quinta-feira, 12 de março de 2026

Vítimas silenciosas da guerra: como o conflito do Irão está a envenenar a vida selvagem e o mar


Florestas queimadas, fauna em fuga, mares contaminados: o impacto ecológico do conflito pode durar décadas — muito para além do fim da guerra.
A guerra no Irão continua em fúria — e não é apenas uma guerra entre estados. É também uma guerra contra a natureza.
Enquanto o mundo debate geopolítica, sanções e equilíbrios de poder, as verdadeiras vítimas silenciosas -florestas, zonas húmidas, fauna selvagem e ecossistemas marinhos - estão a ser destruídas, contaminadas e abandonadas.
Os recentes ataques a centrais de dessalinização no Médio Oriente realçam a vulnerabilidade das infraestruturas hídricas nas guerras modernas.
Isto não é simplesmente “dano colateral”. É sabotagem ecológica com efeitos que poderão durar décadas.
Investigadores e organizações independentes têm vindo a alertar para os riscos ambientais associados ao conflito. O Conflict and Environment Observatory tem documentado incidentes ambientais relacionados com operações militares e infraestruturas energéticas na região, demonstrando como a guerra pode gerar impactos ecológicos prolongados 

Florestas queimadas, habitats destruídos
Nas províncias de Lorestan e Kermanshah, ataques militares desencadearam incêndios que devastaram áreas florestais e zonas naturais. Animais fugiram ou morreram queimados enquanto as chamas se propagavam pelos habitats.
As explosões e os incêndios não destroem apenas árvores. Fragmentam ecossistemas inteiros.
Quando os habitats desaparecem, espécies que dependem deles — desde pequenos insetos até mamíferos e aves migratórias - ficam sem abrigo, sem alimento e sem rotas de migração seguras.
Segundo análises do Gulf International Forum, os danos ambientais provocados pelo conflito podem agravar problemas ecológicos já existentes no país, como desertificação, escassez de água e perda de biodiversidade .

Guerra tóxica, legado tóxico
Cada bombardeamento deixa para trás muito mais do que crateras.
A destruição de instalações militares, depósitos de combustível e infraestruturas industriais pode libertar uma mistura perigosa de poluentes: combustíveis, metais pesados, compostos tóxicos e partículas finas.
Incêndios em instalações petrolíferas libertam grandes quantidades de carbono negro e partículas tóxicas que permanecem na atmosfera e acabam por regressar ao solo através da precipitação, contaminando solos e águas subterrâneas.
Essas substâncias podem permanecer no ambiente durante décadas. O resultado é uma contaminação lenta da cadeia alimentar — um processo invisível, mas devastador para a fauna e para as comunidades humanas.
Organizações de investigação ambiental, como a Environmental Protection Knowledge Network, têm alertado para a necessidade urgente de monitorizar os impactos ecológicos do conflito 


O Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz: um ecossistema sob risco
O conflito não se limita ao território iraniano.
No Golfo Pérsico, ataques a portos, navios e infraestruturas petrolíferas aumentam o risco de derrames de petróleo e contaminação marinha. Navios danificados e instalações energéticas atingidas podem libertar grandes quantidades de combustível no mar.
O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, é também uma área crítica para a biodiversidade regional. Mangais, recifes de coral e praias de nidificação podem ser rapidamente afetados por petróleo e produtos químicos.
Projetos internacionais de investigação e proteção ambiental, como o Eco Servants Project, sublinham que conflitos armados podem provocar danos ecológicos irreversíveis e dificultar a recuperação dos ecossistemas 


Quem será responsabilizado?
A comunidade internacional discute cessar-fogos, sanções e diplomacia.
Mas quase ninguém discute as florestas que arderam, os rios que foram contaminados ou as espécies empurradas para a extinção.
E, no entanto, as consequências ambientais da guerra podem durar muito mais tempo do que o próprio conflito.
A restauração de ecossistemas destruídos pode levar décadas — quando é possível restaurá-los.
Enquanto isso, a destruição continua.
Os animais, as florestas e os mares não esperam por tratados de paz.
Eles estão a desaparecer agora.

As observações de satélite confirmam a previsão da variação do nível do mar dos anos 90


As projeções climáticas dos anos 90 acertaram em cheio na subida do nível do mar, mas subestimaram o degelo das camadas de gelo. Agora, com a aceleração da subida do nível do mar, os cientistas alertam para os riscos regionais e para a possibilidade de um colapso catastrófico.

As alterações globais do nível do mar são medidas por satélites há mais de 30 anos e uma comparação com as projeções climáticas de meados da década de 1990 mostra que estas são notavelmente exatas, de acordo com dois investigadores da Universidade de Tulane.

“O derradeiro teste às projeções climáticas é compará-las com o que se passou desde que foram feitas, mas isso requer paciência - são necessárias décadas de observações”. Torbjörn Törnqvist, autor principal do estudo e Professor de Geologia no Departamento de Ciências da Terra e do Ambiente.
Törnqvist frisa ainda que os investigadores ficaram espantados com a qualidade das primeiras projeções, especialmente quando comparamos a rudeza dos modelos existentes na altura, com os que estão disponíveis agora.

O nível do mar não varia de forma uniforme
O coautor Sönke Dangendorf, Professor Associado no Departamento de Ciências e Engenharia Fluvial e Costeira, afirmou que, embora seja encorajador ver a qualidade das primeiras projeções, o desafio atual é traduzir a informação global em projeções adaptadas às necessidades específicas das partes interessadas em locais como o sul do Louisiana.

"O nível do mar não sobe uniformemente - varia muito. O nosso estudo recente desta variabilidade regional e dos processos que lhe estão subjacentes baseia-se, em grande medida, nos dados das missões de satélite da NASA e nos programas de monitorização dos oceanos da NOAA. A continuação destes esforços é mais importante do que nunca e essencial para a tomada de decisões informadas em benefício das pessoas que vivem ao longo da costa.” Sönke Dangendorf.

Uma nova era de monitorização das alterações globais do nível do mar arrancou quando foram lançados satélites no início dos anos 90 para medir a altura da superfície do oceano. Isto mostrou que a taxa de subida global do nível do mar desde essa altura tem sido, em média, de cerca de 0,30 centímetros por ano. Só mais recentemente é que se tornou possível detetar que a taxa de subida do nível do mar está a acelerar.

