quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Morreu Serafim Riem (1954-2026), um dos primeiros ambientalistas em Portugal


Veterano do movimento ambientalista, Serafim Riem morreu no Porto, aos 72 anos. Co-fundador da Quercus e do FAPAS e actual dirigente da Íris, “manteve um compromisso firme e generoso” com a natureza.

O ambientalista Serafim Riem, descrito como um veterano da luta em defesa da natureza, morreu quarta‑feira no Porto, aos 72 anos, confirmou ao Azul a direcção nacional da Íris — Associação Nacional de Ambiente, da qual fazia parte. Figura marcante do movimento associativo português, foi fundador e dirigente do Grupo Ecológico Terra Viva, esteve no Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem e co-fundou as associações Quercus e FAPAS.

“O seu amor pela causa ambiental levou-o muito cedo a uma intervenção activa e consequente. Foi um dos primeiros ambientalistas em Portugal, esteve na origem de vários movimentos e nunca deixou de estar disponível para as causas que deram sentido à sua vida”, recorda a bióloga Helena Freitas, professora catedrática da Universidade de Coimbra, de quem Serafim Riem era amigo.

A bióloga recorda com emoção a viagem que fez, há dois anos, com Serafim Riem e a mulher, Mila, ao Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique. “A Mila era tudo para o Serafim, e o Serafim era tudo para a Mila — um amor profundo, cúmplice, indissociável.”

Combate aos eucaliptais
Economista de formação, Riem consolidou, ao longo de mais de várias décadas, um percurso singular na defesa das florestas e da biodiversidade. Viveu sempre no Porto, cidade onde estudou e se afirmou como uma das vozes mais combativas do ambientalismo.

“O seu trabalho em prol da conservação da natureza confunde-se com a própria vida. Economista por imposição familiar, o Serafim gostava mesmo era de árvores, pássaros, animais. A natureza, a que ele dedicou toda uma existência, corria-lhe no sangue”, recorda Marta Leandro, membro do Conselho do Gabinete Europeu de Ambiente (EEB, na sigla em inglês)​.

Foi um dos fundadores da Quercus — Associação Nacional de Conservação da Natureza em 1985. Os anos 1980 ficariam marcados pela contestação pública à expansão das monoculturas de eucalipto. “Não são florestas, são monoculturas”, afirmou ao Azul em 2023. Numa entrevista ao Jornal de Notícias, há 20 anos, era descrito como “o ecologista que afrontou o lóbi das celuloses, fundou associações e denunciou as autarquias que faziam podas destrutivas às árvores dos seus jardins”.

“Sem exagero, o Serafim estava sempre no terreno, a plantar, a denunciar, a exigir a defesa dos valores naturais, a apoiar comunidades locais — o arranque de eucaliptos em Veiga do Lila, Valpaços, uma revolta popular que ele ajudou a organizar contra forças da GNR montadas a cavalo, em Março de 1989, ficará nos anais da história do ambiente em Portugal. Tal como ele”, acrescenta Marta Leandro, numa declaração ao Azul por escrito.

Amor por aves selvagens
A década de noventa trouxe a cisão com a Quercus que daria origem ao FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, associação onde intensificou o trabalho ligado à conservação de aves selvagens, à instalação de ninhos artificiais e à criação de pequenos bosques educativos, iniciativas que marcaram a intervenção ambiental no Norte do país.

Licenciou‑se em Economia pela Universidade do Porto e completou um mestrado em Gestão e Conservação da Fauna Selvagem Euro-mediterrânica na Universidade de León, em Espanha. A Agência Ecclesia refere que, mais tarde, frequentou ainda uma pós‑graduação em Arboricultura Urbana no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa.

Em 2014, recebeu o Prémio Internacional Terras Sem Sombra, atribuído pela Diocese de Beja, distinção que sublinhava o contributo continuado para a salvaguarda da natureza e da biodiversidade.

“Generoso” e ​“incontornável”
Integrava actualmente a direcção nacional da Íris – Associação Nacional de Ambiente, entidade da qual também foi fundador. A sua trajectória, atravessada por confrontos políticos, divergências internas no associativismo e décadas de voluntariado, deixou a imagem de um activista que fez da intervenção ambiental uma forma de cidadania.

“A palavra incontornável deve ser usada parcimoniosamente, mas aplica-se a Serafim Riem no caso do ambientalismo em Portugal”, afirma Raul Cerveira Lima, astrofísico e professor na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico do Porto.

O investigador na área da poluição luminosa foi um dos amantes da natureza que bateu à porta de Serafim Riem, ainda nos tempos de estudante universitário, “animado pelas intervenções que vira nos jornais em defesa do Parque Nacional da Peneda-Gerês por parte do FAPAS”.

“Recebeu-me sempre com amizade, que perdurou. Por sua iniciativa, recentemente apalavráramos uma reunião, “em breve”, para incluir a poluição luminosa na agenda da protecção ambiental em Portugal. Além da muito triste perda para a família, os amigos, a natureza, dia e noite, todos ficamos agora mais pobres. Tentar dar seguimento ao seu incessante trabalho de protecção da Natureza não será tarefa fácil, mas devemos-lhe isso”, afirma Raul Cerveira Lima.

Crise climática leva a colapso? Não podemos resgatar a Terra como fizemos com os bancos


Os Estados e as instituições financeiras utilizam modelos que ignoram choques de eventos climáticos extremos. Diagnóstico de um relatório da Universidade de Exeter e do centro de reflexão Carbon Tracker Initiative. Modelos económicos com falhas significam que o impacto acelerado da crise climática pode levar a um colapso financeiro global, alertam os especialistas. A recuperação seria muito mais difícil do que após a crise financeira de 2008, afirmam, pois “não podemos resgatar a Terra como fizemos com os bancos”. À medida que o mundo se aproxima de um aquecimento global de 2°C, os riscos de desastres climáticos extremos e de pontos de inflexão climáticos estão a aumentar rapidamente.

Mas os atuais modelos económicos utilizados pelos governos e pelas instituições financeiras ignoram completamente estes choques, revelaram os investigadores, prevendo, em vez disso, que o crescimento económico estável será abrandado apenas pelo aumento gradual das temperaturas médias.

Isto porque os modelos assumem que o futuro se comportará como o passado, apesar da queima de combustíveis fósseis estar a conduzir o sistema climático para um território desconhecido.

