sábado, 14 de março de 2026

A variabilidade climática natural e a mistificação do aquecimento global por parte dos cépticos das alterações climáticas

Durante o último período interglaciar (Eemiano), entre 130.000 e 115.000 anos atrás, a temperatura global era em média superior em 3°C e os níveis dos oceanos eram 5 a 6 m mais altos que hoje. Nesse período, grande parte da Finlândia desapareceu, tornando a Escandinávia numa ilha

O período Eemiano , também conhecido como o último interglaciar (aproximadamente entre 130.000 e 115.000 anos atrás), é um caso de estudo crucial para a compreensão das alterações climáticas, caracterizado por temperaturas mais elevadas do que as atuais.

Natureza
Factores climáticos no Eemiano:

Alterações naturais (Milankovitch): o aquecimento foi causado principalmente por alterações cíclicas na órbita da Terra, incluindo excentricidade, obliquidade (inclinação axial) e precessão. Estas alterações alteraram a distribuição da energia solar incidente.

Escala temporal: ao contrário do aquecimento atual, este processo natural demorou milhares de anos a ocorrer, permitindo uma adaptação mais lenta dos ecossistemas.

CO2 como retroalimentação: embora tenha havido um aumento do CO2 atmosférico, esta não foi a principal causa inicial do aquecimento, mas sim uma resposta do sistema climático. As concentrações permaneceram relativamente estáveis, cerca de 270-280 ppm, semelhantes aos níveis pré-industriais. 

Contraste com o presente: o aquecimento actual está a ocorrer ao longo de décadas, e não de milénios, e é impulsionado por gases com efeito de estufa provenientes da actividade humana, e não por ciclos orbitais. 

Impacto e extinções: 
Apesar de ser uma variabilidade ambiental (alteração climática natural), o período Eemiano foi marcado por um impacto ambiental significativo:

Subida do nível do mar: temperaturas mais elevadas (aproximadamente 2°C acima dos níveis pré-industriais) provocaram o degelo das calotes polares, elevando o nível do mar entre 6 e 9 metros acima dos níveis atuais.

Alterações nos ecossistemas e na fauna: As alterações na vegetação e no clima provocaram uma reconfiguração dos habitats, obrigando à migração ou provocando o desaparecimento local de várias espécies da flora e da fauna.

Impacto nos humanos (neandertais): as evidências na Europa sugerem que estas drásticas alterações ambientais, incluindo o colapso da biomassa de presas, representaram desafios significativos para as populações neandertais, levando a um colapso demográfico em algumas regiões.

Em resumo, o Eemiano demonstra que mudanças intensas na órbita da Terra podem alterar drasticamente o clima e os ecossistemas, mas a mudança actual é qualitativamente diferente devido à sua velocidade e origem antropogénica.

Waves On Waves x Crimewave - "Desire" (Ft. ACTORS)


A canção "Desire" é uma colaboração que reúne nomes proeminentes da cena underground contemporânea, unindo talentos da América do Norte e da Europa.

Aqui estão os detalhes sobre as nacionalidades e o estilo musical:

Nacionalidades Envolvidas
A colaboração é internacional, envolvendo principalmente artistas dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido:

Waves On Waves After Dark: trata-se do projeto do artista Mark Christopher Sevier, baseado em Nashville, Tennessee (EUA). Ele é o mentor por trás dessa estética que mistura o gótico clássico com produções modernas.

ACTORS: uma banda extremamente influente de Vancouver, Canadá. Liderada por Jason Corbett, a banda é um dos pilares do renascimento do post-punk canadense.

Crimewave: geralmente refere-se ao artista Jake Wilkinson, baseado em Manchester, Reino Unido. Sua estética visual e sonora complementa o tom sombrio da colaboração.

A faixa "Desire" faz parte do álbum intitulado "Halloween Summer", lançado oficialmente em 2025.

Mensagem da Canção
A análise temática de "Desire" revela uma obra profundamente mergulhada nas ansiedades da modernidade urbana, utilizando o vazio existencial como pano de fundo para uma narrativa de isolamento. Através de metáforas visuais estéreis, como o "jardim da noite" e a percepção de um mundo em "preto e branco", a letra pinta um cenário onde os indivíduos se movem como sombras, desconectados da realidade vibrante. 

Essa frieza é amplificada na ponte da música, que introduz o conceito de amor "automático"; ao descrever o afeto como algo "sistemático", "digital" e "pós-traumático", a composição sugere que as conexões humanas contemporâneas tornaram-se mecânicas, quase como um subproduto de uma era tecnológica que processa sentimentos em vez de vivenciá-los.

Dentro do contexto maior do álbum Halloween Summer, a faixa deixa de ser um simples lamento romântico para se tornar um hino de sobrevivência urbana. O "desejo" aqui não é apresentado como algo doce ou idílico, mas como uma força visceral e necessária — uma "fiação queimada" que mantém o indivíduo funcionando em meio ao caos das metrópoles. 

Essa dualidade é perfeitamente capturada pela performance vocal: o contraste entre o sussurro melancólico de Mark Christopher Sevier e a entrega mais urgente e cortante de Jason Corbett (ACTORS) mimetiza a oscilação entre a apatia e o desespero. No fim, a música entrega uma sonoridade que é ao mesmo tempo nostálgica e futurista, consolidando a ideia de que o desejo, mesmo quando traumático, é o último vestígio de humanidade em um design social cada vez mais impessoal.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Solanaceae - I Saw Her Through The Pines

A maiden through the pines
Away, away she ran
And saw herself laid out
Upon the moss and stone

They want to hold her hand
They want to reach inside
So deep inside deep inside

I saw her through the pines
Soon the horned one goes
Deep, deep into the pines

And sounds of hooves on stone
Are carried on the wind
He wants to hold your hand

He wants to reach inside
So deep inside deep inside
I saw him through the pines


Solanaceae is the psychedelic folk side project of Danish guitarist Kim Larsen. More experimental than Larsen's main group :Of the Wand & the Moon:, Solanaceae released one self-titled LP of "themes of magick, woods and mysteries" and a split with neofolk artist King Dude. The moniker is taken from the scientific name of the deadly nightshade family which includes edibles like tomatoes, potatoes, eggplant and peppers.

