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sábado, 23 de novembro de 2024

COP do Clima na reta final em Baku ou como navegar à vista entre as ausências, o “greenwashing” e as taxas solidárias



Na 29.ª Cimeira do Clima, quase a terminar no Azerbaijão com um sabor amargo, o financiamento da ação climática voltou a ser “o tema” em debate. Existem sectores da economia que são largamente sub-tributados, mas que poluem enormemente o planeta, daí que a task force “Global Solidarity Levies: For People and the Planet” tenha esta semana divulgado o seu segundo relatório, no qual propõe taxas solidárias a cobrar aos maiores vilões ambientais, entre os quais se encontram os produtores de combustíveis fósseis, a aviação, o transporte marítimo internacional, as criptomoedas ou a indústria dos plásticos. Sem esquecer, com o pontapé dado há dias pelo Brasil no G20, e já antes no âmbito do Quadro Inclusivo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os super-ricos ou, para usar o eufemismo da Declaração do Rio de Janeiro, os “indivíduos com um património líquido ultra-elevado”.

E porque a justiça climática anda de mãos dadas com a justiça fiscal, aquele grupo de trabalho, presidido pela ex-diplomata francesa Laurence Tubiana, uma das arquitectas do Acordo de Paris, já anunciou, em parceria com o Banco Mundial, a OCDE, académicos reputados e peritos das Nações Unidas, as contas feitas se os maiores poluidores forem tributados: 216,2 mil milhões USD/ ano (taxa sobre a extração de combustíveis fósseis, com base na tributação de 5 dólares por tonelada de CO2); 200-250 mil milhões USD/ ano (taxa de 2% sobre o património líquido dos bilionários); 173,4 mil milhões USD/ ano (imposto de 50% sobre os lucros excepcionais das 14 maiores empresas de combustíveis fósseis por capitalização bolsista, entre julho de 2021 e julho de 2023); 133 a 274 mil milhões USD/ ano (imposto sobre as transacções financeiras, com base numa taxa nominal de 0,3 ou 0,5%); 127 mil milhões USD/ ano (taxa de transporte marítimo, calculando entre 150-300 USD por tonelada de CO2); 121 mil milhões USD/ ano (taxa de passageiro frequente: 9 dólares/ passageiro em cada segundo voo do ano e 177 dólares no vigésimo voo no mesmo ano); 104 mil milhões USD/ ano (valor da taxa de carbono aplicada em 2023); 25 a 25 mil milhões USD/ ano (taxa sobre a produção de polímeros primários, cobrando entre 60 a 90 dólares por tonelada); 18 mil milhões de USD/ ano (taxa sobre o consumo de querosene nos voos internacionais, a 0,33 dólares/ litro); e, por último, 5 mil milhões de dólares/ ano (taxa sobre a mineração das bitcoin, com base na cobrança de 0,045 dólares por kWh de energia consumida).

Esta solução permitiria obter o bilião de dólares anuais necessários para reverter a crise climática bem como o encolher de ombros dos países mais ricos e com maiores responsabilidades históricas nas emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Até ao momento, a generosidade Norte-Sul resume-se a 700 milhões de dólares, isto é “aproximadamente ao salário anual dos dez jogadores de futebol mais bem pagos do mundo", como disse António Guterres, frisando a necessidade de “passar de biliões a triliões”.

Conforme afirmou recentemente Nadia Calviño, presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), “um dólar investido em adaptação e resiliência poupa cinco a sete dólares em reparações e indemnizações por danos.” Numa Conferência marcada pela ausência de muitos chefes de Estado e de Governo e pelo abandono da delegação argentina, o porta-voz da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), particularmente ameaçados pelo aquecimento global, pôs o dedo na ferida ao dizer que se sentem “abandonados”.

No estertor da era dos combustíveis fósseis, o monstro continua a estrebuchar e a perspetiva de ter nos EUA uma Administração liderada por Donald Trump torna mais real atingirmos um aumento médio da temperatura de 3,1°C até 2100, na senda do alerta dado há um mês pela agência das Nações Unidas para o ambiente (UNEP) ao lançar o relatório Emissions Gap Report 2024. A dura realidade é que, nove anos após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, as emissões GEE aumentaram 8%. Também o desempenho climático de Portugal piorou, tendo o país descido duas posições no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (CCPI) apresentado na COP29.

