Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
segunda-feira, 18 de maio de 2026
The Sisters of Mercy - Heartland (American Remix) 2020
Combinação de fenómenos climáticos extremos pode obrigar a rever metas de emissões de carbono
Eventos climáticos extremos que ocorrem em simultâneo – como chuvas intensas acompanhadas por ondas de calor ou secas associadas a temperaturas extremas – poderão tornar-se muito mais frequentes nas próximas décadas se as emissões de carbono continuarem a aumentar. O alerta surge num novo estudo internacional publicado na revista científica Nature.
A investigação conclui que os atuais limites globais de emissões de dióxido de carbono (CO2) definidos para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C e 2 °C poderão ser insuficientes para evitar os impactos mais graves das chamadas “combinações de extremos climáticos”.
Os cientistas utilizaram modelos climáticos e simulações para calcular a frequência futura de fenómenos compostos, como eventos simultaneamente quentes e húmidos ou períodos de seca acompanhados por calor extremo, em função das emissões acumuladas de CO2.
Segundo o estudo, os eventos compostos mais comuns tendem a aumentar de forma linear à medida que as emissões sobem. Já os fenómenos mais raros e severos deverão intensificar-se de forma muito mais rápida.
Os investigadores Yao Zhang e Zhaoli Wang concluíram que estes eventos extremos poderão ocorrer entre 37% e 75% mais frequentemente do que o previsto pelos modelos climáticos atualmente utilizados.
De acordo com os autores, isto significa que os chamados “orçamentos de carbono” – a quantidade máxima de CO2 que a humanidade ainda pode emitir sem ultrapassar determinados limites de aquecimento global – poderão ter de ser reduzidos significativamente.
Os cientistas defendem que os modelos atuais avaliam sobretudo a relação entre emissões e aumento médio da temperatura global, mas não captam totalmente os impactos sociais e ecológicos provocados pela combinação simultânea de fenómenos extremos.
“Eventos compostos, como calor extremo e inundações ao mesmo tempo, representam riscos particularmente elevados para sociedades e ecossistemas”, sublinham os autores.
O estudo propõe ainda uma nova métrica para integrar estes fenómenos nas futuras negociações climáticas e na definição de políticas ambientais mais abrangentes.
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domingo, 17 de maio de 2026
Chegou a hora de uma revolução populista?
Portugal em risco de falhar metas climáticas - associação Zero
A associação ambientalista Zero alertou ontem que Portugal poderá falhar as metas climáticas de 2030, após ter reduzido em apenas 3% as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) em 2024.
A propósito dos dados oficiais das emissões de GEE em 2024, a associação diz em comunicado que a redução assenta na eletricidade renovável e em fatores conjunturais (como a chuva), enquanto os transportes representam 35% do total de emissões.
Sem mudanças profundas nos transportes, Portugal pode não cumprir metas, avisa a Zero, que destaca que o inventário de GEE confirma progressos relevantes, mas também “evidencia fragilidades estruturais profundas”, tanto no setor dos transportes como “na ausência de uma governação climática robusta e coerente enquadrada na Lei de Bases do Clima” (LBC).
Segundo os dados, que cobrem o período 1990-2024, Portugal emitiu 51,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono-equivalente (MtCO₂e) em 2024 (excluindo o setor do uso dos solos, alteração do uso do solo e florestas), menos 3% do que em 2023 e cerca de 40% abaixo de 2005.
Confirma-se uma tendência de redução começada em 2005, associada ao fim dos combustíveis mais poluentes, ao aumento da eficiência energética e à expansão das energias renováveis. Em 2024 a produção elétrica renovável aumentou cerca de 18%.
“O setor da energia representa 65,6% das emissões nacionais, sendo que os transportes continuam a ser o principal foco de pressão, com 35,2% do total”, refere a Zero.
Desde 2013 há uma tendência de crescimento ou estagnação do consumo de gasóleo e gasolina, com 2024 a registar uma estabilização.
Mas a Zero nota que os dados mais recentes indicam uma inversão preocupante: em 2025 o consumo voltou a crescer cerca de 0,9%, e no primeiro trimestre deste ano há um aumento ainda mais expressivo, da ordem dos 2,5% face ao período homólogo.
E aponta culpados: A sistemática incapacidade do Governo e da Assembleia da República para implementar políticas públicas robustas neste domínio, o que agrava riscos económicos e impactos ambientais e na saúde pública.
Outras leituras dos dados sobre 2024 indicam que a combustão na indústria, que representa cerca de 10% das emissões, tem vindo a reduzir o seu peso, e na agricultura, responsável por 13,5%, há estabilidade.
Nos resíduos, com 11% das emissões, não tem havido descida. Os gases fluorados, que representam cerca de 4% das emissões totais, registaram um aumento muito significativo desde 1995.
A Zero insiste que, para cumprir o objetivo do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) de reduzir as emissões em 55% até 2030 face a 2005, Portugal terá de passar dos atuais 51,5 milhões de toneladas para cerca de 38,7 milhões em 2030, o que significa um corte de quase 13 milhões de toneladas em apenas seis anos.
