quarta-feira, 8 de julho de 2026

Meta-análise global revela os países menos racistas do mundo em 2026


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O racismo é a crença de que uma determinada raça é inferior ou superior a outra e de que as características biológicas de uma pessoa predeterminam os seus traços morais ou sociais. Quem perfilha crenças racistas pode encarar outras raças como menos dignas e, em casos extremos, até como subumanas. O racismo pode assumir muitas formas diferentes e manifestar-se de variadas maneiras, sendo tipicamente influenciado por diversos fatores culturais, religiosos, económicos ou históricos.

Ao longo da história da humanidade, o racismo sempre esteve presente, tendo influenciado guerras, a escravatura, códigos jurídicos, a ascensão e queda de nações e, talvez mais importante, o quotidiano de milhões — ou possivelmente milhares de milhões — de pessoas. O racismo demonstrado pelas potências ocidentais face a populações não ocidentais no século XX teve um impacto particularmente profundo na história, de forma mais notória na escravatura forçada de milhões de africanos. Nos Estados Unidos, a escravatura foi a principal causa da Guerra Civil. Além disso, o racismo continua a ecoar nos EUA modernos em eventos como o crescimento do movimento Black Lives Matter e os protestos de 2020-21 na sequência dos homicídios de George Floyd e Breonna Taylor.

Medir a tolerância racial de um país com precisão é um verdadeiro desafio. O racismo não é um número simples, como a população ou o rendimento médio; reveste-se de muitas formas, sendo perfeitamente possível que uma pessoa, grupo social, cultura ou país conviva pacificamente com uma raça ou situação, mas seja completamente intolerante em relação a outra. Por exemplo, uma pessoa de etnia caucasiana que não tenha qualquer problema em viver ao lado de um vizinho asiático pode opor-se firmemente a que uma pessoa negra se junte à sua família pelo casamento. Do mesmo modo, como a maioria dos respondentes em inquéritos tem consciência de que o racismo não é propriamente visto com bons olhos na sociedade atual, a veracidade e a honestidade das respostas podem ser difíceis de verificar. Devido a estas complicações, os investigadores recorrem habitualmente a sondagens para recolher informação sobre a consciência pública, combinando depois múltiplas perguntas, inquéritos ou estudos para determinar o verdadeiro nível de tolerância racial de um país.

O World Values Survey (WVS) é um programa de investigação internacional que estuda os valores sociais, políticos, económicos, religiosos e culturais, incluindo a tolerância racial e o racismo. Este inquérito coloca dezenas de perguntas a respondentes de mais de 80 países, incluindo uma que solicita a identificação de tipos de pessoas que não desejariam ter como vizinhos. Quanto maior for o número de pessoas de um determinado país a responder que ficaria satisfeita por ter um vizinho de uma raça diferente, mais tolerante do ponto de vista racial é considerado esse país. Já o relatório anual Best Countries, um esforço conjunto da U.S. News and World Report, do BAV Group e da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, adicionou perguntas específicas sobre tolerância racial ao seu relatório de 2023 que, tal como o de 2024, inquiriu mais de 17.000 pessoas em 36 países.

De uma forma geral, os países mais tolerantes em ambos os estudos foram os países escandinavos, os países latinos, o Reino Unido e as suas antigas colónias (Austrália, Canadá e Nova Zelândia). Em contrapartida, os países menos tolerantes do ponto de vista racial (Catar, Sérvia, Arábia Saudita, Irão) tenderam a situar-se em África e na Ásia. Houve também exceções. Por exemplo, embora outras antigas colónias britânicas se tenham posicionado perto do topo da lista, os Estados Unidos ocuparam o 55.º lugar num total de 89 países em 2024, em grande parte devido àquilo que é frequentemente visto como racismo institucionalizado em áreas como o emprego, a educação e o sistema de justiça criminal. Por outro lado, o Paquistão apresenta vários fatores que costumam coincidir com a intolerância racial - tais como baixos índices económicos e humanos e uma violência sectária notória -, contudo, apenas 6,5% dos paquistaneses se opuseram a ter um vizinho de uma raça diferente.

Por fim, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (ICERD) é uma convenção das Nações Unidas comprometida com a erradicação da discriminação racial, exigindo que todas as partes signatárias proíbam o discurso de ódio e criminalizem a filiação em organizações racistas. 

Fontes

O debate sobre a IA vai além do desemprego. Segundo os especialistas, o perigo real está na perda da nossa capacidade de raciocínio sem o auxílio da ferramenta


Já se apercebeu de que a inteligência artificial generativa altera o seu raciocínio antes mesmo de alterar o seu trabalho? Esta é a grande mudança que escapa ao debate superficial sobre a perda de empregos. A IA generativa já encerrou a sua fase de curiosidade.

Segundo o Stanford AI Index de 2026, atingiu 53% de adoção populacional em apenas três anos - um ritmo mais rápido do que o do computador pessoal e da internet. Entrou definitivamente na nossa rotina mental. O ponto central, portanto, é bem mais profundo: a IA está a redefinir o próprio conceito de inteligência.

Kai-Fu Lee, um dos gurus da tecnologia, compreendeu esta viragem após enfrentar um cancro e deslocou a sua visão da eficiência corporativa para uma questão civilizacional: de que serve a produtividade se esta passa ao lado da educação e da desigualdade? Para ele, a IA deve ser um amplificador da capacidade humana.

Na medicina, por exemplo, modelos de apoio ao diagnóstico analisam padrões em exames com uma precisão absurda, mas o médico continua responsável pela decisão clínica. A máquina amplia a visão; o humano decide. Substituir o trabalho humano por cálculo é uma coisa. Aumentar a qualidade da decisão humana com cálculo é outra, bem mais interessante.

Mas há um ponto cego nesta facilidade. Pensadores como Yuval Harari e Nick Bostrom alertam para o risco de criarmos burocracias algorítmicas incompreensíveis ou superinteligências eficientes, porém moralmente desastrosas.

No entanto, o nó mais incómodo vem do Prémio Nobel Daron Acemoglu: ao delegarmos a mediação, o filtro e a síntese para sistemas globais, criamos lacunas na aprendizagem social.
A ameaça real não é cinematográfica, é cognitiva. Nós externalizamos o pensamento e, em breve, iremos estranhar a perda de reportório.
Como aponta a cientista de dados Cassie Kozyrkov, a IA democratizou a decisão sofisticada. Um profissional sem formação analítica agora testa hipóteses complexas. O problema começa quando a facilidade se transforma em confiança automática. Um modelo fluente esconde premissas frágeis. Quem usa IA sem método troca o raciocínio pelo acabamento. E o acabamento costuma enganar pessoas inteligentes.

