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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Ilwad Elman - Foco e Filosofia

"O colapso ecológico e o colapso da governação estão intrinsecamente ligados. Eles reforçam-se mutuamente. E as consequências não são apenas locais. São globais." - Ilwad Elman

Ilwad Elman é uma das mais influentes ativistas somali-canadianas da atualidade, centrando a sua atuação na intersecção entre a paz, a segurança e os direitos humanos.  Filha de pais também eles ativistas, Ilwad, nascida em 1989, na Somália, viveu parte da sua juventude no Canadá, mas decidiu regressar à Somália em 2010 para se juntar à sua mãe, Fartuun Adan, na gestão do Elman Peace and Human Rights Centre. Este centro foi fundado em memória do seu pai, Elman Ali Ahmed, um pacifista assassinado em 1996 pelo seu trabalho de reabilitação de jovens afetados pela guerra.

Em 2010, quando regressaram, o conflito ainda era intenso e a maioria das regiões de Mogadíscio e do Centro-Sul da Somália haviam sido perdidas para o controle do grupo terrorista Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda. Gradualmente, a organização Elman Peace foi pioneira em toda a Somália nas prioridades temáticas sobrepostas de paz e justiça, clima e segurança, direitos humanos e proteção, questões de género e igualdade, educação, meios de subsistência e criação de empregos.

Em 20 de novembro de 2019, as autoridades locais confirmaram que uma de suas irmãs, Almaas Elman, que também havia retornado à Somália como trabalhadora humanitária, foi morta a tiros num carro, perto do Aeroporto Internacional Aden Adde, em Mogadíscio

Ao longo da sua carreira, Ilwad destacou-se pela implementação de programas inovadores de desarmamento e reintegração social, focando-se especialmente na recuperação de ex-crianças-soldado e na proteção de mulheres sobreviventes de violência sexual. O seu trabalho ganhou uma dimensão global através do seu envolvimento como conselheira das Nações Unidas, onde tem defendido que a estabilidade política não pode ser dissociada da justiça social e, cada vez mais, da sustentabilidade ambiental.

Como sugere a citação na imagem, Elman é uma das vozes líderes na sensibilização para a segurança climática. Ela argumenta que a degradação ambiental e a escassez de recursos provocada pelas alterações climáticas e desigualdade promovidas por políticas belicistas e de lavagem verde, exacerbam os conflitos armados, principalmente no Sul Global e alimentam a sua instabilidade política, tornando a justiça ecológica um pilar fundamental para uma paz duradoura.

Pelo seu impacto humanitário, foi já nomeada em várias ocasiões para o Prémio Nobel da Paz, consolidando-se como uma das vozes mais respeitadas na resolução de conflitos em contextos complexos.

Recentemente, o seu percurso académico e contributo para a paz foram reconhecidos com distinções honorárias, incluindo um Doutoramento Honoris Causa em Direito (LL.D.) pela Carleton University, em reconhecimento pelo seu trabalho humanitário e liderança global.

sábado, 1 de junho de 2024

Livro: O Fim da Pobreza


Um livro essencial, publicado originalmente em 2005. Tem cerca de 550 páginas, por isso demora um pouco a lê-lo. Mas o fim da pobreza é possível. Para quem não conhece Jeffrey Sachs foi considerado pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Jeffrey D. Sachs foi director do Instituto da Terra (Earth Institute), é professor de Desenvolvimento Sustentável, de Políticas de Saúde e de Gestão na Universidade de Colúmbia, foi conselheiro especial do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan e director do Projecto Milénio da ONU, sendo internacionalmente reconhecido pelo seu trabalho como conselheiro económico de governos da América Latina, Europa de Leste, Ásia e África.

Sachs visitou mais de cem países e conviveu com todos os graus de pobreza, especialmente a miséria extrema das aldeias africanas assoladas pela fome, pela malária e pela SIDA.

Unindo a narração de histórias emocionantes (passadas principalmente na Bolívia, Polónia, Rússia, Índia, China e África) com análise rigorosa, Sachs explica como, nos últimos duzentos anos, a riqueza se tornou desigual no planeta e expõe os motivos que impedem as nações mais pobres de melhorar sua sorte. Ele também ensina a fazer um diagnóstico detalhado dos desafios económicos a serem enfrentados por um país e a descobrir as possíveis saídas, propondo soluções a curto prazo. Ao mesmo tempo, dirige duras críticas aos países ricos - em especial os Estados Unidos - e aos organismos financeiros internacionais.

Oito milhões de pessoas morrem todos os anos porque são demasiadamente pobres para sobreviver. "O Fim da Pobreza" traça um plano alternativo da forma como as podemos salvar.

Nesta obra, Sachs explica como a pobreza tem sido combatida e como, por meio de passos exequíveis, é possível fazer progressos reais junto daquela enorme fatia da Humanidade que continua a viver na miséria. De referir, como exemplo, a forma de estabelecer parcerias com os mais ricos, o pouco que isso custa e o modo como toda a gente pode ajudar.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Jeffrey Sachs: The Russian-Ukraine War Was Provoked


O professor Jeffrey Sachs é presidente da UN Sustainable Development Solutions Network (UNSDSN


Ele é autor de muitos livros best-sellers, incluindo  The End of Poverty The Ages of Globalization. Aqui está ele, provavelmente com a avaliação mais inteligente e precisa da guerra na Ucrânia, e da política externa americana em geral, já gravada em depoimento.

Em definições, pode visualizar a entrevista em Português.

sábado, 9 de dezembro de 2023

Prémio Ernst Haeckel 2024 a Helena Freitas


A candidata proposta pela SPECO ao prémio Ernst Haeckel promovido pela European Ecological Federation (EEF), Professora Helena Freitas, foi a premiada do ano 2024. É o segundo candidato premiado que a SPECO propõe. O primeiro foi atribuído a Miguel Bastos Araújo, no ano 2018.

Este prémio foi atribuído pela primeira vez em 2011 e destina-se a homenagear um(a) ecólogo(a) pela sua contribuição notável para a ciência ecológica europeia.