Será necessário, enfatiza, “uma aceleração estrutural das políticas climáticas, em particular nos setores mais emissores, como os transportes”.
É imperativo, considera, cumprir integralmente a LBC, orientar o processo de reindustrialização para uma estratégia industrial verde e, no setor dos transportes, é urgente acelerar a eletrificação dos veículos de uso intensivo, reforçar o investimento no transporte público e na ferrovia, e implementar soluções de mobilidade que reduzam estruturalmente a dependência do automóvel individual.
Mensagem do Papa Leao XIV por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais
O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro. Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto” (prósopon), que etimologicamente indica o que está diante do olhar, o lugar da presença e da relação. Por sua vez, o termo latino persona (de per-sonare) inclui o som: não um som qualquer, mas a voz inconfundível de alguém.
Rosto e voz são sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu. Uma Palavra que, ao longo dos séculos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra – esta comunicação que Deus faz de si mesmo – pudemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus.
Desde o momento da criação, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse São Gregório de Nissa, [1] imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade através do amor. Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.
A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preservação, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas.
O desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos.
Não renunciar ao próprio pensamento
Há muito tempo que existem múltiplas evidências de que os algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – rentável para as plataformas – recompensam as emoções rápidas e, ao contrário, penalizam as expressões humanas que requerem mais tempo, como o esforço para compreender e a reflexão. Ao encerrar grupos de pessoas em bolhas de fácil consenso e indignação, estes algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social.
Veio somar-se a isto uma confiança ingenuamente acrítica na inteligência artificial como “amiga” omnisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, “oráculo” de todos os conselhos. Tudo isto pode enfraquecer ulteriormente a nossa capacidade de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica.
Embora a IA possa dar apoio e assistência na gestão de tarefas comunicativas, ao abstermo-nos do esforço do próprio pensamento, contentando-nos com uma compilação estatística artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas.
Nos últimos anos, os sistemas de inteligência artificial estão a assumir cada vez mais o controlo da produção de textos, música e vídeos. Grande parte da indústria criativa humana corre o risco de ser destruída e substituída pela etiqueta “Powered by AI”, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anónimos, sem autoria nem amor. Ao mesmo tempo, as obras-primas do génio humano no âmbito da música, da arte e da literatura vão sendo reduzidas a um mero campo de treino para as máquinas.
No entanto, a questão que realmente nos interessa não é o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que nós podemos e poderíamos fazer, crescendo em humanidade e conhecimento, com uma inteligente utilização de ferramentas tão poderosas ao nosso serviço. Desde sempre, o ser humano tem sido tentado a apropriar-se do fruto do conhecimento sem o esforço do envolvimento, da pesquisa e da responsabilidade pessoal. Contudo, renunciar ao processo criativo e entregar às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.
Ser ou fingir: simulação de relações e da realidade
À medida que navegamos pelos nossos fluxos de informação (feeds), torna-se cada vez mais difícil compreender se estamos a interagir com outros seres humanos ou com “bots” ou influenciadores virtuais. As intervenções não transparentes destes agentes automatizados influenciam os debates públicos e as escolhas das pessoas. Especialmente os chatbots, baseados em grandes modelos linguísticos (LLM), estão a revelar-se surpreendentemente eficazes na persuasão oculta, através de uma contínua otimização da interação personalizada. A estrutura dialógica e adaptativa, mimética, destes modelos linguísticos é capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma relação. Esta antropomorfização, que pode até ser divertida, é ao mesmo tempo enganadora, especialmente para as pessoas mais vulneráveis. Porque os chatbots tornados excessivamente “afetuosos”, além de estarem sempre presentes e disponíveis, podem tornar-se arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desta forma, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas.
A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não só ter consequências dolorosas para o destino dos indivíduos, mas também prejudicar o tecido social, cultural e político das sociedades. Isso acontece quando substituímos as relações com os outros pelas relações com a IA treinada para catalogar os nossos pensamentos e, portanto, construir à nossa volta um mundo de espelhos, onde tudo é feito “à nossa imagem e semelhança”. Desta forma, deixamo-nos roubar a possibilidade de encontrar o outro, que é sempre diferente de nós e com o qual podemos e devemos aprender a confrontar-nos. Sem aceitar a alteridade, não pode haver nem relação nem amizade.
Outro grande desafio que estes sistemas emergentes colocam é o da distorção (bias, em inglês), que leva a adquirir e transmitir uma perceção alterada da realidade. Os modelos de IA estão moldados pela visão do mundo de quem os constrói e podem, por sua vez, impor modos de pensar, replicando estereótipos e preconceitos presentes nos dados a que acedem. A falta de transparência na construção dos algoritmos, a par da inadequada representação social dos dados tendem a manter-nos presos em redes que manipulam os nossos pensamentos, perpetuando e aprofundando as desigualdades e injustiças sociais existentes.
O risco é grande! O poder da simulação é tal que a IA pode também iludir-nos com a construção de “realidades” paralelas, apropriando-se dos nossos rostos e das nossas vozes. Estamos imersos numa multidimensionalidade, onde se torna cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção.
