Mostrar mensagens com a etiqueta Jornalismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jornalismo. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Revolta na SIC. Trabalhadores contestam aumentos milionários na administração



A Comissão de Trabalhadores da SIC emitiu esta segunda-feira um comunicado interno na qual manifesta “o seu repúdio” pela proposta para atualizar a política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e fiscalização do grupo, que será votada no dia 26 em Assembleia Geral.

“É particularmente incompreensível e inaceitável que, num contexto em que a empresa continua a recusar aumentos salariais para os trabalhadores – alegando constrangimentos financeiros, necessidade de contenção e sustentabilidade – surja agora uma proposta que prevê uma revisão transversal em alta das remunerações dos órgãos de administração, bem como o reforço dos mecanismos de remuneração variável e benefícios associados”, escreve a comissão de trabalhadores, no comunicado ao qual o ECO teve acesso.

Italiana MFE já é a segunda maior acionista da Impresa

“Esta opção transmite uma mensagem profundamente errada à organização: a de que existem recursos para valorizar a gestão de topo, mas não para reconhecer o esforço coletivo dos trabalhadores”, termina o comunicado, que apela também a que os trabalhadores participem na greve geral de dia 3 de junho.

Amanhã, em assembleia geral, será votada a política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e fiscalização da Sociedade para o período de 2026/2028.

Esta prevê que o presidente do conselho de administração e presidente da comissão executiva passe a ter uma remuneração de 385.000 euros, à qual se pode juntar uma remuneração variável plurianual, com pagamento diferido a três anos, que com base no cumprimento de uma grelha de critérios pode ir até seis vezes a respetiva remuneração bruta mensal.

A remuneração variável é aplicável também aos restantes membros da comissão executiva, cuja remuneração fixa oscila entre os 254.800 e os 189 mil euros.

O CEO do grupo, recorde-se, acumula também as funções de chairman desde março, altura na qual o conselho de administração passou, com a entrada da MFE, a ter nove membros.

Francisco Pedro Balsemão, que sucedeu nas funções de presidente a Francisco Pinto Balsemão, o fundador do grupo, recebeu no último ano de remuneração fixa 280 mil euros, mais 60 mil de remuneração variável e cerca de 2.300 euros de subsídio de refeição. Francisco Pinto Balsemão, por seu turno, auferiu até 21 de outubro, data da sua morte, cerca de 101,2 mil euros.

No total, o conselho de administração recebeu no último anos 669.216 euros, 609 mil dos quais de remuneração fixa. Com a nova política de remuneração, o vencimento dos órgãos de administração e fiscalização passa para o dobro, ou seja, para 1,2 milhões de euros.

No entanto, o conselho de administração passou a ser composto por nove elementos e, como avançou o +M em abril, foi também criada uma comissão executiva, que não existia na estrutura anterior.

Ricardo Costa assume pelouro das receitas da Impresa

Nesta, Ricardo Costa é chief product officer, Teresa Gonçalves chief financial officer e Ana Costa chief operating officer, fazendo os três parte do conselho de administração.

Contactada pelo ECO/+M, a comissão executiva da SIC e da Impresa começam por “lamentar que a Comissão de Trabalhadores da SIC não tenha procurado obter esclarecimentos sobre este tema antes de enviar um comunicado interno” e lembra que a proposta é da responsabilidade da Comissão de Remunerações, “órgão independente que efetuou a proposta e submeteu-a à apreciação e votação dos acionistas da sociedade”.

“Sem prejuízo do exposto, a Impresa informa que as alterações salariais em causa resultam, no seu cômputo global, numa poupança para a sociedade“, garante fonte oficial do grupo.

Além disso, prossegue, “os reajustes realizados resultam de acréscimo de responsabilidades, seguindo a regra, transversal ao Grupo, de que a qualquer promoção na Impresa deve ser associada um acréscimo salarial, e que os vencimentos dos membros do Conselho de Administração estão alinhados com os valores praticados no mercado”.

No final de fevereiro, os trabalhadores da SIC mandataram a CT para frisar junto da administração a importância de um compromisso para um reajuste salarial, nos 3 meses que se seguiam, no mínimo de acordo com a inflação.

Em resposta, “o Diretor de Recursos Humanos (DRH) deixou claro que a prioridade da Administração, neste momento, passa por “garantir a manutenção dos postos de trabalho, assegurar a estabilidade da organização e criar condições para fazer crescer o negócio“, recorda esta segunda-feira a CT na nota interna.

“A SIC e a Impresa continuarão a proceder a atualizações salariais, e a uma gestão dinâmica dos seus trabalhadores, sempre que isso se justifique, utilizando critérios objetivos e transparentes para esse efeito”, conclui o grupo em declarações ao ECO/+M.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Mendes em primeiro, Ventura em último. As notas de todos (mesmo todos) os comentadores: quem ganhou e quem perdeu ao fim de 28 debates


Vinte e oito debates depois (que pode rever, um a um, aqui) é quase consensual para os comentadores que os avaliaram que Luis Marques Mendes foi quem teve uma melhor prestação. Em média. É esta a principal conclusão de uma análise feita pela CNN Portugal a todas as notas quantitativas dadas pelos diferentes analistas da CNN Portugal, da SIC Notícias, do Jornal de Notícias, do Observador e do ECO: o antigo líder do PSD conseguiu uma classificação média de 13 valores e foi o primeiro classificado em quatro destes cinco meios de comunicação social - só na CNN Portugal ficou em segundo e por causa do último debate, até ao qual também liderava.

A tabela seguinte sintetiza as médias de todas as avaliações, por meio de comunicação social, bem como a média de todos eles. Nota: Eco e JN só avaliaram os principais debates. Pode "clicar" em cada meio de comunicação para ver os rankings individuais.

A avaliação a Marques Mendes por parte dos comentadores dos cinco órgãos de comunicação social manteve-se sempre acima dos 12 valores. Nos extremos, o Observador deu, em média, ao candidato a melhor nota (13,6 pontos) e o Eco a mais fraca (12,1 pontos).

Na análise feita pelos comentadores, Marques Mendes venceu praticamente todos os debates que fez, sendo que aqueles em que teve melhor avaliação foram contra António Filipe (média de 14,4 pontos) e João Cotrim de Figueiredo (média de 14,3). O candidato do PSD acabou por perder só um debate, o último, frente a Gouveia e Melo em que teve um resultado de 11,9. Por outro lado, foi contra Catarina Martins que Marques Mendes teve a sua vitória menos expressiva (12,7 vs 12,2 valores).

Na avaliação à prestação dos debates, é António José Seguro quem consegue a segunda melhor nota no cômputo geral. Feitas as contas, o candidato apoiado pelo PS termina com uma média geral de 12,3 valores, tendo alcançado em média um valor superior aos 13 pontos em três canais ou jornais: CNN (13,3), Observador (13,1) e SIC Notícias (13,2). Já os piores resultados para Seguro vieram, em média, do JN (12,8) e do Eco, para quem o candidato termina com uma média negativa: 9,4 pontos.

