sábado, 21 de fevereiro de 2026

Falcões aliados dos produtores de cereja, reduzindo 81% de danos na produção e evitando o uso de pesticidas

Mais exemplos de SBN em que os agricultores, morcegos e aves de rapina ambos beneficiam

Os quiriquiri, pequenos falcões, caçam ratos, voles e aves canoras que danificam as culturas de cerejeira. Há décadas que os agricultores adicionam caixas de nidificação para atraí-los.

Podemos tentar cá. Não conheço nenhuma iniciativa destas. Aumentávamos a população de falcões especialmente o Peneireiro-das-torres e Falcão-peregrino e reduzíamos não só o furtivismo assim como reduziríamos exactamente uma das causas principias da vulnerabilidade destas duas espécies: o uso de pesticidas. Segue o estudo académico no Estado de Michigan (27.11. 2025)

Produtores de cereja do Michigan encontram um aliado inesperado na segurança alimentar: os falcões
A colheita da cereja terminou há meses. Mas no norte do Michigan, alguns produtores já antecipam o ressurgimento primaveril de uma pequena ave de rapina que poderá beneficiar a colheita da próxima temporada.

O peneireiro-americano é o falcão mais pequeno dos EUA. Enquanto aves de rapina, os peneireiros dissuadem aves mais pequenas que gostam de petiscar os frutos dos agricultores. No entanto, uma nova investigação sugere que estes "seguranças alados" podem ter um benefício adicional: a segurança alimentar.

Isto de acordo com um estudo da Universidade Estadual de Michigan (MSU), publicado a 27 de novembro no Journal of Applied Ecology.

“É fascinante observá-los em voo”, afirmou a autora principal, Olivia Smith. Eles pairam no ar enquanto examinam o solo abaixo em busca de insetos, ratos e pequenas aves.

As novas descobertas mostram que, ao afugentarem as aves que picam as cerejas, os peneireiros também evitam que estas contaminem as culturas com os seus dejetos. Segundo os investigadores, a investigação poderá ajudar os agricultores a cultivar alimentos mais seguros e saudáveis, gerando maiores lucros.

O desafio do controlo de pragas
“É difícil manter as aves fora das plantações”, disse Smith, professora assistente de horticultura e membro do Programa de Ecologia, Evolução e Comportamento da MSU.

Os produtores já tentaram métodos como redes, dispositivos ruidosos, espantalhos e pulverizações, mas estas abordagens podem ser dispendiosas e nem sempre funcionam. Mesmo com medidas de controlo em vigor, os produtores de cereja doce em estados como Michigan, Washington, Califórnia e Oregon perdem anualmente entre 5% a 30% da sua produção devido às aves.

As aves famintas representam outro problema: defecam. Algumas pessoas receiam que a sujidade que deixam para trás possa estar contaminada com agentes patogénicos que causam doenças nos seres humanos. Assim, os investigadores decidiram verificar se atrair predadores para patrulhar os pomares poderia ajudar a reduzir os riscos.

Resultados da patrulha aérea
A equipa focou-se em caixas de ninhos instaladas em oito pomares de cereja doce no norte do Michigan e descobriu que os peneireiros — que dependem de cavidades em árvores e outras fendas existentes para criar os seus filhotes — instalaram-se rapidamente.

Posteriormente, registaram todas as aves que conseguiam ver ou ouvir à medida que a época da colheita se aproximava. A equipa descobriu que aves como tordos, estorninhos e graxas tinham muito menos probabilidade de visitar os pomares e devorar os frutos quando os peneireiros nidificavam por perto. Ao afugentarem os visitantes famintos, os peneireiros reduziram a probabilidade de danos nas cerejas em mais de dez vezes.

Mas a sua presença teve outro benefício. Os investigadores também encontraram menos sinais de dejetos de aves nas cerejeiras. A presença de peneireiros foi associada a uma redução de 3 vezes nos dejetos avistados nos ramos.

“Certamente, os peneireiros também defecam”, disse a autora sénior Catherine Lindell, professora associada emérita de Biologia Integrativa. No entanto, o número de aves frugívoras que eles mantêm fora do pomar compensa largamente esse facto, acrescentou. De facto, descobriram que as cerejeiras mais próximas das caixas de ninhos dos peneireiros tinham menos probabilidade de estar cobertas de dejetos.

Segurança alimentar e saúde pública
A análise de ADN revelou que 10% dos dejetos continham Campylobacter, uma bactéria que causa frequentemente doenças de origem alimentar, com sintomas como diarreia, febre e cólicas estomacais.

Os investigadores ressalvam que isto não significa que a próxima taça de cerejas vá causar dores de estômago; nenhum dos surtos de doenças alimentares causados por Campylobacter foi associado a cerejas. Da mesma forma, Smith acrescentou que poderá ser cedo demais para culpar as aves por culturas contaminadas. Apenas um surto foi rastreado até aves: um surto de Campylobacter em 2008 causado por grou-comuns migratórios em campos de ervilhas no Alasca.

Contudo, a investigação sugere que os peneireiros poderiam ser uma forma de melhorar a segurança alimentar noutras culturas que têm sido associadas a surtos, como os vegetais de folha verde.

“Eles são realmente bons a manter o nível de dejetos baixo”, disse Olivia Smith. “Isso significa menos oportunidades de transmissão.”

“Isto não resolverá todos os problemas de aves que os agricultores enfrentam”, admitiu. Um dos problemas de depender dos peneireiros, por exemplo, é que eles têm mais probabilidade de se estabelecerem em algumas regiões do que noutras.

“Mas é uma ferramenta de baixo custo e baixa manutenção para os produtores utilizarem no seu conjunto de ferramentas de gestão de aves”, concluiu Lindell.

Leituras adicionais

Espetacular vitória dos ecologistas galegos: a Junta da Galiza rejeita o projeto da multinacional portuguesa Altri de construir uma celulose em plena Galiza verde


O governo da Galiza negou a autorização ambiental à Altri devido à recusa do governo central em conectar a fábrica de celulose à rede elétrica.

