sábado, 7 de dezembro de 2019

Do lixo à arte: 30 "animais" de Bordalo II que alertam sobre a poluição

"Big Trash Animals" de Artur Bordalo é uma série de obras de arte que visam chamar a atenção para a poluição através de obras criadas com lixo recolhido nas ruas.
Fonte aqui
O artista português teve tanto sucesso em transmitir a sua mensagem que se tornou num fenómeno global. O site Bored Panda reuniu alguns dos seus trabalhos mais recentes, variando de lugares tão diversos quanto os EUA, Estónia e, claro, Portugal. Bordalo II recolhe os seus materiais de resíduos que foram deixados na área e produz impressionantes esculturas de animais para simbolizar tanto a beleza da natureza quanto os resíduos que a ameaçam.

Artur Bordalo nasceu em 1987, em Lisboa, teve no avô, o pintor Real Bordalo, a grande fonte de inspiração para se transformar também ele em artista plástico (ou “artivista” como se define).

sábado, 30 de novembro de 2019

Time Might Not Exist Outside of Our Minds, Propose Scientists

Fonte: aqui
Experiencing time is one of the weird parts of our lives. Often, there's just not enough of it. Other days, there's way too much time on our hands. And no matter what, it keeps going forward, like an inexorable tugboat, pulling us through emotional experiences and physical transformations. We are left with memories of what has been, unable to change anything, unable to jump forward and see what'll happen next.
Yet, such a common experience of time may not be what it appears to be. A new paper published in the October issue of the Annalen der Physik, known for publishing Albert Einstein’s theories of special and general relativity, argues that time is not some force outside of us, but rather a phenomenon created by the observer. Basically, you make your own time.
The paper's co-authors, biologist Robert Lanza and physicist Dimitriy Podolskiy, point out the conundrum that despite how one-directional experiencing time feels to us, most physicists think that time should work the same way forward and backward. Unraveling this mystery leads us down the rabbit hole into the contradictions between general relativity and quantum mechanics.
One popular view in the physics community is that time itself is the product a quantum gravity-related  "decoherence" or "wave function collapse". This process is described through the Wheeler-DeWhitt equation, which is what Lanza and Podolskiy tested in their research and found that the gravity's effects are too slow to explain the emergence of the "arrow of time".  Instead, the researchers proposed that time's creation is dependent on the observer.
”In his papers on relativity, Einstein showed that time was relative to the observer,” says Lanza. “Our paper takes this one step further, arguing that the observer actually creates it.” 
Lanza sees the experience of time linked to the ability of the observer to create memories, writing that "the emergence of the arrow of time is related to the ability of observers to preserve information about experienced events."
Thus, the process of aging is related to our ability (or perhaps disability) to remember. A "brainless" observer, for example, would be able to not experience time or aging.
In an email exchange about his theory, Robert Lanza related this story about Einstein, who said after the death of his friend:
“Now Besso has departed from this strange world a little ahead of me. That means nothing. People like us, who believe in physics, know that the distinction between past, present and future is only a stubbornly persistent illusion.”
Robert Lanza is the head of Astellas Global Regenerative Medicine, and a professor at Wake Forest. He is also the founder of "BioCentrism," a biology-centric view of the world that asserts the pivotal role of consciousness in creating reality, with space and time being "not absolute realities but rather tools of the human and animal mind". Podolskiy is a theoretical physicist working on aging at Harvard.
Here's more about Lanza's BioCentrism Theory:

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Comunicação entre plantas permite alertar contra perigos

Fonte: aqui

Uma nova pesquisa de cientistas da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, mostra que plantas conseguem se comunicar entre si quando são atacadas por pragas.

O estudo mostra que elas compartilham mensagens na forma de produtos químicos transportados pelo ar, conhecidos como compostos orgânicos voláteis (COVs), responsáveis por transferir informações entre as plantas.

A equipe de Andre Kessler, professor de ecologia e biologia evolutiva na Universidade Cornell, analisou a Solidago altissima, uma espécie botânica nativa do nordeste americano, e monitorou o impacto de um herbívoro específico: o besouro Trirhabda canadensis.

A grande descoberta é o que Kessler chama de “comunicação de canal aberto”. Quando as plantas estão sob ataque, seus cheiros — transportados por COVs — se tornam mais semelhantes.