À semelhança de Luís Marques Mendes, António José Seguro apareceu como vitorioso em seis dos debates em que esteve presente, sendo a sua vitória mais expressiva contra Henrique Gouveia e Melo, por 3,8 valores (14,4 vs. 10,6). Por outro lado, foi com Catarina Martins que Seguro obteve a sua vitória mais curta, por 0,3 valores (12,8 vs. 12,5). A única derrota registada ao longo dos debates eleitorais ocorreu frente a Marques Mendes, tendo perdido por 0,6 valores (12,2 vs. 12,8).

No final do pódio está João Cotrim de Figueiredo. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal obteve uma média de 11,4 pontos, tendo recebido melhores notas do Observador (média de 12,6 pontos) e da CNN Portugal (12,2 valores) e piores vindas dos comentadores do JN (10,9 pontos) e da SIC Notícias.

Foi contra Catarina Martins que João Cotrim de Figueiredo teve a sua melhor média de notas, tendo vencido esse debate por 1,1 valores (13,2 vs. 12,1). Foi uma das cinco vitórias que obteve ao fim de sete debates. Em contrassentido, o antigo líder da Iniciativa Liberal perdeu em dois desses confrontos, sendo a sua pior derrota com Luís Marques Mendes, por 3,5 valores (10,8 vs. 14,3).

Já o Almirante Henrique Gouveia e Melo surge em quarto lugar no ranking de melhores notas dadas pelos comentadores dos cinco órgãos de comunicação social. Termina esta temporada pré-eleitoral com uma média de 11,2 pontos - menos 0,2 valores do que Cotrim Figueiredo. Entre os comentadores das cinco casas, foi na CNN Portugal que o antigo líder da task-force de vacinação obteve a melhor média: 12,6. Manteve-se acima dos 11 valores na SIC Notícias (11,9) e no Observador (11,1) e as notas mais fracas vieram de comentadores do ECO (10,7) e do JN (9,6).

A maior vitória que Henrique Gouveia e Melo registou foi contra Jorge Pinto, tendo obtido uma média de 12,9 contra 10,6. Destaque ainda para os bons resultados contra António Filipe, onde conseguiu vencer por 1,9 valores (12,7 vs. 10,8). O Almirante, de resto, perdeu em três confrontos, tendo o pior resultado contra António José Seguro, por 4,6 valores (9,8 vs. 14,4).

A completar o top 5 está Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre que ficou a 0,1 pontos da média final de Henrique Gouveia e Melo. O deputado obtém assim um resultado final de 11,1 valores, tendo recebido a melhor pontuação média junto dos comentadores da CNN Portugal (11,8 valores). Já os piores resultados vieram, em média, dos comentadores do Observador que lhe deram uma pontuação final de 10,4 valores.

Jorge Pinto conseguiu três vitórias, a mais expressiva frente a António Filipe, em que, segundo a avaliação dos comentadores, derrotou o candidato do PCP por 0,9 valores. Saiu derrotado, contudo, em quatro confrontos: contra André Ventura (11,1 vs. 12,0), contra António José Seguro (10,2 vs. 11,8), contra João Cotrim de Figueiredo e contra Luís Marques Mendes, num debate que ficou marcado por ser aquele em que teve a melhor avaliação geral de todos (12,7 vs 14,2).

Após o derradeiro debate desta segunda-feira, Catarina Martins e André Ventura compõem penúltimo e último lugar, respetivamente, no que diz respeito às notas dos comentadores. A antiga líder do Bloco de Esquerda termina com uma média de 10,9 valores, tendo perdido em cinco dos sete debates. A derrota mais pesada foi mesmo frente a João Cotrim de Figueiredo, por mais de um valor (12,1 vs. 13,2). Já o melhor debate foi frente a André Ventura, naquele que foi o debate avaliado como o pior de todos (8,8 vs. 8,0).

O líder do Chega é, de resto, o pior classificado feitas as contas aos 28 debates. Para os comentadores analisados, a média de Ventura não vai além dos 10,8 valores, tendo recebido as melhores notas da CNN Portugal (12,6 em média) e as piores do JN (média de 8,6 pontos).

Em seis debates, André Ventura venceu dois dos sete debates em que participou, ambos por margens reduzidas, frente a Jorge Pinto (12,0 vs. 11,1) e a António Filipe (12,0 vs. 10,9). Perdeu cinco confrontos, incluindo uma derrota mínima frente a Henrique Gouveia e Melo (11,3 vs. 11,4,) e a mais expressiva contra António José Seguro (10,6 vs. 12,8).

O melhor e o pior debate
As notas permitem ainda destacar o melhor e o pior debate dos 28, considerando as médias de todos os comentadores.

O melhor debate, no sentido em que recebeu notas médias mais elevadas, realizou-se entre Luís Marques Mendes e Jorge Pinto:

Já o pior debate, seguindo o mesmo critério, realizou-se entre André Ventura e Catarina Martins:

Esta análise contemplou mais de setecentas notas individuais, dadas por mais de cinquenta "avaliadores". Em média, cada debate recebeu cerca de 14 avaliações de comentadores.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Sim, André Ventura admitiu que já votou em José Sócrates


Áudio de entrevista para o livro "Dias de Raiva" prova como o líder do Chega afirma ter-se sentido enganado pelo líder socialista enquanto eleitor. "De facto, via-o com firmeza, coragem. Gostava da forma de ele se exprimir e tudo. Enganou-me uma vez, mas não me enganou mais."

Foi um dos momento mais tensos da noite. No fim do debate presidencial entre João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal, e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, ambos trocaram uma série de farpas.

João Cotrim Figueiredo: Fala tanto das elites, mas não fui eu que fui inspetor tributário a dar conselho a milionários de como fugir aos impostos. Isso é que é trabalhar com as elites. Não fui eu que fui chamado, via minha atividade, a testemunhar em tribunal sobre um caso de vistos Gold em tinha dado um parecer positivo à isenção de IVA - e do outro lado estava quem? Lalanda de Castro, grande amigo de José Sócrates. Mas isto não é surpresa: tu já confessaste que votaste no José Sócrates.

André Ventura: Isso é falso. Nunca confessei, isso é falso, é mais notícias falsas que andam a espalhar.

JCF: A sério? Saiu num livro e num jornal.

AV: De livros, a maior parte sobre o Chega são falsos.

O líder do Chega mente. O caso tem origem no livro Dias de Raiva - Os Segredos da Ascensão de André Ventura (2024, Manuscrito). Na página 33, no capítulo dedicado às origens do líder político, o candidato do Chega explica como viu com entusiasmo a maioria absoluta de José Sócrates, um homem que via com "firmeza, coragem", ocasião em que diz ter votado nele.

