Portugal é muito "suave" com estes cheganos. A filha do Jaime Nogueira Pinto consegue ser mais extrema-direita que o seu pai. E não sei o futuro, mas nada me parece ser optimista, para quem defende a esquerda e pensadores como Fourier, Owen e Saint Simon. Vejamos o caso da Alemanha. A Alemanha destaca-se internacionalmente por ter um dos ecossistemas de maior escrutínio, regulação e resistência institucional contra a desinformação, embora enfrente uma pressão sem precedentes de campanhas massivas da extrema-direita e de agentes externos, como redes de desinformação russas.
Esta forte resistência alemã baseia-se em três pilares principais. O primeiro é o rigor legislativo, onde o país foi pioneiro global com a lei NetzDG, que obriga as redes sociais a remover discursos de ódio e notícias falsas criminosas em até 24 horas sob pena de multas multimilionárias, servindo de base para a atual Lei dos Serviços Digitais da União Europeia. O segundo pilar é a comunicação social pública forte e confiável, mantendo um sistema de radiodifusão altamente robusto, financiado pelos cidadãos e protegido de interferências governamentais, o que garante níveis de confiança consistentemente elevados na população. O terceiro pilar assenta numa sociedade civil ativa e em consórcios de verificação de factos, com coletivos independentes como o Correctiv a gerar impactos históricos ao expor esquemas e reuniões secretas da extrema-direita, mobilizando milhões de cidadãos em protestos de rua em defesa da democracia.
Apesar deste forte escrutínio, a extrema-direita tem conseguido contornar os filtros tradicionais através de estratégias digitais altamente sofisticadas. O partido Alternative für Deutschland e os seus influenciadores dominam redes visuais como o TikTok, superando largamente os partidos tradicionais no alcance orgânico junto do eleitorado mais jovem através de vídeos curtos que misturam sátira, pânico moral e desinformação. A esta estratégia soma-se o uso intensivo de inteligência artificial para a criação de deepfakes e a estreita ligação com campanhas de influência russas, como a rede Doppelgänger, focadas em polarizar debates sobre imigração e geopolítica. Assim, embora o escrutínio e a reação da sociedade alemã sejam rigorosos, a velocidade e a sofisticação tecnológica destas ofensivas continuam a testar os limites das defesas democráticas do país.
"Durante muito tempo, a gente aprendeu que ignorância era só falta de informação. Que bastava ensinar melhor, divulgar mais, explicar com paciência. Esse raciocínio parte de uma ideia confortável: a de que todo mundo erra sem querer. Até que alguém resolveu olhar para o problema por outro ângulo e perguntar o que acontece quando a ignorância não é um acidente, mas um projeto.
Foi aí que conheci o trabalho de Robert Proctor, historiador da ciência, professor em Stanford, e o homem que deu nome a esse mecanismo desconfortável chamado agnotologia. Agnotologia é o estudo da produção deliberada da ignorância. Não do erro honesto. Não da dúvida legítima. Mas da ignorância construída com método, dinheiro, estratégia e paciência histórica.
Proctor chegou a isso estudando a indústria do tabaco. E aqui vale ser bem didático. Nos anos 1950, a ciência já havia identificado com clareza a relação entre cigarro e cancro de pulmão. O consenso estava se formando. O que a indústria fez não foi negar frontalmente esses estudos. Isso seria fácil de desmontar. O que ela fez foi algo muito mais sofisticado.
Ela financiou pesquisas paralelas, pagou especialistas para relativizar conclusões, criou institutos “independentes” e passou a repetir uma frase-chave: “a ciência ainda não é conclusiva”. Não era mentira direta. Era fabricação de dúvida. O objetivo não era convencer as pessoas de que fumar fazia bem. Era fazer com que elas pensassem que ainda era cedo demais para ter certeza.
Aqui está o ponto central da agnotologia: não se trata de convencer, mas de paralisar. Se existe dúvida, não há urgência. Se há controvérsia, não há decisão. Se tudo parece incerto, ninguém precisa agir agora.
Esse método deu tão certo que passou a ser reutilizado. Mudam os temas, mas a engrenagem é a mesma. Mudanças climáticas, por exemplo. Durante décadas, empresas financiaram campanhas não para negar o aquecimento global, mas para transformá-lo em “debate”. O planeta aquecia, os dados se acumulavam, mas a pergunta pública permanecia sempre a mesma: “Será mesmo?”
Vacinas seguiram caminho parecido. Não foi preciso provar que elas não funcionam. Bastou sugerir que talvez não fossem tão seguras assim, que talvez ainda houvesse algo escondido, que talvez fosse melhor esperar. A dúvida virou produto. A hesitação virou comportamento social.
História também entra nessa conta. Quando tudo vira “versão”, quando factos documentados passam a disputar espaço com opinião, quando arquivos viram narrativa opcional, a ignorância deixa de ser ausência e passa a ser política. Não é esquecimento. É escolha.
A agnotologia não nasceu na filosofia, mas dialoga diretamente com ideias que muita gente já sentiu na pele sem saber nomear. Michel Foucault já havia mostrado como saber e poder caminham juntos, como certos discursos ganham status de verdade enquanto outros são empurrados para a margem. Proctor mostra o outro lado da moeda: não apenas o que é dito, mas o que é sistematicamente impedido de ser sabido.
Décadas depois, pesquisadores como Naomi Oreskes deixaram isso ainda mais explícito ao analisar como a dúvida científica foi usada como arma política no debate climático. Não se vence a verdade com mentira escancarada. Vence-se desgastando-a, cercando-a de ruído, colocando-a no mesmo nível de qualquer palpite. Quando tudo vira opinião, a verdade deixa de ter urgência.
Esse mecanismo fica ainda mais eficiente quando encontra um terreno fértil chamado dissonância cognitiva. Um conceito da psicologia formulado por Leon Festinger, que explica algo simples e profundamente humano. A gente não gosta de informações que nos obrigam a rever quem somos, no que acreditamos ou ao grupo ao qual pertencemos. Quando uma informação ameaça nossa identidade, o cérebro não reage buscando verdade. Ele reage buscando alívio.
E a dúvida fabricada oferece exatamente isso. Ela não exige mudança. Não cobra revisão. Não pede desconforto. Ela apenas sussurra: “calma, talvez não seja bem assim”. A agnotologia não precisa criar essa tensão. Ela só precisa explorá-la.
As redes sociais transformaram esse processo em escala industrial. Algoritmos aprenderam a entregar conforto cognitivo com precisão assustadora. Se você acredita em algo, sempre haverá um conteúdo dizendo que você tem razão em duvidar do resto. Nesse ambiente, a ignorância não precisa ser imposta. Ela passa a ser escolhida.
Eu faço questão de falar disso aqui porque entender esse mecanismo é uma forma de defesa. Não contra pessoas, não contra ideias específicas, mas contra estruturas invisíveis que moldam o debate público. A melhor forma de se prevenir é entender o mecanismo. A agnotologia não te transforma automaticamente em alguém mais informado ou mais inteligente. Ela te transforma em alguém mais atento. E atenção, hoje, é um ato quase subversivo.
Talvez você nunca tenha ouvido essa palavra antes. E tudo bem. Ela não costuma circular fora da academia justamente porque nomear o problema é o primeiro passo para desmontá-lo. Mas o efeito dela está por toda parte. Nos debates que nunca avançam. Nas discussões que se repetem em círculos. Na sensação constante de que algo está errado, mas nunca errado o suficiente para exigir mudança imediata.
Quando identidade vira trincheira, qualquer dúvida que proteja essa identidade parece virtude. É assim que a guerra cultural se alimenta. Não pela força da verdade, mas pelo conforto da hesitação. Em certos momentos da história, não é a mentira que vence. É a dúvida bem administrada.
