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terça-feira, 28 de julho de 2026

A Grande Otimização: como a batalha entre a Nvidia, Elon Musk e as Big Techs vai financiar a Revolução Sustentável da IA


A indústria tecnológica atravessa uma das suas transformações mais profundas com a chamada Guerra dos Gigantes da IA. Contudo, longe de ser apenas uma disputa técnica para definir qual o chatbot mais rápido ou preciso, a verdadeira revolução está a mover-se dos laboratórios para a economia real. Um estudo recente da Boston Consulting Group (BCG) com a Temasek revela que a Inteligência Artificial poderá gerar entre 500 e 530 mil milhões de euros por ano até 2028, impulsionando a eficiência energética, a redução do risco climático e a otimização industrial.

Para capturar este valor na economia real, desenrola-se nos bastidores uma batalha feroz sobre quem controlará a infraestrutura e a arquitetura destes modelos, liderada por figuras como Jensen Huang, CEO da Nvidia, e Elon Musk, fundador da xAI.

1. A Regra dos 80/20: quem vai realmente lucrar com a IA?
Uma das conclusões mais marcantes do relatório da BCG desmonta uma ideia comum: entre 75% e 85% do valor económico criado pela IA ficará nas empresas que utilizarem a tecnologia (indústrias, utilities, seguradoras e operadores logísticos), cabendo aos fornecedores de tecnologia apenas 15% a 25%.

A maior fatia deste valor - cerca de 259 mil milhões de euros anuais - estará na otimização industrial (manutenção preditiva, gestão de linhas de produção e eficiência energética), seguida da gestão do risco climático (65 mil milhões de euros) e das redes elétricas inteligentes (28 mil milhões de euros).

É precisamente aqui que a visão de Jensen Huang se cruza com os números do mercado: para que a
Nvidia venda massivamente o seu hardware, a tecnologia precisa de ser adotada globalmente por milhões de empresas tradicionais, e não apenas por um pequeno grupo de gigantes do ecossistema fechado.

2. O império do hardware e a aposta nos Modelos Abertos
Para acelerar esta adoção massiva, o CEO da Nvidia adotou uma estratégia clara: defender o ecossistema global de código aberto (open weights). Como reportado pela PCGuia sobre as declarações de Jensen Huang, o executivo defende abertamente que as empresas devem ser livres de utilizar modelos abertos desenvolvidos em qualquer parte do mundo - incluindo na China, como as soluções da Moonshot AI ou da DeepSeek.

Para a fabricante de chips, afastar os receios geopolíticos sobre alegados backdoors é vital. A verdadeira segurança e inovação advêm da transparência e da auditabilidade que o modelo aberto oferece, ponto detalhado pela Cybernews sobre a visão de Jensen Huang. Quanto mais baratos e acessíveis forem os modelos de IA, mais rápido a indústria transformadora e as redes elétricas implementarão a tecnologia, disparando a procura pelas GPUs da Nvidia.

3. Aliança indireta com Elon Musk e o fenómeno Grok
Elon Musk enquadra-se nesta dinâmica a partir da sua plataforma X e da sua empresa xAI. Ao desafiar o domínio de gigantes como a Meta, a Microsoft e a Google, Musk apostou na disponibilização aberta de partes do Grok, posicionando-se ao lado dos defensores do ecossistema open source.

Para treinar estes modelos em grande escala, a xAI tornou-se uma das maiores clientes de infraestrutura computacional do mundo. Esta relação gera uma convergência direta: Musk necessita do poder de processamento da Nvidia para rivalizar com a OpenAI, enquanto Huang beneficia destes investimentos para acelerar a construção dos data centers do futuro. Como destaca o TradingView sobre a posição pública da Nvidia, a coexistência entre modelos abertos e fechados é o único caminho para viabilizar a transformação digital da economia.

4. A reação geopolítica: Donald Trump e Xi Jinping
A intersecção entre o valor económico da IA e o controlo da tecnologia transformou a disputa numa prioridade de segurança nacional entre as duas maiores potências globais:
  1. A Administração Donald Trump: em Washington, a resposta ao avanço dos modelos abertos chineses tem sido de retórica punitiva. A administração Trump pondera impor sanções e restrições governamentais para proibir o uso de IA aberta de origem chinesa em empresas americanas, sob alegações de apropriação de propriedade intelectual. Esta postura colocou Jensen Huang em rota de colisão com a Casa Branca, tendo o CEO alertado que banir o ecossistema aberto prejudicará a competitividade do próprio tecido empresarial americano.
  2. A Estratégia de Xi Jinping: por outro lado, o Presidente chinês, Xi Jinping, vê nos modelos abertos uma oportunidade estratégica. Ao apoiar laboratórios locais para lançarem modelos de código aberto de alta qualidade e custos reduzidos, a China contorna as sanções ao hardware, exporta tecnologia para o Sul Global e fornece às indústrias as ferramentas de otimização energética e operacional descritas no relatório da BCG.
Para entender melhor como estas tensões políticas e económicas se desenrolam no terreno, vale a pena acompanhar a análise sobre a viagem de Jensen Huang à China, que ilustra o papel do CEO da Nvidia como uma ponte diplomática informal entre Washington, Pequim e os maiores investidores mundiais de IA.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Atolamento das Vaidades


Ontem, Donald Trump declarou que a guerra com o Irão está a correr “melhor do que qualquer um esperava”. Está a delirar, é claro. E os seus delírios são a razão pela qual o preço do petróleo voltou a cerca de 100 dólares por barril e - como explicarei em breve  - o preço real é muito superior a isso.

A guerra gratuita de Trump contra o Irão transformou-se num atoleiro notável - notável porque a única coisa que mantém a guerra em curso é a vaidade de Trump. Perdeu efectivamente a guerra nos primeiros tempos, quando se tornou evidente que o regime de linha dura do Irão tinha sobrevivido ao ataque inicial e que os militares norte-americanos não conseguiam manter o Estreito de Ormuz aberto. Mas Trump é psicologicamente incapaz de admitir o fracasso. Assim, a guerra continua, enfraquecendo os Estados Unidos a cada dia, enquanto ele procura alguma forma de transformar a sua derrota abjeta numa vitória.

E as declarações de que as consequências económicas da guerra foram contidas parecem agora perigosamente prematuras.

É verdade que, durante o primeiro fecho do Estreito, os preços do petróleo não subiram tanto como muitos analistas - incluindo eu próprio, em certa medida - esperavam. Parte do petróleo do Golfo Pérsico chegou aos mercados contornando o Estreito de Ormuz, principalmente através do oleoduto saudita para o Mar Vermelho. A China reduziu drasticamente as suas importações de petróleo. E o mundo compensou uma parte substancial da escassez de oferta reduzindo os seus stocks.

O segundo encerramento de Ormuz pode ser pior, por vários motivos. Os aliados houthis do Irão estão agora a atacar navios no Mar Vermelho, ameaçando esta válvula de segurança. Além disso, os stocks estão agora muito mais baixos do que quando o conflito começou e não podem servir de reserva daqui para a frente.

Talvez o mais importante a perceber sobre a situação actual, no entanto, é que o petróleo é mais caro do que parece.

Ninguém queima petróleo bruto. O petróleo precisa de ser refinado para se transformar em combustíveis utilizáveis, principalmente gasolina e gasóleo. E há uma escassez global de capacidade de refinação. Isto reflecte em parte a guerra no Irão, mas também a campanha surpreendentemente eficaz da Ucrânia contra a infra-estrutura energética de Vladimir Putin.

Esta escassez de capacidade de refinação ajudou a manter os preços do crude baixos - porquê comprar crude se não se pode refiná-lo? Mais importante, porém, significa que os preços dos produtos petrolíferos para os consumidores finais são muito mais elevados do que seria de esperar, tendo em conta o preço do petróleo bruto. O gráfico no início deste post mostra o preço do gasóleo no mercado grossista, que mesmo durante o cessar-fogo falhado estava muito acima do seu nível pré-guerra e está agora próximo do seu pico anterior.

