quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Relatório aponta aumento da mortalidade pelo calor extremo na Galiza e norte de Portugal


Cidades da região espanhola da Galiza e do norte de Portugal têm registado um excesso de mortalidade, em alguns casos até 60%, como consequência do calor extremo, segundo um relatório do Eixo Atlântico divulgado na quarta-feira.

Esta investigação, apresentada pela organização em Pontevedra, revela que cidades como o Porto, Viana do Castelo, Ourense, Braga, Guimarães e Lugo registaram entre 50% e 60% de excesso de mortalidade durante períodos de altas temperaturas.

O estudo, liderado por Francesc Cárdenas, diretor da Agência de Ecologia Urbana do Eixo Atlântico, propõe que se preste “especial atenção” à conceção dos espaços públicos e à integração da saúde em todos os processos de planeamento urbano e territorial.

Cárdenas indicou que é necessário promover uma “cultura do calor”, que inclua a adaptação das cidades, a criação de refúgios climáticos e a elaboração de planos de ação para as ondas de calor, de forma a proteger os cidadãos.

Argumentou ainda que “padrões mais rigorosos” para a qualidade do ar e o controlo do ruído devem ser implementados para melhorar a saúde ambiental e humana nas cidades.

“Precisamos de uma mudança cultural”, enfatizou o diretor do relatório, que indicou que 80% dos fatores que influenciam a saúde humana dependem do planeamento urbano.

O documento salienta que o limite crítico de 1,5 graus Celsius de aquecimento global já foi ultrapassado em 2024, o que exige ações com “microcirurgia urbana”.

Neste sentido, o relatório inclui também boas práticas como os corredores ecológicos de A Coruña, as rotas escolares seguras e as zonas de baixas emissões de Pontevedra, a via verde de Vigo e as rotas termais de Ourense.

Vázquez Mao insistiu que as câmaras municipais devem decidir “como e onde construir” para garantir que as novas áreas residenciais não se tornam blocos habitacionais sem vida e insalubres.

Olga Sacharoff

                        "Mulher apoiada na mesa" (1915)

Olga Sacharoff (1889–1967) foi uma figura singular na cena artística do século XX, servindo como uma ponte cultural entre a vanguarda russa e o espírito boémio de Paris e Barcelona.

Biografia Resumida
Nascida em Tbilisi (Geórgia), então parte do Império Russo, Olga estudou Belas-Artes em Tbilisi antes de se mudar para Munique em 1910, onde absorveu o expressionismo alemão. Em 1911, fixou-se em Paris, tornando-se parte ativa da "Escola de Paris" em Montparnasse.
Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, refugiou-se em Barcelona com o marido, o pintor Otho Lloyd. Embora tenha retornado a Paris nos anos 20, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial levaram-na a estabelecer-se definitivamente na Catalunha, onde se tornou uma figura central nos círculos intelectuais até à sua morte.

Estilos e Evolução
A obra de Sacharoff é marcada por uma transição fluída entre correntes, mantendo sempre uma identidade muito pessoal:
  1. Cubismo e Futurismo (Fase Inicial): Nos seus primeiros anos em Paris, experimentou a fragmentação geométrica, mas de uma forma mais suave e decorativa do que os seus contemporâneos.
  2. Realismo Mágico e Naïf: É frequentemente associada a um estilo "ingénuo" (naïf) sofisticado, com influências do mestre Henri Rousseau, mas com uma execução técnica muito mais refinada.
  3. Noucentisme: Em Espanha, a sua obra integrou-se no movimento catalão que privilegiava a ordem, a clareza e um retorno ao classicismo mediterrânico, mas sempre com um toque de fantasia.
Temas Centrais
O universo de Sacharoff é íntimo, poético e, por vezes, ligeiramente irónico:
  1. O Mundo Feminino: Retratos de mulheres, cenas domésticas e de lazer.
  2. Natureza e Animais: Pássaros, cavalos e cães são presenças constantes, muitas vezes coexistindo com figuras humanas em cenários idílicos.
  3. Naturezas-Mortas e Flores: Composições vibrantes que revelam o seu domínio da cor.
  4. Retratos de Grupo: Ficou famosa pelas suas cenas de "garden parties" e reuniões sociais, que capturavam a atmosfera da alta burguesia e da boémia intelectual.
Técnica e Estética
A técnica de Olga Sacharoff destaca-se pela delicadeza e pela atenção ao detalhe:
  1. Paleta de Cores: Evoluiu de tons frios e cinzentos (fase cubista) para uma explosão de cores pastéis, verdes suaves e rosas vibrantes na maturidade.
  2. Traço: Linhas finas e precisas que definem contornos claros, conferindo às suas figuras uma aparência quase de porcelana.
  3. Textura: Utilizava frequentemente o óleo e a aquarela, conseguindo transparências que davam leveza e uma aura onírica às suas telas.
Curiosidade: Olga era conhecida como a "pintora dos gatos", devido à sua enorme afeição por estes animais, que frequentemente apareciam como protagonistas ou observadores silenciosos nas suas pinturas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência


