segunda-feira, 2 de março de 2026

Donald Trump é o primeiro presidente norte-americano que, em apenas um ano, já bombardeou e autorizou ataques militares em 7 países


Reports from late 2025 and early 2026 [1] [2] [3] indicate that the second Trump administration has indeed authorized military strikes in seven countries during its first year. While the administration has often framed these actions as part of a "Peace through Strength" doctrine, conflict monitors have noted a significant surge in the frequency of operations compared to previous years.

Below is the breakdown of the countries involved and the nature of the strikes:

Countries Targeted in 2025–2026

CountryTimingObjective / Context
YemenJan – May 2025Operation Rough Rider: Extensive strikes against Houthi rebels to secure Red Sea shipping lanes.
SomaliaOngoing (since Feb 2025)Significant escalation of counterterrorism strikes against al-Shabaab and ISIS-Somalia.
IraqMarch 2025Precision strikes targeting high-ranking ISIS leaders in the Anbar province.
IranJune 2025 / Feb 2026Initial strikes on nuclear facilities in 2025, followed by Operation Epic Fury in early 2026 targeting leadership and military infrastructure.
SyriaDec 2025Operation Hawkeye Strike: Retaliatory strikes against over 70 ISIS targets following the deaths of U.S. service members.
NigeriaDec 25, 2025Christmas Day strikes against ISIS-affiliated groups in the Sokoto state, coordinated with the Nigerian government.
VenezuelaDec 2025 – Jan 2026Maritime strikes against alleged drug-smuggling vessels and a January 2026 operation resulting in the capture of Nicolás Maduro.
Key Contextual Points
  1. Scale of Activity: The Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) reported over 600 strikes in 2025 alone. Some analysts have noted that this volume in a single year exceeds the total number of strikes carried out during the entire preceding four-year term.
  2. Controversy over "Peace" Platform: Critics and conflict monitors often contrast this high level of military activity with the President's campaign promises to end "forever wars" and avoid new foreign entanglements.
  3. Legal & Humanitarian Concerns: Organizations like Airwars have raised concerns regarding civilian casualties, particularly during the intensive campaigns in Yemen and Somalia. Additionally, the strikes on Venezuelan vessels in international waters have been described by some legal experts as "legally dubious."
Sobre a capa de "democratizar" o Irão e fim dos "terroristas", só há 2 interesses: petróleo e o expansionismo demencial de Israel sionista.
Embora seja o 9º em produção, o Irão possui a 3ª maior reserva provada de petróleo do mundo (atrás apenas da Venezuela e Arábia Saudita).

Going to War, Again, for Israel

"Israel & Saudi Arabia pushed the U.S. to attack Iran. Netanyahu killed 72,000 people in Gaza, mostly women & children.
Saudi Arabia is a brutal dictatorship that allows no opposition.
These are the leaders who want to bring “freedom” to Iran?
Does anyone really believe that?" [Bernie Sanders]

Novo estudo revela que as culturas de subsistência contribuem também para a desflorestação e para as emissões de gases de efeito de estufa

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Um novo estudo, publicado na revista Nature Food em 23 de fevereiro de 2026, apresenta uma análise sem precedentes sobre a relação entre a produção global de mercadorias, a desflorestação e as respetivas emissões de carbono. 

Através da criação do modelo DeDuCE, os investigadores Chandrakant Singh e Martin Persson conseguiram mapear o impacto de 184 produtos em 179 países, cobrindo o período entre 2001 e 2022. A grande revelação do estudo é que as políticas ambientais atuais podem estar a sofrer de uma "visão em túnel", ao focarem-se excessivamente em produtos de exportação mediáticos, como a carne bovina, a soja e o óleo de palma, enquanto negligenciam o peso das culturas de subsistência e de base alimentar.

Nomeadamente as commodities como óleo de palma e soja têm um impacto concentrado (Sudeste Asiático e América do Sul, respectivamente). Por outro lado, a desflorestação causada por culturas básicas (arroz e milho) está globalmente distribuída, o que torna o seu controlo mais complexo para as cadeias de abastecimento internacionais.

Os dados revelam que a expansão de pastagens para o gado continua a ser a principal culpada, sendo responsável por 42% da desflorestação global e mais de metade das emissões de carbono associadas. No entanto, o estudo destaca que o arroz, o milho e a mandioca — frequentemente ignorados em regulamentações internacionais como as da União Europeia — representam já 11% da perda de florestas no mundo. 

Este fenómeno é particularmente desafiante porque estas culturas básicas estão dispersas globalmente e são destinadas, em grande parte, ao consumo interno dos países produtores, o que as torna menos suscetíveis a pressões comerciais externas.

Ao longo das duas décadas analisadas, a desflorestação para fins comerciais resultou na perda de quase 122 milhões de hectares de floresta e na emissão de 41,2 gigatoneladas de CO2. Os autores sublinham que, se o objetivo internacional for atingir a neutralidade carbónica e travar a perda de biodiversidade, é urgente alargar o âmbito da monitorização. 

O artigo conclui que não basta focar as atenções nas cadeias de abastecimento de luxo ou de exportação; é imperativo integrar as culturas agrícolas de base nas estratégias de conservação, equilibrando a necessidade crítica de segurança alimentar com a proteção dos ecossistemas florestais.

Jovens portugueses apresentam pior saúde mental que adultos acima dos 55 anos


A saúde mental dos portugueses é pior entre os jovens adultos face à população acima dos 55 anos, apesar dos laços familiares fortes e hábitos alimentares saudáveis, fatores socioculturais habitualmente associados a essa diferença geracional.

