terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Engenheiro cria sistema natural para tratar esgoto (Brasil)


Reprodução Projeto faz uso de bananeiras para aumentar a purificação.

Problema crônico e ainda distante de soluções a curto e médio prazo, o tratamento de esgoto não é uma realidade em diversos municípios brasileiros, principalmente aqueles mais carentes de estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Com isto, muito da dignidade humana é deixada de lado e muitas doenças podem ser provocadas pelo contato com água contaminada. Crianças e idosos são os que mais sofrem com a falta de saneamento básico nos bairros ondem moram.
Para tentar amenizar esta situação, um engenheiro brasileiro chamado Jonas Rodrigo dos Santos criou um sistema natural para tratar esgoto que tem a capacidade de retirar quase todas as impurezas da água e assim evitar a contaminação de mananciais e a proliferação de doenças.

Como funciona o sistema natural para tratar esgoto?

São cinco fases principais de limpeza dentro do sistema natural para tratar esgoto, começando pela fossa séptica e tanque de zona de raízes, este último dividido em quatro fases de filtragem: filtro de pedras grosas, de pedra brita, de pedrisco e filtro com carvão ativado. Para deixar o tratamento de esgoto ainda mais completo, o sistema natural do engenheiro Jonas conta com taiobas e bananeiras para aumentar a purificação.

Para chegar ao modelo final, o engenheiro realizou testes em efluente com 8,3 mil miligramas de material sólido por líquido. Após a passagem da água pelo sistema, o resultado foi de apenas 170 miligramas por litro, ou seja, em um nível que pode ser enviado para córregos ou lagos com total segurança, já que não provoca mais contaminação. Esta central de pequeno porte para tratamento de esgoto foi instalada na propriedade de Denílson José dos Santos (pai do engenheiro) na região rural de Capanema, Paraná.
“Um projeto deste porte não se faz sozinho, eu tive muita ajuda, muito apoio para a realização desse projeto. Uma delas foi do meu pai, pois tudo foi aplicado na propriedade dele, que custeou toda a instalação, ele que arcou com a parte financeira”, afirmou Jonas.

Da faculdade para sociedade

O projeto do sistema natural para tratar esgoto foi desenvolvido por Jonas durante a faculdade de Engenharia Ambiental em Foz do Iguaçu. A ideia, inclusive, foi finalista do Prêmio ANA 2014 de Pesquisa e Inovação Tecnológica. A premiação é realizada pela Agência Nacional das Águas a cada dois anos e tem como objetivo valorizar as melhores soluções que promovam melhorias em projetos para conservação e preservação das reservas hídricas no Brasil.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Para o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, “as universidades só ensinam o conhecimento dos vencedores, e não dos vencidos”

Fonte: O Povo
Ao tentar definir Ecologia de Saberes, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, um dos mais prestigiados do mundo, afirmou ser um apelo por mais justiça aos conhecimentos. Ele referia-se ao conhecimento que vem das populações rurais, urbanas, ribeirinhas. Ao conhecimento nascido da luta, dos oprimidos, dos discriminados. “As universidades só ensinam o conhecimento dos vencedores, e não dos vencidos. (...) O conhecimento universitário, científico, é importante, mas não basta”, afirmou.
Na noite de ontem, Boaventura ministrou palestra durante o Encontro Internacional Ecologia de Saberes: Construindo o Dossiê Sobre os Impactos dos Agrotóxicos na América Latina. A aula de abertura do evento ocorreu na Concha Acústica da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Na ocasião, ele defendeu que há uma injustiça cognitiva extraordinária, uma ciência que coloca uma grande parcela da população na condição de bárbaro. “A ciência fez com que muita gente no mundo viva exilada, quando ela tem outro conhecimento, outro saber”, argumentou.

Responsabilidade
Para o sociólogo, aqueles que têm o conhecimento científico têm a grande responsabilidade de trazer outros conhecimentos para a universidade e respeitá-los. Por isso, ele propõe, por exemplo, o diálogo entre agricultores e engenheiros agrônomos. “Precisamos conhecer as lutas uns dos outros. Temos que fazer tradução intercultural”, disse, sobre o caminho para se fazer justiça. Em vez do conceito de desenvolvimento - “face do capitalismo neoliberal no mundo” -, para promover o diálogo, ele propôs os de dignidade, economia familiar, reforma agrária, economia social e solidária, soberania alimentar, reserva de território. “Os termos são esses, que podem ser alternativos ao desenvolvimento”, disse.

Segundo ele, a democracia representativa foi derrotada pelos capitalistas e esse seria o motivo para tantos protestos pelo mundo, inclusive no Brasil. “São revoltas de indignação contra algo que não é claro. Não se sabe o que quer, mas sabe-se o que não quer”, disse. Por isso, ele afirma que Ecologia do Saber é uma tentativa de se criar uma outra conversa para a sociedade. “Se não fizermos isso, a alternativa é o fim do planeta”.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Música do BioTerra: Max Richter - Three Worlds




Este tema integra o álbum "Three Worlds: Music from Woolf Works", lançado em 2017, é um exemplo paradigmático desta estética híbrida, tendo sido concebido originalmente para a banda sonora de um bailado inspirado na vida e na herança literária da escritora Virginia Woolf. 
Foi composto originalmente para o bailado Woolf Works, de Wayne McGregor, inspirado na vida e obra da escritora Virginia Woolf.
O registo organiza-se em três partes distintas, correspondentes aos romances "Mrs. Dalloway", "Orlando" e "The Waves", onde Richter utiliza uma paleta sonora variada que vai desde arranjos de cordas melancólicos a texturas eletrónicas abstratas e pulsantes. Uma das características mais marcantes deste trabalho é a inclusão da única gravação de voz sobrevivente de Virginia Woolf, o que confere à música uma dimensão documental e quase fantasmagórica, solidificando o papel de Richter como um narrador sonoro que utiliza o som para explorar conceitos de tempo, memória e identidade.

The Royal Ballet rehearse Infra
Woolf Works Insight (The Royal Ballet)

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Powaqqatsi - Life in Transformation


Vídeo completo aqui

Tribunal Penal Internacional reconhece ecocídio como crime contra a Humanidade



O Tribunal Penal Internacional (TPI) decidiu, no final de 2016, reconhecer o “ecocídio’ (termo que designa a destruição em larga escala do meio ambiente) como ‘crime contra a Humanidade’. O novo delito, de âmbito mundial, vem ganhando adeptos na seara do Direito Penal Internacional e entre advogados e especialistas interessados em criminalizar as agressões contra o meio ambiente.

Com o novo dispositivo, em caso de ecocídio comprovado, as vítimas terão a possibilidade de entrar com um recurso internacional para obrigar os autores do crime – sejam empresas ou chefes de Estado e autoridades – a pagar por danos morais ou econômicos. A responsabilidade direta e penas de prisão podem ser emitidas, no caso de países signatários do TPI, mas a sentença que caracteriza o ecocídio deve ser votada por, no mínimo, um terço dos seus membros.

