segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ondas de calor desencadeiam “relação tóxica” entre ervas marinhas e microrganismos


As ondas de calor marinhas, cada vez mais frequentes devido ao aquecimento contínuo do planeta, são já consideradas das maiores ameaças atuais à biodiversidade dos mares e dos oceanos por toda a Terra.

Uma investigação recente revela que os efeitos desses fenómenos não se limitam apenas a gerar águas mais quentes, mas que causam alterações importantes nas relações entres seres vivos que podem ter consequências nefastas para todo o ecossistema.

Quatro cientistas das universidades australianas de Sydney e da Nova Gales do Sul dizem que o stress térmico causado pelas ondas de calor marinhas desencadeia uma “relação tóxica” entre as ervas marinhas e “um ecossistema oculto de bactérias” que com elas normalmente coexiste, num arranjo que beneficia ambas as partes.

Tal como os microrganismos nos solos em terra firme são fundamentais para a vida das plantas, ajudando-as a manter-se saudáveis e a adquirir nutrientes, também na água as bactérias que vivem no leito aquático desempenham um papel semelhante em relação às ervas marinhas. Essas são plantas que vivem na água do mar e que dão flor, podendo formar extensas pradarias que servem de refúgio a muitos animais, purificam a água e ajudam a sequestrar carbono.

No que descrevem como uma “experiência de jardinagem subaquática”, os investigadores encontraram um ecossistema bacteriano de grande diversidade no solo e em torno das raízes das ervas marinhas. Num artigo publicado na ‘New Phytologist’, explicam que o aumento da temperatura da água, como durante uma onde de calor marinha, faz proliferar bactérias conhecidas por produzirem ácido sulfídrico, um composto que dizem ser tóxico para as ervas marinhas e que pode limitar o seu crescimento.

“Embora as ervas marinhas possam, à primeira vista, parecer bem, o que encontrámos no subsolo, em condições de temperatura elevada, revela uma realidade bem diferente”, avisa Renske Jongen, primeira autora do estudo.

“Sob stress térmico, as comunidades microbianas em torno das raízes das ervas marinhas alteram-se de formas que podem prejudicar a planta em vez de ajudá-la.”

Melancolia foi um movimento cultural Europeu atingindo sobretudo a elite Inglesa dos séc. XVI e VII: John Eccles - The Mad Lover


Melancolia (do grego antigo: μελαγχολία, romanizado: melancholía; de μέλαινα χολή, mélaina cholḗ, 'bile negra') é um conceito encontrado ao longo da medicina antiga, medieval e pré-moderna na Europa que descreve uma condição caracterizada por um humor marcadamente deprimido, queixas físicas e, por vezes, alucinações e delírios. Além de uma condição patológica, a melancolia também se podia referir a um estado de espírito ou temperamento e, por vezes, era até usada como uma descrição da condição humana em geral.

A melancolia (ou mais precisamente a 'bile negra', da qual a melancolia deriva o seu nome) era considerada um dos quatro temperamentos que correspondiam aos quatro humores. Até ao século XVIII, os médicos e outros estudiosos classificavam as condições melancólicas como tal devido à sua causa comum percebida – um excesso de um fluido nocional conhecido como "bile negra", que estava comummente ligado ao baço. Hipócrates e outros médicos antigos descreveram a melancolia como uma doença distinta com sintomas mentais e físicos, incluindo medos e desalentos persistentes, falta de apetite, abulia, insónia, irritabilidade e agitação. Mais tarde, os delírios fixos foram adicionados à lista de sintomas por Galeno e outros médicos. Na Idade Média, a compreensão da melancolia mudou para uma perspetiva religiosa, com a tristeza a ser vista como um vício e a possessão demoníaca, em vez de causas somáticas, como uma potencial causa da doença.

Durante o final do século XVI e o início do século XVII, surgiu em Inglaterra um culto cultural e literário da melancolia, associado à transformação da melancolia, por parte do neoplatonista e humanista Marsilio Ficino, de um sinal de vício numa marca de génio. Esta melancolia da moda tornou-se um tema proeminente na literatura, na arte e na música da época.

Movimento cultural inglês

Durante o final do século XVI e o início do século XVII, surgiu em Inglaterra um curioso culto cultural e literário da melancolia. Num influente ensaio de 1964 na revista Apollo, o historiador de arte Roy Strong traçou as origens desta melancolia da moda até ao pensamento do popular neoplatonista e humanista Marsilio Ficino (1433–1499), que substituiu a noção medieval de melancolia por algo novo:

"Ficino transformou o que até então tinha sido considerado o mais calamitoso de todos os humores na marca do génio. Não admira que, eventualmente, as atitudes de melancolia se tenham tornado logo um complemento indispensável para todos aqueles com pretensões artísticas ou intelectuais."


The Anatomy of Melancholy (A Anatomia da Melancolia, ou na sua versão completa: O Que Ela É: Com Todos os Seus Tipos, Causas, Sintomas, Prognósticos e Várias Curas... Filosoficamente, Medicinalmente, Historicamente, Aberta e Dissecada) de Robert Burton, foi publicada pela primeira vez em 1621 e continua a ser um monumento literário definidor dessa moda. Outro grande autor inglês que se expressou extensamente sobre o facto de ter uma disposição melancólica foi Sir Thomas Browne na sua obra Religio Medici (1643).

Night-Thoughts (Queixume: ou, Pensamentos Noturnos sobre a Vida, a Morte e a Imortalidade), um longo poema em verso livre de Edward Young, foi publicado em nove partes (ou "noites") entre 1742 e 1745, tornando-se enormemente popular em várias línguas. Teve uma influência considerável nos primeiros românticos em Inglaterra, França e Alemanha. William Blake foi mais tarde contratado para ilustrar uma edição posterior.

Nas artes visuais, esta melancolia intelectual da moda surge frequentemente na retratística da época, com os modelos posados sob a forma de "o amante, com os braços cruzados e o chapéu desabado sobre os olhos, e o erudito, sentado com a cabeça apoiada na mão" – descrições retiradas do frontispício da edição de 1638 da Anatomia de Burton, que mostra exatamente essas personagens que, por essa altura, já se tinham tornado clichés. Estes retratos eram frequentemente ambientados ao ar livre, onde a Natureza oferecia "o cenário mais adequado para a contemplação espiritual", ou num interior sombrio.

Na música, o culto pós-elisabetano da melancolia está associado a John Dowland, cujo mote era Semper Dowland, semper dolens ("Sempre Dowland, sempre em pranto"). O homem melancólico, conhecido pelos contemporâneos como um "malcontente", é personificado pelo Príncipe Hamlet de Shakespeare, o "Melancólico Dinamarquês".

Um fenómeno semelhante, embora não sob o mesmo nome, ocorreu durante o movimento alemão Sturm und Drang, com obras como As Dores do Jovem Werther de Goethe, ou no Romantismo com obras como Ode sobre a Melancolia de John Keats, ou ainda no Simbolismo com obras como A Ilha dos Mortos de Arnold Böcklin. No século XX, grande parte da contracultura do modernismo foi alimentada por uma alienação comparável e por um sentimento de falta de propósito chamado "anomia"; a preocupação artística anterior com a morte passou a ser designada sob a rubrica de memento mori. A condição medieval de acedia (acédia em português) e o Weltschmerz romântico eram conceitos semelhantes, com maior probabilidade de afetar o intelectual.