Greenwashing files
Ao mesmo tempo que as ONG e o ativismo indígena têm mostrado crescente dificuldade em fazer ouvir a sua voz nas COP, os lobistas voltam a integrar as delegações nacionais em grande número. Após analisar as listas de participantes, a plataforma Kick Big Polluters Out revelou que “mais de 200 lobistas da agricultura industrial, representando as maiores empresas agro-alimentares do mundo”, além de 1770 lobistas das companhias fósseis, tiveram acesso às negociações oficiais da COP29.

A verdade é que as empresas de combustíveis fósseis não querem deixar no solo o petróleo, o gás e o carvão que nos matam. Pelo contrário, querem extrair mais e mais, enquanto der lucro, e os Governos continuam a dar uma mãozinha ao negócio, financiando com dinheiro dos contribuintes uma atividade que devia caminhar a passos largos para a extinção. Mas não, caminha apenas para nos extinguir a todos!

As companhias sabem há décadas dos perigos de queimar combustíveis fósseis. Por isso, tal como aconteceu com as tabaqueiras no passado, que esconderam os malefícios para a saúde e enfatizaram o glamour de fumar, fizeram tudo o que puderam para que o assunto se mantivesse fora do radar, financiando campanhas massivas de desinformação, comprando cientistas e governos. Agora que já não conseguem mentir mais, avançaram com técnicas mais sofisticadas, o chamado marketing verde ou greenwashing. A ONG ClientEarth, sediada em Londres, desmontou magistralmente esta nova forma de enganar os incautos nos seus greenwashing files.

As campanhas da Aramco, Chevron, Drax, Equinor, ExxonMobil, INEOS, RWE, Shell e Total mostram que cumprir as metas do Acordo de Paris, ou seja, manter o aumento da temperatura da Terra em 1,5°C, face aos níveis pré-industriais, não é uma preocupação para estas empresas. A sua principal preocupação é parecerem preocupadas. E continuarem a faturar.

“Os estudos mostram que existem planos para produzir 120% mais combustíveis fósseis até 2030 do que o necessário para nos mantermos abaixo deste limiar. Não podemos simplesmente queimar todo o stock mundial de carvão, petróleo e gás e esperar evitar uma catástrofe climática”, refere a ClientEarth.

A Aramco é detida pelo Governo da Arábia Saudita e considerada a empresa de petróleo e gás que mais emite no mundo inteiro. É responsável, desde 1965, por mais de 4% de todas as emissões globais. Detém reservas fósseis, até pelo menos 2077, que ultrapassam as reservas combinadas da Exxon, Chevron, Shell, BP e Total. Em 2020, anunciou que iria aumentar a sua produção de 12 para 13 milhões de barris de petróleo por dia. Em 2023, na sequência do aumento dos preços da gasolina após a pandemia, a companhia anunciou lucros recordes de 161 biliões de dólares (154,5 biliões de euros), valores superiores aos resultados publicados pela ExxonMobil e pela Shell (55,7 e 39,9 biliões de dólares de lucro - €53,5 biliões e €38,3 biliões - respetivamente). A Aramco recusa revelar as suas emissões GEE. Também não divulga os montantes que investe em inovação e em tecnologias de baixo carbono.

A Coligação para os impostos solidários, que nasceu da iniciativa conjunta dos Barbados, França e Quénia, reúne hoje infelizmente apenas 17 Estados! Seria bom que Portugal, além da conversão da dívida em apoio às iniciativas de mitigação e adaptação dos países de expressão portuguesa, seguisse o exemplo francês e integrasse esta frente, contribuindo com a sua quota-parte para o esforço global de ajuda aos países mais vulneráveis. O Governo de Montenegro prometeu dar para esse fim 11 milhões de euros anuais até ao final da década. Uma quantia manifestamente insuficiente. Tal como o ambíguo X inscrito como valor na proposta inicial de texto final apresentado pela presidência azeri. Fonte

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Portugal melhora posição no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas




Portugal ocupa atualmente o 13.º lugar, ou a 10.ª em termos dos países elencados, no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas 2024 (CCPI – Climate Change Performance Index), subindo um lugar no ranking climático face à avaliação do ano anterior.