Pontos de viragem, como o colapso de correntes atlânticas críticas ou da camada de gelo da Gronelândia, teriam consequências globais para a sociedade. Alguns países estão nos seus pontos de viragem, ou muito próximos deles, mas o momento exato é difícil de prever.

Os desastres climáticos extremos combinados podem dizimar as economias nacionais, advertem investigadores da Universidade de Exeter e do think tank financeiro Carbon Tracker Initiative.

O relatório, intitulado “Recalibrar o Risco Climático”, conclui que os governos, os reguladores e os gestores financeiros devem prestar muito mais atenção a estes riscos de alto impacto, mas de baixa probabilidade, porque evitar consequências irreversíveis reduzindo as emissões de carbono é muito mais barato do que tentar lidar com elas.

“Não estamos a lidar com ajustes económicos controláveis”, afirmou ao jornal britânico The Guardian Jesse Abrams, da Universidade de Exeter.

“Os cientistas climáticos que entrevistámos foram inequívocos: os modelos económicos atuais não conseguem captar o que mais importa – as falhas em cascata e os choques cumulativos que definem o risco climático num mundo mais quente – e podem minar os próprios fundamentos do crescimento económico”, acrescentou.

Segundo Jesse Abrams, “para as instituições financeiras e decisores políticos, trata-se de uma leitura fundamentalmente errada dos riscos que enfrentamos”.

“Estamos a pensar em algo como a crise de 2008, mas da qual não conseguiremos recuperar. Uma vez que tenhamos um colapso do ecossistema ou um colapso climático, não poderemos resgatar a Terra como fizemos com os bancos”.

Para Mark Campanale, CEO da Carbon Tracker, “o resultado líquido de um aconselhamento económico com falhas é a complacência generalizada entre investidores e decisores políticos. Há uma tendência em certos departamentos governamentais para trivializar os impactos do clima na economia para evitar tomar decisões difíceis hoje em dia. Este é um grande problema – as consequências do atraso são catastróficas”.

Já Hetal Patel, do Phoenix Group, que gere cerca de 300 mil milhões de libras (cerca de 346 mil milhões de euros) em investimentos a longo prazo para os seus clientes, considera que, “subestimar o risco físico não só distorce as decisões de investimento, como também minimiza as consequências no mundo real que, em última análise, afetarão a sociedade como um todo”. Os especialistas previram em 2025 que a economia global poderia enfrentar uma perda de 50 por cento do PIB entre 2070 e 2090 devido a choques climáticos catastróficos, um valor muito superior às estimativas anteriores.

O novo relatório baseou-se em pareceres de 68 cientistas climáticos de instituições de investigação e agências governamentais do Reino Unido, Estados Unidos, China e outros nove países.

Uma das principais conclusões foi que, embora a modelação económica associe tradicionalmente os danos climáticos às alterações das temperaturas médias, as sociedades e os mercados sofrem mais com eventos extremos, como ondas de calor, inundações e secas.

Outra conclusão foi a de que o PIB pode mascarar o custo total dos danos climáticos, ao não contabilizar as mortes e doenças, as perturbações sociais e a degradação dos ecossistemas. O Produto Interno Bruto (PIB) pode, inclusive, aumentar após desastres devido aos gastos com a recuperação, acrescentaram os investigadores.

Os especialistas afirmaram que, em vez de se esperar por modelos de risco perfeitos, deve ser dada maior ênfase aos eventos extremos, e não apenas às estimativas centrais, e à vulnerabilidade de todo o sistema financeiro. Os investidores devem também acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis como uma obrigação fiduciária para evitar grandes perdas futuras, acrescentou Mark Campanale.

Os modelos económicos atuais podem fornecer estimativas de perdas que parecem precisas, mas que os cientistas consideram extremamente otimistas. "Há quem diga que teremos uma perda de 10 por cento do PIB com um aquecimento global entre os 3°C e os 4°C, mas os cientistas climáticos afirmam que a economia e a sociedade deixarão de funcionar como as conhecemos. Há uma grande discrepância", explicou Jesse Abrams.

Segundo Laurie Laybourn, da Strategic Climate Risks Initiative, “estamos a experienciar uma mudança paradigmática na velocidade, escala e gravidade dos riscos impulsionados pela crise climática e ambiental. No entanto, muitas regulamentações e ações governamentais estão perigosamente desligadas da realidade".

Ler ainda:

Portugal tem o segundo IVA mais alto da Europa, como diz André Ventura?



André Ventura falava daquilo que viu na Suíça a propósito das portagens. Por lá, paga-se uma taxa anual para poder circular; por cá, pagamos “por cada centímetro de estrada”, vociferou, indignado, o candidato a sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa.

Daí, saltou rapidamente para o Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA): “Temos o IVA a 23%. Sabem qual é o IVA nos outros países? Portugal tem o segundo IVA mais alto da Europa!”

Será que tem razão?

O IVA é um imposto sobre o consumo que se aplica a quase todos os bens e serviços comprados e vendidos na União Europeia, tendo regras que podem ser aplicadas de forma diferente em cada país.

A Comissão Europeia disponibiliza os dados das taxas de IVA em vigor em cada um dos Estados-membros da União Europeia. Em Portugal, a taxa normal aplicada é de 23% e a taxa reduzida é de 6%.

Estando André Ventura a falar dos 23%, estaria, portanto, a falar da taxa normal de IVA aplicada em Portugal e, assim sendo, os dados não batem certo.

Portugal surge em oitavo lugar, ao mesmo nível de Irlanda, Polónia e Eslováquia, todos com 23% de IVA. Acima do nosso país, há outros Estados-membros com taxas normais – ou padrão - superiores.

A Hungria destaca-se com a taxa mais elevada (27%), seguida pela Finlândia (25,5%), pela Dinamarca (25%), Croácia (25%), Suécia (25%), Estónia (24%) e Grécia (24%).

A SIC pediu esclarecimentos sobre qual a fonte em que o candidato presidencial sustentou a afirmação - visto não bater certo com os dados da Comissão Europeia - mas não obteve resposta.

Portugal não é o segundo país com a taxa de IVA mais elevada da Europa. Apesar de a taxa de 23% de IVA colocar Portugal num grupo de países com as taxas mais elevadas, não é verdade que o país esteja no segundo lugar, nem sequer no pódio deste ranking.

Por ser ter sido eleito deputado e por ser o povo que paga om seu salário, cada mentira que dissesse deveria levar uma multa.
Ele não defende o povo nem as pessoas de bem, como apregoa.