É assim em todos os 84 países analisados no relatório Global Mind Health (Saúde Mental Global) 2025 e Portugal não é exceção: os níveis de saúde mental dos jovens são tendencialmente mais baixos em comparação com as faixas etárias mais velhas.

O relatório, da organização Sapien Labs, mede a saúde mental das populações com acesso à Internet e na edição mais recente, divulgada esta quinta-feira, apresenta dados de perto de um milhão de pessoas em 84 países, incluindo Portugal.

À semelhança da tendência global, também os jovens portugueses, entre os 18 e 34 anos, experienciam mais desafios de saúde mental clinicamente significativos, quando comparados com a faixa etária acima dos 55 anos.

Ligeiramente acima da média global de 36 (numa escala de -100 a 200), o quociente de saúde mental médio dos jovens portugueses aproxima-se de 40.

Portugal surge em 46.º lugar
No 'ranking' dos 84 países participantes, Portugal surge assim em 46.º lugar, melhor posicionado do que a população portuguesa acima dos 55 anos de idade que, ainda assim, apresenta melhores níveis de saúde mental do que os jovens.

Com perto de 90 pontos no quociente de saúde mental, os portugueses nesta faixa etária conseguem, de acordo com a escala, ser plenamente produtivos, 70% do tempo, em todos os aspetos da vida.

No contexto global, as diferenças geracionais são tendencialmente maiores nos países mais ricos e, pelo contrário, menos acentuadas nos países da África subsaariana.

A influência dos alimentos ultraprocessados
Os autores apontam quatro aspetos socioculturais que explicam os níveis de saúde mental mais baixos entre os jovens, mas nem todos explicam os dados referentes a Portugal, desde logo no que respeita aos hábitos alimentares.

De acordo com estudos citados no relatório, o consumo de alimentos ultraprocessados -- "cujo consumo está a aumentar entre as gerações mais jovens" - contribui entre 15 a 30% para o agravamento da saúde mental e está associado ao aumento da depressão e diminuição do controlo emocional e cognitivo.

Os jovens portugueses, no entanto, destacam-se por serem dos que menos consomem este tipo de alimentos, ainda que o façam mais do que os adultos acima dos 55 anos.

Portugal é um dos 25 países em que os jovens da "geração Z", entre os 18 e 24 anos, começaram a utilizar 'smartphone' mais cedo, entre os 12 e os 13 anos, sendo que o acesso precoce a 'smartphones' está associado ao aumento de ideação suicida, agressão e outros problemas na vida adulta.

Outro dos aspetos em que Portugal surge destacado diz respeito aos laços familiares fortes, associados a sintomas depressivos "significativamente mais baixos".

Em 18.º lugar no 'ranking', Portugal é dos países em que a percentagem de jovens adultos com laços familiares fortes é mais próxima da registada entre os adultos acima dos 55 anos, a par de Itália, França, Bélgica.

Quanto à espiritualidade, outro dos aspetos socioculturais analisados e associado a "vários benefícios de saúde mental", a percentagem é ligeiramente mais elevada entre os mais jovens, uma tendência que se verifica, ainda que em maior proporção, sobretudo em países da África subsariana e Israel.

domingo, 1 de março de 2026

Maruja - Kakistocracy (live in Gârden)


Quando pensa que as bandas de post-punk e dark scene já não existem, pare. Há muitas bandas novas e entusiasmantes a surgir. Maruja, de Manchester, é uma delas. Mal posso esperar para os ver ao vivo no Porto, em Maio de 2026.
O nome "Maruja" foi inspirado numa placa que o vocalista viu durante umas férias em Espanha.
A palavra Kakistocracy foi cunhada já no século XVII e deriva de duas palavras gregas, kákistos (κάκιστος, 'pior') e krátos (κράτος, 'governo'), que juntas significam um sistema de governo onde os líderes são os piores, menos qualificados e/ou mais inescrupulosos cidadãos.

Europe: From the myth of denazification to suicidal Russophobia or The Triumph of the Kakistocracy


The European ruling class is in a terminal state. Elizabeth Kübler-Ross, the Swiss psychiatrist who dedicated herself to treating terminal patients, identified five stages of grief that we go through when we lose someone. The first stage of grief described by Kübler-Ross is denial. Faced with the loss of its prestige, influence, and economic power, and above all with the rise of China and the other BRICS countries, the European ruling class reacts exactly as predicted in this first stage of grief: with denial.

Very angry, confused and astonished by the profound transformations of the world, the European ruling class vehemently denies its own inevitable decline, its growing impotence and the definitive end of the colonial period, its glorious past.

This class, which in 2022 reacted euphorically to Russia’s special military operation in Ukraine, certain of a quick victory in which economic sanctions combined with NATO’s military might would lead to Russia’s defeat and the fall of Vladimir Putin, opening the door to the exploitation of Russia’s natural resources and its colonization by the West, now desperately denies that Ukraine and NATO’s entire arsenal have already been defeated, violently punishing those voices in Europe who dare to state the obvious, that this war is already lost. The mainstream European press, spokesperson for this dying class, without realizing its own ridiculousness, persists in spreading the most absurd lies about the Russian “threat,” about the “imminent collapse” of the Russian economy and its inevitable future, always future, defeat in Ukraine. Denying reality so emphatically does not change reality, it only makes the enormous and lamentable effort of denial even more pathetic. In its terminal state, the European ruling class has lost all shame and credibility, but it is still capable of causing a great deal of harm. To better combat it, then, it is important to remember a little of its history and denounce its most dangerous lies.

