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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Qual a diferença entre veganismo e vegetarianismo?


A principal diferença entre veganos e vegetarianos é que os veganos não consomem nada que tenha origem animal, seja em sua alimentação ou outros produtos, como artigos para higiene, limpeza, vestuário ou remédios. Já o vegetariano não come carne, peixe e aves, mas consome outros produtos de origem animal.

A principal motivação dos veganos e vegetarianos é ética, no entanto, o vegetarianismo também pode ser motivado por questões de saúde e religião.
VeganoVegetariano
AlimentaçãoRejeita qualquer alimento relacionado com animais, como carne, leite, mel, ovos, etc.Não consome peixe, carne e aves.
Produtos lácteos e derivadosNão consome.Pode consumir.
ProdutosNão usa produtos relacionados a animais.Usa produtos relacionados a animais.
O que éPode ser visto como um estilo de vida.É um tipo de dieta.
RazõesA principal razão é a questão ética, pela não exploração animal.Pode ser adotado por questões éticas, alimentares, de saúde ou religião.

O que é ser vegetariano?
É considerado vegetariano o indivíduo que exclui carne, aves e frutos do mar de sua dieta. Porém, existem diferentes tipos de vegetarianismo e alguns também excluem laticínios e ovos.

Os tipos mais comuns de vegetarianos incluem:
Ovo-lacto vegetarianos: vegetarianos que evitam carne de animais, mas consomem laticínios e produtos com ovos.
Lacto-vegetarianos: vegetarianos que evitam carne e ovos, mas consomem produtos lácteos, como leite, queijo, iogurte, manteiga, entre outros.
Ovo-vegetarianos: vegetarianos que evitam todos os produtos de origem animal, porém consomem ovos.

Ainda há a dieta flexitariana, feita por pessoas que estão cortando a ingestão de carne, mas ainda comem em alguns casos. Também é considerado aquele que não come outros tipos de carne, porém consome peixe.

Embora às vezes considerados vegetarianos, os flexitarianos comem carne animal ocasionalmente. Portanto, eles tecnicamente não se enquadram na definição de vegetarianismo.

O que é ser vegano?

O veganismo pode ser visto como a forma mais radical e estrita de vegetarianismo. Mais do que uma dieta, pode ser considerado um estilo de vida, que busca excluir todas as formas de exploração e crueldade animal.

Os veganos, além de não consumirem nenhum tipo de carne, dão um passo adiante eliminando todos os alimentos de origem animal de sua dieta, incluindo leite, mel e ovos.

Além disso, o veganismo não se limita à alimentação. O vegano não utiliza nenhum produto de origem animal, incluindo produtos de higiene, cosméticos, vestuário, medicinas, entre outros.

Razões do vegetarianismo e veganismo

As dietas vegetarianas já existem desde 700 a.C. Suas razões podem ser éticas, mas a dieta também pode ser adotadas por questões de saúde, ambientalismo e religião.

Já a razão para o veganismo é principalmente ética. A motivação é evitar todas as formas de exploração animal e, por isso, além da alimentação, os veganos abrem mão de qualquer produto de origem animal, seja para higiene, medicina, entre outros.

Em termos de ética, os vegetarianos se opõem a matar animais para alimentação, mas consideram aceitável o consumo de subprodutos de origem animal, como leite e ovos. Por outro lado, os veganos acreditam que os animais têm o direito de estar livres do uso humano, seja para alimentos, roupas, ciência ou entretenimento.

Veganos também tendem a evitar circos, zoológicos, rodeios, corridas de cavalos e qualquer atividade envolvendo o uso de animais para entretenimento.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Touradas: Perguntas frequentes



Desmistificamos as maiores mentiras sobre as touradas
Existem muitos mitos associados às touradas, por isso apresentamos a resposta para algumas perguntas frequentes nos debates sobre este polémico assunto.
Tudo o que precisa de saber sobre as touradas e o que está escondido dos olhares do público.

Atenção: Algumas imagens podem ferir a susceptibilidade dos leitores.

