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quarta-feira, 29 de abril de 2026

The Stargazer Lilies - Perfect World


Letra
Love would rule
Nothing be cruel
No one would hurt
Or feel like dirt
Every soul 
Honest and true
Each  moment 
Fresh and new

Oooooo
In a perfect world
Rainbows swirled
Blue and green twirled
Oooooo
In a perfect world
Space time curled
And rainbows swirled
Oooooo

 Poverty would be no more
As would disease and making war
All mistakes
Could be undone
Above all else
Life would be 

Esta canção é um hino ao idealismo utópico, pintando o retrato de uma realidade onde as falhas fundamentais da condição humana — o sofrimento, a malícia e a irreversibilidade do tempo - foram erradicadas. No seu âmago, a letra explora a pureza moral e emocional, sugerindo que num mundo perfeito a dor psicológica seria inexistente, pois a honestidade e a autovalorização seriam a norma, eliminando o sentimento de "ser lixo" ou a necessidade do engano.

A composição eleva-se acima das questões sociais ao tocar no campo da metafísica, especialmente quando menciona que o "espaço-tempo se curvaria". Esta ideia de que "todos os erros poderiam ser desfeitos" revela o maior desejo humano: a libertação do arrependimento e a capacidade de apagar as consequências permanentes das nossas falhas. Ao abordar a extinção da pobreza, da doença e da guerra, a letra confronta os três grandes pilares do sofrimento terreno, propondo um sistema de salvação absoluta.

Finalmente, ao terminar com a frase suspensa "a vida seria...", a canção sugere que, uma vez removido o ruído do conflito e da escassez, a verdadeira essência da existência é algo tão profundo e transcendente que ultrapassa a própria linguagem. É um contraste vibrante entre a dureza do nosso mundo e um sonho onde o amor não é apenas um sentimento, mas a própria lei que rege a física do universo.

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sábado, 25 de abril de 2026

Cidade portuguesa entra no top das mais felizes do mundo


A Maia é a cidade portuguesa mais bem posicionada no Happy City Index 2026. Ocupa o 69.º lugar a nível mundial, com 6.273 pontos, destacando-se entre os municípios nacionais.

A capital dinamarquesa, Copenhaga, lidera o ranking, que resulta de uma avaliação feita a centenas de cidades em todo o mundo.

Como é avaliada a qualidade de vida no ranking
O índice, desenvolvido pelo Institute for Quality of Life, avalia onde se vive melhor ao analisar fatores como:
  1. a governação
  2. o ambiente
  3. a economia
  4. a saúde
  5. a sustentabilidade
  6. o envolvimento dos cidadãos
A edição de 2026 começou com a análise de 3.400 cidades em todo o mundo, sendo depois reduzida a uma seleção mais detalhada de mil, até chegar à lista final de 251 cidades.

O estudo envolveu centenas de investigadores e teve em conta milhares de registos validados.

As dez cidades mais felizes do mundo
Os investigadores destacam as cidades mais bem classificadas a nível mundial por pontuação:
1. Copenhaga, Dinamarca
2. Helsínquia, Finlândia
3. Genebra, Suiça
4. Uppsala, Suécia
5. Tóquio, Japão
6. Trondheim, Noruega
7. Berna, Suíça
8. Malmö, Suécia
9. Munique, Alemanha
10. Aarhus, Dinamarca

Cidades portuguesas em destaque
A posição da cidade da Maia ganha ainda mais relevância por surgir entre as 70 cidades mais bem classificadas do mundo, à frente de destinos internacionais como Bordéus e Adelaide. Este reconhecimento surge no mesmo ano em que a cidade foi eleita Capital Europeia do Voluntariado.

Portugal conta com várias cidades neste ranking. Depois da Maia, surgem Matosinhos (111.º lugar), Odivelas (114.º), Almada (124.º), Lisboa (159.º), Braga (166.º), Gondomar (199.º) e Funchal (225.º).

O estudo confirma a presença de cidades portuguesas na lista, mas destaca a Maia como o principal exemplo nacional em termos de qualidade de vida.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Capitalismo e Esquizofrenia - dossier Anti-Édipo

Edição Antiga. A mais recente é da Assírio Alvim 

Em 1972 saía em França "O Anti-Édipo", imediatamente transformado em livro de referência. O "Anti-Édipo" foi o volume inaugural de "Capitalismo e Esquizofrenia", concluído com "Mil Planaltos", também publicado em Portugal.

Anos volvidos, depois da morte trágica de Deleuze e do triunfo do liberalismo capitalista, "O Anti-Édipo" readquire uma renovada importância com reedições em vários países.

E-Livro completo aqui

A. Introdução

A Ecologia do Desejo: Porque precisamos de ler Deleuze e Guattari para salvar a Terra
No BioTerra, falo frequentemente de sustentabilidade como um conjunto de práticas: reciclar, plantar, conservar. Mas e se a crise ambiental que enfrentamos não for apenas uma crise de recursos, mas uma crise do nosso desejo? Para mudar a forma como tratamos o planeta, precisamos primeiro de entender como o sistema capturou a nossa vontade e a transformou em consumo passivo.

É aqui que entra uma das obras mais radicais do século XX: O Anti-Édipo, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Este "dossier" sobre o capitalismo e a esquizofrenia oferece-nos as ferramentas para uma Ecologia Profunda, que não separa o Homem da Natureza, mas vê ambos como parte de um fluxo contínuo de vida.

O Desejo como Revolução: Mergulhando no "Anti-Édipo"
Se alguma vez sentiu que a vida moderna tenta encaixar-nos em caixas cada vez mais pequenas, o livro "O Anti-Édipo", primeiro volume da série Capitalismo e Esquizofrenia, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, é o grito de libertação que precisa de conhecer. Publicada em 1972, no rasto dos movimentos de maio de 68, esta obra não é apenas um tratado filosófico; é uma "máquina de guerra" contra as formas de controlo da subjetividade.

No cerne do livro está uma crítica feroz à psicanálise tradicional. Para os autores, Freud cometeu um erro estratégico ao confinar o desejo humano ao "teatro familiar" do Complexo de Édipo. Ao reduzir as nossas angústias e sonhos à relação com o "papá e a mamã", a psicanálise teria domesticado a força vital do ser humano. Deleuze e Guattari propõem o oposto: o inconsciente não é um palco de representações familiares, mas sim uma fábrica. O desejo é uma força produtiva, biológica e social que eles designam como "máquinas desejantes". O desejo não quer "possuir" um objeto por falta, quer sim ligar-se, fluir e criar realidades.

A obra lança também um olhar radical sobre o sistema em que vivemos. Argumentam que o Capitalismo possui uma natureza paradoxal: ele "desterritorializa", ou seja, destrói tradições e códigos antigos para libertar fluxos de dinheiro e mercadoria, mas, ao mesmo tempo, cria novas prisões — como o consumo desenfreado e a burocracia estatal — para impedir que o desejo se torne verdadeiramente revolucionário.

É aqui que entra a figura do esquizofrénico, não como uma patologia clínica a ser lamentada, mas como um "processo" de fuga. Para os autores, o "esquizo" é aquele que consegue escapar às codificações do sistema, rompendo as fronteiras do que a sociedade considera normal ou produtivo.