The European ruling class and the myth of denazification
The myth of denazification at the end of World War II is a fundamental pillar in the construction of the supposed “moral superiority” of the European ruling class, which is so important in legitimizing its control. This class presents itself as a proud defender of democracy and human rights, as a historical enemy of Nazism and all fascist movements.

The truth that this class tenaciously seeks to hide is that the reconstruction of European capitalism that allowed its own rise to power was carried out with the support and participation of Nazis and Nazi collaborators, especially in Germany.

At the end of World War II, Germany was divided into distinct occupation zones by the Allied armies—the US, the UK, France, and the USSR. However, as historian Mary Fulbrook wrote in her book A History of Germany 1918–2014, there was a huge difference in the treatment of Nazis and their collaborators between the Soviet occupation zone and the other zones:

“In the Soviet zone, given the primarily structural and socioeconomic interpretation of Nazism which prevailed, major efforts were devoted to the land reform which served to abolish the Junker class, the resources of certain Nazi industrialists were expropriated and there were reforms of industry and finance which had not merely reparations as their aim, The Soviets were concerned also to oust individual Nazis from important positions. They carried out purges not only in the political and administrative spheres, but also in the teaching profession and the judiciary.”

“Quite apart from their attempts to gain some sort of compensation for the enormous material and human losses imposed on them by German aggression, the Soviets implemented certain economic policies designed so to transform the socioeconomic structure of their zone that could never again, in the Soviet view, be the material basis for a Nazi capitalist militarism. They sought to eradicate the Junker class and the large capitalists in a stroke.”

Regarding the occupation by Western powers, Mary Fulbrook states:
“It is notable that, in contrast to the Soviet zone, there were no radical transformations in economic structure in the Western zones of occupation.”

“Denazification lurched along in curious ways in the Western zones. It was not quite clear whether the aim was to punish or to rehabilitate former Nazis; and whether the intention was to cleanse the political, administrative and economic spheres of their presence, or to cleanse former Nazis of the taint of Nazism in order to reinstate them in their former areas of expertise. In contrast to the Soviet zone, which effected a major restructuring of society, along with a replacement of the old elites by new personnel, as well as permitting individual rehabilitation, the Western zones tended towards rehabilitation rather than transformation.”

Also, according to Mary Fulbrook:

“Nevertheless, it can be argued that in more subtle, less immediately obvious ways, there was in fact a major socioeconomic reorientation taking place in the Western zones of Germany. In the immediate postwar period, many people thought the way was open for a socialist transformation of Germany. The Allies’ decision to suppress indigenous anti-fascist groups and support moderate and conservative political parties was paralleled in the sphere of economic policy. Indigenous demand, for example, for the socialization of mines, were peremptorily dealt with by the Americans. Socialization measures proposed by the Land governments of Hesse and North-Rhine-Westphalia were suppressed by the Americans and – under American pressure – the British respectively. Subtle pressures were exerted by the Americans to split communist and socialist trade unions, to isolate the former and moderate the latter.”

Finally:

“Former Nazis, both the committed and the conformists, were able to fit easily into Adenauer’s Germany. Although in the immediate postwar period about 53,000 civil servants had been dismissed for membership in the NSDAP, only 1,000 were excluded permanently from any future employment. Under the 1951 Reinstatement Act many were reemployed in the civil service and obtained full pension credits for their service in the Third Reich. By the early 1950s between 40 and 80 per cent of officials were former NSDAP members. Similarly, only a very few members of the judiciary were permanently disqualified. Former Nazis were even able to gain prominent positions in public life. Adenauer was quite prepared to include former Nazis in his cabinet, such as former SS-member Oberlaender as Minister for Refugees. Perhaps the most controversial of Adenauer’s appointments was that of Hans Globke, the author of the official commentary of the Nuremberg Race Laws of 1935, as Adenauer’s chief aide in his Chancellery. “

Regarding the courts responsible for prosecuting Nazis, Mary Fulbrook comments:

“The tribunals soon came to be likened to laundries. One entered wearing a brown shirt and left with a clean starched white shirt instead. Denazification had finally become, not the cleansing of German economy, administration and society of Nazis, but rather the cleansing and rehabilitation of individuals.”

David de Jong, a Dutch journalist who has investigated some particular cases of Nazi industrialists and bankers in Germany, published in 2022 the book Nazi Billionaires – The Dark History of Germany’s Wealthiest Dynasties, where he informs:

“By 1970, Friedrich Flick, August von Finck, Herbert Quandt and Rudolf-August Oetker made up West Germany’s top four wealthiest businessmen in descending order of fortune. All four were former members of the Nazi Party; one of them had been a volunteer Waffen-SS officer; they had all become billionaires.”

In his book, David de Jong devotes special attention to the use of forced labor of prisoners of war in factories in Germany and occupied countries. Mentioning Friedrich Flick, for example, the author writes:

“By 1943, those performing forced labor at Flick’s coal mines increasingly consisted of women and children deemed fit for work in the open-pit mines. Many were Russian teenagers from thirteen to fifteen. By the time Flick’s sixty-first birthday came around, his conglomerate had 120,000 to 140,000 workers. About half of them were forced or enslaved.”

And also:

“IG Farben, Siemens, Daimler-Benz, BMW, Krupp, and various companies controlled by Günther Quandt and Friedrich Flick were some of the largest private-industry users of forced and salve labor.”

“Slave labor collaborations between SS-run concentration camps and German companies included Auschwitz with I.G. Farben, Dachau with BMW, Sachsenhausen with Daimler-Benz, Ravensbrück with Siemens, and Neuengamme with Günther’s AFA, Porsche’s Volkswagen, and Dr. Oetker.”