A primeira vez que Ventura revelou o sentido de voto foi ainda em 2017, enquanto candidato do PSD à Câmara Municipal de Loures. Em conversa com o jornalista da SÁBADO (e autor deste livro), afirmou: "Era jovem e parecia uma voz do povo. Aqui entre nós, fui um dos muitos que votou nele." Volvidos quatro anos, em entrevista dedicado para o livro, o tema surgiu novamente:

Alexandre Malhado: Havia dentro do PS um discurso populista, na medida em que tivemos o líder José Sócrates.
André Ventura: Enganou-me a mim.
AM: Pois, exato. Chegaste a votar e lembro-me de teres dito que te enganou.
AV: Mas enganou mesmo. Foi o único líder socialista que me enganou. Porque na altura, de facto, via-o com firmeza, coragem. Gostava da forma de ele se exprimir e tudo. Mas depois com a questão da licenciatura e do caso Freeport, fiquei com um pé atrás. Enganou-me uma vez, mas não me enganou mais.

Pode ouvir o áudio deste trecho aqui:Reproduzir Vídeo
Entrevista a André Ventura em 2021 para o livro Dias de Raiva.

Em 2015, no seu próprio livro livro Justiça, Corrupção e Jornalismo — Os Desafios do Nosso Tempo, André Ventura classificou Sócrates como um homem "capaz de lutar contra os interesses instalados" e admite que chegou "a ser influenciado por este movimento" do antigo secretário-geral socialista. "José Sócrates foi um político que me convenceu no seu início, não tanto como secretário de Estado do Ambiente, uma vez que não tive tanto contacto com essa realidade, mas como líder do Partido Socialista. Primeiro, contra João Soares e Manuel Alegre e, depois, como candidato a primeiro-ministro nos seus primeiros anos, tendo-me aparecido como um homem íntegro, como um homem firma nalgumas decisões, capaz de lutar contra interesses instalados, mas o que é que se revelou no fim!?" Na mesma página, os elogios continuam: "José Sócrates era mestre nas encenações, todos os grandes congressos do Partido Socialista sobre José Sócrates continham uma ovação quase estalinista, em que estávamos perante grandiosos cenários, o hino nacional. José Sócrates apareceu quase como salvador da pátria." Há dez anos, concluía que "temos de ser mais exigentes com a democracia, mais exigentes com a verdade."

O debate entre o deputado André Ventura, candidato presidencial apoiado pelo Chega, e o eurodeputado João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), foi tenso e pessoal. Ambos eleitos deputados únicos ao mesmo tempo, em 2019, liderando partidos recém-criados a ganhar assento parlamentar, foi uma disputa entre velhos rivais. “Acho que o maior erro da vida do João foi ter deixado a liderança da IL para ir ter uma reforma dourada em Bruxelas", acusou Ventura. “Tenho uma reforma dourada tão boa que decidi candidatar-me a Presidente da República”, respondeu o liberal. Além da Lei da Nacionalidade e Ucrânia — “Não quero mandar para lá tropas como tu”, atirou Ventura —, discutiram com informalidade, num "tu cá, tu lá", a idade de Cotrim Figueiredo, pedofilia no Chega e o passado de André Ventura enquanto inspetor da autoridade tributária.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Esta é a lista de clientes divulgada por Marques Mendes


O candidato presidencial Luís Marques Mendes divulgou esta sexta-feira uma lista com os 22 clientes da sua empresa, na qual se encontram prestações de serviços em consultoria, comentário e participações em conferências, e que inclui a construtora de Famalicão Alberto Couto Alves.

Numa lista enviada à agência Lusa pela sua candidatura, encontram-se como clientes da sociedade LS2MM, Lda., no âmbito de consultoria estratégica: a Alberto Couto Alves, SGPS, SA; a Associação Portuguesa dos Industriais de Engenharia Energética (APIEE); a Atrys Portugal Centro Médico Avançado, SA, do Porto; a Denominador Comum – Consultoria de Negócios, SA, com sede na Póvoa de Lanhoso; e a Painhas SA, com sede no Porto.

À Lusa, o diretor de campanha, Duarte Marques, desafia os restantes candidato, “a bem da transparência”, a divulgarem “tudo o que se possa suscitar conflitos de interesses”.

McDonald’s e transportes pesados entre clientes

Na sequência de um artigo da revista Sábado, segundo o qual Marques Mendes ganhou mais de 700 mil euros nos últimos dois anos enquanto consultor da Abreu Advogados e na sociedade LS2MM, Lda, o candidato presidencial comprometeu-se a divulgar a lista da sua empresa familiar, após autorização dos clientes, mas não da sociedade de advogados, por colocar em causa o sigilo profissional.

Da lista da sua empresa constam igualmente, no âmbito de conferências proferidas por Marques Mendes: a ARP – Associação Rodoviária de Transportes Pesados de Passageiros; associação de Restaurantes McDonald’s, Brandom – Comunicação, Imagem e eventos, Lda; CBRE – Sociedade de Mediação Imobiliária, Lda; Cimpor – Serviços, SA; Eixo e Debate, Lda; El Circo del Marketing SL; Ger Imotion – Lda; GS1 Portugal; Marketividade – Marketing, comunicação e vendas, Lda; Primavera – Business Software Solutions, SA; Rede Global, SA; Shopitur, SA; a Tabaqueira II, SA; e Tedcom, Lda.

A SIC Sociedade Independente de Comunicação, SA, aparece na lista pelo espaço de comentário que manteve, assim como a Medipress Sc Jornalística e Editorial, Lda, no âmbito de artigos de opinião.

"Quem não deve não teme"
O diretor de campanha de Marques Mendes salientou, na declaração escrita enviada à Lusa, que o candidato presidencial divulgou esta lista “por dever de escrutínio e porque quem não deve não teme”.

“Cumpriu o que prometeu”, declarou, sublinhando que “o escrutínio deve ser para todos”.

“Isto é escrutínio e é correto. Outra coisa são insinuações vindas de alguns outros candidatos, só exibem desespero e baixa política”, afirmou Duarte Marques, que disse que “Marques Mendes resolveu fazer algo de inédito em Portugal em termos de transparência: divulgar a lista de clientes com que trabalhou, na sua vida”.

domingo, 14 de dezembro de 2025

David Galas - Pillar Of Sorrow


“Pillar Of Sorrow” é um single lançado por David Galas como parte do seu álbum The Nihilist (lançado a 12 de dezembro de 2025).

“Pillar Of Sorrow” de David Galas é uma canção que, no seu significado geral, explora sentimentos profundos de isolamento, retirada e solidão, situando-se no centro de uma narrativa interior de afastamento emocional e pessimismo existencial. A faixa foi lançada como terceiro single do álbum The Nihilist, que tem uma estética marcada por temas fatalistas, apocalípticos e introspectivos, refletindo um espírito de dissolução gradual do eu no mundo e uma sensação de desaparecer nas sombras da própria vida. 

O título “Pillar Of Sorrow” pode ser lido como uma metáfora: em vez de um “pilar” que sustenta força ou esperança, trata-se de uma coluna de tristeza — um suporte simbólico firmado na dor emocional que molda ou define o eu-lírico. A letra e a atmosfera da música sugerem uma progressão em que o narrador sente que se afasta do que o rodeia, ficando cada vez mais imerso numa solidão inevitável, como se o mundo exterior perdesse significado e tudo acabasse por se reduzir a uma tristeza persistente e estruturante. 