O governo de Alfonso Rueda admite que o projeto de uma fábrica de celulose em Palas de Rei (Lugo) é inviável, após o governo central tê-lo excluído do planejamento energético do estado.

Várias pessoas seguram cartazes após uma performance em Palas de Rei (Lugo) organizada na primavera passada por moradores contrários à Altri, juntamente com a construtora Concomitentes. 

O governo da Galiza decidiu não aprovar a autorização ambiental integrada para o projeto de macrocelulose que a multinacional de papel Altri e a empresa galega de eletricidade Greenalia pretendiam instalar na cidade de Palas de Rei, em Lugo, e que nos últimos anos provocou a maior reação social vista na Galiza desde o desastre da fábrica Prestige, em 2002.

A informação foi anunciada na sexta-feira pela Ministra da Economia e Indústria do Governo de Alfonso Rueda , María Jesús Lorenzana , que se baseou na inviabilidade do projeto da empresa dirigida por José Soares de Pina, após o Governo de Pedro Sánchez ter excluído a Altri, no ano passado, dos seus planos de desenvolvimento energético para os próximos anos, privando-a, assim, da ligação à rede elétrica necessária para o seu funcionamento.

"Cabia ao governo central fornecer a ligação à empresa. O arquivamento [do processo] e sua expiração estão ligados à falta de ligação; se não houver ligação à subestação, o projeto é arquivado ", afirmou Lorenzana, acrescentando que considera "difícil" reviver a ideia da fábrica de celulose de Palas porque a próxima revisão do planeamento energético do Estado só ocorrerá em 2030.

O governo galego (Xunta) tomou a sua decisão após meses de protestos em torno de um projeto que o governo de Alberto Núñez Feijóo tentou disfarçar como uma fábrica de fibras têxteis ecológicas, mas que causou indignação na sociedade galega quando se descobriu que se tratava de uma fábrica de celulose convencional, a ser instalada numa área protegida junto a um sítio Natura 2000 e ao Caminho de Santiago, que emitiria gases e partículas tóxicas através de uma chaminé de 75 metros, equivalente às emissões de CO2 de 21.500 carros , e que extrairia 46 milhões de litros de água do rio Ulla, dos quais 30 milhões de litros, purificados mas ainda contaminados, seriam devolvidos ao aquífero que desagua no estuário do rio Arousa .

Apesar de tudo, o governo galego (Xunta) emitiu um parecer favorável sobre o impacto ambiental da Altri no ano passado , um primeiro passo que foi posteriormente condicionado à exclusão do projeto do financiamento europeu através de fundos de descarbonização que a multinacional procurava. A Ministra da Indústria, Rueda, também indicou que "esta semana" informou a empresa de que ela tem três meses, o prazo legalmente estipulado, para "justificar a ligação" que apresentou na proposta do projeto, a qual o governo central negou. Caso não o faça, " o arquivamento formal do processo da Altri será automático ".

Dave Gahan feat. Soulsavers - Take Me Back Home

[Verse 1: Dave Gahan]
The first time you gave me freedom
For the first time I felt free
As long as you were right with me here
There’s nothing else that I would need

[Chorus]
You take me back there
Take me back home, please
No, I can’t go in there
Just take me back home, home (Home, home)
Is where I wanna be

[Verse 2: Dave Gahan]
I was a fool before I met you
Only fools find it hard to believe
You just might be my only savior
If you are, then come and save me
If that’s true, come back and save me

[Chorus]

[Bridge: Dave Gahan]
Where all my stumbling misses
And all your wonderful kisses
That’s where I want to be
That’s just me

[Chorus]

[Outro]
Home, home (Home, home)
Is where I wanna be now

"Take Me Back Home" é uma colaboração profunda entre Dave Gahan (o icónico vocalista dos Depeche Mode) e o projeto britânico de produção eletrónica e blues-rock Soulsavers. A canção faz parte do álbum The Light the Dead See, lançado no ano de 2012.

A canção explora temas universais de redenção, cansaço existencial e a busca por paz interior. Através de uma sonoridade que mistura o blues, o gospel e o rock espiritual, a letra descreve a jornada de alguém que esteve "lá fora" (no mundo, nos excessos ou na escuridão) durante demasiado tempo e agora sente um desejo desesperado de regressar a um lugar de segurança e verdade.

Para Gahan, "Home" (Casa) não representa um espaço físico, mas sim um estado de espírito onde a luz e o amor são constantes, contrastando com as vozes e o "fogo" das experiências passadas que o assombram. É um pedido de auxílio e uma confissão de vulnerabilidade, onde o narrador admite estar cansado de lutar e de fugir, ansiando apenas por uma margem tranquila onde as águas não sejam agitadas. A música funciona como uma prece laica de quem procura encerrar um capítulo caótico da vida para encontrar, finalmente, a serenidade.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Agnes Obel - Camera's Rolling


Letra
The script is burning
On heavy fuel
No time to lose
What will you do?

The camera's rolling
What will you do?
What will you do
That you can't undo?

The gun is loaded
What will you do?
Cruel gifted fools
What will you do?

Esta faixa abre o álbum Myopia (2020). É uma música que lida com a percepção, a memória e a sensação de estar sendo observado ou de estar "atuando" na própria vida. Com melhor som aqui

1. A Percepção da Realidade (Myopia)
O álbum chama-se Myopia (Miopia), e esta canção define o tom para isso. Agnes Obel descreveu o conceito como o estado de estar tão fechado no seu próprio mundo ou pensamento que a percepção do que é real fica distorcida. "The camera's rolling" (A câmara está a gravar) simboliza aquele momento em que nos tornamos autoconscientes, como se estivéssemos a ver a nossa vida de fora, como um filme.