Para substituir a análise tradicional, o livro propõe a Esquizoanálise. Em vez de perguntar "o que é que isto significa?" em relação ao passado, o objetivo é perguntar "como é que isto funciona?" no presente. Como é que o seu desejo se liga à política, à arte, à terra e ao outro? É um convite para abandonarmos as identidades rígidas e abraçarmos o que eles chamam de Corpo sem Órgãos — um estado de pura experimentação onde a vida flui sem as amarras das hierarquias impostas.

Ler "O Anti-Édipo" é um desafio, pois o texto é denso e propositadamente caótico, espelhando a própria multiplicidade que defende. No entanto, a sua mensagem permanece urgente: a verdadeira ecologia e a verdadeira liberdade começam quando libertamos o nosso desejo das fábricas de conformismo do sistema.

Conclusão

Ligar-se à Terra, Desligar-se da Máquina
Ao transmutarmos a visão do desejo de "consumo" para "produção", a ecologia deixa de ser um dever moral e passa a ser uma forma de libertação. Ser "Bio", nesta perspetiva, é permitir que o nosso desejo se conecte novamente com os ciclos da terra, com o crescimento das plantas e com a regeneração dos ecossistemas, em vez de ser canalizado para a acumulação de objetos obsoletos.

A verdadeira sustentabilidade exige que sejamos um pouco "esquizofrénicos" aos olhos do sistema: que saibamos fugir das rotas traçadas pelo hipercapitalismo para traçarmos os nossos próprios mapas de vida. Afinal, cuidar da Terra é, antes de mais, cuidar da liberdade do nosso próprio inconsciente.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Por uma Economia da Felicidade e dizer não ao regresso do Fascismo



Podemos ser o país da Europa como o Butão e apostar na Felicidade Interna Bruta. As semelhanças connosco estão na difícil orografia do País, mas Butão é um País muito interior, sem oceano. E nós temos a vantagem de uma ZEE por explorar. O País, incluindo Madeira e Açores tem 1,7 milhões de km² de águas marítimas e uma plataforma continental que pode chegar a 4 milhões de km². O que se pensa sobre isso: segurança nacional apenas ou investimento na Economia Azul? Vemos o mar sempre de costas voltadas, quando bem gerido, é uma nova "indústria", salvaguardando o património pesqueiro. 

A minha intenção  da foto do Ventura vestido com fardamento militar era expor o rei "Vai Nú". Ventura na cabeça dele e de Nuno Melo sonham/deliram que se refaça o Golpe de 28 de Maio de 1926. O que aconteceu: militares liderados por Gomes da Costa derrubaram a Primeira República, iniciando a Ditadura Militar que evoluiu para o Estado Novo sob Salazar. O movimento partiu de Braga e espalhou-se pelo país, com adesão em massa das guarnições. 
A Ditadura Nacional e o Estado Novo totalizaram 48 anos de fascismo penosos, de graves atrasos científicos e de escolaridade. Um regime da bufaria e muito sangrento com a Guerra Colonial.                Durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974), cerca de 10 mil militares portugueses morreram nas frentes de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, com números oficiais revistos para cima de estimativas anteriores de 8 mil. 
Civis africanos sofreram perdas muito maiores, estimadas em mais de 100 mil, incluindo massacres como o da Baixa do Cassange (200-300 mortos) e Wiriyamu (385-450).
Repressão colonial e contra-ofensivas provocaram dezenas de milhares de civis africanos mortos. Marcelo Caetano, como muitos à primeira impressão pensam, não foi um ditador fofinho. Nos últimos anos do Salazarismo foi indecente e Marcelo perpetrou mais opressão sobre os países escravizados : 247 em Angola (1970), 128 em Moçambique (1971) e 123 na Guiné (1973).  
​Estimativas totais superam 100 mil, incluindo fuzilamentos, bombardeios e fome induzida.
O nosso País é muito seguro. Portugal manteve o 7º lugar no Global Peace Index (GPI) 2025 graças a um desempenho forte em baixa militarização e elevada segurança social. Indicadores positivos chave incluíram despesa militar mínima em percentagem do PIB, baixa participação em missões de paz da ONU e elevada sensação de segurança ao caminhar sozinho à noite.
A maior criminalidade apenas é de pequeno tráfico de droga, pequenos furtos e a violência doméstica. Não quero um País com estereótipos de machão. Quero um País que proteja e une. Um País que acolhe e integra. Um País para a frente, mais pragmático e com melhores salários. Há e é possível a criação de bons empregos em várias áreas, que não seja apenas o turismo e o beija-mão às Cimenteiras, às monoculturas, Navigator e o Grupo Amorim. Que faça urgentemente um TGV Porto-Vigo e outro entre Évora e Madrid. Um novo aeroporto em Lisboa. Um País com maior coesão territorial, sem recorrer apenas a auto-estradas. Isso não é "progresso". É uma medida de maior fuga do Interior para o Litoral. Há que respeitar e fortalecer as comunidades raianas e do interior. Têm direito a viver nesses locais. 
Os think tanks mais influentes e procurados a nível internacional em Portugal incluem o Institute of Public Policy (IPP), o Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS),  destacando-se pela produção de análise académica e debate público sobre políticas europeias e globais.
Avaliações dos think tank baseiam-se em citações académicas (Scimago), impacto mediático e eventos internacionais, onde Portugal tem presença modesta comparado a Bruegel ou Chatham House.
O IPP não figura em métricas científicas como Scopus/Web of Science, dada a natureza não peer-reviewed das publicações.
O IPRI publica em revistas académicas de RI (ex.: Janus), com alguma visibilidade em redes como TEPSA, mas o impacto científico é modesto comparado a universidades, sem posições destacadas em rankings bibliométricos.
Quanto à FFMS tem destaque em dados públicos (Pordata) e estudos sociais, com influência doméstica alta, mas publicações não científicas excluem-na de rankings como Scimago ou InCites, focados em artigos indexados.
A dinâmica migratória portuguesa mudou de forma significativa na última década e, pela primeira vez em várias décadas, há mais jovens portugueses a regressar do que a emigrar. A conclusão é de Manuel Caldeira Cabral, professor da Universidade do Minho e ex-ministro da Economia e Socialista que assinou um artigo no Expresso, em 3 de Dezembro do ano passado onde defende que Portugal entrou “numa nova realidade migratória”.  Segundo o economista, a emigração deixou de ser uma viagem sem regresso e passou a ser, para muitos jovens, uma experiência temporária. “Há sempre amigos que já viveram e trabalharam no estrangeiro e decidiram regressar”, observa.
Mas o fenómeno que destaca o ex-ministro da Economia é outro: Portugal tornou-se também um destino para jovens qualificados vindos de países ricos, como Alemanha, França, Itália, EUA ou Reino Unido. Desde 2019, afirma Caldeira Cabral, o número destes jovens que vêm trabalhar para Portugal supera o número de portugueses que emigram para os mesmos países.
Dados recentes mostram que entram anualmente no país cerca de 45 mil estrangeiros oriundos de economias com salários superiores aos portugueses, dos quais 33 mil são cidadãos da União Europeia. Só no último ano, cinco mil norte-americanos, seis mil italianos, quase quatro mil alemães e número semelhante de franceses pediram residência permanente em Portugal — a maioria com menos de 45 anos.
A ideia de que Portugal vive uma fuga de talentos não resiste aos números, argumenta Caldeira Cabral. O professor da UMinho sublinha que, embora tenham aumentado as qualificações dos jovens que emigraram, cresceram ainda mais as qualificações dos jovens que permaneceram no país.
Citando o Boletim Económico do Banco de Portugal, o autor explica que, entre os jovens que emigraram, 30% têm ensino superior, mas entre os que ficaram essa proporção chega aos 38,5%. “A propensão a emigrar é menor entre os mais qualificados, exatamente o contrário da fuga de cérebros”, afirma.
O saldo global também joga a favor de Portugal: nos últimos quatro anos, o emprego de licenciados cresceu 320 mil, enquanto o sistema de ensino superior formou apenas 230 mil. “A diferença — cerca de 90 mil — só pode ser explicada pela imigração qualificada”, sustenta. No mesmo período, terão saído entre 40 e 50 mil licenciados, mas entraram entre 150 e 160 mil.
Para Caldeira Cabral, estes dados demonstram que Portugal deixou de encaixar no modelo clássico de migração “Norte-Sul”, em que trabalhadores se deslocam apenas dos países mais pobres para os mais ricos. O país aproxima-se agora do padrão “Norte-Norte”, típico das migrações dentro da UE: fluxos nos dois sentidos, com saída e entrada de trabalhadores qualificados.
O professor afirma que esta mudança obriga a repensar o debate sobre a emigração jovem. “Se os jovens saem apenas porque os salários são maiores lá fora, como explicar que tantos estejam a voltar?”, questiona. E acrescenta: “Se Portugal não tivesse oportunidades interessantes, porque estaria a atrair jovens da Alemanha, França, Itália ou EUA?”
Entre 2020 e 2023, regressaram ao país mais portugueses do que aqueles que partiram. Só no último ano, 31 mil cidadãos nascidos em Portugal voltaram, a maioria jovens trabalhadores. Para o ex-ministro, esta tendência deve ser encarada como uma oportunidade: “Temos de olhar para os nossos jovens emigrantes não como uma perda, mas como uma força estratégica”, defende, sugerindo que o país os mobilize como “embaixadores” e valorize a experiência internacional que trazem.
Caldeira Cabral recorda ainda que países como Luxemburgo, Irlanda ou Suíça têm taxas de emigração jovem superiores à média europeia — e isso não significa decadência, mas abertura ao mundo. O mesmo, afirma, deve aplicar-se a Portugal.
Com o aumento do número de regressos e a capacidade de atrair talento estrangeiro, o autor defende que Portugal deve abandonar a visão fatalista sobre emigração. “Não devemos ficar a chorar o leite derramado dos que escolhem sair, porque muitos vão mais tarde escolher voltar”, escreve.
A prioridade, conclui, deve ser manter incentivos e criar condições para que regressar a Portugal se torne vantajoso — para os jovens e para o país.              
Há que fazer um esforço político e das instituições e autarquias para terminar em Portugal o que é designado por crony capitalism. Sistemas onde o sucesso empresarial depende mais de relações pessoais, familiares ou redes de proximidade (familiaridade) do que de mérito ou concorrência aberta, favorecendo "sempre os mesmos" grupos conectados por laços de confiança ou lobby. 
Implicações Económicas e Sociais
Esse modelo reduz a concorrência, eleva custos para consumidores e fomenta corrupção, contrastando com mercados meritocráticos.
As oportunidades de trabalho e transparência para atrair os jovens estão aí, sobretudo na área ambiental, numa boa transição verde, o País que exporte novas dinâmicas culturais, que aposte  num plano biocentrado nos oceanos do que apenas preocupado em segurança policial e controle, uma nova urbanidade (e há tanto a fazer e temos tão bons especialistas, idealizando a economia circular, a mobilidade suave, em cidades de 15 minutos, restauro dos serviços de saúde e continuar a investir na literacia digital e científica dos idosos) e na preservação da biodiversidade. 
O património biológico é fundamental neste séc XXI. As políticas globais e capitalistas infelizmente elevam o carbofascismo e exploração das terras raras. É um desafio gigante pois, a Saudi Aramco, empresa de petróleo e gás natural, é a empresa mais rentável do mundo, tendo facturado 105,37 mil milhões de dólares no último ano fiscal.
Contudo a preservação da nossa biodiversidade gera vantagens económicas directas e indiretas, sustentando ecossistemas essenciais para atividades humanas rentáveis. Há que renaturalizar Portugal.
Valores Directos
Recursos como madeira, peixes, plantas medicinais e produtos agrícolas derivados da biodiversidade geram PIB e emprego, com mercados globais de biotecnologia e farmacêuticos a valerem biliões de dólares anualmente. E um turismo diferente. Um turismo imersivo, já ouviram falar?