Quando os investigadores da NASA demonstraram, em outubro de 2024, que a taxa duplicou durante este período de 30 anos, chegou o momento de comparar esta descoberta com as projeções feitas em meados da década de 1990, independentemente das medições por satélite.

As projeções do IPCC verificaram-se bastante próximas da realidade, apesar da subestimação do degelo
Em 1996, o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) publicou um relatório de avaliação pouco depois do início das medições do nível do mar por satélite. Projetava que o valor mais provável da subida global do nível do mar nos próximos 30 anos seria de quase 8 cm, notavelmente próximo dos 9 cm que se verificaram. Mas também subestimou o papel do degelo em mais de 2 cm.

Na altura, pouco se sabia sobre o papel do aquecimento das águas oceânicas e sobre a forma como este poderia desestabilizar os setores marinhos do manto de gelo antártico a partir de baixo. O fluxo de gelo do manto de gelo da Gronelândia para o oceano também tem sido mais rápido do que o previsto.

As regiões com cotas ao nível do mar encontram-se sob maior risco, em caso de subida do nível do mesmo.

As dificuldades do passado em prever o comportamento dos mantos de gelo também contêm uma mensagem para o futuro. As atuais projeções da futura subida do nível do mar consideram a possibilidade, embora incerta e de baixa probabilidade, de um colapso catastrófico do manto de gelo antes do final deste século.

As regiões costeiras baixas dos Estados Unidos seriam particularmente afetadas se esse colapso ocorresse na Antártida.

Referências bibliográficas

R. S. Nerem
Nerem, R. S., Beckley, B. D., Fasullo, J. T., Hamlington, B. D., Masters, D., & Mitchum, G. T. (2018). Climate-change–driven accelerated sea-level rise detected in the altimeter era. Proceedings of the National Academy of Sciences, 115(9), 2022-2025

Torbjörn E. Törnqvist, Clinton P. Conrad, Sönke Dangendorf, Benjamin D. Hamlington. Evaluating IPCC Projections of Global Sea-Level Change From the Pre-Satellite Era. Advancing Earth and Space Science - Earth’s Future (2025).

Viktor Orri Árnason - Hino da Terra


Snæfellsnes é uma península no oeste da Islândia, conhecida pelas suas paisagens dramáticas e pelo glaciar Snæfellsjökull.
No âmbito do projeto “Our Common Nature” de Yo-Yo Ma, Viktor Orri Árnason compôs “Earth Hymn”. Filmado ao vivo à sombra do glaciar Snæfellsnes, com Yo-Yo Ma e um pequeno coro a cantar palavras retiradas da antiga poesia islandesa - este é um apelo ao mundo desde a orla de um planeta em mudança.
Esta é uma peça profundamente evocativa, inspirada na mitologia nórdica e na urgência climática atual. O texto original em nórdico antigo provém do Völuspá (A Profecia da Vidente), um dos poemas mais importantes da Edda em Verso.

I. O Renascimento
Sér hún upp koma
öðru sinni
jörð úr ægi
iðjagræna.
Falla fossar,
flýgur örn yfir,
sá er á fjalli
fiska veiðir.

Vê ela erguer-se, uma segunda vez,
a terra do oceano, de um verde exuberante;
caem as cascatas; sobrevoa a águia,
aquela que, no monte, captura o peixe.

II. A Morada de Ouro
Sal sér hún standa
sólu fegra,
gulli þaktan
á Gimlé.
Þar skulu dyggvar
dróttir byggja
og um aldurdaga
yndis njóta.

Vê ela um salão erguido,
mais brilhante que o sol,
coberto de ouro, em Gimlé:
ali habitarão as gentes honradas,
e para todo o sempre desfrutarão da alegria.

Notas Curiosas para Contexto
  1. Gimlé: na mitologia nórdica, é o lugar mais alto e belo, destinado a sobreviver ao Ragnarök (o fim do mundo). É o refúgio da luz.
  2. "Gentes honradas" (Dyggvar dróttir): a tradução de righteous people em Portugal ganha um peso ético e comunitário, remetendo para aqueles que vivem com integridade.
  3. O simbolismo: A imagem da águia a pescar no monte simboliza uma natureza que recuperou o seu vigor e abundância originais.
Créditos:
Viktor Orri Árnason, maestro e compositor
Yo-Yo Ma, violoncelo
Maria Konráðsdóttir - soprano, Hildigunnur Einarsdóttir - mezzo-soprano, Eyjólfur Eyjólfsson - tenor, Fjölnir Ólafsson - barítono, Philip Barkhudarov - baixo

quarta-feira, 11 de março de 2026

Nestes tempos de belicismo relembro esta canção "Masters of War", magnificamente cantada por Eddie Vedder, durante o Concerto de Aniversário dos 30 anos de carreira de Bob Dylan (1992)


Letra
Come you masters of war
You that build all the guns
You that build the death planes
You that build the big bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks

You that never done nothin’
But build to destroy
You play with my world
Like it’s your little toy
You put a gun in my hand
And you hide from my eyes
And you turn and run farther
When the fast bullets fly

Like Judas of old
You lie and deceive
A world war can be won
You want me to believe
But I see through your eyes
And I see through your brain
Like I see through the water
That runs down my drain

You fasten the triggers
For the others to fire
Then you set back and watch
When the death count gets higher
You hide in your mansion
As young people’s blood
Flows out of their bodies
And is buried in the mud

You’ve thrown the worst fear
That can ever be hurled
Fear to bring children
Into the world
For threatening my baby
Unborn and unnamed
You ain’t worth the blood
That runs in your veins

How much do I know
To talk out of turn
You might say that I’m young
You might say I’m unlearned
But there’s one thing I know
Though I’m younger than you
Even Jesus would never
Forgive what you do

Let me ask you one question
Is your money that good
Will it buy you forgiveness
Do you think that it could
I think you will find
When your death takes its toll
All the money you made
Will never buy back your soul

And I hope that you die
And your death’ll come soon
I will follow your casket
In the pale afternoon
And I’ll watch while you’re lowered
Down to your deathbed
And I’ll stand o’er your grave
’Til I’m sure that you’re dead 
Bod Dylan, 1963

"Masters of War" é, sem dúvida, uma das composições mais viscerais de Bob Dylan, funcionando como um manifesto implacável contra aqueles que lucram com a destruição alheia. Escrita num contexto de profunda ansiedade devido à Guerra Fria e à crescente intervenção militar, a canção distingue-se por não recorrer às habituais metáforas abstratas de Dylan; em vez disso, utiliza uma linguagem direta e gélida para confrontar o complexo industrial-militar. O foco da crítica não são os soldados que combatem no terreno, mas sim os estrategas e fabricantes de armas que, protegidos pelo conforto das suas secretárias e pelas paredes de vidro dos seus escritórios, enviam os jovens para a morte como se fossem meras peças num tabuleiro de xadrez.

