sábado, 7 de novembro de 2026

Years of Denial - All We Ever Wanted Was Everything


O projeto Years of Denial possui nacionalidade franco-checa. O duo transita entre o EBM, o techno industrial, a dark wave e o pós-punk experimental, integrando a estética das artes performativas no contexto da música eletrónica underground.

Em termos de estilo musical, a versão de "All We Ever Wanted Was Everything" (originalmente lançada pelos Bauhaus em 1982 no álbum The Sky's Gone Out) sofre uma transposição radical. Enquanto o original dos Bauhaus assenta num rock gótico despojado, conduzido por guitarras acústicas dedilhadas e uma interpretação vocal orgânica e melancólica de Peter Murphy, a leitura dos Years of Denial reconstrói a faixa sob uma matriz eletrónica industrial fria. O arranjo substitui o espaço acústico por sintetizadores modulares analógicos densos, sequências de baixos pulsantes e batidas sintéticas pesadas, conferindo à faixa uma cadência mecânica e claustrofóbica.

No videoclipe oficial lançado pela editora Unknown Pleasures Records, a realização adota uma estética retro-analógica de pendor industrial. A narrativa visual recorre a técnicas de sobreposição em tons frios (monocromático esverdeado/azulado) e filtros em negativo que simulam película danificada. O vídeo intercala planos em silhueta de feições humanas com projeções de ondas marinhas, texturas abstratas e elementos gráficos desenhados a giz sobre fundo negro, intensificando os efeitos de glitch digital e sobreposições de câmara lenta à medida que a faixa atinge o seu clímax.

Quanto às influências literárias e filosóficas, o texto original de Peter Murphy inspira-se no existencialismo do século XX e no niilismo da classe trabalhadora britânica do pós-guerra, retratando o desencanto juvenil perante a monotonia das cidades industriais ("Factorytown") e o fracasso das expectativas do sonho consumista moderno. Na versão dos Years of Denial, estas referências expandem-se através da filosofia do isolacionismo (não no sentido político, mas como estética de desapego e alienação sonora) e do existencialismo contemporâneo focado na crítica ao capitalismo hiperconectado. Barkosina e Jerome abordam a arte como um antídoto para a vacuidade e para a exigência social de uma "perfeição artificial", utilizando a fricção entre a voz humana crua e a rigidez sintética para espelhar a fragmentação da identidade e o isolamento do indivíduo na era digital.

Hard Power Republicano vs. Culpabilidade Democrata: O Sinal de Stephen Miller



O novo chefe de gabinete de Trump, que vem substituir Susie Wiles, é anunciado poucos dias depois do balde de água fria que foram, para os republicanos, as eleições intercalares norte-americanas e parece vir em sentido contrário às lições que intuitivamente se poderiam retirar. Se os eleitores pareceram demonstrar a sua desilusão com a administração Trump e viraram a agulha para os democratas, Stephen Miller é não só um dos principais rostos da linha dura que acompanha Trump, como o homem definido como o arquiteto das mais agressivas políticas contra a imigração desta administração.

Disse ele o seguinte: "A tortura é o caminho a seguir, a tortura é uma celebração da vida e da humanidade, devemos lembrar disso no século XXI, deve-se apreciar o valor que a tortura demonstra a outras culturas".
Nesta gravação mostra Miller aos 17 anos, filmado dentro de um autocarro escolar na altura da invasão do Iraque. No vídeo, ele afirma frases como "a tortura é uma celebração da vida e da dignidade humana" e sugere que, em vez de matar Saddam Hussein e os seus aliados, a solução ideal seria "cortar-lhes os dedos". Durante o monólogo, ouvem-se outros jovens a rir em fundo.

Isto é os EUA sem a propaganda dos seus filmes, um regime cheio de psicopatas genocidas imperialistas que têm devastado países um atrás do outro e estão orgulhosos disso. e desenganem-se: os Democratas fazem igual, mas de uma forma menos Hard power.

Como já referi aqui a administração Obama bateu recordes de deportações de imigrantes sem documentos nos seus primeiros anos, superando marcas de administrações anteriores e valendo-lhe críticas severas de movimentos de direitos civis.

