sábado, 13 de junho de 2026

Clan of Xymox - There´s No Tommorrow


Melhor som aqui

[Spoken]
Woman: What a lovely evening, I wish it would last forever
Man: Forever's a long time, baby, I can't think in those terms
I never could
Woman: But when something is good don't you want it to last forever?
Man: Sure, but good things never do
Woman: Not even us?
Man: Are we still good?
Woman: Aren't we?
Man: Now that you come to mention it, no, not anymore
Come on, let's stop kidding ourselves. Look, it was sweet while it lasted, boy it was sweet, it's going sour, isn't it?

[Verse 1]
I wake up in the dark, there’s no tomorrow
Someone said, we are lost
I wake up in the dark, there’s no tomorrow
Someone said, we are lost
I look up at the stars they portent my sorrow
A thousand miles we drift apart
Can’t you see I’m all broken hearted
All our love fades away

[Pre-Chorus]
Carry the torch for me and give me something new
You said you wanted to but it’s now long overdue
At the summit of perception a blackness starts to rise
At the summit of deception I look into your eyes

[Chorus]
I gave you all my love, where did you follow?
I see no light in dark, there’s no tomorrow
I see the way ahead where love lies fallow
I lost you on the way, all seems so hollow

[Verse 2]
In the twilight of our dreams, as bad as it seems
Sorrow ’s hanging over me, the way it used to be
If only I could change the course, a change in degree
Take a look at your own life, the way you used to be

[Pre-Chorus]
Carry the torch for me and give me something new
You said you wanted to but it’s now long overdue
At the summit of perception a blackness starts to rise
At the summit of deception I look into your eyes

[Chorus]

[Bridge]
Can’t you see? all comes back
Can’t you see? we don’t connect
Can’t you see? all comes back
Can’t you see? we don’t connect

[Chorus]

O Significado da Canção
O próprio mentor da banda, Ronny Moorings, já explicou em entrevistas que a música aborda o fim doloroso de um relacionamento amoroso, mas sob uma ótica niilista.

A letra descreve alguém que percebe claramente que a relação está a morrer ("All our love fades away" / "I see no light in dark, there's no tomorrow"), mas que ainda assim tenta, de forma desesperada e quase inútil, salvar o que restou. Existe um forte sentimento de frustração, solidão e falta de sintonia mútua ("Can't you see, we don't connect"). O ritmo acelerado da música engana, pois contrasta propositadamente com a sensação de estar preso num vazio emocional e sem perspetiva de futuro (daí o título "Não Há Amanhã").

De onde foi retirado o diálogo inicial?
O diálogo dramático entre o homem e a mulher logo na introdução da música foi retirado do filme "Bitter Moon" (Lua de Mel, Lua de Fel), um thriller erótico e psicológico de 1992 realizado por Roman Polanski.

Por que razão foi escolhido?
No filme, os protagonistas (interpretados por Peter Coyote e Emmanuelle Seigner) vivem uma paixão avassaladora que gradualmente se transforma numa relação tóxica de codependência, jogos sadomasoquistas e tortura mental.

Ronny Moorings escolheu esse excerto exato porque a atmosfera autodestrutiva do filme reflete perfeitamente a decadência amorosa e o tormento psicológico relatados na letra da canção.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

November Ultra - Silencio (feat. Patrick Watson)


Letra
Silencio
Yo te di el silencio
Pa' que tú entiendas
¿Cómo
Va la vida?
¿Cómo
Va la vida?

I lost my voice 'cause I talked too loud
Like an old friend that ain't hanging around
In this quiet while I do my best
But I can't stop making this shit up in my head
But that's alright, I think I see the light
Half of the time, and we're just talking to ourselves

And you want to explode
And let the world know
It's the middle of the night, you're all by yourself
Begging, praying, chasing, looking for a reason, won't you let it go?
'Cause you don't know
Then you take a bow, watch the quiet smile and say "Anyhow"

I've been too many lives
I've been too many tries
Too many times, losing my mind
Thinking about what I said last night
I think you like me better since I lost my voice
Something about this quiet

¿Cómo va la vida?
No sé si bien o mal, la vida sigue igual
Doy sentido a las palabras de la gente
And, ¿Cómo va la vida?
Si queries la verdad, me cuesta respirar
A veces ya no quiero levantarme
¿Cómo va la vida?
Oir sin escuchar, no sé qué preguntar
Hubiera deseado que me escuches

It was late last night, you know
I was laying in my bed
I just wanted to know
Well, how are you doing?

Woah, just let the quiet smile
All of the "I don't know why" s, you've already tried
You're breaking your mind, so you wave and walk by
Oh, just gotta let it go
Well, the funny thing is
They think you're smarter when you shut your mouth
Take a break from yourself while you wander around
You close your eyes with a quiet smile
Hmm-mm-mm

Escúchame
Escúchame

Significado da canção
A canção "Silencio", de Patrick Watson em colaboração com a artista francesa November Ultra, carrega um significado profundamente íntimo e transformador, tendo nascido de um momento de grande vulnerabilidade física e emocional. O tema central da obra gira em torno do poder da escuta, da humildade e da redescoberta de si mesmo através do silêncio forçado, servindo quase como uma reflexão espiritual sobre a comunicação humana.

A grande inspiração por detrás desta composição foi um problema de saúde real de Patrick Watson, que o deixou completamente sem voz durante cerca de três meses. Para um cantor e compositor que vive da sua expressão vocal, este episódio poderia ter sido catastrófico, mas acabou por se transformar numa lição de humildade. Watson partilhou que o silêncio lhe trouxe a constatação, com um toque de humor, de que falava demasiado no dia a dia. Ao ser obrigado a calar-se, percebeu que muitas das coisas que dizia não eram assim tão cruciais e que, frequentemente, passava mais tempo a falar sozinho do que a dialogar verdadeiramente com os outros.

Esta experiência mudou a sua forma de interagir com o mundo, revelando-lhe a arte de saber ouvir e a importância de dar espaço ao outro. Watson notou que, quando deixava de tentar preencher o vazio com palavras, as pessoas ao seu redor começavam a ocupar esse espaço com as suas próprias confidências e verdades. O silêncio forçado ensinou-o a ser um ouvinte muito mais atento e empático, levando-o à conclusão de que nos tornamos muito mais vulneráveis quando somos nós a falar do que quando nos limitamos a escutar.

A participação de November Ultra enriquece esta narrativa, uma vez que a artista trazia a sua própria bagagem de exaustão física e colapso vocal após uma longa digressão, precisando também ela de reaprender a respirar e a respeitar o silêncio do seu corpo. Cantada numa mistura de espanhol e inglês, a música abre com os versos "Yo te di el silencio / Pa' que tú entiendas", sintetizando a ideia de que o silêncio não é uma ausência de comunicação, mas sim o melhor presente que podemos dar a alguém — ou a nós mesmos — para que surja uma compreensão real e honesta. Em resumo, "Silencio" é um hino poético sobre encontrar beleza e clareza no vazio, aprendendo a calar o ruído do mundo para valorizar a presença genuína através da escuta.

