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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Dia de Mísia - "Ausência"


Letra
Namorei a tua ausência
Por tantas noites vazias
Que agora pede à prudência
Que eu te ausente dos meus dias

É que a ausência de ti
É uma noite tão escura
Que eu não sei sair dali
Sem ir à tua procura

O corpo senta-se ausente
Na cama onde não se deita
E sabe o melhor presente
Que a noite não aceita

Meu amor, chegou a hora
De o tempo negar o espaço
Em que o corpo se namora
Por ausência ou por cansaço
Meu amor, choras?

No entanto és sempre tu
Sempre que canto o meu fado
É quase o teu corpo nu
Que quase que tenho ao lado

Tenho a noite por exílio
A tua ausência por lei
Vem em meu auxílio
Ou nunca mais cantarei

O corpo senta-se ausente
Na cama onde não se deita
E sabe o melhor presente
Que a noite não aceita

Meu amor, chegou a hora
De o tempo negar o espaço
Em que o corpo se namora
Por ausência ou por cansaço
Meu amor, chegou a hora

Significado da canção
A letra explora o vazio psicológico e físico deixado pela perda do ser amado. O eu lírico descreve uma relação quase obsessiva com a própria solidão, chegando a dizer que "namorou a ausência" durante tantas noites que agora precisa de fazer um esforço consciente para afastar essa sombra dos seus dias. A falta da outra pessoa é comparada a uma noite escura e intransitável, um labirinto de onde não se consegue sair sem ceder à tentação de ir à procura de quem partiu.

Há uma forte presença do corpo e do espaço físico: a cama vazia onde o corpo já não se deita e o exílio da noite. No final, a ausência funde-se com a própria arte da fadista. Ela confessa que o seu fado será sempre sobre essa pessoa e lança um apelo desesperado: se o amor não vier em seu auxílio para quebrar este silêncio, a dor será tão grande que a impedirá de voltar a cantar.

Pequena homenagem
Filha de pai português e mãe catalã (bailarina de cabaré), Mísia trouxe para o fado muita inovação, maior projecção universal, uma sensualidade provocadora, uma ginga malandra e uma alegria solar.

A genuína essência de Mísia reside na audácia de ter sido a grande anarquista e esteta do fado, uma artista singular que habitou a fronteira exacta entre a tradição mais visceral e a vanguarda mais culta.

Longe de se fechar no purismo das tascas ou no fado-destino resignado, Mísia limpou o género do bafio do passado e elevou-o ao estatuto de alta literatura, desafiando os maiores escritores contemporâneos — como José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Lídia Jorge e António Lobo Antunes — a escreverem para a sua voz. Havia na sua presença uma solenidade aristocrática misturada com uma atitude punk e até gótica, mas reduzir a sua obra à dor é ignorar a sua vibrante veia artística.

Mísia apoiava muito o seu canto no registo de peito, o que conferia à sua música uma ressonância profunda, noturna e ligeiramente rouca - características muito valorizadas tanto no fado clássico como no ambiente de cabaré que ela tanto adorava.

Mísia avant-garde introduziu instrumentos "proibidos" no fado tradicional - como o violino, o violoncelo, o piano e o acordeão - criando uma atmosfera de fado de câmara.

A sua melancolia não era de resignação (o típico "fado-destino"); era uma melancolia de combate, sensual, visceral e assumidamente trágica.

No fundo, Mísia libertou o fado das suas próprias amarras, provando que a tradição também se faz com pele, desejo, fragilidade humana, muita sensualidade, uma pitada de humor, festa e uma enorme liberdade criativa.

sábado, 25 de abril de 2026

Apoptygma Berzerk - Eclipse



Melhor som aqui do álbum Welcome to Earth, 2020

[Verse 1]
As we dwell inside the safe zones that we've made
Where nothing but earthly pleasures seems to matter
The only light we see is from the screens
No will to feel or explore the forgotten dimensions

[Chorus 1]
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still for a moment
And I guess we will be making history
When we all join hands just to watch the sky
(For a moment)

[Verse 2]
Our selfish lives have made us all go blind
One day we'll awake by a bright light on the horizon
In one second every eye will see the same
And this blinding light will draw all our attention

