terça-feira, 16 de junho de 2026

Crescimento da energia eólica trava em Portugal e coloca pressão sobre metas para 2030

 A energia eólica assegurou 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental em 2025, mas as metas definidas para 2030 exigem maior ambição e aceleração de novos projetos, segundo um estudo hoje divulgado.

O relatório “Parques Eólicos em Portugal”, elaborado pelo INEGI - Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial - em parceria com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), divulgado hoje no Dia Mundial do Vento aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh), face a um consumo total de eletricidade de 53,1 TWh em Portugal continental.

Tendo em conta que o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) prevê uma capacidade geradora de 10,4 gigawatts (GW) de eólica em terra (‘onshore’) e a concretização de 2 GW de eólica no mar (‘offshore’) até 2030, o estudo considera que este conjunto de metas é “muito ambicioso e exigente”.

Nesse sentido, defende que a sua concretização depende de uma “estreita colaboração entre os agentes públicos e privados", que permita acelerar o desenvolvimento de novos projetos.

Em declarações à Lusa, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, afirmou que “efetivamente nos últimos anos tem havido aqui uma estagnação da energia eólica” e que esta fonte “não tem acompanhado o que seria expectável face ao que está no PNEC2030”.

“O primeiro [fator], claramente, é a questão do licenciamento e a falta de visibilidade de prazos, dificuldades em algumas áreas de avaliação de impacto ambiental, mas também claramente questões das condições do mercado atual e também de rede”, disse.

De acordo com o mesmo estudo, após um período de crescimento, 2025 evidenciou uma “nova estagnação da capacidade adicional instalada em Portugal”.

Em 2025, encontravam-se mapeados 446,8 megawatts (MW) de potência em fase de construção, dos quais cerca de 80% correspondem a novos projetos, incluindo os parques de Tâmega Norte, com 194,4 MW, e Tâmega Sul, com 79,2 MW.

A maioria destes novos projetos está, contudo, associada a hibridizações, isto é, à combinação de um projeto eólico com outro projeto renovável já existente, como hídrico ou solar, aproveitando pontos de rede já disponíveis.

Os projetos de reequipamento (‘repowering’), que consistem na substituição ou modernização de equipamentos existentes por outros mais eficientes, representam 14% da potência em construção, enquanto os restantes 6% dizem respeito a sobreequipamento, ou seja, à instalação de uma potência de geração superior à capacidade de injeção.

Com 6 GW de capacidade instalada acumulada, Portugal mantém-se no ‘top 10’ europeu da capacidade eólica, num ranking liderado pela Alemanha, com 77,7 GW, e por Espanha, com 33,2 GW.

Em termos geográficos, Viseu mantém-se como o distrito com maior potência eólica instalada em território nacional, com 1.231,1 MW ligados à rede, seguido de Coimbra, com 745,7 MW, Vila Real, com 696,3 MW, e Guarda, com 653,2 MW.

Évora continua a ser o único distrito de Portugal continental sem qualquer aerogerador instalado.

As regiões autónomas concentram um total de 106,4 MW operacionais, repartidos entre 63,8 MW na Madeira e 42,6 MW nos Açores.

Questionada sobre o crescimento futuro em terra, Susana Serôdio defendeu que “o futuro passa pelo reequipamento”, mas ressalvou que “existe, efetivamente, ainda margem para crescer em terra”.

A responsável acrescentou que a hibridização com solar está a ganhar relevância, devido à queda dos preços nas horas de maior produção fotovoltaica.

“À hora de produção solar, efetivamente, os preços são muito baixos e a rentabilidade dos projetos começa a ser muito pequena. E, se hibridizarem com o eólico, geram aqui outro potencial ao projeto”, afirmou.

Dia Mundial do Vento: uma data para celebrar um recurso único

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Marianne Faithfull - Song for Nico

Melhor som aqui

[Verse 1]
Born in 1938
A good year for the Reich
She could not participate
She didn't have the right
For she was fatherless in the Fatherland

[Verse 2]
Now it's 1966
Andrew's up to all his tricks
And when Brian Jones is near
Nico doesn't feel so queer
She's in the shit, though she's innocent

[Chorus]
Yesterday is gone
There's just today
No tomorrow
Yesterday is gone
There's just today
No more

[Verse 3]
Now it's Andy Warhol's time
Mystic 60's on a dime
Though she kinda likes Lou Reed
She doesn't really have the need
Already in the shit, though she's innocent

