Bioterra
Blogue de Educação Ambiental, iniciado em 01.04.2004
terça-feira, 15 de setembro de 2026
BLVCK CEILING - Park Eyes
Democracia portuguesa vive o pior momento desde o 25 de Abril, alerta Sampaio da Nóvoa
Jerry Seinfeld, Extrema-Direita e o Limite do Humor: A Democracia sob Ameaça
Aumento da temperatura global vai atingir pelo menos 1,8°C, avisa ONU, e 'não há bons resultados'
- Relatório aponta pico de aumento de temperatura no melhor cenário para os 1,8°C; outros sugerem mais de 2°C
- Acima dos 1,5°C, os impactos climáticos e os riscos de pontos de rutura intensificam-se a cada fração de grau
- Trajetória de 'ultrapassagem, pico e declínio' é a melhor opção restante para ajudar nações e comunidades vulneráveis a responder e a regressar a valores abaixo dos 1,5°C
No Dia Internacional da Democracia - Do Clique à Fratura Social: Como o Slacktivism, a Perda de Empatia e a Polarização Estão a Redefinir a Democracia Digital
| Dimensão Sociológica | Mecanismo Digital | Consequência Democrática |
|---|---|---|
| Identidade de Tribo | Algoritmos de recomendação baseados em afinidade (filter bubbles) | Homogeneização ideológica e isolamento em bolhas informacionais |
| Reatividade Emocional | Recompensa imediata por métricas de reação (likes, partilhas) | Substituição do argumento racional pelo ataque ad hominem |
| Perseguidismo Digital | Dinâmicas de recompensa por vigilância moral mútua | Cultura do cancelamento e recusa do diálogo transversal |
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Fontaines D.C. - Marianne
O Abraço do Sol e da Vida: Uma Ode ao Encontro e à Resistência
A vulnerabilidade das abelhas aos agrotóxicos e a sua incapacidade de os evitar não é uma mera suposição, mas um facto demonstrado pela comunidade científica internacional:
- Atração Neuroquímica e Falta de Deteção: A investigação realizada por Kessler et al. (2015) na Nature provou que as abelhas não conseguem detetar a presença de neonicotinóides e chegam a preferir néctar contaminado, uma vez que estes químicos estimulam os seus recetores cerebrais de forma análoga aos mecanismos de adição.
- Perda de Orientação e Navegação: Experiências conduzidas por Henry et al. (2012) na Science através de microchips RFID demonstraram que doses subletais afetam criticamente a memória espacial, impedindo os polinizadores de regressar à colmeia.
- Danos na Aprendizagem Olfativa: O estudo de Williamson & Wright (2013) no Journal of Experimental Biology evidenciou que a exposição a defensivos agrícolas compromete a retenção de memória e a capacidade de associar odores a fontes de alimento seguras.
- Procura Compulsiva de Alimento por Escassez: Trabalhos como o de Muth et al. (2019) na Frontiers in Ecology and Evolution mostram como a degradação dos habitats força as abelhas a consumir recursos contaminados, anulando qualquer barreira de repulsão natural.
O tempo despendido no consumo de conteúdos digitais e as suas implicações sociológicas: atomização social, alienação e o declínio da intervenção cívica
O ecossistema digital consolidou-se como o eixo central da vida quotidiana, com os utilizadores de internet em Portugal a demonstrarem uma ligação cada vez mais profunda às plataformas online. Os dados do relatório Digital 2026, elaborado pela We Are Social em parceria com a Meltwater, revelam que mais de 7,5 milhões de portugueses utilizam redes sociais, representando cerca de 8 em cada 10 internautas no país. Em média, o tempo despendido nas redes sociais situa-se nas 2 horas e 10 minutos por dia, com o TikTok a liderar no tempo médio de utilização (1 hora e 23 minutos diários por utilizador ativo) e o YouTube a destacar-se pelo alcance massivo. No entanto, o consumo apresenta uma forte assimetria geracional: os jovens dos 15 aos 24 anos lideram o tempo de ecrã com 2 horas e 25 minutos diários, ao passo que a faixa dos 25 aos 44 anos regista 1 hora e 45 minutos e os utilizadores com mais de 45 anos fixam-se em 1 hora e 15 minutos. Este comportamento mobile-first - impulsionado por 95,9% dos utilizadores que acedem à rede via smartphone - estende-se ao processo de compra, onde 65% dos jovens dos 16 aos 24 anos usam as redes para pesquisar marcas, e à integração massiva da Inteligência Artificial generativa, utilizada diariamente por mais de 40% dos internautas portugueses.
À escala global, o estudo aponta para 6 mil milhões de utilizadores de internet e 5,66 mil milhões nas redes sociais (68,7% da população mundial), num cenário onde a publicidade social já ultrapassa a televisão e os motores de busca como principal meio de descoberta de marcas entre os 16 e os 34 anos.
A transição massiva para este ecossistema digital contínuo traz consigo profundas implicações sociológicas. A submersão em formatos de vídeo vertical e a personalização extrema por algoritmos favorecem a atomização social, um fenómeno em que os indivíduos se isolam em bolhas informacionais e de entretenimento hiperpersonalizado, fragilizando o tecido comunitário e as interações no espaço público físico.