Portugal deve liderar a proteção do Mar dos Sargaços




Uma “floresta tropical flutuante dourada” precisa urgentemente de proteção. Perto dos Açores, uma extensão de oceano aberto em águas internacionais abriga verdadeiros tesouros da Natureza. Tapetes de algas douradas, chamadas Sargassum, fervilham de vida: são refúgio para espécies ameaçadas, berçário para tartarugas-bebé e uma paragem na rota migratória das majestosas baleias jubarte.

Longe dos olhares do mundo, esta região de águas cheias de vida e de tapetes de algas absorve carbono em quantidades sete vezes superiores às de outras regiões semelhantes. Um trabalho absolutamente fundamental para a equilibrar o clima.

Apesar de todos estes benefícios para os seres humanos e para o planeta, o Mar de Sargaços está em grave risco. Sem proteção, encontra-se vulnerável a interesses de governos e empresas. Contudo, recordamos que Portugal comprometeu-se a proteger 30% dos Oceanos. É urgente começar pelo Mar de Sargaços!

O Mar de Sargaços está em risco…
Os Oceanos são verdadeiros tesouros e, entre governos e empresas, não falta quem os queira explorar, longe dos olhares do mundo.

O que está em risco no Mar de Sargaços:
  1. Poluição: o mesmo sistema de correntes que mantém o Sargaço nesta região, aprisiona plásticos e outro tipo de poluição, que ameaçam asfixiar as tartarugas e restantes espécies marinhas.
  2. Mineração em mar profundo: empresas e líderes mundiais já começaram os primeiros testes para conseguirem rasgar o fundo do oceano e extrair minerais. Para alimentar interesses financeiros, querem colocar em risco ecossistemas essenciais à vida no planeta.
  3. Exploração: a pesca industrial excessiva está a dizimar as populações de peixes e a destruir habitats marinhos.
  4. Dados científicos recolhidos ao longo de 40 anos revelam uma aceleração acentuada nas alterações da temperatura, salinidade, níveis de oxigénio e acidez da água.
Cada momento de atraso na criação de um santuário totalmente protegido significa que podemos perder para sempre a vida marinha e um ecossistema insubstituível.

O que podemos fazer?
A recente entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos é uma prova inequívoca de que os governos conseguem unir-se para proteger o nosso futuro comum. Após vários anos de campanha da Greenpeace e de outras organizações da sociedade civil, esta vitória histórica para os oceanos é apenas o início de um novo capítulo na defesa do mar. Falta agora tornar a sua promessa em realidade: proteger 30% dos oceanos até 2030.

Através desse Tratado, o Governo português tem agora a oportunidade e o dever de assumir um papel de liderança internacional, apoiando a criação de um santuário marinho protegido no Mar dos Sargaços.

Esta seria uma ação fundamental que ajudaria a estabilizar o clima, proteger os meios de subsistência de milhões de pessoas e garantir um oceano saudável para as próximas gerações!

Exige que o Governo português atue já, liderando a criação de um santuário marinho no Mar dos Sargaços e protegendo tartarugas, baleias, tubarões e tantas outras espécies. Os oceanos não podem esperar!

Saber mais
1.Tratado do Alto-Mar entra em vigor e Portugal é desafiado a proteger Mar de Sargaços
2.Assinar e divulgar a petição da Greenpeace

Trocar uma crise por outra? Preço do petróleo pode aumentar em 70% a procura global por biocombustíveis até 2030


A atual procura por matérias-primas para produção de biocombustíveis para escapar aos impactos da subida dos preços do petróleo pode vir a fazer disparar o consumo desses combustíveis de baixo carbono.

Um estudo da organização Transport & Environment (T&E) prevê um aumento de até 30% do consumo de biocombustíveis a nível global ainda este ano, e que poderá chegar aos 70% em 2030. Os especialistas temem que esse aumento acentuado da procura por biocombustíveis faça subir ainda mais os preços dos alimentos, levando-os para novos máximos.

Apelando aos governos para não trocarem “uma crise dos combustíveis por uma crise alimentar”, a T&E diz que, um pouco por todo o mundo, os preços de vários produtos alimentares, especialmente dos óleos vegetais, uma das principais matérias-primas do biodiesel, estão a subir há três meses consecutivos. Os analistas desta organização não-governamental referem que esse é um padrão já visto em 2022, altura da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, e com a crise no Médio Oriente daí resultante, os preços dos combustíveis fósseis atingiram máximos históricos, o que levou vários governos, como o norte-americano, o tailandês e o indonésio, a definirem novas metas de incorporação de biocombustíveis nos combustíveis fósseis para tentarem amortecer os impactos da subida de preços do petróleo.

Ao mesmo tempo, grandes potências exportadoras, como o Brasil e a Indonésia, têm limitado a quantidade de matérias-primas para biocombustíveis que vendem para outros mercados.

“Os governos estão a correr riscos ao promoverem a conversão de alimentos em combustível”, avisa Kädi Ristkok, diretor das áreas de energia e clima na T&E. “Compreensivelmente, os líderes estão a tentar encontrar soluções para a atual crise do petróleo, mas os biocombustíveis jamais poderão desempenhar um papel mais do que marginal nos nossos sistemas energéticos sem consequências devastadoras”, salienta.

Para o responsável, “os impactos indesejados nos preços dos alimentos e no ambiente são enormes” e argumenta que “em vez de alimentarem os carros, os governos devem apostar em opções mais sustentáveis, como a eletrificação”.

A guerra no Médio Oriente levou também a uma escassez de fertilizantes de escala mundial, pressionado os sistemas de produção agroalimentar e refletindo-se nos preços dos produtos. Por isso, a T&E considera que a corrida aos biocombustíveis poderá esgotar rapidamente as reservas globais de produtos alimentares.

Os biocombustíveis já consomem 5 % dos fertilizantes mundiais para produzir apenas 4 % dos combustíveis para transportes a nível global, diz a organização, que alerta que qualquer aumento na produção dos biocombustíveis exerceria “ainda mais pressão sobre um mercado que tem sido fortemente afetado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz”.

Os analistas da T&E acreditam que não é possível aumentar a produção de biocombustíveis sem entrar em concorrência direta com a produção alimentar, e estimam que se os esses combustíveis passassem a representar 20% da composição dos combustíveis usados nas estradas por todo o mundo, como países como a Indonésia e o Brasil propõem, seriam precisos mais 130 milhões de hectares de terras para consegui-lo.

Isso, apontam, resultaria no agravamento da perda de ecossistemas e de florestas, e em mais emissões de gases com efeito de estufa do que as libertadas pelos combustíveis fósseis que se pretende substituir por biocombustíveis.

