domingo, 29 de março de 2026

Conheça Eau10b, a primeira baleia intersexo conhecida — um ser vivo que desafia a nossa definição de sexo na biologia


1. Introdução: o legado de 1989
A biologia marinha foi recentemente surpreendida pela publicação na revista científica Marine Mammal Science (Crossman,C, 2024) , que detalha a descoberta da baleia-franca-austral (Eubalaena australis) denominada Eau10b. O aspeto mais extraordinário deste caso é o facto de a descoberta ter ocorrido "em laboratório", décadas após o contacto físico. Amostras de pele colhidas em 1989, através de dardos de biopsia, foram analisadas com tecnologias modernas de sequenciação genética, revelando uma aneuploidia cromossómica sexual (XXY).

2. A Genética da baleia Eau10b
Em mamíferos, o sexo é geralmente determinado pelo par XX (fêmea) ou XY (macho). Contudo, Eau10b apresenta um cromossoma X extra. Esta condição, análoga à Síndrome de Klinefelter em humanos, significa que o animal possui o gene SRY (responsável pelo desenvolvimento masculino), mas num contexto genético que também inclui o par feminino. Esta descoberta prova que variações cromossómicas complexas ocorrem mesmo em espécies de vida longa e de grande porte.

3. Evidências Científicas noutras Espécies
A intersexualidade não é uma anomalia isolada, mas um fenómeno documentado em diversas linhagens:
  1. Baleias Beluga (Delphinapterus leucas): um estudo clássico publicado na Canadian Journal of Zoology (De Guise et al., 1994) descreveu um caso de hermafroditismo verdadeiro num indivíduo do Estuário de St. Lawrence, que possuía dois testículos e dois ovários funcionais, um dos raros casos documentados em cetáceos.
  2. Ursos Polares (Ursus maritimus): investigadores em Svalbard e Nunavut documentaram casos de pseudo-hermafroditismo feminino. Um estudo seminal na Journal of Mammalogy (Carmichael et al., 2005) analisou ursas com genitais externos masculinizados (clitoromegalia), investigando se a causa seria genética ou fruto de desreguladores endócrinos (poluentes).
  3. Ursos Cinzentos e Pretos: Casos semelhantes de virilização em fêmeas foram reportados em populações de Ursus arctos e Ursus americanus, onde, apesar da genitália ambígua, muitas fêmeas mantinham a capacidade de procriar.´
A terminologia e as definições utilizadas para falar de indivíduos intersexo têm mudado ao longo do tempo, especialmente quando se referem a pessoas. Mas, de acordo com o historiador Beans Velocci, da Universidade da Pensilvânia, que estuda a história da classificação sexual, os cientistas usam o termo intersexo para descrever corpos que, independentemente da espécie, não podem ser facilmente categorizados como masculinos ou femininos. Nem todos os indivíduos intersexo têm cromossomas XXY — o termo abrange indivíduos com um leque de características resultantes de diferenças genéticas, hormonais e anatómicas. Um indivíduo intersexo pode ter órgãos sexuais ou uma aparência física que diverge da norma. Alguns indivíduos, por exemplo, têm um cromossoma Y e testículos, mas as suas células não respondem às hormonas sexuais masculinas, pelo que a sua anatomia externa é mais feminina.

Embora os animais intersexo sejam frequentemente inférteis e incapazes de gerar descendentes para ajudar no crescimento da população, Velocci afirma que, em espécies sociais como as baleias, os animais intersexo desempenham provavelmente papéis não reprodutivos importantes que beneficiam a população de outras formas.

O estudo dos animais intersexo ajudou os cientistas a compreender melhor como os genes e as hormonas moldam os indivíduos durante o desenvolvimento. Através do processo de domesticação de animais, as pessoas conhecem as vacas intersexo há milhares de anos. Em Vanuatu, no Pacífico Sul, os habitantes criam uma raça única de porcos intersexo, valorizados pelas suas delicadas presas em espiral. Mais recentemente, os investigadores também documentaram cavalos, cães, alces, ovelhas, peixes e muitos tipos diferentes de invertebrados intersexo. Os animais intersexo são raros em todas as espécies, diz Carla Crossman, mas são “mais comuns do que pensávamos historicamente”.

