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quarta-feira, 25 de março de 2026

O Tratado Global sobre Plásticos: O Momento Decisivo

O planeta enfrenta uma crise que já não se mede apenas em ilhas de lixo flutuantes ou em praias desfiguradas. A invasão do plástico tornou-se biológica e sistémica. Todos os anos, milhões de toneladas de polímeros e as letais redes fantasma – armadilhas de nylon que perduram por séculos – invadem os nossos oceanos, dizimando baleias, tartarugas e aves marinhas, enquanto asfixiam ecossistemas vitais para a regulação do clima. Contudo, o perigo mais insidioso é aquele que não conseguimos ver a olho nu.

As milhões de toneladas de plástico que acabam no oceano chegam à nossa mesa e ao nosso corpo através do peixe, da água e até do sal. A ciência já confirmou: trata-se de um perigo para a saúde pública.

A ciência moderna confirmou o que há muito se temia: o plástico já faz parte da biologia humana. Microplásticos e nanoplásticos foram detetados no sangue, em órgãos vitais e até em placentas, o que significa que as novas gerações já nascem num ambiente de contaminação interna. De acordo com o estudo sobre Microplásticos na placenta humana, estas partículas não são inertes; elas transportam um cocktail de mais de 4.200 substâncias perigosas utilizadas na sua produção. 

Em Portugal, a preocupação com os microplásticos já saltou das páginas das revistas científicas para os alertas das autoridades de saúde. Substâncias como os bisfenóis, os ftalatos e os PFAS (químicos eternos) são classificados pela Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) e pelo National Institute of Environmental Health Sciences como disruptores endócrinos. Estes compostos têm a capacidade de interferir com o nosso equilíbrio hormonal, estando cientificamente ligados à infertilidade, ao aumento de doenças metabólicas como a obesidade e a formas agressivas de cancro. Não se trata de uma ameaça distante: o projeto europeu de biomonitorização (HBM4EU), no qual Portugal participou, confirmou que estes químicos estão presentes no organismo da vasta maioria dos cidadãos europeus, provenientes da nossa alimentação e da degradação desenfreada do plástico no meio ambiente.

Apesar da gravidade da situação exposta em relatórios sobre o impacto nos ecossistemas marinhos, a resposta global tem sido, até agora, insuficiente. Falar apenas em "limpar o lixo" ou em melhorar a reciclagem — que processa menos de 10% do plástico mundial — é ignorar a raiz do problema. Estamos a tentar secar um chão inundado sem fechar a torneira. É por isso que o Tratado Global sobre Plásticos, agora na sua fase decisiva de negociação nas Nações Unidas, não pode ser um acordo de intenções vagas.

Exigimos um tratado ambicioso que não se foque apenas na gestão do resíduo final, mas que imponha limites vinculativos à produção de plástico virgem. É imperativo banir os químicos tóxicos que impedem uma economia circular segura e responsabilizar financeiramente as empresas pelo ciclo de vida completo dos seus produtos. O tempo das soluções cosméticas terminou. O que está em causa não é apenas a preservação da natureza, mas a integridade da saúde humana e a viabilidade da vida nos oceanos. Precisamos de um compromisso que trave a produção na origem, antes que o plástico substitua permanentemente a vida no nosso planeta azul.

Assina e divulga esta petição

segunda-feira, 2 de março de 2026

Jovens portugueses apresentam pior saúde mental que adultos acima dos 55 anos


A saúde mental dos portugueses é pior entre os jovens adultos face à população acima dos 55 anos, apesar dos laços familiares fortes e hábitos alimentares saudáveis, fatores socioculturais habitualmente associados a essa diferença geracional.

É assim em todos os 84 países analisados no relatório Global Mind Health (Saúde Mental Global) 2025 e Portugal não é exceção: os níveis de saúde mental dos jovens são tendencialmente mais baixos em comparação com as faixas etárias mais velhas.