Partilhamos convosco uma breve resenha histórica do seu percurso académico, profissional e de investigação na área da Ecologia:

Helena Freitas (Famalicão, 1962) obteve uma das primeiras teses de doutoramento em Ecologia em Portugal (1993). O Doutoramento, estudo sobre as respostas das plantas em ambientes extremos, foi desenvolvido na Universidade de Coimbra, em colaboração com a Universidade de Bielefeld, na Alemanha. Entre 1994 e 1996 realizou um pós-doutoramento na Universidade de Stanford, EUA, com Harold Mooney para melhor compreender o impacto do carbono nas alterações globais, particularmente nas alterações climáticas. Desde então, tem estado envolvida em projetos globais.

Diretora do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (2004 - 2012), preparou e coordenou o programa de requalificação deste espaço único de Coimbra e implementou estratégias de conservação. Para além da sua evolução académica no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Helena Freitas ocupa a Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável desde 2014. Dentro desta Cátedra tem implementado e apoiado uma rede de investigadores e instituições nas áreas da biodiversidade, ecologia, conservação e desenvolvimento sustentável.

Ao longo da sua carreira tem contribuído para um melhor conhecimento sobre a ecologia funcional da vegetação mediterrânica e sobre a gestão de espécies exóticas e invasoras como estratégia para minimizar a perda de diversidade dos ecossistemas. Com todos estes conhecimentos adquiridos fundou o Centro de Ecologia Funcional - Ciência para as Pessoas e para o Planeta (cfe.uc.pt) onde ainda é actualmente Coordenadora. Recentemente, lançou o Laboratório Associado TERRA – Laboratório de Sustentabilidade do Uso da Terra e Serviços de Ecossistema.

O conhecimento de Helena Freitas é reconhecido a nível internacional sendo convidada (2019 até agora) para a Assembleia da Missão de Adaptação às Alterações Climáticas, incluindo a Transformação Social, da Comissão Europeia. Actualmente é Ponto Focal Português do IPBES (sigla inglesa para Plataforma Intergovernamental para a Biodiversidade e os Serviços de Ecossistema).

Coordenou ou participou em vários projetos e consórcios nacionais e internacionais, incluindo o Millennium Ecosystem Assessment. Orientou ou co-orientou mais de 30 dissertações de doutoramento sendo autor de mais de 200 publicações científicas internacionais indexadas e de diversas publicações de promoção e divulgação da ciência. Publica regularmente na imprensa nacional e regional, nomeadamente sobre ambiente, territórios e sociedade, planeamento e políticas de desenvolvimento baseadas no conhecimento. Em Março de 2000 foi agraciada com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio.

Esteve também envolvida em organizações não governamentais de ecologia e conservação, tais como: Presidente da Liga para a Protecção da Natureza (2002-2005), fundadora e Presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia (2004-2013) e Vice-Presidente da Sociedade Europeia de Ecologia (2009-2012).

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Ukraine War History - Why it was a Predictable Bloodbath with Jeffrey Sachs


Professor de economia de renome mundial, autor de best-sellers, educador inovador e líder global em desenvolvimento sustentável.

Sachs atua como Diretor do Centro para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia, onde ocupa o posto de Professor Universitário, o posto académico mais alto da universidade. Sachs foi Diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia de 2002 a 2016. Ele é Presidente da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU, Copresidente do Conselho de Engenheiros para a Transição Energética, académico da Pontifícia Academia de Ciências Sociais do Vaticano. , Comissário da Comissão de Banda Larga da ONU para o Desenvolvimento, Tan Sri Jeffrey Cheah, Professor Honorário Ilustre da Universidade Sunway, e Advogado dos ODS do Secretário-Geral da ONU, António Guterres. De 2001 a 2018, Sachs serviu como conselheiro especial dos secretários-gerais da ONU, Kofi Annan (2001-7), Ban Ki-moon (2008-16) e António Guterres (2017-18).

Sachs é autor e editou vários livros, incluindo três best-sellers do New York Times: The End of Poverty (2005), Common Wealth: Economics for a Crowded Planet (2008) e The Price of Civilization (2011). Outros livros incluem To Move the World: JFK's Quest for Peace (2013), The Age of Sustainable Development (2015), Building the New American Economy: Smart, Fair & Sustainable (2017), A New Foreign Policy: Beyond American Exceptionalism (2018). ), As Eras da Globalização: Geografia, Tecnologia e Instituições (2020) e, mais recentemente, Ética em Ação para o Desenvolvimento Sustentável (2022).

Sachs recebeu em 2022 o Prémio Tang de Desenvolvimento Sustentável e foi co-recebedor do Prémio Blue Planet 2015, o principal prémio global para liderança ambiental. Ele foi nomeado duas vezes entre os 100 líderes mundiais mais influentes da revista Time. Sachs recebeu 42 doutorados honorários e seus prémios recentes incluem o Prêmio Tang de Desenvolvimento Sustentável de 2022, a Legião de Honra por decreto do Presidente da República da França e a Ordem da Cruz do Presidente da Estónia.

Antes de ingressar na Columbia, Sachs passou mais de vinte anos como professor na Universidade de Harvard, mais recentemente como Professor Galen L. Stone de Comércio Internacional. Natural de Detroit, Michigan, Sachs recebeu seu bacharelado, mestrado e doutorado, diplomas em Harvard.

domingo, 9 de outubro de 2022

As fantásticas girafas de Dabous


As Girafas de Dubous são petróglifos neolíticos de artistas desconhecidos no lado oeste das Montanhas do Ar, no centro-norte do Níger. Acredita-se que as esculturas tenham sido feitas entre 6.000 e 8.000 a.C., durante o Período Húmido Africano, quando a região era menos árida e o Saara era uma vasta savana.

Estes petróglifos estão uma região remota do deserto de Saara, conhecida como o Deserto de Tenere, que traduzido, significa o lugar onde não existe nada. O local chamado  Dabous está a meio caminho de Agadez e Arlit, no Níger.





Estes são os maiores petróglifos conhecidos de animais no mundo.

As esculturas de girafas foram registadas pela primeira vez pelo arqueólogo francês Christian Dupuy em 1987 e documentadas por David Coulson em 1997 durante uma expedição fotográfica ao local.

