Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
terça-feira, 6 de outubro de 2026
In The Nursery - Artisans of Civilisation
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Ana Moura - Andorinhas
Por favor Revejam o Documentário - Propaganda: The Art of Selling Lies (2019)
Num ecossistema global marcado pela policrise - onde a instabilidade económica, as alterações climáticas e os conflitos geopolíticos se entrelaçam -, a polarização entre os extremos do espectro político intensificou-se drasticamente. O debate público transmutou-se num campo de batalha ideológico entre visões radicais de extrema-esquerda e de extrema-direita, deixando os cidadãos imersos numa névoa de incerteza: afinal, quem manda verdadeiramente no mundo? Serão os governos eleitos, as multinacionais tecnológicas, os algoritmos das redes sociais ou os detentores do capital financeiro?
Rever Propaganda: The Art of Selling Lies (2019) no contexto atual não é um mero exercício de nostalgia cinefílica ou académica; é uma ferramenta de sobrevivência democrática. Ao desmantelar os mecanismos psicológicos e estéticos da persuasão, a obra de Larry Weinstein oferece uma chave de leitura essencial para compreender como as narrativas populistas contemporâneas alimentam a divisão social, exploram o medo e fabricam verdades à medida. Numa era de pós-verdade e desinformação sistemática, o documentário recorda-nos que a primeira linha de defesa contra a manipulação começa na nossa própria capacidade de questionar o que vemos e ouvimos.
O documentário Propaganda: The Art of Selling Lies (2019), realizado pelo cineasta canadiano Larry Weinstein, parte de uma interrogação fundamental sobre a condição humana: por que razão a humanidade é tão facilmente seduzida pela propaganda? Em vez de restringir a análise a um fenómeno político moderno ou a guerras geopolíticas pontuais, o realizador adota um prisma eminentemente artístico e histórico. A tese central da obra defende que a propaganda representa a arte da persuasão levada ao limite — uma ferramenta sofisticada que instrumentaliza a estética, a emoção e a narrativa para construir verdades fabricadas, manipular multidões e moldar o comportamento coletivo.
Para fundamentar esta premissa, o filme desenvolve uma jornada cronológica e conceitual que estabelece pontes entre as origens da civilização e o presente digital. A narrativa recua às civilizações da Antiguidade, demonstrando como os relevos mesopotâmicos, as moedas romanas e os monumentos egípcios funcionavam já como instrumentos primitivos de propaganda estatal destinados a legitimar o poder de reis e imperadores. Avançando na história, o documentário aborda a era da imprensa e o papel da arte sacra durante a Contrarreforma Católica, destacando a invenção de Gutenberg como o grande catalisador da disseminação de ideias em escala industrial.
A análise atinge particular densidade ao debruçar-se sobre o século XX, período marcado pelos regimes totalitários e pelas grandes guerras globais. Explora-se a estética fascista e nazi - com especial atenção ao trabalho cinematográfico de Leni Riefenstahl -, o realismo socialista da propaganda soviética e a emergência das campanhas de mobilização ocidentais, imortalizadas em ícones como o cartaz do Uncle Sam. Finalmente, o arco histórico culmina no século XXI, conectando a propaganda tradicional ao ecossistema dos algoritmos, das fake news, da mineração de dados no caso Cambridge Analytica e da proliferação da desinformação na era da pós-verdade.
O valor analítico da obra é enriquecido por um conjunto diversificado de testemunhos de artistas, ativistas e historiadores. O artista dissidente chinês Ai Weiwei reflete sobre a propaganda de Estado em regimes autoritários, contrapondo-a à "propaganda do indivíduo" através da arte enquanto ato de resistência. Por sua vez, Shepard Fairey, o designer responsável pelo icónico cartaz HOPE de Barack Obama, analisa a linha ténue que separa a arte urbana, a propaganda política e a comercialização da imagem. Paralelamente, diversos académicos explicam a forma como a neurociência e a psicologia das massas esclarecem a vulnerabilidade do cérebro humano ao medo, ao apelo tribal e às mensagens simplificadas.
Do ponto de vista cinematográfico, o filme funciona como uma experiência estética alinhada com o próprio tema. Fiel ao estilo do realizador, aborda cartazes, esculturas, quadros e excertos de filmes não apenas como documentos históricos, mas como peças de design persuasivo. A montagem dinâmica e o ritmo fluído utilizam uma linguagem visual próxima da colagem, combinando imagens de arquivo com grafismos modernos numa estrutura que espelha a saturação informativa contemporânea.