“Então, elas meio que convergem para a mesma linguagem, ou para os mesmos sinais de alerta, a fim de compartilhar informações livremente”, diz Kessler. “A troca de informações se torna independente do nível de relação de uma planta com sua vizinha”.

A pesquisa constatou que plantas vizinhas recebem alertas de COVs e se preparam para a ameaça, que pode ser, por exemplo, uma praga de insetos.

“Vemos frequentemente que as plantas mudam seu metabolismo quando são atacadas por patógenos ou herbívoros”, diz Kessler. “Mas não é uma mudança aleatória — na verdade, essas mudanças químicas e metabólicas também as ajudam a lidar com esses agressores. É algo muito parecido com o nosso sistema imunológico: embora as plantas não possuam anticorpos como nós, elas podem se defender usando recursos químicos danosos.”

Esses recursos químicos incluem compostos defensivos. Alguns dos COVs, por exemplo, podem atrair insetos predadores, ou parasitóides, que matam os herbívoros agressores e salvam a planta.

As descobertas podem ter aplicações práticas em todo o mundo.

“Há muito tempo, aos humanos pensam em usar as interações planta-planta na agricultura orgânica para proteger as plantações, especialmente quando há mais de uma espécie plantada no mesmo local”, diz Kessler. “Estamos envolvidos em um trabalho de um sistema no Quénia — chamado ‘push-pull‘ e desenvolvido pelo Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos — que se baseia na manipulação do fluxo de informações para controlar pragas em campos de milho.”

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Pesquisa aponta que o ser humano está cada vez menos inteligente

Fonte: aqui

Pesquisadores noruegueses, após analisarem mais de 730 mil avaliações de QI (Quociente de Inteligência), chegaram à conclusão de que as pessoas estão cada vez menos inteligentes. O estudo verificou uma diminuição de praticamente 7 pontos de uma geração a outra, sendo a última a que apresentou menor inteligência.

O fenómeno é uma reversão do chamado Efeito Flynn. Este conceito diz respeito ao aumento constante do índice de acerto nos testes de QI verificado entre a população mundial durante o século XX. A partir de 1900, a humanidade registava um aumento médio de três pontos de QI a cada década. O efeito foi batizado em homenagem ao cientista James Flynn, que observou esses dados. 

A pesquisa norueguesa, realizada pelo Centro Ragnar Frisch de Pesquisa Económica, sugere que o ápice do Efeito Flynn foi registado entre pessoas nascidas no meio da década de 1970. Depois disso, verificou-se um declínio nos índices de QI. "Esta é a prova mais convincente de uma reversão do efeito Flynn", disse o psicólogo Stuart Ritchie, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, que não participou da pesquisa. "Se você assumir que o modelo deles está correto, os resultados são impressionantes e preocupantes", completou.

O estudo sugere que mudanças no estilo de vida podem ser a causa da queda nos índices de QI. Isso inclui fatores como o tipo de educação oferecida às crianças de hoje em dia e as atividades exercidas por elas (menos tempo gasto com leitura, por exemplo). Outra possibilidade é que os testes de QI não se adaptaram para quantificar com precisão a inteligência das pessoas modernas. Essas avaliações favoreceriam formas de raciocínio que podem ser menos enfatizadas na educação contemporânea e no estilo de vida dos jovens.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Genes “emprestados” de bactérias permitiram que plantas migrassem da água para a terra

A chamada transferência horizontal de genes foi o que possibilitou o primeiro passo para o estabelecimento da vida terrestre, segundo novo estudo.

Fonte: aqui

Uma “engenharia genética” natural, efetuada através da troca de genes entre espécies, foi o que permitiu às plantas saírem do ambiente aquático para viver em terra firme, de acordo com um novo estudo de cientistas do Canadá, China, França, Alemanha e Rússia. O artigo foi publicado na revista Cell.

“Essa transição é um dos eventos mais importantes na história evolutiva da vida no planeta — sem o qual nós, humanos, não existiríamos como espécie”, diz Gane Ka-Shu Wong, professor da Faculdade de Ciências e Faculdade de Medicina e Odontologia na Universidade de Alberta, no Canadá. “O movimento da vida saindo da água para a terra, chamado terrestrialização, começou com plantas e foi seguido por animais, o que, obviamente, levou aos seres humanos. Este estudo explica como esse primeiro passo ocorreu.”