2. Ansiedade e Controle
A repetição das frases sugere um estado de ansiedade. Quando a "câmara grava", há uma pressão para desempenhar um papel. Pode referir-se à sensação de que estamos sempre a ser vigiados (seja pela tecnologia, pela sociedade ou pela nossa própria mente crítica), o que nos impede de ser genuínos.

3. O Processo Criativo
Obel gravou este álbum em isolamento quase total. Ela mencionou em entrevistas que a canção lida com a dualidade de estar sozinho mas sentir que "alguém" (a própria consciência ou o público futuro) está a observar o processo. É a transição do pensamento privado para a performance pública.

Atmosfera Musical
A música utiliza técnicas de pitch-shifting (alteração do tom da voz), o que faz com que a voz de Agnes soe ora mais grave (masculina), ora mais aguda. Isso reforça a ideia de uma identidade fragmentada ou de alguém que está a ser "processado" por uma lente, tal como uma imagem de vídeo.

Podemos ir além do modelo capitalista e salvar o clima – eis os três primeiros passos



Temos uma responsabilidade urgente. O nosso sistema económico actual é incapaz de lidar com as crises sociais e ecológicas que enfrentamos no século XXI. Quando olhamos em redor, vemos um paradoxo extraordinário. Por um lado, temos acesso a novas tecnologias notáveis ​​e a uma capacidade coletiva de produzir mais alimentos, mais bens do que aqueles de que necessitamos ou do que o planeta pode suportar. No entanto, ao mesmo tempo, milhões de pessoas sofrem em condições de extrema privação.

O que explica este paradoxo? O capitalismo. Por capitalismo, não nos referimos aos mercados, ao comércio e ao empreendedorismo, que existem há milhares de anos, muito antes do aparecimento do capitalismo. Por capitalismo, referimo-nos a algo muito peculiar e específico: um sistema económico que se resume a uma ditadura controlada por uma ínfima minoria que detém o capital – os grandes bancos, as grandes corporações e o 1% que detém a maior parte dos ativos investíveis. Mesmo vivendo em democracia e tendo opções no nosso sistema político, as nossas escolhas nunca parecem alterar o sistema económico. São os capitalistas que determinam o que produzir, como utilizar a nossa força de trabalho e quem beneficia. O resto de nós – as pessoas que de facto produzem – não tem voz.

Para o capital, o objectivo primordial da produção não é satisfazer as necessidades humanas ou alcançar o progresso social, muito menos atingir metas ecológicas. O objetivo é maximizar e acumular lucro. Esse é o objetivo primordial. Esta é a lei capitalista do valor. E para maximizar os lucros, o capital exige um crescimento perpétuo – produção agregada sempre crescente, independentemente de ser necessária ou prejudicial.

Assim, acabamos com formas irracionais de produção como resultado: temos a produção em massa de coisas como SUVs , mansões e moda rápida, porque estas coisas são altamente lucrativas para o capital, mas uma subprodução crónica de coisas obviamente necessárias, como habitação pública e transportes públicos, porque estas são muito menos lucrativas para o capital, ou não lucrativas de todo.

O mesmo acontece com a energia. As energias renováveis ​​já são muito mais baratas do que os combustíveis fósseis. Infelizmente, os combustíveis fósseis são até três vezes mais rentáveis ​​. Assim, o capital obriga os governos a ligar os preços da electricidade ao preço do gás natural liquefeito mais caro, e não ao da energia solar barata. Da mesma forma, a construção e manutenção de autoestradas é muitas vezes mais rentável para os empreiteiros privados, fabricantes de automóveis e companhias petrolíferas do que uma moderna rede de caminhos-de-ferro públicos seguros e de alta velocidade. Por conseguinte, os capitalistas continuam a pressionar os nossos governos para subsidiar os combustíveis fósseis e a construção de estradas, mesmo enquanto o mundo arde.

Desde a eleição de Donald Trump, muitas grandes empresas de investimento abandonaram com entusiasmo os seus compromissos climáticos , que, em prol do bem comum, tinham limitado a sua rentabilidade. Este deveria ser um momento esclarecedor para todos nós: o capitalismo preocupa-se com as perspectivas da nossa espécie tanto quanto um lobo se preocupa com as de um cordeiro.

E aqui estamos nós: presos às prioridades do capitalismo, que são incompatíveis com as da humanidade. O engenho humano legou-nos tecnologias e capacidades esplêndidas. Mas, como divindade cruel, o capital não só nos impede de as utilizar para o nosso bem colectivo, como também nos obriga a empregá-las para a nossa ruína colectiva.

O sistema também nos prende em ciclos intermináveis ​​de violência imperialista. A acumulação de capital nas economias avançadas depende de inputs maciços de mão-de-obra barata e de recursos naturais do Sul global. Para manter este arranjo, o capital utiliza todas as ferramentas ao seu dispor – dívida, sanções, golpes de Estado e até invasões militares directas – para manter as economias do Sul subordinadas.

A solução está mesmo à frente dos nossos olhos. Precisamos urgentemente de ultrapassar a lei capitalista do valor e democratizar a nossa economia, para que possamos organizar a produção em torno de prioridades sociais e ecológicas urgentes. Afinal, somos os produtores dos bens, dos serviços e das tecnologias. É o nosso trabalho e os recursos do nosso planeta que estão em causa. Por isso, devemos reivindicar o direito de decidir o que é produzido, como e com que finalidade.

Como pode ser feito? Existem três condições necessárias para a transformação da nossa economia, de uma ditadura sem futuro para uma economia democrática, funcional e ecologicamente sustentável.

A primeira condição é uma nova arquitectura financeira que penalize “investimentos” privados destrutivos e possibilite o financiamento público para fins públicos. No cerne desta arquitectura, precisamos de um novo banco público de investimento que, em associação com os bancos centrais, converta a liquidez disponível em tipos de investimento compatíveis com a prosperidade comum e sustentável.

A segunda condição é a utilização extensiva da democracia deliberativa para decidir metas sectoriais, regionais e nacionais (por exemplo, em relação ao crescimento ou mesmo à redução de diferentes produtos) para as quais as novas ferramentas de financiamento público serão dirigidas.

