte de Bowie, em janeiro de 2016, o governo alemão agradeceu o músico por "ajudar a derrubar o Muro", acrescentando que "você está entre os Heróis"

Em 8 de janeiro de 2026, “Heroes” completou 49 anos desde o seu lançamento. Dois dias depois, a 10 de janeiro, assinalaram-se dez anos da morte de David Bowie. A coincidência de datas não é apenas cronológica; é simbólica. Bowie construiu uma carreira inteira baseada na transformação e na coragem de se reinventar.

Hoje, a canção é mais do que um clássico; é a prova de que, num tempo em que ser herói parece exigir façanhas impossíveis, às vezes tudo o que temos é um dia. Um gesto. Um beijo à beira de um muro. E, ainda assim, isso basta para mudar tudo.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Documentário: The Tube (1984)


Em março de 1984, a jornalista musical britânica Muriel Gray visitou Berlim Ocidental para filmar um segmento para o programa musical pioneiro do Reino Unido, The Tube (ITV), guiada pelo músico britânico expatriado e representante da Factory Records, Mark Reeder.

O conteúdo: as filmagens documentaram a vibrante, isolada e caótica subcultura da Berlim Ocidental da Guerra Fria, apresentando entrevistas e cenas da cena musical alternativa, incluindo artistas como Blixa Bargeld.
O contexto: Esta viagem fez parte de um esforço mais amplo e de longo prazo de Reeder para documentar a "cidade-ilha" no início da década de 1980. Imagens dessa época, incluindo a visita de 1984, foram posteriormente incorporadas no documentário de 2015, B-Movie: Lust & Sound in West-Berlin 1979-1989.
Atividade de 1984: por volta desta altura, Reeder estava a transformar a sua banda pós-punk Die Unbekannten (com Alistair Gray) no projeto Shark Vegas, de sonoridade mais eletrónica, pouco antes da digressão com os New Order.

Saber mais:
Iconic Underground
New Statesment
Post Punk

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

The Psychedelic Furs - Angels Don't Cry


I try to remember a kiss
And I only get sorrow
And yesterday's faded away
Now there's only tomorrow

And everything passes and changes
And comes to an end I know
But nothing is written but old news
Again and again

I know that it's true
There's too many tears
But angels don't cry

Now I see a face in your eyes
But you don't remember my name
We're always a step out of time
Now ain't that a shame

And you've been alone for too long
And nobody cries
If you want to see all of my tears
Take a look in your eyes

I know that it's true
Believe it or not
But angels don't cry

I know that it's true
There's too many tears
But angels don't cry

I could walk away
Or I could walk on by
Or make it all come true
Or say it's all a lie

There's no more tears
When you're out of time
And I might fade away tonight
If you close your eyes

I know that it's true
Believe it or not
But angels don't cry

I know that it's true
There's too many tears
But angels don't cry

I could walk away
I could walk on by
Or make it all come true
Or say it's all a lie

Lançada em 1987 no álbum Midnight to Midnight, "Angels Don't Cry" dos The Psychedelic Furs explora temas de perda, nostalgia e resiliência emocional perante o fim de um relacionamento. A letra reflete a dificuldade em reter memórias felizes, como um beijo que só traz tristeza, contrastando a fragilidade humana com a ideia de que "anjos não choram", simbolizando força interior ou aceitação inevitável.

Os versos iniciais evocam saudosismo por momentos fugazes que se dissipam com o tempo, como "ontem desvaneceu, agora só resta amanhã". O refrão reforça a dualidade entre lágrimas excessivas humanas e a impassibilidade angelical, sugerindo necessidade de superação apesar da solidão e  crise emocional ("sempre um passo fora do tempo")

Saber mais:

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

David Bowie e Brian Eno - Subterraneans


"Subterraneans" was ultimately the most heavily edited song on Low, with David Bowie's saxophone, as well as multilayered synthesizers and reversed instrument sounds from Brian Eno, floating underneath a moaned vocal which is wordless until around the final ninety seconds. The soundscapes contain a cinematic quality which evokes the feel of Miles Davis' landmark album In a Silent Way.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Musica do BioTerra: Clan of Xymox - Heroes (David Bowie Cover)