[Verse 4]
And now she doesn't know
What it is she wants
And where she wants to go
And will Delon be still a cunt
Yes, she's in the shit, though she is innocent

[Chorus] 2X
Yesterday is gone
There's just today
No tomorrow
Yesterday is gone
There's just today
No more

[Outro]
Da da da da da

"Song for Nico" é uma homenagem profundamente pessoal e melancólica à cantora, modelo e atriz alemã Nico, famosa pela sua colaboração com os Velvet Underground e pela sua icónica carreira a solo. Marianne Faithfull e Nico conheceram-se nos anos 60 e partilhavam uma ligação única, pois ambas foram musas dessa década, enfrentaram o escrutínio público brutal, lutaram contra um vício severo em heroína e, mais tarde, reinventaram-se como artistas com vozes profundas, sombrias e maduras.

O significado da canção assenta, em grande parte, no retrato poético e triste dos últimos anos de Nico em Manchester e Ibiza. Marianne canta sobre uma mulher que já tinha sido considerada uma das mais bonitas do mundo, mas que terminou a vida de forma solitária, andando de bicicleta e longe do glamour do passado. Mais do que uma simples biografia, a música funciona como um desabafo da própria Marianne. Ao cantar sobre a decadência, a perda da beleza jovem e a incompreensão do público, Faithfull processa os seus próprios traumas, transformando a faixa numa carta de amor de uma sobrevivente dos anos 60 para outra que, infelizmente, não resistiu.

Na canção, a morte de Nico é quase vista como uma libertação de um mundo que já não a compreendia e que a tinha reduzido a um fantasma do passado. Marianne canta com uma enorme ternura e celebra a integridade de uma artista que nunca se vendeu ao comercialismo. O contraste mais poderoso da letra surge quando Faithfull repete a frase "Hey, where are you going, beautiful girl?", confrontando diretamente a imagem da Nico jovem e radiante com o seu fim trágico e solitário.

A natureza cura-se quando deixamos de a envenenar



Notícias fantásticas! Desde 2018, após a proibição na França dos pesticidas neonicotinoides — aqueles infames produtos químicos que matam abelhas —, as populações de aves insetívoras, como chapins, pisco-de-peito-ruivo e melros, aumentaram de 2% a 3% em todo o país. Isso é o que mostra um novo estudo publicado em 15 de novembro de 2025 na revista Environmental Pollution.


Mas essa notícia merece uma pequena explicação. Primeiro, deixe-me lembrar que 19% - quase um quinto - das aves da Europa desapareceram em 40 anos. E isso acompanha logicamente o declínio dos insetos visados pelos pesticidas.

Mas, novamente, precisamos evitar a supersimplificação do problema. Nem todas as populações de aves são afetadas da mesma forma. Enquanto o número total de aves caiu 19%, as aves de áreas agrícolas diminuíram impressionantes 60%. A principal causa desse declínio é a agricultura intensiva. E você não precisa de mim para te dizer isso. É a agricultura que usa cada vez mais herbicidas, fungicidas e pesticidas, levando à destruição massiva de insetos, plantas e fungos.

Além disso, a expansão das lavouras e a destruição de áreas húmidas também tornam mais difícil para as aves fazerem ninhos e encontrarem alimento suficiente. As alterações climáticas também são um fator importante. A BirdLife afirma que uma em cada oito espécies de aves no mundo está atualmente ameaçada de extinção. Uma em cada oito!

Tudo isso para dizer que a melhora de 2% a 3% observada neste novo estudo que mencionei no início pode parecer minúscula, mas ainda assim demonstra o impacto imediato e mensurável de mesmo um pequeno esforço para causar um pouco menos de dano ao mundo vivo ao nosso redor.

Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa


A Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) é uma oportunidade para reunir governos e a sociedade civil para ação orquestrada em prol da melhoria de vida das pessoas idosas.

A violência contra idosos é um problema subnotificado mundialmente que existe tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. Embora a extensão dos maus-tratos contra idosos seja desconhecida, sua importância social e moral é incontestável.