E a terceira condição é uma Grande Lei de Reforma Corporativa com o objetivo de democratizar as corporações, favorecendo e promovendo a formação de empresas geridas segundo o princípio de um funcionário, uma ação, um voto.

Vivemos à sombra do mundo que poderíamos criar. Um mundo no qual seríamos capazes de evitar um colapso ecológico quase certo, em vez de estarmos à espera que o capitalismo nos empurrasse para além do ponto de não retorno. Um mundo onde a abolição da insegurança económica, da precariedade, da pobreza, do desemprego e da indignidade seja possível, enquanto levamos vidas com sentido dentro dos limites planetários. Isto não é um sonho distante. É uma perspectiva tangível.

Jason Hickel é professor na Universidade Autónoma de Barcelona e investigador sénior visitante na LSE. 

Yanis Varoufakis é o líder do MeRA25, antigo ministro das Finanças e autor de Tecnofeudalismo: O Que Matou o Capitalismo .

Brad Kunkle

Brad Kunkle -"Apotheosis" (2023)

Nascido em 1978 na Pensilvânia, Estados Unidos, Brad Kunkle é um dos nomes mais singulares da pintura contemporânea atual. Formado em Belas Artes pela Kutztown University em 2001, o artista consolidou uma carreira que equilibra o rigor técnico da tradição clássica com uma estética mística e surrealista, fortemente marcada pela fusão entre a figura humana e elementos da natureza.

Kunkle é profundamente influenciado pelos Pré-Rafaelitas e pelo artista Maxfield Parrish, além da estética das fotografias antigas (daguerreótipos).

O grande diferencial da sua obra reside na técnica magistral de aplicação de folhas de ouro e prata. Kunkle utiliza esses metais preciosos não apenas como ornamento, mas como um elemento dinâmico: as superfícies metálicas reagem à luz do ambiente e à posição do espectador, conferindo à pintura uma vida própria que se transforma conforme a iluminação. Esta abordagem foi inspirada tanto pelo seu passado como pintor decorativo quanto pela observação de ícones religiosos e obras clássicas no Museu do Louvre.

Estilisticamente, o seu trabalho é frequentemente associado ao Simbolismo, apresentando mulheres em estados de transe ou profunda conexão com o mundo natural — muitas vezes rodeadas por folhas secas, pássaros ou névoas densas. Para contrastar com o brilho opulento do ouro, Kunkle utiliza frequentemente a técnica de grisaille, pintando a pele e as vestes em tons de cinza ou paletas muito limitadas e suaves. O resultado é uma atmosfera onírica e atemporal, que convida o público a uma reflexão sobre a intuição e a beleza do invisível.

Curiosidade
O impacto da sua obra é tal que o seu trabalho foi incluído no Lunar Codex, uma cápsula do tempo digital enviada à Lua em parceria com a NASA, garantindo que a sua arte perdure para além da Terra.

Sloe Noon - Last One Home

Sloe Noon – Last One Home

intro musical
[verse 1]
Fucker is a freakshow
I don’t get it
Got other things on my mind
Don’t forget it

And I don’t like the way it goes
Last response two days ago
Something in the way he unsaid it
I’m so mad

[Chorus]
Get a drink, forget to let it go
Make it look unintentional
I stay with you until the last hour
That’s why I’m always the last one home

[verse 2]
Fucker’s always on my mind
Feel light-headed
In a different lifetime
I might have him
But I don’t like the way it goes
Something in the way it shows:
Eurydice and Orpheus in love

Always go, always go, always go home
Last one to leave, but I’m never alone
Want you to, want you to, want you to know
You make an hour feel like a lifetime
I go aaah, aaaaah, HA

[Chorus]
Get a drink, forget to let it go
Make it look unemotional
I stay with you after the zero hour
Wanna know, wanna know what you’re thinking
Wanna go, wanna go, but don’t know how
Good intentions, no discipline
Archille’s heel, no medicine
Guess I’ll always be the last one home

A letra de "Last One Home" afasta-se do minimalismo contemplativo para mergulhar numa narrativa visceral sobre a obsessão, a frustração romântica e a erosão do auto-controlo. Através de uma linguagem crua e impulsiva, a canção explora o conflito interno de quem se sente ignorado — evidenciado pelo silêncio de dois dias sem resposta e pela frieza do outro — mas que, ainda assim, não consegue desligar-se da situação. O título ganha aqui um novo significado: ser a "última a chegar a casa" não é um ato de isolamento pacífico, mas sim o resultado de uma espera desesperada e deliberada, onde a protagonista tenta mascarar a sua carência como algo não planeado ("make it look unintentional").

A inclusão de referências à mitologia grega, como o amor trágico de Orfeu e Eurídice e a vulnerabilidade do Calcanhar de Aquiles, eleva esta dinâmica a uma dimensão de inevitabilidade fatalista, sugerindo que a relação está condenada ou que a pessoa amada é uma fraqueza para a qual não existe remédio. Em última análise, o texto descreve a "ressaca" emocional de quem reconhece a própria falta de disciplina e dignidade ao permanecer num lugar (ou numa relação) até à "hora zero", apenas para captar um vislumbre de atenção de alguém que já nem sequer precisa de falar para ferir, bastando aquilo que deixa por dizer ("something in the way he unsaid it").

Anna Olivia Böke é a força criativa que compõe, canta e toca guitarra, sendo a alma desta sonoridade que discutimos.

A trajetória dela é bastante interessante e ajuda a explicar o estilo dos Sloe Noon.

Raízes alemãs, influência britânica:embora seja alemã, Anna viveu e estudou em Brighton, no Reino Unido. Foi lá que ela absorveu grande parte da estética shoegaze e post-punk que define o som de Sloe Noon.

