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Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
quinta-feira, 2 de abril de 2026
Energia em Portugal: porque o nuclear não é (ainda) a resposta
Armando Alves (1935-2026), um dos criadores do design moderno em Portugal
quarta-feira, 1 de abril de 2026
A indústria europeia pretende colocar os europeus a financiar a baixa de preços dos medicamentos nos EUA
Gigantes globais da carne são forçados a reduzir as alegações enganosas sobre o clima
Der Blaue Reiter - Words of Silence
Miranda Sex Garden - Peep Show
And that's where I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos memory is all I'll be
[Refrão]
But I can live
In your mind's eye
Live, in your heart
I'll love you in your dreams
But please don't try to hold me in your arms
Show me a fantasy
And that's who I'll long to be
Please don't ask for more from me
Cos fantasy is all I'll be
[Refrão] 2X
O álbum Fairytales of Slavery, lançado em 1994, representa o momento de maior rutura e maturidade artística do Miranda Sex Garden, consolidando a transição da banda de um trio vocal de música antiga para um coletivo de rock gótico experimental e darkwave. Neste disco, a sofisticação das harmonias clássicas funde-se com uma sonoridade industrial densa, marcada por guitarras distorcidas, ritmos tribais e uma atmosfera assumidamente claustrofóbica e sensual. É uma obra que abandona a pureza acústica do passado em favor de um estilo de vanguarda, frequentemente comparado à sonoridade de artistas como Dead Can Dance ou à agressividade artística do movimento pós-punk.
O Fairytales of Slavery é amplamente considerado o disco mais negro, pesado e experimental da banda. Foi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten), o que explica a guinada drástica para o Rock Industrial e para uma sonoridade muito mais metálica e abrasiva oi produzido por Alexander Hacke (dos Einstürzende Neubauten)
A canção que dá título ao álbum funciona como uma metáfora central sobre o voyerismo e a exposição. Através de uma sonoridade que oscila entre o sussurro sedutor e a tensão caótica, a letra explora o desconforto de ser observado e o jogo de poder inerente ao ato de olhar. O termo "Peep Show" sugere um ambiente de cabaré decadente e sombrio, onde a feminilidade não é apresentada de forma passiva ou delicada, mas sim como uma força crua e, por vezes, perturbadora. Ao subverterem a imagem de "anjos" que as acompanhava desde o início da carreira, as integrantes utilizam esta faixa para explorar os desejos, os medos e a complexidade da psique humana, criando uma ponte entre a beleza técnica do conservatório e a rebeldia do submundo industrial de Londres.
O nome Miranda Sex Garden nasceu de uma vontade deliberada das fundadoras — Kelly McCusker, Jocelyn West e Katharine Blake — em unir o erudito ao profano, criando um contraste que definisse a identidade da banda. A primeira parte do nome, Miranda, é uma referência direta à heroína da peça A Tempestade, de William Shakespeare, simbolizando a pureza, a juventude e a herança clássica que as integrantes traziam da sua formação académica em música antiga.
Por outro lado, a adição de Sex Garden serviu como um contraponto irónico e provocador. Sendo jovens estudantes de conservatório que interpretavam madrigais do século XVI, o grupo queria distanciar-se da imagem austera e conservadora associada aos coros tradicionais. Ao introduzirem esta expressão mais carnal e terrena, as artistas estabeleceram uma dualidade entre o "celestial" das suas harmonias vocais e a atitude rebelde da cena underground londrina dos anos 90.
Esta escolha acabou por se revelar uma excelente estratégia de identidade artística, permitindo à banda transitar com naturalidade entre a solenidade da música renascentista e a estética sombria do rock gótico e industrial, sublinhando que a sua arte não estava presa ao passado, mas sim viva e em constante mutação.
terça-feira, 31 de março de 2026
Miranda Sex Garden - Gush Forth My Tears
A letra de "Gush Forth My Tears" remonta ao final do século XVI, tendo sido publicada originalmente em 1597 na obra The First Set of English Madrigals, do compositor John Holborne. Naquele período, era uma prática recorrente entre os compositores a escolha de poemas curtos, frequentemente de autoria anónima, para servirem de base a madrigais — composições de música vocal polifónica que exploravam a expressividade do texto através da harmonia.
