sábado, 24 de julho de 2021

Proteção contra a edificação na margem do rio Douro e leito de cheia em Valbom, Gondomar, Lugar de Ribeira de Abade


Para: Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gondomar e Ex.mo Sr Presidente da Assembleia Municipal de Gondomar

(Imagem com mais detalhe em https://drive.google.com/file/d/16552fNJZ-8wYXgGbVSiue2kBx88H3GDz)

Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gondomar,
Ex.mo Sr Presidente da Assembleia Municipal de Gondomar,

No âmbito do processo participativo para a Revisão do PDM de Gondomar, vimos apresentar a nossa proposta, reforçada com uma petição pública e todos os signatários.

A imagem acima é a representação da ideia que defendemos (ou algo similar) para o terreno entre a N108 e a margem do Rio Douro, em Valbom, Lugar de Ribeira de Abade (coordenadas: 41.139411, -8.571913).

A nossa proposta para esta revisão do PDM é que seja removida qualquer capacidade construtiva no terreno identificado e que, posteriormente, este terreno seja adquirido pela Câmara Municipal de Gondomar e transformada numa zona verde.

Defendemos que venha a ser um local de fruição da população de Gondomar e não só. Um local de colmatação do Programa POLIS que muito valorizou a Natureza e a Paisagem em Gondomar, transformando a nossa margem com o rio Douro num local de lazer, bem-estar e saúde. Defendemos um local que respeite o património cultural e a história de Valbom (por exemplo, sugerimos a colocação de um mural de azulejos homenageando os Pescadores e valorizando o barco Valboeiro). (Nota: as imagens são apenas exemplos.)

Após os recentes comunicados da CCDR-N e IGAMAOT é inegável que todo aquele terreno está em área inundável e é incontestável o que a CCDR-N refere no 1º parecer: “o edifício é de grande dimensão e volumetria e que a sua implementação no território cria uma barreira à encosta já existente alterando a escala do local.”.

Qualquer construção que seria feita no terreno em questão estaria totalmente em área inundável, parcialmente em área REN e Domínio Público Hídrico. Isto é, contrariaria em vários pontos as regras de Urbanismo e Ordenamento do Território.

A Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), após as denúncias, inspecionou e concluiu que:
“Pelo que o parecer daquela Comissão Regional nessa sede, de 27/05/2008, não observa o regime jurídico dessa restrição de utilidade pública, irregularidade que se estende à aprovação e licenciamento das obras por parte da Câmara Municipal de Gondomar”.

Consideramos que a nossa proposta não pode ser recusada com o argumento da existência de compromisso municipal com a empresa proprietária do terreno pois, tendo sido o Projeto de Arquitetura do hotel aprovado indevidamente, bem como o Licenciamento da Obra, e sendo ambos considerados nulos, o compromisso municipal não existe, podendo a Câmara Municipal de Gondomar, em defesa do interesse dos Gondomarenses e do Ordenamento do Território de Gondomar, retirar a capacidade construtiva ao terreno entre a N108 e a margem do Rio Douro identificado nesta proposta.

Os subscritores e as subscritoras,


Solução de mistério da Ciência promete revolução na saúde e na vida das pessoas



Uma empresa do universo Google desvendou um dos grandes mistérios da ciência. Ao descobrir como as proteínas se desenvolvem em três dimensões (3D), a DeepMind criou condições para uma revolução na medicina, como potenciais curas para toda e qualquer doença, das hereditárias às infecciosas.

Investigadores usaram um programa de inteligência artificial (IA) chamado AlphaFold para identificar as estruturas 3D de 350 mil proteínas de seres humanos e outros organismos, como vírus ou insetos. Um avanço científico que encurtou de meses para minutos um processo fundamental da microbiologia e que pode significar uma revolução na ciência e, em particular, na vida das pessoas.

Este desenvolvimento pode ajudar a acelerar descoberta de novos medicamentos para tratar vários tipos de doenças, contribuir para a destruição dos plásticos que ameaçam o planeta ou criar culturas agrícolas resistentes a pragas e alterações climáticas.