Um dos membros da expedição é o Dr. Jean Clottes, membro da Bradshaw Foundation, uma organização que se dedica à proteção e preservação desse petroglifo.

As esculturas têm 6 metros de altura e consistem em duas girafas esculpidas na rocha de Dabous com uma  grande riqueza de detalhes. Dabous Rock está localizado na encosta de um pequeno afloramento rochoso de arenito no sopé inicial das Air Mountains. Uma das girafas é macho, enquanto a outra, menor, é fêmea.

Nos arredores, foram encontradas 828 imagens gravadas nas rochas, incluindo 704 animais (gado, girafas, avestruzes, antílopes, leões, rinocerontes e camelos), 61 humanos e 17 inscrições entifinâgh (sistema de escrita muito antigo usado pelos númidas no norte da África desde a Antiguidade).

Saber mais:

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Jorge Sampaio: o Homem que nunca deixou de continuar a abraçar causas cívicas


Nascido em 1939, filho de um médico especialista em Saúde Pública e de uma professora particular de inglês, Jorge Sampaio passou parte da infância em Inglaterra e EUA e diz a sua biografia oficial(link is external) ter sido uma “experiência que o marcou profundamente”.

Após os estudos nos liceus Pedro Nunes e Passos Manuel, em Lisboa, formou-se em Direito e foi na Universidade de Lisboa que deu os primeiros passos na luta política contra a ditadura. Foi Presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito, em 1960-61 - numa eleição em que a sua lista unitária da oposição venceu por apenas um voto de diferença - e Secretário-Geral da Reunião Inter Associações Académicas (RIA), em 1961-62.
Apesar de já ter terminado o curso, na altura em que rebenta a crise académica na capital, Sampaio é um dos líderes da revolta estudantil transformada num dos grandes focos de contestação que a ditadura enfrentou e que abriu caminho a outras lutas estudantis até ao 25 de Abril. A ocupação da cantina universitária por mais de mil estudantes valeu-lhe três dias de prisão em Caxias.

Enquanto advogado, especializou-se em propriedade industrial mas destacou-se na defesa de presos políticos no Tribunal Plenário de Lisboa. Na biografia de Sampaio, da autoria de José Pedro Castanheira, conta-se que foi Mário Soares que o convidou para se estrear como advogado de penal no mediático processo de Beja e que a sua prestação brilhante lhe valeu a alcunha de “Jorge Mason Sampaio” por parte daquele que décadas mais tarde viria a ser o seu antecessor no Palácio de Belém. O seu contacto próximo com os presos políticos viria a ser útil na preparação da revolução, com Sampaio a entregar um croquis detalhado da prisão de Caxias a Otelo Saraiva de Carvalho, em quem votaria nas eleições de 1976.

A primeira participação eleitoral dá-se nas listas da CDE nas eleições de 1969 e recusa o convite para ser um dos fundadores do PS. Depois da Revolução é um dos impulsionadores do Movimento de Esquerda Socialista (MES), com o qual rompe logo no congresso fundador. A adesão ao Partido Socialista dá-se em 1978 e é eleito deputado no ano seguinte, integrando também o Secretariado do partido que viria a liderar dez anos mais tarde. Apesar do longo futuro político que então tinha pela frente, a experiência governativa de Jorge Sampaio já tinha acabado em 1975 com uma curta passagem pela Secretaria de Estado da Cooperação do IV Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves e com Melo Antunes na pasta dos Negócios Estrangeiros.

Sampaio foi deputado durante toda a década de 1980 e reeleito em 1991, já enquanto líder do PS, no ano em que o partido perde as eleições para a segunda maioria absoluta do PSD de Cavaco Silva. A sua grande vitória à frente do partido deu-se logo após tomar posse, quando decide candidatar-se à Câmara de Lisboa numa coligação à esquerda para acabar com o domínio do PSD e CDS no executivo da capital até então. A direita coligada apresentou Marcelo Rebelo de Sousa como candidato em 1989, mas a coligação PS/PCP vence e obtém 9 dos 17 vereadores. A gestão Sampaio prosseguiria no mandato seguinte, com a coligação alargada à UDP e ao PSR, marcando uma grande transformação no que diz respeito de planeamento e desenvolvimento da cidade. E deu-lhe o capital político nacional de que precisou em 1996 para bater Cavaco Silva, recém-saído de quase uma década à frente do Governo, na primeira volta das eleições presidenciais.

Nos mandatos presidenciais de Jorge Sampaio, a convivência institucional deu-se sobretudo com governos do PS, liderados por António Guterres e José Sócrates. A exceção ocorreu entre 2002 e 2004 e culminou no ponto que acabou por marcar o seu exercício da função presidencial. O governo PSD/CDS vê Durão Barroso abandonar o cargo de primeiro-ministro em julho de 2004 para se tornar presidente da Comissão Europeia e Sampaio recusa-se a convocar eleições antecipadas, como a esquerda - a começar pelo PS, liderado por Ferro Rodrigues, exigia. Acaba por dar posse a Santana Lopes como novo primeiro-ministro, para o demitir seis meses mais tarde, por entender “que a maioria absoluta estava a desconjuntar-se".

"Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva, mas não foi uma decisão 'ad hominem'. Ninguém gosta de dissolver o parlamento e eu tomei essa decisão em pouco mais de 48 horas. Hoje faria o mesmo, porque era preciso", afirmou Sampaio 13 anos mais tarde ao seu biógrafo. Apesar dos desacordos que marcaram esse período, o estilo próprio que Jorge Sampaio imprimiu à função presidencial, afetuoso e emotivo, granjearam-lhe popularidade em muitos setores políticos.


Antes disso, ainda com o Governo Durão Barroso/Paulo Portas, Jorge Sampaio impediu que Portugal enviasse um contingente militar para apoiar os EUA na sua invasão do Iraque, como era desejo do então primeiro-ministro e anfitrião da "cimeira da guerra" realizada na base das Lajes. Outro dos pontos altos da sua passagem por Belém ocorreu durante o primeiro mandato, com a intervenção nos bastidores diplomáticos e a mobilização da opinião pública portuguesa no apoio ao processo de independência de Timor-Leste.