Mais detalhado aqui

Clan of Xymox - Louise

Videoclipe original

Live at Cruel World Festival - May 17, 2025

Ao vivo em Lima, no Peru, no dia 2 de abril de 2016

A canção "Louise", lançada no aclamado álbum Medusa em 1986, é um dos maiores clássicos dos Clan of Xymox e uma verdadeira obra-prima do movimento dark wave. O tema central da música gira em torno da dor profunda do abandono, da solidão existencial e de uma melancolia obsessiva. Embora o compositor Ronny Moorings prefira deixar as suas letras abertas à interpretação do ouvinte, a narrativa de "Louise" constrói uma atmosfera marcadamente gótica sobre o fim devastador de uma relação.

Ao longo da faixa, o eu lírico expressa o desespero e a humilhação de quem tenta, sem sucesso, reter a pessoa amada, chegando a evocar imagens teatrais e confessionais como o ato de rastejar de joelhos a implorar para que o outro não se vá. O nome "Louise" é repetido de forma quase hipnótica, funcionando como um eco doloroso que assombra a mente de quem ficou sozinho. A ausência da personagem paralisa o narrador, transformando o batimento do seu coração num choro constante e retirando toda a cor e o sentido ao mundo que o rodeia.

Essa angústia reflete-se também no cenário evocado pela música, que transporta o ouvinte para uma caminhada solitária por uma cidade adormecida, onde o protagonista vagueia na calada da noite e mergulha em pensamentos sombrios na tentativa frustrada de esquecer o passado. No fundo, a crítica e os fãs da subcultura gótica costumam notar que "Louise" transcende a história de um amor perdido; a música foca-se no próprio eco do sofrimento do narrador e no seu processo de luto emocional. O desespero culmina num pedido final para que a memória de Louise o deixe em paz, mostrando que a única forma de quebrar aquele ciclo de falsas promessas é aceitar, finalmente, o vazio e a solidão.

domingo, 31 de maio de 2026

Slowdive - Alife

Letra
Two lives are hard lives with you
Two lives are hard lives with you
Two lives are hard lives with you

Hey, just look at us now
Time made fools of us all
We look but we don't understand
We try but we don't look around
Looking down
Looking around

Two lives are hard lives with you
Two lives are hard lives with you

Down where the river runs through
The town, there's a memory of you
Don't look, don't look at me now
Time has got me somehow
It's you and only you
You and only you

Two lives are hard lives with you (3X)

Down where the river runs through
The town, there's a memory of you
Don't look, don't look at me now
Time has got me somehow
There's you and only you
You and only you

Two hard lives are hard lives with you
Two lives are hard lives with you

Significado da canção
Em “Alife”, do Slowdive, a repetição do verso “Two lives are hard lives with you” (“Duas vidas são vidas difíceis contigo”) destaca tanto os desafios de um relacionamento quanto a intensidade dos sentimentos envolvidos. O álbum "Everything is Alive" ao qual a música pertence foi dedicado a pessoas queridas que já faleceram, o que acrescenta uma dimensão de luto e saudade à canção. Assim, a letra pode ser interpretada como uma reflexão sobre o amor romântico, mas também sobre a dor da ausência e a complexidade dos laços afetivos que continuam mesmo após a perda.

A atmosfera nostálgica da música é reforçada por imagens como “Down where the river runs through the town, there’s a memory of you” (“Lá embaixo, onde o rio atravessa a cidade, há uma lembrança tua”), que associa memórias a lugares específicos, tornando o passado quase tangível. O verso “Time made fools of us all” (“O tempo fez tolos de todos nós”) sugere como o tempo pode distorcer sentimentos e percepções, trazendo uma sensação de impotência diante das mudanças inevitáveis. A sonoridade da faixa, ao mesmo tempo animada e etérea, cria um contraste entre a urgência emocional e a busca por conforto, mostrando como os Slowdive transforma experiências dolorosas em algo reconfortante e belo. "Alife" se destaca, assim, como uma reflexão sensível sobre a dificuldade e a beleza de manter conexões profundas, mesmo quando marcadas por perda e transformação.

Movies that completely changed my Life (and why you should watch them)

We’ve all experienced that unique magic: the lights dim, the screen glows, and for the next two hours, you are completely transported. But every now and then, a movie does something deeper. It doesn't just entertain you for an evening; it fractures your worldview, shifts your priorities, and stays with you long after the credits roll.

These are the ten films that fundamentally changed how I view the world—and why they deserve a spot on your watch list tonight.

1. Dead Poets Society (1989)

The Lesson: Carpe Diem is easy to say, but terrifying to live.

On the surface, this is a movie about an unconventional English teacher at a strict boarding school. But beneath that, it is a masterclass in existential courage.

  • How it changed me: It forced me to confront the reality of my choices. Am I living the life expected of me, or the life I actually want? It taught me that "sucking the marrow out of life" requires shaking off conformity, standing on your desk, and daring to find your own voice.

  • Why you should watch it: If you feel stuck in a routine or find yourself living to satisfy other people’s expectations, this film is the gentle, poetic wake-up call you need.

2. The Truman Show (1998)

The Lesson: We accept the reality of the world with which we're presented.

Jim Carrey plays Truman Burbank, a man who has no idea his entire life is a 24/7 reality TV show broadcast to the entire planet.

  • How it changed me: It made me hyper-aware of the invisible scripts we follow in society. Truman's journey isn't just about escaping a literal television set; it’s a metaphor for breaking free from the comfort zones, biases, and artificial structures that keep us safe but completely unfulfilled.

  • Why you should watch it: In an era dominated by social media algorithms and curated feeds, The Truman Show feels more relevant than ever. It forces you to look at your own "set" and ask: If I walked to the edge of my world, would I have the courage to open the door and leave?

3. Arrival (2016)

The Lesson: If you knew how your story would end, would you still live it?

When mysterious spacecraft touch down across the globe, a linguistics professor named Louise Banks is recruited to communicate with the extraterrestrial visitors. As she learns their non-linear language, her perception of time and memory begins to change.

  • How it changed me: Without spoiling the ending, this movie completely rewired how I look at grief, love, and time. It taught me that the beauty of life doesn't lie in a happy ending, but in the willingness to embrace the journey fully - sorrow and all. It’s a profound shift from asking "Why me?" to saying "Yes to life."

  • Why you should watch it: This isn't your typical alien invasion action flick. It is a deeply philosophical, quiet sci-fi masterpiece that will leave you staring at the ceiling for hours after it ends, rethinking every relationship in your life.

4. Billy Elliot (2000)

The Lesson: Passion is not a choice; it’s a necessity.

Set during the grueling 1984–1985 UK miners' strike, the film follows an 11-year-old working-class boy who trades his boxing gloves for ballet shoes, facing fierce opposition from his family and community.

  • How it changed me: It completely redefined my understanding of resilience and identity. Watching Billy turn his frustration, anger, and isolation into explosive, raw choreography taught me that art is not just a hobby—it is a vital survival mechanism. It made me realize that staying true to who you are often requires fighting the very environments meant to shape you.