Issued in 2009, Solanaceae contained pieces begun in 1997, with some songs co-written by Unto Ashes founder Michael Laird, who also contributed vocals, dulcimer, guitar and glockenspiel. Playing additional keyboards, glockenspiel and percussion, Larsen was also accompanied by, among others, Pythagumus Marshall (of like-minded American project Novemthree), Louise Nipper (of Art Cinema), Anne Eltard (of Familieorkestret), John Van Der Lieth (of Sonne Hagal), Chelsea Robb (of Arrowwood) and Larsen's occasional collaborator Fenella Overgaard.

Larsen's folk noir will appeal to listeners of Jahrtal, Forseti, In Gowan Ring, Sangre de Muerdago, Ulver and Current 93 [Fonte]

Kim Larsen can do no wrong in my opinion. Whether it is Martial Industrial (Vril Jäger) or funeral doom (Black Wreath), I love it all. But this project in particular really holds my heart, the melodies on this album are otherworldly and dreamlike, they transport to the field full of sunshine under the shady bough of an old tree as a gentle breeze blows on your face. Music that calls in the spirits or transports you into nature is the music I am drawn to listen to and make, this album is a beautiful example of the transcendental effect that music can have.[ Fonte]

The "Two mountains" dilemma


Humanity faces a defining choice: do we climb the green mountain of ecological health and community wellbeing, or the gold and silver mountain of endless economic growth that is destroying the foundations of life on Earth?

No country dramatises the conflict between these two competing choices more clearly than China. In elevating its Two Mountains Theory - that lucid waters and lush mountains are as valuable as mountains of gold and silver - China has done the world a paradoxical service. By naming the conflict explicitly, it reveals what most nations conceal: that they are trying to climb two mountains at once.

This two-part series explores the meaning and implications of China’s dilemma.
Part I examines the environmental paradox of China’s Two Mountains strategy: its leadership in renewables and ecological restoration alongside its continued promotion of coal.
Part II looks at the human and global consequences of the conflict and how they bear most heavily on the poor majority.

Together, these reflections underscore a simple truth: no climber can ascend two mountains at once. Humanity must choose.

The Origin of the Two Mountains Theory
In 2005, while serving as provincial party secretary of Zhejiang, Xi Jinping introduced what he called the Two Mountains Theory: lucid waters and lush green mountains are as valuable as mountains of gold and silver. At the time, it was Xi’s local call to temper economic development with environmental protection. When Xi rose to national power -becoming General Secretary of the Communist Party in 2012 and President of China in 2013 - he elevated the Two Mountains Theory to the level of national strategy.

The paradox is clear. China was the first nation to pledge itself to building an Ecological Civilisation. Yet it also continued its established commitment to growing its economy, including using coal as a significant energy source. By giving the contradiction a name [the Two Mountain Theory], China exposes the conflict and gives the world a mirror to view the conflict that every nation faces. Yet most try to obscure it with slogans of “green growth” or “sustainable development.”

Achievements that inspire
Whatever else one says about China, its achievements in ecological innovation are breathtaking in scale and speed. In 2023, China installed more than 217 gigawatts of new solar power capacity—over twice the combined annual additions of the United States and European Union. Reports for 2024 estimate China installed 329 gigawatts of new solar plus 79 gigawatts of wind.

This build-out reflects China’s immense scale. With a population of 1.4 billion people—more than double the combined populations of the US and EU—it faces enormous energy demand. Still, the speed of China’s renewable expansion shows what is technically and financially possible when policy aligns with ecological ambition.

China’s expansion of high-speed rail is equally impressive. Since the early 2000s, China has built more than 45,000 kilometres of high-speed rail—longer than the rest of the world’s networks combined. Trains traveling up to 350 km/h now connect nearly every major city, carrying hundreds of millions of passengers annually.

The achievement is unparalleled in modern history. By contrast, the US has yet to complete even a single true high-speed rail line. Europe’s networks are extensive, but still far smaller in scale. China’s population density and state-driven model give it unique advantages—but its success demonstrates that when a nation makes a clear commitment, massive infrastructure shifts are possible.

China also leads the world in electric mobility. Shenzhen became the first city to electrify its entire bus fleet - more than 16,000 vehicles - and then moved on to electrify taxis. Other cities quickly followed suit. Today, China operates more than half of the world’s electric buses.

Of course, buses alone cannot solve urban congestion, and car ownership continues to rise. But the pace of this transformation shows how quickly urban fleets can transition when backed by policy, subsidies and manufacturing capacity.

China has also undertaken ecological restoration at an unprecedented scale. Its Great Green Wall programme involves planting billions of trees to halt the spread of the Gobi Desert. On the Loess Plateau, decades of restoration have turned one of the world’s most degraded landscapes into fertile farmland, reducing soil erosion and improving rural livelihoods.

These projects have their own limits. Monoculture tree planting has sometimes failed. Ecological complexity is hard to replicate. Still, the scope of China’s efforts offers lessons for other regions facing desertification, from Africa’s Sahel region to India’s drylands.

China has also made urban resilience a priority. Through its “sponge city” programme, China is reimagining urban water management. Cities like Wuhan, Shanghai and Shenzhen are embedding wetlands, green roofs and permeable pavements to absorb rainwater, reduce flooding and disperse heat.

These experiments are not yet universal, and many cities still rely on traditional “grey infrastructure” like concrete drainage systems. But if scaled up effectively, sponge cities could become a global model for adapting to intensifying climate impacts.