Acabada a etapa política em Belém em 2006, Sampaio optou por continuar ativo na intervenção cívica internacional, em particular no quadro das Nações Unidas, que o nomearam Enviado Especial para a Luta contra a Tuberculose e depois Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações. Neste contexto, deu particular atenção à questão dos refugiados, protagonizando uma campanha de apoio à educação e acolhimento, através de bolsas de estudo e estágios para os jovens sírios e afegãos que atravessaram o Mediterrâneo em direção à Grécia durante a crise de 2015.


Juntamente com Kofi Annan e outros antigos chefes de Estado, Jorge Sampaio foi também um dos promotores da Comissão Global para a Política de Drogas, procurando sensibilizar os decisores políticos a porem um ponto final no proibicionismo e a apostarem na regulação e em medidas de redução de danos para os utilizadores.

Morreu Jorge Sampaio, o "prisioneiro da ansiedade por um futuro melhor"


Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira, aos 81 anos. O ex-presidente da República estava internado no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, desde o final de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

Perdeu a liderança do PS para Guterres, derrotou Marcelo em Lisboa, foi ultrapassado por Cavaco nas legislativas e ultrapassou-o nas Presidenciais, sucedeu a Soares em Belém. Jorge Sampaio desempenhou os mais importantes cargos políticos em Portugal durante quase 30 anos. Nos restantes, que foram muitos mais, empenhou-se de forma total naquilo que começou a defender antes de sequer ter chegado à maioridade: a permanente preocupação com os outros.

Foi o Presidente da República mais vezes discretamente corajoso, o ex-chefe do Estado mais generoso e mais reservadamente interventivo, a personalidade política com saúde mais frágil e porventura também a mais culta. Homem de família, afetivo e afável, exigente e austero, Jorge Sampaio entregou-se à vida como um "prisioneiro da grande ansiedade por um futuro melhor", como de si próprio disse em entrevista à RTP em 1992. Morreu hoje no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde estava internado há mais de uma semana com problemas respiratórios, a que se somavam várias batalhas ganhas contra um coração de válvula malformada. Tinha 81 anos e, ao contrário do que tantas vezes lhe apontaram, um percurso cheio de decisões claras, destemidas e muitas vezes solitárias, como convém a um "ser livre e incondicionável". "Tomar posição foi coisa que sempre fiz. Quem o fez, custasse o que custasse, escolheu e não abdicou", respondeu a Maria João Avillez, numa conversa em que a jornalista lhe perguntara se a vida dele fora feita mais de abdicações do que de escolhas.

A quem entende que Jorge Sampaio, lisboeta de gema criado em Sintra, foi essencialmente o homem dos discursos difíceis, o famoso sampaiês, que em 2004 interrompeu o Governo de Pedro Santana Lopes e que um dia disse que "há vida para além do orçamento", há uma imensa e larga estrada que escapa. A timidez, a discrição, a elegância e possivelmente uma certa ausência de carisma aliada a um certo mau feitio colocaram-no sob um holofote de média luz que está longe de fazer-lhe justiça. Sampaio foi um guerreiro, humanista e um progressista. Era criticado quando, nos anos 60, dizia que "a democracia global tem que envolver também a democracia participativa e não só a representativa". E quando "falava na cooperação com os novos países de expressão portuguesa", acusavam-no de ser terceiro mundista. Posicionado à esquerda do PS desde sempre, buscou sempre consensos, com os pés no chão e olhos postos no futuro - e nos outros. "Há um movimento permanente na minha vida, é o de ter preocupações com aquilo que nos cerca."

"Fui um aluno atento da vida"
Nasceu no seio de uma família burguesa, "democrática e plural", pela qual foi orgulhosamente marcado. "O que molda a vida das pessoas é sempre a sua educação", justificaria. Da mãe, professora privada de inglês, herdou o humor e o rigor. Do pai, médico ideologicamente comprometido com o Serviço Nacional de Saúde e investigador, o culto da solidariedade e do serviço público. Do irmão, o psiquiatra Daniel Sampaio, sete anos mais novo, beberia outras influências. Com Maria José Ritta, com quem casou em abril de 1974, e de quem teve dois filhos, Vera e André, procurou replicar o modelo familiar que o inspirou. Não fosse esta família, disse, e nada do que fez fora de casa, no país, no partido, na política, teria sido possível.

Fortemente empenhado nas causas coletivas e na intervenção cívica quase até ao último dia - o seu último artigo de opinião, publicado no "Público" a 26 de agosto, "Dever de solidariedade", é um apelo aos parceiros da plataforma internacional que fundou para ajudar estudantes sírios e agora também jovens afegãs -, Sampaio foi, desde logo, o símbolo da luta estudantil nos anos 60, um dos jovens com ideais cívicos e políticos mais cobiçados pela Esquerda nos anos 70 e um exímio advogado de causas. "Fui um atento aluno da vida. A advocacia foi uma grande experiência, porque foi muito diversificada, desde as questões humanas mais pesadas, mais difíceis, até às questões comerciais ou de família. E a experiência política, desde estudante, foi uma experiência gigantesca."

Foi, aliás, no ano da campanha do general Humberto Delgado às presidenciais, em 1958, ele ainda com 19 anos numa ditadura em que a maioridade era atingida apenas aos 21, mas já presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que despontou o seu entusiasmo pela política. "Sentíamos que era preciso fazer alguma coisa para mudar tudo aquilo [o regime]. Fiquei, sem dúvida, agradecido à experiência que isso me deu e à espantosa qualidade que deu a todos nós: a capacidade de questionar o futuro e querer sempre melhor. Sim", reconheceu na já referida conversa com Avillez, "sou prisioneiro de uma grande ansiedade por um futuro melhor. Isso, sem dúvida. Mas vale a pena."