Neste Dia recordamos que a ciência não é apenas uma busca de conhecimento; é uma força poderosa para moldar um futuro melhor. Acredito que a ciência deve promover, com audácia, a descoberta fundamental, impulsionar a inovação transformadora e converter o conhecimento em soluções que reforcem o bem-estar humano, ao mesmo tempo que protegem o nosso planeta.

Para cumprir esta missão, a ciência deve incorporar os mais elevados padrões de integridade, responsabilidade pública e responsabilidade social. A confiança, a transparência e o rigor ético são essenciais para que o progresso científico sirva verdadeiramente a sociedade. Quando conduzida de forma responsável e inclusiva, a ciência torna-se um esforço partilhado, beneficiando todos.

A ciência deve também desempenhar um papel mais determinante na melhoria da vida das pessoas e das comunidades em todo o mundo. Da saúde e educação à resiliência climática e ao desenvolvimento sustentável, o seu impacto deve ser equitativo, global e orientado para o futuro.

Alcançar esta visão exige uma mudança profunda, afastando-nos de modelos assentes no consumo e avançando para sistemas mais sustentáveis e regenerativos. Tal transformação só será possível através de um envolvimento significativo entre a ciência e a sociedade, e garantindo que mulheres e raparigas estejam plenamente capacitadas para participar, liderar e inovar.

Quando vozes diversas estão representadas na ciência, a descoberta torna-se mais rica, as soluções tornam-se mais robustas e o futuro torna-se mais justo. Apoiar mulheres e raparigas na ciência não é apenas uma questão de igualdade: é essencial para construir o mundo sustentável e inclusivo que aspiramos criar.

Relatório:
She figures 2024
The International Day of Women and Girls in Science Official Website

Adrian Borland - We are the night


We were born in the barren day
Grew in the city like wild flowers
Between the concrete and through the clay
We saw a love and made it ours

You take me to my dreams
We leave the world behind
It's never understood
How we are the night

We're the life they'll never choose
We're the road they must refuse
We're the colours they'll never see

We're the moon and the stars
The moon and the stars
We are the night


"We Are the Night" é a 10ª faixa do quarto álbum solo de Adrian Borland, intitulado Cinematic (1996).

O Significado da Canção: Identidade e Refúgio
O título e a letra sugerem uma celebração (ou um lamento) sobre aqueles que não se encaixam na luz do dia, nas regras sociais ou na "normalidade" produtiva.

1. Solidariedade na Solidão
Quando Borland canta "Nós somos a noite", ele está criando uma conexão com os marginalizados, os sonhadores e os melancólicos. É uma declaração de pertencimento para quem se sente deslocado sob o sol. A noite não é vista como algo assustador, mas como um manto protetor.

2. A Luta Interna
É impossível separar a obra de Adrian Borland de sua saúde mental. Ele sofria de transtorno esquizoafetivo, e muitas de suas letras refletem a oscilação entre a clareza e a escuridão. "We Are the Night" pode ser interpretada como a aceitação de que a sombra faz parte da sua identidade.