Each of these accomplishments demonstrates the power of focused public investment and long-range planning. They also prove that rapid, large-scale transformation is possible.

Contradictions that alarm
Yet, China’s ecological ambition collides with another reality: its plans for continued economic expansion.

Coal addiction: despite its boom in renewable energy, China still generates more than half of its electricity from coal. Even as solar and wind expand, new coal plants continue to be approved. Each one locks in emissions for decades.

Industrial emissions: China is the world’s largest producer of steel and cement, two of the most carbon-intensive industries. They are the backbone of its infrastructure drive but exact steep ecological costs.

Mega-project disruptions: the celebrated Three Gorges Dam produces renewable electricity but displaced more than a million people and disrupted entire ecosystems. Other projects marketed as “green” carry similarly heavy environmental costs.

Governance gaps: environmental laws are tightening, but enforcement is often lax. Public participation is limited, and independent oversight remains weak.

For every inspiring green initiative there remains a countervailing commitment to fossil energy and industrial expansion. This is the Two Mountains paradox made visible.

Comparisons with others
China’s dilemma becomes well demonstrated in the EU and the US. While the EU leads the world in environmental regulation and citizen participation and has pioneered carbon pricing, it has been slow to build out the renewable infrastructure needed to meet its lofty goals. And in the US, we have world-class science, activism and technological innovation, yet fossil fuel interests have captured the politics, even more so under Donald Trump.

The Two Mountains Theory acknowledges the desire for both ecological health and economic expansion, even as it leaves unresolved the impossibility of achieving both. This may be China’s most important contribution to the world: not that it has solved the dilemma, but that it has made it visible. By holding up a mirror, China forces us all to see that the conflict is not uniquely Chinese - it is universal.

No climber can ascend two mountains at once. At some point, China—and all of us—must choose. For the sake of peace, for the wellbeing of the poor majority and for the survival of life itself, there will be no winners on a dead Earth. Humanity must climb the mountain of life.

Read part II here.

Saber mais:

The great divergence between the world’s two superpowers on climate policy continues. Chinese officials passed a major new environmental protection law on the last day of their annual policy meeting in Beijing.

Today’s Bloomberg Green explains what’s in the new legislation and what it means for Chinese climate policy going forward.

The Marrow of the Infinite

Foto do meu amigo Rui Manuel Vitor Cortes

"The mountain does not hold the water;
it is the water,
and the water is the stone’s slow breath.

We do not look at the wild;
we are the wild looking back at itself,
remembering that the boundary of our skin
is as porous as the moss upon the rock.

To go out into the wild is to go in,
climbing not over the rocks, but through the soul,
where every moss-slicked boulder
is a scripture written in green and grey.

Our biological dance is in the spray;
we breathe what the forest exhales,
and the forest drinks what we let fall.
There is no "environment" out there to save -
only our own extended body,
leaping over the precipice in a roar of white foam.

We listen with the heart that reconnects.
In the rush of the current, we hear the world’s grief
and the world’s ancient, stubborn joy.

We stop being the masters of the flow
and become the flow itself—
held by the ancestors of the silt,
feeding the children of the sea.

The granite stands. The water moves.
And we, the watchers, are the bridge
where the mountain finally learns
how beautiful it is. "

João Soares, 13.03.2016

Pedi ao Gemini para criar uma música baseada no meu poema. Ouvir aqui

Laibach - God Is God


(God is God)
(God is God)
(Is God)

(God is God) [4x]

You shall see Hell all clear in the sky
You shall see darkness (Darkness)
You shall see good and evil (Evil)
You shall see city walls crumble and towers fall

[Chorus:]
God is God
God is God
God is God
God (Is God)

You shall see Lord of Life and Death
You shall see Heaven in Hell (Heaven in Hell)
You shall be blinded by light
You shall see darkness (You shall see darkness)

[Chorus]

You shall see the walls crumble (Crumble)
Walls built of pain (The walls built of pain)
And above the cries of man (The cries of man)
Hear one voice saying: (Aaargh)

I am Alpha and Omega
The beginning and the end
I am the first
And I
Am the last

(God is God, Aagh)
(God Is God)
[3x]

You shall see Hell (You shall see)
You shall see evil (You shall see)
You shall see darkness (You shall see)
You shall see sorrow (You shall see)
You shall see Death (You shall see)
You shall see

[Chorus]

A canção "God Is God", lançada no álbum Jesus Christ Superstars (1996), é na verdade uma reinterpretação de um tema original dos Juno Reactor, um projeto de música eletrónica de nacionalidade britânica. 
Esta antecipação de cerca de sete meses só foi possível porque ambas as bandas faziam parte da família Mute Records. Durante uma visita aos escritórios da editora, os membros dos Laibach ouviram uma demo da faixa de Ben Watkins e, com o humor subversivo que lhes é característico, decidiram gravá-la primeiro.
Enquanto a versão original se focava num transe psicadélico e numa experiência espiritual de dança, o Laibach transformou-a num hino pesado e ritualista. O significado da faixa na voz do grupo esloveno reside na exploração da natureza do poder e da submissão; a repetição do mantra sugere uma verdade absoluta e inquestionável, confrontando o ouvinte com a forma como as massas se curvam perante figuras de autoridade, seja na religião ou na política.

A voz de barítono profunda de Milan Fras, cria e adensa essa atmosfera que oscila entre o solene e o provocatório.

Ao misturar o sagrado e o profano através de uma sonoridade militarista, a banda promove um espelhamento ideológico, questionando se a fé fervorosa difere, na sua essência, do fanatismo político.

Este processo é parte da estratégia de "superidentificação" do Laibach, que adota símbolos autoritários de forma tão extrema que força o público a refletir sobre a própria natureza da obediência.

