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quinta-feira, 5 de março de 2026

The Cure - Push


This melody means a lot to me. Released on August 30, 1985, I was 19 years old. The moment I heard it, it clung to my soul and never let go. It’s been woven into the fabric of my life for forty years.

The song begins not with words, but with an instrumental preamble that feels like a sunrise over a desolate moor - a long, glittering hallway of sound where Gallup’s bass acts as a steady, subterranean pulse. The guitars, layered in chorus and reverb, spin like silver webs catching the light, suspending the listener for two minutes in the musical equivalent of holding one’s breath until the lungs burn. We wait for the push, or perhaps the fall, until Robert Smith’s voice finally breaks through. It isn’t a whisper; it’s a desperate, melodic cry painting a portrait of fractured intimacy.

"Push" lingers as a quintessential anthem because it finds beauty in the breaking—it is the electric, terrifying thrill of the moment just before the end, the sound of a heart beating too fast in a room that’s far too quiet.

It's not just about romantic relationships. Everyone interprets it in their own way. 

For me, it healed the loss of my first love. Also, when someone (a friend) is no longer with me, or the death of a friendship, or the physical separation from an animal, or when I did everything in my power to prevent the senseless slaughter of our native woods or our urban trees, I return to this hymn because it eases my pain.


Go go go!
Push him away
No no no!
Don't let him stay...

He gets inside to stare at her
The seeping mouth
The mouth that knows
The secret you
Always you
A smile to hide the fear away
Oh! smear this man across the walls
Like strawberries and cream
It's the only way to be

Exactly the same clean room
Exactly the same clean bed
But I've stayed away too long this time
And I've got too big to fit this time.

Conflito emocional e afastamento em "Push" de The Cure
Em "Push", do The Cure, a letra explora o conflito entre o desejo de proximidade e a necessidade de afastamento. A imagem marcante de "smear this man across the walls / Like strawberries and cream" (espalhar esse homem pelas paredes / como morangos com creme) revela um impulso quase obsessivo de apagar a presença de alguém, misturando sentimentos de repulsa e fascínio. Essa metáfora sugere não só o afastamento físico, mas também a tentativa de eliminar qualquer lembrança ou influência emocional da pessoa, reforçando o tema do distanciamento.

O desconforto do narrador se intensifica quando ele admite: "But I've stayed away too long this time / And I've got too big to fit this time" (mas fiquei longe por tempo demais desta vez / e fiquei grande demais para caber desta vez). Esses versos deixam claro o sentimento de não pertencimento e a percepção de que mudanças internas o afastaram de um espaço ou relação que antes era familiar. O contexto da música, frequentemente discutido por fãs e críticos, aponta para a luta em controlar a influência do outro e a necessidade de criar barreiras emocionais. Assim, "Push" se destaca como um retrato direto e honesto do embate entre o desejo de conexão e a autopreservação, traduzindo em palavras e sons a experiência do distanciamento emocional.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Peter Singer- Libertação Animal

E-livro aqui

Como muitos dos debates internacionais que animam a opinião pública, as universidades e os intelectuais dos países mais desenvolvidos, o problema dos direitos dos animais tem passado despercebido em Portugal. Temos até o caso de Barrancos a lembrar-nos até onde a crueldade portuguesa pode ir em nome da tradição (como se qualquer tradição, só por ser uma tradição, devesse ser respeitada — afinal, também a escravatura era uma tradição milenar e foi abandonada). Com a publicação em Portugal da obra Libertação Animal, de Peter Singer, a Via Óptima vem dar aos portugueses a possibilidade de participar no debate internacional de ideias e de repensar algumas das suas convicções mais enraizadas. Esta obra foi originalmente publicada em 1975 e foi responsável pela vitalidade dos mais importantes movimentos em prol dos direitos dos animais. A edição a que agora temos acesso em português, traduzida por Maria de Fátima St. Aubyn, é a edição revista de 1990.

O livro tem 6 capítulos, dois prefácios (referentes às edições de 1975 e de 1990), três apêndices e várias fotografias ilustrativas do modo como os animais são tratados. Os apêndices apresentam uma útil bibliografia comentada, indicações que ajudam a viver sem pactuar com a crueldade para com os animais, e ainda uma listagem de organizações que, um pouco por todo o mundo, lutam contra o modo como tratamos os animais. O editor português incluiu nesta lista, e bem, referências a organizações congéneres portuguesas.

O primeiro capítulo é semelhante ao capítulo 2 da obra Ética Prática e tem por título "Todos os animais são iguais". Trata-se de discutir a ideia de igualdade e de mostrar que restringir esta ideia aos seres humanos é uma forma de "especismo" — um preconceito indefensável e semelhante em tudo ao racismo. A ideia de igualdade é muitas vezes mal compreendida pelo grande público. Pensa-se que as mulheres e os negros ou os ciganos têm os mesmos direitos que as outras pessoas por serem iguais às outras pessoas. Mas isto esconde ainda uma forma de racismo e de sexismo. Em primeiro lugar, os homens são muito diferentes das mulheres: têm sexos diferentes. Mas daí não se segue que os direitos das mulheres se subordinem aos direitos dos homens. Em segundo lugar, é óbvio que há pessoas mais inteligentes que outras. Newton ou Einstein ou Descartes foram mais inteligentes do que a maior parte de nós; mas daí não se segue que tenham mais direitos do que nós. Em conclusão: não é por os ciganos, negros, etc. serem iguais aos outros seres humanos que têm os mesmos direitos. É verdade que são realmente iguais, em termos genéricos, nomeadamente quanto à inteligência; mas mesmo que não fossem, isso não determinaria que tivessem menos direitos. Afinal, um deficiente mental não tem a mesma inteligência de uma pessoa normal, mas não deve ser discriminada por isso.

