Mostrar mensagens com a etiqueta Energia Solar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Energia Solar. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de agosto de 2026

Resíduos de painéis solares podem chegar a 402 milhões de toneladas até 2060


A rápida expansão da energia solar está a criar um novo desafio ambiental: o destino dos painéis fotovoltaicos quando chegam ao fim da sua vida útil. Um estudo internacional publicado na revista Nature estima que o volume global de resíduos de painéis solares poderá atingir entre 297 e 402 milhões de toneladas até 2060.

A investigação, que envolve investigadores da China, Austrália e Suécia, incluindo Jian Zuo, professor da Adelaide University, alerta, contudo, que esta crescente quantidade de resíduos pode transformar-se numa oportunidade económica. Segundo os autores, a reciclagem adequada dos painéis fotovoltaicos poderá gerar benefícios económicos acumulados de centenas de milhares de milhões de dólares até 2060, podendo atingir valores próximos de um bilião de dólares.

“A energia solar é essencial para a transição para um sistema energético de baixo carbono, mas não podemos ignorar o que acontece aos painéis solares no final da sua vida útil”, afirma Jian Zuo. Para o investigador, é necessário começar desde já a planear a reciclagem, de forma a transformar o fluxo crescente de resíduos numa fonte de materiais, em vez de num problema ambiental.

Os painéis solares contêm materiais com valor económico, como silício, prata, cobre e telúrio. Incluem também metais como chumbo e cádmio, que podem representar riscos ambientais caso os equipamentos sejam eliminados de forma inadequada.

Para avaliar as diferentes possibilidades, os investigadores desenvolveram um modelo integrado que analisou 1708 cenários de reciclagem em 32 regiões do mundo, considerando tecnologias disponíveis, preços dos materiais, comércio internacional e políticas de subsídios.

Os resultados indicam que a combinação de tecnologias de reciclagem adaptadas a cada região com o recurso a instalações de reciclagem externas poderá proporcionar os maiores benefícios económicos e ambientais. Esta abordagem permitiria reduzir custos e emissões, sobretudo através do encaminhamento dos resíduos para países com tecnologias de reciclagem mais avançadas e economicamente competitivas.

A solução levanta, contudo, uma questão de equidade. A concentração da reciclagem nas regiões com maior capacidade tecnológica poderá fazer com que os benefícios económicos fiquem igualmente concentrados, deixando países de menores rendimentos com uma parcela reduzida dos ganhos.

“A via de reciclagem mais barata ou eficiente a nível global não é necessariamente a mais justa”, alerta o investigador, defendendo que as políticas de reciclagem devem ter em conta não apenas a eficiência económica, mas também a distribuição dos benefícios e dos impactos ambientais.

O estudo aponta para a possibilidade de recorrer a subsídios decrescentes, que seriam reduzidos progressivamente à medida que a reciclagem se tornasse economicamente viável. Segundo os investigadores, este modelo poderia melhorar a distribuição dos benefícios entre regiões e exigir menos investimento do que a manutenção de subsídios permanentes.

O valor dos materiais recuperados será também determinante. Uma subida dos preços de matérias-primas como a prata, o alumínio e o silício poderá aumentar a rentabilidade da reciclagem, enquanto a evolução tecnológica deverá contribuir para reduzir os custos dos processos.

Para os investigadores, a cooperação internacional será essencial para preparar o setor para o aumento dos resíduos fotovoltaicos. “Precisamos de encarar os painéis solares como parte de uma economia circular, e não como um produto descartável”, defende Jian Zuo.

A conclusão surge num momento em que a indústria fotovoltaica ainda tem oportunidade de criar capacidade de reciclagem antes de o volume de equipamentos em fim de vida atingir o seu pico. Para os autores, antecipar esse investimento será fundamental para evitar que a transição para a energia solar crie um novo problema de resíduos à escala global e para garantir que os materiais dos painéis possam voltar ao ciclo produtivo.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Participação do PEV na Consulta Pública do Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER)

O Partido Ecologista Os Verdes divulga a sua participação no quadro da consulta pública do Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER), por considerarmos que esta é uma matéria crucial para o país e para o planeta.

É cada vez mais claro, que as políticas para o Ambiente em Portugal têm sido subalternizadas, ao longo dos anos, aos interesses do poder económico, levando a que não constituam um objetivo em si mesmas, mas antes assumindo um papel instrumental.

Da análise do PSZAER, também designado como “Mapa Verde”, sabemos que mesmo sendo apenas o resultado da cartografia temática que exclui valores protegidos, representa as áreas com potencial para integrar as futuras ZAER. No entanto, não podemos deixar de ficar preocupados com esta seleção “pouco apurada”, com a exageradamente grande área identificada e com uma insignificante participação dos cidadãos, das estruturas locais e das entidades políticas e administrativas.

Os Verdes valorizam que se definam critérios concretos e específicos para a instalação de solar fotovoltaico, assim como, eólico e que se faça o levantamento das potenciais áreas que cumpram os critérios das restrições, claros e transparentes, à implantação das estruturas de energias renováveis, desde logo assumindo como prioritárias áreas artificializadas, nomeadamente em edificados e infraestruturas, o que neste mapa é amplamente subvalorizado.

O Programa parte, a nosso ver, da premissa errada. Em vez de ter como objetivo primeiro identificar toda a área do território português continental que não apresente conflito para instalação de energias renováveis, devia partir do primeiro objetivo, que passa por definir a área que é necessária para se implantar os 18,10 GW de Solar PV e Eólico que faltam para se atingir a meta para 2030.

Documentos como o “Mapa Verde” precisam de acompanhar a evolução da implementação das diversas medidas ambientais que são essenciais para o ordenamento do território e para o tornar mais resiliente às alterações climáticas. Por este motivo, preocupa aos Verdes que alguns dos dados apresentados ou utilizados pela Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER 2030) possam estar desatualizados, considerando que Estratégias Nacionais na Área Ambiental se encontram em fase consulta pública ou de implementação, tais como, Projeto do Plano Nacional de Restauro da Natureza ou a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade 2030.

Ouvir as populações e trabalhar em conjunto, será outro desafio, que trará uma maior exigência para o documento que vai, obrigatoriamente, precisar de actualizações constantes e periódicas. O Partido Ecologista Os Verdes continua a afirmar que é preciso e urgente a transição energética, o desenvolvimento das energias renováveis, mas continuaremos a trabalhar para que seja um processo socialmente justo e não permitiremos que continue de costas viradas para as pessoas.