Ferdinand Porsche, the famous designer and owner of the car factory that bears his name and also of Volkswagen, was a dedicated collaborator with the Nazi regime and a producer of weapons for the German army. Porsche used slave labor not only in Germany, but also at the Volkswagen factory in occupied France. According to de Jong, Porsche was acquitted by a court in Dijon, France, in 1948. And, according to de Jong, “not even mentioned in the trial” was the use of “thousands of French civilians and soldiers as forced laborers and slaves in the Volkswagen complex.”

In 1951, at the height of the Adenauer era, the Stille Hilfe (Silent Help) Association was founded in Germany. The German organization Zukunft braucht Erinnerung (The Future Needs Memory) (1) states on its website that Stille Hilfe is “an organization that was primarily dedicated to supporting Nazi murderers, but which, unfortunately, only became known to the public very late and in a rudimentary form. What was frightening about this aid organization, apart from its incomprehensible intentions, was the fact that certain people were involved in it or supported it. At least until 2011, the organization was still very active.”

Its founder, Princess Helene Elisabeth von Isenburg, devoted herself mainly to providing legal assistance to Nazi war criminals sentenced to death who were imprisoned in Landsberg Prison, under Allied control. She became known as the “Mother of the Landsbergers.” This association also provided financial assistance to Nazi criminals and their families.

It is also important to mention the Blue Division, a group formed by Spanish Francoist volunteers who joined the Nazi army in the fight against the Soviet Union. In 2015, several members of the Die Linke party in Germany questioned the German government (2) about the payment of around €100,000 per year in pensions that were still being made to these former Nazi combatants and their families by the German government, which the Die Linke party considered scandalous. (3)

The fact that an association with the objectives of Stille Hilfe could have been created in Germany in 1953 and that pensions to former Nazi combatants from a foreign country were still being paid in 2015 by the German government are two more striking pieces of evidence against the myth of denazification. Similar events occurred throughout Western Europe, where Nazis and their collaborators played an important role not only in the reconstruction of European capitalism but also in the repression of popular movements demanding revolutionary changes in social organization, such as the socialization of mines mentioned by historian Mary Fulbrook. It was this popular pressure that led to the creation of the welfare state in countries such as Germany, France, and England. It is important to remember that capitalism as an economic system emerged from the war completely discredited and had to be reimposed throughout Europe by the United States with the collaboration of the former European elites who had supported fascism in Italy and Nazism in Germany. With the end of World War II, the fascists, Nazis, and their collaborators had another function of the utmost importance: the fight against the USSR.

The many faces of Russophobia
Russophobia in both Europe and the US have a long history, dating back to the Russian Revolution of 1917. The Cold War period accentuated Russophobia, which became firmly established even in popular culture, where Soviets were always portrayed as caricatured villains in a wide variety of films and books. Paradoxically, it was after the dissolution of the USSR in 1991 that Russophobia took on new dimensions. The years of Boris Yeltsin’s presidency in Russia from 1991 to 1999 were a period of great euphoria in the West regarding its former adversary. The USSR had been defeated, and Russia’s immense natural resources were now available for privatization. According to IMF estimates, capital flight from Russia in the 1990s amounted to about $150 billion. The country was plunged into chaos and economic depression, and in the eyes of the West, Russia was very close to becoming a new Western colony. Upon succeeding Yeltsin in 1999, Vladimir Putin managed to reverse this process of political and economic decline, preventing the neo colonization of Russia, which the West has never forgiven. This is the origin of the demonization of Vladimir Putin, an important ingredient fueling current Russophobia. With the special military mission in Ukraine, Putin has once again thwarted the interests of the West. Through a proxy war in Ukraine, Western powers, with their economic blockades and NATO’s military might, hoped to destroy the Russian economy, overthrow Putin’s government, and put someone like Yeltsin in power in Russia.

O esverdeamento global (global greening) está a deslocar-se para Nordeste

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Um novo estudo liderado pelo Centro Alemão de Investigação Biológica Integrativa (iDiv), pelo Centro Helmholtz de Investigação Ambiental e pela Universidade de Leipzig revelou que a "onda verde" da Terra — o indicador da saúde e atividade da vegetação — está a deslocar-se gradualmente para nordeste. 
Através de um método inovador que calcula o centro de massa da vegetação global, os cientistas conseguiram monitorizar como a densidade das folhas verdes se move pelo planeta ao longo das décadas. Para ilustrar o conceito, o autor principal, Miguel Mahecha, sugere imaginar um globo com pequenos pesos aplicados em cada ponto onde existe vegetação; ao colocar esse globo na água, o centro de massa apontaria sempre para baixo, permitindo seguir a sua oscilação.
Utilizando observações de satélite e modelos de dados, a equipa descobriu que este "centro verde" oscila anualmente entre a Islândia, em meados de julho, e a costa da Libéria, em março, seguindo o ritmo das estações. 
No entanto, a análise de longo prazo revelou uma tendência preocupante e inesperada: um desvio consistente para norte em todas as estações do ano. Ao contrário do que previam, os investigadores não observaram um desvio compensatório para sul durante o verão do Hemisfério Sul. Esta mudança parece ser impulsionada por invernos mais amenos e épocas de crescimento mais longas no Hemisfério Norte, que permitem que a vegetação permaneça verde por períodos mais extensos.
Além do movimento para norte, o estudo identificou uma deslocação nítida para leste, fenómeno que os especialistas associam a focos de esverdeamento intenso em regiões como a Índia, a China e a Rússia. Este processo de "esverdeamento global" é amplamente influenciado pela atividade humana, uma vez que o aumento do CO2 atmosférico funciona como um fertilizante que potencia a fotossíntese, enquanto a subida das temperaturas altera os ciclos biológicos. Este novo método de monitorização oferece agora uma ferramenta crucial para compreender como a superfície viva do planeta se está a reorganizar face ao aquecimento global, ligando fatores como a migração animal, a dinâmica de incêndios e as interações entre a biosfera e o clima.
Este novo método de monitorização funciona como um termómetro visual da saúde do planeta, mostrando que a Terra não está apenas a aquecer, está a transformar-se fisicamente.