1. Nas touradas os touros sofrem?

A ciência diz-nos que sim, que os animais sofrem muito nas touradas, antes, durante e após os espetáculos. No caso dos touros, os animais são sujeitos a intenso stress quando são afastados da sua manada, colocados em camiões e transportados para a praça de touros. Aí são descarregados para os curros, onde são “embolados”, ou seja, são imobilizados e os seus cornos são serrados pelo embolador que lhes coloca as “embolas”1.

Durante o espetáculo, os touros sofrem diversas agressões com bandarilhas de vários tipos: “ferros compridos”, com arpões até 4 cm de comprimento e 2 cm de largura e ferro até 140 cm, “ferros curtos” e “ferros de palmo”, com ferro de 90 cm e 35 cm de comprimento, respetivamente, enfeitados com papel de seda de variadas cores e rematados com um ferro até 8 cm de comprimento com um ou dois arpões até 4 cm de comprimento e 2 cm de largura. Estas armas letais, penetram a pele e músculos dos animais, provocam ferimentos consideráveis.

A lide com o capote, tem por função cansar o animal e aumentar o grau de lesão dos “ferros”, uma vez que os “passes de capote” fazem o animal rodar a cabeça, rasgando ainda mais os músculos para que o touro baixe a cabeça, permitindo assim a realização da “pega” no final da lide.

Além disso estes animais estão habituados à pastar em manada, e não estão preparados para o intenso esforço físico e a sobrecarga de estimulação a que são sujeitos na arena. Ao fim de poucos minutos, o desgaste físico é perfeitamente visível nos animais, que além de sangrarem também se urinam descontroladamente.

Protecção de couro e ferro que protege os artistas e cavalos das investidas do animal.

2. Os cavalos sofrem?

Muitas vezes esquecidos, os cavalos são outra das vítimas das touradas, sendo forçados a enfrentar o touro na arena, servindo de “escudo” aos cavaleiros tauromáquicos que, sendo necessariamente muito bons cavaleiros, não correm grande perigo. Já os cavalos sofrem lesões, muitas vezes visíveis no dorso dos animais, devido à utilização de esporas que provocam ferimentos na zona lombar. O Regulamento do Espectáculo Tauromáquico não se refere aos cavalos, apesar de serem um dos principais intervenientes na “tourada à portuguesa“, por isso não existem regras para proteger o bem-estar destes animais. Alguns cavaleiros utilizam serretas2 e outros utensílios cruéis que aumentam o grau de lesão nestes animais. Não existem regras para o alojamento destes animais antes e depois da sua participação nas touradas e há registo de muitos casos de cavalos que morrem durante ou após as corridas.

2 Instrumento em forma de arco com picos colocado no nariz dos cavalos.

3. Os touros têm uma vida tranquila no campo?

Todos já ouvimos dizer que os touros têm uma vida tranquila e de grande bem estar nos seus primeiros 4 anos de vida, antes de serem lidados na arena. Esta afirmação é falsa. Desde logo porque após o desmame, ou seja entre os 7 e os 12 meses de idade, os animais são sujeitos ao que se chama “ferra” que consiste em imobilizar os touros e, com um ferro em brasa ou com um dispositivo elétrico, queimar a coxa e o costado dos animais com o símbolo da ganadaria a que pertence, o número de ordem do animal e o algarismo do ano de nascimento.

Este procedimento cruel é extremamente doloroso para os animais. Mas não é tudo. Todos os cavaleiros tauromáquicos e restantes “artistas” têm que efetuar vários treinos ao longo do ano. Esses treinos, com recurso a bandarilhas, são realizados recorrendo a animais muito jovens, normalmente bezerros e vacas. Acrescenta-se ainda as chamadas “tentas” que são processos extremamente sangrentos e que consistem em provas práticas para aferir o grau de bravura dos animais e determinar se as vacas têm condições para gerar touros aptos para as touradas.

As “tentas” são geralmente realizadas nas herdades privadas das ganadarias, de forma ilegal e com recurso a “picadores“, que em cima de um cavalo com os olhos vendados e uma proteção acolchoada à volta do corpo, espetam repetidamente a vara afiada no dorso dos animais para aferir a sua bravura (sorte de varas). Perante esta realidade é falso afirmar que estes animais têm uma vida tranquila e saudável nos seus primeiros anos de vida. Pelo contrário.