“A escassez mundial de fertilizantes ameaça pôr em risco a segurança alimentar global. Enquanto os governos procuram formas de armazenar fertilizantes, ninguém fala dos biocombustíveis. Quanto mais cultura queimarmos, de mais fertilizantes precisaremos. Os governos têm de dar prioridade aos alimentos em vez de aos combustíveis”, defende Kädi Ristkok.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

The Awakening - Angelyn


Melhor som aqui

Letra
Angelyn
Rise above the bitter end
Angelyn
Your smile won't let the winter in

I needed you
More than I thought I ever did
Won’t you just
Bring your sweet touch back again

'Cause I lied, I lied
'Cause I lied, I lied

Angelyn
The morning sun won’t shine again
Everything
Belongs to where we started it

I'm falling down
More than I could ever stand
Angelyn
Won't you bring your healing hand

'Cause I lied, I lied
Kept your world inside
You might also like
Armageddon Style
The Awakening
The Man Who Wasn’t There
The Awakening
Through The Veil
The Awakening
Can't take back the years
Can't swallow all the tears

Angelyn
Rise above the bitter end
Angelyn
Your smile won't let the winter in

'Cause I needed you
More than I thought I ever did
Angelyn
Bring your sweet touch back again

’Cause I lied, I lied
Kept your world inside

Oh, sweet angel let me in
Glance the thirst I’m drowning in
Oh, sweet angel let me in
Glance the thirst I'm drowning in

Significado da canção
O estilo central da canção é o rock gótico e o darkwave, numa faixa que mistura guitarras melódicas e melancólicas com sintetizadores subtis, uma atmosfera densa e o marcante vocal barítono e dramático de Ashton Nyte. Lançada originalmente no aclamado álbum Darker Than Silence (2004), a música surge numa era em que a banda refinou aquilo a que chamava "dark future rock". No que toca ao significado, "Angelyn" faz parte de um trabalho conceptual cujos temas principais giram em torno da devastação emocional, da perda, do isolamento e da dependência ou automedicação, transitando por sentimentos de profunda vulnerabilidade. O amor e a salvação surgem aqui como um refúgio, onde o eu lírico evoca "Angelyn" como uma figura salvadora ou um farol de pureza em meio ao caos interno - tal como se ouve em "Your smile won't let the winter in" ("O teu sorriso não deixa o inverno entrar") -, representando o conforto de que ele precisava desesperadamente, mais do que imaginava. Contudo, a dor da perda e o arrependimento ganham espaço à medida que a música avança, tornando claro que houve uma fratura ou uma mentira que destruiu essa ligação, algo evidente nos versos "For I lied, I lied... The morning sun won't appear again" ("Porque eu menti, eu menti... O sol da manhã não voltará a aparecer"). Cria-se assim um casulo escuro, onde a canção retrata a busca por trazer de volta o doce toque de alguém que trazia luz, enquanto o narrador se vê preso no inverno frio da sua própria mente e dos seus erros. Em resumo, trata-se de uma poesia gótica clássica sobre como o amor e a beleza de alguém podem ser a única barreira contra a depressão e a escuridão interior, evidenciando o desespero absoluto que surge quando essa barreira é quebrada.

O Mundial de Futebol mais racista da História

O Mundial de Futebol começa hoje e o regime norte-americano já garantiu que será o mais racista da história.

Ao árbitro somali Omar Artan, nomeado pela FIFA, eleito o melhor árbitro de África no ano passado e que viajava com passaporte diplomático, foi recusada a entrada nos EUA quando aterrou em Miami, tendo sido obrigado a regressar ao seu país.

A seleção iraniana foi obrigada a transferir a sua base de treinos do Arizona para o México, e ao treinador da equipa, bem como a vários membros da equipa técnica, foram recusados vistos para os EUA. Os EUA estão também a exigir que a equipa iraniana entre e saia do país no dia dos jogos, uma condição claramente destinada a prejudicar o seu desempenho nas partidas. A atribuição de bilhetes aos adeptos iranianos também acaba de ser retirada, o que significa que não haverá adeptos do Irão nos estádios.

O vice-capitão da seleção iraquiana, Ayman Hussein, foi detido, revistado e interrogado no aeroporto O’Hare, em Chicago, durante sete horas, enquanto ao fotógrafo da seleção iraquiana foi recusada a entrada e foi mandado de volta logo após a aterragem.

A seleção do Senegal foi tratada como criminosa ao aterrar, com os seguranças a não lhes permitirem entrar no terminal e a revistá-los completamente na pista. A seleção do Uzbequistão foi revistada de forma semelhante após sair do autocarro junto ao estádio Icahn, em Nova Iorque, antes de um jogo amigável contra a Holanda.

Pelo menos 90 adeptos de dois dos principais grupos de adeptos de Marrocos viram-se também impedidos de obter vistos antes do torneio, a maioria ao abrigo de uma cláusula que invoca dúvidas quanto à sua intenção de regressar a casa, apesar dos seus históricos de viagem documentados para a Rússia 2018, o Qatar 2022 e os Jogos Olímpicos de Paris. Alguns perderam milhares de dólares em reservas de hotel não reembolsáveis.

Estas recusas surgiram na sequência da recusa inicial de concessão de visto ao jogador marroquino Zakaria El Ouahdi, que joga na Europa, depois de funcionários da embaixada dos EUA o terem assinalado como um risco, uma vez que consideraram que o seu pai tinha uma barba suspeita.

A equipa sul-africana esperou meses pela emissão dos vistos para os EUA, o que levou a uma queixa pública do ministro do Desporto do país, que afirmou que tinham sido «ridicularizados», e, até esta semana, continuavam à espera que quatro vistos fossem processados.

A Associação Internacional de Imprensa Desportiva afirma que a muitos jornalistas iranianos e africanos foram recusados os vistos necessários para entrar nos EUA e cobrir o torneio.

Tudo isto está a levar as pessoas a comparar este Mundial com os Jogos Olímpicos nazis de 1936, mas isso é injusto. Em 1936, a Alemanha nazi ainda não tinha atacado nenhum país soberano, assassinado nenhum chefe de Estado nem cometido nenhum holocausto.

Alguns utilizadores do Twitter não perceberam isto, mas espero que os meus leitores entendam esta observação como uma piada absurda destinada a transmitir uma mensagem extremamente séria sobre a barbárie do império norte-americano.

A verdade é que o regime dos EUA cometeu todos estes atos criminosos apenas nos últimos meses, desde o rapto de um chefe de Estado, passando pelo assassinato de um chefe de Estado (e da sua família), até um ataque a uma nação soberana por esta se ter recusado a submeter-se ao império. E o holocausto de Gaza, patrocinado pelos EUA e cometido pelo seu representante colonial utilizando armas e tecnologia do regime, continua em curso.