The Smashing Pumpkins - There It Goes




Letra
there It Goes
Something's wrong, I can see it in your eyes
You're not the same, it's no surprise
And I don't know what I'm supposed to do
When everything I have is because of you

[Chorus]
And there it goes, it's slipping away
And there it goes, another day
And there it goes, it's out of my hands
And there it goes, I don't understand

I try to speak, but the words don't come out right
I'm losing sleep, I'm losing the fight
And I don't know where we went wrong
But I've been waiting for so long

[Chorus]

Maybe I'm wrong, maybe I'm right
Maybe I'll see you in the light
But for now, I'll just close my eyes
And say goodbye to all the lies

[Chorus]


The Smashing Pumpkins - There It Goes (2012)

O significado de "There It Goes" reside na melancolia da impotência e na aceitação dolorosa do fim. A letra descreve o momento exato em que percebemos que algo valioso — seja um amor de juventude ou uma etapa da vida — está a escapar por entre os dedos, e não há absolutamente nada que possamos fazer para o impedir. É uma canção sobre o inevitável.

Billy Corgan explora a frustração da falta de comunicação, onde as palavras falham precisamente quando são mais necessárias, criando um abismo entre duas pessoas que antes eram próximas. O refrão, com a repetição da frase "it's out of my hands" (está fora das minhas mãos), reforça este sentimento de perda de controlo e a resignação de assistir ao tempo a passar enquanto as promessas se desmoronam. No desfecho, a música sugere que, embora o adeus seja difícil, ele traz a libertação de todas as ilusões e mentiras que sustentavam aquela situação. É o retrato de um jovem compositor ainda despido de metáforas complexas, a lidar com a vulnerabilidade crua de ver o seu mundo mudar sem o seu consentimento.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

The Human Superorganism: 9 out of 10 cells on or in us are not really “us”



Here’s a great chart from a terrific 2008 manuscript that gives a hint of our complex ecosystem. I think we’ll look back on this time with some nostalgia– much as we did in the pre-antibiotic era or perhaps the pre-bloodletting era. As our tools move from Pasteur to CSI, so does our understanding of the microbiome.

This figure depicts different microbes and other organisms that have been intimately associated with humans as commensals or potential pathogens. The numbers correspond to images of organisms and approximate anatomic locations where these organisms may reside on the human body. 
1. Trichophyton and Epidermophyton are filamentous, parasitic microbes that cause athlete’s foot. 
2. Vaginal microbiota, mostly Lactobacillus species secrete lactic acid and other antimicrobial compounds that prevent pathogen overgrowth. 
3. More than 500 species of bacteria, weighing approximately 3.3 pounds in the average human adult, live inside the gastrointestinal tract. 
4. More than 100 strains of human papillomavirus (HPV) can infect humans, causing a variety of warts from the common wart to plantar and flat warts. 
5. Pediculus humanus capitis, the head louse, may have co-evolved with recent H. sapiens. 
6. Oral Streptococcus species form biofilms that may be 300–500 cells in thickness on the surfaces of unbrushed teeth. 
7. Demodex mites inhabit the follicles of the eyelashes and infest about 20 percent of people under the age of 20. 
8. After initial infection with the varicella-zoster virus (chickenpox), the virus remains dormant in nerve ganglia and may cause disease due to re-activation later in life. 
9. Approximately 1/12 of the human genome consists of DNA from fossil viruses that infected human ancestors millions of years ago. 10. Prevalent bacterial genera on the human skin include Streptococcus, Staphylococcus, and Corynebacterium.

Slow Meadow - Borderland Sorrows


Slow Meadow é o nome artístico do músico Matt Kidd, um artista de nacionalidade americana que vive em Houston, no Texas. Em "Borderland Sorrows", 3ª música do álbum Costero (2017), Kidd utiliza uma instrumentação delicada que combina pianos suaves, arranjos de cordas profundos e camadas eletrônicas atmosféricas. O estilo musical é marcado por uma sonoridade introspectiva e contemplativa, feita para evocar estados de melancolia e paz, resultando em composições que funcionam como paisagens sonoras para momentos de reflexão ou foco.

O projeto foi apadrinhado por Marc Byrd, da icónica banda de post-rock Hammock, o que explica a alta qualidade da produção atmosférica.

Capitalismo e Esquizofrenia - dossier Anti-Édipo

Edição Antiga. A mais recente é da Assírio Alvim 

Em 1972 saía em França "O Anti-Édipo", imediatamente transformado em livro de referência. O "Anti-Édipo" foi o volume inaugural de "Capitalismo e Esquizofrenia", concluído com "Mil Planaltos", também publicado em Portugal.

Anos volvidos, depois da morte trágica de Deleuze e do triunfo do liberalismo capitalista, "O Anti-Édipo" readquire uma renovada importância com reedições em vários países.

E-Livro completo aqui

A. Introdução

A Ecologia do Desejo: Porque precisamos de ler Deleuze e Guattari para salvar a Terra
No BioTerra, falo frequentemente de sustentabilidade como um conjunto de práticas: reciclar, plantar, conservar. Mas e se a crise ambiental que enfrentamos não for apenas uma crise de recursos, mas uma crise do nosso desejo? Para mudar a forma como tratamos o planeta, precisamos primeiro de entender como o sistema capturou a nossa vontade e a transformou em consumo passivo.

É aqui que entra uma das obras mais radicais do século XX: O Anti-Édipo, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Este "dossier" sobre o capitalismo e a esquizofrenia oferece-nos as ferramentas para uma Ecologia Profunda, que não separa o Homem da Natureza, mas vê ambos como parte de um fluxo contínuo de vida.

O Desejo como Revolução: Mergulhando no "Anti-Édipo"
Se alguma vez sentiu que a vida moderna tenta encaixar-nos em caixas cada vez mais pequenas, o livro "O Anti-Édipo", primeiro volume da série Capitalismo e Esquizofrenia, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, é o grito de libertação que precisa de conhecer. Publicada em 1972, no rasto dos movimentos de maio de 68, esta obra não é apenas um tratado filosófico; é uma "máquina de guerra" contra as formas de controlo da subjetividade.

