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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Carbofascismo, Transição Verde e o ICNF

No discurso final de Davos, os principais actores mundiais (Donald Trump,Mark Carney,Emmanuel Macron,Friedrich Merz,Ursula Leyen,Volodymyr Zelensky) não disseram uma palavra sequer sobre a crise climática.

Quanto a Portugal não me escapa comentar o recente episódio das declarações do Ministro da Agricultura, enviadas via vídeo aos dirigentes do ICNF. Quando a tutela sugere um caminho de maior agilidade que resvala no facilitismo, o que está em causa não é apenas um deslize comunicacional, mas um sinal político perigoso que ameaça a autonomia da conservação da natureza em Portugal.

𝐎 𝐅𝐚𝐜𝐢𝐥𝐢𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐑𝐢𝐬𝐜𝐨: 𝐚 m𝐢𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐈𝐂𝐍𝐅 𝐧𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐚𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐏𝐫𝐨𝐜𝐞𝐬𝐬𝐨𝐬
A Integridade do "Não"
É urgente reafirmar o óbvio: o ICNF não é uma agência de promoção de investimentos. A sua função primordial é o escrutínio rigoroso. No equilíbrio ecológico, a reprovação de um projeto não representa um bloqueio ou uma falha de sistema; pelo contrário, é frequentemente o maior indicador de que as salvaguardas ambientais estão a funcionar.

O ICNF existe para: avaliar, monitorizar e garantir o cumprimento da lei.
O ICNF não existe para: "acelerar" processos à custa da fundamentação técnica ou "facilitar" licenciamentos em nome do crescimento económico imediato.

A erosão da Autoridade Técnica
Pressionar, ainda que de forma implícita, para que se aprove mais ou se decida mais rápido, desvirtua a missão institucional e fragiliza a autoridade científica dos técnicos que estão no terreno. Quando a política tenta ditar o ritmo à biologia e ao direito ambiental, quem perde é o património natural do país. A missão do ICNF é proteger o território, e essa proteção exige o tempo e o rigor que a lei impõe — sem atalhos.

Não podemos nem devemos aceitar os apelos nacionalistas e de eugenia. O tempo dos recuos nacionalistas esgotou-se perante a emergência climática. Em 2026, a soberania reside na capacidade de tecer alianças transfronteiriças. A nossa única saída é a construção de uma ecologia política comum, fundamentada na transparência e numa economia que respeite, finalmente, os limites planetários.

sábado, 26 de julho de 2025

O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) declarou que os países têm a obrigação legal de agir em relação às alterações climáticas



The UN’s principal judicial body ruled that States have an obligation to protect the environment from greenhouse gas (GHG) emissions and act with due diligence and cooperation to fulfill this obligation.

This includes the obligation under the Paris Agreement on climate change to limit global warming to 1.5°C above pre-industrial levels.


‘A victory for our planet’
UN Secretary-General António Guterres issued a video message welcoming the historic decision, which came a day after he delivered a special address to Member States on the unstoppable global shift to renewable energy.

"This is a victory for our planet, for climate justice and for the power of young people to make a difference," he said.



Reasoning of the Court
The Court used Member States’ commitments to both environmental and human rights treaties to justify this decision.

Firstly, Member States are parties to a variety of environmental treaties, including ozone layer treaties, the Biodiversity Convention, the Kyoto Protocol, the Paris Agreement and many more, which oblige them to protect the environment for people worldwide and in future generations.

But, also because “a clean, healthy and sustainable environment is a precondition for the enjoyment of many human rights,” since Member States are parties to numerous human rights treaties, including the Universal Declaration of Human Rights, they are required to guarantee the enjoyment of such rights by addressing climate change.

Case background
In September 2021, the Pacific Island State of Vanuatu announced that it would seek an advisory opinion from the Court on climate change. This initiative was inspired by the youth group Pacific Island Students Fighting Climate Change, which underscored the need to act to address climate change, particularly in small island States.

After the country lobbied other UN Member States to support this initiative in the General Assembly, on 29 March 2023, it adopted a resolution requesting an advisory opinion from the ICJ on two questions: (1)What are the obligations of States under international law to ensure the protection of the environment? and (2) What are the legal consequences for States under these obligations when they cause harm to the environment?

Judge Iwasawa said the questions “represent more than a legal problem: they concern an existential problem of planetary proportions that imperils all forms of life and the very health of our planet.”

The UN Charter allows the General Assembly or the Security Council to request the ICJ to provide an advisory opinion. Even though advisory opinions are not binding, they carry significant legal and moral authority and help clarify and develop international law by defining States’ legal obligations.

This is the largest case ever seen by the ICJ, evident by the number of written statements (91) and States that participated in oral proceedings (97).

The ‘World Court’
The ICJ, informally known as the “World Court”, settles legal disputes between UN Member States and gives advisory opinions on legal questions that have been referred to it by UN organs and agencies.

It is one of the six main organs of the UN alongside the General Assembly, the Security Council, the Economic and Social Council (ECOSOC), the Trusteeship Council and the Secretariat and is the only one not based in New York.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Esforços de conservação estão a travar a perda de biodiversidade


Os esforços globais de conservação das últimas décadas têm conseguido abrandar a perda de biodiversidade e evitar extinções, segundo uma revisão científica publicada pela The Royal Society.

O estudo, que envolveu investigadores australianos e internacionais, procurou responder a três questões centrais: se a conservação tem reduzido as taxas globais de extinção, se tem permitido recuperar populações anteriormente em declínio e qual o progresso na proteção de áreas naturais a nível mundial.

Apesar de reconhecerem que o estado atual da biodiversidade é “grave”, os autores defendem que há um desfasamento entre narrativas que anunciam uma catástrofe planetária iminente — frequentemente descrita como a “sexta extinção” — e as evidências científicas documentadas sobre sucessos e falhas concretas das políticas de conservação.

Extinções evitadas e populações recuperadas
De acordo com a análise, existem provas de que medidas de conservação impediram a extinção de várias espécies e contribuíram para a recuperação de algumas populações outrora em declínio.

Além disso, a área global de territórios protegidos — tanto em terra como no oceano — tem aumentado de forma consistente. Em muitos casos, essas áreas têm sido designadas em locais considerados estratégicos para reduzir o risco de extinção e favorecer a recuperação de espécies ameaçadas.

Falta medir melhor o que resulta
Os investigadores sublinham, no entanto, que persistem lacunas significativas no conhecimento sobre a dimensão real da perda de biodiversidade. Defendem que o sucesso futuro dependerá da definição de métricas claras e transparentes que permitam avaliar, de forma rigorosa, o que funciona e o que não funciona em matéria de conservação.

Mais do que adotar discursos alarmistas, argumentam, será essencial reforçar a monitorização, melhorar os critérios de seleção de áreas protegidas e investir em políticas baseadas em evidência científica sólida.

A conclusão é cautelosamente otimista: embora a crise da biodiversidade seja real e preocupante, os dados disponíveis mostram que a conservação pode produzir resultados concretos — e que esses resultados tendem a ser mais eficazes quando acompanhados por avaliação sistemática e objetivos bem definidos.

terça-feira, 6 de junho de 2023

Direito de poluir: como uma medida ambiental se transformou num fiasco de biliões de euros


Uma investigação exclusiva de elDiario.es e Le Monde revela como, desde 2005, fabricantes de cimento e aço na Espanha e na França aproveitaram as cotas de emissão de CO2 que lhes foram atribuídas gratuitamente pela UE para revendê-los e aumentar seus lucros financeiros

É uma história de trinta anos avaliada em biliões de euros. Trinta longos anos que não ficarão nos anais da União Europeia (UE) como os mais memoráveis ​​face às alterações climáticas. Durante essas três décadas, as indústrias mais poluidoras como siderurgia, cimento, petróleo ou alumínio receberam cotas gratuitas de emissão de CO2, uma espécie de direito de poluir, para incentivar as empresas a reduzirem suas emissões de gases de efeito estufa.