As baleias intersexo passam despercebidas, em particular, porque os cetáceos possuem genitais internos. “Não é comum ter uma boa visão dos genitais de uma baleia”, diz Carla Crossman. “Tudo fica lá dentro.” No entanto, os cientistas já encontraram baleias-fin, belugas, baleias-da-gronelândia, golfinhos-comuns-de-bico-curto e baleias-de-bico-de-True intersexo.

“Cada vez que [os investigadores] estão no terreno ou a examinar espécimes, continuam a encontrar estas exceções”, diz Velocci. Os cientistas “já viram vezes sem conta que o sexo claramente não é binário”.

Mas, segundo Velocci, o ensino científico não acompanhou esta mudança. “XX e XY são ensinados como a base da qual tudo o resto pode divergir, em vez de uma possível variação entre muitas”.

Para certas espécies bem estudadas, como a baleia-franca-do-atlântico-norte, parente próxima da baleia-franca-austral, que está em perigo de extinção, os investigadores estimam o sexo de um indivíduo observando comportamentos, como nadar com uma cria recém-nascida, ou características externas evidentes, como o tamanho e a cor da fenda genital. Mas, para a maioria das baleias, os testes de ADN são a única resposta.

No entanto, a história de Eau10b mostra que mesmo os testes de sexo mais comuns não são perfeitos. Ao reduzir o sexo à presença ou ausência de um único gene, o SRY, os cientistas correm o risco de ignorar os animais que não se enquadram perfeitamente na dicotomia macho-fêmea. Com os recentes avanços na investigação genética, porém, é agora mais fácil identificar animais intersexo comparando os resultados de diferentes testes. “Podemos simplesmente começar a procurar”, diz Crossman.

Quando os cientistas identificarem o próximo animal intersexo, esta informação provavelmente não irá alterar a forma como a sua espécie é gerida ou compreendida. Mas este indivíduo, seja um guppy ou uma baleia, representará mais um desafio às definições rígidas de sexo. O que a sociedade considera normal é uma caixa cuidadosamente desenhada em torno de um mundo selvagem e complexo, e cada indivíduo que não pode ser contido oferece um vislumbre fascinante da verdadeira diversidade da natureza.

Quadro-resumo da biologia intersexo

MecanismoEspécie ExemploBase Biológica
Aneuploidia (XXY)Baleia Eau10bMutação numérica nos cromossomas sexuais durante a meiose.
Hermafroditismo VerdadeiroBeluga (St. Lawrence)Presença simultânea de tecidos gonadais masculinos e femininos.
Pseudo-hermafroditismoUrsos de SvalbardCromossomas normais (XX), mas fenótipo alterado por hormonas ou ambiente.
Hermafroditismo SequencialPeixe-palhaçoMudança funcional de sexo baseada em gatilhos sociais/hierárquicos.
A complexidade destes casos reside na interação entre o genótipo e o fenótipo. Enquanto em peixes como o peixe-palhaço a mudança de sexo é uma estratégia adaptativa social (hermafroditismo sequencial), em mamíferos como a baleia Eau10b, trata-se de uma variação cromossómica estrutural. O gene SRY, localizado no cromossoma Y, actua como um fator de transcrição que ativa o gene SOX9, desencadeando a formação de testículos. No caso XXY, a presença deste gene "vence" a sinalização feminina dos dois cromossomas X, resultando num indivíduo com características híbridas. Estas descobertas, preservadas em biobancos desde os anos 80, sublinham que a diversidade biológica não é a excepção, mas sim uma característica intrínseca da evolução, desafiando a visão binária tradicional da zoologia.

Beata Belanszky-Demkó

O Brilho, 2023

Beata Belanszky-Demkó é uma artista plástica contemporânea de nacionalidade húngara, cuja trajetória de vida e formação académica refletem uma profunda dedicação às artes visuais. Nascida em 1976 na cidade de Satu Mare, na Roménia, no seio da comunidade húngara da Transilvânia, mudou-se para a Hungria em 1990. Foi neste país que consolidou o seu percurso escolar e artístico, tendo frequentado a Escola Secundária de Artes Visuais e Aplicadas de Budapeste, uma instituição de referência onde aprofundou as bases do desenho e da composição.

A sua formação académica prosseguiu a nível superior na Universidade de Óbuda, em Budapeste, onde se licenciou em Design Industrial. Esta base técnica e estruturada confere à sua obra uma compreensão singular da forma e do espaço, que mais tarde fundiu com a liberdade da pintura. Embora tenha formação em design, Beata optou por dedicar-se inteiramente às belas-artes, desenvolvendo um estilo que oscila entre o impressionismo moderno e a abstração lírica.