Ao longo da letra, Dylan expõe a cobardia inerente a este sistema, acusando os "mestres" de se esconderem enquanto o mundo arde. A utilização de referências bíblicas, como a comparação a Judas, eleva a crítica de um plano meramente político para um plano moral e espiritual. Para Dylan, estas figuras não cometem apenas erros estratégicos; elas cometem um pecado imperdoável contra a própria humanidade ao colocarem o lucro acima da vida e ao brincarem com a ameaça do aniquilamento nuclear como se o mundo fosse um brinquedo descartável.

O que verdadeiramente distingue esta obra de outras canções de protesto da década de 60 é a sua conclusão sombria e desprovida de qualquer otimismo pacificador. Dylan não pede paz ou diálogo; ele expressa um desejo de justiça absoluta e final. Ao declarar que espera seguir estes homens até ao seu túmulo e que se manterá de pé sobre a sua cova até confirmar que partiram definitivamente, o músico canaliza uma fúria profética que reflete o desespero de uma geração que se sentia traída pelos seus líderes. É uma peça de uma agressividade rara, onde o autor despe a diplomacia para revelar a podridão de um sistema que vicia o baralho da existência humana.

Página Oficial do Concerto aqui e aqui

Concerto completo aqui

More Billionaires Than Ever


Billionaires dominate today’s world like never before—and now hold a record $20.1 trillion in collective wealth, according to Forbes’ 2026 World’s Billionaires List.

This year’s ranking features an all-time high of 3,428 entrepreneurs, investors and heirs—20 of whom are now in the ultra-elite “$100 Billion Club.” Among those to hit a dozen digits this year is crypto kingpin Changpeng Zhao, or CZ. And the richest of all is still Elon Musk, who is worth a record $839 billion.

Unsurprisingly, the AI boom has also minted new billionaires, paving the way for younger entrepreneurs to get rich faster than ever. There are a record 35 billionaires under the age of 30.

O ano de 2026 marca um recorde histórico para a classe dos bilionários, impulsionado pela explosão da Inteligência Artificial (IA), mercados financeiros em alta e políticas fiscais favoráveis.

Principais Números:
  1. Total de bilionários: 3.428 pessoas (um aumento de 400 em relação a 2025).
  2. Fortuna combinada: recorde de 20,1 biliões de dólares (um aumento de 4 biliões face ao ano anterior).
  3. Centi-bilionários: existem agora 20 pessoas com fortunas superiores a 100 mil milhões de dólares, detendo juntas 19% de toda a riqueza da lista.
Destaques Individuais:
Elon Musk (1.º lugar): continua a ser a pessoa mais rica do mundo (e de sempre) com 839 mil milhões de dólares. A sua fortuna quase duplicou num ano, impulsionada pela valorização da Tesla e pela expectativa do IPO da SpaceX. Está no caminho para se tornar o primeiro "trilionário" do mundo.

O Domínio Tecnológico: o top 5 é dominado por nomes de tecnologia: Larry Page (2.º), Sergey Brin (3.º), Jeff Bezos (4.º) e Mark Zuckerberg (5.º).

O Fenómeno da IA: a IA foi o grande motor de novos ricos, adicionando 45 novos nomes à lista e elevando a fortuna de veteranos como Jensen Huang (Nvidia), que ocupa agora a 8.ª posição.

Novas Entradas Notáveis: a lista de 2026 conta com 390 recém-chegados, incluindo figuras da cultura pop e do desporto como Beyoncé, Dr. Dre e a lenda do ténis Roger Federer.

Geografia da Riqueza:
Os EUA lideram com 989 bilionários.
A China (incluindo Hong Kong) segue em segundo com 610.
A Índia mantém o terceiro lugar com 229 bilionários.

NECRØ - Hanged Man


Lyrics:

[Verse 1]
All gifts are temporary
A gap in time into nothingness
We are left
Amongst strangers

[Refrão]
A perpetual sound
The pulse of the world
This is the heart
Of a hanged man

Our loss is lost
Our grief is gone
This is the heart
Of a hanged man

[Verse 2]
I had so much time to speak
To choose violence over fear
Feet, sticks and shields
Make sense of this fear
I had so much time to speak

[Verse 3]
Burning
Crashing
Longing
Hurting

[Refrão]

A canção "Hanged Man", presente no EP Death Beats (2023), carrega um simbolismo profundo retirado diretamente da carta XII do Tarot, O Enforcado. O significado da faixa gira em torno de temas como o sacrifício voluntário, a estagnação e a necessidade de observar o mundo sob uma nova perspetiva através da suspensão. Liricamente, a música explora estados de paralisia emocional e isolamento, enquanto a sua estrutura rítmica mecânica e os vocais ecoantes reforçam uma sensação de claustrofobia e inevitabilidade, caraterística da exploração da mortalidade que o projeto propõe.

terça-feira, 10 de março de 2026

A Naifa - Bolero Do Coronel Sensível Que Fez Amor Em Monsanto


Poema original e o álbum aqui 

Poema escrito e cantado em 1992 [1] e infelizmente continua a ser assim
Este poema de António Lobo Antunes é uma das peças mais cortantes da literatura contemporânea portuguesa, servindo como uma autópsia da hipocrisia burguesa e da profunda desigualdade social. A narrativa centra-se num homem que se descreve como alguém extremamente sensível — "eu que me comovo por tudo e por nada" — mas que, na prática, revela uma frieza absoluta e uma capacidade de desumanização assustadora. Ao longo do texto, assistimos à descrição de um encontro sexual pago com uma adolescente, entre os quinze e os dezassete anos, cujo corpo é tratado como um objeto descartável: ele "usa", "paga", "esquece o nome" e "limpa-se com o lenço".

