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sexta-feira, 6 de março de 2026

EUA criticam “políticas agressivas” criadas para enfrentar alterações climáticas


O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, criticou ontem, nas Nações Unidas, aquilo que considerou “políticas agressivas” criadas para enfrentar as alterações climáticas, as quais classificou como “irrealistas e mal planeadas”.

“Precisamos de mais energia, não de menos, e precisamos dela agora. Sem energia acessível, fiável e segura, nada funciona. Energia é vida. A ausência de energia é pobreza, desespero e morte. É assim que fazemos crescer as nossas economias. É assim que inovamos, alimentamos o nosso dia-a-dia e garantimos a segurança das nossas nações”, defendeu Wright.

O secretário norte-americano presidia a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre “Energia, minerais críticos e segurança”, com uma intervenção que acabou por atacar as políticas de combate às alterações climáticas.

“Nos últimos anos, muitos Governos adotaram políticas climáticas agressivas. Estas políticas, criadas em nome das alterações climáticas, têm sido irrealistas e mal planeadas. As ilusões energéticas implícitas nas políticas climáticas representam ameaças reais e crescentes para as nações e povos de todo o mundo”, defendeu.

As declarações do secretário de Energia estão em linha com a posição do Presidente norte-americano, Donald Trump, que desde que regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, esforçou-se por reverter as políticas climáticas decretadas pelo seu antecessor, Joe Biden.

O passo mais recente nesse recuo foi dado no mês passado, quando Trump anunciou que rejeita a descoberta científica de que as mudanças climáticas colocam em risco a saúde humana e o meio ambiente, pondo fim à autoridade legal do Governo federal para controlar a poluição que está a aquecer o planeta de forma perigosa.

Em várias ocasiões, Trump referiu-se às mudanças climáticas como uma “farsa”.

Na reunião de hoje na ONU, e falando em nome dos Estados Unidos, Wright afirmou que “a segurança energética é segurança nacional” e alertou contra a excessiva dependência de um único fornecedor para recursos críticos.

Lembrando a crise energética europeia resultante da dependência do petróleo e do gás russos, realçou que “a energia é demasiado importante, demasiado essencial para a vida, para que erremos na sua gestão”.

O representante da administração Trump acrescentou que é do interesse da segurança dos Estados Unidos e dos seus aliados não depender de nenhum país para minerais críticos, destacando os esforços para manter as rotas comerciais globais abertas e reforçar a cooperação económica e de segurança.

De acordo com Chris Wright, os Estados Unidos e aliados “estão a trabalhar arduamente para manter os mares abertos e as principais rotas comerciais, do Canal do Panamá ao Mar Vermelho e ao Estreito de Ormuz, seguras e com fluxo contínuo”.

Já a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, destacou, na mesma reunião, que uma governação responsável dos minerais críticos é essencial para a paz e o desenvolvimento.

DiCarlo afirmou que os minerais críticos estão “entre os principais motores da economia do século XXI”, sustentando tecnologias que vão desde os ‘smartphones’ aos veículos elétricos.

Alertou, porém, que a crescente procura — que deverá triplicar até 2030 — eleva também o risco de intensificar a competição geopolítica e os conflitos nas regiões ricas em recursos.

A representante da ONU recordou que várias regiões e países afetados por conflitos são grandes produtores de minerais críticos, sublinhando que mais de 70% da extração global de cobalto, por exemplo, ocorre na República Democrática do Congo, sendo que a maioria das baterias que alimentam os dispositivos inteligentes depende desse mineral.

Já Myanmar (antiga Birmânia) é uma das maiores fontes mundiais de elementos de terras raras, essenciais para ímanes de alto desempenho utilizados em eletrónica avançada.

E a Ucrânia, por sua vez, possui reservas significativas de titânio e lítio, indispensáveis para tecnologias aeroespaciais e manufatura avançada.

A mineração ilegal pode “impulsionar economias ilícitas e financiar grupos criminosos e armados”, disse DiCarlo, apelando a uma governação mais forte, à transparência na cadeia de abastecimento e à diplomacia para garantir que os minerais apoiam o desenvolvimento sustentável e a paz.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

FIFA cria (grande) prémio sobre a paz e o primeiro vencedor é Donald Trump



Presidente dos Estados Unidos recebe prémio que vai passar a ser atribuído a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz"

Não é um Prémio Nobel da Paz, mas é o mais perto disso. A FIFA atribuiu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prémio relacionado com a paz, que se chama FIFA Peace Prize (Prémio FIFA da Paz).

Após a divulgação de um vídeo em que exaltam a procura da paz por parte do presidente norte-americano, lembrando os acordos alcançados, nomeadamente na Faixa de Gaza, o organismo que gere o futebol mundial quis congratular oficialmente Donald Trump.

Trata-se de um prémio em ouro, com várias mãos a tocarem uma bola que as encima. Um prémio grande em tamanho e que é também acompanhado por uma medalha, além de um certificado em que constam as razões para a atribuição deste prémio.

De acordo com Gianni Infantino, que gere a FIFA e tem estreitado laços com Donald Trump, este é um prémio que passará a ser entregue a "indivíduos que tenham feito ações extraordinárias e excecionais pela paz".

Donald Trump, que subiu rapidamente a palco para receber aquilo que confirmou ser uma das suas maiores honras, destacou os esforços feitos para acabar com vários conflitos. "Esta é realmente uma das maiores honras da minha vida. [Há] tantas guerras que conseguimos acabar, em alguns casos até antes de começarem, mesmo antes de começarem", apontou, referindo-se nomeadamente a um possível conflito entre Paquistão e Irão.

De recordar que o presidente norte-americano tinha dito mesmo antes da atribuição do Nobel da Paz, que acabou por ir parar à venezuelana Maria Corina Machado, que tinha conseguido acabar com sete guerras, o que é comprovadamente falso, como pode confirmar neste artigo da CNN Portugal.

"Salvámos milhões de vidas: no Congo, por exemplo, morreram 10 milhões de pessoas. Também com a Índia e o Paquistão, impedimos que as guerras acontecessem mesmo antes de começarem", reiterou, referindo-se à República Democrática do Congo.

"Gianni [Infantino] fez um trabalho incrível, estabeleceu um novo recorde de vendas de bilhetes. É uma bela homenagem a si e ao jogo de futebol, ou como lhe chamamos futebol. Os números ultrapassam tudo o que pensávamos ser possível", culminou.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Aquecimento acelera, enquanto resiliência do sistema terrestre diminui, indica relatório lançado na COP30



Os cientistas do clima estão mais preocupados do que nunca, afirma Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, da Alemanha. O cientista sueco, que propôs o conceito de limites planetários para definir as margens seguras para a pressão humana sobre processos ambientais essenciais para a estabilidade do planeta, tem chamado a atenção, com diversos outros pesquisadores, para novas evidências científicas que indicam que o aquecimento global está acelerando, enquanto a resiliência do sistema terrestre diminui.

“Estamos em apuros. O planeta está mostrando os primeiros sinais de redução da capacidade de amortecer e resfriar o estresse que estamos causando por meio de nossas emissões de gases de efeito estufa. Estamos nos aproximando rapidamente do ponto de inflexão e precisamos agir mais rápido do que temos feito até agora”, disse Rockström em palestra de inauguração do Pavilhão da Ciência Planetária, no primeiro dia da COP30.

Um relatório coordenado pelo pesquisador, lançado em setembro, indicou que sete de nove limites da segurança planetária já foram ultrapassados. Entre eles, as mudanças climáticas, a integridade da biosfera, o uso do solo, o uso de água doce, os ciclos biogeoquímicos (nitrogénio e fósforo) e a introdução de novas entidades (como produtos químicos e plásticos).