Curiosamente, apesar deste tema melancólico no plano lírico, a composição musical contrasta com a escuridão da mensagem: a faixa apresenta-se mais acessível, com uma energia que remete para um som goth club e post-punk dançante, o que cria um efeito dual — um ritmo envolvente que caminha lado a lado com um conteúdo emocional pesado. Esse contraste reforça a ideia de que até sentimentos profundos de angústia e alienação podem “soar” intensamente na música, mesmo quando apresentados de forma vibrante ou física. 

No contexto mais amplo do álbum The Nihilist, “Pillar Of Sorrow” insere-se numa sequência de temas que abordam o pessimismo apocalíptico e a sensação de que as esperanças estão a desaparecer, quase como se a música fosse uma expressão artística de resignação perante um mundo que se desfaz — tanto internamente como externamente.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Morreu a escritora e bióloga Clara Pinto-Correia


A escritora e bióloga Clara Pinto Correia foi encontrada sem vida. O presidente da República lamentou a morte da autora e recordou a sua "inteligência" e "brilho".

Clara Pinto Correia morreu aos 65 anos, confirmou esta terça-feira a Editora Exclamação que publicou o seu último livro, Antares, em junho do ano passado.

Segundo o Correio da Manhã, a bióloga, escritora e professora universitária foi encontrada morta em casa em Estremoz esta manhã.

O Presidente da República já apresentou “os seus afetuosos sentimentos” à família, amigos e admiradores de Clara Pinto Correia e disse ter ficado “consternado pela sua partida prematura”.

“Clara Pinto Correia juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho que se expressaram na intervenção oral e escrita, no magistério científico e na comunicação com os outros”, lê-se numa nota no site da Presidência. Clara Pinto Correia era licenciada em Biologia e doutorou-se em Biologia Celular.

“Não deixou nunca ninguém indiferente. Daí o sentido de ausência por todos partilhado neste momento”, acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Clara Pinto-Correia é a autora do romance Adeus Princesa, publicado aos 25 anos e com o qual ganhou notoriedade.

Destacou-se tanto ao nível das ciências, como da literatura, tendo ainda sido cronista, jornalista, apresentadora e até atriz, no filme "Kiss me" (2004), de António Cunha Telles. E algumas polémicas.

A autora Clara Pinto Correia esteve presente no podcast «Mesa para Dois» da Antena 1 - RTP. O foco da conversa com João Gobern foi a obra «Antares», mas também a vida da autora enquanto escritora e jornalista.

A autora foi também entrevistada na Prova Oral, de Fernando Alvim.


Tertúlias célebres
Que morte tão prematura. Os meus sentidos pêsames à família e amigos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Freedom of the Press Worldwide 2025


The ongoing wave of media shutdowns
  1. According to data collected by RSF for the 2025 World Press Freedom Index, in 160 out of the 180 countries assessed, media outlets achieve financial stability “with difficulty” — or “not at all.”
  2. Worse, news outlets are shutting down due to economic hardship in nearly a third of countries globally. This is the case in the United States (57th, down 2 places) Tunisia (129th, down 11 places) and Argentina (87th, down 21 places).
  3. The situation in Palestine (163rd) is disastrous. In Gaza, the Israeli army has destroyed newsrooms, killed nearly 200 journalists and imposed a total blockade on the strip for over 18 months. In Haiti (112th, down 18 places), the lack of political stability has also plunged the media economy into chaos.
  4. Even relatively well-ranked countries such as South Africa (27th) and New Zealand (16th) are not immune to such challenges.
  5. Thirty-four countries stand out for the mass closures of their media outlets, which has led to the exile of journalists in recent years. This is especially true in Nicaragua (172nd, down 9 places), Belarus (166th), Iran (176th), Myanmar (169th), Sudan (156th), Azerbaijan (167th) and Afghanistan (175th), where economic difficulties compound the effects of political pressure.

The United States: leader of the economic depression
In the United States (57th, down 2 places), where the economic indicator has dropped by more than 14 points in two years, vast regions are turning into news deserts. Local journalism is bearing the brunt of the economic downturn: over 60 per cent of journalists and media experts surveyed by RSF in Arizona, Florida, Nevada and Pennsylvania agree that it is “difficult to earn a living wage as a journalist,” and 75 per cent believe that “the average media outlet struggles for economic viability.” The country’s 28-place drop in the social indicator reveals that the press operates in an increasingly hostile environment.

President Donald Trump’s second term has already intensified this trend as false economic pretexts are used to bring the press into line. This led to the abrupt end to funding for the US Agency for Global Media (USAGM), which affected several newsrooms — including Voice of America and Radio Free Europe/Radio Liberty — and, as a result, over 400 million citizens worldwide were suddenly deprived of access to reliable information. Similarly, the freeze on funding for the US Agency for International Development (USAID) halted US international aid, throwing hundreds of news outlets into a critical state of economic instability and forcing some to shut down — particularly in Ukraine (62nd).

Media concentration and the dominance of online platforms
These serious funding cuts are an additional blow to a media economy already weakened by the dominance that tech giants such as Google, Apple, Facebook, Amazon and Microsoft have over the dissemination of information. These largely unregulated platforms are absorbing an ever-growing share of advertising revenues that would usually support journalism. Total spending on advertising through social media reached 247.3 billion USD in 2024, a 14 per cent increase compared to 2023. These online platforms further hamper the information space by contributing to the spread of manipulated and misleading content, amplifying disinformation.

In addition to the loss of advertising revenue, which has severely disrupted and constrained the media economy, media ownership concentration is another key factor in the deterioration of the Index’s economic indicator and poses a serious threat to media plurality. Data from the Index shows that media ownership is highly concentrated in 46 countries and, in some cases, entirely controlled by the state.

This is evident in Russia (171st, down 9 places), where the press is dominated by the state or Kremlin-linked oligarchs, and in Hungary (68th), where the government stifles outlets critical of its policies through the unequal distribution of state advertising. It is also apparent in countries where “foreign influence” laws are used to repress independent journalism, such as Georgia (114th, down 11 places). In Tunisia (129th, down 11 places), Peru (130th) and Hong Kong (140th), where public subsidies are now directed toward pro-government media.

Even in highly ranked countries like Australia (29th), Canada (21st) and Czechia (10th), media concentration is cause for concern. In France (25th, down 4 places), a significant share of the national press is controlled by a few wealthy owners. This growing concentration restricts editorial diversity, increases the risk of self-censorship and raises serious concerns about newsrooms’ independence from the economic and political interests of their shareholders.

The Index’s survey shows that editorial interference is indeed compounding the problem. In over half of the countries and territories evaluated by the Index (92 out of 180), a majority of respondents reported that media owners “always” or “often” limited their outlet’s editorial independence. In Lebanon (132nd), India (151st), Armenia (34th) and Bulgaria (70th, down 11 places), many outlets owe their survival to conditional financing from individuals close to the political or business worlds. The majority of respondents in 21 countries, including Rwanda (146th), the United Arab Emirates (164th) and Vietnam (173rd), said media owners “always” interfered editorially.