Por isso, a ONU instituiu o dia 15 de junho de 2006 como o Dia Mundial da da Consciencialização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa para definir abordagens culturalmente contextualizadas para detectar e lidar com a violência contra esse grupo populacional.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou nos últimos cinco anos 8.540 pessoas idosas vítimas de crime e violência, o que representa uma média de cinco por dia, divulgou hoje a instituição.
Os dados estatísticos da APAV indicam um aumento de 26,5% no número de idosos apoiados entre 2021 e 2025, sendo que a ajuda foi dada em resposta a 15.804 crimes e outras formas de violência
A violência doméstica continua a ser o crime mais frequentemente registado, representando 78,9% das situações acompanhadas pela APAV, o que corresponde a 12.465 crimes.

Seguem-se a ameaça ou coação (3,7%), a ofensa à integridade física (3,7%), a difamação ou injúria (3%) e a burla (2%).
A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (76,3%), tinha entre 65 e 74 anos (49,4%) e nacionalidade portuguesa (92,7%), sendo mais de metade (55,9%) dos agressores do sexo masculino.
A APAV assinala que "a violência contra pessoas idosas ocorre maioritariamente em contexto familiar, sendo a pessoa agressora, na maioria das situações, filha ou filho da vítima (32,3%), seguida do cônjuge (21,5%)", acrescentando que 29,8% dos agressores tem entre 25 e 64 anos.
A associação salienta também que "mais de metade das vítimas apoiadas (53,6%) encontravam-se em situação de vitimação continuada", entre as quais 23,4% que viveram situações de violência durante um período compreendido entre dois e seis anos antes de procurar apoio.
Quase metade das vítimas (46,6%) não apresentou queixa nem viu a sua situação denunciada às autoridades.
Para a instituição, "estas estatísticas reforçam a necessidade de continuar a investir na prevenção, deteção precoce e apoio especializado às pessoas idosas vítimas de crime e violência, bem como na sensibilização da sociedade para uma realidade frequentemente invisível".
A APAV, criada em 1990, presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, por telefone, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006, 'online', no Chatbot APAV, e presencialmente nos seus gabinetes espalhados pelo país.




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Todos gostamos do ambiente, mas o ambiente sai muito caro


Com os preços atuais do biometano ainda não é possível descarbonizar a indústria. Esta foi uma conclusão transversal aos dois debates que decorreram hoje na Feira Nacional de Agricultura, promovidos pela Floene e a que o Expresso se juntou como media partner.

Portugal depende quase exclusivamente de gás importado e, a este nível, tem sido um dos países da Europa mais afetado pela subida generalizada de preços, resultante da guerra na Ucrânia. Contudo, uma das soluções pode estar no biometano, capaz de somar vantagens como a descarbonização, a competitividade industrial e a valorização territorial. No debate desta manhã na Feira Nacional de Agricultura (FNA), em que o tema foi ‘o biometano enquanto solução ambiental’, os vários participantes foram unânimes no diagnóstico de que o país tem potencial na produção desta energia renovável, mas continua longe de conseguir transformá-lo em escala.

Quando questionado sobre se o país está a aproveitar o seu potencial agropecuário, António Farracho não hesitou em garantir que “a resposta óbvia é que não”. O fundador e CEO da Prado Energia recorda que o biometano permite transformar “um passivo ambiental que não está a ser aproveitado, em ativo energético”, sobretudo em territórios rurais onde os odores e riscos sanitários associados aos efluentes são uma preocupação constante.

Contudo, e como referiu Nuno Pinto, o biometano é antes de tudo um caminho de qualificação territorial, o que significa que “os projetos têm de ser transparentes, sem segredos, e envolver todos os envolvidos, até as populações”. Ou seja, o responsável pela área do biometano na REGA Energy alertou para a importância da aceitação, que dependerá sempre da forma como se comunica e como se escolhem os locais, e lembrou que, no contexto europeu, o gás renovável é já um pilar estratégico. “O biometano é um dos fatores essenciais da soberania energética europeia”.

Do lado da comercialização, Óscar Delfim, diretor comercial B2B da Goldenergy, destacou a vantagem imediata para as empresas. “As empresas conseguem descarbonizar rapidamente e sem necessidade de investir nos equipamentos”. Mas alerta para aquele que considera o principal desafio: “Há uma grande dificuldade na parte dos licenciamentos”.

Já na perspetiva da indústria cerâmica, altamente exposta ao custo do gás, o biometano “é uma solução técnica já madura”. Paulo Pires, vice‑presidente da APICER (Associação Portuguesa Indústria Cerâmica), não tem dúvidas de que seria possível “substituir a 100% o gás natural por biometano”. Mas, à data de hoje, identifica o preço “incomportável para a indústria” e a falta de oferta como os grandes travões à descarbonização. “Todos gostamos do ambiente, mas o ambiente sai muito caro”, acrescentou Nuno Pinto.