Agora, um novo relatório elaborado por 70 renomados cientistas de 21 países – entre eles do Brasil –, que foi lançado oficialmente durante a COP30, aponta que os sumidouros naturais de carbono do planeta – entre eles as florestas tropicais – estão atingindo limites críticos, absorvendo menos emissões que as esperadas, enquanto décadas de mudança climática têm debilitado sua capacidade.

Até o oceano, outro sumidouro vital de carbono e calor, está absorvendo menos dióxido de carbono (CO2), enquanto intensas ondas de calor marinhas devastam os ecossistemas e os meios de subsistência costeiros.

“O planeta inteiro está apresentando sinais de diminuição na capacidade de absorção de carbono”, disse Rockström, que é membro do conselho editorial do relatório. “A maior preocupação, com base nos dados atuais, reside nas regiões temperada e boreal e na zona do permafrost [solo congelado em regiões muito frias que retém gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono]”, disse Rockström.

De acordo com dados compilados para o relatório, os ecossistemas do hemisfério Norte começaram a indicar, a partir de 2016, uma redução na capacidade de absorção de carbono.

“Isso está a ficar muito preocupante porque sabemos que muitas áreas da parte brasileira da floresta amazônica já deixaram de ser sumidouros e se tornaram fontes de carbono, mas a mesma coisa está acontecendo com as florestas temperadas e boreais”, ponderou.

Remoção de dióxido de carbono
A ampliação da remoção de dióxido de carbono (CDR, na sigla em inglês) é necessária para complementar – e não substituir – cortes rápidos nas emissões, ponderam os autores do relatório.

O desenvolvimento de diretrizes internacionais robustas e o apoio à pesquisa e à inovação são essenciais para preencher a lacuna de CDR e apoiar tanto as metas de curto prazo quanto a estabilidade climática de longo prazo, garantindo, ao mesmo tempo, salvaguardas ambientais e sociais, apontam.

“As políticas climáticas mais ambiciosas discutidas hoje visam reduzir as emissões em 45% até 2030 e ter uma economia mundial com emissões líquidas zero até 2050, mas ninguém está cumprindo essa meta. Se não ampliarmos a CDR, teremos que descarbonizar a economia global até 2040”, apontou Rockström.

Segundo o cientista, mesmo com as melhores atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) pelos países, será possível conseguir reduzir as emissões globais em 5% até 2035. Mas as evidências científicas mostram que esse ritmo não será suficiente, ponderou.

“Na verdade, precisamos reduzir as emissões em 5% por ano, e não por década. É isso que a ciência nos diz para, no mínimo, desviar do perigo”, sublinhou.

Subsídio para as negociações
O relatório é fruto de uma iniciativa da Future Earth, da Earth League e do Programa Mundial de Pesquisa Climática, que todos os anos reúnem alguns dos principais cientistas do clima de todo o mundo para analisar as descobertas mais urgentes na pesquisa sobre mudanças climáticas. Os resultados são apresentados num artigo acadêmico revisado por pares e um relatório de ciência e política para oferecer uma síntese aos formuladores de políticas e à sociedade em geral para subsidiar as negociações das COPs.

“Espero que as conclusões do relatório estimulem o senso de urgência nos formuladores de políticas para que comecem a agir com base nas descobertas científicas”, disse Deliang Chen, professor da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e um dos autores da síntese.

O relatório é complementar aos publicados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas com algumas diferenças, comparam os autores.

“Analisamos, todos os anos, os dados científicos do ano anterior que mostram evidências relacionadas às mudanças climáticas e sintetizamos isso em uma mensagem muito clara e direta. Esperamos que isso funcione de forma muito mais eficiente para a formulação de políticas e, de fato, subsidie as ações que serão tomadas e as negociações”, disse Regina Rodrigues, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e uma das autoras da publicação.

sábado, 25 de outubro de 2025

Documentário: Arma de Guerra- Violência Sexual contra os Homens

Sexual violence is a well-known weapon of war. One that is deployed against men, as well as women. The enemy is not killed, but destroyed nonetheless. In this documentary, men from Ukraine, Congo and Bosnia break their silence.

Most male survivors of sexual violence remain silent. So the perpetrators get away with it. Often, the perpetrators do not even have a sense of wrongdoing when they commit these war crimes.

The first men to seek justice at the International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia (ICTY) in The Hague were survivors of the Bosnian War (1992-1995). This marked a turning point.

Zihnija Bašić from Bosnia tells how he had to fight for a long time to be recognized as a war victim after his rapes. He still suffers from the abuse to this day. Oleksiy Sivak from Ukraine has since founded a self-help group. Like his friend Roman Shapovalenko, he was sexually abused by Russian occupying forces. 

Masokolo Lemba from the Congo is also a member of a self-help group. Lemba fled from the war in his home country to Uganda - where survivors of sexual violence are often accused of homosexuality, which is a punishable offense in Uganda. This stigmatization and criminalization make it difficult to cope with the trauma. 

Historian Regina Mühlhäuser is a member of an international research group that investigates sexual violence against men. She says: "If you want to prevent sexual violence against men in war-time, you have to fight it in peace-time. After all, prisons and the military are often breeding grounds for this violence."

Despite their fear of stigmatization and discrimination, the survivors in this film have chosen to tell their stories in order to bring this taboo topic to light.

sexta-feira, 20 de junho de 2025

Dia Mundial dos Refugiados - cortes brutais na ajuda humanitária estão a sufocar a assistência

UN High Commissioner for Refugees Filippo Grandi greets women and children returning to Syria from Lebanon on a bus at the Jdeidat-Yabous border crossing.

As Nações Unidas criticaram hoje, no Dia Mundial dos Refugiados, os cortes destinados à ajuda humanitária que põem em risco as 122 milhões de pessoas obrigadas a encontrar proteção longe dos locais de residência.

O responsável máximo pelo Alto Comissariado nas Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, lamentou em comunicado a incapacidade que se regista na solução dos conflitos e que provocou um aumento sem precedentes do número de refugiados de guerra em todo o mundo: 122 milhões.

Em concreto, Grandi referiu-se aos conflitos no Sudão, Ucrânia, República Democrática do Congo e Gaza. 

"Para piorar uma situação desesperada, os cortes brutais na ajuda humanitária estão a sufocar a assistência, ameaçando a vida de milhões de pessoas que precisam desesperadamente de ajuda", alertou o responsável pelo ACNUR na mensagem que assinala o Dia Mundial dos Refugiados.

O alto-comissário disse ainda que é importante reafirmar a solidariedade para com os refugiados com ações urgentes.

Por outro lado, demonstrou esperança em exemplos que disse serem inspiradores - que não especificou - de países localizados nos limites de zonas de guerra que continuam a acolher e a proteger refugiados.

"Os inúmeros atos individuais de bondade e compaixão (...) revelam a humanidade comum", afirmou sem detalhar. 

No mesmo documento, Filippo Grandi referiu que se encontra na Síria, onde após 14 anos de "crise e desespero" (guerra civil), dois milhões de pessoas já decidiram regressar.

No caso da Síria, Grandi referiu que existe esperança em relação à situação dos refugiados, tratando-se de uma oportunidade que deve ser aproveitada.  

Segundo Grandi, trata-se de momentos que são apenas possíveis graças à solidariedade demonstrada pelos países vizinhos da Síria, que proporcionam refúgio às pessoas.

O responsável da agência das Nações Unidas elogiou as comunidades sírias que estão a acolher os compatriotas com o apoio de instituições como o ACNUR e "parceiros locais e internacionais".

"Neste Dia Mundial dos Refugiados e todos os dias, os governos, as instituições, as empresas e os indivíduos podem provar que, ao ajudar as pessoas apanhadas em conflitos sem sentido, podem vir a alcançar estabilidade, humanidade e justiça", disse Grandi. 