E é exatamente por isso que escrever este texto me dá um tipo específico de orgulho. Não aquele orgulho inflado, performático, mas um orgulho quieto, quase teimoso. O de continuar falando de coisas difíceis num tempo em que o fácil viraliza mais rápido. O de explicar um conceito pouco conhecido quando o mundo parece preferir gritar certezas rasas.
Com tudo o que tem acontecido comigo, com o debate público e com o próprio planeta, sentar para escrever sobre isso é, para mim, uma forma de resistência lúcida. E também um gesto de confiança em quem ainda lê com atenção. Se isso aqui servir como munição para quem pensa criticamente, mesmo que só para reconhecer a engrenagem, já valeu a pena "
Vinte e oito debates depois (que pode rever, um a um, aqui) é quase consensual para os comentadores que os avaliaram que Luis Marques Mendes foi quem teve uma melhor prestação. Em média. É esta a principal conclusão de uma análise feita pela CNN Portugal a todas as notas quantitativas dadas pelos diferentes analistas da CNN Portugal, da SIC Notícias, do Jornal de Notícias, do Observador e do ECO: o antigo líder do PSD conseguiu uma classificação média de 13 valores e foi o primeiro classificado em quatro destes cinco meios de comunicação social - só na CNN Portugal ficou em segundo e por causa do último debate, até ao qual também liderava.
A avaliação a Marques Mendes por parte dos comentadores dos cinco órgãos de comunicação social manteve-se sempre acima dos 12 valores. Nos extremos, o Observador deu, em média, ao candidato a melhor nota (13,6 pontos) e o Eco a mais fraca (12,1 pontos).
Na análise feita pelos comentadores, Marques Mendes venceu praticamente todos os debates que fez, sendo que aqueles em que teve melhor avaliação foram contra António Filipe (média de 14,4 pontos) e João Cotrim de Figueiredo (média de 14,3). O candidato do PSD acabou por perder só um debate, o último, frente a Gouveia e Melo em que teve um resultado de 11,9. Por outro lado, foi contra Catarina Martins que Marques Mendes teve a sua vitória menos expressiva (12,7 vs 12,2 valores).
Na avaliação à prestação dos debates, é António José Seguro quem consegue a segunda melhor nota no cômputo geral. Feitas as contas, o candidato apoiado pelo PS termina com uma média geral de 12,3 valores, tendo alcançado em média um valor superior aos 13 pontos em três canais ou jornais: CNN (13,3), Observador (13,1) e SIC Notícias (13,2). Já os piores resultados para Seguro vieram, em média, do JN (12,8) e do Eco, para quem o candidato termina com uma média negativa: 9,4 pontos.
À semelhança de Luís Marques Mendes, António José Seguro apareceu como vitorioso em seis dos debates em que esteve presente, sendo a sua vitória mais expressiva contra Henrique Gouveia e Melo, por 3,8 valores (14,4 vs. 10,6). Por outro lado, foi com Catarina Martins que Seguro obteve a sua vitória mais curta, por 0,3 valores (12,8 vs. 12,5). A única derrota registada ao longo dos debates eleitorais ocorreu frente a Marques Mendes, tendo perdido por 0,6 valores (12,2 vs. 12,8).
No final do pódio está João Cotrim de Figueiredo. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal obteve uma média de 11,4 pontos, tendo recebido melhores notas do Observador (média de 12,6 pontos) e da CNN Portugal (12,2 valores) e piores vindas dos comentadores do JN (10,9 pontos) e da SIC Notícias.
Foi contra Catarina Martins que João Cotrim de Figueiredo teve a sua melhor média de notas, tendo vencido esse debate por 1,1 valores (13,2 vs. 12,1). Foi uma das cinco vitórias que obteve ao fim de sete debates. Em contrassentido, o antigo líder da Iniciativa Liberal perdeu em dois desses confrontos, sendo a sua pior derrota com Luís Marques Mendes, por 3,5 valores (10,8 vs. 14,3).
Já o Almirante Henrique Gouveia e Melo surge em quarto lugar no ranking de melhores notas dadas pelos comentadores dos cinco órgãos de comunicação social. Termina esta temporada pré-eleitoral com uma média de 11,2 pontos - menos 0,2 valores do que Cotrim Figueiredo. Entre os comentadores das cinco casas, foi na CNN Portugal que o antigo líder da task-force de vacinação obteve a melhor média: 12,6. Manteve-se acima dos 11 valores na SIC Notícias (11,9) e no Observador (11,1) e as notas mais fracas vieram de comentadores do ECO (10,7) e do JN (9,6).
A maior vitória que Henrique Gouveia e Melo registou foi contra Jorge Pinto, tendo obtido uma média de 12,9 contra 10,6. Destaque ainda para os bons resultados contra António Filipe, onde conseguiu vencer por 1,9 valores (12,7 vs. 10,8). O Almirante, de resto, perdeu em três confrontos, tendo o pior resultado contra António José Seguro, por 4,6 valores (9,8 vs. 14,4).
A completar o top 5 está Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre que ficou a 0,1 pontos da média final de Henrique Gouveia e Melo. O deputado obtém assim um resultado final de 11,1 valores, tendo recebido a melhor pontuação média junto dos comentadores da CNN Portugal (11,8 valores). Já os piores resultados vieram, em média, dos comentadores do Observador que lhe deram uma pontuação final de 10,4 valores.
Jorge Pinto conseguiu três vitórias, a mais expressiva frente a António Filipe, em que, segundo a avaliação dos comentadores, derrotou o candidato do PCP por 0,9 valores. Saiu derrotado, contudo, em quatro confrontos: contra André Ventura (11,1 vs. 12,0), contra António José Seguro (10,2 vs. 11,8), contra João Cotrim de Figueiredo e contra Luís Marques Mendes, num debate que ficou marcado por ser aquele em que teve a melhor avaliação geral de todos (12,7 vs 14,2).
Após o derradeiro debate desta segunda-feira, Catarina Martins e André Ventura compõem penúltimo e último lugar, respetivamente, no que diz respeito às notas dos comentadores. A antiga líder do Bloco de Esquerda termina com uma média de 10,9 valores, tendo perdido em cinco dos sete debates. A derrota mais pesada foi mesmo frente a João Cotrim de Figueiredo, por mais de um valor (12,1 vs. 13,2). Já o melhor debate foi frente a André Ventura, naquele que foi o debate avaliado como o pior de todos (8,8 vs. 8,0).
O líder do Chega é, de resto, o pior classificado feitas as contas aos 28 debates. Para os comentadores analisados, a média de Ventura não vai além dos 10,8 valores, tendo recebido as melhores notas da CNN Portugal (12,6 em média) e as piores do JN (média de 8,6 pontos).
Em seis debates, André Ventura venceu dois dos sete debates em que participou, ambos por margens reduzidas, frente a Jorge Pinto (12,0 vs. 11,1) e a António Filipe (12,0 vs. 10,9). Perdeu cinco confrontos, incluindo uma derrota mínima frente a Henrique Gouveia e Melo (11,3 vs. 11,4,) e a mais expressiva contra António José Seguro (10,6 vs. 12,8).
O melhor e o pior debate
As notas permitem ainda destacar o melhor e o pior debate dos 28, considerando as médias de todos os comentadores.
O melhor debate, no sentido em que recebeu notas médias mais elevadas, realizou-se entre Luís Marques Mendes e Jorge Pinto:
Já o pior debate, seguindo o mesmo critério, realizou-se entre André Ventura e Catarina Martins:
Esta análise contemplou mais de setecentas notas individuais, dadas por mais de cinquenta "avaliadores". Em média, cada debate recebeu cerca de 14 avaliações de comentadores.
Áudio de entrevista para o livro "Dias de Raiva" prova como o líder do Chega afirma ter-se sentido enganado pelo líder socialista enquanto eleitor. "De facto, via-o com firmeza, coragem. Gostava da forma de ele se exprimir e tudo. Enganou-me uma vez, mas não me enganou mais."
Foi um dos momento mais tensos da noite. No fim do debate presidencial entre João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal, e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, ambos trocaram uma série de farpas.
João Cotrim Figueiredo: Fala tanto das elites, mas não fui eu que fui inspetor tributário a dar conselho a milionários de como fugir aos impostos. Isso é que é trabalhar com as elites. Não fui eu que fui chamado, via minha atividade, a testemunhar em tribunal sobre um caso de vistos Gold em tinha dado um parecer positivo à isenção de IVA - e do outro lado estava quem? Lalanda de Castro, grande amigo de José Sócrates. Mas isto não é surpresa: tu já confessaste que votaste no José Sócrates.
André Ventura: Isso é falso. Nunca confessei, isso é falso, é mais notícias falsas que andam a espalhar.
JCF: A sério? Saiu num livro e num jornal.
AV: De livros, a maior parte sobre o Chega são falsos.
O líder do Chega mente. O caso tem origem no livro Dias de Raiva - Os Segredos da Ascensão de André Ventura (2024, Manuscrito). Na página 33, no capítulo dedicado às origens do líder político, o candidato do Chega explica como viu com entusiasmo a maioria absoluta de José Sócrates, um homem que via com "firmeza, coragem", ocasião em que diz ter votado nele.
A primeira vez que Ventura revelou o sentido de voto foi ainda em 2017, enquanto candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures. Em conversa com o jornalista da SÁBADO (e autor deste livro), afirmou: "Era jovem e parecia uma voz do povo. Aqui entre nós, fui um dos muitos que votou nele." Volvidos quatro anos, em entrevista dedicado para o livro, o tema surgiu novamente:
Alexandre Malhado: Havia dentro do PS um discurso populista, na medida em que tivemos o líder José Sócrates.
André Ventura: Enganou-me a mim.
AM: Pois, exato. Chegaste a votar e lembro-me de teres dito que te enganou.
AV: Mas enganou mesmo. Foi o único líder socialista que me enganou. Porque na altura, de facto, via-o com firmeza, coragem. Gostava da forma de ele se exprimir e tudo. Mas depois com a questão da licenciatura e do caso Freeport, fiquei com um pé atrás. Enganou-me uma vez, mas não me enganou mais.
Entrevista a André Ventura em 2021 para o livro Dias de Raiva.
Em 2015, no seu próprio livro livro Justiça, Corrupção e Jornalismo — Os Desafios do Nosso Tempo, André Ventura classificou Sócrates como um homem "capaz de lutar contra os interesses instalados" e admite que chegou "a ser influenciado por este movimento" do antigo secretário-geral socialista. "José Sócrates foi um político que me convenceu no seu início, não tanto como secretário de Estado do Ambiente, uma vez que não tive tanto contacto com essa realidade, mas como líder do Partido Socialista. Primeiro, contra João Soares e Manuel Alegre e, depois, como candidato a primeiro-ministro nos seus primeiros anos, tendo-me aparecido como um homem íntegro, como um homem firma nalgumas decisões, capaz de lutar contra interesses instalados, mas o que é que se revelou no fim!?" Na mesma página, os elogios continuam: "José Sócrates era mestre nas encenações, todos os grandes congressos do Partido Socialista sobre José Sócrates continham uma ovação quase estalinista, em que estávamos perante grandiosos cenários, o hino nacional. José Sócrates apareceu quase como salvador da pátria." Há dez anos, concluía que "temos de ser mais exigentes com a democracia, mais exigentes com a verdade."
O debate entre o deputado André Ventura, candidato presidencial apoiado pelo Chega, e o eurodeputado João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), foi tenso e pessoal. Ambos eleitos deputados únicos ao mesmo tempo, em 2019, liderando partidos recém-criados a ganhar assento parlamentar, foi uma disputa entre velhos rivais. “Acho que o maior erro da vida do João foi ter deixado a liderança da IL para ir ter uma reforma dourada em Bruxelas", acusou Ventura. “Tenho uma reforma dourada tão boa que decidi candidatar-me a Presidente da República”, respondeu o liberal. Além da Lei da Nacionalidade e Ucrânia — “Não quero mandar para lá tropas como tu”, atirou Ventura —, discutiram com informalidade, num "tu cá, tu lá", a idade de Cotrim Figueiredo, pedofilia no Chega e o passado de André Ventura enquanto inspetor da autoridade tributária.
Os MOOCs (Massive Open Online Courses) têm uma relação direta e estratégica com a Educação Ambiental, sobretudo porque ambos partilham o objetivo de democratizar o acesso ao conhecimento e promover mudanças de valores, atitudes e comportamentos face aos desafios ambientais contemporâneos. Num contexto marcado por crises globais como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas, torna-se essencial que a educação ambiental ultrapasse os limites da escola formal e alcance públicos mais amplos, algo que os MOOCs permitem de forma eficaz.
Ao serem cursos online, abertos e acessíveis a um número elevado de participantes, os MOOCs possibilitam a difusão de conteúdos científicos e educativos sobre sustentabilidade, conservação da natureza, ecologia e cidadania ambiental a pessoas de diferentes idades, formações e contextos socioculturais. Esta característica reforça o carácter inclusivo da Educação Ambiental e contribui para a construção de uma consciência ecológica global, ao mesmo tempo que valoriza experiências e realidades locais partilhadas entre participantes de diferentes regiões do mundo.
Os MOOCs assumem também um papel relevante na formação contínua de professores, educadores ambientais e técnicos da área do ambiente, permitindo atualização científica permanente e contacto com novas abordagens pedagógicas. Quando bem estruturados, podem integrar metodologias ativas, como estudos de caso, projetos comunitários, desafios práticos e fóruns de debate, favorecendo uma aprendizagem crítica e reflexiva, essencial para a Educação Ambiental transformadora.
Contudo, é importante reconhecer que os MOOCs apresentam limitações, como elevadas taxas de abandono, desigualdades no acesso à internet e a dificuldade em promover experiências diretas com a natureza. Por essa razão, devem ser encarados como ferramentas complementares, e não substitutas, das práticas educativas presenciais e das ações locais de educação ambiental.
Em síntese, os MOOCs constituem um importante instrumento de apoio à Educação Ambiental, ao ampliarem o alcance do conhecimento, fortalecerem redes de aprendizagem e contribuírem para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos, desde que articulados com práticas pedagógicas críticas e orientadas para a ação sustentável.
Referências bibliográficas
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Vandana Shiva partilha o seu conhecimento sobre a Revolução Verde, um conjunto de práticas e políticas agrícolas transformadoras e dependentes de produtos químicos que prometiam proporcionar segurança alimentar às populações de todo o mundo. Mas será que cumpriu essas promessas? E como é que os seus resultados se comparam aos da agricultura biológica?
Estando mais de 80 % do concelho de Monchique classificado com perigosidade elevada de incêndio e localizando-se numa das regiões mais quentes do país, estando 86% da área do concelho de Monchique classificada como Zona Especial de Conservação (ZEC) no âmbito da Rede Natura 2000, a autarquia de Monchique não faz notar que o eucalipto tornou-se a sua principal espécie florestal no concelho. Vá lá saber-se porquê ...
O ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, e o Secretário de Estado da Conservação da Natureza e das Florestas, João Paulo Catarino, efetuaram uma visita ao concelho de Monchique no passado 31 de março, na sequência da qual a autarquia emitiu um comunicado, enunciando a matéria de debate e as reflexões, ou conclusões, em apreço.
Nesse âmbito, foi debatida a "necessidade de compatibilizar os diferentes instrumentos de gestão territorial e as atividades socioeconómicas nos territórios rurais de baixa densidade, uma vez que as políticas de proibição das últimas décadas conduziram este concelho ao abandono e ao envelhecimento", não contribuindo nem para a redução dos incêndios rurais nem para a conservação da natureza.
Na reuniões realizadas, foi também abordada a "necessidade imperiosa de alteração do Decreto-Lei n.º 82/2021, de 13 de outubro, que regulamenta o SGIFR (Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais), na medida em que condiciona as atividades de edificação, fruição e uso de maquinaria nos espaços florestais, em função da perigosidade de incêndio e nos dias de risco de incêndio rural muito elevado e máximo."
No comunicado, a Câmara de Monchique refere que "estando mais de 80 % do concelho de Monchique classificado com perigosidade elevada de incêndio e localizando-se numa das regiões mais quentes do país, estas proibições colocam em causa a execução das próprias medidas de prevenção de incêndio, mas também a sobrevivência das pequenas e médias empresas do sector florestal e do turismo, assim como contribui para o aumento do abandono dos espaços rurais e para o seu envelhecimento."
Este instrumento de gestão do território à escala da Paisagem, cujo objetivo é tornar esta paisagem mais resiliente aos incêndios rurais, a autarquia adverte que se "se mantiver a sua atual redação votará ao abandono, no curto médio prazo, um terço da área florestal do concelho", pelo que é "urgente a sua revisão."
Mais, estando 86% da área do concelho de Monchique classificada como Zona Especial de Conservação (ZEC) no âmbito da Rede Natura 2000, foram também debatidos os Planos de Gestão da Rede Natura 2000 (ZPE/ZEC Monchique e Arade/Odelouca), os quais "devem constituir-se como instrumentos efetivos de salvaguarda e restauro dos habitats prioritários, apoiando a comunidade local na valorização do património natural."
Integrada nesta visita, ao debate seguiu-se a "visita a projetos exemplificativos das ações que têm vindo a ser executadas no concelho: Faixa Primária de Gestão de Combustível no troço Madrinha/Chilrão; restauro ambiental LIFE RELICT “Preserving Continental Laurissilva Relics”; e condomínios de aldeia das Corchas e Portela da Serenada" - informa a autarquia monchiquense.
A autarquia de Monchique faz notar também que nas reuniões participaram os membros do governo, autarcas e atores locais, nomeadamente a ASPAFLOBAL, entidade que participou no debate dos desafios do ordenamento florestal no concelho de Monchique.
Claro que é um falhanço global e fazemos maior pressão sobre as áreas e reservas da Biosfera. Mas a literacia do planeamento familiar é muito desigual no Mundo. Há que continuar a insistir nesta temática. Além disso há claramente uma desigualdade de "distribuição" dos biliões de habitantes. A grande fatia está no Oriente Global.
O filósofo Emanuele Coccia e o escritor e líder indígena Ailton Krenak se encontraram no ateliê do artista Luiz Zerbini, no Rio de Janeiro, na última terça-feira (22). A conversa fez parte do primeiro episódio do “Conversas na Rede”, uma nova série de encontros em que o objetivo é fluir os pensamentos com a delicadeza e frescor dos balanços das redes, objeto simbólico da história do Brasil e de seus povos nativos.
Sentados em uma rede-canoa, o filósofo italiano e o escritor brasileiro abordaram assuntos de extrema importância da atualidade no bate-papo, como o desconforto com a ideia do futuro, a necessidade de reconexão com a materialidade da vida e a influência de outras formas de vida sobre os corpos humanos.
O episódio “Amar, comer e ser comido” teve como principal apoiador a Embaixada Francesa no Brasil. Pelo Instagram, Coccia destacou que “teve o enorme prazer de dialogar com Ailton, um dos maiores intelectuais vivos e uma das pessoas mais incríveis que já teve o prazer de conhecer”.
Nunca tinha ouvido falar dele -.Jordan Peterson. Hoje conheci o homem mais parvo, racista, machista e crente realmente nas suas teorias extremistas. Obviamente céptico climático, sem surpresa. Transpira discurso do ódio pelos poros. E é assim que a extrema-direita avança. Os canadianos sofrem. Têm aqui um autêntico miserável alienado.
Since his confrontation with Cathy Newman, the Canadian academic’s book has become a bestseller. But his arguments are riddled with ‘pseudo-facts’ and conspiracy theories
The Canadian psychology professor and culture warrior Jordan B Peterson could not have hoped for better publicity than his recent encounter with Cathy Newman on Channel 4 News. The more Newman inaccurately paraphrased his beliefs and betrayed her irritation, the better Peterson came across. The whole performance, which has since been viewed more than 6m times on YouTube and was described by excitable Fox News host Tucker Carlson as “one of the great interviews of all time”, bolstered Peterson’s preferred image as the coolly rational man of science facing down the hysteria of political correctness. As he told Newman in his distinctive, constricted voice, which he has compared to that of Kermit the Frog: “I choose my words very, very carefully.”
The confrontation has worked wonders for Peterson. His new book 12 Rules for Life: An Antidote to Chaos has become a runaway bestseller in the UK, US, Canada, Australia, Germany and France, making him the public intellectual du jour. Peterson is not just another troll, narcissist or blowhard whose arguments are fatally compromised by bad faith, petulance, intellectual laziness and blatant bigotry. It is harder to argue with someone who believes what he says and knows what he is talking about – or at least conveys that impression. No wonder every scourge of political correctness, from the Spectator to InfoWars, is aflutter over the 55-year-old professor who appears to bring heavyweight intellectual armature to standard complaints about “social-justice warriors” and “snowflakes”. They think he could be the culture war’s Weapon X.
Despite his appetite for self-promotion, Peterson claims to be a reluctant star. “In a sensible world, I would have got my 15 minutes of fame,” he told the Ottawa Citizen last year. “I feel like I’m surfing a giant wave and it could come crashing down and wipe me out, or I could ride it and continue. All of those options are equally possible.”
Two years ago, he was a popular professor at the University of Toronto and a practising clinical psychologist who offered self-improvement exercises on YouTube. He published his first book, Maps of Meaning: The Architecture of Belief, in 1999 and appeared in Malcolm Gladwell’s bestseller David and Goliath, talking about the character traits of successful entrepreneurs. The tough-love, stern-dad strand of his work is represented in 12 Rules for Life, which fetes strength, discipline and honour.
His ballooning celebrity and wealth, however, began elsewhere, with a three-part YouTube series in September 2016 called Professor Against Political Correctness. Peterson was troubled by two developments: a federal amendment to add gender identity and expression to the Canadian Human Rights Act; and his university’s plans for mandatory anti-bias training. Starting from there, he railed against Marxism, human rights organisations, HR departments and “an underground apparatus of radical left political motivations” forcing gender-neutral pronouns on him.
This more verbose, distinctly Canadian version of Howard Beale’s “mad as hell” monologue in Network had an explosive effect. A few days later, a video of student protesters disrupting one of Peterson’s lectures enhanced his reputation as a doughty truth-teller. “I hit a hornets’ nest at the most propitious time,” he later reflected.
Indeed he did. Camille Paglia anointed him “the most important and influential Canadian thinker since Marshall McLuhan”. Economist Tyler Cowen said Peterson is currently the most influential public intellectual in the western world. For rightwing commentator Melanie Phillips, he is “a kind of secular prophet in an era of lobotomised conformism”. He is also adored by figures on the so-called alt-light (basically the “alt-right” without the sieg heils and the white ethnostate), including Mike Cernovich, Gavin McInnes and Paul Joseph Watson. His earnings from crowdfunding drives on Patreon and YouTube hits (his lectures and debates have been viewed almost 40m times), now dwarf his academic salary.
Not everybody is persuaded that Peterson is a thinker of substance, however. Last November, fellow University of Toronto professor Ira Wells called him “the professor of piffle” – a YouTube star rather than a credible intellectual. Tabatha Southey, a columnist for the Canadian magazine Macleans, designated him “the stupid man’s smart person”.
“Peterson’s secret sauce is to provide an academic veneer to a lot of old-school rightwing cant, including the notion that most academia is corrupt and evil, and banal self-help patter,” says Southey. “He’s very much a cult thing, in every regard. I think he’s a goof, which does not mean he’s not dangerous.”
One person who has crossed swords with Peterson declined my interview request, having experienced floods of hate mail.
So, what does Peterson actually believe? He bills himself as “a classic British liberal” whose focus is the psychology of belief. Much of what he says is familiar: marginalised groups are infantilised by a culture of victimhood and offence-taking; political correctness threatens freedom of thought and speech; ideological orthodoxy undermines individual responsibility. You can read this stuff any day of the week and perhaps agree with some of it. However, Peterson goes further, into its most paranoid territory. His bete noire is what he calls “postmodern neo-Marxism” or “cultural Marxism”. In a nutshell: having failed to win the economic argument, Marxists decided to infiltrate the education system and undermine western values with “vicious, untenable and anti-human ideas”, such as identity politics, that will pave the road to totalitarianism.
Peterson studied political science and psychology, but he weaves several more disciplines – evolutionary biology, anthropology, sociology, history, literature, religious studies – into his grand theory. Rather than promoting blatant bigotry, like the far right, he claims that concepts fundamental to social-justice movements, such as the existence of patriarchy and other forms of structural oppression, are treacherous illusions, and that he can prove this with science. Hence: “The idea that women were oppressed throughout history is an appalling theory.” Islamophobia is “a word created by fascists and used by cowards to manipulate morons”. White privilege is “a Marxist lie”. Believing that gender identity is subjective is “as bad as claiming that the world is flat”. Unsurprisingly, he was an early supporter of James Damore, the engineer fired by Google for his memo Google’s Ideological Echo Chamber.
Cathy Newman was wrong to call Peterson a “provocateur”, as if he were just Milo Yiannopoulos with a PhD. He is a true believer. Peterson is old enough to remember the political correctness wars of the early 90s, when conservatives such as Allan Bloom and Roger Kimball warned that campus speech codes and demands to diversify the canon were putting the US on the slippery slope to Maoism, and mainstream journalists found the counterintuitive twist – what if progressives are the real fascists? – too juicy to resist. Their alarmist rhetoric now seems ridiculous. Those campus battles did not lead to the Gulag. But Peterson’s theories hark back to that episode.
A University of Toronto student protests Peterson’s video series attacking ‘political correctness’ in academia.
Peterson was also shaped by the cold war; he was obsessed as a young man with the power of rigid ideology to make ordinary people do terrible things. He collects Soviet realist paintings, in a know-your-enemy way, and named his first child Mikhaila, after Mikhail Gorbachev. In Professor Against Political Correctness, he says: “I know something about the way authoritarian and totalitarian states develop and I can’t help but think that I am seeing a fair bit of that right now.”
In many ways, Peterson is an old-fashioned conservative who mourns the decline of religious faith and the traditional family, but he uses of-the-moment tactics. His YouTube gospel resonates with young white men who feel alienated by the jargon of social-justice discourse and crave an empowering theory of the world in which they are not the designated oppressors. Many are intellectually curious. On Amazon, Peterson’s readers seek out his favourite thinkers: Dostoevsky, Nietzsche, Solzhenitsyn, Jung. His long, dense video lectures require commitment. He combines the roles of erudite professor, self-help guru and street-fighting scourge of the social-justice warrior: the missing link between Steven Pinker, Dale Carnegie and Gamergate. On Reddit, fans testify that Peterson changed, or even saved, their lives. His recent sold-out lectures in London had the atmosphere of revival meetings.
Such intense adoration can turn nasty. His more extreme supporters have abused, harassed and doxxed (maliciously published the personal information of) several of his critics. One person who has crossed swords with Peterson politely declined my request for an interview, having experienced floods of hatemail, including physical threats. Newman received so much abuse that Peterson asked his fans to “back off”, albeit while suggesting the scale had been exaggerated. “His fans are relentless,” says Southey. “They have contacted me, repeatedly, on just about every platform possible.”
Peterson's audience includes Christian conservatives, atheist libertarians, centrist pundits and neo-Nazis
While Peterson does not endorse such attacks, his intellectual machismo does not exactly deter them. He calls ideas he disagrees with silly, ridiculous, absurd, insane. He describes debate as “combat” on the “battleground” of ideas and hints at physical violence, too. “If you’re talking to a man who wouldn’t fight with you under any circumstances whatsoever, then you’re talking to someone for whom you have absolutely no respect,” he told Paglia last year, adding that it is harder to deal with “crazy women” because he cannot hit them. His fans post videos with titles such as “Jordan Peterson DESTROY [sic] Transgender Professor” and “Those 7 Times Jordan Peterson Went Beast Mode”. In debate, as in life, Peterson believes in winners and losers.
“How does one effectively debate a man who seems obsessed with telling his adoring followers that there is a secret cabal of postmodern neo-Marxists hellbent on destroying western civilisation and that their campus LGBTQ group is part of it?” says Southey. “There’s never going to be a point where he says: ‘You know what? You’re right, I was talking out of my ass back there.’ It’s very much about him attempting to dominate the conversation.”
Peterson’s constellation of beliefs attracts a heterogeneous audience that includes Christian conservatives, atheist libertarians, centrist pundits and neo-Nazis. This staunch anti-authoritarian also has a striking habit of demonising the left while downplaying dangers from the right. After the 2016 US election, Peterson described Trump as a “liberal” and a “moderate”, no more of a demagogue than Reagan. In as much as Trump voters are intolerant, Peterson claims, it is the left’s fault for sacrificing the working class on the altar of identity politics. Because his contempt for identity politics includes what he calls “the pathology of racial pride”, he does not fully endorse the far right, but he flirts with their memes and overlaps with them on many issues.
‘Peterson was also shaped by the cold war; he was obsessed as a young man with the power of rigid ideology to make ordinary people do terrible things.’
“It’s true that he’s not a white nationalist,” says David Neiwert, the Pacific Northwest correspondent for the Southern Poverty Law Center and the author of Alt-America: The Rise of the Radical Right in the Age of Trump. “But he’s buttressing his narrative with pseudo-facts, many of them created for the explicit purpose of promoting white nationalism, especially the whole notion of ‘cultural Marxism’. The arc of radicalisation often passes through these more ‘moderate’ ideologues.”
“The difference is that this individual has a title and profession that lend a certain illusory credibility,” says Cara Tierney, an artist and part-time professor who protested against Peterson’s appearance at Ottawa’s National Gallery last year. “It’s very theatrical and shrewdly exploits platforms that thrive on spectacle, controversy, fear and prejudice. The threat is not so much what [Peterson’s] beliefs are, but how they detract from more critical, informed and, frankly, interesting conversations.”
Consider the media firestorm last November over Lindsay Shepherd, a teaching assistant at Ontario’s Wilfrid Laurier University, who was reprimanded for showing students a clip of Peterson debating gender pronouns. Her supervising professor compared it to “neutrally playing a speech by Hitler”, before backing down and apologising publicly. The widely reported controversy sent 12 Rules for Life racing back up the Amazon charts, leading Peterson to tweet: “Apparently being compared to Hitler now constitutes publicity.”
Yet Peterson’s commitment to unfettered free speech is questionable. Once you believe in a powerful and malign conspiracy, you start to justify extreme measures. Last July, he announced plans to launch a website that would help students and parents identify and avoid “corrupt” courses with “postmodern content”. Within five years, he hoped, this would starve “postmodern neo-Marxist cult classes” into oblivion. Peterson shelved the plan after a backlash, acknowledging that it “might add excessively to current polarisation”. Who could have predicted that blacklisting fellow professors might exacerbate polarisation? Apparently not “the most influential public intellectual in the western world”.