A ideia geral era que esses direitos de poluir diminuiriam com o passar dos anos. Na verdade, as indústrias mais poluidoras recebiam essas cotas em grandes quantidades, muito superiores ao CO2 que emitiam, então acabavam tendo sobras para revender.

O sistema desviou-se assim de seu objetivo original e tornou-se uma ferramenta financeira que permitia aos beneficiários aumentar seus lucros negociando as cotas. Só entre 2013 e 2021, segundo estimativas do World Wide Fund for Nature (WWF), as maiores indústrias emissoras obtiveram 98.500 milhões de euros e destinaram apenas um quarto deste montante (25.000 milhões) à ação climática.

Após uma investigação que dura oito meses, com o apoio financeiro do fundo Investigative Journalism for Europe (IJ4EU), elDiario.es e o jornal francês Le Monde revelam as zonas obscuras de um sistema que pretendia ser benéfico para a transformação sustentável da indústria e acabou alimentando a lucratividade das empresas mais poluentes. As investigações centram-se em empresas siderúrgicas e cimenteiras de França e Espanha, dois dos setores que mais beneficiaram com estas quotas, e envolvem empresas como a Arcelor Mittal, Cemex, Cementos Portland Valderrivas, Holcim ou Heildelberg Materials.

O Sistema de Comércio de Emissões (SCE) confirma o que há muito se suspeitava: as empresas revenderam parte das suas quotas gratuitas por centenas de milhões de euros

A análise detalhada de suas transações financeiras registradas no Sistema de Comércio de Emissões (SCE) confirma o que alguns já suspeitavam: as empresas revenderam parte de suas cotas gratuitas por centenas de milhões de euros, e até bilhões em alguns casos.

Em 2009, a operação Blue Sky descobriu uma fraude milionária por meio do IVA sobre essas cotas de emissões. De facto, o Tribunal Nacional vai julgar oito grupos internacionais pelo desfalque que, estima-se, tenha causado um prejuízo de 6.000 milhões de euros aos países da UE. Esse caso terminou no tribunal, algo que não vai acontecer desta vez. Os negócios das empresas com venda de direitos de emissão são realizados de forma totalmente legal.

O sistema de cotas gratuitas, lançado em 1º de janeiro de 2005, ainda está em vigor. Está destinado a desaparecer em 2034. Em 18 de abril, o Parlamento Europeu aprovou um novo plano climático que pretende substituí-lo gradualmente por um "mecanismo de ajuste de carbono nas fronteiras" da União, com o objetivo de tornar as importações mais ecológicas dos setores com as maiores emissões de CO2. Optar por um sistema mais simples é uma espécie de mea culpa para a UE, mesmo que ela não tenha admitido oficialmente seu erro.

Rio de Janeiro, Quioto, Al Gore...
A origem desta história remonta à cimeira do Rio em 1992. Foi nessa altura que surgiu a ideia de um imposto sobre o carbono a que as indústrias europeias estariam sujeitas para tornar a economia mais responsável para com o ambiente. A iniciativa não foi unânime entre os Estados-membros. A França, entre outros, bloqueou esta decisão.

Em 1997, o Protocolo de Kyoto colocou essa questão de volta na mesa. Al Gore, então vice-presidente dos Estados Unidos, achou a ideia interessante, mas disse que os republicanos não a aceitariam. Portanto, era necessário imaginar algo mais compatível com o modelo capitalista para agradar aos americanos e preparar uma possível integração dos mercados transatlânticos no futuro.

O Velho Continente criou então um mercado europeu de carbono no qual as indústrias poderiam comprar e vender cotas para regular suas emissões de CO2. “A UE criou do zero um mercado que nunca existiu antes. É a primeira vez na história da humanidade”, afirma Thomas Pellerin-Carlin, diretor do programa Europa do Institute for Climate Economics (IC4E). Hoje, esse mercado é o maior do género no mundo, embora outros estejam surgindo, como na China.

Percebemos que estávamos em terreno escorregadio, que potencialmente teríamos de reembolsar as cotas atribuídas. Tínhamos consciência de que isso não poderia durar, que alguém iria acabar com a diversão em algum momento.
Eric Bourdon - vice-CEO da empresa francesa de cimento Vicat

“Desde o início, questões centrais foram levantadas. Sob qual modelo serão atribuídas as cotas que as empresas trocarão entre si? Devem ser doados de graça ou vendidos? Quem será abrangido pelo mecanismo? As empresas conseguirão economizar cotas de um ano para o outro?”, enumera Julien Hanoteau, professor de economia da Kedge Business School em Aix-Marseille.

O modelo desenvolveu-se rapidamente, embora não suavemente. Todos os anos, a União Europeia decide atribuir quotas gratuitas de CO2 às indústrias, com base nas emissões de gases com efeito de estufa que estimam gerar nos doze meses seguintes. Uma cota equivale a uma tonelada de CO2. Ao final do ano, as instalações industriais devem devolver a quantidade de cotas equivalente às emissões de CO2 efetivamente realizadas.

Caso tenham emitido mais CO2 do que o esperado, podem comprar cotas adicionais de empresas que não utilizaram todas as suas, seguindo o princípio do "poluidor-pagador" idealizado pelos idealizadores desse mercado. Pelo contrário, se tiverem emitido menos CO2 do que o esperado, podem revender as quotas excedentes. As cotas atribuídas a uma instalação –uma fábrica, uma fábrica...– não têm prazo de venda. Uma vez vendidos, eles se tornam simples ativos financeiros que as empresas podem usar sem contrapartida real.

A fase piloto em 2005, com uma lógica inicial que surpreende a posteriori: quanto mais CO2 uma instalação industrial espera emitir, mais direitos de poluir recebe. De 2008 a 2012, outra estranheza se soma: as cotas são atribuídas referentes aos anos de produção anteriores à crise econômica, cujos números são mais elevados. Como resultado, os industriais recebem muito mais ações do que realmente emitem. Cotas que, conforme mencionado acima, podem ser vendidas a terceiros.
“Percebemos que estávamos em terreno escorregadio”

Algumas empresas foram rápidas em expressar reservas quanto aos métodos do sistema EU-ETS, como a espanhola Cementos Tudela Veguín, das Astúrias, ou a francesa Vicat. “Percebemos que estávamos em terreno escorregadio, que potencialmente teríamos que pagar cotas superalocadas. Sabíamos que isso não poderia durar, que alguém acabaria com a diversão em algum momento", admite Eric Bourdon, vice-gerente geral da cimenteira francesa.

Certamente, as regras de alocação foram alteradas em 2009 e depois em 2018. Mas os abusos continuaram, como mostra o último relatório sobre o estado do sistema EU-ETS publicado em 2022 pela European Round Table on Climate Change and Sustainable Transition (ERCST). Os excedentes acumulados de quotas gratuitas apenas estabilizaram em 2013 e ainda assim, num nível muito elevado. Só em 2017 é que as emissões de CO2 começaram a diminuir significativamente em todos os setores.

O Estado poderia ter facilmente recuperado o dinheiro gerado pela venda de cotas para compensar atividades poluidoras, reduzir o IVA ou diminuir o imposto de renda. No entanto, permitiu que as empresas operassem livremente
Julien Hanoteau — Professor de Economia na Kedge Business School em Aix-Marseille

Para o deputado ambientalista Yannick Jadot, que há anos reivindica a eliminação das cotas gratuitas, o diagnóstico é amargo. “O poder público criou um mercado do zero, aceitando antecipadamente todos os abusos inaceitáveis ​​da financeirização da economia”, denuncia o ex-candidato às eleições presidenciais de 2022 na França. O pesquisador Julien Hanoteau compartilha esta análise: “O Estado poderia facilmente ter recuperado o dinheiro gerado pela venda de cotas para compensar atividades poluidoras, reduzir o IVA ou diminuir o imposto de renda. No entanto, essa decisão não foi tomada, mas sim para permitir que as empresas operem livremente”, lamenta.