Marcelo alia-se à ONU e pede solidariedade para com refugiados em Portugal
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que "este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal", pedindo ações nesse sentido e rejeitando "visões egoístas da comunidade". 

Numa mensagem publicada no 'site' oficial da Presidência da República, a propósito do dia mundial do refugiado, o chefe de Estado salienta que "a persistência e o agravamento dos conflitos, a crise climática, as complexas e perigosas inter-relações entre estes problemas, bem como os recentes cortes na ajuda humanitária forçam, neste ano de 2025, mais de 122 milhões de pessoas a abandonarem as suas casas em busca de segurança e proteção". 

Realçando que a Organização das Nações Unidas (ONU) pede solidariedade para com os refugiados, o Presidente da República português associa-se a este apelo. 

"Este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal, honrar as suas histórias e mostrar apoio inabalável à sua situação", lê-se na mensagem. 

O chefe de Estado português avisa que esta solidariedade expressa-se "por ações, entre as quais a criação de condições condignas de acolhimento e a promoção de políticas de proteção".

"Só assim se poderá priorizar um princípio de humanidade compartilhada, em detrimento de visões egoístas da comunidade", acrescenta. 

Ler mais:
«Não é para vocês»: abrigos israelitas excluem palestinianos enquanto as bombas caem

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Allison Russell - Superlover ft. Annie Lennox


Tears of rage tears of grief
Palestine, Israel to Tennessee
We need a Superlove
We need a Superlover

Double Dutch and Hula Hoops
All our fears in loops and loops
We need a Superlove
Need a Superlover

The night so cold
Who among us dreams the Dawn?
Who dreamt us and oh where have they gone?
Who keeps a candle lit for their return?
Who could count the flowers in your heart?

Lord let me die before my Child
Prayed every Mother far and wide
That’s a Superlove
I’m a Superlover

You can feel it near and far
It fades the moon and blinds the stars
That’s a Superlove
Are you a Superlover

Believe what you will
Believe they’re gonna tell you it’s naive
To be a Superlover
But we are Superlovers

There’s no God of fire and blood
If there’s a God, God is Love
We need a Superlove
Are you a Superlover?

Tears of rage tears of grief
Palestine, Israel to Tennessee
Tears of rage tears of grief
Sudan, Congo to Haiti
We need a Superlove
We can be Superlovers

sábado, 17 de maio de 2025

War/No More Trouble feat. Bono



À medida que viajávamos pelo mundo, encontrávamos amor, ódio, ricos e pobres, negros e brancos, bem como muitos grupos religiosos e ideologias diferentes. Ficou muito claro que, enquanto raça humana, precisamos de transcender das trevas para a luz e a música é a nossa arma do futuro. This Song Around The World conta com a participação de Bono, David Broza, Rocky Dawuni, Mermans Mosengo e músicos que viram e superaram conflitos e ódio com amor e perseverança. Não precisamos de mais problemas, o que precisamos é de amor. O espírito de Bob Marley vive sempre.

Until the philosophy which hold one race
Superior and another inferior
Is finally and permanently
Discredited and abandoned
Everywhere is war, me say war

(We don't need) No, we don't need (no more trouble)
No more trouble!
(We don't need no more trouble)

(We don't need) We don't need (no more) trouble!
We don't need no trouble!

What we need is love (love)
To guide and protect us on (on)
If you hope good down from above (love)
Help the weak if you are strong now (strong)

We don't need no trouble (Need no trouble)
What we need is love
(What we need is love sweet love) Oh, no!
We don't need, no more trouble!
Lord knows, we don't need no trouble!

Speak happiness! (Sad enough without your woes)
Come on, you all, and speak of love
(Sad enough without your foes)

We don't need no trouble (We don't need your troubles)
What we need is love now (What we need is love!)
(We don't need) Oh, we don't need no more trouble!
We don't need, no, we don't need no trouble!

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Global: Africans and people of African descent call on Europe to reckon with their colonial legacies


Experts from the African continent and its global diasporas called on European governments to address their colonial past and ongoing impacts at the Dekoloniale Berlin Africa Conference, a decolonial counter-version of the 1884/5 Berlin Africa Conference 140 years ago.

Representatives from Africa and people of African descent came together at the conference on November 15, 2024, to reflect on the history and lasting impacts 140 years after the opening of the 1884/5 Berlin Africa Conference, where European powers expanded their colonial reach across the African continent. Civil society organizations working on the legacies of colonialism in the world, including its ongoing impact on human rights, also joined the November 15 conference.

At the Dekoloniale Berlin Africa Conference, 19 experts discussed how the legacies of those historical injustices are linked to systemic racism and global inequality. The 19 experts included the award-winning UK broadcaster Gary Younge, the Angolan artist Kiluanji Kia Henda, the Cameroonian lawyer Alice Nkom, and Pumla Dineo Gqola, the South African academic, award-winning writer, and gender activist.

“It’s important the Dekoloniale Berlin conference took place at the site that changed the world in many ways, powered by an enormous sense of entitlement, which can never be fully returned,” said Pumla Dineo Gqola.

“The conversations around debt, human rights and reparations, even at the level of art and culture, the conversation of coloniality, is one that shows every aspect of how the EU is a power block. Going forward, I want to see a significant shift in the negotiation of states inside and out of the EU – and whatever that looks like needs to move beyond diplomacy, while conversations about reparations must be serious and move out of the realms of superficiality.”

The 19 experts, either from the African diaspora or invited from countries affected by the 19 European powers represented in the 1884/5 conference, set out a 10-point list of demands on human rights, reparations, migration, economy, trade and anti-racism.

Among their demands are calls for European governments to address their selective advocacy of human rights in their relations with the African continent based on political, economic and diplomatic interests; the need for European governments to adopt transformative actions that unconditionally recognize systemic racism, inequalities and inequities; fair and equitable trade and investment regimes between Africa and Europe while also consulting the African diaspora; an end to EU externalization of its border which has created EU borders on African soil; the return of what was stolen from communities – whether land, objects or the remains of ancestors; and inclusive dialogue where African communities lead the conversation on their terms.

“For far too long communities and individuals directly impacted by historical injustices have been demanding reparations, especially Indigenous Peoples and people of African descent, Rym Khadhraoui, researcher on racial justice at Amnesty International

As part of a wider Dekoloniale festival marking 140 years since the Berlin Africa Conference, African Futures Lab, Amnesty International and Human Rights Watch organized a joint workshop to explore strategies for communities impacted by colonial legacies – and who continue to be affected today – to achieve justice and fulfilment of their human rights in line with European governments’ obligations under international human rights law.

“For far too long communities and individuals directly impacted by historical injustices have been demanding reparations, especially Indigenous Peoples and people of African descent,” said Rym Khadhraoui, Amnesty International’s racial justice researcher. “Colonialism, enslavement, the slave trade and their ongoing legacies remain largely unaccounted for by European states and others who are responsible.”

Based on experts’ interventions, participants at the workshop shared and exchanged reparations struggles they have experienced and obstacles to upholding communities’ rights. Participants noted the failure of meaningful consultations of affected communities in the Namibia-Germany negotiations process to address Germany’s colonial crimes in Southwest Africa and by the UK government in the context of its negotiations with Mauritius around sovereignty over the Chagos Islands.

“Reckoning with these European colonial legacies is not optional for European governments, it’s an obligation under international human rights law. Almaz Teffera, researcher on racism in Europe at Human Rights Watch

African Futures Lab recently released a report on the Métis children— children of mixed African and European ancestry — abducted by Belgium’s colonial administration. In the Great Lakes region, organizations concerned with the rights of Métis children are demanding concrete reparations measures from the Belgian state. Five Métis women, who were forcibly taken during Belgium’s colonization of Congo, are pursuing legal action in Belgium against the Belgian state. They seek justice and reparations for crimes against humanity, with a ruling expected in early December.