Os Verdes disponibilizam o documento da sua participação na consulta pública

Relacionados

Parecer sobre o Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis e a respetiva Avaliação Ambiental Estratégica

As Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGA) subscritoras - Almargem, FAPAS, GEOTA, LPN, SPEA, VCF, WWF Portugal e ZERO - propõem uma aprovação globalmente favorável, mas fortemente condicionada à proposta de Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER). 
Estas ONGA reconhecem que a aceleração da implantação de energias renováveis constitui uma condição indispensável para alcançar os objetivos climáticos nacionais e europeus, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, reforçar a segurança energética e contribuir para a neutralidade climática. 
Contudo, a concretização destes objetivos não depende apenas da quantidade de capacidade renovável instalada, mas sobretudo da forma como essa capacidade é integrada no território, articulada com a proteção da biodiversidade, compatibilizada com os usos do solo, enquadrada por uma visão estratégica da economia nacional e legitimada pelas comunidades afetadas. 
Neste sentido, a criação das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (ZAER) apenas cumprirá os objetivos que justificaram a sua introdução pela Diretiva (UE) 2023/2413 (RED III) se representar uma verdadeira evolução do modelo de planeamento territorial da transição energética e não apenas um mecanismo adicional de simplificação administrativa.

O parecer na íntegra encontra-se disponível aqui

terça-feira, 16 de junho de 2026

Crescimento da energia eólica trava em Portugal e coloca pressão sobre metas para 2030

 A energia eólica assegurou 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental em 2025, mas as metas definidas para 2030 exigem maior ambição e aceleração de novos projetos, segundo um estudo hoje divulgado.

O relatório “Parques Eólicos em Portugal”, elaborado pelo INEGI - Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial - em parceria com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), divulgado hoje no Dia Mundial do Vento aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh), face a um consumo total de eletricidade de 53,1 TWh em Portugal continental.

Tendo em conta que o Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) prevê uma capacidade geradora de 10,4 gigawatts (GW) de eólica em terra (‘onshore’) e a concretização de 2 GW de eólica no mar (‘offshore’) até 2030, o estudo considera que este conjunto de metas é “muito ambicioso e exigente”.

Nesse sentido, defende que a sua concretização depende de uma “estreita colaboração entre os agentes públicos e privados", que permita acelerar o desenvolvimento de novos projetos.

Em declarações à Lusa, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, Susana Serôdio, afirmou que “efetivamente nos últimos anos tem havido aqui uma estagnação da energia eólica” e que esta fonte “não tem acompanhado o que seria expectável face ao que está no PNEC2030”.

“O primeiro [fator], claramente, é a questão do licenciamento e a falta de visibilidade de prazos, dificuldades em algumas áreas de avaliação de impacto ambiental, mas também claramente questões das condições do mercado atual e também de rede”, disse.

De acordo com o mesmo estudo, após um período de crescimento, 2025 evidenciou uma “nova estagnação da capacidade adicional instalada em Portugal”.

Em 2025, encontravam-se mapeados 446,8 megawatts (MW) de potência em fase de construção, dos quais cerca de 80% correspondem a novos projetos, incluindo os parques de Tâmega Norte, com 194,4 MW, e Tâmega Sul, com 79,2 MW.

A maioria destes novos projetos está, contudo, associada a hibridizações, isto é, à combinação de um projeto eólico com outro projeto renovável já existente, como hídrico ou solar, aproveitando pontos de rede já disponíveis.

Os projetos de reequipamento (‘repowering’), que consistem na substituição ou modernização de equipamentos existentes por outros mais eficientes, representam 14% da potência em construção, enquanto os restantes 6% dizem respeito a sobreequipamento, ou seja, à instalação de uma potência de geração superior à capacidade de injeção.

Com 6 GW de capacidade instalada acumulada, Portugal mantém-se no ‘top 10’ europeu da capacidade eólica, num ranking liderado pela Alemanha, com 77,7 GW, e por Espanha, com 33,2 GW.

Em termos geográficos, Viseu mantém-se como o distrito com maior potência eólica instalada em território nacional, com 1.231,1 MW ligados à rede, seguido de Coimbra, com 745,7 MW, Vila Real, com 696,3 MW, e Guarda, com 653,2 MW.

Évora continua a ser o único distrito de Portugal continental sem qualquer aerogerador instalado.

As regiões autónomas concentram um total de 106,4 MW operacionais, repartidos entre 63,8 MW na Madeira e 42,6 MW nos Açores.

Questionada sobre o crescimento futuro em terra, Susana Serôdio defendeu que “o futuro passa pelo reequipamento”, mas ressalvou que “existe, efetivamente, ainda margem para crescer em terra”.

A responsável acrescentou que a hibridização com solar está a ganhar relevância, devido à queda dos preços nas horas de maior produção fotovoltaica.

“À hora de produção solar, efetivamente, os preços são muito baixos e a rentabilidade dos projetos começa a ser muito pequena. E, se hibridizarem com o eólico, geram aqui outro potencial ao projeto”, afirmou.

Dia Mundial do Vento: uma data para celebrar um recurso único

segunda-feira, 11 de maio de 2026

O futuro passa pelas Comunidades de Energia Renovável (CER) mas com mais reindustrialização solar dentro da Europa /União Europeia

Produção e partilha de energia limpa por um grupo de cidadãos e instituições públicas e privadas a custos vantajosos com redução significativa da emissão de CO2 é o foco que está na origem da criação das Comunidades de Energia Renovável (CER).

Em 2019 foi introduzido em Portugal o Decreto-Lei n.º 162/2019 que define as bases para a criação destas Comunidades. A energia solar é a fonte de energia preferencial na Europa para a criação de CER pela abundância, custos mais reduzidos e simplicidade do planeamento da instalação. Conheça neste artigo o que são as Comunidades de Energia Renovável, como se podem constituir e quais os seus benefícios.

De acordo com o Fundo Ambiental, as Comunidades de Energia Renovável tornam possível que cidadãos, empresas e entidades públicas e privadas, produzam, consumam, partilhem, armazenem e vendam a energia produzida a partir de fontes de energia renováveis. Desta forma, participam ativamente na transição energética, na transformação das redes elétricas convencionais em redes elétricas inteligentes e, ao mesmo tempo, conferem maior qualidade de serviço e segurança de abastecimento, ao permitirem a integração significativa de fontes renováveis.

CER – O que são e como funcionam?
Uma Comunidade de Energia Renovável (CER) reúne cidadãos, empresas e instituições, inclusive Municípios, na realização de projetos de energia renovável com proveito e partilha dessa energia para satisfazer as suas necessidades locais. Baseia-se numa participação aberta e voluntária dos seus membros que estão localizados na proximidade desses projetos. O objetivo principal de uma CER é proporcionar aos seus membros e às localidades onde se encontra benefícios ambientais, económicos e sociais.

O Decreto-Lei n.º 162/2019 que regula as CER visa facilitar a participação ativa na transição energética de empresas e de cidadãos interessados em investir, sem subsídios públicos, em recursos energéticos renováveis que respondam às necessidades de consumo.

Os membros de uma Comunidade de Energia Renovável têm de ter proximidade geográfica e podem organizar-se entre si para Autoconsumo Coletivo (ACC). No entanto, enquanto no Autoconsumo Coletivo os autoconsumidores têm de ser proprietários das instalações de autoconsumo, no caso das CER esta obrigatoriedade não se coloca. Ou seja, a Comunidade de Energia Renovável destina-se à satisfação das necessidades de energia elétrica dos seus membros e não tem necessariamente de ser proprietária das instalações de consumo que deverá alimentar, mas apenas da(s) Unidade(s) de Produção para Autoconsumo (UPAC).

