Mostrar mensagens com a etiqueta Hezbollah. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Hezbollah. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Investigação: como o algoritmo opera na mente de extremistas


O documentário produzido pelo portal Metrópoles aborda o avanço do extremismo violento e da radicalização no Brasil, destacando o papel central desempenhado pela internet, pelas redes sociais e pelos algoritmos das grandes empresas de tecnologia nesse processo. A produção utiliza acontecimentos reais do cenário nacional para demonstrar como cidadãos comuns passam por um processo gradual de doutrinação ideológica online. Entre os casos citados estão a ação de Francisco Vanderlei Luiz, conhecido como "Tio França", autor do ataque com explosivos na Praça dos Três Poderes em novembro de 2024, a Operação Hashtag da Polícia Federal em 2016, que prendeu apoiantes do Estado Islâmico no país, e a Operação Trapiche em 2023, voltada à investigação de brasileiros recrutados pelo grupo Hezbollah.

O enredo explica que o fenómeno da radicalização não ocorre do dia para a noite, mas sim por meio de uma escalada contínua dentro do ambiente digital. O documentário detalha como os algoritmos das plataformas, desenhados para maximizar o tempo de retenção do usuário e gerar engajamento para dar lucro às empresas, acabam promovendo conteúdos polarizadores, chocantes e de ódio. Os grupos extremistas, em particular neonazismo, eugenia e da machosfera aproveitam-se desse mecanismo usando estratégias como a disseminação de memes aparentando inocência, elementos de cultura pop e jogos electrónicos para atrair pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo-lhes um falso sentimento de pertencimento e propósito. Com o tempo, esses indivíduos são direcionados para canais fechados e aplicativos de mensagem criptografados, onde a visão de mundo se torna totalmente distorcida.

Para analisar esse cenário complexo, a reportagem conta com o depoimento de diversos especialistas, autoridades e representantes da sociedade. Agentes da Divisão Antiterrorismo e da Coordenação de Inteligência da Polícia Federal relatam as barreiras técnicas e burocráticas no combate aos crimes virtuais, como a falta de cooperação ágil das Big Techs na entrega de dados e o desafio de identificar potenciais atritos sem violar a liberdade de expressão ou monitorizar indevidamente o cidadão. Pesquisadores de tecnologia e comunicação examinam o funcionamento secreto dos softwares de recomendação e as dinâmicas sociais da polarização política. Representantes da comunidade islâmica no Brasil também são entrevistados e enfatizam de forma categórica que actos violentos e de terror não possuem relação com os ensinamentos do Islamismo. Por fim, depoimentos de familiares de investigados ilustram o impacto devastador que a transformação de um parente radicalizado provoca no núcleo familiar.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

A História Milenar da Civilização Palestina

O termo Palestina não é uma invenção moderna nem uma criação arbitrária do Império Romano, mas sim o resultado de uma evolução linguística e geográfica que se estende por mais de três milénios. As suas raízes mais remotas encontram-se nos hieróglifos egípcios do século XII a.C., onde se menciona o povo Peleset, um dos "Povos do Mar" que se estabeleceu na costa sul do Levante. Esta denominação persistiu nos registos assírios do século VIII a.C. sob as formas Palashtu ou Pilistu, referindo-se inicialmente à região costeira da Filisteia. No entanto, foi a influência grega que começou a expandir o alcance do nome; no século V a.C., o historiador Heródoto utilizava o termo Palaistine não apenas para a costa, mas para descrever todo o distrito que se estendia para o interior, até ao vale do Jordão e à fronteira com o Egito.
Quando o imperador romano Adriano reorganizou a província após a revolta de Bar Kokhba em 135 d.C., renomeando-a como Syria Palaestina, não estava a cunhar um vocábulo novo, mas sim a oficializar uma terminologia que já era padrão no mundo helenístico e académico da época. O que começou como um marcador étnico para um grupo específico de colonos costeiros (os filisteus) acabou por se tornar, através dos séculos, numa designação administrativa e geográfica abrangente. Este processo reflete como as potências imperiais da antiguidade frequentemente adotavam e adaptavam nomes preexistentes para consolidar os seus próprios quadros territoriais, integrando tradições locais, gregas e romanas numa identidade cartográfica que perduraria no tempo.
Após séculos de domínio romano e otomano, passou pelo Mandato Britânico e culminou na partilha da ONU em 1947, resultando na criação de Israel e nos atuais conflitos pela soberania e reconhecimento estatal.

Análise do famoso historiador Escocês 
William Dalrymple tem sido crítico das ações de Israel durante a guerra em Gaza e do apoio do Reino Unido a Israel. Numa entrevista de 2024 ao The Times, fez uma analogia entre a resposta de Israel aos ataques de 7 de outubro e a resposta da Grã-Bretanha à Revolta dos Sipaios de 1857, dizendo: "A Revolta tem ecos contemporâneos. O mesmo sentimento de que mulheres e crianças inocentes foram atacadas e que, portanto, isso forneceu carta branca para vingança e represálias." Em maio de 2025, Dalrymple assinou uma carta aberta chamando a guerra em Gaza de genocídio. Num artigo de Setembro de 2025 para o New Statesman, Dalrymple argumentou que a Grã-Bretanha tinha uma responsabilidade histórica de ajudar a estabelecer um Estado palestiniano.

Saber mais:
A Place of Many Beginnings: Three Paths into the History of Palestine (Um Lugar de Muitos Começos: Três Caminhos para a História da Palestina) é um projecto interactivo de história da Palestina desenvolvido por Visualizing Palestine que foi apresentado no passado fim-de-semana no Festival de Literatura Palestine Writes, na Universidade da Pensilvânia e está disponível para o público interessado.


A história da Palestina... tem múltiplos 'começos' e a ideia da Palestina evoluiu ao longo do tempo a partir destes múltiplos 'começos' para um conceito geopolítico e uma política territorial distinta
Nur Masalha, Palestine: A Four Thousand Year History (pág. 8)

A Place of Many Beginnings foi apresentado no sábado, 23 de Setembro, durante um painel com os académicos palestinos Nur Masalha e Salman Abu Sitta, moderado pela autora e activista palestina Susan Abulhawa.


Com um visual muito apelativo e um conteúdo rico e inovador, esta apresentação aponta caminhos para conhecer a verdadeira história da Palestina.

Na secção Many Beginnings (Muitos Começos) pode conhecer a forma como a revolução agrícola, os berços de civilização, o comércio e o trânsito e a religião moldaram a Palestina e saber mais sobre a posição central da Palestina nas rotas comerciais antigas mais importantes.

Na secção Material Culture (Cultura Material) fala-se da arquitectura vernacular, da arquitectura monumental e muito mais.

Na secção Naming Palestine (Nomear a Palestina) ficamos a saber como os nomes palestinos dos lugares em árabe transmitiram a memória social e a história.

Com este ambicioso projecto, a Visualizing Palestine diz pretender lançar um debate sobre a forma como a história palestina tem sido obscurecida e distorcida por centenas de anos de abordagens e prioridades coloniais, incorporadas por estudos bíblicos e pela historiografia sionista.

«Os palestinos estão numa viagem intelectual inspiradora, rigorosa e de afirmação da vida, juntamente com outras comunidades indígenas que estão a escrever e a recuperar as suas histórias no meio de mitos dominantes e sancionados pelo Estado», diz Visualizing Palestine na apresentação do projecto. «Esperamos que o lançamento de hoje seja apenas um "começo" e que a plataforma evolua à medida que o diálogo progride.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Invasão do Irão - a complexa teia de conflitos no Médio Oriente: um contributo histórico e teológico


Este cartoon que circula na net é pura desinformação e demonstrativo que há muita ignorância sobre o Islamismo,  o papel dos EUA, Palestina, Irão e Israel e Arábia Saudita e o extremismo muçulmano.
Vamos por partes: 

O Irão era um país governado por xiitas. Uma minoria no mundo muçulmano. 

Geografia
O termo "países sunitas" geralmente se refere a nações onde a maioria da população muçulmana segue o Sunismo, que é o maior ramo do Islão (estimado em 85% a 90% de todos os muçulmanos do mundo).

Diferente do Xiismo, que tem uma concentração geográfica muito clara (principalmente Irão e Iraque), o Sunismo está distribuído por quase todo o mundo islâmico.

