Mostrar mensagens com a etiqueta Sódio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sódio. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Por que razão as petrolíferas estão a ajudar a Toyota na corrida das baterias de estado sólido?

A Toyota tem trabalhado com a empresa japonesa Idemitsu Kosan, desde 2023, num programa piloto focado nas baterias de estado sólido. Por que razão está uma gigante petrolífera a ajudar a fabricante de automóveis neste âmbito?

A Toyota e a Idemitsu Kosan começaram a colaborar no desenvolvimento de tecnologia para produção em massa de eletrólitos sólidos, em outubro de 2023, concentrando-se em eletrólitos sólidos de sulfeto, considerados um material promissor para alcançar produção em escala de baterias de estado sólido para veículos elétricos.

Os eletrólitos sólidos de sulfeto caracterizam-se pela suavidade e pela adesão a outros materiais, duas qualidades que os tornam particularmente adequados à produção em massa.

Agora, ambas as empresas decidiram avançar com uma nova fábrica para produzir eletrólito sólido para baterias de veículos elétricos totalmente de estado sólido.

Em outubro de 2023, a Idemitsu e a Toyota anunciaram o início da cooperação para a produção em massa de baterias de estado sólido para veículos elétricos. 

Qual o interesse de uma petrolífera nas baterias de estado sólido?
Aparentemente, o interesse não está nas baterias per si: empresas como a Idemitsu Kosan geram fluxos massivos de enxofre durante a dessulfurização de combustíveis, e converter esse enxofre de baixo valor num material de alta margem de lucro, como o sulfeto de lítio, pode ser uma vantagem financeira para o setor de refinação de petróleo.

São subprodutos da melhoria de produtos petrolíferos. A Idemitsu descobriu a utilidade dos componentes de enxofre em meados da década de 1990 e, através da nossa investigação e capacidades tecnológicas melhoradas ao longo de muitos anos, conseguimos criar um eletrólito sólido. Este eletrólito sólido está prestes a abrir um novo futuro para a mobilidade.

Explicou Shunichi Kito, diretor-executivo da japonesa Idemitsu Kosan, conforme citado.

Segundo o Electrek, o plano de produto original, publicado pelas duas empresas no final de 2023, visava a comercialização bem-sucedida das suas baterias totalmente de estado sólido para um veículo elétrico a bateria da Toyota, capaz de oferecer 1000 km de autonomia e carregamento de 10 a 80% em cerca de 10 minutos, entre 2027 e 2028.

O anúncio da nova fábrica para produzir eletrólito sólido para baterias de veículos elétricos totalmente de estado sólido parece indicar que estão a cumprir o cronograma.

Além da Idemitsu Kosan, a Toyota está, também, a colaborar com a Sumitomo Metal Mining, um grupo japonês, por forma a garantir materiais de cátodo de alto desempenho para a nova fábrica de baterias de estado sólido, que deverá ser capaz de produzir “várias centenas de toneladas métricas” de eletrólito sólido quando estiver totalmente operacional.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Cinzas de cremação: onde jogar e outras ideias


As cinzas de cremação são, na verdade, fragmentos ósseos pulverizados resultantes do processo de cremação. A cremação é um processo de redução do corpo de um ser vivo após o falecimento.

Ao longo do tempo, a cremação tornou-se uma das opções mais populares nas alternativas aos enterros convencionais. No entanto, o influxo de pessoas procurando eternizar um ente querido em cinzas também resultou em impactos consequentes do descarte incorreto desses fragmentos.

Em vez de urnas usadas para armazenar as cinzas, muitas pessoas optam por jogar os fragmentos em corpos d’água, como o mar, ou em locais significativos ao falecido. De fato, dados da Inglaterra comprovaram que na década de 70, cerca de 12% das cinzas foram retiradas do crematório – agora são quase dois terços.

Porém, por muitos anos, cemitérios têm enterrado cinzas apenas para descobrir que a vida vegetal circundante não prospera. Mas por que isso acontece?

Do que são compostas as cinzas de cremação?
Como já mencionado, as cinzas de cremação são restos de ossos pulverizados. Durante o processo de cremação, o fogo destrói todos os vestígios de matéria orgânica à base de carbono e todos os fluidos corporais evaporam e escapam pelo escapamento do cremador.

