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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Encontros Improváveis: Paul Éluard e Steven Mcloughlin


O perfume do espelho verde

A terra acorda vestida de azul,
Uma nudez de pétalas onde o vento se perde.
Não há caminhos entre as árvores,
Há apenas o olhar que se dissolve no infinito.

Eu toco na luz que atravessa as folhas,
Como quem toca nos teus cabelos ao amanhecer.
O bosque não esconde os seus segredos,
Exibe-os nesta tapeçaria de silêncio e cor.

Aqui, o tempo é um rio estagnado de flores,
Onde o rosa e o azul disputam a primazia da sombra.
Viver é este deslumbramento:
Ser árvore, ser haste, ser a claridade que nos salva.

O mundo é belo como um rosto reencontrado
No fundo de uma floresta que nunca termina.

Meu poema, baseado na leitura do livro Capitale de la douleur (1926), de Paul Éluard

Steven McLoughlin é um reputado artista britânico, nascido em 1970 em Derbyshire, Inglaterra, que se tem vindo a destacar no panorama da arte contemporânea pelo seu olhar único sobre as paisagens do Reino Unido. Maioritariamente autodidata, McLoughlin trabalhou durante vários anos no setor da arte comercial, um percurso que lhe permitiu consolidar uma extraordinária destreza técnica antes de se dedicar por inteiro à pintura de estúdio e de ar livre.

O seu estilo artístico insere-se num Impressionismo Atmosférico Contemporâneo. Mais do que uma reprodução literal ou fotográfica da realidade, o pintor procura captar o "estado de espírito" (mood) e a carga emocional de um lugar, deixando-se guiar pelas constantes mutações do clima e das estações do ano. As suas telas evocam uma profunda sensação de tranquilidade e nostalgia, convidando quem as observa a entrar na narrativa visual da obra, seja através de um caminho sugerido ou de uma clareira de luz.

No que toca à técnica, a luminosidade quase etérea que se observa em obras como Bluebell Forest é alcançada através de um processo minucioso. McLoughlin combina óleos e meios mistos, recorrendo frequentemente à técnica de vitrificação (glazing). Este método consiste na aplicação sobreposta de múltiplas camadas de tinta extremamente finas e translúcidas. Como resultado, a luz consegue penetrar estas películas e refletir-se a partir das camadas inferiores, conferindo ao tapete de jacintos-azuis e à folhagem das árvores um brilho vibrante, profundo e tridimensional que parece emanar do interior da própria tela.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Viva o 1º de Maio

Giuseppe Pellizza da Volpedo - "O Quarto Estado" (1901)

Giuseppe Pellizza dá este nome à sua obra porque os trabalhadores sentiam que não eram representados pelo sistema político da época, o chamado parlamentarismo burguês. Eles constituíam um "novo grupo" social que passava a exigir voz própria e participação ativa nas decisões da sociedade. Historicamente, essa nomenclatura marca uma evolução clara: se o Terceiro Estado, liderado pela burguesia, foi o responsável por derrubar o absolutismo do Clero e da Nobreza, o Quarto Estado surgia agora como o proletariado organizado para reivindicar direitos diante da exploração exercida por essa mesma burguesia.

Na representação visual da tela, nota-se que a multidão não está armada; pelo contrário, os trabalhadores avançam de forma pacífica, mas com uma determinação inabalável. Trata-se de uma marcha em direção à "luz" do progresso e da justiça social, um recurso artístico que indica que o futuro pertenceria a esse novo estrato social. Em resumo, o Quarto Estado retratado por Pellizza era a classe operária consciente de si mesma e do seu papel histórico, marchando para ocupar o seu lugar de direito ao lado — ou mesmo à frente - dos três grupos que tradicionalmente detinham o poder.

