domingo, 28 de junho de 2026

'Fracking', a técnica que mudou o panorama energético mundial

Chega a casa e acende as luzes. Em seguida, toma um banho de água quente e, quando termina, prepara o jantar. Hoje é frango grelhado com ervilhas salteadas. Esta poderia ser a sua rotina, tal como a de milhões de pessoas em todo o mundo que têm acesso ao gás nas suas casas. E é que este abastecimento tornou-se um dos pilares invisíveis da vida quotidiana moderna. Pelo menos em Portugal, está por trás de quase tudo o que fazemos. Tanto é assim que é mais comum questionarmo-nos sobre o seu preço do que sobre a sua origem.

Esta última questão não condiciona nem perturba o nosso quotidiano, mas também nos deveria interessar: de onde vem esse gás que sustenta as tarefas básicas do nosso lar? No caso nacional, provém de outros países, seja através de gasodutos ou sob a forma de gás natural liquefeito transportado a bordo de grandes navios metaneiros. E é aí que surge um termo que continua a gerar controvérsias entre o sector energético e o meio ambiente: o fracking (fracturação hidroeléctrica).

Como é realizado o fracking?
Os dados mais recentes revelam que uma parte significativa do gás natural consumido em Portugal é importada de países onde a exploração de hidrocarbonetos não convencionais, incluindo o fracking, tem um peso relevante. Por outras palavras, embora Portugal não explore gás natural através de fracking no seu território, parte do gás que consome é proveniente de países onde essa técnica é amplamente utilizada, nomeadamente dos Estados Unidos. Em 2024, por exemplo, cerca de 40% do gás natural liquefeito (GNL) importado pelo nosso país teve origem no país actualmente governado por Donald Trump.

Integrado no mercado internacional, este método de extracção permite aumentar a disponibilidade energética e, consequentemente, reduzir os preços. Um benefício tão relevante quanto superficial, que ignora as graves consequências desta técnica industrial para o ambiente, a saúde pública e a biodiversidade dos territórios onde é aplicada.

Não é de admirar que os Estados Unidos sejam, de longe, o país que mais utiliza esta técnica: foi lá que foi concebida, pelas mãos do multimilionário texano George Mitchell e do engenheiro Nick Steinsberger. No final do século XX, ambos descobriram que era possível libertar grandes quantidades de gás e petróleo retidos em rochas muito compactas, combinando duas inovações fundamentais: a perfuração horizontal e a injecção de fluidos a pressão muito elevada.

A fracturação hidráulica consegue atingir camadas profundas de xisto, para depois injectar no solo uma mistura de água, areia e aditivos químicos que fracturam a rocha: daí o seu nome. A areia mantém abertas essas microfracturas, permitindo que o gás ou o petróleo fluam para a superfície para serem recolhidos.

Por que gera tanta controvérsia o fracking?
Não são poucas as organizações científicas e ambientais que estudaram exaustivamente os efeitos do fracking nos ecossistemas. E é que, devido ao seu sucesso retumbante em termos económicos e geopolíticos na América do Norte, outros países com grandes reservas de combustíveis fósseis despertaram interesse por esta técnica: no mesmo continente, destaca-se o caso de Vaca Muerta, em Neuquén (Argentina), um jazigo que se tornou um dos maiores centros de exploração de hidrocarbonetos não convencionais do mundo.

O mesmo não acontece na Colômbia, onde a técnica ainda não foi regulamentada, embora o último governo se tenha posicionado abertamente contra a sua aplicação. O fracking, de facto, tem sido protagonista nos debates da campanha presidencial colombiana de 2026, e não é de admirar: num dos países com maior biodiversidade do mundo, a fracturação hidráulica pode colocar em risco ecossistemas de altíssimo valor ambiental, fontes de água doce e territórios habitados por comunidades rurais e indígenas.

É o que demonstram as evidências científicas: de acordo com um relatório da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos, o fracking pode fazer com que fluidos se infiltrem nas águas subterrâneas, causando poluição na água. Além disso, tal como explica a especialista Sandra Steingraber à National Geographic, em algumas zonas próximas de jazidas, a fracturação "é a principal fonte de smog". E não é só isso: pode até provocar terramotos em regiões onde antes quase não se registavam movimentos sísmicos.

Tudo isto, sem esquecer o impacto desta indústria na saúde das pessoas: os estudos realizados até à data sugerem que os bebés nascidos perto de poços de fracking podem apresentar uma maior incidência de baixo peso à nascença, parto prematuro ou anomalias congénitas. Além disso, os cidadãos idosos podem correr um risco maior de morte prematura.

Em relação a estas investigações, todas realizadas em zonas petrolíferas dos Estados Unidos, Steingraber salientou: "Isto é uma crise de saúde pública". Mas nada parece travar os países que impulsionaram a sua economia através desta estratégia. E enquanto o mercado internacional continua a crescer e a procura de gás se mantém em alta, os alertas científicos parecem ficar relegados para segundo plano.

California’s proposed billionaire tax: what you need to know

I have some tremendous news to share: we've just won a decisive victory against Mark Zuckerberg and the Silicon Valley billionaires. Together with my colleague Emmanuel Saez, we’ve spent years working alongside California's civil society to make the 200 Silicon Valley billionaires - including Mark Zuckerberg and Peter Thiel - pay their fair share. Today (26/06/2026), they have just lost a crucial battle.
It all began in July 2025, when Donald Trump signed the One Big Beautiful Bill Act into law.
The legislation included sweeping budget cuts, slashing funding for Medicaid, the health insurance program that serves low-income Americans.
To offset these devastating cuts, the SEIU-UHW union has spent the past six months gathering signatures to put a ballot initiative before California voters that would impose a one-time 5% tax on Silicon Valley billionaires.The tax on extreme wealth could raise nearly $100 billion.
Panicked, the billionaires did everything they could to stop it. Everything.
The initiative first needed to collect roughly one million signatures to qualify for the November ballot.

So what did the billionaires do over the past few months?
They poured enormous sums of money into preventing the union from gathering enough signatures.
They spent hundreds of millions of dollars and used every tool at their disposal. According to some reports, they even paid homeless people (!!) to sabotage the signature drive. 
That tells you just how rattled they were.

But every one of their maneuvers failed miserably.
The billionaires didn't concede defeat, however, and fought until the very last minute to have the measure removed. The deadline was June 25.
They could count on California Governor Gavin Newsom, who worked behind the scenes to kill the initiative and shield the billionaires to the very end.

Despite enormous pressure, the union held firm.
It is now official and irreversible: Californians will vote on November 3 on whether to tax billionaires. The people will decide. This is a hugely important milestone.
Now comes four months of campaigning to convince Californians to vote in favor of taxing Mark Zuckerberg and the state's other billionaires.
A 5% tax on just 200 individuals could raise $100 billion to fund education and healthcare for millions of Californians.
Since 1982, the wealth of California's billionaires—the richest 0.0002% of the population—has increased thirtyfold.
It grew by 144% between 2023 and 2025 alone.
California's billionaires now hold $2.3 trillion in wealth - equivalent to roughly half of California's GDP and about 10% of U.S. GDP.That would be enough to offset the cuts imposed by the One Big Beautiful Bill Act.
According to a study we have just completed, California's billionaires pay only 0.07% of their wealth each year in California income tax - representing barely 0.2% of the state's total tax revenue.