A crueza do relato é acentuada pelos detalhes da miséria da rapariga, que cheira a "mato", à "sopa dos pobres" e ao "suor" da carência, contrastando com a transação clínica de quinhentos escudos. O autor utiliza a metáfora da "coxa em semifusa" e do "rosto de aguarela" para sublinhar a fragilidade e a rapidez com que aquela vida é consumida e deixada para trás, "parada na berma da estrada", enquanto o narrador retoma a sua existência de classe média.

O clímax do poema reside no regresso a casa. O narrador veste a máscara da normalidade, mente à mulher e ao filho dizendo que "fez serão" (trabalhou até tarde), janta calmamente e deita-se. Contudo, a imagem da jovem não o larga. O final sugere que a sua suposta sensibilidade não é empatia, mas sim uma obsessão perturbadora ou um remorso estéril. Ele está na segurança do seu lar, mas o seu pensamento permanece naquele corpo explorado, reforçando a ideia de uma sociedade que se comove com abstrações ou sentimentalismos baratos, mas que é capaz de conviver com a exploração e a degradação humana mais abjeta sem perder o apetite ou o sono.

[1] Nota Linguística: o poema utiliza termos muito específicos do quotidiano português do século XX, como o "alcatrão" (asfalto), o "serão" (trabalho noturno) e os "escudos". É uma crítica social feroz à "boa sociedade" que, por trás das portas, explora a miséria mais profunda.

What are the world’s deadliest animals, and can we protect ourselves against them?

O artigo explica que, embora tenhamos medo de tubarões ou lobos, os animais que mais matam humanos são os mosquitos (cerca de 700.000 a 1 milhão de mortes/ano por doenças) e as cobras. O gráfico do Our World in Data mostra que o risco real está muito mais ligado à exposição a doenças e parasitas do que a ataques diretos de grandes animais.

One and a half million people are killed by animals every year. Almost one million by other animals, and more than half a million from direct conflict among ourselves.

Almost all of these deaths from other animals are caused by just two types: mosquitoes and snakes.

In the chart above, we’ve brought together estimates of the number of people killed by different animals.

These numbers are estimates, and some come with significant uncertainty. That’s why we’ve published a detailed methodology explaining our sources and how they compare. Despite this uncertainty, we feel confident about the relative orders of magnitude across different animals.1

The biggest killers, by far, are mosquitoes. They have been one of our biggest threats for millennia, and still kill approximately 760,000 people every year.2 Over 80% of those deaths are the result of malaria, which is transmitted and spread by the Anopheles mosquito. Malaria still kills close to half a million children every year.

Another 100,000 people die every year from other mosquito-borne diseases, including dengue fever and yellow fever (spread by the mosquito species Aedes aegypti) and Japanese encephalitis.

Almost all deaths from other animals are caused by just two types: mosquitoes and snakes.

Snakes are one of the most common phobias, and you can see why. They are the second largest killers. The death toll from venomous snakes is surprisingly uncertain, as many of these deaths occur in rural areas where death records are often poor.3 But the figure is likely to be around 100,000 deaths per year. That means snakes kill more than all animals below them on the list combined.4

Most of those remaining deaths are caused by dogs, the animals that humans have grown to love as domesticated pets. The majority are due to rabies, rather than direct wounds.

Near the bottom of the list, we reach the animals that dominate our nightmares — sharks and wolves. They make for gripping headlines and blockbuster films. But in reality, shark and wolf attacks are very rare.

Of course, they don’t kill fewer people because they’re less dangerous. We’d rather be locked in a room with a mosquito than a lion. The real difference is exposure: it’s much easier to avoid large predators than it is to avoid disease-carrying insects and parasites.5

The good news is that most deaths from animals — especially the largest killers — are preventable. We have bednets and insecticide sprays to reduce exposure to mosquitoes, and medication to treat malaria if someone does become infected. New techniques, such as the Wolbachia method, have been developed to stop the spread of dengue fever. Antivenoms can often save someone from a potentially fatal snakebite.6

The problem is that not everyone has access to these preventive and treatment methods when they need them.7 If these small killers received the same global attention as large predators, more effort might go into stopping them. That is one reason why these comparisons are useful: as a reminder of what people are actually dying from, and where the most lives could be saved.There are other diseases — in particular, neglected tropical diseases — that could also be dramatically reduced with better access to treatment.

In many regions, deaths from mosquitoes have decreased dramatically. Malaria was once prevalent in countries that are now free of it. If we could achieve this in all parts of the world, the number of deaths caused by other animals would be almost six times smaller.8

If we were to also eliminate deaths from snakes through the use of antivenoms and better diagnostics, the death toll would be again reduced by almost two-thirds.9


Methodology

Data centers — a contradição energética da transição digital

Portugal tornou-se, nos últimos anos, um destino apetecível para a instalação de data centers. A localização geográfica, a ligação a cabos submarinos transatlânticos, o clima temperado e os custos energéticos competitivos colocaram o país no mapa dos grandes operadores tecnológicos. Os números são expressivos: estima-se que o setor passe de um contributo de 160 milhões de euros para o PIB em 2024 para mais de 3,7 mil milhões em 2031, com um consumo energético previsto de 8,5 TWh por ano, segundo o estudo Market Outlook Data Centers Portugal 2025, da Portugal DC. Esta semana, a Digital Realty, empresa norte-americana com um valor de mercado superior a 62 mil milhões de dólares, anunciou a sua entrada em Portugal com entrada em operação prevista para 2027. O sinal de que esta vaga está a chegar é inequívoco.

O discurso que acompanha esta expansão é, regra geral, o mesmo: compromissos de carbono zero, garantias de origem renovável, PPAs de energia limpa assinados e relatórios de sustentabilidade elaborados com detalhe. A imagem projetada é a de uma indústria verde, digital e consciente. E essa imagem não é totalmente falsa grandes operadores tecnológicos investem genuinamente em energia renovável. No entanto, o problema é que esse investimento tem um ponto cego de dimensão considerável, e esse ponto cego chama-se continuidade de fornecimento.