Portanto, sim, o argumento é válido. O Mundial está a ser organizado por um regime supremacista branco, um regime que impõe proibições absolutas aos cidadãos de vários países do Sul Global cujas seleções se qualificaram para o Mundial, incluindo o Irão, o Haiti, o Senegal e a Costa do Marfim. Um regime que possui instalações semelhantes a campos de concentração, onde as pessoas desaparecem ou morrem rotineiramente. Um regime que fala constantemente em termos abertamente racistas sobre a necessidade de salvar a civilização ocidental das pessoas não brancas e que, por isso, não é claramente adequado para acolher um dos eventos desportivos globais mais proeminentes e multiculturais do mundo.

No entanto, apesar de tudo isto, compare-se a cobertura mediática dos crimes cometidos pelos EUA no contexto da organização do Mundial com a atenção dedicada ao Catar, à Rússia ou ao Brasil. Onde estão as reportagens sobre as violações dos direitos humanos cometidas pelos EUA? Onde estão os programas especiais de notícias na televisão sobre a repressão e as políticas de extermínio em massa dos EUA? Onde estão os artigos de opinião angustiados sobre a violência armada nos bairros desfavorecidos? Onde estão os protestos das seleções nacionais contra as políticas do país anfitrião?

A hipocrisia evidente que se manifesta é apenas mais uma acusação contra os liberais sem princípios e demonstra como os súbditos do império, sejam eles jornalistas ou atletas, fecham os olhos aos crimes do império. É fácil falar abertamente a partir do coração do núcleo imperial contra quem está de fora, quando se sabe que não haverá consequências por fazê-lo. É muito mais difícil possuir princípios genuínos que nos coloquem em conflito com os nossos governantes e financiadores.

Mas, em muitos casos, é provavelmente muito mais simples e mais horrível do que isto. É provável que muitos no centro imperial simplesmente concordem com a violência imperial e a apoiem. Para muitas pessoas, o facto de o Catar e a Rússia terem políticas draconianas contra os homossexuais é pior do que um holocausto quando as vítimas são palestinianos, os miseráveis da Terra, uma população essencialmente sub-humana aos olhos dos imperialistas.

O Mundial de Futebol é uma síntese perfeita da impunidade com que os imperialistas conseguem cometer os seus crimes.

Em 2017, quando surgiram preocupações sobre os EUA como potencial anfitrião, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou: «Qualquer equipa, incluindo os adeptos e os dirigentes dessa equipa, que se qualifique para um Mundial precisa de ter acesso ao país; caso contrário, não há Mundial. É óbvio. Os requisitos serão claros.» Mas agora, com os árbitros acreditados pela FIFA e o pessoal das equipas a serem proibidos de comparecer, o covarde Infantino diz que estas questões são da exclusiva responsabilidade do país anfitrião.

Sem consequências nem condenação. Apenas a pura impunidade do império.

A FIFA exigiu que os países anfitriões de edições anteriores do Campeonato do Mundo aprovassem leis especiais para contornar todo o tipo de regulamentação, a fim de garantir o bom desenrolar dos eventos anteriores. A África do Sul aprovou uma Lei de Medidas Especiais exigida pela FIFA, enquanto o parlamento brasileiro, em 2013, aprovou e codificou uma Lei Geral da Copa do Mundo de 900 páginas, abrangendo tudo, desde disposições penais a processos de visto e liberdade de imprensa. Mas tais exigências não foram feitas aos EUA, cujo regime pode banir quem quiser, incluindo árbitros da FIFA e equipas técnicas.

O império goza de impunidade pelas suas ações por parte de outros imperialistas como Infantino, que possuem essencialmente a mesma política. Na sua mente, não há necessidade de o império branco aprovar leis especiais para o Mundial, porque a governação não só já é adequada ao fim a que se destina, como é infinitamente superior. Quando o império exerce poder e autoridade, esse poder e autoridade, ao contrário dos exercidos pela periferia, são, por definição, legítimos.

Talvez tudo isto sirva de alerta para o desporto, mas é improvável, porque não se trata apenas da FIFA ou do futebol. O que estamos a ver nesta Copa do Mundo vai ao cerne do império e do sistema de valores que o sustenta.

O que estamos a ver é o racismo, a hipocrisia e os dois pesos e duas medidas que sempre vêm à tona quando os princípios liberais professados colidem com as realidades imperiais.

Não, este fiasco não vai mudar a FIFA, mas deve servir-nos de lembrete de que o império é uma construção ilegítima e um projeto falido que, quando chegar ao fim, acabará por levar também à FIFA.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

I am the Shadow - Pain Come Close


Melhor som aqui

Letra
We saw the lights gone out
And the days pass by
I`m stuck in here, with you
Lost the chance to move on
Seeing pain come close
I`m stuck in here, in you

Here, where your life burns
In the cold
In here, seeing pain come close
So near

No regrets is the way
To come clean, someday
Stuck in here, with you
Words bleed from your mouth
You scream and shout
I`m stuck in here, in you

All this dark
Wants me
In you
Finding the right words
The right time
The truth

Suppose we`re made to hold on
As pain gets strong
I`m stuck in here
In me, all the voices get cold
As time grows old
I´m stuck in here, in me

Here, where your life burns
In the cold
In here seeing pain come close
So near

All this dark
Wants me
In you
Finding the right words
The right time
The truth 

Significado da canção
"Pain Come Close" é uma obra profundamente introspetiva que explora a relação inevitável, íntima e quase simbiótica entre o indivíduo e a sua dor interior (seja ela provocada por um trauma, depressão ou desgosto).

O eu lírico descreve uma sensação de isolamento e estagnação crónica ("I'm stuck in here in you" / "I'm stuck in here in me"). Em vez de lutar ou fugir do sofrimento, a letra sugere um processo de rendição ou aceitação forçada, onde a escuridão e a dor física/emocional se aproximam tanto que passam a fazer parte da própria identidade da pessoa. A "dor" e a "escuridão" são tratadas quase como entidades vivas que cobram companhia e exigem que o indivíduo permaneça submerso nelas enquanto o tempo passa e as vozes ao redor se tornam frias.

É um retrato poético sobre a vulnerabilidade humana face ao sofrimento psicológico que assombra a mente a cada minuto.

Património dos super-ricos causa danos climáticos desproporcionados, diz estudo

Stargate Datacenter (Texas)
A Greenpeace calcula que os mais abastados contribuem com quase um bilião de dólares de prejuízos por ano através de emissões associadas à propriedade de ativos.

As pessoas ultra ricas que cruzam os céus mundiais nos seus jatos privados, relaxam em iates e se destacam pelo seu consumo ostensivo no Instagram estão entre os culpados individuais mais facilmente identificáveis na crise climática. No entanto, uma nova investigação defende que a culpa não reside apenas nos seus estilos de vida exuberantes, mas também nas suas contas bancárias.

Através da detenção de empresas e de ativos financeiros e físicos privados — que vão desde produtores de petróleo a empreendimentos imobiliários —, os super-ricos são responsáveis por uma fatia desproporcionada dos gases com efeito de estufa que estão a sobreaquecer o planeta. O 1% do topo da população mundial em termos de riqueza controla, através das suas participações acionistas e investimentos, cerca de um quarto do total das emissões anuais globais.