O esqueleto humano, em geral, é constituído, principalmente, de carbonatos e fosfatos de cálcio. Ambos esses elementos contribuem para a força e formação dos ossos — que consequentemente sobrevivem às altas temperaturas de câmaras de cremação. Adicionalmente, um baixo percentual de outros elementos, como metais, também pode ser encontrado nos restos humanos.

Em geral, não existem duas amostras de cinzas humanas exatamente iguais em termos de composição elementar, já que ela é influenciada por condições externas, além da dieta e outros fatores.

Por que não se pode enterrar as cinzas de cremação?
Segundo uma investigação realizada pelo site Let your love grow, o enterro de altas concentrações de cinzas de cremação pode ter impactos negativos no meio ambiente. Isso se dá pelo alto pH dos fragmentos, que interagem com o solo e não permitem a liberação natural dos bons nutrientes das cinzas cremadas.

Além disso, as cinzas de cremação também possuem concentrações de sódio em quantidades que variam de 200 a 2 mil vezes mais do que a vida vegetal pode tolerar.

Por outro lado, outros especialistas concluem que, como não resta nenhum material orgânico após a cremação, as cinzas humanas não apresentam nenhum tipo de risco à saúde dos seres vivos ou do meio ambiente.

É proibido jogar as cinzas de cremação no mar?
No Brasil, não há legislação específica sobre o que se pode ou não fazer com as cinzas de cremação. Portanto, jogar as cinzas no mar não é especificamente proibido.

Coincidentemente, algumas instituições realizam serviços memoriais em que as cinzas são espalhadas no mar após serem entregues à família. Entretanto, existem algumas “regras de etiqueta” a serem seguidas antes de espalhar as cinzas em um lugar específico.

Onde não se pode jogar cinzas de cremação?

Segundo à Cremation Society da Grã-Bretanha, a dispersão de cinzas é desencorajada em:
  1. Topos de montanhas, onde as cinzas podem afetar a vida das plantas;
  2. Rios, perto de locais onde as pessoas tomam banho ou pescam;
  3. Menos de um quilômetro a montante de onde a água é retirada para beber;
  4. Dias de vento, quando as cinzas afetam as pessoas que vivem e trabalham nas proximidades.
Além disso, a instituição alerta sobre a possível poluição de outros materiais durante a cerimônia. Por isso, é desencorajada a dispersão de flores de plástico e outros materiais possivelmente poluentes em combinação com as cinzas.

Outros locais

Em contrapartida a essas regras, existem locais em que as cinzas não devem ser descartadas, como propriedades privadas. De fato, alguns anos atrás, o Wall Street Journal postou uma matéria que viralizou nas redes sociais sobre o descarte ilegal de cinzas de cremação em parques da Disney.

“Os atuais e antigos zeladores dos Parques Disney dizem que identificar e aspirar cinzas humanas é uma parte secreta e exclusiva do trabalho [nos parques]. É um trabalho terrível para eles, mas uma libertação catártica para os enlutados, que dizem que tratar os Parques Disney como um local de descanso final é o maior tributo aos fãs fervorosos.

Cinzas humanas foram espalhadas em canteiros de flores, arbustos e gramados do Magic Kingdom; fora dos portões do parque e durante os fogos de artifício; em Piratas do Caribe e no fosso sob os elefantes voadores do passeio Dumbo. Na maioria das vezes, de acordo com os zeladores e funcionários do parque, eles foram dispersos pela Haunted Mansion, a atração [com mais de 50 anos] que apresenta uma misteriosa propriedade antiga cheia de fantasmas imaginários”, diz o autor.

O ato de espalhar cinzas nos parques é estritamente proibido e ilegal, podendo resultar na expulsão e banimento de visitantes.

O que fazer com as cinzas de cremação?
Felizmente, existem diversas maneiras de eternizar as cinzas. Muitas instituições oferecem serviços em que as cinzas de cremação são transformadas em relicários e outros artefatos que podem ser guardados para sempre em memória da pessoa que faleceu.