"The cover version can be seen as a cynical populist tactic by artists lacking in originality, a gesture of contempt or as a respectful example of good taste and seriousness.
Laibach's open rejection of originality makes the first view irrelevant and the new originals are too ambivalent to be either entirely contemptuous or totally respectful.
A Laibachised song is sometimes more kitsch, sometimes more serious and sometimes more emotional than the "old original" it is based on.
Laibachisation re- and de-animates a song, reviving it for long enough to dispatch it again." - Alexei Monroe, author of Interrogation Machine

The origin of “God Is God” is as a semi-parody of Juno Reactor [remix]’s song of the same name, which includes samples of Charlton Heston in The Ten Commandments, in which the main character (Moses) declares the plagues and wrath that will come form God. Laibach expands on that concept by using their own verses based on that “you will see” motif.

As it happens, the Juno Reactor song this is based on was a response to Laibach’s previous hit “Life Is Life/Opus Dei.” Which, it turns out, was itself a thematic parody of a pop-rock song “Live Is Life” by Austrian light rock band Opus.

quinta-feira, 12 de março de 2026

The Awakening - Nothing Like the Rain

Versão original, 6ª canção do álbum Tales Of Absolution + Obsoletion lançado em Junho de 2009
 

Versão mais dançável,  6ª canção do álbum Anthology IV lançado em Abril de 2014


Letra
[Verso 1]
It doesn't have to be like this
Down on the floor with your heart
It never felt so meaningless
It's over, the hurting won't stop

[Verso 2]
It doesn't have to be like this
As time leaves and time wounds the dark
You suffocate the emptiness
It's over

[Refrão]
There's nothing like the rain here
To wash away the scars
There's nothing like the rain here
Feel it fall

[Verso 3]
It doesn't have to be like this
Broken by who you are, not
Sorrow leaves you with her kiss
And echoes the words to a song

[Verso 4]
It doesn't have to be like this
Down on the floor with your past
The suffocating emptiness
Is over

[Refrão]

[Verso 5]
And like some other tragedy
You drift away in spite of me
And like, the words I've never known
I'm shown

[Refrão]

Esta música é um mergulho profundo no Gótico moderno, onde a melancolia não é apenas tristeza, mas uma forma de catarse. A letra explora temas clássicos de perda, arrependimento e a busca por redenção emocional, colocando o eu lírico num momento de colapso — "no chão com seu coração" — enquanto tenta processar o fim de algo doloroso.

Dentro desta narrativa, a metáfora da chuva é central: no universo da música gótica, a chuva raramente é apenas clima; ela representa uma força externa que limpa e "lava as cicatrizes". É um momento de entrega total onde, quando não há mais o que fazer, o indivíduo permite que a chuva caia para levar o peso do passado. Essa resiliência trágica é reforçada pelo refrão "it doesn't have to be like this" (não precisa ser assim), que sugere uma luta interna contra o sofrimento cíclico e a tentativa desesperada de encontrar um fim para o vazio sufocante que a dor deixou.

Musicalmente, o The Awakening entrega aqui um exemplo perfeito de Darkwave e Gothic Rock. Com o uso de sintetizadores atmosféricos, guitarras dramáticas e a voz barítona marcante de Ashton Nyte, a canção cria uma sensação de espaço vasto e solitário. É uma sonoridade que herda o legado de bandas como The Sisters of Mercy, mas com uma sensibilidade moderna que transforma a angústia em algo esteticamente belo e libertador.

Vítimas silenciosas da guerra: como o conflito do Irão está a envenenar a vida selvagem e o mar


Florestas queimadas, fauna em fuga, mares contaminados: o impacto ecológico do conflito pode durar décadas — muito para além do fim da guerra.
A guerra no Irão continua em fúria — e não é apenas uma guerra entre estados. É também uma guerra contra a natureza.
Enquanto o mundo debate geopolítica, sanções e equilíbrios de poder, as verdadeiras vítimas silenciosas -florestas, zonas húmidas, fauna selvagem e ecossistemas marinhos - estão a ser destruídas, contaminadas e abandonadas.
Os recentes ataques a centrais de dessalinização no Médio Oriente realçam a vulnerabilidade das infraestruturas hídricas nas guerras modernas.
Isto não é simplesmente “dano colateral”. É sabotagem ecológica com efeitos que poderão durar décadas.
Investigadores e organizações independentes têm vindo a alertar para os riscos ambientais associados ao conflito. O Conflict and Environment Observatory tem documentado incidentes ambientais relacionados com operações militares e infraestruturas energéticas na região, demonstrando como a guerra pode gerar impactos ecológicos prolongados 

Florestas queimadas, habitats destruídos
Nas províncias de Lorestan e Kermanshah, ataques militares desencadearam incêndios que devastaram áreas florestais e zonas naturais. Animais fugiram ou morreram queimados enquanto as chamas se propagavam pelos habitats.
As explosões e os incêndios não destroem apenas árvores. Fragmentam ecossistemas inteiros.
Quando os habitats desaparecem, espécies que dependem deles — desde pequenos insetos até mamíferos e aves migratórias - ficam sem abrigo, sem alimento e sem rotas de migração seguras.
Segundo análises do Gulf International Forum, os danos ambientais provocados pelo conflito podem agravar problemas ecológicos já existentes no país, como desertificação, escassez de água e perda de biodiversidade .