O relatório, da organização Sapien Labs, mede a saúde mental das populações com acesso à Internet e na edição mais recente, divulgada esta quinta-feira, apresenta dados de perto de um milhão de pessoas em 84 países, incluindo Portugal.

À semelhança da tendência global, também os jovens portugueses, entre os 18 e 34 anos, experienciam mais desafios de saúde mental clinicamente significativos, quando comparados com a faixa etária acima dos 55 anos.

Ligeiramente acima da média global de 36 (numa escala de -100 a 200), o quociente de saúde mental médio dos jovens portugueses aproxima-se de 40.

Portugal surge em 46.º lugar
No 'ranking' dos 84 países participantes, Portugal surge assim em 46.º lugar, melhor posicionado do que a população portuguesa acima dos 55 anos de idade que, ainda assim, apresenta melhores níveis de saúde mental do que os jovens.

Com perto de 90 pontos no quociente de saúde mental, os portugueses nesta faixa etária conseguem, de acordo com a escala, ser plenamente produtivos, 70% do tempo, em todos os aspetos da vida.

No contexto global, as diferenças geracionais são tendencialmente maiores nos países mais ricos e, pelo contrário, menos acentuadas nos países da África subsaariana.

A influência dos alimentos ultraprocessados
Os autores apontam quatro aspetos socioculturais que explicam os níveis de saúde mental mais baixos entre os jovens, mas nem todos explicam os dados referentes a Portugal, desde logo no que respeita aos hábitos alimentares.

De acordo com estudos citados no relatório, o consumo de alimentos ultraprocessados -- "cujo consumo está a aumentar entre as gerações mais jovens" - contribui entre 15 a 30% para o agravamento da saúde mental e está associado ao aumento da depressão e diminuição do controlo emocional e cognitivo.

Os jovens portugueses, no entanto, destacam-se por serem dos que menos consomem este tipo de alimentos, ainda que o façam mais do que os adultos acima dos 55 anos.

Portugal é um dos 25 países em que os jovens da "geração Z", entre os 18 e 24 anos, começaram a utilizar 'smartphone' mais cedo, entre os 12 e os 13 anos, sendo que o acesso precoce a 'smartphones' está associado ao aumento de ideação suicida, agressão e outros problemas na vida adulta.

Outro dos aspetos em que Portugal surge destacado diz respeito aos laços familiares fortes, associados a sintomas depressivos "significativamente mais baixos".

Em 18.º lugar no 'ranking', Portugal é dos países em que a percentagem de jovens adultos com laços familiares fortes é mais próxima da registada entre os adultos acima dos 55 anos, a par de Itália, França, Bélgica.

Quanto à espiritualidade, outro dos aspetos socioculturais analisados e associado a "vários benefícios de saúde mental", a percentagem é ligeiramente mais elevada entre os mais jovens, uma tendência que se verifica, ainda que em maior proporção, sobretudo em países da África subsariana e Israel.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

A epidemia invisível dos ultraprocessados


Nas prateleiras dos supermercados, embalagens coloridas prometem conveniência, sabor imediato e preços acessíveis. Mas por detrás dessa sedução industrial esconde-se uma ameaça que a ciência tem vindo a estudar e não permite ignorar. Um estudo internacional publicado na The Lancet, assinado por 43 especialistas de vários países, revela que os alimentos ultraprocessados não são apenas "menos saudáveis” são agentes ativos de doença, com impacto mensurável em praticamente todos os órgãos humanos.

Os números impressionam. Em países como EUA, Reino Unido e Austrália, metade das calorias ingeridas diariamente provém de ultraprocessados. Snacks embalados, refrigerantes, refeições prontas e cereais artificiais tornaram-se rotina, substituindo alimentos frescos e minimamente processados. O estudo identificou mais de 30 associações distintas entre o consumo destes produtos e doenças crónicas: obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares, depressão e mortalidade precoce.