"Um ocaso magnífico"
Essa permanente inquietação - de resto, sublinhada por António Costa em 2019, na sessão de homenagem promovida na sede do PS: "Tinha todo o direito de estar a gozar a tranquilidade da vida, mas a vida traz-lhe intranquilidade" - fê-lo fundar o MAR (Movimento de Ação Revolucionária), o MES (Movimento de Esquerda Socialista) e o IS (Intervenção Socialista) antes de, em 1978, tornar-se militante do PS (Partido Socialista), então com o número 102.279. Mais tarde reconheceria várias vezes "o erro" de não ter-se inscrito mais cedo, em 1963, aquando da fundação do partido. Mas esse atraso numa adesão que aos 80 anos denominou como um "ocaso magnífico" não inviabilizou as quase três décadas ininterruptas de cargos políticos que se seguiram e que se confundem com a história do país democrático, e que estão contadas numa biografia monumental de José Pedro Castanheira, com mais de duas mil páginas.

Sampaio, o ruivo que os colegas tratavam por "cenoura", foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara de Lisboa (1990- 1996), candidatura que ousou decidir sem consultar o partido e que pela primeira vez juntou a Esquerda assim derrotando Marcelo Rebelo de Sousa, e sucessor de Mário Soares em Belém (1996-2006), naqueles que terão sido os dois mandatos mais complexos da democracia portuguesa. Pessoalmente, o Presidente sobreviveu a duas operações ao coração; politicamente, atravessou cinco governos, assistiu ao orçamento limiano e ao pântano de Guterres, conviveu com a "tanga" de Durão Barroso e com a sua "mentira" sobre a Cimeira das Lajes, interrompeu o caminho de Santana Lopes dissolvendo a Assembleia e abriu o caminho para a eleição de José Sócrates. E ainda promoveu os primeiros referendos nacionais, foi recordista de vetos (22, todos ganhos), percorreu os 308 concelhos do país, passou pelos escândalos da Universidade Moderna e da Casa Pia e teve um papel fundamental na independência de Timor Leste, que logo visitou. Foi o primeiro chefe do Estado português a fazê-lo.

O presidente que podia ter sido pianista
Mas, na verdade, Jorge Sampaio poderia ter sido fotógrafo, pianista ou cantor. "Quando assisto a um concerto, sinto sempre que gostava de estar do outro lado", confessou o colecionador de discos e pinturas. O seu espírito e a sua liberdade artística notou-se quando ousou escolher Paula Rego para um magnífico quadro oficial, tão pouco ortodoxo, e porventura mais heterodoxo ainda do que o de Soares pelo Pomar - a escolha desse retrato é um retrato em si. Sampaio não voltaria a subir ao palco de nenhuma sala de espetáculos como nas prestações da sua juventude, mas conquistou a cena internacional logo no fim da presidência da República, escolhido que foi, primeiro por Kofi Annan e depois por Ban Ki Moon, primeiro para lutar contra tuberculose e depois para unir as civilizações. O desempenho dessas funções valeu-lhe uma distinção da Organização Mundial de Saúde e o primeiro prémio Nelson Mandela instituído pelas Nações Unidas para premiar "feitos e contribuições excecionais ao serviço da humanidade".

Se há padrão no percurso deste homem laico mas crente sportinguista, além da aposta na "educação como caminho para a excelência", é o da união, do otimismo e o da não desistência. "Por uma razão fundamental: quem tinha 34 anos no 25 de abril, uma vida profissional feita e estava habituado à ditadura, não concebia que passados estes anos pudéssemos estar onde estamos. O que era a mortalidade infantil, a incapacidade de saber ler e escrever, a pobreza generalizada, a agricultura de morte... O salto que se deu!", exclamou em 2018, sobre o estado do país, numa entrevista ao semanário "Expresso".

Não por acaso, e sem ignorar "o caminho estreito" para o desenvolvimento interno num mundo em mudança, Jorge Sampaio pediu no dia da homenagem que lhe fez o PS: "A necessidade destes tempos é nunca desistir, está tudo em aberto. Não desistam!"

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Dia Internacional para a Tolerância


"A tolerância é uma virtude que torna a paz possível". - Kofi Annan

O Dia Internacional para a Tolerância celebra-se anualmente a 16 de novembro, com o propósito de lembrar a importância, numa sociedade, de observar os valores democráticos como o respeito pelo outro e pelo que é diferente, genética ou culturalmente.

Ser tolerante significa reconhecer, aceitar e defender os direitos humanos fundamentais, para que viver em comunidade e em paz seja possível.

O Dia Internacional para a Tolerância é uma iniciativa da UNESCO, expressa na Declaração de Princípios sobre Tolerância e Plano de Ação para o Ano (1995).

O conteúdo afirma que a tolerância deve combater discursos que levam ao medo e à exclusão e ajudar os jovens a serem capazes de fazer um julgamento independente dos fatos, terem pensamento crítico e raciocínio ético. 

Foi proclamado o Dia Internacional para a Tolerância através da Resolução 51/95 adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas de 12 de dezembro de 1996.

De acordo com a resolução, “a diversidade de religiões, línguas, culturas e etnias no mundo não é um pretexto para o conflito, mas sim um tesouro que enriquece a todos”.

As Nações Unidas sugerem formas de combater a intolerância e pedem aos governos para implementar leis que proíbam e punam crimes de ódio e discriminação.

Educação e acesso à informação também são vistos como pilares importantes para limitar a influência negativa e promover liberdade e pluralismo de imprensa para permitir que o público diferencie fatos de opiniões.

Documentos
Resolução da AG 51/95 sobre Acompanhamento do Ano da Tolerância das Nações Unidas | Organização Nações Unidas [en]
Declaração de Princípios sobre Tolerância e Plano de Ação para o Ano (1995) | UNESCO [en]

Links relacionados
International Day for Tolerance [en] | UNESCO
International Day for Tolerance [en] | United Nations
Valores da União Europeia | Portal Eurocid

Cinco livros que já foram proibidos em Portugal
A obra ‘Antologia de Poesia Erótica e Satírica', de Natália Correia, “foi considerada um escândalo” e apreendida pela antiga Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). A autora e “outros intervenientes” foram condenados em Tribunal Plenário, “num processo que se arrastou durante os anos”, por ofenderem a “decência”, “moralidade pública” e os “bons costumes”.

Também ‘Minha Senhora de Mim’, de Maria Teresa Horta, foi apreendida pela PIDE. Os 59 poemas que compõem este livro são uma expressão da capacidade feminina e uma negação do poder patriarcal.