O spread geral - a diferença de preço entre um barril de crude e o preço dos produtos refinados a partir desse barril - explodiu, de cerca de 25 dólares por barril antes da guerra para mais de 65 dólares agora:

Do ponto de vista dos consumidores finais, isto equivale a um aumento de 40 dólares por barril no preço do crude. Na prática, o mundo está a lidar com o equivalente a 140 dólares pelo petróleo, embora o preço anunciado ronde "apenas" os 100 dólares.

Prenuncia uma catástrofe económica? Não, ainda não. Mas não é um bom sinal.

A desaceleração da inflação no mês passado parece agora temporária. Com os preços da energia a subirem novamente - para não falar do impacto inflacionista da nova ronda tarifária de Trump, imposta sob a desculpa absurda de que as nações não estão a fazer o suficiente para acabar com o trabalho forçado - as taxas de juro vão quase certamente subir, intensificando a pressão sobre as famílias e as empresas. As taxas de longo prazo, refletindo os futuros aumentos esperados da Fed, são já demasiado elevadas:

Ainda assim, as coisas podiam ser piores. E podem estar prestes a piorar. O Wall Street Journal refere que Trump está em "modo de vingança" e que as forças armadas dos EUA estão a enviar tropas para o Médio Oriente.

E se Trump insistir no fracasso, intensificando drasticamente a sua guerra desastrosa, os impactos económicos, para não falar dos humanos, serão muito mais graves.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Toda a verdade sobre a Rússia, NATO, União Europeia, EUA e Ucrânia e, por fim, a China


1. A Ucrânia tem mesmo forças nazis? 
A Ucrânia não é um Estado nazi e Volodymyr Zelensky não lidera forças nazis. A narrativa de que o país está dominado por neonazis é uma das principais ferramentas de propaganda e desinformação utilizadas pelo governo russo para justificar a invasão perante a sua própria população e o mundo. Na verdade, o próprio presidente Zelensky é judeu e perdeu familiares no Holocausto, tendo sido eleito democraticamente em 2019 com mais de 73% dos votos, o que torna a acusação de liderar um regime nazi uma contradição óbvia. Além disso, embora existam grupos de extrema-direita na Ucrânia — assim como na Rússia e na maioria dos países europeus —, o seu peso político real é residual, visto que nas últimas eleições legislativas a coligação de partidos de extrema-direita obteve apenas cerca de 2% dos votos, não conseguindo sequer representação no Parlamento ucraniano.
O mito alimentado por Moscovo baseia-se sobretudo nas origens do Batalhão Azov. Em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e fomentou a guerra no Donbass, o exército ucraniano estava desestruturado e surgiram milícias voluntárias para defender o território. O grupo Azov original foi de facto fundado por indivíduos com ligações a fações radicais de ultradireita e claques de futebol, utilizando símbolos visuais controversos. No entanto, ainda no final de 2014, o governo ucraniano integrou oficialmente o grupo na Guarda Nacional, iniciando um processo profundo de reestruturação. Ao longo dos anos, os líderes políticos radicais foram afastados, a unidade foi despolitizada e transformada numa força militar regular de defesa. Inclusive, o governo dos Estados Unidos levantou as restrições ao fornecimento de armas à brigada após confirmar que esta se tinha tornado uma unidade militar profissional padrão. Para a Rússia, o rótulo de "nazi" carrega um peso histórico e emocional gigantesco herdado da Segunda Guerra Mundial, sendo utilizado de forma estratégica para desumanizar o adversário e criar um falso pretexto moral para a agressão militar.

2. As eleições na Rússia não são consideradas democráticas, livres ou justas por analistas internacionais, pelas Nações Unidas, pela União Europeia e por organizações independentes de direitos humanos. 
O sistema político russo é classificado como um regime autoritário ou uma autocracia eleitoral, o que significa que o país mantém a aparência de uma democracia — com urnas, boletins de voto e campanhas —, mas todo o processo é rigidamente controlado pelo Kremlin para garantir a permanência de Vladimir Putin no poder. O principal pilar desta falta de democraticidade é a eliminação sistemática da oposição real, onde qualquer candidato que represente uma ameaça séria é impedido de concorrer, seja através do exílio, de desqualificações burocráticas por parte da Comissão Eleitoral Central ou da prisão sob acusações politizadas, como aconteceu emblematicamente com Alexei Navalny. Para simular uma pluralidade, o regime permite apenas a participação da chamada "oposição sistémica", composta por partidos minoritários que fingem competir, mas que na prática apoiam as diretrizes do governo e nunca criticam diretamente o presidente ou a guerra.
Além da ausência de adversários reais, o processo é profundamente distorcido pelo controlo total dos meios de comunicação social, uma vez que todas as grandes cadeias de televisão, jornais e rádios são estatais ou pertencem a aliados de Putin, enquanto a internet e a imprensa independente enfrentam uma censura feroz. Organizações independentes de monitorização eleitoral denunciam consistentemente fraudes massivas nas contagens de votos, incluindo o enchimento de urnas, a manipulação de sistemas de voto eletrónico que não permitem auditoria e a forte coação sobre funcionários públicos e trabalhadores de empresas estatais, que são obrigados a votar sob ameaça de demissão. Adicionalmente, as eleições russas carecem de observadores internacionais credíveis e incluem votações forçadas em territórios ucranianos ocupados militarmente, o que viola o direito internacional. Em suma, o objetivo destas eleições não é dar uma escolha ao povo, mas sim fazer uma demonstração de força, utilizando maiorias esmagadoras fabricadas para legitimar as políticas do regime perante o mundo e desanimar qualquer oposição interna.

3. E a historieta do Tio Sam e de Putin é também falsa. 
A "historieta do Tio Sam e de Putin" refere-se à narrativa de que a guerra na Ucrânia é apenas um conflito provocado exclusivamente pelo "Tio Sam" (os Estados Unidos) para encurralar o Putin, ou à ideia romântica de que a Rússia é uma vítima inocente que foi obrigada a atacar para se defender do expansionismo ocidental, sim, essa também é uma versão altamente distorcida e falsa da realidade.
Essa narrativa - muito repetida pela propaganda russa e por setores que adotam uma postura anti-EUA automática - ignora deliberadamente a história, a soberania da Ucrânia e as próprias ambições imperialistas de Vladimir Putin. A análise factual desmitifica essa história em bloco:
  • A Ucrânia é um país independente e soberano desde 1991. A decisão de se aproximar da União Europeia ou da NATO não foi uma "invasão disfarçada" dos Estados Unidos, mas sim uma escolha democrática do próprio povo ucraniano. 
  •  Histórica e economicamente, os ucranianos assistiram ao crescimento e à prosperidade de vizinhos ex-comunistas que se juntaram ao Ocidente (como a Polónia e os países bálticos), enquanto as nações que ficaram sob a órbita da Rússia (como a Bielorrússia) estagnaram em ditaduras. 
  • A aproximação ao Ocidente foi uma tentativa da Ucrânia de garantir a sua própria segurança e modernização, e não uma conspiração americana.
Além disso, a própria NATO nunca forçou a entrada de nenhum país. São os países da Europa de Leste que pedem desesperadamente para aderir à aliança porque têm, compreensivelmente, medo do histórico de agressão da Rússia. O argumento de Putin de que se sentiu "ameaçado" cai por terra quando olhamos para os factos: a NATO é uma aliança defensiva e nenhum país ocidental tinha planos ou intenções de invadir o território russo, que possui o maior arsenal nuclear do planeta e, portanto, uma capacidade de dissuasão total.
O erro central dessa "historieta" é retirar totalmente a culpa a Vladimir Putin e o direito de escolha à Ucrânia, tratando o conflito como se os ucranianos fossem meros peões sem vontade própria num tabuleiro de xadrez entre Washington e Moscovo. A verdade é que a invasão foi um ato de agressão deliberado, planeado pelo Kremlin com o objetivo de anexar territórios, travar a democratização de um país vizinho e restaurar a antiga esfera de influência da era soviética.