“Reckoning with these European colonial legacies is not optional for European governments, it’s an obligation under international human rights law,” said Almaz Teffera, researcher on racism in Europe at Human Rights Watch. “European governments should embrace the need for victim-centred reparations processes that genuinely recognize and address the ongoing harms and losses as a result of their historic actions over the years.”

Going forward, those affected by colonialism are calling for accountability and acknowledgment of the historical injustices of European colonialism and its impacts on human rights in line with European governments’ obligation under international human rights law.

The far-reaching impacts are manifold, with Amnesty International highlighting the impacts of colonialism in a submission to the United Nations Special Rapporteur on contemporary forms of racism, racial discrimination, xenophobia and related intolerance.

It’s time to dismantle these structures and correct the historical wrongs that still shape our world today.Geneviève Kaninda, advocacy and policy officer at African Futures Lab

“Governments can no longer dismiss our call for reparations—they must be held accountable,” said Geneviève Kaninda, advocacy and policy officer for African Futures Lab. “True reparatory justice isn’t just a step forward; it’s a necessity for building a fair and equitable world rooted in racial justice. The colonial legacies of oppression have entrenched systemic racism, widened global wealth gaps, and fuelled inequality. It’s time to dismantle these structures and correct the historical wrongs that still shape our world today.”

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Genocídio do Ruanda - 30 anos depois


O genocídio no Ruanda, ocorrido em 1994, foi uma das maiores tragédias humanitárias do século XX. em apenas 100 dias, estima-se que cerca de 800 mil a 1 milhão de pessoas foram brutalmente assassinadas. a esmagadora maioria das vítimas pertencia à minoria étnica tutsi, além de moderados da maioria hutu que se opunham à violência.

O contexto e as raízes do conflito
  1. A divisão entre hutus (historicamente agricultores, a maioria da população) e tutsis (historicamente pastores, a elite minoritária) foi aprofundada durante o período colonial.
  2. Colonização alemã e belga: o território começou por ser uma colónia alemã, mas passou para as mãos da Bélgica após a primeira guerra mundial. foram os belgas que transformaram a divisão social numa separação racial rígida, introduzindo bilhetes de identidade com indicação étnica na década de 1930 e favorecendo a minoria tutsi.
  3. A inversão de poder (1959-1962): uma revolta hutu derrubou a monarquia tutsi e levou o país à independência. Milhares de tutsis fugiram para países vizinhos (como o Uganda) e formaram a frente patriótica ruandesa (RPF), um grupo rebelde armado.
  4. O estopim (6 de abril de 1994): o avião do presidente ruandês, Juvénal Habyarimana (um hutu), foi abatido em Kigali. Extremistas hutus culparam imediatamente os rebeldes tutsis e iniciaram a matança organizada na manhã seguinte.
Como o genocídio aconteceu
Diferente de outros genocídios industrializados da história, o horror no Ruanda foi perpetrado de forma extremamente direta e descentralizada, mobilizando civis comuns.
  1. Armas: a maior parte dos assassinatos foi cometida com catanas (facões), paus e enxadas.
  2. Milícias interahamwe: o exército oficial foi apoiado por milícias civis extremistas chamadas interahamwe ("os que atacam juntos").
  3. O papel da comunicação social: a estação de rádio estatal RTLM desempenhou um papel crucial, transmitindo discursos de ódio, identificando os tutsis como "baratas" e revelando esconderijos, nomes e matrículas de carros das pessoas a abater.
A inação internacional
Um dos aspetos mais marcantes e dolorosos do conflito foi a passividade do resto do mundo. a força de paz da ONU no terreno tinha ordens estritas para não intervir militarmente, servindo apenas como observadora.

Após a morte de 10 soldados belgas da ONU que protegiam a primeira-ministra ruandesa, a Bélgica retirou as suas tropas e o conselho de segurança da ONU reduziu o contingente militar no país para uma presença simbólica de menos de 300 homens, mesmo ciente do massacre em curso. Países como os EUA e a França evitaram ativamente classificar a situação como "genocídio" para não assumirem a obrigação legal de intervir.

O fim do conflito e consequências
O genocídio terminou em meados de julho de 1994, quando a frente patriótica ruandesa (RPF), liderada por Paul Kagame (que se tornou presidente do país), conseguiu avançar militarmente a partir do Uganda e capturar a capital, Kigali.
  1. Êxodo em massa: temendo represálias do novo governo dominado por tutsis, cerca de 2 milhões de hutus fugiram para o vizinho Zaire (atual República Democrática do Congo), gerando uma crise humanitária monumental.
  2. Justiça e reconciliação: o tribunal penal internacional para o Ruanda julgou os principais mentores do massacre. contudo, para lidar com a quantidade massiva de suspeitos locais, o governo recorreu aos tribunais comunitários tradicionais chamados gacaca, focados na confissão, no perdão e na reintegração comunitária.

Hoje, o Ruanda é um país amplamente pacificado, com uma economia de crescimento rápido e leis rigorosas que proíbem qualquer discurso baseado em divisões étnicas. o termo "hutu", "twa" ou "tutsi" foi abolido dos documentos oficiais; todos são agora, simplesmente, ruandeses.

sábado, 20 de janeiro de 2024

Documentário: Cobalto - O Reverso do Sonho Eléctrico


O carro elétrico promete uma transição ecológica limpa. O mercado automóvel global concentra esforços numa produção competitiva cuja chave é a exploração do ouro azul: o cobalto. O minério necessário para as baterias é encontrado principalmente no Congo. Mas a que preço?

“Uma Apple para ajudar. » É nestes termos que um coro de mineiros congoleses apela à comunidade internacional. Também lista os nomes de outros grandes grupos industriais ávidos por baterias eléctricas e, portanto, ávidos por cobalto, como Nokia, Samsung, Huawei, Tesla, BMW e General Motors. Essa música abre o documentário dirigido por Quentin Noirfalise e Arnaud Zajtman. Ele também fecha, dizendo: “Temos medo das suas baterias. »

Entretanto, o documentário leva-nos aos bastidores da mineração de cobalto. O lado negro do carro verde. Na verdade, este mineral azul é a chave para conduzir sem poluir. São necessários quase 10 quilos por bateria. No entanto, no meio de uma crise climática, o carro eléctrico traz a promessa de uma transição ecológica e está a tornar-se uma questão importante para os fabricantes de automóveis. Todos querem garantir o seu fornecimento dos chamados metais “estratégicos”, incluindo o cobalto. Sabendo que o subsolo da República Democrática do Congo (RDC) detém a maior parte.

Os administradores mostram-nos que esta riqueza, aumentada pelo aumento dos preços do cobalto, não beneficia a população congolesa. Com testemunhos de ONG internacionais e activistas locais, lançam luz sobre o custo ambiental e humano desta extracção mineira. Vamos com um “escavador” às profundezas das chamadas minas “artesanais”; ele fala do seu medo de uma tarefa perigosa e mal remunerada. Estas minas não oficiais foram apontadas pela Amnistia Internacional por utilizarem trabalho infantil. Uma investigação que causou alvoroço quando foi publicada.

Poluição e corrupção
Outros depoimentos vêm de agricultores cujos campos foram afetados pela poluição das águas dos rios, carregadas de resíduos de extração. Contaminação que afeta a saúde das populações. Finalmente, o documentário fala-nos sobre a corrupção que cercou a atribuição das ricas jazidas do país a grandes grupos mineiros internacionais, em detrimento das finanças da RDC.