O histórico de relações promíscuas do líder do partido Chega, André Ventura tendenciosamente procura distanciar-se dos seus principais aliados políticos (criminosos) que sempre financiaram os seus projectos eleitorais, dolosamente omitindo a fonte destes financiamentos que depois da detenção do político e empresário Tito Gomes Fernandes, figura próxima do Presidente deposto da Guiné Bissau, Umaro Sissoco Embaló, por alegado transporte ilegal de 5 milhões de euro em várias malas.  O seu silêncio sobre este caso que o compromete é muito estranho que em condições normais e conhecendo a natureza controversa de André Ventura, surpreende-nos a todos o facto de não ter aproveitado e explorado politicamente este episódio como mais uma oportunidade para destilar o seu discurso inflamatório de condenação. Pois, preferiu o silêncio, porque tem consciência que o princípio da moralidade que sempre defende, carrega no oculto da sua trajectória, relações comprometidas e sustentadas em revelações que descortinam a ambiguidade do seu caráter e posicionamento político.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Les Funérailles d'Hélios - La Demoiselle de la Seine




Elle marche seule sur les boulevards,
le brouillard la suit,
les lampadaires la regardent mourir.
Dans ses yeux,
un chœur de voix,
des fantômes qui parlent doucement.

[Refrão]
Pousse-moi,
dans les eaux noires,
la Seine m'appelle,
la Seine m'emporte.

Les mains froides la touchent,
les chaînes invisibles se resserrent,
son sourire est du verre brisé,
son cœur un tambour vide.

[Refrão]
Un seul pas,
un souffle suspendu,
l'eau s'ouvre,
l'eau l'engloutit.

[Refrão]

A canção "La Demoiselle de la Seine" faz parte do álbum intitulado Les Funérailles d'Hélios.
O álbum leva o mesmo nome do projeto musical. Ele foi lançado em 2021 e funciona como uma obra conceitual, onde cada faixa narra uma história melancólica, histórica ou mitológica, envolta em uma sonoridade cinematográfica e sombria.

A letra de "La Demoiselle de la Seine" é profundamente poética e macabra, baseando-se em uma lenda urbana real de Paris do final do século XIX: L'Inconnue de la Seine (A Desconhecida do Sena).

A Inspiração: Diz a lenda que o corpo de uma jovem foi retirado do rio Sena em Paris. O patologista do necrotério ficou tão encantado com a expressão de paz e o "sorriso enigmático" da moça que ordenou a criação de uma máscara mortuária em gesso.

O Tema: A canção explora a beleza na morte e a imortalidade através da arte. Ela descreve a "dama" como alguém que encontrou no rio um refúgio para suas dores, transformando sua tragédia numa lenda eterna.

Simbolismo: O Sena é tratado quase como um amante ou um túmulo de cristal. A música questiona quem ela era e por que sorria, celebrando essa figura que se tornou um ícone da estética melancólica francesa.

Curiosidade: Sabia que o rosto da "Desconhecida do Sena" é o mesmo utilizado até hoje nos bonecos de treino de primeiros socorros (RCP)? Ela se tornou "o rosto mais beijado da história".

Twenty One Pilots - Paladin Strait


Paladin Strait
Twenty One Pilots

I can't be alone
Guess I never told you so
Makin' my way towards you
Tracin' out a line
A route I've mapped a thousand times
Makin' my way towards you

I would swim the Paladin Strait
Without any floatation
Just a glimpse of visual aid
Of you on the other shoreline
Waitin', expectations that I'm gonna make it
Mm-hm, hm-hm-hm

Standing on the shore
Staring down a hurtling storm
Makin' it's way toward me
Water rips with rage
Endless row of angry waves
Makin' it's way towards me

I would swim the Paladin Strait
Without any floatation
Just a glimpse of visual aid
Of you on the other shoreline
Waitin', expectations that I'm gonna make it
Mm-hm, hm-hm-hm

Here's my chance, time to take it
Can't be sure that I'll make it
Even though I'm past the point of no return
I'm all in, I'm surrounded
Put my money where my mouth is
Even though I'm past the point of no return
Here's my chance, time to take it
Can't be sure that I'll make it
Even though I'm past the point of no return
I'm all in, I'm surrounded
Put my money where my mouth is
Even though I'm past the point of no return

I would swim the Paladin Strait
Without any floatation
Just a glimpse of visual aid
Of you on the other shoreline
Waitin', expectations that I'm gonna make it
Mm-hm, hm-hm-hm

On the ground are banditos
Fighting while I find Nico
Even though I'm past the point of no return
Climb the top of the tower
Show yourself!, I yell louder
Even though I'm past the point of no ret—

So few, so proud, so emotional
Hello, Clancy

Biografia e Discografia
Página Oficial
Twenty One Pilots


"Paladin Strait" é a décima terceira e última faixa do álbum Clancy, lançado pelos Twenty One Pilots no Spotify em 2024.

"Paladin Strait" de Twenty One Pilots explora a travessia de um estreito como metáfora para batalhas internas e desafios externos, conectando a jornada de Clancy à luta contra os Bispos de Dema. O trecho “I would swim the Paladin Strait / Without any floatation / Just a glimpse of visual aid / Of you on the other shoreline” (Eu nadaria pelo Estreito Paladin / Sem qualquer flutuação / Apenas um vislumbre de ajuda visual / De você na outra margem) mostra a disposição do protagonista em enfrentar grandes dificuldades, motivado pela esperança de reencontrar alguém importante, mesmo sem garantias de sucesso. Esse momento reforça o tema da coragem diante do desconhecido, alinhando-se à narrativa do álbum, em que Clancy precisa superar obstáculos internos e externos para se libertar.

A música faz referência direta aos “banditos” e ao antagonista “Nico”, conectando-se ao universo dos álbuns anteriores, como Trench e Blurryface. O verso “On the ground are banditos / Fighting while I find Nico” (No chão estão os banditos / Lutando enquanto procuro Nico) sugere que Clancy não está sozinho, mas conta com o apoio de uma comunidade – uma metáfora para o suporte dos fãs, reforçada nas apresentações ao vivo em que a banda mistura elementos de "Bandito". O clímax, com Clancy gritando “Show yourself!, I yell louder” (Mostre-se!, eu grito mais alto), marca o confronto direto com seus medos e adversários. O final enigmático – “So few, so proud, so emotional / Hello, Clancy” (Tão poucos, tão orgulhosos, tão emocionados / Olá, Clancy) – deixa em aberto se a jornada representa um fim ou um novo começo, refletindo o mistério intencional que Tyler Joseph destaca sobre o desfecho da saga. A música aborda temas de determinação, vulnerabilidade e a importância da coletividade para superar adversidades.