A razão pela qual este tema soa ao trabalho de um "poeta famoso" reside no facto de o seu estilo ser puramente elisabetano, partilhando o mesmo fôlego lírico de grandes nomes da época. O autor, ainda que desconhecido, domina os temas clássicos da melancolia renascentista, recorrendo a figuras de estilo como a personificação da dor, onde as lágrimas são descritas como um fluxo imparável e quase purificador.
Além disso, o texto explora o contraste dramático entre a vida e a morte, sugerindo que o sofrimento do eu lírico é de tal forma avassalador que o descanso final seria visto como um alívio desejado. Esta densidade emocional é reforçada por uma linguagem arcaica e por uma estrutura métrica rigorosa, visível no uso de termos como "fain" (que significa "de bom grado"), o que confere à peça uma nobreza e uma gravidade que o Miranda Sex Garden soube transpor perfeitamente para a estética gótica contemporânea.
Esta canção foi lançada no álbum no álbum Madra (1991)
O pior país do mundo
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segunda-feira, 30 de março de 2026
A infinita tristeza de Jason Molina
EPA chief met with Bayer CEO over supreme court fight, agency records show
Países em desenvolvimento lideram culturas geneticamente modificadas no mundo
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| Fonte: aqui |
John Horsewell
John Horsewell é um conceituado pintor contemporâneo de nacionalidade britânica, nascido em Inglaterra entre os anos de 1952. A sua trajetória artística é marcada por uma forte componente hereditária, uma vez que cresceu num ambiente profundamente criativo, tendo sido instruído no seio familiar pelo seu pai e pelo seu avô, ambos pintores profissionais.
Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, Horsewell não seguiu uma formação académica formal em faculdades de Belas Artes. A sua educação foi técnica e prática, moldada diretamente no ateliê da família e consolidada através da experiência no mundo do design de interiores e de galerias de arte após concluir o ensino secundário. Esta base autodidata e artesanal permitiu-lhe desenvolver um estilo muito próprio, que se situa entre o realismo e o impressionismo moderno.
O seu estilo é definido como um impressionismo contemporâneo profundamente focado na captura da luz e na criação de atmosferas de serenidade absoluta. A sua estética afasta-se do detalhe fotográfico rígido para se concentrar na sensação de um momento, utilizando o que o próprio artista descreve como uma filosofia de "menos é mais". As suas composições são frequentemente minimalistas, apresentando horizontes baixos que dão protagonismo a céus vastos e dramáticos, evocando um sentimento de isolamento pacífico e de evasão da azáfama quotidiana.
O artista é particularmente célebre pelas suas paisagens costeiras, praias banhadas pelo sol e cenas rurais, frequentemente inspiradas pelas suas viagens pela Europa — com especial foco no sul de França e Itália — e pela Florida, nos Estados Unidos.
A grande marca registada do seu trabalho é a mestria na utilização da espátula (palette knife), que combina habilmente com o uso do pincel. Enquanto as grandes áreas de céu e mar são trabalhadas com pinceladas suaves e fluidas para criar profundidade, os elementos centrais — como os barcos, as rochas ou a vegetação — são esculpidos com camadas espessas de tinta a óleo (técnica de impasto). Esta abordagem confere às telas uma qualidade tridimensional e uma textura rica, permitindo que a luz ambiente da sala interaja fisicamente com o relevo da pintura.
Quanto à paleta de cores, Horsewell utiliza tons que variam entre os azuis profundos e cerúleos dos oceanos e os tons quentes e pastéis das areias e campos europeus. O seu objetivo primordial é sempre o otimismo visual, transformando cada tela numa "janela" para um paraíso idealizado, onde o contraste entre as sombras suaves e os pontos de luz intensa convida o espectador a um estado de contemplação e calma interior.
Um exemplo perfeito desta estética é a obra "Calm Waters" (também conhecida como "Moored Boats"), pintada provavelmente entre 2010 e 2020. Nesta tela, Horsewell utiliza um horizonte baixo e uma paleta de azuis profundos em contraste com tons areia para evocar uma sensação de paz absoluta. Através de pinceladas suaves no céu e relevos texturizados nos barcos e no primeiro plano, o pintor convida o espectador a entrar num cenário de tranquilidade e isolamento regenerador.








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