O ‘Manifesto Comunista’ de Karl Marx e Friedrich Engels, de 1848, ofereceu “um corpo teórico e um guia às fogueiras da revolução que ardiam por todas as nações da Europa”.

Na obra ‘O Anticristo’, o autor Friedrich Nietzsche diagnostica “o que considerava a ‘enfermidade cristã’ – nos seus pressupostos, nas suas práticas, nas suas consequências – como manifestação suprema de um processo de falsificação da vida, que abrange toda a cultura ocidental’.

Por último, em ‘Os Bichos’, de Miguel Torga, mostra-se em “cada uma das histórias” uma personagem animal “com características, vontades e lutas específicas”. “Uma referência clara às diferenças e à tolerância face às mesmas”.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

1 milhão de espécies estão em risco de extinção


A natureza está declinando globalmente, com taxas sem precedentes na história humana. O índice de extinção de espécies também está acelerando, com prováveis graves impactos em pessoas ao redor do mundo.

O alerta foi feito num novo relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, Ipbes, aprovado na 7ª sessão do Plenário que aconteceu até sábado, em Paris.

Extinção
O relatório conclui que cerca de 1 milhão de espécies animais e vegetais estão agora ameaçadas de extinção. Muitas, devem desaparecer nas próximas décadas.

Segundo o presidente do IPBES, Robert Watson “a esmagadora prova da Avaliação Global do IPBES, de uma vasta série de diferentes áreas de conhecimento, apresenta um quadro ameaçador”. Ele destaca que “a saúde dos ecossistemas dos quais nós e todas as outras espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca.”

Para Watson, “estamos erodindo as próprias fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”. No entanto, ele acrescentou que o relatório também indica que "não é tarde demais para fazer a diferença, mas apenas se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global".

Estudo
O Relatório de Avaliação Global do IPBES sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos é o mais abrangente já apresentado. É o primeiro relatório intergovernamental deste tipo e se baseia na histórica Avaliação Ecossistémica do Milénio de 2005, introduzindo formas inovadoras de avaliação das evidências.

O estudo foi produzido nos últimos três anos, por 145 autores especialistas de 50 países e contou com o apoio de outros 310 autores contribuintes. O relatório avalia as mudanças nas últimas cinco décadas, fornecendo uma visão abrangente da relação entre os caminhos do desenvolvimento econômico e seus impactos na natureza. Ele oferece ainda vários cenários possíveis para as próximas décadas.

Com base na revisão sistemática de cerca de 15 mil fontes científicas e governamentais, o relatório também apresenta, pela primeira vez nessa escala, conhecimentos indígenas e locais, particularmente sobre questões relevantes para os Povos Indígenas e Comunidades Locais.

Índices
De acordo com a professora argentina Sandra Díaz, que co-presidiu o estudo com outros especialistas, “a biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas são a nossa herança comum e a mais importante 'rede de segurança' de apoio à vida da humanidade.” Ela explica que “a diversidade dentro das espécies, entre espécies e ecossistemas, assim como muitas contribuições fundamentais que derivamos da natureza, estão declinando rapidamente, embora ainda tenhamos os meios para garantir um futuro sustentável para as pessoas e o planeta.”

A abundância média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres caiu em pelo menos 20%, principalmente desde 1900. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos recifes de corais e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados.

O quadro é menos claro para espécies de insetos, mas evidências disponíveis apoiam uma estimativa de que 10% delas estejam ameaças. Pelo menos 680 espécies de vertebrados foram levadas à extinção desde o século XVI. Mais de 9% de todas as raças domesticadas de mamíferos usados ​​para alimentação e agricultura foram extintas até 2016, com pelo menos mais mil raças ainda ameaçadas.

Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase 33% dos recifes de corais e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados.

Fatores
Para aumentar a relevância política do relatório, os autores da avaliação classificaram, pela primeira vez nessa escala e com base em uma análise minuciosa das evidências disponíveis, os cinco fatores diretos da mudança na natureza com os maiores impactos globais relacionados até o momento. Em ordem decrescente, estes são as mudanças no uso da terra e do mar, a exploração direta de organismos, a mudança climática, a poluição e as espécies exóticas invasoras.

O relatório observa que, desde 1980, as emissões de gases do efeito estufa dobraram, elevando a temperatura média global em pelo menos 0,7 graus Celsius. Com a mudança climática já afetando a natureza do ecossistema à genética, os impactos devem aumentar nas próximas décadas, em alguns casos, superando o impacto da mudança do uso da terra e do mar e outros fatores.

Apesar do progresso na conservação da natureza e implementação de políticas, o relatório também considera que as metas globais para conservar e usar a natureza de forma sustentável e alcançar a sustentabilidade não podem ser alcançadas pelas trajetórias atuais. Segundo o estudo, as metas para 2030 e além podem ser alcançadas apenas através de mudanças transformativas de fatores económicos, sociais, políticos e tecnológicos.

Com bons progressos em componentes de apenas quatro das 20 Metas de Biodiversidade de Aichi, é provável que a maioria delas não seja alcançada até o prazo de 2020.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

400 pessoas mais ricas do mundo aumentaram a sua fortuna em 92 biliões de dólares durante 2014

Lucro de bilionários como de chinês Jack Ma, líder do Alibaba, contrasta com desigualdade que alargou abismo entre ricos e pobres neste ano.


As pessoas mais ricas do planeta ficaram ainda mais ricas em 2014, adquirindo pelo menos US$ 92 bilhões em sua fortuna coletiva, revelou o Índice de Bilionários da Bloomberg. O patrimônio líquido dos 400 bilionários mais ricos do mundo foi de US$ 4,1 triliões conforme dados divulgados em 29 de dezembro deste ano.

De acordo a agência de notícias financeira norte-americana, os lucros deste ano acontecem em meio à queda nos preços de energia. A Bloombergtambém responsabiliza a “turbulência geopolítica” incitada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, que teria favorecido alguns desses bilionários.

Em 2014, o principal vencedor foi Jack Ma, co-fundador do Alibaba Group Holding Ltd., a maior empresa de comércio eletrénico da China. Ma, um ex-professor de inglês de 50 anos que iniciou a empresa em seu apartamento em 1999, obteve um lucro anual de US$ 25,1 biliões, ultrapassando Li Ka-shing, o então homem mais rico da Ásia.