O advogado brasileiro Édis Milaré, especialista em Direito Ambiental, saúda a medida, dizendo que “ninguém quer se envolver num processo-crime, porque o processo-crime estigmatiza. Nenhuma empresa quer responder por um crime ambiental, porque sabe que está em jogo a sua imagem, a sua reputação, a sua credibilidade, e isso diz respeito à sua sobrevivência. A questão penal é importante, mas em termos de gestão ambiental o assunto do dia no Brasil é dotar o país de um marco regulatório à altura da grandeza do nosso meio ambiente, que devemos proteger”, afirmou.

Em setembro de 2016, a Procuradoria do TPI publicou um documento de trabalho onde explica que, a partir de agora, o tribunal interpretará os crimes contra a humanidade de maneira mais ampla, para incluir também crimes contra o meio ambiente que destruam as condições de existência de uma população porque o ecossistema foi destruído, como no caso de desmatamento, mineração irresponsável, grilagem de terras e exploração ilícita de recursos naturais, entre outros.

Evolução

Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), realizada em Paris, em 2015, os tribunais internacionais de Direitos da Natureza tentam qualificar o ecocídio, dentro do pressuposto jurídico, como o quinto crime internacional. Os outros quatro crimes internacionais, reconhecidos e punidos pelo Tribunal Penal Internacional, são o genocídio, os crimes de guerra, os crimes de agressão e os crimes contra a humanidade.

A jurista em Direito Internacional Valérie Cabanes, porta-voz do movimento End Ecocide On Earth (Pelo fim do ecocídio na Terra), explica a origem do termo. “A ideia de ecocídio existe há 50 anos e foi evocada pela primeira vez quando os americanos usaram dioxina nas florestas durante a Guerra do Vietnã. Agora queremos reviver essa ideia que considera que atentar gravemente contra ciclos vitais para a vida na Terra e ecossistemas deve ser considerado um crime internacional“, disse.

“Trabalhamos em 2014 e 2015 num projeto de alteração do estatuto do TPI, onde definimos o crime do ecocídio, explicando que como hoje vivemos uma grave crise ambiental – com extinção de espécies, acidificação dos oceanos, desmatamento massivo e mudanças climáticas – atingimos vários limites planetários. Daí ser necessário regular o direito internacional em torno de um novo valor, o ecossistema da terra, e nós defendemos esta causa junto aos 124 países signatários do Tribunal Penal Internacional”, explicou a especialista.

“Será um longo trabalho, porque reconhecer os direitos da natureza e do ecossistema implica em reconhecer que o homem não é o ‘dono’ da vida sobre a Terra, o que pressupõe uma nova concepção do Direito, baseada numa realidade onde o homem é interdependente de outras espécies e do ecossistema. E isso implica também em reconhecer nossos deveres em relação às gerações futuras”, enfatizou Valérie. 

Poesia da Semana: Leo Tolstoi- parábola do Carvalho

  1. Toscania, Fevereiro de 2017- Foto de Gigliola Spaziano

"Príncipe André chegou a casa ... no caminho de volta, ele atravessou a floresta de vidoeiros, onde as folhas de um carvalho o tinham atingido há anos de emoção, de modo tão estranho e memorável. Todas as plantas estavam a florescer.
"Sim, aqui nesta floresta era com o carvalho que eu me sentia mais de acordo ", pensou o príncipe André." Mas onde está? ",... perguntou-se, olhando para o lado esquerdo da estrada e, sem saber, sem reconhecê-lo, foi apenas admirando o carvalho que procurava. E de repente, tudo mudou, como uma cortina de abrir a espessura cabelo escuro, lavada pela chuva recente, pairando apenas, para o pôr-do-Sol, com imensos dedos torcidos e cicatrizes, não é mais o desespero tímido e doloroso, nada mais de tudo. Através da dura casca de um século de idade, tornou-se estrada, sem ramos, folhas jovens de um verde brilhante e inchado.
"Sim, é aquele carvalho!", disse o príncipe André. E, de repente, sem nenhum motivo, foi invadido por um sentimento de alegria igual ao reavivamento da Primavera. Depois vertido para a mente os momentos mais intensos de sua vida ... tudo voltou.
De repente, a memória.
"Não é suficiente o que eu sei sobre o que passa no meu interior.
Eles também devem conhecer os outros. Eu sou menina que queria voar no Céu. Sabes que a minha vida não tem lugar apenas para mim. E tu não vives de forma independente da minha vida ... deve estar refletido em todos, e todos devem viver em perfeita união comigo! "
Lev Tolstoi - Guerra e Paz (adaptado)

Para saber mais

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ai, Nuclear, Nuclear


Um caso grave de surdez política
Por Susana Fonseca, 17 de Fevereiro

Sem praticamente se dar por isso em Portugal, o Parlamento Europeu (PE) deu esta semana o seu consentimento a que o acordo de comércio e investimento entre a União Europeia e o Canadá (o CETA) siga em frente, o que terá, desde já, duas implicações muito relevantes.
Uma primeira é a aplicação provisional do acordo. Do âmbito desta aplicação pouco ficará de fora, pelo que as ameaças identificadas por mais de três milhões e quinhentos mil europeus e milhares de organizações dos mais diversos quadrantes da sociedade (ONG de ambiente, de defesa dos consumidores, sindicatos, organizações de produtores agrícolas, PME, municípios e regiões, organizações profissionais da área da saúde ou do direito e da justiça)  irão agora tornar-se realidade, com a conivência da maioria dos nossos representantes no PE.

Em relação aos representantes portugueses, a direita fez o que faz habitualmente, defender os interesses das grandes empresas e do comércio livre, mesmo que num modelo contrário aos objetivos do desenvolvimento sustentável. A posição mais surpreendente  deste grupo acaba por ser a de José Inácio Faria, eleito pelo Partido da Terra, mas que aparentemente se terá perdido do caminho que por cá defendeu.
Os deputados socialistas portugueses, com a honrosa exceção da deputada Ana Gomes, alinharam com a direita, ao contrário do que fizeram vários outros colegas de outros países. No discurso estão muito preocupados, mas na prática são incapazes de romper com o status quo. Os nossos representantes mais à esquerda votaram contra o acordo, como esperado.

A segunda implicação é que o CETA só poderá entrar em vigor na sua plenitude, nomeadamente nas provisões que atribuem às multinacionais o direito de processar os Estados quando estes regulam contra os seus interesses, mesmo que essa regulação seja em prol da saúde humana e do ambiente, após a aprovação pelos Parlamentos de cada país (nacionais e regionais – 38 no total).

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Allan Savory's Holistic Management Theory Falls Short on Science



Our March/April cover story generated a passionate debate among our readers. Click here to read their letters to the editor and join the conversation.

Click here to read Jason Mark's letter from the editor with his thoughts on Allan Savory.

Before he became known as an apostate ecologist, Allan Savory was a soldier. Born in Zimbabwe to a family of British colonials, he commanded an elite government unit during the country's long, brutal civil war. He and his squad—men handpicked and trained by him—spent much of the 1960s fighting communist guerrillas in the veld, the savannas and grasslands where antelopes, elephants, and lions roam. It was hard, isolating, dangerous work. And it prepared him for the decades he has spent battling environmental orthodoxy, first as a farmer and rancher in Africa and then as an agricultural consultant in the United States.