Essa passagem das plantas da água para a terra foi possível quando genes de bactérias do solo foram transferidos para algas através de um processo chamado transferência horizontal de genes. Ao contrário da transferência vertical, que ocorre quando o DNA é passado de pais para filhos, por exemplo, a transferência horizontal de genes ocorre entre espécies diferentes.

Vida terrestre

“Por centenas de milhões de anos, as algas verdes viveram em ambientes de água doce que periodicamente secavam, como pequenas poças, leitos de rios ou cachoeiras”, explica Michael Melkonian, professor da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha. “Essas algas se misturaram com bactérias terrestres e receberam delas alguns genes que as ajudaram a lidar com o hostil ambiente terrestre e, eventualmente, a evoluir para a flora de plantas terrestres que conhecemos hoje”.

O estudo faz parte de um projeto internacional focado no sequenciamento de genomas de mais de 10.000 espécies de plantas. A descoberta foi feita durante o processo de sequenciar duas algas em particular, sendo uma delas uma nova espécie descoberta por meio desse estudo (a Spirogloea muscicola). 

“A abordagem que usamos foi a filogenómica, um poderoso método para identificar mecanismos moleculares que estão por trás de novidades evolucionárias”, explica Shifeng Cheng, primeiro autor e principal pesquisador do Instituto de Genoma Agrícola de Shenzhen, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas.

Universidade de Alberta

domingo, 24 de novembro de 2019

Edgar Morin: “Estamos caminhando como sonâmbulos em direção à catástrofe”