Guerra tóxica, legado tóxico
Cada bombardeamento deixa para trás muito mais do que crateras.
A destruição de instalações militares, depósitos de combustível e infraestruturas industriais pode libertar uma mistura perigosa de poluentes: combustíveis, metais pesados, compostos tóxicos e partículas finas.
Incêndios em instalações petrolíferas libertam grandes quantidades de carbono negro e partículas tóxicas que permanecem na atmosfera e acabam por regressar ao solo através da precipitação, contaminando solos e águas subterrâneas.
Essas substâncias podem permanecer no ambiente durante décadas. O resultado é uma contaminação lenta da cadeia alimentar — um processo invisível, mas devastador para a fauna e para as comunidades humanas.
Organizações de investigação ambiental, como a Environmental Protection Knowledge Network, têm alertado para a necessidade urgente de monitorizar os impactos ecológicos do conflito 


O Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz: um ecossistema sob risco
O conflito não se limita ao território iraniano.
No Golfo Pérsico, ataques a portos, navios e infraestruturas petrolíferas aumentam o risco de derrames de petróleo e contaminação marinha. Navios danificados e instalações energéticas atingidas podem libertar grandes quantidades de combustível no mar.
O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, é também uma área crítica para a biodiversidade regional. Mangais, recifes de coral e praias de nidificação podem ser rapidamente afetados por petróleo e produtos químicos.
Projetos internacionais de investigação e proteção ambiental, como o Eco Servants Project, sublinham que conflitos armados podem provocar danos ecológicos irreversíveis e dificultar a recuperação dos ecossistemas 


Quem será responsabilizado?
A comunidade internacional discute cessar-fogos, sanções e diplomacia.
Mas quase ninguém discute as florestas que arderam, os rios que foram contaminados ou as espécies empurradas para a extinção.
E, no entanto, as consequências ambientais da guerra podem durar muito mais tempo do que o próprio conflito.
A restauração de ecossistemas destruídos pode levar décadas — quando é possível restaurá-los.
Enquanto isso, a destruição continua.
Os animais, as florestas e os mares não esperam por tratados de paz.
Eles estão a desaparecer agora.

As observações de satélite confirmam a previsão da variação do nível do mar dos anos 90


As projeções climáticas dos anos 90 acertaram em cheio na subida do nível do mar, mas subestimaram o degelo das camadas de gelo. Agora, com a aceleração da subida do nível do mar, os cientistas alertam para os riscos regionais e para a possibilidade de um colapso catastrófico.

As alterações globais do nível do mar são medidas por satélites há mais de 30 anos e uma comparação com as projeções climáticas de meados da década de 1990 mostra que estas são notavelmente exatas, de acordo com dois investigadores da Universidade de Tulane.

“O derradeiro teste às projeções climáticas é compará-las com o que se passou desde que foram feitas, mas isso requer paciência - são necessárias décadas de observações”. Torbjörn Törnqvist, autor principal do estudo e Professor de Geologia no Departamento de Ciências da Terra e do Ambiente.
Törnqvist frisa ainda que os investigadores ficaram espantados com a qualidade das primeiras projeções, especialmente quando comparamos a rudeza dos modelos existentes na altura, com os que estão disponíveis agora.

O nível do mar não varia de forma uniforme
O coautor Sönke Dangendorf, Professor Associado no Departamento de Ciências e Engenharia Fluvial e Costeira, afirmou que, embora seja encorajador ver a qualidade das primeiras projeções, o desafio atual é traduzir a informação global em projeções adaptadas às necessidades específicas das partes interessadas em locais como o sul do Louisiana.

"O nível do mar não sobe uniformemente - varia muito. O nosso estudo recente desta variabilidade regional e dos processos que lhe estão subjacentes baseia-se, em grande medida, nos dados das missões de satélite da NASA e nos programas de monitorização dos oceanos da NOAA. A continuação destes esforços é mais importante do que nunca e essencial para a tomada de decisões informadas em benefício das pessoas que vivem ao longo da costa.” Sönke Dangendorf.

Uma nova era de monitorização das alterações globais do nível do mar arrancou quando foram lançados satélites no início dos anos 90 para medir a altura da superfície do oceano. Isto mostrou que a taxa de subida global do nível do mar desde essa altura tem sido, em média, de cerca de 0,30 centímetros por ano. Só mais recentemente é que se tornou possível detetar que a taxa de subida do nível do mar está a acelerar.

Quando os investigadores da NASA demonstraram, em outubro de 2024, que a taxa duplicou durante este período de 30 anos, chegou o momento de comparar esta descoberta com as projeções feitas em meados da década de 1990, independentemente das medições por satélite.

As projeções do IPCC verificaram-se bastante próximas da realidade, apesar da subestimação do degelo
Em 1996, o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) publicou um relatório de avaliação pouco depois do início das medições do nível do mar por satélite. Projetava que o valor mais provável da subida global do nível do mar nos próximos 30 anos seria de quase 8 cm, notavelmente próximo dos 9 cm que se verificaram. Mas também subestimou o papel do degelo em mais de 2 cm.

Na altura, pouco se sabia sobre o papel do aquecimento das águas oceânicas e sobre a forma como este poderia desestabilizar os setores marinhos do manto de gelo antártico a partir de baixo. O fluxo de gelo do manto de gelo da Gronelândia para o oceano também tem sido mais rápido do que o previsto.

As regiões com cotas ao nível do mar encontram-se sob maior risco, em caso de subida do nível do mesmo.

As dificuldades do passado em prever o comportamento dos mantos de gelo também contêm uma mensagem para o futuro. As atuais projeções da futura subida do nível do mar consideram a possibilidade, embora incerta e de baixa probabilidade, de um colapso catastrófico do manto de gelo antes do final deste século.

As regiões costeiras baixas dos Estados Unidos seriam particularmente afetadas se esse colapso ocorresse na Antártida.

Referências bibliográficas

R. S. Nerem
Nerem, R. S., Beckley, B. D., Fasullo, J. T., Hamlington, B. D., Masters, D., & Mitchum, G. T. (2018). Climate-change–driven accelerated sea-level rise detected in the altimeter era. Proceedings of the National Academy of Sciences, 115(9), 2022-2025

Torbjörn E. Törnqvist, Clinton P. Conrad, Sönke Dangendorf, Benjamin D. Hamlington. Evaluating IPCC Projections of Global Sea-Level Change From the Pre-Satellite Era. Advancing Earth and Space Science - Earth’s Future (2025).

