segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O ódio, por Maya Angelou

Biografia

"Hate has caused a lot of problems in this world, but it has not solved one yet." - Maya Angelou
"O ódio causou muitos problemas no mundo, mas ainda não resolveu nenhum." - Maya Angelou

Esta citação de Maya Angelou é proveniente de uma entrevista concedida à apresentadora Oprah Winfrey, especificamente para o programa "SuperSoul Sunday" da rede OWN (Oprah Winfrey Network). Ao contrário de muitos de seus pensamentos mais famosos, esta frase não foi escrita originalmente num dos seus livros ou poemas, mas surgiu de forma espontânea durante uma conversa profunda sobre perdão, cura e a experiência da comunidade negra nos Estados Unidos.

Na ocasião, a Dra. Angelou explicava a diferença entre a "raiva", que ela considerava uma reação natural e até útil para sinalizar injustiças, e o "ódio", que ela descrevia como uma força puramente corrosiva e estéril. Para ela, o ódio consome o hospedeiro sem nunca entregar uma solução prática para os conflitos humanos. A frase se tornou um dos seus legados orais mais poderosos, sendo amplamente replicada em discursos de direitos civis e redes sociais por sintetizar sua visão pragmática sobre o amor e a resistência.

A Islândia classifica o colapso da corrente do Oceano Atlântico como um risco para a segurança nacional


Tal como grande parte da Europa, a Islândia registou em 2025 o seu ano mais quente, num contexto em que os gases com efeito de estufa continuam a aquecer o planeta.

O governo Islandês declarou o possível colapso de uma importante corrente do Oceano Atlântico como um risco para a segurança nacional.

A Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês) é um sistema de correntes oceânicas que transporta águas mais quentes dos trópicos através do Ártico até ao Oceano Atlântico Norte, bem como águas mais frias para o sul, ajudando a regular o clima global.

Recentemente, os especialistas levantaram a possibilidade de colapso da AMOC, o que poderá tornar os invernos na Europa mais rigorosos e perturbar o clima em todo o mundo. Estes alertas foram levados ao conhecimento do Conselho de Segurança Nacional da Islândia, marcando a primeira vez que uma questão relacionada com o clima foi apresentada ao conselho, que está agora a coordenar uma resposta ao problema.

"É uma ameaça direta à nossa resiliência e segurança nacional", disse o ministro do Clima da Islândia, Johann Páll Johannsson, à Reuters.

Isto acontece depois de parlamentares islandeses que participaram na conferência COP30 no Brasil, no mês passado, se terem focado nos perigos do colapso da AMOC.

“É muito importante que comecemos já a usar a nossa voz com força neste fórum e, claro, que cumpramos as nossas obrigações internacionais a este respeito”, afirmou a deputada islandesa ÁSa Berglind Hjálmarsdóttir em entrevista ao portal de notícias islandês

Para além dos efeitos que a corrente tem no clima, a AMOC  é também essencial para a vida marinha. A circulação transporta nutrientes, aumenta a salinidade e leva oxigénio às camadas mais profundas do oceano. Se a circulação diminuísse ou entrasse em colapso, poderia, por exemplo, reduzir as populações de zooplâncton, o que, por sua vez, afectaria todo o sistema alimentar. Além disso, a circulação é essencial para prevenir a acidificação do oceano, ajudando os moluscos, o plâncton e os corais a construir as suas conchas.

O Sustainability Directory constatou que os efeitos provavelmente impactariam espécies de importância comercial.

“Isto poderá ter consequências económicas significativas para a pesca na região, bem como impactos ecológicos nos ecossistemas habitados por estas espécies”, referiu o relatório.

Embora Johannsson e outros membros do governo islandês considerem o problema uma potencial ameaça à segurança, os países vizinhos estão menos preocupados.

"Não acreditamos que haja uma necessidade urgente de preparar as Ilhas Faroé para um cenário com uma corrente do Golfo mais fraca", disse Karin M. H. Larsen, oceanógrafa do Instituto Faroês de Investigação Marinha, à emissora pública das Ilhas Faroé, KVF.fo.

Larsen reconheceu que existe a possibilidade de a circulação parar em algum momento, mas não há indícios de que isso aconteça em breve.

"É possível a longo prazo, mas as incertezas científicas são grandes", disse ela, acrescentando que há muitas incertezas para determinar se isso levará um século ou mais, ou mesmo se acontecerá. "Por enquanto, é melhor lidar com o facto de o oceano estar a aquecer."

O Ministério do Ambiente da Noruega, por sua vez, disse à Reuters que está a procurar aprofundar o seu conhecimento através de novas pesquisas.

Reiniciar

Ekaterina Ermilkina - "The Beginning" (O Início) foi pintada em 2023

Nem de propósito. Reiniciar. O início deste mês colocou à prova toda a minha resistência. Perder um amigo, uma tia e uma irmã num espaço de apenas sete dias é uma dor que não se explica. Decidi que a melhor forma de os honrar não é ficar estagnado no luto, mas sim viver com a intensidade que eles gostariam de ver em mim. Um obrigado sincero a todos pelo carinho que recebi.

Ekaterina Ermilkina é uma artista contemporânea cuja trajetória reflete uma fusão entre o rigor técnico europeu e a energia urbana americana. Nascida em 1975 em Saratov, na Rússia, iniciou o seu percurso sob a influência cultural da sua terra natal. A sua base académica é sólida, tendo-se licenciado na Academia Estatal de Arte e Indústria de São Petersburgo, uma instituição de prestígio onde dominou a forma e a perspetiva clássica. Esta formação foi fundamental para a sua evolução posterior rumo a uma linguagem mais expressiva.

Em 2005, a artista mudou-se para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Nova Jersey, onde vive e mantém o seu atelier atualmente. Esta mudança foi decisiva, pois a proximidade com a arquitetura de Manhattan serviu como o principal catalisador para a maturidade do seu trabalho. O seu estilo é frequentemente descrito como uma intersecção entre o Impressionismo Moderno e o Expressionismo Abstrato.