Fonte: aqui


O que fazer neste período de crise aguda? Indignar-se, certamente. Mas, acima
de tudo, aja. Aos 98 anos, o filósofo e sociólogo nos convida a resistir ao
ditame da urgência. Para ele, a esperança está próxima.
Por que a velocidade está tão arraigada no funcionamento de nossa
sociedade?
A velocidade faz parte do grande mito do progresso que anima a civilização
ocidental desde os séculos 18 e 19. A idéia subjacente é que agradecemos a
ela por um futuro cada vez melhor. Quanto mais rápido formos em direção a
esse futuro, melhor, é claro.
É neste contexto que as comunicações, econômicas e sociais, e todos os tipos
de técnicas que possibilitaram a criação de transporte rápido se multiplicaram.
Penso em particular no motor a vapor, que não foi inventado por razões de
velocidade, mas em servir a indústria ferroviária, que se tornou cada vez mais
rápida.
Tudo isso é correlativo por causa da multiplicação de atividades e torna as
pessoas cada vez mais com pressa. Estamos numa época em que a
cronologia se impõe.
Então isso é novo?
Antigamente, você consultava o sol para para se orientar no tempo. No Brasil,
em cidades como Belém, ainda hoje nos encontramos “depois da chuva”.
Nesses padrões, seus relacionamentos são estabelecidos de acordo com um
ritmo temporal pontuado pelo sol. Mas o relógio de pulso, por exemplo, fez com
que o tempo abstrato substituísse o tempo natural. E o sistema de competição
e concorrência – que é o de nossa economia de mercado capitalista – significa
que, para a competição, o melhor desempenho é aquele que permite a maior
velocidade. A competição, portanto, se transformou em competitividade, o que
é uma perversão da concorrência.
Essa busca por velocidade não é uma ilusão?
De alguma forma. Não percebemos – embora pensemos que estamos fazendo
as coisas rapidamente – que estamos intoxicados pelo meio de transporte que
afirma ser rápido. O uso de meios de transporte cada vez mais eficientes, em
vez de acelerar o tempo de viagem, acaba – principalmente por causa de
engarrafamentos – desperdiçando tempo! Como já disse Ivan Illich (filósofo
austríaco nascido em 1926 e morto em 2002, ed): “O carro nos atrasa muito.
Até as pessoas, imobilizadas em seus carros, ouvem o rádio e sentem que
ainda estão usando o tempo de uma maneira útil. O mesmo vale para o
concurso de informações. Agora recorremos ao rádio ou a TV para não
esperar a publicação dos jornais. Todas essas múltiplas velocidades fazem
parte de uma grande aceleração do tempo, a da globalização. E tudo isso nos
leva ao desastre.
O progresso e o ritmo em que o construímos necessariamente nos destroem?
O desenvolvimento tecnoeconômico acelera todos os processos de produção
de bens e riquezas, os quais aceleram a degradação da biosfera e a poluição
generalizada. As armas nucleares estão se multiplicando e os técnicos estão
sendo solicitados a fazer as coisas mais rapidamente. Tudo isso, de fato, não
vai na direção de um desenvolvimento individual e coletivo!
Por que buscamos sistematicamente utilidade no decorrer do tempo?
Veja o exemplo do almoço. Tempo significa convívio e qualidade. Hoje, a idéia
de velocidade faz com que, assim que terminemos o prato, chamemos um
garçom que corre para recolher os pratos. Se você ficar entediado com seu
vizinho, tende a querer diminuir esse tempo.
Esse é o significado do movimento slow-food que deu origem à idéia de “vida
lenta”, “tempo lento” e até “ciência lenta”. Uma palavra sobre isso. Vejo que a
tendência dos jovens pesquisadores, assim que eles têm um campo de
trabalho, mesmo muito especializado, é que eles se apressem para obter
resultados e publiquem um “grande” artigo em uma “grande” revista científica
internacional, para que ninguém mais publique antes deles.
Esse espírito se desenvolve em detrimento da reflexão e do pensamento.
Nosso tempo rápido é, portanto, um tempo anti-reflexo. E não é por acaso que
existem várias instituições especializadas em nosso país que promovem o
tempo de meditação. O yoguismo, por exemplo, é uma maneira de interromper
o tempo rápido e obter um tempo silencioso de meditação. Dessa maneira,
evita-se a cronometria. As férias também permitem que você recupere seu
tempo natural e esse tempo de preguiça. O trabalho de Paul Lafargue O direito
à preguiça (que data de 1880, ed) permanece mais atual do que nunca, porque
não fazer nada significa tempo limite, perda de tempo, tempo sem fins
lucrativos.
Por quê?
Somos prisioneiros da ideia de rentabilidade, produtividade e competitividade.
Essas idéias foram exasperadas com a concorrência globalizada, nas
empresas, e depois se espalharam para outros lugares. O mesmo vale para o
mundo da escola e da universidade! O relacionamento entre o professor e o
aluno exige um relacionamento muito mais pessoal do que apenas as noções
de desempenho e resultados. Além disso, o cálculo acelera tudo isso. Vivemos
um tempo em que ele é privilegiado por tudo. Bem como saber tudo e dominar
tudo. Pesquisas que antecipam um ano de eleições fazem parte do mesmo
fenômeno. Chegamos a confundi-los com o anúncio do resultado. Tentamos
eliminar o efeito de surpresa sempre possível.
De quem é a culpa? Capitalismo? a ciência?
Estamos presos em um processo espantoso em que o capitalismo, as trocas e
a ciência são levados a esse ritmo. Não se pode ser culpa de um homem.
Devemos acusar Newton por ter inventado o motor a vapor? Não. O
capitalismo é essencialmente responsável, de fato. Por sua fundação, que é
buscar lucro. Pelo seu motor, que é tentar, pela competição, avançar seu
oponente.
Pela incessante sede de “novo” que promove através da publicidade … O que
é essa sociedade que produz objetos cada vez mais obsoletos? Essa
sociedade de consumo que organiza a fabricação de geladeiras ou máquinas
de lavar não para a vida útil infinita, mas para se decompor após oito anos? O
mito do novo, como você pode ver – mesmo para detergentes – visa sempre
incentivar o consumo. O capitalismo, por sua lei natural – a concorrência –