Viktor Orri Árnason - Hino da Terra


Snæfellsnes é uma península no oeste da Islândia, conhecida pelas suas paisagens dramáticas e pelo glaciar Snæfellsjökull.
No âmbito do projeto “Our Common Nature” de Yo-Yo Ma, Viktor Orri Árnason compôs “Earth Hymn”. Filmado ao vivo à sombra do glaciar Snæfellsnes, com Yo-Yo Ma e um pequeno coro a cantar palavras retiradas da antiga poesia islandesa - este é um apelo ao mundo desde a orla de um planeta em mudança.
Esta é uma peça profundamente evocativa, inspirada na mitologia nórdica e na urgência climática atual. O texto original em nórdico antigo provém do Völuspá (A Profecia da Vidente), um dos poemas mais importantes da Edda em Verso.

I. O Renascimento
Sér hún upp koma
öðru sinni
jörð úr ægi
iðjagræna.
Falla fossar,
flýgur örn yfir,
sá er á fjalli
fiska veiðir.

Vê ela erguer-se, uma segunda vez,
a terra do oceano, de um verde exuberante;
caem as cascatas; sobrevoa a águia,
aquela que, no monte, captura o peixe.

II. A Morada de Ouro
Sal sér hún standa
sólu fegra,
gulli þaktan
á Gimlé.
Þar skulu dyggvar
dróttir byggja
og um aldurdaga
yndis njóta.

Vê ela um salão erguido,
mais brilhante que o sol,
coberto de ouro, em Gimlé:
ali habitarão as gentes honradas,
e para todo o sempre desfrutarão da alegria.

Notas Curiosas para Contexto
  1. Gimlé: na mitologia nórdica, é o lugar mais alto e belo, destinado a sobreviver ao Ragnarök (o fim do mundo). É o refúgio da luz.
  2. "Gentes honradas" (Dyggvar dróttir): a tradução de righteous people em Portugal ganha um peso ético e comunitário, remetendo para aqueles que vivem com integridade.
  3. O simbolismo: A imagem da águia a pescar no monte simboliza uma natureza que recuperou o seu vigor e abundância originais.
Créditos:
Viktor Orri Árnason, maestro e compositor
Yo-Yo Ma, violoncelo
Maria Konráðsdóttir - soprano, Hildigunnur Einarsdóttir - mezzo-soprano, Eyjólfur Eyjólfsson - tenor, Fjölnir Ólafsson - barítono, Philip Barkhudarov - baixo

quarta-feira, 11 de março de 2026

Nestes tempos de belicismo relembro esta canção "Masters of War", magnificamente cantada por Eddie Vedder, durante o Concerto de Aniversário dos 30 anos de carreira de Bob Dylan (1992)


Letra
Come you masters of war
You that build all the guns
You that build the death planes
You that build the big bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks

You that never done nothin’
But build to destroy
You play with my world
Like it’s your little toy
You put a gun in my hand
And you hide from my eyes
And you turn and run farther
When the fast bullets fly

Like Judas of old
You lie and deceive
A world war can be won
You want me to believe
But I see through your eyes
And I see through your brain
Like I see through the water
That runs down my drain

You fasten the triggers
For the others to fire
Then you set back and watch
When the death count gets higher
You hide in your mansion
As young people’s blood
Flows out of their bodies
And is buried in the mud

You’ve thrown the worst fear
That can ever be hurled
Fear to bring children
Into the world
For threatening my baby
Unborn and unnamed
You ain’t worth the blood
That runs in your veins

How much do I know
To talk out of turn
You might say that I’m young
You might say I’m unlearned
But there’s one thing I know
Though I’m younger than you
Even Jesus would never
Forgive what you do

Let me ask you one question
Is your money that good
Will it buy you forgiveness
Do you think that it could
I think you will find
When your death takes its toll
All the money you made
Will never buy back your soul

And I hope that you die
And your death’ll come soon
I will follow your casket
In the pale afternoon
And I’ll watch while you’re lowered
Down to your deathbed
And I’ll stand o’er your grave
’Til I’m sure that you’re dead 
Bod Dylan, 1963

"Masters of War" é, sem dúvida, uma das composições mais viscerais de Bob Dylan, funcionando como um manifesto implacável contra aqueles que lucram com a destruição alheia. Escrita num contexto de profunda ansiedade devido à Guerra Fria e à crescente intervenção militar, a canção distingue-se por não recorrer às habituais metáforas abstratas de Dylan; em vez disso, utiliza uma linguagem direta e gélida para confrontar o complexo industrial-militar. O foco da crítica não são os soldados que combatem no terreno, mas sim os estrategas e fabricantes de armas que, protegidos pelo conforto das suas secretárias e pelas paredes de vidro dos seus escritórios, enviam os jovens para a morte como se fossem meras peças num tabuleiro de xadrez.

Ao longo da letra, Dylan expõe a cobardia inerente a este sistema, acusando os "mestres" de se esconderem enquanto o mundo arde. A utilização de referências bíblicas, como a comparação a Judas, eleva a crítica de um plano meramente político para um plano moral e espiritual. Para Dylan, estas figuras não cometem apenas erros estratégicos; elas cometem um pecado imperdoável contra a própria humanidade ao colocarem o lucro acima da vida e ao brincarem com a ameaça do aniquilamento nuclear como se o mundo fosse um brinquedo descartável.

O que verdadeiramente distingue esta obra de outras canções de protesto da década de 60 é a sua conclusão sombria e desprovida de qualquer otimismo pacificador. Dylan não pede paz ou diálogo; ele expressa um desejo de justiça absoluta e final. Ao declarar que espera seguir estes homens até ao seu túmulo e que se manterá de pé sobre a sua cova até confirmar que partiram definitivamente, o músico canaliza uma fúria profética que reflete o desespero de uma geração que se sentia traída pelos seus líderes. É uma peça de uma agressividade rara, onde o autor despe a diplomacia para revelar a podridão de um sistema que vicia o baralho da existência humana.