Principais países de maioria Sunita
Estes países são centros políticos, culturais ou demográficos do mundo sunita:
  1. Arábia Saudita: considerada o "berço do Islão", abriga Meca e Medina. É a principal potência sunita no Médio Oriente
  2. Indonésia: o país com a maior população muçulmana do mundo, predominantemente sunita.
  3. Egito: sede da Universidade de Al-Azhar, a instituição de ensino sunita mais prestigiada do mundo.
  4. Turquia: embora laico é uma potência regional com uma longa tradição histórica sunita (herança do Império Otomano).
  5. Paquistão: possui uma das maiores populações sunitas globais.
  6. Nigéria: tem a maior população muçulmana da África Subsariana, maioritariamente sunita.
  7. Palestinos são maioritariamente sunitas.
Além disso existem países onde os xiitas não são a maioria absoluta, mas controlam o destino da nação:
  1. Líbano: não há um censo oficial recente, mas estima-se que os xiitas sejam o maior grupo religioso individual (cerca de 30-35%). Através do Hezbollah, os xiitas exercem um poder militar e político que muitas vezes supera o do próprio estado libanês.
  2. Iémen: cerca de 35-42% da população é Zaidita (um ramo do xiismo, como discutimos sobre os Houthis). Eles controlam atualmente a capital, Sanaa, e grande parte do norte do país.
  3. Síria: o país é majoritariamente sunita (70%), mas é governado pela família Al-Assad, que pertence aos Alauítas (um ramo minoritário e místico do xiismo). Por serem uma minoria xiita governando uma maioria sunita, o Irão é o seu aliado mais vital para se manterem no poder.
As diferenças teológicas entre sunitas e xiitas
A divisão entre Sunitas e Xiitas é a maior e mais antiga cisão do Islão. Embora ambos partilhem os pilares fundamentais — como a crença em um único Deus (Allah), no Alcorão e no Profeta Muhammad — a divergência começou como uma disputa política de sucessão que, ao longo dos séculos, ganhou camadas teológicas profundas. A separação ocorreu logo após a morte do Profeta Muhammad em 632 d.C.
  1. Sunitas: acreditavam que o líder (Califa) deveria ser escolhido por consenso entre os membros da comunidade e os seus companheiros. Eles apoiaram Abu Bakr, um amigo próximo do Profeta.
  2. Xiitas: acreditavam que a liderança era um direito divino e deveria permanecer na linhagem direta do Profeta. Eles apoiaram Ali, primo e genro de Muhammad, afirmando que ele foi designado pelo próprio Profeta. 
Com o passar dos séculos, essa disputa política evoluiu para divergências teológicas fundamentais. A principal delas reside no conceito de Imã. Para os sunitas, o Imã é um líder religioso e de oração, um homem respeitável, mas sem poderes sobrenaturais ou infalibilidade. Já para os xiitas, o Imã é uma figura divinamente inspirada e infalível, que possui um conhecimento esotérico do Alcorão inacessível aos homens comuns. A vertente majoritária do xiismo acredita em uma linhagem de doze Imãs, sendo que o último teria entrado em ocultação e retornará no fim dos tempos como o Mahdi, o salvador da humanidade.

Essas visões de mundo também alteraram a estrutura de autoridade. O Islã sunita é historicamente menos hierarquizado, focando na interpretação de textos por diversos juristas. O Islã xiista, por sua vez, desenvolveu uma hierarquia clerical muito forte e organizada — como os Aiatolás no Irão — onde os fiéis buscam orientação em líderes vivos que representam a autoridade do Imã oculto. 
Até mesmo nos rituais há nuances: embora ambos rezem voltados para Meca e sigam os cinco pilares do Islão, os xiitas costumam tocar a testa numa pequena pedra de argila (turbah) durante a prece e celebram datas de martírio, como a Ashura, com uma intensidade emocional e ritualística que não existe no mundo sunita.

Os Houthis (oficialmente conhecidos como Ansar Allah) trazem uma camada extra de complexidade a essa conversa. Eles são muçulmanos, mas pertencem a um ramo específico e diferente do que discutimos até agora.

Aqui está o "RX" religioso e político dos Houthis:
1. Eles são Xiitas, mas "Diferentes"
Os Houthis pertencem ao Zaidismo (ou Xiismo de Cinco Imames).O que isso significa? O Zaidismo é um ramo do xiismo que existe quase exclusivamente no Iémen.
Proximidade com os Sunitas: teologicamente, os zaiditas são considerados o ramo do xiismo mais próximo dos sunitas. Eles não acreditam na infalibilidade dos Imames da mesma forma que os xiitas do Irão (Duodecimanos) e não partilham a mesma hierarquia clerical rígida.
2. A Relação com o Irão
Embora os Houthis sejam zaiditas e os iranianos sejam xiitas duodecimanos, eles se tornaram aliados próximos por razões estratégicas- O "Eixo de Resistência": O Irão fornece armas, drones e treino aos Houthis.
Inimigo Comum: Ambos se opõem fortemente à influência dos EUA e da Arábia Saudita (que faz fronteira com o Iémen e interveio militarmente contra os Houthis).

Onde eles se encaixam no mapa que montamos?

Para facilitar a visualização de quem é quem nas alianças atuais:

Grupo radical/País

Ramo Religioso

Principal Aliado

Hamas (Palestinos)

Sunita

Irão (Apoio financeiro/militar)

Hezbollah (Líbano)

Xiita (Duodecimano)

Irão (Alinhamento total)

Houthis (Iémen)

Xiita (Zaidita)

Irão (Apoio militar/logístico)

ISIS e Al-Qaeda (Arábia Saudita)

Sunita 

EUA / Países do Golfo


Curiosidade: o Lema Houthi
Se você vir imagens dos Houthis, verá frequentemente uma bandeira com frases escritas em árabe (o Sarkha). O lema deles é bastante agressivo e reflete sua ideologia política: "Deus é o maior, morte à América, morte a Israel, maldição sobre os judeus, vitória para o Islão".

Política e gestão estratégica petróleo e nuclear
Na política do Médio Oriente, prevalece a regra de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. A Arábia Saudita, de liderança sunita, e o Irão, de maioria xiita, disputam a hegemonia da região há décadas, e o Irão é visto pelos sauditas como uma ameaça muito mais direta e existencial do que Israel. Como Israel também é o maior adversário do Irão, a Arábia Saudita e Israel tornaram-se aliados informais, trocando inteligência e cooperação militar de forma discreta para conter a influência iraniana.

Somado a isso, há a aliança estratégica com os Estados Unidos, já que a Arábia Saudita é um dos maiores parceiros americanos no mundo e o seu exército é quase inteiramente equipado com tecnologia dos EUA. Como Israel é o aliado número um de Washington, uma invasão saudita a Israel seria um suicídio diplomático e militar, pois os Estados Unidos cortariam todo o apoio à monarquia e possivelmente interviriam para proteger o Estado judeu.

O Paquistão consolida-se como uma das nações mais complexas do cenário global, sendo o país com a segunda maior população muçulmana do mundo, atrás apenas da Indonésia. Sua identidade é intrinsecamente ligada ao Islão, tendo sido fundado em 1947 como um refúgio para os muçulmanos do subcontinente indiano — um projeto liderado por Muhammad Ali Jinnah, que, curiosamente, era de origem xiita. Embora o país tenha nascido sob um ideal de união muçulmana contra o domínio britânico e a maioria hindu da Índia, a realidade interna contemporânea é marcada por uma profunda divisão sectária. A vasta maioria da população (cerca de 80-85%) é sunita, predominantemente da escola Hanafi e dividida entre os tradicionais Barelvi e os rigorosos Deobandi. No entanto, o Paquistão também abriga a segunda maior comunidade xiita do planeta (10-15%), o que representa um contingente expressivo de até 30 milhões de pessoas.

Essa composição demográfica coloca o Estado em uma posição diplomática delicada, funcionando como um pêndulo entre as influências da Arábia Saudita e do Irão. Enquanto os sauditas atuam como pilares económicos, fornecendo petróleo e suporte financeiro, o Irã é um vizinho geográfico direto com o qual o Paquistão precisa manter uma estabilidade fronteiriça pragmática. Essa dualidade frequentemente transborda para conflitos internos, onde grupos radicais sunitas realizam ataques sectários alimentados por rivalidades externas. O que eleva drasticamente o peso dessa instabilidade interna é o fato de o Paquistão ser a única nação do mundo islâmico a possuir um arsenal nuclear comprovado, o que torna sua segurança institucional uma prioridade de vigilância global.