empurra, assim, para uma aceleração permanente e por sua pressão
consumista, sempre para obter novos produtos que também contribuem para
esse processo.
Vemos isso através de múltiplos movimentos no mundo, esse capitalismo é
questionado. Em particular na sua dimensão financeira …
Entramos em uma crise profunda sem saber o que sairá dela. As forças de
resistência realmente se manifestam. A economia social e solidária é uma
delas. Ela representa uma maneira de lutar contra essa pressão. Se
observarmos um impulso para a agricultura orgânica com pequenas e médias
fazendas e um retorno à agricultura, é porque grande parte do público começa
a entender que galinhas e porcos industrializados são adulterados e
desnaturalizam solos e águas subterrâneas.
Uma busca por produtos artesanais indica que desejamos fugir dos
supermercados que, eles próprios, exercem pressão do preço mínimo sobre o
produtor e tentam repassar um preço máximo para o consumidor. O Comércio
Justo também está tentando ignorar os intermediários predatórios. O
capitalismo triunfa em certas partes do mundo, mas outra margem vê reações
que surgem não apenas de novas formas de produção (cooperativas, fazendas
orgânicas), mas também da união consciente dos consumidores.
É aos meus olhos uma força não utilizada e fraca porque ainda dispersa. Se
essa força tomar conhecimento de produtos de qualidade e de produtos
nocivos, superficiais, uma força de pressão incrível será aplicada e influenciará
a produção.
Os políticos e seus partidos parecem não estar cientes dessas forças
emergentes. Eles não carecem de análise de inteligência …
Mas você parte do pressuposto de que esses homens e mulheres políticos já
fizeram essa análise. Mas você tem mentes limitadas por certas obsessões,
certas estruturas.
Por obsessão, você quer dizer crescimento?
Sim Eles nem sabem que o crescimento – supondo que volte aos chamados
países desenvolvidos – não excederá 2%! Não é esse crescimento que
conseguirá resolver a questão do emprego! O crescimento que queremos
rápido e forte é um crescimento na competição. Isso leva as empresas a
colocar as máquinas no lugar dos homens e, assim, liquidar as pessoas e
aliená-las ainda mais. Parece-me assustador que os socialistas possam
defender e prometer mais crescimento. Eles ainda não fizeram um esforço
para pensar e buscar novos pensamentos.
Desaceleração significaria decadência?
O importante é saber o que deve crescer e o que deve diminuir. É claro que
cidades não poluentes, energias renováveis e obras públicas saudáveis devem
crescer. O pensamento binário é um erro. É a mesma coisa para globalizar e
desglobalizar: é necessário continuar a globalização no que cria solidariedades
entre as pessoas e com o planeta, mas deve ser condenada quando cria ou
não traz zonas de prosperidade, mas de corrupção ou desigualdade. Eu
defendo uma visão complexa das coisas.
A velocidade em si não tem culpa?
Não. Se eu pegar minha bicicleta para ir à farmácia e tentar fazer isso antes
dela fechar, vou pedalar o mais rápido possível. Velocidade é algo que
precisamos e podemos usar quando necessário. O verdadeiro problema é
diminuir com êxito nossas atividades. Retomar o tempo, natural, biológico,
artificial, cronológico e conseguir resistir.
Você está certo ao dizer que o que é velocidade e aceleração é um processo
extremamente complexo da civilização, no qual técnicas, capitalismo, ciência e
economia têm sua parte. Todas essas forças combinadas nos levam a acelerar
sem que tenhamos controle sobre elas. Porque a nossa grande tragédia é que
a humanidade é arrastada em uma corrida acelerada, sem nenhum piloto a
bordo. Não há controle ou regulamentação. A própria economia não é regulada.
O Fundo Monetário Internacional não é, nesse sentido, um sistema real de
regulamentação.
A política ainda não deveria “levar tempo para reflexão”?
Muitas vezes, temos a sensação de que, por sua pressa de agir, de se
expressar, ele vem trabalhar sem nossos filhos, mesmo contra eles … Você
sabe, os políticos estão embarcando nessa corrida para acelerar. Li
recentemente uma tese sobre gabinetes ministeriais. Às vezes, nos escritórios
dos conselheiros, havia anotações e registros rotulados como “U” para
“urgentes”. Depois veio o “MU” para “muito urgente” e depois o “MMU”. Os
gabinetes ministeriais agora estão invadidos, desatualizados.
A tragédia dessa velocidade é que ela cancela e mata o pensamento político
pela raiz. A classe política não fez nenhum investimento intelectual para
antecipar, enfrentar o futuro. Foi o que tentei fazer em meus livros como
Introdução a uma política do homem, Caminho, Terre-patrie … O futuro é incerto,
é preciso tentar navegar, encontrar um caminho, uma perspectiva. Sempre
houve ambições pessoais na história. Mas eles estavam relacionados a idéias.
De Gaulle sem dúvida teve uma ambição, mas teve uma ótima ideia. Churchill
tinha ambição a serviço de uma grande idéia, que era salvar a Inglaterra do
desastre. Agora, não há mais grandes idéias, mas grandes ambições com
homenzinhos ou mulheres.
Michel Rocard recentemente lamentou sobre “Terra eco” o desaparecimento da
visão de longo prazo…
Ele tinha razão e não tinha. Uma política real não está posicionada no imediato,
mas no essencial. Por esquecer o essencial da urgência, acabamos
esquecendo a urgência do essencial. O que Michel Rocard chama de “longo
prazo”, eu chamo de “problema de substância”, “questão vital”. Pensar que
precisamos de uma política global para a salvaguarda da biosfera – com um
poder de decisão que distribua responsabilidades porque não podemos
atribuir as mesmas responsabilidades aos países ricos e aos países pobres – é
uma política essencial para longo prazo. Mas esse longo prazo deve ser rápido
o suficiente, porque a ameaça está se aproximando.
Edgar Morin, o estado de urgência perpétua de nossas sociedades o torna
pessimista?
Essa falta de visão me força a ficar na brecha. Há uma continuidade na