Take Sergey Brin and Larry Page, Google's founders.
In 2019, 2020, and 2023, they reported no taxable income and paid no California income tax on the wealth generated by Alphabet.
Since 2019, their fortunes have increased by more than $400 billion.Sergey Brin is now spending tens of millions of dollars to defeat the billionaire tax initiative.
In the United States, extreme wealth has reached levels never seen before - not even during the Gilded Age of the late nineteenth and early twentieth centuries, when railroad, finance, and oil tycoons dominated the economy through monopolies.This is the concentration of wealth we must confront.
Because extreme wealth always brings with it extreme power: the power to crush competition, manipulate public debate, shape public policy, and buy elections.
Of course, billionaires will use that power to influence the November 3 ballot.
They are preparing to spend without limit while predicting every imaginable catastrophe should the 5% tax be adopted, backed by dubious studies and every kind of threat they can muster.

But democratic forces are more prepared than ever to take them on.
There is every reason to believe that the California ballot will be one of the defining political battles of the U.S. midterm elections.
If the measure passes, California's billionaire tax could quickly inspire similar initiatives in states such as New York, Washington, and Massachusetts.
In time, this process could very well lead to the creation of a federal tax on extreme wealth.
That's precisely what happened more than a century ago with the progressive income tax, which first emerged at the state level before being adopted by the federal government in 1913.

With a sufficiently large coalition of states - or, better yet, a federal tax - nothing would stand in the way of moving from a one-time levy to an annual tax on the largest fortunes, since wealthy Americans would not be able to escape taxation simply by moving to another state.

In 1978, California stood at the forefront of the anti-tax revolt by passing the famous Proposition 13, which capped property taxes and foreshadowed the conservative revolution that swept across the United States a few years later.

Nearly half a century later, history may be repeating itself - but in reverse.
California is now emerging as the front line in the fight for global tax justice. The November 3 vote could mark the beginning of a worldwide movement to end the tax impunity of the ultra-rich.

sábado, 27 de junho de 2026

PJ Harvey - Voyager

Letra
Long years, far place
Dark nights, dark days
Frozen, silent
Bearing Earth-songs
Earth-songs

Force fields, high winds
Cold moons, bright rings
Hear my signal
Will you follow?

Look back at us
As a speck of dust
Darkness our home
Bear it through love

Last note, last sign
Neptune, Triton
Fading signal
Choose light, choose love

Voyager, look back
At a pale blue dot
All we don't know
A flake of snow

Dust in a sunbeam, blue dot
So far, so cold
Kindness, kindness
Care for
Our shelter, tender, tender


PJ Harvey lançou esta quarta-feira (24 de junho) um tema novo, ‘Voyager’.
O tema é inspirado pelo Programa Voyager, da NASA, iniciado em 1977. Foi composto durante as sessões de gravação para o próximo álbum de PJ Harvey, ainda sem data de lançamento definida.
Em comunicado à imprensa, a artista britânica disse-se “entusiasmada com o desafio de compor uma canção com a ‘voz’ da Voyager 2”, sonda lançada em agosto de 1977 e que se encontra, atualmente, fora do Sistema Solar. “Perguntei-me: que nos diria ela se pudesse?”. ‘Voyager’ conta, ainda, com uma citação do já falecido astrónomo Carl Sagan.

"Voyager", o single de PJ Harvey lançado em junho de 2026 a convite do físico Brian Cox para a sua digressão mundial Emergence, afasta-se do rock visceral de guitarras do início da sua carreira para abraçar uma sonoridade espacial, flutuante e de gravidade zero. A faixa insere-se no panorama do ambient e do art pop eletrónico, sendo construída sobre pulsações eletrónicas lentas e minimalistas e sintetizadores modulares, onde se destacam o Prophet-5 tocado por Harvey e o baixo de sintetizador Juno tocado pelo próprio Brian Cox. Há uma utilização intencional de efeitos que simulam distorções de fita e pequenas falhas de áudio, como se a música fosse um sinal de rádio enfraquecido a viajar pelo espaço, uma atmosfera que ganha uma imensa sensação de amplitude e grandiosidade cinematográfica graças aos arranjos de cordas criados por Dario Marianelli e executados pela Orquestra de Miraval. Sobre esta massa instrumental, a voz de PJ Harvey surge de forma etérea, fantasmagórica e descorporificada, acentuando uma profunda sensação de solidão cósmica.

O conceito central da canção é uma das propostas mais fascinantes da carreira da artista, uma vez que a letra é escrita e cantada sob a perspetiva da própria sonda espacial Voyager 2, lançada pela NASA em 1977 e que hoje navega pelo espaço interestelar, a milhares de milhões de quilómetros da Terra. Harvey revelou ter-se inspirado na questão de saber o que a espaçonave nos diria se pudesse falar, mimetizando os relatórios da sonda ao cruzar os limites do nosso sistema solar através de versos que mencionam forças de campo, ventos fortes, luas frias e anéis brilhantes. O significado da canção desdobra-se em camadas emocionais e filosóficas, prestando uma homenagem direta ao astrónomo Carl Sagan, que idealizou o Disco de Ouro da Voyager e poeticamente batizou o nosso planeta de "Ponto Azul Claro", uma ideia que a artista recupera ao usar metáforas que nos reduzem a um floco de neve ou a um grão de poeira na imensidão do cosmos. Ao olhar para a Terra através dos olhos da máquina distante, a música funciona como uma meditação sobre a nossa extrema pequenez e fragilidade, sugerindo que, diante do vazio absoluto do universo, os conflitos e as fronteiras humanas perdem totalmente o sentido. Apesar de mergulhada num ambiente frio e mecanizado, a mensagem final que PJ Harvey extrai dessa vastidão é profundamente humanitária e otimista, culminando num apelo urgente à sobrevivência e à união para a humanidade que ficou para trás, sintetizado no verso que nos incita a escolher a luz e a escolher o amor.

Atriz Cate Blanchett lança registo de consentimento humano contra uso abusivo de IA

A atriz Cate Blanchett lançou no dia 24 de junho o registo de consentimento humano da RSL Media, um "site" gratuito criado para permitir a qualquer pessoa proteger o seu nome, rosto ou voz contra uso não autorizado por serviços de inteligência artificial.

"Na era da Inteligência Artificial [IA], a sua identidade é a sua propriedade intelectual e todos têm o direito de decidir como a IA pode ou não utilizá-la", disse a atriz, produtora e cofundadora da RSL Media, na sessão de apresentação realizada no Parlamento Europeu, em Bruxelas, acompanhada pela diretora executiva da empresa, Nikki Hexum, e pela eurodeputada Eva Maydell.

O Human Consent Register, na designação original, está acessível em RSL Media.

De acordo com a atriz, "o registo de consentimento humano gratuito da RSL Media dá a todos uma voz e uma forma de agir em relação às permissões de IA, ajudando a preservar e proteger a confiança em todo o panorama de IA em constante evolução".

Este registo permite a qualquer indivíduo registar os elementos que constituem a sua identidade e autorizar ou negar a sua utilização por sistemas de IA, incluindo o seu nome, imagem ou voz.