Esta mudança já está a redesenhar o mercado. Dados recentes de uma consultora global que analisou mais de mil milhões de ofertas de emprego mostram um cenário com dois caminhos. As funções em que a IA profissionaliza o trabalho crescem duas vezes mais e pagam salários 42% mais altos.

Em contrapartida, os cargos de entrada exigem agora competências seniores - como liderança e criatividade - sete vezes mais do que antes. Eis a consequência menos óbvia: a IA encurtou a escada de aprendizagem. O principiante perde o treino repetitivo que formava o seu critério. Ganha a ferramenta, mas perde o rito.

O FMI corrobora esta pressão, apontando que 40% dos empregos globais estão expostos. Mas o pânico é desnecessário. O profissional de excelência será aquele que for capaz de formular boas perguntas, desconfiar de boas respostas e assumir o risco de decidir quando a máquina sugerir o caminho mais cómodo.

Casos reais do Fórum Económico Mundial impressionam, como o de empresas que reduziram análises fiscais complexas de semanas para três dias. Mas estes sucessos dependeram do redesenho de processos, de dados limpos e de governança. Sem isso, a automação torna-se apenas num verniz. Além disso, precisamos de descartar a fantasia de que a produtividade se transforma em tempo livre por gravidade.

O economista Adam Shaw lembra que a estrutura económica costuma absorver estes ganhos antes que se transformem em lazer. A tecnologia abre a possibilidade; as instituições e a cultura decidem o destino.

Por isso, investir em IA sem educação crítica aumenta a velocidade, mas reduz o discernimento. As empresas e escolas que treinarem pessoas apenas para usar ferramentas terão operadores rápidos.

As que ensinarem limites, critérios e responsabilidade formarão profissionais ampliados. O conhecimento deixará de ser acumulação e passará a ser a capacidade de orientar máquinas, avaliar respostas e sustentar escolhas sob incerteza.

A IA não vai substituir a nossa mente por decreto; fá-lo-á por escolha nossa. Se lhe entregarmos o esforço de pensar, perderemos algo muito mais íntimo do que os nossos empregos: perderemos a musculatura moral que nos permite decidir quem queremos ser quando a máquina souber responder melhor do que nós.

Os muçulmanos eram historicamente menos tolerantes do que os cristãos?

A resposta curta é: não. E também não é verdade o contrário.

A História raramente cabe em slogans.

Se olharmos para o território que hoje é Portugal, entre os séculos VIII e XIII, encontramos uma realidade bem mais complexa. Durante o domínio islâmico, cristãos e judeus podiam manter a sua religião mediante o pagamento de impostos específicos e com algumas limitações legais. Não tinham igualdade de direitos, mas também não eram automaticamente expulsos ou obrigados à conversão. Houve discriminação, sim; mas também houve séculos de convivência, comércio e intercâmbio cultural.

Depois da Reconquista cristã, a situação inverteu-se. Os muçulmanos que permaneceram em território português (os mudéjares) continuaram inicialmente a existir em comunidades próprias, mas a sua liberdade foi sendo progressivamente restringida. Muitas mesquitas foram transformadas em igrejas, surgiram mourarias segregadas e, com o passar dos séculos, aumentaram as pressões para a conversão. No final do século XV e início do XVI, Portugal deixou praticamente de admitir a existência pública do Islão e do Judaísmo.

Ou seja: houve períodos de maior tolerância e períodos de maior intolerância dos dois lados.

Também é importante lembrar que o conceito moderno de liberdade religiosa simplesmente não existia. Tanto reinos cristãos como Estados muçulmanos entendiam a religião como parte da ordem política. A tolerância, quando existia, era normalmente pragmática e limitada, não baseada na igualdade entre cidadãos.

A História de Portugal mostra precisamente isso: nem um paraíso de convivência, nem uma guerra permanente de civilizações. Houve guerras, massacres, discriminações, mas também séculos de coexistência, acordos e influência mútua.

Outro exemplo que mostra como a História é mais complexa do que slogans é a Palestina.

Antes da criação de Israel, em 1948, a Palestina sob o Mandato Britânico tinha comunidades muçulmanas, cristãs e judaicas. Havia tensões e episódios de violência entre elas, mas também coexistência em muitas cidades. A liberdade religiosa existia, embora condicionada pelo contexto político e pelos conflitos crescentes entre comunidades.

Depois de 1948, e sobretudo após 1967, a situação tornou-se muito mais complexa. A ocupação israelita da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental trouxe restrições de circulação que afetam o acesso de muçulmanos e cristãos aos seus locais sagrados em determinados períodos. Ao mesmo tempo, Israel garante liberdade de culto dentro das suas fronteiras reconhecidas, embora organizações internacionais tenham documentado restrições relacionadas com segurança, discriminação e acesso aos locais santos.

Quem procura provar que "uma religião foi sempre mais tolerante do que a outra" está normalmente a usar o passado para alimentar debates do presente (e não a fazer História).

Fontes:

Haaland versus Ronaldo


Haaland compra o livro mais caro da história da Noruega para doar a biblioteca pública

O avançado do Manchester City adquiriu uma obra rara de 1594 sobre as sagas dos reis nórdicos por cerca de 116 mil euros (1,3 milhões de coroas norueguesas). O jogador impôs apenas uma condição: que o livro fique exposto ao público.

Muita gente imaginou que Erling Haaland compraria um artigo histórico tão raro para o manter na sua coleção privada. Mas o jogador fez exatamente o oposto. Ao lado do pai, Alf-Inge Haaland, o avançado adquiriu a única cópia conhecida da edição de 1594 de "Heimskringla", uma das obras mais importantes da história da Noruega.

O livro reúne as famosas sagas dos reis noruegueses, escritas originalmente pelo historiador islandês Snorri Sturluson no século XIII. A obra foi arrematada num leilão por cerca de 1,3 milhões de coroas norueguesas — aproximadamente 116 mil euros —, tornando-se o livro mais caro alguma vez vendido na história do país.

Em vez de o guardar, Haaland decidiu doá-lo à biblioteca pública de Bryne, a cidade onde cresceu. A exigência foi apenas uma: que o livro permaneça exposto ao público para que qualquer pessoa possa conhecer essa parte da história da nação.

"Nunca fui um grande leitor, mas quero que o livro esteja sempre disponível para que as pessoas possam ler sobre aqueles que vieram da minha terra, de Bryne e Jæren. É mais fácil sentirmos atração pela leitura quando nos conseguimos rever nas pessoas e nos lugares sobre os quais se escreve", afirmou Haaland em comunicado.

Além da doação, a fundação do jogador criou um projeto de incentivo à leitura direcionado para as escolas do município. A partir do ano letivo de 2026/2027, os estudantes da região participarão numa competição de leitura, e as turmas vencedoras ganharão uma viagem a Oslo para assistir a um jogo da seleção da Noruega no estádio Ullevaal, com a oportunidade de conhecer o próprio Haaland.

