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sexta-feira, 21 de julho de 2023
Capitalismo anal
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domingo, 14 de novembro de 2021
Bauhaus - Kick in the Eye
Melhor som aqui
And he spoke of pastures greenI was never told why
Each journey lasts an age
And my throat feels dry
It must be the lesson
Hidden deep inside
It must be the lesson
So roll the tide
So I began the crossing
My throat burned dry
Searching for Satori
The kick in the eye
I am the end of reproduction
Given no direction
Every care is taken
In my rejection
Kick in the eye
Every care is taken
With my rejection
And my abduction
To my addiction
Every care is taken
With my protection
And my abduction
From my addiction
Kick in the eye
Bauhaus e "Kick in the Eye": origens, estética e significado
Os Bauhaus são uma banda de pós-punk e rock gótico originária de Northampton, na Inglaterra (Reino Unido). Formados em 1978, adoptaram inicialmente o nome Bauhaus 1919, uma referência directa à famosa escola de arte, design e arquitectura fundada por Walter Gropius na Alemanha nesse mesmo ano. A escolha do nome reflectiu a vontade do grupo de unir estética, minimalismo e experimentação visual e sonora, procurando criar uma obra total que transcendesse a música convencional, tal como a instituição alemã procurou unir as várias vertentes artísticas num único movimento.
A canção "Kick in the Eye", lançada em 1981 e integrada no álbum Mask, explora temas como o impacto social, o choque e o confronto com a realidade. O título - uma expressão em inglês que significa levar um "duro golpe" ou passar por uma "desilusão súbita" - serve de metáfora para aqueles momentos da vida em que somos surpreendidos de forma abrupta por uma verdade desconfortável ou uma reviravolta inesperada. Estilisticamente, a faixa enquadra-se no pós-punk e no nascimento do rock gótico, mas destaca-se por uma forte e inusitada fusão com ritmos funk e dub.
O começo envolvente do tema deve a sua magia à dinâmica rítmica singular criada pela banda. A música abre com uma linha de baixo proeminente e pulsante de David J, combinada com uma bateria seca e cheia de groove de Kevin Haskins e o som marcante de blocos de madeira (woodblock) ou claves a dar o tempo. Em vez de entrar logo com guitarras densas e sombrias, o tema estabelece um ritmo tribal, seco e hipnótico através desta percussão incisiva, criando um contraste fascinante entre a energia física da batida e a atmosfera soturna característica do grupo.
No que toca às influências artísticas, literárias e filosóficas, os Bauhaus alimentavam-se do Expressionismo Alemão, do Existencialismo e da literatura decadente e de terror dos séculos XIX e XX.
No Expressionismo Alemão, a influência nota-se na estética dos telediscos e da iluminação de palco. Inspirados em filmes como O Gabinete do Doutor Caligari (1920) e Nosferatu (1922), os Bauhaus usavam luzes rasantes de baixo para cima, sombras alongadas e maquilhagem pálida e angular. Peter Murphy adoptou a linguagem corporal dramática e espasmódica dos actores do cinema mudo expressionista (como Conrad Veidt), transformando o palco num cenário teatral sombrio.
Na literatura, as referências eram explícitas e estruturais. Edgar Allan Poe influenciou o imaginário de decadência e a obsessão pela mortalidade e pelo isolamento, algo evidente em temas como "In the Flat Field". Oscar Wilde inspirou o lado dândi, a estética do romantismo sombrio e a busca da beleza no trágico; a banda homenageou-o directamente na canção "Of Lillies and Remains" e na própria postura visual refinada e maquilhada de Murphy e Daniel Ash. De Antonin Artaud e o "Teatro da Crueldade", os Bauhaus retiraram o conceito de usar o espectáculo não para entreter, mas para agredir os sentidos do público, recorrendo a luzes estroboscópicas violentas, vocalizações guturais e uma entrega física extrema que visava libertar emoções reprimidas.
Filosoficamente, o grupo aproximou-se do Existencialismo e do Absurdismo de Camus e Sartre ao abordar o vazio urbano, a alienação e a perda de sentido na sociedade moderna pós-industrial. A rejeição do materialismo traduzia-se na ausência de adereços supérfluos: em consonância com o princípio da própria escola de arquitectura Bauhaus - onde a forma segue a função -, o grupo despia a sua música de arranjos complexos, reduzindo a sonoridade ao essencial (baixo rítmico, guitarra crua e sem harmonias tradicionais, percussão seca e voz). Essa austeridade formal, combinada com o dramatismo visceral dos seus temas, criou a matriz estética que definiu a subcultura gótica.
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