descontinuidade. Eu fui da época da Resistência quando jovem, onde havia um
inimigo, um ocupante e um perigo mortal, para outras formas de resistência
que não carregavam o perigo da morte, mas o de permanecer
incompreendido, caluniado ou desprezado.
Depois de ser comunista de guerra e depois de ter lutado com a Alemanha
nazista com grandes esperanças, vi que essas esperanças eram enganosas e
rompi com esse totalitarismo, que se tornou o inimigo da humanidade. Eu lutei
contra isso e resisti. Eu, naturalmente – defendi a independência do Vietnã ou
da Argélia, quando se tratava de liquidar um passado colonial. Pareceu-me
muito lógico depois de ter lutado pela independência da França, ameaçada
pelo nazismo. No final do dia, estamos sempre envolvidos na necessidade de
resistir.
E hoje?
Hoje, percebo que estamos sob a ameaça de duas barbáries associadas.
Antes de tudo, humano, que vem do fundo da história e que nunca foi liquidado:
o campo americano de Guantánamo ou a expulsão de crianças e pais que
estão separados, acontece hoje ! Essa barbárie é baseada no desprezo
humano. E então o segundo, frio e gelado, com base em cálculo e lucro. Essas
duas barbáries são aliadas e somos forçados a resistir em ambas as frentes.
Por isso, continuo com as mesmas aspirações e revoltas que as da minha
adolescência, com a consciência de ter perdido ilusões que poderiam me
animar quando, em 1931, eu tinha dez anos.
A combinação dessas duas barbáries nos colocaria em perigo mortal …
Sim, porque essas guerras podem a qualquer momento se desenvolver no
fanatismo. O poder destrutivo das armas nucleares é imenso e o da
degradação da biosfera para toda a humanidade é vertiginoso. Estamos indo,
por essa combinação, em direção a cataclismos. No entanto, o provável, o pior,
nunca está certo aos meus olhos, porque às vezes apenas alguns eventos são
suficientes para que as evidências se revertam.
Mulheres e homens também podem ter esse poder?
Infelizmente, em nosso tempo, o sistema impede que espíritos se rompam.
Quando a Inglaterra foi ameaçada de morte, um homem marginal foi levado ao
poder, seu nome era Churchill. Quando a França foi ameaçada, foi De Gaulle.
Durante a Revolução, muitas pessoas, sem treinamento militar, conseguiram se
tornar generais formidáveis, como Hoche ou Bonaparte; avocaillons como
Robespierre, grandes tribunos. Grandes momentos de crise terrível despertam
homens capazes de resistir. Ainda não estamos suficientemente cientes do
perigo. Ainda não entendemos que estamos caminhando para um desastre e
estamos nos movendo a toda velocidade como sonâmbulos.
O filósofo Jean-Pierre Dupuy acredita que da catástrofe nasce a solução. Você compartilha a análise dele?
Não é dialético o suficiente. Ele nos diz que o desastre é inevitável, mas que é
a única maneira de saber que pode ser evitado. Eu digo: é provável que haja
um desastre, mas é improvável. Quero dizer com “provável” que, para nós,
observadores, no tempo em que estamos e nos lugares em que estamos, com
as melhores informações disponíveis, vemos que o curso das coisas está nos
levando a desastres. No entanto, sabemos que é sempre o improvável que
surgiu e que “fez” a transformação. Buda era improvável, Jesus era improvável,
Muhammad, a ciência moderna com Descartes, Pierre Gassendi, Francis
Bacon ou Galileu era improvável, o socialismo com Marx ou Proudhon era
improvável, o capitalismo era improvável na Idade Média … Veja Atenas. Cinco
séculos antes de nossa era, você tem uma pequena cidade grega diante de um
império gigantesco, a Pérsia. E duas vezes – embora destruída pela segunda
vez – Atenas consegue expulsar esses persas graças ao golpe de gênio do
estrategista Temístocles, em Salamina. Graças a essa incrível improbabilidade,
nasceu a democracia, que poderia fertilizar toda a história futura e depois a
filosofia. Então, se você quiser, posso chegar às mesmas conclusões que
Jean-Pierre Dupuy, mas meu caminho é bem diferente. Hoje, existem forças de
resistência dispersas, aninhadas na sociedade civil e que não se conhecem.
Mas acredito no dia em que essas forças se reunirão, em feixes. Tudo começa
com um desvio, que se transforma em uma tendência, que se torna uma força
histórica.
Portanto, é possível reunir essas forças, engajar a grande metamorfose, do
indivíduo e depois da sociedade?
O que chamo de metamorfose é o termo de um processo no qual várias
reformas, em todas as áreas, começam ao mesmo tempo.
Já estamos em processo de reformas …
Não, não. Não são essas pseudo-reformas. Estou falando de reformas
profundas da vida, civilização, sociedade, economia. Essas reformas terão que
começar simultaneamente e ser inter-solidárias.
Você chama essa abordagem de “viver bem”. A expressão parece fraca, tendo em vista a ambição que você lhe dá.
O ideal da sociedade ocidental – “bem-estar” – deteriorou-se em coisas
puramente materiais, conforto e propriedade de objetos. E embora essa
palavra “bem-estar” seja muito bonita, outra coisa teve que ser encontrada. E
quando o presidente do Equador, Rafael Correa, encontrou essa fórmula de
“boa vida”, retomada por Evo Morales (presidente boliviano, ed) significava
florescimento humano, não apenas na sociedade, mas também na natureza.
A expressão “viver bem” é sem dúvida mais forte em espanhol do que em
francês. O termo é “ativo” na língua de Cervantes e passivo na de Molière. Mas
essa ideia é a que melhor se relaciona com a qualidade de vida, com o que
chamo de poesia da vida, amor, carinho, comunhão e alegria e, portanto, com a
qualitativa, que a devemos nos opor à primazia do quantitativo e da
acumulação. O bem-estar, a qualidade e a poesia da vida, inclusive em seu
ritmo, são coisas que devem – juntas – nos guiar. É para a humanidade uma
finalidade tão bonita. Implica também controlar simultaneamente coisas como
especulação internacional … Se não conseguirmos nos salvar desses polvos
que nos ameaçam e cuja força é acentuada, acelera, não haverá nada de bom.