Perante esta situação e o risco de dependência, a Europa tenta encontrar formas de aumentar a sua soberania. Uma fábrica de reciclagem belga colocou metais infinitamente recicláveis ​​de volta no circuito industrial. Uma mina finlandesa seria reiniciada para explorar um veio de cobalto – mas ONG denunciam as falhas do grupo mineiro, já condenado em 2012 a encerrar o local após poluição das águas circundantes. A soberania europeia também envolveu a construção de gigafábricas de baterias face à hegemonia chinesa. Uma abordagem ilustrada pelo projecto Northvolt na Suécia .

Depois de assistir a este documentário bastante completo, o espectador terá uma nova visão do carro elétrico.

sábado, 23 de dezembro de 2023

Livro do mês: "Aqualtune - A Princesa do Kongo" de Manuela Gonzaga


Livro impressionante! Muito bem escrito. Urgente lê-lo para nos pacificarmos com África, Imigrantes. Não mais racismo. Não mais levantar ódios e escrever a História com dignidade e justiça. 
Princesa guerreira. Um dos maiores símbolos de resistência e luta pela liberdade negra.

Aqualtune da Casa de Kinlaza foi uma princesa africana, filha do rei do Congo. No final do século XVI, a sua nação foi invadida por um grupo de mercenários e, apesar de Aqualtune comandar um grupo de cerca de 10 mil homens e mulheres contra os invasores, o seu povo foi derrotado.

Com a derrota, a princesa foi presa e levada para um mercado de escravos e, de lá, foi enviada para o Brasil.

Chegou ao Recife em 1597, mesmo ano em que um grupo de 40 negros fugidos chegou à Serra da Barriga, formando o primeiro núcleo do que seria o Quilombo dos Palmares.

Aqualtune foi vendida como escrava reprodutora e seguiu, já grávida, para uma fazenda na região de Porto Calvo. Foi nessa região que ouviu os primeiros relatos sobre um reduto de africanos livres e decidiu comandar uma fuga com destino a esse quilombo.

Com ascendência nobre e um histórico de comandar batalhas em sua terra natal, Aqualtune recebeu uma aldeia para comandar e ajudou a erguer o que seria “um império em meio à selva”, como definiu a jornalista Sandra Regina do Nascimento Santos, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP e autora do livro Brincando e ouvindo histórias, parte de uma coleção do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (NEINB), da USP.

Entre os filhos de Aqualtune estão os guerreiros Gamba Zumba e Gana Zona, e Sabina, mãe de Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares.

A líder quilombola e avó de Zumbi dos Palmares desapareceu dos registros históricos em 21 de setembro de 1677, quando sua cidadela foi atacada, e não se sabe quando exatamente ela morreu. Na época do ataque, ela já era idosa.

Apesar de ser pouco lembrada pelos livros de História, Aqualtune foi uma figura muito importante para a história da população negra durante o período colonial. Ela simbolizou liderança e luta dentro do sistema escravocrata e passou isso adiante através de seus herdeiros e de seu comando no quilombo.

Os  membros do Partido Chega são  responsáveis por toda a violência mantendo sempre o discurso do medo aos imigrantes, ao afro-descendentes portugueses . Um estudo publicado na revista "Nature Human Behaviour" descobriu que as pessoas que foram expostas a discursos de ódio eram mais propensas a se envolver em comportamentos violentos, mesmo que não concordassem com o discurso.

Saber mais:

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

The Cobalt Rush: the Future of Going Green


Cobalt Rush: O Futuro da Sustentabilidade
Realização: Arnaud Zajtman, Quentin Noirfalisse
Produção: Les Films du Tambour de Soie, Dancing Dog Productions, Esprit Libre Production, RTBF, France 24
Vendas internacionais: Terranoa
País: Bélgica

A electrificação é apresentada por políticos ansiosos por aderir à onda ambientalista em todo o mundo como uma solução fundamental para atingir as metas globais de neutralidade carbónica nos próximos anos.

Os carros elétricos e outros veículos prometem viagens tranquilas, sem poluição e sem culpa, que também manterão as indústrias automóveis nacionais em funcionamento.

A União Europeia aderiu a um futuro que promete ser «verde e digital», com benefícios para todos os seus quase 500 milhões de cidadãos nos 27 Estados-Membros.

Mas e se combater as alterações climáticas não fosse assim tão simples? E se não houvesse uma resposta fácil para viver em harmonia com o mundo natural enquanto tentamos baixar a temperatura da era do Antropoceno?

Os realizadores e produtores franceses Quentin Noirfalisse e Arnaud Zajtman abordam esta questão no seu envolvente documentário Cobalt Rush – The Future of Going Green.

Uma nova corrida ao ouro
Em francês, o título, «Cobalt, L’envers due Rêve Electrique’, traduz-se por – Cobalt, L’envers due Rêve Electrique – que, na verdade, seria um título internacional mais adequado. Talvez os produtores quisessem injetar alguma ideia de uma nova corrida ao ouro e do impacto mais abrangente do termo "sustentabilidade"? Deixando isso de lado, este documentário fascinante condensa muita informação nos seus 85 minutos.

O cobalto é um mineral raro, um ingrediente essencial nas baterias, na sua maioria à base de níquel, que serão o principal componente energético de todos os automóveis novos vendidos na Europa a partir de 2030. Garantir um fornecimento fiável – e verificar as condições ambientais e de trabalho em que é produzido – será uma parte fundamental das estratégias políticas e ambientais nos próximos anos. A procura de políticas industriais que apoiem o crescimento económico e combatam as alterações climáticas está agora entre as principais prioridades da agenda política na Europa e em muitas outras partes do mundo. Tudo parece óptimo, mas há um problema: 70% do cobalto mundial é extraído na República Democrática do Congo em condições que estão longe de ser democráticas.

Os chineses são grandes investidores em enormes minas a céu aberto na República Democrática do Congo, que têm sido responsabilizadas pela poluição ambiental maciça, envenenamento de rios e terras agrícolas e quase certamente associadas a um aumento drástico de defeitos congénitos entre as pessoas que trabalham ou vivem perto das minas.

A escassa observância das leis ambientais e laborais – e a presença de um sector mineiro privado dito “artesanal” muito grande, que emprega até dois milhões de pessoas a trabalhar em poços profundos e extremamente perigosos para extrair o precioso mineral – complicam as leis de due diligence impostas aos compradores ocidentais de cobalto.

Noirfalisse traz para o projeto a sua vasta experiência como jornalista de importantes jornais belgas, garantindo que o filme explora o tema de forma profunda e abrangente. Combinada com a experiência de Zajtman como produtor de documentários, a obra sobre o cobalto oferece uma visão completa dos desafios da transição para uma indústria automóvel mais sustentável. Muitos documentários sobre o tema centram-se exclusivamente nas questões da extracção em regiões remotas da África Central. Noirfalisse e Zajtman alargam a perspectiva para incluir entrevistas com fabricantes de automóveis europeus, empresas mineiras na Finlândia, onde existem depósitos europeus de cobalto, e a nova geração de fabricantes de baterias para automóveis eléctricos que está a emergir.

Maroš Šefčovič, Comissário Europeu para as Interinstitutional Relations and Foresight – um título tão fácil de pronunciar como um automóvel eléctrico – entusiasma-se com o sonho da electricidade que ajudará a combater as alterações climáticas e a manter os empregos na Europa. Mas os activistas na República Democrática do Congo e a nível internacional apontam os perigos da extracção de cobalto e a poluição provocada pelas minas.