Desde que nascem que estes animais são sujeitos a várias práticas que nada têm a ver com bem estar animal ou com respeito pela sua existência. Resta acrescentar que os touros de lide podiam viver cerca de 20 anos, sendo lidados por volta dos 4 anos de idade, ou seja, ainda muito jovens.

4. Os animais são assistidos por um Médico Veterinário?

Não é totalmente verdade que os animais utilizados nas touradas tenham assistência veterinária. Em cada espetáculo tauromáquico é obrigatória a presença de um Diretor de Corrida e um Médico Veterinário, que fazem parte do corpo de Delegados Técnicos Tauromáquicos designados pela IGAC. O Veterinário deveria inspecionar os touros antes do espetáculo e tem por obrigação garantir que são cumpridas algumas regras de bem-estar animal.

Muitas vezes entram na arena touros lesionados ou com problemas de visão, o que indica que não foram devidamente inspecionados. Durante a tourada, o Médico Veterinário está sentado ao lado do Diretor de Corrida nas bancadas, mantendo-se no seu lugar até ao final do espetáculo. Não intervêm na recolha dos animais da arena, nem durante o processo de retirada das bandarilhas. Ao arrepio do Regulamento e da mais elementar deontologia médico-veterinária, é uma vergonhosa “figura de corpo presente”.

5. O que acontece aos touros após a tourada?

No final da “lide” (depois de cravados um número indeterminado de bandarilhas) os touros são recolhidos aos curros da praça. Nas praças de touros fixas, a recolha é feita com o auxílio de vacas que conduzem o animal para a saída. Nas praças portáteis, é necessário laçar uma corda na cabeça do animal, que é puxado no exterior por um tractor (ou outro veículo) arrastando o touro até ao interior dos curros ou, geralmente, logo para o camião de transporte.

As bandarilhas são arrancadas pelo embolador ou por qualquer colaborador, ainda durante a corrida de touros, sendo necessário cortar a carne do touro com uma navalha para que se consiga puxar a bandarilha e arranca-la do dorso do animal. Muitas vezes os ferros são retirados por um indivíduo que se deita no topo do camião de transporte e simplesmente os arranca do dorso do touro com puxões.

Os animais são mantidos vivos no veículo de transporte, num compartimento fechado, sem espaço para se mexer ou deitar, sem água nem alimento. Os animais são, desta forma, transportados para o matadouro, devendo ser abatidos no prazo máximo de 5 horas. Em alguns casos, muito raros, alguns animais são poupados ao sacrifício e são escolhidos para voltar à ganadaria de origem para reprodução, mas a esmagadora maioria dos touros tem por destino o matadouro para entrar na cadeia alimentar. Alguns morrem durante o transporte, antes de chegar ao matadouro.

6. Quando as touradas acabarem, extingue-se a espécie de touro bravo?

Esse é um dos maiores mitos e mentiras da indústria das touradas.

O touro bravo não é uma espécie biológica, é uma variedade entre milhares que estão registadas. A “raça brava” ou “de lide” é apenas uma das muitas raças de bovinos existentes em Portugal. Na verdade, estes animais foram selecionados artificialmente para se obter um determinado comportamento e fisionomia. Ou seja, são uma produção humana e são animais domesticados, não são touros selvagens.

Todos os bovinos domésticos descendem do “Auroque”, bovino selvagem que chegava quase aos 2 metros de altura e que foi extinto no século XVII. A raça brava é uma criação dos ganadeiros, e a sua continuidade depende da vontade dos seus criadores.

Não existe a espécie “touro de lide”, mas sim uma raça de bovinos criados artificialmente pelos humanos. É possível abolir as touradas mantendo a criação desta raça para fins turísticos, como já fazem alguns criadores.

7. As touradas são uma herança cultural importante na cultura portuguesa?

As touradas desenvolveram-se a partir das lutas com animais bravos e selvagens que foram muito populares em toda a Europa durante a Idade Média e até aos séculos XVII e XVIII. As touradas derivam das lutas que serviam de treino aos cavaleiros, que caíram em desuso com o surgimento da pólvora e evoluíram para uma “luta artística” que se foi transformando num negócio.