Global state of press freedom is "difficult," a historical first
For over ten years, the Index’s results have warned of a worldwide decline in press freedom. In 2025, a new low point emerged: the average score of all assessed countries fell below 55 points, falling into the category of a “difficult situation.” More than six out of ten countries (112 in total) saw their overall scores decline in the Index.

For the first time in the history of the Index, the conditions for practising journalism are “difficult” or “very serious” in over half of the world’s countries and satisfactory in fewer than one in four.

An increasingly red map
In 42 countries — harbouring over half of the world’s population — the situation is classified as “very serious.” In these zones, press freedom is entirely absent and practising journalism is particularly dangerous. This is the case in Palestine (163rd), where the Israeli army has been annihilating journalism for over 18 months, killing nearly 200 media professionals — including at least 43 murdered while working — and imposing a blackout on the besieged strip. Israel (112th) continued its decline in the Index, dropping 11 places.

Three East African countries — Uganda (143rd), Ethiopia (145th), and Rwanda (146th) — entered the “very serious” category this year. Hong Kong (140th) also moved into the red zone for the first time, and is now the same colour as China (178th, down 6 places), which has joined the bottom three countries, alongside North Korea (179th) and Eritrea (180th). In Central Asia, Kyrgyzstan (144th) and Kazakhstan (141st) have darkened the region. In the Middle East, Jordan (147th) plummeted 15 places, largely due to repressive legislation used against the press.

The Index by region: the gap widens between the European Union and other zones
The Middle East-North Africa region remains the most dangerous in the world for journalists, harbouring the mass destruction of journalism in Gaza by the Israeli army. Every country in the region is in a “difficult” or “very serious” press freedom situation, except Qatar (79th). The press is caught between crackdowns from authoritarian regimes and persistent economic precariousness. Tunisia (129th, down 11 places), the only North African country to fall this year, recorded the sharpest drop in the region’s economic indicator (down 7.97 points, down 30 places), due to a political crisis where independent outlets are under direct threat. Iran (176th), where journalists are gagged and all critical viewpoints are suppressed, remains near the bottom of the Index, alongside Syria (177th), which is still awaiting a profound transformation of its media landscape post-Bachar al-Assad.

Out of the 32 countries and territories in the Asia-Pacific region, 20 have seen their economic score decline in the 2025 World Press Freedom Index. The systemic media control in authoritarian regimes is often inspired by China’s propaganda model. China (178th) remains the world’s largest jail for journalists and reentered the bottom trio of the Index, coming just ahead of North Korea (179th). Meanwhile, the concentration of media ownership in the hands of influential groups linked to those in power — as seen in India (151st) — combined with growing economic pressures even in established democracies, means that press freedom in the region faces mounting repression and increasing uncertainty.

In Sub-Saharan Africa, press freedom is experiencing a worrying decline. Eritrea (180th) retained its position as the worst-ranking country in the Index. The economic score deteriorated in 80 per cent of the region’s countries. In the Democratic Republic of the Congo (133rd, down 10 places), where the economic indicator plummeted, the media landscape is hampered by persistent polarisation and repression in the east of the country. Similar patterns appeared in other conflict zones, such as Burkina Faso (105th, down 19 places), Sudan (156th, down 7 places), and Mali (199th, down 5 places). In these situations, newsrooms are forced to self-censor, close or go into exile. The hyper-concentration of media ownership in the hands of political figures or business elites without safeguards for editorial independence remains a recurring problem, as seen in Cameroon (131st), Nigeria (122nd, down 10) and Rwanda (146th). By contrast, Senegal (74th) moved up 20 places as its authorities launched economic reform initiatives, which still need to be implemented and carried out in a consultative manner.

In the Americas, the vast majority of countries (22 out of 28) have seen their economic indicators decline. In the United States (57th), Donald Trump’s second term as president has brought a troubling deterioration in press freedom. In Argentina (87th), President Javier Milei has stigmatised journalists and dismantled public media. Press freedom has been weakened in Peru (130th) and El Salvador (135th), undermined by propaganda and attacks on outlets critical of those in power. Mexico (124th), the most dangerous country for journalists in the region, has also seen a sharp decline in its economic score. Nicaragua (172nd) comes in last in the region and sits at the bottom of the Index, as the Ortega-Murillo regime has dismantled the independent media. In contrast, Brazil (63rd) has continued its recovery after the Bolsonaro era.

Europe still leads the regional rankings but is increasingly divided. 
The Eastern Europe- Central Asia (EEAC) region has experienced the steepest overall decline worldwide, while the European Union (EU)-Balkans zone has the highest overall score globally, and its gap with the rest of the world continues to grow. However, even the EU-Balkans zone is hurt by the media’s economic crisis, as seven in 10 countries (28 out of 40) have seen their economic score decline. What’s more, the implementation of the European Media Freedom Act (EMFA) — which could benefit the media economy — is still pending. The situation is worsening in Portugal (8th), Croatia (60th), and Kosovo (99th). Norway (1st) remains the only country in the world to enjoy a “good” rating across all five indicators of the Index. It held on to its top spot for the ninth consecutive year, increasing its lead over other countries. Estonia (2nd) moved up to second place, closely followed by the Netherlands (3rd), which overtook Sweden (4th) in the world’s top three.

Relatório completo aqui

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Morreu Constança Cunha e Sá, figura singular do jornalismo português


Bem que andávamos desassossegados com o silêncio de Constança e Sá, sobretudo na rede X. Jornalista corajosa e frontal.
 
Ouvir os seus argumentos nos tempos da Troika era um bálsamo numa época bem negra que o País atravessou. Tinha a acutilância e a inteligência como algumas das características mais marcantes.

Outra característica marcante: no debate público em geral, representou sempre um compromisso com a verdade e com a independência editorial.

A primeira visibilidade foi na redação do Independente, do qual foi diretora-adjunta e diretora, tendo ainda sido redatora principal no Diário Económico. Porém ficou ainda mais famosa e conhecemos a sua personalidade na Televisão.

Durante muitos anos, integrou então a redação da TVI, em que foi editora de Política, mas abandonou esta estação de televisão em 2020 quando a Cofina estava em vias de entrar na Media Capital. "Saí da TVI, que durante muitos anos foi a minha casa, por uma questão de dignidade, saúde mental e higiene. Nunca acabaria a minha vida profissional a trabalhar para a Cofina. Lamento", justificou então.

Era assim, uma mulher de valores.

Um ano depois, acabaria por voltar à TVI para fazer comentário político.

Amante de livros e música erudita, fumadora assumida, na vida pessoal foi uma mulher de paixões e prazeres. Constança Cunha e Sá nunca se deixou encantar por carros. Até hoje, não tirou a carta de condução. "Nunca me inscrevi para tirar a carta e já não o vou fazer. Odeio burocracias e papelada", assumiu, sem medo das palavras.