Savory's apostasy is based on a controversial idea: that we need more cows—not fewer—grazing on the world's grasslands, prairies, and deserts, the arid and semiarid two-thirds of Earth's land surface where soil is especially susceptible to drying out and eroding as the climate warms and droughts worsen. This ruinous process is known as desertification, and it is estimated to be degrading an area the size of Pennsylvania worldwide each year. It ends with soil that has turned to dust.

Stopping desertification is Savory's obsession. He watched it spread across southern Africa over the course of decades, spawning poverty and migration, which contributed to war. Savory's big claim is that the science about desertification is wrong, notably the idea that cattle grazing always contributes to degradation in what he calls "brittle" landscapes. After laboring for years in relative obscurity, Savory eventually built up a significant international following. Today, according to Savory, tens of thousands of farmers and ranchers across the globe, managing some 40 million acres of land, adhere to his philosophy.

Savory's ideas catapulted into the mainstream in 2013, after he stood on a stage at the TED conference in Long Beach, California, and offered his grand theory about livestock. Savory told the audience that cows offered "more hope than you can imagine." The 22-minute talk was titled, ambitiously, "How to Fight Desertification and Reverse Climate Change." The presentation garnered millions of views—3,746,905 as of this writing—and quickly became notorious among scientists who study the ecology of grazing.

Savory's theory goes like this: Cows that are managed in the right way can replicate the beneficial effect on soil of the native herds that once covered the planet's grasslands. Wild herds lived in fear of predators, and for protection they traveled in tight bunches, moving quickly. If we keep cattle moving across the landscape to mimic this behavior, and if we preserve the ancestral grazer-soil relationship—the animals churning the soil with their hooves, fertilizing it with dung and urine, stomping grass, creating mulch, stimulating plant growth—we can re-green the arid lands and, at the same time, encourage soil microbes that eat carbon dioxide.

Savory's vision, in part, follows some of the emerging science of what's called soil carbon sequestration. With more grass and better topsoils, we can use biological processes to capture and store the carbon that drives global climate change. The most commonly recommended strategies for what's called "carbon farming" are adopting no-till or low-till methods; boosting soil organic matter with additions of compost; and better managing crop rotation, especially through the use of cover crops. Savory puts a twist on the idea by adding livestock to the mix and recommending that ranchers increase the number of cattle per acre.

In his TED Talk, Savory claimed that by deploying his method of "holistic management and planned grazing" to "take back" just half of the planet's arid grasslands, humanity could accomplish a stunning feat: the reduction of atmospheric carbon to preindustrial levels. "There is only one option—I'll repeat to you, only one option—left to climatologists and scientists," he told the audience, "and that is to do the unthinkable, and to use livestock, bunched and moving, as a proxy for former herds and predators, and mimic nature. There is no other alternative left to mankind."

The presentation offered a remarkable win-win vision: more cattle, more hamburgers to feed a growing population, more profit for stock growers. In the process, the planet gets healthier land that acts as a sink to absorb carbon, and climate change comes to a halt.

The audience erupted with cheering and whistling, and when the noise subsided, TED host Chris Anderson took the stage and told Savory that it was "an astonishing talk." Twitter echoed with the good news. Michael Pollan tweeted, "Eat MORE meat?" Discover magazine said it was "one of the most thought-provoking" TED presentations of the year. Michael Shermer, the founding publisher of Skeptic magazine, pronounced it "moral progress in climate change."

After Savory's breakout performance, the attention and the accolades kept coming. In 2015, Savory was the central subject in an episode of the PBS documentary series A New Wild. The series' host—M. Sanjayan, a well-respected researcher who is a senior scientist at Conservation International—visited Savory's Zimbabwe ranch and came away impressed. "Allan's results are spectacular," Sanjayan told PBS viewers, and "could revolutionize the way in which we live on the plains." Sanjayan continued: "Cows or wildlife, it actually may not matter that much. The message is an extraordinarily powerful one, and it could be the best thing—the absolute best thing—that conservation has ever discovered."

When I met with Savory last fall at his home in Albuquerque, New Mexico—from where he oversees the Savory Institute, a worldwide nonprofit enterprise—he had the same militarily erect posture that I'd seen in the TED video. It was the bearing of a man much younger than 81. His eyes were gleaming, lively, and critical, but his voice was soft, his manner reassuring, and his face handsomely weathered. We sat in his den next to a fireplace ornamented with the artifacts of war: a shrine of bullets and bayonets, worn rucksacks, old rifles. He compared himself, by sly inference, to Galileo. "For years we believed in a flat world, and now we know we're in a round world," he told me. "Now we're in another big paradigm shift. From reductionist management of the land to holistic management. From a mechanistic view to a holistic view."

Two hours later, things were not as pleasant. I'd come prepared with literature critical of his ideas and had been citing it. He rolled his eyes in exasperation and shook his head. He turned to his wife, Jody Butterfield, who is also his frequent coauthor and who had walked in to say hello. "Well, this is taking so very much longer than expected, because Chris"—he shot me a mischievous grin—"is just totally steeped in the conventional crap about cows, and I've had to go over and over this with him." Butterfield smiled and accepted this statement by saying nothing.

The counterevidence I had been referencing says this: When there are too many cows in places with intermittent or little rain, where the vegetation is brittle and the soil fragile, the animals spell trouble. Overgrazing denudes the soil and produces erosion, which leads to a landscape where plants can't revive and grow. At least 8.4 billion acres on the planet are grazed, and 73 percent of that land is suffering from some form of land degradation, according to the International Journal of Biodiversity. The problem is perhaps worst across arid lands where plants evolved with almost no exposure to large grazers, such as in the mountainous west of the United States—where Savory happens to live.

Cattle grazing produced such a transformation in the environment of the American West that its introduction, in the late 19th century, has been compared to a geologic event. Cattle have been implicated in the eradication of native plants, the loss of biodiversity, the pollution of springs and streams, the erosion of stream banks, the exacerbation of floods that carry away soil, the deforestation of hardwoods, and, in the worst cases, a reduction of living soil to lifeless dust. Two centuries of grazing on the Colorado Plateau catalyzed the most severe vegetation changes in 5,400 years, one study concluded. "The impact of countless hooves and mouths over the years," wrote the late environmental historian Philip Fradkin, "has done more to alter the type of vegetation and land forms of the West than all the water projects, strip mines, power plants, freeways, and subdivision developments combined."

Savory agrees that grazing as historically practiced has been disastrous. But this is only because stock growers and herdsmen have been ignorant of holistic management. "It was reductionist grazing they practiced, nothing of the holistic," he told me.

Anselm Kiefer- Os Sete Palácios Celestiais, 2002- derivação poética por João Paulo Soares


Parei nesta foto formidável de Anselm Kiefer e à distância do que vivemos nesta época, digo-vos: Como os rios e as árvores, assim são os livros. Fascinantes e livres e preciosos. Velhos, novos ou inacabados. São monumentos como a Natureza e da natureza feitos. Estão interligados com os autores e os leitores e as cidades e os minerais e a seiva. Proibidos, irreverentes, ocultos, explodem em regimes se mal geridos e interpretados. Outros são ramos. Outros são cânticos e como pequenos ramos, alguns gostaríamos de conhecer o todo...ficaram no pó ou sedimentaram-se com as rochas. E finalmente o próprio Homem em algumas épocas atiraram jóias inteiras nas fogueiras....