Atualmente a residir em Sóskut, a artista utiliza predominantemente a técnica da espátula e tintas a óleo para criar paisagens e figuras humanas que primam pela harmonia cromática e pela exploração da luz. O seu currículo inclui inúmeras exposições individuais e coletivas, sendo membro ativo de diversas associações de artistas, o que reforça o seu papel no panorama artístico húngaro contemporâneo.

clubdrugs - Heart 2 Break


A banda clubdrugs é um duo originário de Chicago, nos Estados Unidos, composto pelos músicos Maria Reichstadt e John Regan. Fundado oficialmente por volta de 2019, o projeto consolidou-se rapidamente na cena underground norte-americana. O seu estilo musical é uma fusão magnética de Goth Pop, Darkwave e Synthpop, caracterizado pelo uso de sintetizadores densos, batidas eletrónicas pulsantes e vocais etéreos que evocam uma nostalgia sombria dos anos 90.
Após alguns anos a lançar singles independentes e a construir uma base de fãs sólida em festivais de música alternativa, a banda atingiu um marco importante na sua carreira no início de 2026. Com o lançamento do seu álbum de estreia, "Lovesick", em março desse mesmo ano pela editora Artoffact Records, os clubdrugs afirmaram-se como uma das vozes mais promissoras da música eletrónica gótica contemporânea, equilibrando temas de melancolia e desejo com uma estética visual e sonora polida.
Melhor som do álbum Lovesick (2026) aqui

Curiosidade (e talvez crítica social por parte da banda)
O termo "club drugs" é muito utilizado para se referir a substâncias recreativas comuns em raves (como MDMA ou Ketamina)

sábado, 28 de março de 2026

Albert Einstein sobre a nossa interconectividade ecológica e cósmica


"O ser humano é uma parte do todo a que chamamos 'Universo', uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia-se a si próprio, aos seus pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto — uma espécie de ilusão de ótica da sua consciência.

Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, que nos restringe aos nossos desejos pessoais e ao afeto por algumas pessoas mais próximas. A nossa tarefa deve ser libertarmo-nos dessa prisão, alargando o nosso círculo de compaixão de modo a abranger todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza na sua beleza."

Esta passagem profunda pertence a uma carta de condolências escrita por Albert Einstein em 12 de fevereiro de 1950.

O destinatário era o Rabino Robert S. Marcus, na época Diretor Político do Congresso Judaico Mundial. O Dr. Marcus havia escrito a Einstein num momento de desespero absoluto, procurando conforto espiritual após a morte prematura do seu filho de 11 anos, vítima de poliomielite.

O Contexto da Carta
Marcus questionava Einstein sobre como conciliar a visão científica do mundo com a necessidade de acreditar na imortalidade da alma para suportar a dor da perda. Einstein respondeu com este texto, que se tornou uma das suas reflexões mais famosas sobre a espiritualidade secular e a interconexão da vida.

O Texto Original (Inglês)
"A human being is a part of the whole, called by us 'Universe,' a part limited in time and space. He experiences himself, his thoughts and feelings as something separated from the rest — a kind of optical delusion of his consciousness.

This delusion is a kind of prison for us, restricting us to our personal desires and to affection for a few persons nearest to us. Our task must be to free ourselves from this prison by widening our circle of compassion to embrace all living creatures and the whole of nature in its beauty."

Onde ler o original
Como Einstein escreveu esta carta de forma privada, ela não foi um artigo científico publicado originalmente, mas foi preservada nos Arquivos Albert Einstein. Pode encontrar o registo e transcrições em fontes arquivísticas e literárias de referência:

  1. Albert Einstein Archives: o documento está catalogado sob a referência 33-188.
  2. Livro: The New Quotable Einstein, editado por Alice Calaprice (Princeton University Press).
  3. Digital: o site The Marginalian possui um artigo detalhado que inclui a carta enviada pelo Rabino e a resposta de Einstein.
A carta completa também está no livro "The Quantum and the Lotus: A Journey to the Frontiers Where Science and Buddhism Meet", 2020