Invasão do Irão


Esta guerra desencadeada contra o Irão não é um desvio táctico nem uma reacção nervosa a uma ameaça iminente, é a manifestação crua de um projecto de poder que perdeu qualquer pudor moral e que actua com a convicção de que a força substitui o direito. O governo de Israel não age como um actor sitiado que responde no limite da sobrevivência, age como uma potência militar convencida de que pode redesenhar o mapa humano da região à custa de quem estiver no seu caminho. O governo dos Estados Unidos, por sua vez, não é um aliado constrangido, é o garante estrutural dessa audácia, o fiador armado de uma política que já mostrou, na Palestina, até onde está disposto a ir.
Em Gaza não houve uma tragédia inevitável, houve um método. Não houve apenas o confronto com o Hamas, houve uma devastação sistemática de um território densamente povoado onde se sabia, com precisão estatística, que morreriam milhares de mulheres e crianças que nada tinham a ver com decisões militares. Quando hospitais são bombardeados, quando bairros inteiros são apagados do mapa, quando a fome e a ausência de cuidados médicos se tornam instrumentos de pressão, não se está perante um erro operacional, está-se perante uma escolha, e essa escolha foi repetida até se tornar uma rotina.
Genocídio é a palavra exacta. Não como um grito emocional, mas como uma descrição política de um processo que destrói deliberadamente as condições de existência de um povo enquanto tal. A morte massiva de civis deixou de ser uma consequência indesejada para se tornar uma variável integrada no cálculo estratégico. 
A indignação internacional é gerida como um ruído de fundo, tolerável enquanto não comprometer as alianças nem os contratos militares.
A ofensiva contra o Irão amplia esta lógica. 
A ameaça futura é convertida numa licença para a destruição presente. Invoca-se o perigo nuclear para justificar ataques, que se sabe de antemão, não ficarão confinados a instalações militares. 
A mensagem é clara e brutal. Quem desafia a arquitectura de poder imposta por Israel e garantida pelos Estados Unidos torna-se um alvo legítimo, e as populações civis tornam-se simplesmente danos previsíveis.
Os Estados Unidos desempenham aqui o papel de motor geopolítico. Financiam, armam, vetam resoluções, moldam narrativas e apresentam como defesa da ordem internacional aquilo que é, na prática, a sua corrosão selectiva. A sua superioridade militar e diplomática funciona como um escudo de impunidade. Israel executa no terreno com a confiança de quem sabe que não será travado por sanções sérias nem por um isolamento efectivo.
Esta convergência transforma ambos numa força motriz de instabilidade que ameaça não apenas uma região, mas o próprio princípio de que a vida civil deve estar protegida em qualquer conflito. Quando dois Estados com tal poder normalizam a destruição de populações inteiras em nome da segurança, enviam ao mundo um sinal devastador: a lei é opcional para quem tem força suficiente para a ignorar.
Não se trata de uma retórica exaltada, trata-se de constatar que esta aliança tem agido como um catalisador de guerras sucessivas, ampliando conflitos e reduzindo o espaço para soluções políticas. Ao escolher reiteradamente a via militar, ao aceitar como custo assumido a morte de inocentes, ao expandir o teatro de operações para além da Palestina até ao Irão, assumem-se como agentes centrais de uma lógica que corrói a própria ideia de uma humanidade partilhada.
A História acabará por registar esta fase não como uma defesa heróica de valores, mas como um período em que duas potências decidiram que a sua segurança e a sua indisfarçável ganância justificava tudo. 
E quando tudo é justificável, nada fica de pé. 
Nem cidades, nem direitos, nem a confiança mínima que sustenta a coexistência entre povos.

Sigue Sigue Sputnik - 21st Century Boy


Out of stereo, video
Sci-fi sex, let's go-go-go
Let's go
Saturn dreams, laser beams
21st century sex machines

Oh, can the Cartier
Toss the Tissot
Timex kid, time to go-go

I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy

Siamese, Lebanese
Chinese speaking split TV's
Singapore, El Salvador
Coca Cola...
Mercury, luxury
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I'm a 21st century whoopee boy
Ladies and gentlemen, Elvis 1990
I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
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I'm a space cowboy
I'm a 21st century whoopee boy
I'm a space cowboy
G-g-g-g-generation whoopee boy

Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Let's go-go-go
Let's go, let's go
Mm-mmm, I love technology!

A banda era conhecida por ser extremamente futurista (para os padrões dos anos 80) e por misturar elementos que pareciam desconexos na época:
1. Visual inspirado em filmes como Blade Runner e Mad Max, com cabelos coloridos gigantes e roupas de PVC.
2. Eles pegaram a estrutura do Rock 'n' Roll dos anos 50 (estilo Elvis ou Gene Vincent) e a "destruíram" com sintetizadores pesados, batidas eletrónicas e muitos samples de filmes e comerciais.

Provocação: foram pioneiros em vender espaços publicitários entre as faixas dos seus álbuns, o que reforçava a temática consumista e distópica da música.