Saber mais:
  1. Primeiro de Maio de 2026: a remuneração dos CEO mais elevados aumentou 20 vezes mais rapidamente do que a remuneração dos trabalhadores em 2025, acusa a Confederação Sindical Internacional, num relatório devastador.
  2. Em 2024, a Oxfam apresentou uma queixa formal contra a Amazon e a Walmart às Nações Unidas. Leia mais sobre a vigilância e o sofrimento nos armazéns da Amazon e da Walmart.
  3. A 7ª edição do Inquérito Mundial de Valores revelou que metade das pessoas acredita que “os ricos compram frequentemente eleições” nos seus países.
  4. A Oxfam estima que os multimilionários têm 4.000 vezes mais probabilidades de ocupar cargos políticos do que as pessoas comuns.
  5. Descarregue o relatório da CSI “Corporações que Minam a Democracia 2025”.
  6. Mais de 840 mil mortes por ano ligadas a riscos psicossociais no trabalho, diz novo relatório da OIT 

terça-feira, 7 de abril de 2026

Os porcos são muito mais inteligentes, limpos e empáticos que a trupe MAGA e brutalistas destes tempos cinzentos

Porky (2021) por Andrea Lavery
Sobre a Pintora e o quadro
Andrea Lavery é uma conceituada artista que cresceu no ambiente rural de Newtown, Connecticut, EUA residindo e trabalha atualmente na zona costeira do mesmo estado. A sua trajetória artística é marcada por uma evolução orgânica e apaixonada; embora os seus registos biográficos privilegiem a experiência prática, a sua técnica revela um domínio consolidado dos meios tradicionais, fruto da sua formação académica com um Bacharelato em Belas Artes (BFA) pelo Paier College of Art, concluído em 1985.

O seu trabalho é amplamente classificado como Impressionismo Contemporâneo, um estilo que a própria define como "Happy Colorful Art". A temática da sua obra é profundamente inspirada pela natureza e pela vida selvagem, destacando-se as suas representações vibrantes de pássaros, abelhas, coelhos e flores. Através de pinceladas fluidas e expressivas, Lavery cria texturas ricas que privilegiam uma interpretação emocional e luminosa do objeto em detrimento de um realismo rígido.

Do ponto de vista técnico, a artista utiliza predominantemente óleos solúveis em água, recorrendo ao óleo de linhaça com a mesma propriedade para conferir transparência e fluidez às composições. Andrea Lavery é particularmente reconhecida por trabalhar em painéis de pequeno formato, nos quais consegue concentrar uma enorme densidade de cor e energia. O sucesso do seu estilo reflete-se não só em galerias, mas também no mercado de licenciamento, com as suas criações a serem aplicadas em tecidos (notavelmente para a QT Fabrics), impressões artísticas e diversos objetos de decoração.

Os porcos são muito mais inteligentes, limpos e empáticos que a trupe MAGA e brutalistas destes tempos cinzentos

O que diz a Ciência 
Apesar dos estereótipos de serem animais simplórios e desleixados, os porcos/suínos são animais extremamente inteligentes, limpos, emotivos e sociais.

A investigação contemporânea no domínio da etologia e da neurociência cognitiva tem demonstrado que os suínos (Sus scrofa domesticus) possuem uma complexidade neurocognitiva que rivaliza com a de primatas não humanos e cetáceos, destacando-se como uma das espécies mais inteligentes do reino animal. No estudo fundamental "Thinking Pigs: A Comparative Review of Cognition, Emotion, and Personality in Sus scrofa domesticus" (Marino & Colvin, 2015), os investigadores compilam evidências de que os porcos exibem uma memória a longo prazo notável e uma capacidade avançada de resolução de problemas. Um dos marcos desta inteligência é a compreensão da perspetiva espacial, demonstrada no estudo "Pigs learn what a mirror image represents and use it to obtain information" (Broom et al., 2009), onde os animais conseguiram utilizar espelhos para localizar alimento escondido, um indicador de processamento visual sofisticado.

Para além da inteligência lógica, os porcos manifestam uma vida social e emocional extremamente rica. A existência de empatia e contágio emocional foi documentada em "Indicators of positive and negative emotions and emotional contagion in pigs" (Reimert et al., 2013), revelando que estes animais não só sentem emoções complexas, como estas são influenciadas pelo estado de ânimo dos seus pares. Esta sensibilidade estende-se à interação com humanos e à capacidade de aprendizagem tecnológica, como comprovado pela recente investigação "Investigation of Video Game Play in Pigs" (Croney & Boysen, 2021), onde os suínos demonstraram competência na manipulação de joysticks para atingir objetivos num ecrã.