No cerne do livro está uma crítica feroz à psicanálise tradicional. Para os autores, Freud cometeu um erro estratégico ao confinar o desejo humano ao "teatro familiar" do Complexo de Édipo. Ao reduzir as nossas angústias e sonhos à relação com o "papá e a mamã", a psicanálise teria domesticado a força vital do ser humano. Deleuze e Guattari propõem o oposto: o inconsciente não é um palco de representações familiares, mas sim uma fábrica. O desejo é uma força produtiva, biológica e social que eles designam como "máquinas desejantes". O desejo não quer "possuir" um objeto por falta, quer sim ligar-se, fluir e criar realidades.

A obra lança também um olhar radical sobre o sistema em que vivemos. Argumentam que o Capitalismo possui uma natureza paradoxal: ele "desterritorializa", ou seja, destrói tradições e códigos antigos para libertar fluxos de dinheiro e mercadoria, mas, ao mesmo tempo, cria novas prisões — como o consumo desenfreado e a burocracia estatal — para impedir que o desejo se torne verdadeiramente revolucionário.

É aqui que entra a figura do esquizofrénico, não como uma patologia clínica a ser lamentada, mas como um "processo" de fuga. Para os autores, o "esquizo" é aquele que consegue escapar às codificações do sistema, rompendo as fronteiras do que a sociedade considera normal ou produtivo.

Para substituir a análise tradicional, o livro propõe a Esquizoanálise. Em vez de perguntar "o que é que isto significa?" em relação ao passado, o objetivo é perguntar "como é que isto funciona?" no presente. Como é que o seu desejo se liga à política, à arte, à terra e ao outro? É um convite para abandonarmos as identidades rígidas e abraçarmos o que eles chamam de Corpo sem Órgãos — um estado de pura experimentação onde a vida flui sem as amarras das hierarquias impostas.

Ler "O Anti-Édipo" é um desafio, pois o texto é denso e propositadamente caótico, espelhando a própria multiplicidade que defende. No entanto, a sua mensagem permanece urgente: a verdadeira ecologia e a verdadeira liberdade começam quando libertamos o nosso desejo das fábricas de conformismo do sistema.

Conclusão

Ligar-se à Terra, Desligar-se da Máquina
Ao transmutarmos a visão do desejo de "consumo" para "produção", a ecologia deixa de ser um dever moral e passa a ser uma forma de libertação. Ser "Bio", nesta perspetiva, é permitir que o nosso desejo se conecte novamente com os ciclos da terra, com o crescimento das plantas e com a regeneração dos ecossistemas, em vez de ser canalizado para a acumulação de objetos obsoletos.

A verdadeira sustentabilidade exige que sejamos um pouco "esquizofrénicos" aos olhos do sistema: que saibamos fugir das rotas traçadas pelo hipercapitalismo para traçarmos os nossos próprios mapas de vida. Afinal, cuidar da Terra é, antes de mais, cuidar da liberdade do nosso próprio inconsciente.

Cientistas resolvem mistério sobre origem da vida complexa na Terra



Cientistas descobriram que os nossos antepassados microbianos usavam ambos oxigénio, resolvendo o mistério presente na teoria de que a vida complexa na Terra surgiu após a união de dois micróbios muito diferentes, foi esta quarta-feira divulgado.

O problema da teoria "mais amplamente aceite" para a evolução das "plantas, animais e fungos, conhecidos coletivamente como eucariotas" era não conseguir explicar como é que os dois micróbios estavam tão próximos para se unirem, quando um precisa de oxigénio para sobreviver e o outro era conhecido por viver em espaços sem este gás.

Estudo revela que antepassados "usam, ou pelo menos toleram, o oxigénio"
Segundo um estudo publicado na revista científica Nature, algumas arqueias Asgard, grupo de organismos do qual fazia parte um daqueles antepassados e que hoje em dia vivem sobretudo nas profundezas do mar e noutros espaços sem oxigénio, "usam, ou pelo menos toleram, o oxigénio".

"A maioria dos Asgards vivos de hoje foram encontrados em ambientes sem oxigénio", diz um dos autores do estudo, Brett Baker, professor associado de Ciências Marinhas e Biologia Integrativa na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, citado num comunicado de divulgação do estudo desta instituição.

"Mas aqueles que estão mais relacionados com os eucariotas vivem em locais com oxigénio, como sedimentos costeiros pouco profundos, flutuando na coluna de água, e têm muitas vias metabólicas que utilizam oxigénio. Isto sugere que o nosso antepassado eucariótico provavelmente também possuía estes processos", acrescenta.

Teoria de Baker diz que a vida evoluiu num ambiente rico em oxigénio
A mais recente descoberta da equipa de Baker, que investiga genomas de arqueias Asgard, descobrindo novas linhagens, expandindo a diversidade enzimática e explorando as suas vias metabólicas, dá mais credibilidade à ideia de que a vida complexa evoluiu como a teoria previa e aparentemente num ambiente rico em oxigénio.

De acordo com a ciência, até há cerca de 1,7 mil milhões de anos a atmosfera terrestre tinha muito pouco oxigénio, mas os níveis do gás aumentaram drasticamente durante o período conhecido como o Grande Evento de Oxidação e "algumas centenas de milhares de anos" depois "surgiram os primeiros microfósseis de eucariotas conhecidos", o que indica que a presença de oxigénio pode ter sido importante para a origem da vida complexa.

"O facto de alguns dos Asgardianos, que são os nossos antepassados, serem capazes de usar oxigénio encaixa muito bem nisso", adianta Baker.

"O oxigénio apareceu no ambiente e os Asgardianos adaptaram-se a ele. Descobriram uma vantagem energética na utilização de oxigénio e, então, evoluíram para eucariotas".

Para os cientistas, os eucariotas surgiram quando uma arqueia Asgardiana desenvolveu uma relação simbiótica com uma alfaproteobactéria e esta terá evoluído, tornando-se "uma organela produtora de energia dentro dos eucariotas, chamada mitocôndria".