Numa segunda fase, o "site" permitirá também aos utilizadores proteger as suas criações e marcas registadas.


A diretora executiva e cofundadora da RSL Media, Nikki Hexum, sublinhou na sessão que "o consentimento é um direito humano". "Uma pessoa deve poder dizer: `Este sou eu, isto é o que permito, isto é o que não permito e esta é a forma segura de me contactar, caso precise de me contactar`".

"O registo público é uma ferramenta prática que oferece às pessoas um espaço para tornar as suas escolhas claras", disse Hexum. "Temos orgulho em lançá-lo hoje no Parlamento Europeu, que está a liderar o caminho nos direitos digitais e na utilização responsável da IA".

A eurodeputada Eva Maydell (PPE) considerou o registo "uma ferramenta que torna os direitos transparentes, reforça a confiança e coloca a criatividade humana no centro do progresso tecnológico".

O cofundador da Flawless Scott Mann, e um dos diretores executivos da empresa que desenvolve ferramentas de IA para produção audiovisual, também presente na sessão, lembrou que "as ferramentas de IA devem aumentar a criatividade humana, não substituí-la, mas, para que isso aconteça, o consentimento precisa de ser claro, acessível e acionável", o que reconhece na aplicação da RSL Media.

Esta empresa tem por objetivo estar disponível para particulares, mas também para intermediários, como agentes ou gestores de artistas.

O sistema, que tem apoio da Creative Artists Agency, permite escolher três níveis de consentimento para cada item gravado: verde (permissão irrestrita), amarelo (utilização condicional) e vermelho (proibição).

Perante estas definições, cabe às plataformas de IA verificar se o conteúdo que pretendem utilizar está protegido ou não, o que, em princípio, não constitui uma obrigação legal sistemática na maioria das jurisdições.

O registo público da RSL Media é o primeiro concebido para tornar o consentimento detetável e acionável.

O seu lançamento oficial, em que também esteve o realizador Steven Soderbergh, reuniu líderes empresariais e políticos dos setores da tecnologia, música e entretenimento.


Todo o histórico aqui

Manifesto contra a Caquistocracia: O Teatro do Citizenwashing e a Merdificação do Futuro

O meu amigo Nuno Gomes há tempos alertou-nos para fazermos boicote aos produtos norte-americanos. Pois acrescento a META e a Starlink. Agora piorou muito mais. O Macarthismo tem novas roupagens. Há de facto um bias de ataque e diminuição/irrelevância dos valores socialistas. Esta notícia é apenas a amostra do que aí vem. Só tenho um título: merda! Governo de merda, ideias de merda e badamerda o FMI!
 
Vivemos num época de Citizenwahing (Impotência Cívica). O conceito não é novo. Citizenwahing refere-se a processos de "participação cidadã" que são puramente teatrais. O governo ou uma instituição abre canais de diálogo (como consultas públicas, assembleias ou orçamentos participativos), mas as decisões reais já foram tomadas nos bastidores. As primeiras menções estruturadas ao termo começaram a aparecer em artigos de ONGs e redes de ativismo, como o European Environmental Bureau (EEB) em julho de 2022. O termo foi cunhado por analogia direta ao greenwashing (quando empresas fingem ser sustentáveis). Nesse caso, governos usavam consultas públicas apressadas para aprovar projetos ambientais controversos, alegando que "os cidadãos foram ouvidos". No entanto, a oficialização e a projeção institucional do termo ocorreram no final de 2023. O grande marco foi o discurso da Ombudsman Europeia, Emily O'Reilly, durante um simpósio em Bruxelas explicitamente intitulado Unmasking Citizenwashing (Desmascarando o Citizenwashing). Na ocasião, ela alertou que painéis e assembleias de cidadãos organizados pela União Europeia corriam o risco de se tornarem apenas um exercício vazio de relações públicas se as recomendações reais das pessoas continuassem sendo ignoradas pelos governantes. O termo explodiu após a Conferência sobre o Futuro da Europa, quando muitos participantes perceberam que o seu tempo e energia foram usados apenas para legitimar decisões que já haviam sido tomadas de antemão, consolidando o citizenwashing como a palavra que define a modernização da impotência cívica.
 
Muito grave.
 
E mais grave é que os pobres votaram neste PSD/Chega/IL. A caquistocracia sobrevive porque consegue convencer as suas próprias vítimas a defendê-la, muitas vezes através do medo, discurso do ódio e da desinformação planeada.

Merda para isto tudo.
 
Para ficar triste e aborrecido e irritado com tanta desinformação ou saber que o Zuckerberg inspeciona os meus likes e atrair-me para publicidade que não quero. O gajo é a META, magot. Um estupor. Nem tenho wasap. Sabiam que META e ELON MUSK activamente detroiem o jornalismo que se deseja imparcial. Lembrem-se que Elon Musk está no Pentágono e no Congresso Americano via STARLINK. 

Isto é um assalto à tua/ nossa liberdade. Tempos de combate. Mas fora da esfera de merda. Daí o meu silêncio , mas activo no terreno.

Se me desejarem contactar, tenho o telemóvel, sem wasap, sem tik tok nem insta nem nada desta corja de malfeitores. Os próximos presidentes vão ser decididos por estes globocratas e por Xi Jinping. Farto do anarco-capitalismo. Farto da geopolítica financeira. Farto da caquistocracia. 
 
Resta o biorregionalismo e alter-globalização. O resto é merda! 

A IA também vai cair na merdificação e mais polarização. Fica aqui o registo.

Slowdive - Sugar for the Pill

Melhor som aqui
Letra
There's a buzzard of gulls
Travelling in the wind
Only lovers alive
Running in the dark

[Refrão]
And I rolled away, said we never wanted much
Just a rollercoast', our love has never known the way
Sugar for the pill, you know it's just the way things are
Cannot buy the Sun, this jealousy will break the whole

Cut across the sky
And move a little closer now
Lying in a bed of greed
You know I had the strangest dream

[Refrão] 2X

"Sugar for the Pill", da banda britânica de shoegaze Slowdive, é uma canção melancólica e atmosférica que explora a complexidade, o desgaste e a inevitabilidade do fim de uma relação amorosa. O título da música baseia-se numa conhecida metáfora inglesa ("sugarcoating the pill"), que significa adocicar ou suavizar uma pílula amarga para que seja mais fácil de engolir. No contexto da letra, esta imagem serve como o pilar central para descrever a tentativa infrutífera de mascarar uma realidade dolorosa: o amor entre duas pessoas esfriou e a rutura é inevitável.

Ao longo do tema, a narrativa evoca uma forte sensação de desapego, solidão partilhada e cansaço emocional. O vocalista Neil Halstead canta sobre um casal que parece estar fisicamente próximo, mas emocionalmente distante, comunicando através de silêncios ou de palavras que já não conseguem curar as feridas existentes. As referências ao vento, à perda de controlo e ao ato de "dar voltas" sugerem um ciclo vicioso de discussões ou de tentativas falhadas de salvar o que resta, onde ambos sabem que o desfecho será o afastamento.