O nome da música é uma clara homenagem à canção "20th Century Boy" da banda de glam rock T. Rex, mostrando que eles se viam como a evolução tecnológica daquele som.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Entrevista a Gary Snyder - aos 92 anos


Snyder enfatiza que os seres humanos perderam a conexão com o local onde vivem. Ele defende que devemos conhecer intimamente a nossa "bacia hidrográfica" (watershed): quais plantas crescem ali, de onde vem a água, quais animais habitam à sua volta. Para ele, a ecologia não é um conceito abstrato, mas a prática de se tornar um "nativo" do lugar onde se pisa.

Ele discute sua longa permanência no Japão e como o Zen-Budismo moldou sua visão de mundo. Snyder explica que a prática espiritual não está separada do trabalho físico (como cortar lenha ou cuidar da terra). Ele vê a natureza como um "sangha" (comunidade espiritual) expandido, onde todos os seres vivos têm dignidade.

A conversa toca na importância de comunidades pequenas e autossustentáveis. Snyder acredita que a resistência contra a destruição ecológica começa na escala local, através do fortalecimento dos laços comunitários e da educação das novas gerações sobre o valor do seu ecossistema imediato.

Rússia, Ucrânia e a Europa

Putin tem de compreender que não é a reencarnação de Alexandre Nevsky, nem o guardião mítico de uma fortaleza sitiada por inimigos medievais. A história não se repete sob a forma de epopeia defensiva permanente, e o século XXI não é um campo de batalha contra mongóis, suecos ou hordas napoleónicas. O terror nazi pertence ao passado histórico europeu, por mais traumático que tenha sido, e a Pátria russa não está hoje sob ameaça existencial.
Os russos têm de reconhecer que existe algo chamado direito internacional, construído precisamente para impedir que os traumas históricos se transformem em guerras preventivas. As fronteiras reconhecidas dos Estados não são sugestões geográficas: são garantias jurídicas da estabilidade global. A sua violação não é acto defensivo; é ruptura da ordem internacional.
Mas também os europeus têm responsabilidades. Devem compreender que os povos da grande mãe Rússia carregam traumas históricos profundos — invasões, cercos, devastação — que moldaram uma cultura estratégica de suspeita e defesa. Ignorar essa memória colectiva é um erro político. A estabilidade exige não apenas firmeza jurídica, mas também inteligência estratégica e capacidade de reduzir percepções de ameaça.
Nesse sentido, a Europa deve agir com prudência, evitando transformar a segurança do continente numa escalada permanente de blocos militares. Segurança não se constrói apenas com expansão de alianças, mas com arquitectura de confiança e previsibilidade.
Por fim, importa sublinhar que eventuais problemas internos da Ucrânia — incluindo fenómenos políticos extremistas — pertencem à esfera soberana dos ucranianos. Nenhum país pode invocar fragilidades internas de outro como pretexto para intervenção armada. A autodeterminação não é selectiva.
Seria tão simples — se a história não fosse permanentemente instrumentalizada, e se o medo deixasse de ser argumento.

U2 - Yours Eternally ft. Ed Sheeran and Taras Topolia


"Yours Eternally" é uma colaboração poderosa lançada em fevereiro de 2026 pelo U2, com a participação de Ed Sheeran e Taras Topolia (vocalista da banda ucraniana Antytila).

A canção é o grande destaque do EP surpresa de 6 faixas do U2, intitulado Days of Ash, lançado em 18 de fevereiro de 2026 (Quarta-feira de Cinzas).

Detalhes principais da colaboração:
A mensagem: a música foi escrita como uma carta de um soldado no front para aqueles que ficaram em casa. O tema central foca no conceito de Volya — uma palavra ucraniana que significa tanto "liberdade" quanto "força de vontade". O U2 traz a bagagem histórica da Irlanda com conflitos e processos de paz, o que Bono frequentemente conecta à situação atual na Europa

As origens: a parceria nasceu da relação criada quando Bono e The Edge se apresentaram no metro de Kiev em 2022. Taras Topolia, que serviu como paramédico de combate, trouxe a perspectiva real do soldado para as letras.

O videoclipe: para marcar o quarto aniversário da invasão em grande escala da Ucrânia, um documentário de curta-metragem para a música foi lançado em 24 de fevereiro de 2026. Dirigido pelo cineasta ucraniano Ilya Mikhaylus, o vídeo utiliza imagens reais de combate da Brigada Khartiya.

Produção: a faixa foi produzida por Jacknife Lee, colaborador de longa data do U2, e conta com um "coro virtual" que inclui membros do Antytila e ativistas como Bob Geldof e Nadya Tolokonnikova, dos Pussy Riot.

Sobre o EP Days of Ash:
Bono descreveu este trabalho como um "cartão-postal do presente", com canções de "desafio, consternação e lamentação" que não podiam esperar pelo próximo álbum completo da banda (previsto para o final de 2026).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

U2 - Numb


Canção premonitória do mundo que seria no século XXI.
O videoclipe do primeiro single do álbum Zooropa foi realizado por Kevin Godley e filmado em Berlim, no verão de 1993.

O significado da canção: "Numb"
A letra de "Numb" funciona como um mantra de negação. É uma sucessão frenética de ordens contraditórias e proibições (ex: "Don't move, don't talk out of line, don't believe, don't think"), que pintam o retrato de um indivíduo encurralado.

1. Sobrecarga sensorial e mediática
A música reflete a paralisia perante o excesso de estímulos da década de 90 — a explosão da TV por cabo, o nascimento da internet e o fluxo ininterrupto de notícias.
O "ruído" do mundo torna-se tão alto que o cérebro deixa de conseguir processar a informação.
É o som de alguém a tentar encontrar silêncio num mundo que não se cala.