Clan of Xymox - Heroes: Análise do Videoclipe, Estilo Darkwave e Simbolismo em Berlim
O videoclipe oficial da releitura de "Heroes" (original de David Bowie, 1977) pelos Clan of Xymox — lançada no álbum de tributos e covers Kindred Spirits (2012) - afirma-se como uma obra visualmente rica em simbolismo darkwave. Uma das bandas fundamentais do género e do gothic rock, liderada pelo vocalista e fundador Ronny Moorings, a formação desconstrói o tom triunfante e eufórico do clássico de Bowie, substituindo-o por um arranjo sombrio, soturno e melancólico. A sua sonoridade assenta num baixo cadenciado, guitarras atmosféricas carregadas de efeitos de chorus e delay, sintetizadores gélidos e nos vocais graves e profundos característicos de Moorings.
Filmado num preto e branco de alto contraste, o clipe intercala imagens dos integrantes - Ronny Moorings e a baixista e artista visual Mojca Zugna - com cenários urbanos e monumentos históricos emblemáticos de Berlim, na Alemanha. Ao longo do vídeo, surge o Berliner Dom (Catedral de Berlim) como pano de fundo monumental enquanto Ronny caminha pela praça central, bem como o Brandenburger Tor (Portão de Brandemburgo) em silhueta dramática, conectando diretamente a música à história da cidade. A câmara foca ainda a Neue Wache (Novo Quartel de Guarda), memorial às vítimas da guerra e da tirania, destacando a famosa escultura de Käthe Kollwitz ("Mãe com o seu Filho Morto" / Pietà), intercalando estas imagens com castelos medievais, margens de rios e projeções frequentes das sombras dos dois músicos contra paredes de pedra e ruas de paralelepípedos.
A escolha de Berlim como cenário principal estabelece uma ligação direta com a génese da própria canção, uma vez que David Bowie compôs "Heroes" em 1977 enquanto vivia em Berlim Ocidental e gravava nos estúdios Hansa Tonstudio, inspirado pela visão de dois amantes a abraçarem-se junto ao Muro de Berlim. Ao filmar as sombras de Ronny e Mojca junto a muros de pedra, em clara alusão aos versos "standing by the wall" e "and we kissed, as though nothing could fall", a iconografia do clipe evoca com precisão a aura de isolamento, o romantismo trágico e a memória histórica que permeiam a obra original.

Ler mais:
A verdadeira história da canção "Heroes" de Bowie 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

David Bowie’s unlikely love for Frank Auerbach


In true avant-garde rock tradition, David Bowie had gone to art school before becoming the Starman who took over the airwaves. His love of art is well-established and primarily evident in his ever-changing aesthetic, which saw him blend the visual world with the sonic. Outside of his prolific music career, he collected and produced art, developing a fascination with outsider artists that often touched his sound.

In 1998, he admitted that art gave him a sense of stability, saying: “Art was, seriously, the only thing I’d ever wanted to own.” It had immense power over him, dictating his morning mood and nourishing his soul. “The same work can change me in different ways, depending on what I’m going through,” he told the New York Times.

“For instance, somebody I like very much indeed is Frank Auerbach,” he continued. “I think there are some mornings that if we hit each other a certain way – myself and a portrait by Auerbach – the work can magnify the kind of depression I’m going through.”

Auerbach’s work is often said to have this effect on viewers, compared to Lucian Freud – who Bowie noted didn’t live up to his reputation as the “greatest” contemporary painter – and Francis Bacon. His portraits are expressionist, the paint laid on so thick his subjects are barely recognisable as faces.

That ambiguity and frenzied painting style gave “spiritual weight” to Bowie’s angst. “Some mornings, I’ll look at it and go: ‘Oh, God, yeah! I know!’ But that same painting, on a different day, can produce in me an incredible feeling of the triumph of trying to express myself as an artist. I can look at it and say: ‘My God, yeah! I want to sound like that looks.'”

