Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
domingo, 18 de outubro de 2026
O que as ervas daninhas nos ensinam sobre ecodemocracia, habitação e justiça ambiental
sábado, 17 de outubro de 2026
PSD, CDS-PP, IL e Chega - O triunfo dos porcos
Neste cenário político, os partidos com responsabilidades de governo ou de aliança liberal-conservadora (PSD, CDS-PP e IL) assumem o papel dos gestores da quinta que justificam a desregulamentação do mercado em nome da eficiência e da liberdade económica. Sempre que exercem o poder executivo, a sua linha de atuação foca-se na liberalização do setor imobiliário e na facilitação de despejos, sob a premissa de que o mercado autorregulado resolverá a escassez de oferta, uma lógica que acaba por empurrar as populações de menores rendimentos para situações de extrema vulnerabilidade.
Por seu lado, a extrema-direita do Chega desempenha um papel análogo ao dos cães de guarda da narrativa orwelliana: utiliza um discurso inflamado de rutura, focado no espetáculo mediático, no ruído institucional e na criação de bodes expiatórios sociais, mas, quando chega o momento de votar propostas estruturantes para o mercado imobiliário, atua de forma a viabilizar a agenda económica da direita tradicional.
A cronologia recente da habitação e do xadrez parlamentar reflete esta dinâmica de forma clara:
2012 – A Lei Cristas e a Abertura ao Mercado: Sob o Governo de coligação PSD/CDS-PP, aprovou-se a alteração ao Novo Regime do Arrendamento Urbano através da
2023 – As Tentativas de Controlo com o "Mais Habitação": O Governo do PS aprovou o pacote legislativo através da
2026 – A Nova Lei do Arrendamento e Pacote Habitacional: O Governo submeteu à
O Alinhamento das Forças Políticas no Parlamento: A proposta do Executivo foi aprovada na generalidade com os votos a favor do PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal. O Chega optou pela abstenção, viabilizando o diploma após alcançar um acordo com o PSD para alterações na especialidade. Em sentido oposto, os partidos da oposição à esquerda - PS, Bloco de Esquerda, PCP, Livre, PAN e JPP - votaram em bloco contra a iniciativa, alertando para o risco de aumento da precariedade habitacional e pela ausência de garantias efetivas de proteção aos inquilinos.
A crise habitacional atual reflete o impacto direto destas opções legislativas. Enquanto o discurso político da extrema-direita recorre a tiradas agressivas e à polarização mediática, a sua prática parlamentar viabiliza as políticas de desregulamentação económica defendidas pelo bloco de direita. O resultado prático para a população traduz-se no agravamento da crise de acesso à casa e na prevalência da especulação sobre o direito fundamental à habitação.
"Encostem-nos à parede", disse o deputado Bruno Nunes (Chega)
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| Francisco de Goya - "El tres de mayo de 1808" |
PSD lida mal com a revolução popular
Qual é a percentagem de habitação social nos vários países da União Europeia?

