segunda-feira, 16 de março de 2026

Low - Fly


A letra de "Fly" é minimalista e carregada de uma beleza triste, típica do álbum I Could Live in Hope (1994).

I can't take it
I can't take it
I can't take it
The way you want to fly

I can't take it
The way you want to fly

So fly
Fly
Fly
Fly

A letra de "Fly" é um exercício minimalista de resignação e desapego, funcionando como uma narrativa circular sobre a dor de deixar alguém partir. A repetição insistente da frase "I can't take it / The way you want to fly" estabelece um conflito emocional profundo: o narrador confessa a sua incapacidade de lidar com o desejo de liberdade ou de mudança da outra pessoa. O ato de "voar" surge aqui como uma metáfora para a independência, para o abandono ou até para uma transição espiritual, sugerindo que o outro já não pertence àquele espaço partilhado.

No entanto, a música atinge o seu ponto de viragem quando a resistência se transforma em aceitação. Ao mudar o discurso para um simples e repetido "So fly", o narrador liberta o peso da sua própria angústia e concede ao outro a permissão para ir. Esta transição reflete uma forma altruísta de amor, onde, apesar do sofrimento pessoal ("eu não aguento"), a vontade do outro é finalmente respeitada. No contexto do Slowcore, a lentidão extrema da melodia amplifica este sentimento, fazendo com que cada palavra pareça um suspiro de exaustão e, eventualmente, de paz.

Muitos fãs e críticos associam as letras do Low à fé Mórmon dos fundadores (Alan e Mimi). Nesse contexto, "Fly" pode ser interpretada como uma reflexão sobre a mortalidade ou a ascensão espiritual. O "voar" seria o deixar este mundo, e o "não conseguir aguentar" seria a dor humana de quem fica a assistir à partida de um ente querido para outro plano.

O Earthism e a Transição para uma Civilização Ecológica


A crise civilizacional que enfrentamos no século XXI — marcada pelas alterações climáticas, pela perda acelerada de biodiversidade e pela erosão dos tecidos sociais — não é apenas um problema técnico que se resolve com melhores painéis solares ou carros elétricos. Trata-se, fundamentalmente, de uma crise de identidade e de metafísica. No centro da resposta a este desafio surge o Earthism (ou Terrismo), uma filosofia e um movimento ético que propõe uma reorientação radical: a transição de uma visão antropocêntrica para uma visão ecocêntrica da existência.

A Génese do Terrismo: De Whitehead a Cobb Jr.
Para compreender o Earthism, é obrigatório passar pela figura de John B. Cobb Jr., filósofo e teólogo norte-americano que dedicou a sua vida a construir as bases de uma Civilização Ecológica. Cobb fundamentou o seu pensamento na Filosofia do Processo de Alfred North Whitehead. Segundo esta perspetiva, o universo não é uma coleção de objetos inertes e independentes, mas sim um fluxo contínuo de eventos e relações.

Nesta visão, a Terra não é um "armazém de recursos" à espera de ser explorado, mas um organismo vivo e dinâmico onde cada parte — do microrganismo ao ser humano — possui valor intrínseco. Ao contrário da visão mecânica da modernidade, o Earthism defende que a natureza é "experienciadora". Quando destruímos um ecossistema, não estamos apenas a perder matéria-prima; estamos a ferir a própria trama da vida da qual fazemos parte.

Earthism vs. Ecologia Profunda: Uma Distinção Necessária
É comum confundir o Terrismo com a Ecologia Profunda (Deep Ecology), popularizada por Arne Naess. Embora partilhem a crítica ao consumo desenfreado, as nuances são vitais. A Ecologia Profunda é, muitas vezes, uma filosofia secular e puramente biocêntrica que pode tender para uma visão misantrópica, vendo o ser humano como um intruso ou uma ameaça à "pureza" da natureza.

Já o Earthism de Cobb Jr. é profundamente humanista e integrador. Cobb não nega a singularidade humana; pelo contrário, ele afirma que, por sermos a parte da biosfera que atingiu a autoconsciência e a capacidade tecnológica, temos a responsabilidade ética de agir como "guardiões" da Terra. O Terrismo não pede o fim da civilização, mas a sua transformação total numa civilização que floresça em harmonia com os limites planetários.

A Economia como Subsidiária da Ecologia
Uma das maiores contribuições de Cobb para o movimento foi a sua colaboração com o economista Herman Daly. No seu livro seminal For the Common Good, ambos desmontaram o mito do crescimento económico infinito num planeta finito. Para um "Earthista", a economia atual é uma forma de loucura matemática: tratamos o capital natural (solo, água, ar) como se fosse inesgotável.

A proposta de Cobb e Daly é a substituição do PIB (Produto Interno Bruto) por indicadores que meçam o bem-estar real e a integridade ecológica. Defendem uma Economia para a Comunidade, onde a produção é local, circular e regenerativa. Aqui, o sucesso não é medido pela acumulação de riqueza abstrata, mas pela capacidade de uma comunidade sustentar a vida de forma digna e sustentável.

A Convergência com Outros Pensadores
O Earthism não é uma ilha intelectual. Ele converge com o pensamento de Thomas Berry, que nos instigou a realizar o "Grande Trabalho" de transição da era Cenozoica para uma era Ecozoica. Bebe também da Democracia da Terra de Vandana Shiva, que luta contra a privatização da vida e pela proteção das sementes e da biodiversidade no Sul Global.

Conclusão: O Regresso à Terra
Em última análise, ser um adepto do Earthism significa reconhecer que não somos "donos" de nada, mas sim "terrestres". É a compreensão de que a espiritualidade, a política e a economia devem estar ao serviço da comunidade da vida. Como John B. Cobb Jr. frequentemente afirmou, o nosso destino e o destino da Terra são um só. Se a Terra falhar, a humanidade falha; mas se aprendermos a viver como parte integrante deste superorganismo, poderemos finalmente construir uma civilização que seja digna desse nome.

Referências Bibliográficas
  1. Berry, T. (1999). The Great Work: Our Way into the Future. Nova Iorque: Bell Tower.
  2. Cobb, J. B., Jr. (2010). Spiritual Bankruptcy: A Prophetic Call to Action. Nashville: Abingdon Press.
  3. Daly, H. E., & Cobb, J. B., Jr. (1994). For the Common Good: Redirecting the Economy toward Community, the Environment, and a Sustainable Future. Boston: Beacon Press.
  4. Naess, A. (1989). Ecology, Community and Lifestyle: Outline of an Ecosophy. Cambridge: Cambridge University Press.
  5. Shiva, V. (2005). Earth Democracy: Justice, Sustainability, and Peace. Londres: Zed Books.
  6. Whitehead, A. N. (1929/1978). Process and Reality: An Essay in Cosmology. Nova Iorque: Free Press.