Divulgado recentemente no âmbito da 28ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (COP 28), que se realizou recentemente no Dubai, o CCPI é um instrumento que traduz o desempenho das políticas climáticas de cada país e no seu cálculo entram os progressos em matéria de mitigação climática de 63 países e da União Europeia, que representam 90% das emissões no mundo inteiro. As quatro categorias avaliadas são: emissões de gases com efeito de estufa (com um peso de 40%), energias renováveis (20%), uso de energia (20%) e política climática (20%).

Qual foi o desempenho de Portugal?
Portugal é um dos país com bom desempenho no CCPI de 2024, com uma pontuação média em política climática e energias renováveis (ambas no 20.º lugar) e alta em uso de energia e emissões de gases de efeito de estufa (17.º lugar e 16.º lugar respetivamente).

Principais metas e objetivos de Portugal
— De acordo com a Lei de Bases do Clima, o país deve alcançar uma redução de 55% nas emissões até 2030.

— O Plano Nacional de Energia e Clima revisto, mostra um aumento significativo da capacidade instalada de energia renovável até 2030 (principalmente de energia solar e eólica) e inclui ainda a produção de hidrogénio para exportação. Em relação à neutralidade climática o objetivo de longo prazo de Portugal prevê uma antecipação para 2045.

— Portugal pretende atingir uma quota de 80% de energia renovável na produção de eletricidade até 2026.

— Em termos de transportes, Portugal precisa de melhorar os seus esforços, pois poucas cidades têm planos de mobilidade urbana sustentável, o trânsito tem vindo a aumentar e o automóvel continua a ser o meio de transporte urbano e extraurbano dominante, sendo a utilização do transporte público extremamente baixa. As emissões do transporte rodoviário também têm vindo a aumentar.

— Para a indústria, a Estratégia Industrial Verde deve estar pronta até fevereiro de 2024.

— Portugal também precisa de melhorar na agricultura pois este setor regista uma tendência de crescimento das emissões.

Classificações dos restantes países
Tal como nas edições anteriores, os três primeiros lugares do ranking não foram atribuídos, uma vez que nenhum país está completamente alinhado com o objetivo de manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C.

— O país com a melhor classificação continua a ser a Dinamarca que ocupa o 4º lugar da lista, mas o 1º lugar relativamente aos países integrados. A Estónia e as Filipinas ocupam os restantes lugares do pódio.

— Com um ‘alto’ desempenho estão ainda países com a Índia, Noruega e Reino Unido, que apesar de pertencerem ao grupo dos maiores produtores de petróleo, gás e carvão, são distinguidos principalmente por causa da forte aposta nas energias renováveis.

— A Índia, a Alemanha (14.º) e a União Europeia (16.º) são os únicos três membros do G20 com classificação alta, sendo que os restantes recebem uma classificação baixa ou muito baixa, com o Canadá (62.º), Rússia (63.º), Coreia do Sul (64.º) e Arábia Saudita (67.º) nos piores lugares.

— Em 2023, a UE adotou o pacote Fit For 55, com uma série de medidas destinadas a melhorar a legislação climática e energética da UE. O Objetivo passa por alcançar uma redução de 55% das emissões líquidas até 2030 e a neutralidade climática até 2050.

— A Polónia, em 54.º lugar, é o único país da UE com classificação muito baixa.

— O maior emissor mundial, a China, estagnou em 51.º lugar, entre os países de baixo desempenho. Já os Estados Unidos, o segundo maior emissor, ocupa o 57.º lugar da lista.

— O anfitrião da COP28, os Emirados Árabes Unidos, está em 65.º lugar, sendo um dos países com pior desempenho.

domingo, 22 de janeiro de 2023

De que tecnologia precisamos para chegarmos ao carbono-zero?