A coautora Kathryn Appler, investigadora de pós-doutoramento no Instituto Pasteur, em Paris, França, destaca "o enorme esforço de sequenciação e a sobreposição de métodos de sequenciação e estruturais" realizados pelos cientistas e que permitiram" ver padrões que não eram visíveis antes desta expansão genómica."

Investigação começou com a extração de ADN de sedimentos marinhos em 2019
Segundo o comunicado, esta investigação resulta do trabalho de doutoramento de Appler no Instituto de Ciências Marinhas da Universidade do Texas, que começou com a extração de ADN de sedimentos marinhos em 2019.

A equipa da UT e os seus colaboradores reuniram mais de 13 mil novos genomas microbianos, tendo conseguido "centenas de novos genomas de Asgard" e "quase duplicando a diversidade genética" do grupo que era conhecida.

Com base em semelhanças e diferenças genéticas, os cientistas construíram uma árvore da vida alargada das arqueias de Asgard, tendo os novos genomas permitido também descobrir novos grupos de proteínas, "duplicando o número de classes enzimáticas conhecidas".

De seguida, analisaram a Heimdallarchaeia e compararam as proteínas que produz com proteínas eucarióticas envolvidas no metabolismo energético e do oxigénio. Usando um modelo de inteligência artificial chamado AlphaFold2, previram como estas proteínas se dobram em formas tridimensionais. As formas, ou estruturas, das proteínas determinam o seu funcionamento. Os resultados mostraram que várias proteínas produzidas pela Heimdallarchaeia se assemelham muito às utilizadas pelos eucariotas para o metabolismo energético eficiente baseado no oxigénio.

Os ex-investigadores da UT Xianzhe Gong (atualmente na Universidade de Shandong, na China), Pedro Leão (agora na Universidade Radboud, Países Baixos), Marguerite Langwig (agora na Universidade de Wisconsin-Madison, Estados Unidos) e Valerie De Anda (atualmente na Universidade de Viena, Áustria) são outros autores do estudo.

Noire - He's My Baby


Letra
He's my baby, ain't it something
I'm a mess all for you
Walking home just to hear you say
Hey, baby, how's your day?

Don't go changing, I will believe in you
Don't know if you'd stay, it's all good if you do

He's my baby, it's what I get romance is a nonsense bid
Pull me to the couch, put on ry cooder so we could sing the blues
I've been thinking there's a lot of lonely people in this town, yeah

Don't go changing, I will believe in you
Don't know if you'd stay, it's all good you do

He's my baby, June is fadin', September's fadin' too
What's the price you pay, an hour wasted on you

Don't go changing, I will believe in you
Don't know if you'd stay, it's all good if you do

He's my baby, ain't it something


A banda, formada em Sydney em 2014, criou este álbum após um período de isolamento rural, resultando num som "reverb-heavy" comparado a Mazzy Star e à estética de David Lynch.

'He's My Baby' é a segunda faixa do álbum de estreia de NOIRE, Some Kind of Blue, lançado em 29 de setembro de 2017.

O teledisco foi filmado no Avalon Restaurant, em Katoomba (nas Blue Mountains, Austrália), o que explica a vibe de "cidade pequena isolada" que a música transmite.

A estética visual é fortemente inspirada no cinema, especificamente no filme Coffee and Cigarettes de Jim Jarmusch.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

William Elliott Whitmore - Civilizations


Letra
Don’t mind me I’m just livin here
Don’t mind me I’m just livin’ here
Tear down the mountains, cut the forest clear
Don’t mind me I’m just livin here

Pay no attention I’m just trying to exist
Pay no attention I’m just trying to exist
I’ve said too much now my name’s on a list
pay no attention to me

I know, I know, I know
Civilizations they come and they go
Sooner or later they crumble and fall
We’re just here in the middle of it all

Don’t mind me I’m bleeding now
Don’t mind me I’m just bleeding now
A hand from above cut out my heart somehow
Don’t mind me I’m just bleeding now

Under the radar hopefully
Under the radar hopefully
I’ll live live live ‘til they bury me
Under the radar hopefully


"Civilizations" é uma das faixas mais poderosas do álbum Radium Death (2015), de William Elliott Whitmore. É uma música que resume bem a filosofia do artista: uma mistura de folk visceral, activismo rural e uma pitada de estoicismo.

A canção é acompanhada por um evocativo videoclipe animado em tons sépia, co-realizado por Joel Anderson e Matt Scharenbroich. Utiliza imagens de paisagens em transformação e decadência histórica para reflectir o tema de "ascensão e queda" da música.

O Significado e a Inspiração
A canção é uma reflexão sobre a natureza cíclica da história humana e a resiliência do "homem comum".
O Ciclo da História: o tema central é que impérios e governos — as "civilizações" do título — eventualmente desmoronam sob o próprio peso, enquanto as pessoas comuns e a terra permanecem.

Comentário político: Whitmore escreveu a música como uma crítica à arrogância das potências modernas. Ele frequentemente traça paralelos com a queda de Roma, sugerindo que sociedades que priorizam o progresso industrial desenfreado em detrimento da terra estão destinadas ao fracasso.

Raízes Pessoais: a inspiração veio de uma luta real na defesa da sua quinta familiar no Iowa. Na época, havia um projeto de instalação de um oleoduto que passaria pelas terras de sua avó, o que deu origem aos versos sobre montanhas sendo derrubadas e florestas devastadas.[Fonte]. Ler mais detalhadamente abaixo

Estilo Musical
Diferente de outras faixas de Radium Death, que trazem guitarras elétricas e uma sonoridade mais rock, "Civilizations" é minimalista e acústica.
O Banjo: a música é guiada por um dedilhado de banjo lento e deliberado.
A Voz: a voz grave e "rasgada" de Whitmore (que soa muito mais velha do que ele realmente é) dá à canção um peso ancestral, como se estivesse sendo cantada por alguém que já viu séculos passarem.