Há uma guerra aberta entre Elon Musk e o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez


Guerra aberta entre o homem mais rico do mundo e o primeiro-ministro de Espanha. E tudo através do X, a rede social que é propriedade de Elon Musk, e que certamente será uma das empresas afetadas pela mais recente decisão do governo de Pedro Sánchez.

Tudo começa com o governo espanhol a seguir os passos de países como a Dinamarca e a anunciar um limite mínimo de idade para se aceder às redes sociais. A partir de agora, um cidadão que viva em Espanha só poderá fazê-lo se tiver 16 ou mais anos, uma medida que o PSD até quer que seja discutida em Portugal.

Diretamente afectado pela medida, Elon Musk reagiu ao seu jeito, sem meias palavras e a céu aberto. Na conta pessoal da rede social que comprou há uns anos, o homem mais rico do mundo decidiu apelidar Pedro Sánchez de “tirano e traidor do povo de Espanha”.

Isto em resposta a uma publicação feita nas redes sociais em que se detalhava o pacote de cinco medidas com as quais o governo espanhol promete acabar com aquilo que entende ser a impunidade das redes sociais e as suas diretivas.

“Dirty Sánchez”, ou “Sánchez sujo” foi a forma com que Elon Musk se dirigiu ao primeiro-ministro espanhol, numa publicação que a acompanhar tinha um emoji pouco elogioso.

Para Pedro Sánchez, “as redes sociais converteram-se num Estado falido onde se ignoram as leis e se toleram os delitos”. É mesmo um “faroeste”, na visão do primeiro-ministro espanhol, que decidiu dar voz à muita discussão que se tem tido na Europa sobre o controlo destas plataformas.

O processo legislativo terá início na próxima semana. Outras medidas propostas incluem o desenvolvimento de uma "pegada de ódio e polarização", explicou Sánchez, um sistema para monitorizar e quantificar a forma como as plataformas digitais alimentam a divisão e amplificam o ódio.

De resto, e por publicações relacionadas com nudez, o X é mesmo uma empresa visada pela Comissão Europeia neste momento, nomeadamente por causa da sua ferramenta de Inteligência Artificial, o Grok. Ainda esta terça-feira foi confirmado que os escritórios daquela rede social em França foram alvo de uma operação da unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público. Em causa está uma investigação sobre suspeitas de extração ilegal de dados e cumplicidade na posse de pornografia infantil.

Em dezembro, a Austrália tornou-se o primeiro país do mundo a implementar uma proibição das redes sociais para menores de 16 anos, impedindo o acesso a 10 plataformas, entre elas Facebook, TikTok, Instagram, Snapchat e X. O Reino Unido está a considerar uma medida semelhante, enquanto França e Dinamarca anunciaram recentemente planos para impedir o acesso às redes sociais a menores de 15 anos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou no mês passado que pretendia acelerar o processo legal para garantir que a proibição esteja em vigor antes do início do novo ano letivo, em setembro.

Outros países europeus estão também a adotar uma postura mais dura em relação às empresas de redes sociais. Sánchez disse que Espanha se juntou a outros cinco países europeus "empenhados em aplicar uma regulação das redes sociais mais rigorosa, rápida e eficaz". Não identificou os países, mas explicou que o grupo realizará a sua primeira reunião nos próximos dias, com o objetivo de coordenar a aplicação das regras além-fronteiras.

"Esta é uma batalha que ultrapassa largamente as fronteiras de qualquer país", concluiu.

Por esta e outras razões, Espanha decidiu agir. “Vamos mudar a legislação para que os diretores das plataformas sejam legalmente responsáveis das múltiplas violações que têm lugar nas suas plataformas”, afirmou Pedro Sánchez.

De resto, este é apenas mais um episódio que confirma que há mesmo uma contenda entre as duas figuras. Há uns dias, ainda em janeiro, o primeiro-ministro espanhol sugeriu que “Marte pode esperar, a Humanidade não”, numa clara referência às críticas de Elon Musk relativamente à regulação da imigração.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Lunatic Soul - The New End



How to end what once felt true
Yet faded more as dreams went away
How to end something that's burned out
When in your eyes
It still burns bright

Even if there could have been a chance for us
I wouldn't want to harm you anymore
Whether you want it or not
You'll always be
A part of my soul

How to stop living with guilt
No matter what you do
It will hurt
How to stop fearing that scars
Will remain on your broken heart

Even if there could have been a chance for us
I wouldn't want to harm you anymore
Whether you want it or not
You'll always be
A part of my soul

Even if there could have been a chance for us
I wouldn't want to harm you anymore
Whether you want it or not
You'll always be
A part of my soul


A canção "The New End" funciona como o epílogo emocional do álbum  The World Under Unsun (2025) e, por extensão, representa o fim da escuridão e o início da aceitação.

"The New End", do Lunatic Soul, explora o paradoxo emocional de um término: enquanto para uma pessoa o sentimento já se apagou, para a outra ele ainda permanece intenso, como nos versos “How to end something that's burned out / When in your eyes / It still burns bright” (Como terminar algo que já se apagou / Quando nos seus olhos / Ainda brilha intensamente). Essa dualidade reflete o conceito do álbum, que Mariusz Duda descreve como um contraste entre escuridão e luz, e funciona também como metáfora para o fim de ciclos importantes da vida, não apenas de relacionamentos amorosos, mas de fases inteiras, incluindo o próprio ciclo do Lunatic Soul.

A letra tem um tom introspectivo e melancólico, marcado pela confissão de culpa e pelo medo de causar feridas emocionais: “How to stop living with guilt / No matter what you do / It will hurt” (Como parar de viver com culpa / Não importa o que você faça / Vai doer). Duda destaca que tudo o que chega ao fim permanece como parte de nós, reforçado pelo verso repetido “You'll always be / A part of my soul” (Você sempre será / Uma parte da minha alma). O sentimento de responsabilidade pelo sofrimento do outro aparece em “I wouldn't want to harm you anymore” (Eu não gostaria de te magoar mais), mostrando maturidade e empatia. Assim, "The New End" vai além do fim de um relacionamento, simbolizando o encerramento de ciclos e a importância de aceitar o passado para seguir em frente.