O mundo sabe agora que precisamos de chegar a emissões net-zero, ou mesmo a emissões negativas, para compensar o tempo perdido no combate às alterações climáticas. Mas que lacunas na tecnologia precisam de ser preenchidas para que isso se torne realidade?

Que tecnologias podem ajudar-nos a alcançar o net-zero
A ação climática está agora em curso. Contudo, as nossas ações não aconteceram com rapidez suficiente para atingir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius. A fim de atingir estes objetivos, a tecnologia “deve desenvolver-se rapidamente para alcançar mais descarbonização e captura de carbono”, sublinha o “Inhabitat”.

Segundo a mesma fonte, para compreender que tecnologias poderiam ajudar a atingir os objetivos de mitigação do clima, primeiro temos de analisar que tecnologias estão disponíveis para resolver o problema. Eis alguns tipos de tecnologias que estão a ajudar a combater as alterações climáticas:
– captura e armazenamento de carbono
– biocombustíveis e energia limpa
– tecnologia de armazenamento de energia e bateria
– tecnologia de monitorização para medir o progresso

Cada uma destas tecnologias pode ajudar-nos a atingir emissões líquidas nulas. Mas sendo o objetivo atual, o mais tardar em 2050, de inverter os danos dos últimos 100 anos de industrialização, o tempo não está do lado do desenvolvimento tecnológico. Aqui estão as formas como podemos preencher as lacunas no tempo.

Tecnologias de captura de carbono
A captura de carbono pode ser tão simples como filtros em chaminés de fábrica, e tão complexa como a plantação de florestas e a utilização de pedras de pavimentação absorventes de carbono para recapturar o carbono libertado para a atmosfera. Estas tecnologias estão em desenvolvimento há 50 anos, mas recentemente mais destes produtos foram libertados, com 70% das aplicações de captura de carbono no espaço de recuperação de petróleo e gás, de acordo com um relatório do Instituto de Economia e Análise Financeira da Energia.

Isto parece um progresso, mas apenas 300 milhões de toneladas de carbono foram capturadas em todo o mundo, o que é apenas uma fração do que é necessário para cumprir os objetivos do Acordo de Paris. Estas tecnologias requerem também investimentos significativos em infraestruturas, tais como oleodutos e instalações de armazenamento, que competem com outras prioridades e investimentos para mitigar as alterações climáticas.

Biocombustíveis e combustíveis de energia
Os combustíveis energéticos são qualquer fonte de energia como o hidrogénio, metano, propano ou combustíveis líquidos sintéticos. Os biocombustíveis são mais especificamente combustíveis criados utilizando uma fonte como materiais vegetais como o etanol feito de milho ou o biodiesel feito de materiais residuais. Estes combustíveis podem preencher lacunas no fornecimento de energia, oferecendo alternativas mais limpas ao petróleo e ao gás. No entanto, o custo de produção destes combustíveis pode ainda compensar o benefício, ao mesmo tempo que cria bloqueios e resíduos no abastecimento alimentar quando os combustíveis são produzidos a partir das mesmas matérias-primas que o abastecimento alimentar. Tal pode ser o caso do etanol feito a partir de milho.

A melhor aposta para os combustíveis energéticos ou biocombustíveis vem da criação de soluções circulares que fazem uso de produtos residuais. Isto resolve a crise do plástico e dos resíduos alimentares, enquanto cria novas fontes de combustível, sem criar problemas de custos, exceto no custo de produção, que vai diminuindo à medida que estas tecnologias amadurecem.

Combustíveis energéticos como o hidrogénio ou o amoníaco podem ajudar a descarbonizar sectores que são difíceis de eletrificar, também. Isto incluiria indústrias como a aviação, a navegação marítima e o fabrico de aço, cimento e químicos.