A forma como as proteínas se desenvolvem "em estruturas tridimensionais verdadeiramente únicas e raras" é um dos grandes mistérios da biologia, disse a professora Jane Thornton, do Instituto Europeu de Bioinformártica (EMBL na sigla original), em Hinxton, no Reino Unido, em declarações à BBC.

"Um melhor entendimento da estrutura das proteínas e a capacidade de prever como se desenrolam usando um computador significa um melhor entendimento da vida, da evolução e, claro, da saúde humana e das doenças", acrescentou Jane Thorton, a quem a rainha concedeu o título de Dama.

"A forma como as proteínas funcionam depende da sua estrutura tridimensional. O funcionamento das proteínas é relevante em tudo o que diz respeito à saúde e à doença", sublinhou Andrew Martin, do prestigiado Colégio Universitário de Londres (UCL, na sigla original), em declarações à BBC.

Conhecer as proteínas para combater doenças e criar novos fármacos

As proteínas são "tijolos" fundamentais na estrutura de qualquer ser vivo, cujas células estão cheias de proteínas.

Esses "tijolos" que formam as proteínas, os aminoácidos, desenvolvem-se por uma miríade de caminhos numa forma 3D singular. É essa forma, única, de cada proteína que determina a função da mesma no corpo humano.

"Ao conhecer as estruturas tridimensionais das proteínas podemos ajudar na conceção de novos medicamentes e intervir em problemas de saúde, sejam infecciosos ou hereditários", argumentou Andrew Martin.

Muitas doenças estão ligadas ao papel das proteínas como catalisadoras de reações químicas, as enzimas, ao combate ao agente agressor (anticorpos) ou na ação como mensageiros (no caso de hormonas como a insulina).

"Mesmo pequenas mudanças nessas moléculas vitais podem ter efeitos catastróficos na nossa saúde, por isso uma das formas mais eficazes de entender as doenças e encontrar novos tratamentos é estudar as proteínas", argumenta John Moult, da Universidade de Maryland, nos EUA.

Um mistério com mais de 50 anos

As instruções para a criação de proteínas humanas estão no nosso genoma, o ADN contido nos núcleos das células humanas. Há cerca de 20 mil dessas proteínas no genoma humano, conhecidas entre os cientistas como "proteoma".

Há cerca de 50 anos que os cientistas tentam decifrar este mistério da biologia recorrendo a táticas convencionais, caras e demoradas. "Um processo que demorava seis meses agora faz-se em minutos", rejubilou John McGeehan, biologista estrutural da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, que já usa os dados obtidos pelo projeto AlphaFold para desenvolver enzimas que degradam mais depressa o plástico.

"As aplicações possíveis com este projeto estão apenas limitadas pelo nosso conhecimento", acrescentou a professora Edith Heard, do EMBL. Os avanços tecnológico conseguidos através do projeto AlphaFold podem abrir caminho para a descoberta de novas formas e tratamento de doenças, na produção de culturas agrícolas que resistam às alterações climáticas ou as tais enzimas que destroem o plástico persistente no ambiente.

"É um excelente exemplo do que a IA pode trazer à sociedade", disse Demis Hassabis, cofundador da empresa de Inteligência Artificial Deep Mind. "Acreditámos que este trabalho representa a mais significativa contribuição da Inteligência Artifical para o avanço do conhecimento científico até à data", acrescentou.

"Estamos entusiasmados por ver o que a comunidade científica vai fazer com isto", disse Hassabis, sustentando que a ambição é expandir a cobertura da base de dados a todas as proteínas conhecidas da ciência, cerca de 100 milhões de estruturas.

O projeto não vai ficar fechado. A Deep Mind, empresa do universo Google, juntou-se à EMBl para disponibilizar o AlphaFold a toda a comunidade científica.

Mais imagens e fonte: JN

Insectageddon: is global insect extinction real?



News headlines in recent years have proclaimed that over 40% of all insect species are in decline, and many approach extinction. But are these numbers correct? Is the reality better, or even much worse, than we think?