Portugal tem de adaptar-se aos fenómenos extremos


As alterações climáticas vão trazer cada vez mais fenómenos extremos a Portugal, diz o físico da atmosfera Pedro Matos Soares, que avisa que Portugal tem de mudar radicalmente, começando nas infraestruturas e acabando nos alertas.

Portugal Continental foi atingido, entre 22 e 28 de janeiro, por três tempestades consecutivas, Ingrid, Joseph e Kristin, a última das quais deixou pelo menos dez mortos e um rasto de destruição sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém.

Em entrevista à Lusa sobre este “comboio de depressões”, o especialista explicou o fenómeno, mas não o relacionou com as alterações climáticas, salientando que estas estão e vão provocar no país cada vez mais fenómenos climáticos extremos, seja por exemplo episódios de chuva intensa seja de secas.

Devem os portugueses ter medo? Pedro Matos Soares diz que não. Mas acrescenta que devem lembrar-se de que a mudança no clima tem impactos diretos sobre as pessoas, as atividades económicas e os ecossistemas.

São as ondas de calor, os incêndios, as tempestades mais severas, recorda, afirmando: Em vez de paralisarmos com medo, temos é de fazer uma coisa mais inteligente, perceber que temos de dimensionar a nossa sociedade, no ordenamento do território, para salvaguardar as pessoas e a economia.

Pedro Matos Soares, professor e investigador principal do Instituto Dom Luiz, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, responsável da PHAIR-EARTH, uma “start-up” que faz projeções climáticas de alta resolução, identifica perigos e faz avaliações de risco, alerta que perante “mais extremos” climáticos é preciso “preparar a sociedade de uma forma diferente”.

Por exemplo nas estruturas, que têm de ser repensadas, que quer sejam novas ou reabilitadas terão de estar preparadas para um novo clima, de hoje ou dos próximos 20 anos e não do século XX.

“Quer dizer que nós temos que aumentar a resiliência das nossas estruturas”, com novos códigos de construção mais resistentes a precipitação extrema, telhados que resistam a vento extremo.

Nas palavras do especialista, isso aplica-se especialmente a “estruturas críticas”, da rede elétrica às escolas, a estradas ou pontes, bibliotecas ou mesmo igrejas e outros locais de encontro, que se forem bem reabilitadas, se forem resilientes podem ser “refúgios climáticos”.

Pedro Matos Soares defende planos locais de resposta acelerada para eventos extremos, que hoje não existem, porque a solução não é as pessoas receberem um SMS e “que se desenrasquem”.

As pessoas, quando recebem o SMS da Proteção Civil, deviam receber “imediatamente quais as recomendações para se protegerem, para protegerem os seus bens e, em última instância, onde é que se devem dirigir para estarem protegidas”.

“Para isso precisamos ter estruturas públicas, ou privadas, que tenham uma grande resistência a fenómenos extremos e que possam servir de refúgios”, diz.

Defendeu também mais educação e literacia, porque há pessoas a viver em leito de cheias sem o saberem. “Hoje temos tanta tecnologia e a informação não flui para as pessoas”, lamenta.

Aponta ainda que em Portugal não se percebeu o risco climático, não está mapeado o que é o risco climático destes diferentes extremos para os próximos 10 anos, 20 anos, 30 anos, apesar de toda a gente saber esse risco está a aumentar.

E isso impede o país de perceber como priorizar investimentos ou aumentar a resiliência de estruturas.

Diz ainda que também não há no país um “plano de recuperação pós-catástrofe”.

“Ficamos todos à nora, o Governo fica paralisado”, considera, enfatizando a necessidade de um sistema de alerta precoce, que avise por exemplo para uma onda de calor e explique o que as pessoas devem fazer e para onde ir.

É preciso uma sociedade mais preparada, ancorada no conhecimento e não apenas um SMS que não explica o que fazer em resultado dele.

The Wolfgang Press - I'm Coming Home (Mama)


Wash the flags - I'm coming home
I've packed my bags - I'm coming home
Shave your head - I'm coming home
Save a place - I'm coming home
I'm coming home, I'm coming home mama
Raise the dead - I'm coming home
Hold your breath - I'm coming home
Shave your legs - I'm coming home

If it was left to me I would not wait
To show off all the saints I've saved
If it was left to me I would not shake
This feeling that you give, that you give
If it was left to me I would not wait
I saved a place in there
You won't see me hang the gate unwide
As I have done so many times
I simply shake I simply shake
I shake
Light the fires - I'm coming home
Keep the wolf from the door - I'm coming home
I've something here to cool me down (cool me down)
And theres not a single sound

You show me your face, you show me your eyes
You give me the waves, oh you give me life
You show me your arms, you show me your legs
You give me the ocean, oh don't give me the rest, the rest
Save me, save me
Save me, save me

You show me your arms, you show me your legs
You give me the ocean, oh don't give me the rest, the rest
You show me your face, you show me your eyes
You give me the waves, oh you give me life, oh life
Save me, save me
Save me, save me

Here comes the ocean
Here comes the ocean
Save me, save me, save me
I'm wrapped up in hope
I'm wrapped up inside
You give me the waves, oh you give me life and light
Save me, save me
Save me, save me

You've got the fire, yes, you've got the fire

A canção foi lançada originalmente no EP Sweatbox em 1985. Mais tarde, nesse mesmo ano, foi incluída na compilação The Legendary Wolfgang Press and Other Tall Stories, também em 1985, que reuniu os primeiros EPs da banda (Scarecrow, Water e Sweatbox) num único disco.

Significado da Canção
Diferente da música homónima de Ozzy Osbourne (que é sobre voltar para a sua esposa), a versão dos Wolfgang Press é muito mais abstrata e inquietante. A letra fala de um regresso a um "lugar seguro" ("safe place"), mas com um tom de urgência e desespero. Frases como "Raise the dead" (Ressuscitar os mortos) e "Hold your breath" (Segura a respiração) sugerem um retorno a algo que foi perdido ou uma tentativa de purificação. O termo "Mama" aqui parece evocar uma necessidade quase infantil de proteção perante um mundo que se tornou insuportável ou confuso.

Capa do Álbum e Arte
Como quase todos os lançamentos da 4AD naquela época, a arte visual é fundamental:

Design: Foi realizado pelo estúdio 23 Envelope, composto pelo designer gráfico Vaughan Oliver e pelo fotógrafo Nigel Grierson. Eles foram os responsáveis por criar a identidade visual icónica da editora.