4. A afirmação de que o Donbas e a região histórica da Novorossiya -  que engloba cidades como Odessa, Mykolaiv, Dnipro e Kharkiv - nunca foram da Ucrânia é historicamente falsa, tratando-se de um mito construído pelo nacionalismo russo para tentar legitimar as suas pretensões territoriais atuais. 
Muito antes de o Império Russo ou da Imperatriz Catarina, a Grande, terem conquistado estas terras no final do século XVIII, o território do sul e do leste da Ucrânia não era um vazio demográfico; a área era conhecida como os "Campos Selvagens" e estava sob o controlo e a profunda influência dos Cossacos Ucranianos, que ali estabeleceram povoações agrícolas, feitorias e rotas comerciais. O próprio termo Novorossiya ("Nova Rússia") foi apenas uma designação administrativa e colonial criada pelo Império Russo em 1764, funcionando exatamente da mesma forma que o Império Britânico criou a "Nova Inglaterra" na América do Norte. Além disso, os censos do próprio Império Russo (como o de 1897) comprovam que a esmagadora maioria dos camponeses que colonizaram e cultivaram o interior dessa região eram ucranianos, fixando-se os russos sobretudo como funcionários públicos e operários nas grandes cidades nascentes.
A propaganda russa costuma alegar que as grandes cidades da região foram fundadas do zero por russos, mas a verdade é que muitas foram erguidas sobre antigos colonatos ucranianos, tártaros ou fortalezas otomanas já existentes, como é o caso de Odessa, construída no local do antigo porto tártaro de Hadjibey. Com o colapso do Império Russo em 1917, o nome Novorossiya desapareceu dos mapas oficiais e os próprios habitantes escolheram o seu destino ao integrarem o Donbas, Kharkiv, Odessa e Mykolaiv na recém-declarada República Popular da Ucrânia, precisamente porque a maioria da população partilhava essa identidade. Mais tarde, quando os bolcheviques desenharam as fronteiras da União Soviética, incluíram estas regiões na Ucrânia Soviética pelo mesmo motivo demográfico. O teste definitivo de pertença ocorreu em dezembro de 1991, aquando do referendo para a independência da Ucrânia: mesmo nas zonas com maior presença da língua russa, a população votou massivamente a favor de fazer parte da Ucrânia independente, com aprovações que atingiram os 83,9% em Donetsk, 83,8% em Luhansk, 86,3% em Kharkiv e 85,3% em Odessa. Ignorar esta autodeterminação com base num rótulo colonial do século XVIII seria o equivalente a dizer que o Brasil pertence hoje a Portugal ou que os Estados Unidos são território britânico.

Por isso, sim. Portugal proibiu a equipa russa de trampolim de usar bandeira e hino na Taça do Mundo de Ginástica. É apenas um gesto simbólico, mas neste caso e pelo que atrás já referi, Portugal agiu bem.

P.S. A "grande" China, por exemplo, bane qualquer cantor/artista que exiba a bandeira de Taiwan, do Tibete, Hong Kong ou do povo Uigur. 
𝐎 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨 𝐝𝐚 𝐑𝐞𝐩𝐮́𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚 𝐏𝐨𝐩𝐮𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐚 𝐂𝐡𝐢𝐧𝐚 𝐚𝐝𝐨𝐭𝐚 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐨𝐥𝐢́𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐞 𝐭𝐨𝐥𝐞𝐫𝐚̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐳𝐞𝐫𝐨 𝐞𝐦 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐥𝐪𝐮𝐞𝐫 𝐦𝐚𝐧𝐢𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐩𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐩𝐫𝐞𝐭𝐚𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐮𝐦 𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐢𝐚 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐚𝐥, 𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐧𝐜𝐥𝐮𝐢 𝐬𝐢́𝐦𝐛𝐨𝐥𝐨𝐬 𝐥𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐚 𝐓𝐚𝐢𝐰𝐚𝐧, 𝐚𝐨 𝐓𝐢𝐛𝐞𝐭𝐞, 𝐇𝐨𝐧𝐠 𝐊𝐨𝐧𝐠 𝐞 𝐚̀ 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐗𝐢𝐧𝐣𝐢𝐚𝐧𝐠, 𝐥𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐯𝐨 𝐔𝐢𝐠𝐮𝐫. 
Na massiva e altamente regulada indústria do entretenimento chinesa, a exibição de bandeiras ou o apoio a estas causas resulta num banimento praticamente imediato e severo. Este processo de cancelamento cultural e económico envolve a rescisão instantânea de contratos publicitários, o cancelamento de digressões e a remoção completa do catálogo musical e audiovisual do artista das principais plataformas de streaming do país, como o Weibo e o NetEase. Em casos de produções televisivas ou cinematográficas já gravadas, o governo exige frequentemente que as cenas do artista sejam cortadas ou que o seu rosto seja desfocado digitalmente.
Ao longo dos anos, diversos nomes da cultura pop internacional e regional sofreram estas sanções. A cantora Lady Gaga e a banda Maroon 5, por exemplo, viram as suas músicas banidas e concertos cancelados após demonstrarem apoio ou se encontrarem com o Dalai Lama, líder espiritual tibetano. No cenário do K-pop, a cantora taiwanesa Chou Tzu-yu, integrante do grupo Twice, causou uma enorme polémica na China continental em 2015 após segurar a bandeira de Taiwan num programa de televisão sul-coreano, o que a pressionou a gravar um pedido de desculpas público afirmando que "só existe uma China". Para as autoridades de Pequim, o acesso ao gigantesco mercado de consumo chinês é tratado como um privilégio condicionado ao respeito absoluto pelas diretrizes políticas e pela integridade territorial defendida pelo Partido Comunista Chinês.
A situação aplica-se igualmente a Hong Kong, que se tornou outra das grandes linhas vermelhas para o governo chinês, especialmente após os protestos pró-democracia de 2014 e 2019. Qualquer artista, seja local ou internacional, que expresse a mínima simpatia ou apoio aos manifestantes enfrenta exatamente o mesmo mecanismo de retaliação e censura. Figuras de destaque do entretenimento da própria cidade, como a cantora de Cantopop Denise Ho e o conceituado ator Anthony Wong, viram as suas carreiras na China continental completamente destruídas por demonstrarem apoio ao movimento democrático, resultando na remoção das suas obras de todas as plataformas digitais, contratos rescindidos e um boicote total por parte da indústria, acabando mesmo por sofrer perseguição judicial no próprio território de Hong Kong ao abrigo da nova Lei de Segurança Nacional. No panorama internacional, partilhar uma simples mensagem de solidariedade para com Hong Kong nas redes sociais é o suficiente para desencadear o cancelamento de digressões e a fúria dos consumidores nacionalistas. Tudo isto reforça a mensagem inabalável de Pequim: para operar ou lucrar no mercado chinês, o alinhamento com a narrativa oficial sobre a soberania e a estabilidade de todos os seus territórios, incluindo as suas Regiões Administrativas Especiais, tem de ser absoluto

sábado, 27 de junho de 2026

Manifesto contra a Caquistocracia: O Teatro do Citizenwashing e a Merdificação do Futuro

O meu amigo Nuno Gomes há tempos alertou-nos para fazermos boicote aos produtos norte-americanos. Pois acrescento a META e a Starlink. Agora piorou muito mais. O Macarthismo tem novas roupagens. Há de facto um bias de ataque e diminuição/irrelevância dos valores socialistas. Esta notícia é apenas a amostra do que aí vem. Só tenho um título: merda! Governo de merda, ideias de merda e badamerda o FMI!
 