Um sistema financeiro complexo e opaco
As ações são leiloadas todos os dias às 11 da manhã. A princípio, as transações representavam cerca de um milhão de toneladas de CO2 diariamente. Desde então, o mercado se aprofundou e se sofisticou. Estende-se a cerca de 18 mil estabelecimentos e os industriais, através de bancos, fundos de investimento, corretoras e uma dezena de empresas comerciais, já trocam entre 20 e 30 milhões de toneladas de CO2 por dia, antecipando futuras flutuações no preço do carbono.

“O mercado ficou muito interessante para os investidores. É preciso dizer que o preço do carbono era inicialmente de 7 euros por tonelada, depois subiu para 24 euros em agosto de 2008 e agora está em torno de 100 euros. Há quem preveja que chegue aos 150 euros em 2030 e, entretanto, mais de 80% das transações são especulativas e já não relacionadas com problemas ambientais”, indica Ismael Romeo, diretor da SendeCO2, trading com sede em Barcelona.

Agora há fundos de cobertura especializados nos mercados de carbono que especulam com essas cotas: em 2021 foram trocadas no mercado quase 11 bilhões de toneladas de CO2, com um valor de 683 bilhões de euros

Ivan Pavlovic, especialista em transição energética da Natixis, confirma: “Essas cotas são um estoque, um ativo que pode ser monetizado. Eles são intercambiáveis ​​e não têm limite de uso ao longo do tempo. Agora existem hedge funds especializados nos mercados de carbono que especulam com essas cotas, embora por enquanto continuem sendo minoria”, explica. Em 2021, foram trocadas no mercado quase 11 mil milhões de toneladas de CO2, num valor de 683 mil milhões de euros, segundo a empresa britânica de análises financeiras Refinitiv.

Muito rapidamente, o sistema revelou-se defeituoso. As transações são difíceis de rastrear, mesmo para especialistas do setor. “O sistema é bastante opaco. A todos os níveis, incluindo a Comissão Europeia, ninguém tem uma visão global e unânime. É uma caixa preta. Só os diretores financeiros ou diretores industriais das empresas envolvidas sabem exatamente o que é feito com essas cotas”, reconhece o dirigente de uma comercializadora de cotas de CO2.

Valores que dependem do clima ou do preço do gás
Às vezes, as transações não são justificadas apenas por razões financeiras. “Eles também podem ser inspirados por eventos climáticos ou políticos. Os fornecedores de energia, excluídos do sistema de cotas gratuitas desde 2013 porque o usaram para aumentar o preço da eletricidade, agora são obrigados a comprá-las por conta própria. Às vezes, eles os revendem no final do inverno, se a temperatura estiver mais alta do que o esperado e, portanto, suas emissões de CO2 forem menores. O mesmo acontece se houver inflação nos preços da energia, como durante o verão de 2022, quando o preço do gás disparou”, diz Gregory Idil, trader da Vertis Environmental Finance, empresa com sede em Bruxelas.

De qualquer forma, as empresas relutam em divulgar essas informações, pois as consideram confidenciais para sua competitividade industrial. “As transações são um reflexo da atividade econômica. Se uma empresa diz que vendeu cotas, está potencialmente reconhecendo que sua produção diminuiu”, explica o trader de Barcelona Ismael Romeo.

Vendedor, comprador... Nem todos são iguais no direito de poluir . A siderúrgica britânica British Steel aprendeu isso às custas dele. Depois de se livrar de suas cotas gratuitas para compensar as suas perdas financeiras, ele teve que comprá-las de volta a um preço muito alto para continuar emitindo carbono. Por fim, ele contraiu dívidas excessivas e pediu concordata em 2019.

'Minas de ouro' de vários milhões de toneladas
As empresas adotam várias estratégias contra cotas gratuitas. Alguns venderam em grande parte seus excedentes para obter lucro, outros optaram por mantê-los e outros ainda os compraram de volta. “Vendemos um pouco no começo, mas logo paramos. Agora temos 4,5 milhões de toneladas de cotas de CO2. Teremos que tomar decisões sobre seu bom uso”, explica Eric Bourdon, vice-gerente geral da cimenteira francesa Vicat.

As empresas que venderam ações a seu critério também não ficaram muito atrás, especialmente quando as compraram de volta. Solicitada no âmbito da nossa investigação, a organização internacional de jornalistas Finance Uncovered, sediada em Londres, confirmou o fenómeno da financeirização aplicada a estas quotas de CO2, após análise da base de dados global Orbis, que dá acesso a informação empresarial passada ou recente. A ArcelorMittal, por exemplo, indica em seu relatório anual de 2022 que tinha 154 milhões de euros em "ativos financeiros intangíveis" relacionados a cotas de CO2 em 31 de dezembro de 2021 e 691 milhões de euros em 31 de dezembro de 2022. Conforme explicado pela empresa, este é o resultado de compras que “amadureceram”, o que lhe permitiu reforçar os seus activos de balanço com montantes consideráveis.

Embora se espere que os volumes das cotas diminuam com o tempo, esses estoques podem se tornar verdadeiras minas de ouro, já que o preço do CO2 atingiu € 100 por tonelada em fevereiro de 2023. Algumas previsões chegam a € 700 por tonelada em alguns anos. 

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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Cheias de 2022 - Lisboa e distrito

Haveria de chegar o dia em que Lisboa teria literalmente Sete Rios. Hoje só assim...


Mau tempo em Lisboa. Saiba o que está fechado, zonas mais afetadas, transportes suspensos [Rádio Renascença]

Tudo expectável. É o resultado de muitos atropelos ao ordenamento territorial. É muita falta de respeito pela natureza! É muita inconsciência. É a vida... E esperamos agora, ainda, mais tormenta durante a tarde.

Construções em leitos de cheias, rios entubados, habitações nas encostas quando deviam ser só de árvores (cidades-esponja, como agora se diz) e celebridades que insistem que não há aquecimento global.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Governo deverá aprovar proposta do PAN para aplicar taxa de carbono aos jatos privados


Medida foi apresentada pelo PAN, como proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), e deverá ser acolhida pelo Governo.

Os jatos privados deverão passar a pagar taxa de carbono a partir de 2023, tal como já acontece com os aviões. A medida foi apresentada pelo PAN, como proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2023 (OE2023), e deverá ser acolhida pelo Governo, adiantou o ministro das Finanças.

“É uma boa política que seguiremos”, disse Fernando Medina esta sexta-feira, durante uma audição no Parlamento, referindo, contudo, que o Governo tem ainda de ver a proposta “na sua relação concreta”.

Ainda assim, disse tratar-se de uma “boa medida, que colmata uma falha” que existe “no sistema” e “que tem uma importância em regular uma parte, que se sabe hoje, que tem responsabilidade significativa nas emissões e aquecimento global”.

Esta taxa de carbono tem um valor de dois euros por passageiro e já se aplica atualmente nos voos comerciais. A ideia do PAN é que passe também a ser aplicada aos aviões privados. “É importante corrigir a aplicação desta taxa à aviação executiva, que é geradora de injustiça ambiental, social e económica”, refere a proposta do partido.

O objetivo é que esta taxa de carbono se aplique a “cada voo comercial e não comercial, com partida dos aeroportos e aeródromos situados em território português em aeronaves com capacidade máxima para passageiros de até 19 lugares, inclusive”.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Petição - COP27: Stop Excluding Military Pollution from Climate Agreements


Governments are hearing our demand! This petition is unchanged from that submitted to COP26 in Glasgow, Scotland, in 2021. But that does not mean it has had no impact yet. We protested outside the COP26 meetings. At COP27 there are three official events planned on the topic of militarism and climate within the conference. That’s a result of your efforts! Now is a time to further build the demand for action.

