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quarta-feira, 24 de junho de 2026

A IA pode superar a inteligência humana até 2030, dizem Altman e Musk

A possibilidade de a inteligência artificial (IA) ultrapassar a inteligência humana deixou de ser uma hipótese distante e passou a fazer parte das previsões feitas pelos principais nomes do setor. Nos últimos meses, os executivos que lideram o desenvolvimento da tecnologia passaram a defender publicamente que os sistemas de IA poderão atingir ou superar as capacidades intelectuais humanas ainda nesta década, num movimento que pode transformar a economia, o mercado de trabalho e a produção científica.

O mais recente a reforçar esta avaliação foi o CEO da OpenAI, Sam Altman. Numa entrevista concedida ao jornal alemão Die Welt no final de 2025, o executivo afirmou que ficaria “muito surpreendido” se, até 2030, não existissem modelos capazes de realizar tarefas que os seres humanos não conseguem executar de forma autónoma.

Segundo Altman, os avanços observados desde o lançamento do ChatGPT, em 2022, aceleraram bastante o desenvolvimento da tecnologia. Para ele, os sistemas de IA já apresentam capacidades consideradas surpreendentes e tendem a evoluir rapidamente nos próximos anos.

O executivo afirmou ainda que consegue imaginar um cenário em que entre 30% e 40% das atividades atualmente realizadas na economia sejam executadas por sistemas de IA num futuro próximo.

A previsão do líder da OpenAI, porém, é considerada conservadora quando comparada com a de outros líderes do setor. Um dos exemplos é Dario Amodei, CEO da Anthropic e antigo executivo da OpenAI, que já declarou acreditar que a IA poderá superar os seres humanos em praticamente todas as atividades intelectuais até 2027.

Bilionários divergem sobre prazos, mas concordam sobre o impacto
Entre os defensores de uma evolução ainda mais acelerada está Elon Musk, fundador da xAI e CEO da Tesla. Numa publicação na rede social X, o empresário afirmou que a IA provavelmente ultrapassará a soma da inteligência de todos os seres humanos dentro de quatro ou cinco anos.

A declaração foi feita em resposta ao empreendedor Peter H. Diamandis, que discutia os limites da capacidade humana de inovação. Para Musk, o avanço dos sistemas de IA está a ocorrer a um ritmo tão acelerado que a tecnologia poderá atingir um nível de inteligência superior ao conjunto da humanidade antes do início da próxima década.

As projeções de Musk fazem parte de uma visão mais ampla sobre o futuro da IA e da robótica. O empresário defende que máquinas inteligentes e robôs humanoides poderão assumir grande parte das atividades produtivas atualmente realizadas por pessoas, aumentando drasticamente a oferta de bens e serviços.

Em diferentes ocasiões, ele chegou a afirmar que esta transformação poderia criar uma era de “abundância” económica sem precedentes.

No centro desta estratégia está o Optimus, o robô humanoide desenvolvido pela Tesla. A empresa aposta que a tecnologia poderá ser utilizada em fábricas, centros logísticos, escritórios e residências. Musk já declarou que os robôs se podem tornar mais importantes para os negócios da companhia do que os próprios veículos elétricos.

Apesar do entusiasmo, tanto Altman quanto Musk reconhecem que ainda existem obstáculos para o avanço da IA. Um deles é a infraestrutura necessária para operar modelos cada vez mais sofisticados. Altman afirmou recentemente que a procura por processamento já supera a capacidade disponível da OpenAI. Para ampliar essa estrutura, a empresa participa na construção de grandes centros de dados nos EUA, incluindo o projeto Stargate, desenvolvido em parceria com a Oracle e o SoftBank.

Mesmo com desafios técnicos e dúvidas sobre os impactos sociais da tecnologia, os líderes do setor concordam num ponto: a corrida rumo à chamada superinteligência artificial já está em andamento e pode redefinir a relação entre humanos e máquinas ao longo da próxima década.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Change fatigue: o novo esgotamento que as empresas ainda não querem ver

Durante anos, as empresas convenceram-se de que tinham identificado o grande desafio do mundo do trabalho: fazer as pessoas sentirem que pertencem. Investiram milhões em cultura, engagement, propósito, employee experience, bem-estar e inclusão. E fizeram-no com razão. O sentimento de pertença melhora retenção, colaboração, inovação e desempenho. Mas há um problema: muitas organizações continuam a responder à pergunta certa para o mundo de ontem.

Porque a pergunta dominante dentro das empresas já não é apenas “será que pertenço aqui?”. É outra, bem mais desconfortável:

“Será que tenho futuro aqui?” A inteligência artificial está a transformar funções inteiras. A automação redefine competências. Novas ferramentas surgem a uma velocidade impossível de acompanhar. Equipas são reorganizadas. Modelos de negócio são reinventados. Empresas que eram símbolos de estabilidade anunciam despedimentos. Apesar disso, demasiadas organizações continuam a comunicar a transformação como se fosse uma atualização de software: inevitável, excitante e supostamente autoexplicativa.

Não é. Para milhões de profissionais, a transformação tecnológica não está a ser vivida como uma oportunidade abstrata de inovação. Está a ser vivida como ambiguidade permanente. Não saber que competências serão necessárias daqui a três anos. Não saber como será avaliado o desempenho. Não saber se a função continuará a existir. Não saber se a empresa está realmente a preparar as pessoas para a mudança ou apenas a exigir adaptação infinita.

E a verdade incómoda é esta: a maioria das organizações ainda não sabe liderar pessoas em contextos de transformação contínua.

Os números ajudam a desmontar algum otimismo corporativo. Segundo a Microsoft e o LinkedIn, 76% dos profissionais afirmam precisar de competências em inteligência artificial para permanecerem competitivos. Apenas 39% receberam formação em IA por parte das suas empresas. A Hays encontrou um padrão semelhante: 78% dos profissionais que usam IA no trabalho dizem não ter recebido formação formal, apesar de a maioria já utilizar estas ferramentas regularmente.

Traduzido para linguagem simples: estamos a pedir às pessoas que atravessem uma revolução tecnológica enquanto lhes entregamos um manual incompleto.

Depois surpreendemo-nos com a resistência. Durante demasiado tempo, as empresas interpretaram a resistência à mudança como um problema de mindset, atitude ou falta de adaptabilidade. Mas talvez valha a pena considerar uma hipótese menos confortável: e se aquilo a que chamamos resistência for, em muitos casos, fadiga?

O fenómeno já tem nome: change fatigue. Não estamos a viver uma fase de mudança. Estamos a viver um regime permanente de mudança. E existe uma diferença importante entre mudar ocasionalmente e trabalhar dentro de um ambiente onde nada estabiliza tempo suficiente para ser plenamente aprendido, integrado ou compreendido. A Gartner já alertou para os níveis crescentes de exaustão associados à mudança persistente. Ainda assim, muitas organizações insistem em acumular iniciativas de transformação sem criar condições psicológicas mínimas para que as pessoas as consigam absorver.

Mais tecnologia. Mais reestruturações. Mais processos. Mais urgência. Menos clareza. Menos previsibilidade. Menos capacidade humana para acompanhar o ritmo. É aqui que muitas estratégias de transformação começam a falhar - não na tecnologia, mas na experiência humana da mudança. Porque qualquer transformação altera muito mais do que workflows ou ferramentas.

Muda identidades profissionais. Muda relações de poder. Muda perceções de valor. Muda aquilo que cada pessoa acredita em saber fazer bem. Ignorar esta dimensão tem custos elevados. Não produz agilidade. Produz cinismo. Não acelera inovação. Amplifica desgaste. Não reforça compromisso. Corrói confiança. Talvez por isso a gestão da mudança esteja a deixar de ser uma competência operacional para se tornar numa competência central de liderança. Não basta perguntar: “como implementamos esta tecnologia?” A pergunta decisiva passou a ser outra: “como ajudamos as pessoas a atravessar esta transformação sem perderem confiança, competência ou saúde psicológica?”

