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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Metric - Eclipse [All Yours]

Melhor som aqui
Letra
All the lives always tempted to trade
Will they hate me for all the choices I made?
Will they stop when they see me again?
I can't stop, now I know who I am

[refrão]
Now I'm all yours, I'm not afraid
And you're all mine, say what they may
And all your love I'll take to a grave
And all my life starts now

Tear me down, they can't
Take you out of my thoughts
Under every scar there's a battle I've lost
Will they stop when they see us again?
I can't stop, now I know who I am

[refrão] 2X

Análise de "Eclipse (All Yours)" dos Metric: a música de Twilight
"Eclipse (All Yours)" é uma canção interpretada pela banda Metric, composta especialmente para a banda sonora oficial do filme A Saga Twilight: Eclipse (2010). O grupo é uma banda canadiana de rock independente, formada em Toronto, Ontário, em 1998, sob a liderança da vocalista e teclista Emily Haines e do guitarrista James Shaw.

No que respeita ao estilo musical, o Metric navega entre o Indie Rock, Synth-Pop, Post-Punk Revival e New Wave, unindo guitarras elétricas marcantes a sintetizadores pulsantes e linhas melódicas vocais bastante acessíveis. Embora não seja uma banda comercial na sua essência - tendo construído a sua carreira no circuito alternativo sob uma filosofia DIY ("do it yourself") e editando grande parte do seu catálogo através da sua própria editora independente, a Metric Music International -, o grupo alcançou uma grande projeção mainstream. Essa transição para o grande público foi impulsionada precisamente pela inclusão das suas faixas em bandas sonoras de sucessos globais, como a saga Twilight e o filme Scott Pilgrim vs. The World.

O significado da canção e do seu videoclipe está profundamente ligado à narrativa cinematográfica. A letra foi escrita sob a perspetiva direta da protagonista Bella Swan, abordando a devoção incondicional e a entrega definitiva refletidas no verso "I'm all yours" ("Sou toda tua"), ao mesmo tempo que expressa o conflito interno e o receio das consequências das suas decisões, visível na linha "Will they hate me for all the choices I've made?" - uma alusão clara ao triângulo amoroso e às tensões entre vampiros e lobisomens. Por sua vez, o vídeo combina a atmosfera melancólica e florestal do filme com a performance da banda. Nele, Emily Haines surge isolada numa cabana de madeira a compor ao piano enquanto observa trechos de romance e combate numa televisão retro, enquanto os restantes membros aparecem dispersos por cenários naturais sombrios, como florestas densas, penhascos e pedreiras, simbolizando a solidão e a tensão iminente da história.

Por fim, o som do Metric é moldado por um leque diversificado de influências musicais que equilibra o rock clássico, o pós-punk e o synth-pop. Entre as suas principais referências estão o New Wave e Post-Punk dos anos 80 (bandas como Joy Division, The Cure, New Order, Depeche Mode e Blondie) e o Indie e Alt-Rock dos anos 90 e 2000 (Sonic Youth, Pixies, The Velvet Underground, além da proximidade com a cena de Nova Iorque e Toronto ao lado de nomes como Yeah Yeah Yeahs, TV on the Radio e Broken Social Scene). Soma-se a isto a utilização de eletrónica vintage e uma base de estruturas clássicas, fruto da formação técnica de James Shaw na prestigiada escola Juilliard e das vivências vanguardistas da infância de Emily Haines.

domingo, 19 de julho de 2026

Moonspell - The Great Wolf In The Sky (feat. Alicia Nuhro)

Letra

We had a dream, we had each other
Side by side, we were like brothers
Yet we felt our pack was leaving
The time has come for us to lead it

We had a feeling our time was up
And that the world had other plans for us
Come and pray that he keeps watching over us

Stop and listen there is hope, follow me
Just look up, open your eyes
There's a great wolf in the skies

We had a dream, like Nosferatu
We could be lovers, my hand in yours
But we forgot to draw the curtain
Sunlight burnt our final words
Come and pray that he keeps watching over us

Stop and listen there is hope, follow me
Just look up, open your eyes
There's a great wolf in the skies