2. O entorpecimento como defesa
O título "Numb" (Entorpecido/Insensível) descreve um estado de desapego emocional.
Mecanismo de proteção: O eu lírico opta por não sentir nada para não ser esmagado pela confusão exterior.

Se não houver crença, desejo ou pensamento crítico, o indivíduo torna-se imune à dor e à desilusão. É uma apatia voluntária.

3. A ironia da performance
O facto de ser The Edge a cantar, com uma voz propositadamente monótona e sem vida, reforça a ideia de uma máquina ou de alguém que já "desligou" os seus sentimentos. Enquanto isso, os falsetes de Bono ao fundo soam como os últimos vestígios de humanidade a tentar emergir do caos.

Encontros Improváveis - John Muir

Parque Natural do Alvão
John Muir: o profeta da natureza
John Muir (1838–1914) foi o catalisador que mudou a percepção do mundo ocidental sobre a vida selvagem, movendo-a da exploração utilitária para a veneração espiritual.

"Wilderness is a necessity... there must be places for human beings to satisfy their souls." – John Muir

John Muir, frequentemente aclamado como o "Pai dos Parques Nacionais", foi uma das figuras mais influentes na formação da consciência ecológica moderna. O seu pensamento não era apenas uma teoria académica, mas uma filosofia vivida, profundamente enraizada numa visão espiritual e holística da natureza. Para Muir, o mundo natural não era um recurso a ser explorado, mas um templo sagrado onde a humanidade poderia encontrar renovação e verdade.

O panteísmo naturalista
No cerne da filosofia de Muir reside a convicção de que Deus e a Natureza são indissociáveis. Influenciado pelo transcendentalismo de Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau, Muir via em cada glaciar, árvore ou tempestade uma manifestação direta do divino. Ele rejeitava a visão antropocêntrica — a ideia de que a Terra existe apenas para servir o Homem — e argumentava que todas as espécies possuem um valor intrínseco, independentemente da sua utilidade para a civilização.

Preservacionismo vs. Conservacionismo
Muir é o principal rosto do preservacionismo. Esta postura diferenciava-o de contemporâneos como Gifford Pinchot, que defendia o "conservacionismo" (a gestão eficiente dos recursos naturais para uso humano). Enquanto Pinchot olhava para as florestas como madeira em potencial, Muir via-as como essenciais para a saúde espiritual e psicológica da humanidade. Para ele, a natureza selvagem (wilderness) deveria ser mantida intacta, protegida de qualquer intervenção comercial.

Pontos-Chave do Pensamento de Muir
  1. Interconectividade: Muir antecipou conceitos da ecologia moderna ao afirmar que, quando tentamos isolar algo na natureza, descobrimos que está "preso a tudo o resto no Universo".
  2. A Natureza como terapia: Ele acreditava fervorosamente que o contacto com o mundo selvagem era a cura para os males do materialismo industrial, descrevendo a ida para as montanhas como um "regresso a casa".
  3. Ativismo político: A sua filosofia traduziu-se em ação direta, resultando na fundação do Sierra Club e na criação de parques icónicos como Yosemite, Mount Rainier  e Sequoia.
"Milhares de pessoas cansadas, de nervos abalados e demasiado civilizadas, estão a começar a descobrir que ir para as montanhas é ir para casa; que a vida selvagem é uma necessidade." — John Muir

A herança de Muir continua viva hoje, servindo de base para o movimento ambientalista global e para a compreensão de que a preservação do planeta é, em última análise, a preservação da nossa própria essência.

Mau tempo: País não podia evitar tempestades mas deve usar melhor o território


Maria José Roxo, um dos nomes mais relevantes da Geografia portuguesa e especialista em catástrofes e riscos ambientais considera que o país não podia evitar as recentes tempestades, mas poderia minimizar os efeitos dos fenómenos meteorológicos extremos com outra forma de ocupar e “usar o território”.

“Não podíamos evitar porque aquilo que está a acontecer em Portugal, e em muitas outras áreas do planeta, como estamos a ver nos últimos dias, com a tempestade de neve nos Estados Unidos muitíssimo forte e com as chuvas muito intensas no Brasil, são fenómenos que têm a ver com algo que nós andamos há muitíssimo tempo a falar, que é o efeito do aquecimento global”, afirmou Maria José Roxo.

Em declarações à Lusa, a professora do departamento de Geografia e Planeamento Regional da Universidade Nova de Lisboa, analisou os efeitos das recentes depressões Kristin, Leonardo e Marta, que desde a madrugada de 28 de janeiro provocou pelo menos 18 mortos, centenas de feridos e desalojados, principalmente nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.

A também investigadora do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS), da Nova, salientou que Portugal possui a particularidade de ter um clima de grande variabilidade, de características mediterrânicas e atlânticas, que “tem sido perturbada por este aquecimento global”, tornando as tempestades e as superfícies frontais cada vez mais intensas.

“Não podíamos evitar, mas podíamos minimizar. E aqui é que temos que nos concentrar. Este minimizar implicava o que há muito tempo se vem falando sobre a forma como se está a ocupar e a usar o território, e esse é que é o grave problema”, apontou.

O problema, sublinhou, está na maneira como se utilizam os recursos naturais, perturbando a dinâmica dos sistemas naturais, com a canalização dos cursos de água nas áreas urbanas e o uso do “recurso solo”, com a impermeabilização das áreas urbanas.