E aqui reside um dos maiores equívocos da próxima década. Muitas organizações continuarão a investir fortemente em cultura, engagement e bem-estar sem reconhecer que o contexto psicológico do trabalho mudou profundamente.

A pertença continua a importar. Mas a pertença não substitui a clareza. A cultura não substitui a segurança perante o futuro. E sessões sobre propósito dificilmente resolvem a ansiedade de quem não consegue perceber qual será o seu lugar numa organização transformada pela inteligência artificial.

Talvez seja esta a nova vantagem competitiva que muitos líderes ainda não reconheceram. Não serão necessariamente as empresas com melhor tecnologia, maior orçamento ou maior capacidade de automação a ganhar a próxima década.

Serão as empresas capazes de responder com honestidade a uma pergunta extraordinariamente simples: “Ajudar-me-ão a navegar aquilo que vem a seguir?”

Durante anos, acreditámos que o maior desafio das organizações era fazer as pessoas sentirem que pertenciam. Talvez o verdadeiro desafio seja mais exigente.

Conseguir que as pessoas se sintam seguras enquanto tudo à sua volta muda.

Fonte

domingo, 4 de janeiro de 2026

Esquece o puxão na ranhura: o novo perigo no Multibanco é invisível


Há décadas que seguimos o mesmo ritual no Multibanco: meter o cartão, puxar a ranhura verde, abanar para ver se há peças soltas. Se nada cair, assumimos que estamos seguros. Lamento dizer-te, mas esse truque já não serve para o novo perigo no Multibanco. A era do skimming grosseiro (aquelas peças de plástico mal coladas) acabou. Os burlões modernos evoluíram para tecnologia de nível militar, tão fina e miniaturizada que o ataque acontece debaixo do teu nariz e literalmente dentro da máquina. Chamam-lhe Deep Insert Skimmer (ou Shimmer), e é a razão pela qual tens de mudar a forma como levantas dinheiro hoje mesmo.

O novo perigo no Multibanco DENTRO não fora
Antigamente, o dispositivo de roubo era colocado sobre a entrada do cartão. Hoje, o dispositivo é uma “folha” ultrafina, com circuitos microscópicos, que é inserida profundamente na ranhura do Multibanco.

Como funciona?
O ladrão insere o dispositivo em segundos (parece que está apenas a usar o multibanco).
O chip fica lá dentro, invisível a olho nu.
Quando metes o teu cartão, o dispositivo “lê” os dados do chip em tempo real enquanto a máquina faz a operação normal.
Tu recebes o dinheiro, o cartão sai, e nem sonhas que acabaste de ser copiado.
Não há nada para puxar. Não há nada para abanar.

O Golpe Duplo: o teclado fantasma
“Mas eles precisam do PIN!”, pensas tu. Exatamente. E esquece as câmaras minúsculas escondidas num buraco em cima do ecrã. Isso é tecnologia de 2010.

Agora, os criminosos usam teclados falsos de alta precisão. São películas finíssimas colocadas exatamente por cima das teclas originais. Quando digitas o código, a sensação táctil é a mesma, mas a película regista a pressão e guarda o teu PIN.

Entretanto tens os dados do cartão roubados por dentro e o PIN roubado por cima. A combinação perfeita para esvaziar a conta.

O único “Teste” que realmente funciona (e não é com uma chave)
Muita gente sugere tentar meter uma chave ou palito para sentir obstruções. Não faças isso. Podes avariar a máquina e ficar com a chave presa (e uma conta para pagar).

A única forma 100% eficaz de contornar os Deep Insert Skimmers é não usares a ranhura.

A Regra de Ouro: usa por exemplo o MBWay para gerares um código para levantares dinheiro ou ativares a máquina Multibanco para a utilizares. Assim estás imune. O dispositivo de roubo não consegue ler os dados via wireless desta forma. A ranhura torna-se irrelevante.

3 Regras para sobreviveres aos novos burlões
  1. A “Dança” do Cartão: Ao inserir o cartão, se sentires uma resistência anormal ou se ele não entrar suavemente até ao fim, não forces. Cancela e muda de máquina. O chip espião cria um aperto extra dentro da ranhura.
  2. A Mão Concha: Mesmo que não vejas câmaras, cobre sempre a mão que digita o PIN com a outra mão ou com a carteira. Se houver uma câmara escondida (ainda usam), não apanham nada. Se for um teclado falso, torna a vida deles mais difícil para correlacionar os dados.
  3. Foge dos ATMs isolados: Dá preferência às máquinas que estão dentro das agências bancárias (no hall de entrada). Os burlões preferem máquinas de rua, com menos vigilância e onde é mais fácil instalar o equipamento durante a noite.
Entretanto a tecnologia dos ladrões evoluiu. Assim a tua prevenção também tem de evoluir. Da próxima vez, antes de meteres o cartão no buraco, pergunta-te: “Posso usar o Contactless?”. Se a resposta for sim, nem hesites.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Floco de neve visto ao microscópio electrónico


O cientista Nathan Myhrvold conseguiu registar as mais belas e detalhadas fotografias de flocos de neve já feitas! Isto graças a um trabalho árduo e a uma tecnologia de ponta, criada especialmente para registar estes pequenos cristais gelados.

A neve é um dos fenómenos meteorológicos mais fascinantes, responsável por criar cenários incríveis e encantadores quando precipita das nuvens e se acumula na superfície. Mas a sua beleza não se limita apenas às paisagens, existe uma beleza que não podemos vislumbrar a olho nu: os flocos de neve!

Nathan Myhrvold, ex CTO da Microsoft, afirma ter captado as imagens de flocos de neve de maior resolução do mundo.

Esta beleza difícil de ser vista foi o que inspirou Nathan Myhrvold a aventurar-se em mais um grande desafio: fotografar flocos de neve em alta resolução! Myhrvold foi diretor de tecnologia na Microsoft por muitos anos, mas deixou o seu cargo em 1999. À procura de novos desafios, passou a dedicar-se às suas paixões: cozinha e fotografia. Inclusive, ele é coautor do livro de receitas Modernist Cuisine, um livro de 5 volumes sobre a arte e a ciência de cozinhar.

Myhrvold disse à Accuweather que o seu desejo de fotografar flocos de neve começou quando decidiu que gostaria de fotografar coisas comuns que as pessoas vivenciam todos os dias. Mas ele queria que os temas das suas fotos fossem objetos que não podem ser vistos a olho nu, colocando-os em foco.

Entretanto, os desafios de fotografar flocos de neve são bem óbvios, sendo extremamente frágeis e minúsculos, medindo apenas alguns milímetros de diâmetro, um floco de neve pode derreter em segundos. Por isso, Myhrvold teve que pensar muito e arquitetar uma configuração tecnológica perfeita para superar todos estes desafios.

A tecnologia e a ciência por detrás das fotografias
Após 18 meses de trabalho duro, Myhrvold projetou e criou uma câmara de alta resolução personalizada combinada com um microscópio que funciona em climas frios. Para tal, ele teve que fazer uma série de adaptações, como, por exemplo, colocar fibra de carbono na moldura do seu microscópio, já que o metal se expande e contrai com a temperatura.

Para certificar-se de que os flocos não derretiam na lâmina do microscópio antes que os pudesse fotografar, Myhrvold decidiu usar safira artificial em vez de vidro, pois o vidro transmite bem o calor. Essa safira artificial era arrefecida para garantir que os flocos de neve ficassem intactos durante o maior tempo possível.

Até mesmo o esquema de iluminação por flash teve que ser adaptado. Myhrvold optou por luzes de LED que piscavam por apenas um milionésimo de segundo, que elimina tanto a transferência de calor quanto as vibrações, que poderiam destruir o espécime ou borrar a fotografia.