Vivemos num época de Citizenwahing (Impotência Cívica). O conceito não é novo. Citizenwahing refere-se a processos de "participação cidadã" que são puramente teatrais. O governo ou uma instituição abre canais de diálogo (como consultas públicas, assembleias ou orçamentos participativos), mas as decisões reais já foram tomadas nos bastidores. As primeiras menções estruturadas ao termo começaram a aparecer em artigos de ONGs e redes de ativismo, como o European Environmental Bureau (EEB) em julho de 2022. O termo foi cunhado por analogia direta ao greenwashing (quando empresas fingem ser sustentáveis). Nesse caso, governos usavam consultas públicas apressadas para aprovar projetos ambientais controversos, alegando que "os cidadãos foram ouvidos". No entanto, a oficialização e a projeção institucional do termo ocorreram no final de 2023. O grande marco foi o discurso da Ombudsman Europeia, Emily O'Reilly, durante um simpósio em Bruxelas explicitamente intitulado Unmasking Citizenwashing (Desmascarando o Citizenwashing). Na ocasião, ela alertou que painéis e assembleias de cidadãos organizados pela União Europeia corriam o risco de se tornarem apenas um exercício vazio de relações públicas se as recomendações reais das pessoas continuassem sendo ignoradas pelos governantes. O termo explodiu após a Conferência sobre o Futuro da Europa, quando muitos participantes perceberam que o seu tempo e energia foram usados apenas para legitimar decisões que já haviam sido tomadas de antemão, consolidando o citizenwashing como a palavra que define a modernização da impotência cívica.
 
Muito grave.
 
E mais grave é que os pobres votaram neste PSD/Chega/IL. A caquistocracia sobrevive porque consegue convencer as suas próprias vítimas a defendê-la, muitas vezes através do medo, discurso do ódio e da desinformação planeada.

Merda para isto tudo.
 
Para ficar triste e aborrecido e irritado com tanta desinformação ou saber que o Zuckerberg inspeciona os meus likes e atrair-me para publicidade que não quero. O gajo é a META, magot. Um estupor. Nem tenho wasap. Sabiam que META e ELON MUSK activamente detroiem o jornalismo que se deseja imparcial. Lembrem-se que Elon Musk está no Pentágono e no Congresso Americano via STARLINK. 

Isto é um assalto à tua/ nossa liberdade. Tempos de combate. Mas fora da esfera de merda. Daí o meu silêncio , mas activo no terreno.

Se me desejarem contactar, tenho o telemóvel, sem wasap, sem tik tok nem insta nem nada desta corja de malfeitores. Os próximos presidentes vão ser decididos por estes globocratas e por Xi Jinping. Farto do anarco-capitalismo. Farto da geopolítica financeira. Farto da caquistocracia. 
 
Resta o biorregionalismo e alter-globalização. O resto é merda! 

A IA também vai cair na merdificação e mais polarização. Fica aqui o registo.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

China zera tarifas para produtos de países africanos - já vemos as diferenças


A China anunciou em 28 de abril que vai abolir  as tarifas de importação para produtos de 53 países africanos. Na prática, isto significa abrir as portas do maior mercado de consumo do planeta a quase todo o continente africano. Não estamos a falar de ajuda humanitária nem de discurso diplomático. Estamos a falar de comércio, investimento e influência.

A medida, que entrou em vigor a 1 de maio, abrange praticamente todo o continente, excluindo apenas o Essuatíni devido às suas relações com Taiwan.

O mais impressionante é que esta decisão não surgiu por acaso. Nos últimos anos, Xi Jinping transformou a África numa das prioridades estratégicas de Pequim. Empresas chinesas construíram estradas, linhas ferroviárias, pontes, centrais elétricas e portos. Hoje em dia, a China já possui o controlo ou participação em cerca de um terço da infraestrutura portuária africana. Agora, além de investir, Pequim está a facilitar a entrada dos produtos africanos no mercado chinês.

Por trás desta decisão existe uma disputa muito maior. Enquanto várias potências ocidentais reduziram a sua presença económica em diversas regiões africanas, a China fez o oposto. Investiu, financiou projetos e ampliou o comércio. O resultado é que muitos governos africanos passaram a encarar Pequim como um parceiro estratégico para o desenvolvimento a longo prazo.

O que Xi Jinping está a construir em África vai muito além de acordos comerciais. É uma rede de influência económica que pode redefinir o equilíbrio de poder nas próximas décadas. E enquanto muitos ainda observam apenas as guerras e crises do momento, a China continua a avançar silenciosamente onde o futuro está a ser construído. É exatamente por isso que a África se tornou uma das peças mais importantes do tabuleiro geopolítico mundial.

Impactos Económicos na Agricultura e Mineração
  1. Agricultura (O maior beneficiado imediato): a remoção de tarifas aumentou de imediato a competitividade de preço dos produtos africanos face a concorrentes da América Latina ou da Ásia (que enfrentam taxas de 20% a 25%). O benefício foca-se na redução de custos logísticos e aduaneiros. Isso estimula o investimento chinês em infraestruturas locais, como cadeias de frio e processamento, elevando os rendimentos rurais. [1, 2, 3]
  2. Mineração (Consolidação do fornecimento): minerais estratégicos para a transição energética (como o cobre, cobalto, lítio e grafite) ganharam maior fluidez. A isenção de tarifas incentiva as empresas mineiras em África a avançar da extração de minério bruto para o processamento local profundo, agregando valor antes da exportação. [1, 2]
O Contraste com as Potências Ocidentais
  1. Unilateralidade sem contrapartidas: a política da China é não-recíproca. Os produtos africanos entram na China sem taxas, mas os países africanos não são obrigados a reduzir as suas tarifas sobre os produtos chineses. [1, 2]
  2. Diferença face aos EUA: contrasta diretamente com programas americanos como o AGOA (African Growth and Opportunity Act), que exige contrapartidas políticas, de direitos humanos e de abertura de mercado. Adicionalmente, Washington aplicou recentemente tarifas pesadas a várias nações africanas. [1]
  3. Diferença face à União Europeia: os acordos da UE (EPAs) exigem frequentemente uma abertura recíproca dos mercados africanos a longo prazo, o que gera receios de desindustrialização local na África. A China posiciona-se assim como o "parceiro mais amigável". [1]

Produtos Africanos com Maior Potencial de Exportação
Abaixo encontram-se os produtos que registam maior crescimento e procura no mercado chinês: [1, 2, 3]


Categoria [1, 2, 3, 4, 5, 6]Produtos de DestaquePaíses Líderes Beneficiados
Frutas e AgroMaçãs, Abacates, CitrinosÁfrica do Sul, Quénia, Egito
CommoditiesCafé, Cacau, Sésamo, Castanha de CajuEtiópia, Costa do Marfim, Tanzânia
Minerais CríticosCobalto, Cobre, Grafite, LítioRDC, Zâmbia, Tanzânia
Bens ProcessadosÓleo de abacate, Couros, Alimentos processadosQuénia, Nigéria, Marrocos

Apesar do otimismo, analistas alertam que as tarifas eram apenas uma das barreiras. Para mitigar o enorme défice comercial com a China, África precisa de superar barreiras não-tarifárias (como exigências fitossanitárias) e melhorar as suas infraestruturas de transporte. A facilidade de comércio impulsionou também o uso do Yuan (RMB) em detrimento do dólar nas transações bilaterais. [1, 3, 4]

domingo, 21 de junho de 2026

Na China, algumas mulheres pagam 100 euros para passar algumas horas com um desconhecido


E se a companhia se tornasse apenas mais um serviço?
Na China, um conceito surpreendente está a ganhar terreno: contratar companhia humana. Por algumas horas ou um dia inteiro, algumas pessoas (geralmente mulheres) optam por pagar a um desconhecido para partilhar uma atividade, conversar ou simplesmente evitar a solidão. Este fenómeno diz muito sobre a evolução dos estilos de vida urbanos.