Mas o alerta vai mais longe. Não se trata apenas de calorias vazias ou excesso de açúcar. Os investigadores descrevem um efeito sistémico: fígado, rins, coração e cérebro mostram sinais de impacto direto. A combinação de aditivos, emulsionantes e processos industriais altera a forma como o corpo metaboliza os alimentos, criando uma espécie de “nova biologia alimentar” que fragiliza o organismo.

Esperar por "provas perfeitas" é repetir erro histórico
A comparação com o tabaco é inevitável. Tal como aconteceu no século XX, as empresas recorrem a marketing agressivo, lobbying político e estratégias de influência para atrasar regulamentações. A The Lancet avisa: esperar por “provas perfeitas” seria repetir o erro histórico de deixar que um produto nocivo se enraizasse ainda mais nas dietas globais.

O estudo não se limita à ciência. Aponta também para a política e para a desigualdade social. Os ultraprocessados são mais consumidos em comunidades vulneráveis, onde o preço e a conveniência pesam mais do que a qualidade nutricional. A crise é, portanto, dupla: sanitária e social.

​​De acordo com os inquéritos nacionais analisados pelos investigadores da série publicada na The Lancet, a presença destes produtos na dieta das famílias aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Em Espanha, por exemplo, a proporção de energia proveniente de ultraprocessados nas compras alimentares quase triplicou, passando de cerca de 11% para 32%. Na China, o salto foi igualmente significativo, de 4% para 10% em apenas 30 anos. A tendência repete-se na América Latina: no México e no Brasil, a contribuição energética dos ultraprocessados duplicou em 40 anos, evoluindo de 10% para 23%.

A análise mostra ainda que a proporção destes produtos na ingestão energética total varia de acordo com fatores económicos e culturais. Nos países do Sul da Europa com maior rendimento, como Portugal, Itália, Chipre e Grécia, e em algumas economias asiáticas, como Taiwan e Coreia do Sul, os ultraprocessados representam menos de um quarto da dieta. Já em nações como Austrália e Canadá, essa percentagem ultrapassa os 40%, enquanto no Reino Unido e nos EUA chega a superar metade da energia diária consumida.

Desafio não é só individual
Os especialistas pedem medidas urgentes: legislação forte, rotulagem clara com alertas visíveis, promoção ativa de dietas frescas e acessíveis e políticas públicas que enfrentam desigualdades. Para além da transparência informativa, defendem também regras mais apertadas no campo do marketing, sobretudo no que toca à publicidade dirigida a crianças e à difusão em plataformas digitais. Entre as medidas propostas está ainda a exclusão de alimentos ultraprocessados de instituições públicas, como escolas e hospitais, e a definição de limites tanto para a sua comercialização como para o espaço que ocupam nas prateleiras dos supermercados.

O desafio é global e não pode ser resolvido apenas com escolhas individuais. No fundo, o que este estudo revela é uma verdade desconfortável: os ultraprocessados são um motor silencioso da crise de saúde contemporânea. A sua omnipresença nas mesas e prateleiras representa uma ameaça comparável às epidemias de tabaco e álcool do século passado. A diferença é que, desta vez, a ciência chega cedo e clara. Falta saber se a política terá coragem de colocar a saúde antes do lucro.

domingo, 13 de abril de 2025

Vegetais e frutas congelados são mais saudáveis que os frescos?


É consensual que uma alimentação equilibrada deve incluir o consumo diário de frutas e vegetais. O ritmo de vida e o aumento dos preços é muitas vezes responsável pela tendência para cortar nesse tipo de alimentos. O consumo de legumes e frutos congelados é uma boa alternativa que, em certos casos, é até mais rica em alguns nutrientes, além de se tornar mais económica também pelo facto de evitar desperdícios.

Uma investigadora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália não só desfaz o mito de que "fresco é melhor", como também explica que em certos casos estes alimentos podem até ser mais ricos em alguns nutrientes quando são congelados.

Evangeline Mantzioris, diretora do Programa de Nutrição e Ciências dos Alimentos da Universidade do Sul da Austrália, explica que os vegetais e frutas congelados logo após o momento da colheita podem ser mais ricos em alguns nutrientes, como as vitaminas C e E.