To: Participants in COP27 UN Climate Change Conference, Sharm El-Sheikh, Egypt, Nov. 6-18, 2022

As a result of final-hour demands made by the U.S. government during negotiation of the 1997 Kyoto treaty, military greenhouse gas emissions were exempted from climate negotiations. That tradition has continued.

The 2015 Paris Agreement left cutting military greenhouse gas emissions to the discretion of individual nations.

The UN Framework Convention on Climate Change, obliges signatories to publish annual greenhouse gas emissions, but military emissions reporting is voluntary and often not included.

NATO has acknowledged the problem but not created any specific requirements to address it.

There is no reasonable basis for this gaping loophole. War and war preparations are major greenhouse gas emitters. All greenhouse gas emissions need to be included in mandatory greenhouse gas emission reduction standards. There must be no more exception for military pollution.

We ask COP27 to set strict greenhouse gas emissions limits that make no exception for militarism, include transparent reporting requirements and independent verification, and do not rely on schemes to “offset” emissions. Greenhouse gas emissions from a country’s overseas military bases must be fully reported and charged to that country, not the country where the base is located.


Saber mais:

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Desinformação sobre alterações climáticas leva norte-americanos a duvidarem da ciência



As décadas de desinformação sobre as alterações climáticas deixaram marca e levam muitas pessoas a duvidarem das evidências científicas, adiantam investigadores sobre o tema.

A académica da Universidade de Harvard Naomi Oreskes, que escreveu sobre a história da desinformação sobre as alterações climáticas, considerou “uma tragédia” perceber que “milhões de norte-americanos pensam que os cientistas estão a mentir, mesmo sobre coisas que estão provadas há décadas”.

Eles têm sido persuadidos por décadas de desinformação. A negação é realmente, realmente profunda.

Um dos exemplos foi o memorando tornado público pelo The New York Times, em 1998, em que era revelada a estratégia agressiva das empresas americanas de combustíveis fósseis para reagir à assinatura do Protocolo de Quioto, no qual as nações se comprometeram a reduzir as emissões de carbono, apostando na desinformação para gerar a dúvida no debate público.

O papel das empresas de combustíveis fósseis

As empresas de combustíveis fósseis gastaram muito num esforço para contrariar o apoio à redução de emissões.

Agora, mesmo quando essas mesmas empresas promovem investimentos em energias renováveis, o legado de toda essa desinformação climática permanece e contribui para um maior ceticismo em relação aos cientistas e instituições científicas.

"Foi a abertura de uma caixa de Pandora de desinformação que se revelou difícil de controlar", disse Dave Anderson, do Energy and Policy Institute, uma organização que criticou as empresas petrolíferas e carboníferas por reterem a informação a que tinham acesso sobre os riscos das alterações climáticas.

Maior sensibilização para alterações climáticas

Nas décadas de 80 e 90, quando passou a existir uma maior sensibilização para as alterações climáticas, as empresas de combustíveis fósseis investiram milhões de dólares em campanhas de relações públicas para rebater as provas que sustentavam as mudanças em curso no planeta.

Uma das estratégias passou por financiar grupos de reflexão supostamente independentes que escolheram a dedo dados científicos e promoveram opiniões divergentes destinadas a fazer parecer que existiam dois lados legítimos na discussão.

Desde então, a abordagem abrandou à medida que o impacto das alterações climáticas se tornou mais evidente e as empresas de combustíveis fósseis passaram a divulgar energias renováveis, como a solar e a eólica, ou iniciativas concebidas para melhorar a eficiência energética ou compensar as emissões de carbono.

O investigador da Universidade de Stanford Ben Fanta, também advogado, frisou que “o debate [sobre as alterações climáticas] foi fabricado pela indústria dos combustíveis fósseis nos anos 90, e estamos a viver com essa história neste momento”.

Vivemos dentro de uma extensa campanha de várias décadas executada pela indústria dos combustíveis fósseis.

O impacto dessa estratégia reflete-se em inquéritos à opinião pública, que mostram um fosso crescente entre republicanos e outros norte-americanos quando se trata de opiniões sobre as alterações climáticas.

Embora a percentagem de americanos em geral que dizem estar preocupados com as alterações climáticas tenha aumentado, os republicanos estão cada vez mais resistentes em aceitar o consenso científico de que a poluição proveniente dos seres humanos está a impulsionar as alterações climáticas.

As empresas de combustíveis fósseis negam qualquer intenção de enganar o público americano e apontam os investimentos em energias renováveis como prova de que levam a sério as alterações climáticas.

Numa declaração enviada por correio eletrónico à The Associated Press, a porta-voz do Instituto Americano do Petróleo, Christina Noel, afirmou que a indústria petrolífera está a trabalhar para reduzir as emissões, assegurando ao mesmo tempo o acesso a energia fiável e acessível.

quinta-feira, 10 de março de 2022

Crescer até Rebentar? Os Limites ao Crescimento: A Crise Ecológica

 
Consultar o post: Relatório Meadows

Começou uma nova época geológica: impulsionado pelo aumento contínuo de gases com efeito de estufa na atmosfera desde a revolução industrial, o Antropoceno está a substituir a relativa estabilidade do Holoceno. Apesar dos grandes acordos internacionais como o Protocolo de Kyoto ou o Acordo de Paris e das boas intenções manifestadas em todas as outras conferências climáticas das Nações Unidas, encontramo-nos perante alterações climáticas numa dimensão nunca experimentada pela humanidade que são acompanhadas pela rápida expansão da exploração dos recursos naturais e da destruição dos ecossistemas que sustentam os seres humanos e dos quais fazemos parte.

Utilizando uma abordagem baseada na área biologicamente produtiva necessária para absorver as emissões de carbono e gerar todos os recursos consumidos, a Global Footprint Network apurou que a pegada ecológica per capita está atualmente acima dos limites planetários em todos os continentes, menos em África. Mais, de acordo com dados da Oxfam, é apenas uma pequena elite global que é responsável pela maior parte das emissões: As emissões do 1% mais rico da população mundial correspondem a mais do dobro das emissões da metade mais pobre, e, ao mesmo tempo, os 10% mais ricos são responsáveis por mais de 50% das emissões. Ou dito doutro modo, a população dos Estados Unidos emite, em média, 14.5 tCO2 per capita por ano quando algumas populações de África subsariana têm um emissão de 0.2 tCO2 por pessoa / ano, sendo a pegada carbónica média do 1% do topo mais de 75 vezes superior à da metade da população mundial com menores emissões.

Focando sobretudo nas emissões de carbono e na crise climática, estas abordagens não incluem as outras vertentes da crise ecológica: a restante poluição atmosférica, a poluição de aquíferos, lagos, rios e oceanos, a poluição dos solos agrícolas e das zonas industriais, a presença de produtos radioativos, metais pesados e compostos químicos que podem funcionar como disruptores endócrinos, o lixo eletrónico e os plásticos e microplásticos, e, particularmente, a perda da biodiversidade.

O último Relatório de Avaliação Global da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas em relação à Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES), publicado em 2019, realçou que a Natureza tem sido modificada de forma significativa pela intervenção humana, provocando um declínio da grande maioria dos indicadores dos ecossistemas e da biodiversidade e ameaçando mais espécies com a extinção global do que alguma vez no passado. De acordo com o IPBES, esta perda de biodiversidade representa um sério risco em relação à segurança alimentar. Além disso, as alterações do uso dos solos e a exploração dos ecossistemas marinhos também têm um efeito negativo sobre a Natureza que, por sua vez, é agravado pelas alterações climáticas, enquanto os incentivos económicos à atividade humana têm beneficiado as atividades nocivas em detrimento da conservação e restauração.