Assim que o equipamento estava pronto, havia outro desafio à sua espera: encontrar o local certo e capturar os flocos! Para isso, instalou-se em varandas em Fairbanks, Alasca e Yellowknife, Territórios do Noroeste, Canadá, sob temperaturas de até -20ºC! Com um pedaço de papelão coberto de veludo, Myhrvold capturou milhares de flocos de neve, mas nem todos estavam em perfeitas condições para serem fotografados.

Então, Myhrvold analisava cada floco com uma lupa, selecionava os melhores, capturava-os com um pequeno pincel e colocava-os na sua câmara microscópica, gerando as mais belas imagens de flocos de neve!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

The Young Gods - Figure sans nom


“Figure sans nom” é uma faixa da banda suíça The Young Gods, lançada como single em novembro de 2018 e incluída no álbum Data Mirage Tangram de 2019. A música apresenta uma sonoridade característica do grupo, misturando elementos industriais e alternativos com uma atmosfera intensa e evocativa. A letra, poética e enigmática, descreve uma “figura sem nome” que dança e revela seu verdadeiro rosto, sugerindo a ideia de alguém emergindo do anonimato ou descobrindo a sua identidade. No contexto do álbum, que aborda temas como sobrecarga de informação, tecnologia e ilusões modernas, a faixa pode simbolizar o momento de despertar de uma pessoa ou entidade que se distingue das miragens de um mundo saturado de dados e aparências. Embora não exista uma interpretação oficial, a canção reflete o estilo maduro da banda nesta fase, combinando peso e complexidade sonora e mostrando que, mesmo décadas após a sua formação, os Young Gods continuam a reinventar sua identidade musical com coragem e originalidade.

A probóscide de um mosquito pode revolucionar a bioimpressão 3D


Li recentemente na revista de divulgação científica New Scientist, uma notícia que mostra de forma extraordinária como a biodiversidade continua a surpreender-nos e a alimentar soluções tecnológicas em áreas que vão da medicina à engenharia de precisão. Não resisto a partilhar a descoberta, pelo modo como revela o papel notável da ciência e os horizontes sempre inesperados da investigação. Uma equipa de investigadores da Universidade McGill, no Canadá, descobriu que a tromba (probóscide) de um mosquito pode funcionar como um bico ultrafino para impressoras 3D, abrindo caminho para fabricar estruturas delicadas usadas na criação de tecidos e órgãos artificiais.

A equipa enfrentava um problema recorrente na bioengenharia: os bicos convencionais disponíveis eram demasiado grossos para produzir detalhes microscópicos. Em busca de alternativas naturais, analisaram diversas estruturas animais até concluírem que a probóscide das fêmeas de Aedes aegypti - o mesmo mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya - apresentava as características ideais. O apêndice, evoluído para perfurar pele humana com precisão, permitiu imprimir filamentos com apenas 20 micrómetros de espessura, cerca de um quarto da largura de um cabelo.

A técnica, batizada 3D necroprinting, distingue-se também pela simplicidade e pelo baixo custo. Um técnico treinado consegue produzir cerca de seis bicos por hora, cada um por menos de um dólar, e estes podem ser acoplados a impressoras 3D já existentes. Quando congelados, mantêm-se utilizáveis durante um ano, embora aproximadamente 30% apresentem falhas após duas semanas de uso intensivo.

Nos testes realizados, os investigadores utilizaram estes bicos naturais para imprimir estruturas com uma bio-tinta usada na construção de andaimes de tecidos biológicos, incluindo moldes de vasos sanguíneos - um passo essencial na engenharia de tecidos. Especialistas externos sublinham que este avanço ilustra algo mais vasto: a engenharia continua, muitas vezes, a tentar acompanhar a sofisticação das soluções produzidas pela evolução ao longo de milhões de anos.

Para além da curiosidade tecnológica, este trabalho reforça uma ideia fundamental para a economia e para o futuro da inovação: a biodiversidade é uma reserva viva de engenhosidade, repleta de soluções que não conseguimos prever. Cada espécie - mesmo as mais discretas ou incómodas - encerra potencial para inspirar avanços em saúde, materiais, robótica e muitas outras áreas. A probóscide de um mosquito transformada em ferramenta de impressão é apenas um exemplo entre muitos outros.

Nota final: esta descoberta sublinha também a importância de continuar a estudar a biodiversidade de forma sistemática e profunda. Só conhecemos uma fração da variedade de formas, estruturas e estratégias que a vida desenvolveu ao longo da evolução. Investir em investigação biológica não é apenas preservar conhecimento: é ampliar o leque de soluções possíveis para desafios futuros, muitos dos quais ainda nem conseguimos antecipar. Cada organismo estudado é uma nova oportunidade de aprendizagem, inovação e, potencialmente, transformação tecnológica.

Saber mais:

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Tecnologia reduz morte de morcegos em turbinas eólicas


A geração de energia elétrica pelo vento é um dos métodos mais sustentáveis, mas as turbinas eólicas que fazem a conversão da energia são responsáveis por milhões de mortes de morcegos.

De acordo com um estudo de 2024, 500 mil mortes ocorrem em parques eólicos nos Estados Unidos. O caso dos morcegos é complicado porque eles usam o mesmo espaço aéreo para alimentação e migração, se tornando muito vulneráveis às turbinas.

Com isso, a agência de proteção à vida selvagem dos EUA aprovou uma tecnologia da empresa EchoSense. A solução é a “redução inteligente” de mortes de morcegos pelas turbinas, sem comprometer a geração de energia eólica.

Em inglês, o termo é “smart curtailment”, reduzindo de modo inteligente a velocidade das pás das turbinas eólicas em horários de maior atividade dos animais.

A redução inteligente da EchoSense funciona ao combinar Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados (SCADA) com dados meteorológicos e acústicos para travar as turbinas eólicas quando os morcegos estão próximos.

O método, que interrompe o funcionamento de turbinas eólicas com ventos em velocidades inferiores a 5 metros por segundo, reduz as mortes de morcegos em mais de 60%.
Veja como funciona:


Outras empresas também buscam na tecnologia formas para evitar as mortes de morcegos. A Biodiv-Wind, da França, usa câmeras infravermelhas, e a DTBird & DTBat, da Espanha, adopta inteligência artificial para identificar espécies pelo som.

Winifred Frick, cientista da ONG Bat Conservation International (BCI), ressalta que as mortes de morcegos aumentaram ainda mais com as turbinas eólicas. Frick, que participou do documentário recém-lançado “The Invisible Mammal” aponta para importância ecológica dos morcegos.

A cientista alerta que combinação de dados acústicos, para Frick, pode ser perigoso para morcegos.

“Há evidências de que dissuasores acústicos podem aumentar as mortes de certas espécies de morcegos devido à sua curiosidade natural. E o som de alta frequência não viaja tão longe”, afirma.

Por fim, Frick foi uma das autoras do estudo sobre as mortes dos morcegos por turbinas eólicas, que contou com a participação de cientistas brasileiros.

Saber mais: 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Noiserv e Pedro Branco - "No Cars Go" (Arcade Fire Cover)


A canção “No Cars Go” dos Arcade Fire (lançada originalmente no EP Arcade Fire de 2003 e depois regravada no álbum Neon Bible de 2007) é uma das faixas mais emblemáticas da banda, tanto pelo seu som expansivo como pelo significado simbólico.

Tema central
“No Cars Go” fala sobre fuga, transcendência e busca por um lugar puro e intocado, longe do caos e da mecanização do mundo moderno.
O título — “No Cars Go” (“onde os carros não vão”) — sugere um refúgio espiritual, um sítio fora do alcance da civilização industrial e da rotina urbana.