Além de Ma, outros dois ganhadores neste ano foram Warren Buffett e Mark Zuckerberg, nos Estados Unidos. Diretor executivo da empresa Berkshire Hathaway, Buffet obteve lucro de US$ 13, 7 bilhões. Já o criador do Facebook acrescentou em seu cofrinho mais US$ 10, 6 biliões nos últimos 12 meses.


Neste ano, Buffet ultrapassou no posto de segundo homem mais rico do mundo o bilionário mexicano Carlos Slim, que lidera um conglomerado de comunicações. O cargo de mais rico do planeta ainda é do co-fundador da Microsoft Bill Gates, que mantém uma fortuna de US$ 87, 6 bilhões. No Brasil, Jorge Paulo Lemann, o mais rico do país, teve aumento de US$ 3,2 bilhões em seu bolso.

De acordo com o grupo Oxfam, em relatório publicado em outubro deste ano, o número de bilionários ao redor do planeta dobrou desde 2008, quando deu-se inicio à crise financeira em escala global. De acordo com o material, as 85 pessoas mais ricas têm o equivalente à metade mais pobre do mundo.

À Agência Brasil, o diretor da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst, explicou que entre as causas da desigualdade, que aumenta cada vez mais o fosso entre ricos e pobres, está o “fundamentalismo do mercado”, que promove um crescimento económico, beneficiando apenas a elite.

No ano passado, o relatório "Credit Suisse 2013 Wealth Report", um dos mapeamentos mais completos sobre o assunto divulgados recentemente, divulgou um estudo que aponta que 0,7% da população concentra 41% da riqueza mundial.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia Mundial da Ajuda Humanitária


O Dia Mundial Humanitário celebra-se anualmente a 19 de agosto.

O objetivo do Dia Mundial Humanitário é homenagear todos os voluntários do mundo pelo seu trabalho e divulgar as obras realizadas pelas organizações humanitárias espalhadas pelo globo apesar de todas as dificuldades vividas. A data também é conhecida como o Dia Mundial da Ajuda Humanitária e o Dia da Memória dos Trabalhadores Humanitários, prestando tributo a todos os funcionários e trabalhadores humanitários que foram mortos no exercício do seu trabalho.

Neste dia, onde o mote é ajudar o próximo, pode fazer donativos ou juntar-se a uma organização humanitária local ou global. Pode também divulgar a data e as causas atuais urgentes nas redes sociais. Existem mais de 130 milhões de pessoas a precisar de ajuda humanitária para sobreviver.

Origem da data
O Dia Mundial Humanitário foi comemorado pela primeira vez em 2009, após a Assembleia Geral da ONU ter decretado o dia em sessão plenária em dezembro de 2008. O dia 19 de agosto foi escolhido em honra do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Sérgio Vieira de Mello, e de outros 21 funcionários e colaboradores da ONU falecidos no Iraque em 2003 durante uma missão de paz. [Remember The Fallen]

Documentos
Resolução A/63/L.49 adotada na Assembleia Geral da ONU sobre o Dia Mundial da Ajuda Humanitária | ONU [en]  DESCARREGAR

Declaração do Alto Representante Borrel e Comissário Janez Lenarčič sobre o Dia Internacional da Ajuda Humanitária [en]  DESCARREGAR

Links relacionados

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Edição Especial Revista Egoísta - A Paz


“Egoísta” propõe a Paz como tema de reflexão em revista-livro de 300 páginas. Com diferentes propostas de reflexão, a revista “Egoísta” dedica, no final de 2006, uma edição especial à Paz. Trata-se de uma publicação com mais de 300 páginas, que expõe uma questão sobremaneira actual, reunindo prestigiadas colaborações nacionais e estrangeiras, assim como um conjunto alargado de portfólios de artistas contemporâneos. Encadernada como um livro, esta nova edição da “Egoísta” oferece uma paleta verdadeiramente policroma, no plano conceptual, sobre a Paz, sugerindo diferentes leituras e interpretações. "A paz é, antes de mais, um fruto do amor. Este supõe o reconhecimento do outro, a contemplação da sua beleza e alegria criadora de se lhe dar, gerando a comunhão que é a experiência de paz", escreve Dom José Policarpo. Numa análise histórica, Kofi Annan observa que, "durante grande parte do século XX, o sistema internacional baseou-se na divisão e nos cálculos rígidos da realpolitik. Neste novo século, a comunidade internacional pode e deve fazer melhor". Mário Soares, por seu lado, analisa esta temática, referindo que "quando se vence a guerra é que se negoceia a paz e se procura radicar no espírito dos seres humanos uma cultura de paz que é mais do que a ausência da guerra: é o triunfo do Direito Internacional, dos Direitos Humanos, do direito à diferença e do respeito pelo outro". Num conceito mais literário, Agustina Bessa-Luís defende que, "a paz não tem padrão, nem lei, nem dicionário. O primeiro beijo pode conter a paz na sua verdade sem presunção". Mas estes extractos são, apenas, uma pequena amostra do conjunto de reflexões apresentadas numa edição excepcional da “Egoísta”, que reúne, ainda, outros testemunhos tão importantes como os de Dalai Lama, Adriano Moreira, Ramos Horta, Bento XVI, Al Gore, Nuno Pacheco, José Agostinho Baptista, Fernando Nobre, Inês Pedrosa, Pedro Tamen, Elie Wiesel, Francisco José Viegas, Mário Cláudio, Ana Luísa Amaral, Pedro Teixeira Neves, Richard Zimler, José Manuel Mendes, Luís Pedro Cabral, Hélia Correia, Maria do Rosário Pedreira, José Eduardo Agualusa, Fernando Dacosta e João Aguiar. Por isso, no editorial que enquadra esta edição-livro da “Egoísta”, Mário Assis Ferreira, seu director, observa que “os extraordinários contributos que reunimos nas páginas desta edição provam que não estou só nos meus medos, nem perdido nos meus anseios: afinal, a verdadeira Paz continua ao nosso alcance!”. Trata-se, pois, de uma edição da “Egoísta” imperdível pela qualidade e representatividade dos textos e imagens que engloba. 


segunda-feira, 4 de abril de 2005

Campanha para Salvar a UNICEF


Por falta de tempo mas porque não quero deixar passar este apelo em claro,o texto da campanha vai mesmo na língua original em que o recebi.