sábado, 23 de novembro de 2019

La tecnología lídar desvela la historia oculta del río Misisipi

Fonte: aqui

Para los cartógrafos y los cartófilos, los mapas de Harold Fisk de 1944 del bajo río Misisipi son obras pioneras. A mediados del siglo XX, el geólogo cartografió el río con un detalle y una precisión impresionantes a partir de fotografías aéreas y mapas locales. El eje central de su documento eran 15 mapas que mostraban el serpenteante Misisipi y sus llanuras de inundación históricas de Misuri a Luisiana.
Un mapa de 1944 del geólogo Harold Fisk cartografía la franja de 64 kilómetros del río Misisipi que va de Friars Point a Gunnison, en el estado de Misisipi. Fisk empleó fotografías aéreas y mapas para estimar los canales pasados y presentes de entonces.

En comparación, un mapa creado mediante la tecnología lídar muestra los cambios de los últimos 75 años. La erosión y los cambios del caudal provocaron el ensanchamiento del canal en medio de la imagen y migran hacia el sur.

Más de siete décadas después, Daniel Coe, cartógrafo del Servicio Geológico de Washington, quería recrear los mapas de Fisk con mayor precisión y una nueva estética. Coe contaba con la ventaja de los datos hiperprecisos del Servicio Geológico de Estados Unidos (USGS, por sus siglas en inglés) recopilados con lídar, un sistema de pulsos de láser emitidos desde una aeronave para medir la topografía. Los láseres detectan la forma del río y todo lo que lo rodea: cada casa, cada árbol y cada carretera. Si se retiran esas capas de vegetación y añadiduras humanas, los mapas de Coe muestran la geomorfología del lecho del río: meandros tranquilos sustituidos por un caudal recto y antiguas llanuras de inundación atravesadas por atracaderos y diques.