Abundam agora as propostas de pactos verdes, novos e menos novos, europeus ou não, para solucionar a crise. No entanto, o Gabinete Europeu do Ambiente analisou detalhadamente as possibilidades de dissociar o crescimento económico dos seus impactos ambientais e concluiu que é impossível atingir o “crescimento verde” dentro dos limites planetários. O Banco Mundial concluiu que a necessidade de produção de minerais, tais como grafite, lítio e cobalto, poderia aumentar em quase 500% até 2050, estimando que mais de 3 mil milhões de toneladas de minerais e metais seriam precisas para o desenvolvimento da energia eólica, solar e geotérmica, bem como o armazenamento de energia. As necessidades energéticas para atingir essa transição ultrapassariam a produção atual e aumentariam ainda mais os impactes ambientais desastrosos. E segundo dados publicados em 2022, as economias mundiais já consomem atualmente mais de 100 giga toneladas (Gt) de materiais por ano, na sua maioria minérios não-metálicos, metálicos e combustíveis fósseis, o que corresponde a quase quatro vezes mais que em 1972, ano da publicação do relatório “Os Limites ao Crescimento”. No últimos anos, de 2018 a 2020, a taxa de reciclagem e reutilização baixou de 9.1% para 8.6%, o que realça a insustentabilidade do uso dos recursos e a inverosimilhança da economia circular no sistema vigente.

Quando as narrativas da transição verde e sustentável são ilusórias e incongruentes, as zonas de sacrifício que este sistema requer já não se limitam a terras longínquas cujo nome mal sabemos pronunciar. O extrativismo e a mineração desenfreada estão a chegar ao interior de Portugal, ameaçando os sistemas biológicos, a produção alimentar e o modo de vida da população local. Embora a resistência se organize e as ações contra a mineração e em defesa da vidatentem fazer-se ouvir, as autorizações para a prospeção e a exploração são emitidas, mesmo que seja em cima do fim do prazo e com legalidade duvidosa. Ao mesmo tempo, a agricultura super-intensiva devasta o Sul do país, nomeadamente perímetro de rega do Alqueva, enquanto Portugal é uma das zonas mais afetadas pelas alterações climáticas no que diz respeito a fenómenos atmosféricos extremos, redução da pluviosidade e seca que neste mês de fevereiro é severa ou extrema em mais de 90% do território nacional.

Estamos a viver em sociedades de complexidade elevada, caraterizadas pelos aumentos substanciais e contínuos da extensão e da intensidade das atividades humanas que provocam uma forte e crescente perturbação do sistema terrestre. A civilização humana, na sua expressão tecno-industrial moderna, representa um sistema termodinâmico não equilibrado que depende de esforço e de energia que é proveniente de combustíveis de alto teor energético, onde um barril de petróleo corresponde a 10.000 – 25.000 horas de trabalho humano. Globalmente, os combustíveis fósseis são responsáveis por aproximadamente 80% do consumo de energia primária, verificando-se um aumento anual contínuo em termos absolutos, apenas interrompido por crises económico-financeiras ou pandémicas, sendo os principais responsáveis pelas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) que têm vindo a aumentar continuamente até ao início da pandemia de covid-19 em 2020.

De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas, as promessas de contribuições nacionais (NDC na sigla inglesa) para reduzir as emissões que foram assumidas até agora são insuficientes e acabam por colocar o mundo a caminho de um aquecimento global de 2,7ºC até ao final do século, incompatível com a estabilidade climática. Quando seria necessário haver uma redução anual de 7,6% da emissão de GEE a nível mundial, mesmo durante o ano de 2020, com a atividade económica fortemente atingida pela pandemia de covid-19, a redução de emissões provenientes de fontes fósseis fora apenas de 5.4%, calculando-se ter havido um novo aumento de 4.9% já em 2021, devido à retoma económica, anulando quase na totalidade a – embora insuficiente – redução em 2020. E, possivelmente, a realidade ainda será pior que as previsões. A China já anunciou o aumento da produção de energia a partir de carvão com os centrais a trabalhar na sua máxima capacidade, tendo a mineração de carvão atingido novos recordes em 2021. Nos Estados Unidos, é a mineração de bitcoins com a sua avidez por energia elétrica que reanima as centrais a carvão prestes a serem desligadas.

Apesar de ser inegável que tenha havido uma maior cobertura noticiosa da crise climática, esta informação está repleta de notícias avulsas sobre ondas de calor, seca, incêndios e outros desastres ambientais, sem relacionar esses fenómenos com um sistema extrativista assente no crescimento exponencial e infinito. Assistimos a debates televisivos sobre as conclusões do Painel Intergovernamental sobre as Alterações climáticas (IPCC) que são interrompidos por diretos intermináveis sobre um qualquer assunto do momento como, por exemplo, a chegada de uma atleta medalhado ao aeroporto, sem nunca enquadrar as verdadeiras causas do problema. Faltam as perguntas diretas ao governo sobre o favorecimento de empresas altamente poluidoras o que é complementado com a inexistência de debates pré-eleitorais com foco na crise ecológica. Claramente, os órgãos de comunicação social hesitam de colocar o próprio sistema em causa e ficam limitados a incluir temas na agenda mediática que não abanam os alicerces da sociedade de consumo atual.

Perante todas as dimensões da crise ecológica, o sistema socioeconómico vigente tem-se vindo a mostrar incapaz de corrigir uma marcha aparentemente irreversível em direção ao colapso, e a lógica intrínseca do capitalismo industrial globalizado acaba por se revelar incompatível com a vida humana dentro dos limites planetários.

Afinal, já estaremos irremediavelmente para além dos Limites ao Crescimento e o colapso tornar-se-á inevitável? Ou ainda haverá algo a fazer para travar este destino e criar comunidades solidárias e conviviais que sejam capazes de se adaptarem às condições do Antropoceno, renunciando ao delírio das desastrosas práticas atuais, restaurando os ecossistemas, e redescobrindo formas de viver que não assentam nas supostas benesses do modernismo tecnológico?

Este artigo insere-se na série de eventos e artigos sobre “Os Limites ao Crescimento – 50 Anos depois: Crescer até Rebentar?”

Em 1972, o relatório ao Clube de Roma “Os Limites ao Crescimento”, compilado por uma equipa internacional de analistas de sistemas do MIT sob liderança de Donella Meadows, falecida em 2001, Dennis Meadows, Jørgen Randers e William Behrens III, analisou as interações entre cinco fatores básicos que contribuem para os problemas que as sociedades modernas enfrentam e que, em última análise, limitam o crescimento num planeta finito: população mundial, industrialização, poluição, produção alimentar e exaustão de recursos. Utilizando modelos informáticos sofisticados, os investigadores tentaram compreender a dinâmica da aceleração progressiva do desenvolvimento global, quer no que diz respeito ao declínio dos recursos naturais, quer em relação à poluição, analisando doze possíveis cenários. Concluíram que continuar como se nada fosse ( “business as usual”) provocaria o colapso dentro de cem anos. Contudo, também seria possível alterar esta previsão, estabelecendo políticas diferentes e podendo assim alcançar uma situação de estabilidade ecológica e económica que fosse sustentável no futuro. Ao mesmo tempo, este equilíbrio global poderia satisfazer as necessidades materiais básicas de cada ser humano, dando a todas as pessoas oportunidades iguais para realizarem o seu potencial. Na época, o apelo a uma discussão das conclusões do relatório por uma comunidade mais ampla, e nomeadamente fora do domínio científico, não fora ouvido e os defensores do capitalismo industrial contribuíram deliberadamente para a perceção pública errada de que o relatório tinha previsto o colapso num futuro próximo, e mesmo antes de 2000. No entanto, os dados empíricos recolhidos desde a publicação do relatório e das suas subsequentes atualizações confirmaram a validade do modelo.