A Greenpeace calculou a "dívida climática" destes indivíduos com elevado património líquido, atribuindo-lhes a respetiva quota-parte dos danos causados ao clima pelos ativos de que são proprietários. Segundo estas contas, os mais ricos do mundo provocam quase um bilião de dólares ($1tn) por ano em prejuízos climáticos.

Clara Thompson, responsável global de campanhas sobre sistemas socioeconómicos na Greenpeace International, afirmou: "Numa altura em que as pessoas enfrentam faturas de energia cada vez mais altas, o aumento do custo de vida e impactos climáticos crescentes, muitos questionam-se por que razão os agregados familiares comuns devem carregar com uma parte tão grande do fardo, enquanto algumas das pessoas mais ricas do mundo continuam a lucrar com as indústrias que alimentam a crise."

A Greenpeace estima que o 1% mais rico da população seja responsável por cerca de 40% de todas as emissões baseadas na "propriedade" — ou seja, as emissões produzidas por empresas e associadas a ativos financeiros e físicos privados —, as quais representam, por si só, 60% da produção global de carbono. Dentro desse grupo, os 0,1% do topo respondem por cerca de 17% das emissões baseadas na propriedade, e os 0,01% mais ricos por cerca de 9%.

O escalão do 1% do topo é composto por indivíduos com um património superior a cerca de 2 milhões de dólares; os 0,1% detêm uma riqueza acima dos 7 milhões de dólares; e os 0,01% correspondem a pessoas com fortunas superiores a cerca de 38 milhões de dólares. Em contrapartida, a metade mais pobre da população mundial detém apenas 3% das emissões associadas à propriedade de ativos.

Thompson sublinhou que é fundamental pensar em termos de emissões baseadas na propriedade porque, embora sejam menos visíveis do que as emissões associadas ao consumo, são mais difíceis de combater.

"Isto não é apenas uma história sobre jatos privados e estilos de vida luxuosos. Quando se trata da poluição dos ultra-ricos, a propriedade importa ainda mais do que o consumo. Uma grande parte das emissões está associada à detenção de ativos e investimentos com elevada intensidade de carbono", explicou. "Durante anos, a política climática focou-se nos consumidores. Mas as nossas conclusões sugerem que deveríamos prestar muito mais atenção àquilo que as pessoas possuem e onde investem."

Uma forma de corrigir este desequilíbrio poderia passar pela aplicação de impostos sobre a riqueza. "A dívida climática tem a ver com responsabilidade", referiu Thompson. "Se concordamos que aqueles que mais contribuíram para o problema devem contribuir mais para o resolver, é perfeitamente razoável perguntar se esse princípio também se deve aplicar à riqueza extrema."

Dados independentes revelaram que os grandes bancos e outros investidores financeiros canalizaram 900 mil milhões de dólares para combustíveis fósseis no ano passado, apesar das promessas feitas por muitos deles há cinco anos para reduzir tais investimentos.

As disparidades gritantes entre o impacto ambiental dos super-ricos e o dos cidadãos comuns estão cada vez mais no centro das atenções, à medida que a desigualdade de riqueza dispara em todo o mundo. Recentemente, um relatório liderado pelo economista Thomas Piketty demonstrou que o mundo poderia viver de forma equitativa dentro dos recursos finitos do planeta, caso os excessos de riqueza fossem travados por impostos e os mais pobres pudessem reter uma maior fatia daquilo que o seu trabalho produz.

Governos de todo o mundo, com exceção dos EUA, estão reunidos em Bona, na Alemanha, para duas semanas de conversações que antecedem a cimeira do clima da ONU (Cop31) em novembro. Um dos temas que deverá receber maior atenção prende-se com os mecanismos para uma "transição justa", que ajude os trabalhadores afetados pelo abandono dos combustíveis fósseis a integrarem-se na economia de baixo carbono.

Aegithalos

Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus)

Aegithalos

Um pêndulo delicado balança sobre a casca de musgo,
envolto numa mistura suave de rubor, carvão e neve.
O horizonte é perseguido por uma sombra rasteira de penas,
enquanto um coro de sussurros prateados agita os bosques adormecidos.
Quando a geada chega, o calor encontra-se num amontoado cerrado de asas,
antes que um ímpeto súbito de voo acrobático se disperse pela copa das árvores.
A pequena bolinha escura captura a imensidão da floresta,
sonhando secretamente com um universo escondido num único pedaço de líquen.

Lítio travado - tribunal trava Savannah e impõe paragem imediata na mina do Barroso

𝗔 𝗰𝗼𝗿𝗿𝗶𝗱𝗮 𝗮𝗼 𝗹𝗶́𝘁𝗶𝗼 𝗻𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗱𝗲 𝗕𝗼𝘁𝗶𝗰𝗮𝘀 𝘀𝗼𝗳𝗿𝗲𝘂 𝘂𝗺 𝗻𝗼𝘃𝗼 𝗿𝗲𝘃𝗲́𝘀. 𝗔 𝗦𝗮𝘃𝗮𝗻𝗻𝗮𝗵 𝗥𝗲𝘀𝗼𝘂𝗿𝗰𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗶 𝗳𝗼𝗿𝗺𝗮𝗹𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗻𝗼𝘁𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗱𝗮 𝗲𝘀𝘁𝗮 𝘁𝗲𝗿𝗰̧𝗮-𝗳𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗽𝗲𝗹𝗼 𝗧𝗿𝗶𝗯𝘂𝗻𝗮𝗹 𝗔𝗱𝗺𝗶𝗻𝗶𝘀𝘁𝗿𝗮𝘁𝗶𝘃𝗼 𝗲 𝗙𝗶𝘀𝗰𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗠𝗶𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲𝗹𝗮, 𝘃𝗲𝗻𝗱𝗼-𝘀𝗲 𝗳𝗼𝗿𝗰̧𝗮𝗱𝗮 𝗮 𝘀𝘂𝘀𝗽𝗲𝗻𝗱𝗲𝗿 𝗱𝗲 𝗶𝗺𝗲𝗱𝗶𝗮𝘁𝗼 𝗼𝘀 𝘁𝗿𝗮𝗯𝗮𝗹𝗵𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗴𝗲𝗼𝘁𝗲𝗰𝗻𝗶𝗮 𝗻𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝗠𝗶𝗻𝗮 𝗱𝗼 𝗕𝗮𝗿𝗿𝗼𝘀𝗼. 𝗘𝘀𝘁𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮𝗹𝗶𝘀𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝘀𝘂𝗿𝗴𝗲 𝗻𝗼 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝘂𝗺𝗮 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗶𝗱𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗰𝗮𝘂𝘁𝗲𝗹𝗮𝗿 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗽𝗲𝗹𝗮 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗹, 𝗮𝗰𝗲𝗻𝘁𝘂𝗮𝗻𝗱𝗼 𝗼 𝗯𝗿𝗮𝗰̧𝗼 𝗱𝗲 𝗳𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗵𝗶𝘀𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝘁𝗲𝗺 𝗺𝗮𝗿𝗰𝗮𝗱𝗼 𝗮 𝗻𝗼𝘀𝘀𝗮 𝗿𝗲𝗴𝗶𝗮̃𝗼.