3. Fuga da Realidade
A letra evoca a ideia de que a noite apaga as distinções e as pressões do mundo real. No escuro, as falhas são menos visíveis e a imaginação tem mais espaço para respirar. É um hino ao romantismo sombrio.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

The Jesus and Mary Chain - Here Comes Alice


Here she comes walking down the street
She's got something you would love to meet
It's her heart and her heart is black
Think of ice cream sliding into a crack

The heat sticks to summer's heavy sweat
Hang around it'll get hotter yet
You got the shakes and it's gonne get worse
Don't you know it's all a part of the curse

She's got the hit that takes you into space
Suck mud and make a deal for that taste
You got nothing but you're riding on a star
You couldn't guess that she could take you that far

Some things are so hard to say
Even though you'd say them every day
Don't let your life be the butt of a joke
Get your lips round a cool black Pepsi Coke

Here she come

"Here Comes Alice", foi lançada no álbum Automatic (1989). Melhor som aqui

Em "Here Comes Alice", do The Jesus And Mary Chain, Alice surge como uma figura envolvente e ameaçadora. Logo no início, a descrição "her heart is black" (seu coração é negro) indica não só mistério, mas também uma natureza destrutiva. As imagens presentes na letra, como "Think of ice cream sliding into a crack" (pense em sorvete escorrendo por uma fenda) e "The heat sticks to summer's heavy sweat" (o calor gruda no suor pesado do verão), criam um clima sensual e sufocante, sugerindo um desejo intenso que pode ser tanto emocional quanto físico. Muitos interpretam essas metáforas como alusões ao uso de drogas, especialmente quando a música diz "She's got the hit that takes you into space" (ela tem a dose que te leva para o espaço) e "make a deal for that taste" (faça um acordo por esse gosto), reforçando a ideia de Alice como símbolo de uma tentação viciante, seja uma pessoa, experiência ou substância.

A "Femme Fatale": Alice é retratada como uma figura magnética, mas perigosa. Ela "anda como se estivesse em um filme" e "vende o que você não pode comprar". Ela personifica aquela pessoa que domina o ambiente pela sua aura de mistério e autodestruição.

Fuga e Entorpecimento: A repetição de "Here she comes" (Lá vem ela) sugere uma inevitabilidade. Muitos interpretam as figuras femininas nas músicas dos irmãos Reid como metáforas para vícios ou estados de transe. É uma música sobre observação, desejo e o vazio existencial da vida noturna.

Estética "Noir": A letra evoca imagens de ruas escuras, luzes de neon e uma certa elegância decadente. Não é uma música sobre felicidade, mas sobre a beleza que existe no sombrio.

Curiosidade: A música fez parte da trilha sonora do filme The Crow (O Corvo), o que faz todo o sentido, já que a estética gótica e urbana do filme casa perfeitamente com o som da banda.

Documentário - Côa Mais Selvagem (Wilder Côa)


O lado mais selvagem de Portugal. A premissa não podia ser melhor. O documentário de natureza “Côa Mais Selvagem” dá exatamente a conhecer o lado mais selvagem de Portugal que é esta região do Grande Vale do Côa. 

Acompanhe a entusiasmante viagem do rio Côa, que corre de sul para norte, surpreenda-se com as suas paisagens de perder de vista, conheça a vida selvagem que o rodeia e que a ele está a regressar, e saiba como a Rewilding Portugal está a renaturalizar todo este grande corredor de vida selvagem nos últimos cinco anos. Uma paisagem onde os processos naturais são repostos, o ciclo da vida volta a estar completo e funcional e onde pessoas e vida selvagem coexistem de forma positiva e duradoura. 

Vencedor de vários prémios internacionais: Gold Medal in Wildlife Conservation (International Tourism Film Festival Africa 2025); 1st place in Green Movie (International Disaster Film Festival 2025); Best DOP Documentary (Fest5 International Film Festival 2025) and Best Wildlife Documentary (Xposure International Photography Film Awards).