A isto acrescenta-se o problema da falta de precisão. Os sistemas que apresentam como conhecimento uma probabilidade estatística, na realidade, oferecem-nos, quando muito, aproximações da verdade, que por vezes são verdadeiras “alucinações”. A falta de verificação das fontes, com a crise do jornalismo no terreno, que implica um trabalho contínuo de recolha e verificação de informações nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais fértil para a desinformação, provocando uma crescente sensação de desconfiança, desorientação e insegurança.
Uma possível aliança
Por trás desta enorme força invisível que a todos envolve, está apenas um pequeno grupo de empresas, cujos fundadores foram recentemente apresentados como os criadores da “pessoa do ano de 2025”, ou seja, os arquitetos da inteligência artificial. Isto suscita uma preocupação importante em relação ao controlo oligopolístico dos sistemas algorítmicos e de inteligência artificial capazes de orientar subtilmente os comportamentos e até mesmo de reescrever a história da humanidade – incluindo a história da Igreja –, muitas vezes sem que possamos ter real consciência disso.
O desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la, estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas.
Esta aliança é possível, mas tem de se basear em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.
Em primeiro lugar, a responsabilidade. Ela pode ser definida, consoante as funções, como honestidade, transparência, coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado. Porém, em geral, ninguém pode fugir à sua responsabilidade diante do futuro que estamos a construir.
Para quem está no comando das plataformas on-line, isso significa garantir que as próprias estratégias empresariais não sejam norteadas pelo exclusivo critério da maximização do lucro, mas por uma visão clarividente que tenha em conta o bem comum, da mesma forma que cada um deles se preocupa com o bem-estar dos seus filhos.
Aos criadores e desenvolvedores de modelos de IA, é exigida transparência e responsabilidade social em relação aos princípios de criação de projetos e aos sistemas de moderação que estão na base dos seus algoritmos e dos modelos desenvolvidos, de modo a permitir um consentimento esclarecido aos utilizadores.
Igual responsabilidade é pedida aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm a função de zelar pelo respeito da dignidade humana. Uma adequada regulamentação pode proteger as pessoas duma ligação afetiva com os chatbots e conter a disseminação de conteúdos falsos, manipuladores ou deturpados, preservando a integridade da informação face à sua simulação enganosa.
Por sua vez, as empresas dos mass media e da comunicação não podem permitir que algoritmos orientados para vencer a qualquer custo a batalha por alguns segundos de atenção a mais prevaleçam sobre a fidelidade aos seus valores profissionais, voltados para a busca da verdade. A confiança do público conquista-se com a precisão e a transparência, não com a corrida por uma participação qualquer. Os conteúdos gerados ou manipulados pela IA devem ser sinalizados e claramente distinguidos dos conteúdos criados por pessoas. A autoria e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e outros criadores de conteúdo devem ser protegidas. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e num elevado padrão de qualidade.
Todos somos chamados a cooperar. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável.
O objetivo da educação é este: aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável.
Precisamente por isso, cada vez mais, é urgente introduzir também, em todos os níveis dos sistemas educativos, a literacia para os meios de comunicação social, a informação e a IA, que algumas instituições civis já estão a promover. Como católicos, podemos e devemos dar o nosso contributo, para que as pessoas – especialmente os jovens – adquiram a capacidade de pensamento crítico e cresçam na liberdade do espírito. Esta literacia deveria ainda ser integrada em iniciativas mais amplas de educação permanente, alcançando igualmente os idosos e os membros marginalizados da sociedade, que muitas vezes se sentem excluídos e impotentes perante as rápidas mudanças tecnológicas.
A literacia para os meios de comunicação, a informação e a IA ajudará todos a não se adaptarem à tendência de antropomorfização destes sistemas, mas a tratá-los como ferramentas, a recorrer sempre a uma validação externa das fontes – que podem ser imprecisas ou erradas – fornecidas pelos sistemas de IA, a proteger a própria privacidade e os próprios dados, conhecendo os parâmetros de segurança e as opções de reclamação. É importante educar e educar-se para utilizar a IA de forma intencional e, neste contexto, proteger a própria imagem (fotos e áudio), o próprio rosto e a própria voz, para evitar que sejam utilizados na criação de conteúdos e comportamentos prejudiciais, como fraudes digitais, ciberbullying, deepfake, que violam a privacidade e a intimidade das pessoas sem o seu consentimento. Assim como a revolução industrial exigiu uma alfabetização mínima para permitir que as pessoas reagissem às novidades, também a revolução digital exige uma literacia digital (com uma formação humanística e cultural) para compreender como os algoritmos moldam a nossa perceção da realidade, como funcionam os preconceitos da IA, quais são os mecanismos que determinam o aparecimento de determinados conteúdos nos nossos fluxos de informação (feeds), quais são e como podem mudar os pressupostos e modelos económicos da economia da IA.
É necessário que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa. É necessário preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a inovação tecnológica.
Ao propor estas reflexões, agradeço a todos aqueles que estão a trabalhar para os objetivos aqui apresentados e, de coração, abençoo quantos trabalham para o bem comum através dos meios de comunicação.
Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2026.
LEÃO XIV PP.
[1] «Ter sido criado à imagem de Deus significa que foi impresso no homem, desde o momento da sua criação, um carácter régio [...]. Deus é amor e fonte de amor: o divino Criador também colocou esta característica no nosso rosto, para que, através do amor – reflexo do amor divino –, o ser humano reconheça e manifeste a dignidade da sua natureza e a semelhança com o seu Criador» (cf. São Gregório de Nissa, A criação do homem: PG 44, 137).
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Estudo mostra que notícias falsas estão no DNA da extrema‑direita
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| Cimeira da extrema-direita europeia em Madrid (2025) |
O estudo “Quando os partidos mentem? Desinformação e populismo da direita radical em 26 países”, publicado na revista científica The International Journal of Press/Politics, revela que extrema-direita é significativamente muito mais propensa a disseminar notícias falsas nas redes sociais do que qualquer outro campo político.
Os cientistas holandeses dedicaram-se ao estudo das publicações feitas entre 2017 e 2022 na rede social X por todos os parlamentares de 26 países. Nestes se incluem 17 membros da União Europeia, mas não Portugal, para além de países como os EUA, o Reino Unido e a Austrália. Um total de 8.198 deputados ou equivalentes e 32 milhões de publicações. As ligações a páginas partilhadas pelos deputados, cerca de 18 milhões, foram depois comparadas com as páginas utilizadas por serviços de “fact-checking”, a verificação de factos, e de monitorização de notícias falsas, analisando a fiabilidade das fontes. Os dados mostram que a extrema-direita é “o determinante mais forte para a propensão a espalhar desinformação”, sendo que deputados dos outros campos políticos, da direita até à esquerda mais radical “não estão ligados” a esta prática.
A conclusão, portanto, é que “a desinformação política deve ser entendida como parte integrante da atual onda de populismo radical de direita e da sua oposição à instituição democrática liberal”.
Afastada fica a teoria de que a desinformação era parte de uma prática política “anti-elitista” identificada como “populismo” já que partidos e parlamentares de esquerda que tinham sido como tal identificados não se dedicam à disseminação de mentiras.
Outra das ideias que se podem retirar da investigação é a “relação simbiótica” entre extrema-direita e uma constelação de meios de comunicação social ditos “alternativos” que têm servido precisamente para fortalecer este tipo de mensagens ideológicas baseadas na exclusão e na hostilidade para com as instituições democráticas.
Um dos co-autores do estudo, Petter Törnberg, da Universidade de Amesterdão, sintetiza que “os populistas da direita radical estão a utilizar a desinformação como ferramenta para desestabilizar as democracias e ganhar vantagem política”. Ele defende que é “urgente que decisores políticos, investigadores e público compreendam e lidam com as dinâmicas interligadas da desinformação e do populismo de direita radical”.
UNYOKE - Falling
Unyoke is a verb that means to free an animal from a harness or yoke. Metaphorically, it refers to disconnecting, liberating oneself from oppression, or taking a much-needed break from labor. [1, 2]
The term is often used in several specific contexts:
1. Linguistic Meaning
Literal: To remove the wooden crosspiece (yoke) connecting two draft animals (like oxen) so they can rest.
Figurative: To separate or break a connection. For example, "to unyoke political power from religious authority." [1, 2, 3]
Adjective: Old form(s): vnyoak'd. unbridled, unrestrained, rampant [4]
2. The Unyoke Foundation
It is the name of an international organization dedicated to running reflective retreats and peacebuilding processes for international change-makers and activists. It functions as a "creative pause" for those working in intense, conflict-heavy environments. [1]
4.
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sábado, 16 de maio de 2026
A Mercantilização da Vida: Onde a Poesia de Zeca Afonso Enfrenta a Frieza do "Trabalho XXI"
Vamos rebentar o Pacote Laboral do Luís?
Luís Montenegro chama-lhe reforma laboral, modernização do mercado de trabalho, adaptação aos novos tempos e reforço da competitividade das empresas. As palavras mudam conforme o governo, mas a lógica mantém-se sempre igual: retirar direitos a quem trabalha para aumentar a margem de manobra de quem manda. E é importante perceber isto com clareza, porque muitos destes pacotes laborais são apresentados de forma técnica, confusa e quase burocrática, precisamente para que a maioria das pessoas não compreenda imediatamente o impacto real que terão na sua vida quotidiana.
O problema começa logo na própria ideia de “flexibilidade”. Quando um governo fala em flexibilizar horários, facilitar mecanismos de gestão ou adaptar relações laborais às necessidades das empresas, quase nunca está a falar de melhorar a vida do trabalhador. Está a falar de dar ao patrão mais poder para alterar horários, reorganizar turnos, exigir disponibilidade constante e gerir os trabalhadores como peças ajustáveis de uma máquina.