  • Why you should watch it: If you have ever felt like an outsider in your own world, or if you're struggling to defend a dream that others find foolish, Billy Elliot is an emotional powerhouse. It will make you laugh, cry, and want to dance through the streets.


5. Apocalypse Now (1979)

The Lesson: The thin veneer of civilization is easily stripped away away from societal control.

Francis Ford Coppola's Vietnam War epic follows Captain Willard on a secret mission down a river into Cambodia to assassinate a rogue Green Beret Colonel, Walter E. Kurtz, who has gone insane and set himself up as a god to a local tribe.

  • How it changed me: It forced me to look into the darkest corners of human nature. It's not just a movie about war; it is a psychological descent into darkness. It made me realize how fragile our moral compasses really are when separated from social rules. Kurtz isn't just a villain—he is a reflection of what happens when a man stares too long into the hypocrisy of civilization and completely breaks.

  • Why you should watch it: If you want a cinematic experience that challenges your understanding of morality, sanity, and the dual nature of man (good vs. evil), this hallucinatory masterpiece is mandatory. It is heavy, surreal, and unforgettable.

6. Breaking the Waves (1996)

The Lesson: True love and faith often look like madness to the rest of the world.

Set in a deeply religious and isolated Scottish community, Lars von Trier's masterpiece follows Bess, a naive young woman who marries an oil rig worker, Jan. After an accident paralyzes Jan, he convinces Bess that she can keep him alive and heal him by sleeping with other men and telling him the stories.

  • How it changed me: It shattered my conventional views on morality and altruism. Lars von Trier strips away all Hollywood sentimentality to ask a brutal question: what does absolute, unconditional sacrifice actually look like? It taught me that genuine grace and faith are rarely neat or socially acceptable; often, they are messy, deeply misunderstood, and painful.

  • Why you should watch it: This is raw, emotionally demanding cinema at its finest. Driven by a devastating, career-defining performance by Emily Watson, it is a haunting exploration of psychological isolation, religious rigidity, and spiritual transcendence that you will never forget.

7. Paris, Texas (1984)

The Lesson: You cannot rebuild a broken past just by showing up; some distances are internal.

A mute, disheveled man named Travis wanders out of the desert after being missing for four years. Reconnecting with his brother and the young son he abandoned, Travis gradually begins a quiet, agonizing search across Texas to find his missing wife, Jane, trying to patch together the ruins of his former life.

  • How it changed me: It completely redefined how I perceive emotional estrangement, forgiveness, and love. Travis trying to learn how to be a father again through old home movies broke my heart. The famous peep-show conversation between Travis and Jane through a one-way mirror taught me that sometimes, the only true act of love left is knowing when to let go and disappear back into the landscape.

  • Why you should watch it: Anchored by Robby Müller’s gorgeous, neon-soaked cinematography and Ry Cooder’s haunting slide guitar soundtrack, it is a masterpiece of slow-burn emotional devastation. If you’ve ever loved someone deeply but realized your own brokenness stood in the way, this movie will speak directly to your soul.

8. Until the End of the World (1991)


The Lesson: The most dangerous journey is the one we take into our own obsession.

Wim Wenders' ultimate road movie follows a woman tracking a mysterious man carrying a device that records visual data directly from the human brain, allowing the blind to see—and users to view their own dreams. The pursuit spans nine countries, ending in the Australian outback right as a global nuclear crisis threatens to break society apart.

  • How it changed me: It was a prophetic warning about the digital age that completely shifted my relationship with technology. Long before smartphones existed, Wenders showed characters becoming hopelessly addicted to viewing their own subconscious memories on handheld screens, ignoring the real world around them. It made me realize that the "end of the world" isn't always a physical apocalypse; sometimes it is the moment we stop looking each other in the eye and retreat completely into our personal digital loops.

  • Why you should watch it: It is a sweeping, visually mesmerizing epic with one of the greatest rock soundtracks in cinema history. Watch the Director's Cut if you can; it is an unmatched philosophical exploration of global wanderlust, the power of images, and human connection at the edge of existence.

9. Holy Motors (2012)

The Lesson: We are all exhausting ourselves playing roles for an audience that might not even exist.

Over the course of a single day, we follow Monsieur Oscar, a mysterious man who travels through the streets of Paris in a white stretch limousine. Guided by his driver, Celine, he transitions between 11 different "appointments," completely transforming his appearance each time to play different characters: a beggar, a dying old man, a motion-capture stuntman, and a monstrous creature.

  • How it changed me: It completely redefined my view on modern identity. Carax uses this surreal journey as a brilliant metaphor for social existence. In life, just like Oscar, we shift masks continuously—from professional colleague to digital persona, to caregiver, to lover. It taught me that the great modern tragedy isn't that we play roles, but the exhaustion that comes from doing it when the "invisible cameras" have stopped rolling and we no longer know who we are underneath.

  • Why you should watch it: It is a wildly original, anarchic, and gorgeous fever dream. Driven by Denis Lavant's staggering physical performance and featuring an unforgettable accordion intermission, it challenges everything you think you know about traditional narrative storytelling.

10. Stalker (1979)

The Lesson: The hardest place to look is into the center of your own desires.

In a dystopian wasteland, a guide known as a "Stalker" leads a melancholy Writer and a cynical Professor into "The Zone"—a dangerous, post-apocalyptic region sealed off by the government. At the heart of the Zone lies a legendary room that is rumored to grant the deepest, most subconscious desires of anyone who steps inside.

  • How it changed me: It completely shifted my understanding of what a movie can achieve. Tarkovsky doesn't use Hollywood special effects; instead, he uses rain, damp soil, rusty metal, and time itself to create an atmosphere of immense spirituality. It taught me a terrifying but beautiful truth about human nature: we often think we know what we want, but if our truest, most hidden subconscious desires were suddenly granted, they might reveal us to be monsters or cowards. It made me realize that faith and self-reflection are not comforting answers, but exhausting, ongoing psychological journeys.

  • Why you should watch it: Stalker is not a film you simply watch—it is an experience that you absorb like a meditation. If you are willing to slow down your breathing, accept its mesmerizing rhythm, and let its philosophical poetry sink in, it will permanently change the way you look at a cinema screen and your own soul.

A nobreza estratégica do esquecimento na era da inteligência artificial



Lembra-se de tudo o que fez na semana passada? Provavelmente não. E quer saber uma coisa? Isso é ótimo. A verdade é que está a esquecer-se das coisas, e isso pode ser a salvação da sua capacidade de pensar. Durante anos, o mundo da tecnologia vendeu-nos uma promessa tentadora: a memória digital total.

Arquivos infinitos, históricos guardados, conversas gravadas, assistentes de IA que se lembram de cada clique que deu desde os primórdios da sua vida digital. Parecia o paraíso da produtividade, mas a fatura chegou, e os juros são cobrados diretamente na nossa saúde mental.

Recentemente, os investigadores começaram a notar um fenómeno apelidado de "AI brain fry", a fritura cerebral por IA. Os profissionais que usam a inteligência artificial intensamente no trabalho estão a relatar exaustão mental, sobrecarga de decisões e, ironicamente, mais erros.