O Butão cobra uma taxa turística sustentável (Sustainable Development Fee, SDF) de 100 dólares americanos por dia para visitantes internacionais a partir de 2024, reduzida de valores anteriores mais altos como 200-250 USD. Essa taxa aplica-se por noite de estadia e inclui serviços como visto, tarifa mínima de hotel de categoria superior, refeições principais, guia licenciado, transporte interno e oxigénio de emergência quando necessário.
Valor Atual
Crianças de 2 a 11 anos pagam metade (50 USD/dia), menores de 2 anos estão isentos, e cidadãos de nações vizinhas como Índia e Bangladesh têm taxas simbólicas ou diferentes regras. Indianos, por exemplo, pagam cerca de 1.200 NPR (rupees nepaleses) por dia. A taxa financia 100% projetos de desenvolvimento sustentável e é obrigatória para todos os turistas, exceto residentes.
Vantagens para o Butão
A taxa preserva a felicidade nacional bruta (Gross National Happiness), limitando o overturismo e protegendo o meio ambiente frágil dos Himalaias. Gera receitas que financiam saúde, educação gratuita, conservação de 72% do território como floresta e infraestrutura rural, mantendo a cultura budista intacta. Isso equilibra economia (cerca de 45% do PIB turístico pré-pandemia) com bem-estar local, evitando massificação vista em vizinhos como Nepal.
Portugal devia fazer o mesmo. 
Valores Indirectos
Serviços ecossistémicos como polinização, regulação climática, proteção de solos e purificação de água e rios livres poupam custos em agricultura, seguros contra desastres e tratamento de água, estimados em 125-145 biliões de dólares por ano globalmente. A perda de biodiversidade aumenta riscos económicos, como colapsos de colheitas ou inundações mais frequentes.
A União Europeia definiu 5 objetivos estratégicos para o período 2021-2027, que serão as prioridades do Portugal 2030. Nesse sentido, temos que aproveitar eficientemente os fundos europeus destinados ao País, com transparência, sem capitalismo de cunhas ou clientelismo económico. São eles: 
1. Portugal + Inteligente, investindo na investigação e inovação, na digitalização, na competitividade e internacionalização das empresas, nas competências para a especialização inteligente, a transição industrial e o empreendedorismo.
2. Portugal + Verde, orientado para a transição verde, acompanhando a emergência climática e incorporando as metas da descarbonização, da eficiência energética e reforço das energias renováveis, e apoiando a inovação, a economia circular e a mobilidade sustentável.
3. Portugal + Conectado, com redes de transportes estratégicas, baseada numa forte aposta na ferrovia, potenciando a mobilidade de pessoas e bens, bem como a qualificação dos territórios, garantindo a sua atratividade, competitividade e inserção nos mercados nacional e internacional.
4. Portugal + Social, apoiando a melhoria das qualificações da população, a igualdade de acesso aos cuidados de saúde, promovendo o emprego de qualidade, a inclusão social, seguindo as prioridades estabelecidas no Pilar Europeu dos Direitos Sociais.
5. Portugal + Próximo dos cidadãos, apoiando estratégias de desenvolvimento a nível local, promotoras de coesão social e territorial, e apoiando o desenvolvimento urbano sustentável, baseado no conceito de interligação de redes, centrada nas necessidades das pessoas.
6. Portugal + Transição justa, para assegurar que a transição para uma economia sustentável e neutra em carbono se processo de forma justa.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Poema da Terra Inteira