Quando compreendemos a igualdade correctamente, compreendemos que é difícil não a alargar aos outros animais; discriminar com base na espécie é tão aleatório como discriminar com base na etnia ou no sexo. O que é moralmente relevante para ter direitos é a possibilidade de sofrer. Dado que os animais podem sofrer, têm direitos. No primeiro capítulo, Singer procura mostrar que a correcta compreensão da noção de igualdade implica que os animais têm direitos, respondendo a muitas das objecções que é comum levantar neste ponto do debate: será que os animais sofrem realmente, ou serão meros autómatos incapazes de sentir dor por não terem alma, como defendia Descartes? Será que faz sentido falar de direitos dos animais quando eles não têm sequer a noção do que é um direito? Singer responde com imparcialidade, rigor e bonomia a estas e outras objecções.

O segundo capítulo, intitulado "Instrumentos para a investigação" apresenta a realidade das experiências científicas com animais. Tanto este capítulo como o seguinte baseiam-se em ampla documentação. O autor conduziu uma investigação sobre o modo como os animais são usados na investigação científica — e os resultados são surpreendentes. A ideia que se tem geralmente é que as experiências com animais permitem avanços importantes em medicina, o que ajuda a salvar vidas humanas. Isto é falso. Grande parte das experiências científicas com animais são levadas a cabo por psicólogos que estudam o comportamento dos animais em situações anormais. Por exemplo: colocam um cão vivo numa espécie de forno, o qual aquecem lentamente até o cão morrer por ser incapaz de suportar o calor. Dão choques eléctricos a ratos e cães, para determinar como reagem a situações de dor permanente. Grande parte deste capítulo consiste em descrever experiências deste género, com base nos relatórios publicados nas revistas da especialidade.

Além de grande parte das experiências com animais levadas a cabo pelos cientistas ser perfeitamente irrelevante para o progresso do conhecimento, não é também verdade que algumas experiências sejam determinantes para salvar vidas humanas. Na verdade, nunca tal coisa aconteceu; e o contrário está mais próximo da verdade. Alguns avanços médicos cruciais que salvaram milhares de vidas jamais teriam sido alcançados caso se baseassem em experiências com animais: "a insulina pode provocar deformações em coelhos e ratos pequenos, mas não nos seres humanos. A morfina, que actua como calmante nos seres humanos, provoca delírios em ratos" (p. 53). E a penicilina é tóxica para os porquinhos-da-índia.

A maior parte das pessoas que defendem os direitos dos animais estarão dispostas a concordar com os argumentos do autor até chegarem ao capítulo 3, intitulado "Visita a uma unidade de criação intensiva". Neste capítulo descreve-se a forma como os animais que comemos são tratados pelas modernas unidades de criação intensiva e o sofrimento a que são sujeitos. E é aqui que começam as dificuldades para o defensor dos animais, pois agora não se trata só de uma opinião sobre coisas que não o afectam; para ser consequente, o defensor dos direitos dos animais terá de deixar de comer animais, dado que é o nosso gosto por carne e peixe que determina o modo como os animais são tratados. O modo como as galinhas, os porcos e as vacas são tratados nas unidades de criação intensiva é descrito de forma imparcial, com base nas revistas da especialidade.

Dada a forma como os animais são tratados para produzirem carne, ovos e leite, que pode o defensor dos direitos dos animais fazer para ajudar a resolver a situação? O tema do capítulo 4, "Ser vegetariano", defende um estilo de vida vegetariano como resposta a esta questão, para que o defensor dos direitos dos animais não seja hipócrita e inconsequente, defendendo com palavras o que contraria nos seus actos: "É fácil tomar posição acerca de uma questão remota, mas os especistas, como os racistas, revelam a sua verdadeira natureza quando a questão se torna mais próxima. Protestar contra as touradas em Espanha, o consumo de cães na Coreia do Sul ou o abate de focas bebés no Canadá enquanto se continua a comer ovos de galinhas que passam as suas vidas amontoadas em gaiolas, ou carne de vitelas que foram privadas das mães, do seu alimento natural e da liberdade de se deitarem com os membros estendidos, é como denunciar o apartheid na África do Sul enquanto se pede aos vizinhos para não venderem a casa a negros" (p. 152).

Surpreendentemente, há ainda outras razões para abandonar o consumo de carne. A produção intensiva de animais para abate é, em termos ecológicos, um disparate. "São necessários cerca de 11 kg de proteínas em ração para produzir o 1/2 kg de proteína que chega aos seres humanos. Recuperamos menos de 5 % daquilo que investimos" (p. 155). As fezes dos animais que são produzidos para abate contribuem em larga medida para o efeito de estufa; as urinas contaminam os solos e os lençóis subterrâneos de água. A água é consumida em grandes quantidades pelos animais para abate, contribuindo assim para o esgotamento progressivo das reservas de água potável. "A água necessária a um boi de 500 kg faria flutuar um contratorpedeiro" (p. 157). Os animais para abate são alimentados com rações que são produzidas a partir de cereais que os seres humanos podem consumir directamente, de forma muito mais vantajosa. "Se os americanos reduzissem o seu consumo de carne em 10 % durante um ano, libertariam pelo menos 12 milhões de toneladas de cereal, que […] seria suficiente para alimentar 60 milhões de pessoas" (p. 156).

O capítulo 5, intitulado "O domínio do Homem" procura dar conta das origens históricas do especismo. O pensamento grego, romano, islâmico e cristão é profundamente especista — coloca os animais fora da consideração moral, tratando-os como meros objectos inanimados. A ideia de ver um animal a sofrer e de explorar o seu comportamento nessa situação tem raízes antigas, subsistindo ainda nos dias de hoje em espectáculos como a tourada. Peter Singer acompanha a história do especismo, que começa a tornar-se cada vez mais difícil de sustentar, sobretudo depois de Darwin. Mas trata-se de um preconceito de tal modo enraizado que mesmo T. H. Huxley, um dos maiores defensores do darwinismo, compreendendo que não há um fosso biológico entre nós e os outros animais, continua a acreditar nele, resistindo à refutação do especismo. Mas "a resistência à refutação é uma característica distintiva de uma ideologia. Se os fundamentos de uma posição ideológica lhe forem retirados, encontrar-se-ão novas construções ou, então, a posição ideológica permanecerá suspensa, desafiando o equivalente lógico da lei da gravidade" (p. 197).