Matthieu Ricard formou-se em biologia molecular, trabalhou e concluiu um Doutoramento no Instituto Pasteur, em Paris, sob a supervisão do cientista francês François Jacob, um cientista vencedor do Prémio Nobel, mas quando leu sobre filosofia budista, sentiu-se atraído pelo budismo. Eventualmente, deixou a sua vida na ciência para estudar com mestres tibetanos e é agora monge budista e tradutor do Dalai Lama, vivendo no mosteiro de Shechen, perto de Katmandu, no Nepal. Trinh Thuan nasceu numa família budista no Vietname, mas ficou intrigado com a explosão de descobertas na astronomia durante a década de 1960. Foi para o prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia para estudar com alguns dos maiores nomes da área e é agora um astrofísico aclamado e especialista em como as galáxias se formaram.
Quando Matthieu Ricard e Trinh Thuan se conheceram numa conferência académica, no verão de 1997, começaram a discutir as muitas ligações notáveis ​​entre os ensinamentos do Budismo e as descobertas da ciência recente. Esta conversa transformou-se numa correspondência surpreendente, explorando uma série de questões fascinantes. O universo teve um início? Ou será que o nosso universo é apenas um numa série de universos infinitos, sem fim nem princípio? Será que o conceito de um início do tempo é fundamentalmente falho? Será que a nossa perceção do tempo é, na verdade, uma ilusão, um fenómeno criado nos nossos cérebros que não possui uma realidade última? Será que o impressionante ajuste fino do universo, que produziu as condições ideais para a evolução da vida, é um sinal de que um "princípio da criação" está em ação no nosso mundo? Se tal princípio da criação sustenta o funcionamento do universo, o que nos diz isto sobre a existência ou não de um Criador divino? Como é que a interpretação radical da realidade oferecida pela física quântica se conforma e, ao mesmo tempo, difere da conceção budista da realidade? O que é a consciência e como evoluiu? Pode a consciência existir independentemente de um cérebro que a gere?
A estimulante viagem de descoberta percorrida pelos autores nas suas discussões é recriada de forma primorosa em "O Quântico e o Lótus", escrito ao estilo de um diálogo animado entre amigos. Tanto os ensinamentos fundamentais do Budismo como as descobertas da ciência contemporânea são apresentados com grande clareza, e o leitor ficará profundamente impressionado com as muitas correspondências entre as duas correntes de pensamento e de revelação. Ao longo do seu diálogo, os autores chegam a um notável encontro de mentes, oferecendo, em última análise, uma nova e vital compreensão das muitas formas como a ciência e o budismo se confirmam e se complementam, e das formas como, como escreve Matthieu Ricard, "o conhecimento dos nossos espíritos e o conhecimento do mundo são mutuamente esclarecedores e fortalecedores".
"O Quântico e o Lótus é uma exploração instigante e reveladora dos paralelos fascinantes entre o pensamento vanguardista na física e o Budismo - uma conversa brilhante que qualquer pessoa pensante teria prazer em ouvir." — Daniel Goleman, autor de "Inteligência Emocional"
"O Quântico e o Lótus é o resultado rico e inspirador de um diálogo profundamente interessante entre a ciência ocidental e a filosofia budista. Este livro notável contribuirá muito para uma melhor compreensão da verdadeira natureza do nosso mundo e da forma como vivemos as nossas vidas." —Sua Santidade o Dalai Lama

François Fressinier

A obra "The Blue Anemone" (2005), de François Fressinier, é um exemplo fascinante de como o artista equilibra a herança do Renascimento com uma sensibilidade moderna e vibrante. Através de um grande plano focado no olhar penetrante da figura feminina, Fressinier convida o espectador a entrar num mundo de introspeção e força silenciosa. A paleta de cores, marcada pelo contraste dramático entre o vermelho intenso dos lábios, o azul elétrico da maquilhagem e a suavidade da flor branca, cria uma composição que é simultaneamente etérea e assertiva. As linhas verticais e as gotas de tinta que escorrem pela tela conferem à pintura uma textura contemporânea, quase urbana, que quebra a perfeição clássica do rosto, sugerindo que a beleza e a resiliência feminina são forjadas através do tempo e da experiência. É nesta fusão de delicadeza floral e olhar inabalável que reside a sua abordagem única ao empoderamento, transformando o retrato numa celebração da consciência e da autonomia da mulher.

François Fressinier (pintor Francês, nascido em 1968)
A sua obra é marcada por uma mistura de influências dos Mestres Antigos com elementos modernos, focando quase sempre na figura feminina e em atmosferas serenas e simbólicas. Ele estudou na prestigiada École Brassart, em Tours, e as suas obras são amplamente exibidas e colecionadas, especialmente nos Estados Unidos.