A temática central da sua obra foca-se na metrópole, capturando o ritmo e a densidade das grandes cidades, especialmente os arranha-céus de Nova Iorque, através de interpretações emocionais da luz e do movimento. Visualmente, as suas composições possuem uma "pulsação" característica, onde as janelas e luzes urbanas se transformam em mosaicos vibrantes.

Tecnicamente, Ermilkina distingue-se pelo uso exclusivo da espátula em detrimento dos pincéis, aplicando a técnica de impasto com camadas generosas de tinta a óleo para criar superfícies tridimensionais. Ela utiliza a ponta da espátula para criar um efeito de pontilhismo, decompondo a luz em blocos de cor que formam um mosaico visual. Esta técnica, aliada a uma paleta vibrante e audaz, permite-lhe simular com mestria os reflexos solares e o brilho artificial das luzes citadinas.

The Youth Movement in a Post-Growth World


Bringing about alternatives to our capitalist growth system at the speed and scale needed is no easy task. The herculean work to develop transformative worldviews, including theories toward a steady state economy, is ongoing and increasingly cross-sectoral. At the core of this endeavor is the recognition that we cannot implement alternatives to growth capitalism without first addressing cultural and social dynamics deeply rooted in colonialism and cultural appropriation.

In this context, youth movements, particularly those focusing on environmental justice, have led the way for many. Youth activists often draw clear connections among the fossil-fueled economy, extractivism in general, colonialism, and a range of other systemic issues, such as racial justice.

The Young Feminist Fund (FRIDA), for example, has established the parallel nature of several struggles for justice. They have articulated the need to stand up to ecocide and genocide and move beyond capitalism, which they see (logically enough) as linked at the hip with growth. FRIDA’s recently published report states: “Neoliberal capitalism thrives in power-over structures that keep decision-making in the hands of those with privilege, access, and wealth.”

Let’s take a closer look at the Youth Movement and assess how it might help society move beyond the capitalist growth system.

Youth Aren’t Always Radical
The Youth Movement is not a unified voice that shares the same vision of the future. Nor do youth-led organizations employ the same methods to actualize their visions. Some take a more radical approach than others. The radicality of an organization is often assessed by its relationship to power, in terms of funding as well as access to decision-making spaces and representation.

A large number of youth-led organizations take the “moderate” approach. The majority of environmental organizations are quite in line with this approach, as steady staters have long lamented. Moderate youth activists believe that, though the system is not great, it could be improved with the right champions in place or the right voices speaking on the right panels.

Youth organizations that take a moderate approach, explicitly or not, make the assumption that if enough funding flows through the right organizations, transformative change is possible. But it’s hard to imagine that reforming our economic system—based on interest-bearing debt and rooted in growth capitalism—is simply an issue of funding or access to decision-making spaces.

Vanessa Andreotti addresses the question of what it will take to transform our dying system (death being the ultimate outcome of unsustainability) in her book Hospicing Modernity. She writes about methodological, educational, and ontological (relating to being) interventions. Andreotti argues that only the latter can truly lead to systemic change.

Youth Activism and Professional-Class Liberalism
The Youth Movement has achieved a lot over the last few years. It has self-organized first at the local level, through volunteering, and grown into a global movement acting at the policy level. Throughout that time, youth activists have undergone a professionalization process, becoming highly trained.

In many ways, this is a positive development. There are more panels, workshops, and seminars with young activists (for instance at UN Climate Conferences) than ever. At these events, youth are making the case for more action to address the environmental emergency.

However, there are concerns about the Youth Movement joining the elite club of professional-class liberals. This club includes lawyers, economists, policy experts, and nonprofit executives. The global expansion of graduate and professional education has been a key driver of growth in this elite club.

The Youth Movement is organizing increasingly through the creation of non-profit organizations, sharing decision-making power with governing and advisory boards. They are also developing fundraising strategies and advocacy and communication plans. All of this makes them professional activists and members of the informal club of professional-class liberals. At what cost?

The Youth Movement is a diverse collection of individuals with different socio-economic backgrounds, lived realities, and opinions. However, only a handful of groups are made visible on the international stage. The level of visibility awarded to young activists often correlates with their willingness to adopt a “soft critique” of growth capitalism, far from the radical discourse they often come from. In other words, those in power are telling youth groups: We are willing to talk to you as long as you do not say anything to make us too uncomfortable. One gets the impression that some of the most visible youth organizations seek simply a piece of the cake, not to re-bake the cake.

Some youth-led organizations do recognize growth capitalism as the root cause of environmental breakdown. However, seldom are they equipped with a shared and coherent theory of change. They don’t have the tools to 
1) recognize biases and the ways in which they might be part of the problem; 
2) engage in decolonizing languages and narratives; and 
3) mobilize funding to sustain radical work.

YOUNGO’s latest Strategic Policy Position is an example of how the Youth Movement is stuck at methodological and epistemological levels of analysis, not reaching the ontological level necessary for systemic change. One of the organization’s most important policy recommendations is to “incorporate the participation of children and youth as agents of change, as well as considerations of intergenerational equity throughout all decision-making.” However, this promotion of youth feels weak without an alternative theoretical framework. Which youth will they prioritize for participation, and to bring about what change?

Youth inclusion should not be a goal by itself; it should be a means to an end. The end we need is a comprehensive and radical change away from the capitalist growth system.

Embracing Radicality
A “radical” approach to youth-led activism targets growth capitalism as the root cause of ecological breakdown. It also targets the cultural and social components of the capitalist growth system. For the Youth Movement to embrace radicality further, activists must develop a sharp understanding of the fundamentals of this system. They must also unlearn many of the mental projections internalized over the years, at a collective and individual level. For instance, many youth have internalized consumerism, mass advertising, and “self-exploitation,” turning their activism into a spectacle and a competition.

At the end of the day, what determines an organization’s ability to embrace radicality—and contribute to a genuine alternative—is its relationship to all forms of power. To what extent is a group identifying, calling out, and challenging the status quo? Without an analysis of power dynamics, the risk is that youth environmental groups will limit their focus to reforms that those in power approve of. They may not dedicate enough time to sensibly think, dream, and feel about a future worth fighting for.