O avançado explicou ainda a sua motivação por trás da iniciativa: "Tive a sorte de realizar o meu sonho através do futebol, e sei que nem todos têm essa oportunidade. Os livros dão a muito mais pessoas a oportunidade de sonhar em grande, ver novas possibilidades e encontrar o seu próprio caminho."

A iniciativa foi amplamente elogiada na Noruega por unir desporto, educação e preservação da história nacional, transformando um objeto de valor milionário num património acessível a toda a comunidade.

Notícia original

Um pouco sobre a  história do livro

Neil Young a tireless righteous contrarian


Letra

Won't need no shadow man 
Runnin' the government 
Won't need no stinkin' WAR 
Won't need no haircut 
Won't need no shoe shine 

[refrão] 3x
After the garden is gone 
 
What will people do? 
After the garden is gone 
What will people say? 
After the garden 

Won't need no strong man 
Walkin' through the night 
To live a weak man's day 
Won't need no purple haze 
Won't need no sunshine

[refrão] 3x
After the garden is gone 

Where will people go?  
After the garden is gone 
What will people know? 
After the garden 

 [refrão] 2x

O videoclipe oficial de "After The Garden", integrado no projeto Living With War de Neil Young, cruza de forma crua o rock de protesto e o ativismo ecológico. Visualmente, o vídeo simula a urgência de um canal de notícias fictício, utilizando a imagem do ex-vice-presidente americano Al Gore e do seu documentário An Inconvenient Truth para expor a crise climática mundial. Os rodapés informativos na tela dividem as atenções entre a contagem de baixas de guerra e os alertas sobre o degelo, traçando um paralelo direto entre a destruição militar e o ecocídio provocado pela ganância industrial. A nível político, o "jardim" surge como uma metáfora óbvia para o planeta Terra e a natureza que a humanidade está prestes a esgotar, terminando com um apelo explícito à ação individual e coletiva, desde o consumo de energias limpas à pressão sobre os governos.

Musicalmente, a faixa assenta num rock de garagem denso e distorcido, onde a aspereza das guitarras traduz a gravidade e a pressa que o tema exige. A voz cética de Neil Young une-se a um coro potente no refrão, transformando a pergunta sobre o destino da humanidade "depois do jardim" num hino coletivo e numa espécie de prece fúnebre pelo planeta. É um rock de intervenção direto, sem artifícios, desenhado para incomodar e mobilizar.

English analysis
He is throwing back 1970 "After the Gold Rush (song)"
Now THIS
"After the Garden" serves as the powerful opening statement for Neil Young’s fiercely political album Living With War. Originally written in 2006 as a blistering critique of the George W. Bush administration and the Iraq War, it has taken on a new life with Young's Living With War 2026 archival project, reframing the music to parallel today's political landscape.

The song acts as a bridge between environmental destruction and the futility of war. Young uses "the garden" to represent pristine nature, Eden, or a peaceful Earth, posing the stark, driving question: "What will people say after the garden is gone?" He immediately follows this warning by asserting that in a devastated world, we "won't need no stinkin' war" because humanity will already be dealing with the fallout of its own survival. He sharply criticizes the public's desire for aggressive, authoritarian leaders, arguing that true strength is built on peace and preservation rather than military dominance or fear-mongering.

Musically, Young describes the track's style as "metal folk protest music." It features gritty, raw garage-rock guitar work and a steady, march-like rhythm that evokes the feeling of a protest movement. A massive, multi-voiced choir echoes his lyrics, giving the song the weight of a communal hymn rather than just a solo rant.

While the core vocal and instrumental performances remain from the original recording, Young remixed the entire project for this 2026 archival release to give it a refocused mix for the present day. In this edition, the 100-voice choir is mixed much higher and given a heavier, more distinct presence in the soundscape. By amplifying the wall of human voices, Young deliberately draws a straight line from his 2006 anti-war sentiments to modern anxieties, suggesting that the fight for the planet and against political division is more urgent than ever.

Fontes:
Neil Young Archives
Living with War (2006)

terça-feira, 7 de julho de 2026

Kill Shelter - In Decay [ V ] ft Antipole & Delphine Coma


"In Decay" (Em Decomposição/Decadência) explora temas clássicos do niilismo, do isolamento urbano e da fragilidade da condição humana.

A letra e a atmosfera transmitem uma sensação de desmoronamento - tanto interno (psicológico, perda de fé, envelhecimento) como externo (as estruturas sociais e o próprio mundo ao redor a desabar). É uma metáfora sobre ver as certezas da vida a desgastarem-se com o tempo, a aceitação da entropia e o sentimento de impotência diante da inevitável decadência das relações e da própria existência.

OCDE antecipa pressão adicional de choque energético sobre os salários

Os salários reais permanecem abaixo dos níveis de 2021 em cerca de um terço dos países da OCDE e espera-se que o choque energético deste ano exerça pressão adicional sobre os rendimentos, segundo um novo relatório.

Mesmo antes da recente subida nos preços da energia, a recuperação dos salários reais já estava a desacelerar, ao passo que, num terço dos países da OCDE, os salários reais permaneciam abaixo dos níveis observados no início de 2021, pouco antes da onda inflacionária do pós-pandemia.

O crescimento anual dos salários reais foi positivo em praticamente todos os países da OCDE no primeiro trimestre de 2026, mas ficou abaixo do registado um ano antes em dois terços deles.

A média entre os países foi de 2,2% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com 2,7% no primeiro trimestre de 2025, de acordo com o relatório da OCDE divulgado hoje.

Com as novas pressões inflacionárias decorrentes dos custos mais elevados de energia, espera-se que o crescimento dos salários reais desacelere ainda mais, alerta a OCDE, que destaca que os salários dos trabalhadores de menor remuneração "resistiram melhor à inflação do que os da maioria dos trabalhadores, graças aos aumentos do salário mínimo".

Já os mercados de trabalho nos países da OCDE mantiveram-se resilientes, com o emprego total a atingir um nível recorde e a previsão de que continue a crescer neste ano e no próximo.

A OCDE sublinha ainda que existem grandes diferenças regionais nos resultados do mercado de trabalho, sendo que as taxas de desemprego nas regiões com pior desempenho são, em média, mais do que o dobro das observadas naquelas com melhor desempenho.

O relatório salienta também que o comércio e as mudanças tecnológicas afetam os mercados de trabalho locais de maneiras muito distintas, dependendo da sua estrutura industrial.

As regiões com pior desempenho (onde o desemprego é o dobro) são muitas vezes aquelas que não têm empresas preparadas para integrar ferramentas de IA ou onde a mão de obra não tem formação digital para acompanhar a transição. O comércio global favorece agora as regiões que conseguem produzir mais e mais rápido recorrendo a estas novas tecnologias.