[Chorus 1] 2x

[Chorus 2]
Some day we'll catch a glimpse of eternity
As the world stands still for a moment
For the very first time and it's meant to be
We'll forget about ourselves and share the moment
(For a moment)

domingo, 26 de maio de 2024

Música do BioTerra: Sweeping Promises - Good Living Is Coming for You


[Verse 1]
It comes and goes
And comes again
The thrill of changing
Rearranging
But it gets hard
By the year
Estranging
It's strange and

[Pre-Chorus]
Don’t learn
You live, don't learn
Was that a pain
Won't learn
You live, don’t learn
Concentrating
Misread cravings
Fill in the blanks with some new decor

[Chorus]
Wave after wave
Gonna come break the surface
This interior's designed to make you nervous
Gotta brace for it
Can't learn
Gotta brace for it
Gotta brace for it

[Verse 2]
Got a taste for
Creature comforts with
A clean aesthеtic
Nothing synthetic
This feeling
Domesticity
It's tingling
It's tingling, oh

[Refrain]
Can't learn
You livе, don't learn
This feeling
It's feeling like
Won’t learn
You live, won’t learn
Concentrating

[Bridge]
'Cause you model your life after what you see
In your hotel rooms and your magazines
And your magazines and your magazines, and your, oh

[Chorus]
Wave after wave
Threatening to break the surface
This interior’s designed to make you nervous, oh
Gotta brace for it
You can't learn
Gotta brace for it
Gotta brace for it

[Interlude]

[Bridge]
And here it comes
Ah, oh
Gotta brace for it
Oh, here it comes
Ah, oh
Gotta brace for
Another massive wave

[Chorus]
Wave after wave
Threatening to break the surface
This interior's designed to make you nervous, oh

[Outro]
Good living
Good living
Good living

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Documentário: Desolation Center

Desolation Center foi uma organização independente de música e artes performativas que realizou eventos em Los Angeles e arredores, na Califórnia, no início dos anos 80. Foi organizada por Stuart Swezey e incluía músicos punk locais e nacionais. Depois de apresentar uma série de eventos artísticos em locais do centro de Los Angeles, o grupo realizou três concertos lendários, intitulados Mojave Exodus, no Deserto de Mojave em 1983. Os artistas que aí se apresentaram incluíram Sonic Youth, Minutemen, Meat Puppets, Redd Kross, Einstürzende Neubauten, Survival Research Laboratories, Savage Republic, Swans, Boyd Rice e Psi Com.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Documentário: A Um Passo da Loucura


O Punk-Rock, frequentemente apontado como filho bastardo ou nota de rodapé do género musical Pop-Rock, nasceu de um intercâmbio (sub)cultural e informal estabelecido em finais da década de 70 do século XX por personagens sobejamente conhecidos que se movimentaram nos espaços de metrópoles como Londres, Nova Iorque, Brisbane ou Manchester.

Assim que o puto ranhoso Punk foi parido, foram muitos, incluindo alguns dos seus principais atores, os que se apressaram a declarar a sua morte. Só que este "morto-vivo sónico" rapidamente se espalhou pelos quatro cantos do mundo. Portugal não foi exceção, assim que explodiu lá fora na "estranja" - os seus fragmentos, qual satélite desgovernado fora de órbita, aterraram por cá. E passados mais de 30 anos teimam em não desaparecer.

O documentário da Antena 3, intitulado "A Um Passo da Loucura", explora as origens e o impacto da primeira vaga do punk em Portugal no final dos anos 70. O vídeo conta com os testemunhos de figuras centrais do movimento, com grande destaque para o lendário radialista António Sérgio, conhecido pela sua influência no programa Som da Frente e pela edição de discos fundamentais, e Paulo Gonzo, que muito antes da sua carreira na música pop foi o carismático vocalista dos Aqui d'el-Rock, a banda pioneira do punk rock português fundada em 1977. Juntam-se a eles membros de outras bandas históricas do circuito nacional, como Os Faíscas, os Minas & Armadilhas e os Raios e Coriscos.