As lutas com touros ocorreram um pouco por toda a Europa medieval. A maioria dos países abandonou ou aboliu este tipo de divertimentos sangrentos por volta do século XVI por se tratar de eventos cruéis e impróprios de nações civilizadas. Atualmente as touradas são proibidas em diversas nações europeias como a Dinamarca, Alemanha, Itália ou Inglaterra, onde já existiram.

O Iluminismo encarregou-se de banir este tipo de espetáculos da Europa. A existência de touradas em Portugal e Espanha é a triste demonstração de que esta corrente progressista teve pouca expressão na Península Ibérica. Existem também touradas em algumas cidades do sul de França, por influência espanhola.

8. Porque é que em Portugal se toureia a cavalo?

A explicação é simples. Numa altura em que o espetáculo tauromáquico ainda se estava a desenvolver (século XVIII), para se transformar no que é hoje, o Rei Filipe V de Espanha, que considerava estes divertimentos como “bárbaros e cruéis” e um péssimo exemplo para o povo pelo seu caráter grosseiro e pouco civilizado, proibiu os nobres de as praticar. Este facto levou ao afastamento da figura do nobre cavaleiro e ao aparecimento do matador a pé nas arenas de Espanha.

Impedidos de tourear no país vizinho, os aristocratas espanhóis dedicaram-se em exclusivo à seleção e criação de touros, desenvolvendo fortemente esta atividade, e atravessaram a fronteira desenvolvendo o toureio a cavalo em Portugal. O mesmo aconteceu em 1806, quando Carlos IV de Espanha proibiu as touradas e os matadores espanhóis vieram para Portugal matar touros na praça do Salitre (antiga praça de touros de Lisboa).

9. Os forcados são uma tradição genuinamente portuguesa?

Não. Os forcados, antes de intervir no espetáculo, faziam a guarda ao rei nas touradas reais. Mais tarde, com a proibição da morte do touro na arena, era necessário encontrar uma forma de terminar a lide dominando a “fera”. Foi aí que se introduziu a “pega” para simbolizar o domínio do homem sobre a “besta” no final da lide, inicialmente feita por “forcados profissionais”, compostos por jovens de classes baixas e trabalhadores rurais.

Ao contrário do que a generalidade das pessoas pensa, a “pega” de touros surgiu inicialmente em Espanha onde tinha o nome de “suerte de mancornar“. Foi uma prática popular no país vizinho no século XIX, mas que acabou por cair em desuso. Em Portugal, foi durante o Estado Novo com a aprovação do Regulamento do Espetáculo Tauromáquico (1953) que os forcados começaram a ser presença assídua nas touradas.

Como se tornou numa prática que agradava ao público, jovens de classes altas começaram a organizar-se em grupos de “forcados amadores” que não cobravam dinheiro. Rapidamente fizeram desaparecer os humildes forcados profissionais que desapareceram nos anos 50/60. Inicialmente a presença dos forcados foi muito criticada pelos aficionados que os consideravam uma aberração que nada tinha a ver com a tradicional lide de touros. Só a partir dos anos 80 é que os forcados começaram a ser aceites pelos aficionados, como um mal menor no espetáculo. 

10. As touradas geram muito dinheiro?

Não. O ponto alto do negócio tauromáquico foi nos anos 80. Atualmente já existem cavaleiros e grupos de forcados que pagam para participar em touradas, e vários “agentes” da festa brava admitem publicamente que apenas se dedicam a este negócio por “paixão” porque ele não gera lucro.

Se as touradas fossem um negócio muito lucrativo não precisavam do apoio e dos subsídios atribuídos pela Câmaras Municipais que, em alguns casos, compram milhares de bilhetes para oferecer à população, como forma de garantir a presença de público nas praças e a viabilidade do espetáculo.

11. As touradas geram postos de trabalho?

O número de pessoas que têm nas touradas a sua ocupação principal é insignificante, se é que alguém vive exclusivamente desta atividade em Portugal. Os artistas têm outras atividades profissionais, dedicando-se ao toureio apenas por razões emocionais. Alguns cavaleiros tauromáquicos e grupos de forcados admitem publicamente que pagam para tourear.