Página Oficial do Concerto aqui e aqui

Concerto completo aqui

MacKenzie Scott gave away more than $7 billion last year—but her secretive style got her snubbed from a top donors list


Thanks to multiple historic donations last year and an eye-popping volume of philanthropic gifts, MacKenzie Scott has etched her way to becoming one of the world’s most generous philanthropists.

But the Chronicle of Philanthropy doesn’t see it that way.

Although Scott donated more than $7 billion to more than 120 organizations last year through her philanthropic organization, Yield Giving, the Chronicle didn’t recognize her on its list of the top 50 donors this year.

Scott’s donations in 2025 alone eclipsed that of her ex-husband Jeff Bezos’ lifetime giving, but the billionaire philanthropist’s playbook got in the way of her being recognized on the list. Scott is notoriously secretive and under-the-radar with her donations, never seeking press coverage for her gifts and rarely offering insights into the donations she’s made. 

“MacKenzie Scott is among the notable absences on the Philanthropy 50 list,” according to the Chronicle. “While it is possible she made gifts to her donor-advised funds that would have earned her a spot on the Philanthropy 50, she and her representatives declined to provide such information to the Chronicle.”

It’s essentially impossible to contact Yield Giving (Fortune has tried and failed innumerable times to receive more information about donations she’s made in the past). So, confirming donations for a list like the Chronicle compiles wasn’t possible. Still, Scott has appeared on other generous donor lists, including Forbes, which recognized her for the speed at which she gives and the amount of her net worth she’s donated (at least 40%).

Since 2020, Scott has donated $26 billion, while Forbes currently estimates that Bezos and his wife, Lauren Sánchez Bezos, have given about $4.7 billion to charity over their lifetimes. That’s just about one-fifth of what Scott has donated since her 2019 divorce from Bezos, when she received about 4% of Amazon stock, amounting to roughly $36 billion to $38 billion at the time. Scott’s net worth (currently $38.9 billion) continues to be buoyed by the ever-increasing upward trajectory of Amazon shares, though.

“Scott awarded grants totaling about $7 billion to at least 120 charities last year through her Yield Giving fund, but she continues to decline to provide details about how much money she is funneling into the grant maker,” the Chronicle continued.

Scott has donated 40% of her net worth, while Bezos has donated less than 2% of his.

Still, critics find the Chronicle’s exclusion bizarre.
“I find it odd that MacKenzie Scott isn’t on this list,” Hans Peter Schmitz, the Bob and Carol Mattocks distinguished professor in nonprofit leadership at North Carolina State University, told The Conversation. “She says she gave $7.1 billion in 2025. If she had met the Chronicle of Philanthropy’s criteria, that would have landed her in first place by far.”

Schmitz recognizes, though, the Chronicle’s methodology knocked Scott from the list since she’s “never provided sufficient information about her generosity since becoming a major donor on her own, following her 2019 divorce from Amazon founder Jeff Bezos.”

“And that leaves her off the list year after year,” Schmitz said.

How MacKenzie Scott makes donations
Scott can be considered one of the most generous philanthropists in the world, but she’s also the most mysterious—so much so, some donors have even thought donation emails were spam. That has to do with the fact that Yield Giving typically contacts organizations to offer a donation rather than the other way around. Still, her process for sussing out organizations is extensive, sources have told Fortune.

The hallmark of Scott’s giving style is making unrestricted gifts, meaning organizations can use the donations however they choose. That comes after a thorough due diligence process, though, Anne Marie Dougherty, CEO of the Bob Woodruff Foundation, told Fortune. Scott donated $15 million to the veteran-focused nonprofit organization in 2022 and made a subsequent $20 million donation in fall 2025. The $15 million gift was the largest in history at the organization, which was founded in 2006—the same year military reporter Bob Woodruff was severely injured by a roadside bomb in Iraq.

The due diligence process for Scott included sharing information such as the organization’s strategic plan, audited financials, business plans, organization chart, and grant-making process, Dougherty said. But after the donation was made, Yield Giving was very hands-off, she added.

“Unlike traditional funding processes that often involve lengthy applications, specific restrictions, and reporting requirements, her style empowers organizations like ours to determine how best to direct funds quickly and innovatively to address pressing issues,” Noni Ramos, CEO of Housing Trust Silicon Valley, told Fortune in late 2024, when her organization received a $30 million gift from Scott.

The fact that Scott doesn’t make a big to-do about her donations and largely allows organizations to use gifts however they see fit goes back to her overall philanthropic philosophy: She’s just one cog of a generosity wheel, and works to inspire others as others have inspired her.

“[The] dollar total [I’ve donated] will likely be reported in the news, but any dollar amount is a vanishingly tiny fraction of the personal expressions of care being shared into communities this year,” Scott wrote in a December 2025 essay. “It is these ripple effects that make imagining the power of any of our own acts of kindness impossible.”

Indeed, every time she’s made a donation, she’s thought about the generosity from others she’s experienced in her life, including free dental work from a local dentist in college when she was using denture glue to get by—and her college roommate who loaned her $1,000 so she wouldn’t have to drop out during her sophomore year at Princeton University.

“The potential of peaceful, non-transactional contribution has long been underestimated, often on the basis that it is not financially self-sustaining, or that some of its benefits are hard to track,” Scott wrote. “But what if these imagined liabilities are actually assets?”At the Fortune Workplace Innovation Summit, Fortune 500 leaders will convene to explore the defining questions shaping the workforce of the future—delivering bold ideas, powerful connections, and actionable insights for building resilient organizations for the decade ahead.