O desemprego está baixo e há trabalho, mas o dinheiro que cai na conta ao fim do mês compra menos coisas do que comprava há 5 anos, com a classe média a sentir mais este aperto do que quem ganha o salário mínimo.

Taxar os Bilionários: justiça fiscal ou utopia económica?


A discussão sobre a tributação das grandes fortunas e dos bilionários deixou de ser apenas um debate ideológico e transformou-se numa das discussões económicas mais complexas e urgentes da atualidade global. À medida que propostas como um imposto mínimo global sobre os super-ricos avançam em fóruns como o G20, o mundo divide-se entre a necessidade de combater a desigualdade extrema e os desafios práticos de aplicar uma medida desta escala. O grande problema do modelo fiscal atual é que ele foi desenhado para taxar o rendimento do trabalho e o consumo, mas a riqueza dos bilionários cresce através da valorização de ativos, como ações e empresas, que muitas vezes escapam ao radar dos impostos tradicionais até serem vendidos.

Na linha de frente dos defensores desta medida estão economistas de renome como Gabriel Zucman e Thomas Piketty, conhecidos pelos seus estudos profundos sobre a desigualdade. Zucman, que desenhou a proposta levada ao G20, argumenta que os bilionários pagam taxas efetivas de imposto absurdamente baixas em comparação com a classe média, e que uma coordenação internacional geraria fundos cruciais para a saúde pública e o combate às alterações climáticas. A este coro junta-se o Prémio Nobel Joseph Stiglitz, que alerta que a concentração extrema de riqueza sufoca a economia e fragiliza a democracia, já que os mercados por si só não distribuem os recursos de forma justa.

Por outro lado, o ceticismo é alimentado por economistas de peso que apontam falhas estruturais graves nesta abordagem. Lawrence Summers, ex-Secretário do Tesouro dos EUA, é uma das vozes mais críticas, argumentando que as estimativas de arrecadação destes impostos são ilusórias e que a sofisticação financeira dos mais ricos criará sempre novas formas de evasão. Na mesma linha, Gregory Mankiw, professor de Harvard, alerta que penalizar o capital reduz os investimentos produtivos e a inovação, o que acaba por prejudicar os próprios trabalhadores a longo prazo através de salários mais baixos. Somando-se a estas críticas, analistas como Chris Edwards e Daniel Mitchell relembram o fracasso histórico destas tentativas na Europa nos anos 90, onde a fuga de capitais para paraísos fiscais e a dificuldade em avaliar ativos não líquidos forçaram a maioria dos países a revogar o imposto. O debate sobre taxar os bilionários não é sobre "punição", é sobre viabilidade. Sem uma nova forma de arrecadar receita dos que mais beneficiaram com a globalização, os governos não terão capacidade financeira para garantir uma Transição Justa. A riqueza extrema dos bilionários passa a ser vista não apenas como um indicador de desigualdade, mas como a matéria-prima financeira para construir o futuro sustentável.

A rutura espinosana com o teísmo judaico-cristão e a defesa da liberdade de consciência


O texto aborda a profunda rutura filosófica de Baruch de Espinosa com o teísmo judaico-cristão tradicional, contrastando a sua visão com a de Blaise Pascal. Enquanto Pascal defendia o Deus da fé, da revelação e das Escrituras - o "Deus de Abraão, Isaac e Jacob"-, Espinosa propôs uma desconstrução radical desse modelo antropomórfico (que atribui características humanas a Deus).

Segundo Espinosa, a superstição e o medo são utilizados pelas religiões tradicionais para instituir uma "interdição do pensar", transformando a fé em obediência cega e servindo como ferramenta de controlo político e social. Em contrapartida, o filósofo introduz o conceito de Deus sive Natura ("Deus ou a Natureza"), defendendo que Deus não é um monarca transcendente que julga ou faz milagres, mas sim a própria substância única, infinita e imanente do universo, que opera segundo leis racionais e necessárias.

O ensaio sublinha que, ao destronar o Deus punitivo e providencial, Espinosa liberta a razão humana das amarras do medo, transformando o conhecimento e o "amor intelectual a Deus" na verdadeira via para a liberdade. Adicionalmente, o seu pensamento surge como uma defesa pioneira e intransigente do Estado laico, da democracia e da liberdade de consciência e de expressão.

Podes ler o ensaio completo na sua plataforma de publicação original através da seguinte ligação:

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Força Portugal!


Sabiam que temos um insecto que veste as cores verde e vermelho de Portugal? É o gafanhoto-de-asas-vermelhas (Oedipoda germanica).  A natureza realmente vestiu-se com as cores da nossa bandeira para esta partida. Força Portugal!

With the big Portugal vs. Spain Iberian derby coming up, I was looking through my photography and found the ultimate, natural-born supporter!
I snapped this shot , and it perfectly captures the verde e vermelho spirit. At first glance, this Red-winged grasshopper (Oedipoda germanica) looks completely camouflaged against the stone. But the moment it takes flight, it flashes those brilliant, fiery red wings—perfectly framed by the green moss in the background! Nature truly dressed up in our national colors for this match.

Vaga de calor agrava desperdício alimentar e acelera deterioração dos alimentos

Portugal enfrenta uma vaga de temperaturas extremamente elevadas, com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir múltiplos avisos meteorológicos devido ao calor intenso. Para além dos impactos na saúde pública e no quotidiano das populações, as temperaturas extremas trazem consigo um desafio crítico de sustentabilidade e gestão económica: a aceleração drástica do desperdício alimentar.

Esta aceleração é validada cientificamente através do Princípio Q10, que demonstra que um aumento de apenas 10°C na temperatura ambiente pode duplicar ou até triplicar a velocidade das reações químicas e biológicas responsáveis pela deterioração dos alimentos.

O fenómeno agrava o panorama nacional num período em que, de acordo com o relatório oficial do Parlamento Europeu sobre o Desperdício Alimentar, cada português desperdiça cerca de 184 kg de alimentos por ano – o que posiciona Portugal como o quarto país da União Europeia com maior quebra alimentar por habitante, estimando-se um total anual de 1,9 milhões de toneladas de comida desperdiçada no país.

Esta pressão estrutural intensifica-se consideravelmente durante a época estival. De acordo com o histórico de dados de consumo da Too Good To Go, 28% dos consumidores portugueses admitem desperdiçar uma maior quantidade de alimentos durante os meses de verão, sendo a fruta (48%) a categoria de produto mais afetada, seguida de perto pelos legumes e pelos produtos lácteo, devido ao seu menor tempo de vida útil sob temperaturas elevadas.

