- A. Monteiro et al. Air pollution and environmental justice: a systematic literature review on methodological approaches.
- Universidade de Aveiro. Trabalho da UA analisa relação entre poluição do ar e desigualdades ambientais.
Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Portugueses lideram estudo para descobrir como a poluição atmosférica castiga os mais pobres
Eclipse Solar 2026 em Portugal: vale a pena Montesinho ou ir para Espanha?
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| Vale a pena milhares de pessoas no aeródromo de Bragança para ver o eclipse solar, durante uns meros 20s e apenas 90%? [É a "loucura": farmácias de Bragança em rutura de stock de óculos para o eclipse] |
No dia 12 de agosto de 2026, a Península Ibérica será o palco principal de um dos eventos astronómicos mais aguardados do século: um eclipse solar total. Contudo, apesar do entusiasmo mediático e do orgulho nacional, a realidade geográfica e astronómica impõe uma conclusão inequívoca: tentar assistir ao eclipse em solo português é uma escolha errada e um investimento de tempo sem garantia de retorno. Se o objetivo é vivenciar o fenómeno em toda a sua plenitude - a descida abrupta da noite em pleno dia, a queda de temperatura e a visão a olho nu da coroa solar -, a decisão racional passa por cruzar a fronteira e rumar ao Norte de Espanha. Veja aqui o mapa real.
Em quase todo o território de Portugal Continental, do Porto a Lisboa e ao Algarve, o eclipse será apenas parcial, variando entre 92% e 99% de ocultação. Os pareceres divulgados pelo
O único ponto de Portugal Continental rasgado pela faixa de totalidade é a extremidade nordeste do Parque Natural de Montesinho, na aldeia de Guadramil em Bragança, mas focar os planos nesta região ou no Aeródromo Municipal de Bragança revela-se um erro estratégico. De acordo com o mapeamento e as diretrizes disponibilizadas pela
Enquanto Portugal hesita na preparação de infraestruturas, Espanha já percebeu o enorme potencial económico do astro-turismo e está a mobilizar-se em força. Em regiões do Norte de Espanha como Galiza, Astúrias e Castela e Leão, o impacto comercial já se faz sentir com grande intensidade: a procura disparou de tal forma que estadias de 3 noites em pontos estratégicos de montanha, como na zona de Riaño em Leão, chegam a atingir valores inflacionados de 850 euros, com muitos alojamentos esgotados com longa antecedência. A razão para esta corrida ao mercado espanhol é simples: ao avançar no interior do país vizinho, a duração da noite solar salta para valores entre 1 minuto e 30 segundos e quase 2 minutos, o Sol encontra-se numa posição mais favorável no céu e a rede de autoestradas e planaltos permite acolher o público com muito maior segurança. Faça bem a sua escolha: ficar em Portugal no dia 12 de agosto de 2026 é arriscar uma enorme frustração, pelo que atravessar a fronteira em direção ao Norte de Espanha é a única forma de garantir a experiência de uma vida. Ou ver, descansado e gratuito, ao vivo em live stream na página da ESA
Mais info:
NASA - Total Solar Eclipse 2026
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Crise de memória RAM? A China está a adorar!
Solaris (1972) de Tarkovsky: Porque é que a ficção científica é mais atual hoje do que nunca?
A ficção científica filosófica Solaris, adaptada do romance de Stanisław Lem e imortalizada no cinema por Andrei Tarkovsky em 1972 (com uma nova versão de Steven Soderbergh em 2002), é um drama existencial sobre os limites da mente humana perante o desconhecido e o peso inegociável da culpa e da memória. A narrativa acompanha Kris Kelvin, um psicólogo enviado a uma estação espacial que orbita o planeta misterioso Solaris. O planeta é coberto por um oceano protoplasmático gigante que demonstra ter consciência e, ao ler as mentes dos cientistas da estação, materializa as suas memórias, desejos e remorsos mais ocultos na forma de "visitantes" físicos. Kelvin vê-se forçado a conviver com uma cópia perfeita da sua falecida esposa, Hari, que se tinha suicidado anos antes após uma discussão entre o casal, forçando-o a enfrentar a carga emocional do seu passado.