Um data center de grande escala consome entre 50 e 500 MW de forma ininterrupta, 24 horas por dia, 365 dias por ano, maioritariamente para refrigeração dos equipamentos. Esta exigência de continuidade torna-o estruturalmente incompatível com a variabilidade das fontes renováveis. Um parque solar produz durante algumas horas por dia. Um parque eólico produz quando o vento sopra. Um data center não para. Nunca. Isso significa que a infraestrutura de rede pública tem de garantir capacidade de fornecimento em qualquer momento, dimensionada para o pico de consumo com redundância absoluta, isto independentemente de quantos PPAs o operador tenha assinado. Os acordos de compra de energia renovável não dispensam o reforço das redes de transporte e distribuição. E esse reforço implica infraestrutura adicional, mais cabos, mais subestações, mais capacidade de geração de reserva. Parte desta capacidade de reserva é ainda hoje assegurada por fontes convencionais. Este é o verdadeiro desafio de planeamento que o crescimento dos data centers coloca à REN e à E-Redes, e é um desafio que raramente aparece nas páginas de sustentabilidade dos operadores.

A questão não é, portanto, se os data centers usam energia renovável. Muitos usam, ou compram certificados que o atestam. A questão é se a renovável que financiam é adicionada ao sistema, ou se apenas é contabilizada em relatórios enquanto o consumo real aumenta a pressão sobre uma rede que ainda depende parcialmente de combustíveis fósseis para garantir segurança de abastecimento. Há uma diferença enorme entre um PPA assinado algures na Península Ibérica e um parque solar ou eólico novo, construído em Portugal, a alimentar diretamente a carga de um data center. Só o segundo representa uma âncora verde real. O primeiro é, em grande medida, declaratória.

Faria sentido que a E-Redes condicionasse a aprovação de novos pedidos de ligação de grande consumo à apresentação de um plano concreto de instalação de capacidade renovável dedicada. Não para bloquear o crescimento do setor, mas para garantir que esse crescimento tem uma correspondência real no sistema energético e não apenas nos relatórios anuais. Existem precedentes. Nos Estados Unidos, a Federal Energy Regulatory Commission introduziu o conceito de “Bring Your Own Generation” (BYOG), que levou os grandes hyperscalers a assumir o compromisso formal de trazerem a sua própria capacidade de geração. Na Irlanda, foi mais longe ainda: os novos data centers têm de garantir que uma parte significativa da energia consumida provém de renovável nova, desenvolvida no país. O data center deixa de ser apenas um consumidor e passa a ser parte da solução para a transição energética.

Existem duas consequências desta equação energética que merecem atenção redobrada da comunidade ambiental, precisamente porque surgem envoltas em argumentos aparentemente razoáveis.

A primeira é o regresso silencioso do debate nuclear. A tendência já é observável nos EUA, onde a Microsoft reativou a central de Three Mile Island encerrada em 2019, através de um contrato de 20 anos exclusivamente para alimentar os seus data centers. Google e Amazon seguiram com investimentos em reatores modulares de nova geração. A necessidade de geração despachável, energia que se liga e desliga conforme a procura, ao contrário do solar e do eólico (é um dos argumentos centrais que os defensores do nuclear têm utilizado para reabrir a discussão em Portugal). Os data centers são, neste contexto, o catalisador perfeito: uma carga enorme, contínua e previsível, que justificaria a estabilidade de base que o nuclear promete oferecer. O argumento tem uma lógica técnica própria, e seria desonesto ignorá-la por completo. Mas é também um argumento que merece escrutínio ambiental sério, sobre a possibilidade, se quer, de algum município aceitar na sua zona uma central nuclear, sobre custos reais, prazos de construção, gestão de resíduos e o que representa face a um sistema renovável bem desenhado com armazenamento. O que não pode acontecer é que a procura dos data centers se torne, por omissão regulatória, o pretexto para decisões energéticas estruturais que o país não debateu adequadamente.

A segunda é a pressão crescente sobre o território para instalar renovável em grande escala. Alimentar um único data center de 200 MW de forma contínua exigiria cerca de 400 ha de painéis solares. A resposta ao modelo BYOG e às exigências de fontes renováveis próprias tende a traduzir-se em projetos de grande dimensão, com decisões de localização condicionadas pela escala dos contratos e não necessariamente pela melhor integração territorial disponível. Em Portugal, onde o licenciamento de grandes infraestruturas energéticas já enfrenta contestação crescente, esta pressão adicional sobre o território é uma variável que os próprios promotores de data centers raramente incorporam nas suas projeções. A procura dos data centers não cria apenas um desafio para a rede elétrica, cria também uma pressão sobre o pipeline de projetos renováveis que o país terá de gerir com critério.

A digitalização da economia é um processo irreversível e, em muitos aspetos, positivo para a descarbonização de outros setores. Mas não é, por si mesma, sinónimo de sustentabilidade energética. Os data centers que chegam a Portugal trazem capital, emprego qualificado e capacidade computacional. Trazem também uma pegada energética considerável que o sistema elétrico nacional terá de suportar. A questão não é se os queremos cá. É se vamos exigir que a sua presença contribua genuinamente para a transição energética ou se nos contentamos com a narrativa verde enquanto a conta ambiental fica, silenciosamente, por pagar.

Saber mais:

segunda-feira, 9 de março de 2026

Depeche Mode - Universal Soldier


Melhor som aqui

Versão original de  Buffy Sainte-Marie

O contexto actual tem algumas semelhanças. Contudo, o belicismo parte agora mais da NATO e da administração de Donald Trump

‘A very dangerous person’: alarm as Pete Hegseth revels in carnage of Iran war

Not a single senator probed the most dangerous part of Hegseth's background: his support for white Christian nationalism [Fonte]

Critics say brash, bombastic Fox News host out of his depth to guide US military through murky new Middle East conflict



Brash and bellicose, he sounded more like a cartoon bully than a sombre statesman. “Death and destruction from the sky all day long,” Pete Hegseth, wearing a red, white and and blue tie and pocket square, bragged to reporters at the Pentagon near Washington. “This was never meant to be a fair fight, and it is not a fair fight. We are punching them while they’re down, which is exactly how it should be.”