Pintura: A pintura específica usada na capa do EP Sweatbox (e que aparece na compilação Tall Stories) é da autoria de Alberto Ricci.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Brigade Internationale - Remember My Death


O nome Brigade Internationale (Brigada Internacional) é uma referência direta às unidades militares compostas por voluntários estrangeiros que viajaram para a Espanha para lutar ao lado da Segunda República Espanhola contra as forças fascistas de Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Ao escolherem este nome, a banda evoca uma estética de resistência antifascista, idealismo político e melancolia histórica, temas comuns na subcultura coldwave da época.

Regard Extrême é uma das músicas mais conhecidas da banda, presente no álbum/cassete Regard Extrême lançado em 1984 pela gravadora Wallenberg Produktion.

A canção: Mantém a sonoridade característica do género, com sintetizadores sombrios, linhas de baixo marcantes e uma atmosfera minimalista e melancólica.

Significado da Letra: O título "Remember My Death" (Lembre-se da minha morte) reforça a temática existencialista e fúnebre do grupo, possivelmente ligando-se ao sacrifício dos voluntários das brigadas originais

Dia Mundial das Zonas Húmidas: Expansão agrícola e urbana, alterações climáticas e invasoras continuam a pressionar estes ecossistemas vitais


Ambientes aquáticos costeiros ou interiores que albergam uma grande diversidade de formas de vida, que fornecem uma série de serviços críticos para o bom funcionamento dos ecossistemas e para a sobrevivência de humanos e não-humanos. Contudo, estão gravemente ameaçados, sobretudo devido à forma como temos lidado com eles, e a sua degradação custar-nos-á caro.

Para quem ainda não percebeu, falamos de zonas húmidas, pois esta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, assinala-se o Dia Mundial das Zonas Húmidas. Esta efeméride foi estabelecida com a adoção da Convenção de Ramsar, em vigor desde 1975, e que tem como missão basilar a conservação desses habitats, vitais para humanos e não-humanos, para a diversidade biológica e sociocultural, e também eles muito diversos.

As zonas húmidas podem ser pântanos, charcos, ou turfeiras, naturais ou artificiais, de água estagnada ou corrente, de água doce, salobra ou salgada, incluindo áreas de água do mar cuja profundidade não seja superior a seis metros. Além disso, podem incluir zonas ribeirinhas ou costeiras que a elas sejam adjacentes, como “ilhéus ou massas de água marinha com profundidade superior a seis metros durante a maré baixa”, especialmente de forem importantes como habitats para aves marinhas.

Apesar de apenas cobrirem 6% da superfície da Terra, estimativas apontam para que cerca de 40% de todas as espécies de animais e de plantas dependem das zonas húmidas, para viverem, para se alimentarem e para se reproduzirem.

Um estudo publicado em 2023 na ‘Nature’ revelava que, entre 1700 e 2020, o mundo perdera cerca de 21% das suas zonas húmidas devido às atividades humanas, uma extensão perto dos 3,4 milhões de quilómetros quadrados. Essas perdas foram sobretudo causadas pela conversão das zonas húmidas em áreas agrícolas, mas também pela poluição, pela expansão urbana e industrial e pelo turismo insustentável.Stanford-led study finds global wetlands losses overestimated despite high losses in many regions

À Green Savers, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) explica que, quando a essas ameaças juntamos os efeitos das alterações climáticas, “o cenário torna-se, de facto, mais preocupante”.

Por provocarem secas cada vez mais frequentes e intensas, as alterações climáticas são apontadas como umas das principais ameaças às zonas húmidas. Quando esses habitats, como as turfeiras, perdem a água que lhes dá vida, o carbono aí armazenado ao longo de muitos anos no solo e na biomassa pode acabar por libertar-se na atmosfera, “contribuindo de forma significativa para um aumento das emissões globais de dióxido de carbono” e também para a crise climática.

Atualmente, aproximadamente 25% das espécies que dependem das zonas húmidas (para se reproduzirem, para se alimentarem, como pontos de paragem importantes durante migrações) estão ameaçadas de extinção, diz o ICNF. E se a destruição desses habitats não for travada e se não se recuperar dos danos causados, essas espécies enfrentarão um risco ainda maior.

As zonas húmidas em Portugal
Em Portugal, as zonas húmidas estão também a sofrer uma série de pressões, à semelhança do que se passa no resto do mundo.

Diz-nos o ICNF que, de acordo com dados comunicado pelo país à Comissão Europeia no ano passado relativos ao período entre 2019 e 2024, 58,7% dos habitas de zonas húmidas de Portugal continental e regiões autónomas estão em bom estado de conservação. Em sentido inverso, 31,7% estão avaliados como em mau estado de conservação.

Por cá, as principais ameaças às zonas húmidas são a fragmentação, degradação e destruição, especialmente devido à intensificação da agricultura e da silvicultura, à expansão urbana e à “crescente pressão turística”, explica o instituto. A agravar esses fatores está a introdução de espécies exóticas invasoras “que afeta a estrutura das comunidades biológicas nativas destes ecossistemas”, e, claro, as alterações climáticas são mais um prego no caixão.

Portugal tem 32 zonas húmidas protegidas ao abrigo da Convenção de Ramsar, com uma área total combinada de perto de 134.000 hectares. A Lagoa de Óbidos foi a mais recente adição à lista portuguesa de Sítios Ramsar, com cerca de 6,9 quilómetros quadrados e fazendo fronteira com os concelhos de Caldas da Rainha e de Óbidos.

O ICNF assegura que quase todas as zonas húmidas listadas da Convenção de Ramsar estão sujeitas a algum tipo de proteção legal, seja por serem parte da Rede Nacional de Áreas Protegidas, por serem Zonas de Proteção Especial no âmbito da Diretiva Aves da União Europeia ou Zonas Especiais de Conservação da Diretiva Habitats, por estarem sujeitas aos Planos Diretores Municipais ou ainda por estarem incluídas nas reservas agrícola ou ecológica nacionais.

No relatório nacional submetido em fevereiro do ano passado à 15.ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção de Ramsar, que aconteceu em Victoria Falls, no Zimbabué, Portugal diz que entre a COP15 e a COP14, de 2022, conseguiu-se aumentar a consciência das populações e das autoridades locais para o valor das zonas húmidas e para a sua importância na adaptação e mitigação das alterações climáticas.