Na prática, isto significa uma vida mais instável. Significa pessoas que deixam de conseguir organizar a semana, marcar consultas, acompanhar os filhos, planear fins de semana ou simplesmente descansar sem ansiedade. Hoje já existem milhares de trabalhadores que vivem permanentemente agarrados ao telemóvel à espera de alterações de turno, chamadas de última hora ou pedidos “urgentes” da empresa. O que este pacote faz é normalizar essa realidade e transformá-la num modelo de funcionamento quase permanente.
E há aqui uma dimensão humana que raramente aparece nos debates televisivos. Um trabalhador não é apenas força de produção. Não é um recurso humano, como gostam agora de dizer. É uma pessoa com corpo, desgaste físico, vida familiar, problemas pessoais, necessidade de descanso e limites emocionais. Quando o trabalho invade tudo, quando a pessoa deixa de conseguir separar vida profissional de vida pessoal, começa um processo lento de destruição psicológica que depois aparece disfarçado em palavras modernas como "burnout", ansiedade crónica ou fadiga emocional. Antigamente chamava-se simplesmente: esgotamento.
Outro aspecto profundamente perigoso deste pacote é a facilitação da precariedade. Contratos mais frágeis, períodos experimentais mais longos, despedimentos indirectamente simplificados e mecanismos que tornam mais fácil substituir trabalhadores permanentes por vínculos temporários criam uma sociedade assente no medo. E o medo é uma das ferramentas mais eficazes de controlo laboral.
Um trabalhador precário raramente reclama.
Aceita mais abusos, faz mais horas, tolera humilhações, evita conflitos e cala injustiças porque sabe que pode ser substituído rapidamente. Quando alguém vive com receio constante de perder o emprego, deixa de negociar condições, passa apenas a tentar sobreviver. É precisamente isso que interessa a muitos sectores patronais: mão-de-obra cansada, insegura e facilmente descartável.
Fala-se muito da necessidade de aumentar a produtividade, mas raramente se diz uma verdade simples: nenhum país constrói prosperidade sustentável à custa de salários baixos e insegurança permanente. Portugal é talvez o melhor exemplo disso. Tivemos décadas de “flexibilidade laboral”, salários comprimidos e precariedade massiva. O resultado não foi uma economia altamente desenvolvida. Foi uma geração inteira obrigada a emigrar, trabalhadores qualificados a ganhar perto do salário mínimo e milhares de pessoas empregadas em full-time que continuam pobres.
Depois existe uma questão central que quase nunca é explicada devidamente à população: o enfraquecimento da contratação colectiva e dos sindicatos. Quando se atacam mecanismos colectivos de negociação, o trabalhador fica isolado perante a empresa. E essa relação nunca é equilibrada. Nunca foi.
Uma empresa possui departamentos jurídicos, recursos financeiros, poder hierárquico e capacidade para pressionar. O trabalhador tem contas para pagar ao fim do mês. É por isso que os direitos laborais nasceram da luta colectiva e não da generosidade patronal. O descanso semanal, as férias pagas, o limite de horas de trabalho, a licença de maternidade, os subsídios e as indemnizações não apareceram porque os patrões decidiram ser bondosos. Foram conquistados com greves, repressão, despedimentos e décadas de conflito social.
Sempre que um governo tenta enfraquecer essa capacidade colectiva de resistência, está objectivamente a transferir poder para o lado empresarial. E quando o equilíbrio desaparece, os abusos aumentam inevitavelmente. Não por maldade individual deste ou daquele patrão, mas porque o próprio sistema funciona assim.
Se houver possibilidade de reduzir despesa à custa do trabalhador, grande parte das empresas acabará por fazê-lo para sobreviver à concorrência.
Há ainda outro problema profundamente grave que raramente entra no debate: a destruição lenta da própria ideia de estabilidade de vida. Durante décadas, trabalhar significava, pelo menos teoricamente, conseguir construir alguma segurança. Ter uma casa, formar família, fazer planos a médio prazo, acreditar minimamente no futuro. Hoje, cada vez mais trabalhadores vivem numa espécie de suspensão permanente. Não sabem quanto tempo ficarão empregados, não conseguem prever rendimentos, não conseguem planear a vida e vivem constantemente entre recibos, contratos curtos, avaliações de desempenho e medo de cortes.
Uma sociedade assim torna-se inevitavelmente mais ansiosa, mais individualista e mais frágil.
As pessoas deixam de participar civicamente, deixam de ter energia psicológica para contestar injustiças e acabam reduzidas a uma rotina de sobrevivência. Trabalham mais horas, vivem pior e sentem-se permanentemente culpadas por não conseguirem acompanhar tudo.
O mais perverso é que tudo isto é apresentado como inevitável, como se fosse uma lei da natureza. Dizem-nos que “o mercado exige”, que “a economia obriga”, que “a competitividade internacional impõe sacrifícios”. Mas não há nada de inevitável aqui. São escolhas políticas muito concretas. Escolhe-se proteger lucros ou proteger trabalhadores. Escolhe-se distribuir riqueza ou concentrá-la. Escolhe-se tratar o trabalho humano como parte digna da vida colectiva ou como mero instrumento de rentabilidade.