Hegseth, 45, a former Fox News TV host who now commands the world’s most powerful military, has this week become the face of Donald Trump’s war in Iran. That has set off alarm bells for critics who warn that the Secretary of Defense – pointedly rebranded “Secretary of War” – has rapidly transformed the Pentagon into the staging ground for an ideological and religious crusade.

With machismo, Christian nationalism and callousness toward the lives of US troops, they say, Hegseth’s puerile displays on TV are aimed at sating Trump’s desire for a warmonger worthy of the manosphere. This was reinforced by a lurid social media video that intersperses clips from Hollywood blockbusters such as Braveheart, Gladiator, Superman and Top Gun with Hegseth and real kill-shot footage of the attacks in Iran.

Janessa Goldbeck, chief executive of Vet Voice Foundation, a nonprofit advocacy organisation, said: “Pete Hegseth is a very dangerous person. He’s a white Christian nationalist and has the arsenal of the United States government at his disposal and a permission slip from President Trump to deploy carnage wherever he wishes against whomever he wishes.”

Hegseth’s rise would have been unthinkable under any other commander-in-chief. Born in Minneapolis, he studied politics at Princeton University and became publisher and editor of the Princeton Tory, a conservative student journal, where he frequently waded into culture-war issues such as feminism and homosexuality.

After leaving Princeton, Hegseth joined the US army national guard as an infantry officer. His service included deployments to Guantánamo Bay in Cuba and tours of Iraq and Afghanistan. He later revealed in a book that he told soldiers under his command in Iraq to ignore legal advice about when they were permitted to kill enemy combatants under their rules of engagement.

Hegseth became chief executive of Concerned Veterans for America, a conservative advocacy group, but departed in 2016 amid allegations of financial mismanagement, sexual impropriety and personal misconduct.

In 2018 Hegseth’s mother, Penelope, sent him an email that said: “You are an abuser of women – that is the ugly truth and I have no respect for any man that belittles, lies, cheats, sleeps around, and uses women for his own power and ego. You are that man (and have been for years) and as your mother, it pains me and embarrasses me to say that, but it is the sad, sad truth.”

Hegseth subsequently became a familiar face on TV as a contributor and co-host of Fox & Friends on Fox News, frequently interviewing Trump and defending his policies. He once wrote that, in the event of a Democratic election win, “the military and police … will be forced to make a choice” and “Yes, there will be some form of civil war”.

But Trump prevailed in 2024 and nominated Hegseth to serve as secretary of defence. At his confirmation hearing, senators raised serious questions about his record: disparaging remarks about women serving in the armed forces; allegations that he drank while on duty; claims of sexual assault and misconduct; his troubled tenure running two small veterans’ nonprofit organisations; and his lack of experience for a post overseeing the world’s most powerful military.

The Senate ultimately split 50–50, forcing the vice-president, JD Vance, to cast the tie-breaking vote. As defence secretary Hegseth has vowed to “unleash overwhelming and punishing violence” on enemies and promised to dispense with “stupid rules of engagement” – rules designed to restrict attacks on civilian populations.

Now, in his first week guiding the nation through a murky new Middle East conflict, Hegseth has largely forgone the solemnity of a traditional defence secretary in favour of the performative antics of a partisan broadcaster revelling in America’s capacity to inflict violence.

For years he had cultivated a hypermasculine “muscleman” aesthetic designed to play to Trump’s sensibilities and the rightwing media ecosystem. Now, faced with a geopolitical crisis that demands nuance and strategic foresight, he appears to many to be out of his depth.

Goldbeck, a Marine Corps veteran who was deployed overseas as a combat engineer officer, commented: “I wish I could say how cavalier, obtuse and hopeless Secretary Hegseth is at leading the Pentagon. I can’t even muster the words to describe his self-adulation, matched only in scope by his apparent moral depravity.”

She added: “Let’s not forget that Pete Hegseth is a former morning-show Fox News TV host, and has this cartoonish persona, speaking what he thinks is tough-guy language, but sounds to me as a veteran and to many of my peers who served in combat like somebody who is completely inept and pretending to have this macho persona.

“Honestly, it’s embarrassing. We know this guy is incompetent. I wouldn’t feel safe leaving Pete Hegseth in charge of putting together a DoorDash order.”

Hegseth at the International Christian Media Convention in Nashville last month. [Fonte]

Former White House officials share the concerns. Brett Bruen, president of the public affairs agency Global Situation Room and former global engagement director of the Barack Obama administration, said: “Hegseth is ill-suited for the kind of reassurance and strategy that Americans and our allies need to hear from the Pentagon right now.

“They don’t need a bumper sticker. They don’t need the bravado and the brashness that he brings. They need to know that America’s military is in strong, stable hands and what we have seen in his first couple of war press conferences is an inability to move beyond this Fox personality and into the role of leader of our nation’s military at a time of war.”

During his Pentagon briefing on the war on Wednesday, Hegseth adopted a bombastic tone, saying of Iranian leaders: “They are toast and they know it. Or at least soon enough they will know it. America is winning – decisively, devastatingly and without mercy.”

He bashed “fake news” while addressing the six army reservists killed in an Iranian attack on an operations center in Kuwait. “When a few drones get through or tragic things happen, it’s front-page news. I get it. The press only wants to make the president look bad. But try for once to report the reality. The terms of this war will be set by us at every step.”

The comments provoked uproar for their lack of empathy for America’s fallen. Jeremy Varon, a history professor at the New School for Social Research in New York, said: “That’s outrageous. You have a national effort by all media regardless of partisan bent to memorialise and honour the dead and he sees that simply as a tactic to bring down Trump.”

There was another aspect of Hegseth’s personality barely addressed by the Senate: his sympathy for Christian nationalism. Photos have shown him bearing two tattoos associated with crusader imagery. One depicts the Jerusalem cross – a cluster of five crosses long connected to medieval crusader iconography – on his chest.

Nearby is an image of a sword accompanied by the Latin phrase “Deus vult”, meaning “God wills it”, a slogan historically linked to the crusades and revived in recent years by various far-right groups. It appeared on clothing and flags carried by some participants in the January 6 Capitol attack.

Nor are the references merely symbolic. In his 2020 book, American Crusade, Hegseth wrote that those who benefit from “western civilisation” should “thank a crusader”. The book suggests that democratic politics alone may not suffice to achieve the goals of his political allies, declaring: “Voting is a weapon, but it’s not enough. We don’t want to fight, but, like our fellow Christians one thousand years ago, we must.”