A expressão "açúcar para a pílula" funciona, assim, como uma crítica a esse esforço de manter as aparências ou de adiar o sofrimento. Por mais que os envolvidos tentem encontrar desculpas, usar palavras meigas ou recorrer a falsos confortos para suavizar o impacto da separação, a verdade subjacente permanece amarga e imutável. A música capta precisamente o momento em que se ganha a consciência de que a ilusão já não funciona e de que é necessário encarar a dor de frente, sem anestesias.

Sonoramente, a faixa espelha esta mensagem com maestria. A linha de baixo constante e a guitarra minimalista e cheia de eco criam um ambiente flutuante, quase hipnótico, que traduz o sentimento de se estar à deriva. Em suma, "Sugar for the Pill" é uma reflexão íntima sobre a desilusão amorosa e a aceitação da perda, ilustrando a transição dolorosa entre o esforço de romantizar um problema e a inevitável rendição à realidade dos factos.

Neil Halstead explicou detalhadamente a origem da canção no podcast Song Exploder. A inspiração visual para o início da letra - a famosa imagem das gaivotas na bruma ("There's a blizzard of gulls...") - surgiu durante caminhadas que Neil fazia na costa de Cornualha (Cornwall), no sudoeste de Inglaterra, onde vive. O barulho e o caos das aves marinhas daquela região costeira ditaram o tom inicial. Também disse que se inspirou na música depois de ler o clássico Os Montes Uivantes (Wuthering Heights), de Emily Brontë. Neil Halstead revelou que leu o livro pela primeira vez em 2014, enquanto escrevia o álbum. Ele ficou fascinado pela envolvência da natureza na história e pela relação intensamente destrutiva e condenada entre Heathcliff e Cathy. Esse ambiente ventoso, selvagem e melancólico dos pântanos ingleses serviu de metáfora perfeita para o romance em ruínas que a música retrata.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Radiohead - Nude

Melhor som aqui
Nude
Don't get any
Big ideas
They're not
Gonna happen

You paint yourself white
And fill up with noise
But there'll be
Something missing

Now that you've found it
It's gone
Now that you feel it
You don't
You've gone off the rails

So don't get any
Big ideas
They're not
Gonna happen

You'll go to hell
For what your dirty mind is thinking

O significado da canção
O significado de "Nude" gira em torno de falsas ilusões, da desilusão existencial e da vulnerabilidade humana, daí o título "Nude", ou "Nua", em termos de exposição emocional. A letra aborda o perigo de criar expectativas grandiosas e o choque com a realidade, o que se torna evidente ao analisar as linhas principais. O verso central "Don't get big ideas, they're not gonna happen" (Não tenhas grandes ideias, elas não vão acontecer) funciona como um balde de água fria no otimismo ingénuo. A música sugere que, ao nos despirmos das nossas futilidades e do nosso ego, ou seja, ao ficarmos "nus", percebemos que o universo não gira à nossa volta e que muitos dos nossos desejos de grandeza são apenas distrações. Há também uma forte crítica à superficialidade e aos pensamentos impuros ou egoístas na linha "You'll go to hell for what your dirty mind is thinking" (Vais para o inferno pelo que a tua mente suja está a pensar). No fundo, a canção é uma reflexão sobre aceitar a própria pequenez e a crueza da realidade, tudo isto embalado por uma melodia que soa ao mesmo tempo triste e estranhamente reconfortante.

Como foi o processo de criação de Nude do Radiohead e por que demorou mais de 10 anos para ser lançada?
A história por trás de "Nude" é um dos casos mais fascinantes de perfecionismo e evolução criativa no rock alternativo, tendo levado onze anos entre os seus primeiros rascunhos e o lançamento oficial no álbum In Rainbows, em 2007. A canção tornou-se uma espécie de lenda urbana entre os fãs, que souberam da sua existência apenas por atuações ao vivo antigas e gravações piratas de baixa qualidade. A música começou a ser escrita por Thom Yorke no final de 1996 e foi gravada como demo durante as sessões do aclamado álbum OK Computer, de 1997, época em que era conhecida pelos títulos de trabalho "Big Ideas" ou "Nude (Don't Get Big Ideas)". A primeira vez que o público ouviu a canção foi na digressão mundial de 1998, tendo sido imortalizada no documentário Meeting People Is Easy, de 1999, que mostrava a banda exausta a tentar arranjar a música em testes de som com uma sonoridade muito mais sombria, arrastada e guiada por um órgão de igreja e guitarras pesadas.

Entre 2000 e 2003, os Radiohead tentaram gravar a canção para praticamente todos os álbuns subsequentes, como Kid A, Amnesiac e Hail to the Thief, mas o arranjo original de rock de arena colidia com a nova fase eletrónica e experimental que a banda abraçou nos anos 2000, fazendo com que eles simplesmente não conseguissem fazer a faixa soar bem. A grande reviravolta aconteceu entre 2005 e 2007, quando a banda se reuniu com o produtor de longa data Nigel Godrich para o álbum In Rainbows e decidiu despir a música de todos os excessos, deitando fora o peso antigo e reconstruindo a faixa do zero com foco no espaço, no silêncio e no groove.

Esta demora de mais de uma década deveu-se a várias barreiras criativas. Primeiramente, a banda tinha aversão ao cliché e ao sucesso fácil, pois a primeira versão de "Nude" tinha uma progressão de acordes grandiosa que lembrava hinos do rock clássico e Thom Yorke tinha pavor de soar genérico ou de criar uma nova "Creep". O ponto de viragem definitivo aconteceu quando o baixista Colin Greenwood criou uma nova linha de baixo baseada no dub e no soul, ditando o ritmo de forma circular e sensual em vez de apenas acompanhar os acordes. Além disso, a intervenção do produtor Nigel Godrich foi fundamental para exigir o minimalismo da faixa, convencendo Jonny Greenwood a criar um arranjo de cordas delicado e sugerindo o uso de um efeito de reprodução invertida nos vocais de apoio. Por fim, Thom Yorke precisou de atingir uma maturidade vocal para entregar uma interpretação contida, sussurrada e perfeitamente afinada em falsete. Quando finalmente foi lançada em 2007, a receção foi tão avassaladora que a música se tornou o single de maior sucesso comercial da banda nos Estados Unidos desde "Creep", provando que o hiato de onze anos serviu para lapidar o que viria a ser uma verdadeira obra-prima.


China zera tarifas para produtos de países africanos - já vemos as diferenças


A China anunciou em 28 de abril que vai abolir  as tarifas de importação para produtos de 53 países africanos. Na prática, isto significa abrir as portas do maior mercado de consumo do planeta a quase todo o continente africano. Não estamos a falar de ajuda humanitária nem de discurso diplomático. Estamos a falar de comércio, investimento e influência.

A medida, que entrou em vigor a 1 de maio, abrange praticamente todo o continente, excluindo apenas o Essuatíni devido às suas relações com Taiwan.

O mais impressionante é que esta decisão não surgiu por acaso. Nos últimos anos, Xi Jinping transformou a África numa das prioridades estratégicas de Pequim. Empresas chinesas construíram estradas, linhas ferroviárias, pontes, centrais elétricas e portos. Hoje em dia, a China já possui o controlo ou participação em cerca de um terço da infraestrutura portuária africana. Agora, além de investir, Pequim está a facilitar a entrada dos produtos africanos no mercado chinês.