Este consumo compulsivo acarreta igualmente riscos de alienação social, na medida em que a mediação do mundo real por ecrãs substitui a experiência interpessoal direta por laços parassociais e validação digital. Por sua vez, a saturação de estímulos rápidos e efémeros correlaciona-se com uma diminuição do escrutínio crítico e com uma baixa intervenção cívica, transformando o debate democrático num espetáculo de consumo individual e imediato, onde o ativismo muitas vezes se reduz ao slacktivism de redes sociais, distanciando os cidadãos do envolvimento comunitário tradicional e da ação política participativa.
Fontes e Hiperligações dos Estudos
DataReportal – Digital 2026: Global Overview Report (We Are Social & Meltwater) We Are Social – Reports & Insights (ponto de situação no Reino-Unido)
Dia Europeu da Ecologia
Sidewalks and Skeletons - † BORN TO DIE †
domingo, 13 de setembro de 2026
Como fazer a ruptura pós-capitalista
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| Löwy: crise climática pede a ruptura do capitalismo |
- Shoshana Zuboff (A Era do Capitalismo de Vigilância): Dá-lhe o argumento central sobre como as plataformas digitais não são meros meios de comunicação, mas indústrias de modificação comportamental que destroem a autonomia e a capacidade de organização coletiva.
- Andreas Malm (Como Salvar um Planeta em Chamas / How to Blow Up a Pipeline): Fundamenta a crítica ao pacifismo estratégico tradicional. Malm defende que, perante a urgência, o movimento ecológico tem de ultrapassar os protestos simbólicos e adotar a sabotagem tática de infraestruturas fósseis (sem violência contra pessoas) para encarecer o capital poluidor.
- Mark Fisher (Realismo Capitalista): Sustenta a tese da alienação e da paralisia: a ideia de que o sistema criou uma anestesia cultural onde é "mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo", transformando o sofrimento e a ansiedade em consumo passivo.
- Ivan Illich (Tools for Conviviality): Alimenta a ideia da construção de "cidadelas analógicas" — a necessidade de criar tecnologias e redes de escala humana, locais e desvinculadas dos megassistemas industriais e digitais para devolver a autonomia às comunidades.
- Cédric Durand ou Nick Srnicek (Capitalismo de Plataforma / Feudalismo Digital): Em vez de olhar para a psicologia do ecrã (como Han faz), estes autores explicam a arquitetura económica real de como as grandes plataformas extraem renda e capturam o comportamento humano.
- Bernard Stiegler: Para uma crítica da tecnologia incomparavelmente mais rigorosa e profunda. Stiegler concilia a filosofia da técnica com a neurobiologia e a economia política, explicando como a tecnologia digital nos priva do "saber-fazer" e do "saber-viver", gerando uma proletarização da mente.
- Bernard Stiegler (24/7: O Capitalismo Tardio e os Fins do Sono): Examina como o capitalismo do século XXI tenta eliminar as pausas humanas naturais (como o sono e a reflexão), transformando o tempo contínuo num mercado de consumo e vigilância.
Já há um ano, Jason Hickel advertia sobre os efeitos desastrosos da aceleração da IA e o fetiche do crescimento: uma síntese da entrevista à Novara Media
| sectores a reduzir / desmantelar | sectores a expandir |
| indústria de armamento e militarismo | transportes públicos universais |
| aviação comercial de alta frequência | sistemas de saúde e educação públicos |
| fast fashion e obsolescência programada | energias renováveis e eficiência de edifícios |
| pecuária industrial e publicidade comercial | agricultura ecológica e soberania alimentar |
- extrapolação dos limites planetários: fundamentado no trabalho do stockholm resilience centre, que monitoriza os limites biofísicos da terra (como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e uso de água doce).
- desigualdade na pegada ecológica: citando dados do global footprint network e da base de dados global de fluxos materiais da onu ambiente (unep), Hickel sublinha que o norte global é responsável por mais de 70% do uso excessivo de recursos materiais do planeta em relação aos níveis sustentáveis, e por cerca de 92% das emissões históricas de carbono acima da quota segura de 350 ppm.
- drenagem neta do sul global: apoiado nas suas próprias investigações publicadas em revistas como a The Lancet Planetary Health, o autor demonstra que os países ricos extraem anualmente do sul global biliões de toneladas de recursos e milhões de anos de trabalho equivalente a preços desvalorizados para manter o seu nível de consumo.
- inviabilidade do desacoplamento total: recorrendo às conclusões do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas (ipcc), Hickel aponta que não existem provas empíricas de que seja possível desacoplar o crescimento do PIB do consumo de recursos materiais à velocidade necessária para cumprir as metas do Acordo de Paris.
sábado, 12 de setembro de 2026
ACTORS - Youth
O fenómeno do homonacionalismo: como a AfD e Alice Weidel reconfiguraram o voto LGBTIA+ na Alemanha
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«Não sou queer, sou apenas casada com uma mulher que conheço há 20 anos». |




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