O capítulo final do livro, "O especismo hoje", apresenta objecções e respostas à causa dos direitos dos animais e alguns dos resultados prometedores a que já se chegou. Diz-se por vezes que os animais não podem ter direitos porque não têm deveres nem entendem o que é ter direitos. Mas os deficientes mentais e os bebés também não têm deveres nem compreendem o que é ter direitos — e no entanto têm direitos. Afirma-se também por vezes que os seres humanos não podem passar sem comer carne; mas isto é pura e simplesmente falso, como o atestam os milhões de vegetarianos saudáveis em todo o mundo. Também se coloca por vezes a questão de saber por que motivo nos devemos coibir de matar os animais para comer, se os animais se matam uns aos outros com o mesmo fim. Mas ninguém acha que podemos matar outros seres humanos para comer, apesar de sabermos que os animais matam seres humanos para comer se tiverem oportunidade de o fazer.

Libertação Animal é uma obra de leitura obrigatória. Pela clareza, seriedade e honestidade. Pelo rigor lógico. Pela inteligência dos seus argumentos. Está de parabéns a Via Optima. E quando uma editora está de parabéns, somos todos nós que ganhamos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Vídeos de animais selvagens criados por IA “geram confusão e ameaçam a sua conservação”, dizem cientistas


Por Filipe Pimentel Rações
Um grupo de animados coelhos a saltitarem num trampolim ou um gato destemido que protege uma criança da investida de um leopardo. Vídeos destes fazem as delícias dos internautas e proliferam nas redes sociais.

Há, contudo, um senão. O que é visto nas imagens nunca aconteceu. São fruto da manipulação por Inteligência Artificial. Embora possam parecer reais não o são.

Para muitos, estes vídeos podem parecer inofensivos: entretêm quem os vê e até se pode pensar que aproximam as pessoas dos animais selvagens, o que, teoricamente, seria positivo para a sua conservação. Mas uma equipa de biólogos, psicólogos e especialistas em educação da Universidade de Córdoba, em Espanha, diz que esses vídeos podem ter o efeito precisamente contrário.

Num artigo publicado a revista ‘Conservation Biology’, dizem ter analisado os vídeos mais partilhados nas redes sociais que mostram animais selvagens e que foram produzidos por Inteligência Artificial. E alertam que, no que toca às espécies selvagens visadas, “geram confusão e ameaçam a sua conservação”.

Uma das principais conclusões é que esses conteúdos criam perceções erradas sobre os animais selvagens, especialmente no que diz respeito ao seu comportamento e às interações entre espécies diferentes. No caso do gato que enfrentou o leopardo, os autores dizem, em comunicado, que é muito pouco provável que um desses grandes felídeos salte para o pátio de uma casa e que um gato doméstico se lance para enfrentá-lo.

Outros dos problemas associados à disseminação desses vídeos, que os cientistas consideram ser uma forma de desinformação, é a atribuição de características e comportamentos humanos a animais, o que pode criar ideias erradas sobre as próprias espécies não-humanas, e ainda o aumento do fosso existente entre as sociedades humanas e o mundo natural.

Esses vídeos “mostram características, comportamentos, habitats ou relações entre espécies que não são reais”, afirma, em nota, José Guerrero-Casado, primeiro autor do estudo.

“Por exemplo, vemos predadores e presas a brincarem. São-nos mostrados animais com comportamentos humanos que estão muito longe da realidade”, salienta, acrescentando que, sobre o vídeo do leopardo e do gato, que tem já mais de um milhão de ‘gostos’, “cria-se um clima negativo para a conservação de uma espécie como o leopardo, que nunca encontraríamos numa situação como esta”.

O investigador alerta que a exposição a este tipo de vídeos afasta ainda mais os mais jovens e as crianças do mundo natural e da vida selvagem e pode até criar sentimento de frustração nesses grupos etários, pois, com base no que veem online, podem acabar por perceber que os animais os vídeos não são os animais que eventualmente verão na Natureza.

Além disso, “espécies que são vulneráveis parecem mais abundantes com estes vídeos e isso é negativo para a conservação”, refere Rocío Serrano-Rodriguez, principal coautora do artigo.

Esses efeitos são agravados pelo facto de a imagem ser um dos principais meios de aprendizagem na infância e de as camadas mais jovens da sociedade estarem cada vez mais cedo expostas ao que se passa nas redes sociais.

Como se não bastasse, estes conteúdos podem fazer aumentar o apetite pela aquisição de animais selvagens exóticos como animais de estimação, podendo pôr em risco a sobrevivência de populações e até de espécies inteiras.

Face a tudo isto, os investigadores defendem a implementação de estratégias de literacia digital que deem às pessoas as ferramentas de que precisam para questionar os conteúdos que veem online, para procurarem as fontes fidedignas. E isso deve ser transversal a todas as faixas etárias, dos mais pequenos aos mais velhos.

domingo, 19 de novembro de 2023

Por que é que os chineses comem animais exóticos?


Um artigo publicado pela revista científica The Lancet, intitulado “Game consumption and the 2019 novel coronavirus”, assinado por Jie Li, da Universidade de Guangzhou e Jun Li, da Universidade de Ningxia, juntamente com mais cinco autores chineses, explica as razões que estão por detrás de uma prática muito comum na sociedade chinesa desde há vários séculos.​

“A prática do consumo de carne e produtos oriundos de animais selvagens na China data de períodos pré-históricos. Nos tempos modernos, apesar deste tipo de comércio não ser essencial à alimentação, a tradição de comer este tipo de animais persiste”, lê-se no artigo.​

De facto, no período entre 1959 e 1961, terão morrido cerca de 15 milhões de pessoas devido à Grande Fome. Preocupado com um novo período de escassez de alimentos, em 1979, o governo chinês temia não conseguir voltar a alimentar os seus milhões de habitantes. Nessa altura, abriu a atividade agrícola a grandes grupos de privados que começaram a produzir galinha, porco e vaca. Os pequenos agricultores, que ficaram sem soluções, decidiram começar a criar animais selvagens, como cobras e tartarugas. O governo chinês apoiou esta iniciativa. ​