Por trás desta decisão existe uma disputa muito maior. Enquanto várias potências ocidentais reduziram a sua presença económica em diversas regiões africanas, a China fez o oposto. Investiu, financiou projetos e ampliou o comércio. O resultado é que muitos governos africanos passaram a encarar Pequim como um parceiro estratégico para o desenvolvimento a longo prazo.

O que Xi Jinping está a construir em África vai muito além de acordos comerciais. É uma rede de influência económica que pode redefinir o equilíbrio de poder nas próximas décadas. E enquanto muitos ainda observam apenas as guerras e crises do momento, a China continua a avançar silenciosamente onde o futuro está a ser construído. É exatamente por isso que a África se tornou uma das peças mais importantes do tabuleiro geopolítico mundial.

Impactos Económicos na Agricultura e Mineração
  1. Agricultura (O maior beneficiado imediato): a remoção de tarifas aumentou de imediato a competitividade de preço dos produtos africanos face a concorrentes da América Latina ou da Ásia (que enfrentam taxas de 20% a 25%). O benefício foca-se na redução de custos logísticos e aduaneiros. Isso estimula o investimento chinês em infraestruturas locais, como cadeias de frio e processamento, elevando os rendimentos rurais. [1, 2, 3]
  2. Mineração (Consolidação do fornecimento): minerais estratégicos para a transição energética (como o cobre, cobalto, lítio e grafite) ganharam maior fluidez. A isenção de tarifas incentiva as empresas mineiras em África a avançar da extração de minério bruto para o processamento local profundo, agregando valor antes da exportação. [1, 2]
O Contraste com as Potências Ocidentais
  1. Unilateralidade sem contrapartidas: a política da China é não-recíproca. Os produtos africanos entram na China sem taxas, mas os países africanos não são obrigados a reduzir as suas tarifas sobre os produtos chineses. [1, 2]
  2. Diferença face aos EUA: contrasta diretamente com programas americanos como o AGOA (African Growth and Opportunity Act), que exige contrapartidas políticas, de direitos humanos e de abertura de mercado. Adicionalmente, Washington aplicou recentemente tarifas pesadas a várias nações africanas. [1]
  3. Diferença face à União Europeia: os acordos da UE (EPAs) exigem frequentemente uma abertura recíproca dos mercados africanos a longo prazo, o que gera receios de desindustrialização local na África. A China posiciona-se assim como o "parceiro mais amigável". [1]

Produtos Africanos com Maior Potencial de Exportação
Abaixo encontram-se os produtos que registam maior crescimento e procura no mercado chinês: [1, 2, 3]


Categoria [1, 2, 3, 4, 5, 6]Produtos de DestaquePaíses Líderes Beneficiados
Frutas e AgroMaçãs, Abacates, CitrinosÁfrica do Sul, Quénia, Egito
CommoditiesCafé, Cacau, Sésamo, Castanha de CajuEtiópia, Costa do Marfim, Tanzânia
Minerais CríticosCobalto, Cobre, Grafite, LítioRDC, Zâmbia, Tanzânia
Bens ProcessadosÓleo de abacate, Couros, Alimentos processadosQuénia, Nigéria, Marrocos

Apesar do otimismo, analistas alertam que as tarifas eram apenas uma das barreiras. Para mitigar o enorme défice comercial com a China, África precisa de superar barreiras não-tarifárias (como exigências fitossanitárias) e melhorar as suas infraestruturas de transporte. A facilidade de comércio impulsionou também o uso do Yuan (RMB) em detrimento do dólar nas transações bilaterais. [1, 3, 4]

Ativista condenada após plantar árvores em Alcochete. "Desproporcional"

Uma ativista do movimento Climáximo foi condenada a uma pena de prisão suspensa de um ano e seis meses, num tribunal militar, no rescaldo de uma "ação simbólica" de plantação de árvores no Campo de Tiro de Alcochete, apontado como o local de construção do novo aeroporto de Lisboa. O coletivo denunciou, na quarta-feira, "que julgar um civil em tribunal militar trata-se de um ato de repressão completamente desproporcional e violento", tendo em conta que a ação decorreu "sem qualquer ocorrências ou violência".

O caso remonta a 23 de maio de 2025, dia em que os ativistas levaram a cabo "uma ação simbólica" nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, que consistiu na "plantação de sobreiros e exibição de uma faixa com a frase ‘Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!’, numa clara rejeição à expansão aeroportuária e à política de crescimento das emissões poluentes".

O coletivo assinalou, em comunicado, que "umas pessoas entraram no terreno, colocaram uma faixa, plantaram umas árvores, fizeram um vídeo, e saíram tranquilamente do espaço", sem provocar "qualquer impacto ou dano". Ainda assim, o Ministério Público acusou uma porta-voz da iniciativa, identificada como Bianca Castro, de entrada ou permanência ilegítima, tendo o caso sido tratado "como um crime estritamente militar".

Na quinta-feira, a jovem pronunciou-se nas redes sociais, onde publicou um vídeo em que comparou a sua sentença com outras decisões judiciais, nomeadamente em casos de abuso sexual e prostituição de menores.

"Quero pôr a minha sentença em perspetiva. Um ex-dirigente do Chega foi condenado por prostituição infantil a um ano e três meses de pena suspensa. Três anos e meio de pena suspensa para o polícia que matou Odair Moniz. Pena suspensa de um ano e oito meses para um padre condenado por tentativa de abuso sexual de menor. Um professor foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa por abuso sexual de crianças. Eu plantei árvores e [recebi] uma pena mais pesada do que um condenado por prostituição infantil, e quase metade do que apanhou o polícia que matou Odair. Isto é justiça para quem?", questionou.

Várias personalidades demonstraram publicamente o seu apoio à ativista, incluindo nomes como Capicua, Hélio Morais e Diogo Carmona.

Também o Climáximo considerou que "julgar um civil em tribunal militar trata-se de um ato de repressão completamente desproporcional e violento", recordando "que, apesar de o terreno estar a ser tratado como zona militar, estamos a falar de um terreno considerado para uso de aviação civil, sendo atualmente uma ampla área de preservação ambiental que está em risco de destruição com a construção do novo aeroporto".

O grupo sublinhou ainda que a "ação simbólica visava travar a construção deste novo aeroporto e alertar sobre a crise climática, que poucos meses depois [...] já causou um comboio de tempestades que destruiu vários territórios em Portugal e atualmente provoca ondas de calor mortíferas".

"A Bianca foi condenada a uma pena de prisão suspensa de um ano e seis meses, à entrada de um dos verões mais quentes nos registos. A crise climática continua a agravar-se; as políticas públicas negacionistas do clima continuam em curso. O movimento pela justiça climática, pelo mundo inteiro, continua a resistir ao sistema político e económico que leva a Humanidade ao colapso climático", acrescentou.

Na altura, Bianca Castro argumentou que a construção do novo aeroporto era "o equivalente a lançar bombas de carbono na atmosfera", pelo que o protesto representava "uma semente de resistência e perseverança, desafiando a morte e desolação que um novo aeroporto traria".