Apesar de a sua abordagem transversal conectar a história da arte antiga às redes sociais de forma excecional, o documentário apresenta algumas limitações. O esforço de cobrir milénios de história resulta inevitavelmente na abordagem superficial de determinados períodos, enquanto o foco acentuado no cenário político norte-americano no último terço do filme pode retirar-lhe alguma abrangência perante a evolução de novos cenários globais. Não obstante estas condicionantes, a obra sobressai pelo seu forte poder de provocação crítica, estimulando o espectador a questionar o viés de confirmação e as suas próprias certezas. Em última análise, Propaganda: The Art of Selling Lies constitui um alerta urgente sobre a fragilidade da perceção pública, demonstrando que a propaganda atinge a sua máxima eficácia quando aqueles que são manipulados nem sequer disso se apercebem.
5 de Outubro - A Pátria da Terra: Do Iberismo Histórico ao Iberismo Biológico
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| Lince-ibérico: o símbolo do Iberismo Biológico |
Na celebração do 5 de Outubro, o olhar político em Portugal volta-se inevitavelmente para os pilares da soberania, o legado da República e a complexa relação de vizinhança com Espanha. Durante mais de dois séculos, o debate sobre o Iberismo oscilou entre a utopia intelectual da Geração de 70 - que via na união republicana a salvação contra o atraso absolutista e monárquico (Catroga, 2010; Sérgio, 1984) - e o receio pragmático da perda de independência nacional.
Enquanto a história política da Península Ibérica evoluía a ritmos desfasados - entre a consolidação da Primeira República em Portugal, a relação do regime de Franco com a restauração da Monarquia dos Bourbons em Espanha, as ditaduras autoritárias paralelas e o espelhamento das respetivas transições democráticas na década de 1970 (Jiménez Redondo, 2014; Torre Gómez, 1998) -, os dois países mantiveram-se frequentemente de costas voltadas. Espanha olhava para o Atlântico e para a América Latina através da sua herança hispânica; Portugal focava-se na sua projeção marítima e na salvaguarda rigorosa da sua autonomia territorial.
Contudo, a grande mutação do século XXI não ocorreu nos gabinetes diplomáticos nem nos parlamentos de Lisboa ou Madrid. Deteve-se na própria terra.
A Continuidade dos Habitats: a vida selvagem ignora a cartografia política. O lince-ibérico, o lobo ou a águia-imperial não reconhecem a fronteira traçada no Caia ou em Vilar Formoso. A recuperação e sobrevivência de espécies ameaçadas no território português demonstraram depender diretamente de projetos de conservação de escala, centros de reprodução, programas de rewilding e corredores ecológicos partilhados com os grandes Parques Nacionais do país vizinho (López-Bao et al., 2015; Navarro & Pereira, 2012; Palomares et al., 2011).
A Vulnerabilidade Climática e os Incêndios: a ameaça dos incêndios florestais de grande dimensão, alimentada por vagas de calor extremas, pela expansão de monoculturas e pelo abandono do mundo rural (Pausas & Fernández-Muñoz, 2012), evidencia que a biomassa e o risco de fogo são transfronteiriços. A vulnerabilidade do ecossistema ibérico exige respostas integradas de prevenção, gestão florestal e combate que ultrapassam a capacidade de resposta de qualquer Estado a atuar de forma isolada (Moreira et al., 2011).
A Geopolítica da Água e dos Rios: sendo Portugal o país de jusante das grandes bacias hidrográficas peninsulares - Tejo, Douro, Guadiana e Minho -, a segurança hídrica, a qualidade da água e a biodiversidade dos ecossistemas fluviais nacionais estão intimamente ligadas às políticas de gestão de caudais e de albufeiras estabelecidas em Espanha no âmbito de quadros regulatórios como a Convenção de Albufeira (Serra, 2003; Thibault et al., 2018).
O grande desafio da soberania moderna não passa por erguer barreiras físicas ou políticas, mas sim por liderar um Iberismo Ambiental com capacidade para proteger um património natural que não pertence em exclusivo a Lisboa nem a Madrid. O futuro da Península Ibérica joga-se na capacidade de compreender que os governos mudam e as fronteiras traçam-se no papel, mas o solo, os rios e a biodiversidade partilham, desde sempre, a mesma terra.
Referências BibliográficasCatroga, F. (2010). O luso-iberismo e a ideia de Europa. Imprensa da Universidade de Coimbra.
Jiménez Redondo, J. C. (2014). De Franco a Juan Carlos: Las relaciones hispano-portuguesas y el proceso de transición democrática. Centro de Estudios Políticos y Constitucionales.
López-Bao, J. V., Blanco, J. C., Rodríguez, A., Godinho, R., Seryodkin, I. V., & Chapron, G. (2015). Conserving large carnivores in human-dominated landscapes: The Iberian experience. Biological Conservation, 192, 401–412.
Moreira, F., Viedma, O., Arianoutsou, M., Curt, T., Koutsias, N., Rigolot, E., Barbati, A., Corona, P., Vaz, P., Xanthopoulos, G., Mouillot, F., & Bilgili, E. (2011). Wildfire management in Mediterranean-type regions: Paradigm shift needed. Environmental Research Letters, 6(1), Artigo 014019.