Contrariamente ao estigma popular, o porco é um animal instintivamente limpo; quando dispõem de espaço adequado, estabelecem áreas rigorosas para alimentação e repouso, mantendo-as afastadas das zonas de excreção. O comportamento de se refrescarem na lama é, na verdade, uma solução biológica engenhosa para a termorregulação e proteção dérmica, uma vez que a sua anatomia possui um número reduzido de glândulas sudoríparas. Em suma, a ciência moderna reitera que os porcos são seres sencientes, dotados de consciência social, capacidades cognitivas superiores e uma higiene comportamental que desafia preconceitos históricos.

Saber mais:

1. Pig Intelligence

2. From snout to tail, there’s more to pigs than meets the eye

3. No, Pigs Aren't Dirty

4. Eight Things You Probably Didn’t Know About Pigs

domingo, 5 de abril de 2026

Feliz Páscoa


Josh Clare é um prestigiado pintor contemporâneo norte-americano, nascido em 1982 no estado do Utah. Criado no seio das paisagens imponentes das Montanhas Rochosas, consolidou a sua base técnica na Brigham Young University-Idaho, onde se licenciou em 2007 em Belas Artes (BFA) com especialização em Ilustração. Foi durante o seu percurso académico que descobriu uma ligação profunda com a pintura de paisagem, sob a mentoria de professores que o incentivaram a observar a natureza de forma direta e rigorosa.

O seu estilo artístico fundamenta-se no impressionismo clássico e na tradição do realismo americano, com um foco quase devocional na prática en plein air (pintura ao ar livre). O trabalho de Clare é reconhecido pela habilidade magistral em captar os efeitos efémeros da luz natural, utilizando pinceladas confiantes e uma paleta de cores harmoniosa para traduzir a atmosfera de cenários rurais e montanhosos. Para o artista, a pintura transcende a mera representação visual; trata-se de uma busca por captar a essência e a "verdade" da criação, transformando elementos simples do quotidiano campestre em composições repletas de poesia e profundidade emocional. Atualmente, é considerado uma das figuras mais influentes do movimento de pintura de paisagem nos Estados Unidos, acumulando prémios de prestígio e expondo em importantes galerias nacionais.

Da Mitologia à Tradição: A Origem Pagã do Coelho e do Ovo da Páscoa

A génese desta tradição recua aos cultos pré-cristãos do Norte da Europa, onde a chegada da primavera era celebrada sob o signo da deusa Eostre, ou Ostara, a divindade teutónica da aurora e do renascimento. Para os povos antigos, a transição do inverno para o florescimento da terra exigia símbolos que traduzissem visualmente a ideia de fertilidade e vida latente. Surge aqui a lebre — a antecessora do nosso coelho doméstico — que, pela sua extraordinária capacidade reprodutiva e pelo facto de ser um dos primeiros animais a reaparecer nos campos após o degelo, se tornou o emblema vivo da abundância da deusa.

A ligação específica entre a lebre e o ovo encontra a sua raiz numa narrativa mitológica persistente, segundo a qual Eostre teria transformado um pássaro ferido num animal terrestre para o salvar do frio. Apesar da metamorfose, a criatura conservou a faculdade de pôr ovos, que decorava com cores vibrantes e oferecia à divindade em sinal de gratidão. Este mito serviu para explicar a união de dois símbolos de regeneração: enquanto o ovo representa o microcosmo e o mistério da vida protegida por uma casca que parece inerte, o coelho personifica a força ativa e a rapidez com que essa mesma vida se propaga na superfície da terra. Com a expansão do cristianismo, estas práticas não foram eliminadas, mas sim integradas através de um processo de inculturação, onde o renascimento da natureza foi reinterpretado como a ressurreição de Cristo.

A partir do século XVI, na Alemanha, esta herança consolidou-se na figura do "Osterhase", a lebre da Páscoa que avaliava o comportamento das crianças e escondia ovos decorados nos jardins. A prática foi reforçada pela proibição do consumo de ovos durante a Quaresma; como as galinhas não interrompiam a postura, os ovos eram cozidos e guardados, sendo depois oferecidos e consumidos com festividade no Domingo de Páscoa. Foi apenas no século XIX que a indústria de confeitaria, aproveitando a iconografia já profundamente enraizada no imaginário popular, começou a produzir estes símbolos em chocolate, transformando um antigo rito agrário no fenómeno global que conhecemos hoje.