Diferente de Estados laicos, a "República Islâmica" integra a Sharia em seu sistema judicial e exige constitucionalmente que seus líderes máximos sejam muçulmanos. Em 2026, o desafio do país permanece o mesmo: equilibrar uma economia fragilizada e as pressões de grupos extremistas internos com a responsabilidade de ser uma potência nuclear em uma das regiões mais voláteis do mapa. A manutenção deste equilíbrio é o que define não apenas a sobrevivência do Estado paquistanês, mas a própria segurança regional no Sul da Ásia.

Neste cenário de equilíbrios delicados, a Turquia desempenha um papel de "irmã estratégica" e modelo político alternativo. Ao contrário do modelo teocrático iraniano ou da monarquia absoluta saudita, a Turquia — historicamente laica, mas sob uma liderança que busca resgatar o prestígio islâmico — oferece ao Paquistão uma parceria baseada na cooperação militar e tecnológica. Ancara é um dos principais fornecedores de hardware militar para Islamabad (incluindo navios de guerra e drones), ajudando o Paquistão a modernizar suas defesas sem depender exclusivamente do Ocidente ou da China. Além disso, a Turquia utiliza o "soft power" cultural, como suas produções televisivas de temática histórica islâmica, para fortalecer laços com a juventude paquistanesa, promovendo uma visão de liderança sunita moderna e resiliente.

Essa aproximação com a Turquia permite ao Paquistão reduzir sua dependência histórica de Riade, embora os sauditas continuem sendo os principais financiadores económicos e fornecedores de petróleo. Enquanto o Irã permanece como um vizinho geográfico que exige uma convivência pragmática para evitar conflitos de fronteira, a Turquia surge como o parceiro ideal para o desenvolvimento industrial e a projeção de voz nos fóruns internacionais. Em 2026, o desafio do governo paquistanês é navegar por esse triângulo de potências (Arábia Saudita, Irão e Turquia) enquanto gere uma economia fragilizada e garante que seu poderio nuclear permaneça sob controle firme, evitando que as tensões sectárias internas alimentadas por rivalidades externas desestabilizem o Estado.

Israel, Arábia Saudita e Estados Unidos
Atualmente, o foco saudita mudou sob a liderança do Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman, que lançou o plano Visão 2030 para modernizar a economia e reduzir a dependência do petróleo. Ele sabe que uma guerra regional destruiria os planos de atrair turistas e empresas de tecnologia, pois a estabilidade é melhor para os negócios do que o conflito ideológico. Esse caminho da diplomacia ficou evidente com os Acordos de Abraão, onde a Arábia Saudita estava muito perto de reconhecer oficialmente Israel antes do conflito em Gaza em 2023. Para os sauditas, a causa palestina funciona hoje mais como uma ferramenta de negociação para obter concessões do que como um motivo real para uma guerra aberta.

Europol alerta para aumento do risco de terrorismo na UE


A Europol avisou esta sexta-feira, 6 de março, que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.

Numa resposta por escrito enviada à Lusa, uma porta-voz da Europol indica que a guerra no Médio Oriente “tem repercussões imediatas no crime grave e organizado e no terrorismo na União Europeia (UE)”.

“O nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é considerado elevado. Tal pode manifestar-se através da radicalização interna por parte de indivíduos isolados ou de pequenas células auto-organizadas”, refere a porta-voz da Agência da UE para a Cooperação Policial.

A Europol adverte que “a rápida disseminação ‘online’ de conteúdos polarizadores pode acelerar os processos de radicalização a curto prazo” entre membros de diásporas que residem atualmente em solo europeu.

“Os grupos aliados (‘proxies’) do Irão também podem envolver-se em atividades desestabilizadoras na UE”, afirma a Europol, referindo-se designadamente ao chamado “Eixo da Resistência do Irão”, composto por grupos como o Hezbollah, Hamas ou os Huthis, ou a “redes criminosas que atuam sob a direção das instituições de segurança iranianas”.

“As suas operações podem incluir ataques terroristas, campanhas de intimidação e financiamento do terrorismo, bem como ciberataques, desinformação ou esquemas de fraude ‘online’”, afirma a agência.

Além da ameaça de terrorismo, a Europol refere também que “o risco de ciberataques direcionados a infraestruturas e empresas ocidentais também pode aumentar caso o conflito se mantenha”.

“Redes criminosas e terroristas vão aproveitar o contexto de informação mais intenso para desenvolver fraudes e desinformação com recurso à inteligência artificial. Os alvos mais prováveis na UE incluem localizações ligadas ao conflito, como instalações diplomáticas, alvos vulneráveis ou infraestruturas públicas ou críticas”, indica.

A agência refere, contudo, que até ao momento “não há impacto direto num aumento do tráfico de imigrantes”.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, o comissário europeu para a Administração Interna, Magnus Brunner, foi questionado sobre como é que a UE tenciona responder a um eventual aumento das ameaças terroristas no continente, tendo respondido que a primeira prioridade da Comissão Europeia é garantir a segurança dos seus cidadãos.

“Estamos a fazer várias coisas, como garantir controlos fronteiriços robustos, que foram reforçados recentemente com o nosso sistema de informação Schengen, uma base de dados comum da UE na qual os Estados-membros podem criar alertar para casos relacionados com terrorismo”, referiu.

O comissário europeu indicou ainda que o novo sistema de entrada e saída da UE, que está a ser gradualmente implementado desde outubro, prevendo-se que esteja totalmente operacional em abril, também está a dar resultados.

“Já nos permitiu deter 500 pessoas consideradas como uma ameaça à União Europeia. Por isso, acho que estamos no caminho certo, mas, claro, manter-se vigilante é sempre importante”, referiu. [Fonte]

segunda-feira, 2 de março de 2026

Donald Trump é o primeiro presidente norte-americano que, em apenas um ano, já bombardeou e autorizou ataques militares em 7 países


Reports from late 2025 and early 2026 [1] [2] [3] indicate that the second Trump administration has indeed authorized military strikes in seven countries during its first year. While the administration has often framed these actions as part of a "Peace through Strength" doctrine, conflict monitors have noted a significant surge in the frequency of operations compared to previous years.

Below is the breakdown of the countries involved and the nature of the strikes:

Countries Targeted in 2025–2026

CountryTimingObjective / Context
YemenJan – May 2025Operation Rough Rider: Extensive strikes against Houthi rebels to secure Red Sea shipping lanes.
SomaliaOngoing (since Feb 2025)Significant escalation of counterterrorism strikes against al-Shabaab and ISIS-Somalia.
IraqMarch 2025Precision strikes targeting high-ranking ISIS leaders in the Anbar province.
IranJune 2025 / Feb 2026Initial strikes on nuclear facilities in 2025, followed by Operation Epic Fury in early 2026 targeting leadership and military infrastructure.
SyriaDec 2025Operation Hawkeye Strike: Retaliatory strikes against over 70 ISIS targets following the deaths of U.S. service members.
NigeriaDec 25, 2025Christmas Day strikes against ISIS-affiliated groups in the Sokoto state, coordinated with the Nigerian government.
VenezuelaDec 2025 – Jan 2026Maritime strikes against alleged drug-smuggling vessels and a January 2026 operation resulting in the capture of Nicolás Maduro.
Key Contextual Points
  1. Scale of Activity: The Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) reported over 600 strikes in 2025 alone. Some analysts have noted that this volume in a single year exceeds the total number of strikes carried out during the entire preceding four-year term.
  2. Controversy over "Peace" Platform: Critics and conflict monitors often contrast this high level of military activity with the President's campaign promises to end "forever wars" and avoid new foreign entanglements.
  3. Legal & Humanitarian Concerns: Organizations like Airwars have raised concerns regarding civilian casualties, particularly during the intensive campaigns in Yemen and Somalia. Additionally, the strikes on Venezuelan vessels in international waters have been described by some legal experts as "legally dubious."
Sobre a capa de "democratizar" o Irão e fim dos "terroristas", só há 2 interesses: petróleo e o expansionismo demencial de Israel sionista.
Embora seja o 9º em produção, o Irão possui a 3ª maior reserva provada de petróleo do mundo (atrás apenas da Venezuela e Arábia Saudita).