Neste debate, os intervenientes recordam como o movimento nasceu num Portugal pós-25 de Abril, marcado por uma enorme ressaca política e sede de liberdade, mas onde o país ainda se encontrava culturalmente muito isolado. Eles discutem as dificuldades em obter informação na altura, relembrando como os primeiros discos de bandas como Sex Pistols e Ramones chegavam a conta-gotas, muitas vezes trazidos em viagens de amigos a Londres ou Paris, e como a rádio foi o motor crucial para espalhar essa nova sonoridade. Aborda-se também o choque visual e geracional que o punk provocou na sociedade conservadora da época, com relatos divertidos e nostálgicos sobre a reação dos pais e dos vizinhos às roupas rasgadas, aos alfinetes e aos cabelos curtos.

Um dos pontos mais debatidos é a filosofia do "faça você mesmo". Os músicos enfatizam que, no início, quase ninguém sabia tocar ou cantar, e que o verdadeiro foco era a descarga elétrica, a energia pura e a urgência de comunicar, relegando a técnica musical para segundo plano. Relembram os primeiros concertos caóticos em locais improvisados, como o Liceu Camões, onde o público não sabia bem o que esperar e onde a violência física e a destruição de material faziam parte da performance. Por fim, o painel reflete sobre a curta duração desta primeira vaga, explicando como muitas bandas rapidamente desapareceram ou transitaram para a New Wave e para o Rock em Portugal no início dos anos 80, transformando o espírito destrutivo inicial numa abordagem musical mais sofisticada e integrada na indústria.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Encontros improváveis- Jorge de Sena e Simple Minds - Theme For Great Cities (Video)


Deixai que a Vida sobre Vós Repouse

Deixai que a vida sobre vós repouse
qual como só de vós é consentida
enquanto em vós o que não sois não ouse

erguê-la ao nada a que regressa a vida.
Que única seja, e uma vez mais aquela
que nunca veio e nunca foi perdida.

Deixai-a ser a que se não revela
senão no ardor de não supor iguais
seus olhos de pensá-la outra mais bela.

Deixai-a ser a que não volta mais,
a ansiosa, inadiável, insegura,
a que se esquece dos sinais fatais,

a que é do tempo a ideada formosura,
a que se encontra se se não procura.

Jorge de Sena, in 'As Evidências'

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Música do BioTerra: Apocalyptica - Seemann feat. Nina Hagen


Komm in mein Boot
Ein Sturm kommt auf und es wird Nacht
Wo willst du hin?
So ganz allein treibst du davon
Wer halt deine Hand
Wenn es dich nach unten zieht?

Wo willst du hin?
So uferlos die kalte See
Komm in mein Boot
Der Herbstwind hält die Segel straff

Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Tageslicht fällt auf die Seite
Der Herbstwind fegt die Straße leer

Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Abendlicht verjagt die Schatten
Die Zeit steht still und es wird Herbst

Komm in mein Boot
Die Sehnsucht wird der Steuermann
Komm in mein Boot
Der beste Seemann war doch ich

Jetzt stehst du da an der Laterne
Mit Tränen im Gesicht
Das Feuer nimmst du von der Kerze
Die Zeit steht still und es wird Herbst

Sie sprachen nur von deiner Mutter
So gnadenlos ist nur die Nacht
Am Ende bleib ich doch alleine
Die Zeit steht still und mir ist kalt
Kalt...
Kalt...
Melhor som: aqui
Curiosidade: "Seemann" significa "Marinheiro" em alemão. A versão do Apocalyptica com a Nina Hagen é considerada por muitos fãs como uma das interpretações mais emocionantes dessa letra, justamente pelo contraste entre as cordas melancólicas e a voz poderosa de Hagen.

sábado, 24 de maio de 2014

Caixão da Razão

Mundo Cão- "Caixão da Razão"
Gente lacaia
Presa no luxo
Meu Himalaia
É ser gaúcho

Quero ser animal
Velho cão sem bordão
A lamber triunfal
O caixão da razão

Cuidado com essa
Sereia
Cuidado que morde
Sem peia

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Música do BioTerra: Pixies - Monkey Gone To Heaven


There was a guy

An underwater guy who controlled the sea

Got killed by ten million pounds of sludge from New York and New Jersey
This monkey's gone to heaven