A tecnologia que nasceu para aliviar o nosso dia a dia acabou por criar uma camada de vigilância sobre a nossa própria cabeça.

Por décadas, a ciência e os entusiastas da tecnologia trataram a memória humana como uma máquina defeituosa. Afinal, nós esquecemo-nos de onde deixámos as chaves, confundimos datas e perdemos detalhes. Mas essa crítica é injusta.

O cérebro esquece por um motivo simples: porque precisa de continuar vivo. Para não enlouquecer, a nossa mente comprime dados, elimina o que é inútil, reorganiza as memórias e guarda apenas o que tem valor real, seja prático ou emocional.

Esquecer não é um defeito; é uma forma de inteligência. Já um arquivo perfeito, onde tudo tem o mesmo peso e nada é eliminado, não serve para julgar ou criar. Serve apenas para auditar e vigiar. O grande risco de usarmos a IA como a nossa "memória externa" o tempo todo é a atrofia dos próprios neurónios.

Quando consulta a máquina antes sequer de tentar elaborar uma ideia, subcontrata o esforço que transforma a informação em conhecimento real. Passa a ser um mero revisor que apaga ou corrige um texto gerado por terceiros.

Existe também um lado mais invisível e perigoso nesta história, que é a assimetria de poder. Pense bem. O utilizador conversa com um sistema de IA que se lembra de absolutamente tudo o que já lhe disse. Sendo humano, guarda apenas fragmentos. Quando a máquina recorda tudo e o utilizador só tem pedaços, a relação perde o equilíbrio.

A memória deixa de ser uma base de dados e passa a ser uma ferramenta de influência sobre si. No mundo corporativo, esta idolatria pelo "registo total" tornou-se uma obsessão. Reuniões gravadas e transcritas, cliques monitorizados, relatórios de acessos...Ufa! Virámo-nos para um grande depósito de contexto. Só que o contexto em excesso paralisa.

Os executivos cercados por painéis em tempo real e assistentes que recuperam anos de histórico podem até sentir-se superinformados, mas isso raramente se traduz em decidir melhor.

Estudos recentes mostram que a IA melhora o desempenho imediato, mas destrói a nossa autonomia a longo prazo. Quando voltamos a trabalhar sozinhos, o tédio aumenta e a motivação desaba. O cérebro aceita a facilidade da IA de braços abertos, mas cobra o preço mais tarde.

Quanto mais confiamos cegamente na máquina, menos usamos o nosso pensamento crítico. A solução para o futuro, portanto, não é acumular mais dados. É exatamente o oposto. Precisamos de desenhar uma inteligência artificial que tenha a capacidade de esquecer.

Os sistemas inteligentes de verdade deveriam saber o que guardar de estratégico, mas também o que apagar de banal, o que proteger de confidencial e o que descartar por ser repetitivo. Guardar tudo não é uma governação eficiente; é preguiça disfarçada de organização. Preservar com critério, sim, é estratégia.

A IA que merecerá a nossa confiança no futuro será aquela que reconhecer que nem todos os dados devem transformar-se em lembranças. O segredo da produtividade não está em assistentes que sabem tudo, mas sim em filtros implacáveis que deitam o irrelevante para o lixo.

Num século em que absolutamente tudo pode ser registado, lembrar-se seletivamente voltou a ser o maior ato de inteligência.

A inteligência artificial só será útil de verdade quando devolver ao ser humano a liberdade de pensar de forma leve, sem carregar o peso de cada resto do caminho. O maior avanço da tecnologia para a mente humana será, definitivamente, abandonar a vaidade do registo perfeito e aprender a nobreza do esquecimento seletivo.

sábado, 30 de maio de 2026

IA cria referências falsas e contamina artigos científicos, apontam estudos


O avanço do uso de inteligência artificial (IA) na produção de artigos científicos começa a provocar uma preocupação crescente entre investigadores e editoras académicas. Dois novos estudos internacionais apontam que ferramentas de IA generativa, como chatbots de linguagem, estão a criar referências falsas que acabam por ser incluídas em trabalhos publicados sem que autores, revisores ou revistas científicas se apercebam do erro.

Tornou-se comum os académicos serem alertados para novos trabalhos que citam a sua investigação, apenas para perceberem que se trata de um artigo inexistente. No ano passado, um relatório amplamente divulgado, o “Relatório MAHA”, emitido pela Casa Branca sobre as suas prioridades no combate às doenças crónicas, continha várias citações incorrectas que levaram alguns observadores a suspeitar que tinham sido geradas por inteligência artificial.

Um dos casos citados envolve o investigador Rafael Topaz, professor associado da Universidade de Columbia, nos EUA, que afirmou ter descoberto que uma ferramenta de IA adicionou silenciosamente uma referência inexistente num manuscrito académico. Segundo ele, o sistema foi usado apenas para ajustes gramaticais no texto. “Sou investigador de IA. Sei o que são alucinações. Se isto está a acontecer comigo, o que acontece com as outras pessoas?”, afirmou.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, chegou a conclusões semelhantes ao analisar artigos biomédicos publicados entre 2023 e o início de 2026. A auditoria encontrou mais de 4 mil referências falsas distribuídas em 2.810 artigos revistos por pares. Em 2023, um em cada 2.828 artigos apresentava pelo menos uma citação inventada. No início de 2026, a proporção passou para um em cada 277 trabalhos.

Os autores afirmam que o problema não está concentrado em investigações fraudulentas; em muitos casos, as citações inventadas aparecem espalhadas em trabalhos legítimos, o que sugere que os investigadores estão a copiar referências sugeridas por ferramentas de IA sem fazerem a verificação manual das fontes originais. O fenómeno foi mais comum entre autores menos experientes e equipas pequenas de investigação.

O alerta aparece num estudo conduzido por investigadores da Universidade Cornell, da UCLA e da UC Berkeley. Os cientistas analisaram 111 milhões de citações presentes em 2,5 milhões de artigos publicados entre 2020 e 2025 nas plataformas arXiv, bioRxiv, SSRN e PubMed Central. O trabalho identificou pelo menos 146.932 referências fabricadas por IA só em 2025.

Os investigadores rastrearam títulos de artigos que não puderam ser encontrados em bases académicas como o Google Scholar, Semantic Scholar e OpenAlex. A análise mostrou que o crescimento das referências falsas acelerou a partir de meados de 2024, cerca de um ano e meio após o lançamento público do ChatGPT, período em que as ferramentas de IA passaram a ser usadas também para sugerir bibliografias e citações automáticas.

Segundo o levantamento, as taxas de referências falsas chegaram a quase 2% os artigos publicados no SSRN em agosto de 2025. No PubMed Central, a principal base biomédica analisada, foram estimadas mais de 8 mil citações falsas em apenas um mês. O estudo também aponta que muitas destas referências sobreviveram aos processos de revisão e foram mantidas nas versões finais dos artigos científicos.