Going to War, Again, for Israel

"Israel & Saudi Arabia pushed the U.S. to attack Iran. Netanyahu killed 72,000 people in Gaza, mostly women & children.
Saudi Arabia is a brutal dictatorship that allows no opposition.
These are the leaders who want to bring “freedom” to Iran?
Does anyone really believe that?" [Bernie Sanders]

sábado, 28 de fevereiro de 2026

"Guerras preventivas são proibidas." Ana Gomes diz que ataques de Israel e EUA ao Irão "são completamente ilegais"


Ana Gomes confessou, este sábado, "olhar com surpresa" para os ataques de Israel e dos Estados Unidos da América contra o Irão. Em declarações à TSF, antiga eurodeputada considerou que a ação militar de ambos os países "completamente ilegal".
"É uma atuação da Administração Trump, de Israel e de quem os apoiar completamente ilegal. Guerras preventivas são guerras proibidas no direito internacional", afirmou à TSF Ana Gomes.
A ex-eurodeputada argumenta também que a "desculpa" de uma "guerra preventiva" é "absolutamente ridícula", uma vez que os EUA "estavam em negociações com o Irão".

Os Estados Unidos e Israel iniciaram esta manhã um ataque conjunto ao Irão, que atingiu a capital, Teerão.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos iniciaram "grandes operações de combate no Irão" e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque tem como objetivo "eliminar uma ameaça existencial representada" pelo regime iraniano.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Segundo as autoridades iranianas, os bombardeamentos já provocaram pelo menos 40 mortos e 48 feridos.
O Irão já respondeu, lançando mísseis sobre bases militares norte-americanas de vários países da região.

Cardinal Pizzaballa slams US-backed ‘Board of Peace’ for Gaza as ‘colonialist operation’


New photos and videos highlight close ties between Epstein and Trump

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

O que se sabe sobre explosões de bombas no Irão que mataram 95 pessoas


Pelo menos 95 pessoas morreram após a explosão de duas bombas perto do túmulo do general iraniano Qasem Soleimani nesta quarta-feira (03/01) — quando a morte dele por um ataque de drones conduzido pelos Estados Unidos completou quatro anos.

Inicialmente, o número relatado oficialmente de mortes foi de 103. Posteriormente, no entanto, o ministro da Saúde do Irão retificou a informação, dizendo que alguns dos nomes haviam sido contados mais de uma vez.

As explosões atingiram uma procissão perto da mesquita Saheb al-Zaman, na cidade de Kerman, no sul do país. Soleimani nasceu na região.

Segundo dados citados pela emissora estatal Irib e atribuídos ao departamento local de serviços de emergência, outras 141 ficaram feridas nas explosões. Alguns dos feridos estão em estado crítico.

O vice-governador de Kerman afirmou que se trata de um "ataque terrorista".

Não está claro quem está por trás das explosões e não houve reivindicações imediatas de autoria por nenhum grupo.

Entretanto, nos últimos anos, separatistas árabes, o Estado Islâmico (EI) e outros grupos jihadistas sunitas reivindicaram a autoria de ataques mortais contra forças de segurança e santuários xiitas no Irão.

Depois do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, Soleimani era visto como a figura mais poderosa do Irão. Ele foi morto pelas forças americanas no vizinho Iraque, em 2020.

Homenagem ao quarto ano da morte de Soleimani em Teerão

Imagens transmitidas pela TV estatal mostraram que centenas de pessoas estavam reunidas na periferia leste de Kerman quando ocorreram as duas explosões.

A media iraniana informou que a primeira explosão ocorreu às 14h50 no horário local (8h20 em Brasília), a cerca de 700 m do cemitério do Jardim dos Mártires, ao redor da mesquita Saheb al-Zaman.

A segunda teria ocorrido cerca de 15 minutos depois, a cerca de 1 km do cemitério.

'Vimos pessoas caindo'
A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária do Irão, citou fontes que afirmaram que "dois sacos contendo bombas" foram aparentemente detonados "por controle remoto".

"Estávamos caminhando em direção ao cemitério quando de repente um carro parou atrás de nós e uma lata de lixo contendo uma bomba explodiu", afirmou uma testemunha citada pela agência Isna

"Só ouvimos o som da explosão e vimos pessoas caindo."
O Crescente Vermelho, organização de socorro, disse que entre os mortos está pelo menos um paramédico que foi enviado ao local da primeira explosão e foi atingido pela segunda.

Imagens parecem mostrar que o túmulo de Soleimani não foi danificado.

Como comandante do braço de operações externas da Guarda Revolucionária, a Força Quds, ele arquitetou a política iraniana em toda a região.

Ele foi responsável pelas missões clandestinas da Força Quds e pelo fornecimento de verbas, orientação, armas, inteligência e apoio logístico a governos aliados e grupos armados, incluindo o Hamas e o Hezbollah.

O então presidente dos EUA, Donald Trump, que ordenou o assassinato em 2020, descreveu Soleimani como "o terrorista número um em qualquer lugar do mundo".

Reacções
A União Europeia declarou o ataque um "ato de terror", condenando-o. "Este ato de terror causou um número chocante de mortes e feridos civis. Os nossos pensamentos agora estão com as vítimas e as suas famílias. Os autores devem ser responsabilizados", lê-se num comunicado citado pela agência Al Jazeera.

Aliás, a mesma agência cita também o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que ofereceu as suas condolências às famílias das vítimas, "mártires da mesma causa, da mesma batalha que estava a ser travada pelo comandante Qassem Soleimani". A ele juntou-se o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo da Revolução Islâmica, que prometeu "uma resposta dura", em comunicado.

À lista de entidades que condenaram o ataque juntou-se, também, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, esperando que "Deus tenha misericórdia sobre aqueles que perderam as suas vidas nos ataques", numa mensagem no X (antigo Twitter), e o presidente russo, Vladimir Putin, que disse que "o homicídio de pessoas pacíficas que visitavam o cemitério é chocante pela sua crueldade e cinismo", citado pela Al Jazeera.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Leila Ghanem - O 7 de Outubro foi uma derrota para o Ocidente imperialista

Fonte: Coordenação dos Núcleos Comunistas

Nesta entrevista com a antropóloga e dirigente comunista libanesa Leila Ghanem há muita informação esclarecedora. Sobre o significado da operação de 7 de Outubro. Sobre o Hamas e sobre o Eixo da Resistência. Sobre as atrocidades anteriores e actuais cometidas pelo Estado sionista, no desempenho da missão que lhe foi atribuída pelo imperialismo ocidental: a de ser a cabeça de ponte para controlar rotas marítimas estratégicas, recursos vitais como o petróleo, o gás e o urânio, e de ser a chave para consolidar o seu domínio sobre esta área de enorme importância. À custa do martírio do povo palestiniano e dos povos da região.

1. Porque é que a operação militar do Hamas de 7 de Outubro abalou o Médio Oriente e até o mundo? Qual é o impacto histórico deste acontecimento nos movimentos de resistência do Médio Oriente?
Não há dúvida de que para o povo palestiniano, e mesmo para o povo árabe, o “dilúvio de Al-Aqsa” de 7 de Outubro foi uma operação militar de proporções míticas; em qualquer caso, sem precedentes desde a ocupação da Palestina em 1948, uma espécie de epopeia lendária aos olhos dos povos árabes. Alguns escritores remontam a Homero para evocar a imagem da Ilíada, uma lenda heroica “em que os fracos conseguem derrotar o seu colonizador numa inimaginável relação de forças”. Em apenas duas horas a maior potência do Médio Oriente, o quinto maior exército do mundo, sofreu uma derrota esmagadora às mãos de uma modesta unidade de comandos apelidada de “Distância Zero” (para sublinhar o confronto do corpo contra o tanque), composta por uma centena de homens modestamente armados mas dotados de uma coragem heroica. Vinte colonatos libertadas, bases militares ocupadas - uma das quais abrigava o quartel-general do Tsahal no sul -, um observatório militar de alta tecnologia encarregado de vigiar a fronteira, a unidade de investigação 545 e a unidade de informações 414 foram neutralizadas e dois generais capturados. A lenda sionista-ocidental da invencibilidade do Estado sionista foi destruída. Numa questão de horas, Gaza transformou-se em Hanói. E recordamos a célebre frase do general Giap durante a sua visita a Argel, em Dezembro de 1970: “Os colonialistas são maus alunos de História”.