O problema com os biocombustíveis e os combustíveis de potência é a energia e o custo necessários para converter o material de origem em combustível. Se estas tecnologias puderem ser amadurecidas para utilizar energia limpa para produzir os combustíveis necessários, poderia ser uma opção mais viável. Espera-se que os combustíveis de energia preencham lacunas nas indústrias, em vez de serem soluções amplamente aplicáveis. A eletrificação é uma solução mais geral para as necessidades energéticas para a maioria das aplicações, incluindo o carregamento doméstico e de veículos e a alimentação da rede para uso residencial e comercial.

Mais de 80% da energia global ainda é fornecida por combustíveis fósseis, pelo que há aqui muito espaço para todos contribuírem para ajudar a descarbonizar o mundo da utilização de combustíveis fósseis no sector industrial.

Tecnologias solares, eólicas e de baterias
As energias renováveis são um tema mais simples. As tecnologias eólicas e solares amadureceram e são agora mais baratas de produzir do que a tradicional energia de origem fóssil. A questão aqui é o investimento em deslocar a rede para energia limpa, que é um empreendimento maciço agora em curso.

Os preços crescentes do gás e do petróleo estão a pressionar a mudança para ocorrer mais rapidamente, mas a rede ainda precisa de mais capacidade de armazenamento para se agarrar à energia produzida pela tecnologia eólica e solar. Os proprietários podem produzir alguma da sua própria energia, embora o custo dos painéis solares seja ainda proibitivamente elevado.

Com o aumento da eficiência das células solares e baterias domésticas mais baratas, os proprietários podem cada vez mais contribuir com energia limpa para a rede. E para remover os picos de procura da rede durante as horas noturnas, quando os residentes estão em casa utilizando eletricidade para carregar EVs e alimentar aparelhos domésticos. Os incentivos governamentais para ajudar os residentes a pagar a energia solar, e os programas que fazem uso da tecnologia de baterias para armazenar a energia produzida durante as horas de vazio para as horas de maior procura, ajudarão a aliviar a pressão.

A necessidade de acelerar a adoção destas tecnologias favorece a energia eólica e solar, que são mais fáceis de escalar do que as centrais hidroelétricas, geotérmicas ou nucleares, que requerem investimentos a longo prazo. O Roteiro da AIE para o Net Zero até 2050 traça um caminho para aumentar rapidamente a escala solar e ganhar esta década, incluindo mais do que triplicar a quantidade de tecnologia eólica e solar instalada anualmente até 2030, em comparação com 2020. As pequenas turbinas eólicas eficientes e solares no telhado poderiam ajudar a alcançar o net-zero para as cidades.

Tecnologia inteligente para medir o progresso climático
A eficiência energética é uma área frequentemente negligenciada, onde a procura de energia é reduzida através de uma menor procura. De acordo com um estudo da McKinsey, a eficiência energética tem o potencial de reduzir as emissões globais em 40%. Iluminação mais eficiente, aparelhos e outras tecnologias consumidoras de energia podem ser combinadas com tecnologia inteligente para monitorizar a utilização de energia e otimizar a eficiência.

A tecnologia inteligente poderia incluir medidores de energia inteligentes, tecnologia de monitorização de energia em casa ou no escritório que reduz a utilização de energia durante as horas de folga, sistemas de controlo melhorados para a indústria, redes inteligentes e tecnologia para fabrico avançado que reduz a utilização de energia à escala. A IA pode também ajudar a prever as necessidades energéticas em toda a rede para ajudar a equilibrar as necessidades energéticas e evitar o desperdício.

Quão plausível é que alcancemos a tempo emissões líquidas zero?


Para além da tecnologia, os governos também precisam de procurar formas de tornar possível que os clientes empresariais e residenciais de energia possam pagar energia limpa e reduzir a procura. Os clientes com baixos rendimentos não podem instalar energia solar em telhados, por exemplo, sem alterações significativas no custo e na oportunidade de participação a nível individual.