The key to Peterson’s appeal is also his greatest weakness. He wants to be the man who knows everything and can explain everything, without qualification or error. On Channel 4 News, he posed as an impregnable rock of hard evidence and common sense. But his arguments are riddled with conspiracy theories and crude distortions of subjects, including postmodernism, gender identity and Canadian law, that lie outside his field of expertise. Therefore, there is no need to caricature his ideas in order to challenge them. Even so, his critics will have their work cut out: Peterson’s wave is unlikely to come crashing down any time soon.
Com esta abécula, os Canadianos estão a sofrer. Há tantos Canadianos espetaculares. É só escolher: Naomi Klein, Autumn Peltier, David Suzuki, John England, Mackie Greene, Manny Kohli,Joan Clayton, Ina Andre, Susan Kaminskyj, Kirk Johnson, Melina Laboucan-Massimo, Asha Srinivasan, Tina Yeonju Oh, David Chernushenko, Elizabeth May, Frank de Jong, Paul George. Os mais conhecidos e genuinamente humanistas.
Acabado de ler. Orlando Figes é autor e professor de História, tendo ensinado no Birkbeck College, da Universidade de Londres, e no Trinity College, da Universidade de Cambridge. Nasceu em Londres em 1959 e estudou História na Universidade de Cambridge. Escreveu nove livros sobre a história da Rússia e da Europa, nomeadamente "A Tragédia de Um Povo" e "Natasha’s Dance". A sua obra foi distinguida com diversos prémios e encontra-se traduzida em mais de trinta línguas.
Em "A História da Rússia", Orlando Figes põe em evidência as vibrantes personagens que integram o riquíssimo passado daquele país, e o que elas fizeram que permanece determinante para que a atual maior nação do mundo faça sentido – da coroação de Ivan, o Terrível aos 16 anos numa catedral iluminada à luz das velas, à surpreendente prisão por parte de Catarina a Grande do marido no palácio dele, e ao fim trágico dos Romanov.
De forma a compreender o que o futuro da Rússia reserva – descortinar o que o regime de Putin significa para o seu povo e para o mundo – primeiro temos de compreender as ideias e significados dessa história.
Magnificamente escrita e baseada numa vida de estudo e de investigação, A História da Rússia é uma inultrapassável e definitiva obra do atual grande contador da história da Rússia: arrebatadora, profunda, magistral.
The history of Russia with Orlando Figes
Historian Orlando Figes on Revolutionary Russia
Russia as a World Power - Lecture by Orlando Figes
Já aqui referi que a Igreja Católica é essencialmente de Direita e Conservadora. Há inclusive católicos ainda mais radicais O Brasil tende a exemplificar as principais tendências da história da Igreja e sobretudo da Igreja Católica. Porém há padres e até Arcebispos que tentam mudar o status quo da Igreja Católica. São de esquerda e mais progressistas. Aqui fica uma excelente análise dos acontecimentos no passado dia 12 de Outubro, em que o Arcebispo, dom Orlando Brandes da diocese de Aparecida contestou Bolsonaro. Houve muita confusão com bolsonaristas [notícia aqui]
É a terceira vez em que Bolsonaro, na condição de presidente, visita o Santuário Nacional de Aparecida. A primeira foi em 2019. Em 2021, dom Orlando fez alertas sobre o armamento da população, o discurso de ódio e a propagação de fake news . As falas foram entendidas como recados ao governante.
Também no ano passado, com a pandemia de Covid-19 num momento mais crítico, o arcebispo defendeu a ciência e discursou sobre a importância da vacinação contra o coronavírus, indo em contramão do comportamento de Bolsonaro durante a crise mundial de saúde.
Resumindo, Bolsonaro como Trump, André Ventura, Giorgia Meloni, Katalin Éva Novák e Liz Truss, são fanáticos religiosos, preconceituosos e conservadores da "moral" e pessoas de "bem". São nacionalistas e racistas. Supremacia do branco sobre todas as outras formas étnicas. Habitualmente machistas (ou defensores do patriarcado) e homofóbicos, como já referi nesta postagem.
Yuval Noah Harari é dos historiadores contemporâneos mais conceituados e mais lidos. Nascido em Israel, é lá professor, na Universidade Hebraica de Jerusalém. No entanto, e para além do seu currículo académico, a sua reputação começou a desenhar-se desde os inícios da década de 2010, quando escreveu “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” (2011). A esse, seguiu-se “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã” (2015) e “21 Lições para o Século XXI” (2018). É um estudo acessível a qualquer leitor, abordando temas de capital importância, como a felicidade, a inteligência, a consciência, o livre arbítrio, atravessando desde a fase de surgimento do homo sapiens (homem sábio) – que classifica como a revolução cognitiva – até à atualidade e ao futuro. O desenvolvimento da linguagem, das sociedades e da ciência encaminham o ser humano para um progresso desenfreado. Contudo, são várias as perguntas e os desafios deixados em aberto pelo historiador na sua bibliografia, especialmente com a ascensão da tecnologia, que, pelo menos, equaciona o cenário de ultrapassar o próprio homo sapiens.
O percurso de Harari
Yuval Noah Harari nasceu a 24 de fevereiro de 1976, em Kiryat Ata, em Haifa, Israel. Cresceu numa família laica, judaica, mas não-praticante, com origens libanesas e da própria Europa do Leste. A sua especialização académica foi feita na Universidade Hebraica de Jerusalém, entre 1993 e 1998, em História Medieval e História Militar, completando o seu doutoramento em 2002, em Oxford, e fazendo estudos pós-doutorais até 2005. Harari casou-se no Canadá, entretanto, com o seu agente pessoal, Itzik Yahav, que conheceu no ano em que fez o doutoramento. O casal vive num moshav, que não é mais do que uma pequena cooperativa agrícola organizada em pequenos terrenos individuais. A sua fama bibliográfica levou-o já a Davos, na Suíça, onde discursou por duas ocasiões no Fórum Económico Mundial, para lá de outros galardões e de recordes de vendas.
Em Oxford, tornou-se um profundo adepto da meditação Vipassana, um ramo do Budismo que sentiu as influências do Ocidente, após sua divulgação. É dele que partem as origem do agora conhecido mindfulness. O conceito de vipassana refere-se a uma visão especial, introspetiva, que parte das práticas meditativas assentes na tranquilidade da mente (samatha), na libertação e no desapego da própria mente em relação ao mundo que a rodeia. Esta vipassana deve esclarecer as três amarras da existência, que não são mais do que ilusórias: a impermanência (anicca), a insatisfação (dukkha) e o não-ser, a não-essência (anatta). Só isso permite que se possa despertar para um caminho mais livre e para a primeira das quatro etapas da iluminação: do sotapanna, que se liberta da visão identitária, dos ritos e rituais e das dúvidas, chega-se à sakadagamin (atenuação do desejo sexual e da má vontade), seguindo-se um reforço desta com a anagami e concluindo com a arahant (o estado máximo de iluminação, no qual se alcança o estado pleno meditativo e uma elevação espiritual).
Harari vem fazendo, desde o ano de 2000, duas horas diárias de meditação – a qual considera um bom método de investigação -, para além de fazer um retiro anual, ausente da vida social, resguardado no silêncio sem redes sociais ou literatura. De igual modo, assume-se como vegan e não tem nenhum smartphone. Voltando para aquilo que é o seu trabalho, a sua bibliografia é numerosa e muito técnica, em especial os diferentes artigos e livros que redigiu antes no ano de 2010. São obras que estudam temas associados à História Militar da Idade Média e da Idade Moderna, procurando fazer um percurso cronológico sobre a evolução dos métodos e das ferramentas da guerra, um fenómeno persistente durante o último século. Porém, e desde esse ano de 2010, a sua visão passou a ser bem mais ampla, procurando um estudo mais generalizado sobre a evolução da humanidade até ao presente.