Realizador: João Cosme
Produção: Fernando Teixeira | Rewilding Portugal 
Voz: Ana Varela 
Estúdio: Rádio Cova da Beira
Financiamento: Rewilding Europe, ELSP, LIFE - Comissão Europeia

Rutura climática pode reduzir capacidade de terras para pastagem em 50% até 2100


Entre um terço e 50% das terras que têm hoje condições favoráveis para pastagens vão perder essa capacidade até 2100, devido ao aumento da temperatura, concluiu um estudo do Instituto de investigação de Potsdam sobre as alterações climáticas (PIK).

Esta atividade consiste em criar animais, como vacas, cabras e ovelhas, em espaços naturais, pradarias, na sua maioria, que cobrem cerca de um terço da superfície terrestre.

Até agora, estes sistemas agrícolas têm prosperado dentro de intervalos de temperatura (entre 3ºC negativos e 29°C), de precipitação (entre 50 e 2627 milímetros por ano), de humidade (de 39% a 67%) e velocidade do vento (entre um metro e seis metros por segundo).

É o que o estudo, publicado hoje na revista PNAS, chama “um espaço climático seguro”.

Mas, com a rutura climática global, estes parâmetros podem mudar e inutilizar um espaço de pastagem.

“As alterações climáticas vão reduzir os espaços onde a pastagem pode prosperar, comprometendo práticas agrícolas que existem desde há séculos”, disse Maximilian Kotz, co-autor do estudo e investigador do PIK e do Barcelona Supercomputing Center.

Segundo o cenário analisado, o estudo estima que entre 100 milhões a 400 milhões de pastores e criadores de gado podem ser afetados, bem como até 1,6 milhões de animais. O estudo estima que entre 51% e 81% das populações residem em países com fraco rendimento.

“É importante sublinhar que numerosas mudanças vão ser sentidas em países que já sofrem fome, instabilidade económica e política e níveis muito elevados de desigualdade de género”, realçou o autor principal, Chaohui Li, investigador do PIK na altura da realização do estudo e hoje no Barcelona Supercomputing Center.

A África é particularmente vulnerável e pode perder de 16% a 65% das suas pradarias, segundo a gravidade do cenário considerado.

As temperaturas no continente africano já se situam no limite do “espaço climático seguro”.

Estas conclusões, que em certos casos preveem o desaparecimento puro e simples de algumas pastagens, colocam em questão “a eficácia das estratégias de adaptação (…), como as mudanças de espécies ou a migração de rebanhos”, disse Prajal Pradhan, investigador do PIK e professor na Universidade de Groningue.

“Reduzir as emissões, através do afastamento rápido os combustíveis fósseis é a melhor estratégia de que dispomos para minimizar estes estragos potencialmente existenciais para a criação de gado”, concluiu Chaohui Li.

Segundo a agência da ONU para a alimentação e a agricultura, 26% da superfície terrestre e 70% da superfície agrícola estão cobertos de pradarias, que contribuem para a subsistência de mais de 800 milhões de pessoas

Rival Consoles - Untravel


O artista Rival Consoles (nome artístico de Ryan Lee West) é de nacionalidade britânica. Ele nasceu em 10 de novembro de 1985 Leicester e reside atualmente em Londres, na Inglaterra.
Misha Shyukin nascido na Letónia e actualmente vive na Alemanha  é um artista visual e diretor que trabalha principalmente nas áreas de animação 3D e motion graphics.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

She Keeps Bees - Radiance


Eternal bloom of the dawn
Spirals from the earth to the heart
Spirals from the earth you stand on
It can never break never be lost
Radiance
Sacred wreath of two hearts
Radiance
Great oceans swell guided by sun given rays
Moon rhythmic winds
It can never break never be lost
Radiance
Sacred wreath of two hearts
Radiance
Circle love into you hold within