Os criadores de touros não têm rendimento suficiente para sobreviver e a criação de gado bravo não é a sua produção principal. Os maiorais e campinos dedicam-se a outro tipo de atividades nas explorações pecuárias e não, exclusivamente, aos touros. Os forcados são amadores e têm outras atividades profissionais. Os empresários tauromáquicos não organizam corridas suficientes para conseguir viver exclusivamente das touradas. Os emboladores serão os mais afetados, mas o seu número é cada vez mais reduzido em Portugal.

Os recentes casos de Viana do Castelo e Póvoa de Varzim, que baniram as touradas do seu território, são o exemplo claro de que as touradas não geram emprego. O fim das touradas nestes dois concelhos não extinguiu um único posto de trabalho, e a requalificação das praças de touros (que só abriam duas vezes por ano para receber touradas) vai criar dezenas de postos de trabalho nestas cidades.

12. A maioria dos portugueses gosta de touradas?

Não. Muitos portugueses, por não terem qualquer ligação com a tradição tauromáquica são indiferentes ao tema. Dados recentes demonstram que a maioria dos portugueses não gostam de touradas. Uma sondagem da Universidade Católica realizada em Lisboa em 2018, revelou que:

  • 89% da população nunca assistiu a touradas no Campo Pequeno desde a sua reabertura;
  • 75% da população não concorda com a utilização de fundos públicos para financiar as touradas;
  • 69% não concorda com a promoção de touradas em Lisboa pela Casa Pia;
  • 96% Concorda com a realização de outro tipo de espetáculos (que não touradas) na praça de Lisboa.

Existe uma sondagem realizada pela Eurosondagem em 2011 que, supostamente, diz que muitos portugueses são a favor das touradas, no entanto, a sondagem não é muito clara. É importante esclarecer que a referida sondagem se refere a “actividades com toiros” tendo sido respondida na sua maioria por pessoas favoráveis à questão tauromáquica. Os que se opõe foram excluídos na primeira pergunta.

13. Há cada vez mais portugueses contra as touradas?

Sim. As touradas estão a perder cada vez mais terreno em Portugal. É evidente o decréscimo de espectadores que assistem a touradas nos últimos 10 anos. As próprias estimativas da IGAC (que, escandalosamente, confia nos números enviados pelos próprios aficionados) indicam que as touradas perderam quase 50% do público entre 2008 e 2018 (698.142 espectadores em 2008 e 379.000 em 2018) e atingiram o recorde mínimo de touradas realizadas em Portugal no ano de 2018 (173 touradas). O declínio da tauromaquia é o reflexo de uma sociedade onde ganha cada vez mais importância o respeito e a afinidade pelos animais, valores que são acompanhados de medidas legislativas que colocam a tauromaquia num plano cada vez mais marginal à evolução civilizacional.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Dossiê ContamiNações, por TVI


Milhares de lisboetas (con)vivem paredes meias com substâncias químicas altamente nocivas e até cancerígenas.

O Parque das Nações não é só uma das zonas mais caras de Lisboa, com apartamentos de luxo necessariamente caros. É ainda e sobretudo uma área contaminada com resíduos particularmente perigosos para a saúde. A reconversão da zona oriental da capital foi elogiada dentro e fora do país, mas os produtos tóxicos continuam ali duas décadas depois.

E este não é um caso isolado. A expansão do Hospital CUF Descobertas está a ser feita em terrenos contaminados no Parque das Nações. No mesmo sítio onde está a ser construído o novo edifício do hospital, existiu durante décadas a refinaria de Cabo Ruivo. Naquele lote ficava, nada mais, nada menos, que a lagoa da refinaria. Não admira que haja ali produtos derivados do petróleo.

A refinaria não era a única “inquilina” daquela zona no século passado. Ali perto houve um matadouro, um depósito de material de guerra, um aterro sanitário e até uma lixeira municipal. Foco de contaminação atrás de foco de contaminação.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Conferência com Philip Wollen - "Cada pedaço de carne que comemos, é uma bofetada na face manchada de lágrimas de uma criança com fome."