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A biografia fascinante de Janusz Korczak


Janusz Korczak, pseudónimo de Henryk Goldszmit, também conhecido como o Velho Doutor ou o Senhor Doutor, nasceu em Varsóvia, no dia 22 de julho de 1878 ou 1879, e foi assassinado em Treblinka, no dia 5 ou 6 de agosto de 1942 foi médico, pediatra, pedagogo, escritor, autor infantil, publicista, activista social, oficial do Exército Polaco.

Foi um pedagogo inovador e autor de obras no campo da teoria e prática educacional. Foi precursor nas iniciativas em prol dos direitos da criança e do reconhecimento da total igualdade das crianças que hoje encontramos nas Escolas Democráticas.

Na qualidade de diretor de um orfanato instituiu, entre outros, um tribunal de arbitragem de crianças, no âmbito do qual as próprias crianças avaliavam as causas apresentadas por elas mesmas, podendo também levar a tribunal os seus educadores.

O famoso psicólogo suíço, Jean Piaget, que visitou o orfanato Dom Sierot (A Casa dos Órfãos), fundado e dirigido por Korczak, disse dele o seguinte: «Este homem maravilhoso teve a coragem de confiar nas crianças e nos jovens, com os quais trabalhava, ao ponto de transferir para as suas mãos as ocorrências disciplinares e de confiar a certos indivíduos as tarefas mais difíceis e de grande responsabilidade».

Korczak criou a primeira revista redigida a partir de textos enviados por crianças, que se destinava sobretudo a jovens leitores, A Pequena Revista. Foi igualmente um dos pioneiros dos estudos sobre o desenvolvimento e a psicologia da criança, bem como do diagnóstico da educação.

Era judeu-polaco que toda a vida afirmou pertencer às duas nações, a hebraica e a polaca.

Mais informação aqui

A comovente história da recuperação do Diário de Janusz Korczak, por um expatriado polaco, sem o qual dificilmente saberíamos com mais rigor todo o pensamento do Velho Doutor.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ciência e tecnologia

Ciência e tecnologia

Em historiografia e em filosofia da história, o progresso (do latim Progressus, "um avanço") é a ideia de que o mundo pode se tornar gradativamente melhor no que diz respeito à ciência, tecnologia, modernização, liberdade, democracia, qualidade de vida, etc. Embora o progresso esteja frequentemente associado à noção ocidental da mudança monótona de uma tendência, em linha reta, no entanto concepções alternativas existem, como a teoria cíclica do eterno retorno formulada por Friedrich Nietzsche, ou "em forma de espiral" o progresso da dialéctica de Hegel, Marx, entre outros.
Por outras palavras, o progresso é entendido como um conceito que indica a existência de um sentido de melhorar a condição humana. A consideração de possibilidade foi fundamental para a separação da ideologia feudal medieval, baseada no teocentrismo cristão (ou muçulmano) e expresso na escolástica. A partir desse ponto de vista - o qual não é o único possível em teologia - o progresso é sentido quando a história humana provem da queda do homem (o pecado original) e o futuro tende a Cristo.

A história em si, interpretada como providencial, é um parêntesis na eternidade, e o homem não deve ter esperança de participar em mais do que a divindade concedida pelo Apocalipse. A crise medieval e renascentista, com o antropocentrismo, resolveram o debate dos antigos e modernos, superando o Argumentum ad verecundiam (argumento de autoridade) e Revelação como fonte do conhecimento. Desde a crise da consciência europeia do final do século XVII e da era do Iluminismo do século XVIII tornou-se banal expressar a ideologia dominante do capitalismo e da ciência moderna. 

A segunda metade do século XIX foi o momento otimista do seu triunfo, com os avanços técnicos da Revolução industrial, no qual o imperialismo europeu estendeu o seu conceito de civilização para todo o mundo. A sua expressão máxima foi o positivismo de Auguste Comte. Embora os percursores pudessem ser evidentes, até depois da Primeira Guerra Mundial, não houve um verdadeiro questionamento sobre a ideia de progresso, incluindo a mudança do paradigma científico, as vanguardas na arte, e o reexaminar da ordem econômico-social e política que envolveram a Revolução Soviética, a crise de 1929 e o fascismo.
Texto completo: aqui

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O fenantreno e alquilbenzenos provocam efeitos lineares no desenvolvimento larval e genes de muitos peixes


Resultado de imagem para fenantreno


O fenantreno, um dos muitos produtos químicos conhecidos como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos foi identificada como a substância responsável por danos causados aos corações dos peixes expostos a derramamentos de petróleo, nomeadamente no desastre do Deepwater Horizon, da BP. A descoberta desencadeou alertas para a exposição de seres humanos ao mesmo produto químico no ar e na água. 
Ler mais em NOLA.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Retrato- Uma Jovem


Música do BioTerra: EX-RZ feat Fenne - Seventeen Seconds (Cure cover)



Seventeen seconds a measure of Life.

A faixa "Seventeen Seconds", interpretada pelo projeto EX-RZ com a participação da cantora Fenne, é uma colaboração internacional com raízes principais em Portugal. O projeto EX-RZ é liderado pelo músico e produtor português Eurico Amorim, enquanto a voz pertence à artista holandesa Fenne Scholte. Juntos, eles reinterpretam o clássico homónimo da banda britânica The Cure sob uma estética predominantemente voltada para o Trip-Hop e o Downtempo. A sonoridade abandona o minimalismo cru do pós-punk original para abraçar um estilo de eletrónica atmosférica e introspectiva, aproximando-se do Dream Pop devido aos vocais etéreos e às texturas de sintetizadores modernos, resultando numa produção luso-holandesa de tom onírico e contemporâneo.

A canção "Seventeen Seconds" carrega um significado profundamente marcado pelo minimalismo, pela impermanência e pela desilusão. Tanto na versão original dos The Cure como na releitura luso-holandesa de EX-RZ e Fenne, a letra e a atmosfera transmitem um forte peso existencialista.

A letra descreve um momento de transição — o intervalo exato entre algo que existia e algo que deixou de ser. O título refere-se à brevidade do tempo e à forma como tudo pode mudar, ou terminar, num piscar de olhos. Estes "dezassete segundos" simbolizam a fragilidade da vida e das relações, sugerindo que a felicidade ou a estabilidade são estados efémeros que podem ser medidos em segundos antes que a realidade se torne fria e vazia novamente.