Para clarificar, o Autoconsumo Coletivo refere-se à atividade de produção de energia renovável para consumo próprio através de uma ou mais Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC), constituída por, pelo menos, dois autoconsumidores locais. Destina-se à satisfação das necessidades de energia elétrica dos autoconsumidores que constituem o coletivo que são também proprietários da(s) UPAC(s) e das instalações de consumo e partilham a energia de acordo com coeficientes previamente definidos pelos próprios. Os autoconsumidores são, assim, detentores dos contratos de fornecimento de energia elétrica que devem ser alimentados pelo coletivo.

Quais os benefícios de uma Comunidade de Energia Renovável?
O principal benefício é a redução na fatura da eletricidade que pode alcançar uma média de 30%. Uma poupança considerável numa altura em que os preços da eletricidade alcançam máximos históricos. Para a indústria é particularmente relevante, tendo em conta que a eletricidade influencia muito o custo de produção, logo, a rentabilidade ou até a manutenção do negócio.

Outro benefício imediato é a redução de CO2 e o consequente impacto benéfico no planeta. As Comunidades de Energia Renovável podem desempenhar um papel fundamental no cumprimento das metas e objetivos de Portugal e da Europa no que se refere ao clima e à sustentabilidade.

A criação de Comunidades de Energia Renovável tem ainda como objetivo estimular a coesão social e territorial ao envolver pessoas e instituições públicas e privadas, o que pode gerar emprego e contribuir para uma melhor distribuição do tecido empresarial por todo o país e também proporcionar maior competitividade.

A partilha do excedente de produção de energia elétrica das Comunidades é outra das vantagens.

Que fonte de energia renovável escolher para criar uma CER?
A maioria dos projetos de Comunidades de Energia em desenvolvimento na Europa são de energia solar. A energia solar revela-se a mais indicada para este tipo de projetos por vários fatores.

Quais os fatores que tornam a energia solar a principal escolha para criar uma Comunidade de Energia Renovável?
Um deles, no caso concreto de Portugal, tem a ver com a abundância. Portugal é um dos países da Europa com maior disponibilidade de radiação solar: 2.500 a 3.200 horas de sol por ano. Outro, é o baixo custo quando comparado a outras fontes renováveis. Além disso, o planeamento de uma instalação fotovoltaica é mais simples. De acordo com o mesmo guia, a energia solar é uma ótima opção para ambientes urbanos e tem um grande impacto na criação de empregos e no desenvolvimento económico local.

Como constituir uma Comunidade de Energia Renovável?
O novo Decreto-Lei define as bases para o Autoconsumo Coletivo (ACC) e Comunidades de Energia Renovável (CER) que se tratam de novos modelos de organização local de autoprodução de energia que apresentam novas oportunidades para as comunidades locais de consumidores, para a indústria e para os fornecedores de serviços e tecnologias de autoprodução e autoconsumo a partir de fontes de energia 100% limpa. Significa que particulares, Autarquias, Juntas de Freguesia, Parques Industriais e pequenas e médias empresas podem tornar-se produtores, armazenistas e vendedores de energia. Assim, é possível alcançar uma redução da fatura de eletricidade, através de uma utilização sustentável dos recursos locais disponíveis na própria comunidade, bem como contribuir para as metas de descarbonização e, com isso, para um planeta mais saudável.

Como constituir então uma Comunidade de Energia Renovável?
A Comunidade pode ser constituída por pessoas físicas ou jurídicas e qualquer entidade pública ou privada que queira criar uma Comunidade de Energia Renovável. Até mesmo um conjunto de pessoas que vive no mesmo bairro pode fazê-lo.

O primeiro passo é escolher uma área próxima dos consumidores para instalar a estrutura para a produção. Este passo é de extrema importância. Se estivermos a falar de um sistema fotovoltaico para autoconsumo, a área deve ter uma boa exposição solar para assegurar que se obtém o melhor rendimento. Opções podem ser telhados ou terrenos.

No caso das Comunidades de Energia Renovável, a estrutura selecionada não precisa de ser propriedade da comunidade, a não ser que se opte pela solução de Autoconsumo Coletivo. Numa CER, a estrutura pode ser fornecida por um ou mais membros da Comunidade ou até por outras pessoas ou entidades que não fazem parte da Comunidade.


Quais os incentivos para constituir uma Comunidade de Energia Renovável (CER)?
Apesar do Decreto-Lei que serve de base à criação das Comunidades de Energia Renovável ter entrado em vigor no início de 2020, em Portugal ainda são conhecidas poucas Comunidades de Energia Renovável. Foi lançado de 14 de junho a 31 de outubro de 2022 um concurso com um apoio total de 30 milhões de euros para a criação de Comunidades de Energia Renovável (CER) e Autoconsumo Coletivo (ACC). Um concurso integrado no programa “Eficiência energética em edifícios de serviços” e com apoios disponíveis para edifícios residenciais, de serviços e da Administração Pública. O aviso de abertura do concurso está disponível aqui.

O objetivo é o financiamento do Autoconsumo Coletivo e das Comunidades de Energia Renovável como modelos essenciais para assegurar a produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis. De acordo com a Recuperar Portugal, espera-se que este apoio permita alcançar cerca de 30% do consumo de energia primária nos edifícios beneficiados, o que representa 93 MW.

Novas medidas em 2026 (Decreto-Lei n.º 58/2026 e atualizações da DGEG) visam acelerar o licenciamento, reforçar o acesso às redes e criar modelos de partilha mais justos, reduzindo a burocracia.

Minha análise
Ponto 1 - O modelo energético que as políticas públicas devem incentivar cada vez mais é o da energia dos e para os cidadãos e cidadãs. A legislação já permite o desenvolvimento de Comunidades de Energia Renovável (que não são as "comunidades energéticas ou de energia" publicitadas por grandes empresas do ramo), mas sim associações, cooperativas, fundações ou sociedades sem fins lucrativos em que pessoas que vivem na mesma zona (num raio de 2 - 4 km consoante os casos) se juntam para produzir, partilhar energia renovável e desenvolver outras atividades na área da energia, como compras coletivas para renovação energética das suas casas, mobilidade partilhada elétrica, literacia energética, entre outras. O caminho da autonomia e da descarbonização passa pela cooperação! A Comunidade de Energia Renovável de Telheiras/Lumiar, da Associação Viver Telheiras com o apoio da Junta de freguesia do Lumiar, é um exemplo pioneiro de base cidadã, mas há outros na Culatra, na Comenda e em todo o país a dar os primeiros passos. Isso sim é que o Governo deve apoiar com incentivos fiscais, financiamento e capacitação técnica. A Coopérnico tem apoiado tecnicamente vários projetos, tem em curso um programa de mentoria e tem feito um enorme esforço de defesa da clarificação da lei, da desburocratização e da agilização dos procedimentos para os cidadãos se envolverem e recolherem os benefícios dessa participação democrática no setor da energia. Mas as políticas e entidades públicas têm de ser coerentes, mostrar claramente o caminho e não obstaculizar o modelo descentralizado gerido pelos cidadãos e cidadãs

Ponto 2- Há um grande dilema aqui. Ficar refém dos fabricantes chineses de painéis solares, baterias e aerogeradores é reduzir a dependência energética? Se a UE vai proibir os inversores chineses porque continua a importar os outros equipamentos que podem pôr em causa a segurança energética europeia? Fonte

quinta-feira, 5 de março de 2026

Solar e Agricultura: como os projetos agrivoltaicos apoiam os agricultores e a economia rural?