Quando a solidão cria novos serviços 
Nas principais cidades chinesas, a solidão tornou-se uma realidade cada vez mais visível. Entre carreiras exigentes, mobilidade profissional e a distância da família, muitos moradores vivenciam a falta de ligação social no seu quotidiano. Diante desta situação, surgiram novas plataformas com uma promessa simples: ligar pessoas que desejam partilhar um momento de convívio, sem qualquer compromisso. O objetivo não é criar um romance, mas sim oferecer companhia humana por algumas horas.

Uma plataforma que oferece a opção de "alugar" a companhia 
Um dos serviços mais conhecidos é o Zuwobo, nome que significa literalmente "aluga-me" em mandarim. O seu funcionamento é tão simples quanto original: o utilizador escolhe uma atividade e a plataforma encontra um acompanhante disponível. O conceito agrada a quem quer aproveitar um momento agradável sem precisar de organizar uma saída com o grupo de amigos de sempre. É uma fórmula que prioriza a simplicidade e a flexibilidade.

Caminhada, restaurante ou jogos de vídeo: há opções para todos os gostos 
Um dos motivos para o sucesso destas plataformas reside na variedade de atividades disponibilizadas. Alguns optam por um passeio pela cidade, outros por um trilho, uma refeição num restaurante ou até mesmo uma sessão de jogos de vídeo em casa. A ideia é adaptar-se aos desejos de cada um e oferecer uma presença que acompanhe diferentes momentos do quotidiano. Esta abordagem transforma a companhia num serviço personalizável.

Até 300 euros por dia 
Os preços variam dependendo da duração e do tipo de atividade escolhida. Para partilhar um café ou uma refeição, os valores geralmente variam entre 7 e 20 euros. No entanto, quando se trata de companhia durante um dia inteiro, a conta aumenta rapidamente. Alguns serviços podem ultrapassar os 100 euros e chegar a mais de 300 euros, dependendo dos pedidos. Um gasto único que alguns consideram "o preço de uma experiência social agradável".

Um sucesso particular durante o Ano Novo Chinês 
Todos os anos, o Ano Novo Chinês lembra-nos a importância dos laços familiares e dos reencontros. Fora aqueles que moram longe dos seus entes queridos ou sozinhos, este período pode, por vezes, exacerbar os sentimentos de isolamento. É por isso que as plataformas deste género costumam registar um aumento na procura durante as festividades. Para alguns utilizadores, partilhar estes momentos com alguém torna-se uma forma de vivenciar a época festiva num ambiente mais acolhedor.

Uma tendência que levanta questões 
O desenvolvimento destes serviços reflete as profundas transformações na sociedade chinesa. Por um lado, oferecem uma resposta concreta à necessidade de ligação humana e permitem que algumas pessoas se libertem do isolamento por algumas horas. Por outro lado, levantam uma questão fundamental: o que significa, numa sociedade, a presença de outras pessoas poder ser reservada como qualquer outro serviço? Entre uma solução prática e um símbolo da transformação dos laços sociais, o debate permanece em aberto.

Uma coisa é certa: o sucesso destas plataformas demonstra que a necessidade de partilhar, trocar ideias e estar presente continua a ser mais importante do que nunca.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A dupla face da China: líder na transição verde esconde uma corrida às armas nucleares


A geopolítica do século XXI fixou o olhar na China sob o signo de uma profunda contradição. Aos olhos do mundo, Pequim assume-se orgulhosamente como a locomotiva incontestável da transição energética global, liderando a produção de painéis solares, turbinas eólicas e veículos elétricos. No entanto, por trás desta fachada de vanguarda ecológica e de um soft power meticulosamente desenhado para projetar a imagem de uma potência responsável, esconde-se uma realidade consideravelmente mais sombria e bélica: uma aposta sem precedentes na expansão do seu arsenal nuclear.

Durante décadas, o regime chinês manteve uma postura de dissuasão minimalista, assegurando ao plano internacional que o seu armamento atómico servia apenas como último recurso defensivo. Contudo, sob a liderança de Xi Jinping, a China iniciou uma aceleração histórica que quebrou este antigo equilíbrio. Campos de centenas de silos para mísseis balísticos intercontinentais surgiram nas zonas remotas do oeste do país, enquanto a nova "tríade nuclear" — capaz de projetar ogivas por terra, mar e ar — passou a ser exibida com pompa militar. Para lá dos mísseis de longo curso, Pequim investe agora fortemente em mísseis hipersónicos e de teatro de operações regional, armas de "capacidade dupla" que baralham as fronteiras entre o convencional e o nuclear, elevando drasticamente o risco de um erro de cálculo global.

Esta corrida ao armamento é alimentada por uma profunda paranoia estrutural face ao Ocidente e, em particular, aos Estados Unidos. Ao observar o tabuleiro internacional e o conflito na Ucrânia, os estrategas chineses retiraram uma lição clara: a ameaça nuclear russa funcionou como um escudo eficaz para paralisar a intervenção direta da NATO no terreno. É este mesmo manual que Pequim ambiciona replicar na Ásia Oriental. O objetivo desta musculação atómica não é necessariamente desencadear o Armagedon, mas sim construir uma barreira de medo tão robusta que desencoraje qualquer intervenção norte-americana ou dos seus aliados numa eventual invasão a Taiwan.

Paralelamente, a narrativa da transição verde e o investimento massivo na energia nuclear civil servem de cobertura perfeita. Enquanto o mundo aplaude os avanços tecnológicos chineses na descarbonização, o complexo militar-industrial do país absorve recursos e tecnologia de ponta para otimizar os seus vetores de destruição. O país que se vende ao exterior como o garante da sustentabilidade do planeta prepara-se, à porta fechada, para cenários de "guerra nuclear limitada", posicionando mísseis concebidos para paralisar bases inimigas no Pacífico sob uma lógica de retaliação imediata. Esta é a verdadeira distopia chinesa: um império que lidera a transição para um futuro verde com uma mão, enquanto com a outra afia as armas que têm o potencial de extinguir o amanhã.

O documentário divide-se em três partes: 