Ao mesmo tempo, com base em crenças antigas, muitas famílias acreditam que comer órgãos de animais selvagens pode curar ou prevenir doenças. Por exemplo, acreditam ainda que a carne de pangolim ajuda a aliviar o reumatismo, que o seu sangue ajuda a promover a circulação sanguínea, e as escamas um bom aliado nos tratamentos estéticos. “A cultura alimentar chinesa sustenta que os animais recém-abatidos são mais nutritivos e essa crença pode aumentar a transmissão viral”, salientam os cientistas chineses. ​

Por definição, animal exótico é todo aquele que não ocorre naturalmente numa determinada região geográfica e que foi trazido acidental ou intencionalmente pelo homem. ​

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Identificadas 272 espécies que devem ser travadas na Península Ibérica antes que seja tarde

Uma equipa de investigadores ligados a universidades portuguesas e espanholas identificou pela primeira vez as espécies que são potencialmente invasoras em águas interiores de Portugal e Espanha, anunciou esta quinta-feira o projecto LIFE Invasaqua.
Fonte: Wilder

No total são 272 espécies de plantas e animais agora publicadas na Lista de Espécies Exóticas Potencialmente Invasoras na Península Ibérica 2020, “o que permitirá a criação de sistemas de alerta e erradicação precoce para evitar o caos ecológico e económico”, indica uma nota divulgada pelo LIFE Invasaqua, projecto que impulsionou a investigação.

O LIFE Invasaqua, co-financiado por fundos comunitários, envolve três organizações portuguesas: Universidade de Évora, MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e ASPEA – Associação Portuguesa de Educação Ambiental.

As espécies identificadas “já estão na fase de transporte ou introdução na Península Ibérica e devem ser tidas em conta nos sistemas de alerta precoce de Espanha e Portugal”, avisam os cientistas. A maioria destes casos são de potenciais invasores que estão a chegar aos dois países “como animais de estimação, para fins ornamentais ou através da aquicultura”.

A lista agora divulgada resulta de um trabalho de avaliação e de consenso de 60 especialistas ligados a mais de 30 instituições de Espanha e Portugal e “pretende ser a base para a prevenção e alerta precoce por parte das administrações de ambos os países, bem como para promover a cooperação transnacional nesta área.”

Mais de 60% em falta nas listas oficiais

O projecto publicou também esta quinta-feira a Lista de espécies exóticas aquáticas da Península Ibérica 2020, que resultou do trabalho dos mesmos especialistas. Esta nova publicação identifica 306 espécies que já estão hoje introduzidas em águas interiores peninsulares. Destas, 200 estão “claramente estabelecidas ou naturalizadas” nos sistemas aquáticos de água doce e estuários da Península Ibérica, o que implica “um risco para o ambiente e para a economia muito elevado”.

No entanto, apenas menos de 40% destas espécies exóticas agora publicadas constam da lista oficial europeia ou das listas nacionais de Espanha ou Portugal, o que implica que a detenção ou comercialização de espécies não incluídas nestas listas ainda é permitida, avisa a equipa do projecto.

Vertebrados, crustáceos e moluscos são os grupos mais representados nestas 306 espécies, embora as plantas aquáticas exóticas também aqui estejam em número elevado. Em conjunto, estes grupos representam mais de 70% das espécies estabelecidas.

“Além das espécies invasoras mais emblemáticas, como o vison-americano, o peixe-gato-europeu, o mexilhão-zebra ou o jacinto-de-água, esta lista inclui também outras espécies menos conhecidas mas que constituem um problema, como o coipú, a rã-de-unhas-africana, a perca-sol, o lagostim-sinal, a amêijoa-asiática ou a azola”, exemplificam.

De acordo com estudos recentes feitos por toda a Europa, incluindo Portugal e Espanha, nota-se “um aumento preocupante dos problemas ecológicos e económicos associados às espécies exóticas invasoras”.

Para impedir que aconteçam ou responder rapidamente a essas situações, uma das principais apostas do Life Invasaqua tem passado pela elaboração e publicação de listas com as espécies exóticas que já estão presentes na Península Ibérica, ou que têm esse potencial. Segundo a equipa, estas “são uma ferramenta essencial para técnicos e gestores”.

“Estas listas são ferramentas para compreender e gerir as vias de introdução de espécies exóticas em sistemas de água doce e estuários, bem como para comunicar a dimensão do problema a todas as autoridades e partes interessadas relacionadas”, concorda Spyridon Flevaris, Chefe de Políticas de Biodiversidade da Comissão Europeia, citado na nota de imprensa.

As duas publicações agora divulgadas vão servir de base para o acompanhamento da implementação do objetivo da Estratégia da UE para a Biodiversidade até 2030 para combater espécies exóticas invasoras (EEI) e para a implementação de outras diretivas europeias (Habitats e Aves, Água e Estratégia Marinha).


Saiba mais

Conheça aqui algumas das espécies aquáticas invasoras que mais se destacam em Portugal, no âmbito de uma parceria entre a Wilder e o LIFE Invasaqua.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Estudo de caso: A lagarta exótica Helicoverpa armigera (monocultura vs agrofloresta)


O Brasil vai exportar megapragas? A lagarta exótica Helicoverpa armigera vem assombrando as lavouras de soja, milho e algodão do país há vários anos, pressionando inclusive para a liberação brasileira de sucessivos agrotóxicos antes proibidos pela Anvisa  e pelo Ibama. Ano após ano, a lagarta que causa perdas econômicas para produtores é, também, a mesma a que causa uma receita bilionária às fabricantes estrangeiras de pesticidas. Em janeiro deste ano, mais um novo agrotóxico foi liberado  no Brasil, outro veneno para tentar conter a tal lagarta. Estudos sobre estas superpragas realizado por pesquisadores ingleses, americanos e australianos, tanto do PNAS e CSIRO, demonstram que a tal lagarta híbrida já é uma megapraga, com muitas mudanças genéticas resistentes a todos os pesticidas do mercado. Os cientistas alertam para o risco mundial. 