Sat, 02 Apr 2005

Promotora de biotecnologia nueva directora de UNICEF
Queridos amigos

En mayo del 2005, la ex-Ministra de Agricultura de Estados Unidos Ann Veneman ocupará el cargo de Directora Ejecutiva de UNICEF, la agencia de las Naciones Unidas responsable del trabajo con niños.Veneman es una gran promotora de los cultivos transgénicos. Ella cree que es imposible alimentar al mundo sin los transgénicos. Ella fue miembro del consejo de directores de Calgene, la primera empresa en comercializar un producto genéticamente modificado, el tomate Flavr Savr. En 1997 Monsanto, la compañía biotecnológica líder en el país, compró Calgene. Cuando fue Secretaria de Agricultura por el Estado de California, se opuso a la eliminación del Bromuro de Metilo, un tóxico que destruye la capa de ozono, y como Ministra de Agricultura ha estado involucrada en varias acciones atentatorias al medio ambiente. Es inconcebible que ahora ella esté ca cargo de una organización que se preocupe por la salud y bienestar de los niños del mundo.El Movimiento de Salud de los Pueblos ha iniciado una campaña de protesta contra este nombramiento.

domingo, 12 de dezembro de 2004

A Infância Ideal

Uma criança é um poema vivo. Como Herberto Helder disse sobre o poema, que ele «cresce na confusão da carne, sobe ainda sem palavras»,  «cresce tomando tudo em seu regaço». Por favor, que nenhum poder destrua a criança!!

Metade das Crianças do Mundo Vive na Pobreza
Por BÁRBARA WONG
Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2004
 

Mais de metade das crianças do Mundo sofrem de privações, que as afastam da chamada "infância ideal", lamenta Kofi Anan, o secretário-geral das Nações Unidas. Diariamente, a Convenção sobre os Direitos da Criança, assinada por todos os países, é posta em causa e violada por muitos, indica "A Situação Mundial da Infância", o décimo relatório anual feito pela Unicef (o fundo das Nações Unidas para a Infância).

O estudo confirma que um em cada dois meninos vive em situação de pobreza, sem alimentação adequada, sem acesso à educação e a água potável - em suma, privado de viver a infância como a outra metade dos que moram, muitas vezes, na mesma rua.

A Unicef contabiliza que há cerca de 2,2 mil milhões de crianças, até aos 15 anos, no Mundo. Destas, 1,9 mil milhões vivem em países em desenvolvimento. Na pobreza subsistem mil milhões de crianças e adolescentes.

As várias metas que os estados-membros da Organização das Nações Unidas se propõem cumprir até 2015 e que têm implicações directas na vida dos mais pequenos - como é a erradicação da pobreza, o acesso à educação, a redução da mortalidade infantil, o combate ao HIV/Sida - podem não ser cumpridas, já que pouca coisa tem mudado, lamenta o estudo.

"Nenhum dos objectivos será atingido se a infância continuar sob o actual nível de ataque", avisa o relatório. Há cerca de 45 países que estão muito aquém de conseguir cumprir. O Iraque destaca-se pela negativa, com um retrocesso de sete por cento (ver infografia) devido à guerra.

"Demasiados governos tomam decisões informadas e deliberadas que, na prática, prejudicam a infância", reagiu a directora-executiva da Unicef, Carol Bellamy, durante a apresentação do estudo, ontem, em Londres.

180 milhões trabalham
A pobreza tem várias faces e não é exclusiva dos países em vias de desenvolvimento. Em onze dos 15 estados industrializados sobre os quais se dispõe de dados, a proporção de crianças que vivem em lares de rendimentos baixos aumentou na última década. No topo da tabela estão Finlândia, Noruega e Suécia, com taxas de pobreza infantil de perto de três por cento. Apenas na Noruega o número baixou. No fim da lista estão México e EUA, com valores superiores a 20 por cento. Contudo, os EUA fazem parte da lista de quatro países que conseguiram fazer cair ligeiramente esta taxa.

Portugal não está nesta tabela. Os números nacionais dizem que dois por cento da população global, entre 1992 e 2002, vivia com cerca de 75 cêntimos por dia.

A pobreza reduz a capacidade das famílias e das comunidades de se ocuparem das crianças, reflecte o estudo. Por isso, à escala mundial há 180 milhões de meninos que trabalham e nas piores condições; todos os anos, 1,2 milhões são vítimas de tráfico e dois milhões, na maioria raparigas, são explorados sexualmente para fins comerciais.

Embora não os desencadeiem, os meninos vêem-se envolvidos nos conflitos e são as suas maiores vítimas. Na década de 90, dos 3,6 milhões de mortos em conflito, perto de metade (45 por cento) foram crianças.

Estas são ainda sujeitas a violência sexual, traumas, fome e doença - cerca de 20 milhões foram obrigadas a deixar as suas casas para fugir a conflitos. A Unicef calcula que, no decurso de uma guerra de cinco anos, a taxa de mortalidade infantil aumente, em média, 13 por cento.

No que diz respeito ao HIV/Sida, a Unicef volta a alertar que o vírus é a primeira causa de morte de pessoas entre os 15 e os 49 anos. No ano passado, morreram 2,9 milhões de pessoas infectadas, das quais meio milhão era crianças com menos de 15 anos. Havia ainda 2,1 milhões de crianças que viviam com o HIV.

Além de estarem infectados, os mais pequenos ficam órfãos muito cedo - em dois anos (2001 e 2003), o número de meninos que perderam um ou ambos os progenitores aumentou de 11,5 para 15 milhões, dos quais perto de 80 por cento viviam na África Subsariana.

"A pobreza nega à criança a sua dignidade, ameaça a sua vida e limita o seu potencial", resume Kofi Anan. A Unicef conclui que cabe aos países adoptarem políticas assentes na protecção dos mais novos.

Infância ameaçada-Relatório da UNICEF