domingo, 2 de agosto de 2026

Cientistas descobrem DNA misterioso: dois antepassados desconhecidos no genoma humano

A calote craniana encontrada no vale de Salkhit, no leste da Mongólia, pertenceu a uma mulher que viveu há cerca de 34.000 anos. Institut für Archäologie, Mongolische Akademie der Wissenschaften

Investigadores da conceituada University of California, em Berkeley, fizeram uma descoberta impressionante: identificaram segmentos de ADN no genoma dos humanos atuais, que provêm de antepassados até agora desconhecidos. Os cientistas falam de “antepassados fantasma”, porque destas populações humanas extintas nada se sabe por enquanto.

Hoje, o Homo sapiens é a única espécie humana ainda existente. No passado distante, porém, partilhava o planeta com numerosas outras linhagens de hominídeos.

Estudos anteriores já tinham mostrado que os humanos modernos se cruzaram com neandertais e com os chamados humanos de Denisova, gerando descendentes comuns. Muitos indivíduos conservam ainda hoje, no seu genoma, vestígios genéticos desses encontros. Agora, um novo estudo sugere que terão existido pelo menos mais dois grupos humanos desconhecidos, que também transmitiram ADN aos nossos antepassados.

Um destes antepassados até agora desconhecidos cruzou-se há mais de 50.000 anos, em África, com os antepassados dos humanos modernos, antes da última grande vaga migratória de Homo sapiens para a Europa e a Ásia. Os genes herdados nessa altura representam hoje cerca de 1% do genoma de todas as pessoas – aproximadamente a mesma proporção da componente neandertal do ADN.

Segundo os cálculos dos investigadores, esta enigmática linhagem humana terá divergido da linha evolutiva que conduziu ao humano moderno há cerca de 800.000 anos – aproximadamente na mesma altura em que também neandertais e humanos de Denisova se separaram entre si.

“Estudos anteriores já tinham sugerido a existência de uma chamada descendência fantasma – ou seja, vestígios genéticos de linhagens humanas desconhecidas e extintas no genoma dos humanos modernos”, explica a doutoranda de Berkeley Yulin Zhang, uma das primeiras autoras do estudo. “Até agora, porém, não se sabia se essa descendência desconhecida ocorria apenas em africanos, nem quando terá acontecido essa mistura. Conseguimos agora identificar e cartografar os segmentos de ADN correspondentes no genoma de humanos modernos e demonstrar que esta descendência fantasma está presente em todas as populações atuais – não apenas em africanos.”

Linha temporal: 1,8 milhões de anos
Ainda mais enigmático é o segundo antepassado, que os investigadores descrevem como “super-arcaico”. A sua linhagem humana ter-se-á separado das restantes há cerca de 1,8 milhões de anos. Há mais de 200.000 anos, terá provavelmente cruzado, na Eurásia, com os humanos de Denisova – e foi por essa via indireta que fragmentos desse ADN ancestral acabaram por entrar no genoma do humano moderno.

“O registo deste antepassado super-arcaico é particularmente intrigante, porque revela contribuições genéticas de uma linhagem humana que viveu há mais de um milhão de anos – apesar de, até agora, não existir qualquer ADN desta população decifrado”, afirmou Arjun Biddanda, pós-doutorando na Johns Hopkins University e um dos primeiros autores do estudo.

“Graças ao ADN antigo de neandertais e de humanos de Denisova, bem como a novos métodos genealógicos, estamos a perceber cada vez melhor que, ao longo da evolução, as populações humanas se misturaram repetidamente”, afirmou Priya Moorjani, professora de Biologia Molecular e Celular na University of California, em Berkeley. “A evolução humana assemelha-se, por isso, menos a uma árvore genealógica ramificada e mais a uma rede complexa, em que diferentes populações ficaram ligadas entre si através de sucessivas migrações e misturas.”

Diferença entre ADN neandertal e de Denisova
Atualmente, a maioria das pessoas fora de África possui cerca de 1% a 2% de ADN neandertal no seu genoma. Em média, entre 1% e 2% do genoma de europeus e asiáticos atuais provém de neandertais. Esse é o resultado de cruzamentos entre neandertais e primeiros humanos modernos há cerca de 50.000 a 60.000 anos, pouco depois de Homo sapiens ter saído de África.

Os segmentos de ADN herdados continuam a influenciar os humanos atuais. Algumas variantes estão associadas à resposta imunitária, às características da pele e do cabelo ou à adaptação a condições ambientais. Outras aumentam o risco de determinadas doenças ou influenciam a reação a infeções.

Grupos populacionais na Ásia e na Oceânia têm, além do ADN neandertal, componentes genéticas dos humanos de Denisova. Restos de humanos de Denisova com ADN sequenciado foram sobretudo identificados na região da Eurásia:

Há cerca de seis anos, o estudo do genoma do mais antigo fóssil humano até agora descoberto na Mongólia permitiu novos avanços no conhecimento da história antiga da nossa espécie. Investigadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, e da Academia de Ciências da Mongólia mostraram que, nos restos com cerca de 34.000 anos de uma mulher, cerca de 25% do ADN tinha origem em antepassados da Eurásia ocidental. Além disso, a equipa encontrou no genoma dessa mulher – tal como no de um humano com cerca de 40.000 anos da China – traços de ADN de Denisova, a forma humana extinta que viveu na Ásia antes de ali chegarem os humanos modernos.

É igualmente significativo que neandertais e humanos de Denisova também se tenham cruzado entre si. Sabe-se, a partir de um fóssil da gruta de Denisova, na cordilheira de Altai, no sul da Sibéria, perto das fronteiras com o Cazaquistão, a Mongólia e a China, que se tratava de uma mulher com mãe neandertal e pai de Denisova – uma prova direta de que ambas as formas humanas tiveram descendência comum.

Quem eram exatamente este “antepassado fantasma” e o “antepassado super-arcaico” continua por esclarecer. Os momentos de divergência calculados ajustam-se, contudo, a formas humanas já conhecidas: os antepassados fantasma poderão ter pertencido a grupos de Homo do Médio Pleistocénico que viveram em África há cerca de 800.000 anos. O antepassado super-arcaico poderá ter sido idêntico, ou estreitamente aparentado, a Homo erectus, espécie que colonizou a Eurásia há cerca de 1,8 milhões de anos.

Estarão os milhões de espécies de insetos não descritos sujeitos à extinção?


Numa investigação, ecologistas sublinharam que os milhões de insetos que permanecem por descobrir e sem nome por parte dos investigadores são provavelmente mais vulneráveis à extinção do que as espécies designadas.

Numa investigação, ecologistas sublinharam que os milhões de insetos que permanecem por descobrir e sem nome por parte dos investigadores são provavelmente mais vulneráveis à extinção do que as espécies designadas.

Em Insect Conservation and Diversity, os Professores Eméritos Nigel Stork e Roger Kitching do Centro de Saúde Planetária e Segurança Alimentar de Griffith trabalharam com investigadores internacionais num estudo que analisou as espécies de insetos e a sua prevalência nos trópicos húmidos da Austrália.

Nos trópicos húmidos da Austrália, o Professor Stork e os coautores descobriram que, entre as 107 espécies de escaravelhos identificadas, 58 não estavam descritas pela ciência.

Tal como se previa, as espécies não descritas eram significativamente mais pequenas, menos abundantes e menos disseminadas do que as espécies descritas, o que as tornava mais difíceis de encontrar e mais propensas à extinção do que as espécies designadas.