Saiba mais:

Fonte: Árvore, Ser Tecnológico, 11.04.08

domingo, 25 de dezembro de 2005

A Terapia com Animais ou Zooterapia


A pet is an island of sanity in what appears to be an insane world. Friendship retains its traditional values and securities in one's relationship with one's pet. Whether a dog, cat, bird, fish, turtle, or what have you, one can rely upon the fact that one's pet will always remain a faithful, intimate, non-competitive friend -- regardless of the good or ill fortune life brings us."
Dr. Boris Levinson, child psychologist
                                     
Estudos recentes têm mostrado que o uso de animais tais como, cães, gatos, pássaros, cavalos, burros, golfinhos, etc., representa um contributo importante para o bem-estar social e psicológico das pessoas. 

As relações humanas, neste mundo apressado em que vivemos, negligenciam muitas vezes o toque, o contacto físico, o olhar nos olhos, etc. No entanto, estes comportamentos são de extrema importância para garantir o nosso bem-estar emocional. O toque, por exemplo, dizem os estudiosos destas questões, aumenta a nossa auto-estima, e desenvolve no ser humano, sentimentos de proximidade, segurança e confiança pelo seu congénere e o meio envolvente. 

A utilização de animais como parte de um programa terapêutico foi primeiro registado no século IX, em Gheel, na Bélgica, onde pessoas com necessidades especiais foram pela primeira vez autorizadas a cuidar de animais domésticos. Nos anos 60, graças ao psicólogo infantil americano, Boris Levinson, assiste-se ao ressurgimento da terapia baseada em animais.
Fonte: AEPGA

Crianças provenientes de famílias em risco e adultos com problemas sociais e de adaptação. 

O que é um animal de terapia.

Trata-se de um animal que pelas suas características comportamentais e/ou morfológicas, aliado a um treino específico permite a recuperação de traumas ou auxilia na aprendizagem. Actua geralmente com a supervisão do dono ou treinador preparado para a sua função.

Nem todos os animais podem ser animais de terapia.

Um animal de terapia deve ser calmo e inspirar confiança em quem o irá manejar, deverá sustentar o olhar das pessoas, gostar de que lhe façam festas, o abracem e toquem, mantendo-se calmo perante movimentos bruscos e barulho alto. Um animal que rosne, fuja, demonstre impaciência ou seja nervoso não servirá para trabalhar. Se não interage, não poderá auxiliar ninguém.

Exemplos de animais de terapia.

1-Cavalos e Burros

A Hipoterapia e asinoterapia são muito importantes no acompanhamento de crianças com paralisia cerebral, autismo, hiperactividade e síndrome de Down, tanto em termos físicos, como em termos de ligação emocional. Não só o montar o animal ou interagir com o mesmo, como, consoante o caso, tratá-lo , em termos de o alimentar e escovar, é benéfico para a coordenação motora e para o amor próprio. São exemplos já seguidos no nosso país com excelentes resultados. Em países como os Estados Unidos e Inglaterra a terapia com golfinhos é igualmente utilizada com muito sucesso como coadjuvante da hidroterapia.

2-Cães e Gatos

Os cães são muito usados em terapia, inclusivamente raças injustamente vistas como más, como o rottweiler, que pela sua autoconfiança e autodomínio é um excelente animal de apoio e usado pelas equipas de terapeutas.

Desde os casos referidos anteriormente, passando pelas enfermarias de hospitais até aos lares de idosos, as suas visitas permitem um aumento da auto-estima e do bem estar. Crianças com problemas tornam-se mais abertas e comunicativas .

Colocando um parêntesis, o estabelecimento prisional de Monsanto possui inclusive um canil onde as pessoas podem deixar os seus animais de férias, sendo o seu tratamento da responsabilidade dos reclusos como parte do programa de recuperação, na interacção com os outros presos e com os guardas prisionais.

O simples facto de acariciar um cão ou gato é calmante e parte da recuperação passa pelo bem estar psicológico. Um cão ou um gato numa enfermaria pediátrica humaniza o ambiente ainda mais que a simpatia das enfermeiras.

Um cão, um gato ou uma ave, são por vezes o único suporte dos idosos sem família e a sua razão última de viver, diminuindo a sua carga de ansiedade e evitando depressões.

Nas escolas, existir um animal ao cargo de uma turma (sempre, note-se sob a supervisão de um professor) aumenta a auto-estima e o sentimento de pertença ao grupo das crianças, bem como de responsabilização perante a sociedade.

Podemos assim ver que embora os animais não sejam já os parceiros principais ao lado do homem em termos de protegê-lo dos animais selvagens, guardando rebanhos, ou servindo de meio de transporte, continuam assim mesmo, a ser essenciais, ajudando-nos a viver melhor e a superar as situações que advêm do nosso dia a dia ou do cada vez mais complexo modo de vida urbano.

sábado, 25 de junho de 2005

FILME: não contribua para a miséria e sofrimento dos animais de circo e não assista a touradas

Com o Verão começam as festas mas aparecem teimosamente os circos com animais e as touradas, inevitavelmente.

Além do apelo e sensibilização da Animal contra os circos com animais e as touradas descobri através da Renata Martins uma Associação Brasileira que está empenhada na erradicação no Brasil a utilização de animais nos Circos. Inclui um link actualizado de Circos Sem Animais.
Tem ainda um filme bastante pedagógico e que provoca em nós fortes emoções.