A campanha “Salvar o tartaranhão-caçador” já arrancou em Portugal e no oeste de Espanha e uma aplicação de ciência cidadã pode ajudar a salvá-lo da extinção



Os utilizadores da aplicação eBird podem ter um papel importante na conservação do tartaranhão-caçador (Circus pygargus), ave de rapina migradora que está Em Perigo em Portugal. O apelo é feito pelo projeto LIFE SOS Pygargus, que incentiva observadores de aves e cidadãos em geral a registar e partilhar dados sobre a espécie.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a participação pública é fundamental para recolher informação atualizada sobre a distribuição da ave e apoiar a campanha anual “Salvar o Tartaranhão-caçador”, que procura melhorar a proteção dos ninhos e compreender as ameaças que afetam esta espécie.
Uma população em forte declínio

A situação do tartaranhão-caçador na Península Ibérica é preocupante. Em Portugal, a população diminuiu cerca de 80% entre 2012 e 2022.

Esta ave de rapina passa o inverno na África subsaariana e regressa à Península Ibérica na primavera para se reproduzir, permanecendo aqui entre março e setembro.

Nesta altura do ano, os primeiros indivíduos já começaram a chegar aos territórios de nidificação, sobretudo em áreas agrícolas e paisagens abertas.

Para os investigadores, recolher dados sobre locais de reprodução, áreas de alimentação e potenciais ameaças é hoje uma prioridade para travar a tendência negativa da espécie.

Como os cidadãos podem ajudar
Os observadores de aves que encontrem um tartaranhão-caçador, um casal ou um ninho podem registar a sua observação na aplicação eBird, considerada a maior plataforma mundial de ciência cidadã dedicada à observação de aves e gerida pelo Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Além do registo na aplicação, os participantes podem enviar informações adicionais à equipa do projeto, como coordenadas GPS, fotografias, vídeos ou notas de campo. Estes dados ajudam os investigadores a localizar ninhos e a planear medidas de proteção durante a época de reprodução.

Durante este período, que decorre entre março e agosto, é também importante reportar anilhas coloridas de identificação, usadas em programas de monitorização da espécie.

Esta ave de rapina nidifica no solo, sobretudo em campos agrícolas com cereais ou forragens, e depende também desse habitat para se alimentar. Dada esta dependência, uma ameaça importante a esta espécie é a perda de habitat, devido ao declínio acentuado da área semeada com cereais e passagem para outras culturas permanentes, ou outros tipos de uso do solo. A substituição das áreas de cereal para grão por forragens e as alterações climáticas aumentaram significativamente as atividades de ceifa durante o período de nidificação desta espécie, com forte impacto nos casais reprodutores por destruição involuntária dos ninhos e aumento das taxas de predação.[Fonte]

A colaboração dos agricultores com os conservacionistas e cientistas é, por isso, essencial para ajudar na identificação dos ninhos e permitir a implementação de medidas no terreno para os proteger e reduzir ameaças, como a instalação de vedações para garantir a sua salvaguarda durante as atividades agrícolas e evitar ataques de espécies predadoras, como a raposa, por exemplo.

Se forem encontrados ninhos ou situações de risco — como atividades agrícolas próximas, incêndios ou predadores - os responsáveis recomendam que a informação seja comunicada rapidamente à equipa do projeto.

No caso de uma ave ferida ou morta, a recomendação é não tocar no animal e contactar as autoridades ambientais, como o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR.

Uma rede de “amigos” para proteger a espécie
Para reforçar a participação pública, o projeto criou ainda a rede “Amigos do Tartaranhão-caçador”, aberta a qualquer pessoa interessada em acompanhar e apoiar as ações de conservação desta ave.

O projeto LIFE SOS Pygargus é uma iniciativa ibérica financiada pelo programa LIFE da União Europeia e envolve várias organizações científicas e ambientais, incluindo a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves SPEA, a Palombar, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) ou a Associação BIOPOLIS-CIBIO.

Para os investigadores, cada registo conta. E, neste caso, um simples registo numa aplicação pode ajudar a garantir o futuro de uma das aves de rapina mais ameaçadas da Península Ibérica.

Eastgate Center: uma história de bioinspiração não muito verdadeira


No campo da biomimética, existem certas críticas sobre projetos baseados em visões superficiais da natureza e numa economia pretensamente verde, como aqui já foi referido.

Um desses projetos é um dos exemplos arquitetónicos mais famosos da biomimética: o edifício Eastgate Centre, localizado em Harare, Zimbabué, inaugurado em 1996.

O arquiteto Mick Pearce e a empresa Arup ter-se-ão inspirado parcialmente na estrutura das termiteiras locais para construir um edifício adequado a um clima tropical. Na África tropical, as térmitas da subfamília Macrotermitinae constroem ninhos enormes (até 9 metros) onde cultivam fungos em câmaras dentro do ninho.

No entanto, o projeto do edifício não se baseou totalmente no funcionamento real das termiteiras, como veremos adiante.

Modelos de regulação térmica das termiteiras
Na época em que Pearce projetou o edifício, existiam dois modelos propostos e aceitos para explicar a regulação térmica dentro das termiteiras: o modelo de fluxo termossifão e o modelo de fluxo induzido.

Fluxo termossifão: A ventilação é acionada pelo calor; o ar quente gerado pelo ninho sobe até ao topo da térmiteira onde, ao arrefecer, fica mais denso e é forçado para a região abaixo do ninho, repetindo o ciclo.

Fluxo induzido: Aplica-se às termiteiras que têm uma chaminé no topo, exposta a velocidades de vento mais elevadas do que as entradas ao nível do solo. Assim, o fluxo unidirecional atrai ar fresco junto ao solo para o ninho, passando pela chaminé e saindo para o exterior.

Projeto do edifício Eastgate Centre
Os arquitetos que projetaram o Eastgate Centre tentaram incorporar os princípios destes dois modelos. O edifício possui um extenso sistema de condutas dentro das paredes e pisos que movem o ar através da estrutura.