Para fundamentar esta investigação, podem consultar-se obras como "Deutsche Mythologie" de Jacob Grimm (1835) , que explora as ligações linguísticas e rituais de Ostara, ou o clássico "An Egg at Easter: A Folklore Study" de Venetia Newall (1971) , que detalha a simbologia do ovo através das eras. Outras fontes essenciais incluem "The Stations of the Sun" de Ronald Hutton (1996) , sobre a evolução do calendário ritual britânico, "The Easter Hare" de Charles J. Billson , publicado na revista Folklore (1882), e o texto medieval "De Temporum Ratione" de Beda, o Venerável (775), que constitui o primeiro registo histórico da deusa que deu nome à celebração.  

Quem desejar fazer uma investigação mais profunda, sugerem-se as seguintes referências:
  1. Gimbutas, Marija (1982). The Goddesses and Gods of Old Europe. (essencial para compreender os símbolos de fertilidade, como o ovo, na pré-história e na antiguidade).
  2. Hutchinson, Sharon Elswit (2012). The East Easter Egg: A History of Symbols. (explora a transição dos ovos naturais para os ovos artísticos e a sua simbologia religiosa).
  3. Sermon, Richard (2008). From Easter to Ostara: the Reinvention of a Pagan Goddess?. In: Time and Mind. (uma análise crítica e moderna sobre como a figura de Ostara foi interpretada pelos estudiosos do século XIX, como os Irmãos Grimm).

terça-feira, 31 de março de 2026

Forrest Dickison


Forrest Dickison é um conceituado ilustrador e pintor norte-americano, nascido em 1989 em Moscow, Idaho, onde reside e mantém o seu atelier até hoje. A sua formação é marcada por uma sólida base técnica no storytelling visual e na pintura tradicional a óleo, o que lhe permitiu transitar com naturalidade entre as Belas Artes e o mercado editorial. Academicamente, Dickison consolidou o seu conhecimento em artes narrativas, atuando hoje também como professor no Camperdown Writers' Kiln.

O seu estilo artístico é dual: na ilustração, apresenta um traço lúdico e dinâmico que remete à estética clássica da animação, com cores vibrantes e personagens expressivos; já na pintura de paisagem (fine art), adota uma abordagem impressionista e atmosférica, focada na técnica en plein air. Os seus temas principais dividem-se entre a captura da luz dramática e das vastas formações de nuvens das colinas de Palouse e das montanhas de Montana, e a criação de mundos de fantasia para a literatura infantil.

Embora muitas vezes associado a comunidades religiosas pelo seu local de residência, Dickison não é mórmon. Ele é um artista de confissão cristã evangélica reformada, mantendo uma colaboração estreita com a editora Canon Press e com o autor N.D. Wilson, com quem desenvolveu projetos de grande sucesso, incluindo a série Hello Ninja (adaptada para a Netflix) e diversas obras de narrativa épica e histórica.

segunda-feira, 30 de março de 2026

John Horsewell

John Horsewell é um conceituado pintor contemporâneo de nacionalidade britânica, nascido em Inglaterra  entre os anos de 1952. A sua trajetória artística é marcada por uma forte componente hereditária, uma vez que cresceu num ambiente profundamente criativo, tendo sido instruído no seio familiar pelo seu pai e pelo seu avô, ambos pintores profissionais.

Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, Horsewell não seguiu uma formação académica formal em faculdades de Belas Artes. A sua educação foi técnica e prática, moldada diretamente no ateliê da família e consolidada através da experiência no mundo do design de interiores e de galerias de arte após concluir o ensino secundário. Esta base autodidata e artesanal permitiu-lhe desenvolver um estilo muito próprio, que se situa entre o realismo e o impressionismo moderno.

O seu estilo  é definido como um impressionismo contemporâneo profundamente focado na captura da luz e na criação de atmosferas de serenidade absoluta. A sua estética afasta-se do detalhe fotográfico rígido para se concentrar na sensação de um momento, utilizando o que o próprio artista descreve como uma filosofia de "menos é mais". As suas composições são frequentemente minimalistas, apresentando horizontes baixos que dão protagonismo a céus vastos e dramáticos, evocando um sentimento de isolamento pacífico e de evasão da azáfama quotidiana.