To that end, Bowie discussed his part in the glam rock generation, who famously didn’t see a divide between audio and visual art, joking that in the mid-60s, there was a running joke that if you wanted to become a skilled rhythm and blues player, you went to art school. “You know, 25 years ago, there were a whole crop of us that tried to drag all the arts together and create this potpourri, a kind of new essence for English music,” he mused.

He recalled conversations at art school and how the avante-garde artists always dominated discussion. For his part, he was drawn to Expressionists and remembered “an awful lot of Dada” popping up too. The love of boundary-pushing art followed him into his music career. However, he never considered the two as separate forces – it was that the passionate response art stirred in him was something to be continued in his music.

“I always want a certain abstraction,” he explained. “Art should be open enough for me to develop my own dialogue with it.”

sábado, 20 de maio de 2023

Rebelde: Agustina Bessa-Luís


"Sendo que a vida humana é dominação organizada, e o princípio da realidade é adaptação a essa mesma dominação - há a rebeldia como actividade nobre." - Agustina Bessa-Luís

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Documentário- David Bowie and the Story of Ziggy Stardust


Na sua autobiografia, Morrissey reclamou que hoje é fácil desconsiderar o impacto artístico-comportamental de David Bowie. Androginia e declarações bombásticas acerca de homo/bissexualidade são lugares-comuns em partes do hemisfério norte, mas quando o Camaleão começou a quebrar esses tabus no início dos anos 70, sua rebeldia escandalizou a Inglaterra. Imagine que para capa de The Man Who Sold the World, o seu álbum de 1970, o artista pousou com cabelão comprido – até aí nada demais no universo rock – e vestido, deitado num divã, num cenário super-Pré-Rafaelita. No mundo (aparentemente) macho do Deep Purple e Led Zeppelin isso era um ultraje.

Mas ainda não era quase nada comparado ao que Bowie aprontaria para o álbum seguinte, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972). De cabelos curtos e vermelhos e com visual inédito no planeta Terra, o multimídia inventou personagem que o catapultaria ao estrelato e seria o primeiro de uma série de trabalhos e personas que o constituiriam num dos artistas mais influentes do século XX.

O excitante documentário David Bowie & the Story of Ziggy Stardust (2012) radiografa a concepção, execução e os desdobramentos desse feito sociocultural. Muitos reclamam que hoje os artistas são como produtos já em seu estágio final quando chegam ao consumidor, sem tempo pra testar ideias e maturar. Bowie levou 10 anos absorvendo elementos - que passam pelo rock dos anos 50, teatro de vanguarda, mímica, ficção-científica, cenário underground gay e tanto mais – utilizados e ressignificados sob forma de tentativa e erro até explodir como um dos vulcões mais criativos e incendiários dos anos 1970.

O programa da BBC entrevistou músicos da banda Spiders from Mars, inventada para o projeto, e artistas como Elton John, Marc Almond e um dos Kemp do Spandau Ballet para atestarem o impacto do álbum. Incrível como Iggy Pop não apareça no documentário. Afinal, ele influenciou muito na viragem de Bowie.

Aprendemos sobre o penteado, as roupas, as canções, suas aparições na TV e sobre o lado menos bonito da histeria Ziggy Stardust, que iniciou o processo de esquizofrenia cocainada do Camaleão. Para quem se atém à idealização romantizada de que basta ter talento, David Bowie & the Story of Ziggy Stardust traz injeção de realidade ao explicitar o papel preponderante que um empresário endinheirado teve na ascensão de Bowie, especialmente quanto à conquista do cobiçado e difícil mercado norte-americano. Inegável a genialidade de David Bowie, mas sem esse investimento financeiro talvez tivesse permanecido subterrâneo ou não poderia ter dado vazão a tantas ideias.

Tomara que a BBC dedique documentários a outros álbuns do Camaleão, afinal, ele passou os anos 70 preparando o terreno para o punk, para a maioria dos artistas oitentistas, para o Britpop e até pra Lady Gaga, não se enganem. A gente lê um Nordic Noir e lá está uma personagem ouvindo Ziggy Stardust o tempo todo, enfim, Bowie é referência e sempre tendência.

