Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Dia Internacional dos Resíduos Elétricos: Quase 18% dos portugueses inquiridos já deitaram pequenos equipamentos elétricos no lixo comum
Kill Shelter & Antipole - A Kiss in the Rain
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Cast of Lions - Sticks and Stones
Transição energética em Portugal pode impedir 34.000 mortes prematuras e poupar 8,5 mil milhões de euros
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
The Chameleons- Nathan's Phase
A Maioria Frágil e o Regresso ao Quotidiano: Uma Análise da Direita e a Reinvenção da Esquerda
Tecnofascismo e carbofascismo: as novas formas de dominação do poder contemporâneo e o fim da política tradicional
- A coerção estatal é substituída pela psicopolítica digital (Han, 2014), em que o utilizador é constantemente induzido à auto-exposição e ao consumo atencional;
- A arquitetura das redes sociais e das bolhas de ressonância (echo chambers) incentiva a polarização dirigida, transformando conflitos sociais estruturais em "guerras culturais" online estéreis;
- A energia coletiva e a capacidade de organização no mundo físico degradam-se à medida que a atenção é atomizada e desprovida de eficácia política real.
Na obra Fossil Capital (2016), o ecologista político Andreas Malm demonstra que o capitalismo histórico não se aliou às energias fósseis simplesmente por escassez de alternativas, mas pela capacidade que o carvão e o petróleo proporcionavam para disciplinar a força de trabalho e centralizar o poder de produção.
Atualmente, o carbofascismo manifesta-se no bloqueio sistemático da transição energética necessária:
- Inércia sistémica: apesar de relatórios científicos conclusivos - como os do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) , a infraestrutura fóssil continua a receber subsídios massivos e investimentos estatais.
- Violência extrativista: a degradação ambiental e as desigualdades do Sul Global são tratadas pelas elites financeiras como externalidades negativas e custos colaterais inevitáveis em nome da estabilidade dos mercados.
- Autoritarismo fóssil: o recrudescimento da repressão policial e jurídica contra movimentos de justiça climática e ativistas ambientais sinaliza o endurecimento dos Estados para proteger os ativos energéticos corporativos.
- A Direita Tradicional atua como facilitadora das exigências do capital financeiro e tecnológico, promovendo a desregulamentação do mercado de dados e da indústria extrativa.
- A Esquerda Institucional, ao focar a sua ação na redistribuição marginal do rendimento sem questionar as matrizes tecno-energéticas do poder, limita-se a gerir os sintomas do sistema sem confrontar as suas causas estruturais.
- Ceticismo e cinismo: a perceção de que os problemas são gigantescos conduz à resignação;
- Burnout político: a energia ativista é gasta em campanhas e petições digitais que pouca incidência têm na estrutura de poder;
- Ecoansiedade e desespero: a sensação de colapso eminente desmobiliza a ação e incentiva o rali de sobrevivência individual.
- Manifestações de rua: são neutralizadas ou assimiladas enquanto "espetáculo digital", convertidas em conteúdo para redes sociais que gera métricas para as próprias plataformas que se pretende criticar.
- Sindicatos: foram enfraquecidos pela precarização do trabalho e pela dispersão geográfica impostas pela economia de plataformas (gig economy).
- Partidos políticos: encontram-se reduzidos a máquinas de marketing eleitoral dependentes dos algoritmos das plataformas digitais para comunicar com o seu eleitorado.
- Soberania digital crítica: A criação de redes, infraestruturas de informação e ferramentas algorítmicas de código aberto e propriedade comunitária, desvinculadas das dinâmicas do capitalismo de vigilância;
- Ação direta e desobediência civil energética: A transição de um ativismo focado na consciencialização para estratégias de interrupção direta da infraestrutura de reprodução do capital fóssil, tal como preconizado por correntes da ecologia política radical;
- Reconfiguração das formas de organização: O abandono da dependência exclusiva das instituições representativas tradicionais em favor de novas formas de poder popular local, regional e transnacional.