The creature in the sky
Got sucked in a hole, now there's a hole in the sky
And the ground's not cold
And if the ground's not cold, everything is gonna burn
We'll all take turns, I'll get mine too
This monkey's gone to heaven

Rock me, Joe
If man is five

Then the devil is six

And if the devil is six
Then God is seven

This monkey's gone to heaven

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Encontros Improváveis - Ramos Rosa e Moby


Não posso adiar o amor para outro século 

Não posso 
Ainda que o grito sufoque na garganta 
Ainda que o ódio estale e crepite e arda 
Sob montanhas cinzentas 
E montanhas cinzentas 
Não posso adiar este abraço 
Que é uma arma de dois gumes 
Amor e ódio 

Não posso adiar 
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas 
E a aurora indecisa demore 
Não posso adiar para outro século a minha vida 
Nem o meu amor 
Nem o meu grito de libertação 

Não posso adiar o coração

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Encontros improváveis: Bocage e X-Mal Deutshland



Lua-Cheia....inspira-me sombras, noites abundantes, existencialismo, fantasmas, sonhos vividos.

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti sòmente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar o meu coração de horrores.

Bocage

sábado, 22 de outubro de 2011

Música do BioTerra: PJ Harvey feat . Thom Yorke - One line


Do álbum 'Stories from the city, stories from the sea', publicado em 2000. Espero que gostem:"one" line para salvar o Mundo e salvarmo-nos

Do you remember the first kiss?
Star shooting across the sky
To come to such a place as this
You never left my mind

I'm watching from the wall
As in the streets we fight
This world all gone to war
All I need is you tonight

And I draw a line
To your heart today
To your heart from mine
A line to keep us safe

All through the rising sun
All through the circling years
You were the only one
Who could have brought me here

And I draw a line
To your heart today
To your heart from mine
One line to keep us safe

And I draw a line
To your heart today
To your heart from mine
And pray to keep us safe

Watch the stars now moving
Across the sky
Keep this feeling
Safe tonight

quarta-feira, 17 de junho de 2009

The Raincoats - Don't Be Mean


Letra
[Verse 1]
I saw you out walking down Westbourne Grove
You caught my eye and your arm it rose
It rose in the sky, ever so high
But it wasn't, my dear, to wave to me
It was simply to hail a big black taxi
Which you jumped in as fast as you possibly could
Well, you know, my dear, I'm not made of wood
And my name may be Birch dear, but I'm not a tree
And I, I can see you ignoring me

[Chorus]
And I'm beginning to think
Though I'm open to sway
Even when we're old and grey
I think you might see me and look the other way
Just like you did only the other day

[Verse 2]
We'll sit in the park with our grandchildren dear
And you'll, you'll catch my eye and shout come over here
But it won't be me that you're calling, dear
It'll be your young Jimmy or Jenny or Jack
And, oh, one of us will have near heart attack
Grandad, grandad what's wrong with you
Why, oh, why are we rushing to the zoo?
And you'll say "Shut up Jimmy stop your talking
Grab my hand and keep on walking"

[Chorus]

[Bridge]
I know that you'll say, you'll say this is all in my mind
And I'm prone to delusions
And things of that kind
Well, now it's been well over a year
And there's no more time for shading a tear
Yes, you left and I behaved badly
But you know at that time
I loved you so madly
Don't be mean, don't be mean (3X)

[Chorus]

[Outro]
Goodbye dear
Goodbye

As The Raincoats, formadas em Londres em 1977, são um dos nomes mais emblemáticos e influentes do pós-punk britânico, distinguindo-se desde logo pela sua identidade multicultural, muito marcada pela fusão entre a sensibilidade artística da cofundadora portuguesa Ana da Silva e a atitude da inglesa Gina Birch. No início da sua carreira, o estilo musical da banda era definido por uma estética puramente D.I.Y. (Do It Yourself), caracterizada por uma sonoridade crua, desestruturada e experimental que desafiava as convenções do punk rock tradicional através de linhas de baixo invulgares, guitarras desalinhadas, a bateria enérgica de Palmolive (Paloma Romero) e o violino estridente de Vicky Aspinall. Historicamente eternizadas como um quarteto feminino - formação que também contou com Ingrid Weiss na bateria -, a estrutura interna do grupo alterou-se significativamente ao longo das décadas, moldando a sua progressão artística até ao regresso na década de noventa.