“Nos últimos anos, as estimativas do número de espécies de insetos que podem existir na Terra têm variado entre 100 milhões ou mais e apenas 2 milhões”, afirma o Professor Stork.

“Um número consensual de 5 milhões de espécies publicado por mim é agora frequentemente utilizado, apoiado por quatro métodos diferentes de cálculo da riqueza global de espécies”, adianta.

“Uma vez que apenas 1 milhão destas espécies foram nomeadas e descritas até agora nos últimos 240 anos de taxonomia Linnaean, a questão intrigante é: onde estão os outros 4 milhões de espécies que ainda não foram encontradas e nomeadas?”, questiona.

“Como são, qual a probabilidade de serem descobertos e descritos e se são mais vulneráveis à extinção? Os nossos estudos revelam que são mais pequenos, mais raros e mais difíceis de encontrar, para além de serem mais propensos à extinção”, explica.

Apenas 20% das cerca de 5 milhões de espécies de insetos existentes na Terra são descritas e, no entanto, os insetos estão pouco representados nas avaliações das áreas protegidas e o seu declínio é preocupante a nível mundial.

Para aumentar as taxas de descrição das espécies e evitar que a maioria das espécies se extinga antes de ser nomeada, os Professores Stork e Kitching apelam aos taxonomistas para que utilizem novos sistemas de caracteres fornecidos pelos métodos de ADN e pelos avanços no domínio da inteligência artificial em rápido desenvolvimento.

“Os componentes desconhecidos da biodiversidade dos insetos tropicais são provavelmente mais afetados pelas alterações ambientais induzidas pelo homem”, afirma o Professor Kitching.

“Se estes padrões se generalizarem, qual será a precisão das avaliações do declínio dos insetos nos trópicos?”, questiona.

Ler mais:

sábado, 1 de agosto de 2026

Vígundr - Draumspaki


A tradução do título Draumspaki vem do nórdico antigo, sendo a junção das palavras draumr (sonho) e spaki (sabedoria ou dom da profecia), resultando em termos como "Sabedoria dos Sonhos", "Adivinhação pelos Sonhos" ou "Aquele que interpreta sonhos". Na tradição nórdica antiga, os sonhos eram encarados como visões proféticas enviadas pelas Fylgjur (espíritos protetores) ou pelos próprios deuses para antecipar o destino imutável (Örlög). Como a música do Vígundr não possui uma letra convencional - utilizando apenas vocalizações atmosféricas, cânticos guturais, sussurros e instrumentos ancestrais -, o vídeo funciona como um poema audiovisual focado no estado de transe e na viagem astral. Ele retrata o limiar entre o sono e a vigília, evocando as antigas práticas de feitiçaria e xamanismo nórdico (Seiðr), onde o isolamento na natureza, o fogo e a fumaça servem de conduíte para desligar a mente do mundo físico e navegar pelo inconsciente.

Musicalmente, a obra transita pelo Pagan e Dark Ambient, com fortes traços de Neofolk e Dungeon Synth, priorizando drones contínuos, tambores xamânicos e texturas soturnas para criar uma atmosfera hipnótica e meditativa, muito alinhada a uma vertente mais abstrata do folk nórdico. Suas influências conceituais bebem diretamente da literatura das Sagas e da Poética Edda - em especial relatos como Baldrs Draumar, onde os sonhos prenunciam o inevitável -, mas também dialogam com a Psicologia Analítica de Carl Jung, tratando o sonho como a linguagem pura dos arquétipos e do inconsciente coletivo. Além disso, há um fundo do Romantismo Sombrio e do Existencialismo, expressos pelo fascínio pela solidão, pelo sublime da natureza selvagem e pelo confronto do indivíduo com o mistério e com a sua própria sombra.
Mary Anlezark vive e produz o seu trabalho a partir da Austrália.

Vale a pena rever e ouvir:
Viktor Orri Árnason - Hino da Terra

Trump Has Revolutionized Executive Power


As we move toward the end of the Trump era, we need to reckon with the changes his administration has wrought in the American system of government. The most significant is the enormous concentration of power, not just in the executive branch as a whole, but in the office of the president. Any successor administration, Republican or Democratic, will inherit these powers, and will have to decide how it wants to define the limits of executive authority in the future.

The U.S. Constitution limits presidential power in a number of ways. Article I says that laws and budgets are made by Congress, and Article II says the president’s chief duty is to see that the laws are “faithfully executed.” He can choose his own cabinet officers, but they must be confirmed by the Senate. The president has more discretionary authority with regard to foreign policy and national security, where he is designated commander-in-chief of the armed forces. Yet even in this sphere, the right to declare war and ratify treaties is given to Congress.

Donald Trump has tried to expand executive authority in any number of ways. From Day One of his second administration, he has issued a blizzard of executive orders that have in effect usurped Congress’s legislative powers. In some cases he has acted under obscure legal powers, many of which were later found by the courts to be inappropriate. In other cases he has simply acted illegally or unconstitutionally. Among the many examples are:
  1. Ending birthright citizenship;
  2. His failure to spend money appropriated by Congress;
  3. The closing of entire departments, such as the U.S. Agency for International Development, that had been established by Congress;
  4. Attempting to assert federal authority over election administration;
  5. Using emergency powers to impose tariffs in an arbitrary and discretionary manner;
  6. Firing federal employees protected by statute;
  7. Launching a major war without seeking authorization from Congress.
The lower courts have blocked many of these initiatives, and the Supreme Court has reversed both the birthright citizenship order and the tariffs imposed last year under the International Emergency Economic Powers Act (IEEPA).

However, the Supreme Court has not yet ruled on many of the other cases, and in one case clearly ruled in favor of the administration. That was Trump v. Slaughter, decided last month, which overturned an earlier Supreme Court decision called Humphrey’s Executor. That precedent, set in 1935, upheld the right of Congress to impose limits on the president’s power to change the composition of the boards of supposedly “independent” multi-member regulatory agencies like the Federal Communications Commission and the Federal Trade Commission.

The Slaughter decision may seem technical, and has received relatively little public attention. The one multi-member federal agency that the public (and more importantly the markets) care about is the Federal Reserve Board, where Trump had already tried to fire one member, Lisa Cook. The Supreme Court exempted the Fed from its general evisceration of Humphrey’s Executor, arguing somewhat speciously that the Fed has a different historical status from other agencies and therefore its board could remain protected from political interference.

The Slaughter decision, however, has huge implications for the way America will be governed in the future, and it is only the first shoe to drop in a long-term conservative effort to remake the federal executive. Humphrey’s Executor had been the long-term target of conservatives under a doctrine of the “unitary executive.” They argued on originalist grounds that the Constitution gave executive authority to the president alone, who, as a democratically legitimated official, could not be restricted by Congress in his control over the executive branch.

There is a certain logic to this position, one that has been supported not just by conservatives but by certain progressives as well. Most prominent in the latter camp was President Franklin D. Roosevelt, who in the 1930s sought to remove William Humphrey (who was accused of blocking FDR’s legislative agenda) as a commissioner of the Federal Trade Commission. Humphrey’s removal was overturned by a conservative Supreme Court.

To this one could add the following argument. No one questions the right of the president to appoint, with the Senate’s approval, Cabinet secretaries and other senior officials, or to unilaterally remove them. The president’s right to appoint or remove the heads of agencies led by a single individual, like the CDC or NASA, is not contested. So why should those with multi-member boards be treated differently?