Entomologist, broadcaster, and author Professor Adam Hart leads a panel debate of international insect experts to discuss these headlines, crunch the numbers and analyse the fact and fiction behind global insect extinction. Join Adam alongside National Museums Scotland entomology collection curator Ashleigh Whiffin, insect decline ecologist Dr Manu Saunders, and biodiversity specialist Dr Nick Isaac to find out the latest on this contentious and vital issue and ask your questions to the panel. Organised by the British Ecological Society in association with the Royal Entomological Society for celebrating ‘Insect Week’ Our panel: 

Adam Hart is an entomologist, Trustee of the Royal Entomological Society, and Professor of Science Communication at the University of Gloucestershire. As well as research and teaching, he is a regular broadcaster for BBC Radio 4 and the BBC World Service, presenting documentaries on topics from trophy hunting to tree diseases. He has also presented the weekly science program Science in Action for the BBC World Service. On television, Adam has co-presented several documentary series, most notably BBC4’s Planet Ant and BBC2’s Hive Alive. Adam is also an author of many popular science books, including ‘Unfit for Purpose: when human evolution collides with the modern world’ Dr Nick Isaac is a macroecologist at the UK Centre for Ecology & Hydrology. His research team develops methods for the analysis of biodiversity data, including for unstructured occurrence records and for biodiversity indicators. His research describes trends in biodiversity and investigates the causes of these trends, mostly using data on UK invertebrates. 

Ashleigh Whiffin is Assistant Curator of Entomology at National Museums Scotland, responsible for the care and development of the insect collection, containing approximately 2.5 million specimens. Her research focuses around carrion ecology, specialising on Carrion Beetles (which are vital for the decomposition of vertebrate remains), for which she also co-organises a National Recording Scheme for. She works closely with several entomological groups to promote her subject, including working with the Royal Entomological Society’s Outreach & Development committee and is the current Chair of Edinburgh Entomological Club; and internationally, she is co-communications officer for the Entomological Collections Network.

Dr Manu Saunders is a Lecturer in Ecology at the University of New England, Armidale, Australia. Manu has published critical articles about the widely reported ‘insect apocalypse’. Her research focuses largely on how insects create links between habitats and people, and how land use changes and agricultural management influences biodiversity and ecosystem processes at local and landscape scales. Manu is also a science communicator, and founder of ‘Wild Pollinator Count’, a non-profit organisation promoting evidence-based conservation of native pollinator insects across Oceania.

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Cuba não merece solidariedade?



Vi na semana passada muitas pessoas que se apresentam publicamente como de direita a chisparem farpas contra o governo cubano pela repressão de manifestantes do passado dia 11 de julho.

Estes comentadores engajados cumprem a sua missão ideológica, que inclui a eliminação de qualquer resquício, mesmo remoto, da possibilidade de uma sociedade com projeto socialista neste mundo.

Como dizem claramente ao que vão, respeito-os, oiço-os e leio-os com atenção para tirar as minhas conclusões sobre a razoabilidade, ou falta dela, na argumentação apresentada - mesmo se me sentir indignado com o que dizem, não me sinto enganado, e isso é saudável.

Vi, ainda, vários jornalistas/comentadores que se apresentam como "apartidários" a usarem retórica ideológica, descaradamente facciosa, para se colocarem na primeira fila da fotografia dos que combatem, dizem, a "ditadura comunista" da ilha.

Como estas almas me tentam enganar há anos com a sua suposta e impossível "isenção", baseada num fluxo informativo manipulado, que não controlam, não criticam e que reproduzem mecanicamente, não acompanho normalmente as suas intervenções. São uma perda de tempo.

Vi, também, várias pessoas que se apresentam publicamente como sendo de esquerda e se apressaram, antes mesmo de perceber minimamente o que se estava a passar em Cuba, a condenar o "regime cubano" por violação de direitos humanos.

Estas pessoas de "esquerda" já tinham condenado Lula da Silva por suposta corrupção, e hoje em dia veem essa acusação estar manifestamente fragilizada. A tese de uma conspiração que utilizou a justiça e os media para o derrubar ganhou, entretanto, evidente credibilidade.

Estas pessoas de "esquerda" já tinham alinhado com a acusação de uma suposta fraude eleitoral, que removeu Evo Morales da presidência da República da Bolívia e colocou no poder, via golpe de Estado "em nome da defesa da democracia", uma direita que resvalava para o fascismo à antiga.

A luta do povo boliviano conseguiu impor novas eleições e percebeu-se, pela derrota dos golpistas, que, afinal, a fraude era deles.