There have been reports of more troubling behaviour. The New Yorker reported that a colleague at Concerned Veterans for America complained that he and another man repeatedly shouted “Kill all Muslims!” during a drunken episode at a bar while travelling for work.

Hegseth has previously endorsed the doctrine of “sphere sovereignty”, a worldview derived from the extremist beliefs of Christian reconstructionism (CR). The philosophy calls for capital punishment for homosexuality and strictly patriarchal families and churches.

The defence secretary attends Pilgrim Hill Reformed Fellowship, a church linked to the Communion of Reformed Evangelical Churches, a denomination co-founded by the pastor Doug Wilson, who has openly advocated a theocratic vision of society in which wives should submit to their husbands and women should be denied the vote. Wilson recently led a worship service at the Pentagon at Hegseth’s invitation.

Robert P Jones, president and founder of Public Religion Research Institute thinktank in Washington, said: “This is not one or two comments. It’s not a kind of one-off behaviour. This is like a longstanding publicly demonstrated orientation that Hegseth has. It’s not just a glorification of violence but a glorification of violence in the name of Christianity and civilisation.”

The Military Religious Freedom Foundation (MRFF) says it has received more than 200 complaints from service members about military commanders invoking extremist Christian rhetoric about biblical “end times” to justify involvement in the Iran war. Such language could also be offensive to Arab allies and provide Iran with the fodder it needs to justify its own holy war against the US.

Jones warned: “It casts this not as anything related to the public – is it about a nuclear programme? Is it about sponsoring terrorism? – which are legitimate political concerns. It takes it out of the realm of politics and casts it as a holy war of a supposedly Christian nation against a Muslim nation.”

Doug Pagitt, a pastor and executive director of the progressive Christian group Vote Common Good, compares Hegseth’s worldview to the historical heresy of Constantine, who allegedly painted a cross on his shield to conquer in the name of God – a theology the broader Christian church has spent centuries trying to distance itself from following the horrors of the Crusades.

Pagitt said: “It seems to me that Pete Hegseth has a worldview, which is contorted toward thinking that this administration has a particular divine calling. He believes – because he said it – that God has uniquely ordained Donald Trump and those that he chooses to accomplish very specific purposes in the world.

“Pete Hegseth’s own version of Christianity is one that’s built around a certain Christian advancement that comes through the domination of the governments of nations. He believes that not only is the military at his disposal to use for his purposes but it’s there to fulfill God’s agenda for the world.”

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Mais de metade das empresas quer aumentar participação no mercado voluntário de carbono até 2030


À medida que as regulamentações ambientais, sociais e de governação (ESG) enfrentam novos desafios políticos e económicos, um novo inquérito global da SE Advisory Services — o ramo de consultoria global da Schneider Electric, empresa de tecnologia energética — aponta para uma mudança no posicionamento das empresas: os líderes empresariais e os profissionais de sustentabilidade estão a confiar cada vez mais nos créditos de carbono como instrumentos credíveis de ação climática.

De acordo com o relatório Carbon Credit Outlook 2025, dois terços das empresas já utilizam normas certificadas pela International Carbon Reduction and Offset Alliance (ICROA), enquanto 55% aplicam os Princípios Fundamentais de Carbono (CCPs) do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM) para avaliar a qualidade dos projetos. Estes dados indicam que as normas, os sistemas de verificação e as infraestruturas associadas aos créditos de carbono de elevada integridade estão cada vez mais consolidados.

O que anteriormente era visto como um mercado envolto em ceticismo tem vindo a amadurecer, tornando-se mais estruturado e orientado para resultados. Segundo o estudo, 40% dos inquiridos afirma que as suas organizações já participam em atividades relacionadas com créditos de carbono, utilizando-os para gerir o risco climático, reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento e criar valor a longo prazo.

A tendência deverá intensificar-se nos próximos anos. Mais de metade das empresas (55%) planeia aumentar a sua participação no mercado voluntário de carbono até 2030, enquanto apenas 12% afirma não integrar estes instrumentos na sua estratégia climática.

“Num contexto em que a descarbonização global exige investimentos sem precedentes — sendo que só os países em desenvolvimento necessitam de um bilião de dólares por ano até 2030 —, os créditos de carbono oferecem um mecanismo comprovado para as organizações apoiarem ações climáticas verificadas, ao mesmo tempo que constroem valor estratégico”, afirma Mathilde Mignot, diretora do grupo de Soluções Baseadas na Natureza e na Tecnologia da SE Advisory Services.

Segundo a responsável, a perceção empresarial está a mudar. “Quando quase um em cada cinco inquiridos está a desenvolver os seus próprios projetos, torna-se claro que o mercado está a ganhar dinamismo. Estas empresas reconhecem que controlar a sua própria estratégia de carbono lhes permite também controlar a sua narrativa climática”, acrescenta.

O estudo revela ainda que as empresas estão a diversificar os seus portefólios de créditos de carbono. Os créditos de remoção baseados na natureza — como projetos de florestação, reflorestação e restauração de ecossistemas — continuam a ser a prioridade para metade dos inquiridos (50%), sobretudo pelo impacto climático imediato e pelos benefícios associados à biodiversidade e às comunidades locais.

Em segundo lugar surgem os créditos de prevenção e redução de emissões, que incluem iniciativas de proteção florestal, energias renováveis e eficiência energética, priorizados por 34% das empresas. Já 16% dos inquiridos dá preferência a soluções tecnológicas ou híbridas de remoção de carbono, como a captura direta de carbono do ar (DAC), a bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) e o biocarvão, refletindo um reconhecimento crescente do papel destas tecnologias nas estratégias climáticas de longo prazo.

Apesar do crescente interesse, persistem obstáculos à expansão do mercado. Quase metade dos participantes no inquérito (46%) identifica a falta de orientações claras sobre a integração dos créditos de carbono nas atuais estruturas climáticas como o principal entrave, enquanto 40% aponta a incerteza nas políticas governamentais.