O artista é particularmente célebre pelas suas paisagens costeiras, praias banhadas pelo sol e cenas rurais, frequentemente inspiradas pelas suas viagens pela Europa — com especial foco no sul de França e Itália — e pela Florida, nos Estados Unidos. 

A grande marca registada do seu trabalho é a mestria na utilização da espátula (palette knife), que combina habilmente com o uso do pincel. Enquanto as grandes áreas de céu e mar são trabalhadas com pinceladas suaves e fluidas para criar profundidade, os elementos centrais — como os barcos, as rochas ou a vegetação — são esculpidos com camadas espessas de tinta a óleo (técnica de impasto). Esta abordagem confere às telas uma qualidade tridimensional e uma textura rica, permitindo que a luz ambiente da sala interaja fisicamente com o relevo da pintura.

Quanto à paleta de cores, Horsewell utiliza tons que variam entre os azuis profundos e cerúleos dos oceanos e os tons quentes e pastéis das areias e campos europeus. O seu objetivo primordial é sempre o otimismo visual, transformando cada tela numa "janela" para um paraíso idealizado, onde o contraste entre as sombras suaves e os pontos de luz intensa convida o espectador a um estado de contemplação e calma interior.

Um exemplo perfeito desta estética é a obra "Calm Waters" (também conhecida como "Moored Boats"), pintada provavelmente entre 2010 e 2020. Nesta tela, Horsewell utiliza um horizonte baixo e uma paleta de azuis profundos em contraste com tons areia para evocar uma sensação de paz absoluta. Através de pinceladas suaves no céu e relevos texturizados nos barcos e no primeiro plano, o pintor convida o espectador a entrar num cenário de tranquilidade e isolamento regenerador.

domingo, 29 de março de 2026

Beata Belanszky-Demkó

O Brilho, 2023

Beata Belanszky-Demkó é uma artista plástica contemporânea de nacionalidade húngara, cuja trajetória de vida e formação académica refletem uma profunda dedicação às artes visuais. Nascida em 1976 na cidade de Satu Mare, na Roménia, no seio da comunidade húngara da Transilvânia, mudou-se para a Hungria em 1990. Foi neste país que consolidou o seu percurso escolar e artístico, tendo frequentado a Escola Secundária de Artes Visuais e Aplicadas de Budapeste, uma instituição de referência onde aprofundou as bases do desenho e da composição.

A sua formação académica prosseguiu a nível superior na Universidade de Óbuda, em Budapeste, onde se licenciou em Design Industrial. Esta base técnica e estruturada confere à sua obra uma compreensão singular da forma e do espaço, que mais tarde fundiu com a liberdade da pintura. Embora tenha formação em design, Beata optou por dedicar-se inteiramente às belas-artes, desenvolvendo um estilo que oscila entre o impressionismo moderno e a abstração lírica.

Atualmente a residir em Sóskut, a artista utiliza predominantemente a técnica da espátula e tintas a óleo para criar paisagens e figuras humanas que primam pela harmonia cromática e pela exploração da luz. O seu currículo inclui inúmeras exposições individuais e coletivas, sendo membro ativo de diversas associações de artistas, o que reforça o seu papel no panorama artístico húngaro contemporâneo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Reiniciar

Ekaterina Ermilkina - "The Beginning" (O Início) foi pintada em 2023

Nem de propósito. Reiniciar. O início deste mês colocou à prova toda a minha resistência. Perder um amigo, uma tia e uma irmã num espaço de apenas sete dias é uma dor que não se explica. Decidi que a melhor forma de os honrar não é ficar estagnado no luto, mas sim viver com a intensidade que eles gostariam de ver em mim. Um obrigado sincero a todos pelo carinho que recebi.

Ekaterina Ermilkina é uma artista contemporânea cuja trajetória reflete uma fusão entre o rigor técnico europeu e a energia urbana americana. Nascida em 1975 em Saratov, na Rússia, iniciou o seu percurso sob a influência cultural da sua terra natal. A sua base académica é sólida, tendo-se licenciado na Academia Estatal de Arte e Indústria de São Petersburgo, uma instituição de prestígio onde dominou a forma e a perspetiva clássica. Esta formação foi fundamental para a sua evolução posterior rumo a uma linguagem mais expressiva.