Para o escritor e activista palestiniano Saif Dana, o exemplo que mais se aproxima desta vitória militar, apesar do desequilíbrio na relação de forças entre colonizados e colonizadores, é a “Revolução Haitiana”, que foi e continua a ser um símbolo importante para as pessoas de cor de todo o mundo. Armados de coragem e da “vontade de emancipação”, os haitianos, liderados por Dessalines, lançaram-se numa batalha decisiva contra os colonos franceses, que tinham acabado de receber reforços sob o comando do general Rochambeau. Esta batalha parecia estrategicamente impossível, mas após quatro ataques heroicos dirigidos pelo líder negro Cabuat, os franceses foram finalmente forçados a capitular em 18 de Novembro de 1803, no Forte Vertières, embora os haitianos tenham sofrido uma perda considerável de vidas. As guarnições francesas renderam-se uma a uma, o que permitiu à antiga colónia proclamar a sua independência em 1 de Janeiro de 1804. A partir de então, passou a chamar-se Haiti. Esta lendária batalha ficou registada nos anais da história. Mais tarde, inspirou revoltas de escravos noutros locais, como a rebelião de Aponte em Cuba, em 1812, ou a conspiração de Denmark Vesey na Carolina do Sul, em 1822. Esta vitória teve também uma influência decisiva em Simón Bolívar e outros líderes de movimentos independentistas na América Latina, embora se tivesse de esperar até 1834 para abolir a escravatura.

O que aconteceu a 7 de Outubro na Palestina é tão lendário como a batalha do Haiti e ficará para sempre nos anais da história, tal como as batalhas de Hittin, El Kadissiya, etc., no tempo de Saladino.

Imaginem o terramoto que abalou todo o sistema do Império Ocidental perante a súbita derrota da sua mão direita, na qual tinha investido milhares de milhões de dólares durante quase um século. A mesma potência a quem o Império tinha confiado o papel de ser a cabeça de ponte imperial para controlar as rotas marítimas estratégicas, os recursos vitais como o petróleo, o gás e o urânio, e de ser a chave para consolidar o seu domínio desestabilizando os inimigos do Império, introduzindo relações de classe em benefício dos opressores…. Israel estava no centro deste sistema capitalista que tinha de manter os países do Sul dependentes dele; para isso, o povo palestiniano tinha de se converter num cenário precursor, um modelo a seguir… Para o conseguir, era necessário despossuí-lo, desumanizá-lo, mantê-lo sob bloqueio, massacrar os seus líderes históricos… Isto exigia um estatuto específico para os seus fantoches e protecção política, institucional, financeira e mediática…

O alarme imediato que abalou todos os dirigentes do mundo capitalista no dia 8 de Outubro, que acorreram em massa a Telavive, é a prova irrefutável do investimento do mundo ocidental neste Estado constituído à margem da lei, à margem de todos os direitos e normas humanas. Direitos e normas criados pelo próprio Ocidente.

O 7 de Outubro foi uma derrota para o Ocidente imperialista. E, a partir de agora, haverá um antes e um depois desse 7 de Outubro.

2. O Hamas é uma organização terrorista?
Comecemos por dizer que, para além dos EUA e da UE, nenhum outro país do mundo acusa o Hamas de terrorismo.

Se olharmos para a história, o termo “terrorista” nem sempre teve um carácter pejorativo. Os revolucionários usaram o “terror” contra os seus inimigos de classe. Foi durante a Revolução Francesa que o termo “terrorista” foi utilizado pela primeira vez, por Gracchus Babeuf, quando falou dos “patriotas terroristas do segundo ano da República”. Para o marxismo, o Terror não era em absoluto um fim político, mas uma ferramenta, o instrumento de uma política, e deve ser julgado em relação aos objectivos dessa política. Isto levanta duas questões diferentes: 1ª, a questão da legitimidade dos fins políticos. 2ª A adequação dos meios. Condenar o Terror como um “sistema” metafísico esconde um interesse em deslegitimar os objectivos políticos que ele se propôs.

Tomemos o exemplo da Comuna de Paris, ponto culminante da guerra civil francesa. Após a sua derrota, foram rotulados, para citar apenas Le Figaro, o órgão da reacção de Versalhes, como “terroristas do Hôtel de Ville”[da Câmara Municipal] ou “terroristas do 18 de Março” ou “a Comuna terrorista”.

O Terror foi defendido ou combatido em função dos objectivos que as diferentes classes sociais e facções políticas procuravam atingir, e que cada uma considerava legítimos.

Numa carta à sua mãe, Friedrich Engels explicava-lhe: “Dos poucos reféns que foram fuzilados à maneira prussiana, dos poucos palácios queimados à maneira prussiana, fala-se muito, porque tudo o resto é mentira; mas dos 40.000 homens, mulheres e crianças que os Versalheses massacraram com metralhadoras depois de terem sido desarmados, ninguém fala”.

Poder-se-ia pensar que esta descrição de Engels se refere aos acontecimentos em Gaza. Poder-se-ia pensar que ele está a descrever a forma como os meios de comunicação ocidentais avaliaram desproporcionadamente (e continuam a fazê-lo) o impacto do ataque do Hamas em 7 de Outubro e o genocídio que se seguiu com a retaliação sangrenta do exército Tsahal - o exército de Israel - apoiado pelas forças Delta dos EUA e pelos seus três porta-aviões no Mediterrâneo. Aqueles que falaram da Hiroshima de Gaza não estão longe do número das 70 000 vítimas que caíram no Japão em Agosto de 1945. Em Gaza, o número de civis mortos sobe para 50 000.

Os Estados imperialistas-coloniais têm denunciado habitualmente o terrorismo das lutas dos povos sob o seu domínio e tratado os seus combatentes como terroristas. Recordemos, uma vez mais, que várias organizações terroristas, colocadas no pelourinho ao longo da história, se tornaram interlocutores legítimos; foi o caso do Viet Cong, do Exército Republicano Irlandês (IRA), da Frente Argelina de Libertação Nacional, do Congresso Nacional Africano (CNA) e de muitas outras organizações que foram elas próprias qualificadas de “terroristas”, como a OLP e a FPLP na Palestina.

Este termo tinha e tem por objectivo despolitizar a sua luta, apresentá-la como um confronto entre o Bem e o Mal.

De cada vez que os palestinianos se revoltam, o Ocidente - tão rápido a glorificar a resistência dos ucranianos - invoca o terrorismo. Fê-lo durante a primeira Intifada, em 1987, e a segunda, em 2000, durante as acções armadas na Cisjordânia ou as mobilizações por Jerusalém, durante os confrontos em torno de Gaza, cercada desde 2007 e vítima de seis guerras em 17 anos.

Falta falar da questão da legitimidade de Israel para se defender e desarmar o Hamas. Alguns meios de comunicação sionistas chegam ao ponto de invocar Thomas Hobbes e a sua percepção daquilo a que chama a posse pelas classes dominantes do “monopólio da força física legítima”. Ignoram que essa legitimidade não pode ser aplicada a um Estado de colonos, legitimidade impugnada antes de mais pelos palestinianos, pelos povos dos países vizinhos atacados (libaneses, sírios, iraquianos, iemenitas, iranianos…) e por todos aqueles que o consideram um Estado de colonos. Antes da farsa do “Acordo de paz” de Oslo, a maioria dos países do mundo não reconhecia Israel. A sua legitimidade baseia-se simplesmente numa decisão da ONU, enquanto Israel tem rejeitado sistematicamente todas as decisões relativas ao povo palestiniano (resoluções 242, 323, 194, direito de regresso dos palestinianos ao seu país).