Trobar de Morte - The Mist


Fundada em 1999 por Lady Morte (nome artístico de Mireia Garcia), o projeto carrega fortes influências da cultura e da mitologia europeia, frequentemente utilizando instrumentos tradicionais e cantando em diversos idiomas (espanhol, inglês e latim).

Letra:
The Mist
(Trobar de Morte)

Deep in the forest
The mist is coming
The fairies are dancing
To the sound of the wind

The spirits are waking
The moon is shining
The mist is growing
In the heart of the woods

The stars are falling
The night is calling
The mist is hiding
The secrets of the world

Este tema exemplifica na perfeição a proposta da banda: uma viagem por florestas enevoadas e lendas de fadas, com uma produção que se foca na imersão e no misticismo.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Nick Cave and Warren Ellis - We Are Not Alone


Melhor som aqui
Apresentação do álbum aqui
Letra
This world has ears and rocks have eyes
Nature loves to hide
The world is a bush full of fiery eyes

Nature loves to hide
I've travelled a lot, I was observed
I was observed and unaware

I've travelled a lot unaware I was observed, I was observed
We are not alone (Good news for life) 20X

Uma Meditação sobre a Natureza: "We Are Not Alone"
No seu trabalho colaborativo para o documentário A Pantera das Neves (The Velvet Queen), Nick Cave e Warren Ellis exploram a linha ténue que separa a humanidade do divino. A canção "We Are Not Alone" serve como o pulsar emocional desta jornada, afastando-se da obsessão moderna pelo "eu" em direção a uma ligação profunda e comunitária com o meio ambiente.

A música sugere que a "presença" não se resume apenas a outras pessoas; trata-se dos espíritos da paisagem, dos animais que nos observam das sombras e dos ecos ancestrais que habitam os lugares silenciosos do mundo. É uma chamada de atenção, assustadoramente bela, para pararmos, ouvirmos e reconhecermos o nosso lugar dentro da tapeçaria viva do planeta.

Criado site gratuito que ajuda PME a cumprirem diretiva europeia contra “greenwashing”



O Pacto Climático Europeu lançou uma nova ferramenta digital gratuita destinada a apoiar as pequenas e médias empresas (PME) portuguesas no cumprimento das exigências da mais recente diretiva europeia contra o “greenwashing”. A iniciativa surge num momento crítico: a Diretiva 2024/825 deverá ser transposta para a legislação nacional até 27 de março, entrando plenamente em vigor a 27 de setembro, altura a partir da qual as empresas poderão ver as peças publicitárias suspensas e enfrentar coimas significativas por práticas consideradas desleais.

Diogo Abrantes da Silva, embaixador do Pacto Climático Europeu, e o projeto #Pub, para uma comunicação nas empresas mais transparente, criaram uma ferramenta digital gratuita para apoiar as pequenas e médias empresas (PME) em Portugal a cumprirem a nova diretiva da União Europeia que as obriga a ser transparentes quanto à sustentabilidade dos seus produtos e as impede de usar alegações ambientais não comprovadas.

O site “diretivas.eu” pretende funcionar como um guia prático para empresários e gestores. A plataforma permite verificar se as imagens ou páginas de produtos, a sua comunicação institucional ou os seus rótulos estão de acordo com as novas regras europeias. E clarifica também os pontos mais técnicos e intrincados do texto da diretiva.

“A Diretiva 2024/825 é muito positiva, porque reforça a proteção dos consumidores contra práticas comerciais desleais, especialmente o “greenwashing”, e melhora a informação sobre sustentabilidade, durabilidade e reparabilidade dos produtos”, afirma Diogo Abrantes da Silva, gestor de marketing para ONGs, ativista ambiental e embaixador do Pacto Climático Europeu. “A diretiva cria, no entanto, muitos riscos às empresas que desconhecem as suas exigências, expondo-as, a partir de setembro, à vigilância e às sanções da ASAE ou de outras organizações regulatórias”.

A nova diretiva europeia visa reforçar a proteção dos consumidores, proibindo alegações ambientais vagas ou não comprovadas. Termos como “eco-friendly”, “verde” ou “neutro em carbono” deixam de poder ser utilizados sem evidência verificável. A legislação impõe ainda restrições a comparações ambientais enganosas, certificações pouco credíveis e estratégias que reduzam artificialmente a durabilidade dos produtos.