O filme choca e mantém o seu impacto porque subverte as convenções da ficção científica tradicional de tecnologia e conquista galáctica para questionar a condição humana. Apresenta uma crítica à arrogância e ao antropocentrismo ao mostrar uma inteligência alienígena inacessível à lógica humana, evidenciando que a busca pelo cosmos é frequentemente uma fuga de nós próprios. A obra aborda a materialização da dor e do luto através da memória, transformando o remorso numa presença física, enquanto explora o mistério da identidade e da consciência ao mostrar a evolução de Hari de uma mera projeção para um ser com sofrimento e agência próprios. Toda esta atmosfera é intensificada pelo ritmo contemplativo e pelo isolamento claustrofóbico que espelha a própria prisão mental dos cientistas.
As influências científicas e filosóficas da obra elevam-na a uma profunda meditação existencial baseada na epistemologia, na psicanálise e na física teórica do século XX. No âmbito científico, o fracasso da "Solariologia" - a disciplina fictícia criada para catalogar o oceano - ilustra os limites do empirismo e antecipa a Teoria do Caos e os Sistemas Complexos, demonstrando como certos fenómenos ultrapassam a capacidade de modelação humana. Para explicar a existência dos visitantes, recorre-se a conceitos quânticos de matéria neutrónica mantida por campos de força, conferindo-lhes características biológicas humanas à escala macroscópica, mas com uma estrutura subatómica não celular e capacidade de regeneração.
No plano filosófico e psicológico, o oceano funciona como uma metáfora direta do inconsciente: mobiliza o recalque freudiano ao materializar a culpa e o trauma reprimidos, e atua como a Sombra junguiana, forçando o indivíduo a confrontar a parte rejeitada da sua psique. Sob a ótica epistemológica e do existencialismo de inspiração kantiana, sartreana e kierkegaardiana, Solaris questiona se é possível conhecer verdadeiramente o "Outro" ou apenas as nossas próprias projeções, ao mesmo tempo que reflete sobre o livre-arbítrio e a autenticidade da vida e do sofrimento de uma entidade criada como cópia. [Fonte: Fundação Stanisław Lem]
Apesar do sucesso da obra cinematográfica, a relação entre Stanisław Lem e Andrei Tarkovsky foi marcada por uma célebre divergência artística. Lem ficou desapontado com a adaptação de 1972, afirmando que Tarkovsky tinha filmado "Crime e Castigo" no espaço. O desentendimento deveu-se ao choque entre o foco epistemológico de Lem - focado na impossibilidade de comunicação com o extraterrestre - e o humanismo moral e espiritual de Tarkovsky, que centrou a narrativa no pecado e na redenção de Kelvin. Lem criticou ainda a inclusão de cerca de 40 minutos iniciais passados na Terra com a família do protagonista, por considerar que introduziam um sentimentalismo nostálgico alheio à sua obra, e lamentou a redução visual e conceptual do oceano a um mero pano de fundo para conflitos morais humanos.
Para ler mais detalhadamente sobre cada um destes aspetos e ver imagens e esquemas explicativos, pode aceder a mais informações sobre a
Andrei Tarkovsky era um crente convicto e a sua visão do mundo estava profundamente enraizada na fé e na tradição do Cristianismo Ortodoxo. No entanto, a sua religiosidade não se traduzia num dogmatismo cego ou numa prática institucional rígida, mas sim numa espiritualidade mística, poética e existencial. Sob o regime soviético - uma ditadura oficialmente ateia e materialista -, afirmar a fé era um ato de resistência espiritual. No seu livro Esculpir o Tempo e nos seus diários (Martirológio), Tarkovsky afirmava que a arte não existia para propagar ideias políticas, mas sim para cultivar a alma e preparar o homem para a transcendência, tendo chegado a declarar que via o seu trabalho como uma forma alternativa de oração.
Refúgios climáticos: a solução que pode tornar as cidades mais resilientes às ondas de calor
- sombra natural ou artificial;
- vegetação;
- água potável;
- zonas de descanso;
- instalações sanitárias;
- boa ventilação ou climatização;
- acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida;
- informação sobre proteção durante ondas de calor.
- intensidade da ilha de calor urbana;
- densidade populacional;
- distância a parques e jardins;
- existência de árvores;
- proximidade de bibliotecas e outros equipamentos públicos.