Sentidos pêsames à família e amigos. Sentida vénia, Constança, que nunca se vergou ao sistema plutocrático.

domingo, 30 de novembro de 2025

A silent catastrophe: 600 dead while the world looks away


Did you know that more than 4 million people have been affected by catastrophic floods in Southeast Asia this week and more than 600 have already died?

While much of the Western world went about its normal routines, a climate-charged humanitarian disaster was unfolding across Indonesia, Thailand and Malaysia. According to a recent report from Reuters, over 4 million people have now been directly impacted. Entire communities vanished under water. Families were swept away in the night. Roads crumbled. Landslides buried homes with people still inside. Survivors clung to rooftops as rivers exploded out of their banks and swallowed everything in their path. More than 600 lives lost in a few days and yet Western media attention remains fleeting.

“Research published in 2025 found that global media coverage of natural disasters is heavily skewed toward events in countries with close social or genetic ties to the reporting country meaning that catastrophes in many climate-vulnerable regions are largely ignored.”

A week of unimaginable human suffering
In the hardest-hit areas of Indonesia, the death toll climbed to at least 303. Rescue agencies report many missing, entire villages unreachable because roads and communications infrastructure washed away. In southern Thailand, flooding and landslides pushed fatalities into the high hundreds; in some provinces morgues became overwhelmed. Across the region, tens of thousands have been displaced, homes destroyed beyond repair, farmland submerged or swept away, and local economies devastated. Villages remain cut off inside debris-filled flood zones even as relief efforts struggle to reach them.
Behind every statistic there is a human reality:
⚠️ Children wading through waist-deep muddy water after schools collapsed.
⚠️ Parents carrying their children on their backs through flooded roads, uncertain if home still stands.
⚠️ Families living on damp floors or makeshift shelters, hungry, cold, and terrified as rain continues to fall.
⚠️ Farmers staring at drowned fields, their harvests ruined, livelihoods destroyed, futures uncertain.

This is not a disaster. It is collective trauma. This is not “just monsoon season” — this is climate disruption in real time The scale, intensity, and unpredictability of the flooding are not random. Scientists have long warned that a warming world brings heavier rainfall, more volatile storm systems, and increased risk of extreme floods. Warmer air can hold more moisture; warmer seas feed storms; the result is more frequent and more intense rainfall events. Many experts say that what Southeast Asia is enduring now; unusual, catastrophic floods across multiple countries at once is precisely the kind of climate-driven extreme weather that belongs to the future. Today it is the present. This horrific upheaval should not be dismissed as “just bad luck.” It must be seen as a warning, evidence of a planet growing increasingly unstable under human-induced climate change.

Why the world’s silence is so dangerous
When more than 4 million people are affected and 600+ die in a few days — and yet global attention remains shallow — something fundamental is broken. If tragedies in the Global South are treated as distant background noise. If the suffering of millions remains largely invisible to the world’s richest and most powerful countries.If disasters fueled by climate disruption are not met with sustained global solidarity — then we are not just failing in empathy. We are failing in foresight.

Selective attention kills urgency
And without urgency, we will never mount the global response such a crisis demands. And while Asia drowned, something else happened in London This same week, the UK hosted the first-ever National Emergency Briefing at Westminster Central Hall — gathering more than a thousand politicians, business leaders, media figures, faith and community voices, all briefed by a panel of top scientists, health-, food- and security-experts.

The message delivered behind closed doors was unambiguous: the climate and nature crisis is already a national security threat. The same forces tearing apart lives in Southeast Asia — extreme rainfall, destabilized weather patterns, overwhelmed infrastructure — can strike any country.

What climate-driven disasters trigger there, they can trigger here. The flooding in Asia is not a distant regional catastrophe. It is a front-line preview of what could happen anywhere including countries in the Global North. This is not a regional crisis. This is a national emergency everywhere. The floods decimating lives across Southeast Asia are not “somebody else’s problem.” They are a warning — raw, unfiltered, urgent. If we cannot look at the suffering of 4 million people today.If we cannot grant their lives the dignity of our attention.

Then how will we protect our own tomorrow?
Because geography will not protect us from climate collapse. Borders will not stop rising waters. Storms will not ask permission. The question is not if it will happen here — But when. If we stay asleep, the water will open our eyes but that will be too late. One powerful way to wake up the people in charge is to do what a group of courageous scientists and civil-society leaders just did in the UK: host a National Emergency Briefing and put political leaders directly in front of the facts. Bringing politicians into the same room as independent experts without spin, without filters, without delay, is one of the most effective tools we have to cut through denial and inertia. We Don’t Have Time is proud to be the official media partner for this groundbreaking initiative. On this page, you can rewatch the full briefing, hear from the scientists themselves, and learn how the model works:




quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Transportna - Mariupol


Inside Mariupol: The Ruins of Putin's Fury

20 days in Mariupol - realizado pelo prestigiado jornalista Mstyslav Chernov

Mariupol, cidade portuária no sudeste da Ucrânia, tornou-se um dos casos mais devastadores da invasão russa iniciada em fevereiro de 2022. Logo nos primeiros dias do conflito, a cidade foi cercada e submetida a bombardeamentos constantes que destruíram grande parte das suas infraestruturas, incluindo hospitais, escolas e bairros residenciais. A população civil ficou sem acesso a água potável, eletricidade, alimentos e cuidados médicos, vivendo durante semanas em condições humanitárias extremas. Estima-se que dezenas de milhares de civis tenham morrido, embora os números exatos permaneçam incertos devido ao bloqueio e à destruição generalizada. Durante o cerco, um dos episódios mais marcantes foi o bombardeamento do Teatro Dramático de Mariupol, que servia de abrigo para centenas de pessoas e estava claramente sinalizado como contendo crianças. Os últimos defensores ucranianos, incluindo combatentes do Regimento Azov, refugiaram-se na vasta siderúrgica Azovstal, onde resistiram em túneis e instalações subterrâneas durante semanas até serem finalmente cercados e obrigados a render-se em maio de 2022. Desde então, Mariupol permanece sob controlo russo, embora continue a ser reconhecida internacionalmente como território ucraniano ocupado. A cidade, agora profundamente marcada pela destruição e pela perda de vidas, tornou-se símbolo do enorme impacto humano e material da guerra.

domingo, 9 de novembro de 2025

Jornais do Reino Unido publicam mais anúncios de produtos poluentes do que cobertura sobre o clima



Segundo um novo estudo , os jornais nacionais britânicos dedicaram mais do que o triplo do espaço dedicado à publicidade de indústrias poluentes, como petróleo, companhias aéreas e veículos utilitários desportivos , do que à cobertura das negociações climáticas das Nações Unidas no ano passado .

O total de publicidade com altas emissões de carbono — incluindo publicidade de empresas de combustíveis fósseis, cruzeiros e bancos que financiam petróleo e gás — totalizou 5.086 polegadas de coluna em duas datas importantes durante a COP29, a conferência climática de 2024 em Baku, Azerbaijão, em comparação com 1.745 polegadas de coluna para as próprias negociações.