Nenhum detalhe é deixado de lado
Os mineiros que trabalham nas minas artesanais queixam-se de quanto pouco os compradores chineses pagam pelo minério e de como mal conseguem ganhar o suficiente para pôr o pão na mesa. Na Finlândia, onde o governo concede licenças a minas consideradas economicamente viáveis ​​mesmo com minério contendo apenas um por cento de cobalto, estão a surgir grupos ambientalistas com preocupações semelhantes às levantadas na República Democrática do Congo, embora num contexto de protecção ambiental substancialmente melhor.

Nenhuma destas preocupações parece incomodar o representante de lábia fácil.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

RD Congo - Transição ecológica, a que custo? Relatório expõe face oculta da extração de cobalto e cobre


A expansão das minas industriais de cobalto e cobre na República Democrática do Congo (RDC) para baterias de veículos elétricos e outras tecnologias verdes levou à expulsão forçada de comunidades inteiras e a graves violações de Direitos Humanos, desde agressões sexuais, fogo posto ou espancamento, denunciou a Amnistia Internacional.

A República Democrática do Congo é um dos maiores produtores mundiais de cobalto - um mineral utilizado para fabricar baterias de iões de lítio para veículos elétricos e outros produtos - mas também é o maior produtor africano de cobre, uma matéria-prima utilizada em veículos elétricos ou noutros sistemas de energia renovável.

No relatório "Powering Change or Business as Usual?", divulgado esta terça-feira, a Amnistia Internacional e a organização Initiative pour la Bonne Gouvernance et les Droits Humains (IBGDH), com sede na República Democrática do Congo, descrevem o modus operandi das empresas multinacionais para expandir as operações mineiras que resultam na expulsão das comunidades das suas casas e das suas terras, sem uma reinstalação adequada.

A procura crescente das apelidadas “tecnologias de energia limpa” criou uma corrida das empresas a determinados metais, como o cobre e o cobalto, indispensáveis ao fabrico de veículos elétricos ou telemóveis.

Enquanto a bateria de um telemóvel requer sete gramas de cobalto, a bateria média de um veículo elétrico requer mais de 13 quilos. Desde 2010, a procura de cobalto triplicou. E prevê-se que atinja 222 mil toneladas até 2025.

"O mundo precisa urgentemente de se afastar dos combustíveis fósseis, que são os principais fatores da crise climática, mas a que custo?", questiona a Amnistia Internacional.

A organização reconhece a função vital das baterias recarregáveis na transição energética dos combustíveis fósseis, mas considera que “a justiça climática exige uma transição justa” e não à custa da violação de Direitos Humanos.

“A descarbonização da economia global não deve conduzir a mais violações dos direitos humanos, nem impedir as comunidades de usufruírem do seu direito à habitação”, defende em comunicado.

“Há minerais aqui”, têm de sair
A expansão das minas de cobalto e cobre à escala industrial no país tem conduzido a desalojamentos forçados, através de ameaças ou intimidações à população, conta o relatório das duas organizações de defesa dos Direitos Humanos.

Candy Ofime, uma das investigadores e co-autoras do relatório, explica o que está acontecer na RDC, num vídeo publicado pela Amnistia Internacional na sua conta da rede social X (antigo Twitter).

Em 2022, a Amnistia Internacional e o IBGDH estiveram na cidade de Kolwezi, na província de Lualaba, no sul do país, onde entrevistaram mais de 130 pessoas de seis projetos mineiros diferentes, que relataram a expulsão forçada de várias comunidades das suas casas e terras agrícolas.

A maioria testemunha que as comunidades não foram devidamente consultadas ou informadas e os planos de expansão das minas nunca foram tornados públicos. Em três dos quatro locais visitados, na cidade de Kolwezi e nos seus arredores, há testemunhos fortes de casos de violência sexual, fogo posto e espancamento.

"Não pedimos para ser deslocados, a empresa e o governo vieram e disseram-nos: 'Há minerais aqui'", contou Edmond Musans, de 62 anos, que teve de desmantelar a sua casa e partir, da cidade de Kolwezi.Desde que uma vasta mina de cobre e cobalto a céu aberto foi reaberta em 2015, pela Compagnie Minière de Musonoie Global SAS (COMMUS), uma empresa comum entre a Zijin Mining Group Ltd, uma empresa chinesa, e a Générale des Carrières et des Mines SA (Gécamines), a empresa mineira estatal da RDC.

Já na zona de Mukumbi, perto do local do projeto Mutoshi, gerido pela Chemicals of Africa SA (Chemaf), uma subsidiária da Chemaf Resources Ltd, com sede no Dubai, os antigos residentes testemunharam que foram forçados a partir das suas casas pelo representante do Chemaf e que os militares queimaram uma povoação e agrediram fisicamente a população para os obrigar a sair.“Têm de sair da aldeia agora", recordou Kanini Maska, um antigo residente, de 57 anos. "Não conseguimos recuperar nada, não tínhamos nada para sobreviver e passámos as noites na floresta”, acrescentou.

Também perto de Kolwezi, o projeto Metalkol Roan Tailings Reclamation (RTR), gerido por uma filial do Eurasian Resources Group (ERG), com sede no Luxemburgo e cujo maior acionista é o governo do Cazaquistão, levou ao despejo forçado de uma comunidade de agricultores.

Vinte e um foram expulsos, sem aviso prévio de despejo, por um destacamento de soldados que ocuparam a área, com alguns cães, enquanto os campos que tinham eram demolidos.

Uma mulher grávida relatou que, estava a tentar a recuperar as suas colheitas antes de serem destruídas quando foi violada em grupo por três soldados, enquanto outros soldados assistiam. Mais tarde, precisou de assistência médica e confessou ter tido medo de comunicar à Metalkol ou às autoridades locais.

"Direitos das comunidades não devem ser espezinhados"
Depois das autoridades nacionais da RDC terem levado a cabo ou facilitado a expulsão de comunidades inteiras e a violação de Direitos Humanos, o relatório “Powering Change or Business as Usual?” insta as autoridades do país a cessarem imediatamente estas ações.

A organização apela também à criação de uma comissão de inquérito imparcial sobre a situação e no reforço da aplicação das leis nacionais relacionadas com a exploração mineira e a proteção dos direitos das pessoas, em conformidade com as normas internacionais em matéria de Direitos Humanos. Nomeadamente, o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais e nos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.

"As empresas mineiras internacionais envolvidas têm bolsos fundos e podem facilmente dar-se ao luxo de fazer as mudanças necessárias para salvaguardar os direitos humanos, estabelecer processos que melhorem a vida das pessoas na região e remediar os abusos sofridos”, afirmou Donat Kambola, diretora do IBGDH, em comunicado.

De acordo com a Amnistia Internacional e a IBGDH, os compromissos das multinacionais que alegadamente aderem "a elevados padrões éticos revelaram-se vazios", por não garantirem que as suas atividades não prejudicam as comunidades locais. As empresas mineiras presentes no país têm a responsabilidade de investigar os abusos identificados, proporcionarem uma reparação efetiva dos danos ou agirem prontamente para evitar mais danos.

"A República Democrática do Congo pode desempenhar um papel fundamental na transição mundial dos combustíveis fósseis, mas os direitos das comunidades não devem ser espezinhados na corrida à extração de minerais críticos para a descarbonização da economia mundial”, concluiu Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional.

segunda-feira, 31 de julho de 2023

O desafio do cobalto - O lado negro da transição energética



Para garantir que a condução continue a ser possível apesar da crise climática, a indústria automóvel aposta nos carros eléctricos. Mas muitas das suas baterias usam uma matéria-prima extremamente problemática: o cobalto.

Calor, seca, inundações. A crise climática chegou à Europa. Para garantir que a condução continue sendo possível enquanto a pegada de CO2 é reduzida, a indústria automóvel recorreu a uma solução: a mudança rápida e abrangente para carros elétricos. A Comissão da UE decidiu pela mesma solução. Agora, não apenas a Tesla, mas a Volkswagen, Volvo, Peugeot e Renault estão investindo dezenas de biliões de euros em eletromobilidade. E a eletromobilidade requer baterias.