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

E se a crise Hamas-Israel ganhasse outra dimensão geográfica? O impacto na economia mundial poderia ser catastrófico


Com o conflito militar em curso na Ucrânia, e depois da pandemia de covid-19, desponta mais uma tragédia mundial: a guerra Hamas-Israel.
Nesta fase, como consequência do ataque inicial do Hamas e da resposta de Israel, são já milhares de vidas perdidas.
No plano económico, ainda antes do conflito Hamas-Israel, o contexto global era já de muita imprevisibilidade e apreensão. Ao contrário do que podia parecer, a economia mundial mantinha-se em suspenso e submetida a um elevado grau de instabilidade. O atual corte na produção de petróleo, estrategicamente levado a cabo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, é um importante impulsionador da inflação. Por outro lado, a suspensão do acordo do Mar Negro, que impacta muito negativamente nos mercados de cereais, também configura um problema central à escala mundial. Com os preços dos combustíveis e dos cereais sob stress permanente, o ressurgimento da inflação manter-se-á latente. As partes que dominam petróleo, gás e cereais têm o poder de regular a estabilidade global.
Com a guerra Hamas-Israel, o enquadramento económico global agrava-se ainda mais. A agência de notícias financeiras norte-americana Bloomberg coloca em equação três cenários possíveis.
No caso de conflito permanecer confinado ao território palestiniano, o impacto nos preços do petróleo e na economia mundial será “reduzido”. Recorda-se que o recente desagravamento das relações entre EUA e Irão permitiu a este último aumentar significativamente a produção diária de petróleo. No entanto, como Teerão tem apoiado declaradamente grupos islâmicos que se opõem a Israel, qualquer envolvimento iraniano no ataque do Hamas a Israel poderia desencadear um confronto bélico de escala muito superior. Neste caso, o reforço das sanções dos EUA ao petróleo do Irão poderia penalizar os mercados mundiais em cerca de 700 mil barris desta matéria-prima por dia. Se assim fosse, segundo a Bloomberg, registar-se-ia um aumento estimado de três a quatro dólares nos preços do petróleo. O PIB mundial diminuiria 0,1 pontos percentuais. O impacto na inflação seria de 0,1 p.p.
Já se o conflito alastrasse ao Líbano e à Síria, o choque económico seria bastante mais significativo. O Irão apoia alguns grupos importantes nestes dois países. Um destes grupos é a organização política e paramilitar fundamentalista islâmica Hezbollah. O Hezbollah tem um papel central no Líbano. Com Líbano e Síria geograficamente envolvidos no atual confronto, as estimativas da Bloomberg apontam para uma subida de oito dólares no preço do barril de petróleo. O PIB mundial cairia 0,3 p.p. e a inflação registaria um aumento de 0,2 pontos percentuais.
Já um cenário ainda mais grave, de confronto militar direto entre Irão e Israel, poderia originar uma recessão global. A ameaça nuclear e a proximidade política e estratégica entre Irão e Rússia são dois pressupostos alarmantes. Por outro lado, a desestabilização efetiva de todo o Médio Oriente seria um acontecimento de consequências imprevisíveis e potencialmente catastróficas. Neste caso, segundo a Bloomberg, assistir-se-ia a um aumento de sessenta e quatro dólares no preço do barril de petróleo, a uma queda de 1,0 p.p. no PIB mundial e a um acréscimo de 1,2 pontos percentuais na inflação à escala global.
Independentemente dos três cenários traçados pela Bloomberg, o confronto Hamas-Israel é mais um acontecimento mundial que impulsiona a incerteza económica e financeira. Por esta razão, a volatilidade dos mercados começou já a fazer-se sentir.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Compilação de conflitos armados e impactes ambientais

THE ICE CASES
Data till 1997. Many links now are broken, however you may find by googling a little. Sorry.