- plantar mais árvores nas ruas;
- criar corredores verdes;
- instalar estruturas de sombra temporárias ou permanentes;
- substituir superfícies impermeáveis por materiais mais permeáveis;
- aumentar as zonas com água, como fontes e espelhos de água;
- reduzir áreas asfaltadas;
- criar microflorestas urbanas;
- instalar bebedouros públicos;
- preservar corredores naturais de ventilação;
- diminuir o tráfego automóvel, reduzindo o chamado calor antropogénico.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
She Past Away - Ritüel
A geopolítica do cacau: soberania económica, agroecologia e a resistência à monocultura biotecnológica
- Edição genómica (CRISPR/Cas9): Investigações focam-se no desenvolvimento de cacaueiros geneticamente alterados para resistir a fungos e secas, com estudos publicados em revistas como a Nature. Nos EUA (via regras do USDA- SECURE) e progressivamente na UE (através da regulamentação de Novas Técnicas Genómicas - NGT 1 supervisionada pela EFSA), estas plantas caminham para a isenção do rótulo de OGM.
- Cultura celular e sintéticos: Startups desenvolvem massa de cacau em biorreatores industriais ou alternativas sem cacau por fermentação de precisão, visando suprir a oferta sem depender do cultivo agrícola tradicional.
- Mantém-se a humidade do solo e reduz-se a temperatura local em vários graus, anulando os efeitos térmicos do El Niño.
- Promove-se o controlo biológico de pragas, eliminando a necessidade de pesticidas sintéticos.
- Garante-se a diversificação de rendimentos dos agricultores com a venda de frutas, madeira e outros alimentos.
| Dimensão | Modelo Tecnológico Ocidental (CRISPR / Biorreatores) | Modelo de Soberania Agroecológica (SAFs / Industrialização Local) |
| Soberania e Propriedade | Dependência de patentes e empresas de biotecnologia | Controlo comunitário, estatal e dos pequenos agricultores |
| Resiliência Climática | Modificação genética da planta (solução laboratorial) | Restauração do microclima e da biodiversidade florestal |
| Modelo Económico | Manutenção da importação de matérias-primas baratas | Processamento local e retenção do valor acrescentado |
| Rácio de Riscos | Perda de mercado para os produtores tradicionais | Proteção da biodiversidade e diversificação de rendimentos |
A Guerra da IA e o Mito da Missão: Por que os engenheiros escolhem o dinheiro às custas da ideologia
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| Anthropic CEO Dario Amodei weighed in on where the AI race is headed in a new essay [2024] |
- Dario Amodei (CEO da Anthropic) defende modelos fechados para travar a espionagem e o contrabando de chips;
- Sam Altman (CEO da OpenAI) continua a puxar pela escala gigante e proprietária, pagando pacotes milionários para reter a equipa;
- Mark Zuckerberg (CEO da Meta) aposta as fichas todas no código aberto com o Llama para travar o monopólio dos concorrentes; e
- Jensen Huang (CEO da Nvidia) incentiva o ecossistema aberto, garantindo que a procura por semicondutores continua em alta.
- Liang Wenfeng (Fundador da DeepSeek) chocou Silicon Valley ao provar que é possível criar modelos de topo com uma fração do orçamento americano;
- Yang Zhilin (CEO da Moonshot AI) destaca-se na corrida aos modelos capazes de processar volumes massivos de texto;
- Zhang Peng (CEO da Zhipu AI) lidera a aposta na autonomia tecnológica chinesa;
- Eddie Wu (CEO do Alibaba Group) massificou a distribuição da família aberta Qwen;
- Liang Rubo (CEO da ByteDance) acelerou a integração da IA nas aplicações de consumo;
- Robin Li (CEO do Baidu) mantém a aposta no ecossistema proprietário ERNIE; e
- Pony Ma (CEO da Tencent) canalizou o modelo Hunyuan para a máquina do WeChat.
Como as cidades estão a transformar os seus rios poluídos em paraísos para banhos
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| No dia 5 de Julho de 2026, durante uma onda de calor opressiva, parisienses e turistas nadaram no Sena, um de muitos rios que foram limpos e estão a receber novamente banhistas urbanos. |