Stephen Miller e a Imigração: Democratas e Republicanos Diferem Apenas na Retórica?


Análise e Comparação de Políticas Anti-Imigração entre Presidentes Democratas e Republicanos

A evolução das políticas de deportação nos Estados Unidos ao longo das últimas administrações revela uma expansão contínua da infraestrutura burocrática e executiva de controlo migratório, independentemente da cor política no poder. Sob a administração de Barack Obama, a qual ficou vulgarmente conhecida pelo epíteto de "Deporter-in-Chief", o país registou o número mais elevado de deportações da sua história, ultrapassando a marca dos 3,1 milhões de remoções formais durante os seus dois mandatos. O ano de 2012 representou o pico deste período, contabilizando mais de 400.000 repatriações num único exercício. Esta dinâmica sustentava-se numa estratégia direcionada para as remoções formais (removals) em detrimento do envio direto e informal na linha de fronteira (returns), incluindo de forma expressiva os imigrantes intercetados a curta distância da delimitação fronteiriça.

Em contraste com a abordagem anterior, o primeiro mandato de Donald Trump pautou-se por uma retórica ostensiva e por um foco mediatizado no encerramento da fronteira. Contudo, do ponto de vista puramente estatístico, o volume total de remoções formais ao longo dos seus quatro anos situou-se em cerca de 1 milhão, ficando abaixo da média anual verificada no primeiro mandato de Obama. A estratégia republicana priorizou a visibilidade pública e a dissuação pelo choque social, executando detenções emblemáticas no interior dos estados e em locais de trabalho, a par da aplicação de mecanismos como as moratórias de asilo e a política de "Permanecer no México".

Por sua vez, a administração de Joe Biden manteve e acelerou a capacidade operacional de repatriação. Em 2024, a agência ICE registou mais de 270.000 deportações num único ano fiscal, um valor que superou o pico anual registado durante todo o mandato de Donald Trump. No plano estratégico, a gestão de Biden reduziu a exposição de operações no interior do país, concentrando a sua atuação no reforço das restrições legais ao direito de asilo diretamente na fronteira.

Em conclusão, a trajetória dos dados estatísticos demonstra que o aparato de detenção e repatriação tem vindo a consolidar-se de forma consistente sob gestões tanto democratas como republicanas. As discrepâncias mais assinaláveis entre os governos não residem na eficácia ou na capacidade executiva de afastar imigrantes em situação irregular, mas antes no grau de visibilidade política, na distribuição geográfica das intervenções (foco no interior versus fronteira) e no enquadramento retórico utilizado perante o eleitorado.

Tabela
Presidente / AdministraçãoPeríodoTotal Aprox. de Deportações (Remoções)Média Anual Aprox.Características Operacionais
Bill Clinton (Democrata)1993 – 2000~12 milhões (Remoções + Devoluções na fronteira)~1,5 milhõesReformas penais de 1996 (IIRIRA) que endureceram os critérios de deportação.
George W. Bush (Republicano)2001 – 2008~2,0 milhões (Remoções formais)~250.000Criação do DHS e do ICE pós-11 de Setembro; expansão de operações no interior.
Barack Obama (Democrata)2009 – 2016~3,1 milhões (Remoções formais)~383.000Recorde histórico de deportações formais num único mandato; uso intensivo de acordos de cooperação policial local (Secure Communities).
Donald Trump (1.º Mandato - Rep.)2017 – 2020~1,0 milhão (Remoções formais)~250.000Foco no interior e retórica mediática agressiva; o pico de deportações anuais atingiu 267.000 (2019).
Joe Biden (Democrata)2021 – 2024~1,4 a 1,5 milhões (Remoções formais)~375.000Recuo inicial das rusgas urbanas, mas aumento substancial nas remoções de fronteira, superando os valores anuais do 1.º governo Trump.
Esta nomeação faz-e lembrar a série fabulosa e apoteótica de A Diplomata. Um aviso. 
Tudo sobre esta série aqui