Em 2005, a artista mudou-se para os Estados Unidos, estabelecendo-se em Nova Jersey, onde vive e mantém o seu atelier atualmente. Esta mudança foi decisiva, pois a proximidade com a arquitetura de Manhattan serviu como o principal catalisador para a maturidade do seu trabalho. O seu estilo é frequentemente descrito como uma intersecção entre o Impressionismo Moderno e o Expressionismo Abstrato.

A temática central da sua obra foca-se na metrópole, capturando o ritmo e a densidade das grandes cidades, especialmente os arranha-céus de Nova Iorque, através de interpretações emocionais da luz e do movimento. Visualmente, as suas composições possuem uma "pulsação" característica, onde as janelas e luzes urbanas se transformam em mosaicos vibrantes.

Tecnicamente, Ermilkina distingue-se pelo uso exclusivo da espátula em detrimento dos pincéis, aplicando a técnica de impasto com camadas generosas de tinta a óleo para criar superfícies tridimensionais. Ela utiliza a ponta da espátula para criar um efeito de pontilhismo, decompondo a luz em blocos de cor que formam um mosaico visual. Esta técnica, aliada a uma paleta vibrante e audaz, permite-lhe simular com mestria os reflexos solares e o brilho artificial das luzes citadinas.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Bev Jozwiak - "Crow Bar" (2012)


Bev Jozwiak (aquarelista "rebelde" dos EUA, nascida em 1953)

Bev Jozwiak é uma das aquarelistas mais conceituadas da atualidade, conhecida por um estilo que equilibra perfeitamente o rigor técnico com uma liberdade expressiva quase "rebelde".

Estilo: 
Realismo Contemporâneo com um toque impressionista. O seu trabalho é marcado pelo "loose style" (estilo solto), onde o foco não é a perfeição fotográfica, mas a energia da pincelada.

Temas: 
Figuras humanas (especialmente crianças e dançarinos), animais (corvos e garças são recorrentes) e cenas do quotidiano.

Técnicas: 
Versatilidade de Materiais: aquarela, acrílico, guaches, óleo 
O que torna o trabalho de Jozwiak único é a sua recusa em "domar" a aquarela. Ela é famosa por:
  1. Pinceladas diretas - ela raramente faz esboços detalhados a lápis. Prefere pintar diretamente, o que mantém a frescura da cor.
  2. Uso de "mistura no papel" - em vez de misturar todas as cores na paleta, ela permite que os pigmentos se encontrem e criem gradientes naturais diretamente na folha molhada.
  3. Espessura da tinta- ela desafia a regra da aquarela ser sempre transparente, usando pigmentos bem saturados e, às vezes, toques de guache para realces.
  4. Equilíbrio entre caos e ordem- as suas pinturas geralmente têm áreas de detalhe muito precisos (como os olhos de um retrato) cercadas por manchas de tinta escorrendo e bordas perdidas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Lynn Boggess

Lynn Boggess (pintor dos EUA, nascido em 1955)
Estilo artístico
Boggess é reconhecido por um estilo único de pintura de paisagem que funde elementos de:
• Realismo — cenas naturais convincentes e reconhecíveis.
• Impressionismo e Expressionismo abstrato — na forma como a luz e a textura são expressas.
• Naturalismo intensificado — natureza representada sem presença humana, mas intensa e vibrante. 
Esse estilo às vezes é descrito como “Tactile Realism” — realismo tátil, onde a textura da tinta cria uma ligação sensorial entre pintura e espectador. 

Temas principais
Paisagem natural — florestas, colinas, leitos de rios, rochas, cenas campestres e ambientes não urbanos. 
Natureza selvagem e pura, sem vestígios perceptíveis de presença humana. 
Interessa-se particularmente por lugares com luta natural — árvores quebradas, destroços de terreno e aspectos que sugerem a força e o drama da natureza. 