Tornou-se comum os académicos serem alertados para novos trabalhos que citam a sua investigação, apenas para perceberem que se trata de um artigo inexistente. No ano passado, um relatório amplamente divulgado, o “Relatório MAHA”, emitido pela Casa Branca sobre as suas prioridades no combate às doenças crónicas, continha várias citações incorrectas que levaram alguns observadores a suspeitar que tinham sido geradas por inteligência artificial.

Os investigadores alertam que o problema se pode tornar ainda mais difícil de controlar nos próximos anos, porque os modelos de IA treinados em bases académicas contaminadas por referências falsas podem reproduzir os mesmos erros em novos textos. Como resposta, os estudos defendem que as editoras científicas adotem sistemas automáticos de verificação de referências antes da publicação dos artigos.

Para saber mais:

O adeus a Edgar Morin. 104 a resistir, pensador global, herdeiro do iluminismo

Quando em 2001 lhe perguntaram, à beira da celebração dos 100 anos de vida, onde é que ele ia buscar a transbordante vitalidade, Edgar Morin respondeu: ”É porque consigo ser ao mesmo tempo infantil, juvenil e velho. Admito que mais ou menos adulto, mas não muito.” 

Edgar Morin, um dos últimos mestres do pensamento da cultura contemporânea, sociólogo, filósofo, antropólogo e epistemólogo, morreu a pouco mais de um mês de em 8 de julho chegar aos 105 anos de vida (n.1921, em Paris).

Morin, sempre luminoso e generoso (veio muitas vezes a Portugal, arranjava sempre tempo para quem queria conversar com ele), é um dos últimos herdeiros do Iluminismo. Com mais de 100 livros publicados, continuou até ao fim da longa vida a intervir e a a posicionar-se em muitos dos debates dos nosso tempo (sobre ecologia, sempre sobre a educação, também  questões sensíveis como as caricaturas de Maomé ou a política de colonização israelita, de que era muito crítico). Edgar Morin também ousou imaginar o futuro e interrogar as incertezas do tempo pela frente. Ele gostava de repetir que, do ponto de vista da evolução do pensamento, “ainda estamos na pré-história.”

Ao pensarmos em Edgar Morin pensamos sempre em humanismo. Admirado pelo espírito corajoso e livre, fez da dúvida e da autocrítica ferramentas indispensáveis ​​para a reflexão orientada para enfrentar e entender as metamorfoses e a complexidade do mundo contemporâneo.

Em toda a vida foi um e resistente aos esquematismos ideológicos e aos guetos disciplinares, combateu as arrogâncias, aliou o gosto pela reflexão à relevância da observação, com abordagem interdisciplinar orientada para a concretização da ecologia de ideias que, a par da centralidade da ética, considerava indispensável para chegarmos a uma sociedade mais justa. Para Morin, o trabalho intelectual só faz sentido se resultar em propostas políticas realistas e exequíveis. E, nesta perspetiva, embora consciente dos muitos riscos que o planeta enfrenta, acreditava que os períodos de crise como o tempo de agora são, ainda assim, ricos em potencial, desde que “a civilização ocidental renuncie à obstinada busca de uma ideia de progresso baseada exclusivamente na fé cega no poder da tecnologia e da economia".

Nascido em Paris numa família judaica sefardita, Edgar Nahoum participou ativamente na resistência anti-nazi no início da década de 1940, adotando então pela primeira vez o pseudónimo Morin, que manteria durante toda a sua vida. Após a guerra, frequentou regularmente os meios intelectuais, foi próximo de Marguerite Duras.

Logo a seguir ao final da II Grande Guerra, Morin, oficial da Resistência francesa, foi mobilizado para a Alemanha ocupada. Tinha 24 anos, publicou L’an zéro de l’Allemagne (1946), em que corajosamente propõs a superação do rancor, com aposta na reconciliação franco-alemã. Foi o primeiro título de uma notável bibliografia que, no final da sua vida, contaria com mais de 100 livros. La Méthode, monumental e fundamental obra sociológica e filosófica, foi publicada em seis tomos, ao longo de 17 anos, de 1977 a 2004.

Em Autocritique (1959),Morin relata como foi expulso do Partido Comunista Francês (PCF), de que fora figura de relevo, e reconhece a “cegueira inicial em relação ao estalinismo” que viria a criticar veementemente. Tornou-se também um dos fundadores do comité de intelectuais contra a Guerra da Argélia.

No tempo final de vida, Morin lastimou recorrentemente o estado sombrio do mundo. Quis intervir ativamente em censura à invasão russa da Ucrânia. Publicou um último ensaio,  De guerre en guerre: de 1940 à l’Ukraine (De guerra em guerra: de 1940 à Ucrania). Assentou então: “Estamos a assistir à escalada da desumanidade e ao colapso da humanidade, à escalada do pensamento simplista e ao colapso da complexidade. E, acima de tudo, à escalada para uma guerra mundial que representa o mergulho da humanidade no abismo.” 

No livro de memórias, Les souvenirs viennent à ma rencontre (As Lembranças vêm ao meu encontro), publicado em 2019, quando tinha 97 anos, prenunciou o fim que chegou neste final de 2026 “Eu também partirei para a terra onde cresce a flor de laranjeira.”

Morin resistiu sempre. Contra o populismo, contra o totalitarismo, contra o nacionalismo, contra a violência, contra as ofensas ao ambiente,  contra a desigualdade, contra o ódio, contra a estupidez, contra tudo o que divide e separa. Nunca desistiu, nunca se rendeu.

Morin argumentou ferozmente contra o «reducionismo» — o hábito de dividir os problemas em caixas isoladas e unidisciplinares. Em vez disso, acreditava que os maiores desafios do mundo estão fundamentalmente interligados.

Conceitos-chave que deixa como legado
O trabalho de Morin deu-nos lentes totalmente novas para olhar para as crises modernas:
  1. A Policrise: um termo que co-pioneou para descrever como as crises ambientais, económicas, sociais e políticas não acontecem de forma isolada. Pelo contrário, alimentam-se e amplificam-se mutuamente de forma dinâmica.
  2. O Princípio hologramático: a ideia de que, tal como num holograma, a parte está no todo, mas o todo também está embutido na parte (por exemplo, um indivíduo carrega em si toda a cultura da sua sociedade).
  3. Religação (Reliance): a capacidade humana de construir e sustentar laços significativos, que ele defendeu como a nossa ferramenta máxima de solidariedade num mundo profundamente fragmentado.
«Enquanto for possuído pelas forças da vida, o espetro da morte recua.» — Edgar Morin

Era, como em França gostam de classificar, um maître à penser. O presidente Macron foi certeiro no primeiro comentário ao fim da vida de Edgar Morin: “era o Humanismo feito pessoa.”

Saber mais:

Classificação: os países que alimentam o mundo


Um grupo relativamente pequeno de países fornece hoje uma enorme fatia dos alimentos comercializados no mundo. Os 10 maiores exportadores, por si só, representam quase metade das exportações agrícolas globais, conferindo a um punhado de economias uma enorme influência sobre os preços e as cadeias de abastecimento globais de alimentos.

As Américas constituem o núcleo do sistema global de comércio de alimentos. Os EUA, o Brasil, o Canadá e o México, em conjunto, representam quase 30% das exportações agrícolas globais, abrangendo desde cereais e carne a alimentos processados ​​e oleaginosas.