O calor gerado dentro do edifício, juntamente com o calor armazenado na estrutura, cria um efeito de termossifão que atrai o ar para cima. No telhado, localizam-se grandes chaminés, essenciais para criar o fluxo induzido.

No entanto, as histórias populares sobre o Eastgate Centre ignoram um detalhe importante: o edifício utiliza ventiladores de baixa capacidade durante o dia e de alta capacidade durante a noite para evitar a estagnação do ar. Assim, o ar quente acumulado durante o dia é substituído pelo ar fresco da noite. Isto funciona bem e evita o uso de ar condicionado caro, mas, escusado será dizer, nenhuma termiteira utiliza ventiladores.

Críticas ao projeto
O sistema de refrigeração permitiu uma poupança de 10% nos custos iniciais (ao não comprar sistemas de ar condicionado) e uma redução de 20% no preço dos alugueres em comparação com edifícios vizinhos.

Embora o objetivo prático tenha sido atingido, em termos de biomimética o projeto falhou, pois as térmiteiras não ventilam da forma que Mick Pearce pensava. Como escreveu a entomologista Marianne Alleyne:

“Se a biomimética e a bioinspiração desejam ser reconhecidas como áreas de estudo legítimas, é essencial que a ciência em que o campo se baseia seja sólida.”

Como as termiteiras realmente funcionam
Desde 1996, as suposições de Pearce foram refutadas pelos investigadores J. Scott Turner e Rupert C. Soar. Eles verificaram que, embora a temperatura interna varie menos que a externa, ela segue de perto a temperatura do solo circundante ao longo do ano.

O solo tem uma grande capacidade térmica, atuando como um "amortecedor" contra as variações diárias. A arquitetura e a ventilação têm pouco a ver com a temperatura interna, mas sim com a troca de gases. Ao fazerem moldes de gesso dos túneis, os investigadores descobriram que há pouca mistura entre o ar da superfície e o do ninho subterrâneo, propondo que a termiteira é, na verdade, um análogo funcional de um pulmão.

Metamateriais inspirados nas térmitas
Em 2023, David Andréen e Rupert Soar demonstraram que a geometria dos túneis pode otimizar o fluxo de ar e o controlo de humidade. Com base em digitalizações e experiências, criaram estruturas que podem ser integradas nas paredes de futuros edifícios, permitindo: circulação de ar otimizada por sensores; controlo térmico sem componentes mecânicos e consumo mínimo de energia.

Conclusão
As térmitas constroem paredes que interagem com o ambiente, trocando gases e energia em vez de criarem barreiras impenetráveis. Estas descobertas abrem caminho para edifícios com paredes porosas e sistemas de revestimento vivos, que farão parte da nossa "fisiologia estendida", tal como o ninho faz parte da colónia.

Referências:
  1. Termite-inspired metamaterials for flow-active building envelopes.
  2. Beyond biomimicry: What termites can tell us about realizing the living building.
  3. The termite mound: A not-quite-true popular bioinspiration story.
  4. How is the Eastgate Building NOT like a Termite Mound?

Além do erro biológico o Eastgate Centre levanta problemas de transição justa
O Eastgate Centre, em Harare, no  Zimbabwe, apontado como ícone arquitectónico de "inspiração na natureza" serviu apenas como um verniz ecológico para um edifício construído com materiais de elevado impacto ambiental, como o betão e o aço, e destinado a escritórios de luxo e comércio de elite. Enquanto o marketing celebrava a "sabedoria das térmitas", o projeto ignorou a justiça social: a energia que o edifício ainda consome provém de centrais a carvão poluentes e a tecnologia biomimética não é aplicada para melhorar a vida das populações mais pobres na periferia de Harare. Assim, o Eastgate torna-se um caso de estudo sobre como a biomimética pode ser cooptada para validar modelos de negócio tradicionais, focando-se na eficiência técnica para o capital em vez de numa regeneração ecológica e social profunda.

The Beauty Of Gemina - Endless Ever


Endless Ever
(Michael Sele)

I’m waiting for you
In the pale moonlight
Till the dawn is coming
Through the deepest night

I’m calling for you
Across the silent sea
Where the shadows dancing
And the wind is free

[Chorus]
And it’s endless ever
A dream without an end
We’re lost in the river
Where the broken hearts mend
Endless ever
In the glow of the stars
We’re drifting together
With our hidden scars

The clock is ticking
But the time stands still
In this world of longing
And a broken will

I see your reflection
In the glass of gold
A story of passion
That was never told

[Chorus]

[Bridge]
No more words to say
In the light of the day
Just a heartbeat away
From the games that we play

[Guitar Solo / Atmospheric Outro]
Endless ever...
Endless ever...
Till the light fades out.

A canção "Endless Ever" mergulha numa exploração profunda da atemporalidade e da espera existencial. O tema central é o estado de suspensão em que vivemos quando estamos emocionalmente ligados a algo ou a alguém que parece inalcançável, mas que permanece omnipresente. Michael Sele utiliza metáforas clássicas da estética gótica — como o mar silencioso, o luar pálido e as sombras — para descrever um espaço mental onde o tempo cronológico deixa de existir ("the clock is ticking, but the time stands still").

No cerne da letra, há uma aceitação melancólica da dor. O refrão, ao mencionar que estamos "perdidos no rio onde corações partidos se curam", sugere que o sofrimento não é algo a ser superado rapidamente, mas sim um processo fluido e contínuo. A ideia do "eterno" (Endless Ever) refere-se a este ciclo de busca e desejo que não tem um fim definitivo; é um sonho sem conclusão onde as "cicatrizes escondidas" fazem parte da identidade dos protagonistas, navegando juntos numa deriva partilhada sob a luz das estrelas.