"Aprendi com as ervas que nada tem pressa.
Nasce-se porque sim,
como a luz que se desprende da manhã
sem pedir licença ao dia.
Caminho pelos campos sem querer compreendê-los.
A compreensão é um peso dos homens.
A relva sabe estar,
o rio sabe seguir,
a pedra sabe durar.
E ninguém lhes ensinou nada.
Abraço um carvalho antigo
e ouço, no silêncio da casca,
a memória de tudo o que já passou por ele:
vento, pássaros, neve, populações antigas
a marca de um raio,
o calor de muitos verões.
E percebo que não sou dono de nada,
apenas hóspede de passagem.
A Natureza não precisa de mim,
mas eu preciso dela
como quem precisa de respirar fundo
para lembrar o próprio nome.
Porque viver é simples:
respirar com a paisagem,
escutar o que cresce,
e reconhecer — num gesto sereno —
que somos apenas uma voz
no grande coro da Terra."

Reflexão ecológica: transição filosófica do Antropoceno para o Ecoceno
Toda a ética ambiental começa num reconhecimento simples: a Terra não é um cenário, é uma comunidade viva da qual fazemos parte. A verdadeira sabedoria ecológica nasce quando deixamos de olhar para o mundo apenas como recurso e passamos a vê-lo como relação.
Cada forma de vida — da mais discreta à mais imponente — participa num equilíbrio que não é aconselhável controlar, pois dele dependemos profundamente.
Não há superioridade, apenas interdependência.

Cuidar do planeta não é um gesto moral isolado; é um novo paradigma.
Não desejamos mais extinção mas sim um futuro partilhado de todas as espécies, permitindo que as futuras gerações usufruam plenamente do Ecoceno.

E talvez o maior ensinamento seja este:
proteger a Terra não é salvar algo externo a nós — é preservar a continuidade da própria vida
de que somos expressão.
Joao Soares 04.12.2025

sábado, 4 de outubro de 2025

Como responder ao colapso social


A ciência e a modelação mostram que a nossa civilização está em colapso existencial, mas e se esta realidade aterradora for o estímulo de que a humanidade necessita para voltar a viver plenamente e com realização? Nesta palestra provocadora, a autora e jornalista best-seller internacional Sarah Wilson explora o lado positivo de perder o que temos dado como garantido. Sarah Wilson é autora de vários best-sellers do New York Times e da Amazon, podcaster, filósofa social e renegada.

É a apresentadora do podcast Wild with Sarah Wilson e escreve a popular newsletter da Substack, This is Precious, que conta com uma comunidade envolvida de 57.000 subscritores.

Sarah é conhecida mundialmente por ter fundado o movimento I Quit Sugar – um programa de bem-estar digital e 13 livros premiados vendidos em 52 países – que viu milhões de pessoas em todo o mundo transformarem a sua saúde. Em 2022, Sarah vendeu o negócio e doou 100% dos lucros a instituições de solidariedade.

O seu best-seller do New York Times, First, We Make the Beast Beautiful, é descrito por Mark Manson como "o melhor livro sobre como viver com a ansiedade que já li" e foi apresentado como livro do ano no Today Show da NBC. O seu livro This One Wild & Precious Life ganhou o prémio US Gold Nautilus de 2021.

Sarah é consultora de empresas e universidades em media, saúde mental e risco existencial. Foi oradora convidada para o curso de mestrado em Sustentabilidade e Liderança da Universidade de Cambridge e estabeleceu parcerias com organizações como o Climate Council, a Universidade de Harvard e a Intelligence Squared em campanhas. Esta palestra foi proferida num evento TEDx utilizando o formato de conferência TED, mas organizado de forma independente por uma comunidade local.

Fernando Santos Pessoa publicou em livro décadas de reflexões sobre Território e Paisagem

São 34 textos, que foram escritos ao longo de muitos anos, mas que «não são pensamentos dispersos» e denotam uma linha de pensamento coerente que Fernando Santos Pessoa, engenheiro silvicultor, arquiteto paisagista e professor universitário, sempre manteve.

Esta é uma descrição sucinta do livro “Território e Paisagem”, que junta reflexões do autor sobre temas diversos, mas principalmente ligados ao Ambiente, publicadas ao longo de mais de três décadas em diversas plataformas, incluindo o Sul Informação, que foi apresentado no dia 25 de Setembro, em Faro.

«Chego à conclusão de que ao longo dos anos mantive as mesmas convicções, aprofundando-as e esticando mais um bocadinho para novos desafios que nos aparecem. Mas a intenção é essa, é mostrar uma certa coerência mantida ao longo de tantos anos», disse ao Sul Informação Fernando Santos Pessoa, à margem da apresentação do seu mais recente livro.

«Nestes últimos anos surgiram desafios novos [ambientais e políticos] com os quais não contávamos aqui há 10 ou 20 anos. Dentro dessa ideia, como eu disse, sei que posso errar, mas faço o que for possível para não o fazer, dentro das minhas convicções», acrescentou.

Na sessão da passada semana, a apresentação da obra esteve a cargo do também arquiteto paisagista Gonçalo Gomes, antigo aluno (e não só) do homenageado, na Universidade do Algarve.

«Tenho de fazer uma declaração de interesses prévia: sou aluno, sou discípulo, sou amigo e sou admirador. Há sempre um certo viés, mas que eu não tenho qualquer problema em assumir, porque a leitura do que escreve e a análise da sua obra confirmam que eu não estou a exagerar», disse Gonçalo Gomes, durante a sessão.

Referindo-se a um texto dos anos 90, um dos que pode ser lido na obra apresentada, em que, apesar preconizar um futuro negro, nomeadamente grandes ameaças à liberdade e à democracia, Fernando Santos Pessoa avisava que «não se tratava de ser o Velho do Restelo», Gonçalo Gomes aproveitou para criar uma imagem diferente: «um “velho” no alto do Restelo, ou seja, alguém que, de um ponto elevado, lança um olhar mais lúcido, mais alongado e contextualizado sobre aquilo que se vai desenvolvendo à sua frente».

«Uma das grandes tónicas deste livro é ter um olhar humanista, sempre muito centrado no bem-estar das pessoas, na sua qualidade de vida e em algo que é fundamental, a dignidade do existir. Também se debruça sobre algo de que não falamos as vezes suficientes, que é a felicidade das pessoas, que é um tema sempre muito presente nas suas obras», resumiu.