Mas muitas dessas baterias contêm uma matéria-prima extremamente problemática: o cobalto. Extraído na forma de minério, 65 a 70% da produção global de cobalto está localizada na República Democrática do Congo.

Este filme mostra o lado negro da mineração de cobalto. O trabalho infantil é apenas um dos muitos problemas. Todo o setor está cheio de corrupção. O solo está contaminado e a saúde e a vida das pessoas estão em risco. O domínio de mercado da China está levando a Europa a uma perigosa dependência. Diante dos gigantescos problemas colocados pela cobiçada matéria-prima, a UE busca outras formas de colocar as mãos no cobalto. O filme faz uma pergunta incómoda: as minas na Europa devem ser reabertas?

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Almaz Teffera - Alguns países europeus pedem desculpas pelo passado colonial


Almaz Teffera, investigadora sobre o racismo na Europa para a Human Rights Watch, descreveu-o como "um primeiro passo importante" que "também abrirá o caminho para a responsabilização dos Países Baixos" e que funciona como uma espécie de "cura para os descendentes de pessoas escravizadas".

Teffera diz que "este pedido de desculpas chega 150 anos depois da abolição da escravatura, mas é um sinal de que as coisas vão mudar e que é uma mudança que precisa agora de se traduzir em ações".

"Para que um pedido de desculpas vá tão longe realmente quanto deveria, é preciso o reconhecimento de que crimes foram cometidos durante a era colonial e um verdadeiro compromisso também de reparar esses erros", defende a investigadora.

Os Países Baixos juntam-se agora à Dinamarca, França, Reino Unido e ao Parlamento Europeu, que pediram desculpas ou reconheceram oficialmente a escravidão e o tráfico de escravos como crimes contra a humanidade.

Em 1992, no Senegal, o papa João Paulo II também pediu perdão pelo papel da igreja na escravatura.

Em 2021, a Alemanha admitiu pela primeira vez ter cometido "genocídio" contra as tribos Herero e Nama, na Namíbia, durante a era colonial.

O rei Filipe da Bélgica expressou o seu "mais profundo pesar pelas feridas" infligidas ao país pelos seus ancestrais durante uma visita à República Democrática do Congo em junho, mas não formulou um pedido formal de desculpas.

Um comité parlamentar belga sobre o passado colonial, criado em 2020 após os protestos do Black Lives Matter, concluiu o seu trabalho na segunda-feira sem os parlamentares terem chegado a um consenso sobre um pedido de "desculpa"às antigas colónias.

O plano de ação contra o racismo da União Europeia, divulgado em 2020, quando protestos contra o racismo e a brutalidade policial varreram os EUA e a Europa após a morte de George Floyd, é saudado pela investigadora Almaz Teffera.

O plano exige que os países da UE adotem planos de ação nacionais que levem em consideração o seu passado colonial, a fim de enfrentar melhor as questões de racismo estrutural.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Les ravages ignorés de l’activité minière


Déchets dans les eaux, dégâts en Europe, pollution… Dans un rapport impressionnant qui paraît ce mardi, l’association SystExt démontre que les « mines durables » sont un mensonge et que les techniques minières sont « de plus en plus prédatrices et dangereuses ». Aurore Stephant, ingénieure géologue minier, l’explique à Reporterre.

C’est un état des lieux saisissant. Dans un rapport volumineux ultradocumenté publié ce 16 novembre, les géologues miniers et les ingénieurs de l’association SystExt [1] s’attaquent à certains aspects méconnus de l’extraction minière. Ce panorama des « controverses minières » permet de comprendre pourquoi cette industrie cumule le triste record d’être la première productrice de déchets toxiques et la responsable du plus grand nombre de conflits socioenvironnementaux à l’échelle du globe. Il montre aussi qu’on ne pourra pas lutter contre le réchauffement climatique par des technologies qui accroissent notre « dépendance minérale ». Impacts des mines, pollution, pertes en vies humaines… Aurore Stephant, ingénieure géologue minier au sein de SystExt, révèle les conclusions de ce rapport.

Reporterre — Dans le rapport « Controverses minières » qui sort mardi 16 novembre, quelles « contre-vérités » sur les mines révélez-vous ?
Aurore Stephant — Lors du dernier congrès de l’Union internationale pour la conservation de la nature (UICN), qui a réuni des États et des agences gouvernementales du monde entier, nos équipes ont constaté une chose étonnante : certains représentants des gouvernements croyaient qu’aucun site minier ne rejetait aujourd’hui ses déchets directement dans les fleuves ou la mer. Ils pensaient cette pratique révolue ou interdite. Pour eux, les résidus miniers sont systématiquement stockés dans des barrages, des digues — qui posent elles-mêmes de gros problèmes, mais passons. Or, non seulement cette pratique aux conséquences dramatiques existe bel et bien, mais elle est répandue et tout à fait légale ! Des dizaines d’opérateurs jugent plus simple de bazarder chaque année en pleine nature des millions de tonnes de boues acides et/ou fortement concentrées en métaux toxiques. Sur le site de Grasberg, en Indonésie (première mine d’or et troisième mine de cuivre au monde, en volumes produits), l’entreprise Freeport déverse chaque année 87,6 millions de tonnes de résidus chargés en plomb et en arsenic dans le fleuve Ajkwa.Sites miniers concernés par des déversements volontaires en milieux aquatiques identifiés par SystExt et volumes de déchets déversés annuellement. 

Nous nous attaquons à d’autres idées reçues : la croyance que les impacts de l’industrie minière seraient bien plus importants dans les pays en voie de développement que dans les pays développés. On pense que si les mines polluent et sacrifient des vies humaines, c’est parce qu’elles se situent dans des pays où la réglementation est peu exigeante. C’est faux.

D’une part, l’exploitation minière demeure le secteur d’emploi le plus dangereux si l’on tient compte du nombre de personnes exposées au risque, y compris aux États-Unis et en Europe. D’autre part, les méthodes d’extraction et de traitement sont les mêmes partout. Que l’on soit aux États-Unis, au Pérou ou en République démocratique du Congo (RDC), pour extraire 10 kg de cuivre, il faudra broyer et réduire en poudre 1 tonne de roche, puis la traiter aux xanthates (hydrocarbures). En quelques années, vous aurez obtenu un lac de résidus toxiques qui resteront dangereux entre 5 000 à 10 000 ans et qu’il faudra confiner tant bien que mal. Vous aurez nécessairement des fonderies, qui dégageront du dioxyde de soufre, et donc amplifieront les pluies acides et la pollution de l’air.La mine de cuivre de Palabora (Afrique du Sud) : à gauche, la représentation imagée de la quantité de cuivre métal produite par la mine jusqu’à environ 2007 ; à droite, l’emprise en surface des déchets miniers en vue satellitaire.

Pourquoi vous a-t-il paru urgent « d’en finir avec certaines contre-vérités sur les mines et les filières minérales » ?
Nous constatons avec nos équipes que le niveau général de connaissance sur le fonctionnement réel des mines et des industries métallurgiques est très faible, à la fois dans le grand public, mais aussi chez les responsables politiques et institutionnels. C’est déjà très préoccupant, étant donné que toutes les marchandises qui nous entourent contiennent des métaux, depuis les pigments présents sur les emballages, le dioxyde de titane dans les dentifrices, jusqu’à la soixantaine de métaux différents dans un smartphone.