The Youth Movement can be proud of what it has achieved. So many youth organizations focus on important issues: access to funding, decision-making spaces, and climate education, for example. But the Youth Movement must not stop here. Taking down cultural and social dynamics deeply rooted in pro-growth capitalism means asking some tough questions. What privileges am I willing to let go of? Do I actually want to change the system, or do I just feel bad about not being part of it?

We need all hands on deck to ideate new ways to equip the Youth Movement with a holistic, radical approach. To generate systemic change, young activists must be brave in their criticism of capitalism and growth.

Unfortunately, they must also get comfortable with doubt, not knowing exactly what tomorrow will look like. Fonte

Caroline Polachek - Total Euphoria


Significado de "Total Euphoria" 
A canção, que faz parte da versão deluxe do aclamado álbum Desire, I Want To Turn Into You, é uma colaboração com o produtor Oneohtrix Point Never. Como o título sugere, a música explora o estado de êxtase absoluto. Não é apenas uma alegria comum; é aquela sensação de estar "fora do corpo", onde o desejo e a realidade se fundem.
 Ela utiliza metáforas sensoriais e espaciais para descrever a perda de controle. É sobre o momento em que você para de lutar contra seus instintos e se entrega totalmente a uma experiência ou a alguém. 
 Conexão com o álbum: o disco inteiro fala sobre a natureza "indomável" do desejo humano, e esta faixa serve como o clímax sonoro desse conceito.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

IAMX - Artificial Innocence

I serve my Queen 
Submit and concede 
Tell me how do I get some relief?
Land it somewhere in between my Liege  

Watch the slaughter 
Every nerve and cell 
And I bow and I contain the pressure 
Oh she moves me like a pawn
Why can I not help myself? 

Am I colder now? 
Artificial innocence 
What am I silicon?
Nothing makes sense, where is our united strength?
Why do we have to crash and burn just to return to presence?

I serve my Queen 
Submit 
I have extraordinary needs 
I ping pong from silent to deafening

O IAMX é um projeto a solo de Chris Corner, que tem uma história fascinante de transformação constante. 
 Nacionalidade: O projeto é britânico. Chris Corner nasceu em Middlesbrough, na Inglaterra, e formou o IAMX em Londres. No entanto, a identidade do projeto é fortemente marcada pelas cidades onde ele viveu e gravou: passou muitos anos em Berlim (o que influenciou seu som eletrônico sombrio) e, mais recentemente, baseou-se em Los Angeles. 
 O IAMX foi fundado em 2004 (embora os primeiros passos tenham começado por volta de 2002), logo após o hiato da sua antiga banda de trip-hop, os Sneaker Pimps (famosos pelo hit "6 Underground"). 
 Estilo Musical 
É difícil colocar o IAMX numa "caixinha" só, mas o som é geralmente descrito como uma mistura explosiva de: 
Electronic Rock & Synth-pop: Base de sintetizadores potentes com guitarras ocasionais. 
Dark Cabaret: Uma estética teatral e dramática, muitas vezes com ritmos de valsa e uma vibe "noir". Industrial & Darkwave: Especialmente em álbuns mais recentes, com batidas mais pesadas e texturas sombrias. 
Experimental: O projeto foca muito na arte visual e na performance andrógina e visceral de Corner.

A música "Artificial Innocence" do IAMX funciona como uma crítica mordaz e melancólica à desumanização provocada pelo excesso de tecnologia e pelas aparências sociais. Chris Corner utiliza a letra para explorar a ideia de que a pureza e a ingenuidade originais do ser humano foram substituídas por uma versão sintética, uma espécie de "inocência de laboratório" que usamos para mascarar nossos instintos mais sombrios e o vazio existencial.

Ao longo da composição, percebe-se uma obsessão com a vigilância e com o modo como somos moldados para caber em padrões digitais, onde o sentimento real é sacrificado em favor de uma estética de perfeição. A canção sugere que vivemos num estado de entorpecimento, buscando refúgio em mundos virtuais ou comportamentos artificiais para evitar o confronto com a dor e com a própria mortalidade. No fim, a faixa é um retrato visceral do isolamento moderno: estamos todos conectados por redes e fios, mas profundamente distantes da nossa essência orgânica, celebrando uma beleza plástica que não possui alma.

Aiko Sakamoto

Rapariga com borboletas, da série Nocturnos (2022)

Aiko Sakamoto é uma artista plástica nascida em 1977 na província de Tóquio, no Japão, onde reside e trabalha actualmente. A sua formação académica foi realizada na Universidade de Arte Tama (Tama Art University), onde se graduou no Departamento de Pintura Japonesa e, posteriormente, concluiu o mestrado na mesma especialidade.
O seu estilo é profundamente enraizado no Nihonga (pintura tradicional japonesa), mas apresenta uma abordagem contemporânea e lírica que explora a relação entre o visível e o invisível. Utiliza técnicas que misturam pigmentos minerais, pó de ouro e prata sobre papel japonês (washi), destacando-se pela criação de borboletas tridimensionais feitas de papel e folha metálica que são aplicadas sobre a tela plana. Esta técnica permite que a luz seja refletida de diferentes ângulos, conferindo uma sensação de vitalidade e movimento às obras.

Os seus temas centram-se em fenómenos naturais efémeros e conceitos abstratos, como o vento, o som, as ondas e as flutuações da luz e da água. Através de uma paleta onde predominam o azul profundo e o preto denso, Sakamoto procura expressar a essência da existência humana e a circulação da vida em ciclos infinitos, fundindo figuras biomórficas com o cosmos e o silêncio.


A sua obra encerra um simbolismo contemporâneo que nos convoca ao desvelar de uma liberdade ancestral, sintonizando o ser com a génese de Gaia e o repouso absoluto de uma harmonia que transcende o visível.

Dia Europeu das Vítimas de Crime



O Dia Europeu das Vítimas de Crime assinala‑se a 22 de fevereiro e constitui um momento fundamental para reconhecer todas as pessoas que sofrem ou sofreram crimes, dar visibilidade às suas experiências e reforçar a importância das políticas públicas destinadas ao seu apoio, proteção e garantia dos seus direitos, bem como à prevenção e combate à criminalidade, designadamente à violenta e à especialmente violenta.