A empresa britânica sublinha que o acatamento desta ordem judicial tem efeitos apenas a partir do momento em que foi notificada. Para a Savannah, este detalhe jurídico comprova que as ações de bloqueio promovidas por populares durante a semana passada careciam de enquadramento legal.

Em comunicado, a concessionária não poupou críticas à Direção do Baldio de Covas do Barroso e à UDCB (Unidos em Defesa de Covas do Barroso), acusando as entidades de recorrerem aos tribunais pela terceira vez numa tentativa deliberada de boicotar o desenvolvimento do projeto.

​Apesar deste obstáculo, a administração da mina demonstra "tranquilidade" perante o processo, aguardando que o tribunal decida sobre o mérito da causa para voltar a colocar as máquinas no terreno. O objetivo da Savannah permanece inalterado: iniciar a construção do complexo mineiro em 2027 e arrancar com a primeira produção de lítio no ano seguinte.

𝗢 𝗽𝗲𝘀𝗼 𝗱𝗼 𝗣𝗮𝘁𝗿𝗶𝗺𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗱𝗶𝗮𝗹 𝗲 𝗮𝘀 𝘁𝗲𝗿𝗿𝗮𝘀 𝗲𝗺 𝗱𝗶𝘀𝗽𝘂𝘁𝗮
Para compreendermos a verdadeira dimensão deste conflito, é necessário olhar para o cerne da ação judicial submetida a 27 de maio contra o Ministério do Ambiente e da Energia. O grande alvo da contestação popular é a atribuição de uma "servidão administrativa", um mecanismo imposto pelo Estado que permite à Savannah ocupar cerca de 228 hectares de terrenos baldios e privados, muitas vezes à revelia da vontade expressa dos proprietários locais. A comunidade denuncia esta medida como um padrão de expropriação coerciva, lembrando um episódio idêntico que já havia forçado a suspensão das sondagens durante 15 dias, em fevereiro de 2025.

​No entanto, o contexto desta disputa ultrapassa largamente os limites de propriedade. É fundamental recordar que a região do Barroso ostenta o prestigiado selo de Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM), atribuído pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). O risco de descaracterização desta paisagem e do modo de vida tradicional tem levantado sérias dúvidas jurídicas. Recorde-se que, devido a esta mesma classificação da ONU, o próprio Ministério Público já havia alertado para graves incongruências no processo, chegando mesmo a pedir a anulação da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu favoravelmente, com condicionantes, em 2023.

Enquanto a justiça avalia a legalidade da ocupação destas terras e o peso da servidão administrativa, as encostas de Covas do Barroso regressam ao silêncio. A Vila TV continuará no terreno, acompanhando de perto um processo que divide os defensores da transição energética e os guardiões de uma herança agrícola única no mundo.

Vila Real, 09 de Junho 2026
VILA TV - INFO

I am the Shadow - The Wide Starlight


Melhor som aqui

Letra
To realize
Whats still missing
Just draw a line
Between the silence and the starlight
Between the silence and the starlight
The silence and the starlight
Wide starlight

Lost in the same
Old questions
To drown you
In the wide starlight
The fault line gives no rest
Silence has no shame

Will you face it?
Will you drown in?
The wide starlight
Looking for nothing
Will you take it?

Will you drown in?
The wide starlight
Looking for nothing

Significado da canção
Conceptualmente, The Wide Starlight foca-se na introspeção profunda e na dualidade humana, girando em torno de lugares interiores e ruínas, sobre o que é finito e o que é infinito dentro de nós próprios, e o dom do silêncio sob esta vasta luz das estrelas, segundo a própria banda e a editora Cold Transmission na altura do lançamento. Neste contexto, o título funciona como uma metáfora visual para a imensidão do universo e o isolamento do indivíduo, que, ao confrontar-se com a vastidão do mundo exterior e das estrelas, depara-se com as suas próprias ruínas e vazios emocionais, numa constante oscilação entre a solidão cósmica e o conforto. Em vez de encarar o silêncio e a melancolia como algo puramente negativo, a música sugere uma espécie de aceitação poética da escuridão interior, apresentando esse silêncio no meio do firmamento como um refúgio ou um dom para quem tenta compreender o que é passageiro e o que permanece na alma. Adicionalmente, existe um forte teor de existencialismo romântico, onde a dor, a perda e a beleza andam de mãos dadas, embaladas por uma sonoridade que evoca o mistério da noite, resultando num trabalho profundamente atmosférico e ideal para quem aprecia música que serve tanto para pistas de dance alternativas e góticas como para momentos de isolamento e contemplação.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Suave Punk - Dreams of Losing Teeth


Letra
Desperately I woke up last night
To my dreams of losing teeth
Got up this morning with tears in bed

I had a dream of when you said
I'll always be in your corner
Well, you know I'll do the same for you

As you turned away, my jaw gave into agony
Tearing roots through apathy
What the fuck happened to me?
We're caught up in this circumstance

It hurts to love with disconnect
I don't want to let you go
As new cuspids start to grow

Desperately I woke up last night
To my dreams of losing teeth
What it means I don't know
But sorry I don't have the lifetime warranty

Desperately I woke up last night
To my dreams of losing teeth
What it means I don't know
But sorry I don't have the lifetime warranty
Trying to find myself
I'll be in your corner

Melhor som aqui
Video original

Significado da canção e relação com o filme "Negócio arriscado"
A canção "Dreams of Losing Teeth", do projeto norte-americano Suave Punk, liderado por Justin Kim, carrega um significado profundamente enraizado na ansiedade, na vulnerabilidade e nas transições da juventude. O tema nasceu de uma experiência literal, um pesadelo real e muito vívido que o músico teve no final de 2020, onde o foco principal não era tanto o enredo do sonho, mas sim o desconforto sensorial e a sensação angustiante das raízes dos dentes a quebrarem. Na psicologia, sonhar que os dentes estão a cair é um dos arquétipos mais comuns e está universalmente ligado à perda de controlo, à impotência perante as mudanças da vida e à insegurança. Para Justin Kim, que na altura frequentava o seu primeiro ano de faculdade e lidava com sentimentos de isolamento e crises de identidade devido às suas raízes multiculturais, a música tornou-se uma forma de traduzir essa névoa mental e o medo do futuro numa densa parede de som shoegaze.