Os projetos agrivoltaicos são uma solução prática que combina a atividade agrícola com a produção de eletricidade a partir de energia solar no mesmo terreno, permitindo um duplo uso do solo. Com um bom planeamento, os projetos agrivoltaicos asseguram que a terra continue produtiva, gerando novos rendimentos para os proprietários e proporcionando maior estabilidade às comunidades locais.

Estudos recentes indicam que a implementação de projetos agrivoltaicos na União Europeia pode aumentar a eficiência do uso do solo, permitindo manter o rendimento agrícola, promovendo soluções como o pastoreio e a apicultura.
Protegendo a agricultura através da transição energética

A transição energética é um dos maiores desafios da atualidade, e a energia solar assume um papel central nesse processo. Segundo a International Renewable Energy Agency (IRENA), em 2024 foram adicionados 585 GW de nova capacidade renovável a nível global, representando 92,5% de toda a expansão de capacidade elétrica.

À medida que a energia solar cresce, surge uma questão essencial: como maximizar o uso do solo, conjugando simultaneamente a produção energética e a atividade agrícola?

O que são projetos agrivoltaicos e como funcionam?
Esta tipologia de projetos combina a agricultura com a produção de energia solar no mesmo terreno instalando painéis solares de forma a permitir a continuidade do uso agrícola do solo, seja para pastoreio, culturas específicas ou apicultura.

Exemplos comuns incluem:
  1. Pastoreio de ovinos
  2. Culturas de baixo porte adaptadas à sombra parcial
  3. Instalação de colmeias
A estrutura dos painéis (cerca de 2,5 a 3 metros no ponto mais alto) permite a circulação de animais e a manutenção da atividade agrícola regular, combinadas com a produção de energia solar.

Projetos agrivoltaicos e rendimento agrícola: dados concretos
Estudos internacionais indicam que esta tipologia de projetos permite:
  1. Reduzir a perda de água das culturas, mitigando o stress hídrico em contextos de calor extremo através de sombreamento parcial

  2. Melhorar a produtividade de determinadas culturas sensíveis ao calor extremo
  3. Aumentar a eficiência do uso dos solos
Para agricultores rurais, isto traduz-se em:
  1. Diversificação de fontes de receitas
  2. Redução da dependência exclusiva de ciclos agrícolas voláteis
  3. Maior previsibilidade financeira a longo prazo
Projetos agrivoltaicos e economia rural: impacto local
Para além do rendimento direto para agricultores, os parques solares podem gerar benefícios económicos locais:
  1. Contratação de serviços locais
  2. Receita fiscal municipal
  3. Estabilidade financeira para proprietários de terrenos
  4. Criação de emprego durante construção e operação – o setor solar fotovoltaico é o maior empregador global nas renováveis, representando cerca de 4,9 milhões de empregos em 2022
Promoção de soluções que favoreçam biodiversidade e polinizadores

Apicultura e energia solar: uma parceria natural
Parques solares integrados em modelos agrivoltaicos podem apoiar polinizadores e apicultores locais, integrando apicultura e energia solar na atividade agrícola existente.

A criação de prados floridos e zonas de pastoreio solar permite instalar colmeias, monitorizar a biodiversidade e gerar rendimento complementar, contribuindo para reforçar a economia rural.

Como os projetos agrivoltaicos apoiam agricultores e economia rural?
Os projetos agrivoltaicos apoiam agricultores ao permitir que continuem a utilizar a terra para a atividade agrícola enquanto geram rendimento adicional através da energia solar. Este modelo diversifica receitas, reduz riscos associados à variabilidade climática e contribui para a estabilidade económica das comunidades.

Energia solar e agricultura: possibilidades de uso duplo do solo
Quando cuidadosamente planeados, os parques solares funcionam de forma a complementar a atividade agrícola, não a inviabilizá-la ou substituí-la. A transição energética pode ser também uma estratégia de revitalização rural.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Projeto de megacentral fotovoltaica em Castelo Branco volta a ser chumbado


A Agência Portuguesa do Ambiente voltou a chumbar a central fotovoltaica da Beira, em Castelo Branco.

O projeto da central solar da Beira iria ocupar mais de 500 hectares nos concelhos de Idanha-a-Nova e Castelo Branco. Previa a instalação de mais de 400 mil módulos fotovoltaicos, com 22 quilómetros de linhas de muito alta tensão, em paisagens protegidas e áreas classificadas.

O projeto foi chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente. A confirmação foi dada à SIC pela ministra Maria da Graça Carvalho.

A APA já tinha chumbado um projeto para esta central no ano passado. Com o novo chumbo, a empresa pode ainda apresentar uma nova versão.

A Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional garante que continuará atenta, tendo também como foco outra megacentral solar, o projeto Sophia. Este é igualmente alvo de protestos e tem uma dimensão ainda maior.

São cerca de dois mil hectares nos concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova. O projeto está ainda em fase de avaliação do estudo de impacte ambiental e aguarda parecer da Agência Portuguesa do Ambiente.

domingo, 28 de dezembro de 2025

A grinding, pivotal year ahead

Fonte


I’ve been thinking a lot about this over the past few days in part because the Trump administration did yet another indefensible thing—they shut down all work on five offshore wind farms off the eastern seaboard. As the Times put it, the move


essentially gutted the country’s nascent offshore wind industry in a sharp escalation of President Trump’s crusade against the renewable energy source.

The decision injected uncertainty into $25 billion worth of projects that were expected to power more than 2.5 million homes and businesses across the Eastern United States, according to Turn Forward, an offshore wind advocacy group. The five wind farms were projected together to create together about 10,000 jobs.

The administration said there were “national security” reasons for the shutdown that they couldn’t explain but that had something to do with radar. You are forgiven your skepticism about this rationale. Retired naval commander Kirk Lippold said the Department of Defense had fully vetted the projects, and added “ironically, these projects will actually benefit our national security by diversifying America’s energy supplies, providing much-needed reliable power for the grid and helping our economy.” If you want more on this aspect, check out Peter Gleick’s fine essay. Or maybe just look at a map of Asian wind installations, offshore and on; the Chinese coast, by Trumpian logic, is apparently the most vulnerable place on planet earth.