A investigadora adianta que se estes produtos forem adequadamente congelados têm propriedades nutricionais equivalentes aos frescos.

"Minerais como cálcio, ferro e magnésio permanecem em níveis semelhantes nos produtos congelados em comparação com os frescos. Outra vantagem dos vegetais e frutas congelados é o potencial de redução do desperdício de alimentos, já que se pode usar apenas o que se precisa no momento", refere Mantzioris, num artigo publicado no site The Conversation.

A especialista enumera outras vantagens dos produtos congelados, nomeadamente a possibilidade de serem conservados durante mais tempo, quando são congelados logo após a colheita ou depois de comprados ao produtor, no mercado ou na feira.

Mantzioris indica também a técnica adequada para um congelamento adequado dos vegetais, que devem ser cozidos por pouco tempo em água a ferver e logo de seguida passar para água com gelo. Após este processo, o produto pode ser congelado sem perder os seus nutrientes.

"Os vegetais congelados não são adequados para saladas, mas podem ser consumidos assados ​​ou cozidos no vapor e usados ​​em sopas, ensopados, caçarolas, caril, tortas e quiches. As frutas congeladas podem ser usadas ao pequeno-almoço, com cereais, iogurte ou utilizadas na culinária de tortas e bolos de frutas, por exemplo", acrescenta a especialista.Mudar hábitos alimentares pode dar-lhe mais 10 anos de vida

Relação entre longevidade e o consumo de frutas e vegetais
A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de pelo menos 400g (o equivalente a cinco porções) de frutas e vegetais por dia. O reduzido consumo destes alimentos é um dos dez principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis, alerta a OMS.

Um estudo recente da Universidade de Harvard, divulgado pela Associação Americana de Saúde Pública, vem ao encontro das diretrizes da OMS ao concluir que para viver mais é recomendado o consumo de duas porções de frutas e três porções de vegetais todos os dias.

"Essa quantidade provavelmente oferece o maior benefício em termos de prevenção de doenças crónicas graves e é uma ingestão relativamente alcançável para o público em geral", refere Dong Wang, principal autor do estudo, em entrevista ao site CNBC.

Com o objetivo de investigar a relação entre longevidade, mortalidade e o consumo de frutas e vegetais, foram analisados dados de mais de 100 mil adultos desde 1984 a 2014.

Durante 30 anos, foram usados questionários de hábitos alimentar a cada dois ou quatro anos. Esta investigação também recolheu informações de outros 26 estudos sobre o consumo de frutas e vegetais.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Negative Health Impacts of Ultra-Processed Foods Go Beyond Their Nutritional Profiles, Researchers Say



The impact of ultra-processed food consumption on human health may be more significant than the food’s nutritional qualities.

According to new research in Italy, food ratings currently used for packaged food labels may miss the point by mainly focusing on the nutritional profile of processed foods.People should stop focusing only on the nutritional profile of food. They need to start exploring the degree of processing in the food they buy.- Marialaura Bonaccio, senior epidemiologist, Italian Mediterranean Neurologic Institute

The research paper published by the Journal of the British Medical Association (BMJ) found that significant ultra-processed food consumption leads to higher mortality risks by several causes. However, the nutritional profile of such food does not impact these risks.

The same edition of the BMJ also featured American research demonstrating a link between high consumption of ultra-processed food and colorectal cancer, with significant differences in the impact between men and women.

Investigating the results of their 15-year study on more than 20,000 individuals, the Italian researchers tested the effects of consuming ultra-processed food, classified as such by NOVA ratings, while also considering their nutritional classification from the Food Standards Agency Nutrient Profiling System (FSAm-NPS).

NOVA was developed by researchers at the University of São Paulo in Brazil. According to a 2019 United Nations Food and Agricultural Organization paper, NOVA definitions of ultra-processed foods are the most applied in scientific literature.