Embora o teledisco que partilhou seja uma edição não-oficial feita por um fã (do canal Kash Cuts), a escolha das imagens do filme "Risky Business" (1983), protagonizado por Tom Cruise, cria uma simbiose perfeita com a mensagem da canção. O filme retrata a história de Joel, um jovem pressionado pelas expectativas da família e da sociedade que, ao ver-se sozinho em casa, perde completamente o controlo da sua vida organizada numa espiral de decisões caóticas e perigosas. Esta perda de controlo e a imensa ansiedade juvenil do protagonista espelham na perfeição o significado metafórico de perder os dentes. Além disso, a estética visual do filme, marcada por viagens de comboio na penumbra, luzes de néon e a melancolia da noite urbana de Chicago, casa idealmente com a sonoridade dreampop e nostálgica do Suave Punk. Como o próprio Justin Kim é estudante de cinema e foca a sua música na criação de vinhetas visuais e texturas emocionais, a colagem destas imagens cinematográficas dos anos 80 funciona como uma extensão natural e poética da própria canção.

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares com empresas de combustíveis fósseis. num aumento "incompreensível" em 2025, revela relatório


O JPMorgan Chase lidera a lista de 65 bancos que estão a tomar decisões incompatíveis com a contenção do aumento das temperaturas globais, afirmam investigadores.

Os maiores bancos do mundo comprometeram 906 mil milhões de dólares ($906bn) em financiamento para a indústria dos combustíveis fósseis no ano passado — um aumento "incompreensível" no investimento que garante mais anos de produção de carvão, petróleo e gás, numa altura em que o planeta continua a sobreaquecer, concluiu um novo relatório.

O surto de novos empréstimos para combustíveis fósseis, que aumentou 64 mil milhões de dólares (quase 8%) em relação a 2024, demonstra que os 65 maiores bancos mundiais estão a tomar decisões incompatíveis com os acordos internacionais para conter o aumento das temperaturas globais, de acordo com a coligação de grupos ambientalistas responsável pela nova análise.

O JPMorgan Chase voltou a ser o principal financiador mundial de combustíveis fósseis, segundo o relatório anual Banking on Climate Chaos, após ter injetado 58 mil milhões de dólares no setor no ano passado — um aumento de 13% face a 2024.

O Bank of America comprometeu a segunda maior quantia com combustíveis fósseis no ano passado, seguido pelos bancos japoneses MUFG e Mizuho Financial. O Citigroup, outro banco norte-americano, fecha o "top 5", com o Barclays, na oitava posição, a ser o banco britânico mais bem classificado.

"O ano passado foi o primeiro em que esperávamos ver uma redução contínua nos números históricos, mas na verdade assistimos a esse aumento, que se prolongou este ano", afirmou Caleb Schwartz, analista de políticas da Rainforest Action Network, um dos grupos responsáveis pelo relatório. "Trata-se, portanto, de uma tendência preocupante."

Questionado sobre os seus empréstimos ao setor dos combustíveis fósseis, um porta-voz do JPMorgan Chase declarou: "Como um dos maiores financiadores de energia do mundo, apoiamos toda a gama de soluções e tecnologias energéticas, com foco na fiabilidade, acessibilidade, segurança e resiliência a longo prazo. Acreditamos que os nossos dados refletem as nossas atividades de forma mais abrangente e precisa do que as estimativas de terceiros."

No acordo climático de Paris, em 2015, os países concordaram em envidar esforços para evitar que o aquecimento global ultrapassasse os 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, limite a partir do qual o mundo sofrerá ondas de calor, cheias, secas e outros desastres alimentados pelas alterações climáticas ainda mais devastadores.

Evitar este limiar exigiria a quase eliminação das emissões que aquecem o planeta resultantes da produção de combustíveis fósseis. No entanto, desde o Acordo de Paris, os maiores bancos do mundo já canalizaram 8,7 biliões  de dólares para a indústria dos combustíveis fósseis para a extração e perfuração de mais carvão, petróleo e gás.

Os cientistas preveem agora que o limite de 1,5°C será ultrapassado de forma iminente, antecipando que a recente sucessão de anos com temperaturas recorde seja superada ainda nesta década.

No rescaldo do ataque dos EUA e de Israel ao Irão, que fez disparar o custo global do petróleo e do gás, várias das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo registaram lucros recorde este ano.

"As empresas históricas de combustíveis fósseis não vão desaparecer sem dar luta", afirmou Niko Lusiani, especialista em clima e energia que editou o relatório deste ano. "Estão a duplicar a aposta para expandir um sistema energético cada vez mais frágil, pouco fiável e arriscado."

O financiamento a combustíveis fósseis está a concentrar-se cada vez mais num grupo restrito de grandes instituições, concluiu o novo relatório, com aquilo a que os grupos ecologistas chamaram a "dúzia suja" a ser responsável por 40% de todo o financiamento do setor. Quase todo o financiamento para combustíveis fósseis provém de seis jurisdições: os EUA, o Canadá, o Japão, a China, o Reino Unido e a União Europeia.

Um total de 26 dos 65 maiores bancos reduziu o seu financiamento a combustíveis fósseis no ano passado, com os bancos europeus BNP Paribas, UBS e La Caixa a liderarem as reduções.

Contudo, os grandes operadores de petróleo e gás não ficaram sem liquidez disponível. Os maiores bancos prometeram 508 mil milhões de dólares para a expansão de explorações de combustíveis fósseis já existentes no ano passado, um aumento de 27% em relação a 2024. Três operadoras norte-americanas de petróleo e gás — Venture Global, Enbridge e Energy Transfer — foram as principais beneficiárias dos fundos emprestados em 2025.

Vários grandes bancos tinham anunciado anteriormente metas para reduzir as suas emissões e restringir os empréstimos a formas de energia particularmente poluentes, como o carvão. Mas, face ao regresso político de Donald Trump — que já classificou a crise climática como uma "treta" ("bullshit") e exigiu a extração desenfreada de combustíveis fósseis —, os bancos voltaram as costas aos compromissos ambientais assumidos anteriormente.

No ano passado, a Net-Zero Banking Alliance, uma iniciativa apoiada pela ONU que pretendia alinhar os empréstimos dos bancos com um cenário de emissões líquidas nulas até 2050, foi dissolvida após a saída de vários membros de relevo.

"Vimos muitos bancos darem as costas, seja de forma silenciosa ou mais ruidosa, num contexto de pressão política, particularmente nos EUA", afirmou Lusiani.

O especialista acrescentou: "A era dos compromissos voluntários não funcionou à escala que necessitamos, o que aponta para um papel muito mais ativo dos reguladores financeiros, legisladores e decisores políticos, especialmente nesses seis grandes centros financeiros."

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz do Bank of America afirmou que o banco apoia "uma vasta gama de clientes, tanto no setor das energias renováveis como no das energias tradicionais, fornecendo-lhes o capital e o aconselhamento necessários para atingirem os seus objetivos — incluindo o avanço das tecnologias de energia limpa e a garantia de acessibilidade e segurança energética num ambiente cada vez mais complexo e dinâmico".

Por sua vez, um porta-voz do Citi afirmou que a empresa "apoia os clientes na transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo que reconhece a necessidade real de energia segura, acessível e fiável hoje em dia. Estamos empenhados em alcançar emissões financiadas líquidas zero até 2050 e em avançar com a nossa meta de financiamento sustentável de 1 bilião de de dólares, focando-nos em equilibrar a transição com a resiliência energética global".