Numa recente entrevista, conduzida por Richard Heinberg para a revista Resilence Dennis Meadows fala sobre o relatório original e a sua visão do futuro, realçando a vantagem de construir redes de pessoas, conviviais e frugais quando o colapso não atingirá todas as pessoas da mesma forma.

“Outra coisa que eu diria é que, independentemente do que acontecer nas próximas décadas, em cada momento há sempre uma oportunidade de fazer muitas coisas diferentes. Algumas delas irão melhorar a situação, e outras irão piorá-la. E é eticamente satisfatório, e provavelmente até eficaz de alguma forma, tentar encontrar as coisas que irão tornar as coisas melhores.”

sábado, 4 de dezembro de 2021

Europe burns a controversial ‘renewable’ energy source: trees from the U.S.

As world leaders pledge more action on climate change, one so-called solution—burning trees for electricity—could undermine progress.

North Carolina’s Cape Fear River is dotted with industrial facilities, cranes, storage containers, large ships, and old cypress trees with large roots anchored in the water. Near the mouth of the river, two white domes, each capable of holding 45,000 metric tons of wood, tower over the river bank.

It’s here, where the river meets the sea, that wood pellets stored in the domes are packed onto a ship and transported across the Atlantic, to be burned in power plants that generate electricity.

Millions of tons of wood pellets, each the length of a fingernail and width of a straw, are replacing coal in Europe. Billed as a clean fuel that helps countries meet their renewable energy targets, these so-called woody biofuels are at the center of a rapidly growing industry valued at $50 billion globally in 2020.

The logic behind considering them a renewable source of energy, like solar or wind, is simple: As long as forests are allowed to regrow after trees are cut and burned, the carbon dioxide released by burning will be absorbed by the growing trees. It’s a net-zero transaction, proponents say—and the European Union and other governments have accepted the argument. Wood is considered a zero-emissions fuel.

At the smokestack, burning wood actually emits more greenhouse gas emissions than coal. But critics of the biomass industry say a complicated global system for counting emissions has created a loophole: Countries are not required to count the carbon emissions emitted by wood-fired power plants. That allows woody biofuels to flourish as a climate solution nevertheless.

Early this year, 500 scientists sent a letter to world leaders warning that logging forests for bioenergy would undermine the fight against climate change. A 2018 study led by one of the signatories of the letter, John Sterman of MIT, supports that view; it says cutting down trees to burn them would be worse for climate over the next few decades.

“It’s the opposite of what we should be doing,” says Andy Wood, director of the North Carolina-based Coastal Plain Conservation Group. “We’re hoping it will be addressed at Glasgow.”

The United Kingdom, which is hosting the COP26 climate conference in Glasgow, Scotland through November 12, is the world’s largest consumers of wood pellets. The Drax Power Station in Yorkshire, once the largest coal plant in the U.K., now runs mostly on wood pellets—including, in 2019, some five million tons imported from the U.S. Drax itself has become a major player in the international wood pellet market.

Environmental advocates fear other countries will soon follow the U.K.’s lead; indeed, Japan and South Korea are now also importing wood pellets, including from a Drax subsidiary. Provisions in two U.S. bills—the recently passed infrastructure bill and a soon-to-be-voted-on reconciliation bill—promote the use of biomass energy. More than 100 scientists are encouraging President Joe Biden to remove these provisions.

“It’s much easier to convert a dirty coal plant to burn another fuel than to do something transformative like create solar and wind,” says Sasha Stashwick, a biomass policy expert at the Natural Resources Defense Council.

Peg Putt, an advocate at the Environmental Paper Network, an international organization dedicated to making the paper and pulp industries greener, says the issue of how carbon emissions from biomass burning should be counted is too often ignored. She and other experts don’t really expect much of a discussion at COP26.

“We need to crack through the notion that biomass accounting is some technical thing that most people can't understand and that therefore is best left to the technical experts,” says Putt. At climate conferences, she says, “As soon as you start trying to talk to the negotiators for the different parties, their eyes glaze over.”

The problem with wood

Yet it’s actually not too complicated to understand why scientists and environmentalists say burning wood is not a simple net-zero exercise.

The most fundamental problem is one of timing. The biomass industry argues that emissions caused by cutting and burning trees are offset by the trees that grow in their place—but trees take a long time to grow.

“There is a carbon debt that occurs when you harvest trees, and it still takes young trees a long time to recover the carbon stock that was lost,” says Rich Birdsey, an expert on forest carbon budgets at the Woodwell Climate Research Center.

“It’s like you draw down your checkbook and you create a debt in your account,” says Sami Yassa, a scientist at the Natural Resources Defense Council. “That’s what’s happening in the atmosphere. In order to repay that debt with forest regrowth, the basic math tells you it’s going to take decades.”

The Sterman study estimated that the carbon “payback time” for wood-burning ranged from 44 to 104 years, depending on the type of forest. In the meantime, it said, power plants that burn wood are adding CO2 to the atmosphere, just as if they were burning coal.

And in the meantime, ice continues to melt, seas continue to rise, people continue to be displaced by extreme weather—the scientific consensus, repeated again and again at COP26, is that the world can’t wait to dramatically reduce its emissions.

What’s more, there are at least two reasons why cutting down trees today to burn in power plants could add even more carbon to the atmosphere than burning coal. First, the trees immediately stop doing what living trees do—they stop removing carbon from the atmosphere. Nothing like that happens when you mine coal.

Second, wood burns less efficiently than coal or gas. Per kilowatt-hour (kWH) of electricity generated, it emits one and a half times the carbon dioxide of coal and three times that of natural gas.

In 2019, according to a recent report by the policy research group Chatham House, U.K. power plants burning wood pellets emitted as much as 16 million metric tons of carbon dioxide, roughly equal to what comes out of six to seven million car tailpipes. If those emissions had been counted, it would have added as much as 27 percent to the electricity sector’s emissions—and up to 3.6 percent to the U.K.’s total greenhouse gas emissions for that year.

But like other governments, the U.K. does not count CO2 emissions from wood burning.

A dangerous loophole

In the mid-1990s, when scientists were devising a scheme for counting global emissions under the UN Framework Convention on Climate Change (UNFCCC)—the treaty that gave rise to the annual COP meetings— they decided that emissions would be counted where they were created, at the smokestack or tailpipe. So if Europe imported oil from Saudi Arabia, Europe would be responsible for the emissions created from burning it.

But trees are different from oil.

“They turned to land use and said, ‘When you cut down a tree, it’s hard to track what happens to the carbon,” says Tim Searchinger, an expert on climate change policy at Princeton University and a senior fellow at the World Resources Institute. “Some [carbon is] lost to the forest. Some to a paper mill. Some when the paper is thrown into a landfill. So we’re going to have a different rule in the land-use sector that says you count the carbon when the tree is harvested.’”

When national governments began trying to regulate and limit carbon emissions under the 1997 Kyoto Protocol, they incorporated what Searchinger calls a “critical accounting error”: They exempted all bioenergy from emissions limits at the smokestack without placing limits on emissions from land use. In effect, they decided that all bioenergy was carbon-neutral, even if it came from cutting down a forest.

“A rule designed to avoid counting the carbon from harvesting and burning trees twice became a rule that never counted this carbon at all,” says Searchinger.

International policymakers haven’t just failed to limit biomass burning, Searchinger and other opponents say—they’ve incentivized it.

In 2005, when Europe created its emissions trading system, capping emissions from power plants and factories and forcing them to purchase emissions allowances, it exempted bioenergy. A power plant burning coal could start burning wood pellets, and on paper its emissions—and thus its costs under the EU scheme—would appear to have plummeted.

“The whole wood pellet industry is basically being driven by this,” says Searchinger.

In 2009, Searchinger and his colleagues published a study outlining this reporting error. In response, he says, “everyone ignored it.”