O documento aponta ainda como conquistas nesse período de três anos o aumento do número de eventos e atividades realizados todos os anos no país para celebrar o Dia Mundial das Zonas Húmidas, o “aumento significativo” do número de projetos implementados de restauro de zonas húmidas, a crescente valorização da dimensão sociocultural e histórica desses habitats e o maior número de ações para gerir e controlar espécies invasoras que ameaçam esses ecossistemas.

Entre as principais dificuldades na implementação da convenção entre 2022 e 2025 Portugal indicou a falta de planos de gestão para a maioria dos Sítios Ramsar no país, a falta de um inventário nacional das zonas húmidas, o aumento dos impactos das alterações climáticas, o aumento da agricultura intensiva em algumas zonas do país e a “rápida expansão” das espécies invasoras.

Para o biénio 2026-2028, Portugal elencou como prioridades a continuação da gestão das invasoras, o desenvolvimento do inventário nacional, a criação de um órgão equivalente a uma comissão nacional das zonas húmidas e o reforço do envolvimento da população na conservação desses ecossistemas.

As pessoas e as zonas húmidas

O tema do Dia Mundial das Zonas Húmidas deste ano pretende destacar a íntima e longeva ligação entre as culturas humanas e esses habitats aquáticos, especialmente salientando os serviços culturais por eles prestados aos humanos.

“As pessoas coexistem com as zonas húmidas desde a pré-História, aproveitando os serviços que elas prestam, e desenvolvendo um valioso conhecimento tradicional”, diz-nos fonte do ICNF. Durante milénios, essa coexistência permitiu à nossa espécie desenvolver um amplo conhecimento tradicional, transmitido de uma geração para a seguinte, que sobre os aspetos mais científicos das zonas húmidas, mas também sobre as dimensões éticas e espirituais.

Esse saber alicerçado na convivência e interligação com esses habitats, e com a vida que neles se encontra, permitiu “uma gestão sustentável dos recursos naturais fornecidos pelas zonas húmidas ao longo de milhares de anos”, afirma o instituto, que considera que devemos olhar para o passado, aprender com aqueles que vieram antes de nós, para tentar solucionar os problemas com os quais nos deparamos no presente.

“A integração destas práticas e tradições ancestrais nas estratégias de conservação atuais é essencial para obter soluções eficazes, inclusivas e duradouras”, argumenta o ICNF, destacando como fundamental o envolvimento das comunidades locais e a valorização e aproveitamento do seu conhecimento e experiência para proteger, conservar e restaurar as zonas húmidas.

“Os conhecimentos locais, bem como a ciência cidadã, já são recursos inestimáveis para se conhecer o estado das zonas húmidas.”

Por tudo isso, a continuação da perda de zonas húmidas ameaça a sobrevivência de muitas espécies de plantas e de animais que delas dependem, põe em risco a subsistência de diversas comunidades humanas que nelas encontram a sua principal fonte de sustento, como pescadores e mariscadores, e podem fazer desaparecer tradições e costumes de séculos ou de milénios de existência, como festas e romarias, que ainda hoje são celebradas e que têm as zonas húmidas no seu cerne.

“A perda e degradação das zonas húmidas agrava o problema da perda da biodiversidade e coloca em risco as espécies dependentes destes habitats”, diz-nos o ICNF, e “ameaça não só a subsistência das suas comunidades locais, como também a sua identidade cultural”.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Nick Cave And The Bad Seeds - All Tomorrow's Parties


Versão ainda mais dramática que a original The Velvet Underground & Nico - All Tomorrow's Parties, de 1966.

All Tomorrow's Parties
The Velvet Underground

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties
And where will she go, and what shall she do
When midnight comes around
She'll turn once more to sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties
And what will she do with thursday's rags
When monday comes around
She'll turn once more to sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
For thursday's child is sunday's clown
For whom none will go mourning

A blackened shroud
A hand-me-down gown
Of rags and silks - a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties

Solidão e máscaras sociais em “All Tomorrow's Parties”
Em “All Tomorrow's Parties”, do The Velvet Underground, a repetição da pergunta “And what costume shall the poor girl wear to all tomorrow's parties” (“E que fantasia a pobre garota usará em todas as festas de amanhã”) destaca a angústia sobre identidade e pertencimento. A música faz referência ao ambiente das festas da Factory de Andy Warhol, conhecidas por reunir pessoas excêntricas e outsiders. A “pobre garota” representa tanto figuras reais, como Darryl (citada por John Cale), quanto qualquer pessoa marginalizada que tenta se encaixar em um meio marcado por aparências e expectativas sociais. O trecho “hand-me-down dress from who knows where” (“vestido usado, vindo sabe-se lá de onde”) reforça a sensação de exclusão e vulnerabilidade dessa personagem.

O tom melancólico da canção se intensifica com a imagem da garota que, ao fim das festas, “turns once more to sunday's clown and cry behind the door” (“volta mais uma vez ao palhaço de domingo e chora atrás da porta”). O “clown” funciona como metáfora para a máscara social que ela precisa usar, escondendo sua solidão e tristeza sob a superfície festiva. A alternância entre “thursday's rags” (“trapos de quinta-feira”) e “yesterday's gowns” (“vestidos de ontem”) sugere um ciclo de tentativas frustradas de renovação, onde o passado e a precariedade sempre retornam. O verso “For thursday's child is sunday's clown, for whom none will go mourning” (“Pois a criança de quinta-feira é o palhaço de domingo, por quem ninguém vai lamentar”) reforça o anonimato e o desamparo da personagem. Assim, a música faz uma crítica à superficialidade e à efemeridade das relações sociais, especialmente em ambientes artísticos e boémios, onde a busca por aceitação muitas vezes esconde solidão e sofrimento.