Entre os crimes que mais atentam contra a dignidade humana destaca‑se o Tráfico de Seres Humanos (TSH), uma grave violação dos direitos humanos e um fenómeno marcado pela grande invisibilidade das suas vítimas.

Trata‑se de um crime potenciado pelo aumento da mobilidade, pela utilização da internet como meio de aliciamento e controlo e pelo facto de envolver, na generalidade, baixos riscos e elevados lucros para as redes criminosas.

A verdadeira dimensão do tráfico de seres humanos é difícil de determinar, ainda assim, a informação existente permite perceber que o sexo, o género das vítimas e a idade influenciam a probabilidade, as formas e os objetivos da exploração. A nível internacional a maioria das vítimas identificadas são mulheres e raparigas, embora o tráfico afete também homens e rapazes, bem como pessoas trans.

Apesar de em Portugal e em alguns outros países europeus predominarem as situações reportadas de tráfico para fins de exploração laboral (com vítimas masculinas) não podemos esquecer a realidade do tráfico para fins de exploração sexual e que esta realidade se encontra especialmente ocultada.

A exploração sexual continua a ser o principal fim do tráfico de mulheres e raparigas. Entre os fatores que contribuem para este fenómeno destacam‑se as situações de vulnerabilidade, frequentemente associadas a contextos de violência, discriminação e pobreza, bem como a persistente procura de serviços sexuais. Os traficantes exploram, muitas vezes, a condição económica precária de pessoas que procuram uma vida melhor, recorrendo ao tráfico de migrantes e ao uso da internet como instrumento central de aliciamento.

A União Europeia tem vindo a adotar instrumentos fundamentais para prevenir e combater o tráfico de seres humanos, alinhados com os padrões internacionais e assentes numa abordagem centrada na vítima, que reconhece a necessidade de apoio, proteção e acesso efetivo aos direitos, bem como a importância de integrar uma perspetiva de género nas políticas de prevenção.

Em Portugal, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2024, foram constituídos 43 arguidos por tráfico de seres humanos, mais 13 do que no ano anterior, e detidas 12 pessoas. O Observatório do Tráfico de Seres Humanos (OTSH) registou a sinalização de 355 presumíveis vítimas, mantendo‑se Portugal sobretudo como país de destino. Na exploração sexual, as presumíveis vítimas são maioritariamente mulheres adultas, de nacionalidade estrangeira, com destaque para as nacionais de São Tomé e Príncipe.

O principal instrumento nacional de prevenção e combate ao TSH é o V Plano Nacional para o período 2025‑2027, que visa consolidar o conhecimento sobre o fenómeno, reforçar a informação e sensibilização, assegurar um melhor acesso das vítimas aos seus direitos e intensificar o combate às redes de criminalidade organizada.

Contudo, o Dia Europeu das Vítimas de Crime não se limita ao tráfico de seres humanos. Esta data relembra também todas as pessoas afetadas por outros crimes, como a violência doméstica, a violência sexual, os crimes de ódio, o abuso de menores, , a fraude ou o cibercrime. Independentemente do tipo de crime, todas as vítimas têm direito a ser reconhecidas, protegidas e apoiadas, sem discriminação.

Conforme divulgado, o Conselho de Ministros aprovou no passado dia 20 de fevereiro a versão final da Lei-Quadro de Política Criminal, que define os objetivos, as prioridades e as orientações da política criminal para o biénio de 2025-2027, e entre os crimes de prevenção e investigação prioritária constam, nomeadamente a violência doméstica, o tráfico de pessoas, os crimes sexuais, o cibercrime e os crimes de ódio.

A resposta às necessidades das vítimas exige um esforço contínuo, tanto a nível nacional como europeu, baseado na cooperação entre autoridades, no trabalho integrado e articulado entre as entidades intervenientes, na , partilha de boas práticas e na formação contínua de profissionais.

Assinalar este dia é, acima de tudo, reafirmar o compromisso coletivo com uma Europa mais justa, segura e solidária, onde os direitos das vítimas ocupam um lugar central.

Alphaville - Sounds Like a Melody


O Brilho Efémero de "Sounds Like a Melody": Uma Análise à Obra-Prima dos Alphaville
Lançada em 1984, "Sounds Like a Melody" permanece como um dos marcos indeléveis da Synth-pop europeia, distinguindo-se não apenas pela sua sonoridade, mas pela complexidade que esconde sob uma camada de sintetizadores vibrantes. Numa época em que a maioria das bandas do género utilizava a tecnologia de forma rudimentar para emular sons de cordas, os Alphaville elevaram a fasquia ao criarem uma orquestração eletrónica sofisticada que servia de moldura para uma narrativa profunda sobre a futilidade e a natureza efémera da fama. A canção vive, essencialmente, de um contraste fascinante: soa como um tema pop luminoso e cativante, mas a sua letra carrega uma melancolia densa sobre a vacuidade dos relacionamentos e do estrelato.

O âmago da composição explora a dicotomia entre a ilusão e a realidade. Enquanto o título e o refrão transportam o ouvinte para uma atmosfera onírica, sugerindo que algo "parece uma melodia" ou um sonho perfeito, o verso seguinte desfere um golpe de realismo ao afirmar que "é apenas uma memória" (but it's just a memory). Esta progressão lírica ilustra a sensação de que as experiências mais gratificantes podem ser superficiais e passageiras; é o equivalente musical a estar no auge de uma festa, plenamente consciente de que todo aquele brilho se extinguirá assim que as luzes se apagarem.

Esta visão crítica estende-se ao estilo de vida "Jet Set" dos anos 80, com Marian Gold a utilizar a ironia para dissecar a cultura das celebridades e o desejo desesperado de imortalidade. Através de versos como "Show me your moves / I'm looking for a vision", a banda reflete a busca incessante por uma imagem perfeita e por estímulos novos, algo que se tornou a norma com a ascensão da MTV. A música acaba por descrever encontros rápidos e intensos — romances de uma noite que, embora cinematográficos no momento, se revelam vazios de significado real.