Interpretação lírica
Os versos repetem:
“We know a place where no planes go
We know a place where no ships go
Hey! No cars go”
Isto evoca um desejo de escapar dos meios de transporte e comunicação modernos, que simbolizam o progresso técnico mas também o isolamento e o ruído do mundo contemporâneo.
A canção convida a uma viagem interior, para um lugar onde reina a simplicidade, a inocência ou até uma espécie de paraíso perdido.

Dimensão emocional e espiritual
A música cresce gradualmente, com arranjos orquestrais e coros que criam uma sensação de êxtase e comunhão.
Muitos ouvintes e críticos interpretam-na como uma metáfora para o céu, o amor verdadeiro, ou até a infância — lugares (ou estados de espírito) onde o mundo não chega a corromper.

Em contraste com “Neon Bible”
No contexto do álbum Neon Bible (2007), que critica a superficialidade, o consumismo e a alienação tecnológica, “No Cars Go” aparece como um momento de esperança e libertação, um vislumbre de algo puro no meio do ruído moderno.

Em suma
“No Cars Go” é uma canção sobre escapar do mundo mecanizado e procurar um espaço de liberdade espiritual e emocional, onde o humano e o sagrado voltam a encontrar-se.

terça-feira, 1 de julho de 2025

O que está por trás do investimento pesado da China em baterias de sódio



Dezenas de motocicletas elétricas tipo scooter estão enfileiradas do lado de fora de um shopping na cidade de Hangzhou, no leste da China, atraindo transeuntes para testá-las.

Mas estas scooters semelhantes a Vespas, que são vendidas por de US$ 400 a US$ 660, não são movidas pelas tradicionais baterias de chumbo-ácido ou de íon de lítio, comumente usadas em veículos elétricos de duas rodas. Em vez disso, suas baterias são feitas de sódio, um elemento abundante que pode ser extraído do sal marinho.

Ao lado das scooters estão algumas torres de recarga rápida, que podem reabastecer o nível de energia dos veículos de 0% a 80% em 15 minutos, de acordo com a Yadea, a principal fabricante chinesa de veículos de duas rodas que realizou esse evento promocional em janeiro de 2025 para divulgar suas motos e sistema de recarga recém-lançados.

Há também uma estação de troca de baterias, que permite que os motoristas entreguem suas baterias usadas em troca de novas, com a leitura de um QR code.

A Yadea é uma das muitas empresas na China que tentam criar uma vantagem competitiva para tecnologias alternativas de bateria, uma tendência que mostra a rapidez com que o setor de tecnologia limpa do país está se desenvolvendo.

domingo, 22 de junho de 2025

A China utiliza máquinas gigantes de construção de ferrovias que impressionam pela escala e eficiência


A China utiliza máquinas gigantes de construção de ferrovias que impressionam pela escala e eficiência, impulsionando sua vasta rede ferroviária, uma das maiores e mais modernas do mundo. Equipamentos como as máquinas de colocação de trilhos, tuneladoras de grande porte e guindastes especializados permitem a construção rápida de linhas de alta velocidade em terrenos desafiadores, como montanhas e desertos.
Essas máquinas, muitas vezes automatizadas e equipadas com tecnologia de ponta, como sistemas de posicionamento a laser e controle por satélite, reduzem significativamente o tempo de construção e os custos, enquanto garantem precisão milimétrica.
Projetos como a ferrovia de alta velocidade Pequim-Xangai e a expansão da Rede Ferroviária Transasiática demonstram o papel crucial dessas máquinas no desenvolvimento da infraestrutura chinesa.


Críticas:
1. Pois o carvão quando e triturado com a extração fica os pó preso nas pedras e o trem em movimento esses pós começam a se desprender das pedras de carvão e com ventos da alta velocidade do trem vão se espalhando ao longo dos trilhos do trem ou espalhando se no ar por que os trilhos foram construídos nas alturas , isso gera a poluição do pó de carvão, pois já vi muitos camiões que descarregam e trajetória curta e o basculante joga o carvão sai um fumaça preta que é o pó do carvão, já pensou na quantidade de centenas de vagões, a quantidade desse pó, a China faz as obras, mas não vê a consequência que pode gerar no futuro,  por isso as extração de carvão tem séculos no mundo todo, mas ninguém construíu ferroviária aérea por motivo de espalhar esse pó de carvão que faz mal à saúde , só a China para gastar dinheiro em obras que vai prejudicar a população e nunca melhorar o nível de bem estar da saúde da população!

2. As obras na Chinas são grandiosas, mas ele não calcula as consequências da obra, por exemplo a hidroelétrica, a maior da China a hidroelétrica Três Garganta, quando abrem às comportas ao máximo, os rios abaixo não comportam o volume de água e provocando as enchentes em várias cidades , pois não fizeram rios que comportassem o volumes de águas em grandes quantidades, fizeram estrada em cima do mar lingando uma região a outra região, e o pior que ninguém usa essa estrada, pois viaja vários kms sem ver uma paisagem só água, uma viagem monótona que da até sono, e no temporada de sol fica horrível dirigir batendo no rosto do motorista, então veja o desperdício de dinheiro para grandes obras que não ajuda em nada à população da China, na verdade só atrapalha ou faz mal à população!


sábado, 10 de agosto de 2024

Ex-diretora do YouTube e pioneira em tecnologia Susan Wojcicki morre aos 56 anos


São Francisco, Estados Unidos, 10 ago 2024 (Lusa) – A ex-chefe do YouTube e pioneira em tecnologia Susan Wojcicki, que desempenhou um papel fundamental na ascensão da Google, morreu, aos 56 anos, vítima de cancro no pulmão, anunciou o marido na sexta-feira.

Susan Wojcicki passou quase duas décadas ligada às mudanças na Google, mecanismo de busca na Internet lançado na sua garagem, que se tornou um gigante global da tecnologia.

No YouTube, adquirido pela Google em 2006, Wojcicki administrou operações por quase uma década antes de deixar o cargo no ano passado para se concentrar nos seus projetos pessoais, familiares e na sua saúde.

O marido, Dennis Troper, escreveu no Facebook que a esposa lutava contra um cancro do pulmão há dois anos.

“Minha amada esposa há 26 anos e mãe dos nossos cinco filhos deixou-nos hoje”, escreveu.

“Susan não foi apenas a minha melhor amiga e parceira na vida, mas também uma mente brilhante, uma mãe amorosa e uma amiga querida para muitos. A sua influência na nossa família e no mundo foi imensurável”, acrescentou Dennis Troper.

Susan Wojcicki trabalhava na Intel quando os amigos Sergey Brin e Larry Page fundaram a Google na garagem da sua casa, em Menlo Park, Califórnia, em 1998.

Um ano depois, ingressou na empresa como 16.ª funcionária e primeira diretora de marketing.
Na Google, participou da criação do motor de busca de imagens e trabalhou nas aquisições do YouTube e da plataforma de publicidade DoubleClick.

“É difícil imaginar o mundo sem ela”, escreveu o diretor executivo da Google, Sundar Pichai.

Nomeada diretora executiva do YouTube em 2014, Susan Wojcicki introduziu novas formas de publicidade e ajudou a impulsionar o seu crescimento ao lançar um serviço de ‘streaming’ de televisão à medida que os telespetadores recorriam cada vez mais à Internet para programas e filmes.

Também é conhecida por abordar preocupações relacionadas à privacidade das crianças, ao discurso de ódio e à disseminação de desinformação, especialmente durante a pandemia de covid-19.