Com isto vem o lembrete de que a grande maioria das emissões provém efetivamente da indústria, e as empresas e países altamente poluentes são o principal objetivo para reduzir as emissões a tempo de cumprir os objetivos climáticos. “Esperamos que uma combinação de incentivos e subsídios governamentais aliados a uma tecnologia melhorada possa ser implementada a tempo de descarbonizar a sociedade, mas precisa de ser aliada à supervisão governamental para empresas e entidades governamentais não cooperantes, para que a oportunidade de parar as alterações climáticas não nos escape”, conclui o site.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Portugal sobe no índice de desempenho climático e fica entre os 15 melhores


Portugal está no grupo dos 15 países com melhor desempenho climático, subindo mesmo duas posições, segundo o Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, publicado hoje e que analisa o progresso em 59 países com as emissões mais elevadas.

O Índice de Desempenho das Alterações Climáticas (Climate Change Performance Índex, CCPI, na sigla original) traduz o desempenho das políticas climáticas de 59 países, numa lista com 63 posições, mas na qual as três primeiras não são ocupadas, como usualmente, por nenhum país estar completamente alinhado com o objetivo, saído do Acordo de Paris de 2015, de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C (graus celsius).

Na lista, hoje divulgada na conferência da ONU sobre o clima (COP27) que decorre em Sharm el-Sheikh, no Egito, surge primeiro (no quarto lugar) a Dinamarca, seguida da Suécia e depois do Chile.

Num sistema de cores, os países a verde são classificados como tendo um alto desempenho climático, depois a amarelo os países com um desempenho médio, a laranja um desempenho baixo e a vermelho um desempenho muito baixo.

Portugal surge no grupo dos países a verde, na 14.ª posição, depois de países como Marrocos, Índia ou Estónia, com uma grande subida, ou a Noruega e Reino Unido, que desceram quatro lugares em relação ao anterior índice. A Finlândia, a Alemanha, o Luxemburgo e Malta surgem depois de Portugal e “fecham” a lista verde.

A amarelo está a União Europeia como um bloco, o Egito, que organiza a COP27, Espanha, com uma subida de 11 lugares, Indonésia, Itália, França (que desceu 11 posições) ou Nova Zelândia, entre outros.

E na lista laranja, também entre outros, a Irlanda, o Brasil, a Bélgica, a África do Sul, a Turquia e a Argentina.

Com a pior performance, no vermelho, estão 14 países, a começar pelo Japão e com o Irão em último lugar da lista, da qual fazem parte os maiores emissores de gases com efeito de estufa do mundo, a China e os Estados Unidos, além de outros como a Federação Russa, a Austrália, o Canadá ou a Arábia Saudita.

Os progressos em matéria de mitigação climática, e destacando Portugal, foram hoje divulgados pela associação ambientalista Zero, que participou no CCPI, e que explica que para os cálculos são usadas as estatísticas mais recentes da Agência Internacional de Energia relativas ao ano 2020 (o último ano disponível) e uma avaliação de peritos.

“O CCPI é uma ferramenta importante para aumentar a transparência na política climática internacional e permite a comparação dos esforços de proteção do clima e do progresso feito por cada país”, diz a associação, acrescentando que o índice pretende também pressionar política e socialmente os países que não tomaram medidas que contribuam o suficiente para a estabilidade climática global, destacando ao mesmo tempo os que têm melhores práticas.

Na análise da posição de Portugal, que subiu dois lugares graças ao fecho das centrais a carvão do Pego e de Sines, levando a uma melhoria na categoria de emissões de gases com efeito de estufa, e da publicação da Lei de Bases do Clima, nota-se o fraco desempenho no setor dos transportes, floresta e agricultura.

Já as categorias de utilização de energia, energias renováveis e política climática a classificação é média, tendo em conta especialmente a elevada quota de energias renováveis.

A Zero nota as melhorias alcançadas por Portugal, mas diz também que “há falta de ambição em algumas áreas, nomeadamente no que diz respeito aos subsídios aos combustíveis fósseis, cujo fim está apenas previsto para 2030”.

E releva que, nos transportes, as emissões não estão contidas, por falta de “políticas eficazes para o setor”, e não é suficientemente promovida a agricultura sustentável, com a agricultura intensiva e a monocultura a receberem “muitos incentivos”.