E aquilo que este tipo de pacote revela, no fundo, é uma visão muito clara da sociedade, uma visão onde quem trabalha deve estar permanentemente disponível, agradecido por ter emprego e disposto a sacrificar descanso, estabilidade e saúde mental em nome de uma produtividade que quase nunca beneficia verdadeiramente quem produz a riqueza.
É precisamente por isso que a Greve Geral de 3 de Junho é tão importante!
Porque chega um momento em que continuar calado deixa de ser prudência e passa a ser rendição. Quem hoje acha que isto não afectará directamente a sua vida acabará mais cedo ou mais tarde por sentir na pele horários mais desumanos, maior insegurança, mais pressão e menos qualidade de vida. Os direitos laborais nunca foram oferecidos, foram conquistados, e cada vez que os trabalhadores desistem de os defender, o poder económico avança mais um passo sobre aquilo que resta da sua dignidade.
No dia 3 de Junho, estar presente não é apenas um acto político. É um acto de defesa própria!
Kalandra - Everything In Its Right Place
Flyt medstraums (4X)
Her i går, eg kava - sta imot ein storm
Her i går, eg kava - sta imot ein storm
Eg stod imot stride straumar utan form
Eg, eg kava sta imot ein storm
Alt eg er (3X)
Flyt motstraums (4X)
Alt eg ser er berre svart og kvitt (2X)
Men kva, kva freistar eg å nå?
Det, det er vonlaust å få sjå
Å få sjå (4X)
Kalandra é uma banda norueguesa-sueca que se define por um estilo folk-rock nórdico cinematográfico, misturando melodias etéreas com instrumentação grandiosa e expansiva. Na sua interpretação de "Everything In Its Right Place", o grupo transforma o clássico eletrónico dos Radiohead numa peça orgânica e mística, caracterizada pelas texturas atmosféricas e pelos poderosos vocais de Katrine Stenbekk, que evocam uma sensação de natureza selvagem e isolamento ancestral.
O significado da música, originalmente escrita por Thom Yorke, centra-se na dissociação mental e na tentativa desesperada de encontrar ordem dentro do caos. A letra minimalista e a famosa metáfora de "acordar a chupar um limão" sugerem um estado de amargura ou um colapso sensorial, onde repetir que tudo está no seu devido lugar funciona como um mantra para manter a sanidade mental. Enquanto a versão original parece claustrofóbica e tecnológica, Kalandra dá à faixa um tom de melancolia ancestral, transformando a sensação de alienação urbana numa aceitação profunda e sombria do destino.
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sexta-feira, 15 de maio de 2026
Biofilia- O Cordão Vital que Esquecemos de Cortar
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| Cartaxo-comum ( (Saxicola rubicola)- macho |
A nossa existência não é um fenómeno isolado, mas sim um capítulo indissociável da narrativa biológica da Terra. O ser humano, por mais que se cerque de betão e silício, carrega no seu ADN uma herança ancestral que clama pela proximidade com o mundo natural. Esta interdependência é capturada pelo conceito de biofilia - a nossa tendência inata para procurar ligações com a natureza e outras formas de vida. Como afirmou o biólogo Edward O. Wilson, o proeminente impulsionador deste conceito:
"A nossa existência depende desta propensão, o nosso espírito tece-se a partir dela, e a esperança nela reside."
Não se trata de um capricho estético ou de uma nostalgia romântica pelo campo; a biofilia é, em última análise, uma estratégia de sobrevivência. Num mundo que idolatra o betão, a luta pelo domínio dos recursos não renováveis e agora a Inteligência Artificial, insistir na nossa interdependência com o mundo natural é frequentemente ridicularizado como um delírio utópico ou um radicalismo fora de horas. No entanto, o verdadeiro irrealismo reside na crença de que podemos prosperar enquanto cortamos os laços com o sistema que nos mantém vivos. Como Edward O. Wilson alertou, a nossa essência está tecida na biodiversidade. Ignorar este vínculo não é apenas um erro filosófico, é um passo em direção à extinção.
Quando rotulamos de "radical" quem defende a integração da natureza nas cidades ou a prioridade dos ecossistemas sobre o lucro imediato, estamos a sofrer de uma miopia civilizacional. A biofilia relembra-nos que o impacto ambiental não é um "problema lá fora", mas uma ferida no nosso próprio corpo coletivo. Negar esta ligação é como tentar viver num vácuo: podemos ignorar as leis da biologia por algum tempo, mas a conta acaba sempre por chegar. O vínculo essencial com a Terra não é uma escolha ideológica; é a nossa única apólice de seguro.
A metáfora do "cordão umbilical" é fascinante porque, ao contrário de um nascimento biológico onde o corte simboliza a conquista da independência, na biofilia, o corte simboliza a interrupção do fluxo vital. Se cortarmos essa conexão, não nos tornamos independentes da natureza; tornamo-nos biológica e psicologicamente órfãos de um sistema do qual somos apenas uma engrenagem, o que torna a ideia de "cortar o cordão" não uma evolução, mas um erro de cálculo fatal.