Este caso levanta importantes questões sobre a utilização de tribunais militares para julgar civis em ações de protesto, e a forma como a justiça portuguesa equilibra as sentenças de crimes ambientais e outros delitos graves, provocando um debate contínuo sobre a proporcionalidade e equidade no sistema judicial. Até onde deve ir o direito ao protesto? A lei deve ser cega ao motivo de uma invasão pacífica?

Densidade global e biomassa das redes de fungos micorrízicos arbusculares

Debaixo dos nossos passos existe uma arquitetura viva que começa agora a ganhar forma nos mapas da ciência. 

Um novo estudo publicado na revista Science estimou, pela primeira vez à escala global, a extensão e a biomassa das redes de fungos micorrízicos arbusculares nos primeiros 15 centímetros do solo. Estas redes são feitas de hifas, filamentos finíssimos que ligam fungos e plantas numa relação de troca vital.

As plantas entregam aos fungos parte do carbono que capturam pela fotossíntese. Em retorno, os fungos ajudam as plantas a obter nutrientes minerais, sobretudo fósforo e também azoto, alargando o alcance funcional das raízes no solo. Esta parceria sustenta florestas, prados, culturas agrícolas e muitos dos equilíbrios que fazem do solo um organismo vivo.

Os resultados apontam para uma dimensão difícil de imaginar. O estudo estima cerca de 110 quadriliões de quilómetros de hifas vivas. Se pudéssemos alinhar estes filamentos microscópicos, eles permitiriam percorrer a distância entre a Terra e o Sol mais de 700 milhões de vezes.

A imagem é quase cósmica, mas a sua importância é profundamente terrestre. Conhecer a densidade destas redes ajuda-nos a compreender melhor a fertilidade do solo, a saúde das plantas, a circulação de nutrientes, a resposta dos ecossistemas à seca e o caminho do carbono entre a atmosfera, as raízes e a vida subterrânea.

Esta nova cartografia pode transformar a forma como olhamos para a agricultura, para as florestas e para o restauro ecológico. Os fungos micorrízicos arbusculares ligam raiz e mineral, planta e paisagem, carbono atmosférico e solo vivo. Quanto mais coberto, diverso, poroso e rico em matéria orgânica for o solo, melhores serão as condições para que estas redes cumpram a sua função ecológica.

A sua importância climática nasce desta intimidade com as plantas. Parte do carbono retirado da atmosfera pela fotossíntese passa pelas raízes e entra nas redes fúngicas. O estudo estima que estas redes recebam das plantas cerca de mil milhões de toneladas métricas de carbono por ano, valor próximo de 4 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. A ciência continua a investigar quanto desse carbono permanece armazenado ao longo do tempo.

Preservar os fungos do solo significa cuidar da fertilidade construída lentamente pela vida subterrânea, da resiliência que nasce de solos cobertos, diversos e bem estruturados, e da comunidade microscópica que sustenta grande parte da vegetação terrestre. O futuro da agricultura e das florestas dependerá, cada vez mais, da atenção que dermos a estes organismos e às relações que eles tecem entre raízes, minerais, água e carbono.

Proteger estas redes é também proteger a vida que nasce acima delas. Quando cuidamos do solo, cuidamos da trama invisível que alimenta a paisagem.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Weval - Everything Went Well

Melhor som aqui
[Instrumental Intro]

[verso 1]
Hey, it's a regular day
You're not missing it
Hey, it's a regular day
You're not missing it

[verso2]
I remember how it felt
Everything went well
I remember how it felt
Everything went well

[verso 1]

[verso 1]

[Instrumental Outro]

"Everything Went Well" é uma canção que vive da subtileza e da atmosfera, onde a letra minimalista funciona em perfeita simbiose com a eletrónica melancólica do Weval. Através da repetição quase hipnótica de poucas frases, a música evoca um estado de espírito profundamente marcado pela nostalgia e pela dualidade entre o presente e o passado.

Por um lado, a insistência na frase "I remember how it felt / Everything went well" surge como um mantra confortador, um vislumbre de um passado feliz e seguro que o narrador recupera na memória para encontrar paz. Por outro lado, o contraste com "Hey, it's a regular day / You're not missing it" ancora a narrativa na monotonia ou na quietude do quotidiano atual.

Esta dinâmica cria uma sensação agridoce: há um certo tédio nos dias que correm todos da mesma forma, mas há também um enorme conforto em saber que, algures no tempo, tudo correu bem. No fundo, a faixa não procura contar uma história linear, mas sim capturar aquele momento exato de devaneio em que nos desligamos da rotina para nos refugiarmos numa memória calorosa.

Paul Krugman - Porque é que toda a gente odeia a IA


Muitos leitores estarão provavelmente parados na cena do vídeo acima: Eric Schmidt, o antigo CEO da Google, fez recentemente um discurso de formatura no qual anunciou a chegada da IA - e foi fortemente vaiado pelos estudantes. Isto não foi um caso isolado. Têm ocorrido vários incidentes semelhantes ultimamente, prova de que muita gente odeia agora genuinamente a IA.

Estaremos a falar de uma minoria barulhenta mas não representativa? Não. Uma sondagem recente do Pew Research Center revelou que os adultos americanos acreditam, por uma margem larga, que a IA será negativa para a sociedade e, por uma margem menor, que será má para eles a nível pessoal.


Mas não se sentirá o público sempre assim perante a inovação? A análise do Pew sobre as suas próprias conclusões deu a entender isso mesmo, declarando que:
"A nova tecnologia é frequentemente recebida com um certo grau de curiosidade, bem como de ceticismo. À medida que mais americanos incorporam a IA nas suas vidas, surgem preocupações generalizadas sobre o seu impacto, a sua velocidade e sobre se o governo a consegue regular adequadamente."
Contudo, as próprias sondagens passadas do Pew sugerem que, historicamente, a maioria dos americanos acolheu bem os avanços nas tecnologias de informação. Uma sondagem de 1999 sobre as atitudes face à internet (que ainda era uma novidade) revelou visões extremamente positivas sobre os computadores e a tecnologia, especialmente entre os utilizadores da internet.

E em 2015, quando as redes sociais eram ainda relativamente recentes, o Pew descobriu que 71% do público afirmava que as empresas tecnológicas "têm um impacto positivo na forma como as coisas estão a correr neste país", com apenas 17% a expressar uma opinião negativa.

O facto é que, no passado, os americanos geralmente recebiam as tecnologias emergentes com otimismo. O que explica, então, a atual hostilidade contra a IA? Permitam-me oferecer várias explicações que não se excluem mutuamente.

Primeiro, tememos que a IA faça coisas terríveis porque as empresas que a vendem nos disseram que ela faria coisas terríveis. No ano passado, por exemplo, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, declarou numa entrevista à Axios que a IA poderia eliminar metade dos empregos administrativos de nível de entrada e elevar o desemprego geral para uns impressionantes 20% no espaço de 1 a 5 anos.

Mais recentemente, Amodei e Sam Altman, da OpenAI, tentaram recuar nas suas previsões de um "apocalipse do emprego". Mas por que razão estiveram eles tão dispostos a promover visões apocalípticas em primeiro lugar? A resposta é dinheiro. Eles promoveram a ideia de que tinham uma tecnologia que iria transformar rápida e radicalmente a economia, em parte para deslumbrar Wall Street e garantir financiamento, e em parte para assustar as empresas, levando-as a correr para a adoção da IA por medo de ficarem para trás.