"Radiance" é uma faixa de destaque dos She Keeps Bees, o duo de Brooklyn formado por Jessica Larrabee e Andy LaPlant. A música está presente no seu álbum de 2014, Eight Houses. É amplamente considerado um dos momentos mais comoventes do álbum, afastando-se do seu habitual estilo blues-rock visceral em direção a algo mais etéreo e guiado pelo piano. 
Significado e História: Jessica Larrabee partilhou que a música nasceu de um lugar profundamente pessoal: 
A Inspiração: Escreveu-a para amigos que estavam a passar por uma perda profunda. 
O Tema: Explora a ideia de interligação — como um vínculo com alguém pode permanecer vibrante e "radiante" mesmo após a sua morte. 
A Composição: Curiosamente, a faixa foi composta num piano com 120 anos, o que provavelmente contribui para a sua ressonância assombrosa e antiga. Meditativo, profundo e minimalista Instrumentação: Principalmente piano e os vocais roucos e emotivos de Larrabee 
Vídeo: Apresenta Larrabee num campo de colza francês, simbolizando a sua ligação com a energia da Terra.

Os discurso desumano e tácito de André Ventura e o discurso empático e democrático de António José Seguro



Ontem, no discurso de André Ventura, mais uma vez o narcisismo, a auto proclamação e a falta de empatia. No registo oficial do seu discurso focou-se quase exclusivamente no posicionamento político e estratégico e o tom "humanitário" da semana anterior desapareceu no momento final. Nem uma palavra foi dirigida para as vítimas das intempéries que têm assolado Portugal. Alguém reparou nisso?
Durante toda a semana o homem esforçou-se perante as TV's, andou a carregar mantimentos e até chegou a soltar um "que se lixem as eleições".

No seu discurso, António José Seguro, aquele que não se expôs ao populismo hipócrita em tempo de campanha, começou o seu discurso de vitória dirigindo-se a todos aqueles que estão debaixo de calamidade pública. Começar um discurso de vitória endereçando uma calamidade pública não é apenas cortesia; é um reconhecimento da realidade do país acima do triunfo pessoal. Define o tom de quem entende que o cargo é um serviço, e não apenas um prémio.
E isso diz-me muito sobre o Homem que promete exigência e segurança institucional. A direita democrática  votou contra André Ventura!

Mais umbigos que cabeças

This Incredible Map Tool Reveals Just How Much the Mercator Map Distorts the World [aqui]

Os provérbios são a nossa enciclopédia de bolso, e quando acordamos para o dia com as más notícias do dia anterior convém saber que "deus é grande e o mundo é pequeno". Tão pequeno que cabe num guardanapo. Era esse mesmo o significado que o latim atribuía à palavra mapa, sinónimo de toalha, lenço ou trapo. E era também mapa que chamavam ao pedaço de lona que, no silêncio expectante do circo, dava o sinal de largada para as corridas de bigas, também utilizadas como carros de guerra, como se aqueles cavalos fossem galopar pelos confins, a galgar fronteiras. Foi na superfície dessas telas que os romanos desenharam os limites do universo conhecido.

Os mapas retratam o melhor e o pior da nossa espécie: a curiosidade sôfrega e inquieta, a fome de descoberta, mas também vaidade agressiva e a sede de conquista e dominação. Os mapas fascinam porque contam histórias e revelam paixões. Mas são também os mapas que constroem nossa visão do mundo. As razões pelas quais o Norte nos aparece sempre virado para cima não são científicas, mas estratégicas e até ideológicas: o alto tem conotações positivas, enquanto o baixo é menosprezado. Associamos a pobreza aos países do Sul e a prosperidade aos países do Norte. A famosa imagem da Terra obtida pela Apollo 17, em 1972 -aquela bola azul, em forma de berlinde - foi rodada para efeitos de publicação, pois só sabemos ler o planeta posicionado dessa forma. No entanto, durante séculos o Leste costumava ocupar a posição superior, porque a luz vem do Oriente, lá onde nasce o dia.