- Adotar um novo paradigma de habitação
- Apoiar o movimento para uma transição energética justa
- Abordar as causas profundas para acabar com a exclusão habitacional
Holygram - She's Like The Sun
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Fontaines D.C. - Japan
Sem teto no Parque da Cidade: o esquilo Bernardo e o drama habitacional do Porto
Ter emprego não chega, habitação pesa: estudos mostram que a pobreza persiste em Portugal, principalmente entre os jovens e idosos
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
DARKWAYS - I Like The Night (And The Night Likes Me)
Sobre a acampada no Porto pela Habitação Justa
Justiça ambiental e a infância: Por que milhões de crianças pagam o preço mais alto da crise climática
A emergência climática não afeta todos da mesma forma, e as suas consequências mais severas recaem com maior gravidade sobre os grupos que menos contribuíram para a sua origem. No centro desta injustiça estão as crianças e, em particular, as populações indígenas. Os contornos dramáticos desta realidade ficaram patentes quando os dados divulgados no
Ao mesmo tempo, a comunidade científica global deu um passo inédito para compreender a extensão deste fenómeno com a publicação de um estudo pioneiro no
Apesar do pioneirismo e da amplitude da nova revisão, os próprios investigadores alertam que a ciência sobre este tema ainda não é totalmente conclusiva e apresenta limitações importantes na evidência disponível. Quase metade dos estudos analisados não apresentou resultados específicos para crianças indígenas e a investigação existente continua concentrada num número muito reduzido de países e comunidades. Por essa razão, os autores sublinham que é urgente desenvolver novos estudos em mais regiões do globo e assegurar uma participação mais significativa e genuína das comunidades e dos jovens indígenas. O objetivo passa por compreender em profundidade os diferentes impactos climáticos e garantir que as respostas políticas e ambientais tenham em conta as reais prioridades, experiências e conhecimentos destas populações. Como defende Jaime Turnbull, um dos autores do trabalho, reconhecer a soberania, os conhecimentos e as experiências vividas dos povos indígenas, garantindo que as comunidades lideram a definição das soluções, é o único caminho para alcançar resultados equitativos e eficazes no combate à crise climática para as crianças e as suas famílias.
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
LORN - Anvil
A dimensão conceptual da música atingiu o seu cume em 2016 com o lançamento do seu aclamado videoclipe, concebido e realizado pela dupla artística franco-belga GERIKO, composta por Hélène Jeudy e Antoine Caëcke. Situada num ano de 2100 assolado pela sobrepopulação extrema e pela rutura de recursos do planeta, a curta-metragem de animação apresenta uma solução estatal distópica: a criação da Anvil, uma rede social pós-morte onde a consciência dos cidadãos é digitalizada e armazenada num servidor público, exigindo contudo a eutanásia e desmaterialização do seu corpo físico. A narrativa acompanha os instantes finais de uma jovem mulher na Terra antes da sua transição para a rede digital, confrontando o espectador com a fronteira entre o alívio de uma imortalidade virtual e a tragédia do aniquilamento da condição humana tangível.
Do ponto de vista filosófico e literário, a obra mergulha profundamente nas correntes do transumanismo e do pós-humanismo, questionando os limites do mind uploading e a mercantilização da própria existência. A narrativa reflete as teorias socio-filosóficas sobre biopolítica e controlo estatal dos corpos, bem como as noções de hiperrealidade e simulação formuladas por pensadores como Jean Baudrillard. No plano literário e estético, "Anvil" bebe do universo cyberpunk de autores fundamentais como William Gibson e Philip K. Dick, combinando-o com uma linguagem visual marcante inspirada no traço arquitetónico de François Schuiten (As Cidades Obscuras) e na estética do manga e anime de culto japonês, nomeadamente as obras de Katsuhiro Otomo (Akira) e Masamune Shirow (Ghost in the Shell)
A teia sem centro
Descalço os sapatos e, com eles,
a ilusão de que estou fora.
A pele já não é uma fronteira,
é apenas um ponto de contacto.
a cicuta, a cigarra e o granito
têm o mesmo peso ontológico que o meu olhar.
O valor de uma árvore não se mede em metros cúbicos de madeira,
mas no sobressalto vivo do seu próprio existir.
O antropocentrismo desmorona-se como gesso húmido.
O que chamo «meu corpo»
é apenas a Terra a respirar através deste nome provisório.
O rio não corre para nos servir;
o rio corre porque é a linguagem da montanha.
Desaprender o domínio.
Escutar a inteligência silenciosa das raízes,
o direito inerente de cada líquen, de cada lobo,
de ser exatamente o que é.
A verdadeira revolução não é técnica,
é um acordar do Self ecológico:
reconhecer que ferir a teia
é ferir a mão que a toca.
Dissolver a posse.
Tornar-me, finalmente,
paisagem
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