“Os líderes empresariais estão cada vez mais confiantes na infraestrutura de qualidade que já existe, mas precisam de orientações claras sobre como os créditos de carbono voluntários complementam os sistemas de conformidade”, afirma William Theisen, diretor comercial de Soluções Baseadas na Natureza e na Tecnologia da SE Advisory Services. “Criar caminhos transparentes entre a ação voluntária e a regulamentada ou apoiada pelo governo é o próximo passo para permitir uma ação corporativa credível e em larga escala.”

Atualmente, 37 jurisdições já integram sistemas de créditos ou de fixação de preços de carbono nas suas políticas nacionais. A SE Advisory Services prevê que estes instrumentos assumam um papel cada vez mais central nas estratégias de descarbonização de empresas e governos.

O relatório destaca ainda o surgimento, em 2025, de coligações governamentais destinadas a reforçar os mecanismos do mercado voluntário de carbono e a harmonizar padrões de qualidade. Para transformar a confiança empresarial em impacto real, a consultora defende uma maior coordenação entre governos, entidades reguladoras e investidores, criando estruturas claras que permitam mobilizar capital privado na escala necessária para alcançar os objetivos globais de neutralidade carbónica.

Tempers - Strange Harvest


Letra
[Verse 1]
Night passing through windows
Turning them on
Turning them off

[Pre-Chorus]
Sometimes all I've got is other people's windows
Sometimes all I've got is other people's windows
Seeing through me

[Chorus]
Let them find you when you know you're lost
You've been kneeling in a false dawn
Let them take you 'coz you don't belong
In these waves
In these waves

[Verse 2]
Time will come to life again
My strange harvest
Will taste sweet again

[Pre-Chorus]
Something I can't touch is reaching out for me
Something I can't touch is reaching out for mе
Seeing through me

[Chorus] 3X
Let them find you when you know you're lost
You've been kneeling in a false dawn
Let them take you 'coz you don't belong
In these waves
In these waves

A música 'Strange Harvest' da banda Tempers explora temas de alienação, perda e a busca por um sentido no meio do caos. A letra começa com a imagem de 'noite passando pelas janelas', sugerindo uma sensação de observação passiva e desconexão. A repetição da frase 'às vezes tudo o que tenho são as janelas dos outros' reforça a ideia de viver indiretamente, através das experiências alheias, sem uma conexão genuína com a própria realidade. Essa metáfora das janelas pode simbolizar a superficialidade das interações modernas, onde as redes sociais e a tecnologia muitas vezes nos fazem sentir como espectadores da vida dos outros.

O refrão 'deixe que te encontrem quando você sabe que está perdido' sugere uma rendição à vulnerabilidade e à aceitação de ajuda. A expressão 'ajoelhado em uma falsa aurora' indica uma esperança ilusória, uma busca por algo que não é real ou sustentável. A música fala sobre a sensação de não pertencer, de estar fora de sintonia com o ambiente ao redor, representado pelas 'ondas'. Essas ondas podem simbolizar as pressões sociais e emocionais que nos rodeiam, tornando difícil encontrar um lugar de pertença.

A ideia de 'colheita estranha' que 'terá um gosto doce novamente' sugere uma transformação pessoal. Apesar das dificuldades e da sensação de alienação, há uma promessa de renovação e de encontrar algo valioso em meio ao caos. A linha 'algo que não posso tocar está me alcançando' pode ser interpretada como uma força invisível ou espiritual que oferece esperança e redenção. A música, com sua atmosfera sombria e introspectiva, convida o ouvinte a refletir sobre suas próprias experiências de perda e redescoberta, e a encontrar beleza e significado mesmo nas situações mais desafiadoras.

domingo, 8 de março de 2026

You'll Never Get To Heaven - Caught In Time, So Far Away


Letra
This dream goes on forever
Keeps on and on
Can't reconcile the apathy
Its hold too strong
Automated, my senses are
Numb, broke and bleak
When it gets worse, I'll ask for you to believe
In me

Caught in time, so far away
Dreams linger on
Can't recreate naivety
The feeling's gone
Heavy hearts hung out to dry
It's plain to see
When it gets worse I'll ask for you to believe
In me

Automated, my senses are
Numb, broke and bleak
When it gets worse, I'll ask for you to believe
In me
To believe
In me

Footages fom the film "Dolls" de Takeshi Kitano 

Os You’ll Never Get to Heaven são um duo canadiano, originário de London, Ontário, composto por Alice Hansen e Chuck Blazevic. A sua sonoridade é uma das mais fiéis representações do que hoje entendemos por pop etérea, fundindo texturas de ambient, dream pop e uma nostalgia quase fantasmagórica que os críticos frequentemente associam ao conceito de hauntology. É uma música que não se impõe pela força, mas sim pela envolvência, assemelhando-se a uma neblina sonora onde a voz de Hansen flutua, processada e distante, como se fosse um eco de outra época.

A canção "Caught in Time, So Far Away" funciona como uma meditação profunda sobre a suspensão e o isolamento. O título sugere imediatamente alguém que ficou retido num momento específico do passado, incapaz de acompanhar o fluxo do presente. Em termos de significado, a letra não procura narrar um evento concreto, mas sim capturar o estado emocional de quem observa a própria vida através de uma lente baça. Existe uma melancolia inerente à ideia de estarmos "tão longe" (so far away), não necessariamente em termos de distância física, mas de desconexão emocional.

Ouvir este tema é como folhear um álbum de fotografias antigas onde as figuras começam a desaparecer. A música evoca a beleza triste da impermanência e a sensação de que certas memórias são tão vívidas que acabam por se tornar mais reais do que a própria realidade imediata. É, em última análise, um convite à introspeção, onde o ouvinte é transportado para um espaço liminal, algures entre o sonho e a vigília, onde o tempo parece ter parado por completo.

Sites
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Dia Internacional da Mulher - International Women’s Day

Nenhum país do mundo atingiu a igualdade legal entre homens e mulheres [ONU]

The Silent Architect
"She is the interval between the notes,
The steady hum that holds the sky.
While the world demands a roar,

She offers the Inspirit -
The breath that turns bone into wing.

We need her because she is the anchor
In a sea of hollow noise.

A weaver of grace, a vessel of light,
Building worlds in the quiet,
Holding the pulse until it learns to sing.

Without her, the earth is merely stone.
With her, it is a symphony. "

João Soares 08.03.2026