Os mapas contam verdades, mas também algumas mentiras. São atlas das mentalidades, medos e ambições das sociedades que os inventaram. Todos sabemos que a terra é aquela bola redondinha, mas a projeção cartográfica mais utilizada ainda hoje, conhecida como Mercator, esconde distorções interessadas. Tão interesseiras como aquela que, em Tordesilhas, levou o nosso D. João II a reclamar como limites da expansão portuguesa as 360 léguas para lá de Cabo Verde. Foi esse desvio no meridiano do mapa do Tratado que permitiu a Portugal explorar as terras onde hoje se encontra o Brasil. Vistos daqui, os mapas-múndi que navegamos com a ponta dos dedos retratam um Ocidente enorme e central, sobredimensionado num hemisfério Norte que ocupa dois terços e relega o Sul a um minúsculo terço inferior. Não é essa, porém, a visão dos mapas que se estudam nas escolas orientais, onde a China e o Japão ocupam posição central, ou nas australianas onde os mapas retratam o nosso mundo de pernas para o ar.

Desde que se começámos a traçar geografias em guardanapos, tendemos a acreditar que somos e estamos no centro do mundo. Ao longo da história, muitos povos sofreram dessa miragem imprópria para habitantes de um planeta esférico. Segundo os gregos antigos, Zeus soltou duas águias nos confins do universo para saber onde ficava o centro da Terra. Inevitavelmente, as aves encontraram-se em Delfos, lugar marcado para a posteridade na pedra oval a que chamaram de "omphalus", ou seja, umbigo - da mesma forma que os chineses da época se julgavam o "império do meio". Ambos acreditavam ser o núcleo cartográfico do Universo e a única cultura civilizada, cada qual a julgar-se no epicentro de tudo. E talvez seja por isso que o mundo ainda tem mais umbigos do que cérebros. O delírio megalómano tem muitas vezes cinzelado geografias a golpes de invasão, guerra e dominação, em nome de purezas remotas e nações triunfantes. A história prova, porém, que pensamento e ciência resultam do cruzamento dos povos, em rotas de viagens, encontros e trocas. Na verdade, aprendemos sobre nós mesmos quando ousamos olhar outras paisagens e ouvir outras vozes. Só os outros nos dizem quem somos.

She Past Away - Mizantrop



Mizantrop
Silêncio triste
Kederli sessizlik
Sempre falta algo
Hep bir şeyler eksik
Uma notícia que valha a pena viver
Yaşamaya değer bir haber
Ou mudança? Do que você fala
Ya değişim? Bahsettiğin

[Verso]
Seja lá o que for!
Her neyse!
Eu sei
Biliyorum
Sou motivo de piada
Alay konusuyum
Um pessimista sem alegria
Neşesiz bir pesimist

[Refão]
Misantropo vestido de preto
Siyahlar içinde mizantropist
Os rótulos que você coloca
Taktığın sıfatlar
As etiquetas que você gruda
Yapıştırdığın etiketler

Acredite, não tô nem aí
İnan umrumda değil

Em noites sem sono
Uykusuz gecelerde
Falando sozinho de novo
Sayıklarken yine kendi kendime
Uma notícia que valha a pena viver
Yaşamaya değer bir haber
Ou mudança? Desisti de
Ya değişim? Vazgeçtiğim

[Verso]
[Refão]

Significado da Canção: "Mizantrop"
Como o título sugere, a letra explora a misantropia — a aversão, desconfiança ou desprezo pela espécie humana e pela sociedade.

Isolamento e Repulsa: A letra descreve um estado de espírito onde o indivíduo se sente alienado. Há uma sensação de sufocamento causada pelas "massas" e pela futilidade das interações sociais humanas.

Escuridão Existencial: Volkan Caner (o vocalista e compositor) utiliza metáforas sobre o vazio e a decadência para pintar um quadro de alguém que prefere a solidão e a noite ao convívio social "falso" e barulhento.