The argument I would make against the theory of the unitary executive is not based on any originalist reading of the Constitution. It is rather based on a pragmatic observation. Today’s executive branch is so large, sprawling, and powerful that there needs to be a separation of powers within the executive, and not simply between the executive and the other two branches of government. The chief argument in favor of such a separation has to do with the preservation of the expertise that is necessary to run a modern state.

We see this most clearly in the case of the Federal Reserve, which in the Slaughter decision was somehow exempted from political control. Painful experience with inflation has taught the United States and other countries around the world that central banks must be made independent. The incentives of politicians are almost always short-term and aimed at their political self-interest. The independent structure of the Fed and its multi-member board protects it from politicization and enhances its ability to operate according to the judgment of the experienced professionals who run it-i.e. PhD economists and practitioners with deep experience with financial markets.

Quite apart from the illegality and unconstitutionality of many of the Trump administration’s actions, there is also its incompetence.

That incompetence has been on display since the beginning of the second term, when Trump appointed a series of individuals with no expertise in the agencies they were to run: Tulsi Gabbard as Director of National Intelligence, TV commentator Pete Hegseth as Defense Secretary, vaccine denier Robert F. Kennedy Jr. as Secretary of Health and Human Services, and podcaster Kash Patel as head of the FBI.

The consequences are clear: by sidelining regional experts throughout State, Defense, and the intelligence community, for example, there was no one to warn the president that launching a massive air assault on Iran might lead to the closing of the Strait of Hormuz.

The Justice Department likewise has been diverted from its role as impartial enforcer of the law to being an instrument for Donald Trump’s personal revenge campaign. By forcing out career prosecutors, the department found its cases susceptible to being overturned by the courts and indictments rejected by grand juries across the country.

Underlying the theory of the unitary executive is a flawed concept of hierarchical organization that is as incorrect as it is widespread. “Principal-agent theory” is commonly used by economists and other social scientists to understand the dysfunctions of hierarchies. All authority lies with the principal; agents are simply expected to carry out the wishes of the principal and problems arise only when the agents follow their own agenda.

As Nobel laureate Herbert Simon pointed out many years ago, this is not how real-world organizations work. Agents, including front-line workers at the bottom of hierarchies, often have more expertise and local knowledge than the principals who give them orders. As a result, authority in many organizations flows from the agents to the principal. This is a truth understood in well-functioning militaries, which give their junior officers substantial authority and advise senior commanders not to micro-manage.

So too in the U.S. government. The knowledge of how to deal with an airline accident, or a sudden disease outbreak, or indeed a financial crisis, will not lie with the democratically-elected politician at the top of the hierarchy, but rather with the experts who have the training and experience to act. A well-designed government needs to have mechanisms for protecting that expertise.

Multi-member commissions are a very imperfect means of doing this, but they do at least make it more difficult for an incompetent president to do his destructive work. There are other important protections for expertise as well, such as requirements for “for cause” removals, which protect officials from arbitrary firing. Such constraints have been a clear target of the Trump administration.

Another critical protection for expertise lies in Senate confirmation: in most administrations, the Senate will simply not confirm blatantly unqualified people for senior positions. One of the greatest failures of the current Congress is its unwillingness to exert this authority in so many prominent cases.

The Trump administration’s war on expertise has only just begun. Greater political control over senior officials in multi-member commissions will have limited day-to-day impact on most citizens. But believers in the unitary executive want to extend that control to the whole of the federal government, such that every government worker, down to your local postmaster, will be subject to removal by a political boss.

This assertion of executive authority was attempted at the end of the first Trump administration with an executive order creating a new “Schedule F” employment designation into which the whole of the civil service could be moved, and then fired or replaced at will. Schedule F was rescinded by the Biden administration, but has re-emerged in the second Trump term as “Schedule P/C.”

This is not a casual innovation off the top of Donald Trump’s head. The authors of the Heritage Foundation’s Project 2025 spent their four years out of office designing a policy that would allow them to radically reshape the entire federal bureaucracy, and to eliminate the checks and balances that Congress had inserted over the years to limit the president’s power. The overturning of Humphrey’s Executor is only part one of this plan; the administration’s war against the “deep state” also seeks to invalidate the 1883 Pendleton Act, which first created a merit-based civil service. This will return the United States to the 19th-century spoils (or patronage) system, whereby not just top policy-makers but all government officials were put in place by a politician in return for political loyalty.

The spoils system was known for its corruption at all levels of government, from Credit Mobilier to Tammany Hall. Today we have massive corruption at the top levels of government, beginning with Donald Trump and his friends and family. But the elimination of a professional civil service will open up vast new areas for corrupt behavior in every city and county in the United States. Project 2025 is unapologetic about this, arguing that the patronage system was unfairly criticized.

The next president - and there will be a next president- will have to confront the question of how much of the authority claimed by Donald Trump he or she will want to retain. This is a complicated question, because the status quo ante was very problematic. As I’ve argued in previous articles, the government really has become over-constrained in its ability to take action. A new president will face many obstacles to implementing their desired agenda, and will be strongly tempted to use the kind of executive power claimed by Donald Trump. The next president needs to come into office not just with new policies, but with clear plans for how to use the mechanisms of government to get them done.

The time to start thinking about these questions is now: we cannot put this off until January 20, 2029, when a new president will be facing immediate political pressures to act. The Republicans spent their four years out of power coming up with clever strategies to get their way, which they have been implementing in the second term. Those backing a post-Trump administration need to do the same.

I hope to be able to outline some of the ways that authority can be structured in future articles.

Abrandar ritmo e CEO de IA? Líder da OpenAI mudou opiniões

Numa recente participação num podcast, Sam Altman, o cofundador e CEO da OpenAI, mostra que - em menos de um ano - mudou de opinião em relação a dois assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento de Inteligência Artificial.

CEO da OpenAI, Sam Altman, marcou presença no mais recente episódio podcast Invest Like the Best e afirmou que estava na altura de abrandar o desenvolvimento de Inteligência Artificial. As declarações contrastam com aquela que tem sido a posição defendida até aqui pelo líder da empresa responsável pelo ChatGPT.

“Talvez tenhamos de abrandar o ritmo de desenvolvimento de Inteligência Artificial para termos tempo suficiente, enquanto sociedade, para nos adaptarmos a alguns destes novos níveis de capacidade”, afirmou Altman, notando que ainda não sabe ao certo como este abrandamento poderia ser atingido.

A posição é um pouco diferente daquela que Altman defendeu há poucos meses, nomeadamente durante a sua participação na conferência US Infrastructure Summit da BlackRock, que teve lugar em março deste ano.

Nesta conferência, Altman falou sobre o facto de a Inteligência Artificial não ser uma tecnologia muito popular nos EUA, afirmando que está a ser culpada por praticamente todos os problemas - incluindo os despedimentos que têm sido feitos nos últimos meses em empresas tecnológicas.

No entanto, o CEO da OpenAI considerou que era importante seguir em frente no que diz respeito ao desenvolvimento de Inteligência Artificial, apontando que um abrandamento do ritmo poderia significar que os EUA ficariam para trás no que diz respeito à inovação.

“Se não avançarmos tão rapidamente como outros países na adoção [e Inteligência Artificial], penso que perderemos a vantagem que temos por sermos a potência económica que somos”, notou Altman na conferência. “E isso depende da rapidez com que as empresas a adotam. Depende da rapidez com que os nossos cientistas a adotam, da rapidez com que o nosso governo a adota”.