Money and Machismo are Undermining America


Drones have rapidly transformed modern war. The U.S. military, the most sophisticated, best supplied force in history, has been humiliated by Iran, largely thanks to Iran’s effective use of inexpensive drones to menace shipping, energy production, and even U.S. bases. Meanwhile, Ukraine’s growing superiority in drone warfare is increasingly giving it the upper hand over Russia. Remember, not so long ago the American far right celebrated Putin’s macho posturing and his supposed military invincibility.

Given this radical turn of events, shouldn’t the United States be eager to make a drone deal with Ukraine, benefiting from its technology and expertise?

Apparently not. The Hill reports that Donald Trump has been dragging his feet on such a deal, quoting U.S. military analysts who say that they don’t understand the delay and that they are “mystified.” But I assume that they’re being disingenuous and prefer to avoid saying the obvious. In fact, Trump’s unwillingness to make a deal that would clearly benefit America’s national interest is no mystery at all.

I’ll get to the obvious in a moment. First, let me take a slight detour into something that seems unrelated but in fact helps explain drone aversion: this administration’s hostility to renewable energy and its desperate, doomed and wasteful effort to revive the coal industry.

There was a time when “drill, baby, drill” could be portrayed as a realistic, hard-headed position. Does anyone remember the Cheney Energy Task Force? However, in the past few years, radical declines in the cost of solar power, wind power, and batteries — which solve the problem that the sun doesn’t always shine and the wind doesn’t always blow — have made renewables the most cost-effective way to generate electricity. By contrast, coal is completely unviable. Here are the Federal Energy Regulatory Commission’s estimates for utility capacity additions in 2025:



Yet Trump is trying to block renewable energy projects any way he can and has just invoked wartime authority to spend $700 million subsidizing new power plants using “clean, beautiful” coal.

Why? Part of the answer is big money. Fossil fuel interests were huge supporters of Trump in 2024. In fact, the Trump presidency is itself the result of billions of dollars spent by the Koch Brothers and others to corrupt and undermine U.S. political institutions -- the Supreme Court very much included. Anti-renewable, pro-fossil fuel policy is their reward, along with the destruction of the Voting Rights Act and the adoption of Project 2025.

What’s the other part? Clean energy has become a bogeyman in the culture wars: mining and burning coal are considered “manly” activities, while renewable energy is portrayed as woke and effeminate. Real men don’t worry about black lung and airborne particulates, let alone climate change.

So a combination of big money and fragile male egos drives Green Derangement Syndrome. And the same is true for both the Iran debacle and the refusal to learn from the catastrophe by turning to Ukraine.

Why was the United States so unprepared for the Iranian drone threat, despite the obvious successes of Ukrainian drones against Russia? Well, as investigative reporters delve into the story, I would urge them to follow the money.

America has a huge, highly profitable defense industry, dedicated to a suite of technologies that are rapidly being rendered obsolete, as $4 million Patriot missiles, that take years to build, are being used to shoot down $35,000 Shahed drones that can be manufactured in months.

So it wouldn’t be surprising if defense-industry interests are playing a significant role in the Trump administration’s refusal to admit that the rules of war have changed — the same way that fossil fuel companies have campaigned against the new realities of energy technology. After all, a deal with drone-savvy Ukrainians would mean less money going to US defense contractors.

While this is speculative, we do know that recognition of the drone revolution in warfare by Trump and his inner circle would require that they abandon their fantasy of macho military power. Pete Hegseth has been purging the military of capable officers — especially Blacks and women — he considers insufficiently loyal to Donald Trump. Beyond loyalty tests, however, he has exalted the importance of “warrior ethos” and physical fitness, as if he were leading the 300 Spartans rather than a high-tech military in an age of drones and electronic warfare.

It’s true that Hegseth, perhaps chastened by his abject failure in Iran — why does he still have a job? — recently admitted that the U.S. has learned from Ukraine. But an admission that his entire conception of war was wrongheaded will be a step too far for him.

Likewise, Trump himself is in love with big, expensive weapons as symbols of virility and power. He’s still pushing for giant “Trump-class” battleships, even though they would be sitting ducks in a modern war. Just ask the Ukrainians, who have used missiles and naval drones to force Russia’s once-vaunted Black Sea Fleet to cower in a fortified refuge. But Trump doesn’t want to give up his fantasies.

And he’s especially unwilling to learn from Ukraine. After all, he cut off aid to Ukraine in a hissy fit over Zelenskyy’s well-deserved reputation for heroism, only to he humiliated by Ukraine’s refusal to lose its war. Admitting that he needs Ukrainian help would be a further humiliation.

As I said earlier, there is no mystery about why Trump refuses to make a drone deal with Ukraine. Never mind the national interest. In military strategy as in energy policy, Trump is betraying America in the service of money and machismo.

Serra da Estrela ganha novo selo da UNESCO e passa a ter dupla proteção internacional


A Serra da Estrela foi integrada esta sexta-feira, dia 3 de junho, na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO, uma distinção internacional que premeia territórios que conciliam a conservação da natureza com o desenvolvimento sustentável

A Serra da Estrela passa a integrar a Rede Mundial de Reservas da Biosfera, distinção atribuída pela UNESCO a territórios que conciliam "a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável", foi divulgado esta sexta-feira.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adiantou, em comunicado, que a aprovação da candidatura foi anunciada hoje na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 3 de junho.

Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), lembrou o ICNF.

Já a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera.

"Os dois estatutos serão geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta que permitirá otimizar recursos humanos, financeiros e materiais", referiu o ICNF.

De acordo com o instituto, a nova Reserva da Biosfera da Estrela abrange uma área total de 2.372,99 quilómetros quadrados (km²), distribuída pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela, Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã.

A Reserva da Biosfera da Estrela está estruturada em três zonas complementares: uma Zona Núcleo onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão de mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição dedicada às atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).

A candidatura foi promovida pela AGE - Associação Geopark Estrela, com coordenação científica de Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

O ICNF realçou que a iniciativa resultou "de um amplo processo participativo que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais, tendo como base o Plano de Cogestão do Parque Natural, aprovado em novembro de 2024".

"Esta designação não é apenas um reconhecimento internacional, é um compromisso ativo com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, e uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em práticas inovadoras de sustentabilidade e educação ambiental", salientou ainda o ICNF.

Já a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, realçou que o reconhecimento é "uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras".

Numa nota divulgada pelo ministério, Maria da Graça Carvalho destacou "o forte envolvimento dos autarcas e da sociedade civil, que tanto contribuíram para o sucesso do projeto, o papel da Associação Geopark Estrela, que promoveu a candidatura, e da professora Helena Freitas, que assegurou a sua coordenação científica".

Ler mais:
Serra da Estrela: Quo vadis biodiversidade?