Adeus Spotify


Por Luís Sobral
O Spotify é a plataforma de streaming que menos paga aos artistas, com pagamentos que não excedem 0,003 cêntimos por reprodução . Além disso, como consequência da sua nova política, só remunera os artistas com pelo menos 1000 streams por faixa.
 Em 2005, 88% da música do Spotify ficou sem monetização. O Spotify também investe e colabora com grandes editoras discográficas para criar música feita com inteligência artificial, que há muito tempo inunda de forma oculta as playlists de descoberta semanal e acumula milhões de streams. Reproduções que geram lucros enormes para a empresa, que não beneficiam os artistas e que desumanizam e banalizam a música de uma forma inaceitável.
Além disso, nos Estados Unidos o Spotify  emitiu , ao longo do outono de 2025 , anúncios para uma campanha de recrutamento da ICE ( agência de controlo de imigração ) que nos últimos meses, agindo sob ordens da administração Trump, tem realizado sequestros, deportações em massa de imigrantes e violência contínua contra a população dos EUA.
Daniel Ek , fundador , ex CEO e actual chairman do Spotify investiu aproximadamente 700 milhões de euros na Helsing, uma startup armamentista alemã que fabrica tecnologia militar com inteligência artificial . Esta empresa colabora com agentes relacionados com o genocídio na Palestina : desde que o fundador do Spotify  começou a investir nesta empresa e se juntou ao seu conselho de administração, a Helsing assinou contratos de cooperação tecnológica com a Airbus e a Rheinmetall, empresas que fabricam armas directamente utilizadas pelas forças de ocupação de Israel.
Que mais é preciso acontecer para abandonarmos esta plataforma ???
Dito isto e para acabar com uma nota de esperança e otimismo , deixo-vos a minha recomendação de uma plataforma de música que é justa e ética - Qobuz. É a que eu uso e estou muito satisfeito!

Actualização:

Matt and Kim - Lessons Learned



Tape holds things that cannot stick
And keep leftovers in the fridge
While lessons learned go down the drain
I can't believe in everything
All the bad names gone
And the good ones were all wrong

And so I stayed up all night
Slept in all day
This is my sound
Thinking about tomorrow won't change how I feel today

Never let your mark erase
'Cause broken legs can be replaced
Two steps to the finish line
Three sips till I finish mine
A straw will always suck it out
Close your eyes and use your mouth
And tell me about your song

And so I stayed up all night
Slept in all day
This is my sound
Thinking about tomorrow won't change how I feel today

Lançada em 2009 no álbum Grand, a canção foca-se na ideia de viver o momento e aceitar as consequências das nossas ações, sem grandes arrependimentos. Há uma celebração da juventude e da falta de inibição.

A Letra: A música fala sobre a sensação de liberdade ao "deixar-se ir" e como as experiências (mesmo as mais caóticas ou embaraçosas) se tornam "lições aprendidas". Há uma celebração da juventude e da falta de inibição.

O Vídeo Icónico: É impossível falar desta música sem mencionar o videoclipe. Nele, o duo caminha por Times Square, em Nova Iorque, enquanto se despe completamente até ficarem nus em público.

O conceito do vídeo: Reforça a mensagem da letra — a vulnerabilidade total e a ideia de que, independentemente do "escândalo" ou da reação dos outros, o que importa é a experiência vivida e a liberdade pessoal.

Curiosidade: O vídeo foi gravado num dia de muito frio e foi filmado de forma "guerrilha" (sem autorizações completas para nudez em público), o que resultou na detenção (encenada) dos artistas no final.

O que foi real?
O Frio: Sim, era real. Foi filmado em fevereiro de 2009. Se olhares para as pessoas em pano de fundo em Times Square, verás que estão todas com casacos pesados de inverno.

O Estilo Guerrilha: Sim. Eles não tinham autorização para nudez (o que seria quase impossível de conseguir ali). A produção foi feita de forma rápida para evitar que a polícia os parasse antes de terminarem a caminhada.

O que foi encenado?
A Detenção: Não foi real. No final do vídeo, vemos agentes da polícia a algemarem o Matt e a Kim. No entanto, aqueles "polícias" eram, na verdade, atores contratados pela produção.

A Nudez: Embora eles estivessem tecnicamente despidos no local, a Kim revelou mais tarde em entrevistas que eles usaram "pequenos truques" (" modesty patches, "como fita adesiva de cor da pele e protetores) para não estarem 100% expostos perante a multidão, embora para quem passava a ilusão fosse total.

Porquê a confusão?
A banda e o realizador queriam que o vídeo parecesse um documentário real de um crime ou de um ato de rebeldia pura. Durante muito tempo, eles mantiveram o mistério para alimentar o "hype" do vídeo, que acabou por ganhar o prémio de Melhor Vídeo Revelação nos MTV Video Music Awards de 2009

Resumo: Eles foram corajosos ao ponto de passarem muito frio e arriscarem uma multa a sério, mas o final "atrás das grades" foi apenas uma escolha artística para fechar a narrativa da música.

Fontes:
Butts, Blood and Busting Moves: How Matt and Kim Videos Rock the Internet
Entrevista sobre o vídeo

sábado, 31 de janeiro de 2026

A Shoreline Dream - The Chain


Tema homenagem aos Fleetwood Mac "The Chain", do álbum Rumours, lançado em 1977. O álbum Rumours é um dos mais vendidos de todos os tempos, ganhando o Grammy de Álbum do Ano em 1978. 
Histórico no BillBoard

Listen to the wind blow
Watch the Sun rise
Running in the shadows
Damn your love, damn your lies

And if you don't love me now
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

And if you don't love me now (if you don't love me now)
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

Listen to the wind blow
Down comes the night
Running in the shadows
Damn your love, damn your lies
Break the silence
Damn the dark, damn the light

And if you don't love me now
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

Em "The Chain", do Fleetwood Mac, a repetição marcante de "you would never break the chain" (você nunca quebraria a corrente) destaca tanto o desejo de manter um vínculo quanto a ironia de promessas não cumpridas. A música foi criada em meio ao fim do relacionamento entre Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, e esse contexto pessoal se reflete diretamente na letra. Todos os membros da banda participaram da composição enquanto enfrentavam conflitos internos, o que intensifica o peso emocional da canção. Aqui, a "chain" (corrente) representa tanto a ligação inquebrável entre os integrantes quanto as amarras dolorosas de relações desgastadas.

Trechos como "running in the shadows" (correndo nas sombras) e "damn your love, damn your lies" (maldito seja seu amor, malditas sejam suas mentiras) evidenciam um clima de desconfiança e mágoa, remetendo a traições e ressentimentos vividos pelo grupo. A alternância entre "damn the dark, damn the light" (maldita seja a escuridão, maldita seja a luz) mostra que não há mais espaço para ilusões, apenas a necessidade de encarar a realidade. Mesmo com a separação, a corrente permanece, indicando que, apesar das feridas, existe uma conexão que resiste – seja por amor, história compartilhada ou compromisso profissional. "The Chain" transforma a dor da ruptura em uma afirmação de força coletiva, tornando-se um símbolo da trajetória do Fleetwood Mac.

And if you don't love me now (if you don't love me now)
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

And if you don't love me now (if you don't love me now)
You will never love me again
I can still hear you saying
You would never break the chain (never break the chain)

Chain keep us together (run in the shadow)