Os 54 textos que estão unidos neste livro «enquadram-se em cinco grandes domínios, sendo que o Ambiente e Ecologia é o mais presente, seguido de um muito curioso, que é o Política e Utopia».

Muitos dos textos têm, de resto, uma forte componente de ativismo e de crítica «aos políticos negacionistas e interesseiros», como o próprio autor descreve na introdução do livro.

Arquitetura Paisagista e Ambiente, Ambiente e Cultura e Neste Tempo são os outros três domínios em que se dividem os textos presentes no livro.

Quanto ao futuro, Gonçalo Gomes não duvida que esta não será a última obra do seu antigo professor, uma vez que «a dinâmica é uma constante, quando falamos do arquiteto Fernando Santos Pessoa».

Fernando Pessoa não esconde, por seu lado, que por vezes se sente invadido por um certo pessimismo – «o meu grande amigo professor Jorge Paiva sempre disse: estamos sempre a malhar em ferro frio há tantas décadas, sempre a falar do mesmo assunto [sem conseguir que haja mudanças]» – e acaba a introdução a este livro com a frase «acho mesmo que vou parar».

Mais a frio, e de viva voz, admitiu ao nosso jornal, com um sorriso, que se calhar «qualquer dia sai mais qualquer coisa!».

“Território e Paisagem” junta textos e ilustrações de Fernando Santos Pessoa e é uma edição da editora Argumentum, com direção editorial de Filipe Jorge. O prefácio é do jornalista Idálio Revez.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Encontros improváveis: João Soares e John Harrigan

“Happiness held is the seed; Happiness shared is the flower.”– John Harrigan

Biografia 
1. Carreira militar e diplomática
Serviu como soldado na Alemanha durante a Guerra Fria e, posteriormente, como oficial do Serviço Externo dos EUA, com atuação na América Latina 

2. Académico e professor
Foi professor de Ciência Política na Hamline University (St. Paul, Minnesota), onde também lecionou cursos sobre política e ficção. Fez parte do corpo docente por muitos anos antes de se aposentar 

3. Formação académica
Graduou-se em Ciência Política pela Loyola University Chicago, com pós-graduação pela University of Chicago e Ph.D. pela Georgetown University 

4. Vida atual
Mora perto do rio St. Croix, no estado de Minnesota, onde escreve romances de ficção histórica. É casado com Sandy

Fontes
  1. Perfil no Facebook 
  2. Author Magazine
  3. O livro mais conhecido e citado: The Patron Saint of Desperate Situations

terça-feira, 17 de junho de 2025

O avanço da Intorelância e o Silêncio da Empatia



São cada vez mais evidentes os sinais de uma escalada de intolerância e violência em Portugal, num registo que historicamente não nos era habitual. Os episódios multiplicam-se nas ruas, nas escolas, nas redes sociais, nos discursos públicos,  com uma frequência que percebemos crescente. Por vezes são subtis, outras vezes explícitos, mas todos têm em comum perceção de que algo se está a deteriorar no nosso tecido social. 
Vivemos tempos de frustração acumulada, de insegurança difusa, de um mal-estar que se infiltra lentamente na vida quotidiana. A imprensa nacional destacou recentemente o brutal ataque a um ator à saída do teatro, a agressão de duas voluntárias que levavam ajuda a pessoas sem-abrigo, ou mesmo ameaças e intimidações contra professores que defendem a inclusão nas escolas. Quando esta tensão se transforma em violência contra quem representa a cultura, a solidariedade ou o cuidado, ultrapassamos um limiar perigoso: o da desumanização do outro.
A polarização cresce quando deixamos de reconhecer a dignidade e a legitimidade de quem pensa, vive ou age de forma diferente. Quando o discurso público se transforma numa trincheira onde se dispara em vez de dialogar, quando se normaliza - direta ou indiretamente - a hostilidade como reação aceitável, e quando a raiva passa a ter mais protagonismo do que o respeito, é aí que o tecido social começa a rasgar. A convivência democrática exige mais do que regras institucionais; exige uma ética da relação, sobretudo na diferença e no desacordo.
Portugal tem uma tradição de convivência pacífica e de solidariedade discreta, mas eficaz. São traços que marcaram o nosso percurso coletivo, mesmo em tempos difíceis. Não podemos permitir que essa herança se dilua na banalização do ódio ou na indiferença face à degradação do espaço público. 
Quando quem cuida, quem acolhe, quem ensina, quem cria - em suma, quem constrói comunidade - começa a ser alvo de desconfiança ou hostilidade, estamos a destruir as bases da nossa democracia. Essa erosão abre caminho para o fortalecimento de discursos simplistas e excludentes que, lamentavelmente, têm vindo a ganhar cada vez mais espaço para se afirmar.
A raiz desta tensão é complexa. As crises sucessivas - económica, pandémica, habitacional, ambiental - têm gerado um sentimento de desorientação, de perda de controlo, de uma inquietante ausência de futuro. E onde falta horizonte, facilmente emerge o ressentimento. A indignação pode ser justa, mas quando não é acompanhada de lucidez e de responsabilidade, transforma-se em cinismo ou fúria. 
É muito importante restaurar a confiança mútua. Reabilitar o espaço público como lugar de encontro e não de ameaça. Valorizar a empatia como prática política e cívica; não como ingenuidade, mas como condição fundamental de humanidade. Porque resistir à violência simbólica ou física começa na forma como olhamos, ouvimos e falamos uns com os outros. Porque a democracia, afinal, é também a forma como nos tratamos todos os dias.

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segunda-feira, 19 de maio de 2025

A aula que ensina a ser gente


Na Dinamarca, há uma hora por semana em que não se aprende matemática, nem ciências, nem se conjuga o verbo "ter" — aprende-se, antes, a conjugar o verbo "ser".
Chama-se Klassen Tid, a “Hora da Classe”, mas bem poderia chamar-se a “Hora do Coração”.
Ali, entre mochilas, lápis e silêncios miúdos, as crianças aprendem a arte esquecida de se ouvirem umas às outras — com atenção, com alma.
Aos olhos do mundo, parece coisa pequena: falar de sentimentos na escola.
Mas os dinamarqueses, entre os povos mais felizes do planeta segundo o World Happiness Report (2024), sabem que não se constrói bem-estar sem empatia — esse cimento invisível que une o eu ao outro¹.
Durante essas sessões, dos 6 aos 16 anos, os alunos partilham dores, medos, pequenas vitórias.
Aprendem a escutar sem interromper. A respeitar sem julgar.
Os professores, mais que transmissores de conteúdos, tornam-se guias do sentir.
São jardineiros emocionais, regando com cuidado o terreno fértil da infância.
A prática tem respaldo na ciência. A psicóloga e investigadora norte-americana Michele Borba, no seu livro Unselfie², demonstra que ensinar empatia desde cedo reduz o bullying, melhora a performance académica e reforça a resiliência emocional.
Um estudo da University of Cambridge³ revela que crianças com maior inteligência emocional revelam melhores resultados em leitura e resolução de problemas — competências essenciais no século XXI.
E o próprio Ministério da Educação da Dinamarca reconhece o papel da Klassen Tid, obrigatória desde 1993, como elemento estruturante da formação cidadã⁴.
Num tempo em que as crianças são tantas vezes moldadas para competir, ali ensina-se a cooperar.
Num mundo onde se corre atrás do sucesso, ali aprende-se a parar para sentir.
Porque, no fundo, de que vale saber tudo sobre o universo, se não se compreende o que se passa dentro de nós ou do colega do lado?
Esta lição vinda do Norte traz um sussurro urgente aos restantes sistemas educativos:
Educar não é apenas formar profissionais é formar pessoas.
E, talvez, um mundo mais justo comece assim: numa sala de aula, com miúdos de olhos abertos e corações disponíveis.