Em última análise, a música fala sobre a ligação através da ausência. É sobre encontrar beleza na permanência da saudade e na vulnerabilidade. Não é uma canção de desespero, mas de uma solene paciência: a voz do narrador ecoa na escuridão, aceitando que certas histórias e paixões podem nunca ser plenamente contadas ou vividas à luz do dia, existindo apenas neste estado hipnótico e infinito de busca.

domingo, 15 de março de 2026

Of The Wand And The Moon - Your Love Can't Hold This Wreath Of Sorrow


Canção do álbum Your Love Can't Hold This Wreath Of Sorrow (2021)

Original (Inglês)
Your love can't hold this wreath of sorrow
Your love can't hold this wreath of sorrow

The stars are falling from the sky
And I am just a passerby

Your love can't hold this wreath of sorrow
Your love can't hold this wreath of sorrow

The sun is setting in the West
And I am just a ghost at best

Tradução 
O teu amor não consegue segurar esta coroa de mágoa
O teu amor não consegue segurar esta coroa de mágoa

As estrelas estão a cair do céu
E eu sou apenas um transeunte

O teu amor não consegue segurar esta coroa de mágoa
O teu amor não consegue segurar esta coroa de mágoa

O sol põe-se no Ocidente
E eu sou, no máximo, um fantasma

A canção de Kim Larsen sob o projeto Of The Wand & The Moon é uma meditação sombria sobre a inevitabilidade da perda e a profunda insuficiência do amor humano perante o destino ou uma dor existencial avassaladora. O centro emocional da obra reside na metáfora da "Coroa de Mágoa" (Wreath of Sorrow), um termo que evoca imediatamente a imagem das coroas de flores funerárias, simbolizando um fardo emocional ou o luto por algo que morreu irremediavelmente. A letra sugere que, por mais genuíno ou forte que seja o afeto de outrem, ele é incapaz de sustentar ou curar a tristeza inerente à própria existência do narrador, que parece carregar um peso que não pode ser partilhado.

Essa atmosfera é reforçada por um sentimento de transitoriedade e niilismo, onde o eu lírico se posiciona como um mero "transeunte" ou, no limite, um "fantasma". Estas imagens revelam um desapego amargo do mundo material e das relações interpessoais, aceitando com passividade que as estruturas do universo estão a desmoronar — como "estrelas a cair do céu" — e que o indivíduo é impotente perante a passagem do tempo.

Inserida numa estética noir e num pessimismo romântico, a música não se manifesta como um grito de desespero, mas sim como uma aceitação sussurrada. É o reconhecimento melancólico de que o amor tem limites intransponíveis e que certas mágoas são de tal forma densas que nem o sentimento mais puro consegue oferecer redenção ou suporte, restando apenas o silêncio e a observação do fim.

A filosofia de John Cobbe


O pensamento de John B. Cobb Jr. (nascido em 1925, Japão) representa uma das sínteses mais ambiciosas dos séculos XX e XXI entre a espiritualidade, a ciência e a economia. Como principal expoente da Teologia do Processo, Cobb baseou a sua visão de mundo na filosofia de Alfred North Whitehead (1861–1947), rejeitando a ideia de um universo estático composto por objetos isolados. Para ele, a realidade é um fluxo contínuo de eventos interconectados, onde cada ser é constituído pelas suas relações com os outros. Esta perspetiva alterou radicalmente a compreensão de Deus: em vez de um monarca onipotente e imóvel, o Deus de Cobb é uma presença sensível que sofre e se alegra com a criação, influenciando o mundo não pela coerção, mas pela persuasão em direção ao bem, à beleza e à vida.

Essa fundamentação filosófica levou Cobb a tornar-se um pioneiro da teologia ecológica. Ao compreender que o bem-estar humano é indissociável da saúde da biosfera, passou a criticar severamente o modelo de desenvolvimento industrial. A sua colaboração mais famosa neste campo ocorreu com o economista Herman Daly (1938–2022), com quem escreveu a obra seminal For the Common Good (1989). Juntos, desafiaram o uso do PIB como única métrica de progresso, argumentando que o crescimento económico cego ignora a degradação ambiental e a erosão das comunidades. Propuseram o Índice de Bem-Estar Económico Sustentável (ISEW), uma ferramenta prática para medir a economia sob uma ótica de preservação e justiça social.

Além de Daly, outros colaboradores foram fundamentais para a expansão deste sistema. Charles Hartshorne (1897–2000) forneceu o rigor lógico necessário para definir a natureza dipolar de Deus no processo, enquanto David Ray Griffin (1939–2022) trabalhou ao lado de Cobb na fundação do Center for Process Studies em 1973, consolidando a teologia do processo como uma alternativa viável à modernidade materialista. Cobb também se destacou no diálogo inter-religioso, especialmente com o Budismo, publicando Beyond Dialogue: Toward a Mutual Transformation of Christianity and Buddhism em 1982. Atualmente, o seu legado vive no movimento pela Civilização Ecológica, uma proposta de reorganização total da sociedade que busca garantir a sobrevivência e o florescimento de todas as formas de vida na Terra, conceito que ganhou forte tração em fóruns internacionais e políticas de sustentabilidade na China a partir de 2007.

E o que é a Civilização Ecológica?
Cobb foi um dos primeiros a usar o termo "Civilização Ecológica". Ele acreditava que o modelo atual de civilização industrial está em colapso e que o Terrismo é a base para a próxima fase da humanidade:
  1. Localismo: comunidades mais pequenas e autossuficientes.
  2. Respeito biocêntrico: leis que protegem o ecossistema acima do lucro corporativo.
  3. Educação integrada: ensinar as crianças que a sua identidade é, antes de mais, "terrestre".
"O destino da humanidade e o destino da Terra são um só." — Esta frase resume a dedicação de Cobb ao longo de décadas.

É fascinante notar como Cobb influenciou até políticas públicas na China, onde o conceito de "Civilização Ecológica" foi adotado oficialmente.[em março de 2018]

Biografia
Mais info aqui

Urze de Lume - Besta Soberana


Na linha de bandas como ROMErepresentando a melancolia das cinzas da Europa, os Urze de Lume são o fogo que ainda arde nas serras portuguesas. Falar da filosofia deste projeto nacional, liderado por Ricardo de Castro e Tiago de Castro, é mergulhar no que eles próprios chamam de "Música das Terras Ásperas", uma missão de resgate cultural que vai muito além da estética. O pilar central do seu pensamento é o atavismo, a recuperação de instintos ancestrais que a modernidade tentou apagar, focando num Portugal profundo, rural e pré-cristão. Esta música serve como uma ponte para um tempo em que o homem e a terra eram um só, manifestando um saudosismo espiritual e telúrico em vez de político.

A própria materialidade do som é uma declaração filosófica, rejeitando o sintético através do uso de instrumentos tradicionais como adufes, bandolins e gaitas-de-fole transmontanas, além de elementos orgânicos como ossos, pedras e o som do ofício manual de pastores e ferreiros. O nome "Urze de Lume" simboliza esta resiliência: a urze que cresce em solos pobres e o lume que purifica e aquece, sugerindo que a cultura portuguesa, embora pareça esquecida, pode sempre voltar a arder com a faísca certa. Diferente do Neofolk nórdico, a filosofia da banda foca no animismo ibérico e na sacralidade do solo, celebrando divindades pré-romanas como Endovélico e integrando sons reais das serras da Estrela ou do Gerês. Em resumo, os Urze de Lume propõem uma "Ecologia da Alma", um convite para olhar para as montanhas e para o silêncio dos campos, ecoando em cada batida de adufe o sentimento de que nascemos da terra e a ela voltaremos.