De acordo com uma análise realizada pelo projeto, entre os 286 websites analisados, 119 contêm menções sobre a sustentabilidade dos seus produtos que poderão ser classificadas como genéricas. Neste trabalho foram extraídos dados de websites de empresas deste setor, utilizando diretórios online de referência, como o Peggada. A ferramenta extraiu o texto da página inicial de cada um dos sites presentes na base de dados para verificar a existência de palavras-chave genéricas.

No caso do volume total de menções genéricas por categoria, o comércio online surge no topo da tabela com 197 menções, seguindo-se marcas ligadas à moda, sustentabilidade e ética com 48 menções. O terceiro lugar é ocupado por empresas de cosmética e higiene pessoal com um total de 29 menções.

Entre as restrições incluem-se mencionar que um produto é “neutro em carbono” apenas com base na compensação de emissões fora da cadeia de valor: não basta dizer que a marca planta árvores, ela terá de demonstrar que usa processos que resultam na redução real das emissões do próprio produto. Elementos visuais como folhas verdes ou gotas de água também podem ser interpretados como alegações ambientais implícitas: se a apresentação induzir o consumidor em erro sobre os benefícios do produto, será considerada prática desleal.

“É natural que sejam as empresas que têm a sustentabilidade no centro dos seus negócios as mais expostas às exigências da Diretiva”, afirma Diogo Abrantes da Silva. “Estas empresas têm um bom intuito, não devem ser elas as mais prejudicadas pela nova lei de proteção aos consumidores: o site ‘diretivas.eu’ é sobretudo útil para ajudar as empresas que já estão a trabalhar na transição climática”.

A ferramenta disponibilizada no site inclui um “scanner” capaz de analisar até 500 páginas de um website, detetando linguagem potencialmente proibida. Adicionalmente, um sistema de inteligência artificial avalia imagens e anúncios, identificando elementos visuais que possam induzir em erro — como o uso de símbolos associados à natureza sem base factual.

Para Diogo Abrantes da Silva, o objetivo não é penalizar empresas que já procuram adotar práticas mais sustentáveis, mas sim ajudá-las a comunicar de forma transparente e alinhada com a nova legislação. “Há muitas organizações com boas intenções que podem ser prejudicadas por desconhecimento. Esta ferramenta serve para esclarecer e prevenir riscos”, afirma.

Além da componente de diagnóstico, o site também orienta as empresas no acesso a certificações reconhecidas, como o Rótulo Ecológico da União Europeia, que valida produtos com menor impacto ambiental.

Integrado no âmbito do Pacto Climático Europeu — uma das iniciativas do Pacto Ecológico Europeu — o projeto reforça o esforço comunitário para promover práticas empresariais mais responsáveis e uma transição efetiva para uma economia de baixo carbono.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Lost In Desire: I Am You (Apoptygma Berzerk remix)


Melhor som aqui
O Apoptygma Berzerk apenas fez o remix da música "I Am You" para o álbum de remixes do Lost In Desire chamado Reborn From The Ashes (lançado em 2011).

Letra

Feel my heart beating
Forever in your soul
Feel my heart seizing
Forever out of control

See my heart bleeding
Dripping down the hole
Feel despair breeding
Forever unstoppable

I wanna be with you
I wanna feel with you
I wanna be like you
I'm becoming you
I'm becoming you
I'm becoming you

Feed when I'm feeding
Anger on the whole
Grieve when I'm grieving
On there goes the show

See what I'm seeing
Together on we go
Bleed when I'm bleeding
Forever I am you

My dear friеnd
You cannot live without me
If I die, you die
I'm your host, you're my parasite
In darkness we live our symbiosis

A canção "I Am You" explora a fusão absoluta entre duas almas, mergulhando num romantismo sombrio onde a individualidade é sacrificada em nome de uma ligação transcendental. A letra funciona como um espelho psicológico, sugerindo que o narrador e o objeto do seu desejo se tornaram uma única entidade; ele não apenas observa o outro, mas habita a sua essência, sentindo as suas dores e refletindo os seus pensamentos.