Grávida de quatro meses quando foi contratada, defendeu a licença parental remunerada.

sábado, 4 de maio de 2024

Nova era: EUA começam a produzir baterias de sódio sem lítio

Nova bateria de íons de sódio sem lítio da Natron 

Após dois anos de trabalho e testes, a estadunidense Natron Energy, especialista em baterias de íon de sódio, começou a produzir, em massa, suas novas baterias de sódio sem lítio de longa duração. A ideia da empresa, segundo o New Atlas, era ter iniciado a produção em 2023, mas houve pequeno atraso 

Baterias de sódio sem lítio são melhores? O sódio é cerca de 500 a mil vezes mais abundante em nosso planeta do que o lítio; Além disso, sua obtenção é realizada por método diferente de extração, que não deixa marcas na Terra; A Natron diz que suas baterias de íon de sódio são produzidas somente de materiais abundantes no mundo, incluindo alumínio, ferro e manganês; Sem contar que os materiais necessários para a química do íon de sódio da Natron são adquiríveis a partir de cadeia de abastecimento doméstica confiável e localizada nos EUA, evitando assim questões geopolíticas, ao contrário de materiais comuns de lítio, como cobalto e níquel.

Os íons de sódio têm atraído grande interesse nos últimos anos por ser meio de armazenamento de energia promissoramente mais confiável e potencialmente mais barato.

Mesmo com sua densidade de energia ficando atrás da do íon de lítio, ele possui algumas vantagens, tais como ciclos mais rápidos, vida útil mais longa e utilização final mais segura e não inflamável. Ele se tornou atrativo para utilizações estacionárias, como centros de dados e armazenamento de backup de carregadores de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês).

Pioneirismo
A Natron tem 11 anos de existência e é uma das pioneiras na pesquisa e implementação de baterias de íons de sódio. A maioria dos projetos dessa tecnologia segue em laboratório, mas a estadunidense iniciou uma das primeiras grandes operações de produção no mundo todo.

Para comemorar, no início desta semana, a companhia realizou cerimônia em sua fábrica, localizada em Holland, Michigan (EUA), chamando-a de primeira produção em escala comercial de baterias de íon de sódio nos EUA.
As baterias de íon de sódio oferecem alternativa única ao íon de lítio, com maior potência, recarga mais rápida, ciclo de vida mais longo e química completamente segura e estável. A eletrificação de nossa economia depende do desenvolvimento e produção de soluções novas e inovadoras de armazenamento de energia. Nós, da Natron, estamos orgulhosos de fornecer tal bateria sem o uso de minerais de conflito ou materiais com impactos ambientais questionáveis.
Colin Wessells, fundador e co-CEO da Natron, em fala durante o evento de comemoração

Segundo a empresa, suas baterias carregam e descarregam a taxas dez vezes mais rápidas que as de íon de lítio. Tal nível as torna, de acordo com o New Atlas, importantes candidatas aos altos e baixos do armazenamento de energia de backup. Elas também têm vida útil estimada de 50 mil ciclos.

Não há nível de densidade de energia baseado no peso divulgado pela Natron, mas um artigo da Chemical & Engineering News, de 2022, colocou as baterias de íon de sódio em 70 Wh/kg na parte inferior da escala de densidade de energia das de íons e sódio.

Este resultado está em linha com o plano de negócios inicial da empresa, pois as baterias de íons de sódio com demanda para uso potencial em mobilidade têm mais que o dobro desta densidade.

Em 2021, a CATL apresentou bateria de íon de sódio de 160 Wh/kg e pretende ampliar a densidade para mais de 200 Wh/kg, visando melhor desempenho em carros elétricos.

A Natron prevê que suas instalações em Holland aumentem sua produção para até 600 megawatts e a deixem funcionando em 100% de sua capacidade, sendo modelo futuro para instalações em escala de gigawatts.

É natural que, atualmente, o foco da empresa para distribuir seu novo produto sejam as instalações de armazenamento de dados de inteligência artificial (IA), visto que, de dois anos para cá, a IA passou a exigir mais e mais consumo de energia.

Nas centrais de armazenamento de dados de IA, as baterias de ciclo rápido, como as novas de íon de sódio, podem se tornar ferramente essencial de gerenciamento de energia. Espera-se que as primeiras entregas sejam realizadas já em junho deste ano.

A empresa estadunidense pretende, também, expandir o foco para outros mercados de energia industrial a longo prazo, incluindo o carregamento rápido de EVs e telecomunicações.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A minha opinião sobre transumanismo

O vídeo usa cenas do filme "In Time 2011"

Nunca fui muito adepto da tecnologia, a fé transumanista. Dizem eles que tudo pode ser resolvido com ciência (manipulada) e mais tecnologia. Mais do mesmo. Capitalismo é uma armadilha envenenada. Sou adepto sim de soluções baseadas na Natureza e um imperativo civilizacional de renaturalizar. Não sou primitivista, mas nada me consola que um bom livro, todo sublinhado, com notas pessoais. Detesto tablets. Não gosto da Icloud. Para quê? E a nossa privacidade, que o Metaverso utiliza para nos encharcar com anúncios, quase personalizados. Consumir, mais e mais recursos. Não dá. Há que desacelerar isto. Não tenho varinha de condão, mas o transumanismo é pernicioso e por vezes letal. 
Escolhi este trecho de um filme que nos alerta para um futuro que está aí à porta. Não augura nada de bom. Detesto transumanistas. Ponto.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Petição Criação da Ordem dos Geólogos (2024)

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República

Os geólogos são profissionais com formação superior específica no vasto domínio da geologia, debruçando-se, nomeadamente, no estudo do solo, do subsolo, dos processos geológicos ativos e daqueles que ocorreram ao longo da história da Terra. Atuam, igualmente, no âmbito do ordenamento e planeamento do território, na exploração e gestão sustentável dos recursos naturais, e na prevenção e mitigação dos riscos geológicos. O desempenho da profissão de geólogo está dependente do conhecimento geológico do território, sendo este de importância estratégica para o desenvolvimento socioeconómico do país. Estes profissionais contribuem para a obtenção de soluções sustentáveis para muitos dos grandes problemas sociais, económicos e ambientais que a Sociedade enfrenta, tais como as mudanças climáticas, a transição energética, a escassez hídrica e o declínio dos ecossistemas.

A profissão de geólogo tornou-se, nas últimas décadas, complexa e muito diversificada devido à sua ligação com outras profissões numa grande variedade de domínios de atividade, nomeadamente, nos sectores das indústrias de construção, extrativa e energética, do ordenamento do território, da gestão ambiental, bem como da prestação de serviços especializados ao Estado e às empresas. Atua, ainda, nos setores da proteção ambiental e societal. Ou seja, o geólogo é um especialista com um olhar único na proteção e gestão sustentável do nexo solo-água-energia-alimentos-património, tão destacado, por exemplo, pela ONU – Organização das Nações Unidas, FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, e UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Tem, também, um papel determinante na dinamização da geologia espacial dos programas da AEP - Agência Espacial Portuguesa, ESA – Agência Espacial Europeia e NASA - Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Estados Unidos da América).

Neste quadro complexo, mas desafiante, os geólogos defendem a necessidade da criação de uma associação pública profissional, assentando esta aspiração em quatro pontos fundamentais:

1) A necessidade de uma cabal regulação da profissão, visando definir os requisitos e as qualificações profissionais, o âmbito da profissão e a exigência dos respetivos atos profissionais, levando à atribuição de uma certificação através de uma cédula profissional, elevando assim os mais exigentes padrões na prática do geólogo profissional englobando todos os princípios éticos e de probidade técnica que acarretam;

2) A necessidade de dispor de um código de princípios deontológicos e de dispositivos jurídico-disciplinares adequados à defesa da independência do julgamento profissional;

3) A necessidade de criar condições que permitam o reconhecimento das qualificações e requisitos profissionais em condições de reciprocidade com instituições homólogas nacionais e estrangeiras, visando garantir o exercício da atividade profissional dos geólogos portugueses dentro e fora do espaço europeu;

4) A verificação do cumprimento de requisitos profissionais deve ser confiada aos próprios geólogos constituídos em associação pública profissional, dado que, face à atual complexidade desta atividade profissional, estão mais bem apetrechados para a realizar, compatibilizando a liberdade de acesso e de exercício da profissão, e a ponderação do interesse público.