By that same year, the EU was issuing more than a billion U.S. dollars’ worth of subsidies to biomass companies that could help countries meet their clean energy targets, says the NRDC’s Yassa. Soon there was not enough wood in Europe to meet demand.

“You had this giant sucking sound across the Atlantic,” Yassa says, as the European market suddenly created lucrative incentives to cut down trees in the U.S.

The U.S. EPA reports emissions resulting from forest loss to the UNFCCC in its annual greenhouse gas inventory. But since there is no tax or other limit placed on such emissions, it doesn’t really matter. Globally, few countries have tried to place limits on land-use emissions.

“The mere fact that the U.S. reports more emissions doesn’t stop Europe from encouraging [the biomass industry], claiming to be reducing emissions even while the real effect is to increase them,” says Searchinger.



Wood pellets, roughly the size of a cigarette filter, are exported from the U.S. and burned for electricity around the world.PHOTOGRAPH BY ERIN SCHAFF, THE NEW YORK TIMES/REDUX

Local as well as global impact

On the ground, Scot Quaranda, from environmental advocacy group Dogwood Alliance, saw immediate threats to North Carolina’s forests as soon as European demand for wood pellets began to surge.

“Honestly, it was pretty devastating,” Quaranda says.

Maryland-based Enviva, the world’s largest biomass producer, ships wood pellets from southeastern states in the U.S. to the U.K. The company says it promotes healthy forests by selectively logging certain trees to give others more room to grow, and that it uses wood that has little to no value.

But environmentalists say that description does not tell the full story. The NRDC, Dogwood Alliance, and the Southern Environmental Law Center published a report in 2019 that exposed destructive logging practices by Enviva, accusing the company of cutting wetland forests throughout the Southeast—forests that are critical for biodiversity.

In an emailed statement, Enviva called the report “inaccurate and misleading,” pointing out that biomass collected for wood pellet production from Enviva and other producers represents just 3 percent of wood products extracted from Southeast forests every year.

While nearly a third of Enviva’s wood is sourced from residues or trees thinned from forests, the company notes that 69 percent of it comes from clear-cutting what it describes as low-value wood.

“When done properly, and in line with forestry Best Management Practices for protecting soil and water quality, clear-cutting creates good conditions for replanting, which encourages landowners to continue keeping that land in forest cover,” says an Enviva spokesperson.

There is evidence of property owners in the Southeast being encouraged by demand for wood pellets to plant trees. According to Brent Sohngen, an expert on environmental economics at Ohio State University, that points to a way in which wood-burning could still turn out to have a climate benefit—at least in an ideal world.

In 2017, Sohngen and his colleagues published a study showing that a rising price on carbon could drive property owners to expand forested land dramatically, if they were compensated for the carbon pulled out of the atmosphere and stored in their trees. Within a few decades, wood-burning for electricity could kick in, without damaging climate—because its carbon debt would have been paid in advance by the forest expansion.

The market for wood pellets, combined with the carbon price, might then drive a further expansion of forests.

“Ultimately there’s more carbon in forests,” Sohngen says. In that scenario, burning wood is indeed a better alternative than burning coal.

Acknowledging this debate, Sohngen published additional research in 2020 arguing that growing demand for forest biomass would lead to a greater supply of trees, and—if these forests were properly managed—would increase carbon sequestration.
An emerging industry takes hold in the south

None of the trees sourced by Enviva come from land the company owns. Instead, it relies on small landowners like Charlie King, owner of 60-acre Stone Mountain Farm just north of Fayetteville, North Carolina.

In 2014, a plot of trees on King’s property became infested with Ips beetles, which burrow into pine trees and kill them. By 2019, he realized his trees couldn’t be saved. With no other market for infested wood, he called Enviva.

“The service they provide can’t be found anywhere else,” says King. With the money he made selling his timber, he has planted new trees that will grow in their place.

This relationship is Enviva seen in its best light, and King was featured in the company’s 2020 sustainability report as an example of how Enviva helps local communities.

Helping landowners retain ownership of their forests is one way the industry says it’s promoting sustainability. Better to log some private forests than to turn them all into neighborhood subdivisions and parking lots, proponents say.

Yet for some, the wood pellet industry’s growing presence has made life worse.

Sherri White-Williamson is the environmental justice policy director at the North Carolina Conservation Network. She says the heavily industrialized town of Clinton, where she is based, has been hit hard by Enviva’s wood-pellet processing plant. There’s an unpleasant odor, she says, and residents report the buzz of sawmills at all hours and sawdust covering their homes and streets.

A study published in 2018, showed that pellet facilities were 50 percent more likely to be located in communities where poverty levels are high and at least a quarter of residents are not white.

“You have facilities grinding up trees all day every day, to the point where locals are having to sweep off their roofs, clean up their cars. You’re seeing increased asthma,” says Quaranda of the Dogwood Alliance.

“If there is a specific concern or complaint, we always take it very seriously. We investigate the complaint and take mitigation measures,” says Yana Kravtsova, executive vice president of communications at Enviva. “We live and work in the same communities. If something is going wrong, we hear about it.”

An industry poised for growth

In a 2018 commentary in Nature Communications, Searchinger and his colleagues calculated that to generate just 2 percent more electricity from wood-burning, the world would need to double wood harvests. Environmental advocates fear the wood pellet industry will indeed keep growing if emissions rules aren’t changed.

In the European Union's “Fit for 55” framework for reducing emissions by 55 percent by 2030, biomass energy is still labeled as carbon neutral. But in a report published in 2018, the U.K.’s Committee on Climate Change said biomass energy should be limited. The country has contracts extending subsidies through 2027, but when they end, the committee discouraged further use.

These findings haven’t stopped the industry from betting on growth.

Earlier this week, the EU’s climate policy chief, Frans Timmermans, told reporters that Europe needed to rely on biomass to meet clean energy goals. And just before the climate conference began, Louisiana Governor John Bel Edwards visited the Drax power plant, saying he looked forward to continuing to work with the biomass consumer.

In the U.S. Southeast, from southern Virginia to the Texas Gulf Coast, there are now 23 facilities processing trees into wood pellets that are then exported to Europe. An additional eight have been proposed throughout the same region.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

For A Worse Tomorrow

Extinction Rebellion activists hold a “die-in” protest in front of the Mercer building, as the UN Climate Change Conference (COP26) takes place, in Glasgow, Scotland, Britain, November 8, 2021.


With 98 months to halve global emissions by 2030, COP26, the world’s “last best hope” was—at best—disappointing.

The Cairo Review’s assistant editor, Ariana Bennett, spoke with journalist Dahr Jamail about the outcome of COP26, the death trap of fossil-fuel capitalism, and the uncertain future of our planet. Jamail has covered the climate crisis for Truthout and is the author of the book The End of Ice: Bearing Witness and Finding Meaning in the Path of Climate Disruption.

The 26th UN Climate Change Conference produced an outcome document that Jamail deemed a failure. While the outcome text made an unprecedented reference to the role of fossil fuels in global warming, progress was clouded by a last-minute change to phase “down” instead of phasing “out” coal, the largest source of carbon dioxide emissions, due to pressure from India and China.

Given the agreements included in the Glasgow Climate Pact, experts estimate warming will reach 1.8 to 2.4 degrees Celsius by 2100. Limiting warming to 1.5 degrees Celsius is a pipe dream, Jamail said. To remain in compliance with this target set by the 2015 Paris Agreement, the world needs to wean itself off fossil fuels and the resultant dependent economy. The world needs to reduce emissions by 45 percent to reach carbon neutrality by 2050. However, emissions are expected to rise 14 percent in the next nine years.

Parties will reconvene before the end of 2022 at COP27, set to be held in Sharm El-Sheikh, Egypt, to revisit their Paris Agreement commitments.

Cairo Review: Are these Conferences of the Parties (COPs) generally effective?