Miguel Faria reforçou que o país está atrasado na política de resíduos e que isso limita a matéria‑prima disponível, lembrando que o biofertilizante resultante do processo “já permite substituir metade do fertilizante que vem da Rússia ou do que passa pelo Estreito de Ormuz”. Para o COO (Chief Operating Officer) da Floene, o desafio é “dar velocidade à implementação dos projetos”.

Mix perfeito não existe
Quando falamos de mix energético, Portugal não pode substituir uma dependência por outra, nem avançar para soluções simplistas num sistema que continua estruturalmente ancorado em combustíveis fósseis. A opinião é de Nuno Ribeiro da Silva, que abriu o debate da tarde no espaço Floene, na Feira Nacional de Agricultura, e que defendeu também que a transição energética não é um exercício tecnológico, mas um teste económico e geopolítico à resiliência dos países. Como lembrou o ex-presidente da Endesa, “quando dizemos que produzimos 80% da energia com fontes renováveis, falamos apenas da eletricidade, que representa menos de um quarto do total da energia consumida no país. O resto continua a ser petróleo e gás”.

Neste contexto, defendeu ainda Nuno Ribeiro da Silva, o gás, e sobretudo o biometano, permanece “a geração menos agressiva do ponto de vista ambiental”, sendo por isso inevitável no equilíbrio do sistema.

Do lado regulatório, Mário Paulo rejeitou a ideia de que a ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) trava a transição. “A ERSE não faz leis”, sublinhou, lembrando que o regulador atua dentro das políticas definidas e que “acabar com o gás em dois ou três dias é uma fantasia tecnicamente impossível”. A Europa, acrescentou o presidente da ERSE, já reviu a sua posição e admite que o gás continuará a representar “cerca de 20% do mix energético em 2040”.

Gabriel Sousa, CEO da Floene, destacou que Portugal pode acelerar a adoção de biometano aprendendo com quem começou mais cedo. “Não é sempre mau sermos os últimos”, afirmou. França, Itália e Dinamarca mostram que o crescimento depende de mecanismos estáveis e de uma articulação entre energia, agricultura e resíduos. “Portugal vai precisar dos dois sectores”, defendeu, sublinhando que o país pode fazer “em três anos o que outros demoraram quinze a fazer”.

Nuno Ribeiro da Silva reforçou ainda que as tecnologias emergentes precisam de apoio, tal como aconteceu com a eólica e o solar. “Se fosse puramente o mercado, só as tecnologias incumbentes existiam”, disse, defendendo que o biometano representa uma oportunidade industrial acessível e integrável na economia nacional.

Outras conclusões:
  1. O potencial agropecuário português continua largamente por explorar, apesar de estar mapeado e quantificado. “O Concelho de Torres Vedras figura no Top 10 dos concelhos com maior produção de efluentes agropecuários”, exemplificou António Farracho.
  2. A aceitação social dos projetos depende da forma como são apresentados às comunidades. “Quando se chega a um território e se apresenta um projeto há sempre um fator de rejeição natural”, afirmou Nuno Pinto.
  3. Para Óscar Delfim, a produção nacional de biometano pode reduzir a exposição do país às flutuações internacionais do preço do gás. “Não estaremos sujeitos às acelerações de preços que têm sido fruto dos conflitos”.
  4. A indústria cerâmica enfrenta um risco real de perda de competitividade se não houver acesso a gás renovável a preços viáveis. “O problema que temos é um fator de competitividade”, alertou Paulo Pires.
  5. “A classificação dos resíduos como subprodutos é um passo essensial para desbloquear matéria‑prima para o biometano”, sublinhou Miguel Faria.
  6. A evolução do sistema energético não pode assentar em ilusões de substituição instantânea: exige convivência prolongada entre múltiplas fontes e uma gestão realista das limitações técnicas. “Neste processo de transição energética, temos de dar tudo para conseguir libertar‑nos deste uso que ainda fazemos do petróleo e do gás natural”, disse Nuno Ribeiro da Silva.
  7. “A regulação acompanha, mas não inventa políticas”, garantiu Mário Paulo. O regulador sublinha que o país precisa de soluções compatíveis com a sua estrutura industrial e que a transição não pode ignorar a história e o ritmo dos sistemas energéticos.
  8. Gabriel Sousa alertou que o biometano só avança se unir sectores que nunca trabalharam juntos. “Juntar energia, agricultura, resíduos, economia e indústria não é fácil, mas parece‑me absolutamente indispensável”.