A estreita relação entre a natureza da profissão e o interesse público emerge com clareza do simples enunciado de algumas das áreas mais paradigmáticas da intervenção profissional dos geólogos:

a) Planeamento territorial e georrecursos: estudos de cartografia geológica sistemática do país, realizada a várias escalas, implementação e gestão de bases de dados digitais da cartografia geológica, dos recursos geológicos, hidrogeológicos e geotérmicos, entre outros. Apoio à execução de cartografia temática e com fins diversos que incluem uma perspetiva agronómica, agrícola, geotécnica, hidrológica, territorial e de risco natural/geológico. De facto, o território é um agente de transformação a ser conhecido e gerido de uma forma ambientalmente sustentável e de interligação com todos os agentes envolvidos, incluindo as comunidades e os ecossistemas;

b) Riscos naturais, segurança e proteção civil: previsão e prevenção de riscos naturais visando a minimização dos desastres, a proteção da vida humana e a limitação de danos (identificação das falhas sísmicas e zonamento do perigo sísmico das regiões e dos sítios, contribuição na engenharia sísmica geotécnica, monitorização da atividade vulcânica, controlo da erosão, da estabilidade de taludes, das encostas e das arribas de praia ou adjacentes a outros espaços públicos, entre outros);

c) Análise de riscos na construção e economia das grandes obras: estudo e avaliação das condições geológico-geotécnicas para o projeto e construção das grandes obras de engenharia e identificação dos riscos financeiros, bem como de problemas de desempenho induzidos por causas geológicas (a derrapagem do custo final das grandes obras está frequentemente relacionada com a falta ou com a insuficiência de estudos de geologia de engenharia);

d) Ambiente, água, território e adaptação às mudanças climáticas: prospeção, pesquisa, captação e proteção de águas subterrâneas; contributo para a avaliação, proteção e gestão sustentável dos recursos hídricos e recursos hidrominerais, a várias escalas; avaliação da radioatividade natural; estudos sobre o uso sustentável do solo; prevenção e mitigação de riscos naturais ou tecnológicos; remediação de solos e águas contaminadas, monitorização da erosão costeira, restauro da natureza, gestão da geodiversidade, entre outros;

e) Gestão sustentável e proteção dos recursos naturais: prospeção, avaliação e extração dos recursos minerais numa base eco-eficiente (metálicos estratégicos e não-metálicos); estudo, caracterização e gestão de geomateriais; colaboração na exploração e gestão dos recursos energéticos (como a geotermia); conservação do património geológico e valorização do geoturismo;

f) Saúde pública e geologia: prevenção dos riscos de contaminação dos solos e das águas subterrâneas, com base no estudo dos sistemas aquíferos, da sua vulnerabilidade e dos processos de propagação dos contaminantes; estudo da contaminação dos solos e dos métodos de descontaminação; avaliação do risco de exposição da radioatividade natural; estudos e o papel da geologia médica nos solos-alimentos-água; o papel terapêutico e de bem-estar dos recursos hidrominerais; contributos dos recursos hidrominerais em produtos farmacêuticos e dermocosméticos, entre outros temas;

g) Geologia marinha e reconhecimento dos fundos oceânicos da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Portugal: o nosso país detém a maior ZEE da Europa, revestindo-se esta de grande valor estratégico e potencial base de um novo paradigma do desenvolvimento económico do país ligado à Economia do Mar e Oceanografia Geológica. Os geólogos têm um papel preponderante no estudo da geologia dos fundos marinhos, e no estudo, exploração e gestão dos valiosos recursos naturais localizados na ZEE. A geologia costeira é, igualmente, importante na gestão, valorização da zona costeira continental e insular, bem como para a valorização deste fantástico e frágil território de interface com o oceano;

h) Investigação, ensino e cultura: os geólogos têm um papel extremamente relevante quer nas atividades de investigação, desenvolvimento e inovação em equipas inter, multi e transdisciplinares, quer no ensino básico, secundário e superior, bem como na formação de cidadãos cultos e informados. É, igualmente, relevante a sua participação em programas de astrogeologia para a difusão da geologia planetária, promovidos pela AEP e ESA. Os geólogos têm, também, um papel pertinente na difusão e disseminação de uma literacia e cultura geocientífica esclarecida direcionada aos cidadãos, através de programas e iniciativas de divulgação científica.

Assim, tendo em conta a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, a salvaguarda do interesse público e a correlativa necessidade de autorregulação da profissão de Geólogo, assinamos esta petição solicitando à Assembleia da República a criação da Ordem dos Geólogos.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Hoje é Dia Mundial da Rádio


Hoje é Dia Mundial da Rádio. Uma magia tecnológica, em que teve momentos críticos de audiência com o avanço das das plataformas digitais. Agora atingiu-se em pleno, em que até podemos ver os radialista em estúdio a fazer os seus simpáticos programas e cheios de curiosidades e que animam os ouvintes.

Eu próprio fiz rádio, nos anos 80, quando houve o boom de rádios clandestinas. Chamava-se Rádio Caos e fiz um programa intitulado "Terra-Mãe", de cariz ecologista, divulgando notícias sobre ambiente.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Amazónia sempre a surpreender-nos


Amazónia sempre a nos surpreender. Usando Lidars, pesquisadores descobriram grandes áreas urbanas e estradas na Amazónia equatoriana de 2.000 anos. Seria uma enorme comunidade, similar em tamanho às maiores cidades da época. Ruas com 10 metros de largura, atingindo 20 km de comprimento, com estimativas de uma população de cerca de 10.000 agricultores.
A Amazónia é muito rica de informações em todas as áreas de pesquisas, e esta é somente a primeira grande área urbana descoberta. Certamente teremos outras áreas, que estão só esperando ser desvendadas.

Artigo completo na Science.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Perovskite - a energia do futuro?

O silício tem sido o cavalo de batalha para o fabrico de painéis fotovoltaicos e a China tem o quase monopólio do seu fabrico, como aprendi numa viagem relâmpago a Hong Kong, no âmbito da Quimonda Solar.

A partir do silício fabricam-se as “wafers” que na sua maioria utilizam a tecnologia monocristalina. Mas as coisas podem estar a mudar.

Porque como sempre, vão aparecer alternativas. Uma delas são as células solares de perovskite. Um nome difícil de pronunciar. Perovskite é uma classe de minerais com estruturas cristalinas em cubo e diamante que foram descobertos há 170 anos nos Montes Urais. Verificou-se que é relativamente fácil de sintetizar perovskite a partir de elementos químicos comuns.

Uma das suas utilizações é para o fabrico de células fotovoltaicas. Em 10 anos a eficiência das células solares de perovskite subiu de 2,5% para 25%. Um avanço muito mais rápido do que o que se tinha verificado com as células de silício. Estas células têm várias vantagens: utilizam materiais baratos e abundantes, não precisam de terras raras e o fabrico exige pouca energia, que é recuperada em poucos meses de funcionamento.

Até há pouco tempo a sua utilização comercial não era viável, em virtude da sua baixa estabilidade, que lhes permitia pouco tempo de funcionamento. Mas agora começam a aparecer os primeiros produtos comerciais.

Uma das empresas que se está a evidenciar neste campo é a “Oxford PV”, que aposta na colocação de uma camada de perovskite sobre um célula clássica de silício. Estas células em “tandem” conseguem eficiências na ordem dos 30%, o que é perto do limite teórico de uma célula de silício.

Este aumento de eficiência é relevante sobretudo em aplicações onde o espaço é escasso, como é frequentemente o caso das instalações em telhados para autoconsumo. Mas a tecnologia ainda tem desafios pela frente, entre eles assegurar a sua longevidade.