O CEO da OpenAI declarou ainda que “esta é uma oportunidade única em muitas gerações para realmente melhorar a economia” e de “reescrever algumas das regras da sociedade que não estão a funcionar à luz desta nova e incrível fonte de riqueza”.

IA a liderar empresas? Sam Altman volta a contradizer-se
No mesmo episódio deste podcast, Altman voltou a mostrar que mudou de mudança de posição em outro assunto relacionado com Inteligência Artificial. O patrão da OpenAI afirmou em novembro que queria que a empresa fosse a primeira a ser liderada por uma Inteligência Artificial.

Mais ainda, conta o site The Next Web que Altman chegou a afirmar que seria uma vergonha se a OpenAI não fosse a primeira empresa a ter uma Inteligência Artificial como CEO.

“Seria uma vergonha para mim se a OpenAI não fosse a primeira grande empresa a ser liderada por um CEO de Inteligência Artificial”, afirmou Altman em conversa no podcast Conversations with Tyler, em novembro de 2025.

Agora, no podcast Invest Like the Best, Altman reconheceu que, afinal, ninguém quer ser liderado por uma Inteligência Artificial.

“Penso que, no meu caso, por exemplo, o mundo quer saber quem será responsável pelas decisões da empresa, quem será responsabilizado no caso de as decisões serem más e ninguém quer uma IA como CEO”, notou o líder da OpenAI.

Ler mais:
Dois modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI que escaparam autonomamente do ambiente controlado em que eram testados para atacar o site Hugging Face também se infiltraram noutras plataformas, revelou a empresa.

O cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, foi um dos mais recentes convidados do podcast “Relentless” e admitiu que ficou viciado no TikTok. O que começou com apenas 10 minutos de utilização antes de dormir, acabou por se transformar em várias horas de utilização contínua.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

The Durutti Column - Scammer


Por Vitor Belanciano
O novo álbum de The Durutti Column, “Renascent”, chega como um regresso que mais do que cronológico ė sensorial: uma reabertura da luz que sempre habitou a guitarra de Vini Reilly, minimalista, ambientalista, lírica, tão espontânea e singular, quanto clássica. Dezasseis anos depois, o timbre mantém a mesma fluidez íntima, aquela forma de avançar como quem pensa em voz baixa. Mas agora há uma lentidão nova, talvez nascida dos 
 anos de doença e do silêncio, que transforma cada nota numa espécie de respiração cuidada.
As colaborações (para além do omnipresente Bruce Mitchell na percussão há  o produtor e multi-instrumentista Keir Stewart, a pianista e cantora Caoilfhionn Rose ou Lucas Elliot) surgem como superfícies de acolhimento. Não interrompem a solidão luminosa da guitarra. antes, oferecem pequenas variações de temperatura, como se o disco respirasse em conjunto. São presenças que prolongam o gesto de Reilly, permitindo que a fragilidade se torne método e não limitação. É um disco que tanto evoca os tempos de definição de um estilo - os primeiros e maravilhosos álbuns dos anos 80 - como outros registos da fase em que diversificou a sua assinatura abrindo-se a muitos estímulos exteriores. 
Este regresso acontece num momento curioso: Reilly é hoje citado como influência por nomes muito distintos, de Brian Eno a Blood Orange, ou o mais improvável Harry Styles). Há algo de comovente nesta inversão temporal. O músico que sempre pareceu deslocado do seu próprio presente encontra agora diferentes geraçoes que o reconhecem como origem. O novo álbum não capitaliza essa atenção. Limita-se a existir com a mesma delicadeza de sempre, fiel ao gesto inicial.
O acontecimento está precisamente aí: na persistência de uma linguagem que nunca precisou de se reinventar para continuar a ser necessária. O disco avança como um murmúrio, uma memória que regressa não para repetir, mas para mostrar que ainda sabe iluminar.

As estratégias das plantas: o arsenal invisível de defesa

Saiba como as plantas são capazes de se defender de ataques de animais, da seca e da competição com outras plantas neste novo artigo da série botânica dedicada às extraordinárias estratégias das plantas, em Portugal e no mundo.

Ao longo de milhões de anos de evolução, as plantas desenvolveram estratégias únicas de defesa para enfrentar a seca, temperaturas extremas e solos pobres, além do ataque de herbívoros, microrganismos e até de outras plantas.

Desde espinhos afiados até venenos letais, passando por redes subterrâneas de comunicação e técnicas de engano, o arsenal invisível das plantas revela uma impressionante capacidade de adaptação ao ambiente. E o mais surpreendente? Muitas destas defesas são ativadas apenas quando necessário, garantindo uma resposta altamente eficiente e ajustada às circunstâncias.

Defesas físicas: a primeira linha de proteção
A defesa mais evidente das plantas encontra-se nas suas estruturas físicas, verdadeiros escudos naturais contra predadores e condições adversas. Estas adaptações ajudam a conservar água, a reduzir danos causados por herbívoros e a minimizar a entrada de microrganismos prejudiciais.

Por exemplo, plantas como a silva (Rubus ulmifolius), o pilriteiro (Crataegus monogyna), a roseira-brava (Rosa sempervirens), a salsaparrilha (Smilax aspera) e o abrunheiro-bravo (Prunus spinosa), têm espinhos ou acúleos que dificultam a predação e causam desconforto aos herbívoros.

Além disso, algumas plantas possuem tricomas – estruturas semelhantes a pêlos que cobrem folhas e os caules – com funções como a redução da perda de água, a criação de barreiras físicas para dificultar a movimentação de insetos.

As urtigas (Urtica dioica), por exemplo, libertam substâncias irritantes ao contacto, enquanto o alecrim (Salvia rosmarinus) e a esteva (Cistus ladanifer) têm tricomas glandulares que emitem compostos aromáticos capazes de afastar os insetos.

Para enfrentar a seca e a exposição solar intensa, muitas espécies protegem-se através de cutículas cerosas que cobrem as folhas, como acontece com a esteva (Cistus ladanifer), o medronheiro (Arbutus unedo), a azinheira (Quercus rotundifolia) e o sobreiro (Quercus suber), cujas folhas coriáceas com cutículas espessas reduzem a desidratação e dificultam a entrada de microrganismos prejudiciais, como os fungos e bactérias.

Certas plantas têm folhas modificadas que reforçam a sua defesa. As folhas em forma de agulha, como as do pinheiro-bravo (Pinus pinaster), do pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris) e do pinheiro-manso (Pinus pinea), ajudam a conservar água em ambientes secos. A forma reduzida e a cutícula espessa destas folhas minimizam a superfície exposta ao ambiente, diminuindo a perda de água por evaporação e transpiração.

Outras plantas possuem catafilos – folhas modificadas para proteger os gomos contra condições adversas. É o caso de árvores como a cerejeira-brava (Prunus avium), a aveleira (Corylus avellana) e o castanheiro (Castanea sativa), cujos catafilos envolvem os gomos, protegendo-os do frio e da desidratação. Em plantas bolbosas como a campainha-amarela (Narcissus bulbocodium) e a cebola-albarrã (Drimia maritima), os catafilos desempenham um papel semelhante, envolvendo os órgãos subterrâneos para reduzir a perda de água e assegurar a sobrevivência em períodos de seca.

Já as trepadeiras, como a ervilhaca-comum (Vicia sativa) e a salsaparrilha (Smilax aspera), têm gavinhas foliares que se enrolam em ramos, caules ou outras estruturas, garantindo estabilidade à planta enquanto ela cresce em direção à luz e reduzindo o risco de danos mecânicos causados pelo vento ou pelo seu próprio peso.