Site oficial
Urze de Lume

ROME – Hate Us And See If We Mind


[Verse 1]
We could never have won this;
We were fighting blind
Now we've all but conquered fate
So hate us, and see if we mind
Washing off the dust
Like the first rains of the raining season
And encircling rage and reason, we postponed our grieving
But the rains, they never seem to come

[Chorus]
To have you here
To make you see
The wild hoax we pulled; it's all over
What care for glory?
What care for thee?
By now, you know it's all over

[Refrain]
All over
All over

[Verse 2]
To this house of stone we flock
Hiding like the snails between the reeds and rocks
And they'll be searching the valleys in vain
As we'll be waiting for the rain
A nation reborn; a lame shepherd
One must wait and go for the throat when hunting leopard
Now, we're blinking back each tear
There's no changing the balance of fear
You might also like
One Fire
Rome
The River Eternal
Rome
A Country Denied
Rome
[Chorus]
To have you here
To make you see
The wild hoax we pulled; it's all over
What care for glory?
What care for thee?
By now, you know it's all over

[Refrain]

[Chorus]
To have you here
To make you see
The wild hoax we pulled; it's all over
What care for glory?
What care for thee?
By now, you know it's all over
To have you here
To make you see
The wild hoax we pulled; it's all over
What care for glory?
What care for thee?
By now, you know It's all over

[Outro]
All over
All over
All over

"Hate Us And See If We Mind" (Odeie-nos e veja se nos importamos) é uma música de desafio e resiliência.
Estoicismo e isolamento: a letra fala sobre manter a própria posição e identidade, independentemente do julgamento externo ou do ódio alheio. É um hino àqueles que vivem à margem ou que escolheram um caminho difícil e impopular.
Identidade europeia: como é comum no ROME, há uma camada de melancolia sobre o destino do continente. A canção sugere um orgulho silencioso e uma resistência contra a homogeneização do pensamento moderno.
Referência histórica: o título ecoa o lema romano Oderint dum metuant ("Que odeiem, desde que temam"), mas Jerome Reuter o transforma em algo mais introspectivo: não se trata de causar medo, mas de uma indiferença soberana perante a hostilidade do mundo.

Who’s Winning from Trump’s War? Follow the Money



Today I want to talk about who’s getting the most out of Trump’s war.

That war is costing the U.S. about $1 billion a day. The Pentagon’s budget is around $1 trillion this year, and Trump wants an additional $500 billion. Because of the war, the cost of oil has topped $100 a barrel, and the price of a gallon of gas at the U.S. pump now averages $3.67 — up from $2.92 before the war.

The strain on the federal budget has given Republicans an excuse to demand further cuts in federal assistance to people in need. JD Vance recently kicked off a “war on waste and fraud” by announcing suspension of Medicaid payments to Minnesota, charging that the program is rife with fraud perpetrated by “bad actors in our society … [who] decide to make themselves rich.”

But if you want to find real waste and fraud, look no further than Pete Hegseth’s “Department of War.”

A new analysis by government watchdog Open the Books found that as the 2025 fiscal year was ending, Hegseth’s Pentagon spent: nearly $100,000 on a Steinway grand piano to outfit the home of the Air Force chief of staff; $60,719 on premium office furniture, including at least one luxurious $1,844 Aeron Chair; $12,540 for three-tiered fruit basket stands; $2 million on Alaskan king crab, $6.9 million on lobster tail, $15.1 million on ribeye steak, and $1 million on salmon; $124,000 for ice cream machines; and $26,000 for sushi preparation tables.


The ballooning profits of military contractors are helped by their near monopoly on defense production. Since the 1990s, the number of prime contractors for the Defense Department has shrunk from 55 to five.

Keep following the money.
These giants have been spending more on enriching their investors than expanding production. Between 2020 and 2025, top military contractors devoted $110 billion to stock buybacks and dividends — more than double what they spent on capital expenditures — which boosted their stock values and the pay packages of their CEOs.

And who are their biggest investors and CEOs? Trump loyalists.

Larry Ellison’s Oracle provides Hegseth’s war machine with cloud infrastructure and enterprise software. (Reminder: Ellison is the second-richest person in America and a Trump loyalist on the verge of owning a media empire comprised of CBS, CNN, TikTok, Comedy Central, and HBO.)

Elon Musk’s SpaceX has secured billions in contracts for launching sensitive satellites and space surveillance. Musk’s xAI has received a Pentagon contract to develop advanced AI tools. (Reminder: Musk is the richest person in the world and spent a quarter of a billion dollars getting Trump reelected in 2024.)

Peter Thiel’s Palantir Technologies has landed multibillion-dollar defense contracts, including a $10 billion agreement with the U.S. Army to provide AI-driven data analytics and software to integrate AI, surveillance, and battlefield management systems. (Reminder: Thiel is a billionaire who contributed $1.25 million to Trump’s 2016 presidential campaign, including $1 million to a pro-Trump super PAC, and then $10 million to getting JD Vance elected to the U.S. Senate in 2022.)

Not to forget Big Oil, now enjoying windfall profits as global oil prices soar. (Recall Trump asking oil company executives for $1 billion for his 2024 campaign, in return for undisclosed favors.)

Among others benefitting from the turmoil is Jared Kushner, Trump’s son-in-law and one of the U.S. government’s chief negotiators in the Middle East, who’s busily raising at least $5 billion or more for his private-equity investment firm from governments in the Middle East, including Saudi Arabia’s Public Investment Fund.

Finally, there’s Trump’s on-again, off-again ally Vladimir Putin. In just two weeks of war, Russia has reaped an estimated $6.9 billion from the increase in oil prices and the easing of sanctions.

What to do? At the very least, Congress should:
  1. Prohibit defense contractors from making campaign donations or lobbying Congress. Why should taxpayers subsidize these activities?
  2. Tax windfall profits from Trump’s war (or from any war). America has had windfall profits taxes during wartime before. Given the size of current windfalls, we need it again.
  3. Cut the defense budget. Start by cutting it 10 percent each year it fails audits. This is particularly important during the Trump-Hegseth era of defense bloat.
As long as Trump and his Republicans control Congress and the executive branch, these reforms don’t have a prayer. Still, Democrats should introduce them and push for them. Let Trump and his Republicans go on record voting against them.