Enquanto isso, várias economias populosas apresentam classificações inferiores às esperadas. Apesar de ser o maior produtor agrícola do mundo, a China está muito atrás dos EUA e do Brasil em termos de valor de exportação, o que reflete a parcela da sua produção que é consumida internamente.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Ladytron - Secret Dreams of Thieves


Aah, aah
Aah, aah

Hearts of fire
Skate thin ice
Whispers light up the sky
Hearts of fire
Don't think twice
Soulmates in paradise

Hearts lost in the night
Hearts taking flight
Hearts beat in the night
Hearts taking flight

Hearts of fire
Melt thin ice
Crystals snap
Waters rise

And they seek
The Secret Life of Reeds
Translucent leaves that breathe in the light of their eyes

And they dream
The secret dreams of thieves
Who ran so fast they seized the chance of their lives

Hearts of fire
Melt thin ice
Falling through
Paradise
Hand in hand
Sinking fast
Halloween sugar dream

And they seek
The Secret Life of Reeds
Translucent leaves that breathe in the light of their eyes

And they dream
The secret dreams of thieves
Who ran so fast they seized the chance of their lives?

For their heist
So perfectly conceived
Transcendent love that feeds egos in the night

And they dream
The secret dreams of thieves
Who ran so fast they seized the chance of their lives?

Melhor som aqui

Minha análise
"Secret Dreams of Thieves" é uma faixa do Ladytron, uma banda britânica formada em Liverpool, Inglaterra, em 1999, conhecida por sua formação multicultural que inclui a escocesa Helen Marnie, a búlgara Mira Aroyo e o inglês Daniel Hunt. O estilo musical do grupo transita entre o Synth-pop, o Electro-clash e a Indie Electronica, e a minha comparação com o New Order faz todo o sentido, já que ambas as bandas dominam a arte de misturar a melancolia fria do pós-punk com batidas feitas para a pista de dança. No entanto, o Ladytron soa mais refrescante e moderno porque troca o tradicional baixo proeminente do New Order por camadas massivas de sintetizadores analógicos vintage, ritmos de electro mais cortantes e vocais femininos etéreos, criando uma atmosfera retro-futurista e misteriosa.

Em termos de significado, a canção funciona como uma metáfora cinematográfica sobre um romance proibido, intenso e arriscado. Expressões como "skate thin ice" (patinar em gelo fino) e "hearts of fire melt thin ice" sugerem que os amantes estão cientes do perigo, mostrando que a paixão deles é tão ardente que derrete a própria segurança onde se apoiam, levando-os a afundar rápido. Ao usar termos como ladrões ("thieves") e golpe ou assalto ("heist"), a letra retrata o amor como algo roubado do resto do mundo, onde os protagonistas correm contra as regras para agarrar a oportunidade das suas vidas. No final, há uma ponta de cinismo típica da banda ao descrever a relação como um amor transcendente que alimenta egos na noite, mostrando que, por mais belo e secreto que seja, há também uma vaidade e uma ilusão quase juvenil. Musicalmente, a faixa encapsula essa urgência, usando uma batida forte e sintetizadores gelados para simular perfeitamente a sensação de uma fuga na calada da noite.

Estudo da Greenpeace encontra microplásticos em comida para bebé, da Nestlé e da Danone, vendida em embalagens de plástico



Uma nova investigação encomendada pela Greenpeace Internacional encontrou microplásticos em comida para bebé, vendida em embalagens de plástico, por duas das maiores empresas alimentares do mundo, a Nestlé e a Danone, levantando preocupações urgentes sobre a segurança de produtos comercializados para bebés.

O relatório Tiny Plastics, Big Problem: The Hidden Risks of Plastic Pouches for Baby Food detalha os testes laboratoriais realizados a marcas populares de comida para bebé, a Gerber, da Nestlé, e a Happy Baby Organics, da Danone, nos quais foram encontradas partículas de microplásticos em todas as amostras analisadas. O teste realizado sugere também que uma série de químicos estava presente tanto nas embalagens como nos alimentos. [1] Isto sugere que a própria embalagem de plástico poderá ser a fonte da contaminação, potencialmente expondo os bebés a milhares de fragmentos microscópicos de plástico, em cada embalagem consumida.

Graham Forbes, responsável global da campanha de plásticos da Greenpeace EUA, afirmou:
“Este estudo é um choque para pais em todo o mundo, que confiam nestas marcas para fornecer alimentos seguros e nutritivos aos seus bebés. Em vez disso, empresas dependentes do plástico, como a Nestlé e a Danone, não conseguem garantir que os seus produtos estejam livres de microplásticos e químicos.”

“Hoje, falar da era do plástico vai muito além da poluição visível”, acrescenta Ana Farias Fonseca. Para a Coordenadora de Campanhas de Mobilização da Greenpeace Portugal, “estamos perante uma crise de saúde pública que começa, literalmente, no berço. Este cenário lembra-nos os exemplos das indústrias do tabaco, do amianto e do chumbo, que tentaram desacreditar a ciência para atrasar a ação política. Hoje sabemos melhor do que isso. É urgente aplicar o princípio da precaução: os fabricantes devem demonstrar que as suas embalagens são seguras, e não compete aos pais ou cientistas provar o contrário.

Este é o momento de exigir aos governos que acelerem o passo por um Tratado Global dos Plásticos forte, capaz de reduzir a produção global em pelo menos 75% até 2040 e de obrigar gigantes como a Nestlé e a Danone. a eliminar materiais nocivos em contacto com os alimentos. Mudar este sistema está nas nossas mãos.”

As principais conclusões são:
• Por cada grama de comida para bebé testada, os investigadores encontraram, em média, até 54 partículas de microplásticos nas embalagens da Gerber e até 99 partículas nas embalagens da Happy Baby Organics. Isto equivale a até 270 microplásticos por colher de chá no caso da Gerber e 495 no caso da Happy Baby Organics.
• O estudo estimou um total de mais de 5.000 partículas em cada embalagem da Gerber e mais de 11.000 partículas em cada embalagem da Happy Baby Organics.
• O estudo identificou também uma série de químicos associados ao plástico presentes tanto na embalagem como no alimento, incluindo a presença de um potencial disruptor endócrino nas amostras da Gerber testadas.
• O estudo sugere uma ligação entre o polietileno, o plástico com que as embalagens são revestidas, e alguns dos microplásticos encontrados na comida para bebé testada.

As embalagens flexíveis de plástico para espremer tornaram-se rapidamente o formato dominante de embalagem para comida de bebé em todo o mundo, impulsionadas pela conveniência e por estratégias agressivas de marketing. É o formato de embalagem com crescimento mais rápido, com um aumento anual de 8,1% até 2031, representando 37,15% do mercado global em volume em 2025, ultrapassando todas as outras formas de embalagem, incluindo os tradicionais frascos de vidro. Atualmente, milhões destas embalagens de utilização única são compradas diariamente, o que significa que milhões de bebés podem estar a ingerir microplásticos juntamente com a sua comida. Os bebés podem ser particularmente vulneráveis a este tipo de exposição devido ao rápido desenvolvimento dos seus órgãos e à maior ingestão de alimentos em relação ao seu peso corporal.