O "Eu" vs. "Eles": Existe uma clara barreira entre o narrador e o resto do mundo. A canção não é apenas sobre odiar os outros, mas sobre a paz que se encontra ao afastar-se da hipocrisia humana.

Funker Vogt - The Firm



"The Firm" é uma das músicas mais icónicas do Funker Vogt e encapsula perfeitamente o estilo "militaresco-irónico" da banda. A canção integra o álbum Survivor (2002)
Diferente de outras faixas que focam em campos de batalha físicos, esta música utiliza uma metáfora corporativa para descrever algo muito mais sombrio.
O nome "Funker Vogt" refere-se a um operador de rádio (Funker) chamado Vogt, que serviu com um amigo da banda. Eles utilizam uniformes, temáticas de guerra e conceitos de batalha em quase todas as letras e capas de álbuns.
Temática Provocativa: Como muitas bandas de EBM e Industrial (estilo Laibach), eles exploram a ironia e o papel da guerra na humanidade. Geralmente, as letras são críticas ao conflito e à exploração do poder, e não uma exaltação ao fascismo.

Letra
Our law is rough and hard
I carry the scars with (all my) pride
The years passed by
And I'm still standing here

Red drops on the cold asphalt
The taste of blood is bitter and sweet
I'm fighting for my firm
And take the power from the fire inside of me
Inside of me
Inside of me
And take the power from the fire inside of me

Chorus:
I'll go the way of the warrior
Every fight makes me stronger
Adrenalin pulsates within me
And I will never surrender

No one will ever convert me
I hang my flag in the wind
Giving up is no option
What counts is only victory or disgrace

Chorus (2x):

And I will never surrender
You might also like
Revolution

O Significado Central
A "empresa" (The Firm) mencionada na letra não é uma companhia de seguros ou uma fábrica de tecnologia; é uma metáfora para a máquina de guerra e para as organizações militares/mercenárias que tratam a violência como um negócio lucrativo.

Aqui estão os pontos principais da interpretação:
1. A Guerra como Negócio: A letra sugere que o conflito armado é uma corporação global. Os soldados são os "funcionários", as batalhas são as "tarefas" e o lucro é extraído através da conquista e do poder.

2. Desumanização: A música fala sobre ser "parte da máquina". O indivíduo perde sua identidade para se tornar um recurso descartável da "The Firm". Se você falha ou morre, você é simplesmente substituído, como uma peça de engrenagem quebrada em uma linha de montagem.

3. Controle e Recrutamento: O refrão e os versos passam a ideia de uma organização onipresente que recruta aqueles que buscam propósito ou que não têm para onde ir, oferecendo-lhes uma "carreira" baseada na destruição.

Contexto Estético
Na cultura britânica (e no contexto de subculturas europeias), o termo "The Firm" também é frequentemente usado para se referir a gangues de hooligans ou grupos de crime organizado. O Funker Vogt mistura essa ideia de "lealdade ao grupo/gangue" com a estrutura de um exército moderno.

Não, a banda não se identifica como neonazi. No entanto, a confusão é comum e compreensível por alguns motivos:
Estética Militarista: O nome "Funker Vogt" refere-se a um operador de rádio (Funker) chamado Vogt, que serviu com um amigo da banda. Eles utilizam uniformes, temáticas de guerra e conceitos de batalha em quase todas as letras e capas de álbuns.

Temática Provocativa: Como muitas bandas de EBM e Industrial (estilo Laibach), eles exploram a ironia e o papel da guerra na humanidade. Geralmente, as letras são críticas ao conflito e à exploração do poder, e não uma exaltação ao fascismo.

Controvérsia de 2013: A maior polémica ocorreu quando contrataram Sacha Korn como vocalista. Korn tinha associações conhecidas com a extrema-direita alemã. A reação dos fãs e dos selos musicais foi tão negativa que a banda o demitiu pouco tempo depois, afirmando que não apoiam ideologias de direita e que Funker Vogt é um projeto apolítico/antiguerra.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ego Eris - Tempo Implacável


Curiosidade sobre o nome
O nome vem da frase em latim "Tu fui, ego eris", que significa "O que tu és, eu fui; o que eu sou, tu serás". É uma expressão clássica encontrada em epitáfios e mementos mori, lembrando a todos sobre a inevitabilidade da morte — um tema central na estética da banda.