Referências
1.World Happiness Report 2024 – Sustainable Development Solutions Network. Dinamarca aparece consistentemente entre os três primeiros países mais felizes do mundo.
3.University of Cambridge (2019). Emotional intelligence in children improves academic achievement. Estudo publicado no British Journal of Educational Psychology.
4. Ministério da Educação da Dinamarca. Curriculum guidelines and values in Danish schools.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Couto Mixto - criação de um microestado


Coto Mixto (em galego:  Couto Mixto , em português: Couto Misto ) foi um microestado na fronteira entre Espanha e Portugal, independente de ambos os reinos , de apenas trinta quilômetros quadrados.

A República do Couto Mixto foi uma  micronação independente na região galega  que emergiu de um dos capítulos menos conhecidos da história europeia. Seu nascimento não se deveu a uma conquista, mas a uma  anomalia jurídica medieval que lhe conferiu um sistema administrativo único , juntamente com direitos e privilégios.

A origem do Couto Mixto é basicamente um mistério. No final da Idade Média, os limites administrativos dos diferentes territórios (reinos, condados, ducados, baronias, etc.) eram imprecisos e difusos. O Couto Mixto estabeleceu-se nas margens geográficas e cronológicas do nascimento de Portugal como reino independente de Leão, em algum momento do magma territorial dos três séculos que vão do aparecimento do Condado Portucalense (século IX) ao reconhecimento do Reino de Portugal pela Santa Sé (1179).

Sua origem remonta ao  século XII , quando o território recebeu benefícios especiais e autonomia, provavelmente devido à sua localização estratégica. Este período coincidiu com a assinatura do  Tratado de Zamora , que, em 5 de outubro de 1143, estabeleceu uma fronteira entre Afonso I de Portugal e Afonso VII de Leão, marcando o início do Reino de Portugal e da dinastia Afonsina.

Após a criação desta fronteira, surgiu uma pequena área ilegal, dando origem a este "microestado", composto por três municípios (que hoje fazem parte da província galega de Ourense): Rubiás dos Mixtos, Meaus e Santiago de Rubiás, este último considerado sua capital. Este microestado tinha até sua própria bandeira, brasão e até um lema: “Tres unum sunt” (Três são um).

Sua bandeira era quadrada, com listras azuis e brancas, imitando a do Reino de Portugal, mas invertendo as cores, e com a diferença de que a bandeira portuguesa continha o brasão do país.

Governo e vida em Couto Mixto
Couto Mixto era governado por uma  república federativa  com um sistema político baseado em três juízes eleitos, conhecidos como ' home de acordo ', selecionados nas três aldeias, além do 'xuiz' ou juiz , que atuava como presidente do Governo.

Este juiz era eleito democraticamente a cada três invernos pelos próprios moradores (chefes de família), permitindo-lhes administrar os assuntos locais e resolver disputas  sem a intervenção de autoridades externas.

A igreja de Santiago funcionava como Parlamento. Ali estava guardado  o tesouro do Couto Mixto : um cofre com três fechaduras, uma para cada juiz, que continha os documentos oficiais do país.

Esta era uma comunidade onde  as decisões eram tomadas localmente , sem depender de um governo central. Seus habitantes desfrutavam de um grau notável de  autogoverno democrático , algo incomum na Europa medieval, numa época em que Portugal e Espanha enfrentavam múltiplas lutas pelo poder.

Com uma área de apenas 27 quilómetros quadrados, Couto Mixto não tinha uma população grande. Entre as três cidades,  a população mal chegava a mil,  o que, aliado à falta de recursos, contribuiu para sua discrição ao longo dos séculos.

Sua estrutura social era  igualitária e baseada na cooperação mútua , essencial para a sobrevivência em uma região isolada. Entre os privilégios dos habitantes do Couto Mixto estava a possibilidade de escolher sua nacionalidade (espanhola ou portuguesa, ou em alguns casos, nenhuma delas) e não pagar impostos a nenhum dos dois países. Além disso, eles estavam isentos de serem convocados para as armas por qualquer país e por qualquer guerra, civil ou internacional.

Eles também desfrutavam de liberdade no comércio e na agricultura, já que não tinham controle fiscal e alfandegário . Da aldeia de Rubiás partia o Caminho do Privilégio, um percurso de sete quilómetros até à aldeia portuguesa de Tourém, devidamente assinalado com marcos de pedra, por onde os habitantes do Couto podiam percorrer sem serem incomodados ou interrompidos por qualquer autoridade. Assim, os mestiços podiam ir a Portugal comprar sal, bacalhau, óleo ou tecidos e depois revendê-los na Galícia sem pagar impostos.

O fim do Couto Mixto
Na segunda metade do século XIX, Espanha e Portugal decidiram delimitar adequadamente sua fronteira, com o  Tratado de Lisboa, em 1864 , que dividiu oficialmente o território entre Espanha e Portugal. Este tratado se concentrou na resolução de disputas de fronteira e questões de soberania, afetando a independência histórica do Couto Mixto e encerrando um capítulo de sua história.

Ambos os países concordaram em eliminá-lo.  As três aldeias permaneceram no lado espanhol do Raya , e uma pequena faixa de terra desabitada permaneceu no outro lado  do Raia . Naquele ano, os habitantes da reserva, cerca de mil, tornaram-se espanhóis, impostos foram cobrados deles e as quintas foram convocadas.

"Portugal renuncia em favor da Espanha a todos os direitos que possa ter sobre as terras do Coto Misto e as aldeias nelas situadas, as quais, em virtude da divisão determinada pela linha descrita, permanecem em território espanhol." Artigo VII do Tratado de Lisboa (1864)

A anexação pôs fim ao modo de vida tradicional dos Couto Mixto: o comércio. Ou melhor, acabou com sua legalidade. Assim como em toda a fronteira, o contrabando foi uma das principais fontes de riqueza até o Tratado de Schengen entrar em vigor em 1995, que eliminou as fronteiras entre os estados da União Europeia. 

Desde então, só resta sua memória. Em 2008, foi erguida uma estátua em homenagem a  Delfín Modesto Brandón, o último juiz da pequena nação , e uma réplica do baú que continha os arquivos da república é conservada na igreja de Santiago de Rubiás, como homenagem àquela época.