FSAm-NPS, on the other hand, is currently used to rate foods by relevant front-of-pack-labeling systems, such as the French-born Nutri-Score.

“We felt the need to see if Nutri-Score could really help improve public health, as the European Commission is currently considering its introduction as an E.U.-wide mandatory food rating system,” Marialaura Bonaccio, senior epidemiologist at the Italian Mediterranean Neurologic Institute and co-author of the study, told Olive Oil Times.

“In the last 10 years, research has gone beyond focusing on the sole nutritional composition of foods,” she added. “Thanks to the work of Carlos Monteiro and others, the research has begun focusing on how food is transformed and manipulated.”

According to the researchers, both FSAm-NPS and NOVA reach their food rating goals when individually applied to foods. Results change, though, when the two indexes are jointly considered.

“Both systems correctly predict health risks,” Bonaccio said. “If you constantly choose foods rated as inadequate by Nutri-Score, you expose yourself to greater risks of incurring relevant diseases. The same goes for NOVA, which is also associated with coronary heart disease risk.”

“When they are jointly considered, though, the risks associated with Nutri-Score are reduced by the NOVA system, and that tells us we are not seeing the impact of a nutrient-poor diet but the impact of ultra-processed foods,” she added. “More than 80 percent of foods Nutri-Score rates as poor quality foods are ultra-processed.”

In the study, the authors wrote that “a significant proportion of the higher mortality risk associated with an elevated intake of nutrient-poor foods was explained by a high degree of food processing. In contrast, the relation between a high ultra-processed food intake and mortality was not explained by the poor quality of these foods.”

The NOVA system typically defines ultra-processed food as food having five or more ingredients not usually found in a household. Those substances, such as additives and enhancers, are part of ultra-processing methods as they derive from the further processing of food components.

“The ultra-process definition is crucial because it is not univocal. It is mostly common sense,” Bonaccio said. “If I bake a pie at home, I might use many simple ingredients such as flour, eggs or milk. And the outcome might depend on the correct balance among those ingredients.”

“But when, on top of that, I use food additives, then the pie starts to become an ultra-processed food,” she added. “That is why the definition is not totally unambiguous. For example, if in a supermarket you see a fruit-based yogurt whose package displays five lines of ingredients, it might be enough to spot an ultra-processed food.”

The food industry commonly uses additives to give specific colors to food and sweeten or preserve it. Other additives cover many functions, such as enhancing flavors, suppressing fungi, inhibiting particular characteristics of the food or sanitizing the food itself.

“The processing of foods might play a role in health beyond their nutritional composition, through a variety of mechanisms triggered by non-nutritional components, such as cosmetic additives, food contact materials, neoformed compounds, and degradation of the food matrix,” wrote the researchers.

“The health risks that we have found in our study are related to significant consumption of ultra-processed food,” Bonaccio added. “Therefore, the suggestion here is not to abolish that kind of food but to limit its intake. People should stop focusing only on the nutritional profile of food. They need to start exploring the degree of processing in the food they buy.”

She recommends that a suitable method to limit ultra-processed food is to spend more time in the kitchen and follow the advice of food journalist and author Michael Pollan not to eat any food your grandmother would not recognize as food.

“Your grandmother would not know what substances like maltodextrin are. That means that cooking must stay close to the origin of food and away from food manipulation as much as possible,” Bonaccio said, citing a widely-used ultra-processed carbohydrate.

In a joint editorial about the two studies published by the BMJ, Carlos A. Monteiro, a professor of public health nutrition at the University of São Paulo and Geoffrey Cannon, a senior research fellow, warned that “to reformulate ultra-processed foods by methods such as replacing sugar with artificial sweeteners or fat with modified starches and adding extrinsic fiber, vitamins, and minerals, is not a solution.”

“Reformulated ultra-processed foods would be especially troublesome if promoted as ‘premier’ or ‘healthy’ products,” they added. “They would remain partly, mainly, or solely formulations of chemicals.”