Parte 1: Do Programa Mínimo à Expansão Histórica
  • A Parada de Pequim: a China exibiu publicamente pela primeira vez a sua "tríade nuclear" completa, demonstrando uma capacidade consolidada de lançar armas nucleares por terra, mar e ar.
  • O Ritmo da Expansão: especialistas apontam que a China se encontra no meio de uma expansão nuclear histórica. O Pentágono projeta que o país alcance as 1.500 ogivas nucleares até 2035.
  • A Motivação de Xi Jinping: o líder chinês é movido pelo receio de um confronto inevitável com o Ocidente liderado pelos EUA. A sua estratégia baseia-se no realismo estrutural: demonstrar poder para forçar as potências ocidentais a abandonarem a política de contenção contra a China.
  • A Inspiração na Rússia: Xi Jinping destacou internamente que a Rússia tomou uma decisão correta após a Guerra Fria ao manter o seu grande arsenal nuclear, o que obriga os rivais a moderar as suas políticas.
  • Os Silos de Mísseis: investigadores descobriram, através de imagens de satélite, mais de 300 silos de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) em construção nas zonas remotas do oeste da China. Esta foi a forma mais rápida encontrada por Pequim para expandir o seu arsenal e demonstrar a sua capacidade aos EUA.
Parte 2: O Arsenal da Nova Tríade Nuclear
  • O Vetor Aéreo: a mais recente perna da tríade é o míssil balístico lançado pelo ar, conhecido como Jinglay 1 (JL-1).
  • O Vetor Marítimo e a Geografia: os novos submarinos nucleares chineses estão equipados com o míssil Juulang 3 (JL-3), com um alcance superior a 10.000 km. A China enfrenta restrições geográficas marítimas (a "primeira cadeia de ilhas"), onde os aliados dos EUA monitorizam as saídas para o oceano. É por isso que o Mar do Sul da China e a ilha de Hainan são cruciais para esconder os submarinos. O controlo sobre Taiwan daria à China acesso direto e indetetável ao Oceano Pacífico.
  • Mísseis de Teatro de Operações (Médio Alcance): o míssil DF-26 (apelidado de "Guam Killer") tem um alcance de 4.000 km e consegue atingir as forças dos EUA no Pacífico. Estes mísseis possuem "capacidade dupla", o que significa que podem transportar tanto ogivas convencionais como nucleares. Isto gera um perigo de incerteza em tempos de crise, pois os EUA podem confundir um ataque convencional com um ataque nuclear. O DF-17 é o primeiro sistema hipersónico da China, capaz de manobrar a altas velocidades para evitar as defesas antimísseis.
Parte 3: A Doutrina Nuclear e o Risco de Guerra
  • A Lição da Ucrânia: Pequim observou que as ameaças nucleares implícitas de Vladimir Putin resultaram em impedir que a NATO enviasse tropas para o terreno na Ucrânia. A China ambiciona ter a mesma capacidade de dissuasão para evitar que os EUA intervenham num cenário de invasão a Taiwan.
  • A Política de "Não Primeiro Uso" (No First Use): oficialmente, a China mantém a política de nunca ser a primeira a utilizar armas nucleares. Contudo, existem ambiguidades: analistas indicam que Pequim tem planos para ameaçar com o uso nuclear caso alvos estratégicos convencionais no seu território sejam atacados, argumentando que a política só é tecnicamente violada se as armas forem efetivamente disparadas.
  • Lançamento sob Ataque (Launch Under Attack): com a ajuda tecnológica da Rússia, a China está a desenvolver um sistema de alerta precoce para detetar mísseis inimigos. Isto permite adotar uma postura de disparar os mísseis de volta antes que os mísseis do adversário atinjam os silos chineses. O perigo reside no risco elevado de alarmes falsos e interpretações erradas durante uma crise.
  • Guerra Nuclear Limitada: o desenvolvimento de armas regionais mostra que a China está a preparar-se para a possibilidade de uma guerra nuclear limitada com os EUA. Os estrategistas chineses pensam em alvejar bases militares americanas na região (como em Guam, Japão ou Alasca) para aterrorizar os EUA e ganhar vantagem, sem provocar uma retaliação total que leve à destruição mútua global.

terça-feira, 19 de maio de 2026

The American epoch of oil is collapsing. What comes next could be ugly

China is dominating the energy transition with astonishing result, while fossil fuel fascists in the US try to turn back the clock [Fonte]

“Farewell,” the flag-waving Chinese children chanted to Donald Trump as he strolled along the red carpet back to Air Force One at the end of his summit with Xi Jinping in Beijing.

The US leader claimed he was leaving with a cluster of “fantastic” trade deals to sell US oil, jets and soya beans to China. That has not been confirmed by his smiling host, but one thing was crystal clear from the two days of meetings: the global balance of power is shifting, from the declining petrostate in the west to the rising electrostate in the east.

Trump flew home to chaos – war with Iran, surging gas prices, spectacular unpopularity, friction with former allies and a 20th-century policy of “energy dominance” that seeks to turn back the clock, use tariffs and military threats to open markets, and enrich his supporters in the fossil fuel industry. The long dominant superpower increasingly appears a malignant force as it pushes the world towards ever greater turbulence.

Xi, meanwhile, presides over a country that has invested more than any other in renewable energy, which has helped to buffer its economy from the gas price shocks caused by the conflict in the Middle East, while opening up huge new export markets for solar panels, wind turbines, smart grids and electric vehicles. While the Chinese president’s Communist party still faces criticism for its suppression of dissent, its soft power deficit no longer seems so great when its main global rival is killing protesters at home and bombing schoolchildren overseas.

Why is this happening now? Tempting as it is to blame these global shifts on a single malignant narcissist in the White House, a more useful – and maybe even hopeful – analysis needs to take into account the tectonic changes that are shaking not just the foundations of politics, but the very nature of human power, as the world shifts from molecules to electrons.

History has proven that when the dominant form of energy changes, there is often a shift in the global pecking order. We are now in the midst of one such transition as the epoch of petrol, predominantly produced in the United States, Russia and Gulf states, starts to give way to an era of renewables, overwhelmingly manufactured in China. But the outcome remains contested, and the process could be ugly. The new energy order is winning the economic and technological battle – wind turbines and solar panels were already producing record-cheap electricity even before the Iran war pushed up the costs of gas and oil-fired power plants. But the old petro-interests still have political, military and financial might on their side, and they are using that to try to turn back the energy clock.

As a result, democracies across the planet are now threatened by what might be called fossil fuel fascism – an extremist political movement that breaks laws, spreads lies and threatens violence in an increasingly desperate attempt to maintain markets for oil, gas and coal that would otherwise be replaced by cheaper renewables.

Of course, there are multiple other, overlapping reasons for the war against Iran: its nuclear program, Trump’s need for a distraction from the Epstein files, and his willingness to adopt positions favourable to Israel’s Benjamin Netanyahu, Russia’s Vladimir Putin and Saudi Arabia’s crown prince, Mohammed bin Salman, to name a few.

But the wider context is that the Earth is becoming a more hostile environment for humanity. This is driving up tensions, exposing economic limits that have been ignored for centuries and redefining geopolitical realities.

Who is actually winning? In the short term, the biggest windfall from the Iran conflict has gone to companies, executives and shareholders in the US petroleum industry – a major source of campaign funding for Trump – that was struggling with low prices and a production glut at the start of the year, but is now enjoying a spectacular revenue surge while rival suppliers in the Gulf are choked by threats in the strait of Hormuz. Along with Russian and Saudi Arabian petro-companies, US energy suppliers look set to cash in for months to come, even as consumers pay more at the pumps.

At the same time, the war is forcing countries across the world to explore ways to increase their energy independence. In the next few years, that will happen by increasing domestic production of oil, gas and coal. By one reckoning, this has increased the likely 2030 output of fossil fuels by a fifth – an alarming setback for global efforts to reduce greenhouse gas emissions, and a victory for the petroleum industry and the far-right political groups it funds.

But that will not be the final reckoning of this war, which has reinforced the argument for both renewable energy and a concurrent shift in geopolitical alignments. With major oil and gas producers now led by ever more erratic and menacing authoritarian leaders, other countries are looking for alternative ways to generate power. Electric cars, for example, have never been more in demand.

The prime beneficiary is China, which suddenly appears a relative oasis of pragmatic, internationally minded diplomacy and energy independence. Beijing’s bet on renewable power and EVs over the past two decades is paying enormous dividends. Not only has this made it less reliant on fuel imports, it now has a wind, solar and battery export industry that looks set to dominate global markets for many decades to come.

Future historians may well see the Iran war as the moment the US unwittingly ceded leadership to China. If so, it would not be the first time that a change in the world’s energy matrix led to a reordering of the political hierarchy of nations. When humankind taps new power supplies, new empires rise and old ones fall. Realignments tend to be violent.

How empires fall
One of the cornerstones of geostrategic thinking since the start of the Industrial Revolution, 250 years ago, is that the country that controls energy supply controls the world. For most of the past century, that has centered on oil.

“Oil has meant mastery through the years,” wrote Daniel Yergin in his Pulitzer prize-winning book about the decisive role of energy in world politics, The Prize: The Epic Quest for Oil, Money, and Power. Yergin argues oil was a primary reason why Germany invaded the Soviet Union during the second world war, and motivated Japan to attack the US at Pearl Harbor. It was why the US launched Desert Storm to thwart Iraq’s seizure of Kuwait, which would have given Saddam Hussein control over the planet’s most abundant oil supplies. It explained former US president Barack Obama’s comment that energy was “priority number one” for his administration. Earlier this year, it was a primary justification by Trump and other US officials for invading Venezuela, which has the world’s biggest untapped reserves, and it is now a key factor in the war on Iran, which has the fourth highest supply.