Navarro, L. M., & Pereira, H. M. (2012). Rewilding abandoned landscapes in Europe. Science, 336(6084), 1089–1090.
Palomares, F., Rodríguez, A., Revilla, E., Vicente, L., & Delibes, M. (2011). Assessment of the conservation status of the endangered Iberian lynx (Lynx pardinus). Biological Conservation, 144(1), 34–45.
Pausas, J. G., & Fernández-Muñoz, S. (2012). Fire regime shifts in the Western Mediterranean Basin: Drivers and uses. PLoS ONE, 7(5), Artigo e36952.
Sérgio, A. (1984). Ensaios (Vol. 2). Livraria Sá da Costa.
Serra, P. (2003). A Convenção de Albufeira e a gestão das bacias hidrográficas partilhadas entre Portugal e Espanha. Instituto da Água.
Thibault, M., Varandas, S., Fernandes, M. R., & Cortes, R. M. V. (2018). Water management and ecological flows in the Iberian rivers under climate change scenarios. Journal of Hydrology, 563, 712–725.
Torre Gómez, H. de la. (1998). El portuguesismo y el iberismo en la España contemporánea. Universidad Nacional de Educación a Distancia.
As maiores empresas do mundo causaram 28 biliões de dólares em danos climáticos, estima um novo estudo
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| The Chevron Richmond Refinery in this view from Point Richmond, Calif. |
Madeline Goldstein - Eye For An Eye
domingo, 4 de outubro de 2026
Rina Pavar – A New Time
Faz mal deixar o gato ir à rua sozinho?
- Atropelamentos: é uma das causas mais comuns de morte súbita. Os gatos não têm perceção do perigo do trânsito automóvel. [1, 2, 3, 4]
- Envenenamentos: seja por ingestão acidental de químicos (como anticongelante de carros), raticidas ou plantas tóxicas, o risco de intoxicação é altíssimo. [1, 2]
- Maus-tratos e violência: infelizmente, os animais na rua estão expostos à crueldade humana, armadilhas ou ataques de cães. [1, 2]
- Lutas territoriais: os gatos são extremamente territoriais. As brigas com outros gatos de rua causam ferimentos graves, abcessos e infeções que necessitam de intervenção cirúrgica. [1, 2, 3]
- FIV e FeLV: o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e a Leucemia Felina (FeLV) não têm cura e são transmitidos facilmente através de mordeduras, arranhões ou partilha de fluidos na rua. [1, 2]
- Zoonoses (risco para os humanos): os gatos que andam na rua podem trazer para dentro de casa parasitas (pulgas, carraças, desinterias por vermes) e doenças transmissíveis ao ser humano, como a toxoplasmose e a raiva. [1, 2]
- Acesso controlado ao exterior: manter os gatos domésticos dentro de casa ou construir espaços exteriores vedados e seguros. Quem procura inspiração prática pode consultar várias Ideias para fazer um cercado externo (catios), que permitem adaptar janelas, pátios ou varandas para dar liberdade vigiada ao animal sem riscos.
- Estilo de vida enriquecido: para evitar o tédio e a ansiedade de estar apenas no interior, o tutor deve aplicar estratégias descritas num Guia de enriquecimento ambiental para gatos. Isto inclui a instalação de arranhadores altos, jogos de procura e o fornecimento de dietas ricas em proteína animal para satisfazer o reflexo natural de caça de forma segura.
- Controlo de populações de rua: apoiar os programas municipais de esterilização para travar o crescimento exponencial de colónias errantes. De acordo com o enquadramento legal de Detenção de Animais de Companhia do ICNF, a promoção da guarda responsável e o controlo destes animais em ambiente urbano (através de programas como o CED - Capturar, Esterilizar, Devolver) são passos cruciais para proteger tanto o bem-estar animal como a fauna selvagem nativa.
Helena Freitas: a ciência por uma agenda de paz
sábado, 3 de outubro de 2026
Melhor destino de reforma no estrangeiro já não é na Europa, mas seis dos dez primeiros são europeus
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Calor e poluição causam milhares de mortes em Portugal, indica relatório
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
BLVCK CEILING — (why are you) so cold
Fez a pesquisa certa, mas acabou a seguir o link errado. O que é o ‘malvertising’ e como o evitar
- Anúncios pop-up inesperados
- Páginas da web que redirecionam repentinamente para outro site
- Anúncios que promovem atualizações de software urgentes
- Avisos de vírus ou alertas de segurança pop-up repentinos
- Anúncios no meio do texto que parecem suspeitos ou não relacionados ao conteúdo
- Downloads que começam automaticamente sem a sua permissão
- Se um anúncio parecer bom demais para ser verdade ou criar um senso de urgência, nunca clique.







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