Letra
Se abraçando à fúria que sufoca 
Pra tentar esquecer
Se agarrando à fuga que lhe trás a paz
Sem ter que adormecer

Aprisionado em tristes e simples ilusões 
Não há mais nada para ver
Feliz enquanto voa em seus sonhos
Antes do anoitecer

Encontraria a chave que lhe prende
Libertaria todo aquele mal
Sem pensar

Como podemos ter tempo se é o tempo que nos tem?
Não conhecemos o nosso fim, mas o nosso fim nos conhece [2X]

Chegou a hora de repor a permeabilidade do solo nas nossas cidades

Porquê?
1. Redução do risco de inundações e gestão das águas pluviais.
As superfícies impermeáveis ​​impedem que a água da chuva se infiltre no solo. Em vez disso, a água escoa rapidamente para o sistema de drenagem, muitas vezes sobrecarregando os sistemas durante chuvas intensas.

Repermeabilizar o solo:
- Diminui o escoamento superficial;
- Permite que a água se infiltre e recarregue o lençol freático;
- Reduz as inundações superficiais e o transbordo de esgotos, que infelizmente muitas vezes também recebem àguas pluviais.
Isto é cada vez mais crucial à medida que os eventos de chuva intensa se tornam mais frequentes, uma tendência destacada nas avaliações climáticas urbanas globais.

2. Arrefecimento das cidades e redução das ilhas de calor urbanas.
As superfícies impermeáveis ​​​​absorvem e irradiam calor, intensificando o efeito de ilha de calor urbana. Superfícies permeáveis ​​e com coberto vegetal:
- Retêm a humidade, permitindo o arrefecimento evaporativo;
- Reduzem as temperaturas da superfície e do ar ambiente;
- Melhoram o conforto térmico nas ruas e espaços públicos.

3. Recuperação do ciclo urbano da água e recarga dos aquíferos.
Quando as cidades estão totalmente impermeabilizadas:
- Os níveis das águas subterrâneas diminuem;
- A vegetação urbana torna-se dependente da rega;
- As cidades tornam-se mais vulneráveis ​​às secas.
Os solos permeáveis ​​ajudam a reconectar a água da chuva com os ciclos hidrológicos naturais, melhorando a segurança hídrica a longo prazo, o que é especialmente importante em cidades com escassez de água.

4. Apoio à biodiversidade urbana e à saúde do solo.
Solos saudáveis ​​abrigam microrganismos, insetos e raízes de plantas.
Permeabilizar o solo e design permeável:
- Melhoram a respiração e a fertilidade do solo;
- Permitem que as árvores urbanas desenvolvam raízes mais profundas e fortes, mais resistentes às intempéries;
- Apoiam polinizadores e habitats urbanos.

5. Equidade, habitabilidade e ordenamento do território
Em muitas cidades:
- Os antigos aglomerados urbanos estão localizados em zonas sujeitas a inundações e com deficiente drenagem;
- Soluções de engenharia são hoje fundamentais para resolver os problemas do passado, mas não se pode estar atualmente criar novos problemas resultantes de um mau planeamento.

As abordagens permeáveis ​​e baseadas na natureza (valas de infiltração, drenagem com vegetação, pátios permeáveis) são:
- Mais baratas e adaptáveis;
- Mais fáceis de serem concebidas em conjunto com as comunidades.

6. De que forma a permeabilização se parece na prática:
- Pavimentos e áreas de estacionamento permeáveis;
- Permeabilização de passeios, pátios escolares e espaços subutilizados;
- Jardins de chuva, valas de infiltração e trincheiras de infiltração;
- Árvores urbanas com solos estruturais;
- Recuperação de ribeiros naturais ou cursos de água sazonais.