Embora Couto Mixto tenha deixado de ser um país há quase dois séculos, algumas de suas atrações ainda podem ser visitadas:
  1. Santiago de Rubiás : Famosa por sua igreja e seu charmoso entorno rural.
  2. Rubiás de los Mixtos : Uma cidade tranquila com vestígios de sua história única.
  3. Meaus : Outra das vilas históricas, com arquitetura tradicional e paisagens naturais.

sábado, 26 de abril de 2025

Não, Elon, empatia não é sinal de fraqueza


A empatia é a razão pela qual ainda aqui estamos.
Na escola, todos aprendemos sobre a teoria de Darwin da “sobrevivência do mais apto”. Talvez se surpreenda ao descobrir que não foi ele quem cunhou este termo. Foi Herbert Spencer quem surgiu com isso cinco anos depois: 


Como provavelmente também sabe, Spencer estava interessado em implementar hierarquias de seres humanos, e as suas ideias foram utilizadas para justificar a eugenia.
Ao longo dos anos, a ideia de “sobrevivência do mais apto” tem sido amplamente interpretada como significando que os mais egoístas e os mais agressivos sobreviverão. Quando se olha para os escritos de Darwin, no entanto, verá algo bastante diferente: ele enfatizou que são os simpáticos que sobrevivem e prosperam.
A simpatia é aqui utilizada por Darwin para significar algo semelhante à empatia ou compaixão, inspirado pelo uso do termo por Adam Smith em "A Teoria dos Sentimentos Morais" 


“A palavra simpatia, no seu significado mais próprio e primitivo, denota o nosso sentimento de solidariedade com os sofrimentos, e não com os prazeres, dos outros.”
É certo que, numa interação individual entre uma pessoa egoísta e uma pessoa compassiva, a pessoa egoísta pode vencer. Estão dispostos a fazer coisas que magoam outras pessoas e a sacrificar a sua moral (ou seja, atenuar a sua resposta empática).
Mas, em grupos, tudo muda. Os grupos compassivos vencem os grupos egoístas.
Os compassivos sobrevivem porque trabalham em conjunto. Ao utilizarem a sua empatia, são capazes de construir relações; nestas relações, cuidam uns dos outros, partilham recursos e exploram pontos fortes únicos. O bem-estar do grupo é o seu objetivo, e trabalharão com coragem e cooperação para o alcançar. Os egoístas não podem fazer nenhuma destas coisas, porque estão a fazê-lo apenas para si próprios. Um grupo de indivíduos egoístas desintegra-se rapidamente, voltando-se uns contra os outros e entrando em colapso interno.
Os compassivos também prosperam porque as atividades que promovem a sua sobrevivência — praticar a empatia, construir relações e cuidar uns dos outros — também conduzem à felicidade. O egoísta não pode florescer porque ninguém pode ser feliz sozinho. A miséria obriga-os a comportarem-se de forma ainda mais egoísta, causando ainda mais danos aos outros.
Conforme descrito pelo eminente biólogo E.O. Wilson, “O egoísmo supera o altruísmo dentro dos grupos. Os grupos altruístas superam os grupos egoístas. Tudo o resto é comentário.”
Quando me deparei com esta investigação pela primeira vez na pós-graduação, fiquei chocado. Foi um dos primeiros momentos em que percebi que as minhas "crenças leigas", como os académicos lhes chamam, não eram apenas moldadas pela cultura Old Happy, mas fundamentalmente distorcidas por ela. Por que razão a sobrevivência do mais apto passou a ser concebida como “a vitória egoísta”? Por causa das forças do capitalismo, do individualismo e da dominação, todos os quais centralizam o eu acima dos outros. Se acredita que o estado natural do ser humano é egoísta, então estas estruturas sociais não são apenas necessárias, mas desejáveis. É benéfico para o Velho Feliz conceber que estamos podres até à medula.
Mas, à medida que me aprofundei na investigação, aprendi que cada grande salto no desenvolvimento humano é o resultado de se tornar cada vez mais cooperativo, atencioso e prestável. Ao apoiarmo-nos nas nossas ligações e no nosso sentido de serviço aos outros, e não nos afastarmos deles. Vendo os outros como semelhantes a nós, ligados a nós, queridos por nós. Creio que é este o sentimento que sustenta a famosa citação de Martin Luther King Jr.: “O arco do universo moral é longo, mas curva-se em direção à justiça”. Isto acontece porque a nossa natureza mais profunda é compassiva.
À medida que enfrentamos outro momento crucial na história da humanidade, somos chamados a evoluir para uma versão ainda mais compassiva de nós próprios. Acredito que esta é a única forma de ultrapassarmos o que vem a seguir.
Quando olho para o movimento Make America Great Again, vejo um grupo de pessoas que são contra a nossa evolução coletiva. Não querem apenas que interrompamos o aprofundamento da nossa compaixão, querem que desaprendamos o nosso progresso e desmantelemos o que construímos. Ao convencerem-nos de que a empatia é uma fraqueza, tentam silenciar o nosso dom mais humano em favor dos seus interesses. Querem regressar a uma época em que as pessoas das comunidades marginalizadas não tinham direitos e oportunidades. Querem ter a liberdade de prejudicar os outros para obter mais para si. Querem acabar com as vitórias em compaixão pelas quais os nossos antepassados ​​tanto lutaram.
É por isso que sei que nunca terão sucesso. As suas ações não estão alinhadas com a nossa natureza humana mais profunda. O progresso só pode ser alcançado se nos tornarmos mais atenciosos, e eles estão, dia após dia, a tornar-se mais odiosos.
Podem conseguir vitórias no curto prazo, sim. Podem ser capazes de dominar os indivíduos, é verdade. Mas se nós, enquanto grupo de pessoas, nos unirmos em compaixão, então podemos confiar que venceremos.
O nosso maior desafio agora é criar este grupo de indivíduos compassivos. Neste momento estamos fragmentados, desligados, separados. Quase toda a gente ainda opera sob a sua antiga visão do mundo feliz, acreditando que a sua felicidade pessoal é mais importante do que a felicidade dos outros e que ajudar os outros é um anátema para o bem-estar. Esta é a crença leiga que deve cair para garantir a nossa felicidade coletiva.
Precisamos de aprender a amar-nos a nós próprios e uns aos outros de novo, reconhecendo que o amor é uma ação, uma prática, uma disciplina. Devemos olhar profundamente para nós próprios e perguntar: onde é que me estou a recusar a demonstrar compaixão aos outros e como posso ultrapassar isso? Devemos reunir-nos com aqueles que partilham o nosso objectivo de construir um mundo onde todos possam ser felizes e construir uma comunidade real e significativa que nos ajude a tornar-nos a versão mais empática e compassiva de nós próprios.
Não será fácil. Isso também faz sentido. Quem disse que evoluir enquanto espécie seria fácil? No entanto, diria que é a coisa mais valiosa a que nos podemos dedicar. Uma vida dedicada ao aprofundamento da compaixão seria uma vida bem vivida e criaria um legado que se estenderia pelas gerações futuras. Talvez seja por isso que aqui estamos. Talvez devêssemos começar já.
Nota: Neste artigo, não me foquei nas formas como até mesmo atribuir a empatia como uma qualidade da cultura ocidental também é incorreto, dadas as inúmeras formas como prejudicamos tantos milhares de milhões de pessoas na nossa busca pela dominação. Fonte

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Place de Catalogne


A  Place de Catalogne , localizada no 14º arrondissement de Paris, sofreu uma transformação impressionante. Outrora uma praça circular pavimentada em pedras, projetada pelo arquiteto catalão Ricardo Bofill na década de 1980, foi reinventada como uma exuberante floresta urbana. Até 2024, mais de 470 árvores transformaram o espaço num próspero oásis verde no coração da cidade.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Há cada vez mais conselhos de administração a procurar CEO com esta competência


Actualmente, os conselhos de administração procuram CEOs com elevados níveis de inteligência emocional, ou seja, a capacidade de ler e interpretar os sentimentos dos outros e reagir em conformidade na tomada de decisões, de acordo com o Insider.