A composição é económica e fragmentada, focando-se na imagem de alguém que está parado, a observar o tempo passar e a sentir que "nada acontece" (nothing happens). Existe um sentimento de paralisia emocional e tédio, onde o indivíduo se sente desligado do mundo ao seu redor. Na versão de EX-RZ e Fenne, este significado é amplificado pela sonoridade downtempo, que prolonga a sensação de melancolia, transformando a música numa reflexão sobre a solidão e a aceitação inevitável de que o tempo é um recurso que se esgota silenciosamente.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Documentário - O que está errado com o Mundo? por John Perkins



Confesso que há muito tempo um livro não me perturbava tanto. Acho que o último que me deixou desorientado desta forma foi o “Sem Vestígios”, que tratava das confissões de um torturador do aparato de repressão brasileiro. Falo de “Confissões de um Assassino Económico”, de John Perkins.

A história do livro é a seguinte: um economista é recrutado para servir como “Assassino Económico” – ou simplesmente “AE” – durante a década de 70. Depois se torna presidente de uma empresa de energia alternativa até que se arrepende e resolve contar a sua história.

E o que seria um “AE” ? São técnicos – basicamente economistas – que têm a missão de gerar números fictícios a fim de respaldar enormes empréstimos de órgãos como Banco Mundial e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), empréstimos impagáveis, e assim estabelecer uma relação praticamente colonial entre o país e os EUA.

Tais empréstimos eram utilizados em grandes obras de infra-estrutura, tocadas por empresas americanas necessariamente, que beneficiavam elites corruptas destes países. O preço a ser pago era a incapacidade de pagamento destes empréstimos e a consequente dependência total, com subserviência e facilidades de exploração de recursos naturais pelas empresas americanas.

O livro também relata que, quando os AEs, ou seja, a dominação económica, falhava, eram enviados os chacais, que removiam do poder via assassinato os presidentes que se opunham aos EUA . Cita explicitamente o caso dos Presidentes Omar Torrijos, do Panamá – que renegociou o Tratado do canal de mesmo nome – e Jaime Roldós, do Equador, que tentou expulsar as petrolíferas americanas de seu país.

Se nada desse certo, invasão pura e simples pelo Exército – i.e., Panamá e Iraque.

O esquema dos AEs é tão engenhoso que estes eram pagos por grandes empresas de consultoria, para que não aparecesse vínculo direto com o governo norte-americano ou suas agências de inteligência.

John Perkins trabalhou como um AE de 1971 a 1980. Esteve na Indonésia, Panamá, Equador, Irão, Arábia Saudita, Colômbia, entre outros. Saiu em 1980, fundou uma empresa de energia alternativa – onde teve o silêncio comprado através de diversas formas, vendeu a empresa, se tornou especialista em cultura indígena; até que o 11 de Setembro o fez finalmente escrever o livro.

Nos capítulos finais, analisa a questão da Venezuela – e a sorte de Chavez – e a do Iraque. Também disseca a sede dos EUA por petróleo e a miséria que no fim, toda esta dominação e o consumismo desenfreado causam.

Cunha o termo “corporatocracia”, para determinar as relações entre o governo e as grandes empresas, com pessoas indo de um lado para outro – no livro que li sobre a Monsanto este fenómeno é chamado de “portas giratórias”. Também determina a forma de imperialismo imposta ao restante do mundo.

O livro me deixou muito perturbado. Primeiro por mostrar quão sórdidas podem ser as pessoas quando buscam as suas realizações pessoais – mesmo que seu trabalho gere fome, destruição ecológica e de populações inteiras. Segundo, e isso já era tocado de leve no excelente livro do economista Joseph Stieglitz sobre globalização, por explicitar os métodos de dominação que representam instituições como Banco Mundial, BID e FMI. Terceiro por mostrar a influência que hábitos nossos do dia a dia exercem sobre populações inteiras. Quarto, pela influência do petróleo na história toda.

Indispensável.
Confesso que irei pensar duas vezes, a partir de agora, antes de por exemplo comprar um tênis Nike ou abrir uma Coca Cola – se bem que quase não bebo refrigerante. Pelo menos estou trocando meu carro por um mais económico.

Quando pensei este blog, a ideia era de lidar com alguns “fantasmas” que estavam em minha mente, bem como formatar opiniões e literatura e refletir um pouco sobre a correria atomata do dia a dia.

Vejo, felizmente, que além disso ele pode – e deve – engajar-se em causas justas. E este livro nos leva a pensar sobre um monte de coisa.

Saber mais:
Entrevista John Perkins

Agricultura - É assim que funciona o mundo ao contrário, por Luís Alves


O testemunho do Luis Alves do Cantinho das Aromáticas :
"Estou neste momento no processo de obter certificação bio para a quinta, que muitos colegas chamam a "multa por fazer tudo direito".

O motivo por que o fazem é porque o agricultor biológico não contamina ar, solo e água e é exponencialmente mais fiscalizado do que os produtores convencionais que contaminam todos estes elementos, cabendo depois sobretudo ao contribuinte a sua limpeza.

Este é um dos principais motivos pelo qual muitas vezes nos espantamos com diferenças de preço entre convencional e bio: um é indirectamente muito mais subsidiado do que o outro.
E ainda por cima para nos fazer mal!

O nosso certificado serve os clientes que não nos conhecem sobretudo, porque fraude também existe mas junto-me a muitos outros que já afirmaram que o ideal era mesmo a agricultura biológica deixar de existir por que toda seria biológica.

Ou então haveria somente "agricultura" e "agricultura poluente"!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Livro- Governação Comunitária das Florestas, para Crianças

Este livro destina-se a todos os compartes, profissionais, investigadores, professores e educadores que estejam direta ou indiretamente relacionados com as florestas comunitárias e que queiram abordar com crianças e jovens a governação comunitária de recursos naturais e a educação das crianças para a cidadania.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Alejandro Alvarado - Para resolver problemas velhos, estude espécies novas


A Natureza é maravilhosamente abundante, diversa e misteriosa — mas a pesquisa biológica atualmente tende a focar-se apenas em sete espécies, incluído ratos, galinhas, moscas da fruta e nós. Estamos a estudar uma franja incrivelmente estreita da vida, diz o biólogo Alejandro Sánchez Alvarado, e esperamos que seja suficiente para resolver os problemas científicos mais velhos e mais complicados, como o cancro.


Nesta palestra visualmente cativante, Alvarado desafia-nos a interrogar o desconhecido e mostra-nos as descobertas incríveis que surgem quando o fazemos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Área de eucalipto vai ficar congelada até 2030





«O Ministério da Agricultura [de Portugal] encontrou uma nova base de sustentação para o diploma da reforma da floresta que trava o crescimento da área de eucalipto em Portugal: uma resolução do Conselho de Ministros do anterior Governo, com data de Março de 2015, que ao aprovar a Estratégia Nacional para as Florestas determinava o congelamento até 2030 dos 812 mil hectares dos povoamentos com eucalipto.»