Com a próxima rodada de negociações, conhecida como COP30 , tendo início em Belém, no Brasil, os jornais provavelmente repetirão o padrão, alertou Andrew Simms, codiretor do think tank New Weather Institute, que conduziu a pesquisa .

“O que as pessoas no Reino Unido verão quando abrirem seus jornais? Algumas poucas matérias alertando-as sobre um desafio urgente que precisa ser enfrentado, mas isso provavelmente será ofuscado por pelo menos três vezes mais anúncios que normalizam a poluição”, disse Simms. “Precisamos de controles semelhantes aos da indústria do tabaco para anúncios que promovem produtos poluentes.”

A pesquisa analisou a cobertura em dez jornais nacionais britânicos, incluindo o Times, o Sun e o Daily Mail, em 11 de novembro, dia da abertura das negociações em Baku, e em 25 de novembro, na manhã seguinte ao término da conferência, quando a cobertura atingiu o pico. Os dez jornais dedicaram, em média, 2,1% de seu espaço editorial à conferência.

Alguns jornais quase não mencionaram os grandes impactos climáticos da época, como as inundações em Valência, na Espanha, ou a tempestade Bert no Reino Unido.

Cruzeiros e pacotes turísticos dominaram a publicidade de viagens durante o mesmo período, representando 50% das promoções de viagens.

O Financial Times foi o único jornal que não publicou anúncios de viagens durante o período, representando 55,7% da cobertura da COP29 em todos os jornais. O Guardian, que não aceita anúncios de empresas de combustíveis fósseis desde 2020, publicou um anúncio de página inteira da Turkish Airlines em uma das datas principais da conferência, segundo o estudo.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos países que proíbam a publicidade de combustíveis fósseis e instou os meios de comunicação e as empresas de tecnologia a pararem de veicular esses anúncios.

“Os jornalistas estão dizendo ao público que os cientistas climáticos estão alertando para a necessidade de pararmos de queimar combustíveis fósseis, mas aqueles que ainda compram jornais impressos são bombardeados com anúncios sugerindo que todos os outros estão aproveitando voos de longa distância e cruzeiros de luxo”, disse Brendan Montague, autor do estudo e editor da revista The Ecologist.

Os jornais The Times, The Sun, Daily Mail e The Guardian não responderam aos pedidos de comentários.

domingo, 2 de novembro de 2025

Dia Internacional pelo Fim da Impunidade para Crimes contra Jornalistas



O Dia Internacional do Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas é celebrado anualmente a 2 de novembro, na sequência do assassinato de dois jornalistas franceses no Mali nesse dia, em 2013.

Esta data tem como objetivo contribuir para a implementação de medidas contra a impunidade dos crimes contra jornalistas ou outros profissionais da comunicação social.

O tema em 2025 é «Chat GBV - Sensibilização sobre a violência de género contra jornalistas mulheres facilitada pela IA». Pretende destacar as ameaças que as jornalistas enfrentam no espaço digital e o efeito inibidor que isso pode ter sobre a liberdade de expressão.

Este tema aborda as crescentes ameaças representadas pelas ferramentas de IA que facilitam e amplificam a violência de género em linha, o assédio, a vigilância e a desinformação de género, de forma desproporcional contra as jornalistas mulheres. O «Chat GBV (Gender-Based Violence)» é um apelo à ação para que todas as partes interessadas combatam a violência de género através de várias iniciativas, incluindo falar sobre o assunto e propor soluções, aproveitando várias oportunidades, tais como fóruns de políticas e defesa, sem esquecer as próprias plataformas digitais.

Este Dia foi proclamado na Resolução 68/163, adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas, a 18 de dezembro de 2013.

Documentos

Resolução 68/163 da AG da ONU que implementa o Internacional para o Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas | ONU [en]

Links relacionados

sábado, 25 de outubro de 2025

Não precisamos de mais coveiros da Democracia

Yuri Klapouh (pintor Ucraniano, nascido em 1963)

Por Carla Castelo
Precisamos de mais cidadãos e cidadãs que intervenham na vida pública e política.
Precisamos de mais projetos comunitários que mostrem que só temos a ganhar com o reforço dos laços de vizinhança.
Precisamos de quem trabalhe com e para as pessoas.
Precisamos de quem não se deixe silenciar.
Precisamos de mais jornalistas que enfrentem a máquina trituradora em que se tornaram tantas redações.
A propósito de mais uma entrevista de AV, agora no papel de candidato a ditador
Há nas televisões jornalistas que são excelentes profissionais, que muito admiro e que continuam a ser uma referência, mas há também uma máquina que impõe cada vez mais a sua agenda de interesses que não são os da busca da verdade e de informar com rigor e isenção.
Isto não é de agora e já deu duas enormes vitórias ao partido que quer enterrar de vez a democracia.
O candidato AV tem sido levado ao colo com dezenas de entrevistas em que faz afirmações e proclamações cada vez mais graves. 
Já não tem pejo em dizer que acabaria com as instituições democráticas. Sim, chegámos ao ponto em que estamos à beira de um precipício.
Pelo tempo de antena desproporcionado e pela banalização da informação-espetáculo, os media têm a sua quota parte de responsabilidade se dermos o passo em frente.

"A maior catástrofe de fome desde a Grande Depressão". América prepara-se para cortar ajuda alimentar em novembro. 42 milhões de norte-americanos afectados!
At least 25 states plan to cut off food aid benefits in November



sábado, 11 de outubro de 2025

Raquel Varela silenciada pela estação pública RTP


Como é público, a nova Direção de Informação da RTP decidiu não continuar a contar comigo nos programas de debate semanal. Quero, ao final destes 11 anos, deixar aqui algumas notas que serão, espero, sinceras e delicadas.

Quero agradecer a quem me convidou, a quem esteve na organização e na produção, dos jornalistas aos técnicos de som, imagem, produção, realização, maquilhagem, cabeleireiro, um trabalho imenso e essencial. Fui acarinhada por tantos.

Quero agradecer aos amigos, colegas, com quem discuti semanalmente os temas, e a muitas outras dezenas de pessoas a quem, consoante os assuntos, telefonei, com quem me reuni para aprofundar saberes que nenhum indivíduo sozinho domina.

Vivi anos em países “nórdicos” onde a sinceridade não é vista como má educação. São países mais adultos e com uma esfera pública mais desenvolvida. Em Portugal, o desacordo frontal é mal visto (a não ser nos programas sobre futebol) e rapidamente se passa de debater ideias a acusar e insultar pessoas. Em suma, as pessoas fogem ao debate porque acham que assim evitam conflitos ou porque assim fomos habituados à força por décadas de ditadura. Mas o que acontece é que a violência verbal, a desconfiança, a coscuvilhice se instalam nessa ausência de debatermos frontalmente as divergências.

A minha saída do comentário semanal da RTP não se deve certamente a audiências, já que em todos os programas onde estive elas subiram. Há, porém, muitos programas sem grandes audiências que são excelentes, outros com grandes audiências que são uma desgraça para o nível geral de educação do país (desqualificam-no e embrutecem-no). Saio por uma escolha política – todas as escolhas são políticas, e devemos falar abertamente delas.