São 10 minutos absolutamente tocantes e inspiradores. Vejam e encorajem todos a ver!

"Cada pedaço de carne que comemos, é uma bofetada na face manchada de lágrimas de uma criança com fome."

A carne mata animais, mata-nos e vai matando as nossas economias (a título de exemplo, a MEDICARE já levou à falência os EUA, necessitando de 8 triliões de dólares investidos em títulos do Tesouro só para liquidação de juros) ... As Universidades de Cornell e Harvard afirmam que a quantidade ideal de carne numa dieta saudável é precisamente "ZERO".

A água é o novo petróleo; em breve as nações irão iniciar guerras por ela. As reservas subterrâneas que demoraram milhões de anos para encher estão agora secas; são necessários 50.000 litros de água para produzir uma kilo de carne.

Atualmente, há 1 bilião de pessoas famintas e 20 milhões morrerão de má nutrição; se diminuíssemos o consumo de carne em 10%, seria possível alimentar 100 milhões de pessoas. Eliminando totalmente a carne do nosso cardápio, a fome seria erradicada para sempre.

Se toda a população mundial seguisse o tipo de dieta ocidental, seriam necessários 2 planetas para suprir as nossas necessidades alimentares, mas só temos um planeta e está a morrer.

Os países pobres vendem os seus grãos ao ocidente enquanto as suas crianças morrem de fome nos seus braços e o ocidente dá esses grãos ao gado para que nós possamos comer um bife? Será que mais ninguém vê isto como um crime?

A Terra pode produzir o suficiente para suprir as necessidades de todos mas não o suficiente para alimentar a ganância de cada um.

As armas de destruição em massa são as nossas facas e garfos.

Os animais não são apenas uma outra espécie; são outra nação! E nós? Somos assassinos que apenas nos preocupamos com a nossa vontade e satisfação.

A Paz não é apenas ausência de guerra; é a presença da justiça. A justiça tem que ser cega à raça, cor, religião ou espécie. Se não for cega, será uma arma de terror. E hoje à noite há terror inimaginável nesses "Guantánamos" horríveis a que nós chamamos de fábricas de animais ou matadouros.

Retiremos os animais dos menus e destas câmaras de tortura. Defendamos aqueles que não têm voz.

Desafio:
A carne causa um amplo leque de cancros e doenças cardíacas. Será que alguém pode enumerar uma doença causada por uma dieta vegetariana?"

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Philip Wollen, filantropo australiano, patrocinador de diversas ONG´s designadamente GREENPEACE, SEA SHEPARD entre outras, financiou a produção do filme "A trilogia dos Terráqueos".

Num discurso brilhante, aquando de uma conferência que decorreu no St James Ethics Centre and the Wheeler Centre, em Melbourne (Austrália), fez um apelo emocionante pela defesa dos animais, pedindo às pessoas que os tirem dos seus pratos.

"Os animais têm que sair do cardápio ... porque esta noite gritam aterrorizados em matadouros e jaulas ... Eu ouvi os gritos de desespero do meu pai enquanto o cancro o consumia e tomei consciência de que já tinha ouvido aqueles gritos antes ... no matadouro. Olhos arrancados com facas, os tendões cortados ... nos navios para o Oriente Médio com uma baleia a bordo que agoniza enquanto um arpão japonês desfaz o seu cérebro enquanto ainda grita pela sua cria; esses gritos eram os gritos do meu pai."

Os direitos dos animais são hoje o maior assunto de justiça social, desde a abolição da escravatura. Sabiam que existem no mundo mais de 600 milhões de vegetarianos? São mais do que a população dos EUA, Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Itália, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Se fossemos uma nação, seríamos do que os 27 países da União Europeia. Apesar desta enorme pegada, ainda somos tidos como impercetíveis pelas vozes estridentes dos cartéis da morte e da caça, que acreditam que a violência é a resposta quando esta nem sequer deveria ser a pergunta.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Nós cientistas estamos assustados: Estamos indo direto para o matadouro!