Só tardiamente se deram conta de que declarar que a sua tecnologia iria causar devastação geraria uma reação pública adversa, e que essa reação seria um problema sério. Na verdade, não é apenas o público em geral que está a atacar as empresas que usam ameaças de um apocalipse como estratégia de marketing. Até as grandes corporações dizem que já basta. Satya Nadella, CEO da Microsoft, que se tem mostrado visivelmente relutante em alinhar no fanatismo da IA, disse recentemente ao Wall Street Journal:
"Não se pode dizer, 'olhem, todos os empregos administrativos desapareceram, isto pode até ser uma arma e vamos usar toda a energia disponível para construir centros de dados'."
Segundo, muitas pessoas comuns veem a IA de forma negativa porque sentem que esta lhes está a ser imposta.
É verdade que muitas pessoas utilizam voluntariamente grandes modelos de linguagem (LLMs) por conveniência pessoal ou como ferramenta de produtividade profissional. Mas uma parte significativa do uso da IA não é voluntária. Esta manchete do Wall Street Journal de fevereiro diz tudo: "Empresas obrigam trabalhadores a usar ferramentas de IA".

Porque estão as empresas a fazer isto? Presumivelmente, acreditam que a IA irá aumentar a produtividade. Mas, de igual modo, estão a responder à pressão dos mercados financeiros, que estão a recompensar as empresas que adotam rapidamente a IA, aparentemente sem olhar a resultados demonstrados.

E enquanto os trabalhadores americanos são coagidos a usar a IA, os consumidores americanos estão a ser alimentados à força com IA, queiram ou não. O caso mais dramático é o da Google, que substituiu o seu motor de busca pela IA, sem oferecer a opção de desativar essa função. É preciso recorrer a truques obscuros ou a sites de terceiros para obter os resultados de pesquisa tradicionais.

Portanto, muitas pessoas sentem, com razão, que não estão a ter a liberdade de escolher se querem ou não usar a IA — não usar IA tornou-se difícil, tanto como trabalhador quanto como consumidor.

Terceiro, os centros de dados (datacenters) são uma lembrança altamente visível dos custos da IA. Os centros de dados ocupam extensões enormes de terra — um local proposto no Utah terá o dobro do tamanho de Manhattan. Eles devoram eletricidade e água. Quando geram parte da sua própria energia, criam uma enorme poluição local. Como seria de esperar, há uma oposição intensa à construção de centros de dados. De acordo com uma sondagem da Reuters/Ipsos, 57% os americanos — dois terços dos democratas e metade dos republicanos — opor-se-iam a um centro de dados no seu bairro. Apenas 14% apoiariam.

Quarto, mesmo antes do advento da IA, as empresas tecnológicas já tinham perdido a confiança do público. Ao longo dos anos, o Pew tem questionado regularmente o público sobre as suas opiniões acerca das empresas de tecnologia, perguntando se estas têm um efeito positivo ou negativo "na forma como as coisas estão a correr". Em 2015, a opinião pública sobre as tecnológicas era esmagadoramente positiva. Em 2022, o ano em que o ChatGPT foi lançado, essa boa vontade tinha-se evaporado.


Porque é que os americanos se viraram contra as empresas tecnológicas? Embora isso reflita certamente uma crescente consciencialização dos danos psicológicos e sociais causados pelas redes sociais, muito deve-se também à "merdificação" (enshittification) dos produtos tecnológicos.

Finalmente, a IA está fortemente ligada, na mente do público, aos oligarcas tecnológicos que a estão a impulsionar. Há uma perceção generalizada da crescente concentração de riqueza e poder no topo, e de como isso está a distorcer a nossa política e a prejudicar a nossa sociedade. À exceção dos fiéis do movimento MAGA, os americanos apoiam esmagadoramente políticas governamentais para reduzir a desigualdade de riqueza.



E a IA é amplamente vista, com boas razões, como uma tecnologia que irá aumentar a concentração de riqueza no topo. De facto, como referi, as próprias empresas de IA já nos disseram que a tecnologia terá efeitos extremamente negativos nos trabalhadores.

Existem, portanto, múltiplas razões que se reforçam mutuamente para o público ver a IA de forma negativa. E não, isto não é o ceticismo normal diante da mudança. Esta reação adversa intensa é especial.

E esta reação já está a ter grandes consequências políticas. É verdade que a indústria da IA, fiel ao seu estilo, tem injetado dinheiro nas eleições num esforço para impulsionar políticos amigáveis e derrotar os críticos. Mas a maioria destes esforços falhou. Na verdade, aceitar dinheiro da IA ou estar associado à tecnologia em geral está a começar a parecer politicamente tóxico.

Há um forte elemento de justiça poética nesta reviravolta. A indústria da IA tornou-se deliberadamente ameaçadora como estratégia financeira, acreditando que os mercados recompensariam a aparência de estar na "vanguarda radical". Ao fazê-lo, no entanto, a tecnologia tornou-se altamente impopular. E mesmo numa era em que o dinheiro compra o poder demasiadas vezes, a opinião pública importa.

O Andorinhão

Andorinhão-preto (Apus apus) - Foto de Nuno Campos

O Andorinhão
"Elegante, escuro, incansável e livre.
Irmão do vento, filho do céu sem fim.

Amante do ar livre, do vendaval impetuoso e da emoção da caça.
Temendo apenas o solo firme, a terra pesada e a quietude de uma gaiola.

Doador de velocidade ao céu, de um grito agudo ao verão e de sombras às nuvens.
Vivendo num turbilhão de movimento, dormindo na brisa, bebendo da chuva.

Ansiando tocar as estrelas, perseguir o sol e nunca ter de aterrar.
Encontrando um lar nas vigas mais altas, nos céus mais profundos e no azul aberto.

Residente do horizonte sem limites.
Apus"

João Soares, 25.06.2026

Como é que os andorinhões conseguem dormir a voar?
O que muitas pessoas desconhecem é que os andorinhões passam quase toda a vida a voar, incluindo dormir. E conseguem fazê-lo sem acidentes porque “não dormem de forma contínua”.

À noite, “sobem a altitudes que podem chegar aos 2000 metros, aproveitando massas de ar quente”, e dessa forma ficam a salvo de chocar contra telhados, fachadas de prédios e outras estruturas. “Fazem movimentos de batimentos de asas de quatro segundos aos quais se seguem períodos de repouso de três segundos, que funcionam como um período de descanso intermitente”.

Tudo isto acontece enquanto continuam a voar a cerca de 20 km/h, sempre embalados pelas correntes de ar. E como descansam à noite em altitudes elevadas, os predadores – como corujas e falcões – têm dificuldade em caçá-los.

A verdade é que o corpo destas aves insectívoras está especialmente adaptado para o voo. “Toda a silhueta parece um arco com uma flecha. A cabeça fica bem escondida entre os ombros, as asas têm forma de foice e o corpo parece um torpedo.” É assim que atingem velocidades de 100 km/h, sendo considerados as aves mais rápidas do mundo em voo contínuo.