Estas pessoas de "esquerda" até alinharam com o golpe de Estado de Juan Guaidó na Venezuela, um óbvio tonto reacionário a soldo estrangeiro, que acabou por prolongar o poder do politicamente fraco Nicolás Maduro.

Estas pessoas de "esquerda" calaram-se durante um mês quando, no Peru, o vencedor das eleições, Pedro Castillo, esteve em risco de não poder tomar posse como presidente do país, apesar de ter ganho as eleições, por a direita, mais uma vez, ter tentado usar a arma da falsa fraude eleitoral e ter mesmo ameaçado com um golpe de Estado.


Estas pessoas de "esquerda" fecham os olhos ao evidente envolvimento, direto ou indireto, dos Estados Unidos da América em todas estas situações de luta pelo poder na América Latina, mesmo quando as respeitáveis imprensas americanas ou europeias as noticiam.

Estas pessoas de "esquerda" são as que me incomodam mais, que sou militante do PCP.

São pessoas do meu campo ideológico que, sistematicamente, passam a vida a defender uma sociedade conceptualizada pelo campo ideológico que dizem combater em vez da nova sociedade que teorizam dever acontecer. Se não se traem a si próprias (não estou dentro da suas cabeças, pelo que não sei) traem quem os lê - eu, pelo menos, sinto isso.

... E quantos deles, há 20 anos, adoravam Fidel Castro e Che Guevara?...

Ah! E o que é que eu penso sobre Cuba? Penso que todos os governos devem permitir manifestações de protesto. Penso que o governo cubano tem de ouvir essas pessoas. Penso que os cubanos devem resolver os seus problemas sem interferências estrangeiras. Penso que o bloqueio económico dos Estados Unidos é criminoso e decisivo.


Constato que não vi nenhum polícia de choque, de armadura, capacete e escudo. Constato que não vi canhões de água. Constato que não vi cargas de pelotões militarizados sobre a multidão. Não vi tiros de bolas de borracha. Vi um exercício de repressão com um nível muito inferior ao habitualmente usado na maioria das supostas democracias - até em Portugal, até nos Estados Unidos da América, até na União Europeia.

E depois há esta coisa simples, que me parece que qualquer pessoa de esquerda, defensora da autonomia e autodeterminação dos povos, deveria defender: enquanto os Estados Unidos quiserem dominar Cuba, é muito difícil Cuba não merecer solidariedade.

Jornalista

L'art Gothique


L’art gothique européen de la toute fin du Moyen Âge compte nombre de chefs-d’œuvre. À une époque où l’image reste rare – l’imprimerie n’en est qu’à ses balbutiements –, les artistes développent une iconographie novatrice qui témoigne d’un sens aigu de l’observation et d’un riche imaginaire visuel flirtant parfois avec la grivoiserie. 

La réalisatrice Grit Lederer convoque des spécialistes du gothique tardif pour décrypter le travail de quelques grands noms de l’art germanique du XVe siècle, injustement oubliés du grand public, comme le peintre Stefan Lochner, auteur d’un remarquable Jugement dernier, ou le graveur et sculpteur Martin Schongauer, dont la Tentation de saint Antoine présente un étrange bestiaire hypnotique. Près de six siècles après leur création, ces œuvres, pieuses ou profanes, superbement conservées, suscitent un émerveillement intact. 
Documentaire de Grit Lederer (2020, 53mn) 
Disponible jusqu'au 02/05/2022

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Ministério da Agricultura Ignora Peritos Nomeados, Académicos e ONGAs na Elaboração do Plano Estratégico da PAC e Coloca em Causa Pessoas e Ambiente


Plano Estratégico para a PAC 2023-27 em Portugal põe em causa o futuro da biodiversidade nacional e da qualidade de vida das populações. Este instrumento de política fundamental para o futuro das pessoas e da natureza tem de ser mais sustentável, justo e benéfico do ponto de vista ambiental, social e económico.