Lobo, lupus, wolf, ulv, likos, varg
Lobo, lupus, wolf, ulv, likos, varg

The kingdom wolf it shall be done
Beware the Moon that eats the Sun
Lest we forget to say our prayers
They will be our final chaos

Lobo, lupus, wolf, ulv, likos, varg
Lobo, lupus, wolf, ulv, likos, varg

A canção "The Great Wolf In The Sky" assume-se como um dos principais destaques de Far From God, o 13º álbum de estúdio dos portugueses Moonspell, lançado em julho de 2026. Esta faixa une a bagagem histórica da banda da Amadora, a mais icónica do metal nacional português, a uma colaboração profunda com Alicia Nurho, prestigiada violinista, compositora e arranjadora espanhola radicada em Madrid, conhecida pelo seu trabalho com outros grandes nomes do rock gótico e metal, como os Paradise Lost.

Musicalmente, o tema ergue-se como um hino de Gothic Metal Melódico e Sinfónico. A sua estrutura assenta em teclados expansivos e nas guitarras harmonizadas que caracterizam a sonoridade clássica do grupo, enquanto os arranjos de cordas de Alicia Nurho infundem uma atmosfera clássica, melancólica e cinematográfica. Numa progressão gradual, o teclado chega mesmo a mimetizar o uivar de um lobo, culminando num refrão libertador.

Segundo o vocalista e letrista Fernando Ribeiro, a composição carrega múltiplos significados emocionais. O próprio título é uma referência direta ao clássico "The Great Gig in the Sky" dos Pink Floyd. Ao mesmo tempo, a faixa assinala o regresso ao tema dos lobos - pilar da identidade da banda , funcionando como uma metáfora sobre a própria jornada dos Moonspell e de todos os membros, amigos e parceiros que cruzaram o seu caminho e que, por força da vida ou da morte, deixaram a "alcateia". Ao estabelecer uma ponte temporal entre o passado, o presente e o futuro do grupo, a música carrega ainda uma forte componente de luto, tendo sido expressamente dedicada a um fã e amigo próximo que faleceu antes do lançamento do disco.

Esta carga emocional reflete-se no respetivo vídeo promocional, que assume a forma de uma alegoria visual sobre as últimas despedidas. O teledisco explora a linha ténue onde o amor se cruza com a perda, retratando o sentimento agridoce de aprender a "deixar ir", a cortar amarras e a aceitar o fim de um ciclo, num casamento perfeito entre o classicismo trágico e a estética sombria do metal gótico.

No plano conceptual e lírico, a faixa bebe do existencialismo e do romantismo sombrio que marcam a escrita de Fernando Ribeiro. O tema do vampirismo surge vincado na citação direta a "Nosferatu" ("We had a dream, like Nosferatu..."), numa alusão ao terror clássico e ao expressionismo alemão onde o sol queima as palavras finais de amantes que esqueceram de fechar as cortinas. A nível mitológico e filosófico, o refrão repetitivo ("Lobo, lupus, wolf, likos, varg") atua como um mantra pagão que eleva o lobo a um arquétipo do outsider, da resiliência e da lealdade comunitária perante a adversidade. Finalmente, a canção abraça a inevitabilidade do fim e a efemeridade do tempo através de versos como "Beware the moon that eats the sun / Lest we forget to say our prayers", aceitando o caos final como parte de um ciclo cósmico e oferecendo, ao olhar para o céu, um vislumbre de esperança e libertação.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Por que os vampiros e lobisomens fascinam a literatura, o cinema e a música?

Cena do filme Crepúsculo (2008)

O vampiro e o lobisomem não são apenas monstros assustadores que povoam os nossos pesadelos; eles são espelhos perfeitos das maiores ansiedades, desejos e conflitos internos da humanidade. Desde o século XIX, na literatura gótica, até aos blockbusters cinematográficos e streaming e palcos de música atuais, estas duas figuras nunca passam de moda porque representam os dois extremos da nossa própria natureza: a repressão sedutora e o instinto animal.