Existe uma atmosfera de onipresença e devoção quase religiosa, onde o "eu" só encontra sentido e existência através do "outro". Esta interdependência é pintada com as cores típicas do Darkwave: melancolia, entrega total e a aceitação da escuridão como o cenário onde este amor floresce. Em última análise, a música trata da perda das fronteiras do ego, onde o amor deixa de ser uma relação entre duas pessoas para se tornar um estado de ser partilhado — uma simbiose onde um é, literalmente, o reflexo inseparável do outro.

Porque é que os ricos estão a investir tanta riqueza na política?

O 1% dos americanos mais rico controla atualmente 55,8 triliões de dólares em ativos. Isto é mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e da China juntos.

Na semana passada, testemunhei numa audição no Congresso organizada pelo senador de Rhode Island, Sheldon Whitehouse, e pelo senador do Novo México, Martin Heinrich, sobre o que as grandes empresas petrolíferas ganharam com a sua enorme contribuição para a campanha de Trump em 2024 — e quanto os americanos estão a pagar por esse suborno em custos mais elevados de combustível e alterações climáticas destrutivas.


Mas este não é o único esquema de corrupção em Washington. A corrupção política está a crescer drasticamente — em parte porque Trump é o presidente mais corrupto da história norte-americana. Mas também porque os ricos da América e as suas empresas têm investido cada vez mais dinheiro na política, uma vez que o retorno desse “investimento” se tornou enorme.

Tenho boas notícias para partilhar convosco sobre tudo isto. Mas antes quero esboçar o problema central, 1-2-3. Depois, sugerirei uma solução, 4.

1. Os 0,1% mais ricos tornaram-se fabulosamente ricos.
Observe o gráfico acima, que mostra os 0,1% dos americanos mais ricos — famílias com património líquido superior a 45 milhões de dólares em 2025 — a distanciarem-se rapidamente do resto da população.

Como se pode ver, de 1990 a aproximadamente 2003, a riqueza da maioria dos americanos cresceu a um ritmo semelhante. A disparidade começou a aumentar por volta de 2003, quando Wall Street entrou numa onda de especulação, criando uma bolha financeira. Quando a bolha rebentou em 2008, os 0,1% mais ricos sofreram um grande impacto.

Mas desde 2008, a riqueza dos 0,1% mais ricos arrancou verdadeiramente. E depois de 2018, explodiu — principalmente devido aos efeitos combinados do corte de impostos de Trump em 2017, da recessão da COVID-19 (quando os ultrarricos usaram as baixas taxas de juro para comprar imóveis e ações) e da subsequente subida do mercado bolsista.

De acordo com a Fed, quase 72% da riqueza dos 0,1% mais ricos é composta por ações de empresas, quotas de fundos mútuos e negócios privados. O índice S&P 500 mais do que triplicou na última década.

2.º Estão a investir cada vez mais dessa riqueza na política.
O jornal The New York Times analisou recentemente dados sobre o financiamento de campanhas para verificar como os doadores ricos têm influenciado a política.

A análise mostra que, nas eleições federais de 2024, apenas 300 multimilionários e os seus familiares diretos contribuíram com mais de 3 mil milhões de dólares para o financiamento de campanhas — direta ou indiretamente, através de comités de ação política. Mais de 2 mil milhões de dólares deste montante foram destinados a candidatos republicanos, incluindo Trump.

Isto representou 19% — quase um quinto — de todas as contribuições políticas.

As famílias bilionárias doaram, em média, um total de 10 milhões de dólares cada, o que equivale aproximadamente ao valor doado por 100 mil doadores políticos típicos, em conjunto.

E isto não inclui as chamadas contribuições de "dinheiro obscuro" canalizadas através de organizações sem fins lucrativos que não são obrigadas a divulgar a sua origem.

3.º Por que razão estão a investir tanto em política?
Parte da razão para a explosão das contribuições políticas dos super-ricos é a decisão do Supremo Tribunal de 2010 no caso Citizens United contra a Comissão Eleitoral Federal, que pôs fim a muitas das restantes restrições ao financiamento de campanhas.

Antes desta decisão, a fatia das despesas dos multimilionários era quase nula — 0,3%.

Mas uma razão ainda maior é a explosão de riqueza no topo da pirâmide social. Isto não só deu aos super-ricos os meios para fazerem contribuições políticas, como também lhes deu um grande incentivo para as fazerem.

Querem impostos mais baixos, menos regulamentos para os seus negócios e leis e regras mais "favoráveis ​​aos negócios".

Por outras palavras, querem ficar com uma maior fatia da sua gigantesca riqueza.