Especialistas em diversidade e inclusão afirmam que a pressão sobre os CEOs para implementarem mudanças sociais nas empresas significa que cada vez mais líderes serão julgados pela sua inteligência emocional.

Para muitos conselhos de administração, contratar executivos de topo já não se trata de priorizar capacidades “úteis na obtenção de lucro”. Um estudo da Harvard revela que uma nova competência se sobrepõe às demais: inteligência emocional/social skills.

Investigadores analisaram cerca de cinco mil descrições de cargos executivos da Russell Reynolds, empresa de consultoria em liderança, entre 2000 a 2019 e descobriram que as palavras-chave mais mencionadas andam à volta de inteligência emocional, autoconsciência e a capacidade de trabalhar bem com os outros.

Este estudo junta-se a outros, reforçando a crescente importância desta competência. Um inquérito da plataforma Capterra, publicado em Janeiro, mostrava que líderes com elevada inteligência emocional eram 11% mais bem sucedidos na concretização de projectos, comparativamente aos que afirmaram ter menor inteligência emocional. Um estudo de 2009, divulgado no Leadership & Organization Development Journal, indicava que os executivos com níveis mais altos de empatia e auto-estima eram mais propensos a gerar altos lucros para as empresas.

«É uma competência de liderança que não pode faltar e será cada vez mais falada no futuro», revela Arquella Hargrove, consultora de Diversidade e Inclusão e Leadership coach, à Insider.

Entre os temas da igualdade, diversidade e inclusão, os consultores esperam que a procura por competências de inteligência emocional aumente nos próximos anos. «Estamos a lidar com pessoas e queremos humanizar estes temas. As emoções estão incluídas», acrescenta a consultora.

«Se estamos a tentar focar-nos na humanidade e aceitar as pessoas como são, competências de compreensão e empatia são fundamentais», declara Doris Quintanilla, directora executiva e cofundadora da consultora The Melanin Collective.

Qualquer líder (e gestores no geral) pode trabalhar para desenvolver a sua inteligência emocional. Uma das vertentes é a consciência social, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. É ter empatia, escrevem Daniel Goleman, autor de “Emotional Intelligence 2.0”, e Richard E. Boyatzis, professor de Psicologia na Case Western Reserve University, na Harvard Business Review.

Para trabalhar o tema da empatia, Arquella Hargrove e Doris Quintanilla recomendam que os líderes passem mais tempo com os seus colaboradores de backgrounds mais sub-representados, convidando-os a partilhar as suas histórias e experiências. «Quando os líderes ouvem os seus colaboradores de diferentes origens, começam a valorizar essas diferenças e fazem as pessoas sentir-se incluídas na equipa», disse Arquella Hargrove.

Outro lado importante da inteligência emocional é a forma como se gerem relações ou a capacidade de comunicar eficazmente e trabalhar com os outros. «Ter inteligência emocional é também pedir feedback e ser capaz de o aceitar, seja positivo ou negativo. Esta capacidade torna-nos melhores líderes e gestores», acrescenta.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

31 de Maio é Dia Mundial dos Irmãos e assinala também a Visitação da Virgem a Santa Isabel


Texto de Vitor Serrão
Por isso recorro a Jacopo Pontormo e ao maravilhoso painel que pintou há cinco séculos na igreja de San Michele de Carmignano. É um dos quadros mais belos que admirei na vida: o desenho serpentino das figuras, o calor dos tons, as poses sem-tempo, a expressão das quatros mulheres, envolvem-nos numa espécie de eterno elóquio.

O tema é o abraço fraterno, a plena partilha. Pintado em 1526-1528, este é o melhor atestado de que existem obras de arte (sagradas ou profanas) que se fazem interlocutoras de fascínios perenes. Têm esse poder de dar rosto a todos os anseios: inquietam, abraçam, revelam, incendeiam sonhos, amores, utopias. Para além das injustiças, desmemórias e barbáries, a nossa senda de humanos ainda não está perdida sem remissão.

Tudo é efémero no que respeita às migalhas de uma vida, mas é certo que só a arte ilumina, e liberta. A 'noção de incerteza' de Pontormo, expressa nas páginas do seu diário 'Il Libro Mio' reflecte a consciência do que existe para além do humano entendimento - e nessa (in)definição me encontro, também, com os nossos poetas Camões e Jerónimo Corte-Real, nascidos nos anos em que o florentino atingia o auge da fama.

O Pontormo inventou aqui uma Sacra Conversazione composta em losango, aos modos da gravura 'Quattro streghe' de Durer (1497), mas com peso na deliberada deformação das poses, com alongamento de corpos e uso de um colorismo quase psicadélico.

A lição solidária destas quatro Graças supera a cobiça, a cegueira, o preconceito, no seu apelo às luzes. Essa verdade cristalina ajusta-se à mágica transparência de formas e cores de um quadro como este. Sim, a Amizade e o Amor são bens preciosos, precisos, e raros: guardemo-los como nosso tesouro.

Sobre o Dia Internacional dos Irmãos
O Dia dos Irmãos comemora-se em Portugal a 31 de maio.

O principal objetivo da data é relembrar a importância que os irmãos têm na formação pessoal de todos os indivíduos, celebrando e homenageando os irmãos. Irmãos fazem parte da história pessoal de quem os têm, em grande parte das vezes partilham memórias de infância e são os primeiros amigos.

Além disso, podemos ter como irmãos tanto os que são filhos dos nossos pais, como aqueles que conhecemos ao longo da vida e são mais que amigos.

O Dia dos Irmãos, a 31 de maio, é a celebração que encerra aquele que é considerado o Mês da Família.

A celebração, que acontece em Portugal nesta data desde 2014 e é iniciativa da European Large Families Confederation, tem como principal promotora  a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas.

Mensagens para feliz dia do irmão
"O dia do irmão é uma oportunidade para expressar o amor que sinto por você. Agradeço por te ter como companheiro e por poder dividir os melhores anos da minha vida contigo."

"Feliz dia dos irmãos para você que alegra minha vida e faz dos meus dias os melhores de sempre. Te amo muito!"

"Por vezes podemos brigar e até ficar sem falar, mas saibas que meu amor por ti vai além de qualquer divergência. Feliz dia, minha querida irmã!"

"Eu tenho o melhor irmão do mundo! Que neste dia te sintas amado e saibas o quanto te quero ver bem e feliz."

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Documentário: Butão- a ditadura da felicidade


Um pequeno reino isolado do mundo, aninhado no sopé do Himalaia, o Butão é conhecido pelo seu conceito de felicidade e pela sua natureza sumptuosa. No Butão, não falamos de PIB, mas sim de FIB (Felicidade Nacional Bruta)! Um conceito surpreendente consagrado na constituição que enfatiza a conservação das tradições culturais, a agricultura biológica e o orgulho de ser habitante do país.

domingo, 17 de dezembro de 2023

Feliz Natal Ecológico

Árvore de Natal de granny square - Trivento (Itália)

O Natal está chegar. Desejo a todos um bom Natal, feliz e simples. Muito mais escuta, presentes sois vocês próprios à mesa. Haja muita entreajuda.

Conselhos para um Natal mais ecológico: