Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
sábado, 23 de maio de 2026
Ailton Krenak e Satish Kumar: Shiva e o beija-flor
Dia Mundial da Biodiversidade: "É a teia viva que sustenta a humanidade"
Esta sexta-feira, assinalou-se mais um Dia Mundial da Biodiversidade, data oficializada pelas Nações Unidas para comemorar a adoção o texto da Convenção da Diversidade Biológica (CBD), neste mesmo dia em 1992.
A primeira cimeira mundial da biodiversidade aconteceu dois anos depois, nas Bahamas, e, desde então, contam-se já 16, com a número 17 já programada para o próximo mês de outubro, na capital arménia de Yerevan. Ao longo desses 34 anos, a comunidade internacional construiu uma arquitetura de governação global da biodiversidade tendo a CBD como coluna-mestra, estabelecendo várias estratégias, objetivos e metas com os quais os signatários se foram comprometendo.
Contudo, tal como em muitas outras convenções e agendas internacionais, a realidade acaba, no final de contas, por ficar sempre aquém da ambição. Por exemplo, nenhuma das metas de biodiversidade de Aichi para 2020 (algumas com o horizonte mais curto de 2015), que a CBD tinha estabelecido uma década antes, foi alcançada. E isso naquela que deveria ter sido a Década das Nações Unidas para a Biodiversidade.
Agora, estamos, até 2030, na Década das Nações Unidas para a Recuperação dos Ecossistemas, assim declarada pela Assembleia Geral dessa organização internacional. Apesar de décadas de negociações, de promessas, e de alguns avanços significativos, como o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que entre os principais objetivos tem proteger 30% dos habitats e restaurar 30% dos ecossistemas degradados até 2030 e travar as extinções causadas pelos humanos, a diversidade da vida na Terra está cada vez mais ameaçada.
“A biodiversidade é a teia viva que sustenta a humanidade”, disse António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, a propósito do Dia Mundial da Biodiversidade. Contudo, deixa claro o estado atual em que nos encontramos: “o caos climático, a poluição e a incansável exploração da terra, do oceano e da água doce estão a empurrar o mundo natural para o colapso, com consequências devastadoras para pessoas, modos de subsistência e desenvolvimento sustentável”.
Biodiversidade em perigo
Apesar de décadas de cimeiras mundiais sobre esse tema, e de discursos enfáticos de líderes globais, responsáveis regionais e políticos nacionais sobre como é indispensável para a sustentabilidade e, em última análise, sobrevivência da espécie humana na Terra, a biodiversidade continua em perigo e a sua perda mantém-se como uma das três grandes crises planetárias, a par das alterações climáticas e da poluição.
A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, criada e mantida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), é um barómetro do estado de saúde da biodiversidade a nível global, classificando as várias espécies não-humanas consoante o grau de ameaça que enfrentam. Estima-se que, a nível global, sejam conhecidas cerca de 2,5 milhões de espécies atualmente, embora tal possa ser uma mera porção da biodiversidade real da Terra, onde alguns calculam que existam mais de oito milhões.
De ano para ano, o número de espécies na categoria “Criticamente ameaçada”, somente uma abaixo de “Extinta”, tem vindo a aumentar continuamente de ano para ano. Os cientistas dizem que esses números não devem ser interpretados como tendências do estado da biodiversidade, pois o aumento do número de espécies nessa categoria reflete mais o fortalecimento dos esforços de avaliação da UICN e entidades parceiras do que reais mudanças no número de espécies ameaçadas que existem no mundo.
No entanto, o facto de todos os anos, sem exceção, se descobrir que mais e mais espécies entram nessa categoria que marca o precipício da extinção certamente que não é uma boa notícia para a biodiversidade.
O mesmo se passa nas categorias “Em Perigo” e “Vulnerável”, que, conjuntamente com a de “Criticamente em perigo”, formam a tríade de categorias que integram as espécies que se consideram ameaçadas.
Em 2025, 26% das espécies de mamíferos estavam ameaçadas, 11% das aves, 21% dos répteis e 41% dos anfíbios. Para os restantes grupos, não há ainda dados suficientemente amplos que permitam calcular percentagens, dizem os cientistas. A falta de conhecimento sobre o verdadeiro estado de conservação das espécies – por falta de recursos humanos, técnicos e financeiros ou por falta de priorização política e social – é uma das grandes ameaças ao futuro de muitas espécies, que não são tão conhecidas do público ou que não são por ele tão admiradas quanto outras. É muito difícil, senão mesmo impossível, proteger o que não se conhece, e mesmo o que não se conhece ou o que se acaba de descobrir pode enfrentar já em risco de desaparecer.
Os fatores humanos
Um estudo publicado na ‘Nature’, em março de 2025, com o título “O impacto humano global sobre a biodiversidade” (tradução literal para português), determinou que a forma como a nossa espécie tem lidado com o planeta está claramente a reduzir a diversidade de formas de vida que nele habitam.
Através da compilação de dados de 2.133 estudos sobre os impactos humanos na biodiversidade terrestre, marinha e de água doce dos quatro cantos da Terra, e abrangendo todos os grupos de organismos – dos microrganismos aos mamíferos, passando pelos fungos, plantas, invertebrados, peixes e aves –, esta equipa liderada pela Universidade de Zurique criou “uma das maiores sínteses dos impactos humanos sobre a biodiversidade alguma vez realizada a nível mundial”, como explica Florian Altermatt, principal coautor.
De forma resumida, o estudo olhou para os cinco grandes fatores de pressão humanos sobre a biodiversidade – alteração de habitats, exploração direta (como caça e pesca), alterações climáticas, poluição e espécies invasoras – e concluiu que todos eles têm impactos significativos à escala global, em todos os grupos de organismos e em todos os ecossistemas.
Estimam os investigadores, com base nos dados analisados, que em média o número de espécies em locais impactados era quase 20% inferior ao de locais não afetados por fatores de pressão humanos. Perdas “particularmente graves” de espécies, salientam, foram encontradas nos répteis, anfíbios e mamíferos, pois as suas populações tendem a ser mais pequenas do que as dos invertebrados, o que aumenta a probabilidade de extinção.
Além disso, os investigadores dizem que os impactos humanos estão não só a reduzir o número de espécies, mas também a alterar a composição das comunidades, o que pode ter efeitos negativos e perigosos no funcionamento dos ecossistemas. A poluição e as alterações nos habitats são dos impactos humanos que mais afetam a diversidade e a composição das comunidades de vida não-humana.
Também em 2025, um outro estudo dizia que ao longo do último século o ritmo de extinção de espécies de plantas, artrópodes e vertebrados terrestres tem vindo a desacelerar, especialmente devido a esforços de conservação. Num artigo publicado na revista ‘Proceedings of the Royal Society B’, cientistas analisaram os ritmos e padrões de extinção de 912 espécies de plantas e animais que desapareceram nos últimos 500 anos. Além de apontarem para essa desaceleração no ritmo atual de extinção, uma afirmação que poderá gerar alguma controvérsia, apontam também as causas humanas como os principais fatores que estão a fazer desaparecer as espécies não-humanas.
Uma “teia viva” a desfiar-se
Em outubro de 2025, uma atualização da Lista Vermelha anunciou o agravamento do estatuto de ameaça de três focas do Ártico, que 61% de todas as espécies de aves a nível mundial estão em declínio e 11,5% ameaçadas por causa da desflorestação, e que o maçarico-de-bico-fino está oficialmente extinto, tornando-se a primeira ave da Europa continental declarada como extinta em 500 anos.
Na atualização mais recente, do passado mês de abril, o pinguim-imperador, com um declínio de 10% da sua população entre 2009 e 2018, e o lobo-marinho-antártico, com uma redução populacional de mais de 50% entre 1999 e 2025, viram os seus estatutos agravar-se para “Em perigo”.
Algumas estimativas apontam para que, dos cerca de oito milhões de espécies que existem na Terra, pelo menos 15 mil estejam ameaçadas de extinção. Desde 1500 que 881 espécies desapareceram para sempre, um número que, admitem os próprios cientistas, pode ser muito inferior à realidade. Dessas, 322 eram vertebrados terrestres e 37 anfíbios, embora, no que toca a esses animais amantes de água, os especialistas acreditem que mais de 100 outras terão desaparecido nas últimas décadas, ainda que não o consigam comprovar com certeza.
Numa entrevista dada recentemente à Green Savers, Nuno Ferrand, diretor do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), dizia, a respeito da a biodiversidade em Portugal, que “estamos muito longe de uma situação ideal” e que “falta visão aos nossos decisores e aos nossos políticos”.
Disse-nos o catedrático que para proteger a biodiversidade não basta desenhar linhas num mapa e chamar-lhes “áreas protegidas” sem os meios necessários para a sua efetiva proteção e conservação.
“Para mim, é absolutamente incompreensível que todos os governos, desde há muito tempo, tratem assim a gestão e a conservação da biodiversidade num dos países da Europa que mais biodiversidade tem e que mais responsabilidade tem nessa área”, declarou.
Seja qual for o ritmo a que a biodiversidade está a desaparecer, o simples facto de isso estar a acontecer deve ser motivo de alarme para toda a humanidade. Não se trata de proteger uma Natureza distante, que é bonita e interessante, mas sim de zelar pelo nosso próprio habitat e pelos ecossistemas que nos fornecem serviços indispensáveis, e de assegurar, das profundezas mais escuras dos oceanos, aos topos das montanhas mais altas, passando pelas mais luxuriantes florestas tropicais húmidas, pelos desertos ilusoriamente desprovidos de vida e pelos jardins das nossas casas e cidades, que as maravilhas do mundo natural não se desvanecem para sempre, roubando à Terra parte da sua força vital que a torna tão única.
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sexta-feira, 22 de maio de 2026
Jakub Józef Orliński and Fatma Said sing "Rogate" from Zelenka: Laetatus sum, ZWV 90
Climate Extremes - Agriculture (Extremos Climáticos - Agricultura)
Aguiar-Branco com 31 cargos ocultos
Por João Batalha
“Não bastava declarar os rendimentos, era preciso declarar publicamente se a mulher ou o marido é rico, se o primo é pobre, se o enteado é empresário, se a casa tem elevador, quantas casas de banho, se tem empréstimo, se o empréstimo é com taxa fixa”, lamentou o presidente do Parlamento, na sessão solene do 25 de Abril. “Tornamos tantas vezes a vida política num reality-show. E fomos aceitando a ideia de que os políticos estão a esconder qualquer coisa”.
Tem piada, porque Aguiar-Branco está mesmo a esconder qualquer coisa. 31 coisas, para ser preciso.
A realidade, sem show, é que as obrigações de transparência que o presidente da Assembleia da República caricaturou no seu discurso do 25 de Abril não existem. Não, nenhuma lei ou prática obriga a listar casas de banho ou elevadores particulares, nem o património do primo, do enteado ou do periquito. Na lista dos truques de retórica desonesta, chama-se a isto a falácia do espantalho: expõe-se uma falsa realidade, para insurgir o público contra o espantalho que se apresentou. Aguiar-Branco inventou muitas regras de transparência que não existem para poder combater as poucas que, de facto, existem.
O que é irónico nisto, soubemos esta semana, é que José Pedro Aguiar-Branco, fiel ao seu repúdio pela prestação de contas, reservou para si próprio um patamar especial de opacidade e ocultação. Quando o Correio da Manhã consultou o seu registo de interesses e património, percebeu que 31 cargos exercidos pelo presidente do Parlamento em empresas ou outras entidades estão inacessíveis à consulta pública. Questionado, Aguiar-Branco explicou que “as funções em causa foram declaradas com indicação de que eram exercidas no âmbito da atividade de advogado, sujeita a deveres legais e deontológicos de sigilo profissional”. E, de facto, a lei prevê que não seja objeto de consulta pública “a discriminação dos serviços prestados no exercício de atividades sujeitas a sigilo profissional”.
Qual é então o problema? É que a mesma lei dita que publicitação do registo de transparência de cada político “deve permitir visualizar autonomamente os cargos, as funções e as atividades exercidos em acumulação com o mandato e aqueles exercidos nos três anos anteriores”. Faz sentido. Conhecer estas ligações é crucial para identificar potenciais conflitos de interesses. Não se trata de voyeurismo sobre as casas de banho de um servidor público; trata-se de identificar relações que podem colidir com o exercício do cargo. Daí que a lei explicite que estes cargos têm mesmo de ser consultáveis.
Aguiar-Branco esclarece ao Correio da Manhã que não a pediu a ninguém para ocultar nada. Como é que a informação aparece então oculta? “O que foi feito foi o preenchimento da declaração nos termos legalmente previstos, com indicação de que determinadas funções foram exercidas no âmbito da atividade de advogado e estavam sujeitas a sigilo profissional”. Na prática, ao preencher o formulário eletrónico, o presidente da Assembleia clicou num botãozinho mágico que, por defeito, oculta a informação prestada, alegando que está sujeita a sigilo. Cabe depois à Entidade para a Transparência verificar a declaração e decidir se esse sigilo se aplica ou não. Como a verificação da declaração da segunda figura do Estado ainda não está feita, por enquanto, triunfa a opacidade.
Luís Montenegro tem muito a aprender com a tranquila desfaçatez de Aguiar-Branco. O primeiro-ministro a penar tanto tempo com a Entidade para a Transparência, litigando até ao Tribunal Constitucional por causa da lista dos seus clientes na Spinumviva, e o presidente do Parlamento só teve de clicar num botão. Assim se distinguem os amadores dos profissionais.
É óbvio que a lei tem de preservar o sigilo de profissões sensíveis, como médicos ou advogados. É igualmente óbvio que, frequentemente, os advogados criam ou extinguem empresas para os seus clientes. É normal. Exercer cargos sociais nessas empresas, no entanto, é toda uma outra conversa, não é ato próprio de advogado, sujeito a sigilo nos termos da lei. Que não se possa saber ao serviço de quem assumiu essas funções é inaceitável – até porque esta interpretação da lei daria aos políticos advogados um privilégio especial de opacidade a que mais ninguém tem direito. Um político que seja empresário, ou professor, não tem como esconder os cargos que exerce ou exerceu debaixo do manto confortável do “sigilo profissional”. Acresce que os órgãos sociais de uma empresa ou organização, por definição, não são secretos. Estão registados publicamente, são consultáveis no registo da empresa. Aguiar-Branco não está a respeitar o recato dos seus clientes, está a proteger o seu.
O presidente do Parlamento argumenta ainda que os cargos em causa, que exemplificou como sendo (ou tendo sido) presidente de assembleias-gerais, não tinham “qualquer remuneração associada”. Não que seja isso o mais importante, mas se decorrem da sua atividade profissional, sujeita a sigilo, então é óbvio que são remunerados! Mesmo que não ganhe como presidente da Assembleia-Geral, ganha como o advogado que aceitou ser presidente da Assembleia-Geral. Não vale a pena tentar fazer de nós tolos, caro José Pedro.
É no entanto esclarecedor que, para Aguiar-Branco, desempenhar cargos em empresas dos clientes seja um banal serviço prestado. Ato próprio de um advogado de negócios, espécie de testa-de-ferro à venda para cargos honoríficos e de simpatia que, como bem sabemos, são muito mais do que isso. Um distinto presidente de uma Assembleia-Geral, de um “Conselho Consultivo” ou de um “Conselho Estratégico”, com um pé na política e outro na advocacia de negócios,
É alguém disponível para fazer um telefonema aqui e ali, esclarecer uma dúvida, abrir uma porta – ou escancarar uma janela. Que esses cargos, nos últimos três anos, ultrapassem as três dezenas diz tudo sobre a carreira de Aguiar-Branco como advogado – e político – de negócios.
A Entidade para a Transparência, que percebeu bem o que estava em causa nas ligações privadas do primeiro-ministro na Spinumviva, não pode caucionar esta interpretação esdrúxula da lei, que cria um privilégio especial de opacidade para políticos-advogados, fora do alcance de outros titulares de cargos públicos. Se ainda não o fez, tem de apressar a verificação da declaração de transparência de Aguiar-Branco – e pôr na ordem os desmandos da segunda figura do Estado.
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Há papel que nunca deve colocar no ecoponto azul e quase toda a gente erra
- caixas de pizza com gordura
- lenços de papel usados
- pratos e copos de papel sujos
- papel vegetal ou plastificado
- papel plastificado
- papel autocolante
- papel de alumínio
- papel de lustro
- Sacos de cimento;
- embalagens de produtos químicos
- toalhetes e fraldas. [informação aqui]
Arnaud Rebotini - YOUTH! Take A Stand
Ouvir também Youth! Take a stand (Dave Clarke Remix)
Melhor som aqui
Youth!
Take a stand
Youth!
Take a stand
It's time to rise up against your enemies
Murder and lies on TV
Time is running out for your future
Youth!
Take a stand
It's time to break down your walls
Youth!
Take a stand
Because the world is choked control
Manipulation of the canvas
It's time for you to refuse
Youth!
Take a stand
It's time to break down your walls
Youth!
Take a stand
Everything has to be erased and re-branded
Murder and lies on TV
We have to refuse
We have to fight for a new world
A new conception
High education
No more resignation
We have to refuse
Resist
Fight
We have to refuse
We have to fight for a new world
A new conception
High education
No more resignation
We have to refuse
Resist
Fight
quinta-feira, 21 de maio de 2026
Omar Doom – Reflections (Feat. Arnaud Rebotini)
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Starlink de Elon Musk duplica preço do plano de emergência em Portugal. Conheça o outro lado da moeda - os seus impactos ambientais
A Starlink, que fornece internet via satélite, incluindo no território português, está a comunicar aos clientes uma subida de preços que chega aos 100% no plano mais básico para situações de emergência, apurou o ECO. O agravamento ocorre numa altura em que várias famílias adquiriram nos últimos meses equipamentos da marca da SpaceX para se precaverem, depois do apagão do ano passado e das tempestades de fevereiro, e em que o Governo planeia entregar um kit de conectividade desta empresa às juntas de freguesia no âmbito do PTRR. Mas coincide também com o histórico IPO da ‘casa-mãe’, a SpaceX, do multimilionário Elon Musk.
A mensalidade do “Modo Standby”, que permite manter um equipamento Starlink ativo, com serviços mínimos — para que esteja pronto a reativar em caso de necessidade ou emergência –, irá passar de cinco para dez euros por mês. O preço duplicará já em meados do próximo mês de junho, segundo o comunicado enviado aos clientes consultado pelo ECO.
O email obtido não detalha as subidas que serão aplicadas aos restantes pacotes e não foi possível encontrar informação agregada no site da empresa. Nesse sentido, o ECO contactou a Starlink para solicitar a tabela comparativa dos preços, mas ainda não obteve resposta.
Portugal não é o único mercado a assistir a aumentos de preços da Starlink. Nos Estados Unidos, o agravamento das mensalidades varia entre os cinco e os dez dólares, conforme o plano, de acordo com o portal de tecnologia Cnet:
- O plano Residencial 100 Mbps (velocidade máxima de download) vai aumentar de 50 para 55 dólares nos EUA, uma subida de cinco dólares mensais. Em Portugal o mesmo plano custa, atualmente, 29 euros por mês.
- Já o Residencial 200 Mbps, que custava 80 dólares nos EUA, irá subir para 85 dólares mensais, o que também representa um aumento de cinco dólares. Em Portugal, a mensalidade atual é de 45 euros.
- O Residencial Max irá aumentar nos EUA de 120 para 130 dólares, um agravamento de dez dólares por mês. Em Portugal, custa 65 euros.
Estes planos permitem aceder à internet numa morada fixa definida pelo cliente. Mas os planos Roam, que permitem aceder à internet em qualquer local onde se coloque a antena — incluindo em viagem — também irão sofrer agravamentos:
- Nos EUA, o Roam 100 Mbps passará de 50 para 55 dólares, custando atualmente 45 euros por mês em Portugal.
- O Roam Ilimitado subirá no mercado norte-americano de 165 para 175 dólares, quando em Portugal custa 95 euros por mês.
“A Starlink está a aumentar rapidamente a capacidade da rede, a expandir a cobertura e a melhorar a fiabilidade para os clientes. A forte procura da Starlink reflete o valor que os clientes continuam a ver no serviço, e os preços podem mudar à medida que continuamos a investir em produtos e serviços acessíveis e de alto desempenho”, justifica a empresa, num conjunto de perguntas e respostas disponibilizado aos clientes.
Este aumento de preços surge cerca de três meses depois de a Starlink ter promovido outras alterações nas suas assinaturas. Em meados de março, a empresa comunicou o fim do plano Residencial Lite, cujo tráfego não era considerado prioritário, passando a limitar a velocidade de download a 100 Mbps e cobrando o mesmo preço. Na prática, tratou-se de um downgrade do serviço, mantendo o preço e a oferta de tráfego ilimitado.
Startlink conquista clientes após Kristin e apagão
A nova política de preços da empresa do homem mais rico do mundo acontece depois de um período de grande expansão da base de clientes em Portugal, sobretudo depois de a operadora ter promovido uma campanha de descontos agressiva no preço dos equipamentos, logo após o grande apagão energético de 28 de abril de 2025, que afetou toda a Península Ibérica.
Ademais, coincide com um momento em que o Governo tem em cima da mesa, no âmbito do plano PTRR (Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência), uma proposta para distribuir uma ligação de dados Starlink por cada uma das mais de três mil freguesias do país.
A ideia é que estes equipamentos sirvam de redundância no acesso à internet numa situação em que as redes de comunicações eletrónicas tradicionais estejam indisponíveis, bastando, para tal, a ligação da antena e do router (se necessário) a uma fonte de corrente elétrica — por exemplo, um gerador. A proposta está associada às tempestades que no início do ano afetaram a zona centro do país.
Starlink é a galinha dos ovos de ouro da SpaceX
O aumento dos preços ocorre também num momento de grande importância para a Starlink, mais propriamente a sua ‘casa-mãe’: a SpaceX vai realizar a maior Oferta Pública Inicial (IPO) de sempre, com a qual espera arrecadar 75 mil milhões de dólares a uma avaliação de 1,75 biliões (ou trillions, como se diz em inglês).
Nesta mesma quarta-feira, 20 de março, a SpaceX entregou ao regulador norte-americano dos mercados financeiros o muito aguardado prospeto com os resultados financeiros. O documento coloca a descoberto que a SpaceX perdeu 4,94 mil milhões de dólares em 2025 e revela que dois terços dos 18,7 mil milhões em receitas foram obtidos através da Starlink.
O documento consultado pelo ECO mostra também que a Starlink chegou ao fim de março de 2026 com 10,3 milhões de clientes, número que compara com os 2,3 milhões de clientes que tinha no final de 2023. A empresa fechou 2025 com uma receita média por cliente de 86 dólares.
Segundo as agências internacionais, é esperado que o IPO da SpaceX arranque por volta do dia 4 de junho, com as ações da empresa a chegarem à bolsa a 11 ou 12 de junho. Poucos dias depois, entrará em vigor o aumento das mensalidades.
Impactos ambientais
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quarta-feira, 20 de maio de 2026
Arab Strap - You You You
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Os Comentadores - Não queres o pacote laboral, faz a greve geral
A dupla face da China: líder na transição verde esconde uma corrida às armas nucleares
- A Parada de Pequim: a China exibiu publicamente pela primeira vez a sua "tríade nuclear" completa, demonstrando uma capacidade consolidada de lançar armas nucleares por terra, mar e ar.
- O Ritmo da Expansão: especialistas apontam que a China se encontra no meio de uma expansão nuclear histórica. O Pentágono projeta que o país alcance as 1.500 ogivas nucleares até 2035.
- A Motivação de Xi Jinping: o líder chinês é movido pelo receio de um confronto inevitável com o Ocidente liderado pelos EUA. A sua estratégia baseia-se no realismo estrutural: demonstrar poder para forçar as potências ocidentais a abandonarem a política de contenção contra a China.
- A Inspiração na Rússia: Xi Jinping destacou internamente que a Rússia tomou uma decisão correta após a Guerra Fria ao manter o seu grande arsenal nuclear, o que obriga os rivais a moderar as suas políticas.
- Os Silos de Mísseis: investigadores descobriram, através de imagens de satélite, mais de 300 silos de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) em construção nas zonas remotas do oeste da China. Esta foi a forma mais rápida encontrada por Pequim para expandir o seu arsenal e demonstrar a sua capacidade aos EUA.
- O Vetor Aéreo: a mais recente perna da tríade é o míssil balístico lançado pelo ar, conhecido como Jinglay 1 (JL-1).
- O Vetor Marítimo e a Geografia: os novos submarinos nucleares chineses estão equipados com o míssil Juulang 3 (JL-3), com um alcance superior a 10.000 km. A China enfrenta restrições geográficas marítimas (a "primeira cadeia de ilhas"), onde os aliados dos EUA monitorizam as saídas para o oceano. É por isso que o Mar do Sul da China e a ilha de Hainan são cruciais para esconder os submarinos. O controlo sobre Taiwan daria à China acesso direto e indetetável ao Oceano Pacífico.
- Mísseis de Teatro de Operações (Médio Alcance): o míssil DF-26 (apelidado de "Guam Killer") tem um alcance de 4.000 km e consegue atingir as forças dos EUA no Pacífico. Estes mísseis possuem "capacidade dupla", o que significa que podem transportar tanto ogivas convencionais como nucleares. Isto gera um perigo de incerteza em tempos de crise, pois os EUA podem confundir um ataque convencional com um ataque nuclear. O DF-17 é o primeiro sistema hipersónico da China, capaz de manobrar a altas velocidades para evitar as defesas antimísseis.
- A Lição da Ucrânia: Pequim observou que as ameaças nucleares implícitas de Vladimir Putin resultaram em impedir que a NATO enviasse tropas para o terreno na Ucrânia. A China ambiciona ter a mesma capacidade de dissuasão para evitar que os EUA intervenham num cenário de invasão a Taiwan.
- A Política de "Não Primeiro Uso" (No First Use): oficialmente, a China mantém a política de nunca ser a primeira a utilizar armas nucleares. Contudo, existem ambiguidades: analistas indicam que Pequim tem planos para ameaçar com o uso nuclear caso alvos estratégicos convencionais no seu território sejam atacados, argumentando que a política só é tecnicamente violada se as armas forem efetivamente disparadas.
- Lançamento sob Ataque (Launch Under Attack): com a ajuda tecnológica da Rússia, a China está a desenvolver um sistema de alerta precoce para detetar mísseis inimigos. Isto permite adotar uma postura de disparar os mísseis de volta antes que os mísseis do adversário atinjam os silos chineses. O perigo reside no risco elevado de alarmes falsos e interpretações erradas durante uma crise.
- Guerra Nuclear Limitada: o desenvolvimento de armas regionais mostra que a China está a preparar-se para a possibilidade de uma guerra nuclear limitada com os EUA. Os estrategistas chineses pensam em alvejar bases militares americanas na região (como em Guam, Japão ou Alasca) para aterrorizar os EUA e ganhar vantagem, sem provocar uma retaliação total que leve à destruição mútua global.
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terça-feira, 19 de maio de 2026
Klændestine - The Watcher
The one who sees everything
I do not participate I watch
The details, the gestures and the looks
I pierce the mysteries
The moments of grace
The abandonment of the senses, the reluctance
I film, I examine
The little abandonments of my love
I watch, I look after, I take care
Three meanings in one word
I am the watcher
Epileptic Lord
Where are you?
O Klændestine é um projeto musical internacional de origem anglo-francesa que une veteranos da cena underground europeia. A banda é fruto de uma colaboração transfronteiriça entre Usher San, uma figura histórica do movimento coldwave de Dijon, na França, e Martin Bowes e Julia Waller, integrantes da icónica banda de pós-punk e industrial britânica Attrition, baseada em Coventry, na Inglaterra.
O estilo musical do grupo situa-se firmemente dentro de vertentes eletrónicas sombrias, sendo classificado predominantemente como darkwave e coldwave, com fortes pinceladas de dark ambient e eletrónica industrial. Sonoramente, a faixa The Watcher é marcada pelo uso de sintetizadores analógicos minimalistas, batidas mecânicas e linhas de piano melancólicas, contrastando uma voz masculina sussurrada e soturna com vocais femininos etéreos.
O videoclipe de The Watcher, filmado em Dijon sob a direção de Sébastien Fait Divers, carrega um significado profundamente ligado à paranoia urbana, ao isolamento e ao sentimento psicológico de vigilância contínua sugerido pelo próprio título. Visualmente, a produção evoca uma atmosfera cinematográfica claustrofóbica e expressionista que serve para ilustrar a alienação moderna, ao mesmo tempo em que registou o primeiro encontro físico dos músicos após um longo período trocando ideias e arquivos à distância através do Canal da Mancha.
Embora essa atmosfera densa e introspectiva evoque temas comuns à literatura modernista, não existe nenhuma ligação direta ou inspiração oficial na obra do escritor irlandês James Joyce. A associação mental com o autor é compreensível devido a paralelos estéticos espontâneos: a figura do observador solitário que vaga pela cidade remete ao fluxo de consciência de personagens urbanos como Leopold Bloom em Ulysses, o sentimento de paralisia e alienação dialoga com os contos de Dublinenses, e a própria natureza multicultural do projeto Klændestine espelha o trânsito de Joyce entre o mundo anglófono e a Europa continental, em especial a França.
- O conceito de "The Watcher" (O Observador): na literatura modernista — da qual James Joyce é um dos maiores pilares — o conceito do observador distante e do fluxo de consciência (uma mente vagando e observando a cidade, como Leopold Bloom em Ulysses) é muito forte. O clipe traz essa mesma energia de alguém caminhando e vigiando uma cidade cinzenta (Dijon).
- Conexão anglo-francesa: James Joyce era irlandês, mas escreveu e publicou grande parte de suas obras-primas enquanto morava na Europa continental, especialmente na França (Paris) e em Itália (Trieste). O Klændestine é justamente esse "ponto de encontro" cultural entre artistas da França e do Reino Unido.
- A paranoia e a decadência urbana: assim como Joyce retratava a paralisia espiritual e o isolamento dos cidadãos em Dubliners (Dublinenses), o visual e as texturas sonoras do Klændestine pintam um retrato de alienação e mistério dentro do cenário urbano moderno.
Todavia, o conceito da música e do vídeo permanece puramente fundamentado na poesia visual e sonora clássica das subculturas gótica e industrial.
The American epoch of oil is collapsing. What comes next could be ugly
China is dominating the energy transition with astonishing result, while fossil fuel fascists in the US try to turn back the clock [Fonte]
“Farewell,” the flag-waving Chinese children chanted to Donald Trump as he strolled along the red carpet back to Air Force One at the end of his summit with Xi Jinping in Beijing.
The US leader claimed he was leaving with a cluster of “fantastic” trade deals to sell US oil, jets and soya beans to China. That has not been confirmed by his smiling host, but one thing was crystal clear from the two days of meetings: the global balance of power is shifting, from the declining petrostate in the west to the rising electrostate in the east.
Trump flew home to chaos – war with Iran, surging gas prices, spectacular unpopularity, friction with former allies and a 20th-century policy of “energy dominance” that seeks to turn back the clock, use tariffs and military threats to open markets, and enrich his supporters in the fossil fuel industry. The long dominant superpower increasingly appears a malignant force as it pushes the world towards ever greater turbulence.
Xi, meanwhile, presides over a country that has invested more than any other in renewable energy, which has helped to buffer its economy from the gas price shocks caused by the conflict in the Middle East, while opening up huge new export markets for solar panels, wind turbines, smart grids and electric vehicles. While the Chinese president’s Communist party still faces criticism for its suppression of dissent, its soft power deficit no longer seems so great when its main global rival is killing protesters at home and bombing schoolchildren overseas.
Why is this happening now? Tempting as it is to blame these global shifts on a single malignant narcissist in the White House, a more useful – and maybe even hopeful – analysis needs to take into account the tectonic changes that are shaking not just the foundations of politics, but the very nature of human power, as the world shifts from molecules to electrons.
History has proven that when the dominant form of energy changes, there is often a shift in the global pecking order. We are now in the midst of one such transition as the epoch of petrol, predominantly produced in the United States, Russia and Gulf states, starts to give way to an era of renewables, overwhelmingly manufactured in China. But the outcome remains contested, and the process could be ugly. The new energy order is winning the economic and technological battle – wind turbines and solar panels were already producing record-cheap electricity even before the Iran war pushed up the costs of gas and oil-fired power plants. But the old petro-interests still have political, military and financial might on their side, and they are using that to try to turn back the energy clock.
As a result, democracies across the planet are now threatened by what might be called fossil fuel fascism – an extremist political movement that breaks laws, spreads lies and threatens violence in an increasingly desperate attempt to maintain markets for oil, gas and coal that would otherwise be replaced by cheaper renewables.
Of course, there are multiple other, overlapping reasons for the war against Iran: its nuclear program, Trump’s need for a distraction from the Epstein files, and his willingness to adopt positions favourable to Israel’s Benjamin Netanyahu, Russia’s Vladimir Putin and Saudi Arabia’s crown prince, Mohammed bin Salman, to name a few.
But the wider context is that the Earth is becoming a more hostile environment for humanity. This is driving up tensions, exposing economic limits that have been ignored for centuries and redefining geopolitical realities.
Who is actually winning? In the short term, the biggest windfall from the Iran conflict has gone to companies, executives and shareholders in the US petroleum industry – a major source of campaign funding for Trump – that was struggling with low prices and a production glut at the start of the year, but is now enjoying a spectacular revenue surge while rival suppliers in the Gulf are choked by threats in the strait of Hormuz. Along with Russian and Saudi Arabian petro-companies, US energy suppliers look set to cash in for months to come, even as consumers pay more at the pumps.
At the same time, the war is forcing countries across the world to explore ways to increase their energy independence. In the next few years, that will happen by increasing domestic production of oil, gas and coal. By one reckoning, this has increased the likely 2030 output of fossil fuels by a fifth – an alarming setback for global efforts to reduce greenhouse gas emissions, and a victory for the petroleum industry and the far-right political groups it funds.
But that will not be the final reckoning of this war, which has reinforced the argument for both renewable energy and a concurrent shift in geopolitical alignments. With major oil and gas producers now led by ever more erratic and menacing authoritarian leaders, other countries are looking for alternative ways to generate power. Electric cars, for example, have never been more in demand.
The prime beneficiary is China, which suddenly appears a relative oasis of pragmatic, internationally minded diplomacy and energy independence. Beijing’s bet on renewable power and EVs over the past two decades is paying enormous dividends. Not only has this made it less reliant on fuel imports, it now has a wind, solar and battery export industry that looks set to dominate global markets for many decades to come.
Future historians may well see the Iran war as the moment the US unwittingly ceded leadership to China. If so, it would not be the first time that a change in the world’s energy matrix led to a reordering of the political hierarchy of nations. When humankind taps new power supplies, new empires rise and old ones fall. Realignments tend to be violent.
How empires fall
One of the cornerstones of geostrategic thinking since the start of the Industrial Revolution, 250 years ago, is that the country that controls energy supply controls the world. For most of the past century, that has centered on oil.
“Oil has meant mastery through the years,” wrote Daniel Yergin in his Pulitzer prize-winning book about the decisive role of energy in world politics, The Prize: The Epic Quest for Oil, Money, and Power. Yergin argues oil was a primary reason why Germany invaded the Soviet Union during the second world war, and motivated Japan to attack the US at Pearl Harbor. It was why the US launched Desert Storm to thwart Iraq’s seizure of Kuwait, which would have given Saddam Hussein control over the planet’s most abundant oil supplies. It explained former US president Barack Obama’s comment that energy was “priority number one” for his administration. Earlier this year, it was a primary justification by Trump and other US officials for invading Venezuela, which has the world’s biggest untapped reserves, and it is now a key factor in the war on Iran, which has the fourth highest supply.
Not for nothing has the old joke been revived that the “US is a very fortunate country because everywhere it goes to bring freedom it finds oil.”
But what is different today is the realisation that oil – once considered “black gold” – and other fossil fuels are now a toxic threat to the stability of the climate and the political world order. Now that cheaper, cleaner alternatives are available, the demand for these industrial fuels has to be artificially inflated, propped up by political lobbying, hefty subsidies, disinformation campaigns and military force.
The most spectacular example of an energy transition completely upturning the world order was in the mid-19th century, when the coal-powered gunships of the Royal Navy shredded the fragile coastal defences of southern China to impose a market for the British empire’s most lucrative and unethical commodity: opium. Up to that point, Beijing had been the capital of the world’s biggest economy for most of the previous 2,000 years but its historic advantage in manpower and culture was being lost to fossil-fuelled engines and the spirit-sapping drug trade. The Daoguang Emperor was so deeply in denial about the changes reshaping the world that his actions stirred rebellion among his own people. His forces were crushed by the superior firepower of an industrialised adversary, ushering in an era of western dominance that became known in China as the “century of humiliation”.
Britain’s empire also came to end – albeit it more limply – when its primary source of fuel – coal – was superseded by oil in the early-to-mid-20th century. Back then, the UK had no petroleum supplies of its own which meant it was at a disadvantage to the US. The power shift was confirmed in 1956 when Britain, France and Israel invaded Egypt to try to secure the Suez canal – a vital route for fossil fuels from the Middle East. The US refused to help this imperial adventure by the old world, thereby confirming Washington as the dominant superpower outside the Soviet bloc. Since then, it has steadily expanded its primacy in the age of oil.
That era – and that supremacy – are both now winding down, as the pendulum swings again, this time towards renewables and back to Asia. In the past decade, clean energy investment worldwide has risen tenfold to more than $2tn a year. Last year, it was more than double that of fossil fuels, and for the first time renewables overtook coal as the world’s top electricity source. “We have entered the age of clean energy,” the United Nations secretary-general, António Guterres, observed in February. “Those who lead this transition will lead the global economy of the future.”
There is only one contender for that title: China. It is impossible to understand what is happening in the US, Iran and Venezuela without looking there.
China looks to the future …
The government in Beijing has turned the greatest crisis facing humanity – climate breakdown – into an opportunity to finally lay to rest the “humiliation” of the opium war. For most of the past 30 years, it has been catching up with the west by copying its dirty, coal-driven model of industrialisation, which notoriously made it the world’s biggest carbon emitter. Now, though, it is leapfrogging its rivals on clean energy with astonishing results. For the past two years, China’s carbon emissions have been flat or falling, raising hopes of a historical turning point in the curve of global emissions.
Last year, the amount of wind and solar it had under construction was double the rest of the world combined, helping China to reach an installed capacity of 1,200GW six years ahead of the government’s schedule. Trump absurdly claimed he had not been able to find any wind turbines in China, though in reality the country now has more than the next 18 countries combined.
But the biggest success story is solar, which is now so cheap, abundant and efficient that its generation capacity in China has just overtaken coal for the first time. Meanwhile, petrol and diesel use is also falling because EVs account for more than half of car sales in China.
The country is also utterly dominant in supplying overseas markets with renewable technology. The top four wind turbine makers in the world are all Chinese. It is a similar story of majority market share for the manufacture and export of photovoltaic cells and EVs. China also controls supply of critical minerals, essential for batteries, AI datacentres and hi-tech military equipment.
Last year, more than 90% of the investment growth in China came in the renewables sector. Thanks to these trends, cleantech from China is affordable in many global south nations. The same is happening with battery technologies, which are spreading the market for electric cars to countries in Africa and South America.
China’s clean energy sector is now worth 15.4tn yuan ($2.2tn/£1.6tn), bigger than all but seven of the world’s economies. With every year that passes, this business becomes more important to the state, accounting for 11.4% of China’s gross domestic product last year, up from 7.3% in 2022.
To be sure China is simultaneously the world’s biggest investor in coal and far from a democracy in its domestic politics, but the scale of its renewable industry means Beijing has a growing stake in the success of global climate negotiations. Not just because it is good for the planet, but because it makes solid business sense.
The turbulence caused by the US-Israeli assault on Iran only strengthens its sales pitch.
… while the US goes backwards
While the rest of the world looks for an exit ramp off the exhaust-fumed highway on to a cleaner, electrified, 21st-century freeway, Trump has pulled a U-turn and is accelerating back towards 20th-century smoke stacks without so much as a glance in the rearview mirror.
On the same day he was sworn in for his second term in the White House, Trump signed an executive order withdrawing the US from the 2015 Paris Agreement, as he did in his first term.
But this time he has also announced that he will quit the entire UN Framework Convention on Climate Change, the Cop process that was put in place at the 1992 Earth Summit. In February his administration repealed the 2009 “endangerment finding”, the core US government determination that greenhouse gases threaten public health that has been the legal basis for almost all federal climate regulation over the past 17 years. Without it, power plants, factories and carmakers will have a freer pass to pollute the air and heat the atmosphere.
The US state has essentially been captured by a business group that puts its own interests above those of the nation
Trump has filled the Department of Energy and the Environmental Protection Agency with dozens of former oil industry employees. He has declared a “national energy emergency”, which was a cue for businesses to mine, drill and frack like never before. He has signed at least 20 more executive orders meant to incentivize fossil fuel extraction. And he has granted $18bn in new and expanded tax incentives for fracking, drilling and pumping.
His administration halted the closure of 17GW worth of power plants that use coal, the dirtiest and most polluting fuel, and ordered the US defense department to procure billions of dollars of coal power. Industry executives have shown gratitude with donations and a trophy for the “undisputed champion of beautiful clean coal” given to Trump by the CEO of the largest coal company in the US.
He also used the military – and the federal budget – to assist the petroleum industry by seizing control of Venezuela. (It is not a coincidence that Venezuela and Iran are both key partners to China.) Domination of this country will give the US more influence in setting global oil prices. But for whose benefit? Donald Trump said US companies would tap these fossil fuels and “start making money for the country”. In fact, most of the first billion dollars in revenue was initially stashed offshore in a bank account in Qatar.
After Trump ordered the bombing of Iran, he initially celebrated the spike in crude values: “When oil prices go up, we make a lot of money,” he said, though the “we” evidently did not include the majority of Americans suffering from higher gas costs.
Meanwhile, his government has accelerated the phaseout of tax credits for renewable projects, which has had a chilling effect on the sector with $22bn in clean energy projects cancelled and wind power investment down to its lowest level in a decade. “My goal is to not let any windmill be built. They’re losers,” Trump told oil executives in January.
By the end of last year, downsizing and more than 60 project cancellations began to shake investor confidence in US renewables.
Three dollars of clean energy investment were abandoned for every one dollar announced in 2025, according to an analysis by the E2 thinktank. The record number of factory closures and project reversals eliminated 38,031 clean energy manufacturing jobs – more than in the previous three years combined. Worst hit was the EV and battery sectors, which each accounted for more than $21bn in lost investment. This eroded the global competitiveness of US carmakers at the worst possible moment when EV sales had just started to overtake those of petrol vehicles.
Oil in command
The US state has essentially been captured by a business group that puts its own interests above those of the nation.
During the last presidential election, Trump invited 20 oil executives, including the heads of Chevron, Exxon and Occidental, to his club in Mar-a-Lago, Florida, saying he would scrap barriers to drilling, resume gas exports and reverse car pollution controls if they helped to bankroll his race for office. Mike Sommers, president and CEO of the American Petroleum Institute, said Trump’s legislative agenda “includes almost all of our priorities”.
Big oil poured a record $450m into the campaigns of Trump and Republicans in 2024, according to the watchdog group Climate Power. Then after Trump won, the industry gave another $19m to his inauguration fund. And even though Trump is forbidden by the constitution from running for a third term, fossil fuel money continues to pour into his Pac, including $25m from oil pipeline company Energy Transfer Partners and its CEO, Kelcy Warren.
And these are only the publicly disclosed funds. Nobody knows how much secretive “dark money” is flowing through other channels, though it has been revealed that Trump accepted a gift of a Boeing 747-8 luxury jetliner from the oil-rich Qatari royal family. The similarly wealthy Abu Dhabi royals bought a $500m stake in the Trump family’s cryptocurrency business.
The White House argues the focus on fossil fuels is necessary for national security and “energy dominance”. Increasing supply, it insists, will bring down costs, trim inflation and stimulate the economy.
Ten or more years ago, this might have been true. But today solar and wind prices have fallen below coal and ushered in what the International Energy Agency calls “the cheapest electricity in history”. The Trump administration is denying US consumers these benefits. Electricity prices in the US rose more quickly than inflation even before the Iran war. Meanwhile, the hidden costs of fossil fuels, such as pollution and respiratory diseases hurt national productivity and add to the burden on taxpayers.
In the long term, it is hard to imagine a more self-harming policy. Between 2021 and 2024, the renewable sector was generating jobs 50% faster than the rest of the labour market. This is high-value employment with long-term prospects compared with jobs in the oil and gas extraction industry, which are projected to decline by 6% over the coming decade.
Most disturbingly, all of this creates a perverse incentive for the US to use its economic, diplomatic and military power to stimulate the market for fossil fuels.
The championing of fossil fuels depends on a big lie – that the US and the planet can return to an era powered by climate-destabilising fuels
Last September, Chris Wright, the US energy secretary and a former fracking magnate, went on an arm-twisting tour to Brussels and Milan to press the EU to increase its purchases of US liquified natural gas (LNG). In February, Wright stepped up the pressure, claiming there was “a climate cult” in Europe, after EU leaders agreed to reduce their energy dependency on the US in response to Trump’s talk of seizing Greenland.
The threats did not stop there. Wright said the US would leave the International Energy Agency unless it abandoned its goal of net zero carbon emissions and stopped referring to “climate stuff” in its analyses of renewables, fossil fuels and carbon emissions.
This explains why huge sums of money are now being channelled from the US to support far-right groups in Europe, who are campaigning on anti-net zero platforms.
The championing of fossil fuels depends on a big lie – that the US and the planet can return to an era powered by climate-destabilising fuels. It’s a lie that relies on threatening or downsizing scientific academies, truth-seeking news media and unfiltered online debate.
The US president has repeatedly called the climate crisis a “hoax”, “scam” or “bullshit”, ushering in what has been called a period of “climate hushing” (or “green hushing”). Essentially, this is a campaign to stifle public debate so that people are less aware of the dangers posed by fossil fuels and the benefits of cheaper renewable alternatives. His administration has announced plans to close down or slash budgets for the world’s leading science institutions. Meanwhile the president’s billionaire backers are helping to choke the climate debate in the media. After Elon Musk bought Twitter, now X, scientists report the social media algorithm is suppressing their voices and encouraging misinformation about the climate. Earlier this year, the Washington Post, owned by Jeff Bezos, slashed the size of the paper’s award-winning climate reporting team.
The Trump administration’s obsession with fossil fuels will dwarf the economic and human toll of the Iran war. The world’s hottest 10 years ever recorded have all occurred in the past decade. Extreme weather is increasingly out of control, pushing up food prices, prompting migration and sparking conflict. Many scientists fear the planet is heating faster than expected, pushing oceans, the Amazon, coral reefs, the Arctic and Antarctic ever closer to the point of no return. And worse is to come, with an El Niño expected to supercharge global temperatures in the coming year.
Throughout the world, a huge majority of people want their governments to take stronger action on the climate crisis. So fossil ambitions run up against popular opinion, which means its proponents have to rely on force to maintain control – with more oppression at home and more war overseas, an ever more extreme and violent response to ever more extreme and destructive weather.
All of this makes China suddenly seem a more appealing and serious alternative. This was not previously the case. Beijing used to project the opposite of soft power. Its political system is repressive. It continues to lock up journalists, artists and dissidents. But today there is a narrowing gap in its human rights record compared with the US, while its energy policy is increasingly aimed at halting climate breakdown rather than making it worse.
China, of course, is also building up its military and investing in energy-sucking artificial intelligence – though at much lower levels than the US. This is not to say its intentions are any more benign. But think of it, from the perspective of Europe, Africa or Latin America: do you choose China, which is becoming a modern electrostate that engages in multilateral decision making, and can supply you with more energy autonomy? Or do you pick the US, which appears to be trying to turn the clock back to the 20th century when it comes to fossil fuel domination, and the 19th century when it comes to imperial gunship diplomacy?
Former allies of the US are lining up to visit Beijing and seek balancing relationships with China. Canada’s prime minister, Mark Carney; Britain’s Keir Starmer; Germany’s Friedrich Merz have made the journey in the past few months. Narendra Modi, the prime minister of longtime rival India, visited last year, as did the EU president Ursula von der Leyen. As he did with Trump, Xi has accommodated them from a position of more global authority than any Chinese leader has had since the opium war.
The fightback
You have to grasp at straws until your fingers bleed to find positives in the US government these days, but at least the Trump administration has clearly delineated the battle lines on the future of the planet.
On one side are the vast majority of the world’s people, all of nature, 99.9% of climate scientists and the fastest-growing, greatest-job-creating chunk of the global economy: the clean energy sector.
On the other is Trump and the primary producers and users of fossil fuels, who need enormous taxpayer subsidies to stay profitable and ever greater violence to quell public unease and global opposition. The latter controls the US state – including the military and ICE – and is allied with much of the money of Silicon Valley’s power-thirsty datacentre companies. (The US and its tech oligarchs may be hoping that AI can replace energy as the country’s source of global power – but China is keeping apace on that front, too.)
Will this fossil fuel fascism, that billionaire-backed campaign to crush a green transition by any means necessary, hold back the tide of clean energy autonomy? It cannot be ruled out. The closest thing the world has to a planetary spokesperson recently warned of the dark forces threatening the future of all life on Earth: “Some fossil fuel interests remain hellbent on slowing progress, spreading disinformation, pretending the transition is unrealistic or unaffordable,” Guterres, the UN secretary-general, said last month. “Let’s tell it like it is; the world’s addiction to fossil fuels is one of the greatest threats to global stability and prosperity.”
But the climate will not be bending to the will of even the best funded, most heavily militarised and artificially idealised US administration nor the King Canute at its centre.
Most people realise this. Much of Europe is resisting. China is defiant. India is moving fast on solar. Brazil is pushing a roadmap away from fossil fuels. Colombia just hosted the First International Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels. Even in the US, people want their government to do more to prevent global heating.
The fightback is under way in the courts, at elections and on the streets. The most populous and fast-growing state economy of California already gets two-thirds of its electricity from renewables and has pledged to continue expanding wind and solar. Even Texas, the historic home of the US oil industry but also the centre of wind power, is bristling at Maga-led attempts to curtail renewables. Michigan is suing oil companies for delaying funds. Judges in Virginia, New York and New England, including a Trump appointee, have issued injunctions against government efforts to halt windfarm projects. The US president’s popularity has plummeted and polls suggest his party will lose heavily in the autumn midterms – if they are allowed to go ahead without Maga interference.
Despite the deep pockets of the backers of fossil fuel fascism, their resistance will be futile. The movement could become more deranged and violent in its efforts to turn back the clock, suppress dissent and thwart China’s rise. But ultimately, the planet will have the final say.
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