Há um quadro de mudança política no país. Está no poder um Governo da AD, com o apoio da IL, com influência crescente do partido fascista Chega. Há uma situação mundial de degradação do modo de vida e do debate de ideias. O Presidente dos EUA comunica por tweets e memes, e disse querer transformar Gaza num resort. Por cá, o presidente do Chega lidera uma organização racista que usa a mentira como arma política de eleição, e a internet está cheia de perfis falsos que reproduzem a propaganda do Chega. A União Europeia corta o orçamento para a saúde, para a educação, para a agricultura para produzir drones carros e aviões de combate, munições para matar, amputar e dizimar o género humano, a primeira pátria a que pertenço.

Pautei-me todos estes anos por uma defesa intransigente da liberdade de expressão. Mesmo contra um centro-esquerda que considero sem ânimo, moralista e descafeinado. Aquilo a que hoje se assiste é, porém, de enorme gravidade. Tenho vinte anos de carreira como historiadora e professora. Se afirmo que o Chega é fascista não é para produzir efeito mediático. Sou cuidadosa com os conceitos. Estamos a viver a legitimação do irracionalismo, do culto do Estado, da punição, da violência verbal (e física) contra os percebidos como mais fracos e da mentira como “opinião”. Que o Estado tenha legalizado isto é uma coisa, que eu como historiadora o aceitasse seria uma rutura ética com o meu trabalho.

A minha saída de comentadora da RTP fragiliza ainda mais a esfera pública. Não por mim, pois ninguém é insubstituível. Mas porque as vozes como a minha não representam mais uma “opinião”. Reflectem um modo de pensar a sociedade em que vivemos, com demonstração de argumentos e critério de verdade – errando, também -, que discorda abertamente dos grandes mantras da opinião publicada: a inevitabilidade do capitalismo, e da guerra, a naturalização do sofrimento e assédio contra quem trabalha. Defendi a Democracia sem adjetivos, que só pode ser de base, participativa, e a auto-organização dos cidadãos, plenos no uso da Razão, independente do Estado.

A voz pública é uma necessidade. Deve ser séria e diversa. É-o cada vez menos. E é isso que tem levado, também, à quebra de audiências – a repetição ad nauseam dos mesmos argumentos, da mesma falta de imaginação ou de vontade para repensar a sociedade. O que produzimos? Para quem produzimos? Como produzimos? Estas questões, que são centrais para a humanidade, quase nunca são feitas, fagocitadas por uma comunicação ligeira e ideologicamente homogénea.

Estive, por vezes sozinha como comentadora, ao lado das primeiras greves dos estivadores, da greve cirúrgica dos enfermeiros, da paralisação dos camionistas e da greve dos trabalhadores da AutoEuropa contra o trabalho ao domingo, todos alvo de campanhas mediáticas que pareciam verdades indiscutíveis na altura e mentiras descaradas dias depois. E estive, com poucos mais comentadores, ao lado das greves dos professores, médicos, maquinistas, transportes em geral, sustentando o que para mim é óbvio – se há alguém capaz de parar esta deriva para a guerra e para a morte são os trabalhadores organizados.

Nos últimos anos, nunca saí de casa sem que viessem ter comigo pessoas para falar, agradecer, apoiar, conversar. Recebi carinho e afeto, abraços, nos cafés, nos aviões, nas filas de serviços apinhados, nas escolas, entre as empregadas de limpeza de jardins e trabalhadores da ferrovia, motoristas e professores, enfermeiros e médicos. Tudo isso me ajudou a conhecer um país decente, que existe, embora muitas vezes sem voz. Muito obrigado a todas e a cada uma dessas pessoas. Ajudaram-me muito a crescer e a ter força para continuar.

Há um Portugal sentado e outro de pé. O de pé é quem vive do trabalho, e que todos os dias assegura a produção e a reprodução da nossa vida. É nesse país, dos que trabalham, que me revejo e ao qual procurei dar voz. Se fui um pouco voz desse Portugal ignorado, valeu a pena.

Continuarei a fazer ouvir a minha voz e ideias, a defender os trabalhadores e os seus direitos, a dar aulas públicas e conferências, cursos, documentários, livros, a lutar por um outro país assente no bem comum, na igualdade real, na democracia do povo e na liberdade.

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Israelitas concentram 40% das nacionalidades adquiridas em 2023

Das 41.393 pessoas que receberam passaporte português em 2023, os mais representados foram os Israelitas, com 16.377 cidadãos a adquirirem nacionalidade. Estes 40% de israelitas naturalizados são descendentes de judeus sefarditas. Esta informação consta nos últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Do número total de estrangeiros naturalizados em 2023, 24.408 não vivem no país, ou seja, 60% dos cidadãos estrangeiros que adquiriram a nacionalidade portuguesa vivem fora de Portugal.

Os dados divulgados pelo INE revelam também que apenas um quarto de todas as nacionalidades adquiridas foi concedida a estrangeiros que residiam em Portugal há pelo menos seis anos. Destes, 30% são de países de língua portuguesa, como Brasil e Cabo Verde, com uma grande representação de ucranianos e nepaleses no número total de casos.

sábado, 4 de outubro de 2025

Como responder ao colapso social


A ciência e a modelação mostram que a nossa civilização está em colapso existencial, mas e se esta realidade aterradora for o estímulo de que a humanidade necessita para voltar a viver plenamente e com realização? Nesta palestra provocadora, a autora e jornalista best-seller internacional Sarah Wilson explora o lado positivo de perder o que temos dado como garantido. Sarah Wilson é autora de vários best-sellers do New York Times e da Amazon, podcaster, filósofa social e renegada.

É a apresentadora do podcast Wild with Sarah Wilson e escreve a popular newsletter da Substack, This is Precious, que conta com uma comunidade envolvida de 57.000 subscritores.

Sarah é conhecida mundialmente por ter fundado o movimento I Quit Sugar – um programa de bem-estar digital e 13 livros premiados vendidos em 52 países – que viu milhões de pessoas em todo o mundo transformarem a sua saúde. Em 2022, Sarah vendeu o negócio e doou 100% dos lucros a instituições de solidariedade.

O seu best-seller do New York Times, First, We Make the Beast Beautiful, é descrito por Mark Manson como "o melhor livro sobre como viver com a ansiedade que já li" e foi apresentado como livro do ano no Today Show da NBC. O seu livro This One Wild & Precious Life ganhou o prémio US Gold Nautilus de 2021.

Sarah é consultora de empresas e universidades em media, saúde mental e risco existencial. Foi oradora convidada para o curso de mestrado em Sustentabilidade e Liderança da Universidade de Cambridge e estabeleceu parcerias com organizações como o Climate Council, a Universidade de Harvard e a Intelligence Squared em campanhas. Esta palestra foi proferida num evento TEDx utilizando o formato de conferência TED, mas organizado de forma independente por uma comunidade local.