Antônio Donato Nobre é um dos melhores cientistas brasileiros, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e é um especialista em questões amazônicas. É mundialmente conhecido como pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Documentário da semana: Monsanto - Patent For a Pig (2006)

[Clica em "CC" e selecciona as legendas Português]

(texto em Inglês) From corruption charges to environmental disruptions, the Monsanto Corporation now makes its way into another documentary film. This time not because of the aforementioned cases, but their huge business plan that aims to tighten their iron-clad control over the food consumption of the masses. 

The documentary film titled Patent For A Pig: The Big Business of Genetics explains how Monsanto has applied for patents in over 160 nations to breed pigs. This elaborate business plan includes patent over a specific genetic code that Monsanto researchers have decoded and the approval of these patents would then establish Monsanto as the sole breeder of these pigs. 

Much to the ire of the farmers, who have objected and protested against this as they believe that Monsanto is laying claim to something that has always been there. Jeopardizing their livelihoods, Monsanto continues with the process, and Patent For A Pig: The Big Business of Genetics documentary film covers the views and reaction of the people towards it. Monsanto wishes to obtain their patent over this particular genetic make-up as they believe it triggers bigger flesh growth in the animals. 

However, to farmers like Kristoff Zimmer, these pigs belong to the farming community and the entire society, but not just to one corporation. It is speculated that Monsanto would further impose fees on the breeding of these animals, in the event of the approval of the patent. Patenting living organisms may be legal in the US, but in the rest of the world, it is often wondered whether a life form should be subjected to something as vain as patenting – it is indeed debatable. 

Patent For A Pig: The Big Business of Genetics documentary film asks a straightforward question regarding the practicality of Monsanto’s claims over these pigs and analyses the repercussions it will have on the farming community all over the world. Furthermore, their existing reputation also fuels speculation and doubts that force us all to question whether or not it is safe to give so much control to an organization that has been known for profiteering and adopting dubious practices.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Razões para uma dieta vegetariana


Introdução
A saúde e a doença dependem de muitos factores: clima, higiéne, desporto, constituição alimentação e sobretudo de influências psíquicas. Cada um destes factores tem a sua importância, e em qualquer ocasião pode influenciar todos os outros. Geralmente, a alimentação desempenha o papel mais importante, porque é dela que depende a saúde. Uma alimentação racional, pode por si só, dar saúde e resistência, tudo isto mesmo numa habitação sem luz, húmida e desprovida de higiene; em contrapartida, uma má alimentação pode arruinar a saúde, mesmo que se disponha de uma casa cheia de sol, duma grande propriedade e se faça muito desporto. Os factos são confirmados por exames clínicos. Todas as pesquisas feitas no que se refere à saúde revelam-se particularmente frutíferas no domínio da alimentação.

Entre outras razões para adoptarmos uma dieta vegetariana destacam-se as seguintes: anatómicas e fisiológicas, higiénicas, de saúde, económicas, estéticas, ecológicas e éticas.

Anatómicas e Fisiológicas
O estudo comparativo da anatomia e fisiologia dos animais carnívoros, herbívoros e frugívoros demonstra que a dieta frugívora e herbívora é mais adequada ao homem. Os seguintes dados são um resumo de tais estudos.

Carnívoros
Têm garras.
Não têm poros. Transpiram pela língua.
Dentes caninos frontais alongados, fortes e pontiagudos para rasgar a carne.
Ausência de dentes molares posteriores para triturar alimentos.
Glândulas salivares pequenas na boca (glândulas bem desenvolvidas são necessárias na pré-digestão de cereais e frutas).
Saliva ácida.
Ausência de ptialina, enzima responsável pela pré-digestão dos cereais.
Trato intestinal 3 vezes o tamanho do corpo, para que a carne em decomposição possa ser eliminada rapidamente.
Estômago simples e arredondado.
Forte concentração de ácido clorídrico no estômago, para digerir a carne.
Cólon liso.
Urina ácida.
Mandíbula alongada para a frente.
Alimento: carne.