No seguimento da tomada de posição de 14 ONGAs portuguesas no início deste mês de Julho, que consideraram a proposta de estrutura do PEPAC para Portugal do GPP/Ministério da Agricultura um potencial atentado à natureza e à biodiversidade nacional, que é a base de toda a vida, foram agora 9 dos peritos convidados pelo GPP para acompanhar o processo que tornaram pública a sua posição de preocupação sobre a nova PAC. Parte destes peritos inclusive já se demitiu do acompanhamento do processo. Em Abril deste ano, mais de 100 académicos publicaram um manifesto expondo os desafios que a agricultura nacional enfrenta e apelando a que este setor faça uma verdadeira transição ecológica.

As preocupações de todos são evidentes: a agricultura é uma das principais causas da perda de biodiversidade na União Europeia; em Portugal é o principal consumidor de água; e o setor precisa também de reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa e outros impactos sobre a biodiversidade. No entanto, as propostas até agora apresentadas durante a elaboração do PEPAC não respondem a nenhum destes desafios.

Pelo contrário, a informação disponível no site do GPP, sobre a estrutura do PEPAC, torna evidente que as intenções do Estado Português para a aplicação do financiamento da PAC 2023-27 não sofreram alterações significativas face ao anterior quadro comunitário. Continua por realizar uma verdadeira reforma da aplicação desta política em Portugal, capaz de operar uma mudança transformadora no sector da agricultura e nos sistemas alimentares tendo em vista a sua sustentabilidade ambiental e social. O documento tal como está não irá contribuir adequadamente para o cumprimento dos objetivos do Pacto Ecológico Europeu.

Até aqui a Ministra da Agricultura tem ignorado os peritos, as ONGAs, a ciência, a saúde pública, em suma, a sociedade civil que exige um planeta mais sustentável para as próximas gerações. As ONGAs procuraram contribuir para o PEPAC com propostas concretas  enviadas o ano passado em Julho, a maior parte das quais não foram refletidas nos documentos postos em consulta pública no final do ano”, afirmam as organizações.

“Alguns destes conteúdos são muito preocupantes e colocam em causa a Estratégia de Biodiversidade 2030, a Estratégia do Prado ao Prato e as metas da UE em matéria de mitigação e adaptação às alterações climáticas”, acrescentam.

As ONGAs lembram ainda que a primeira versão do documento deveria ter sido tornada pública durante o presente mês de julho, mas a sua publicação foi agora empurrada para setembro quando Portugal tem de apresentar a sua proposta à Comissão Europeia até 1 de janeiro, o que faz temer o pior – mais do mesmo, evitando-se o debate e a participação consequentes de toda a sociedade.

“A Ministra da Agricultura continua a ignorar todas estas vozes que representam a sociedade civil, e que já disseram ser preciso mudar os conteúdos do PEPAC e a forma como se está a conduzir este processo. A Ministra não pode continuar a ignorar as propostas feitas pelas ONGAs, pelos académicos e pelos peritos.”

O PEPAC é importantíssimo para Portugal ao canalizar a sua quota-parte do orçamento da PAC, que representa cerca de um terço de todo o orçamento da UE: a nova PAC determinará não só o tipo de produção de alimentos que teremos no futuro, que deve estar em equilíbrio com o planeta, mas também a natureza que queremos e que temos direito a ter de volta e que é o escudo protetor da humanidade.

A proposta de arquitetura do PEPAC Português requer uma profunda revisão; a atual proposta não é positiva nem para o ambiente nem para o clima. Assim, as ONGAs exigem:

  1. uma PAC que premeia quem faz realmente melhor, compensando os agricultores de acordo com o nível de melhorias no desempenho ambiental e climático.
  2. uma PAC que produz alimentos sustentáveis, assegurando que pelo menos 30% das ajudas diretas à produção contribuem também para benefícios para o ambiente e clima.
  3. uma PAC que fomenta a biodiversidade criando mais espaço para a natureza, e favorecendo TODAS as explorações agrícolas que promovam MAIORES valores de biodiversidade e elementos paisagísticos, principalmente na Rede Natura 2000.
  4. uma PAC que cumpre as metas do Acordo de Paris e é coerente com as políticas nacionais de adaptação e combate às alterações climáticas.
  5. uma PAC que não apoia novos projetos de regadio que ameaçam a conservação dos agroecossistemas e o bom estado dos nossos aquíferos, rios e ribeiras, bem como as pessoas e biodiversidade que deles dependem.