Contudo, o aspeto mais subversivo de "Sounds Like a Melody" reside na sua natureza de metamúsica. Escrita sob forte pressão da editora discográfica para ser um êxito comercial imediato, a banda respondeu ao desafio com um gesto de rebeldia intelectual. Criaram a melodia "orelhuda" que lhes era exigida, mas inseriram nela uma letra que questiona precisamente a "música vazia" e descartável produzida pela indústria fonográfica. Ao cantar sobre palavras vãs e melodias que desaparecem, os Alphaville estavam, na verdade, a comentar a própria engrenagem comercial de que faziam parte, elevando um simples tema de rádio ao estatuto de crítica social intemporal. Videoclipe original e letra


Sounds Like a Melody (versão longa)
(Alphaville)

It’s a rendition of a dream
A fish-eye lens or a golden beam
The stars are playing on a silver screen
In a movie that I've never seen

Show me your moves
I'm looking for a vision
The only rule is: no more rules
And I'm on a mission

[Chorus]
It's a way you look
It's a way you feel
It sounds like a melody
But it's just a memory
It's a way you look
It's a way you feel
It sounds like a melody
But it's just a memory

Your lipstick on my cigarette
The shadow of a silhouette
The music's over and the sun is set
But I'm not ready for a sunrise yet

Show me your moves
I'm looking for a vision
The only rule is: no more rules
And I'm on a mission


[Chorus]

A versão orquestrada de "Sounds Like a Melody" é, para muitos críticos e fãs, a realização plena do potencial que a canção já demonstrava em 1984. Embora a versão original usasse sintetizadores para emular cordas, o projeto "Eternally Yours" (lançado em 2022) permitiu que a banda gravasse o tema com a German Film Orchestra Babelsberg.

Se a versão original de "Sounds Like a Melody" já era audaz pela sua tentativa de mimetizar a grandiosidade clássica através da eletrónica, a reinterpretação orquestral incluída no álbum Eternally Yours eleva o tema a uma nova dimensão cinematográfica. Ao substituir as texturas digitais por uma orquestra real, os Alphaville não se limitaram a fazer uma "cobertura" sinfónica de um êxito antigo; eles despiram a canção da sua armadura tecnológica para revelar a sua essência dramática.

Nesta versão, a introdução de cordas reais confere uma gravidade que o sintetizador dos anos 80, por mais sofisticado que fosse, não conseguia alcançar totalmente. O crescendo orquestral acentua o tom de tragédia e futilidade da letra, transformando o que era um "êxito de discoteca" num verdadeiro poema sinfónico. A voz de Marian Gold, agora mais madura e profunda, navega sobre os arranjos com uma autoridade que reforça a ironia e a melancolia da composição original. É, em muitos aspetos, o fechar de um ciclo: a canção que foi escrita sob pressão para ser um "produto comercial" acabou por se transformar, décadas depois, numa peça de arte erudita, provando que a boa música pop sobrevive a qualquer roupagem estética.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Adam and The Ants - Stand And Deliver


Letra
I'm the dandy highwayman whon you're too scared to mention
I spend my cash on looking good and Pickering your pockets
Well, I'm the dandy highwayman
The one you're too scared to mention
I spend my cash on looking good and Pickering your pockets

Chorus:
Stand and deliver! Your money or your life!
Try and use a mirror, no bullet or a knife!
I don't let no lockdown, I don't let no door
I'm the dandy highwayman that you're looking for!

It's your money or your life
And if you tell a lie, you challenge me to die!
Even though you fool around with your fancy clothes
I'm the dandy highwayman who's looking for your nose!

(Chorus)

Qua qua da diddly qua qua da diddly
(Repeat)

Resultados desta canção com enorme sucesso em todo o mundo.

O Significado: A Estética como Arma de Assalto
O significado de "Stand and Deliver" assenta numa metáfora histórica brilhante para descrever a cena pop britânica do início dos anos 80. Adam Ant assume a personagem de um salteador de estrada (highwayman) do século XVIII, mas com um toque de "Dandy" — ou seja, um homem extremamente elegante e preocupado com a imagem.

A expressão que dá título à canção era o grito de guerra dos bandidos que assaltavam carruagens na Inglaterra antiga, equivalente ao nosso "Alto e para o baile!" ou "A bolsa ou a vida!". No entanto, Adam subverte este conceito: ele não quer apenas o teu dinheiro, ele quer a tua atenção e quer desafiar a monotonia da sociedade.

Quando ele canta "Try and use a mirror, no bullet or a knife" (Tenta usar um espelho, nada de bala ou faca), ele está a dizer que a verdadeira revolução daquela época não se fazia com violência, mas sim com a imagem e a identidade. Para o movimento New Romantic, a maquilhagem, as fardas militares históricas e os penteados extravagantes eram formas de rebeldia contra o cinzentismo do pós-punk.

Em suma, a música é um manifesto sobre o poder do estilo. Adam Ant apresenta-se como um "ladrão" que invade as tabelas de vendas e a televisão, forçando o público a olhar para ele. Ele usa a figura do salteador para mostrar que ser extravagante e "perigoso" visualmente era a forma mais eficaz de chocar o sistema naquela altura.

Adam Ant é o nome artístico de Stuart Leslie Goddard

Site

Falcões aliados dos produtores de cereja, reduzindo 81% de danos na produção e evitando o uso de pesticidas

Mais exemplos de SBN em que os agricultores, morcegos e aves de rapina ambos beneficiam

Os quiriquiri, pequenos falcões, caçam ratos, voles e aves canoras que danificam as culturas de cerejeira. Há décadas que os agricultores adicionam caixas de nidificação para atraí-los.