A gilbardeira (Ruscus aculeatus) apresenta cladódios, que são caules modificados semelhantes a folhas, que desempenham a função fotossintética. Rígidos e com um espinho terminal, contribuem para a proteção da planta. As verdadeiras folhas da gilbardeira estão reduzidas a pequenas escamas membranáceas localizadas nas axilas dos cladódios.

As cascas espessas de algumas árvores também protegem contra predadores e condições extremas, como incêndios e temperaturas elevadas. A cortiça do sobreiro (Quercus suber), por exemplo, atua como barreira térmica e protege os tecidos internos da planta contra o fogo.

Por fim, algumas plantas desenvolveram adaptações especializadas. As orvalhinhas (Drosera sp.) têm folhas modificadas em forma de armadilhas para capturar insetos, complementando as suas necessidades nutricionais em solos pobres.

Defesas químicas: um laboratório natural de toxinas
Quando as defesas físicas não são suficientes, as plantas recorrem a compostos químicos, verdadeiros “laboratórios naturais” que atuam como defesa direta ou indireta contra predadores. Algumas produzem substâncias tóxicas que podem ser fatais para herbívoros, enquanto outras libertam compostos que atraem aliados naturais para combater os seus inimigos. 

O teixo (Taxus baccata) sintetiza taxanos, substâncias altamente tóxicas para muitos animais e até para humanos. O trovisco (Daphne gnidium), por sua vez, contém diterpenos e cumarinas, compostos irritantes e tóxicos que desencorajam herbívoros. O azevinho (Ilex aquifolium) produz saponinas, compostos amargos que tornam as suas folhas e frutos tóxicos e de difícil digestão, afastando predadores. O sabugueiro (Sambucus nigra) também utiliza glicosídeos cianogénicos, que podem libertar cianeto, tornando as suas folhas e frutos verdes potencialmente tóxicos para herbívoros.

Algumas plantas ajustam a produção de substâncias químicas em resposta ao ataque. O carvalho-negral (Quercus pyrenaica), por exemplo, aumenta a concentração de taninos nas folhas quando estas são atacadas, tornando-as menos apetecíveis. Já a morganheira-das-praias (Euphorbia paralias) excreta um látex branco e leitoso, que é altamente irritante para a pele e mucosas.

Outras plantas utilizam estratégias químicas mais subtis. O aipo (Apium graveolens), por exemplo, emite feromonas que atraem predadores naturais dos seus inimigos. O tomilho (Thymus sp.) exala substâncias repelentes que podem afastar herbívoros. Da mesma forma, o rosmaninho (Lavandula stoechas) e o funcho (Foeniculum vulgare) produzem compostos aromáticos que atraem polinizadores, ao mesmo tempo que atuam como repelentes naturais contra insetos nocivos.

Curiosamente, muitas das substâncias que as plantas produzem para se defenderem têm também aplicações medicinais. Os taxanos do teixo, por exemplo, são usados no tratamento do cancro, os compostos do sabugueiro possuem propriedades antivirais e os taninos de várias espécies são valorizados pelas suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Assim, as estratégias de defesa das plantas acabam também por nos proteger.

Defesas comportamentais: enganando predadores
Algumas plantas adotam estratégias comportamentais para escapar de ataques. Embora não se movam de forma ativa como os animais, as plantas têm maneiras engenhosas de manipular os seus predadores.

Uma das estratégias mais fascinantes é o movimento. Algumas plantas, como a dormideira (Mimosa pudica), originária do continente americano, fecham as suas folhas ao menor toque, confundindo e afastando os herbívoros que tentam alimentar-se delas.

Outra estratégia é o disfarce. Muitas plantas imitam o ambiente ao seu redor, seja através da forma, da cor ou da textura, para passar despercebidas pelos herbívoros. A fritilária (Fritillaria lusitanica), por exemplo, possui flores pendentes com cores e padrões que se confundem com a vegetação rasteira e o solo calcário onde cresce, passando despercebida por herbívoros.

De forma semelhante, a serrátula-do-algarve (Klasea algarbiensis) possui folhas basais avermelhadas que se integram visualmente no solo rochoso e arenoso, dificultando a sua deteção.

A erva-abelhão (Ophrys tenthredinifera), por sua vez, utiliza o mimetismo para atrair polinizadores: as suas flores imitam insetos específicos, o que beneficia a reprodução da planta e também pode confundir herbívoros ocasionais, fazendo-os pensar que as flores são insetos perigosos ou pouco apetecíveis.

Além disso, outras plantas podem descartar algumas partes mais frágeis, como folhas ou caules, quando são atacadas, de forma a minimizar os danos e garantir a sobrevivência. Esta estratégia confunde o predador e dá à planta o tempo necessário para recuperar. Um exemplo são os fetos, como o feto-real (Osmunda regalis) e o feto-pente (Blechnum spicant) que libertam as frondes (folhas) quando danificadas. Este mecanismo protege o rizoma subterrâneo, permitindo que a planta volte a rebentar quando as condições forem favoráveis.

Também a esteva (Cistus ladanifer) pode perder as folhas para reduzir a perda de água e concentrar energia nas partes mais resistentes, como os caules lenhosos, em períodos de seca extrema ou face a um ataque de herbívoros.

Rede “Wi-Fi” das plantas: comunicação invisível
Embora não tenham um sistema nervoso como os animais, as plantas desenvolveram formas sofisticadas de comunicação que lhes permitem trocar informações sobre ameaças e condições ambientais por meio de sinais químicos voláteis ou redes subterrâneas de fungos micorrízicos.

Quando atacadas por herbívoros ou patógenos, plantas como o alecrim-da-serra (Thymus caespititius), a murta (Myrtus communis) e o rosmaninho (Lavandula stoechas) libertam compostos aromáticos que funcionam como um alarme, ativando os mecanismos de defesa das plantas vizinhas antes que o ataque se propague.

As plantas também “falam” umas com as outras através da “Wood Wide Web“, uma rede subterrânea complexa formada por fungos micorrízicos que estabelecem relações simbióticas com as raízes de diferentes plantas. Esta rede permite a troca de nutrientes, sinais químicos e alertas sobre ameaças.

Plantas como o castanheiro (Castanea sativa), o carvalho-português (Quercus faginea) e o freixo (Fraxinus angustifolia) estabelecem relações simbióticas com fungos micorrízicos, melhorando a absorção de nutrientes e aumentando a resiliência a condições adversas.

Além disso, algumas plantas, quando bem estabelecidas – como o sobreiro (Quercus suber) e o carvalho-alvarinho (Quercus robur) – podem transferir nutrientes para plantas mais jovens ou debilitadas, contribuindo para a regeneração do ecossistema.

Longe de serem organismos passivos, as plantas desenvolveram um repertório incrível de estratégias para se defender. Algumas usam barreiras físicas, outras apostam na química e, em certos casos, recorrem à comunicação e ao engano para garantir sua sobrevivência.

No entanto, algumas espécies também combinam múltiplas estratégias de defesa, utilizando simultaneamente barreiras físicas e químicas ou aliando defesas comportamentais à comunicação, revelando a versatilidade e a complexidade das suas adaptações.

Esse arsenal invisível não só as protege, mas também influencia diretamente a dinâmica dos ecossistemas.

Da próxima vez que vir uma planta aparentemente indefesa, lembre-se: ela pode ter mais truques do que imagina.