Not for nothing has the old joke been revived that the “US is a very fortunate country because everywhere it goes to bring freedom it finds oil.”

But what is different today is the realisation that oil – once considered “black gold” – and other fossil fuels are now a toxic threat to the stability of the climate and the political world order. Now that cheaper, cleaner alternatives are available, the demand for these industrial fuels has to be artificially inflated, propped up by political lobbying, hefty subsidies, disinformation campaigns and military force.

The most spectacular example of an energy transition completely upturning the world order was in the mid-19th century, when the coal-powered gunships of the Royal Navy shredded the fragile coastal defences of southern China to impose a market for the British empire’s most lucrative and unethical commodity: opium. Up to that point, Beijing had been the capital of the world’s biggest economy for most of the previous 2,000 years but its historic advantage in manpower and culture was being lost to fossil-fuelled engines and the spirit-sapping drug trade. The Daoguang Emperor was so deeply in denial about the changes reshaping the world that his actions stirred rebellion among his own people. His forces were crushed by the superior firepower of an industrialised adversary, ushering in an era of western dominance that became known in China as the “century of humiliation”.

Britain’s empire also came to end – albeit it more limply – when its primary source of fuel – coal – was superseded by oil in the early-to-mid-20th century. Back then, the UK had no petroleum supplies of its own which meant it was at a disadvantage to the US. The power shift was confirmed in 1956 when Britain, France and Israel invaded Egypt to try to secure the Suez canal – a vital route for fossil fuels from the Middle East. The US refused to help this imperial adventure by the old world, thereby confirming Washington as the dominant superpower outside the Soviet bloc. Since then, it has steadily expanded its primacy in the age of oil.

That era – and that supremacy – are both now winding down, as the pendulum swings again, this time towards renewables and back to Asia. In the past decade, clean energy investment worldwide has risen tenfold to more than $2tn a year. Last year, it was more than double that of fossil fuels, and for the first time renewables overtook coal as the world’s top electricity source. “We have entered the age of clean energy,” the United Nations secretary-general, António Guterres, observed in February. “Those who lead this transition will lead the global economy of the future.”

There is only one contender for that title: China. It is impossible to understand what is happening in the US, Iran and Venezuela without looking there.

China looks to the future …
The government in Beijing has turned the greatest crisis facing humanity – climate breakdown – into an opportunity to finally lay to rest the “humiliation” of the opium war. For most of the past 30 years, it has been catching up with the west by copying its dirty, coal-driven model of industrialisation, which notoriously made it the world’s biggest carbon emitter. Now, though, it is leapfrogging its rivals on clean energy with astonishing results. For the past two years, China’s carbon emissions have been flat or falling, raising hopes of a historical turning point in the curve of global emissions.

Last year, the amount of wind and solar it had under construction was double the rest of the world combined, helping China to reach an installed capacity of 1,200GW six years ahead of the government’s schedule. Trump absurdly claimed he had not been able to find any wind turbines in China, though in reality the country now has more than the next 18 countries combined.

But the biggest success story is solar, which is now so cheap, abundant and efficient that its generation capacity in China has just overtaken coal for the first time. Meanwhile, petrol and diesel use is also falling because EVs account for more than half of car sales in China.

The country is also utterly dominant in supplying overseas markets with renewable technology. The top four wind turbine makers in the world are all Chinese. It is a similar story of majority market share for the manufacture and export of photovoltaic cells and EVs. China also controls supply of critical minerals, essential for batteries, AI datacentres and hi-tech military equipment.

Last year, more than 90% of the investment growth in China came in the renewables sector. Thanks to these trends, cleantech from China is affordable in many global south nations. The same is happening with battery technologies, which are spreading the market for electric cars to countries in Africa and South America.

China’s clean energy sector is now worth 15.4tn yuan ($2.2tn/£1.6tn), bigger than all but seven of the world’s economies. With every year that passes, this business becomes more important to the state, accounting for 11.4% of China’s gross domestic product last year, up from 7.3% in 2022.

To be sure China is simultaneously the world’s biggest investor in coal and far from a democracy in its domestic politics, but the scale of its renewable industry means Beijing has a growing stake in the success of global climate negotiations. Not just because it is good for the planet, but because it makes solid business sense.

The turbulence caused by the US-Israeli assault on Iran only strengthens its sales pitch.

… while the US goes backwards
While the rest of the world looks for an exit ramp off the exhaust-fumed highway on to a cleaner, electrified, 21st-century freeway, Trump has pulled a U-turn and is accelerating back towards 20th-century smoke stacks without so much as a glance in the rearview mirror.

On the same day he was sworn in for his second term in the White House, Trump signed an executive order withdrawing the US from the 2015 Paris Agreement, as he did in his first term.

But this time he has also announced that he will quit the entire UN Framework Convention on Climate Change, the Cop process that was put in place at the 1992 Earth Summit. In February his administration repealed the 2009 “endangerment finding”, the core US government determination that greenhouse gases threaten public health that has been the legal basis for almost all federal climate regulation over the past 17 years. Without it, power plants, factories and carmakers will have a freer pass to pollute the air and heat the atmosphere.
The US state has essentially been captured by a business group that puts its own interests above those of the nation

Trump has filled the Department of Energy and the Environmental Protection Agency with dozens of former oil industry employees. He has declared a “national energy emergency”, which was a cue for businesses to mine, drill and frack like never before. He has signed at least 20 more executive orders meant to incentivize fossil fuel extraction. And he has granted $18bn in new and expanded tax incentives for fracking, drilling and pumping.

His administration halted the closure of 17GW worth of power plants that use coal, the dirtiest and most polluting fuel, and ordered the US defense department to procure billions of dollars of coal power. Industry executives have shown gratitude with donations and a trophy for the “undisputed champion of beautiful clean coal” given to Trump by the CEO of the largest coal company in the US.

He also used the military – and the federal budget – to assist the petroleum industry by seizing control of Venezuela. (It is not a coincidence that Venezuela and Iran are both key partners to China.) Domination of this country will give the US more influence in setting global oil prices. But for whose benefit? Donald Trump said US companies would tap these fossil fuels and “start making money for the country”. In fact, most of the first billion dollars in revenue was initially stashed offshore in a bank account in Qatar.

After Trump ordered the bombing of Iran, he initially celebrated the spike in crude values: “When oil prices go up, we make a lot of money,” he said, though the “we” evidently did not include the majority of Americans suffering from higher gas costs.

Meanwhile, his government has accelerated the phaseout of tax credits for renewable projects, which has had a chilling effect on the sector with $22bn in clean energy projects cancelled and wind power investment down to its lowest level in a decade. “My goal is to not let any windmill be built. They’re losers,” Trump told oil executives in January.

By the end of last year, downsizing and more than 60 project cancellations began to shake investor confidence in US renewables.

Three dollars of clean energy investment were abandoned for every one dollar announced in 2025, according to an analysis by the E2 thinktank. The record number of factory closures and project reversals eliminated 38,031 clean energy manufacturing jobs – more than in the previous three years combined. Worst hit was the EV and battery sectors, which each accounted for more than $21bn in lost investment. This eroded the global competitiveness of US carmakers at the worst possible moment when EV sales had just started to overtake those of petrol vehicles.

Oil in command
The US state has essentially been captured by a business group that puts its own interests above those of the nation.

During the last presidential election, Trump invited 20 oil executives, including the heads of Chevron, Exxon and Occidental, to his club in Mar-a-Lago, Florida, saying he would scrap barriers to drilling, resume gas exports and reverse car pollution controls if they helped to bankroll his race for office. Mike Sommers, president and CEO of the American Petroleum Institute, said Trump’s legislative agenda “includes almost all of our priorities”.