O foco, assim, direcionou-se para o homo sapiens, na tentativa de entender a sua condição presente e futura. A direção da história e a relação do próprio homo sapiens com os restantes seres vivos, numa perspetiva biológica, foram tónicas que direcionaram o seu estudo daí em diante. A preocupação com o progresso tecnológico e com os avanços da inteligência artificial levantaram alertas para Harari, atenções que se direcionam para esse futuro político, social, económico, um desafio que considera preponderante para o futuro da humanidade. O desafio já se coloca atualmente, nesta economia de dados, em que os governos e as corporações conhecem cada vez melhor o indivíduo, e, quanto mais o conhecerem, maior possibilidade para manipulá-lo e ao seu livre-arbítrio começa a existir. Esse livre-arbítrio já é problematizado pelo historiador, já que cada decisão feita depende de condições sociais e biológicas, para lá das pessoais: são do foro genético, bioquímico, familiar, cultural, anatómico. Em suma, todos eles não são escolha de quem as vivencia. É crítico, de igual modo, da indústria alimentar, especialmente da de origem animal, que lhe suscita questões éticas. Embora reconhecedor do progresso até à atualidade, procura não fechar os olhos ao rumo do futuro, necessário para que se possa melhorar aquilo que continua mal.
Os livros que revelaram Harari ao mundo
Em 2011, chega às bancas israelitas o livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, inicialmente editado somente em hebraico. Foi baseado em vinte aulas que deu a uma turma de História Mundial, inspirado na obra do biólogo norte-americano Jared Diamond, de seu título “Armas, Germes e Aço – Os Destinos das Sociedades Humanas”. Aqui, a grande tese deste Prémio Pulitzer orbita sobre a ideia da superioridade das civilizações europeias e asiáticas ser originada no peso da geografia em relação às sociedades e às culturas, o que as valorizava. Três anos depois, foi editado em inglês e, daí, traduzido para mais de quarenta idiomas diferentes. É um livro aprofundado sobre a história humana, percorrendo o tempo que dista da Pré-História até às transformações tecnológicas da atualidade. Não se trata de um livro que se propõe a revelar descobertas feitas no seu percurso investigativo, mas sim a fazer uma viagem pela evolução do ser humano. Desde as primeiras espécies arcaicas humanas da Idade da Pedra, vai-se à boleia das ciências naturais, nomeadamente da biologia e da antropologia evolucionárias e da psicologia, procurando perceber como é que a atividade humana viu limitada a sua conduta e a sua atividade, para além de perceber como evoluíram esses limites.
A biologia recebe o grande protagonismo desta narrativa histórica, assim como o próprio papel da ciência nos quatro grandes momentos em que estrutura a história do homo sapiens: a Revolução Cognitiva, por volta de 70 mil anos a.C., em que desenvolveu a imaginação; a Revolução Agrícola, por volta de 10 mil anos a.C.; a unificação da humanidade, em várias fases da Antiguidade Clássica, numa altura em que as organizações políticas se tornaram orientadas para um grande império global; e, por fim, a Revolução Científica, já no século XVI, com o surgimento da ciência objetiva. Para Harari, o domínio da espécie humana do mundo só se tornou realidade por ser o único flexível o suficiente para cooperar em grandes grupos.
A sua capacidade única de acreditar em coisas produto da sua imaginação, em conceitos que, embora, no presente reais, começaram de forma abstrata e imaginária (leia-se o dinheiro, as nações, os direitos humanos e a própria crença religiosa), permitiu que as primeiras formas de sociedade se fossem formando. Porém, isso levantou a emergência da discriminação a vários níveis, desde racial, sexual ou política, fechando o espaço a uma sociedade idílica, totalmente igualitária e equitativa. Todos os grandes sistemas de cooperação humana, desde as religiões e as estruturas políticas, económicas, comerciais e legais, têm a sua origem, assim, na capacidade cognitiva do homo sapiens para a ficção. O dinheiro foi criando um papel de um autêntico sistema de confiança mútua entre indivíduos e grupos de indivíduos, com um peso significativo com as pseudo-religiões que se foram formando a partir deste: os grandes sistemas económicos, para além dos políticos.
Sobre a Revolução Agrícola, o israelita menciona que, apesar de ter contribuído para a reprodução de novas espécies biológicas, desde animais a outras fontes de alimentação, e para o aumento significativo da população, conduziu a um deteriorar das condições de vida dos seres humanos, tornando a sua alimentação bem mais unidimensional. Quanto à unificação da humanidade, Harari percebe que o homo sapiens se tornou cada vez mais disposto a uma interdependência política e económica, assente em impérios que têm repercussões na atualidade, quando se olha para uma espécie de império global que é a globalização. Na sua base, indica o dinheiro, as religiões universais e esses primeiros impérios como os grandes condutores deste processo global.
No que toca à Revolução Científica, considera que se tratou de um momento que permitiu a crescente convergência das culturas humanas, sustentado no instinto inovador do pensamento europeu. Aqui, porém, as grandes elites sociais tornaram-se conscientes da sua ignorância, conduzindo a uma necessidade de abrir portas a um imperialismo desenfreado, destinado a fazer valer a sua supremacia moral e cultural. Todavia, e apesar de todas estas condicionantes, o historiador acredita que a felicidade não está mais presente na atualidade que nesse período. Em muito contribui o peso da tecnologia moderna, que considera comportar riscos para o futuro da espécie humana, tendo em conta o seu sentido direcionado para a engenharia genética e para as formas de vida não-orgânicas, para além da própria ideia de mortalidade. Os seres humanos são, agora, capazes de criar outras espécies: são, assim, os novos deuses.
Já em 2015, e após uma fama que não foi consensual (a comunidade científica foi muito crítica da obra, tendo em conta a pouca substância histórica e metodológica associada a este trabalha), chega “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã”. Aqui, o objetivo de Harari é olhar para a frente, para o futuro, explorando algumas premissas que havia deixado por escrito no seu livro anterior. Para o historiador, a humanidade, no futuro, tentará alcançar a felicidade a imortalidade, beneficiando dos seus poderes quase divinos. Os sistemas políticos e sociais são, cada vez mais, sistemas de processamento de dados, originando um conceito a que chamou de “dataísmo”. Este dataísmo declara o Universo como composto por uma série de fluxos de dados e o valor de cada fenómeno ou de cada entidade é definido pela sua contribuição para o processamento desses dados. A espécie humana é, assim, cada vez mais, toda ela, um sistema de processamento de dados, sendo cada um um chip. O objetivo de um dataísmo é o de maximizar o fluxo de dados numa conexão cada vez maior com meios tecnológicos e audiovisuais.
Harari prevê que a conclusão lógica de todo este processo desenfreado será um em que os seres humanos darão algoritmos às instâncias de poder para tomarem as decisões mais importantes da sua vida por eles, desde a nível profissional, como até pessoal e íntimo. O suicídio do programador e “hacktivista” Aaron Swartz é visto como a primeira martirização deste processo. Ele que foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do RSS (um fluxo de informação na web que permite aos utilizadores aceder a atualizações de um conjunto de websites de forma sintetizada e estandardizada) e da Creative Commons (uma organização sem fins lucrativos vocacionada para um maior acesso livre a uma série de trabalhos criativos e a poder partilhá-los, para além de usá-los para diferentes fins). Era, assim, alguém que procurava a liberalização da informação para o público, usando as suas capacidades informáticas com um sentido sempre social e científico.