O PEPAC também tem de contribuir para a luta contra as alterações climáticas através da descarbonização do Sistema Alimentar, que entre várias coisas passa por: encurtar as cadeias de abastecimento, por fomentar sistemas alimentares locais, por produzir alimentos saudáveis de forma sustentável, por utilizar de forma sustentável recursos naturais (em especial solo e água) e factores de produção.

As ONGAs estão disponíveis para concertar esforços com estas e mais vozes da sociedade civil, incluindo a participação numa plataforma que venha a ser criada para trabalhar com o Ministério da Agricultura na reformulação urgente do PEPAC.

A corrida espacial dos bilionários é o símbolo máximo da decadência capitalista

Bilionários como Richard Branson, Jeff Bezos e Elon Musk são parasitas e socialmente inúteis. Mas eles precisam justificar os lucrativos contratos governamentais – uma das grandes ironias da indústria espacial privada é que ela depende de muito dinheiro público – e por isso estão fingindo ser astronautas.

                      

“Se pudermos fazer isso, imagine o que mais podemos fazer.” Essa foi a mensagem alegre de esperança e otimismo transmitida pelo mega-bilionário Richard Branson durante sua recente passagem no espaço, que não foi tão boa assim, a bordo do VSS Unity. Por razões diferentes daquelas que ele pretendia, tanto o slogan da façanha de Branson quanto as circunstâncias mais amplas que o cercam são, na verdade, um encapsulamento perfeito do real significado da missão e seu verdadeiro propósito.

Como as pessoas foram rápidas em apontar, há muito pouca novidade tecnológica, científica ou mesmo individual em jogo na atual disputa tripla entre Branson da Virgin Galactic, Elon Musk da Tesla e Jeff Bezos da Amazon (que realizou hoje o seu próprio voo).

Há cerca de vinte anos, o multimilionário Dennis Tito desembolsou US$ 20 milhões para viajar até a Estação Espacial Internacional, tornando-se o primeiro turista espacial oficial. Com apenas alguns minutos de duração, o vôo suborbital de Branson foi muito mais curto do que as quase duas horas que o cosmonauta soviético Yuri Gagarin gastou circulando a Terra em 1961. Na maioria dos sentidos que importam, então, a chamada corrida espacial dos bilionários é inócua em inovação ou no estabelecimento de algum precedente histórico.

O que é novo é a transformação do espaço em uma nova fronteira para a alta burguesia mundial: uma classe de pessoas cujas fortunas cresceram incompreensivelmente tanto que agora devem ser gastas em iates que contêm outros iates e expedições vaidosas à termosfera porque os símbolos tradicionais da opulência bilionária não são mais suficientes. Em contraste com o giro efusivamente futurista de sua assessoria de imprensa, a nova fronteira em questão é, portanto, tão mundana e terrestre quanto poderia ser – preocupada não com a democratização do espaço nem com a transcendência de nossa existência mundana, mas sim com uma versão de fantasia em escala da competição intra-capitalista genérica.

Seja qual for a sua marca, como escreve Edward Ongweso Jr do Motherboard, empreendimentos como o de Branson são principalmente um show apresentado para deslumbrar os investidores. Até certo ponto, eles também tratam de disputar contratos governamentais lucrativos – uma das grandes ironias da indústria espacial privada é que ela depende, literalmente, de bilhões de dólares em dinheiro público. O maior impulso para a corrida espacial dos bilionários, no entanto, é indiscutivelmente um aspecto familiar para os estudiosos da desigualdade histórica. Como Musk, Branson e Bezos, os monopolistas da Idade Dourada da América fizeram suas fortunas principalmente como rentistas em vez de inovadores, tornando-se barões neofeudais da expansão da infraestrutura industrial do país e colhendo as recompensas financeiras. Por sua própria natureza, esse tipo empresa deve sempre ser vendida como uma empresa preocupada com o bem comum – o mercado crescente de telecomunicações globais e aparelhos militares aterrorizantes que hoje ocupam o lugar outrora ocupado por navios a vapor, ferrovias e redes telegráficas.