Se quiser aprender mais sobre plantas e a sua importância nos jardins e no ambiente, recomendo explorar alguns dos artigos da série “Abra espaço para a natureza”. No texto Como criar um jardim para borboletas?descubra espécies específicas que ajudam a atrair e a sustentar estes polinizadores essenciais. Já no artigo Como criar um jardim para a vida selvagem? encontra algumas práticas que incentivam a presença de fauna diversa no jardim. E se a curiosidade for por plantas carnívoras, o texto Como ter um jardim num apartamento: plantas carnívoras oferece uma abordagem prática para cultivar estas espécies mesmo em espaços reduzidos. Estas leituras complementares mostram como pequenas escolhas no planeamento de jardins podem ter impactos significativos na biodiversidade e na qualidade de vida, promovendo uma relação mais harmoniosa entre o ser humano e a natureza.

Oceano reivindica lugar entre os Domínios Estratégicos da AI²


Numa posição conjunta, MARE, CESAM, CIIMAR, CCMAR e OKEANOS pedem que o Oceano entre na lista de Domínios Estratégicos que a AI² está a definir para orientar o financiamento da ciência portuguesa na próxima década.

 Os cinco maiores centros de investigação da área do mar em Portugal, o MARE, o CESAM, o CIIMAR, o CCMAR e o OKEANOS, assinaram, em conjunto, um manifesto a pedir à Agência para a Investigação e Inovação (AI²) que reconheça o Oceano como um dos Domínios Estratégicos nacionais. O documento, apresentado no Encontro Ciência 2026, reúne os cinco diretores numa única posição e chega numa altura em que a agência está a decidir quais as áreas que vão concentrar o investimento público em investigação e inovação nos próximos anos.

Os diretores destas unidades de investigação argumentam que poucas áreas cruzam tantas dimensões em simultâneo como o mar, da soberania à segurança, do clima à diplomacia, e lembram que Portugal gere uma Zona Económica Exclusiva de 1,7 milhões de quilómetros quadrados, com uma proposta de extensão da plataforma continental que ultrapassa os 4 milhões de quilómetros quadrados, uma área maior do que o território terrestre de toda a União Europeia. Cerca de 97% do território nacional é mar.

Juntos, os cinco centros representam mais de 900 investigadores doutorados integrados, mais de 10 500 publicações científicas em cinco anos e mais de 700 projetos financiados, num total de cerca de 206 milhões de euros de financiamento competitivo, participando nas principais infraestruturas científicas europeias e reforçando a importância da investigação nesta área em Portugal.

O pedido não surge isolado. Em março, no âmbito do Fórum de Investigação no Oceano, os mesmos cinco centros já tinham assinado a Declaração de Aveiro sobre a Ciência do Mar Português 2026-2035, um diagnóstico conjunto que apontava a precariedade nas carreiras, a falta e difícil acesso a navios e outros equipamentos e infraestruturas de investigação, dados dispersos entre instituições, lacunas na monitorização de longo prazo e uma interface ciência‑política débil, como as principais fragilidades estruturais críticas nesta área de investigação.

O reconhecimento como Domínio Estratégico traduzir-se-ia num investimento sustentado e próprio para acesso a navios de investigação nacionais, ROVs ou AUVs, hoje dependente de financiamento associado a projetos, na estabilização de carreiras científicas, técnicas e de apoio à I&D em ciências do mar, com a meta de 50% dos investigadores com mais de cinco anos de pós-doutoramento a terem contrato permanente ou de longo prazo até 2035, e num programa nacional de monitorização do oceano, do litoral ao mar profundo, hoje inexistente de forma integrada.

Outras áreas relevantes a suportar passariam pela criação de um ecossistema nacional de dados marinhos interoperável, ligado ao gémeo digital europeu do oceano (EDITO) e a sistemas de alerta precoce baseados em inteligência artificial, e pela criação de mecanismos formais de interface entre ciência, políticas públicas e indústria, incluindo uma rede de laboratórios vivos (Living Labs) e plataformas digitais de apoio à decisão.

“Portugal não é apenas um país com mar. É um país definido pelo mar”, lê-se no manifesto assinado pelos cinco diretores, que acrescenta: “Portugal pode voltar a ser uma potência marítima por via do conhecimento”.

Para os cinco centros, o estatuto de Domínio Estratégico serviria para tirar o investimento em ciência do mar da lógica de financiamento a curto prazo, projeto a projeto, dando-lhe continuidade e escala nacional, com dados, tecnologia digital e inteligência artificial aplicada ao oceano. O pedido chega também numa altura em que a União Europeia discute uma Lei Europeia dos Oceanos e investe em gémeos digitais do oceano, uma “oportunidade única”, dizem, “para Portugal liderar e não apenas acompanhar” o processo.

“Investir no Oceano não é investir apenas numa área científica. É investir na soberania, na competitividade, na segurança, na sustentabilidade e no futuro de Portugal”, conclui o manifesto.

Os cinco centros
  • MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) reúne a Universidade de Évora, a FCUL, a FCT-NOVA, a Universidade de Coimbra, a Universidade da Madeira, o IPLeiria, o IPSetúbal, o ISPA e o ARDITI, sob direção de Pedro R. Almeida.
  • CESAM (Centro de Estudos do Ambiente e do Mar), sediado na Universidade de Aveiro, é dirigido por Amadeu Soares.
  • CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental), sediado na Universidade do Porto, é dirigido por Vitor Vasconcelos.
  • CCMAR (Centro de Ciências do Mar), sediado na Universidade do Algarve, é dirigido por Adelino Canário.
  • OKEANOS (Instituto de Investigação em Ciências do Mar), sediado na Universidade dos Açores, é dirigido por Gui Menezes.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Over the Ocean - God In My Own Image

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Over the Ocean: história, estilo e o significado de God In My Own Image
Os Over the Ocean foram uma banda norte-americana originária de Norfolk e Virginia Beach, no estado da Virgínia. Neste momento, o grupo já não se encontra no activo; após o lançamento do seu aclamado segundo álbum, Be Given to the Soil (2013, pela Spartan Records), e de uma breve contribuição para uma compilação em 2014, a banda entrou num hiato prolongado que culminou no fim do projecto.

O seu estilo musical enquadra-se no post-rock atmosférico, indie rock e shoegaze, caracterizando-se por uma forte dinâmica de contrastes entre momentos subtis de grande silêncio e explosões sonoras crescentes (quiet/loud). O som do grupo combina guitarras expansivas repletas de reverb e delay, atmosferas ambientais e, em certas faixas mais intensas, incursões viscerais pelo post-hardcore e screamo.

A canção "God In My Own Image" representa um dos momentos mais densos e catárticos de Be Given to the Soil. O seu significado central reside na crise de fé e na desconstrução da projecção espiritual. A letra e o tom dilacerante da interpretação confrontam a tendência humana de criar um "deus" moldado à medida do próprio ego, dos desejos e dos preconceitos individuais - reduzindo o divino a um mero espelho das imperfeições do próprio indivíduo, em vez de aceitar o mistério e a transcendência da realidade.

Em termos de influências filosóficas e literárias, a temática da canção e do álbum em que se insere bebem do existencialismo cristão e da filosofia da dúvida. Na filosofia, ecoa o pensamento de Soren Kierkegaard (a angústia e a necessidade do salto de fé), a perspectiva de Friedrich Nietzsche sobre o olhar para o abismo e a desconstrução dos ídolos, e o tom de inquietação moral do livro bíblico de Eclesiastes ou das provações de Jó. Na literatura, a escrita do vocalista Jesse Hill e o tom narrativo do trabalho aproximam-se do realismo espiritual e sombrio de autores como Fiódor Dostoievski, Flannery O'Connor e Frederick Buechner - obras onde a dor, a culpa, a busca pela verdade e a graça emergem precisamente através do confronto com a escuridão humana.

Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas: primeira celebração em Portugal acontece no Algarve no dia 1 de agosto


No próximo sábado, dia 1 de agosto, assinala-se mais um Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas, e Portugal junta-se à celebração pela primeira vez.

Criada em 2021 por organizações da África do Sul, desde então transformou-se num movimento global, apoiado pela Década do Oceano das Nações Unidas. O grande objetivo é sensibilizar para a importância das áreas marinhas protegidas na conservação dos oceanos, no desenvolvimento sustentável e no bem-estar das comunidades humanas.

Em Portugal, as celebrações serão realizadas de forma descentralizada em Albufeira, Lagoa e Silves, os três municípios abrangidos pelo Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a primeira área marinha protegida a ser criada em Portugal no século XXI e também a primeira de interesse comunitário. Abrangendo cerca de 156 quilómetros quadrados, protege um dos mais importantes recifes rochosos costeiros do Algarve, reconhecido pela sua elevada biodiversidade e pela relevância ecológica, social e económica que representa para a região.

O Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado foi criado em 2024

A organização regional fica a cargo da AIMM – Associação para a Investigação do Meio Marinho, com o apoio da Fundação Oceano Azul. Entre os parceiros contam-se também o CCMAR – Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, os municípios de Albufeira, Lagoa e Silves e a Marina de Albufeira. Em comunicado, a AIMM diz que a iniciativa conta ainda com a adesão de várias empresas marítimo-turísticas da região.

“A celebração assume especial relevância a nível nacional e internacional por assinalar a primeira participação de Portugal nesta iniciativa internacional dedicada à valorização e divulgação das áreas marinhas protegidas”, diz a organização coordenadora.

Ao longo do dia 1 de agosto, serão promovidas várias ações destinadas a divulgar o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a sua biodiversidade e a importância da sua conservação.

Em Albufeira, a AIMM, juntamente com outros parceiros, estará presente na inauguração da exposição “Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado”, marcada para as 11h00, no Espaço Expositivo P5, na baixa de Albufeira. A inauguração contará com uma breve apresentação da AIMM sobre o Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas e a importância desta área.

Das 1294 espécies de fauna e flora reportadas na costa algarvia, 889 foram identificadas na Pedra do Valado. 703 são invertebrados, 75 são espécies de algas, e 111 são peixes, incluindo espécies com estatuto de conservação, como os cavalos-marinhos e os meros. 

Em Silves, a AIMM, em colaboração com o CCMAR e a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, irá promover, na Praia dos Pescadores, em Armação de Pêra, um peddy-paper com jogos e dinâmicas relacionados com o Parque. Está também prevista uma demonstração, por parte dos pescadores locais, das artes de pesca tradicionalmente utilizadas na região. As atividades decorrerão entre as 9h30 e as 11h00.

Por fim, em Lagoa, a AIMM estará presente na Praia de Benagil, onde investigadores da organização irão colaborar, ao longo do dia, nos briefings dirigidos aos visitantes das grutas de Benagil que realizem a visita de caiaque.

Sistema da cunha num Estado que falha a cidadãos: Nobel arrasa Portugal


Estudo que vai ser apresentado esta quinta-feira tece várias críticas a Portugal: um Estado que falha com os cidadãos e que vive com um sistema da "cunha". É da autoria do Prémio Nobel da Economia de 2024, James A. Robinson, e do economista português Nuno Palma.

Um estudo do Prémio Nobel da Economia de 2024, James A. Robinson, e do economista português Nuno Palma, que vai ser apresentado esta quinta-feira, tece várias críticas a Portugal: um Estado que falha com os cidadãos e que vive com um sistema da "cunha".

"O cidadão que quer um lugar no setor público concorre: entrega um currículo, faz provas, é avaliado. Mas o presidente do regulador da energia - a pessoa que decide as tarifas que paga - é nomeado por escolha política, sem concurso aberto, sem júri independente, sem critérios transparentes. Há uma palavra para este sistema, e todos a conhecem: cunha - a ligação de dentro, o telefonema da pessoa certa, o favor do padrinho, associado ao nepotismo e ao compadrio", refere Robinson, no estudo, citado pelo Jornal de Notícias, que teve acesso prévio ao documento.

Aliás, o mesmo jornal descreve mesmo que o cenário traçado pelo Nobel sobre a economia portuguesa é "devastador", considerando que o país vive uma "catástrofe silenciosa", décadas de degradação institucional que impedem o país de convergir com os países mais ricos da Europa.

De uma maneira geral, os autores do estudo consideram que Portugal está preso num sistema de compadrio, com justiça lenta, reguladores capturados e um Estado que falha aos cidadãos.

A mensagem positiva é que Portugal não precisa necessariamente de um Estado mais pequeno, mas sim de um Estado que cumpra o que promete: "Essa única coisa é um Estado que cumpre a palavra dada: Portugal a horas. Perseguida obsessivamente, essa política arrasta o resto atrás de si: uma justiça rápida e previsível, concorrência real, um Estado meritocrático e capaz, uma fiscalidade favorável ao investimento, capital humano aplicado e habitação a preços comportáveis", revela ainda o JN, citando o estudo.

Acordos coletivos só deviam ser para sindicalizados
O mesmo estudo revela que os acordos coletivos só se deviam aplicar a quem estiver representado pelos parceiros sociais, defendendo que a medida fomentaria a representatividade destas entidades, segundo a agência Lusa.

O estudo "Desbloquear o crescimento de Portugal - Reformas estruturais e desafios à implementação de políticas económicas", encomendado pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal e pelo IDL - Instituto Amaro da Costa, é hoje apresentado no Museu do Oriente, em Lisboa.

"Em Portugal, sindicatos que não são representativos participam regularmente em decisões de negociação coletiva que afetam todos os trabalhadores", aponta o estudo, que defende que o Governo deve "envidar esforços para fomentar a representatividade dos sindicatos e das associações patronais".

Nesse sentido, os autores sugerem que o executivo deveria "promover a descentralização dos acordos de negociação coletiva, para aumentar o alinhamento entre os trabalhadores e os seus representantes, e entre as empresas e os seus representantes".

Como tal, para James A. Robinson e Nuno Palma, "um passo importante" para atingir estes objetivos seria "tornar a extensão administrativa dos acordos coletivos a trabalhadores não sindicalizados condicional à representatividade dos parceiros sociais".

Por outras palavras os autores sugerem ao Governo que anuncie que "no futuro, os acordos coletivos apenas se aplicarão a quem estiver diretamente representado pelos parceiros sociais".

Por outro lado, defendem que se passe a produzir "estatísticas regulares sobre o número de trabalhadores filiados em cada sindicato e de empresas filiadas em cada associação patronal", bem como que se torne "o acesso aos fundos europeus - nomeadamente os do FSE+ relacionados com formação profissional e apoio social às empresas - condicional ao grau da sua representatividade".

Superinteligência Artificial chega em breve e deve ser acessível a todos, afirma Mark Zuckerberg



O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, colocou a busca pela superinteligência artificial como o grande objetivo atual da empresa. Num artigo escrito para o The Wall Street Journal e publicado nesta terça-feira (28), o executivo reforçou a aposta e explicou ainda como a humanidade deve lidar com esta tecnologia.