“Pensar cidade é pensar cidade com a natureza. As cidades têm que ser cidades esponjas, que absorvam água, viu-se o exemplo de Setúbal, com a bacia de retenção, e todos esses aspetos de mais verde nas cidades, mais espaços de absorção, menos impermeabilização”, defendeu, aludindo ao exemplo do parque urbano da cidade junto ao Sado que amorteceu as recentes cheias.

A especialista em desertificação, catástrofes e riscos ambientais, recursos naturais e geomorfologia, exemplificando com as caleiras nas cidades para colocar árvores, constatou que em muitos sítios “são mínimas, muitas vezes até impermeabilizadas”, tornando difícil compreender até como é que as “árvores sobrevivem”.

“Esta questão de como fazemos planeamento tem que ser equacionada devidamente, porque é necessário pensar de uma forma diferente” e de uma forma integrada, defendeu Maria José Roxo, acrescentando que não se pode só pensar nos solos, mas também nos cobertos vegetais e na água, três elementos que “têm que estar sempre associados”.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O aquecimento dos oceanos causa uma redução anual de 20% no número de peixes

O aquecimento crónico e prolongado dos oceanos é o responsável pelo declínio anual de quase 20% na biomassa de peixes (o peso total dos peixes capturados vivos em redes de arrasto), segundo pesquisadores do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha e da Universidade Nacional da Colômbia.

A pesquisa, desenvolvida nas águas do Mediterrâneo, do Atlântico Norte e do Pacífico Nordeste, baseia-se na análise de 702.037 estimativas de mudanças na biomassa de 33.990 populações de peixes registadas entre 1993 e 2021 no Hemisfério Norte.

Os dados coletados, segundo os pesquisadores, devem ser cruciais para aprimorar a gestão da pesca e a conservação dos ecossistemas marinhos, dos quais depende grande parte da segurança alimentar mundial; hoje, 25 de fevereiro, eles publicam os resultados do seu trabalho na revista Nature Ecology and Evolution.

Shahar Chaikin, pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais, explicou à EFE que calcularam essa perda de 'biomassa' analisando o peso total dos peixes vivos capturados em redes de arrasto de fundo durante o período abrangido pelos estudos científicos, que inclui espécies comerciais e não comerciais.

As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes, não afetam todos os peixes da mesma forma, pois há populações que "perdem" e outras que "ganham", e o estudo mostra que tudo depende da zona de conforto térmico, a faixa de temperatura ideal na qual cada espécie cresce e se desenvolve melhor.

No final das contas, ninguém ganha.
Shahar Chaikin afirmou que, tanto globalmente quanto em nível populacional (em locais específicos), a tendência geral é de diminuição dessa biomassa à medida que os oceanos aquecem, e declarou que o resultado final do trabalho é que "ninguém ganha a longo prazo".

Quando uma onda de calor leva os peixes em águas já quentes além de sua zona de conforto térmico, a sua biomassa pode cair até 43,4%, mas as populações em áreas mais frias muitas vezes prosperam temporariamente com o aumento das temperaturas, aumentando a sua biomassa em até 176%.

“Embora esse aumento repentino na biomassa em águas frias possa parecer uma boa notícia para a pesca, trata-se de um aumento temporário. Se os gestores aumentarem as quotas de pesca com base no aumento da biomassa causado por uma onda de calor, correm o risco de provocar o colapso dos stocks quando as temperaturas voltarem ao normal ou quando o efeito do aquecimento global a longo prazo se consolidar, porque esses aumentos são pontuais”, alertou Chaikin.

“Ao contrário das flutuações climáticas de curto prazo, que podem variar drasticamente, o aquecimento crónico exerce uma pressão negativa constante sobre as populações de peixes no Mar Mediterrâneo, no Oceano Atlântico Norte e no nordeste do Oceano Pacífico”, disse Juan David González Trujillo, pesquisador da Universidade Nacional da Colômbia, num comunicado à imprensa divulgado na quarta-feira pelo MNCN.

Coordenação internacional para gerir recursos que não conhecem fronteiras.
A abordagem tradicional à gestão da pesca já não acompanha o ritmo das alterações climáticas e, para garantir o futuro dos recursos pesqueiros globais, os autores propõem uma estrutura de três níveis que combina resposta rápida, planeamento a longo prazo e cooperação internacional. Observaram que as espécies, na tentativa de se manterem dentro da sua zona de conforto térmico, inevitavelmente atravessam fronteiras internacionais, pelo que a conservação requer coordenação internacional e acordos conjuntos de gestão de recursos.

O pesquisador do MNCN-CSIC, Miguel Bastos Araújo, enfatizou a importância de equilibrar cuidadosamente os aumentos localizados com os declínios a longo prazo para evitar a sobre-exploração e afirmou que a única estratégia viável diante do aquecimento dos oceanos é priorizar a resiliência a longo prazo. "As medidas de gestão devem levar em conta o declínio esperado da biomassa num oceano cada vez mais quente."

A conclusão é que os recursos pesqueiros não podem ser regulamentados apenas considerando o aumento ou a diminuição ocasional da biomassa devido a uma onda de calor marinha, disse Chaikin à EFE, citando o exemplo do robalo do Mediterrâneo: quando confrontado com uma onda de calor marinha, é essencial reduzir a pressão da pesca, porque enfrenta perdas muito maiores do que as populações em costas mais frias da Galiza ou da Inglaterra.

Mas, embora as populações nessas "bordas frias" possam experimentar um aumento significativo durante uma onda de calor, esses ganhos são "transitórios" e desaparecem com o aquecimento oceânico a longo prazo , portanto, não representam uma oportunidade para a "captura sustentável".