De forma mais direta, a riqueza extrema na era capitalista está, por definição, envolvida em uma luta constante e desesperada por novas fontes de legitimidade ética. Os bilionários precisam de uma razão pública para existir e, pelo menos por enquanto, possuir os contratos certos e expropriar a mais-valia ainda não é suficiente. Se, por outro lado, atividades plutocráticas – e os estilos de vida impossivelmente decadentes que as cercam – podem ser empacotadas como extensões de um projeto mais humano, melhor ainda: ilhas privadas, propriedades de luxo e fábricas exploradoras do Vale do Silício agora imitam, com toda a pompa e um sombrio propósito, Neil Armstrong dando seu primeiro passo na superfície da lua.

Enquanto as temperaturas escalam e bilhões permanecem sem vacinação por mais de um ano em uma pandemia global, a declaração de Branson foi, portanto, o símbolo máximo da decadência capitalista na era neoliberal – um pseudo publicitário futurista com todos os adereços de uma orgia primaveril no Palácio de Versalhes em 1789. Qualquer que seja sua mensagem, esforços como os de Branson dificilmente sinalizará qualquer tipo de futuro real para a humanidade no espaço (e supondo que de alguma forma o fizessem, provavelmente se pareceria muito mais com Elysium do que com Jornada nas Estrelas).

O que eles sinalizam é um futuro de desigualdade cada vez mais profunda: um no qual os barões do capital do século XXI tentam nos bajular na ilusão de que seus interesses comerciais e empreendimentos pessoais são uma extensão de um propósito social comum, e não uma disputa mesquinha por riqueza e poder. A este respeito, as palavras de Branson – proferidas com uma efervescência espumante (“Se podemos fazer isso, imagine o que mais podemos fazer”) – também podem ser lidas como uma declaração direta sobre os privilégios agora exercidos por ele e a classe dos bilionários.

No entanto, se o mundo continuar assim, em breve, o resto de nós pode não ter mais que imaginar.

Fonte: Jacobin

Ter esperança, por Howard Zinn



TER ESPERANÇA em tempos difíceis não é apenas simplesmente romântico. Baseia-se no fato de que a história humana é uma história não apenas de crueldade, mas também de compaixão, sacrifício, coragem, bondade.
O que escolhemos destacar nesta história complexa, é o que determinará as nossas vidas. Se virmos apenas o pior, isso destruirá a nossa capacidade de fazer algo. Se nos lembrarmos daqueles tempos e lugares - e são tantos - onde as pessoas se comportaram magnificamente, isso nos dá a energia para agir e, pelo menos, a possibilidade de enviar este pião global de para uma direção diferente.
E se agirmos, por mais pequena que seja a nossa acção, não temos que esperar por um grande futuro utópico. O futuro é uma sucessão infinita de presentes, e viver agora como pensamos que os seres humanos deveriam viver, desafiando tudo o que há de ruim ao nosso redor, é em si uma vitória maravilhosa.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Documental Buenaventura Durruti

A few simple tricks make fake news stories stick in the brain



Bad information isn’t new. Propagandists and scam artists have been selling their brand of proverbial snake oil for ages, all to bend people’s thinking to their goals. What’s different today is that the digital world flings information faster and farther than ever before.

Our brains can’t always keep up.

That’s because we often rely on quick estimates to figure out whether something is true. These shortcuts, called heuristics, are often based on very simple patterns (SN: 9/20/14, p. 24). For instance, most information we come across in our daily lives is true. So when forced to guess, we often err on the side of believing.

Other shortcuts exist that encourage information — true or false — to find its way into our minds, research on human psychology shows. We take notice of information that is new, that fires up our emotions, that supports what we already believe and that we hear over and over.

Most of the time, these shortcuts make us “super-efficient,” quickly leading us to the right answer, says cognitive psychologist Elizabeth Marsh of Duke University. But in fast-moving digital landscapes, those shortcuts are “going to get us in trouble,” she says.

How the various online platforms feed us information changes the game, as well. “We are not only contending with our own cognitive crutches as humans,” says Jevin West, a computational social scientist at the University of Washington in Seattle who cowrote the 2020 book Calling Bullshit: The Art of Skepticism in a Data-Driven World. “We’re also contending with a platform, and with algorithms and bots that know how to pierce into our cognitive frailties.” The goal, he says, is “to glue our eyeballs to those platforms.”