domingo, 14 de junho de 2026

Antipole & Pedro Code - Washed Away

Letra

All the time wasted
And silence comes my way
Searching for a word, for a place
I will resign to my fate
All washed away  

All the time wasted
And silence comes my way
Searching for a word, for a place
I will resign to my faith
All washed away

Significado da canção
"Washed Away" explora o conflito entre a perda, a passagem implacável do tempo e a inevitabilidade do destino.
O eu lírico reflete sobre o "tempo desperdiçado" (all the time wasted) e o vazio que se instala quando a comunicação falha e o silêncio assume o controle (silence comes my way). A busca exaustiva por um porto seguro ou por respostas — "uma palavra, um lugar" — falha, levando a uma entrega ao inevitável.
Há um jogo poético sutil na transição entre os versos: primeiro, o cantor diz "I will resign to my fate" (vou me resignar ao meu destino); depois, muda para "I will resign to my faith" (vou me resignar à minha fé). Isso mostra uma transformação psicológica: deixar de lutar contra a correnteza e aceitar que o passado, os erros e as dores foram "lavados" ou apagados (all washed away).
O próprio Karl Morten (Antipole) descreveu a atmosfera da música como uma dualidade:
"Ela captura a tensão entre a euforia e a tristeza, o movimento e a nostalgia, a escuridão e a luz. É a sensação de correr pelas luzes da cidade às 3 da manhã, onde tudo parece incrivelmente belo e, ao mesmo tempo, completamente perdido."
É, essencialmente, uma canção de catarse: dolorosa na mensagem, mas libertadora e enérgica na pista de dança.

Antipole, the Norwegian Post-Punk guitarist and composer Karl Morten Dahl, in collaboration with the charismatic Portuguese dark crooner Pedro Code of IAMTHESHADOW, rolls out a video for “Washed Away”, the defining song from the upcoming album, “Future Echoes,” that reveals its direction and atmosphere, scheduled for release on June 19th via Cold Transmission Music.
A song born somewhere between winter fading out and the first warm nights of spring and summer. Uptempo and dance-driven, but still carrying that underlying melancholy that always seems to find its way into Antipole.

“Washed Away” is a brooding yet cathartic emotional rush of melancholic, glistening guitar lines that reverberate, held aloft in the ether, overlaid with expansive glowing synths, fueled by the relentless drive of thumping beats and sullen bass pulses, to encompass sad, introspective male vocals painfully letting go of wasted time, to move calmly forward, “I will resign to my faith.”

"For me, this track captures the essence of what Antipole has been about since the beginning - the tension between euphoria and sadness, movement and nostalgia, darkness and light. The feeling of running through city lights at 3 in the morning, while everything somehow feels both beautiful and lost at the same time".says Karl

In the paired visuals, a car drives along a street at night in accelerated time-lapse motion. Foggy conditions blur lights and alter perception as sharp and curvy turns taken alongside hills, storefronts, and bodies of water bring forth the surreal spectrum of feelings expressed by the soundtrack.

Antipole & Pedro Code‘s upcoming album, “Future Echoes,” will be released on Vinyl and CD via Cold Transmission Music on June 19th, 2026.

Keep up with Antipole & Pedro Code:

“Paradoxo da biodiversidade”: Investigação portuguesa avisa que, por vezes, mais pode ser menos


Um novo estudo liderado por Vasco Vieira, investigador do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente/ARNET (Universidade NOVA de Lisboa), ajuda a esclarecer um dos paradoxos clássicos da ecologia: porque é que comunidades muito diversas podem perder espécies à medida que crescem.

A investigação, publicada recentemente na revista ‘Communications Earth & Environment’, mostra que as comunidades vegetais naturais atingem um limite físico de compactação de biomassa a partir do qual já não conseguem acomodar mais indivíduos.

Dizem os autores deste trabalho que esse limite, conhecido há décadas para povoamentos monoespecíficos, é agora demonstrado também ao nível comunitário e envolvendo múltiplas espécies.

Quando mais passa a ser menos
O estudo agora publicado dá a conhecer a relação entre biodiversidade e biomassa, e indica que a mesma não é linear, aumentando até um máximo e diminuindo depois, o que aponta para um “paradoxo da biodiversidade”.