Esta tendência faz parte de um aumento mais amplo da produção e utilização de plástico, em grande parte impulsionado pelas grandes empresas de bens de consumo. Só as embalagens representam cerca de 40% da produção global de plástico. Um dos segmentos em crescimento mais rápido é o das embalagens plásticas flexíveis e multicamada, como as bolsas e saquetas de comida para bebé, que são notoriamente difíceis de reciclar e uma importante fonte de poluição em algumas regiões.

A Nestlé e a Danone têm aparecido repetidamente entre os maiores poluidores por plástico do mundo em auditorias globais de marcas conduzidas pelo movimento Break Free From Plastic.

A Greenpeace apela à Nestlé, à Danone e a todos os produtores de comida para bebé para que investiguem urgentemente os seus produtos, provem que não estão a colocar crianças pequenas em risco de exposição e se comprometam a eliminar progressivamente as embalagens de plástico, substituindo-as por alternativas reutilizáveis, livres de plástico e não tóxicas.

Enquanto os governos negoceiam o Tratado Global dos Plásticos das Nações Unidas, a Greenpeace exige que os negociadores atuem com urgência para proibir estes produtos, reduzir a produção de plástico e acabar com a contaminação descontrolada e não regulamentada por plásticos e químicos que ameaça a saúde humana.

“A poluição por plástico não está apenas a destruir o nosso ambiente, está a entrar nos nossos corpos, começando na infância. A forma como a nossa comida é embalada é pensada para o lucro, não para a saúde das pessoas. Reduzir a produção de plástico e eliminar os químicos nocivos é essencial para proteger a saúde humana, especialmente a saúde das nossas crianças”, afirmou Forbes.

Notas:
[1] O estudo foi realizado pela SINTEF Ocean, na Noruega, em 2025, e encomendado pela Greenpeace Internacional. Foram testadas três embalagens de cada um dos dois produtos de comida para bebé: puré de iogurte da marca Gerber, da Nestlé, e puré de fruta da marca Happy Baby Organics, da Danone. Os produtos foram analisados tal como vendidos, sem serem aquecidos.

As fotografias podem ser acedidas na Greenpeace Media Library.

Assina a petição aqui

DeepMind prevê chegada da AGI até 2029 e diz que a sociedade não está pronta para o avanço


O diretor-executivo da Google DeepMind, Demis Hassabis, afirmou que a Inteligência Artificial Geral (AGI, na sigla em inglês) pode tornar-se realidade até 2029 e alertou que governos, empresas e a sociedade ainda não estão preparados para lidar com a velocidade do avanço da tecnologia. Segundo o próprio, os sistemas atuais de inteligência artificial (IA) já demonstram sinais de capacidades mais amplas e autónomas, num movimento que pode acelerar antes do esperado.

As declarações foram feitas após a conferência anual de desenvolvedores da Google. Hassabis afirmou que os recentes avanços em agentes de IA e sistemas autónomos reforçaram a perceção, dentro da indústria, de que a AGI poderá surgir antes do fim desta década. O executivo ainda considera 2030 como uma estimativa provável, mas disse que 2029 já é um cenário “realista” e que o desenvolvimento pode acontecer a um ritmo ainda mais acelerado.

A AGI é descrita pelo setor como uma forma de IA capaz de igualar ou superar o desempenho humano em diferentes tarefas cognitivas. Para Hassabis, as melhorias observadas nas ferramentas de IA ao longo do último ano não são avanços isolados, mas sim evidências de que a indústria finalmente encontrou um caminho técnico viável para construir sistemas mais sofisticados.

O executivo afirmou que a chamada “era dos agentes” deve ser vista como um primeiro teste de stresse para a sociedade. Esses sistemas conseguem executar tarefas de maneira mais independente, realizando atividades ligadas à programação, produtividade e automação. Segundo Hassabis, os agentes atuais representam apenas uma antevisão do impacto que os futuros sistemas poderão causar quando tiverem capacidades mais avançadas de raciocínio, planeamento e investigação.

Hassabis também afirmou que o ritmo da evolução da IA já apanhou empresas e governos de surpresa. O responsável citou exemplos recentes que envolvem modelos avançados de empresas concorrentes, como a Anthropic, para argumentar que até os especialistas do setor têm sido surpreendidos pela velocidade dos avanços.

Segundo ele, ainda existe uma pequena janela de oportunidade para que a sociedade se prepare para sistemas cada vez mais poderosos, mas essa margem pode diminuir rapidamente nos próximos anos. Diante disso, o executivo reforçou a necessidade de uma ação célere por parte dos governos no que toca à segurança e regulamentação da IA.

Em termos práticos, o que Demis Hassabis quis dizer resume-se ao facto de que a IA superinteligente está quase a chegar. A Inteligência Artificial Geral, aquela que consegue fazer qualquer tarefa intelectual tão bem ou melhor do que um ser humano, pode estar pronta já em 2029, muito antes do que a maioria das pessoas imaginava há uns anos. Além disso, o caminho técnico já foi descoberto. Os avanços recentes, como os agentes que trabalham de forma autónoma, mostram que a indústria já não está a adivinhar e que os cientistas já encontraram a fórmula técnica certa para criar esta superinteligência. No entanto, o mundo não está preparado para esta realidade. O avanço está a ser tão rápido que os governos, as empresas e as leis não estão a conseguir acompanhar o ritmo. Hassabis deixa, por isso, um alerta claro de que temos uma janela de tempo muito curta para criar regras e garantir que a tecnologia é segura antes que ela nos ultrapasse. Em suma, a revolução da IA vai acelerar a um ritmo avassalador e a sociedade precisa de se preparar com urgência.

Olhar nos olhos de uma ave

Papa-amoras-comum (Curruca communis)

"Olhar nos olhos de uma ave não é encarar um reflexo primitivo do passado, mas sim vislumbrar uma forma alternativa de inteligência. Sob o crânio minúsculo de um pássaro esconde-se um novelo de engenho: uma mente que mapeia continentes sem bússola, que cria ferramentas com a astúcia de um artesão e que reinventa a música todas as manhãs. A verdadeira genialidade das aves não está na capacidade de voar, mas na audácia de compreender o mundo com um cérebro do tamanho de uma noz."-Jennifer Ackerman

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Holy Motors - Stay the Night


Let it ride, let it ride
Where the dark is in the night
Let it ride, let it ride
Don't you want to stay the night?

I can see it in your eyes
You don't want to say goodbye
Let it ride, let it ride
Don't you want to stay the night?

Let it ride, let it ride
Where the dark is in the night
Let it ride, let it ride
Don't you want to stay the night?

I can see it in your eyes
You don't want to say goodbye
Let it ride, let it ride
Don't you want to stay the night?