No, everyone knows that this decision, like so many in 2025, results from a combination of two obvious things. One is the president’s detestation of windpower, because you can see turbines from the 18th hole of his Turnberry golf course in Scotland, a sight he has described as “disgusting.” (By the way, it’s a prejudice he shares with his sidekick Bobby “Measles” Kennedy—here’s the letter some of us wrote to him 20 years ago next week pointing out that he was being an ass for trying to protect the view from his Cape Cod compound). The second thing, of course, is Trump’s efforts to pay off his fossil fuel donors—they gave him half a billion in campaign help, and they are now reaping the largest return on investment in recorded history.

But there’s a third reason too, I think, and one that reminds us of the politics inherent in all of this. For New England, New York, and Virginia those now-halted windfarms offer something like a first stab at energy independence. And that’s anathema to the fascist mind, which values centralization and control above all. California has already begun to escape that control—it has so much solar and wind energy that it could, if it had to, increasingly make do on its own (and the hydro-charged northwest as well). But the northeast is the other center of resistance to Trump’s ugly project; it’s currently tied to the end of the gas pipelines stretching back to the Gulf, and Trump et al are determined to keep it that way.

And for now there’s nothing we can do about it (except go to court, which actually worked when Trump tried to shut down one wind farm in the fall). Without control of either the House or Senate, Democrats have no way to stand up to even something as egregiously stupid as this windpower ban. Getting a majority in either chamber would not rein in the MAGA project, but it would allow questions to be publicly asked, and it would allow at least a budget fight about such venality. It’s nowhere near what we need, but it’s not nothing. And nothing is what we have right now, which is why the last year has been so hard—those of us who care about, say, science and economics (or justice) have had to stand there and take it, our hands essentially tied behind our backs.

We’ve done our best in the circumstances—the No Kings Day protests, for instance, have been crucial in sapping support for what seemed at first like a juggernaut. But the reason to drive down Trump’s popularity is to make it harder for him to win elections (and harder to rig elections—the refusal of the Indiana GOP to go along with the president’s redistricting plan this month was a good reminder that Trump at 38 percent approval is less effective than Trump at 55 percent).

The elections will, of course, be a hard fight. Hard because MAGA has all the advantages of incumbency (including an ever-more-compliant media—the fact that the White House now controls CBS is a particular blow to those of us old enough to remember Murrow and Cronkite). And hard because in many places the Democrats we will need to support won’t be precisely the champions we’d most like. Prepare for a lot of tap-dancing around “climate,” for instance—what we need to hope for is that these candidates are sensible enough at least to seize on the popularity of solar and windpower and make a decent argument for energy both cheap and clean. Some Mamdanis will emerge, and we’ll treasure them, but the basic job is straightforward: beat MAGA everywhere we can, hopefully with margins sufficient to start reorienting our hideous politics.

I’ll obviously keep covering the energy marvels appearing in the rest of the world—reporting on the ongoing sunpower revolution keeps me optimistic enough to stagger on. But I think my main job over the next ten months is to do all I can to help the elections on Nov. 3 come out the right way; I’ll be writing, and through Third Act I’ll be organizing (look for the next rounds of the Silver Wave tour). Those hoped-for victories are the necessary first step to preserving both some of our democracy and some of our climate system. And remember how good it felt to take home some preliminary wins last month in New York, New Jersey, Virginia. Wiping more of the smirk off the presidential mug is our potential reward—that and a future.

In other energy and climate news:

+As they shut down wind farms, America’s energy czars are pledging billions on a particularly absurd scheme: big gas pipelines in Alaska designed for an export LNG market that almost certainly won’t exist by the time they’re built. Lois Parshley has some fine reporting in Grist


The cost is staggering: Official estimates put it at $44 billion, though independent analysts suggest it could top $70 billion. Experts say it has required substantial government support to develop and will require “a mix of public and private capital to move forward.”

The pipeline’s backers are already eyeing additional federal support, including $30 billion in loan guarantees. That backstop would leave the public on the hook if the endeavor falters, an outcome that has plagued previous state megaprojects. “Every taxpayer should be furious that the federal government is chasing this project,” said Cooper Freeman, the state director for The Center for Biological Diversity, which is suing the federal government over the proposed pipeline’s threat to endangered species.

Meanwhile, a wave of liquified natural gas development is expected to flood global supply by 2030, including from export projects in British Columbia that are closer to completion and share Alaska’s proximity to Asian markets. In a blunt assessment, independent energy market firm Rapidan Energy Group warned that investors “could incur substantial financial losses” and said the Alaska project is what happens when “politics overrides commercial logic.”

Prediction: the federal government won’t be able to find private parties to put up serious money for this project. It will be a taxpayer-financed boondoggle if it happens at all—which is the same dynamic affecting plans for Canadian tarsands pipelines. Perhaps Trump has the political muscle to make all of us pay for this folly; or perhaps the upcoming elections will provide a stumbling block (see above). By the way, a widely predicted the EU seems not to be living up to its pledges to buy more LNG in return for reducing its tariffs.

+Don’t miss David Roberts’ Volts interview with Saul Griffith from earlier today. Readers of this newsletter will be long acquainted with his basic arguments about how to make solar cheaper, but his comparison of putting solar on the roof of his home in Sydney and his office in San Francisco is truly breathtaking. (Spoiler: five times cheaper down under). Here’s how he describes the Aussie process:

You have to remember, this is a first world country where 40% of people have rooftop solar. At 40% of households having it, it’s pretty hard to commute home from work without seeing a truck that says on the side of it, “Hot Electric” or “Solar Hub Electric” or “Joe’s Mom and Her Dog’s Electric Solar and Water Heater Service.” You can probably call one of those on your commute. They will probably show up the next morning before 7 am and have a look at your roof. Depending upon their backlog, they’ll be on your roof within 48 hours. Or maybe it’ll be a week

+Robert Rosner has a comprehensive rundown on the prospects for nuclear power in the decades ahead from the Bulletin of the Atomic Scientists. Though I’m going to put in bold the question I think may actually turn out to be most decisive.

Whether a nuclear renaissance actually occurs in the coming decade or two will depend, to a significant degree, on the answers to three fundamental questions: Are these new designs safer than their predecessors? Do the new designs lead to changes in how one will have to deal with the inevitable waste products (including the “spent” fuel)? And do thee new designs raise additional (or new) questions regarding nuclear weapons proliferation? In posing these questions, I am willfully excluding from my analysis additional key questions that actually determine whether a true “nuclear renaissance” is now likely to arrive in the United States: Will the strong increase in assured 24/7-always available electricity demand continue? Will the cost of electricity from the new generation of nuclear reactors be competitive with that obtained from alternate electricity-generation technologies? And will we finally succeed in dealing responsibly with our high-level nuclear waste and move this material into permanent repositories?

+Kentucky is the absolute heart of coal country, of course—but a new study finds that if you started retiring aging coal-fired power plants and replacing them with renewable energy, Kentuckians would save immense amounts of money. As Liam Niemeyer explains,

“Here in Kentucky, coal was the least-cost way to produce electricity, but as our coal plants age and as the cost of renewable energy continues to fall, that’s simply no longer the case,” the head of the group that commissioned the report, said. “Continuing to rely on aging, uneconomic power plants simply leads us to less stable, less dependable and higher-cost electricity when compared to the other pathways that are modeled in our report.”