A evolução destas criaturas começou muito antes do nascimento das salas de cinema, fincando as suas raízes no folclore camponês europeu, onde eram usadas para explicar surtos de raiva, deformidades físicas ou a própria decomposição dos corpos. No território do vampirismo, a fundação do mito moderno deve-se inevitavelmente ao irlandês Bram Stoker, cujo romance Dracula (1897) não só definiu o aristocrata das trevas, como também estabeleceu a ligação íntima entre o vampiro e o lobo, já que o próprio Conde tinha o poder de se transformar em canídeo e comandar as alcateias. Antes dele, John William Polidori já tinha lançado as bases do predador sedutor com The Vampyre (1819), e Sheridan Le Fanu introduzira o erotismo e a ambiguidade com a novela Carmilla (1872). A transição para a contemporaneidade e a humanização do monstro operou-se de forma magistral pelas mãos de Anne Rice, cujas Crónicas Vampíricas trouxeram dilemas existenciais e uma carga filosófica que moldou toda a subcultura gótica do final do século XX.

Já o lobisomem, ou a licantropia, encontrou o seu expoente literário em autores que exploraram a dualidade entre a civilização e a bestialidade humana. Guy de Maupassant, no seu conto Le Loup (1882), e Clemence Housman, com a novela The Were-Wolf (1896), foram pioneiros ao trazer a ameaça do lobo para o centro do horror psicológico e social. Guy Endore, com o livro The Werewolf of Paris (1933), consolidaria mais tarde esta transição ao usar a licantropia como uma metáfora visceral para a violência política. Foi, contudo, a britânica Angela Carter quem revolucionou o mito em The Bloody Chamber (1979), reescrevendo contos de fadas tradicionais sob uma perspetiva visceral, onde o lobo representa o despertar dos instintos mais profundos, a carne e a paixão selvagem.

Com a chegada do cinema no século XX, estas narrativas literárias ganharam rostos, movimentos e uma nova escala de terror, iniciando uma era de ouro que definiu o imaginário visual do género. O expressionismo alemão entregou Nosferatu em 1922, realizado por F.W. Murnau, que chocou o público com uma representação cadavérica do vampiro. Nas décadas de 1930 e 1940, os estúdios Universal assumiram o controlo dos monstros, transformando Bela Lugosi no Drácula definitivo e Lon Chaney Jr. no trágico lobisomem de The Wolf Man (1941), estabelecendo as regras cinematográficas de que a prata e a lua cheia controlavam a besta - abrindo também caminho para o fenómeno pop de Stephenie Meyer com a saga Crepúsculo nos anos 2000.

Esta evolução da criatura assustadora para o ícone melancólico, rebelde e incompreendido foi o combustível perfeito para o mundo da música. No final dos anos 1970, o surgimento do pós-punk e do rock gótico adotou os vampiros como estética oficial, tendo a banda Bauhaus lançado o hino Bela Lugosi's Dead em 1979. Nas décadas de 1980 e 1990, o metal extremo e o metal sinfónico abraçaram completamente o tema: bandas como Cradle of Filth dedicaram álbuns inteiros à condessa Elizabeth Báthory, enquanto os alemães Powerwolf criaram uma carreira assente na iconografia de lobisomens e batalhas épicas. Até a música pop usou o tema com maestria, sendo o exemplo máximo Michael Jackson no videoclipe de Thriller (1983), onde se transforma num lobisomem.

Ao fundir a imortalidade trágica do vampiro com a lealdade e a fúria da alcateia do lobisomem, a literatura, o cinema e a música celebram a eterna luta humana contra a sua própria finitude. Nas artes, estas figuras deixaram de ser apenas personagens de terror para se tornarem símbolos de contracultura, sensualidade e liberdade, transformando o medo da noite numa ode à memória daqueles que caminham nas sombras.