O ser humano moderno comporta-se como um adolescente que declara independência dos pais, mas continua a usar o cartão de crédito e a comer a comida deles. O nosso "cartão de crédito" são os recursos finitos do planeta. Não se trata de um luxo ou de um passatempo de fim de semana, mas sim de um imperativo evolutivo. Se essa ligação for definitivamente rompida, enfrentamos uma degenerescência em várias frentes. Psicologicamente, a humanidade já sofre daquilo que os investigadores chamam de "Perturbação de Défice de Natureza", onde a desconexão gera picos de ansiedade e um isolamento existencial que nenhum algoritmo consegue mitigar. Fisicamente, a nossa sobrevivência depende de serviços ecossistémicos que não controlamos, como a polinização e os ciclos de purificação da água. Cortar o cordão seria, na prática, desligar as máquinas que sustentam a nossa sobrevivência no planeta.
Muitas vezes, a civilização moderna age como se o progresso fosse o ato de superar a natureza, mas essa é uma antítese falsa. A verdadeira resiliência da nossa espécie depende da nossa capacidade de integração e não do isolamento em ambientes puramente sintéticos. Tentar viver inteiramente fora da biofilia seria como tentar manter um peixe vivo num copo de leite: a estrutura física está lá, mas o meio é incompatível com a essência da vida. Portanto, a biofilia não é um laço que nos prende ao passado, mas sim a rede de segurança que nos permite ter um futuro. Se a cortarmos, não estaremos a nascer para uma nova era, estaremos a assinar a nossa própria extinção.
Referências bibliográficas
Foco: Fenomenologia e Ecopsicologia. Explora como a linguagem e a abstração tecnológica nos desligaram dos sentidos e da perceção direta do mundo vivo.
2.Fromm, Erich (1973). The Anatomy of Human Destructiveness.
Foco: Psicanálise e Ética. Introduz a biofilia como uma orientação psicológica de amor à vida, opondo-a à necrofilia (fascínio pelo mecânico, inorgânico e pela destruição).
3.Kaplan, Stephen (1995). The restorative benefits of nature: Toward an integrative framework. Journal of Environmental Psychology.
Foco: Psicologia Cognitiva. Desenvolve a Teoria da Restauração da Atenção, provando que o contacto com a natureza é essencial para recuperar a fadiga mental causada por ambientes urbanos.
4. Kellert, Stephen R. & Heerwagen, Judith (2008). Biophilic Design: The Theory, Science, and Practice of Bringing Buildings to Life.
Foco: Arquitetura e Urbanismo. Estabelece as bases práticas para reintegrar a natureza nas construções modernas, tentando "curar" a separação entre o betão e a vida.
5. Louv, Richard (2005). Last Child in the Woods: Saving Our Children from Nature-Deficit Disorder.
Foco: Educação e Sociedade. Analisa as consequências sociais e comportamentais da vida artificial e cunha o termo "Transtorno de Défice de Natureza".
6.Terrapin Bright Green (2014). 14 Patterns of Biophilic Design.
Foco: Design e Sustentabilidade. Define padrões científicos e sensoriais (visuais, auditivos, térmicos) que mantêm o "cordão umbilical" funcional dentro de espaços fechados.
7.Wilson, Edward O. (1984). Biophilia.
Foco: Biologia Evolutiva. A obra que popularizou o conceito, defendendo que a nossa necessidade de natureza está codificada no nosso DNA devido a milhões de anos de evolução.
Foco: Psicanálise e Ética. Introduz a biofilia como uma orientação psicológica de amor à vida, opondo-a à necrofilia (fascínio pelo mecânico, inorgânico e pela destruição).
3.Kaplan, Stephen (1995). The restorative benefits of nature: Toward an integrative framework. Journal of Environmental Psychology.
Foco: Psicologia Cognitiva. Desenvolve a Teoria da Restauração da Atenção, provando que o contacto com a natureza é essencial para recuperar a fadiga mental causada por ambientes urbanos.
4. Kellert, Stephen R. & Heerwagen, Judith (2008). Biophilic Design: The Theory, Science, and Practice of Bringing Buildings to Life.
Foco: Arquitetura e Urbanismo. Estabelece as bases práticas para reintegrar a natureza nas construções modernas, tentando "curar" a separação entre o betão e a vida.
Kellert, S.R., Wilson, E.O. (Eds.). 1995. The biophilia hypothesis.
Foco: É a validação científica e filosófica da ideia de que os seres humanos possuem uma necessidade intrínseca de contacto com o resto da vida, explorando as consequências práticas da sua ausência.
5. Louv, Richard (2005). Last Child in the Woods: Saving Our Children from Nature-Deficit Disorder.
Foco: Educação e Sociedade. Analisa as consequências sociais e comportamentais da vida artificial e cunha o termo "Transtorno de Défice de Natureza".
6.Terrapin Bright Green (2014). 14 Patterns of Biophilic Design.
Foco: Design e Sustentabilidade. Define padrões científicos e sensoriais (visuais, auditivos, térmicos) que mantêm o "cordão umbilical" funcional dentro de espaços fechados.
7.Wilson, Edward O. (1984). Biophilia.
Foco: Biologia Evolutiva. A obra que popularizou o conceito, defendendo que a nossa necessidade de natureza está codificada no nosso DNA devido a milhões de anos de evolução.
A História Milenar da Civilização Palestina
O termo Palestina não é uma invenção moderna nem uma criação arbitrária do Império Romano, mas sim o resultado de uma evolução linguística e geográfica que se estende por mais de três milénios. As suas raízes mais remotas encontram-se nos hieróglifos egípcios do século XII a.C., onde se menciona o povo Peleset, um dos "Povos do Mar" que se estabeleceu na costa sul do Levante. Esta denominação persistiu nos registos assírios do século VIII a.C. sob as formas Palashtu ou Pilistu, referindo-se inicialmente à região costeira da Filisteia. No entanto, foi a influência grega que começou a expandir o alcance do nome; no século V a.C., o historiador Heródoto utilizava o termo Palaistine não apenas para a costa, mas para descrever todo o distrito que se estendia para o interior, até ao vale do Jordão e à fronteira com o Egito.
Quando o imperador romano Adriano reorganizou a província após a revolta de Bar Kokhba em 135 d.C., renomeando-a como Syria Palaestina, não estava a cunhar um vocábulo novo, mas sim a oficializar uma terminologia que já era padrão no mundo helenístico e académico da época. O que começou como um marcador étnico para um grupo específico de colonos costeiros (os filisteus) acabou por se tornar, através dos séculos, numa designação administrativa e geográfica abrangente. Este processo reflete como as potências imperiais da antiguidade frequentemente adotavam e adaptavam nomes preexistentes para consolidar os seus próprios quadros territoriais, integrando tradições locais, gregas e romanas numa identidade cartográfica que perduraria no tempo.
Após séculos de domínio romano e otomano, passou pelo Mandato Britânico e culminou na partilha da ONU em 1947, resultando na criação de Israel e nos atuais conflitos pela soberania e reconhecimento estatal.
Análise do famoso historiador Escocês
William Dalrymple tem sido crítico das ações de Israel durante a guerra em Gaza e do apoio do Reino Unido a Israel. Numa entrevista de 2024 ao The Times, fez uma analogia entre a resposta de Israel aos ataques de 7 de outubro e a resposta da Grã-Bretanha à Revolta dos Sipaios de 1857, dizendo: "A Revolta tem ecos contemporâneos. O mesmo sentimento de que mulheres e crianças inocentes foram atacadas e que, portanto, isso forneceu carta branca para vingança e represálias." Em maio de 2025, Dalrymple assinou uma carta aberta chamando a guerra em Gaza de genocídio. Num artigo de Setembro de 2025 para o New Statesman, Dalrymple argumentou que a Grã-Bretanha tinha uma responsabilidade histórica de ajudar a estabelecer um Estado palestiniano.
Saber mais:
A Place of Many Beginnings: Three Paths into the History of Palestine (Um Lugar de Muitos Começos: Três Caminhos para a História da Palestina) é um projecto interactivo de história da Palestina desenvolvido por Visualizing Palestine que foi apresentado no passado fim-de-semana no Festival de Literatura Palestine Writes, na Universidade da Pensilvânia e está disponível para o público interessado.
A história da Palestina... tem múltiplos 'começos' e a ideia da Palestina evoluiu ao longo do tempo a partir destes múltiplos 'começos' para um conceito geopolítico e uma política territorial distinta
Nur Masalha, Palestine: A Four Thousand Year History (pág. 8)
A Place of Many Beginnings foi apresentado no sábado, 23 de Setembro, durante um painel com os académicos palestinos Nur Masalha e Salman Abu Sitta, moderado pela autora e activista palestina Susan Abulhawa.
Com um visual muito apelativo e um conteúdo rico e inovador, esta apresentação aponta caminhos para conhecer a verdadeira história da Palestina.
Na secção Many Beginnings (Muitos Começos) pode conhecer a forma como a revolução agrícola, os berços de civilização, o comércio e o trânsito e a religião moldaram a Palestina e saber mais sobre a posição central da Palestina nas rotas comerciais antigas mais importantes.
Na secção Material Culture (Cultura Material) fala-se da arquitectura vernacular, da arquitectura monumental e muito mais.
Na secção Naming Palestine (Nomear a Palestina) ficamos a saber como os nomes palestinos dos lugares em árabe transmitiram a memória social e a história.
Com este ambicioso projecto, a Visualizing Palestine diz pretender lançar um debate sobre a forma como a história palestina tem sido obscurecida e distorcida por centenas de anos de abordagens e prioridades coloniais, incorporadas por estudos bíblicos e pela historiografia sionista.
«Os palestinos estão numa viagem intelectual inspiradora, rigorosa e de afirmação da vida, juntamente com outras comunidades indígenas que estão a escrever e a recuperar as suas histórias no meio de mitos dominantes e sancionados pelo Estado», diz Visualizing Palestine na apresentação do projecto. «Esperamos que o lançamento de hoje seja apenas um "começo" e que a plataforma evolua à medida que o diálogo progride.
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