Também conhecido pela sigla ASI (Artificial Superintelligence) em inglês, este é o sistema previsto para ser capaz de superar por uma grande margem a inteligência e a capacidade cognitiva de qualquer ser humano - isto em todas as áreas possíveis, incluindo raciocínio, criatividade e resolução de problemas.

O texto reflete as apostas corporativas da empresa dona do Instagram, WhatsApp e Facebook, além de líder em óculos inteligentes. Desde o ano passado, a empresa separou a divisão de inteligência artificial (IA) em diferentes frentes e estabeleceu o laboratório Meta Superintelligence Labs (MSL) como prioridade.

A seguir, destacamos os principais tópicos do artigo de Zuckerberg. O texto traz uma perspetiva otimista, mas que também aponta quais são os possíveis riscos deste futuro.

1. Ela está mesmo a chegar (e será incrível)
Logo no início do texto, o CEO refere que somos privilegiados como sociedade por "viver num momento incrível da história". Segundo ele, a dita superinteligência chegará dentro de alguns anos, embora não tenha sido indicado um prazo mais específico.

"As pessoas poderão utilizar uma superinteligência que supera a capacidade humana para criar e descobrir coisas novas e extraordinárias, construir novos negócios, expressar ideias, aprender novos conceitos e melhorar as suas vidas, saúde, relacionamentos e carreiras", diz Zuckerberg.

2. A superinteligência deve ser acessível
O principal tópico do texto envolve a distribuição da tecnologia. Para o CEO, de nada serve ter tantos recursos criados se eles não puderem ser utilizados pelo maior número possível de pessoas.

"Alguns argumentam que a própria superinteligência, ou um pequeno grupo de especialistas que a controla, deveria decidir o que é melhor para a humanidade. Eu discordo. Ela tem o potencial de iniciar uma nova era de capacitação pessoal, na qual os indivíduos têm maior liberdade para perseguir os seus interesses e alcançar o seu pleno potencial", explica.

Como exemplo, ele comentou como seria injusto se apenas uma pessoa no mundo tivesse um advogado "superinteligente", enquanto o cenário em que todos tivessem esse recurso resultaria numa justiça feita de forma muito mais eficiente.

3. Ele não entende as críticas contra a IA
Zuckerberg também se disse surpreendido ao notar que o discurso de muitas pessoas envolvidas com IA é "carregado de pessimismo apocalíptico". Ele discorda de quem acha que a IA vai eliminar a maioria dos empregos e que grande parte da relevância da humanidade seria prejudicada nesse cenário.

Zuckerberg refere também que isso pode criar um precedente delicado em termos de regulação. "A ideia de que a IA é tão perigosa ao ponto de o único caminho seguro ser uma concentração extrema de poder parece, ela própria, perigosa", escreve.

4. Existem riscos de segurança
Do ponto de vista da proteção contra riscos e utilizações mal-intencionadas, o executivo defende que não há uma fórmula única sobre como lidar com a superinteligência em todos os casos.

Em áreas como a cibersegurança, ele acredita que o software de código aberto "demonstrou que conceder a todos acesso total a sistemas poderosos é a melhor forma de garantir a segurança ao longo do tempo" - um passo que a Meta seguiu ao lançar os sistemas Llama mais abertos e ao associar-se à recente aliança no setor de IA.

Contudo, ele também acredita na necessidade de intervenção do Estado em determinados momentos. "No que diz respeito a outros riscos, incluindo os de natureza biológica, será benéfico haver uma maior coordenação entre governos e outras instituições quanto à implementação responsável de modelos de alta capacidade", explica.

5. Os trabalhos vão mudar (e aumentar)
Por fim, Zuckerberg acredita que a superinteligência deve ser usada para ajudar a inventar, e não para automatizar tarefas. Ele afirma que a humanidade sempre progrediu mais quando existiu "poder nas mãos das pessoas para que elas possam perseguir as suas próprias aspirações".

"À medida que todos obtêm ferramentas mais poderosas, cada pessoa tornará mais capaz de moldar o futuro, e não menos", defende o executivo. Exemplos citados por ele vão desde a descoberta de medicamentos até formas de melhorar um negócio.

"Será significativamente mais fácil começar negócios sem angariar grandes quantias de capital. Eu espero que a economia se torne mais empreendedora, com um número maior de pessoas a trabalhar em pequenas empresas em vez de grandes companhias", prevê.

Ler mais:

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Zoè Zanias - Dawn

Melhor som aqui 
Letra
[refrão]
Strange how they say
It’s always been this way
When the only constant thing is change
Strange how they say
It’s up to us to clean the mess they made
I’d like to make the mess their grave

Too easy to forget there’s more of us than them
Thread the power through the pain (the pain)
Anger turns to iron on the flame
And we can dare, we can dare to dream

[refrão]
How many worlds are left, do we have any left to play?
You shield your eyes til there’s nothing (nothing, nothing) left to save
Thread the power through the pain
(Anger turns to iron) anger turns to iron on the flame
Anger turns to iron on the flame

[refrão]
Thread the power through the pain
Anger turns to iron on the flame
We can dare to dream

O tema inovador de Zanias : Darkwave "Científico e Biológico".
Em vez de cantar sobre amor, morte abstrata ou escuridão, as letras focam em neurobiologia, física quântica, evolução, apego psicológico e células.
Zanias é o projeto a solo de Alison Lewis, uma artista de nacionalidade australiana (nascida em Melbourne e criada no Sudeste Asiático) radicada há vários anos no centro da cena eletrónica underground de Berlim. Musicalmente, a canção "Dawn" enquadra-se no darkwave contemporâneo, cruzando a pulsação ritmada e visceral da EBM (Electronic Body Music) com sintetizadores etéreos, texturas industriais e uma estrutura melódica próxima do synth-pop cinematográfico.  Inserida no álbum Cataclysm, a canção "Dawn" surge como o ponto de viragem emocional e espiritual de todo o disco. Após faixas que retratam a dor e o luto, "Dawn" (que significa "alvorada" ou "despertar") assume o significado de uma declaração de resiliência e propósito. O tema apela à conversão do trauma em força transformadora, assentando no mantra "thread the power through the pain" ("tece o poder através da dor") e lembrando a necessidade de ação política e solidariedade coletiva contra a resignação perante as crises do mundo contemporâneo.  
O videoclipe de "Dawn" foi concetualizado e dirigido pela própria Zanias (Alison Lewis) em colaboração com a sua equipa criativa. Esteticamente carregado de uma atmosfera desértica e intemporal, o significado do vídeo gira em torno do arquétipo da travessia no deserto. A aridez da paisagem simboliza o isolamento, o colapso ambiental e a devastação espiritual; no entanto, a presença da artista como uma figura guerreira e cerimonial transforma essa vastidão estéril num espaço de ritual, purificação e renascimento.  
As influências literárias e filosóficas da obra estão profundamente ligadas à formação académica de Alison Lewis em Antropologia e Arqueologia. Notam-se referências à ecologia política e ao ecofeminismo (próximo do pensamento de autoras como Donna Haraway), ao lado de preocupações existencialistas sobre a vulnerabilidade e a finitude humana. No plano literário e mítico, a obra inspira-se no imaginário da ficção científica e da fantasia epopeica - como a obra Dune de Frank Herbert -, combinada com os arquétipos de transformação e sombra da psicologia analítica de Carl Jung, onde a descida ao abismo é condição necessária para a emergência de uma nova luz.