NILE Nile and Conflict , by Michele Ameri
ERITREA Eritrea and Ethiopian Civil War , by Tracy L. Cousin
SUDAN Civil War in the Sudan: Resources or Religion? , by D. Michelle Domke
MURUROA French Nuclear Tests in South Pacific , by Tish Falco
PERECWAR Peru Ecuador Border Dispute , by Jeffrey Franco
JORDAN Jordan River Dispute, by Lilach Grunfeld
CODWAR Cod Dispute Between Iceland and the United Kingdom, by David Kassebaum
KURILE Kurile Islands Dispute
KUWAIT Environmental and Economic Repercussions of the Persian Gulf War on Kuwait, by Melissa Krupa
NAGORNO Nagorno War and Armenian Deforestation, by Kathy Lalazarian
KALIMAN Ethnic Conflict and Deforestation in Kalimantan, Indonesia , by Dianne Linder
BELIZE Belize Logging Conflict, by Juliet Litterer
CHIAPAS Chiapas Civil War and Environment, by Amanda Marx
LITANI Litani River and Israel-Lebanon, by Angela Joy Moss
PETEN Guatemala-Maya Civil War and Deforestation, by Barbara Pando
FALK The Falklands/Malvinas Conflict and Oil, by Sebastian Pawlowski
IRNUKE Russian Sale of Nuclear Weapons to Iran, by Tracey Pratt (May 5, 1997)
AOZOU The Aozou Strip, Uranium and Libya-Chad Conflict, by Michael E. Pukrop (Spring, 1997)
JOHNS Johnston Atoll Chemical Waste, (May, 1997)
ASSYRIA Nebuchadnezzer's Defense of Babylon, by David Kassebaum
SPRATLY Spratly Islands Dispute and Oil, by Jay Krasnow (May, 1997)
ELSALV El Salvador Civil War, by Stephanie Weinberg, (May, 1997)
RWANDA Rwanda and Conflict, by Tara Mitchell (Spring 1997)
SAHARA Sahara Dispute and Environment, by Shari Berke (Summer 1997)
DANUBE Danube River Dispute, with materials from Jerry Fortunato, Kevin Kurland, Leslie Barcus, and Tara Mitchell (Spring, 1997)
TUPAC Tupac Amaru, Deforestation and Peru, Julissa Castellanos (January, 1998)
NIGER Fulani and Zarma tribes pushed into fights by Desertification?: Desertification in Niger, by Andrew H. Furber (June, 1997)
DIAOYU Diaoyutai Islands Dispute, by Cheng-China Huang (June, 1997)
SUBIC Toxic Waste in the U.S. Base in Subic, by Misa Kemmiya (Summer, 1997)
ANGOLA Angola Diamond Mining and War, by Lloyd R. Lewis III (June 14, 1997)
POACH Revisiting the Ban on African Elephant Ivory, N. Lowery (December, 1997)
SOCCER Soccer War, by Danielle Morello (June, 1997)
USSURI Sino-Soviet Amur Conflict, by Julianna Peresvetova (January, 1998)
VIETNAM Vietnam and Herbicides, by Hang Pham (Summer 1997)
ARSENAL Arsenal Base Clean-Up, Brian Shannon (Summer 1997) ICE Cases, December, 1997
ALASKA The United States-Canada Border Dispute, by Karen E. Smith
RUSSSUB Komsomolets Disaster, by Vincent Bonner
WALL The Great Wall of China, by Damian Zimmerman
BOERWAR Anglo-Boer: Britain's Vietnam (1899-1902), by Tracy L. Cousin
AEGEAN Disputing the Continental Shelf Region in the Aegean Sea, by Chip Arvantides
GRAINWAR Intellectual Property Rights & Biotechnology: Indian Seed Conflicts
BRAZMIGR Brazilian Migration to Amazon and the Environment Consequences, by Elizabeth Crittenden
BIAFRA The Biafra War, by Karen Ekpenyong
GAZA Water and Conflict in the Gaza Strip, by Stephanie Goeller, (January, 1998)
HORMUZ The Strait of Hormuz: Potential for Conflict, by Christopher Hoch, (January, 1998)
KIKUYU Ethnic Cleansing and the Environment in Kenya, by Doug Jacobsen, (January, 1998)
BUFFALO The Buffalo Harvest, by Dina Lehman (December 18,1997)
CHACO The Chaco War, by Ryan Lindsay (January, 1998)(Award Winner)
MORSPAIN Morocco, Spain and Fishing, by Jeremy Martin(January, 1998)
NOVALYA Novalya Zemlya, by Carrie McVicker (January, 1998)
CHILEDAM The Bio-Bio River Case, Chile, by Carl Meachum (January, 1998)
DMZ Korean Demilitarized Zone as a Bioreserve, by Nichole Neufeld (January, 1998)
CAUVERY Cauvery Water Dispute, by Alisa Pereria (January, 1998)
HAITIDEF Deforestation in Haiti, by Kristen Picariello (December 18, 1997)
GUYANA Gold and Native Rights (Venezuela), by Colleen Reed (November, 1997)
LESWATER The Lesotho "Water Coup", by Alex Roney (November, 1997)
BRONZE Bronze Trade in Ancient Rome, Recycling and War (Cross Link to TED case 224), by Brian K. Schwab (June 1995)
KORFAMIN North Korea Famine, by Jennifer S. Wolfe (January, 1998)
CEDARS Cedars of Lebanon, Babylon and Conflict, by Ben Kasoff
MARSH Marsh Arabs & Iraq, by Robert Cohen (November, 1997)
GUANO Guano Wars of the 1800s, by Jim Lee and Casey Quan
CANFISH Canada and Spain Fish Conflict (Parallel TED Case UKCOD), by James Bensler
KHMER Khmer Rouge and Wood Exports (November, 1997)
OGONIOIL Ogoni and Nigeria conflict over Oil, by Jim Lee, Kerstin Moesinger and Amy Maglio ICE Cases, May, 1998
SOMWASTE Somalia Waste Imports and Civil War (TED Cross List), by Michael Poaletta
LEBWASTE Lebanon Civil War and Waste Dumping (TED Cross List), by Sawsan Al-Ali
CANFISH Canada and Spain Fish Conflict (Parallel TED Cross Lists), by James Bensler
JAYAMINE Irian Jaya Mine (TED Cross List), by James Lang
ARALSEA Aral Sea, Environment and Security Issues (TED Cross List)
COCAINE Cocaine, Environment and Conflict, (TED Cross List), by Carl Scott and Deborah M. Ullmer
BLUENILE Nile River Dispute, by Heather Hamilton
SERBSANC Serbia Sanctions and Economic Impact (TED Cross List), by Jeff Lynch
YALU The Yalu River and its Security Implications for China, by Dong Jun Na (May, 1998)
IRANIRAQ Iran-Iraq War and Waterway Claims, by Brad Martsching (May, 1998)
SOMWAR Somalia: The Fallen Country, by Tracey L. Cousin
WESTBANK West Bank and Water (December, 1997)
TIGRIS Tigris-Euphrates River Dispute, by Tevfik Emin Kor (November, 1997)
KASHMIRI Conflict and the Environment in Kashmir, by Jennifer Crook ICE Cases, December, 2000
DIAMOND-SL Diamond Registry and Sierra Leone Civil War, by Carl von Berneuth
CONGO Congo Diamonds and Domestic and International Conflict, by Nadia MartinezICE Cases, May, 2001
URANIUMDEPLETE Depleted Uranium in the Balkans, by Chris Danielewski
LIBERIADIAMONDS Liberia, Trade, Environment and Conflict, by Benjamin Hofstatter
SUDANSANCTIONS The Civil War in Sudan: The Human Price of Oil, by Sarah Sitarek
HAWAIIBOMBS Kaho'olawe: Cultural and Environmental Impacts of Military Bomb Testing in in Hawai'i, by Cheryl Lewis
BURMA-PIPE-CONFLICT Burma Gas Pipeline and Ethic Conflict (Cross Link to TED case), by Zaw Oo
ACEH, Aceh, Oil and Conflict, by Jeremy SchanckICE Cases, December, 2001
AMPHETAMINE, Amphetamines Trade between Burma and Thailand, by May Aung
CONGO-COLTAN, Congo War and the Role of Coltan, by Natalie Ware
ICEMAN The Iceman (Cross Link to TED Case 647), by Gisella Casanovas
CHINA-NUCLEAR Nuclear Energy: A US/China Trade Issue (Cross-link to TED Case 659) , by Melanie MorkICE Cases, May, 2002
NICARAGUA-HONDURAS Nicaragua and Honduras Territorial Dispute, by Rebecca DeMar (June 2002)
URANIUM-TRAINING Uranium and US Overseas Military Training, by Jusuf Fuduli (June 2002)
CHECHNYA Chechnya Conflict and Environmental Implications, by Christopher Ingold (June 2002)
VINELAND Vikings and Native American Conflict in the New World, by Jim Lee (June 2002)
KOREA-JAPAN-ISLANDS Korea and Japan Island Dispute, by Kunwoo Kim (June 2002) TED Cross Listings, June, 2002
TEAK Teak Deforestation and Trade in Southeast Asia and Conflict (Cross Link to TED Case 200), by Kevin T. Kunkel and Teri Emmons (June 1995)
LANDMINE Landmines, Cleanup and Trade (Cross link the TED case 295), by Sean D. Morris (June 1996)
INDOBANG India-Bangladesh Dispute on the Ganges River, by xxx
MEKONG Mekong Dam in Laos and Environmental Impacts (Cross link to TED case 258), by Paul F. Macek (January 1996)
CANCOD Canada Cod Case (Cross link to TED case 13), by James Benseler (September 1992)
PAPUA Papua New Guinea Gold Mining, Exports and Environmental Impacts (Cross Link to TED case 177), by Michael Booth and Alyssa Bleck (January 1995)
TURBOT Canada and Spain Fishing Feud (Cross Link to TED Case 114), by Thomas Jandl (January 1994)
ABUMUSA Abu Musa Island, Sovereignty Claims and Environmental Resources (Link to TED case 369), by W. Corbett Dabbs (January 1997)
RUSSNUKE Russia Nuclear Technology Exports to India (Cross Link to TED case 342), by Mark A. Scheuer (June 1996)
HAITI Haiti Sanctions and Economic Impact (Cross Link to TED case 389), by Jeff Lynch (June 1996)
IRAQSANC Iraqi Sanctions and Economic Impact (Cross Link to TED case 390), by Jeff Lynch (June 1996) ICE Cases, December, 2003
SATELLITE-DRIFTNETS Over Fishing and the Use of Satellites in Monitoring and Protecting the Fish Population, by Anthony M. Kopetchny (January 2003)
SENEGAL-MAURITANIA Roots of Conflict Between Senegal and Mauritania, by Bremmer Kneib
HADRIAN Hadrian's Wall, by Chris Zweifel
OLIVE-TREE Uprooting Olive Trees in the West Bank, by Atyah Alwazir
NEANDERTHAL Neanderthal Extinction and Climate Change, by James Lee