Uma dúzia de outras empresas seguem o mesmo caminho do que a “Oxford PV”. Várias trabalham em projetos financiados pela União Europeia, que procura a forma de recuperar a tecnologia solar que perdeu para a China.

Cada vez mais estou convencido a energia fotovoltaica vai ser determinante para a transição energética. É já a tecnologia que produz a energia a menor custo, e o custo continua a descer. Para lá disso tecnologias como a perovskite permitirão fabricar células finas e flexíveis que poderão ser instaladas em qualquer superfície.

Se não forem as células de perovskite serão outras, porque a inovação não vai parar e a transição energética não vai interromper por falta de materiais.

A energia solar poderá permitir um Mundo com abundância de energia, o que a verificar-se nos vai obrigar a repensar a forma como irão funcionar no futuro os Sistemas Elétrico, que cada vez mais serão distribuídos com princípios de controlo próximos dos da Internet.

São temas que é importante seguir de perto porque nos esperam mudanças rápidas de paradigmas.

domingo, 3 de dezembro de 2023

A COP28 conta com 30 patrocinadores: empresas de energia, bancos fósseis e grandes empresas de tecnologia


As cimeiras sobre o clima são uma grande vitrine para empresas e atores interessados ​​(alguns com mais razão do que outros) em princípio comprometidos com a ação climática. E a COP28 , que acontecerá de 30 de novembro a 12 de dezembro em Dubai (Emirados Árabes Unidos), pretende ser o maior de todos os eventos climáticos até o momento , pelo menos em termos de participação. A organização estima que comparecerão 70 mil pessoas, um número muito superior ao da COP27 realizada em Sharm El-Sheikh (Egito), onde se reuniram 49.704 pessoas, o maior até à data.

Em cada edição, a maioria dos patrocinadores tende a ser empresas do próprio país, sejam elas de maior ou menor projeção internacional. Existem também alguns reconhecidos mundialmente. Um dos habituais é o espanhol: Iberdrola . A empresa de energia presidida por Ignacio Sánchez Galán é patrocinadora oficial das cimeiras climáticas desde a COP23 realizada em Bona, na Alemanha, em 2017.

Nesta COP28, a Iberdrola assinou como “Associate Partner” ( Associate Path Partner ). Um patrocínio que lhe permitirá ter a sua marca presente na chamada Zona Verde , um espaço paralelo às negociações da cimeira aberto à sociedade civil. Na Zona Azul (zona azul, reservada a países, jornalistas, organizações e observadores) a Iberdrola não terá estande próprio , mas muitos de seus executivos estarão presentes – entre eles, Galán – para participar de dezenas de eventos organizados, entre outros, pela ONU, pelo Ministério chefiado por Teresa Ribera e pela ONG BirdLife. Irão também reunir-se com a presidência da cimeira e com membros de diferentes instituições , como o Parlamento Europeu ou o Parlamento do Reino Unido.

O objetivo da Iberdrola – uma das empresas que mais contribuiu para o aquecimento global nas últimas décadas em Espanha – é participar na cimeira do clima como uma empresa verde . O seu discurso durante as duas semanas de negociações girará em torno da necessidade de eliminar progressivamente os combustíveis fósseis , triplicar a capacidade renovável até 2030 e duplicar a melhoria anual na eficiência energética durante esta década, além de chegar a um acordo sobre o financiamento do clima para mitigação e adaptação.

De acordo com informações publicadas pela media britânica Sky News em maio, os preços dos patrocínios quase triplicaram desde a cimeira anterior. O pacote de patrocínio mais caro oferecido custa 6,5 ​​milhões de libras (7,5 milhões de euros) e oferece à empresa que paga por ele “a oportunidade de falar em eventos da presidência da COP28” e ser reconhecida com a sua própria placa na parede como membro.

Empresas de energia, bancos fósseis e grandes empresas de tecnologia estarão na COP28
A COP28 conta com cerca de trinta empresas patrocinadoras . A classificação mais alta são os principais parceiros: Abu Dhabi Global Market (um centro financeiro), DEWA (autoridade de eletricidade e água de Dubai), DP World (holding de propriedade do governo de Dubai), e& (grupo de tecnologia dos Emirados), Dubai Holding ( a carteira de investimentos pessoais do governante de Dubai, Sheikh Mohammed bin Rashid al-Maktoum), Masdar (empresa estatal de energia renovável fundada e presidida pelo presidente da COP28, Al Jaber), M42 (empresa dos Emirados focada em tecnologia de saúde), RTA (autoridade de estradas e transportes de Dubai) e Emirates NBD (banco de propriedade do Governo de Dubai).

Depois, há cinco empresas que aparecem como parceiras estratégicas: EY (também conhecida como Ernst & Young, é líder global em serviços de auditoria, impostos, assessoria de transações e consultoria), FAB (First Abu Dhabi Bank, o maior banco dos Emirados Árabes Unidos), o Ministério da Educação dos Emirados Árabes Unidos, Al Futtaim (um conglomerado familiar ativo em diversos setores) e o Governo de Dubai .

Outra fórmula de patrocínio é Industry Pathway Partners . São quatro: Octopus Energy (um comerciante "100% sustentável" e o maior investidor em energia solar na Europa), Bank of America (uma das maiores holdings bancárias dos Estados Unidos), HSBC (um banco britânico e serviços financeiros empresa, conhecida por ser um dos principais financiadores da destruição da Amazónia e por financiar secretamente a exploração de carvão na Alemanha), e o Ministério da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos (cujo ministro é o Sultão Ahmed Al Jaber, presidente da COP28).

Por fim, existem empresas cujo patrocínio consiste em serem “parceiros associados”. Além da Iberdrola, esta categoria inclui Baker Hughes (uma das maiores empresas de serviços petrolíferos do mundo), Mashreq (o banco privado mais antigo dos Emirados Árabes Unidos), IBM (uma empresa multinacional americana de tecnologia), Korea Hydro & Nuclear Power (operadora de centrais nucleares e hidrelétricas na Coreia do Sul), Siemens (conglomerado empresarial alemão, também comum em COPs), Investcorp (fornecedor e gestor líder de produtos de investimento alternativos que atendem clientes privados e institucionais de alto património), Banco Islâmico de Abu Dhabi, Goldwind (fabricante chinês de turbinas eólicas) e Banco Islâmico de Dubai (maior banco islâmico dos Emirados Árabes Unidos).

Até agora são os patrocinadores oficiais que a própria presidência da COP28 tem anunciado através de comunicados de imprensa. No entanto, na secção “parceiros” do seu website há aqueles que chamam de “ inovadores climáticos ”. Nesta seção, a principal empresa patrocinadora é o Barclays , o banco da Europa que mais investiu em combustíveis fósseis desde o Acordo de Paris (2015). Apelidados de “facilitadores” aparecem, entre outros, Amazon Web Services e Microsoft .

Segundo a organização, todas as empresas patrocinadoras se comprometeram a avançar em direção à meta de emissões líquidas zero até 2050 . Para tal, devem ter aderido à aliança Race to Zero da ONU ou outra iniciativa “equivalente”, ou ter assinado o Compromisso de Negócios Sustentáveis ​​dos Emirados Árabes Unidos .

O comitê de patrocínio, composto por sete departamentos internos diferentes da COP28, nomeou a empresa de consultoria EY (também listada como empresa patrocinadora) para “validar compromissos e fornecer consultoria técnica para a COP28”.

Da Climática temos contactado repetidamente o departamento de imprensa da COP28 para saber mais detalhes sobre os patrocínios. No momento da publicação deste artigo eles não haviam respondido.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Ética e Inteligência Artificial - Deveriam os Robôs assemelhar-se aos Humanos?



No seu artigo “Questões Éticas na Inteligência Artificial Avançada”, o filósofo Nick Bostrom argumenta que a inteligência artificial tem sim a capacidade de provocar a extinção humana. Ele afirma que a super-inteligência seria capaz de ter uma iniciativa independente, e de fazer os seus próprios planos antecipando-se a nossas possíveis reações.