E é em pleno voo que caçam, normalmente a velocidades mais moderadas para escolherem os alimentos preferidos. “Com a sua enorme boca conseguem caçar mais de quinhentas espécies diferentes de insectos de diversos tamanhos e formas, e até aranhas em teias suspensas no ar.”

É também assim que recolhem materiais para os ninhos, aproveitando tudo o que apanham, como ervas secas e penas, que depois misturam com saliva. E é no ar que muitas vezes acasalam e realizam todas as outras tarefas, como a limpeza das penas ou beber água – o que fazem “em voos rasantes a rios e lagoas.”

Pousam apenas para se abrigarem de chuvas fortes e tempestades prolongadas, abrigando-se nos ninhos ou noutros abrigos, mas só aguentam sem comer um máximo de três a quatro dias. Outra pausa no voo acontece quando cuidam das crias que já nasceram. Nos primeiros 10 a 15 dias de vida daquelas, “um dos adultos, ou até os dois, ficam no ninho durante a noite.”

Os pequenos andorinhões vão permanecer abrigados quase um mês e meio. Depois, logo na primeira vez que levantam voo, “ficam de imediato independentes dos pais e nunca irão regressar ao ninho, começando a migração para África quase de imediato.” Durante pelo menos dois anos, vão continuar a voar, fazendo um total de 50.000 km sem pausas.

“Se considerarmos que a esperança de vida de um andorinhão pode chegar aos 21 anos – normalmente vivem apenas quatro a seis anos – percorrem distâncias que dariam para ir e vir à Lua várias vezes.”
Fonte

Perdeu tudo: Musk não é mais trilionário após ações da SpaceX caírem

Menos de duas semanas depois da estreia da SpaceX na Bolsa de Nova Iorque, as ações da empresa afundaram, numa altura em que os mercados recuam nas grandes tecnológicas. Elon Musk viu 350 mil milhões de dólares, cerca de 306 mil milhões de euros, desaparecerem do seu património líquido.

As ações da SpaceX dispararam depois da Oferta Pública Inicial de 12 de junho, subindo de um preço de abertura de 150 dólares para um máximo histórico ligeiramente acima dos 225 dólares — o que levou a capitalização bolsista da empresa a aproximar-se dos 3 biliões de dólares, e tornou Elon Musk o primeiro trilionário da História.

Segundo análise da ONG humanitária Oxfam, ele será mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial juntos, cerca de 3,8 bilhões de pessoas.

Se Musk gastasse 1 milhão de dólares por dia, levaria 2.740 anos para gastar 1 trilhão de dólares, supondo que esse valor não rendesse nenhum juro.

"Essa concentração extrema de riqueza é sintomática de décadas de políticas pró-bilionários que lhes permitiram ditar as regras econômicas a seu favor", afirmou a Oxfam em nota.

Nabil Ahmed, diretor sénior de justiça económica da Oxfam América, disse que a ascensão do magnata ao status de trilionário "é um novo marco para a oligarquia e um dia sombrio para a democracia".

Mas, nos dias seguintes, muitos investidores começaram a perder confiança, dissipando centenas de milhares de milhões de dólares em valor à medida que as ações desciam - primeiro lentamente, depois com uma aceleração cada vez mais acentuada.

Só na segunda-feira, as ações afundaram quase 17%, o pior desempenho diário da empresa até à data, nota o Futurism.

Na manhã de terça-feira, a viagem inaugural de 11 dias da SpaceX em bolsa ficava simbolicamente encerrada com as ações a caírem abaixo do preço de abertura, atingindo um mínimo histórico pouco acima dos 147 dólares.

Por outras palavras, a SpaceX perdeu oficialmente todos os ganhos registados desde a entrada em bolsa. Mais tarde, as ações recuperaram para valores intermédios da casa dos 150 dólares, um nível que teria sido impensável apenas alguns dias antes.

Com a queda das ações da SpaceX, 350 mil milhões de dólares desapareceram do património líquido de Elon Musk — que a Forbes estima que tenha atingido, após a OPI e a valorização inicial, os 1,4 biliões de dólares.

Saber mais:

Análise
A recente queda da SpaceX, que perdeu mais de 600 mil milhões de dólares em valor de mercado num espaço de três dias, representa um evento de proporções históricas que cruza a volatilidade financeira com a alta geopolítica. Apesar do impacto numérico impressionante, que equivale à economia inteira de vários países, a empresa ainda retém uma capitalização superior a dois biliões de dólares, mantendo-se acima do preço da sua recente OPI. Para compreender este fenómeno, é necessário analisar o cenário através de duas lentes interligadas: a económica e a política.

Do ponto de vista económico, este recuo acentuado reflete uma forte correção de mercado após a euforia inicial da OPI. Um dos principais fatores técnicos para esta oscilação foi a baixa flutuação de ações no mercado, uma vez que apenas uma pequena percentagem do capital total da empresa foi disponibilizada para negociação pública. Quando a oferta é muito reduzida e a procura por parte de pequenos investidores é maciça, o preço sobe de forma artificialmente rápida, mas o reverso da medalha é que qualquer movimento de venda em massa faz o valor desabar com o mesmo impacto. Além disso, o grande gatilho para a desconfiança dos investidores foi o anúncio de que a SpaceX irá emitir títulos de dívida para angariar pelo menos 20 mil milhões de dólares, com o objetivo de refinanciar empréstimos de curto prazo associados à aquisição e integração da xAI, a empresa de inteligência artificial de Elon Musk. Como a SpaceX passou a ser avaliada também como um conglomerado de inteligência artificial, a empresa acabou por ser severamente castigada pelo ceticismo geral que atualmente afeta o setor tecnológico global, onde persistem receios de uma bolha tecnológica e de potenciais subidas de juros.

No plano político, o tombo financeiro ganha contornos ainda mais complexos devido ao papel estratégico que a SpaceX desempenha na infraestrutura de segurança e exploração espacial dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, esta perda afetou diretamente a fortuna pessoal de Elon Musk, retirando-lhe o estatuto temporário de trilionário, o que tem impacto na sua capacidade de autofinanciamento e na sua influência geopolítica direta, frequentemente exercida através de tecnologias como a rede Starlink. Em segundo lugar, o governo norte-americano, através da NASA e do Pentágono, depende quase exclusivamente da SpaceX para missões críticas de Defesa e exploração espacial. Uma volatilidade financeira desta magnitude numa empresa que detém um monopólio de infraestrutura vital gera apreensão em Washington, levantando dúvidas sobre se o endividamento para financiar projetos de inteligência artificial poderá, a longo prazo, desviar o foco dos programas espaciais essenciais. Por fim, ao misturar a atividade aeroespacial fortemente regulada com investimentos de alto risco em inteligência artificial, Musk atrai um escrutínio redobrado por parte de reguladores e opositores políticos, que questionam a enorme concentração de contratos estatais nas mãos de uma entidade privada exposta a tanta volatilidade. Em suma, esta perda bilionária não sinaliza a falência da SpaceX, mas sim um ajuste drástico de expectativas que prova como as finanças privadas, a inteligência artificial e a segurança nacional estão hoje indissociavelmente ligadas.