Podemos tentar cá. Não conheço nenhuma iniciativa destas. Aumentávamos a população de falcões especialmente o Peneireiro-das-torres e Falcão-peregrino e reduzíamos não só o furtivismo assim como reduziríamos exactamente uma das causas principias da vulnerabilidade destas duas espécies: o uso de pesticidas. Segue o estudo académico no Estado de Michigan (27.11. 2025)

Produtores de cereja do Michigan encontram um aliado inesperado na segurança alimentar: os falcões
A colheita da cereja terminou há meses. Mas no norte do Michigan, alguns produtores já antecipam o ressurgimento primaveril de uma pequena ave de rapina que poderá beneficiar a colheita da próxima temporada.

O peneireiro-americano é o falcão mais pequeno dos EUA. Enquanto aves de rapina, os peneireiros dissuadem aves mais pequenas que gostam de petiscar os frutos dos agricultores. No entanto, uma nova investigação sugere que estes "seguranças alados" podem ter um benefício adicional: a segurança alimentar.

Isto de acordo com um estudo da Universidade Estadual de Michigan (MSU), publicado a 27 de novembro no Journal of Applied Ecology.

“É fascinante observá-los em voo”, afirmou a autora principal, Olivia Smith. Eles pairam no ar enquanto examinam o solo abaixo em busca de insetos, ratos e pequenas aves.

As novas descobertas mostram que, ao afugentarem as aves que picam as cerejas, os peneireiros também evitam que estas contaminem as culturas com os seus dejetos. Segundo os investigadores, a investigação poderá ajudar os agricultores a cultivar alimentos mais seguros e saudáveis, gerando maiores lucros.

O desafio do controlo de pragas
“É difícil manter as aves fora das plantações”, disse Smith, professora assistente de horticultura e membro do Programa de Ecologia, Evolução e Comportamento da MSU.

Os produtores já tentaram métodos como redes, dispositivos ruidosos, espantalhos e pulverizações, mas estas abordagens podem ser dispendiosas e nem sempre funcionam. Mesmo com medidas de controlo em vigor, os produtores de cereja doce em estados como Michigan, Washington, Califórnia e Oregon perdem anualmente entre 5% a 30% da sua produção devido às aves.

As aves famintas representam outro problema: defecam. Algumas pessoas receiam que a sujidade que deixam para trás possa estar contaminada com agentes patogénicos que causam doenças nos seres humanos. Assim, os investigadores decidiram verificar se atrair predadores para patrulhar os pomares poderia ajudar a reduzir os riscos.

Resultados da patrulha aérea
A equipa focou-se em caixas de ninhos instaladas em oito pomares de cereja doce no norte do Michigan e descobriu que os peneireiros — que dependem de cavidades em árvores e outras fendas existentes para criar os seus filhotes — instalaram-se rapidamente.

Posteriormente, registaram todas as aves que conseguiam ver ou ouvir à medida que a época da colheita se aproximava. A equipa descobriu que aves como tordos, estorninhos e graxas tinham muito menos probabilidade de visitar os pomares e devorar os frutos quando os peneireiros nidificavam por perto. Ao afugentarem os visitantes famintos, os peneireiros reduziram a probabilidade de danos nas cerejas em mais de dez vezes.

Mas a sua presença teve outro benefício. Os investigadores também encontraram menos sinais de dejetos de aves nas cerejeiras. A presença de peneireiros foi associada a uma redução de 3 vezes nos dejetos avistados nos ramos.

“Certamente, os peneireiros também defecam”, disse a autora sénior Catherine Lindell, professora associada emérita de Biologia Integrativa. No entanto, o número de aves frugívoras que eles mantêm fora do pomar compensa largamente esse facto, acrescentou. De facto, descobriram que as cerejeiras mais próximas das caixas de ninhos dos peneireiros tinham menos probabilidade de estar cobertas de dejetos.

Segurança alimentar e saúde pública
A análise de ADN revelou que 10% dos dejetos continham Campylobacter, uma bactéria que causa frequentemente doenças de origem alimentar, com sintomas como diarreia, febre e cólicas estomacais.

Os investigadores ressalvam que isto não significa que a próxima taça de cerejas vá causar dores de estômago; nenhum dos surtos de doenças alimentares causados por Campylobacter foi associado a cerejas. Da mesma forma, Smith acrescentou que poderá ser cedo demais para culpar as aves por culturas contaminadas. Apenas um surto foi rastreado até aves: um surto de Campylobacter em 2008 causado por grou-comuns migratórios em campos de ervilhas no Alasca.

Contudo, a investigação sugere que os peneireiros poderiam ser uma forma de melhorar a segurança alimentar noutras culturas que têm sido associadas a surtos, como os vegetais de folha verde.

“Eles são realmente bons a manter o nível de dejetos baixo”, disse Olivia Smith. “Isso significa menos oportunidades de transmissão.”

“Isto não resolverá todos os problemas de aves que os agricultores enfrentam”, admitiu. Um dos problemas de depender dos peneireiros, por exemplo, é que eles têm mais probabilidade de se estabelecerem em algumas regiões do que noutras.

“Mas é uma ferramenta de baixo custo e baixa manutenção para os produtores utilizarem no seu conjunto de ferramentas de gestão de aves”, concluiu Lindell.

Leituras adicionais

Espetacular vitória dos ecologistas galegos: a Junta da Galiza rejeita o projeto da multinacional portuguesa Altri de construir uma celulose em plena Galiza verde


O governo da Galiza negou a autorização ambiental à Altri devido à recusa do governo central em conectar a fábrica de celulose à rede elétrica.

O governo de Alfonso Rueda admite que o projeto de uma fábrica de celulose em Palas de Rei (Lugo) é inviável, após o governo central tê-lo excluído do planejamento energético do estado.

Várias pessoas seguram cartazes após uma performance em Palas de Rei (Lugo) organizada na primavera passada por moradores contrários à Altri, juntamente com a construtora Concomitentes. 

O governo da Galiza decidiu não aprovar a autorização ambiental integrada para o projeto de macrocelulose que a multinacional de papel Altri e a empresa galega de eletricidade Greenalia pretendiam instalar na cidade de Palas de Rei, em Lugo, e que nos últimos anos provocou a maior reação social vista na Galiza desde o desastre da fábrica Prestige, em 2002.