Em teoria, uma IA super-inteligente seria capaz de produzir praticamente qualquer resultado possível e impedir qualquer tentativa de sabotar o seu plano inicial, podendo surgir assim muitas consequências não-intencionais, não-controladas (ou seja, antes de pensar em desligar a máquina da tomada, ela vai se antecipar a isso e criar uma defesa para que isso não impacte o funcionamento dela). Ela poderia prever e simular milhões de cenários muito mais rápido que nós, protegendo-se assim de uma possível sabotagem humana.

Sabemos que esse assunto não é novo e que inspirou grandes filmes de ficção científica como Matrix, 2001, Her, e muitos outros. Será que o tal futuro dos filmes de ficção chegou?

No entanto, vale ressaltar o lado bom: a super-inteligência também poderia nos ajudar a resolver muitos problemas difíceis, como doenças, pobreza, engenharia, viagem espacial, destruição ambiental, entre muitos outros — podendo também quem sabe nos ajudar a melhorar nós mesmos.

A pergunta que não quer calar é: deveria mesmo a inteligência artificial se passar por um Humano? Isso é “certo”?

O que nos faz Humanos?

Essa também é uma questão muito profunda discutida há milhares de anos, abrange os campos da Filosofia, Antropologia, Biologia, Psicologia, entre outros.

O professor de filosofia Barry C. Smith da Universidade de Londres explica que um dos principais fatores que nos torna humanos é “o fato de que falamos dentro das nossas mentes, além da nossa capacidade de linguagem para fazer tal coisa, isso nos permite conhecer nossas próprias mentes e outras mentes de uma maneira que nenhum outro animal faz”.

Existem uma série de outras teorias e estudos sobre esse assunto, que é um tema sem dúvida bem complexo. Entre outras coisas que nos fazem Humanos podemos destacar:

- Habilidade de sentir Empatia e Compaixão por outros seres
- Nossa Mente e nossa Consciência 
- Nossos sentimentos e emoções 
- Nossa relação com um possível Deus e com o transcendente
- Nossa capacidade de improvisar rapidamente
- Nossa criatividade e intuição

Será que um dia a IA vai evoluir a tal ponto de conseguir ter essas capacidades, da mesma forma que nós evoluímos e adquirimos essas capacidades? Depois do lançamento do ChatGPT confesso que tenho minhas dúvidas.

Tanto Elon Musk quanto Stephen Hawking já se pronunciaram e nos alertaram sobre os potenciais perigos da IA quando usada para o mal. Não precisa ser um historiador para conseguir olhar para a evolução e história humana e ver que somos sim capazes de usar novas tecnologias também para o mal e para a guerra. Infelizmente nosso individualismo tem falado muito mais alto do que nosso senso de coletivismo e isso é muito preocupante.

Acho importante é ter em mente que não queremos uma relação “Homem vs Máquina”, isso tudo não deveria ser uma competição, mas sim uma relação de colaboração, mas será que conseguimos controlar isso?
Só o futuro nos dirá como iremos usar isso para o bem e para o mal, mas uma coisa é certa: a nossa geração irá presenciar grandes mudanças na humanidade, e eu acho isso muito empolgante!

domingo, 5 de novembro de 2023

Novas baterias. Vamos a isso! NASA desenvolve baterias mais seguras e potentes que as de lítio

As tecnologias desenvolvidas pela NASA não se restringem às missões espaciais e vem sendo usadas para desenvolver outros importantes setores, entre eles a aviação. O carbono proveniente das viagens aéreas equivale a cerca de 2% de todas as emissões globais de gases com efeito de estufa e a busca por combustíveis mais sustentáveis e baterias elétricas que possam substituir motores à combustão é um dos desafios da indústria.



A NASA tem uma divisão que trabalha justamente com pesquisa e desenvolvimento de baterias e está a trabalhar em projetos de baterias mais leves e seguras – e muito mais potentes do que as baterias de íões de lítio, usadas hoje nos veículos elétricos.

As baterias de íons de lítio, o atual padrão da indústria automóvel, contêm líquidos que as tornam vulneráveis ​​ao superaquecimento, incêndio e perda de carga ao longo do tempo. Por outro lado, o projeto SABERS (Baterias de Arquitetura de Estado Sólido para Maior Recargabilidade e Segurança) da NASA está desenvolvendo baterias experimentais de estado sólido que não têm estas desvantagens. Além disso, as baterias Até agora, testadas pela equipe conseguiram alimentar objetos a 500 watts-hora por quilograma – o dobro de um carro elétrico.

Dentro da bateria, células de enxofre e selénio empilhadas diretamente umas sobre as outras, sem invólucros, eliminando peso das baterias. Juntamente com as próprias células, múltiplas baterias podem ser empilhadas sem qualquer separação entre elas.

“Este design elimina até 40% por cento do peso da bateria e nos permite duplicar ou mesmo triplicar a energia que pode ser armazenada, excedendo em muito as capacidades das baterias de íons de lítio”, disse Rocco Viggiano, investigador principal do SABERS no Glenn Research Center da NASA em Cleveland.

Armazenar mais energia e diminuir o peso das baterias são dois requisitos básicos para a aviação. No entanto, a quantidade de energia que uma bateria pode armazenar é apenas um lado da equação. Uma bateria também deve descarregar essa energia a uma taxa suficiente para alimentar grandes componentes eletrónicos, como uma aeronave elétrica ou um veículo aéreo não tripulado.

O site da NASA traz uma explicação didática sobre esta questão: “uma bateria poderia ser descrita como um balde. A energia (ou capacidade) de uma bateria é a quantidade que o balde pode conter, enquanto a sua potência é a rapidez com que o balde pode ser esvaziado. Para alimentar uma aeronave elétrica, a bateria deve descarregar a sua energia, ou esvaziar o seu balde, a um ritmo extraordinariamente rápido”.

Para garantir maior potência, novos testes estão a ser realizados com materiais que ainda não foram usados em baterias, mas que que produziram um progresso significativo na descarga de energia. E esses novos materiais vão permitir ainda mais ajustes no design dos equipamentos.

Segurança
A segurança é outro requisito fundamental para o uso de baterias em aeronaves elétricas. Ao contrário das baterias líquidas, as baterias de estado sólido não pegam fogo quando apresentam mau funcionamento e ainda podem funcionar quando danificadas.

Para avaliar a segurança, os pesquisadores testaram as baterias sob diferentes pressões e temperaturas e descobriram que ela pode operar em temperaturas quase duas vezes mais altas que as baterias de lítio, sem tanta tecnologia de resfriamento. A equipe continua testando-o em condições ainda mais quentes.

Segundo a NASA, o principal objetivo do SABERS para este ano é mostrar que as propriedades da bateria atendem às suas metas de energia e segurança, ao mesmo tempo que demonstra que ela pode operar com segurança em condições realistas e com potência máxima.

Em parceria com a Georgia Tech, o projeto SABERS conseguiu utilizar diferentes metodologias. “A Georgia Tech tem um grande foco na micromecânica de como a célula muda durante a operação. Isso nos ajudou a observar as pressões dentro da bateria, o que nos ajudou a melhorar ainda mais os equipamentos”, disse Viggiano. “Isso também nos levou a entender do ponto de vista prático como fabricar uma célula como essa e a algumas outras configurações de design aprimoradas”.

Apesar de ainda estarem em fase de testes, as baterias desenvolvidas pela NASA trazem esperança de uma eletrificação mais sustentável, não apenas para a indústria aeronáutica, mas também para a automotiva. Vale lembrar que a mineração necessária para a fabricação de baterias de lítio e os processos de reciclagem destes equipamentos ainda são um desafio.

Com informações da NASA

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