Dahr Jamail: “In general, I would say definitely not, as far as engaging or enforcing policies internationally that would actually bring carbon dioxide emissions down. In short, there is nothing binding in these agreements that cause them to be enacted in a physical way, which has to happen.”

Specifically pertaining to the Glasgow Climate Pact, he said, “[parties] admit that emissions must fall by nearly 50 percent from 2010 levels by 2030 for global warming to be kept at 1.5 degrees Celsius above pre-industrial baseline levels. And yet, under the existing emissions reduction pledges, emissions will be nearly 14 percent higher by 2030 than they were in 2010.”

Additionally, rich countries consistently avoid financial responsibility for their disproportionate share in causing the climate crisis, he said. The Glasgow Climate Pact commits developed countries to doubling climate financing within the 2021-2025 $100 billion annual target; however these same countries were unable to meet a similar goal set for 2020 in 2009.

These broken promises foster distrust among developing nations in COP summits. Countries can make pledges all day long but until binding commitments are agreed to, with penalties incurred if conditions are not met, pledges do not carry any substance, Jamail said.

CR: Given the disappointment following COP26, what made COP3 (Kyoto Protocol) and COP21 (Paris Agreement) successful?

DJ: “Define success…I would define success only as rich countries taking full responsibility for the havoc that they’ve caused to the planet, footing the entire bill for poor countries, and immediately bringing carbon dioxide emissions down, like the example we saw during the pandemic. Nothing short of that kind of global reaction is worth anything at this stage of the game.”

CR: Would you call the outcome of COP26 successful?

DJ: “I think it was a dismal failure, and I’m not using that adjective lightly. It couldn’t even get countries to pledge to phase out coal or reduce subsidies to the fossil fuel industry or to protect forests…I’ve heard it referred to as the COP-out 26, and I think that’s very applicable.”

CR: What are your thoughts on the media coverage surrounding COP26?

DJ: “Context is everything, and by and large the context of the coverage of COP26 is completely lacking the context of the scale of the emergency and how far along in the crisis we are.” Calling 1.5 degree warming a “fantasy,” Jamail said, “we’re still locked in to catastrophic changes by 2100. There’s nothing to indicate, with what’s on the table, that global temperature rise is going to be kept anywhere below 5 degrees Celsius…Everything we’re witnessing today is just from 1.2 degrees warming.”

The severity of the crisis is unparalleled. According to a 2019 study, humans are injecting carbon dioxide into the atmosphere at a rate ten times higher than it was during the paleocene eocene thermal maximum (PETM), a global warming event 56 million years ago to which there is no modern geologic equivalent. It is likely to be repeated within the next few hundred years, Jamail said.

“Three months after that study was published we hit 415 parts per million (ppm) of carbon dioxide in the atmosphere, and less than two weeks after that, the International Energy Agency announced global carbon emissions set a record in 2018, 2 percent higher than the previous year. Things are unravelling at a rate that is alarming, and coverage should be alarmist. In my opinion, it doesn’t go nearly far enough when you look at what’s actually happening to the planet.”

CR: What are some agreements you would have liked to see come out of the conference, from both developing and developed nations?

DJ: “I think developed countries have to foot more of the bill, if not the entire bill, of the costs developing countries are incurring from climate crisis-caused disasters. The developing countries are emitting almost negligible amounts of carbon dioxide compared to countries like the United States, India, China, and Russia, yet they are the ones paying disproportionate amounts of money to rebuild and keep themselves afloat as the disaster commences.”

He also highlighted the importance of putting an end to fossil fuel subsidies. At the conference, there were more than 500 lobbyists representing over one hundred fossil fuel companies—representation greater than any single country. In fact, despite claims of safety and inclusivity, COP26 campaigners warned the event would be the whitest and most privileged conference to date as attendees faced lack of access to vaccines and changing travel rules.

UN Secretary General Antonio Guterres acknowledged the plight of women, youth, indigenous communities, and those on the frontlines of the climate crisis, recognizing their disappointment in the face of insufficient commitments from national governments.

“I would imagine that the groups of people he issued that apology towards probably don’t want it,” Jamail said. “Talk is cheap.” Immediate action and compensation are what nations—who are literally going under water—desperately need, he emphasized.

CR: How do the discordant actions of policy leaders, such as taking a private jet to a climate conference, affect public perception of the climate crisis?

DJ: “It only breeds more cynicism and, I think, hopelessness when you see people continuing along the lines of business as usual while the planet literally burns.” The message sent to young people and activists is disheartening, he added. While Greta Thunberg opted to take a train to the conference, Jamail asked, “Could you imagine Joe Biden taking a boat, for example? I think it’s a pretty sad state of affairs when we have to rely on a Scandinavian schoolgirl to exhibit appropriate behavior during a crisis.”

CR: There’s been a larger emphasis recently on climate adaptation as opposed to merely mitigation, in light of the severe climate events of the past year. What do you think of this transition and how can countries implement both in tandem?

DJ: “I think the only thing left to do is move towards adaptation. That does mean taking radical steps, like abandoning the idea of the perpetual growth economy, and that means everything has to become a lot more local. Shipping goods around the globe is a dinosaur system. It’s going to go away whether we like it or not. The more actively countries can start adapting to that now, as opposed to being forced to, the easier that transition will be.” Increased local production, with the help of advanced manufacturing and automation, can help reduce maritime transport, which accounts for 2.5 percent of global greenhouse gas emissions.

Capitalism’s perpetual growth, driven by the fossil-fuel economy, is incompatible with emissions reductions targets, and euphemisms like “green capitalism” are merely “psychological protection,” Jamail argued. “The idea of perpetual growth is ridiculous; it’s impossible, and it’s insane,” he said. “Deep sacrifices have to be made, especially in developed countries.” Sacrifices, Jamail said, like those made during pandemic lockdowns, which proved that when necessity and government preferences align, changes can be made rapidly.

“Bottom line, there is no way we can maintain the global economy and lifestyles in developed countries that we have today. Full stop.”

CR: While adapting to climate change how will countries tackle the predicted influx of climate refugees?

DJ: “That is one of the biggest issues that governments face going forward, even in the United States. The Pentagon noted in their annual report that [climate refugees] are one of the biggest security threats going forward not just in the United States, but globally. We know, from studies that have come out, that the number of climate refugees every year is going to increase into the hundreds of millions going forward…We’re going to see displaced people in numbers we’ve never seen from any war or anything else before.”

CR: Was there a significant emphasis on the Middle East and North Africa region during COP26?

DJ: “The short answer is no, absolutely not….There was not nearly enough attention brought to the climate havoc that’s already being wrought upon countries in Africa and the Middle East.”

Poor countries and developing countries, who emit negligible amounts of carbon dioxide, bear the brunt of higher temperatures, droughts, wildfires, and infrastructure loss from climate disasters, he said.

CR: Saudi Arabia is praised for its fight against climate change in the region, yet wants to remain a leader in global energy markets while phasing out hydrocarbons. What do you think?

DJ: “How is that possible? Talk about speaking out of both sides of your mouth. You can’t have one without the other. If you are going to be serious about transitioning and getting off oil and gas and reducing your carbon dioxide emissions, you have to abandon the fossil fuel economy. Period.”

CR: Yet, Western countries also have a hand in perpetuating oil dependence in the region…

DJ: “Because all of our economies are fossil fuel-based. Without that deep, deep, deep collaboration, the global economy is not going to continue to function. The United States has a deep stake in the perpetuation of dictatorships and regimes in oil-rich countries so the United States maintains access to that oil and gas.”

A COP26 funeral was held on the conference’s last day by the international environmental activist movement, Extinction Rebellion, mourning the “failed process” of COP26—a harsh reminder of the hard work left to do. Jamail encourages people to start behaving according to the crisis we are in, where today is better than tomorrow. “It’s only going to keep intensifying,” he warned.