Explicam os investigadores que esta relação, definida para comunidades vegetais naturais, permitiu demonstrar o mecanismo que leva comunidades diversas a perder espécies quando atingem densidades elevadas.

Especificamente, o estudo revela a existência de self-thinning ao nível comunitário, um processo em que a competição por espaço elimina os indivíduos e espécies menos competitivas. Até agora, o self-thinning tinha sido demonstrado apenas para povoamentos monoespecíficos, mas esta investigação mostra, pela primeira vez, que o mesmo fenómeno ocorre também em comunidades naturais multiespecíficas.

Água, o fator invisível que dita as regras
Realizado na Charneca de Caparica, o estudo monitorizou um total de 17.089 plantas de 46 espécies, ao longo de 2021 e 2022.

Os investigadores descobriram que a disponibilidade de água é o principal mediador desta dinâmica. Em 2021, com mais chuva, as plantas cresceram mais e ocuparam o espaço com máxima eficiência, o que levou à diminuição da diversidade por exclusão competitiva dos indivíduos e espécies menos competitivas. Em contrapartida, a menor pluviosidade de 2022 travou o crescimento e reduziu a ocupação do espaço, o que se traduziu numa menor competição e consequente aumento da diversidade.

Os resultados confirmaram um padrão bem estabelecido na ecologia, o de que condições ambientais mais favoráveis e estáveis reforçam o domínio de algumas espécies, o que acaba por reduzir a diversidade global do ecossistema.

A este respeito, Vasco Vieira explica que “a um máximo de abundância de vida não corresponde um máximo de diversidade de vida”. Salienta o primeiro autor do estudo que “abundância e diversidade não são sinónimos, e podem mesmo ser antagónicas em caso de extrema abundância”.

Para o cientista do MARE, “a diversidade não pode ser tomada como um bioindicador universal da qualidade ambiental, contrariando a perceção dominante pela sociedade não-especializada, pois a um máximo de diversidade não correspondem máximos de abundância nem de qualidade e estabilidade ambientais”.

Teoria de Allan Savory posta em causa
Uma das conclusões mais surpreendentes do estudo contraria parte da teoria de “Gestão Holística” proposta por Allan Savory. Esse ecólogo, nascido no Zimbabué em 1935, defende que a desertificação de pastagens (particularmente em África) pode também resultar da acumulação de talos secos de plantas mortas por falta de pastoreio, que, ao ocuparem espaço, impediriam o nascimento de novas plantas.

A equipa do MARE testou este cenário ao analisar parcelas cobertas por uma camada espessa de relva morta e seca, com uma média de 354 gramas de matéria seca por metro quadrado.

Os resultados demonstraram o oposto do defendido por Savory. Isto é, que a acumulação de biomassa morta não impediu o desenvolvimento de uma comunidade vegetal diversa. Aliás, mostraram mesmo que essa camada serviu como protetora e promotora do crescimento de plantas mais suscetíveis à herbivoria e dissecação.

O Espaço como indicador ecológico e o combate a invasoras
O estudo aplicou uma métrica ecológica que mede quão perto cada comunidade vegetal está do seu limite máximo de biomassa, que os investigadores dizem ser uma forma objetiva de avaliar a eficiência com que as plantas ocupam o espaço disponível.

Ao calcularem esta eficiência separadamente para a comunidade autóctone e para a invasora Oxalis pes-caprae (também conhecida por nomes vulgares como erva-azeda, trevo-azedo ou erva-canária), comum no sul da Europa, a equipa identificou a principal vantagem competitiva dessa espécie invasora: a capacidade de surgir muito cedo no inverno e ocupar rapidamente o espaço antes das espécies nativas. Esta antecipação ajuda a explicar o seu sucesso em ecossistemas mediterrânicos.

Os autores deste estudo acreditam que as suas descobertas fornecem “ferramentas robustas para decisores políticos e engenheiros ambientais”. E consideram que, ao compreender como a biodiversidade e o espaço interagem em diferentes condições de stress hídrico, torna-se possível desenhar melhores estratégias de restauro ecológico e planos de controlo de espécies invasoras num cenário de alterações climáticas.