Toda a matéria no Público

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A União Europeia não cumpre a legislação ambiental


A União Europeia não cumpre a legislação ambiental, nomeadamente em relação À poluição atmosférica e aos resíduos. 23 dos 28 estados membros violam os padrões de qualidade do ar, o que é grave se soubermos que a poluição do ar foi responsável pela morte prematura de 520 mil pessoas em 2013. A plena aplicação das leis ambientais da UE «poderia poupar 50 biliões de euros por ano em custos de saúde e custos diretos para o ambiente», sugere o relatório da Comissão. Para além da poluição atmosférica, a Comissão diz que há grandes lacunas na gestão dos resíduos, na natureza e na biodiversidade, no ruído e na qualidade e gestão da água. A Alemanha e a Eslovénia foram os melhores na UE, por exemplo, na reciclagem de cerca de 60% dos seus resíduos urbanos em 2014, enquanto a Eslováquia e Malta foram os piores com taxas de apenas 12%.
Toda a informação detalhada na Reuters

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Música do BioTerra: Sisters of Mercy- Suzanne


Counting the days in the haze around you
Susanne on the wall

No pain, summer rain
I'm lost for stupid again
we are the same
give it a name Susanne

counting the days in the haze around you
Susanne let the ether fall
out of phase, I am all around you
Susanne on the wall


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Minimal Compact - Fata Polis

Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência


Em reconhecimento dos esforços da UNESCO, ONU Mulheres, UIT e outras organizações relevantes que apoiam e promovem o acesso das mulheres e raparigas à educação, formação e actividade de investigação científica, tecnológica, de engenharia e matemática, a Assembleia-Geral das Nações Unidas adoptou a resolução A/70/474/Add.2, declarando o dia 11 de Fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência.
A ciência e a igualdade de género são dois fatores vitais para levar a cabo com sucesso a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Ao longo dos últimos 15 anos, a comunidade global fez muitos esforços para inspirar e envolver as mulheres e raparigas na ciência, mas, infelizmente, muitas continuam a ser excluídas desta área.
De acordo com um estudo levado a cabo em 14 países, a probabilidade de mulheres obterem o grau de licenciatura, mestrado e doutoramento em campos relacionados com a ciência é de 18%, 8% e 2%, respectivamente; enquanto que as percentagens masculinas são de 37%, 18% e 6%.
Saiba mais sobre o papel das mulheres nas investigações científicas: Women In Science And Research

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Um milhão de assinaturas para banir glifosato da União Europeia

Começou ontem, dia 8 de Fevereiro a recolha de assinaturas para proibir o uso de um dos principais componentes dos pesticidas ao nível mundial. O objectivo é recolher um milhão de assinaturas para levar problemática à Comissão Europeia.

Assinar e obter impressos aqui

O glifosato é o principal componente dos pesticidas ao nível mundial, sendo amplamente usado em agricultura e nas áreas urbanas. Nos últimos anos, tem gerado crescente discussão acerca da sua utilização. A partir desta quarta-feira, dezenas de organizações não governamentais (ONG) de toda a União Europeia (UE) iniciaram a mobilização de cidadãos para banir o glifosato. Em Portugal, as ONG envolvidas agregaram-se na Plataforma Transgénicos Fora.

A recolha de assinaturas foi criada enquanto iniciativa de cidadania europeia (ICE). A ICE é um instrumento de participação cívica introduzido pelo Tratado de Lisboa, que define a apresentação de propostas legislativas à Comissão Europeia mediante a recolha de um milhão de assinaturas. O objetivo desta iniciativa é travar a renovação da autorização de uso do glifosato.

“Existe alguma falta de dados concretos em relação ao seu impacto epidemiológico, ou seja, em relação ao impacto em pessoas expostas. No entanto, sabe-se que em animais de laboratório causa cancro. Sabe-se também que é o herbicida mais usado em Portugal e no mundo e que os portugueses estão particularmente contaminados”, afirma Mariana Silva, uma das coordenadoras da Plataforma Transgénicos Fora.

Com efeito, a substância foi classificada em março de 2015 pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro da Organização Mundial da Saúde como “carcinogénica para animais de laboratório” e “provavelmente carcinogénica para o ser humano” .
O papel da Comissão Europeia

Todas as substâncias ativas utilizadas em pesticidas têm de ser aprovadas pela UE. O glifosato, em utilização desde os anos 70, está em processo de renovação da autorização. A Comissão Europeia estendeu o prazo da decisão de forma a aguardar a publicação de um parecer por parte da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), que estará pronto, no máximo, até ao final deste ano.

Entretanto, a Comissão Europeia fez recomendações aos Estados-membros, entre elas a minimização do uso da substância em parques e jardins de infância públicos. A Plataforma Transgénicos Fora considera-as “medidas positivas, mas que ficam ainda muito aquém do necessário para garantir a segurança dos portugueses”.

Mariana Silva considera que a ação da Comissão Europeia relativamente à problemática tem sido insuficiente. “A renovação da autorização do glifosato tem tido tantas falhas, tantas quebras de credibilidade, têm havido tantas notícias a expor a falta de transparência e de independência das sucessivas decisões, que as pessoas estão particularmente irritadas no que toca ao comportamento da Comissão Europeia e de outras estruturas europeias”, afirma a bióloga.

Por sua vez, a Comissão Europeia, em comunicação em junho de 2016, responsabilizava os Estados-membros pela inação face ao assunto. A instituição europeia chamou a atenção para o facto de não ter havido maioria qualificada nem no Comité Permanente nem no Comité de Recurso aquando da discussão do assunto.

Mariana Silva concorda que a responsabilidade também passa pelos Estados-membros, mas indica que “a Comissão Europeia tem, do ponto de vista político, a indicação clara de que a população europeia não quer a renovação do glifosato.” A bióloga remata: “O problema é que a Comissão Europeia não quer seguir essa indicação política e tem estado a fechar os olhos às indicações científicas”.
Portugal é o mais contaminado mas não faz análises

Análises a 26 voluntários portugueses demonstraram os níveis de contaminação mais altos de que há registo. A única exceção diz respeito a análises feitas nos Estados Unidos a agricultores que tinham acabado de aplicar glifosato nas colheitas. “Os voluntários [do estudo] não estavam a aplicar glifosato, portanto, para pessoas que não são agricultores nem têm exposição profissional, estes são os valores mais elevados alguma vez detetados no mundo”, explica Mariana Silva.

O estudo foi conduzido no ano passado pela Plataforma Transgénicos Fora em colaboração com o Detox Project. Esta foi a primeira análise feita no país em mais de uma década. As análises aos pesticidas estão regulamentadas em legislação europeia e incluem o glifosato. No entanto, em Portugal as análises a esta substância não têm sido realizadas, situação que Mariana Silva considera “completamente anómala”. A bióloga aponta o dedo aos “sucessivos governos que andaram a fechar os olhos”.
Falta de transparência e prazos a cumprir

Para além de querer banir o uso do herbicida, esta iniciativa tem como objetivos adicionais garantir a transparência e independência nos processos de autorização de pesticidas, bem como impor prazos obrigatórios para a redução progressiva do uso de todos os pesticidas.

“Neste momento, não há transparência. Os pesticidas e outros químicos são avaliados com base em estudos que não são publicados, secretos, que o público e cientistas independentes não podem avaliar, não podem criticar e não podem validar”, o que abre a porta “à corrupção e ao conflito de interesses”, afirma Mariana Silva.