Veja algumas dessas opções:
  1. Joias memoriais: Algumas joalherias transformam as cinzas em diamantes após a purificação do carbono dos fragmentos. Então, são transformadas em anéis, colares e outras joias;
  2. Tatuagem: Parece macabro, mas alguns tatuadores oferecem a imortalização das cinzas de cremação em tatuagens. Durante esse processo, as cinzas são misturadas com a tinta e marcadas para sempre na pele do recipiente;
  3. Plante uma árvore: Embora as cinzas possam oferecer prejuízos ao meio ambiente ao serem enterradas, algumas instituições oferecem um serviço em que a mistura das cinzas é purificada e transformada em matéria orgânica. Você também pode escolher uma urna biodegradável e enterrá-la junto com as cinzas;
  4. Prensagem de vinil: É possível fazer a prensagem de discos de vinis com as cinzas;
  5. Guarde em um bichinho de pelúcia: Em vez de uma urna, é possível armazenar as cinzas de cremação dentro de bichos de pelúcia, permitindo que você se console ao saber que uma pequena lembrança de seu ente querido está perto de você;
  6. Arte: Faça você mesmo uma pintura memorial para a pessoa que perdeu. Misture um pouco das cinzas na tinta e deixe sua inspiração fluir.
Fontes

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Bateria de sódio-enxofre supera em 4 vezes as baterias de lítio


Bateria de sal marinho

Há uma grande expectativa de que as baterias de sódio venham a substituir as baterias de lítio, sobretudo depois que uma bateria sólida de sódio superou 1000 ciclos de carga e descarga.

Contudo, ainda não está claro qual das opções existentes vencerá a corrida para o mercado - assim como acontece com as baterias baseadas em lítio, as baterias baseadas em sódio vêm em diferentes sabores, como íões de sódio, baterias de sódio de estado sólido, baterias sódio-ar e baterias de sódio-enxofre.

Agora, Bin-Wei Zhang e colegas da Universidade de Sidney, na Austrália, conseguiram um marco importante justamente nesta última opção, as baterias de sódio-enxofre.

Usando um processo de pirólise simples e elétrodos à base de carbono para melhorar a reatividade do enxofre e a reversibilidade das reações entre o enxofre e o sódio, o protótipo apresentou uma densidade de energia recorde e um tempo de vida ultralongo a temperatura ambiente.

"Nossa bateria de sódio tem o potencial de reduzir drasticamente os custos, fornecendo quatro vezes mais capacidade de armazenamento. Este é um avanço significativo para o desenvolvimento da energia renovável que, embora reduza os custos a longo prazo, apresenta várias barreiras financeiras à entrada," disse o professor Shenlong Zhao, coordenador da equipe.

Bateria de baixo custo
Embora as primeiras baterias de sódio-enxofre (Na-S) tenham sido desenvolvidas há mais de cinquenta anos, elas têm sido consideradas uma alternativa menos promissora devido a uma baixa capacidade de energia e poucos ciclos de vida (carregamento/descarregamento).

Mas melhorá-las pode valer a pena porque o sódio-enxofre é um tipo de sal fundido que pode ser processado a partir da água do mar, custando muito menos para ser produzido do que o lítio.

Os pesquisadores afirmam que sua bateria Na-S agora representa também uma alternativa mais densa em energia e menos tóxica às baterias de íõess de lítio, que, embora usadas extensivamente em dispositivos eletrónicos e para armazenamento de energia, são muito caras.

Os resultados foram tão promissores que a equipa já fala em comercialização, com os trabalhos já em andamento para passar dos protótipos em escala de "bateria botão" para células encapsuladas em alumínio, comercialmente usadas para fabricar diversos modelos de baterias.

Bibliografia:


terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Os ambientalistas e a mineração do lítio


Os ambientalistas são uns "chatos", parece que estão sempre contra o progresso, mas a focagem final é a sustentabilidade e o princípio de precaução que os motivam. Certamente em relação às novas tecnologias, vimos um crescimento acelerado das mesmas e desconhecíamos que dependem sobretudo de um metal alcalino, o lítio (e outros minerais raros). Não há respostas, mas se seguirmos uma economia circular, menos consumismo, impedir a obsolescência programada e eficiência energética válida e concreta, podemos evitar o mal maior que é a mineração propriamente dita. 
Já existem estudos em fase muito avançada de baterias de vidro/sódio e outros electrólitos extremamente abundantes na crosta terrestre e sem necessidade de mineração a céu aberto.