Here, scientists who study misinformation pull back the curtain on some false social media posts to show how bad information can creep into our minds.

Sharing what’s new

People take special notice of fresh information. “Novelty has an advantage in the information economy in terms of spreading farther, faster, deeper,” says information scientist Sinan Aral of MIT and author of the 2020 book The Hype Machine: How Social Media Disrupts Our Elections, Our Economy, and Our Health — And How We Must Adapt. Fresh intel can inform our beliefs, behaviors and predictions in powerful ways. In a study of Twitter behavior that spanned 10 years, Aral and his colleagues found more signs of surprise — an indicator that information was new — in people’s responses to false news stories than to true ones.

Sharing new tidbits can also provide a status boost, as any internet influencer knows. “We gain in status when we share novel information,” Aral says. “It makes us look like we’re in the know.”

New information becomes even more alluring in times of uncertainty, West says. That played out early in the COVID-19 pandemic, when researchers and physicians were scrambling to find life-saving treatments. Unproven methods — vitamins, garlic and hydroxychloroquine, among others — got lots of attention. “There were not a lot of answers on how to treat COVID early in the pandemic,” he says.

Accepting information that’s consistent with what we already know to be true can feel like a safe bet. We tend to give that sort of message less scrutiny. “It’s more comfortable to find pieces of information that fit our narrative,” West says. “And when we are confronted with information that breaks that narrative, that’s incredibly uncomfortable.”

But this reliance on our stored knowledge can lead us astray. People are wrong about a lot of facts, easily confuse facts and opinions and claim to know facts that are impossible, as Marsh and her colleague Nadia Brashier of Harvard University wrote in 2020 in Annual Review of Psychology. And with so much information streaming in, it’s easy to find the material that fits with what you think you know. “To the extent that I want to believe X, I can go out there and find evidence for X,” Marsh says. “If I were an anti-vaxxer, it wouldn’t matter how many times you told me that vaccines are good, because it would be against my world identity,” she says.

Baseball legend and civil rights advocate Hank Aaron died on January 22 at age 86. Some people soon noted that he’d received a COVID-19 vaccine 17 days earlier. Anti-vaccine groups used his death to blame vaccines, with no evidence that the vaccine was involved. “It’s so opportunistic,” says global health researcher Tim Mackey of the University of California, San Diego.


Tugs on emotions

Playing on emotions is the “dirtiest, easiest trick,” West says.

Outrage, fear and disgust can capture a reader’s attention. That’s what turned up in Aral’s analyses of over 126,000 instances of rumors spreading through tweets, reported in 2018 in Science. False rumors were more likely to inspire disgust than true information, the researchers found.

“False news is shocking, surprising, blood-boiling, anger-inducing,” Aral says. “That shock and awe combines with novelty to really get false news spreading at a much faster rate than true news.” The presence of emotional language increases the spread of social media messages by about 20 percent for each emotion-triggering word, researchers at New York University reported in Proceedings of the National Academy of Sciences in 2017.

Along with message content, readers’ emotions matter, too. People who rely on emotions to assess a news story are more likely to be duped by fake news, misinformation scientist Cameron Martel of MIT and colleagues reported in 2020 in Cognitive Research: Principles and Implications.

On repeat

Even the most outlandish idea begins to sound less wild the 10th time we hear it. That’s been the case since long before the internet existed. In a 1945 study, people were more inclined to believe rumors about wartime rationing that they had heard before rather than unfamiliar ones.

Many recent studies have found similar effects for repetition, a phenomenon sometimes called the “illusory truth effect.” Even when people know a statement is false, hearing it again and again gives it more weight, Marsh says. “Keep it simple. Say it over and over.”

There’s lots of repetition to be found on Twitter, where hashtags can draw many people into a conversation, Mackey says. On July 27, 2020, then-President Donald Trump tweeted a link to a video of a doctor making false claims that hydroxychloroquine can cure COVID-19. Similar tweets exploded soon after, jumping from an average of about 29,000 daily tweets to over a million just a day later, Mackey and his colleagues reported in the Lancet Digital Health in February. “It just takes one piece of misinformation for people to run with,” Mackey says.

Fonte e ler mais aqui