Assim, o enfoque desta obra direciona-se para o sentido da experiência humana individual com as novas competências adquiridas durante a sua existência, no decurso da evolução da espécie. Harari faz o estado da arte da humanidade e, com ela, procura prever o futuro. O livro em si estrutura-se, então, em três partes: a conquista do mundo por parte do homo sapiens, em que estuda a relação entre os seres humanos e os animais e os fundamentos da dominação humana em relação ao animal. A segunda refere-se à atribuição de significado(s) ao mundo por parte do homo sapiens, desde a revolução da linguagem, datada de há 70 mil anos atrás, em que os humanos se tornaram, cada vez mais, parte de uma realidade intersubjetiva; ligada pelas regiões, pelos países e suas fronteiras, pelo dinheiro e pela religião. Isto abriu portas a que se pudesse constituir uma cooperação em larga escala, maleável o suficiente para envolver diferentes seres humanos. A crença nas construções intersubjetivas que só existem na mente humana são reforçadas por uma fé que é coletiva, atribuindo valores e significados às suas ações e aos seus pensamentos, conquistando, com isso, várias proezas.
Para Harari, o humanismo é uma forma de religião que, ao invés de louvar um Deus, louva a humanidade. A prioridade de todo o mundo passa a ser a espécie humana e a satisfação dos seus desejos como seres dominantes. Neste plano, os valores éticos e morais partem de dentro para fora, do individual para o geral, ao invés do oposto, e a sede pela imortalidade e pelo poder é cada vez mais crescente na visada obtenção da felicidade. Por fim, assiste-se à perda de controlo do homo sapiens, perante o desenvolvimento tecnológico que coloca em risco a capacidade dos seres humanos de atribuir significados à sua vida. É aqui que Harari sugere a possibilidade de existir a substituição da espécie humana pelo homo deus, munido da vida eterna e de capacidades divinas que lhe permitam ser uma espécie de super-homem. Sugere, de igual modo, os seres humanos na forma de algoritmos, que deixam, gradualmente, de ser a espécie dominante.
O último dos três grandes livros que projetaram Harari para o conhecimento geral foi “21 Lições para o Século 21”, publicado em 2018. Trata-se de uma coleção de vários ensaios soltos, uns publicados em revistas científicas, outros publicados em revistas para o público geral e outros inéditos. Para o presente e para o futuro, procura enumerar e apresentar aquelas que são as grandes problemáticas da atualidade: na tecnologia, a desilusão, o trabalho, a liberdade, a igualdade; na política, a comunidade, a civilização, o nacionalismo, a religião e a imigração; no desespero e na esperança, o terrorismo, a guerra, a humildade, Deus e o secularismo; na verdade, a ignorância, a justiça, a pós-verdade e a ficção científica; na resiliência, a educação, o sentido e a meditação. Cada lição é um ensaio científico, organizado nessas cinco partes, e ambiciona ver até onde se chegou e até onde se tenciona ou se prevê ir.
As ambiguidades de cada tema leva as suas vantagens e desvantagens, que culminam na sua grande questão, a que interroga sobre como viver numa fase em que as histórias antigas, aquelas que condicionavam as vivências dos seres humanos, se transformaram. Das luzes da religião, o núcleo do mundo passou para outras esferas centrais, como as leis e o dinheiro, na forma de mitos coletivos. São os responsáveis pela edificação dessas sociedades complexas e burocráticas de grandes proporções, que extrapolam das limitações biológicas humanas. Perante a queda da religião e da própria noção de Estado-nação neste planeta cada vez mais globalizado, a pergunta continua sem resposta.
O desafio tecnológico assume proporções amplas com a crise do liberalismo económico, sem antever o surgimento de algo melhor, que se consiga ajustar aos desafios científicos, nomeadamente dos limites (ou falta deles) do desenvolvimento da inteligência artificial e da biotecnologia. O desafio político é desferido com centralidade nos nacionalismos, que são incapazes de fazer frente à toada do desenvolvimento tecnológico a que se assiste. O rumo que se perspetiva é o de uma abertura de vias mais numerosas e mais desafogadas, que permitam fomentar a cooperação global. Perante estes desafios, existem ainda mais discórdias que consensos sobre como respondê-los, embora apele à serenidade e à moderação nas crenças e nas perspetivas futuras, sustentando-se no laicismo.
O valor de verdade daquilo que é a informação veiculada é algo que também problematiza a realidade, tendo em conta o denso volume de desinformação criada. Para tal, Harari propõe uma resposta assente na abdicação de valores que possam enviesar aquilo que motiva cada um a procurar informar-se e fazê-lo a partir de fontes fiáveis e credíveis. É importante de forma a que se possa distinguir a ficção da realidade, sendo o único caminho capaz de elucidar o rumo de vida uma plena e de uma sociedade capaz de enfrentar as adversidades existenciais que se levantam. Para tal, volta a socorrer-se da meditação como uma proposta plausível para poder tornar a visão sobre a realidade mais plena e esclarecida, para poder distinguir aquilo que é produto da mente em relação àquilo que, efetivamente, é real.
Yuval Noah Harari é um dos historiadores mais conhecidos da atualidade, principalmente desde 2011 para cá. Os seus três livros debruçados sobre a espécie humana marcaram o seu percurso, até então quase anónimo para lá da comunidade académica de Israel. No entanto, as suas principais obras não foram acolhidos de forma totalmente positiva por parte desta, assim como da comunidade académica dispersa um pouco por toda a parte. O seu discurso leve, por vezes superficial, foi criticado, assim como a carência de grande suporte científico e até de ser um tanto ou quanto especulativo. Porém, também parte da crítica foi positiva, apoiando a forma lúcida e credível como detetou as grandes problemáticas presentes e futuras, ao denunciar as potencialidades nefastas da tecnologia. Porém, e aos olhos do presente, Harari é um destacado comunicador da história, fazendo das suas visões retrospetivas um importante berço introspetivo para o horizonte do futuro, que questiona o papel que todos nós, sem exceção, assumimos e assumiremos.
Ao longo dos séculos 19 e 20, a família Huxley reformulou a forma como pensamos sobre a humanidade e nosso relacionamento com o mundo natural. Dentro de uma família de cientistas, educadores, romancistas, místicos e cineastas, dois homens lideraram o caminho: ‘Darwin’s Bulldog’, o zoólogo T.H. Huxley e seu neto e herdeiro intelectual, o ecologista e conservacionista Julian Huxley.
Da religião à genética e à psicologia humana, o impacto dos Huxleys foi sentido em alguns dos tópicos mais controversos e significativos de sua época. Nos estudos do mundo natural, eles contribuíram para a fundação das novas ciências da ecologia e da conservação animal.
Adeptos de escrever sobre si mesmos de maneiras dolorosamente reveladoras, honestas e sem precedentes, as vidas da família, casamentos, sucessos e fracassos também estavam sujeitos ao seu fascínio pela experiência emocional, sexual e psicológica.
Na RSA, a importante historiadora da ciência Alison Bashford se junta ao historiador Thomas Dixon e ao escritor Stuart Jeffries para discutir o impacto de três gerações de Huxleys, explorando como as raízes do legado de Huxley se aprofundam nas conversas científicas e culturais que ainda estamos tendo hoje .
Durante uma sessão de aconselhamento no Parque Hortícola do Infantado, em Loures, tivemos um agradável encontro com um numeroso grupo de joaninhas de 22 pintas que se alimentavam do oídio instalado em folhas de curgete. A joaninha de 22 pintas (Psyllobora viginduopunctata) é pequenina mas muito voraz e, embora seja referida como polífaga, alimenta-se sobretudo de fungos, com especial predileção pelo oídio. Hortas ecológicas, com vegetação que lhes possa servir de abrigo, são locais propícios à proliferação destes insetos que são uma verdadeira brigada anti-fúngica.