Saber mais:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Música do BioTerra: David Bowie - Heroes


I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be heroes, just for one day

And you, you can be mean
And I, I'll drink all the time
'Cause we're lovers, and that is a fact
Yes we're lovers, and that is that
Though nothing will keep us together
We could steal time just for one day
We can be heroes for ever and ever
What d'you say?

I, I wish you could swim
Like the dolphins, like dolphins can swim
Though nothing, nothing will keep us together
We can beat them, for ever and ever
Oh we can be Heroes, just for one day

I, I will be king
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can be Heroes, just for one day
We can be us, just for one day

I, I can remember (I remember)
Standing, by the wall (by the wall)
And the guns, shot above our heads (over our heads)
And we kissed, as though nothing could fall (nothing could fall)
And the shame, was on the other side
Oh we can beat them, for ever and ever
Then we could be Heroes, just for one day

We can be Heroes
Just for one day
We can be Heroes

We're nothing, and nothing will help us
Maybe we're lying, then you better not stay
But we could be safer, just for one day

Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, just for one day

David Bowie e a Origem de Heroes: Entre o Expressionismo e a Guerra Fria
Quando David Bowie compôs e gravou Heroes em 1977, durante a sua célebre estada em Berlim Ocidental, a sua inspiração não se limitou apenas à paisagem urbana dividida pela Guerra Fria ou aos desenvolvimentos da música experimental alemã (como o krautrock de bandas como Neu! e Kraftwerk). Embora Bowie fosse um leitor voraz e frequentador de galerias de arte, a génesis de Heroes bebeu fortemente do clima estético do expressionismo alemão - com forte influência visual de pintores como Otto Mueller (especificamente a obra Amantes entre os muros do jardim) e das atmosferas literárias e decadentistas da Berlim dos anos 1920 que ele tanto estudava através de autores como Christopher Isherwood (Adeus a Berlim) e Alfred Döblin (Berlin Alexanderplatz). Além disso, a sensibilidade trágica de romances como Uma tumba para o Delfín, do escritor italiano Alberto Denti di Pirajno, e o existencialismo moderno moldaram a atmosfera poética de duas pessoas que desafiam a opressão sistémica através de um amor efémero, refletindo indiretamente uma visão nietzschiana de transvaloração e heroísmo quotidiano, onde o indivíduo se ergue contra o niilismo do seu ambiente político e social.

Ler mais:

Música do BioTerra: Lou Reed- Satellite of Love


Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I like to watch things on TV
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of love
Satellite of
Satellite's gone way up to Mars
Soon it'll be filled with parkin' cars
I watched it for a little while
I love to watch things on TV
I've been told that you've been bold
With Harry, Mark and John
Monday and Tuesday, Wednesday through Thursday
With Harry, Mark and John
Satellite's gone up to the skies
Things like that drive me out of my mind
I watched it for a little while
I love to watch things on TV

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Brian Eno escreve carta aos europeus: "Não se riam de pessoas como Trump e Johnson, porque vão devorar-vos”

O músico e produtor britânico, consumado que foi o Brexit, despede-se dos “amigos” europeus – na esperança de os voltar a encontrar “numa geração ou duas” –, apontando críticas ao Reino Unido e fazendo soar alarmes para o exterior. “A revolução aconteceu e estávamos alapados a ver Netflix”, recordou aos britânicos. A quem fica na UE, pede somente: “Não façam os mesmos erros estúpidos que nós”.

Fonte: aqui

Britânico de Woodbridge, cidade de 11. 385 habitantes no leste de Inglaterra, músico, do rock nos Roxy Music ao minimal ambiental mais a solo, produtor, de David Bowie aos Talking Heads, de Paul Simon aos Slowdive, de Brian Eno se pode dizer que é uma “autoridade”.