Ligamos a TV e lá estão os programas infantis mostrando animais de circos como se fossem bem tratados e felizes.
Não permitiremos que nossas crianças cresçam se divertindo às custas de animais humilhados, escravizados e constantemente torturados.Não é possível se domar animais selvagens sem surrá-los, sem estabelecer uma relação de medo e dor. O fato dos animais estarem presos, enjaulados e acorrentados, deveria bastar para que não freqüentássemos circos com animais.
Circos do passado apresentavam aberrações como atração. O mundo evoluiu e esses números foram eliminados; os romanos jogavam seres humanos para os leões, como forma de entretenimento.  Cultura evolui. Até quando vamos ter que ver animais em circos, em sociedades civilizadas? Até quando vamos permitir que se continue explorando criaturas inocentes em nome de tradição e cultura?
Nós não aceitamos mais, por isso fizemos este web site, baseados em fatos. E se você também está do lado daqueles que lutam por respeito por todos os seres vivos, não saia deste site sem deixar seu recado. A abordagem deste web site não se reporta apenas à questão dos animais. A questão aqui é mais profunda. É a ética como ponto de partida para as mudanças que desejamos em nossa sociedade e o respeito por humanos e não humanos. É o mínimo que se pode esperar de uma sociedade civilizada.

Pelos artistas, sempre e incondicionalmente.
Pelo fim de animais em circos.


Cultura é tudo aquilo que contribui para tornar a humanidade mais sensível, mais inteligente e civilizada. A violência, o sangue, a crueldade, tudo o que humilha e desrespeita a vida jamais poderá ser considerado "arte" ou "cultura". A violência é a negação da inteligência.
Uma sociedade justa não pode admitir actos eticamente reprováveis (mesmo que se sustem na tradição), cujas vítimas directas são milhares de animais.
É degradante ver que nas praças de touros torturam-se bois e cavalos para proporcionar aberrantes prazeres a um animal que se diz racional.
Portugal não se pode permitir continuar a prática do crime económico que é desperdiçar milhares de hectares de terra para manter as manadas de gado, dito bravo. A verdade é que são precisos dois hectares de terreno, o equivalente a dois campos de futebol, para criar em estado bravio cada boi destinado às touradas. Ora isto é tanto mais criminoso quando Portugal é obrigado a importar metade da alimentação que consome. Decerto os milhares de hectares desperdiçados a tentar manter bois em estado bravio, produziriam muito mais útil riqueza se aproveitados em produção agrícola, frutícola, etc.
Uma minoria quer manter as touradas e as praças de touros, bárbara e sangrenta reminiscência das arenas da decadência do Império Romano. De facto nas arenas de hoje o crime é o mesmo: tortura, sangue, sofrimento e morte de seres vivos para divertimento das gentes das bancadas. Como pode continuar tamanha barbaridade como esta, das touradas, no século XXI?
Só pode permanecer como tradição o que engrandece a humanidade e não os costumes aberrantes que a degradam e a embrutecem.