A informação foi anunciada na sexta-feira pela Ministra da Economia e Indústria do Governo de Alfonso Rueda , María Jesús Lorenzana , que se baseou na inviabilidade do projeto da empresa dirigida por José Soares de Pina, após o Governo de Pedro Sánchez ter excluído a Altri, no ano passado, dos seus planos de desenvolvimento energético para os próximos anos, privando-a, assim, da ligação à rede elétrica necessária para o seu funcionamento.

"Cabia ao governo central fornecer a ligação à empresa. O arquivamento [do processo] e sua expiração estão ligados à falta de ligação; se não houver ligação à subestação, o projeto é arquivado ", afirmou Lorenzana, acrescentando que considera "difícil" reviver a ideia da fábrica de celulose de Palas porque a próxima revisão do planeamento energético do Estado só ocorrerá em 2030.

O governo galego (Xunta) tomou a sua decisão após meses de protestos em torno de um projeto que o governo de Alberto Núñez Feijóo tentou disfarçar como uma fábrica de fibras têxteis ecológicas, mas que causou indignação na sociedade galega quando se descobriu que se tratava de uma fábrica de celulose convencional, a ser instalada numa área protegida junto a um sítio Natura 2000 e ao Caminho de Santiago, que emitiria gases e partículas tóxicas através de uma chaminé de 75 metros, equivalente às emissões de CO2 de 21.500 carros , e que extrairia 46 milhões de litros de água do rio Ulla, dos quais 30 milhões de litros, purificados mas ainda contaminados, seriam devolvidos ao aquífero que desagua no estuário do rio Arousa .

Apesar de tudo, o governo galego (Xunta) emitiu um parecer favorável sobre o impacto ambiental da Altri no ano passado , um primeiro passo que foi posteriormente condicionado à exclusão do projeto do financiamento europeu através de fundos de descarbonização que a multinacional procurava. A Ministra da Indústria, Rueda, também indicou que "esta semana" informou a empresa de que ela tem três meses, o prazo legalmente estipulado, para "justificar a ligação" que apresentou na proposta do projeto, a qual o governo central negou. Caso não o faça, " o arquivamento formal do processo da Altri será automático ".

Dia Internacional da Língua Materna


Celebrado anualmente em 21 de fevereiro, o Dia Mundial da Língua Materna é muito mais do que uma data no calendário; é um lembrete de que o idioma que aprendemos no colo dos nossos pais é a base da nossa identidade, cultura e forma de ver o mundo.

A data foi proclamada pela UNESCO em 1999 e oficializada pela ONU em 2002.

Sabia que? O idioma Ubykh (Turquia), extinto em 1992, tinha um dos sistemas sonoros mais complexos do mundo. Com a sua morte, sons que o ser humano era capaz de produzir perderam-se para sempre na prática quotidiana.

O desaparecimento acelerado de idiomas no século XXI representa uma das maiores crises de património imaterial da humanidade. Segundo o relatório Ethnologue (2025/2026), aproximadamente 40% das 7.168 línguas catalogadas no mundo estão em risco de extinção, um fenómeno impulsionado pela globalização económica e pela hegemonia de idiomas transnacionais. O World Atlas of Languages da UNESCO (2025) reforça que esta perda não é meramente vocabular, mas sim a erosão de sistemas de conhecimento ecológico, histórico e espiritual únicos. No contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032), o foco global deslocou-se da simples documentação passiva para a revitalização ativa, onde o uso da língua materna na educação básica é apontado como o fator determinante para a sobrevivência de uma cultura.
A tecnologia tem desempenhado um papel ambivalente neste cenário. Se, por um lado, o mundo digital exclui línguas sem representação escrita ou técnica, por outro, surgem ferramentas inovadoras de salvaguarda. Projetos como o Woolaroo, do Google Arts & Culture, utilizam inteligência artificial para identificar objetos através da câmara e traduzi-los instantaneamente para idiomas ameaçados, como o Ibibio ou o Maia, criando uma ponte visual para as novas gerações. Outras plataformas, como o Indigenous Languages Digital Archive (ILDA) e a aplicação FirstVoices, permitem que comunidades isoladas criem os seus próprios dicionários de áudio e jogos educativos, garantindo que a fonética correta seja preservada mesmo quando o número de falantes nativos é reduzido.
A nível bibliográfico, os estudos de Crystal (2000) em Language Death continuam a ser a base teórica para compreender porque é que as línguas morrem, mas são os relatórios anuais da UNESCO (2024, 2025) que traçam o mapa atualizado da urgência. Estes documentos sublinham que a "morte" de uma língua ocorre habitualmente em três gerações: quando os avós a falam, os pais a entendem mas não a praticam, e os filhos a desconhecem por completo. Portanto, as ferramentas de gamificação e os arquivos digitais de livre acesso tornam-se, em 2026, as principais armas contra o silenciamento cultural, transformando dispositivos móveis em veículos de resistência linguística.

Referências e Relatórios Consultados:
Crystal, D. (2000). Language Death. Cambridge University Press.
Eberhard, D. M., Simons, G. F., & Robinson, A. J. (Eds.). (2026). Ethnologue: Languages of the World (29th ed.). 
UNESCO (2025). World Atlas of Languages: Global Status Report on Linguistic Diversity. 
United Nations (2022). Global Action Plan of the International Decade of Indigenous Languages (2022–2032).

Como estamos em Portugal, a análise do nosso território revela um contraste fascinante e preocupante entre a homogeneidade do português padrão e a resistência de pequenos enclaves linguísticos que lutam pela sobrevivência em 2026.

O Caso do Noroeste e Nordeste de Portugal
No interior de Portugal, a erosão linguística está diretamente ligada à desertificação humana. O Mirandês, a única língua regional oficialmente reconhecida (Lei n.º 7/99), entrou num período crítico. Segundo os relatórios mais recentes de monitorização da Associação de Língua e Cultura Mirandesa (ALCM) e estudos da Universidade de Coimbra (2025), o número de falantes nativos fluentes desceu para menos de 5.000 pessoas. Embora o Mirandês seja ensinado nas escolas de Miranda do Douro, o desafio em 2026 é a "interrupção da transmissão geracional": os avós falam, mas os jovens, embora o entendam, optam pelo português no ambiente digital e social.