“As temperaturas extremas exigem uma adaptação rigorosa nos nossos hábitos de conservação”, afirma Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal. “Num contexto de pressão económica sobre o orçamento das famílias, o desperdício de alimentos devido ao calor representa um prejuízo duplo: o custo financeiro do produto que se estragou e o desperdício da energia elétrica que o equipamento de refrigeração consumiu, em sobre-esforço, para tentar conservar esse mesmo alimento. É fundamental adotarmos medidas preventivas imediatas, recorrendo tanto a pequenos gestos diários na cozinha como ao suporte da tecnologia, para mitigar este impacto antes que o desperdício aconteça.”

 Para apoiar os consumidores na mitigação do impacto das altas temperaturas, a Too Good To Go reuniu um conjunto de orientações e dicas:

  1. Avaliação sensorial dos produtos (Observar, Cheirar, Provar): o calor pode fazer com que laticínios ou sumos sofram alterações físicas ligeiras perto do fim do seu prazo de validade. Antes de descartar um produto com a indicação de “Consumir de preferência antes de” ultrapassada, a Too Good To Go recomenda a utilização dos sentidos para verificar se o alimento está realmente impróprio para consumo;
  2. Eficiência do equipamento de refrigeração: os frigoríficos operam em sobre-esforço com temperaturas externas elevadas. Para evitar falhas técnicas ou consumo excessivo de energia, não deve sobrecarregar o equipamento (o ar frio necessita de circular livremente) e deve assegurar a limpeza das bobinas traseiras. Garanta que a temperatura se mantém entre os 0°C e os 4°C na zona mais fria.
  3. Isolamento de alimentos produtores de etileno: frutas como bananas, maçãs e tomates libertam gás etileno, um componente natural que funciona como catalisador e acelera a maturação dos vegetais circundantes. Durante uma vaga de calor, separe estes alimentos dos restantes e armazene as frutas de verão na gaveta inferior do frigorífico para retardar o processo de desidratação e amadurecimento acelerado;
  4. Utilização de cortiça para controlo de humidade: a colocação de uma ou duas rolhas de cortiça (cortadas longitudinalmente) no interior da fruteira ajuda a absorver o excesso de humidade ambiente. Esta medida reduz significativamente a proliferação de bolor nas frutas mais sensíveis;
  5. Preparação de refeições frias (Gaspacho): Tomates e pimentos que tenham amolecido devido ao calor acumulam uma maior concentração de açúcares naturais. Este é o momento ideal para os processar a frio com azeite e alho, resultando numa refeição hidratante e com aproveitamento total da matéria-prima;
  6. Congelação e confeção de gelados caseiros: caso verifique que as bananas estão a amadurecer demasiado rápido, corte-as em rodelas e armazene-as no congelador. Posteriormente, podem ser trituradas para a criação de um gelado natural instantâneo (nice cream), sem adição de açúcares;
  7. Bebidas aromatizadas com excedentes de fruta: morangos ou fatias de pepino que apresentem sinais de desidratação pelo calor podem ser integrados num jarro com água fria e gelo, constituindo uma opção de hidratação refrescante e de desperdício zero;
  8. Armazenamento em suportes ventilados: evite recipientes fechados para produtos frescos. Os ventilados permitem a circulação contínua do ar, impedindo a criação de bolsas de calor e humidade entre os alimentos.
O papel da tecnologia na gestão do retalho nacional
As temperaturas elevadas não afetam apenas as cozinhas dos consumidores; representam também um desafio severo para a gestão de stocks em supermercados, padarias, restaurantes e mercearias, onde a quebra de produtos frescos tende a registar um aumento linear nos dias de maior calor.

A Too Good To Go, empresa de impacto social responsável pela maior aplicação do mundo para salvar alimentos e combater o desperdício alimentar, posiciona-se aqui como uma ferramenta de resposta rápida para o tecido empresarial. Atualmente, a comunidade da plataforma em Portugal já conta com mais de 2,7 milhões de utilizadores, que em conjunto com uma rede de mais de 5.500 parceiros já salvaram mais de 7,7 milhões de refeições (Suprise Bags) — o que evitou diretamente a destruição de mais de 7.700 toneladas de comida em perfeitas condições de consumo.

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1.Será que a Too Good To Go compensa? Testámos em supermercados e padarias, fizemos as contas... e temos respostas

Alterações climáticas e ignorância, ou pior, agnotologia

Índice de Risco Climático,2025 [fonte]

Estamos a atravessar uma onda de calor. O tema das alterações climáticas está na ordem do dia. Por bons motivos? Depende. Como a ignorância é muita, tropeço a cada passo por esses murais fora numa notícia antiga (1930) em como a temperatura em Lisboa subiu a 38° e numa outra de 1944 também indicava Lisboa com 39º C à sombra. Os "doutores" das redes sociais já decidiram: é tudo uma aldrabice, "verão sempre houve", estão a ver como sempre ocorreram temperaturas altas? E a felicidade desta ignorância "moderna" logo se apoia nas mensagens políticas dos novos arautos da negação científica, das teorias da conspiração e do populismo que se alimenta de desinformação como pão para a boca.

Isso são notícias de Agosto, habitualmente mais quente no Verão e relacionadas com o anticiclone dos Açores. Ora  o Anticiclone dos Açores tem sofrido alterações profundas no seu comportamento e na sua "morada" habitual devido ao aquecimento global. Historicamente, a sua dinâmica sempre oscilou entre as estações: no verão, expande-se e move-se para nordeste, fixando-se mais perto da Península Ibérica e do Golfo da Biscaia, onde funciona como um "escudo" que afasta as tempestades atlânticas para norte e garante dias secos e frentes quentes em Portugal. Já no inverno, contrai-se e recua para sul ou sudoeste, mais perto das latitudes subtropicais e das Caraíbas, abrindo a "porta" para que as frentes chuvosas cheguem à costa ibérica.

No entanto, estudos climatológicos recentes demonstram que, devido às alterações climáticas, este sistema de altas pressões está a expandir-se substancialmente e a cobrir uma área muito maior no Atlântico Norte. Esta expansão faz com que o "escudo" de alta pressão empurre a precipitação de inverno cada vez mais para norte, em direção ao Reino Unido e à Escandinávia, tornando os outonos e invernos na Península Ibérica anormalmente secos e prolongando as dinâmicas de seca crónica. Por outro lado, em períodos específicos de desregulação climática recente, o anticiclone tem sofrido desvios anómalos para sul ou sudoeste, mesmo em épocas em que deveria estar robusto a norte, deixando a Península Ibérica vulnerável a frentes muito cavadas e a rios atmosféricos severos.

Resumindo, embora geograficamente continue a ter o seu centro de ação no Atlântico Norte subtropical - na região que se estende dos Açores até às Bermudas -, a sua área de influência cresceu significativamente. O resultado prático desta transformação é a persistência de secas mais severas e a ocorrência de verões mais propensos a bloqueios atmosféricos, que arrastam o ar quente do Norte de África diretamente para Portugal. 