E puxou Brian Eno dos seus galões para, no site Democracy in Movement 2025 (do qual fazem parte figuras como Julian Assange, o ex-ministro grego Varoufakis ou o fundador do Livre Rui Tavares), se despedir dos “amigos europeus”, agora que o Brexit se consumou e o Reino Unido não faz já parte da União Europeia.

O músico britânico começa por garantir que, embora o Reino Unido tenha decidido de forma “louca, infantil e provavelmente suicida abandonar a Europa”, ele, Eno, continua a “sentir orgulho de ser europeu e da grande experiência social que a União Europeia representa”. “Na minha cabeça, ainda estou na Europa e é lá que vou ficar. Para a Inglaterra está tudo acabado e as gerações vindouras avaliarão os resultados”, garante em seguida.

A carta serve igualmente para Brian Eno dizer aos europeus “o que aconteceu à Inglaterra”. E o que é que aconteceu? O que é que está na origem do Brexit? “Uma imprensa corrupta e enganadora, pertença de umas poucas pessoas muito ricas; uma ilusão absurda e bem alimentada sobre o passado imperial de Inglaterra; uma imprensa que vive de atenção e de cliques e, por isso, amplia as hipóteses políticas de entertainers como Donald Trump e Boris Johnson; um ecossistema de redes sociais que conduz à polarização, em vez de compromisso; e uma série de líderes indistintos que aparentemente nada sabiam sobre estes problemas sistémicos”, explica.

Mas outra razão houve, acima de todas, segundo o músico, que tornou o Brexit uma realidade. A desatenção dos privilegiados. “Aqueles que, de entre nós, se consideram liberais ou socialistas ou democratas, não estiveram atentos. A maioria não reparou que, para a classe trabalhadora, as condições se agravavam de ano para ano. E não nos apercebemos que a imprensa de esgoto atribuía a culpa dessas condições às vítimas – os imigrantes, os pobres, os assistentes sociais, os professores, os estrangeiros e, acima de tudo, à União Europeia”, pode ler-se na carta publicada na Democracy in Movement 2025.

E conlui depois, Eno: “Não reparámos porque a nossa vida não era assim tão má - todos tínhamos os nossos iPhones e as nossas aplicações e as nossas contas na Amazon e os nossos voos baratos para zonas costeiras e outras formas de gastar o tempo. Entretanto, uma revolução estava a acontecer. Não a reconhecemos porque sempre pensámos que os revolucionários devíamos ser nós. A revolução aconteceu e nós estávamos alapados a ver Netflix”.

O cenário traçado por Eno é catrastófico, acreditanto o músico que “outros países também enfrentarão, em breve, campanhas para sair” da União Europeia, “se é que já não enfrentaram”. É que a União Europeia é “um alvo fácil para qualquer político ambicioso” que pretenda “cavalgar a onda nacionalista com a ajuda que os media inevitavelmente lhe darão”, lamenta.

Eno desejou, a terminar, esperando “ver-vos [europeus] dentro de uma geração ou duas”: “Por favor, amigos na Europa - não façam os mesmos erros estúpidos que nós. Não se limitem a rir de pessoas como Trump e Johnson e todos os outros, porque em breve eles irão devorar-vos. Se queremos uma Europa unificada, precisamos de defendê-la agora. Falar sobre ela. Pensar sobre ela. Melhorar e resolver as coisas”.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

737 donos do mundo controlam 80% do valor das empresas mundiais


O seu estudo, na fronteira da economia, da finança, das matemáticas e da estatística, é arrepiante. Três jovens investigadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique examinaram as interacções financeiras entre multinacionais do mundo inteiro. O seu trabalho - “The network of global corporate control” (“a rede de controlo global das transnacionais”) - examina um painel de 43.000 empresas transnacionais (“transnacional corporations”) seleccionadas na lista da OCDE. Eles dão a conhecer as interligações financeiras complexas entre estas “entidades” económicas: parte do capital detido, inclusive nas filiais ou nas holdings, participação cruzada, participação indirecta no capital.