Em termos gerais, o destaque vai para países como Chile, Marrocos e índia, que têm vindo a subir no índice, e pelo lado negativo os Estados Unidos e a China, que desceu 13 lugares (a maior descida) pelos novos investimentos em centrais a carvão.

A Zero destaca ainda a subida de três lugares do bloco União Europeia, especialmente pelo pacote legislativo “Objetivo 55”, que visa reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 55% até 2030.

Mas nota as diferenças entre Estados. A Polónia e a Hungria estão na lista vermelha e a Dinamarca e a Suécia ocupam as primeiras posições (quarto e quinto lugar, respetivamente).

O índice, publicado anualmente desde 2005, é da responsabilidade da organização não-governamental de ambiente alemã Germanwatch e do NewClimate Institute e avalia quatro categorias: emissões de gases com efeito de estufa (40% de peso na classificação final), energia renovável, uso de energia e política climática.

É publicado em conjunto com a Rede Internacional de Ação Climática (CAN International). Os países que compõem o índice são responsáveis coletivamente por cerca de 90% das emissões globais de gases de efeito de estufa.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Portugal ocupa a 16.ª posição no ranking climático mundial

CCPI analisa e compara a proteção do clima em 62 países com as emissões mais elevadas e na União Europeia (como um todo).

Os resultados mais recentes do Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, o CCPI 2022, foram divulgados esta terça-feira na COP 26 e colocam os países escandinavos no topo do ranking mundial climático. Portugal encontra-se na 16ª posição mundial e não existe nenhum país no pódio.

"O pódio permanece vago porque, até agora, as medidas de nenhum país foram suficientes para alcançar uma classificação geral "muito alta"; ou seja, nenhum país adotou o caminho necessário para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C", explica um comunicado conjunto da ANP|WWF, Quercus e ZERO.

Portugal faz parte do grupo dos países que tiveram um desempenho elevado na redução dos gases de efeito estufa, o que valeu a subida de um lugar no ranking, para o 16º lugar.

No entanto, segundo as associações ambientalistas, as "emissões per capita (excluindo florestas e uso do solo), assim como o uso de energia per capita, ainda estão a aumentar", enquanto o uso de energia renovável "tem vindo a aumentar menos".

Em comunicado, a ZERO, a Quercus e Associação Natureza Portugal | WWF apelam "a novas políticas que deem maior prioridade à energia fotovoltaica descentralizada". No setor dos transportes, apontam o "caminho claro de descarbonização", com "desincentivos para o uso do carro particular" e "mais investimentos no transporte público".

Os especialistas e as associações exigem prazos concretos para eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis e sugerem que Portugal fixe o objetivo da neutralidade carbónica antes de 2050.

Portugal, comparativamente com Espanha, está 18 lugares à frente, e seis lugares acima da União Europeia (UE), como um todo. A Hungria, Polónia, República Checa e Eslovénia são os países da UE com pior desempenho este ano.

Apesar de nenhum país ter apresentado uma performance considerada muito elevada para estar no pódio, a Dinamarca é o país mais bem classificado em 4º lugar no ranking, seguido pela Suécia em 5º e a Noruega em 6º.

O Reino Unido e Marrocos, 7.º e 8.º lugares, estão entre os líderes em todas as categorias. A Austrália, Coreia do Sul e Rússia estão entre os piores desempenhos, juntamente com Cazaquistão e Arábia Saudita. Dos países do G20, apenas o Reino Unido, Índia, Alemanha e França estão entre os de elevado desempenho, enquanto seis países do G20 têm desempenho muito baixo.

O principal objetivo deste índice é "colocar pressão política e social sobre os países que, até agora, não conseguiram tomar medidas ambiciosas que garantam a estabilidade climática global" e "destacar os países com melhores práticas climáticas".

O CCPI analisa e compara a proteção do clima em 62 países (mais a União Europeia como um todo) com as emissões mais elevadas, que no total representam 92% das emissões globais.

O CCPI é da responsabilidade da organização não-governamental de ambiente alemã Germanwatch e do NewClimate Institute, publicado em conjunto com a Rede Internacional de Ação Climática (Climate Action International – CAN International).