Relembro também que agora as ondas de calor são cada mais cedo, mais prolongadas, ano atrás de ano. O climatologista e professor Carlos da Câmara tem sido uma das vozes mais contundentes ao analisar a gravidade das recentes ondas de calor de junho, alertando repetidamente que a situação atual é muito pior e muitíssimo mais complicada do que os registos históricos sugeriam para esta época do ano. O especialista enfatiza que o grande perigo destes episódios precoces já não reside apenas nas temperaturas máximas extremas atingidas durante o dia, mas sim no fenómeno das noites tropicais consecutivas, onde os termómetros teimam em não baixar dos trinta graus em algumas regiões. Esta ausência de arrefecimento noturno impede que o corpo humano recupere do esforço térmico diário, gerando um impacto direto e severo na saúde pública e no aumento da mortalidade. Para explicar a frequência destes extremos, Carlos da Câmara recorre frequentemente à metáfora estatística da curva de distribuição do clima, demonstrando que um pequeno desvio na temperatura média global provocado pelas alterações climáticas é suficiente para multiplicar drasticamente a probabilidade de ocorrência de fenómenos que antes eram considerados virtualmente impossíveis. O investigador deixa claro que olhar para estes eventos como mero calor normal de verão é um erro perigoso, sublinhando a urgência de encarar estas dinâmicas como um problema estrutural profundo que exige uma adaptação imediata da sociedade.

O aquecimento é global, existe e a tendência é para uma real crise climática, não apenas em Portugal, mas em todo o mundo. . A recente agitação política, em meados de Maio, que causou satisfação em setores alinhados com Donald Trump e com a indústria dos combustíveis fósseis deveu-se, na verdade, às intensas batalhas diplomáticas na aprovação do calendário e do âmbito do futuro Sétimo Relatório de Avaliação (AR7). Nestas reuniões, países produtores de petróleo e alas políticas conservadoras pressionam frequentemente para atrasar os prazos de entrega dos estudos ou para suavizar a linguagem nos resumos executivos destinados aos decisores políticos, tentando evitar metas explícitas de eliminação de energias fósseis. Contudo, os cientistas do IPCC sublinham que estas negociações políticas em nada alteram os factos físicos já demonstrados no AR6. Os dados empíricos recolhidos continuam a provar que a temperatura global está a subir de forma acelerada, e as projeções mais severas continuam válidas, independentemente das tentativas de desaceleração diplomática que ocorrem nos bastidores das Nações Unidas. 

Além disso, o consenso científico de que a Terra está a aquecer e que essa mudança é principalmente causada por actividades humanas é esmagador. Este consenso é apoiado por vários estudos de milhares de cientistas em todo o mundo e por declarações de posicionamento de organizações científicas, muitas das quais explicitamente concordam com os relatórios de síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Quase todos os cientistas de clima com obra publicada (97–98%) apoiam o consenso sobre mudança climática antropogénica e os 3% restantes de estudos contrários ou não podem ser replicados ou contêm erros. Um estudo de novembro de 2019 mostrou que o consenso entre cientistas de investigação cresceu para 100%, baseado numa revisão de 11.602 artigos revistos por pares publicados nos primeiros sete meses de 2019! Cf. Powell, James (20.11.2019). «Scientists Reach 100% Consensus on Anthropogenic Global Warming». Bulletin of Science, Technology & Society.
A medida das alterações climáticas não é a olhómetro. São décadas de estudo, observações, medições. E uma onda de calor anual é diferente de duas, três, quatro, cinco, etc. E é diferente um pico máximo de temperatura a cada três ou cinco anos, ou uma frequência mais curta. É a intensidade, frequência e duração dos fenómenos meteorológicos que contam para avaliar as mudanças climáticas. A meteorologia é outra coisa.

A meteorologia é a ciência que estuda o estado da atmosfera e os seus fenómenos no curto prazo (o tempo que está a fazer agora ou que fará nos próximos dias). O clima representa o padrão e a condição média da atmosfera observados ao longo de longos períodos, geralmente entre 10 e 30 anos. Enquanto pessoas comuns falam de meteorologia, cientistas falam de clima.

E convém ter presente! Apesar da forte evidência, o negacionismo climático persiste frequentemente através da desinformação alimentada por grupos com interesses económicos focados em atrasar transições energéticas e políticas de mitigação. Ou seja, há muitos palermas que, inocentemente, vão na conversa para papalvos. À custa disso, outros vão ganhando milhões e batem palmas. Também é sabido que agentes políticos e influenciadores são pagos ao serviço desses interesses económico- financeiros para espalhar desinformação.
Ouçamos a ciência! Não os vendedores de banha da cobra

Saber mais:

domingo, 5 de julho de 2026

Dogstar - All In Now

Letra
You keep touching, you'll get burned
You think by now that you'd have learned
That there's more here than you can handle
You keep betting everything
Always try your best to please
But sometimes, things are bigger than us

Run, run away
From what holds you tight
And dims your light
There's other ways
Keep you warm at night
Without the fight

No one to save your life tonight
It's up to you to do what's right by your heart
Whatever's left
You can flip it upside-down
Helps you get from lost to found
And the world will be riding by your side

There's nothing to lose
You've gone all in now
Think you know by now
That this was what it should be
But thoughts of breaking free
Wouldn't come to be

A banda norte-americana Dogstar, (mundialmente conhecida por ter o ator Keanu Reeves como baixista) é originária de Los Angeles, Califórnia. Apresenta na sua música "All In Now" uma sonoridade profundamente enraizada no rock alternativo e no pós-grunge dos anos noventa, misturando melodias cativantes do indie rock com guitarras distorcidas e uma linha de baixo pulsante. Para além dos riffs enérgicos, a faixa carrega uma forte carga reflexiva. Sob uma perspetiva filosófica, a canção flerta com o existencialismo e o estoicismo ao pregar a resiliência e a urgência de se viver o momento presente, evocando a ideia de aceitação e superação diante das incertezas da vida. Esta atmosfera de estrada, melancolia urbana e busca por identidade ecoa o espírito de romancistas da Geração Beat, como Jack Kerouac, e a crueza do realismo sujo de Charles Bukowski. Poeticamente, a letra traduz um lirismo confessional e nostálgico que aborda a efemeridade do tempo e a vulnerabilidade das ligações humanas, transformando o desapego do passado e a entrega emocional num convite direto para que o ouvinte se lance por inteiro no agora.