Los científicos del USGS recopilan datos por lídar (casi todos de dominio público) para visualizar la evolución de la tierra y los cartógrafos con iniciativa pueden interpretar los datos de formas novedosas. Los ligeros cambios en la elevación pueden suponer la diferencia entre un río tranquilo y una inundación devastadora. La escorrentía excesiva procedente de la agricultura puede provocar la migración fluvial y dar pie a rutas de navegación más largas.



Todo ello convierte el comportamiento pasado de un río en el mejor indicador de cómo reaccionará ante futuros corrimientos de tierra, inundaciones o erosión. «Lo más sorprendente es la enorme huella que ha dejado en el paisaje», afirma Coe. «Es como ver las huellas dactilares que ha dejado el río».

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Mais de 11 mil cientistas assinam artigo para declarar que planeta enfrenta emergência climática

Fonte: aqui
Mais de 11 mil cientistas de 153 países se uniram para declarar emergência climática nesta terça-feira (5). Eles assinam juntos um artigo, publicado no periódico "Bioscience", onde apresentam evidências de que o planeta está em crise.

O documento cita que desde a Primeira Conferência Mundial do Clima, que aconteceu em Genebra em 1979, já se alertava sobre as tendências de mudança no clima. Os mesmos alertas foram dados na Eco 92, no Rio de Janeiro, durante a elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997, e no Acordo de Paris, em 2015.

A divulgação do documento ocorre um dia depois de os Estados Unidos notificarem a Organização das Nações Unidas (ONU) e confirmarem a saída do Acordo de Paris, que criou criou metas para que os países consigam manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC. O processo de saída deve durar um ano.

Evidências vão além da temperatura

Os cientistas afirmam que as discussões sobre as mudanças climáticas estão centradas, em sua maior parte, no aumento da temperatura da Terra. Eles apresentam evidências de que é preciso levar em consideração outros parâmetros, como aumento da população mundial e de gado, produto interno bruto mundial, consumo de combustíveis fósseis, emissões de CO2 per capita, entre outros. O relatório cita, inclusive, a perda de cobertura florestal da Amazônia.


A taxa oficial de desmatamento da Amazônia referente ao período que se encerra em 2019 (calculada de junho de 2018 a agosto de 2019) ainda não foi divulgada, mas os alertas de desmate na área aumentaram 203,55% em comparação com o período anterior. De junho a agosto de 2019, 4.892,4 km² estiveram sob alerta, enquanto no mesmo período de 2018, foram 1.611,7 km².

"Para garantir um futuro sustentável, devemos mudar nossos modos de vida", afirmam os cientistas.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Castores limpam rios poluídos e travam a perda de solo, diz estudo

Fonte: aqui

Segundo um novo estudo da Universidade de Exeter, os castores podem ajudar a limpar os rios poluídos e a deter a perda de solos valiosos. Os cientistas descobriram que o trabalho de uma única família de castores teve um impacto significativo na redução do escoamento de nutrientes dos campos vizinhos para um sistema fluvial.

Os diques dos animais capturaram mais de 100 toneladas de sedimento, na sua maioria solo erodido de “terras de pastagem em regime intensivo”, que continham 15,9 toneladas de azoto e 0,91 toneladas de fósforo. Estes nutrientes constituem um problema para a vida selvagem nos rios e ribeiros e precisam de ser removidos nos sistemas de abastecimento de água, de forma a serem cumpridas as normas da qualidade da água para consumo humano.

“É muito preocupante o facto de observarmos taxas tão elevadas de perda de solo dos terrenos agrícolas, que são bastante superiores às taxas de formação de solo”, disse Richard Brazier, hidrólogo e professor da Universidade de Exeter.

A família de castores estudada, que vive num espaço cercado com 2,5 hectares em West Devon desde 2011, construiu 13 represas, abrandando o fluxo da água e criando uma série de lagos profundos ao longo do curso do ribeiro. Para além desta família de castores, a Devon Wildlife Trust está a realizar outro projeto de investigação envolvendo uma população de castores selvagens no Rio Otter, também em West Devon.

“A nossa parceria com a Universidade de Exeter em ambos os nossos estudos com castores (…) está a revelar informações que mostram o papel crítico que os castores podem desempenhar, não só para a vida selvagem, mas também para a sustentabilidade futura da nossa terra e água. É verdadeiramente inspirador ter as nossas observações confirmadas por investigações científicas detalhadas”, declarou Peter Burgess, diretor de Conservação e Desenvolvimento da Devon Wildlife Trust.