Following their study, the Italian researchers warned against adopting any food labeling system mainly based on the nutritional aspects of food.

“Within Nutri-Score, for instance, you could find highly refined and processed foods which achieve a good and apparently healthy score,” Bonaccio said. “That happens because they might be low in salt, sugar or fats. But that does not mean they are to be considered a healthy food.”

An example of this is artificially-sweetened sugar-free sodas, which achieve healthy scores, “even when they are not food at all, but just a chemical formulation,” Bonaccio added.

She noted that ultra-processed food intake is growing globally. “In the United States and the United Kingdom, the most recent data show that 60 percent of the daily calories, on average, come from this kind of food. We are still at 20 percent in Italy, but that is the tendency here as well.”

While the latest American and Italian studies join the growing literature on the health effects of ultra-processed food consumption, it remains unclear what the reasons are for such negative health consequences.

“We must investigate the inner mechanism,” Bonaccio said. “Being now able to set aside the nutritional aspects of poor quality food, we still have to understand what triggers such harmful reactions.”

Researchers in many countries are working on several hypotheses, investigating the impact of alterations to the food matrix or the destruction of phytochemicals and other substances.

Other research is focused on the impact of food separation and re-aggregation on the microbiome and insulin response or the exposure to plastic due to the packaging of most products.

“Each of those conditions might be a trigger for physiopathological processes,” Bonaccio said. “We are currently working on the inflammatory pathway, as these aspects might exert a role in rising inflammation levels.”

“The Mediterranean diet lights the path,” she concluded. “The MedDiet is not only fruits, vegetables, a light intake of wine and olive oil; it is mostly an un-processed food diet. We should always remember that it comes from farmers’ tradition made with raw foods or slightly processed foods and the use of minimal techniques.”

See Also:

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Obesidade Mental - Andrew Oitke - Aviso à Navegação


Não existe o tal Andrew Oitke nem a obra Mental Obesity. O artigo é de facto de João César das Neves, efabulação por ele criada e publicada no DN em 22.03.04

Portanto averiguem sempre as fontes. A pequena farsa da "Obesidade Mental"

Reproduzo o texto.

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity»,que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.». Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.». O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandela é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.

sábado, 17 de outubro de 2009

Food industry 'too secretive' over nanotechnology


Comment from Patrick Mulvany, Co-chair UK Food Group, Friday, January 8, 2010

As warned in my New Year message, industry is pushing hard for greater control over the food system. Beyond GMOs, proprietary nanotechnologies and synthetic biology will confer even greater control to food and agribusinesses. Following hot on the heels of the DEFRA 2030 food strategy , published on Tuesday this week, which says "GM, like nanotechnology, is not a technological panacea for meeting the varied and complex challenges of food security, but could have some potential to help meet future challenges", the House of Lords published its report on Thursday "Nanotechnologies and Food". 
A BBC report on this is pasted below. The House of Lords report can be found here (report) and evidence here . The House of Lords committee, headed by Krebs (ex Food Standards Agency), is trying to educate the public to accept nanoparticles in their food or food packaging. The estimated market in food related nanotechnology is expected to increase 10 fold by 2012. 
Project on Emerging Nanotechnologies, , run by the Washington-based Woodrow Wilson International Center for Scholars, has found that there are currently 84 foods or food-related products that use nanotechnology. Lord Krebs said that the industry "...got their fingers burnt over the use of GM crops and so they want to keep a low profile on this issue. We believe that they should adopt exactly the opposite approach. If you want to build confidence you should be open rather than secretive." The openness and transparency proposed by the House of Lords committee is, however, very limited... Recommendation 30 says: "8.30. Consumers can expect to have access to information about the food they eat. But blanket labelling of nanomaterials on packages is not, in our view, the right approach to providing information about the application of nanotechnologies." Georgia Miller's (Friends of the Earth, Australia) excellent evidence to the Committee, in the same session with Sue Davies of WHICH and Vyvyan Howard, Soil Association (pp 156 and following, in part 2 of the report) includes in annexe the call from CSOs for a moratorium in the use of nanomaterials in food and agriculture. CIVIL SOCIETY GROUPS WHICH HAVE CALLED FOR A MORATORIUM ON NANOTECHNOLOGY'S USE IN FOOD AND AGRICULTURE . Growing numbers of civil society groups have called for a moratorium on the commercial release of food, food packaging, food contact materials and agrochemicals that contain manufactured nanomaterials until nanotechnology-specific regulation is introduced to protect the public, workers and the environment from their risks. 