Agora o partido Chega desmistifica o pós-verdade - normaliza a mentira que foi espalhada




Portugal é muito "suave" com estes cheganos. A filha do Jaime Nogueira Pinto consegue ser mais extrema-direita que o seu pai. E não sei o futuro, mas nada me parece ser optimista, para quem defende a esquerda e pensadores como Fourier, Owen e Saint Simon. Vejamos o caso da Alemanha. A Alemanha destaca-se internacionalmente por ter um dos ecossistemas de maior escrutínio, regulação e resistência institucional contra a desinformação, embora enfrente uma pressão sem precedentes de campanhas massivas da extrema-direita e de agentes externos, como redes de desinformação russas.
Esta forte resistência alemã baseia-se em três pilares principais. O primeiro é o rigor legislativo, onde o país foi pioneiro global com a lei NetzDG, que obriga as redes sociais a remover discursos de ódio e notícias falsas criminosas em até 24 horas sob pena de multas multimilionárias, servindo de base para a atual Lei dos Serviços Digitais da União Europeia. O segundo pilar é a comunicação social pública forte e confiável, mantendo um sistema de radiodifusão altamente robusto, financiado pelos cidadãos e protegido de interferências governamentais, o que garante níveis de confiança consistentemente elevados na população. O terceiro pilar assenta numa sociedade civil ativa e em consórcios de verificação de factos, com coletivos independentes como o Correctiv a gerar impactos históricos ao expor esquemas e reuniões secretas da extrema-direita, mobilizando milhões de cidadãos em protestos de rua em defesa da democracia.
Apesar deste forte escrutínio, a extrema-direita tem conseguido contornar os filtros tradicionais através de estratégias digitais altamente sofisticadas. O partido Alternative für Deutschland e os seus influenciadores dominam redes visuais como o TikTok, superando largamente os partidos tradicionais no alcance orgânico junto do eleitorado mais jovem através de vídeos curtos que misturam sátira, pânico moral e desinformação. A esta estratégia soma-se o uso intensivo de inteligência artificial para a criação de deepfakes e a estreita ligação com campanhas de influência russas, como a rede Doppelgänger, focadas em polarizar debates sobre imigração e geopolítica. Assim, embora o escrutínio e a reação da sociedade alemã sejam rigorosos, a velocidade e a sofisticação tecnológica destas ofensivas continuam a testar os limites das defesas democráticas do país.

O video foi extraído do Programa Ás Avessas de 30 de Maio. Ver aqui o debate completo.

Europe to redefine oil as “sustainable”


The Council's Sustainable Finance Disclosure Regulation (SFDR) revision drops the exclusion that kept fossil fuel expansion out of Europe's transition funds. The decision landed in the middle of the continent's most severe heatwave on record.

In the same week that France logged its hottest day since national records began in 1947, the European Union moved to loosen what the word “sustainable” is allowed to mean on a fund label.

The two events were not connected by design. They were connected by date. On June 24, as a heatwave that the World Weather Attribution group of scientists described as the most severe ever recorded in the region gripped Western Europe, the Council of the European Union adopted its negotiating position on a revision of the SFDR, the EU's rulebook for sustainable financial products. The same group of scientists concluded that June heat of this intensity would have been virtually impossible fifty years ago without human-caused warming. By the end of that week, the World Health Organization's director-general said more than 1,300 excess deaths had been recorded across Europe since June 21.

That was the backdrop against which Europe decided to make room for oil in its sustainable investment rules.
The Council removed the one line that kept oil expansion out of sustainable funds


SFDR was built in 2021 to do two things: steer capital toward the low-carbon transition, and make greenwashing harder. The current revision, often called SFDR 2.0, sorts products into three new categories: sustainable, transition, and ESG basics.

The European Commission's own proposal would have excluded companies expanding their fossil fuel activities from the transition category altogether. The Council deleted that exclusion. In its place, a company opening new oil and gas fields can still qualify for a transition label, provided that around 20% of its capital expenditure is aligned with the EU taxonomy of green activities, and that it adopts a time-bound plan to reduce its operational emissions.

Consider a company that pours the bulk of its capital into expanding oil production and a fifth into wind and solar. Under the Council's proposal, it could still carry a transition label. That label is not cosmetic. Transition and sustainable funds shape how pension funds, insurers, and asset managers allocate trillions of euros, so what the word certifies is not a technicality.

A 20% test on the wrong emissions cannot capture an oil company's real footprint
Here is the detail the headline number hides. The requirement to cut emissions covers a company's Scope 1 and Scope 2, the pollution from running its own operations. It does not touch Scope 3, the emissions released when customers burn the oil and gas the company sells. For a fossil fuel producer, Scope 3 is the overwhelming majority of the harm, by many estimates 80% to 95% of the total. The rule scores the small share and ignores the rest.

The scale of the mismatch is easy to miss. Global clean energy investment is on track to reach around $2.2 trillion in 2026, close to double the money flowing into fossil fuels, according to the International Energy Agency. Yet oil and gas companies account for less than 5% of that clean energy spending. A rule that rewards a 20% capex slice, while ignoring the product itself, measures the smallest part of the story.

A few billion invested in renewables does not cancel out billions spent locking in new fossil production for decades. One reduces future emissions; the other commits them. They are not equivalent, financially or scientifically.

The new definition mirrors the position of a company a court has already faulted
The Council did not invent these criteria in a vacuum. They closely resemble arguments long advanced by parts of the oil industry, which has pressed for a transition category broad enough to take in continued fossil production. TotalEnergies is the most visible example. Between January and June 2026, according to European Parliament transparency records, the company held around 35 meetings with members of the Parliament, several referencing SFDR directly, and its own strategy targets putting 20% of its portfolio into power and low-carbon energy by 2030, the same one-fifth threshold the Council settled on. That is not proof that one produced the other. It is a striking convergence between what an oil major asked for and what member states agreed.

There is a sharper irony in the timing. In October 2025, the Paris Judicial Tribunal found that TotalEnergies had misled consumers with claims about its ambition to reach carbon neutrality by 2050, made while it continued to expand oil and gas production, and ordered the offending statements removed. The company said it would not appeal, and the judgment became final. Less than a year later, the Council is proposing a definition of transition that would let a company doing what the court described, expanding fossil fuels while investing a minority share in cleaner energy, carry a transition label across Europe.

The court's reasoning lands on the same point the fund rule misses. What made the claim misleading was the gap between a transition image and continued fossil expansion. The Council's 20% test widens that gap and stamps it as compliant.

I put these questions to TotalEnergies before publication of this article. In response, a company spokesperson said:
“TotalEnergies' position on the SFDR is well known and has been publicly expressed by the Company in its response to the European Commission's consultation dated 6 April 2026. It is available on the European Commission's website.”
On the court ruling, the spokesperson referred me to a company clarification.