C’est d’autant plus grave que l’accélération de la numérisation, l’industrialisation des pays du Sud et la transition énergétique telle qu’elle est promue aujourd’hui (par exemple les véhicules électriques) risquent d’induire une multiplication par au moins trois de la production de métaux dans le monde ces prochaines décennies. Cela signifie produire dans les seules trente-cinq prochaines années plus de métaux qu’il n’en a été extrait dans toute l’histoire de l’humanité. Impensable !

« Le “foudroyage par blocs” provoque des séismes et des effondrements incontrôlables. »
Sur cette industrie qui risque d’être l’un des enjeux majeurs — et des problèmes majeurs — du XXIe siècle, tout se passe comme si nous étions directement passés de la non-information à la désinformation. Jusqu’à la fin des années 2000, les mines n’existaient quasiment pas dans l’espace public. Maintenant que l’on commence à s’y intéresser, les filières minérales sont recouvertes de discours-écrans qui en masquent le fonctionnement et les impacts réels. Une foule d’éléments de langage à connotation positive sont apparus dans les rapports pour justifier l’accroissement de ce secteur : « mine durable », « meilleures pratiques », « techniques révolutionnaires », etc. Nous voulions faire comprendre ce qu’elles recouvrent.

Par exemple, quand on passe en revue les « techniques révolutionnaires » vantées par les opérateurs, on constate que les pratiques récentes sont encore plus destructrices et moins maîtrisées que les précédentes. Ainsi, le « foudroyage par blocs », qui consiste à dynamiter massivement le sous-sol, provoque des séismes et des effondrements incontrôlables. La « lixiviation en tas », elle, vise à se débarrasser tout bonnement de l’usine de traitement du site minier en traitant chimiquement la roche en plein air, à grande échelle. On déverse directement des millions de litres d’agent extractif sur la montagne de roches broyées dont on veut extraire les minéraux. Cela revient à asperger une colline de 200 mètres de haut de cyanure ou d’acide sulfurique. Ces « techniques révolutionnaires » servent à exploiter des gisements à très faible teneur avec des coûts très bas.

Pourquoi faites-vous très peu de recommandations dans ce rapport pour améliorer cet état des lieux ?
Il nous aurait fallu des milliers de pages pour formuler des propositions précises : le champ est immense, les filières minérales sont diverses et chacune se caractérise par des dizaines d’étapes de production, du forage au raffinage des métaux. Nous nous limitons à deux recommandations urgentes. L’une est, évidemment, l’interdiction du déversement volontaire de déchets miniers dans les milieux aquatiques. L’autre est l’interdiction de toute exploration ou exploitation minière des grands fonds marins.

« En l’état, l’industrie minérale ne peut qu’augmenter ses impacts. »
Le 12 octobre dernier, Emmanuel Macron s’est prononcé en faveur de leur exploration, qualifiée de « levier extraordinaire de compréhension du vivant, peut-être d’accès à certains métaux rares ». Des centaines de rapports scientifiques montrent déjà qu’il est impossible de mener ne serait-ce que de l’exploration à 2 ou 3 kilomètres de profondeur sans causer de dommages graves et irréversibles : intoxication des planctons et des espèces marines par la mise en solution des métaux présents, perturbation lumineuse et sonore, etc. Ici, la « compréhension du vivant » est incompatible avec l’activité minière : nous détruirions ces milieux avant même de les connaître. C’est pourquoi nous argumentons en faveur d’une interdiction pure et simple, et non pour un moratoire qui laisserait cette possibilité ouverte. Nous avons de bonnes raisons de craindre que l’explosion de la demande en métaux dans les années à venir ne laisse pas indemnes les ultimes barrières morales que nos sociétés tentent de se fixer.Fumeur noir à 3 000 m de profondeur, au niveau de la dorsale médio-atlantique. MARUM − Zentrum für Marine Umweltwissenschaften, Universität Bremen · 2015 · cc by 4.0

Enfin, au-delà de l’amélioration des pratiques, il faut bien voir qu’en l’état, l’industrie minérale ne peut qu’augmenter ses impacts : en exploitant des gisements dont la concentration minérale est de plus en plus faible, nous utilisons de plus en plus d’énergie et générons des volumes de déchets toxiques de plus en plus ingérables, quelles que soient les techniques utilisées. La seule issue ne peut être que de limiter les volumes extraits.

Des politiques de recyclage ambitieuses pourraient-elles réduire ces problèmes ?
Oui, c’est incontournable. Les métaux recyclés seraient largement compétitifs par rapport aux métaux issus de l’extraction si les opérateurs miniers payaient le coût social et environnemental de leur activité, qui est exorbitant. Mais le recyclage est quasiment impossible quand les métaux sont utilisés de manière dispersive, comme dans l’électronique. Et il ne suffirait pas à satisfaire la demande, qui est exponentielle. Il faut donc changer notre rapport aux matières premières minérales, et cela doit passer par une transformation radicale du mode de vie des pays dits « développés ».

Fonte: Reporterre

domingo, 5 de julho de 2020

UN highlights urgent need to tackle impact of likely electric car battery production boom

Fonte: aqui


Demand for raw materials used in the production of electric car batteries is set to soar, prompting the UN trade body, UNCTAD, to call for the social and environmental impacts of the extraction of raw materials, which include human rights abuses, to be urgently addressed.

Electric cars are rapidly becoming more popular amongst consumers, and UNCTAD predicts that some 23 million will be sold over the coming decade: the market for rechargeable car batteries, currently estimated at $7 billion, is forecast to rise to $58 billion by 2024 .

The shift to electric mobility is in line with ongoing efforts to reduce the world’s dependence on fossil fuels, and reduce harmful greenhouse gas emissions responsible for climate change, but a new report from UNCTAD, warns that the raw materials used in electric car batteries, are highly concentrated in a small number of countries, which raises a number of concerns.

Drilling down in DRC, Chile

For example, two-thirds of all cobalt production happens in the Democratic Republic of the Congo (DRC). According the UN Children’s Fund (UNICEF), about 20 per cent of cobalt supplied from the DRC comes from artisanal mines, where human rights abuses have been reported, and up to 40,000 children work in extremely dangerous conditions in the mines for meagre income.

And in Chile, lithium mining uses nearly 65% of the water in the country's Salar de Atamaca region, one of the driest desert areas in the world, to pump out brines from drilled wells. This has forced local quinoa farmers and llama herders to migrate and abandon ancestral settlements. It has also contributed to environment degradation, landscape damage and soil contamination, groundwater depletion and pollution.

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Electric cars at UN Headquarters, New York (file)

Climb the value chain

Noting that "the rise in demand for the strategic raw materials used to manufacture electric car batteries will open more trade opportunities for the countries that supply these materials”, UNCTAD's director of international trade, Pamela Coke-Hamilton, emphasised the importance, for these countries, to “develop their capacity to move up the value chain".

In the DRC, this would mean building processing plants and refineries that would add value and, potentially, jobs within the country. However, for various reasons (including limited infrastructure, financing and a lack of appropriate policies), refining takes place in other countries, mainly Belgium, China, Finland, Norway and Zambia, which reap the economic benefit.

The report recommends that countries such as DRC provide “conducive environment to attract investment to establish new mines or expand existing ones”.

Diversify and thrive

UNCTAD also recommends that the industry find ways to reduce its dependence on critical raw materials. For example, scientists are researching the possibility of using widely-available silicon, instead of graphite (80% of natural graphite reserves are in China, Brazil and Turkey).

If the industry manages to become less reliant on materials concentrated in a small number of countries, says UNCTAD, there is more chance that prices of batteries will drop, leading to greater take-up of electric cars, and a shift away from fossil-fuel powered transport.

As for the environmental consequences of the batteries themselves, the report recommends the development of improved, more sustainable mining techniques, and the recycling of the raw materials used in spent Lithium-Ion batteries, a measure that would help deal with the expected increase in demand, and also create new business opportunities.