Resultado: 80% do valor do conjunto das 43.000 multinacionais estudadas é controlado por 737 “entidades”: bancos, companhias de seguros ou grandes grupos industriais. O monopólio da posse capital não fica por aí. “Por uma rede complexa de participações”, 147 multinacionais, controlando-se entre si, possuem 40% do valor económico e financeiro de todas as multinacionais do mundo inteiro.

Uma super entidade de 50 grandes detentores de capitais
Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam o que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo.

Esta concentração levanta questões sérias. Para os autores, “uma rede financeira densamente ligada torna-se muito sensível ao risco sistémico”. Alguns recuam perante esta “super entidade”, e é o mundo que treme, como o provou a crise do subprime. Por outro lado, os autores levantam o problema das graves consequências que põe uma tal concentração. Que um punhado de fundos de investimento e de detentores de capital, situados no coração destas interligações, decidam, por via das assembleias gerais de accionistas ou pela sua presença nos conselhos de administração, impor reestruturações nas empresas que eles controlam e os efeitos poderão ser devastadores. Por fim, que influência poderão exercer sobre os Estados e as políticas públicas se adoptarem uma estratégia comum? A resposta encontra-se provavelmente nos actuais planos de austeridade.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Música do BioTerra: Dead Can Dance - In Power We Entrust The Love Advocated



Sail on silver wings
Through this storm
What fortune love may bring
Back to my arms again
The love of a former golden age
I am disabled by fears concerning which course to take
For now that wheels are turning
I find my faith deserting me

This night is filled with the cries
Of dispossessed children in search of paradise
A sign of unresolved ambition
Drives the pin wheel on and on
I am disabled by fears concerning which course to take
When memory bears witness to the innocents
Consumed in dying rage

The way lies through our love
There can be no other means to the end
Or the keys to my heart
You will never find
You will never find

Dead Can Dance é o primeiro álbum de estúdio da banda homónima Dead Can Dance, lançado em Fevereiro de 1984. Este álbum difere grandemente dos álbuns posteriores da banda, particularmente em termos da fusão étnica. Este álbum já foi descrito como gótico, industrial e mesmo pós-punk.

As faixas 11, 12, 13 e 14 foram originalmente lançadas no EP Garden of the Arcane Delights, e posteriormente adicionadas a este álbum quando foi lançado em CD.

Dead Can Dance
  1. "The Fatal Impact" – 3:31
  2. "The Trial" – 3:42
  3. "Frontier" – 3:13
  4. "Fortune" – 3:47
  5. "Ocean" – 3:21
  6. "East of Eden" – 3:23
  7. "Threshold" – 3:34
  8. "A Passage in Time" – 4:03
  9. "Wild in the Woods" – 3:46
  10. "Musica Eternal" – 3:51
Garden of the Arcane Delights

11. "Carnival of Light" – 3:31
12. "In Power We Entrust the Love Advocated" – 4:11
13. "The Arcane" – 3:49
14. "Flowers of the Sea" – 3:28

 Todas as cenas foram retiradas do filme ''Cat People'' (1982) realizado por Paul Schrader

domingo, 1 de outubro de 2006

David Bowie - Ziggy Stardust


The official video for Ziggy Stardust by David Bowie, featuring footage from the Ziggy Stardust tour shot in the UK during 1972 and 1973. Filmed by late Bowie collaborator, photographer Mick Rock, the footage features the album version of Ziggy Stardust as its soundtrack. 

Ziggy Stardust features on Rock 'n' Roll Star!, the 5CD/1 Blu-Ray audio set exploring David Bowie's journey from February 1971 through the creation of the Ziggy Stardust character, the recording of the iconic 'The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars' album, and captures the international mania that surrounded the Ziggy phenomenon in the form of UK radio sessions and TV performances, as well as live tracks from Ziggy and the Spiders’ 1st October 1972 show at the Boston Music Hall.