Este vídeo é relevante para o ensaio pois conta com a reflexão direta da Professora Shoshana Zuboff sobre como as grandes empresas tecnológicas capturam a experiência humana e alteram comportamentos sociais e políticos.
- Arora, Arush (2025). Social Media-Driven Polarisation in the United States:Mechanisms, Policy Gaps, and Recommendations
- Han, Byung-Chul (2014). Psychopolitics: Neoliberalism and New Technologies of Power. London: Verso.
- IPCC (2022). Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press.
- IPCC (2023). Climate Change 2023: Synthesis Report. Contribution of Working Groups I, II and III to the Seventh Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Core Writing Team, H. Lee and J. Romero (eds.)]. Geneva: IPCC.
- Malm, Andreas (2016). Fossil Capital: The Rise of Steam Power and the Roots of Global Warming. London: Verso.
- Malm, Andreas (2021). How to Blow Up a Pipeline: Learning to Fight in a World on Fire. London: Verso.
- Morozov, Evgeny (2013). To Save Everything, Click Here: The Folly of Technological Solutionism. New York: PublicAffairs.
- Zuboff, Shoshana (2019). The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power. New York: PublicAffairs.
domingo, 11 de outubro de 2026
Rap, Grunge e Techno: as novas tribos da contracultura dos anos 90, consolidando o legado punk e pós-punk dos anos 80
Como recordei anteriormente, o movimento punk e o pós-punk dos anos 80 moldaram-nos não apenas o gosto musical, mas a própria coluna vertebral e a ética de vida. O underground dessa altura era, na sua essência, um espaço de total liberdade e inclusão radical: não éramos homofóbicos, racistas, gordofóbicos, idadistas ou transfóbicos. Rejeitávamos qualquer preconceito, discriminação ou moralismo tacanho. A margem era o nosso refúgio de igualdade, onde a diferença de cada um era acolhida sem rótulos ou julgamentos.
Com a chegada dos anos 90, essa matriz de liberdade desdobrou-se em novas tribos. Fala-se frequentemente do rap, do grunge e do techno como "movimentos de subversão cultural" dos anos 90 em Portugal. No entanto, mais do que ruturas absolutas, muitos destes fenómenos herdaram ou diluíram o espírito de resistência que o punk e o pós-punk já tinham conquistado nos anos 80. Ainda assim, ao redefinirem a música, a estética e os pontos de encontro da juventude, acabaram por moldar a forma como se vivia à margem no Portugal dessa década.
O desafio da Educação Ambiental na era digital: como desconstruir a bolha virtual e os seus epifenómenos
No seu pequeno-almoço, comeu um pão de alfarroba? A história do superalimento português votado ao esquecimento
sábado, 10 de outubro de 2026
Do Punk ao Techno: memórias de como era viver a noite e a contracultura dos anos 80 e 90
O Nobel da Paz 2026: A Pós-Verdade de Donald Trump
- Um artigo do Axios de 2 de março, com uma abertura que coincide quase na totalidade com a declaração de Warren: "Nenhum presidente na era moderna ordenou mais ataques militares contra tantos países diferentes como Donald Trump." O artigo do Axios define "era moderna" como os presidentes pós-11 de setembro: George W. Bush, Barack Obama, Trump e Joe Biden.
- Um artigo do The Washington Post sobre os ataques militares de Trump em 2025, incluindo os dirigidos a alegados traficantes de droga no Caraíbas e no Pacífico Oriental. O Post reportou que Trump autorizou quase tantos ataques militares em 2025 quantos Biden autorizou ao longo do seu mandato de quatro anos.
- Um gráfico no Instagram publicado pelo The Recount, um órgão de comunicação focado em política, que lista vários países, inclusive no Médio Oriente, África e Venezuela, juntamente com os rostos dos presidentes do século XXI que ordenaram bombardeamentos nesses locais; o rosto de Trump aparece ao lado de cada país. O órgão partilhou o gráfico a 28 de fevereiro, após Trump ter anunciado os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão.