Biomimética - uma ciência amiga da sustentabilidade?



O pensamento base da biomimética é o Ecologically Sustainable Design (ESD)

"Does it run on sunlight? 
Does it use only the energy it needs? 
Does it fit form to function? 
Does it recycle everything? 
Does it reward cooperation? 
Does it bank on diversity? 
Does it utilize local expertise? 
Does it curb excess from within? 
Does it tap the power of limits? 
Is it beautiful?" 
(Benyus 1997:291)

Porém, com os avanços e progressos obtidos pela biomimética, ela ainda apresenta problemas em termos de economia circular e casos de lavagem verde.


O risco de Greenwashing ou Lavagem Verde
Muitas vezes, empresas utilizam a biomimética apenas para melhorar a performance (vender mais ou ser mais rápido) sem olhar para o impacto ambiental do ciclo de vida do produto. Se o objetivo for apenas lucro e extração, a biomimética torna-se apenas uma ferramenta de engenharia avançada ("genialidade da natureza") como uma estratégia de marketing para esconder um ciclo de produção poluente, extrativista ou socialmente injusto.

Exemplos:
1. A Pintura "Sharklet" da Airbus
A Airbus desenvolveu extremidades de asas (winglets) inspiradas na forma das barbatanas de tubarão para reduzir o arrasto e poupar combustível. Chamaram-lhes, apropriadamente, "Sharklets".
O marketing: a empresa promoveu estes dispositivos como uma "revolução verde" na aviação, destacando a redução de 4% nas emissões de CO2
O greenwashing: embora a melhoria técnica seja real, usar a imagem do tubarão e da natureza para vender aviões é contraditório. O setor da aviação continua a ser um dos maiores emissores globais e o crescimento do número de voos anula completamente o ganho de 4%. 

2. A Sapatilha "Biosteel" da Adidas
Em 2016, a Adidas apresentou o protótipo Futurecraft Biofabric, uma sapatilha feita de Biosteel, uma fibra que imita a seda da aranha, desenvolvida pela empresa AMSilk.
O marketing: foi vendida como "100% biodegradável" e um exemplo de como a biotecnologia biomimética iria acabar com os resíduos têxteis.
O greenwashing: a sapatilha nunca chegou a ser produzida em massa de forma acessível. Funcionou como um objeto de relações públicas para posicionar a Adidas como líder em sustentabilidade, enquanto a marca continuava a inundar o mercado com milhões de toneladas de plástico virgem e sapatilhas de difícil reciclagem produzidas em cadeias de montagem globais com pegadas de carbono gigantescas.

3. O Edifício "The Gherkin" em Londres (Foster + Partners)
Este icónico arranha-céus foi desenhado com um sistema de ventilação inspirado na estrutura das esponjas-do-mar e das anémonas, que filtram a água para se alimentar e respirar.
O marketing: foi apresentado como o "primeiro arranha-céus ecológico de Londres", prometendo poupanças de energia de até 50% através da ventilação natural inspirada na biologia.
O greenwashing: na prática, o sistema de ventilação natural raramente é usado devido a restrições de segurança e conforto dos escritórios de luxo (os inquilinos preferem o ar condicionado controlado). Além disso, a construção de um gigante de vidro e aço no centro financeiro de Londres tem uma energia incorporada (custo de fabrico dos materiais) imensa. Usar a biologia marinha como metáfora para um centro do capitalismo financeiro é visto como um uso puramente estético e ideológico da natureza.

Outros casos e reflexões 

Conclusão
A biomimética é um caminho para a sustentabilidade porque nos ensina a produzir "como a vida produz". Mas, para ser sustentável na prática, a tecnologia inspirada na natureza tem de ser acompanhada por uma mudança no modelo económico: passar da extração para a regeneração. Isto é, todo o ciclo de produção integrado nos princípios da economia circular. 

Referências bibliográficas

Jiddu Krishnamurti - a reforma que vale é a reforma do indivíduo


Quando os modelos estão experimentados e falham gradualmente na criação multilateral e igual de abundância e prosperidade, uma sociedade informada, sensata e consciente, deve começar a procurar novos sistemas e modelos, para que prevaleça e prospere .Ou neste caso concreto, ir buscar os exemplos onde está a sabedoria maior , na Natureza, que em muitos bilhões de anos já fez todas as experiências difíceis e criou modelos tão complexos e eficientes, que com toda a nossa tecnologia e estudo empírico, ainda só afloramos superficialmente.
A sabedoria da Natureza está em tudo o que acompanha o nosso quotidiano. Não inventamos nada, só vamos conseguindo ler e reproduzir , com o engenho e criatividade.
Este processo, seja na escala de consciência individual ou colectivo, transversalmente a tudo, deveria ser a base da nossa conduta, aceitando humildemente aquilo que não sabemos e aceitar a sabedoria da natureza, reproduzindo então com estas nossas capacidades que são o que de melhor temos.

Não somos sábios, mas a criatividade e engenho são dos nossos melhores atributos, como espécie .
Estes mesmos atributos trouxeram a um ponto que podemos construir ou destruir a escalas globais. Resida aqui a tal encruzilhada de escolhas .
Não querendo ser pessimista, porque não o sou, mas se não conseguirmos interiorizar isto primeiro e depois aplicar, temo que possa ser cheio de incertezas e perigos, o nosso futuro enquanto espécie neste maravilhoso e fascinante planeta e cosmos .
E que cada um vá dando o seu contributo, na sua escala e realidade, pode ser muito mais significativo do que se pensa .

Seguindo uma frase que diz que o pior erro é não fazer nada por acharmos que é pequeno ou os outros o farão.
Parece-me claro que estamos cada vez mais próximo de uma encruzilhada determinante .
E parece também que ao invés de aprendermos, só reproduzimos os mesmos erros e cada vez com mais consequências drásticas. É exponencial a capacidade que temos de destruir ou construir .
É uma escolha feita de muitas escolhas.

E-Livros de Jiddu Krishnamurti

Todos os livros traduzidos aqui

Georges Bizet - "Je crois entendre encore" por Philippe Talbot


Je Crois Entendre Encore
Georges Bizet

Je crois entendre encore
Caché sous les palmiers
Sa voix tendre et sonore
Comme un chant de ramiers

Oh, nuit enchanteresse
Divin ravissement
Oh, souvenir charmant
Folle ivresse, doux rêve!