A Garça de Camurça e Oiro

Papa-ratos (Ardeola ralloides)

Silenciosa, orgulhosa e belamente vestida,
Uma vigia solitária à beira da vala escondida,
Saudando os ventos suaves do arrozal e a luz pálida da manhã,
Sobressaltada pelo passo repentino ou pela sombra de um estranho que passa,
Procurando apenas a poula silenciosa e um ramo isolado para pousar,
Adornada com as suas penas domingueiras de um fino camurça e oiro,
Uma habitante fundida  onde as águas mansas se cruzam com o céu,
Um espírito do caniçal plantado na terra.

João Soares, 14.06.206

Multibanco: o botão que tens de carregar antes de inserir o teu cartão



Levantar dinheiro nas caixas automáticas é um gesto quase diário para a maioria dos portugueses. Inegavelmente, confiamos cegamente na segurança destas máquinas. Por conseguinte, inserimos o nosso cartão e digitamos o código secreto sem pensar duas vezes na operação. Contudo, os criminosos estão cada vez mais criativos nas suas abordagens físicas e digitais. Assim as queixas de burlas junto aos terminais de pagamento estão sempre presentes. Felizmente, existe um gesto preventivo muito simples que pode salvar a tua conta bancária. Na prática é um botão em que tens de carregar antes de inserir o cartão no Multibanco.

Inserir o cartão no Multibanco: faz isto primeiro
Em primeiro lugar, o grande perigo atual reside num método conhecido como clonagem silenciosa. Os burlões instalam pequenos dispositivos falsos na ranhura onde habitualmente inseres o cartão. Estes aparelhos disfarçados leem a banda magnética e copiam todos os teus dados bancários. Adicionalmente, colocam microcâmaras escondidas na parte superior da máquina. O objetivo destas pequenas lentes é gravar o momento exato em que digitas o teu código pessoal. Como resultado, os criminosos conseguem um acesso total e desimpedido ao teu dinheiro numa questão de minutos.

Multibanco: o erro com o botão Cancelar que te pode custar caro
Por outro lado, existe um truque muito eficaz que deves adotar imediatamente na tua rotina. Antes de colocares o teu cartão na ranhura, deves carregar na tecla vermelha Cancelar pelo menos duas vezes. Este passo cancela qualquer operação que tenha ficado pendente do utilizador anterior. Além disso, reinicia o software da máquina e bloqueia possíveis tentativas de adulteração digital do teclado numérico. Este pequeno hábito cria uma camada extra de segurança antes de iniciares a tua sessão pessoal.


Uma postura defensiva
Deves também adotar uma postura altamente defensiva sempre que fores ao multibanco. Primeiramente, verifica sempre se o teclado apresenta alguma folga ou uma peça exterior solta. Se notares algo estranho ou fita-cola à volta da ranhura verde, não utilizes essa máquina de forma alguma. Posteriormente, tapa sempre o teclado com a tua mão livre enquanto digitas o código numérico. Este simples gesto de bloqueio visual anula completamente a eficácia das câmaras ocultas instaladas pelos criminosos na estrutura do terminal.
As caixas Multibanco modernas costumam ter luzes LED intermitentes verdes ou azuis na ranhura do cartão. Se a luz estiver tapada, desalinhada ou se o plástico parecer baço ou de cor diferente do resto da máquina, desconfia.
A tua segurança financeira depende exclusivamente da tua atenção a pequenos detalhes do quotidiano. Perder apenas cinco segundos a analisar o terminal pode evitar uma verdadeira dor de cabeça e uma conta vazia no futuro. Mantém a atenção redobrada durante as tuas férias e protege as tuas poupanças com estas dicas de ouro.

The most polluting FIFA world cup ever has begun!

As the Men's 2026 World Cup kicks off, FIFA continues to present itself as a champion of sustainability, "particularly in relation to climate-related aspects."
But the tournament itself tells a different story.
FIFA is one of the most powerful non-state organizations in the world. Football's global governing body has 211 member associations, more than the United Nations has member states, and oversees one of the most watched sporting events on the planet: the FIFA World Cup. Its financial power is enormous, and rapidly growing. During the 2023–2026 cycle FIFA expects approximately $13 billion in revenue, largely driven by the expanded 2026 World Cup. This is almost twice the revenue of the previous cycle.
Countries compete fiercely to host FIFA tournaments and often change laws, spending priorities, and security arrangements to meet FIFA requirements. Academic analyses of FIFA governance note that FIFA has substantial influence over host-country decision-making and negotiations.