Relativamente à redução progressiva do uso dos pesticidas, a bióloga explica que já existe legislação para conseguir essa redução, mas que a “Comissão ainda não avaliou se essa Diretiva está ou não está a cumprir essa função”.
Atingir um milhão em meio ano

A Comissão Europeia irá emitir uma decisão quando receber o parecer da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA), esperado até ao final de 2017. Isto significa que a iniciativa terá de recolher um milhão de assinaturas “até ao verão”, indica Mariana Silva.

“Esta iniciativa só faz sentido antes da Comissão Europeia comunicar a sua decisão. A partir do momento em que renove o glifosato por 10 ou 15 anos, a iniciativa perde o seu peso porque será muito mais difícil reverter. O Tratado de Lisboa prevê um ano para estas iniciativas, mas na verdade temos poucos meses”, explica a coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora.

A bióloga acredita que já há muitas pessoas em alerta para o assunto, o que irá possibilitar a recolha do total de assinaturas. “Já há uma preocupação latente que agora esta iniciativa vai permitir trazer ao de cima”, explica.

“O sucesso desta iniciativa em Portugal vai depender exclusivamente da importância que as pessoas lhe derem”, afirma. Mariana Silva acredita, no entanto, que o facto da própria iniciativa existir já é sinal de mobilização e de preocupação pública.

Para que a iniciativa seja levada à Comissão Europeia, é preciso que sejam recolhidas, até dia 25 de janeiro de 2018, um milhão de assinaturas e que, pelo menos, sete Estados-membros atinjam um número mínimo de subscritores, que varia consoante o país.

Artigo editado por Filipa Silva

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Roman Mars- Porque é que as bandeiras municipais conseguem ser as coisas mais mal concebidas e vocês nunca repararam


Roman Mars is obsessed with flags — and after you watch this talk, you might be, too. These ubiquitous symbols of civic pride are often designed, well, pretty terribly. But they don't have to be. In this surprising and hilarious talk about vexillology — the study of flags — Mars reveals the five basic principles of flag design and shows why he believes they can be applied to just about anything.

Biografia
Roman Mars é um produtor de rádio americano. Ele é o apresentador e produtor de 99% Invisible, um programa de rádio e podcast KALW, e fundador do coletivo de podcast Radiotopia, que ele descreve como como esforços para "ampliar o panorama radiofónico [e] produzir programas que não estejam presos às convenções" da rádio pública nos Estados Unidos. Wikipedia (inglês)
Roman Mars

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Conferência da ONU Sobre Biodiversidade Busca Ampliar o Diálogo com Setores Produtivos


Integração com setores produtivos, biologia sintética, questões indígenas, balanço das metas de Aichi são destaque na COP 13, em Cancún.

Preservar a vida no planeta deve ser responsabilidade de todos, não apenas de ambientalistas. Esta foi a principal mensagem que a reunião da Organização das Nações Unidas sobre conservação da biodiversidade buscou transmitir durante a Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica (COP 13, México). Sob o tema “Integração da biodiversidade para o bem-estar”, a Conferência reuniu pela primeira vez não apenas as lideranças ambientais dos países, mas também dos setores agrícola, florestal, pesqueiro e turístico. Setores que têm impactos positivos e negativos na biodiversidade.

Um exemplo da íntima relação entre a conservação da biodiversidade e o setor produtivo foi ilustrado por meio do Global Assessment on Pollinators elaborado pelo IPBES (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services) e já publicada aqui no Boletim. O relatório demonstra detalhadamente as relações entre declínio dos polinizadores e a produtividade agrícola e oferece subsídios para se elaborar ações de controle de invasoras, de apoio a comunidade locais e povos indígenas. As discussões intersetoriais foram de maneira geral consideradas construtivas, demonstraram comprometimento e foram além de temas previsíveis como certificações e relações de comércio. Ao final foi produzido um guia geral para questões que envolvem o uso da biodiversidade nos setores produtivos. O documento consolida, por exemplo, questões como compartilhamento de instrumentos da FAO (Food and Agriculture Organization das Nações Unidas) relacionados com governança dos recursos naturais, incluindo posse da terra e pesca em pequena escala. Críticas acerca do guia consideraram as ações pouco ambiciosas e que de certa forma já haviam sido contempladas anteriormente pela CDB (Convenção da Diversidade Biológica).

A Chamada Declaração de Cancún, acordada pela alta cúpula da Conferência, buscou apontar esforços adicionais dos líderes para que se cumpram as metas de biodiversidade com prazo para 2020 (Metas de Aichi) e acertaram medidas para acelerar seu cumprimento, entre elas mobilizar recursos financeiros.

O valor do conhecimento indígena e tradicional para a conservação da biodiversidade foi apresentado no estudo “Perspectivas sobre a biodiversidade local”. Reforçou-se a necessidade de se reduzir a distância entre a intenção, e o gesto quando se trata de respeitar o território indígena, principalmente no Novo Continente. Segundo relatórios apresentados pelo terceiro setor, ainda há muitos compromissos assumidos com os povos indígenas que não são respeitados.

Os territórios indígenas e de comunidades locais constituem grandes áreas de interesse para a conservação  da biodiversidade e a importância destas áreas está cada dia mais evidente. Segundo Bráulio Dias, o Secretário-executivo da CDB, “A área física ocupada por esses territórios é maior que a região de áreas protegidas no mundo”, por isso, a importância de reconhecer estas superfícies naturais. Repetidamente, buscou-se destacar relevância de se incluir indígenas e comunidade locais em decisões relacionadas à conservação da biodiversidade e não só governos.

Em relação ao balanço das Metas de Aichi – o plano que prevê deter a perda de biodiversidade do planeta, com metas que devem ser alcançadas até 2020 – apontaram-se avanços e desafios ainda por serem suplantados. Das 20 metas, a que reporta avanços importantes é aquela que dispõe sobre a criação de Áreas Naturais Protegidas terrestres e marinhas (Meta 11), que se acredita ser atingida até 2020. A meta que abrange a divisão justa e equitativa dos benefícios oriundos da biodiversidade, abarcadas no Protocolo de Nagoia (Meta 16), também progride com mais de 90 membros e mais 40 países que discutem suas regulamentações. Lamentavelmente o Brasil não faz parte deste grupo porque não ratificou o Protocolo de Nagoia. Já em contraste, a meta que se dedica à mobilização de recursos financeiros (Meta 20) é difícil de ser atingida, mesmo com o aumento das transferências internacionais dos países desenvolvidos para apoiar ações nos países em desenvolvimento. Ainda foram consideradas difíceis de serem atingidas as metas relacionadas aos ecossistemas muito vulneráveis (Meta 10), a que aborda a extinção das espécies (Meta 12) e a que abrange a perda de variedade genética em plantas e animais (Meta 13).

Tecnologias Emergentes
O tema das tecnologias emergentes foi o tópico quente da reunião em Cancún, México. A chamada biologia sintética (ou synbio) traz entusiasmo e temor. Se por um lado esta tecnologia aventa a possibilidade de novos usos industriais (cosmético, biocombustíveis, medicina, químico, etc), agrícolas e ambientais (bioremediação, controle de vetores de doenças e até resgatar diversidade genética de espécies em declínio), por outro, seus efeitos na natureza não podem sequer ser dimensionados, o que inspira precaução.