Aux clartés des étoiles
Je crois encore la voir
Entr'ouvrir ses longs voiles
Aux vents tièdes du soir

Oh, nuit enchanteresse
Divin ravissement
Oh, souvenir charmant
Folle ivresse, doux rêve!

Charmant souvenir!
Charmant souvenir!

“Je Crois Entendre Encore”, de Georges Bizet, é uma ária marcada pela saudade e pelo desejo de um amor proibido. Nadir, o personagem que canta, relembra a voz de Leïla, “caché sous les palmiers” (escondida sob as palmeiras), mostrando como a lembrança dela permanece viva, mesmo diante da distância e das barreiras religiosas e sociais impostas pela trama da ópera. As imagens do “chant de ramiers” (canto de rolas) e da “clartés des étoiles” (claridade das estrelas) criam um clima nostálgico e sonhador, transportando o ouvinte para um cenário onde memória e desejo se misturam.

A repetição de frases como “Oh, nuit enchanteresse” (Oh, noite encantadora) e “souvenir charmant” (lembrança encantadora) reforça o tom hipnótico das recordações de Nadir, que alternam entre a alegria de um reencontro imaginado e a dor da ausência. A melodia suave e a orquestração delicada da ária traduzem esse estado de “folle ivresse, doux rêve” (loucura embriagante, doce sonho), em que o passado parece mais real do que o presente. O contexto da ópera, ambientada na antiga Ceilão, e o fato de Leïla ser uma sacerdotisa, intensificam o sentimento de amor impossível, tornando cada lembrança tanto um consolo quanto uma fonte de sofrimento. Assim, Bizet expressa de forma sensível o desejo nostálgico e a idealização do amor perdido, temas que continuam a emocionar o público.

Ópera Les Pêcheurs de perles

sábado, 14 de março de 2026

White Hills - Spirit Of Exile


Spirit of Exile (Original)
Spirit of exile
Living in the shadows
A constant reminder
Of what used to be

The path is narrow
The journey is long
Searching for a reason
To carry on

Spirit of exile
Alone in the crowd
Voices are screaming
But never aloud

Espírito do Exílio (Tradução)
Espírito do exílio
Vivendo nas sombras
Uma lembrança constante
Do que costumava ser

O caminho é estreito
A jornada é longa
Procurando uma razão
Para continuar

Espírito do exílio
Sozinho na multidão
Vozes gritam
Mas nunca em voz alta

Em sintonia com o conceito do álbum H-p1 (2011), esta música explora o sentimento de ser um estrangeiro na própria sociedade. O "exílio" aqui não é geográfico, mas sim mental e espiritual — a sensação de estar desconectado de um mundo dominado pelo consumo e pela tecnologia fria.

Now comes the heat

Iam (mostly) going to take a break from writing about the war for a day, because big though it is, it’s not quite the biggest thing happening on our planet. Or rather, its widespread destruction is taking place inside a larger context. Trump’s endless folly (first tariffs, now a desperately stupid war that has closed the Strait of Hormuz) has caused what everyone is beginning to understand is widespread economic damage. As the Times reported today, “this is the big one,” and “the fallout is rattling households and businesses in neighborhoods all over the globe.”

On a stable planet, though, the damage might be contained and repaired; someone as incompetent as Trump (who is now describing his war as a “short excursion” and insisting that the Strait is in “very good shape”) will eventually (please God) burn himself out. Our bigger problem, as we’re about to be reminded, is that the planet is the furthest thing from stable. The backdrop is about to become the foreground, and with that the drama will shift once more.

It’s already hot, all over the world and here in the United States. That’s been a little hidden these past months, because the country’s population and power center—the northeast corridor from Boston to DC—has had a cold winter; until the last few days of rapid-onset mud season it’s felt like an old-school winter in New England (with sublime skiing, which has kept me sane). And Minnesota, the source of much of the year’s news so far, was cold too, at least in bursts. But we’ve been the exception: in fact, it was the second-warmest winter on record in the continental U.S., and that’s because the West broke every possible record, usually by a mile.

Several cities can now claim winter 2025-26 as their warmest on record, including locations with over a century of data, like Salt Lake City (152 years of data), Tucson (130 years of data) and Rapid City, South Dakota (114 years of data).

Phoenix, Arizona, obliterated its previous record (a record that was only a year old, mind you) by almost 3 degrees, a pummeling of a record in the realm of three-month temperature data.

Albuquerque, New Mexico, clobbered its previous record warmest winter by 3 degrees, according to the Southeast Regional Climate Center. Helena, Montana, Las Vegas and Lubbock, Texas, were among the other cities record warm this winter.

I don’t want to brush by those numbers. Phoenix and Albuquerque have temperature records going back more than a century. If they were going to beat the old record for a three-month stretch, something that shouldn’t happen very often, it should be by a tenth of a degree. That’s how statistics work on a set that large—or it’s how they did work on a stable planet. Three degrees is insane. And if that’s insane, then what’s going to happen in the next week is truly bonkers. A giant heat dome is set to settle in over the Southwest, bringing new temperature records. As the Washington Post reported today, Palm Springs California is projected to reach 104 degrees on Monday; the old record for the date is 95 degrees. Again, that’s statistically bizarre in a way that makes my head hurt.

This record-breaking heat dome will contribute to worsening drought conditions across the Intermountain West.

In Utah, snowpack remains at record low levels according to Meyer. He said that it would take a foot of snow in Salt Lake City for the season to catch up with even the second-lowest seasonal snowfall total — and that a storm of that magnitude isn’t expected to come.

“The knockout punch comes in the form of Utah’s reservoirs, which are only at 40 percent of capacity right now,” Meyer said. “All this means we are likely going to see some very tangible water supply cuts and conservation efforts by the state this year.”

The weather forecast and climate outlook community in Utah was “filled with trepidation” because drought relief looked unlikely, added Meyer, stressing that much more meaningful impacts were possible for agricultural communities as water conservation efforts grow.

“Right now, every drop is going to count this year,” he said.

Across the region, New Mexico was also reporting its lowest snowpack on record and Colorado was in a similar situation.

Here’s how Daniel Swain and the good folks at Weather West described the heat dome that is forming as of this morning

In fact: the strongest mid-tropospheric ridge ever observed in the southwestern U.S. in March is expected to develop by Friday, and then will probably go on to break that new record (set this week) when it re-organizes into an even broader and stronger ridge next week.