Saber mais

More Billionaires Than Ever


Billionaires dominate today’s world like never before—and now hold a record $20.1 trillion in collective wealth, according to Forbes’ 2026 World’s Billionaires List.

This year’s ranking features an all-time high of 3,428 entrepreneurs, investors and heirs—20 of whom are now in the ultra-elite “$100 Billion Club.” Among those to hit a dozen digits this year is crypto kingpin Changpeng Zhao, or CZ. And the richest of all is still Elon Musk, who is worth a record $839 billion.

Unsurprisingly, the AI boom has also minted new billionaires, paving the way for younger entrepreneurs to get rich faster than ever. There are a record 35 billionaires under the age of 30.

O ano de 2026 marca um recorde histórico para a classe dos bilionários, impulsionado pela explosão da Inteligência Artificial (IA), mercados financeiros em alta e políticas fiscais favoráveis.

Principais Números:
  1. Total de bilionários: 3.428 pessoas (um aumento de 400 em relação a 2025).
  2. Fortuna combinada: recorde de 20,1 biliões de dólares (um aumento de 4 biliões face ao ano anterior).
  3. Centi-bilionários: existem agora 20 pessoas com fortunas superiores a 100 mil milhões de dólares, detendo juntas 19% de toda a riqueza da lista.
Destaques Individuais:
Elon Musk (1.º lugar): continua a ser a pessoa mais rica do mundo (e de sempre) com 839 mil milhões de dólares. A sua fortuna quase duplicou num ano, impulsionada pela valorização da Tesla e pela expectativa do IPO da SpaceX. Está no caminho para se tornar o primeiro "trilionário" do mundo.

O Domínio Tecnológico: o top 5 é dominado por nomes de tecnologia: Larry Page (2.º), Sergey Brin (3.º), Jeff Bezos (4.º) e Mark Zuckerberg (5.º).

O Fenómeno da IA: a IA foi o grande motor de novos ricos, adicionando 45 novos nomes à lista e elevando a fortuna de veteranos como Jensen Huang (Nvidia), que ocupa agora a 8.ª posição.

Novas Entradas Notáveis: a lista de 2026 conta com 390 recém-chegados, incluindo figuras da cultura pop e do desporto como Beyoncé, Dr. Dre e a lenda do ténis Roger Federer.

Geografia da Riqueza:
Os EUA lideram com 989 bilionários.
A China (incluindo Hong Kong) segue em segundo com 610.
A Índia mantém o terceiro lugar com 229 bilionários.

NECRØ - Hanged Man


Lyrics:

[Verse 1]
All gifts are temporary
A gap in time into nothingness
We are left
Amongst strangers

[Refrão]
A perpetual sound
The pulse of the world
This is the heart
Of a hanged man

Our loss is lost
Our grief is gone
This is the heart
Of a hanged man

[Verse 2]
I had so much time to speak
To choose violence over fear
Feet, sticks and shields
Make sense of this fear
I had so much time to speak

[Verse 3]
Burning
Crashing
Longing
Hurting

[Refrão]

A canção "Hanged Man", presente no EP Death Beats (2023), carrega um simbolismo profundo retirado diretamente da carta XII do Tarot, O Enforcado. O significado da faixa gira em torno de temas como o sacrifício voluntário, a estagnação e a necessidade de observar o mundo sob uma nova perspetiva através da suspensão. Liricamente, a música explora estados de paralisia emocional e isolamento, enquanto a sua estrutura rítmica mecânica e os vocais ecoantes reforçam uma sensação de claustrofobia e inevitabilidade, caraterística da exploração da mortalidade que o projeto propõe.

terça-feira, 10 de março de 2026

A Naifa - Bolero Do Coronel Sensível Que Fez Amor Em Monsanto


Poema original e o álbum aqui 

Poema escrito e cantado em 1992 [1] e infelizmente continua a ser assim
Este poema de António Lobo Antunes é uma das peças mais cortantes da literatura contemporânea portuguesa, servindo como uma autópsia da hipocrisia burguesa e da profunda desigualdade social. A narrativa centra-se num homem que se descreve como alguém extremamente sensível — "eu que me comovo por tudo e por nada" — mas que, na prática, revela uma frieza absoluta e uma capacidade de desumanização assustadora. Ao longo do texto, assistimos à descrição de um encontro sexual pago com uma adolescente, entre os quinze e os dezassete anos, cujo corpo é tratado como um objeto descartável: ele "usa", "paga", "esquece o nome" e "limpa-se com o lenço".

A crueza do relato é acentuada pelos detalhes da miséria da rapariga, que cheira a "mato", à "sopa dos pobres" e ao "suor" da carência, contrastando com a transação clínica de quinhentos escudos. O autor utiliza a metáfora da "coxa em semifusa" e do "rosto de aguarela" para sublinhar a fragilidade e a rapidez com que aquela vida é consumida e deixada para trás, "parada na berma da estrada", enquanto o narrador retoma a sua existência de classe média.

O clímax do poema reside no regresso a casa. O narrador veste a máscara da normalidade, mente à mulher e ao filho dizendo que "fez serão" (trabalhou até tarde), janta calmamente e deita-se. Contudo, a imagem da jovem não o larga. O final sugere que a sua suposta sensibilidade não é empatia, mas sim uma obsessão perturbadora ou um remorso estéril. Ele está na segurança do seu lar, mas o seu pensamento permanece naquele corpo explorado, reforçando a ideia de uma sociedade que se comove com abstrações ou sentimentalismos baratos, mas que é capaz de conviver com a exploração e a degradação humana mais abjeta sem perder o apetite ou o sono.

[1] Nota Linguística: o poema utiliza termos muito específicos do quotidiano português do século XX, como o "alcatrão" (asfalto), o "serão" (trabalho noturno) e os "escudos". É uma crítica social feroz à "boa sociedade" que, por trás das portas, explora a miséria mais profunda.