sábado, 5 de fevereiro de 2005

Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente



Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente Administração do zoo admite abate e justifica acto com a lei que regulamenta parques Susana Leitão
O Jardim Zoológico de Lisboa "abate animais ilegalmente". O abate acontece "às segundas-feiras, às 08.15, junto ao gabinete de compras, perto do armazém, num matadouro, também ele ilegal". Esta é uma das queixas que consta de documentação que denuncia algumas situações ocorridas no zoo, e aque o DN teve acesso.A administração do zoo admite que abate animais, mas diz que não é ilegal, justificando o acto com a legislação. E o veterinário do parque argumenta ser normal todos os zoos do mundo praticarem a eutanásia. "Só há um decreto lei que regulamenta a actividade do parque e que é o que aplicamos no zoo, Decreto-lei 59/2003 Artigo 13, nº. 1. Com base neste artigo decidimos que determinados animais têm de ser abatidos. Todos os zoos praticam a eutanásia, todos os zoos têm de praticar a eutanásia", afirmou ao DN o veterinário-administrador da instituição, Fernando Paisana. O responsável defende que "se o animal é abatido é porque tem de ser. É porque um conjunto de veterinários, e não só um, decidiu que assim tinha deser. E vamos continuar a abater". Acrescentando "Se tenho uma exploração com animais em vias de extinção, nasce um macho e nasce outro macho, um destes tem que ser abatido. Por norma, contactamos a Associação Europeia de Zoos e Aquária (EAZA) e perguntamos se há algum zoo interessado no animal, se não há o animal tem que ser abatido, com base legal". Muita da carne que alimenta os carnívoros do parque é oferecida por particulares. No entanto, na maior parte das vezes chega ao zoo ainda com vida."Num local qualquer matamos um burro, ou um cavalo, cortamos aos bocados e damos aos leões», explica Fernando Paisana. «Uma coisa que fazemos com rigor é não dar carne aos nossos animais sem que seja inspeccionada por um veterinário, e de forma tão rigorosa como se fosse para consumo público" ,salienta. O presidente da Animal - Associação Nortenha de Intervenção no MundoAnimal -, Miguel Moutinho confirmou ter conhecimento desta situação ecritica a atitude, argumentando que "a maneira como os burros (e,eventualmente, cavalos ou outros animais) são mortos no Jardim Zoológico de Lisboa, revela que há várias infracções ao Decreto-lei n.º 28/96, de 2 de Abril, que regulamenta a protecção dos animais no abate". Por seu lado, Fernando Paisana garante que todos os passos são efectuados com o "conhecimento da Direcção-Geral de Veterinária. E a única recomendação que esta dá é que o animal seja abatido com o mínimo de dor. São abatidos atiro, morte instantânea, aqui no zoo, não pode ser noutro sítio".Outra situação denunciada no dossier é a falta de condições em que vivemalguns animais, nomeadamente felinos, grandes primatas, e outros animais de grande porte (ver texto ao lado). O veterinário administrador do zoo assume também que há, de facto, animais mal instalados, mas sublinha que a situação será resolvida. "Temos problemas nos grandes primatas e nos felinos. Não é oj ardim que é uma porcaria. A ala dos felinos, com excepção dos leões, está mal. As restantes estão bem. Os primatas estão pessimamente, mesmo assim estão melhor do que em grandes zoos da Europa".
Jaulas podem ter os dias contados na Maia
Paula FerreiraSansão vai, em breve, viajar para um jardim zoológico na Holanda. O jovem orangotango vive no Zoo da Maia num espaço exíguo. Com acara encostada ao vidro da jaula, os olhos não perdem a expressão triste,apesar das manifestações de carinho de uma funcionária do zoo. "Ele é um barato, é o meu preferido", diz a tratadora das focas, inactiva até que oespectáculo aquático regresse, em Fevereiro.DN-Ursula Zanggerfuturo. Objectivo é acabar com as jaulas e instalar os animais em ilhas, comtoda a segurança para os visitantesO orangotango representa o paradigma deste zoo. Carlos Teixeira, presidenteda Junta de Freguesia da Maia, entidade que gere o espaço temático dedicadoà vida selvagem, lembra que o Sansão "veio de um jardim onde se encontravaainda em piores instalações". Não encontrou as condições ideais, isso énotório, embora, como ressalva o autarca, pelo menos "tem aquecimento".Conscientes de que aquele espaço não é o indicado para o primata, osresponsáveis trataram de arranjar uma alternativa. Na passada semana chegou a resposta um zoo dos Países Baixos vai acolher Sansão que poderá ver a suaqualidade de vida melhorar bastante.Este é um dos caminhos encetados para adaptar o zoo às exigências da novalegislação. Se no momento não é possível aumentar a área do parque, com 3,5hectares, optou-se por diminuir o número de animais, sobretudo no que dizrespeito aos mamíferos. Os próximos a serem contemplados com mais espaço serão os leopardos. Um animal será cedido a outro zoo e as duas jaulasexistentes transformadas numa única.O espaço, considera o presidente da autarquia, é uma questão des ensibilidade, mas não está esquecido. "Temos um acordo verbal com a Câmarada Maia que permitirá triplicar a área". O sonho de Carlos Teixeira é acabarcom as jaulas e instalar os animais em ilhas com toda a segurança para os visitantes. Até lá, vão diminuindo o número de efectivos. Em relação aos pumas, jaguares, tigres ou panteras "não há dificuldades" em conseguir interessados. Mas, em outros casos, a estratégia é evitar que procriem, "uma vez que somos contra a eutanásia", afirma o responsável do zoo. Para evitar o crescimento das espécies, separam os animais na altura do cio ou optam pela utilização de anticoncepcionais. Mas a procriação é também uma mais-valia. Ontem, o urso pardo encontrava-se sozinho. A sua companheira estava na maternidade com o ursinho nascido emDezembro. Mãe e filho deverão regressar daqui a um mês para deliciar ascrianças, principais clientes do Zoo da Maia. Em breve, os visitantes poderão visionar o que se passa na maternidade através de circuito vídeo,reforçando a componente pedagógica do parque temático. Essa necessidade foi,segundo Carlos Teixeira, a principal observação da equipa do Instituto de Conservação da Natureza e da Direcção-Geral de Veterinária, que está a acompanhar o processo de licenciamento do zoo, o qual deverá ser concluído em Abril
Lei proíbe exibição de animais O Decreto-lei n.º 59/2003 de 1 de Abril, transposição para a legislação portuguesa de uma directiva comunitária aprovada há três anos, obriga todos os jardins zoológicos a salvaguardar os parâmetros de bem-estar de cada animal, assim como proíbe a exibição de animais unicamente para fins comerciais. Ou seja, os jardins zoológicos, e parques temáticos, vão ser obrigados a ter um papel pedagógico e de preservação da natureza e de espécies. A mesma legislação assegura a fiscalização aos recintos. Se estas exigências não forem cumpridas até Abril deste ano, os recintos deverão ser encerrados de vez. Entretanto, a administração do zoo de Lisboa garantiu ao DN que até lá irá começar as obras para melhorar as instalações dos animais,c om ou sem ajuda do Estado.
Zoológico tem más condições 
O Jardim Zoológico de Lisboa não tem "condições mínimas" para alojar os animais. "As instalações são muito pobres. Aliás, é mesmo um dos mais pobresda Europa". A caracterização foi feita por Daniel Turner, da Born Free Foundation, uma organização de defesa dos animais, que esteve recentemente em Portugal para investigar aquele recinto. E a análise realizada é bastante crítica no que toca ao funcionamento do parque, confirmando um conjunto dequeixas reunidas no dossier interno a que o DN teve acesso. A associação Animal diz "não estranhar estas denúncias", apesar de o seu autor preferir manter o anonimato. "Todos os dias recebemos cartas, email sou telefonemas com as mesmas reclamações. No entanto, as pessoas não se identificam, o que nos impossibilita de dar seguimento jurídico às questões", explica Miguel Moutinho, presidente daquela associação. Por seu turno, o responsável da Born Free Foundation explica porque é que as instalações do recinto lisboeta não têm condições "Quando o zoo foi construído não se teve em conta os animais, mas sim o público. Uma prática que tem vindo a manter ao longo dos anos", afirma Daniel Turner. Segundo o dossier, os "casos mais aberrantes são os dos grandes primatas e felinos". O especialista britânico explicou ao DN que a depressão em alguns animais é bastante visível e resulta das "condições miseráveis em que são mantidos e pela falta de estímulos. Esse tipo de distúrbio comportamental, nomeadamente a repetição permanente dos movimentos estereotipados, assim como a auto-mutilação, é passível de ser revertida, mas para isso era necessário devolver aos animais algumas das condições que eles teriam no seu habitat natural".Daniel Turner alerta para o facto de as instalações dos grandes animais,como os elefantes, girafas, gorilas ou chimpanzés terem "condições miseráveis . E, aproveita para lembrar a Aldeia dos Macacos. "Aquela aldeia, como lhe chamam", ironizou, "está na mesma há anos. Os animais têm de facto espaço, mas a qualidade do mesmo é má, pois não têm vegetação para fazer oque fazem na vida selvagem, como andarem de ramo em ramo". Um dos grandes problemas, explica, é que "muitos Zoos não entendem que o importante é a qualidade das instalações e não a quantidade".O responsável deixa um alerta "Será que as grandes empresas que patrocinam estes animais sabem em que condições é que estes vivem? Julgo que não. Caso contrário, tudo seria mais grave".S.L