Using an open source electricity planning model, the report analyzes four pathways that Kentucky utilities could take. The analysis considered pending proposals to build new power plants and other planning documents filed by utilities. It found the least-cost pathway creates up to $2.6 billion in savings for ratepayers through 2050 by replacing coal-fired power with “clean energy resources,” primarily solar power paired with batteries to store the power.

+Americans have some company in our political misery. Czechia has a new environment minister, from the rightwing Motorists for Themselves party (admittedly, a great name that pretty much sums up all the forces wrecking the earth), and he is vowing that “green blood will run” as he makes policy changes. On assuming office, the new guy announced "the climate crisis is over today."

+Sadly, “enhanced rock weathering” does not seem to be as useful a carbon removal technology as some had hoped, a new study finds. “Integrating the pore water results with model analyses, we estimated that the average CO2 removal rate was 100 ± 30 kg CO2 ha–1 yr–1, which is 10 to 30 times lower than the upper rates reported in some previous modeling and experimental studies.”

+In much better news, check out these numbers: E-bike (and trike and rickshaw) sales are soaring across the planet, and doing far more than EVs to drive down oil demand. From Muhammad Rizwan Azhar and Waqas Uzair:

On the world’s roads last year, there were over 20 million electric vehicles and 1.3 million commercial EVs such as buses, delivery vans, and trucks.

But these numbers of four or more wheel vehicles are wholly eclipsed by two- and three-wheelers. There were over 280 million electric mopeds, scooters, motorcycles, and three-wheelers on the road last year. Their sheer popularity is already cutting demand for oil by a million barrels of oil a day—about 1 percent of the world’s total oil demand, according to estimates by Bloomberg New Energy Finance.

As they point out, it comes down to money: far more humans can afford to buy these vehicles. And to operate them.

If you commute on an e-bike 20 km a day, five days a week, your charging cost would be about $20—annually.

+And one other delightful note on which to end the year. A new study is showing that growing crops in solar farms is not just good for the crops, it’s good for the farmworkers.

Agrivoltaics creates coveted shaded areas for farmworkers. That’s critical when you consider they are 35 times more likely to suffer fatal heat-related illnesses than nonagricultural workers.

Scientific data backed the workers’ instincts on the shade. Solar panels reduced the wet bulb globe temperature, a heat-measuring system, by up to 10 degrees.

Here’s an image from Shandong province, China.


The researcher, Talitha Neesham-McTiernan at the University of Arizona, interviewed lots of farmworkers. One of them confessed they found it hard to imagine ever going back to work on traditional full-sun farms — where, they added, their favorite crops had always been tomatoes, because of the shade the tall plants offered.

“By 9 a.m., in the summer, you’re just cooking,” Neesham-McTiernan said. “Being able to take that direct heat load off makes such a difference.”

Shade keeps drinking water cool too, the workers noted — a crucial benefit, given water’s role in mitigating heat stress. “They can pop their bottles under the panels and they stay cool all day,” Neesham-McTiernan said, “rather than it being, as one of the farmworkers described it, like drinking tea.”

Another worker said these benefits helped them feel less exhausted by day’s end, leaving more energy for social life and allowing a faster recovery for the next day’s work. Others said simply knowing shade was nearby reduced their mental stress.

On that note, I wish you too a week with reduced mental stress, the better to prepare for the important work ahead. See you in 2026!

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Central Solar Sophia - O negócio do filho de Marques Mendes


O projecto Sophia, localizado no concelho do Fundão, prevê a ocupação de 428 hectares de Reserva Ecológica Nacional, abrangendo zonas de leitos e margens de cursos de água, áreas de risco de erosão e territórios classificados pela sua sensibilidade ambiental. O empreendimento implicará o abate de cerca de 1.500 sobreiros e afectará habitats de mais de 140 espécies de aves, incluindo a Águia-imperial-ibérica, o Abutre-preto e a Cegonha-preta — todas espécies protegidas em áreas de Reservas Naturais.

O Projecto Sophia é promovido pela empresa Coloursflow Unipessoal, Lda, cujo capital social é 1 euro, foi constituída em 27 de Maio de 2021, e é gerida por Miguel Ricardo Fernandes Lobo. O único sócio desta sociedade é a Lightsource Renewable Energy, Lda, detida por João Pedro Pinto Salazar Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes.

Trata-se de um investimento de grande escala (600 milhões de euros), inserido num conjunto mais vasto de empreendimentos fotovoltaicos actualmente em desenvolvimento em diversas regiões do País. A localização, no interior da Beira Baixa, tem suscitado críticas de associações ambientais e das populações locais, que alertam para o impacto irreversível sobre os solos, os recursos hídricos e os ecossistemas.

Em paralelo, o nome de João Marques Mendes, advogado, surge referido nas escutas da Operação Influencer, investigação conduzida pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Segundo o Ministério Público, o advogado, ligado à Start Campus, participou na elaboração de uma portaria do então ministro João Galamba, destinada a viabilizar o grande centro de dados de Sines — considerado o maior investimento estrangeiro em Portugal desde a Autoeuropa. As escutas telefónicas transcritas pelo DCIAP documentam contactos entre o advogado e administradores da Start Campus, considerados relevantes para o esclarecimento do processo. A investigação assinala coordenação entre agentes públicos e privados com vista à criação de condições favoráveis à aprovação do projecto.

O projecto solar Sophia enquadra-se num contexto de expansão acelerada da produção fotovoltaica, em que a dimensão e a localização dos empreendimentos levantam questões ambientais e sociais de grande alcance. Os estudos técnicos apontam para aumento da temperatura local entre 3 e 5 graus, perda de biodiversidade, alterações na drenagem natural e degradação dos solos, com repercussões directas sobre a agricultura, as comunidades rurais e o equilíbrio ecológico da região. Prevê-se também o isolamento de pequenas povoações e a transformação definitiva da paisagem, com impactos duradouros no território e na qualidade de vida das populações locais.

O processo encontra-se sujeito a avaliação ambiental e a pareceres técnicos que determinarão a sua viabilidade final. A discussão pública em torno do projecto reflecte uma preocupação crescente com a forma como os grandes investimentos energéticos estão a ser conduzidos em Portugal e com a necessidade de assegurar que a política de transição ambiental decorre de forma transparente, equilibrada e compatível com a preservação do património natural.

O projecto Sophia, localizado no concelho do Fundão, prevê a ocupação de 428 hectares de Reserva Ecológica Nacional, abrangendo zonas de leitos e margens de cursos de água, áreas de risco de erosão e territórios classificados pela sua sensibilidade ambiental. O empreendimento implicará o abate de cerca de 1.500 sobreiros e afectará habitats de mais de 140 espécies de aves, incluindo a Águia-imperial-ibérica, o Abutre-preto e a Cegonha-preta — todas espécies protegidas em áreas de Reservas Naturais.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Filho de Marques Mendes envolvido em megacentral fotovoltaica Sophia


De acordo com uma investigação de oRegiões, conduzida pelo jornalista Fernando Jesus Pires, o nome do filho de Luís Marques Mendes é referido como estando associado ao projeto solar Sophia, que prevê o abate de 421 sobreiros e 1120 azinheiras para se construir um parque fotovoltaico. A iniciativa poderá afectar habitats de mais de 100 espécies registadas na região e estudos gerais indicam que os parques solares poderão causar um aumento local da temperatura entre 3 a 5 graus.