In that clarification, TotalEnergies stresses that the tribunal dismissed most of the claims against it, that the decision concerned three paragraphs about its carbon-neutrality ambition on a French affiliate's customer website rather than its advertising, and that no advertising by its French affiliates was condemned. The company rejects the charge of greenwashing and sets out its record at length: more than €20 billion invested in low-carbon energy worldwide since 2020, €4 billion of it in France; 32 gigawatts of installed renewable capacity producing 50 terawatt-hours of electricity in 2025, up from close to zero in 2020; selection to build France's largest ever renewables project, a €4.5 billion offshore wind farm; and cuts of 36% in emissions from its operated oil and gas facilities between 2015 and 2024, and 55% in methane between 2020 and 2024.

Those last figures, though, are reductions on the company's own operations, the Scope 1 and 2 the fund rule already counts, not on the far larger emissions released when the oil and gas it sells are burned.
The Council says fossil fuel companies still have a role to play

Asked about the greenwashing criticism, a Council spokesperson said companies active in the fossil fuel sector can still contribute to the transition, for example by developing low-carbon fuels or building electric vehicle charging infrastructure.

Campaigners see it differently. Reclaim Finance argued that governments had given in to lobbying from oil majors and opened the door to greenwashing of fossil fuel investment, framing the coming parliamentary vote as a choice between a fossil future and the wellbeing of European citizens.
A weaker label still has to point in the right direction

The Council's defenders make a real argument, and it deserves a fair hearing. The transition category was never meant to be the strictest tier. It exists to finance messy, real-world decarbonization rather than a handful of already-clean companies, and drawing the line too hard, they warn, would only push capital out of Europe into markets with weaker disclosure, or starve the hard-to-abate sectors that most need it.

The argument holds until you look at what the test actually rewards. A transition label, however lenient, has to certify one thing, that a company is moving away from fossil fuels. The Council's version does not require even that. A company can raise its oil output year after year and still qualify, as long as a fifth of its spending points elsewhere. That is not a permissive standard for transition. It is the absence of one, on the single variable that decides whether a transition is happening at all.

There is also a cleaner way to do the thing the rule claims to enable. An oil company that wants to raise money for a wind farm can already issue a green bond, where the proceeds are ring-fenced to that named project and reported on. The capital reaches the clean asset without the parent company's oil expansion borrowing the "sustainable" label. That is the honest instrument, and it exists. What the Council's change adds is not access to green finance but permission to badge the whole enterprise, oil growth included, as transition.

And the fear of capital fleeing Europe cuts the other way. A label that certifies expansion in order to keep money onshore has not kept the money honest. It has moved the greenwashing inside the rulebook.
The decision is not final, and that is where the leverage sits

The Council has agreed only its negotiating position. The European Parliament's economic affairs committee is due to vote on its amendments on July 15, with the full Parliament expected to adopt its position after the summer, before trilogue negotiations with the Council and the Commission later in the year. The direction can still change.

The exclusion the Council stripped out was the Commission’s own. Under the Commission’s proposal, companies expanding their fossil fuel activities are barred from the transition category outright. But the Commission is not a bystander here. It opened the SFDR up in the name of simplification, a drive to cut reporting burdens on the financial industry, and the Council followed that logic a step further. A revision the Commission sold as a remedy for greenwashing is turning into a license for it.

I asked the European Commission directly whether it stands by that exclusion and will defend it in the negotiations. Its full, on-the-record reply was this:

“The Commission remains fully committed to engaging constructively with the co-legislators to achieve a balanced and timely agreement on the proposal.”
A spokesperson also referred me to the Commission's published reasoning, which sets out the exclusion in its own text.

The response leaves the Commission's position open to interpretation. While it does not say the Commission has abandoned its original proposal, it also does not explicitly reaffirm that it will defend this particular safeguard during the negotiations. The stronger rule still exists on paper. Whether it survives the legislative process will depend on the negotiations ahead, and particularly on the outcome in the European Parliament.

The problem was never the oil. It is the label.
Here the argument is easily misread, so it is worth stating plainly. The world will keep burning oil for years while it builds the alternatives. Reasonable people can debate whether Europe is better off pumping some of its own rather than importing every barrel, and amid a run of Middle East supply shocks, that energy-security case is not frivolous. But it is a different question from the one the Council has answered.

Nobody has to call a new oil field clean in order to keep the lights on. Oil can be produced, taxed, regulated, and wound down on a schedule, without being sold to a saver as a contribution to the energy transition. The decision in front of Europe is not whether the oil comes out of the ground. It is whether pulling it out counts as sustainable investment. That is the smaller question, and the far more dangerous one.

If oil is green, nothing is
A sustainable label is not a badge of virtue. It is a piece of information. Markets run on information. A pension fund, an insurer, or a saver moving money into a green product cannot audit a company's drilling plans. They trust the label to tell them what their capital is doing. Europe's sustainably labeled fund market, worth around €10 trillion, exists because that one word is assumed to mean something specific.

Stretch the word to cover a company opening new oil fields, and it stops carrying information. If the same label sits on a wind developer and on an oil major with a 20% side project, it no longer tells them apart. The investor who wanted the real thing can no longer find it. And the company doing the genuine, expensive work of transition loses the one advantage the label was meant to confer, cheaper capital and patient shareholders who believe the plan. Economists have a plain description for markets where buyers cannot separate quality from imitation. The honest product gets crowded out, and in time nobody pays a premium for the label at all.

The damage does not stop at oil. Once extraction qualifies as transition on a one-fifth capex test, every hard-to-abate sector arrives with the same claim, coal with a capture pilot, an airline with a fuel pledge, until the category describes almost everyone, which is another way of saying it describes no one. If oil extraction is green, the honest answer to what is not green becomes very little.

The timing sharpens the risk. Sustainable investing is already on the back foot, worn down by years of greenwashing scandals, funds quietly stripped of their green labels, and a political backlash that treats ESG as an insult. The SFDR move is not an isolated event. In the same days, under pressure from the Trump administration, the World Bank retired its headline target to steer 45% of lending toward projects with climate benefits, and the International Monetary Fund’s own watchdog reported a fading focus on climate, even as the underlying programs survived. That survival was not a gift: at the World Bank, a coalition of nearly 100 countries held the line and forced the plan to continue over Washington's objection, a reminder that the pressure runs both ways. Trust in the category is the scarce resource, and the SFDR revision was written to rebuild it with clearer and stricter definitions. On this one provision, it would do the reverse. It would take the reform meant to restore the meaning of sustainable finance and spend it dissolving the meaning of the word at its center.

Europe does not have to choose between energy security and climate credibility. It can pursue both. What it cannot do is tell investors that new oil production is sustainable without changing the meaning of the word itself. The July vote decides more than the fate of one regulation. It decides whether a green label still carries information an investor can trust, and with it the integrity of the market built on that single word.