Técnica
Trabalha principalmente com pintura a óleo. 
Pinta em plein air (ao ar livre), diretamente na paisagem que está retratando. 
Usa espátulas e, sobretudo, uma colher/trowel de cimento em vez de pincéis tradicionais, criando camadas muito espessas e texturizadas de tinta (impasto). 
A aplicação da tinta é intensa e física — muitas vezes misturada directamente na tela — contribuindo para sensações de profundidade táctil e presença no espaço da pintura. 
O resultado é uma obra que, de longe, pode parecer quase fotográfica, mas de perto revela uma superfície vigorosa e abstracta.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Eugenia Gorbacheva

Eugenia Gorbacheva (aquarelista Russa, nascida em 1985)

Estilo artístico
Predominantemente impressionista e figurativo, capturando luz, cor, atmosfera e sensação natural em seus trabalhos. 
A aquarela, como meio, destaca-se por sua transparência, fluidez e pelo trabalho com pigmentos solúveis em água — um meio que exige domínio cuidadoso do artista. 

Temas e assuntos
Os seus temas variam bastante, mas paisagens naturais, flores e elementos da natureza, cenas arquitetónicas e marinhas são recorrentes, muitas vezes evocando luz e atmosfera específicas (ex.: montanhas, flores, vilas e cenários costeiros). 

Técnica
Trabalha com aquarela tradicional sobre papel de alta qualidade (como Arches ou papel similar), concentrando-se no controle cuidadoso da água, pigmento e luz. 
A sua técnica envolve capturar transparências, nuances e fluidez típicas da aquarela, explorando o meio para expressar sensação, movimento e profundidade.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Roman Konstantinov

Roman Konstantinov (pintor Ucraniano, nascido em 1982)
Estilo e temas:
O seu trabalho é tipicamente figurativo e contemporâneo, incluindo temas como natureza, paisagens, cenas arquitetónicas e objectos quotidianos — muitas vezes com uma abordagem realista ou ligeiramente impressionista na pincelada e composição. 

Técnicas:
Trabalha sobretudo com pintura a óleo sobre tela, técnica na qual cria obras com uso rico de cor, luz e textura.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Françoise de Felice

Françoise de Felice (pintora Francesa, nascida em 1952)
Estilo:
Início impressionista - começou explorando a Impressionismo em todas as suas formas até cerca de 1982.

Estilo pessoal - depois de deixar a França e viver na Sicília, desenvolveu um estilo próprio inspirado na luz mediterrânica e no Barroco siciliano, com traços fluídos e linhas finas e precisas.

O seu trabalho é frequentemente descrito como uma narrativa introspectiva, poética e melancólica, reflectindo um universo pessoal onde figuras sugerem estados interiores e dualidades psicológicas.

Técnica:
Principalmente óleo sobre tela.
Também utiliza folha de ouro e aquarela em algumas obras, combinando traços finos com fusões quase líquidas de cor.
A mistura entre precisão e fluídos cromáticos resulta numa estética que transita entre o figurativo e o simbolismo subjetivo.

Biografia
Françoise de Felice nasceu em Paris, filha de pai italiano e mãe francesa, e passou os primeiros 20 anos na cidade. Em criança, foi introduzida ao design gráfico pela sua avó.

Paralelamente à Sorbonne, frequentou a Escola de Belas Artes como ouvinte. A sua primeira abordagem à arte foi o Impressionismo, que se estendeu a todas as suas vertentes até 1982.

De seguida, deixou a França e estabeleceu-se na Sicília, onde o Impressionismo francês estava bastante presente. Teve de construir a sua própria personalidade, trilhando caminhos menos percorridos e recriando a sua assinatura.

O esplendor do Barroco siciliano e a luz da ilha beneficiaram-na, e começou a encontrar o seu próprio estilo, que nasceu por acaso. Transformou a sua pintura numa narrativa introspetiva, uma autoanálise.

Após muitas idas e vindas entre o Mediterrâneo e a França, deixou finalmente a Sicília e instalou-se perto de Paris, montando um atelier onde organizou uma série de exposições internacionais em grandes cidades como Caracas, mas também na Europa, em cidades como Pádua, Roma, Londres, Paris e Genebra.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

France Jodoin

France Jodoin (pintora Canadiana, nascida em 1961)
Estilo:
É uma artista contemporânea cujas obras se situam entre o impressionismo e o romanticismo europeu moderno.
A sua pintura tem um caráter etéreo e sugestivo, equilibrando representação e abstração, com cenas que parecem vista através de névoa ou luz difusa. 
Os temas muitas vezes evocam marinas, paisagens, cityscapes, flores, figuras e animais, sempre com uma sensação de tempo efémero e uma atmosfera poética. 