"People say they don't care about politics; they're not involved or don't want to get involved, but they are. Their involvement just masqueradesas indifference or inattention. It is the silent acquiescence of the millions that supports the system. When you don't oppose a system, your silence becomes approval, for it does not hing to interrupt the system. People use all sorts of excuses for their indifference. They even appealto God as a shorthand route for supporting the status quo. They talkabout law and order. But look at the system, look at the present social"order" of society. Do you see God? Do you see law and order? There is nothing but disorder, and instead of law there is only the illusion ofsecurity. It is an illusion because it is built on a long history ofinjustices: racism, criminality, and the enslavement and genocide of millions. Many people say it is insane to resist the system, butactually, it is insane not to."*/Mumia Abu-Jamal/*

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Sete passos para ajudar a ANIMAL a pôr fim ao uso de animais em circos em Portugal

As imagens que foram mostradas recentemente pela Associação Animal acerca dos maus tratos a que estão submetidos os animais nos circos é chocante e faz-nos repensar na capacidade de invertermos a situação. Faça a sua parte. Ajude a ANIMAL a pôr fim ao uso de animais em circos em Portugal. Protegendo os animais, desejando que sejam livres e defendendo no terreno os seus direitos é um passo importante para a protecção da biodiversidade e um contributo muito grande que fazemos em prol de uma Ética da Terra!

Sete passos para ajudar a ANIMAL a pôr fim ao uso de animais em circos:
1. Sempre que identificar a actividade de qualquer circo perto de si, seja em que zona do país for, por favor tente descobrir que espécies de animais tem esse circo, quantos animais de cada espécie tem, em que condições são mantidos no cativeiro e de que maneira são treinados e usados nas actuações. Por favor, recolha esses elementos e partilhe essa informação com a ANIMAL, através de info@animal.org.pt.

2. Tente sempre registar, em fotografia ou vídeo, imagens da maneira como os animais são mantidos nas jaulas desses circos e de possíveis manifestações evidentes de violência contra esses mesmos animais nos treinos e nas actuações e, por favor, partilhe essas imagens com a ANIMAL, contactando-nos através de info@animal.org.pt.

3. Alerte a sua comunidade local, os seus familiares e o seu grupo de amigos e conhecidos para a crueldade que é manter animais em circos e usá-los em actuações circenses. Reforce, junto das pessoas com quem contacta, o apelo ao boicote aos circos com animais. Apele às escolas, empresas e outras instituições que conhece para que não organizem visitas a circos com animais.

4. Escreva para a secção de opinião dos leitores e para os editores dos jornais locais e nacionais e partilhe com os outros leitores dos órgãos de imprensa escrita que lê as razões pelas quais o uso de animais em circos deve acabar e por que se justificam estas preocupações éticas. Em www.Animal.org.pt, saiba o que sofrem os animais em circos e encontre aí a informação que precisa para ajudar a ANIMAL a expor o mal do uso de animais em circos.

5. Escreva, por e-mail, por fax e/ou por carta (via postal) para as juntas de freguesia, médicos veterinários municipais e presidentes das câmaras municipais da sua área, dizendo-lhes que manter animais em circos é errado porque atenta contra as necessidades biológicas, psicológicas e emocionais mais elementares destes animais, cuja actuação forçada em circos só se consegue pelo condicionamento e treino violentos. Escreva a estas entidades e diga-lhes que, como cidadão/cidadã e como munícipe, não quer que o seu concelho seja palco de espectáculos de circo com animais, que têm vidas miseráveis para que o seu uso seja possível, pedindo a estes autarcas que não autorizem a presença de companhias de circo com animais nos concelhos que administram.

6. Contacte a ANIMAL para obter mais informações e imagens do sofrimento dos animais em circos. Informe-se em www.Animal.org.pt e organize sessões locais de esclarecimento acerca do sofrimento dos animais que são usados em circos para que mais pessoas fiquem a saber por que razão não devem visitar circos com animais.

7. Junte-se à ANIMAL e torne-se membro de uma comunidade de milhares de pessoas que integram nas suas preocupações diárias a maneira como os animais são e devem ser tratados. Seja da espécie que ajuda. Seja da espécie ANIMAL. Contacte-nos através do info@animal.org.pt.

A ANIMAL acredita que todos os animais – com especial destaque para os animais selvagens – não pertencem aos circos. Acredita que as características biológicas dos animais são absolutamente incompatíveis com a sua manutenção em jaulas exíguas, enferrujadas, sem higiene, onde são mantidos durante todo o tempo entre as actuações e os treinos, com alimentação e abeberamento insuficientes e irregulares. Acredita que, além do mal que é manter animais neste ou em qualquer outro tipo de cativeiro, é ainda menos aceitável treiná-los através da força do chicote ou da paulada, do uso do aguilhão eléctrico ou da electrocussão para que, por exemplo, ursos andem de bicicleta, babuínos montem póneis, tigres ou leões saltem por entre arcos em chamas ou elefantes se sustentem em duas ou numa só pata. Acredita que esta crueldade é um absurdo e que o circo ideal não tem nenhum animal. E, por fim, a ANIMAL acredita que o uso de animais em circos deve acabar. Se também acredita nisto, não visite circos com animais. Mas não se fique por aí. Junte-se à ANIMAL para defender o fim da manutenção e uso de animais em circos.

quarta-feira, 21 de abril de 2004

A blogosfera está a crescer no apoio aos Direitos dos Animais


Pela adesão à campanha Boicote ao Turismo no Canadá, apoiada pela ANIMAL e pelas referências que tenho encontrado nos seus blogs sobre os Direitos dos Animais, agradeço os amigos que já se associaram:
Ondas;
Reciclemos
MeioAmbienteUrgente(BR)
O Vizinho
Espanto
Continuação de um bom trabalho.Um abraço