Por que os vampiros e lobisomens temem um ao outro
A rivalidade ancestral entre vampiros e lobisomens é um dos mitos mais enraizados na cultura popular, alimentada por um medo mútuo que decorre de uma profunda oposição biológica e psicológica. Na sua essência, este temor não nasce apenas da capacidade que cada um tem de destruir o outro, mas sim do facto de representarem forças da natureza absolutamente antagónicas. O vampiro é a personificação da imortalidade estática, do controlo frio, da sofisticação aristocrática e da escuridão eterna. Move-se nas sombras com uma elegância calculada e vê o mundo através de uma lente de superioridade intelectual e desapego emocional. Em contrapartida, o lobisomem encarna a fúria implacável da natureza indomada, a volatilidade da carne, o calor do sangue e o caos instintivo. Para um vampiro, o lobisomem é uma abominação imprevisível e animalesca, cuja força bruta e descontrolo representam uma ameaça real à sua existência eterna e meticulosamente planeada; o lobisomem possui uma vitalidade selvagem que o vampiro perdeu e que nunca poderá recuperar, tornando-se um lembrete vivo da sua própria corrupção estéril.

Por outro lado, o medo que o lobisomem sente em relação ao vampiro baseia-se na aversão ao que é antinatural e manipulador. O lobisomem, intimamente ligado aos ciclos da lua e à terra, vê no vampiro um parasita morto-vivo que desafia a ordem natural da vida e da morte. A frieza do vampiro, a sua capacidade de hipnotizar e a sua propensão para a manipulação mental são armas contra as quais a força física pouco pode fazer. O lobisomem teme ser caçado não por um igual, mas por um predador invisível que ataca a partir do manto do intelecto e da ilusão, alguém capaz de corromper a mente e transformar a própria alcateia contra si mesma. Adicionalmente, em muitas mitologias e universos de ficção, o sangue ou a mordedura de uma destas criaturas funciona como um veneno letal para a outra, transformando o confronto físico num risco absoluto de extinção mútua. Assim, o temor que partilham não é apenas o medo da morte, mas sim o pavor existencial de serem consumidos ou dominados por uma força que subverte completamente a sua própria natureza, resultando numa trégua tensa ou numa guerra perpétua onde nenhum dos lados pode alguma vez baixar a guarda.

O espelho do inconsciente: a explicação psicanalítica do mito
A recorrência destes monstros na cultura pop ganha uma profundidade ainda maior quando analisada à luz da psicanálise freudiana, uma vez que o vampiro e o lobisomem funcionam como projeções anatómicas das forças ocultas da mente humana. O lobisomem surge como a personificação mais pura do id, aquela camada do nosso inconsciente governada pelos instintos mais primitivos, pela agressividade e pelo princípio do prazer. A transformação sob a lua cheia representa a rutura total das amarras da civilização, o momento em que o verniz social estala e o homem é engolido pela fúria e pela herança animal que tenta recalcar no dia a dia. O drama desta criatura é, no fundo, o drama do próprio homem moderno, dividido entre a satisfação dos seus impulsos viscerais e o choque do ego na manhã seguinte, quando o lado consciente acorda devastado pela culpa e pelo horror das suas próprias ações.

Por outro lado, o vampiro opera num território onde a sexualidade e a morte se fundem de forma sofisticada, ilustrando na perfeição o embate entre as pulsões de vida e de morte - eros e thánatos - descritas por Sigmund Freud. O ato de morder o pescoço, carregado de uma sensualidade soturna, serve na ficção como um substituto claro para o desejo sexual proibido, expressando o conceito do "retorno do reprimido". Não é por acaso que o Drácula de Bram Stoker se tornou um fenómeno na era vitoriana, uma época marcada por uma repressão moral extrema; o público encontrava no predador aristocrata uma libertação catártica para os seus próprios tabus. Assim, a arte e a psicologia cruzam-se para demonstrar que o verdadeiro fascínio por estas figuras não nasce do medo do desconhecido, mas sim do confronto com aquilo que reconhecemos em nós próprios: o lobisomem como a fúria que tentamos domar e o vampiro como o desejo de imoralidade, poder e sedução que a sociedade nos obriga a esconder nas sombras.

sábado, 15 de setembro de 2007

Diamanda Galas - Aman (with Khan)



Às vezes qual mocho caçando em noites de luar intenso, me encantam as sibilas, vampiros e lobisomens...e todas essas trevas densas que povoam os nossos medos, frustrações e dor. Diamanda Galas exprime-as com muita mestria.