Mais a sul, na zona de Castelo Branco e Alentejo, temos casos de micro-línguas ou dialetos em estado terminal:

Minderico (Minde): Originalmente uma gíria de comerciantes (piação), evoluiu para uma língua complexa. Hoje, é classificada pela UNESCO como "criticamente em perigo", restando apenas algumas dezenas de falantes que dominam o léxico completo.

Barranquenho (Barrancos): Situado na fronteira, este idioma funde elementos do português e do espanhol (extremenho e andaluz). Em 2021, foi reconhecido como património cultural, mas a pressão dos meios de comunicação de massa em português padrão continua a diluir a sua pureza fonética.

O Contraste com a Amazónia (Brasil)
Se em Portugal o risco é a assimilação cultural, na Amazónia o risco é a extinção física e territorial. O Brasil abriga cerca de 180 línguas indígenas, mas o relatório "Línguas em Trânsito" (2025) indica que a maioria delas possui menos de 1.000 falantes.

Línguas Isoladas: Grupos como os Pirahã mantêm uma língua única, sem números ou cores abstratas, que desafia as teorias linguísticas de Noam Chomsky. Contudo, a pressão do garimpo ilegal e a desflorestação forçam o contacto, o que historicamente leva à rápida substituição da língua nativa pelo português por necessidade de sobrevivência.

Resistência Digital: Em 2026, assistimos a um fenómeno inverso: o uso de redes sociais (TikTok e Instagram) por jovens indígenas (como os das etnias Guajajara ou Puyanawa) para criar conteúdos nos seus idiomas originais. Esta "re-gramatização" digital está a despertar o interesse dos adolescentes pela língua dos avós, transformando o telemóvel numa ferramenta de orgulho identitário.


Bibliografia e Documentação Específica:
Ferreira, M. B. (2024). O Mirandês no Século XXI: Entre a Escola e a Rua. Coimbra: Almedina.
Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (2025). Inventário Nacional da Diversidade Linguística: Foco Amazónia.
Relatório ALCM (2026). Estado da Língua Mirandesa: Censo e Vitalidade. 
UNESCO (2025). Interactive Atlas of the World's Languages in Danger (Edição Digital 2026).
Relatório ALCM (2026). Estado da Língua Mirandesa: Censo e Vitalidade.

Dave Gahan feat. Soulsavers - Take Me Back Home

[Verse 1: Dave Gahan]
The first time you gave me freedom
For the first time I felt free
As long as you were right with me here
There’s nothing else that I would need

[Chorus]
You take me back there
Take me back home, please
No, I can’t go in there
Just take me back home, home (Home, home)
Is where I wanna be

[Verse 2: Dave Gahan]
I was a fool before I met you
Only fools find it hard to believe
You just might be my only savior
If you are, then come and save me
If that’s true, come back and save me

[Chorus]

[Bridge: Dave Gahan]
Where all my stumbling misses
And all your wonderful kisses
That’s where I want to be
That’s just me

[Chorus]

[Outro]
Home, home (Home, home)
Is where I wanna be now

"Take Me Back Home" é uma colaboração profunda entre Dave Gahan (o icónico vocalista dos Depeche Mode) e o projeto britânico de produção eletrónica e blues-rock Soulsavers. A canção faz parte do álbum The Light the Dead See, lançado no ano de 2012.

A canção explora temas universais de redenção, cansaço existencial e a busca por paz interior. Através de uma sonoridade que mistura o blues, o gospel e o rock espiritual, a letra descreve a jornada de alguém que esteve "lá fora" (no mundo, nos excessos ou na escuridão) durante demasiado tempo e agora sente um desejo desesperado de regressar a um lugar de segurança e verdade.

Para Gahan, "Home" (Casa) não representa um espaço físico, mas sim um estado de espírito onde a luz e o amor são constantes, contrastando com as vozes e o "fogo" das experiências passadas que o assombram. É um pedido de auxílio e uma confissão de vulnerabilidade, onde o narrador admite estar cansado de lutar e de fugir, ansiando apenas por uma margem tranquila onde as águas não sejam agitadas. A música funciona como uma prece laica de quem procura encerrar um capítulo caótico da vida para encontrar, finalmente, a serenidade.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Agnes Obel - Camera's Rolling


Letra
The script is burning
On heavy fuel
No time to lose
What will you do?

The camera's rolling
What will you do?
What will you do
That you can't undo?

The gun is loaded
What will you do?
Cruel gifted fools
What will you do?

Esta faixa abre o álbum Myopia (2020). É uma música que lida com a percepção, a memória e a sensação de estar sendo observado ou de estar "atuando" na própria vida. Com melhor som aqui

1. A Percepção da Realidade (Myopia)
O álbum chama-se Myopia (Miopia), e esta canção define o tom para isso. Agnes Obel descreveu o conceito como o estado de estar tão fechado no seu próprio mundo ou pensamento que a percepção do que é real fica distorcida. "The camera's rolling" (A câmara está a gravar) simboliza aquele momento em que nos tornamos autoconscientes, como se estivéssemos a ver a nossa vida de fora, como um filme.

2. Ansiedade e Controle
A repetição das frases sugere um estado de ansiedade. Quando a "câmara grava", há uma pressão para desempenhar um papel. Pode referir-se à sensação de que estamos sempre a ser vigiados (seja pela tecnologia, pela sociedade ou pela nossa própria mente crítica), o que nos impede de ser genuínos.

3. O Processo Criativo
Obel gravou este álbum em isolamento quase total. Ela mencionou em entrevistas que a canção lida com a dualidade de estar sozinho mas sentir que "alguém" (a própria consciência ou o público futuro) está a observar o processo. É a transição do pensamento privado para a performance pública.

Atmosfera Musical
A música utiliza técnicas de pitch-shifting (alteração do tom da voz), o que faz com que a voz de Agnes soe ora mais grave (masculina), ora mais aguda. Isso reforça a ideia de uma identidade fragmentada ou de alguém que está a ser "processado" por uma lente, tal como uma imagem de vídeo.