O projeto está ligado à Coloursflow (gerida por Miguel Ricardo Fernandes Lopes Lobo). O único sócio da Coloursflow é a Lightsource Renewable Energy Portugal (HoldCo), Lda., sociedade detida por João Pedro Pinto Salazar Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes, antigo líder do PSD e actual candidato à Presidência da República, e por Ana Carolina Miranda Almeida. Já a gestão é assumida por Carlos Alexandre Henriques dos Santos.

No início de 2025, segundo uma notícia da ECO, a PLMJ (uma sociedade de advogados) “assessorou a Lightsource bp na venda do projeto solar fotovoltaico “Cibele” (com capacidade de 130MW e em fase de “ready-to-build”) à Exus Renewables. A referida sociedade de advogados fundada por José Miguel Júdice e Francisco Oliveira Martins, assessorou a transação que foi liderada por João Marques Mendes, sócio da área de Energia e Recursos Naturais, e por Nuno Serrão Faria, associado coordenador na área de Corporate M&A.” De relembrar que José Miguel Júdice é actualmente mandatário nacional de João Cotrim de Figueiredo, como candidato à Presidência da República.

Recentemente, a Lightsource bp promoveu uma apresentação sobre “Hybrid PPA: bringing innovative solutions to your procurement energy strategy“ e o evento contou com uma intervenção de João Marques Mendes, sócio da PLMJ Advogados.

De notar que a TVI já tinha feito uma reportagem sobre a Operação Influencer, em que João Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes, é ouvido em escutas.

Actualmente, a futura central solar fotovoltaica encontra-se em consulta pública para licenciamento ambiental, abrangendo cerca de 400 hectares no Fundão. Ainda, irá afectar a Reserva Ecológica Nacional, incluindo cursos de água, leitos, margens e zonas de elevado risco de erosão do solo. Algumas espécies em perigo como a Águia Imperial Ibérica, o Abutre Preto e a Cegonha Preta poderão ver os seus habitats perturbados.Imagem ilustrativa de um parque fotovoltaico

Não menos importante, esta decisão poderá desfigurar a paisagem natural e cultural da Beira Baixa, nomeadamente os mosaicos de oliveiras, sobreiros e muros de xisto.

Fontes:
  1. Silêncio Solar: O Negócio do Filho de Marques Mendes e a Submissão dos Autarcas à Nova Colonização Energética – oRegiões
  2. Media Lobo
  3. A CSF de Sophia e as LMAT associadas
  4. Operação Influencer: João Marques Mendes, filho de Luís Marques Mendes, ouvido em escutas | TVI Player
  5. Agência Portuguesa do Ambiente
  6. PPA híbridos: a nova geração de soluções energéticas renováveis para empresas comprometidas com o crescimento económico | Lightsource bp
  7. PLMJ assessora Lightsource bp na venda de projeto solar – ECO

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Parecer negativo: Proposta de definição de âmbito da Central Solar Fotovoltaica da Beira


O meu texto na Consulta Pública
"Discordo da implementação da Central Solar Fotovoltaica de Sophia e das Linhas de Muito Alta Tensão associadas, pois o impacto ambiental e paisagístico em concelhos como o Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova é demasiado elevado face aos benefícios apresentados.
Isto é um crime ambiental! As duas centrais preveem o abate de cerca de 2.000 árvores "protegidas". Mas serão muitos milhares mais! As que não são protegidas não as contam! Em qualquer terreno da Beira Baixa, além dos sobreiros e azinheiras (espécies protegidas) há oliveiras. Muitas delas centenárias. É previsível que sejam arrancadas milhares delas. Iremos ter terras estéreis, de onde antes provinha um azeite de excelente qualidade. Além disso nidificam aves nessa região aves de relevância ecológica (águia-de-bonelli, abutre preto, águia imperial ibérica, águia real) e localiza-se perto do Parque Natural do Tejo Internacional.
Não existe "energia verde" à conta do extermínio do verdadeiro verde da vida, do abate de milhares de árvores, da destruição de ecossistemas, provável extinção de aves sensíveis já referidas e alteração grave de uma ZPE ambientalmente rica e, repito, muito sensível."
E anexei o parecer da SPEA.



terça-feira, 21 de outubro de 2025

Dia Mundial da Economia de Energia - A energia mais limpa é a que não se consome


O Dia Mundial da Economia de Energia foi criado em 21 de outubro de 1973, logo após a crise mundial do petróleo que começou nesse mesmo ano. O aumento repentino do preço e a escassez deste recurso essencial despertaram a consciência global sobre a dependência energética e a necessidade urgente de racionalizar o consumo.

Esta data convida-nos a repensar a forma como usamos a energia — em casa, no trabalho e nas cidades — e a adotar hábitos mais eficientes e sustentáveis. Economizar energia não significa apenas gastar menos; significa usar melhor, reduzir desperdícios e proteger o planeta.

Todos sabemos que economizar energia é bom para o planeta. Mas, e para o negócio? Neste Dia Mundial da Economia de Energia, vale a pena lembrar que cada kWh poupado é mais um passo dado para empresas se tornarem mais eficientes, competitivas e até mais inovadoras. Porque inovar também é repensar processos, otimizar recursos, fazer mais com menos. A energia mais limpa é, afinal, a que não se consome.

A verdade é que a eficiência energética deixou de ser apenas uma exigência legal: tornou-se uma alavanca estratégica. Não se trata apenas de instalar tecnologia verde ou de cumprir regulamentos; trata-se de criar uma cultura de consumo consciente. É perceber que cada processo, cada equipamento e cada decisão de investimento podem gerar impacto direto nos resultados da empresa. E essa transformação começa dentro de casa: ao mapear processos, identificar desperdícios e agir de forma proativa, as empresas conseguem produzir mais com menos, reduzir emissões e aumentar a competitividade.

Um exemplo claro desta abordagem é a monitorização em tempo real. Quando conseguimos acompanhar, minuto a minuto, como a energia é consumida, deixamos de reagir a problemas e começamos a preveni-los. Os dados deixam de ser números isolados e transformam-se em decisões inteligentes, traduzindo-se em ação e, consequentemente, em resultados. É aqui que se esconde o verdadeiro valor da eficiência: na capacidade de transformar informação em vantagem concreta.

Outro vetor estratégico é a eletrificação da indústria. Portugal tem dado passos importantes, mas ainda há muito a fazer. A eletrificação só é eficaz se estiver integrada com soluções digitais, energias renováveis e armazenamento. Esta transformação exige visão de longo prazo e um trabalho contínuo de melhoria, um processo incremental, mas consistente, capaz de gerar valor real e sustentável.