Commitment vs reality
So from a climate and environmental perspective, how is FIFA using all this power? On its website, the organization says it is "committed to enabling sustainable development, particularly in relation to climate-related aspects."
Sounds promising. But how is this commitment playing out in reality?
Let’s look at some stats and research.
According to researchers at the University of Manchester, the 2026 World Cup could become the most polluting in the tournament's history. FIFA has expanded the competition to 48 teams and 104 matches, spread across 16 host cities in three countries spanning an entire continent.
Even before the knockout rounds, some supporters are being pushed into multi-thousand-kilometre itineraries by FIFA’s continent-wide format.
If you, for instance, want to follow Bosnia and Herzegovina in the group stage, the first game is in Toronto; the second in Los Angeles and the third in Seattle. A total distance of more than 5,000 km. Most of these trips will be done by air travel.

Extreme heat
Climate and health are interconnected, and the FIFA World Cup is no exception.
Researchers from Queen's University Belfast have warned that the 2026 World Cup could become one of the hottest ever staged. Their analysis found that 14 of the tournament's 16 venues exceed safety thresholds associated with extreme heat, flooding or heavy rainfall. The researchers warned that dangerous heat conditions could pose serious risks to players, officials and supporters.
The hotter conditions could also affect the individual game. Climate Central has just released an information hub where you can explore how heat could slow down player performance across all of the 2026 World Cup matches — and how climate change is increasing the odds of heat.
As an example, the Japan-Sweden game, to be played in Dallas Stadium on June 24, has a 98% change of performance-imparing heat.
The irony is difficult to ignore. Football's biggest event is helping drive the climate crisis while simultaneously becoming increasingly vulnerable to its consequences.
The host nation amplifies the contradiction. Since the return of the Trump administration, the United States has (again) withdrawn from the Paris Agreement and accelerated support for fossil fuel development while cutting climate research and support for renewable energy. The country hosting the world's largest sporting event is moving in the opposite direction of what climate scientists say is necessary to avoid the worst impacts of global warming.

An oily deal
FIFA's commercial partnerships raise even more questions. In 2024, FIFA signed a four-year partnership agreement with Saudi Aramco, one of the world's largest oil companies and among the biggest corporate contributors to greenhouse gas emissions. Just a few weeks before the agreement was signed, Saudi Aramco's CEO Amin Nasser said the current energy transition strategy is failing, and that the world should abandon ”the fantasy” of phasing out oil.
Research from Scientists for Global Responsibility (SGR) indicates that FIFA’s sponsorship deal with Aramco, the Saudi state-owned oil company, could induce an additional 30 million tonnes of CO2e in 2026 alone.
Climate campaigners condemned the deal as a clear example of sportswashing, arguing that football's global popularity is being used to improve the image of an industry at the heart of the climate crisis.
“FIFA has made elite men’s football the primary target of Petrostate sportswashing. This World Cup, with the ridiculous Trump Peace Prize and having Saudi Aramco, the world’s largest polluter, as its main sponsor, reaches new levels”, said Dr Oscar Berglund, Senior Lecturer in International Public and Social Policy at the University of Bristol, and one of the researchers behind the "Football and Climate Change" study.
And the relationship between FIFA and the fossil fuel industry is only set to deepen. The previous Men’s World Cup was held in Qatar, and in 2034, it will be hosted by Saudi Arabia, a country that has repeatedly been obstructing progress at the annual United Nations Climate conferences while continuing to expand oil production.
Taken together, these decisions paint a troubling picture. FIFA speaks the language of sustainability while embracing business models, sponsors and tournament formats that push emissions in the opposite direction.
In the long run, this will affect the sport as well. In a hotter world, extreme weather events will be more frequent, more fierce, and harder to predict.
In fact, this is evident already today.´

Pitches under water
Across Great Britain, an increasing number of matches are being cancelled because of extreme weather, particularly flooding. According to reporting by the BBC, clubs at all levels of the game are struggling to adapt to more frequent and severe weather events. And this is only the beginning. The UK's Met Office projects that, under a high-emissions scenario, winters could become up to 30% wetter by 2070.
Football is often described as the world's game and a uniting force. It has a unique ability to influence billions of people and billions of dollars. FIFA could use that influence to accelerate climate action, reduce emissions and distance itself from fossil fuel interests.
Instead, the organization is preparing to launch a tournament that may become a symbol of the opposite: a World Cup played in increasingly dangerous heat, sponsored by one of the world's largest oil companies, hosted across a continent in a format that researchers warn could be the most polluting ever.
The games are about to begin.
The climate bill will arrive later.

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