Significado da canção
A canção "Stay the Night" dos Holy Motors não se foca numa narrativa complexa, mas sim na criação de uma atmosfera hipnótica e melancólica através de uma letra curta e minimalista. A repetição dos versos funciona como um mantra que explora a tensão e a intimidade entre duas pessoas no final de uma noite, onde o eu lírico percebe no olhar do outro a relutância em se despedir. O apelo para ficar até ao amanhecer é feito de forma suave e vulnerável, quase num sussurro, misturando desejo com uma profunda sensação de solidão. Ao mesmo tempo, a expressão "let it ride" serve como um convite para deixar as coisas correrem e aceitar o destino, incentivando uma entrega total ao momento e à escuridão da noite, sem preocupações com o amanhã. Toda esta simplicidade lírica ganha uma nova dimensão graças à sonoridade cinemática e misteriosa da banda, transformando o que poderia ser um simples romance num cenário de escapismo e doce tristeza, ideal para a banda sonora de uma estrada deserta na madrugada.

"Ilegal por Conceção" e Tóxica para o Planeta: A Amnistia Internacional Desmascara a IA

Global: Enormes pipelines de dados que alimentam os principais sistemas de IA generativa estão enraizados em invasões em massa da privacidade por conceção

As empresas estão a extrair vastas quantidades de dados online através de web scraping (extração de dados da web) ilegal para construir os seus produtos de inteligência artificial (IA) generativa, de uma forma que está a permitir uma invasão massiva da privacidade, tornando estes sistemas ilegais por conceção, afirmou hoje a Amnistia Internacional num novo relatório.

O relatório Unlawful by Design: Exposing the Human Rights Costs of Generative AI ("Ilegal por Conceção: Expondo os Custos dos Sistemas de IA Generativa para os Direitos Humanos") documenta riscos graves na extração e processamento de dados em grande escala utilizados para construir e treinar estes sistemas, incluindo violações do direito à privacidade por conceção e consequências adversas para o ambiente e para comunidades historicamente marginalizadas.

"Empresas em todo o mundo estão a fornecer produtos de IA generativa sob uma capa de eficiência e sofisticação, mas, na realidade, estes sistemas perpetuam invasões em massa da privacidade através de web scraping ilegal: um processo automatizado para extrair dados de websites, incluindo dados pessoais, como imagens e atividade em redes sociais, para treinar modelos de IA", afirmou Likhita Banerji, Diretora do Laboratório de Responsabilidade Algorítmica da Amnistia Internacional.

"O pipeline de dados extrativo, as escolhas inerentes de conceção feitas pelas empresas tecnológicas e as cadeias de abastecimento exploratórias para construir sistemas de IA generativa permitiram um paradigma de desenvolvimento tecnológico que abre caminho ao risco de abusos em massa dos direitos humanos."

A Amnistia Internacional investigou os modelos que alimentam algumas das ferramentas independentes de IA generativa mais populares e publicamente disponíveis, incluindo o GPT-3 da OpenAI, o Gemini da Google, o Llama da Meta, o DeepSeek e ferramentas da Midjourney.

Estes sistemas dependem da extração de informações de milhares de milhões de publicações e imagens públicas online, frequentemente sem o consentimento explícito dos indivíduos que nelas aparecem ou que as criaram. Isto não só infringe a privacidade por conceção, mas, à medida que as bases de dados que alimentam os modelos de IA aumentam, a presença de conteúdos de ódio e discriminatórios nos seus resultados também é amplificada, juntamente com estereótipos negativos e preconceitos, especialmente de cariz racial e de género.

"Estas escolhas não são inevitáveis. Devemos contestar as opções de conceção adotadas pelas empresas que constroem sistemas de IA generativa baseando-se em dados de treino, incluindo dados pessoais, que são extraídos sem consentimento e a uma escala monumental", disse Likhita Banerji.

Os preconceitos raciais, de género e culturais são características persistentes nos sistemas de IA generativa, um produto dos dados de treino que são maioritariamente retirados da web e, portanto, poluídos com os preconceitos do mundo real que prejudicam as comunidades historicamente marginalizadas. Adicionalmente, os sistemas de IA generativa representam riscos para o direito à liberdade de pensamento, uma vez que são capazes de influenciar os pensamentos dos utilizadores e moldar as suas crenças pessoais através de sugestões preditivas. Isto aplica-se especialmente a modelos maiores que dependem de dados de treino expansivos.

Elevados custos ambientais
À medida que a escala e a velocidade de desenvolvimento aumentaram nas empresas de IA generativa, aumentaram também os requisitos de infraestruturas e os custos ambientais associados.

As maiores necessidades de processamento dos modelos de maior dimensão exigem chips com maior consumo energético, centros de dados maiores e, consequentemente, mais energia e água para a sua operacionalização. A produção de IA generativa resulta frequentemente num impacto negativo nas comunidades historicamente marginalizadas, uma vez que as terras e os recursos pertencentes a estas comunidades são explorados para construir centros de dados e satisfazer os requisitos de processamento.

O próprio relatório de sustentabilidade da Google de 2024 observou um aumento impressionante de 48% nas emissões de gases com efeito de estufa da empresa desde 2019, atribuível às emissões dos centros de dados e da cadeia de abastecimento. Da mesma forma, as emissões da Microsoft aumentaram 29% entre 2020 e 2024, atribuíveis aos centros de dados que realizam processos de suporte à IA.

A produção de IA generativa resulta frequentemente num impacto negativo para as comunidades historicamente marginalizadas, visto que as terras e os recursos que pertencem a estas comunidades são explorados para construir centros de dados (data centres) e cumprir os requisitos de processamento.

O uso intensivo de recursos na produção de IA generativa levou a que comunidades desde Cerrillos, no Chile, e Querétaro, no México, até ao Arizona, nos Estados Unidos da América, resistissem à instalação de centros de dados em áreas que já são fortemente afetadas por secas e escassez de eletricidade.

Como parte do seu processo de investigação, a Amnistia Internacional contactou por escrito a Google, OpenAI, Meta, Stability AI, Midjourney e DeepSeek, dando-lhes a oportunidade de responder às conclusões do relatório, que afirma que os seus modelos dependem de web scraping ilegal, entre muitas outras preocupações relacionadas com direitos humanos.

A Amnistia Internacional apela aos Estados para que proíbam os sistemas independentes de IA generativa que foram construídos com recurso a web scraping ilegal, definido como a recolha massiva e em larga escala de dados de treino através da web. As empresas devem cessar imediatamente a prática de extração ilegal e não consensual de dados pessoais na web para fins de treino de IA, e os Estados devem responsabilizar as empresas pelo seu envolvimento em quaisquer abusos de direitos humanos ligados às suas escolhas comerciais e de conceção.

Contexto
O relatório fornece uma análise de direitos humanos sobre o 'pipeline de dados' que alimenta os produtos de IA generativa, incluindo as fases de captura, análise e processamento de dados que são críticas para o funcionamento geral destes sistemas. Especificamente, isto envolve focar a atenção nos parâmetros e nas implicações das escolhas de conceção feitas em relação aos dados de treino dos modelos de IA generativa, com especial incidência nos métodos e fontes de recolha de dados, processamento de dados, escala dos modelos e resultados de dados (outputs).


A Amnistia Internacional define ferramentas independentes de IA generativa como produtos que são desenvolvidos, implementados e comercializados única e especificamente pelas suas capacidades de IA generativa, tais como chatbots de IA, geradores de imagem/vídeo/áudio/texto, entre outros.