Se for extremamente rico, a democracia pode parecer uma ameaça à sua riqueza. Quanto mais riqueza se acumula, mais assustadora pode parecer a democracia. Isto porque representa uma minoria ínfima. A maioria da população poderia votar a favor de medidas que reduziriam parte da sua riqueza — impostos sobre o rendimento mais elevados, imposto sobre as grandes fortunas, regulamentos que reduzem os poluentes que pode lançar para o ar ou para a água, iniciativas para desmantelar os seus monopólios ou permitir que os seus trabalhadores se sindicalizem e exijam salários mais elevados.

O bilionário Peter Thiel escreveu um dia que "já não acredita que a liberdade e a democracia sejam compatíveis".

Presumivelmente, Thiel define "liberdade" como a capacidade de acumular enormes quantidades de riqueza sem ser impedido por quaisquer responsabilidades para com o resto da sociedade.

Mas existe uma ideia muito diferente de liberdade e democracia, melhor articulada pelo famoso jurista Louis Brandeis, que terá dito: “A América tem uma escolha. Podemos ter uma grande riqueza nas mãos de poucos, ou podemos ter uma democracia. Mas não podemos ter ambas”.

Para Brandeis, a democracia era a fonte da liberdade, e não uma restrição a esta.

À medida que a visão de Thiel ganha mais adeptos entre aqueles que possuem uma grande riqueza — que estão rapidamente a acumular ainda mais e a corromper cada vez mais a política americana — Thiel está, inadvertidamente, a provar o argumento de Brandeis.

4.º Como podemos reverter isto?
Parte da solução é tirar o dinheiro das grandes corporações da política. Já sugeri como isso pode ser feito sem tentar as tarefas quase impossíveis de fazer com que o Supremo Tribunal reverta a sua decisão no caso Citizens United ou aprove uma emenda constitucional. Veja aqui .

A outra parte da resposta é aumentar os impostos sobre os super-ricos — o sonho de Louis Brandeis e o pesadelo de Peter Thiel.

A boa notícia é que — apesar do crescente poder político dos ricos — isso começa a acontecer. Ainda não é um incêndio descontrolado, mas pode vir a ser em breve.

O estado de Washington acaba de aprovar um imposto sobre o rendimento de 9,9% para os residentes que ganhem mais de um milhão de dólares por ano. O estado estima que isto afectará cerca de 20.000 famílias (menos de meio por cento da população do estado). O estado de Washington planeia utilizar as receitas fiscais, estimadas entre 3 mil milhões e 4 mil milhões de dólares por ano, para pagar as refeições escolares às crianças, expandir um crédito fiscal familiar para incluir outras 460 mil famílias de baixos rendimentos e financiar outros serviços essenciais que o orçamento estadual não consegue suportar de outra forma.

A Assembleia Legislativa do estado de Nova Iorque acaba de apresentar uma proposta de aumento de 0,5% no imposto sobre o rendimento dos nova-iorquinos que ganhem mais de 5 milhões de dólares por ano.

Em 2022, os eleitores do Massachusetts aprovaram uma sobretaxa de 4% sobre o rendimento tributável anual que exceda 1 milhão de dólares. Desde que o imposto entrou em vigor em 2023, o estado arrecadou quase 6 mil milhões de dólares em receitas fiscais adicionais — e o número de milionários no estado aumentou, em vez de diminuir.

Nova Jersey detém um imposto sobre o património desde 2020. O Minnesota implementou um imposto sobre os rendimentos de investimentos acima de 1 milhão de dólares em 2024.

A Califórnia está prestes a incluir no boletim de voto estadual de novembro um imposto único de 5% sobre a riqueza dos multimilionários do estado.

São Francisco e Los Angeles estão a planear iniciativas de votação municipal para aumentar os impostos sobre as empresas cujos CEO ganham 100 vezes (na versão de São Francisco) ou 50 vezes (na versão de Los Angeles) o salário médio dos seus funcionários.

No Congresso, o deputado californiano Ro Khanna e o senador do Vermont Bernie Sanders apresentaram um projecto de lei para tributar a riqueza dos multimilionários americanos.

Retirar a influência do dinheiro na política e aumentar os impostos sobre os super-ricos são medidas possíveis — não fáceis, mas possíveis. São também necessárias para inverter a crescente corrupção que está a minar o nosso sistema de capitalismo democrático.