- Desde o início do seu primeiro mandato até ao presente, Trump atacou 10 países. Desde o início do seu segundo mandato, em janeiro de 2025, atacou sete países, além de embarcações no Mar das Caraíbas e no Oceano Pacífico Oriental.
- Os ataques militares de Biden atingiram 5 países.
- Os ataques de Obama atingiram 7 países ao longo de dois mandatos.
- Os ataques de Bush atingiram 5 países ao longo de dois mandatos.
- Trump: Afeganistão, Iraque, Iémen, Paquistão, Somália, Líbia, Síria, Venezuela, Nigéria, Irão.
- Biden: Afeganistão, Iraque, Somália, Síria, Iémen.
- Obama: Afeganistão, Iraque, Paquistão, Somália, Iémen, Líbia, Síria.
- Bush: Afeganistão, Iraque, Iémen, Paquistão, Somália.
O Boicote à agressividade digital: por que devemos tirar o palco à provocação nos Media
- Luís Marques Mendes (SIC) - Análise política de fundo aos domingos em horário nobre, representativa da direita tradicional e institucional.
- Paulo Portas (TVI / CNN Portugal) - Espaço semanal solo de análise geopolítica e política nacional com viés centro-direita.
- Camilo Lourenço (A Cor do Dinheiro / Colunista do Observador) - Comentário diário no digital e colunas de opinião com forte foco na análise económica e crítica governamental.
- Alberto Gonçalves (Podcast / Observador) - Espaço de intervenção focado na crítica incisiva ao politicamente correto, causas progressistas e políticas de esquerda.
- José Gomes Ferreira (SIC Notícias) - Análise económica e financeira em canal de informação com estilo interventivo e de denúncia individual.
- Jaime Nogueira Pinto (Observador / Antena 1 / Participações televisivas) — Representante histórico do pensamento reacionário e conservador, com origens ideológicas na direita pré-25 de Abril; atua como referência doutrinária em análises de fundo, geopolítica e artigos de opinião.
- Helena Matos (CNN Portugal) — Intervenção incisiva com foco no combate cultural e crítica ao ativismo progressista.
- João Miguel Tavares (SIC Notícias / Podcast Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer) - É uma das vozes mais ativas na crítica ao que define como obsessão da esquerda pelas questões de identidade (género, raça, linguagem inclusiva), traduzindo para o grande público a rejeição conservadora a essas causas.
- Miguel Pinheiro (RTP3 e Rádio Observador)- ao contrário do tom inflamado de outros comentadores, adota um registo sóbrio e pedagógico. Isso traduz uma estratégia de legitimação: faz com que a leitura de direita da realidade pareça a única leitura tecnicamente rigorosa e lógica.
- Rui Ramos (Observador / Programas de História e análise política) — Análise histórica e política sob uma perspetiva conservadora.
- José Manuel Fernandes (Observador / Comentário pontual de linha editorial)
- Sérgio Sousa Pinto (CNN Portugal) — Focado com frequência na crítica às causas ditas "woke", ao politicamente correto e ao ativismo progressista.
- Sebastião Bugalho (SIC Notícias / Ex-CNN Portugal) - A juvenilização e o combate dinâmico da nova direita de poder
- Miguel Morgado (SIC Notícias / CNN Portugal) - É uma das vozes mais articuladas na denúncia daquilo que considera ser o "domínio cultural" da esquerda e na defesa da herança do passismo/liberalismo económico.
- Cecília Meireles (SIC Notícias) - Com origem no CDS-PP (ala liberal/centrista), traduz uma direita de tom calmo, institucional e focado na economia real, fiscalidade e funcionamento das empresas.
- Rodrigo Moita de Deus (CNN Portugal / RTP) - A comunicação estratégica, a provocação e a estética liberal-conservadora. O "spin" e a linguagem de redes sociais: com fundo ligado ao marketing e à comunicação, traduz a transformação do comentário político em provocação conceptual.