Big oil poured a record $450m into the campaigns of Trump and Republicans in 2024, according to the watchdog group Climate Power. Then after Trump won, the industry gave another $19m to his inauguration fund. And even though Trump is forbidden by the constitution from running for a third term, fossil fuel money continues to pour into his Pac, including $25m from oil pipeline company Energy Transfer Partners and its CEO, Kelcy Warren.

And these are only the publicly disclosed funds. Nobody knows how much secretive “dark money” is flowing through other channels, though it has been revealed that Trump accepted a gift of a Boeing 747-8 luxury jetliner from the oil-rich Qatari royal family. The similarly wealthy Abu Dhabi royals bought a $500m stake in the Trump family’s cryptocurrency business.

The White House argues the focus on fossil fuels is necessary for national security and “energy dominance”. Increasing supply, it insists, will bring down costs, trim inflation and stimulate the economy.

Ten or more years ago, this might have been true. But today solar and wind prices have fallen below coal and ushered in what the International Energy Agency calls “the cheapest electricity in history”. The Trump administration is denying US consumers these benefits. Electricity prices in the US rose more quickly than inflation even before the Iran war. Meanwhile, the hidden costs of fossil fuels, such as pollution and respiratory diseases hurt national productivity and add to the burden on taxpayers.

In the long term, it is hard to imagine a more self-harming policy. Between 2021 and 2024, the renewable sector was generating jobs 50% faster than the rest of the labour market. This is high-value employment with long-term prospects compared with jobs in the oil and gas extraction industry, which are projected to decline by 6% over the coming decade.

Most disturbingly, all of this creates a perverse incentive for the US to use its economic, diplomatic and military power to stimulate the market for fossil fuels.
The championing of fossil fuels depends on a big lie – that the US and the planet can return to an era powered by climate-destabilising fuels

Last September, Chris Wright, the US energy secretary and a former fracking magnate, went on an arm-twisting tour to Brussels and Milan to press the EU to increase its purchases of US liquified natural gas (LNG). In February, Wright stepped up the pressure, claiming there was “a climate cult” in Europe, after EU leaders agreed to reduce their energy dependency on the US in response to Trump’s talk of seizing Greenland.

The threats did not stop there. Wright said the US would leave the International Energy Agency unless it abandoned its goal of net zero carbon emissions and stopped referring to “climate stuff” in its analyses of renewables, fossil fuels and carbon emissions.

This explains why huge sums of money are now being channelled from the US to support far-right groups in Europe, who are campaigning on anti-net zero platforms.

The championing of fossil fuels depends on a big lie – that the US and the planet can return to an era powered by climate-destabilising fuels. It’s a lie that relies on threatening or downsizing scientific academies, truth-seeking news media and unfiltered online debate.

The US president has repeatedly called the climate crisis a “hoax”, “scam” or “bullshit”, ushering in what has been called a period of “climate hushing” (or “green hushing”). Essentially, this is a campaign to stifle public debate so that people are less aware of the dangers posed by fossil fuels and the benefits of cheaper renewable alternatives. His administration has announced plans to close down or slash budgets for the world’s leading science institutions. Meanwhile the president’s billionaire backers are helping to choke the climate debate in the media. After Elon Musk bought Twitter, now X, scientists report the social media algorithm is suppressing their voices and encouraging misinformation about the climate. Earlier this year, the Washington Post, owned by Jeff Bezos, slashed the size of the paper’s award-winning climate reporting team.

The Trump administration’s obsession with fossil fuels will dwarf the economic and human toll of the Iran war. The world’s hottest 10 years ever recorded have all occurred in the past decade. Extreme weather is increasingly out of control, pushing up food prices, prompting migration and sparking conflict. Many scientists fear the planet is heating faster than expected, pushing oceans, the Amazon, coral reefs, the Arctic and Antarctic ever closer to the point of no return. And worse is to come, with an El Niño expected to supercharge global temperatures in the coming year.

Throughout the world, a huge majority of people want their governments to take stronger action on the climate crisis. So fossil ambitions run up against popular opinion, which means its proponents have to rely on force to maintain control – with more oppression at home and more war overseas, an ever more extreme and violent response to ever more extreme and destructive weather.

All of this makes China suddenly seem a more appealing and serious alternative. This was not previously the case. Beijing used to project the opposite of soft power. Its political system is repressive. It continues to lock up journalists, artists and dissidents. But today there is a narrowing gap in its human rights record compared with the US, while its energy policy is increasingly aimed at halting climate breakdown rather than making it worse.

China, of course, is also building up its military and investing in energy-sucking artificial intelligence – though at much lower levels than the US. This is not to say its intentions are any more benign. But think of it, from the perspective of Europe, Africa or Latin America: do you choose China, which is becoming a modern electrostate that engages in multilateral decision making, and can supply you with more energy autonomy? Or do you pick the US, which appears to be trying to turn the clock back to the 20th century when it comes to fossil fuel domination, and the 19th century when it comes to imperial gunship diplomacy?

Former allies of the US are lining up to visit Beijing and seek balancing relationships with China. Canada’s prime minister, Mark Carney; Britain’s Keir Starmer; Germany’s Friedrich Merz have made the journey in the past few months. Narendra Modi, the prime minister of longtime rival India, visited last year, as did the EU president Ursula von der Leyen. As he did with Trump, Xi has accommodated them from a position of more global authority than any Chinese leader has had since the opium war.

The fightback
You have to grasp at straws until your fingers bleed to find positives in the US government these days, but at least the Trump administration has clearly delineated the battle lines on the future of the planet.

On one side are the vast majority of the world’s people, all of nature, 99.9% of climate scientists and the fastest-growing, greatest-job-creating chunk of the global economy: the clean energy sector.

On the other is Trump and the primary producers and users of fossil fuels, who need enormous taxpayer subsidies to stay profitable and ever greater violence to quell public unease and global opposition. The latter controls the US state – including the military and ICE – and is allied with much of the money of Silicon Valley’s power-thirsty datacentre companies. (The US and its tech oligarchs may be hoping that AI can replace energy as the country’s source of global power – but China is keeping apace on that front, too.)

Will this fossil fuel fascism, that billionaire-backed campaign to crush a green transition by any means necessary, hold back the tide of clean energy autonomy? It cannot be ruled out. The closest thing the world has to a planetary spokesperson recently warned of the dark forces threatening the future of all life on Earth: “Some fossil fuel interests remain hellbent on slowing progress, spreading disinformation, pretending the transition is unrealistic or unaffordable,” Guterres, the UN secretary-general, said last month. “Let’s tell it like it is; the world’s addiction to fossil fuels is one of the greatest threats to global stability and prosperity.”

But the climate will not be bending to the will of even the best funded, most heavily militarised and artificially idealised US administration nor the King Canute at its centre.

Most people realise this. Much of Europe is resisting. China is defiant. India is moving fast on solar. Brazil is pushing a roadmap away from fossil fuels. Colombia just hosted the First International Conference on Transitioning Away from Fossil Fuels. Even in the US, people want their government to do more to prevent global heating.

The fightback is under way in the courts, at elections and on the streets. The most populous and fast-growing state economy of California already gets two-thirds of its electricity from renewables and has pledged to continue expanding wind and solar. Even Texas, the historic home of the US oil industry but also the centre of wind power, is bristling at Maga-led attempts to curtail renewables. Michigan is suing oil companies for delaying funds. Judges in Virginia, New York and New England, including a Trump appointee, have issued injunctions against government efforts to halt windfarm projects. The US president’s popularity has plummeted and polls suggest his party will lose heavily in the autumn midterms – if they are allowed to go ahead without Maga interference.

Despite the deep pockets of the backers of fossil fuel fascism, their resistance will be futile. The movement could become more deranged and violent in its efforts to turn back the clock, suppress dissent and thwart China’s rise. But ultimately, the planet will have the final say.