A biologia sintética é uma derivação do que inicialmente se iniciou com melhoramento genético, seguida pelas técnicas de inserção de fragmentos de DNA em genomas de outras células (os organismos geneticamente modificados, já abrangidos no Protocolo de Cartagena). Estas técnicas de engenharia genética envolvem intervenções mais profundas no genoma, gerando sequências que podem ser criadas, inseridas, deletadas ou transmitidas. Os impulsionadores genéticos (gene drivers), por exemplo, são capazes de transmitir uma dada herança para as próximas gerações. Uma aplicação que se vislumbra é a transmissão de esterilidade em espécies invasoras de culturas com o propósito de extermínio definitivo da espécie daninha. As sequências genéticas digitais são estruturas moleculares criadas por meio de programas de computador. Uma das polêmicas com relação a essa tecnologia reside na repartição de benefícios. Com a crescente disponibilização de sequências genéticas em banco de dados de livre acesso é possível, por meio da synbio, replicar moléculas. Na perspectiva dos países em desenvolvimento não importa se o produto final foi desenvolvido a partir de extratos de planta ou animal ou a partir da informação genética disponível em banco de dados. Logo, se houve benefício financeiro a partir do uso da biodiversidade ele precisa ser considerado  no mecanismo de repartição dos benefícios (Protocolo de Nagoia). Essa questão tornou-se mais proeminente com a redução dos custos de máquinas de sequenciamento genético. Do outro lado, os países ricos, os principais usuários dos recursos genéticos, não se dispõem a pagar por informações que, na visão deles, estão disponíveis gratuitamente.

Seus benefícios e impactos dividem as opiniões de especialistas. Por esta razão, houve um consenso de que é necessária uma regulamentação internacional deste quadro. Entretanto, considerando que não há ainda uma convergência de opiniões acerca do tema, foi solicitada uma moratória sobre os experimentos de biologia sintética. Os blocos africano e caribenho se posicionaram a favor dessa moratória, todavia, Brasil, Austrália e Canadá encabeçaram a pressão pela inclusão da biologia sintética na Convenção. Por fim, na Declaração de Cancún, não se aplicou o termo “moratória”, mas se faz uma sugestão pelo adiamento deste tipo de pesquisa. No que concerne o tópico sobre sequências genéticas digitais a rejeição foi unânime. Paralelamente, a CDB continuará com o grupo de trabalho focado na avaliação de risco da biologia sintética. O temor, entretanto reside no tempo em que isto pode levar uma vez  que já existem produtos derivados da synbio no mercado e que estes já foram liberados no ambiente.

Sobre a COP
A Conferência das Partes (COP) é a principal instância de decisões da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas que se reúne a cada dois anos. A 13ª edição da COP, em Cancún (México), foi marcada pela presença de mais de 100 ministros de Estado de 196 países, 6.500 representantes dos setores públicos e privados que se reuniram para negociar acordos e compromissos para a conservação dos ecossistemas, o uso sustentável da biodiversidade, a implementação do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020 e as metas de Aichi.

Aconteceram paralelamente a COP 13, a 8ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica (COP/ MOP 8) e a 2ª Reunião das Partes do Protocolo de Nagoya sobre Acesso e Repartição de Benefícios (COP/ MOP 2).

O Brasil foi representado na COP 13 pelos ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho, e Agricultura, Blairo Maggi.

As sedes para as próximas Conferências das Partes são Egito (COP 14), em 2018, seguido por China (COP 15) e Turquia (COP 16).

Por fim, foi anunciada a nova Secretária Executiva da CDB, Cristiana Paşca Palmer, da Roménia. A Sra. Palmer irá substituir o brasileiro Bráulio Dias que permaneceu no cargo por cinco anos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Immigration and crime: What does the research say?


Editor’s note: In his first week in office, President Donald Trump showed he intends to follow through on his immigration promises. A major focus of his campaign was on removing immigrants who, he said, were increasing crime in American communities.

In his acceptance speech at the Republican National Convention, Trump named victims who were reportedly killed by undocumented immigrants and said:
“They are being released by the tens of thousands into our communities with no regard for the impact on public safety or resources…We are going to build a great border wall to stop illegal immigration, to stop the gangs and the violence, and to stop the drugs from pouring into our communities.”
Now as president, he has signed executive orders that restrict entry of immigrants from seven countries into the U.S. and authorize the construction of a wall along the U.S. border with Mexico. He also signed an order to prioritize the removal of “criminal aliens” and withhold federal funding from “sanctuary cities.”

Immigration-crime research over the past 20 years has widely corroborated the conclusions of a number of early 20th-century presidential commissions that found no backing for the immigration-crime connection. Although there are always individual exceptions, the literature demonstrates that immigrants commit fewer crimes, on average, than native-born Americans.

Also, large cities with substantial immigrant populations have lower crime rates, on average, than those with minimal immigrant populations.

In a paper published this year in the Journal of Ethnicity in Criminal Justice, we, along with our colleagues Gail Markle, Saskia Weiss and Charles Jaret, investigated the immigration-crime relationship.

We analyzed census data spanning four decades from 1970 to 2010 for 200 randomly selected metropolitan areas, which include center cities and surrounding suburbs. Examining data over time allowed us to assess whether the relationship between immigration and crime changed with the broader U.S. economy and the origin and number of immigrants.

The most striking finding from our research is that for murder, robbery, burglary and larceny, as immigration increased, crime decreased, on average, in American metropolitan areas. The only crime that immigration had no impact on was aggravated assault. These associations are strong and stable evidence that immigration does not cause crime to increase in U.S. metropolitan areas, and may even help reduce it.

There are a number of ideas among scholars that explain why more immigration leads to less crime. The most common explanation is that immigration reduces levels of crime by revitalizing urban neighborhoods, creating vibrant communities and generating economic growth.

Across 20 years of data
For the last decade, we have been studying how immigration to an area impacts crime.

Across our studies, one finding remains clear: Cities and neighborhoods with greater concentrations of immigrants have lower rates of crime and violence, all else being equal.

Our research also points to the importance of city context for understanding the immigration-crime relationship. In one study, for example, we found that cities with historically high immigration levels are especially likely to enjoy reduced crime rates as a result of their immigrant populations.

Findings from our most recent study, forthcoming in the inaugural issue of The Annual Review of Criminology, only strengthen these conclusions.

We conducted a meta-analysis, meaning we systematically evaluated available research on the immigration-crime relationship in neighborhoods, cities and metropolitan areas across the U.S. We examined findings from more than 50 studies published between 1994 and 2014, including studies conducted by our copanelists, Adelman and Reid.

Our analysis of the literature reveals that immigration has a weak crime-suppressing effect. In other words, more immigration equals less crime.

There were some individual studies that found that with an increase in immigration, there was an increase in crime. However, there were 2.5 times as many findings that showed immigration was actually correlated with less crime. And, the most common finding was that immigration had no impact on crime.

The upshot? We find no evidence to indicate that immigration leads to more crime and it may, in fact, suppress it.