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domingo, 23 de fevereiro de 2020

O pensamento de George Ohsawa

O pensamento de George Ohsawa é uma síntese filosófica que transcende a simples dietética para se afirmar como um sistema de compreensão do mundo. No âmago da sua doutrina reside o Princípio Único, a lei da mudança eterna regida pela dinâmica entre o Yin e o Yang. Para Ohsawa, o universo não é um conjunto de objetos isolados, mas sim um fluxo constante de energia onde os opostos se procuram e se transformam mutuamente. Esta visão cosmológica serve de base para o que ele designou como o "Julgamento Supremo", a capacidade humana de perceber a unidade por trás de toda a dualidade e, assim, alcançar a liberdade absoluta.

A saúde, neste contexto, é interpretada como um estado de harmonia biológica que permite a expansão da consciência. Ohsawa defendia que o sangue é o suporte físico do pensamento e que a sua qualidade depende inteiramente do que ingerimos e do ambiente onde vivemos. Ao escolhermos alimentos que respeitam a ordem da natureza — privilegiando os cereais integrais como centro equilibrador e os produtos locais e sazonais — estaríamos a alinhar a nossa vibração interna com a do planeta. A doença não era vista por ele como um inimigo a abater, mas como um sinal corretor, um aviso pedagógico de que o indivíduo se desviou das leis naturais.

Para além da mesa, o pensamento de Ohsawa é profundamente ético e pragmático. Ele acreditava que a paz mundial e a felicidade individual eram impossíveis sem a reforma do entendimento humano através da autodisciplina. O seu conceito de "Não-Dualidade" implica que a felicidade e a infelicidade são duas faces da mesma moeda, e que o homem sábio é aquele que aceita as dificuldades com gratidão, utilizando-as como combustível para o crescimento espiritual. Em última análise, a Macrobiótica de Ohsawa é um convite à autonomia: uma via para que cada ser humano se torne o seu próprio mestre, capaz de gerir a sua saúde e o seu destino através da compreensão das leis universais.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Livros da mudança e pela verdade - Lao Tse

A Ética do Espinosa e de Kant foram influenciadas por leituras do Tao. Aliás é possível estabelecer um percurso de filósofos, doutrinas e religiões que foram influenciadas pelo Tao. Talvez não directamente. Um facto é que a Oriente já haviam filosofia e Teologias celestes (teorias da iluminação) e só muito depois é que surgiram Platões e outros quejandos. É possível e facílimo traçar um rumo a partir de Lao Tse (o Tao), que vai desde Anaximandro (o apéiron), Tales de Mileto (a água) Dionísio Aeropagita (Teologia negativa), S. Tomás de Aquino (Tetragramaton), Nicolau de Cusa, Bento Espinosa (Deus sive natura) até ao imanentismo de Gilles Deleuze (Diferença e Repetição), entre muitos outros. Nem mesmo o Platão ou o Sócrates inventaram nada de novo. Apenas aproveitaram o que veio de outras terras. Que se matem todos por Kant. Na realidade, Kant já nem faz parte das discussões sobre filosofia da ciência sequer e se quiserem saber o que diz o Tao, está lá o "caminho" (o Tao) e o fenómeno, muito antes de Konisberga ter surgido do pozinho das estrelas.

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