Tudo sobre a canção e seu significado aqui, aqui e aqui

[Intro]
Oh yeah

[Verse 1]
Now Ziggy played guitar, jamming good with Weird and Gilly
And the Spiders From Mars
He played it left hand, but made it too far
Became the special man, then we were Ziggy's band

[Verse 2]
Ziggy really sang, screwed up eyes and screwed down hairdo
Like some cat from Japan
He could lick 'em by smiling, he could leave 'em to hang
He came on so loaded, man, well-hung and snow-white tan

[Chorus 1]
So where were the spiders
While the fly tried to break our balls?
Just the beer light to guide us
So we bitched about his fans
And should we crush his sweet hands?
Oh yeah

[Verse 3]
Ziggy played for time, jiving us that we were voodoo
The kids were just crass, he was the nazz
With God-given ass, he took it all too far
But boy, could he play guitar
See upcoming rock shows

[Chorus 2]
Making love with his ego
Ziggy sucked up into his mind (ah)
Like a leper messiah
When the kids had killed the man
I had to break up the band

[Bridge]
Oh yeah
Ooh

[Outro]
Ziggy played guitar

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Música do BioTerra: David Bowie - Ashes To Ashes




[Verse 1]
Do you remember a guy that's been
In such an early song?
I've heard a rumour from Ground Control
Oh no, don't say it's true
They got a message from the Action Man
"I'm happy, hope you're happy too
I've loved all I've needed love
Sordid details following"
The shrieking of nothing is killing
The shrieking of nothing is killing
Just pictures of Jap girls in synthesis
Just pictures of Jap girls in synthesis
And I ain't got no money and I ain't got no hair
I ain't got no money and I ain't got no hair
But I'm hoping to kick but the planet is glowing-owing-owing-owing-owing-owing-owing-owing
But I'm hoping to kick but the planet is glowing

[Chorus]
Ashes to ashes, funk to funky
We know Major Tom's a junkie
Strung out in heaven's high
Hitting an all-time low

[Gibberish]

[Verse 2]
Time and again I tell myself
I'll stay clean tonight
But the little green wheels are following me
Oh no, not again
I'm stuck with a valuable friend
"I'm happy, hope you're happy too"
One flash of light, but no smoking pistol
I've never done good things
I've never done good things
I've never done bad things
I've never done bad things
I never did anything out of the blue, whoa whoa
I never did anything out of the blue, whoa whoa
Want an axe to break the ice
I want an axe to break the ice
Wanna come down right now
I want to come down right now

[Chorus]
Ashes to ashes, funk to funky
We know Major Tom's a junkie
Strung out in heaven's high
Hitting an all-time low

[Outro]
My mama said to get things done
You'd better not mess with Major Tom [4X]
My mama said

“Ashes to Ashes”, lançada por David Bowie em 1980, é uma canção profundamente introspectiva em que o artista revisita o personagem Major Tom, criado em “Space Oddity”, mas agora retratado como alguém perdido e dependente de drogas. Bowie utiliza essa figura para falar indiretamente sobre o seu próprio passado, especialmente da fase marcada pelo consumo pesado de cocaína nos anos 70. A música funciona como uma espécie de autocrítica e tentativa de purificação: a expressão “ashes to ashes, funk to funky” sugere um ciclo de destruição e renovação. Ao revelar que “Major Tom’s a junkie”, Bowie confronta a idealização dos seus próprios mitos e o fim de uma era criativa. O tema central é, portanto, o confronto com fantasmas pessoais, a desilusão com antigos ídolos e a necessidade de renascer após um período de desorientação. O videoclipe, com imagens surrealistas e Bowie vestido de Pierrot, reforça o tom melancólico e simbólico de transformação. Assim, a canção representa uma reflexão honesta sobre decadência, vício e mudança, marcando a transição para uma nova fase artística e pessoal.
É frequentemente interpretada como o fecho da “fase espacial” de Bowie.
O álbum Scary Monsters (and Super Creeps) marca simbolicamente o fim da década de 70 para o artista.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Música do BioTerra: David Bowie- Moonage daydream

David Bowie- Moonage daydream

I'm an alligator, I'm a mama-papa comin' for you
I'm the space invader, I'll be a rock 'n' rollin' bitch for you
Keep your mouth shut, you're squawking like a pink monkey bird