In case you’re wondering, this heat is in no way confined to land. The oceans, which have soaked up most of the planet’s excess warmth, are crazily warm right now too.

Sea surface temperatures off the coast of Southern California have risen as much as five degrees above average for the time of year, causing a strong, Category 2 marine heat wave to develop.

These unusually warm waters will provide a boost to air temperatures near the coast, especially at night, preventing them from dropping off as much as they otherwise would.

“A strong to severe marine heatwave is ongoing off the coast of California,” wrote Colin McCarthy, a storm chaser affiliated with the University of California at Davis.

In early March, ocean temperatures reached the mid- to upper 60s at Scripps Pier in La Jolla, California.

“That’s the average ocean temperature for mid-June,” McCarthy said.

And here’s the kicker. All this is happening during a La Niña “cool phase” of the Pacific, something that will soon change. I alerted you exactly a month ago to the likelihood we were going to see an El Niño kick off sometime this summer; in the last few weeks the chances of that have grown stronger, and more to the point it looks like it could be an exceptionally strong “super” version of the warming current. The normally cautious-almost-to-a-fault climate scientist Zeke Hausfather came out with his new forecast this afternoon, and it was a doozy.

I’ve collected 11 different models that have been updated since the beginning of March. Each of these in turn features a number of ensemble members, so that we end up with 433 total ENSO forecasts…

These clearly show that a strong El Niño is indeed likely to develop later in the year. While I’d probably discount some of the higher values (much above 3C) as outliers here, the median and mean across all the models still gives an estimate around 2.5C, which would put it notably stronger than the 2023/2024 El Niño and close to if not matching what we saw back in 2015/2016.

So what does this mean for global temperatures this year and in 2027? All things being equal, the lag between peak El Niño conditions and the global surface temperature response would result in the largest impacts on 2027 temperatures (as El Niño events generally peak between November and January). It would still boost 2026, but probably not enough to set a new record this year.

However, I have to be a bit cautious here. Long time readers may remember my post in May 2023 where I deemed it unlikely that 2023 would set a new record (given this historical lag in global temperature response to El Niño) and argued that 2024 would instead. I was partially wrong – 2023 was weird, and the heat came much earlier than expected. We think the extended triple-dip La Niña event between 2020 and 2023 may have primed the system for more rapid heating, something absent this time around. But we don’t know for sure. Fool me once, and all that.

Either way, this means that 2027 looks increasingly likely to set a new record, perhaps by a sizable margin if we end up on the high end of the range of El Niño forecasts.

That Hausfather and the brasher Jim Hansen are in basic agreement here should terrify us. We’re going to see temperatures unlike any that humans have seen before, which means we’re going to see chaotic weather unlike humans have seen before. If you think this is some kind of lefty enviro fantasy, check out this source: “Due to the increasing concentration of greenhouse gases, the climate system cannot effectively exhaust the heat released in a major El Niño event before the next El Niño comes along and pushes the baseline upward again,” Defense Department meteorologist Eric Webb said.

Therefore, a super El Niño in 2026-27 would disperse more heat than other very strong events in 1982-83, 1997-98 and 2015-16.

And were not going to know what hit us, in several ways. The substack Future Earth Catalog published an interview today with veteran Florida weatherman John Morales which was the best account I’ve seen yet of what the Trump cuts to our scientific system mean in real time.

The cuts to NOAA and the National Weather Service have been devastating. If you look at the statistics of forecast accuracy for tropical cyclone tracks and intensities from the National Hurricane Center, they were off in 2025. And anecdotally, I’m not the only meteorologist who will tell you that day-to-day forecasting has become more challenging. The weather models are flip-flopping from one solution to the next.

Think about how many times TV meteorologists in the fall of 2025 had to show you two or three models with different solutions and say, “Well, this is what this model says, but yesterday it was saying something different.” That leads to more confusion among the public — and it makes our job of saving life and property more difficult.

We’ve been missing 15 to 20 percent of our weather balloon data. And those missing balloons are upstream — out West, in the Plains, in the Intermountain West, and especially in Alaska. That’s where our weather comes from. We’re no longer able to really know what’s going on out there. And nothing provides the detail weather balloons can: every 15 feet, all the way up to 100,000 feet.

So we may not know what’s coming, but we can guess it’s going to be bad. For instance, I noted before that the western snowpack is at record low levels. Even in California, which, due to a couple of record-level atmospheric rivers off the warm Pacific saw lots of midwinter snow, the early heat in the Sierras has already led to widespread melt. I do not think it’s fear-mongering to warn that fire may be a serious danger this season in the West.

And what’s happening in the U.S. will be paralleled in places around the planet as El Niño takes us up the escalator. A new study just found that rising temperatures are already taking many humans past the point where they can live with any kind of comfort. As Todd Woody reports, " the number of days where extreme heat makes it too dangerously hot to walk the dog, sweep the porch and engage in other ordinary pursuits has doubled around the world over the past 75 years, according to new research."

Scientists determined that on average, those 65 and older experience a month a year when heat prevents them from routine activities. Parts of Asia, Africa, Australia and North America are becoming unlivable for senior citizens, the researchers said. Younger adults also are losing time as climate-driven heat restricts their lives for 50 hours a year.

Overall, more than a third of the global population resides in regions where heat severely affects daily life, according to the peer-reviewed paper published Tuesday in the journal Environmental Research: Health.

But it may be getting too hot for some key physical systems too. It seems likely that this is the year the Colorado River system may finally have to deal with the fact that it simply can’t provide the water people have been counting on. A new study last week found clear signs that the Gulf Stream is beginning to drift northward, a “clear sign” that worries about the collapse of the Atlantic Meridional Overturning Current (AMOC) are no mere phantasm.

The findings indicate that the movement of the Gulf Stream could be a “canary in the coal mine” for the AMOC’s collapse. According to their analysis of satellite data, the Gulf Stream has already been nudged northwards from the coast near Cape Hatteras, North Carolina, since the early 1990s. This is likely to be the result of the AMOC dwindling and losing its grip.

We don’t know for sure how the Iran war will play out, nor the El Niño; at the moment, though, things look ominous. All I’m saying is, the next six months could be the ultimate in teachable moments, with rapidly rising prices for oil, and rapidly rising temperatures. And what do you know, we have a midterm exam coming up on November 3.