MAYA The Decline of the Mayan Empire and Climate Change, by Matthew Markowitz
ANASAZI Anasazi, Water and their Disappearance, by Matthew Markowitz
ROBINHOOD Robin Hood and Conflict over Forest Resources, by James Lee
LEBANON-LANDMINE Lebanon and Landmines, by Ibrahim Debbas
LIBERIA-AMERICA Repatriates to Africa and Links to Current Civil Conflict, by Kimberly Jackson
MINDANAO The Conflict in Mindanao, Terrorism, and Environmental Factors, by Alyson SlackICE Cases, December, 2004
AMUR Amur River and Russia and China Territorial Dispute (TED Cross List), by Kung Mao Ya
VIEQUES Viegues, Puerto Rico, and War Testing, by David Faust
DIEGO-GARCIA Diego Garcia and Human Rights in Conflict, by Joshua Harris
BARENTS Barents Sea and Norway's and Russia's Claims, by Randi Laegreid
TALIBAN-POPPY Taliban, Poppy Trade and Support for Conflict, by Alison Lawlor
LANKA-CONFLICT, Sri Lanka Civil War Conflict and Environment, by Kurt Brockman and Ryan Walkiewicz
AQUIFER, Deep Aquifers and Sovereign Claims Underground of Nations, by Benjamin Long
OPIUM-BURMA, Opium Trade and Burma, by Ivan Obetsanov, Chris Rutherford, and Steve Sommer
ZIMBABWE Zimbabwe Land Conflict, by Sammi Green
CONGO-WOOD Congo, Charcoal and Conflict Resources, by Rensselear Resch
TYROL Tyrol and Land , by Sonia Steinbrech
CABINDA Cabinda Enclave in Angola, Oil and Conflict, by Alan Neff
JAPAN-OIL Japan, World War II and the Need for Oil, by Yuichi Arima
CONFLICT-TIMBER Conflict over Timber Resources in Indonesia, by Joshua KleymeyerTED Cross Listings, July 2005
ATATURK Turkey, Ataturk Dam and Downstream Disputes, by Nathan Martz (TED Cross-list #186)
BENIN Benin and Nuclear Disposal, by Senamede Beheton (TED Cross-list #192)
ARCTIC Impact of USSR Nuclear Testing on Arctic Sea, by Hilde Elin Haaland, Chad Cummins and ShehuIbrahim (TED Cross-list #204)
JAPANSEA Impact of USSR Nuclear Testing on Japan Sea, by Takashi Morioka (TED Cross-list #255)
KOMSO Russian Nuclear Disaster and Environment Impact, by Vincent P. Bonner (TED Cross-list #267)
LUCKY US Hydrogen Bomb Tests and Fish and Human Impacts, by Atsuko Toi (TED Cross-list #310)
PACIFICO Oil in Pacifico Region of Colombia and Indigenous Rights, by Lina Betancourt (TED Cross-list #494)
LATVIAOIL Latvia and Russia Dispute and Oil Trade, by Anna Ferus (TED Cross-list #505)
RUSSOIL Russian Oil, Indigenous People and Environment, by Sarah Shields (TED Cross-list #499)
GUMARAB Guam Arab Trade and Support for Terror in Sudan, by Daniel K. Kim (TED Cross-list #507)
MALACCA Malacca Straits and Environment and Conflict Aspects, by Sharina Gan Suat Ling ( (TED Cross-list #573)
NATO NATO and Use of Uranium in Military Operations, by Joe Lumpkin (TED Cross-list #581)
IRANPIPELINE Iran to India Pipeline, Conflict and Environment, by Shamila N. Chaudhary (TED Cross-list #611)
JAMES James Bay, Electric Power and Conflict with Indigenous Groups, by Mary-Ellen Foley and Andrew Hamm (TED cross-list #91)
CHOCOLATE-SLAVE Chocolate and Slavery: Child Labor in the Ivory Coast, by Samlanchith Chanthavong (TED cross-list #664)ICE Cases, August, 2005
PLAGUE The Bubonic Plague and the Impact on Venice, by Cara Murphy
ARMADA The Spanish Armada Destruction, by Cerena Mitchell
POMPEII The Destruction of Pompeii and Impact on Roman Empire, by Jackie Gonzalez
NOAH Noah, the Flood, and Water as a Weapon, by Leika Lewis
TUAREG Tuaregs and Civil Conflict in West Africa, by Ann Hershkowitz
KIRKUK Ethnic Conflict and Oil in Iraq, by Raul Burgos
NARMADA The Narmada Dam and Ethnic Conflict in India, by Talib Ellison
ZULU The Zulu and British Wars, by Melissa Barkalow
YANOMAMI The Yanomami in Brazil's Amazon and Conflict, by Stephanie Bier
URRA Urra Dam in Colombia, by Regina Kreger
CHIAPAS-BIOPIRACY The Chiapas Conflict and Bio-Piracy, by Andrew Willis
SAAR German and French Conflict over Alsace, by Sam HenzeICE Cases, December, 2005
ORCHID-WASTE Nuclear Waste Dumping On Orchid Island in Taiwan, by Hui-Yun Chung
KATRINA Hurricane Katrina and Violence, by Jessica Hulse
INDIA-CHINA India and China Border Dispute , by Yuki Kawaguchi
PARANA Land Conflict Use in the Parana Area of Brazil, by Laura Molinari
NIGERIA-CAMEROON Nigeria and Cameroon Kasi Region Border Dispute, by Felicia Price
PYGMY Pygmies in the Congo Basin and Conflict, by Raja Seshadri
TSUNAMI-ACEH The Impact of the Asian Tsunami on the Conflict in Aceh in Indonesia, by Svetlana Sinitchkina
BOLIVIA-GAS The Role of Gas in Bolivian Civil Unrest, by Jason Wilcox
GOBI The Southward Spread of the Gobi Desert and Civil Unrest in China, by Li Zeng ICE Cases, May, 2006
BAGLIHAR Baglihar Dam, by Usman Ahmad
PANAMA-CANAL The Panama Canal and the U.S. Columbia War, by Benjamin Bodnar
SARAYACU Not In My Backyard! The Sarayaku's Fight Against Oil Development in the Ecuadorian Amazon , by Karyn Butcher
MOHENJO , Mohenjo-Daro, Aryan Invasions and Shifting Environments, by Jim Lee
BOLIVIA-CHILE Conflict in the Atacama, by Jacqueline Carpenter
ITURI Gold and Ethnic Conflict in the Ituri Region of the Democratic Republic of the Congo, by Kristin Drake
AZTEC Cortés and Aztec Gold: Initial Conflict and Modern Political Ecology, by Stuart Matthews
TIBET Environmental Degradation in the Tibetan Autonomous Region, by Patrick T. Hughes
KOREA-DAM North Korean Dam and Security Aspects, by Sgt. Sungwoon Kang
GUATEMALA-BELIZE The UK Dispute with Guatemala over Belize, by Jennifer Meyer
KHUZHESTAN Khuzestan: Oil, Ethnicity, and Conflict in Iran, by Gregory Noll
ARMENIA-FOREST Armenian Independence and Deforestation, by Diana Piloyan Boudjikanian
OSSETIA South Ossetian Separatism in Georgia, by Rebecca Ratliff
DIVINE-WIND The Mongol Invasion of Japan: The "Divine Wind" Case , by Debbie Royal
MOLDOVA Transnistria-Moldova Conflict, by Olga Savceac
XINJIANG Ethnic Conflict and Natural Resources: Xinjiang, China , by ICE Research Team
TSUNAMI-THAILAND The Impact of the Asian Tsunami on Southern Thailand Religious Strife ,by Erin Teeling
NORTHWEST-PASSAGE Canadian Sovereignty at the Northwest Passage , by Alicia Zorzetto
CHOSIN Chinese Winter Offensive in Korean War: The Debacle of American strategy , by Kanoko TokunoTED Cross Listings, 2006
AZERI, Azerbaijan and Oil, by Michael Goulet (TED case #156 cross list)
KAZAKH, Kazakstan and Oil, by Vincent Bonner (TED case #256 cross list)
CASPOIL, Caspian Sea and Disputes over Sovereignty, by Kathy Lalazarian (TED case #404 cross list)
MONO, The Los Angeles Aqueduct and the Owens and Mono Lakes, by Kevin Neal (TED case #379 cross list)
PENAN, The Penan of the Borneo Rain Forest, by Karine Roche (TED case #583 cross list) ICE Cases, December, 2006
TASMANIA, Tasmania and the European Invasion, by Rehan Ali
NIGER-LOCUST, Plagues in Niger, by Christina Kaiser
FRENCH-INDIAN, The French and Indian War and Resources, by Katelyn C. Keegan
NICARAGUA, Environmental Effects of Nicaraguan Armed Conflicts, by Ellie Klerlein
DARFUR, The Darfur Conflict and Drought, by Kathryn Milani
SAUDI-YEMEN, Saudi Arabia and Yemen Border Dispute, by Chris Murphy
DARIEN, The Spillover Effect of the Colombian Conflict: Ecological Damage in the Darién Gap, by Sara Trab Nielsen
ERITREA-ETHIOPIA, Eritrea and Ethiopia Continual Conflict, by Jon Stephenson ICE Cases, May, 2007
KURD-WATER, Turkey, Dams, Kurds and Conflict Within and Between Countries, by Navid Ahdieh
SOMALIA-COAL, Somalia Coal Production, Deforestation and the Recent Conflict, by Zachary Baxter
MADAGASCAR, Madagascar Deforestion versus Agriculture Conflict, by Christopher Britton
NILE-2020, Future Demands on Nile River Water and Egyptian National Security, by Hans Catchcart
CHILE-ARGENTINA, Chile and Argentina Border Dispute in a Changing Climate, by Jennay Ghowrwal
BRAHMAPUTRA, India and China Dispute on Brahmaputra River Waters, by Ryan Hodum
MALDIVES, Maldives and Sea Level Rise, by Justin Hoffmann
ANKORWAT, Ankor Wat and Climate Change, by Udom Hong
KASHMIR-GLACIER, Kashmir, Glaciers and Warming, by Samantha Hulkower
HAITI-HURRICANE, Climate Change, Extreme Events, and Haiti, by Sterling Johnson
TUVALU, Tuvalu and Rising Sea Levels, by Jasmine Jones
CLOUD, Chinese Cloud Seeding (Not Available), by Spencer Lewis
DUTCH-SEA, Netherlands Attempts to Defeat Rising Seas, by Vanessa McKinney
SINGAPORE, Singapore's Dependence on Malaysia for Water, by Stephen Morris
BERBER, Berber and Arab Historical Conflict, by Jon Phillips
ANTARCTICA, Antarctica, Ownership, and Climate Change, by Jason Rancatuore
LEBANON-WAR, Impact of Hezbollah and Israel War on Environment, by Andriy Shevstov
CANADA-EEZ, Expansion of Canada's EEZ, by Alicia Marrs
MEKONG-CHINA, The Drying of the Mekong River, by Nargiza Salidjanova