O Contexto Político (Obama e o Iowa)
Obama estava no seu segundo mandato e, curiosamente, o contexto político da época cria um contraste interessante com a mensagem da canção:

A Contradição da energia: embora a administração Obama tenha promovido energias renováveis, também presenciou um boom na produção de petróleo e gás natural nos EUA. Foi precisamente durante este período que o projeto da Dakota Access Pipeline (que Whitmore contestava ativamente no Iowa) avançou a nível federal.

O "Home State" Político: o Iowa foi o estado que catapultou a carreira de Obama em 2008. Ver um artista do Iowa como Whitmore a cantar sobre a queda de "civilizações" e a ganância das corporações em 2015 mostrava um certo desencanto de parte da população rural que sentia que as promessas de proteção ambiental e económica não estavam a chegar ao terreno.

A Canção como Protesto
Quando Whitmore canta "Civilizations, they come and they go" (As civilizações vêm e vão), ele está a adoptar uma perspetiva histórica longa, sugerindo que nenhum governo ou império — mesmo o de um presidente popular como Obama — é permanente face à força da natureza e da terra.

Whitmore chegou a participar em protestos físicos no Iowa contra a construção da conduta de petróleo durante esse governo

Mariana Mortágua, o ISCTE e a pós-verdade



Primeiro ponto: a frase "o ISCTE é um nicho de esquerditas" é tão firme e mentirosa, que se transforma em pós-verdade.
Precisamente é na área de Gestão e Economia do ISCTE onde a Direita e os Liberais têm mais peso e presença que investigadores "socialistas". O ISCTE mantem a pluralidade

O ISCTE é muitas vezes associado a uma matriz de pensamento mais próxima da esquerda ou do centro-esquerda, em parte devido à forte tradição nas Ciências Sociais e à ligação de vários dos seus fundadores e docentes ao Partido Socialista. Contudo, na faculdade de gestão (IBS - Iscte Business School) e no departamento de Economia, encontram-se vozes que defendem o liberalismo económico, a eficiência de mercado e críticas à intervenção estatal excessiva. Figuras da área jurídica no ISCTE tendem a apresentar visões mais próximas do constitucionalismo clássico, muitas vezes associado ao centro-direita.

Investigadores do ISCTE nitidamente de Direita e Liberiais .

Segue lista: 
João Duque: Embora seja mais conhecido pela sua ligação ao ISEG, tem colaborações e é uma voz influente na análise económica com uma perspetiva liberal e de mercado.
Paulo de Andrade: Professor e economista que frequentemente apresenta análises críticas à despesa pública e à carga fiscal, alinhadas com o pensamento económico de direita.
Pedro Lomba: Jurista e professor que, embora com um perfil académico vasto, é uma figura pública claramente identificada com o PSD, tendo ocupado cargos em governos deste partido.
Nuno Garoupa: Embora com uma carreira internacional muito forte, as suas passagens e colaborações académicas em Portugal (incluindo o ISCTE em certas fases) trazem uma visão da Análise Económica do Direito que é fortemente influenciada por escolas de pensamento liberais.
Riccardo Marchi: Investigador no Centro de Estudos Internacionais (CEI-Iscte), é um dos maiores especialistas em Portugal sobre a "nova direita" e movimentos de direita radical. Embora o seu trabalho seja académico, a sua presença mediática é constante na análise e explicação do crescimento da direita e extrema-direita na Europa.
João Pedro Vidal Nunes: Professor da Iscte Business School (IBS), é uma voz ativa em órgãos internos e tem um perfil mais focado na gestão e economia, áreas onde o pensamento liberal e de eficiência de mercado é mais prevalente.
Filipe Nunes: Professor Associado, tem um currículo que inclui assessoria em governos e instituições internacionais. Embora com um perfil técnico, a sua área de atuação em Políticas Públicas e Relações Internacionais cruza-se frequentemente com quadros de pensamento mais institucionais e de centro-direita.
Sandro Mendonça: Professor Associado na IBS e antigo administrador da ANACOM. Embora o seu foco seja Economia da Inovação, as suas análises sobre regulação e mercado tendem a ser pragmáticas e menos ideologizadas à esquerda do que as de colegas de outros departamentos.
João José Trocado da Mata: Professor Auxiliar Convidado, é também advogado e tem intervenção na área do Direito das Políticas Públicas. 

Por fim é interessante notar que o ISCTE é frequentemente o palco de "duelos" intelectuais. Por exemplo, enquanto o departamento de Economia tem nomes como Ricardo Paes Mamede (identificado com o pensamento desenvolvimentista e de esquerda), a Business School funciona como um contraponto natural, com docentes acima listados que defendem a iniciativa privada, a redução da carga fiscal e a competitividade.
Também é comum que figuras públicas como Helena Garrido (jornalista económica com visão liberal) ou José Gomes Ferreira tenham ligações académicas ao ISCTE (como ex-alunos ou convidados), o que reforça a ideia de que a instituição, apesar da sua fama, é um espaço de debate plural.

Também enquanto o departamento de Economia tem nomes como Ricardo Paes Mamede (identificado com o pensamento desenvolvimentista e de esquerda), a Business School funciona como um contraponto natural, com docentes que defendem a iniciativa privada, a redução da carga fiscal e a competitividade.

Segundo ponto: outra mentira partilhada intensamente nas redes sociais é que Mariana Mortágua só começou a dar aulas no ISCTE depois de deixar o Parlamento. Falso. Mais uma pós-verdade.

A Mariana Mortágua é doutorada desde 2019, foi sujeita a um concurso em 2023 e foi seleccionada para o ISCTE.
Ainda bem que temos a Mariana Mortágua que defende uma intervenção estatal forte no mercado imobiliário e limitação de alojamentos locais/rendas e uma maior taxação sobre grandes fortunas (o que levou à criação do Adicional ao IMI, popularmente chamado de "Imposto Mortágua").