Depois, a economia de energia também é um exercício de liderança. Empresas que olham para a eficiência como uma prioridade estratégica não estão apenas a cortar custos: estão a construir resiliência, a reforçar a reputação e a abrir portas para novos investimentos.

No fundo, a mensagem é simples: criar hábitos, investir em soluções inteligentes e integrar a eficiência energética na estratégia do dia a dia não é apenas bom para o planeta, é essencial para as empresas que querem liderar o futuro.

⚡ Algumas ações simples que fazem diferença:
  • Substituir lâmpadas incandescentes por LED.
  • Desligar aparelhos e carregadores da tomada quando não estão em uso.
  • Aproveitar a luz natural e melhorar o isolamento térmico das casas.
  • Optar por transportes sustentáveis.
  • Escolher equipamentos com selo de eficiência energética.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Pope Francis and the Sun

Solar panels atop Pope Francis’ audience hall in the Vatican

Just in case I thought one couldn’t feel more forlorn right now, the word came this morning of the death of Pope Francis. It hit me hard—not because I’m a Catholic (I’m a Methodist) but because I had always felt buoyed by his remarkable spirit. If he could bring new hope and energy to an institution as hidebound as the Vatican, there was reason for all of us to go on working on our own hidebound institutions—and if he could stand so completely in solidarity with the world’s poor and vulnerable, then it gave the rest of us something to aim for.

I thought this from the start, when he became the first pope to choose the name of Francis,—that countercultural blaze of possibility in a dark time—and when he showed his mastery of the art of gesture, washing the feet of women, of prisoners, of Muslim refugees. (Only Greta Thunberg, with her school strike, has so mastered the power of gesture in modern politics).

But he brought that moral resolve to the question of climate change, making it the subject of his 2015 encyclical Laudato Si, the most important document of his papacy and arguably the most important piece of writing so far this millennium. I spent several weeks living with that book-length epistle in order to write about it for the New York Review of Books, and though I briefly met the man himself in Rome, it is that encounter with his mind that really lives with me. Laudato Si is a truly remarkable document—yes, it exists as a response to the climate crisis (and it was absolutely crucial in the lead-up to the Paris climate talks, consolidating elite opinion behind the idea that some kind of deal was required). But it uses the climate crisis to talk in broad and powerful terms about modernity.

The ecological problems we face are not, in their origin, technological, says Francis. Instead, “a certain way of understanding human life and activity has gone awry, to the serious detriment of the world around us.” He is no Luddite (“who can deny the beauty of an aircraft or a skyscraper?”) but he insists that we have succumbed to a “technocratic paradigm,” which leads us to believe that “every increase in power means ‘an increase of “progress” itself’…as if reality, goodness and truth automatically flow from technological and economic power as such.” This paradigm “exalts the concept of a subject who, using logical and rational procedures, progressively approaches and gains control over an external object.” Men and women, he writes, have from the start intervened in nature, but for a long time this meant being in tune with and respecting the possibilities offered by the things themselves. It was a matter of receiving what nature itself allowed, as if from its own hand.

In our world, however, “human beings and material objects no longer extend a friendly hand to one another; the relationship has become confrontational.” With the great power that technology has afforded us, it’s become easy to accept the idea of infinite or unlimited growth, which proves so attractive to economists, financiers and experts in technology. It is based on the lie that there is an infinite supply of the earth’s goods, and this leads to the planet being squeezed dry beyond every limit.

The deterioration of the environment, he says, is just one sign of this “reductionism which affects every aspect of human and social life.”

I think Francis’s project for the earth—a recovery of fellow feeling, with a special attention to the poor—is the only thing that can save us over time. But it will take time—obviously for the moment we’ve chosen the opposite path, as exemplified by the fact that J.D. Vance, scourge of the refugee, darkened his last day on earth.

In the meantime, Francis was very much a pragmatist, and one advised by excellent scientists and engineers. As a result, he had a clear technological preference: the rapid spread of solar power everywhere. He favored it because it was clean, and because it was liberating—the best short-term hope of bringing power to those without it, and leaving that power in their hands, not the hands of some oligarch somewhere.

As a result, he followed up Laudato Si with a letter last summer, Fratello Sole, which reminds everyone that the climate crisis is powered by fossil fuel, and which goes on to say

There is a need to make a transition to a sustainable development model that reduces greenhouse gas emissions into the atmosphere, setting the goal of climate neutrality. Mankind has the technological means to deal with this environmental transformation and its pernicious ethical, social, economic and political consequences, and, among these, solar energy plays a key role.

As a result, he ordered the Vatican to begin construction of a field of solar panels on land it owned near Rome—an agrivoltaic project that would produce not just food but enough solar power to entirely power the city-state that is the Vatican. It is designed, in his words, to provide “the complete energy sustenance of Vatican City State.” That is to say, this will soon be the first nation powered entirely by the sun.

The level of emotion—of love—in this decision is notable. The pope named “Laudato Si” (“Praised be”) after the first two words of his namesake’s Canticle to the Sun, and Fratello Sole was even more closely tied—those are the words that the first Francis used to address Brother Sun. I reprint the opening of the Canticle here, in homage to both men, and to their sense of humble communion with the glorious world around us.

All praise be yours, my Lord, through all that you have made,
And first my lord Brother Sun,
Who brings the day; and light you give to us through him.
How beautiful is he, how radiant in all his splendor!
Of you, Most High, he bears the likeness.

The world is a poorer place this morning. But far richer for his having lived.

+Steve Chapple has an important interview with Ralph Keeling, whose father Dave set up the instrument on Mauna Loa that monitors co2 concentrations in the atmosphere. Ralph, on the faculty of Scripps Oceanographic, helps keep up that work, and also oversees a variety of other atmospheric monitoring projects. There’s no one alive better positioned to understand the risks that come with the slashing in government funding for climate science

I guess I'd also say that, you know, the US really has led in this in the past, and what's basically underpinned our prosperity and our stature in the world in the last few decades is the US investment in science in general and our investment in the climate, the science of climate and weather and environmental change puts us also in the forefront of understanding these things. So we have been leaders. We're a magnet for talent or have been and that's that's served us well.

+The cement industry puts a lot of carbon into the air. There are ways to fix that…all of which just got harder thanks to Trump.

The National Ready Mixed Concrete Association also got word earlier this year that it lost its EPA funding. The association was planning to use its $9.6 million grant to help concrete producers develop “environmental product declarations” so government agencies and other customers could identify which products have a low-carbon footprint.

The grant would have boosted demand for low-carbon products, Lemay said. But the Trump administration’s EPA canceled it along with 48 others.

“That just means that we're not going to have the benefit of the federal government accelerating our progress,” Lemay said. “That would have helped. Clearly.”

+We need something beautiful, and here it is. Listen to Bach’s Trio Sonata #5 for organ, set against 60 photos from astronauts Suni Williams and Butch Wilmore, who just returned from their extended stay on the ISS. Such thanks to the people at Earth Music Theater for this ongoing work—this is literally what we’re fighting for, folks.