Some of these groups are also insisting that the public be involved in decision making. Groups calling for a moratorium include: Corporate Watch (UK); the ETC Group; Friends of the Earth (Australia, Europe and the United States); GeneEthics (Australia); Greenpeace International; International Centre for Technology Assessment (US); International Federation of Journalists; the Loka Institute; Practical Action; and The Soil Association UK. The International Union of Food, Agricultural, Hotel, Restaurant, Catering, Tobacco and Allied Workers' Associations, representing 12 million workers from 120 countries, has also called for a moratorium. The Nyeleni Forum for Food Sovereignty was a civil society meeting of peasants, family farmers, fisher people, nomads, indigenous and forest peoples, rural and migrant workers, consumers and environmentalists from across the world. Delegates were concerned that the expansion of nanotechnology into agriculture will present new threats to the health and environment of peasant and fishing communities and further erode food sovereignty. 

The forum also resolved to work towards an immediate moratorium on nanotechnology (Nye'le'ni 2007—Forum for Food Sovereignty 2007). The organic sector is also beginning to move to exclude nanomaterials from organic food and agriculture. The United Kingdom's largest organic certification body announced in late 2007 that it will ban nanomaterials from all products which it certifies. All organic foods, health products, sunscreens and cosmetics that the Soil Association certifies will now be guaranteed to be free from manufactured nanomaterial additives (British Soil Association 2008). The Biological Farmers of Australia, Australia's largest organic representative body, have also moved to ban nanomaterials from products it certifies. A faux 'moratorium' is proposed by the House of Lords committee. It is simply a recommendation not to allow the use of unlicensed materials. Risk Assessment "8.20. We endorse the case-by-case approach taken by the European Food Safety Authority in assessing the safety of products. It allows the responsible development of low-risk products where safety data are available and is, in effect, a selective moratorium on products where safety data are not available. It provides consumers with the greatest security and ensures that unless a product can be fully safety assessed, on its own merits, it will not be allowed on to the market (paragraph 6.12). (Recommendation 20)" It might be useful for the House of Lords committee to set this report in the context of a food sovereignty, as opposed to the food industry's, interpretation of DEFRA's indicators for a sustainable food system. A food sovereignty interpretation would emphasise specific indicators for good, healthy food sourced as locally as possible from knowledgeable and skilled food providers who use ecological practices.

The indicators align to each section of Food 2030:
1. Enabling and encouraging people to eat a healthy, sustainable diet
2. Ensuring a resilient, profitable and competitive food system
3. Increasing food production sustainably
4. Reducing the food system’s greenhouse gas emissions
5. Reducing, reusing and reprocessing waste
6. Increasing the impact of skills, knowledge, research and technology

The indicator assessments on the following pages should be read in conjunction with the UK Food Security Assessment For a backgrounder on the potential dangers of nanotechnology in the food system see "Down on the Farm: The Impact of Nano-scale Technologies on Food and Agriculture" We need to be vigilant. Patrick PS You may be interested to see that DEFRA's statistics team praises Cadbury's decision to make its Dairy Milk bar a fairtrade product (Indicators, p 123). This is the same DEFRA that highlights Kraft foods as an example of sustainable practice (Food 2030, p 28). People in Bournville will not be amused... DEFRA should rather have called in Kraft for 'sharp practice'. Patrick Mulvany Co-chair UK Food Group Senior Policy Adviser PracticalAction Bourton, Rugby, CV23 9QZ