Técnica:
Trabalha principalmente com óleo sobre linho, aplicando a tinta de forma gestual e intuitiva, construindo e reconstruindo a imagem com pinceladas fluídas.
Também faz desenhos e gravuras, incluindo técnicas de aquitinta e sugar lift em gravura. 
O seu processo de pintura é instintivo e não preconcebido, permitindo que a obra se desenvolva organicamente no suporte. 

As suas composições convidam o espectador a construir narrativas pessoais, em vez de retratar lugares ou pessoas específicos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Bev Jozwiak


Bev Jozwiak (pintora e aquarelista, EUA, nascida em 1953)
É uma artista premiada internacionalmente e professora que ministra workshops de aquarela. 
Bev Jozwiak é conhecida por seu trabalho em aquarela figurativa, com um estilo que pode ser descrito como:
1. Directo e expressivo: aplica a tinta com pouca mistura na paleta, trabalhando diretamente no papel. 
2. Uso forte de cores e emoção: ela usa variações de cor mesmo em tons escuros para manter brilho e profundidade, e seleciona temas que evocam emoção e energia. 
A sua arte muitas vezes mostra um equilíbrio entre realismo e uma qualidade gestual/vibrante, característica apreciada em aquarelas contemporâneas figurativas.

sábado, 17 de maio de 2025

Octave Mirbeau sobre o ódio


"Não odeies pessoa alguma, nem mesmo os maus. Compadece-te deles, porque jamais conhecerão o único gozo que consola na vida: fazer o bem."

Entusiasta do anarquismo e ardente deyfusista, encarna o protótipo de intelectual comprometido com os assuntos públicos de sua época, assumindo como dever primordial desmistificar as instituições que alienam e oprimem. Nesta tarefa buscou constituir uma estética da revelação que levasse a lucidez, capaz de obrigar os voluntariamente cegos a encararem a realidade das injustiças do mundo. Combateu a sociedade burguesa e a economia capitalista, fazendo frente a formas literárias e estéticas tradicionais que contribuíam para anestesiar consciências, rejeitou o naturalismo, o academicismo e o simbolismo, buscando seu caminho entre o impressionismo e expressionismo.

domingo, 17 de abril de 2022

Pintura da Semana - Camille Pissarro

Camille Pissarro (1830–1903) - "Flowering Plum Tree", Eragny

Jacob Abraham Camille Pissarro foi um pintor francês, co-fundador do impressionismo, e o único que participou nas oito exposições do grupo. Wikipédia

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz (Eco-) Natal com Bill Evans - "Peace Piece"


An impression of american city life (NewYork) during the late 50's & the early 60's accompanied with the music of Bill Evans - Peace Piece (1958) with pictures of important photographers and appearances of artists and their works from that period

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

De nenhum fruto queiras só metade, por Miguel Torga

Alexi Zaitzevi

De nenhum fruto queiras só metade
Recomeça…Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.


De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

sábado, 3 de junho de 2006

"Deux roses Prince de Bulgarie" - "Twee Prins van Bulgarije-rozen" por Frans Mortelmans


Frans Mortelmans was a Belgian painter, draughtsman and engraver. He initially produced portraits, history paintings, marines and genre scenes but later specialised in still lifes, and in particular flower pieces, with which he achieved considerable success. He was a very prolific painter and his most productive period is situated around 1900. His work situates itself between impressionism and realism with some luminist touches. He also produced many pastel works.

Frans Mortelmans studied at the Royal Academy of Fine Art in Antwerp from 1876 through 1886 under the direction of Lucas Victor Schaefels (1824 - 1885) and Charles Verlat (1824 - 1890) and at the High Institute of Fine Arts from 1887 through 1891. He ultimately became a professor at the Berchem School of Fine Arts in 1901 and an Honorary Director of the Berchem School of Art and Painting in Antwerp. In 1932 he was made Commander in the Order of Leopold.

His father, Karel (Charles) Mortelmans (1832 - 1899), was a printer in Antwerp and his brother was the famous composer, Lodewijk Mortelmans (1868 - 1952). Two of his most famous students were Joris Minne (1897 - 1988) and Antoon Mastboom (1868 - 1954).