Com o tempo, a sua sonoridade evoluiu para texturas mais densas e complexas, incorporando elementos de jazz livre e world music, até culminar em 1996 com o lançamento do álbum Looking in the Shadows. É deste registo que faz parte o tema "Don't Be Mean", que apresenta um estilo musical já transformado num indie rock mais maduro, limpo e polido, mantendo contudo a urgência emocional e a honestidade melódica originais. Nesta fase de regresso, a composição criativa da banda tinha-se reduzido ao duo basilar de Ana da Silva e Gina Birch, que recrutaram para estúdio e palco a baterista Heather Dunn e a violinista Anne Wood. Esta colaboração permitiu reestruturar o tradicional quarteto em palco e conferiu uma nova roupagem técnica à faixa.

A letra de "Don't Be Mean", escrita por Ana da Silva, afasta-se das metáforas abstratas dos primeiros anos para oferecer uma mensagem direta e cortante sobre a vulnerabilidade e o desgaste nas relações interpessoais. Trata-se de um apelo frontal à empatia e à rejeição de jogos de poder psicológicos, explorando a dor provocada pela crueza gratuita ou pela indiferença de quem se ama. Esta mensagem de crueza emocional é fielmente transposta para o seu teledisco, cujo significado visual assenta num minimalismo absoluto. Evitando narrativas complexas ou os artifícios visuais comuns na MTV dos anos noventa, o vídeo foca-se em grandes planos das integrantes e na sua performance performativa em formato de quarteto. A simplicidade estética serve o propósito de amplificar a autenticidade e a gravidade do desabafo lírico, despindo a música de qualquer distração mercantil.

Ao longo de toda a sua trajetória, as referências literárias e filosóficas das Raincoats moldaram profundamente a sua identidade artística. Desde o início, o grupo esteve alinhado com o feminismo de segunda vaga e com o existencialismo, rejeitando os papéis de género tradicionais no rock para criar uma linguagem inteiramente nova baseada na vivência feminina real. Na escrita, a influência da literatura modernista e de autores que exploravam a corrente de consciência, como Virginia Woolf e Fernando Pessoa, reflete-se em letras que funcionam como fragmentos de diários e reflexões profundas sobre a identidade, a memória e a alienação urbana. Filosoficamente, a banda também absorveu os ideais da vanguarda situacionista através da ética punk, onde o erro e a imperfeição técnica eram celebrados como formas legítimas e honestas de expressão artística. Na atualidade, essa base conceptual evoluiu para uma postura de maturidade e serenidade, focada na preservação da memória histórica das mulheres na arte, na ecologia urbana e numa reflexão contínua sobre a resiliência e o envelhecimento num mundo crescentemente comercializado.

Sites

sábado, 5 de abril de 2008

Viktor Vauthier- aPOPcalypse Now


Linguagens urbanas alternativas, vivas


Nesta curta-metragem, intitulada aPOPcalypse Now, Viktor Vauthier — realizador e fotógrafo de nacionalidade francesa — recorre a uma banda sonora dominada por um estilo musical que navega entre o Punk Rock, o Garage Rock e o Indie Alternativo, com uma sonoridade tipicamente Lo-fi e acelerada, que serve de motor para o ritmo frenético da montagem.

O título da obra estabelece um trocadilho claro entre o filme de culto Apocalypse Now e o conceito de cultura Pop. A mensagem central da curta-metragem gira em torno da saturação, do excesso e do colapso da sociedade de consumo moderna, filtrados pelo olhar de uma juventude urbana e rebelde. Através da estética crua da película analógica, Vauthier capta imagens que justapõem o caos, a euforia e a decadência do quotidiano, sugerindo que vivemos num "apocalipse pop" onde a destruição e o entretenimento se fundem. A obra não procura uma narrativa convencional, mas sim transmitir uma sensação de urgência e vertigem, criticando a superficialidade da cultura de massas ao mesmo tempo que celebra a liberdade e a autenticidade dos que vivem à margem dela.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Música do BioTerra : Green Day - Working Class Hero


As soon as you're born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be
They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and classless and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me