Frugívoros
Não têm garras.
Transpiram através de milhares de poros.
Ausência de dentes caninos frontais pontiagudos.
Dentes molares posteriores achatados, para triturar.
Glândulas salivares bem desenvolvidas, necessárias à pré-digestão de cereais e frutas.
Saliva alcalina.
Profusão de ptialina.
Trato intestinal aproximadamente 8 vezes o comprimento do corpo.
Estômago com um duodeno como segundo estômago.
Ácido do estômago 20 vezes menos concentrado que nos carnívoros.
Cólon convoluto.
Urina alcalina.
Mandíbula curta.
Alimento: frutas e nozes.

Herbívoros
Não têm garras.
Transpiram através de milhares de poros.
Ausência de dentes caninos frontais pontiagudos.
Dentes molares posteriores achatados, para triturar.
Glândulas salivares bem desenvolvidas, necessárias à pré-digestão de cereais e frutas.
Saliva alcalina.
Profusão de ptialina.
Trato intestinal aproximadamente 8 vezes o comprimento do corpo.
Estômago em 3 ou 4 compartimentos.
Ácido do estômago 20 vezes menos concentrado que nos carnívoros.
Cólon convoluto.
Urina alcalina.
Mandíbula levemente alongada.
Alimento: relva, ervas e plantas.

Homem
Não tem garras.
Transpira através de milhares de poros.
Ausência de dentes caninos frontais pontiagudos.
Dentes molares posteriores achatados, para triturar.
Glândulas salivares bem desenvolvidas, necessárias à pré-digestão de cereais e frutas.
Saliva alcalina.
Profusão de ptialina, para pré-digerir cereais.
Trato intestinal aproxamadamente 7 vezes o comprimento do corpo.
Estômago com um duodeno como segundo estômago.
Ácido do estômago 20 vezes menos concentrado do que nos carnívoros.
Cólon convoluto.
Urina alcalina.
Mandíbula curta.
Alimento adequado: cereais, vegetais, frutas e nozes.

Como vemos, os animais mais próximos do homem, anatómica e fisiologicamente, são frugívoros ou herbívoros. Várias características indicam diferenças pronunciadas entre os animais herbívoros e frugívoros e os carnívoros, mas vale a pena destacar o comprimento do intestino, que nos carnívoros é aproximadamente 3 vezes o comprimento do corpo enquanto que no homem é cerca de 7 vezes. Isto faz com que os carnívoros tenham uma digestão bastante rápida, eliminando a seguir tudo o que não é absorvido. Já o homem tem uma digestão muito lenta, por ter um intestino longo. Isto faz com que a carne, que já estava em processo de decomposição desde a morte do animal, continue a decompor-se no interior de seu intestino, causando muitos problemas de saúde por causa das toxinas libertadas.

Um dos melhores indicadores de que a alimentação vegetariana é mais apropriada ao homem, são os muitos benefícios para a saúde encontrados em dietas à base de vegetais e as inúmeras enfermidades ligadas ao consumo da carne. Além disso, pela análise química e comparação das propriedades nutritivas dos vegetais e da carne, observamos que é possível obtermos do reino vegetal o suficiente para a constituição dos tecidos e a nutrição do corpo.

Higiénicas
As carnes são nocivas ao organismo porque ao dar-se a morte violenta do animal suspendem-se, os actos digestivos e as funções eliminatórias e excretoras. O alimento ingerido que o animal não pode utilizar e as impurezas dos seus tecidos resultantes das trocas nutritivas ficam armazenadas no cadáver do animal e passam ao corpo humano com a ingestão da sua carne.

A carne deteriora-se com enorme rapidez. A decomposição inicia-se imediatamente após a morte e só é detectada pelo olfacto quando já alcançou um estado avançado. Ainda que o calor da cozedura destruisse os mocróbios, como afirma a ciência médica, ficam por outro lado, armazenados na carne milhões ou biliões de cadáveres microbianos que passam em seguida ao organismo após a sua ingestão. Essa enorme massa cadavérica há de influir, indubitavelmente, na formação do terreno orgânico propício para a eclosão das doenças infecciosas agudas e de carácter geral. A média de gérmens, de 65.000 por mm3 de fezes no carnívoro, baixa para 2.000 por mm3 no vegetariano. Esses gérmens extinguem os gérmens saprófitas, benfeitores, daí a frequência de apendicite, diverticulose, colite e enterite entre os que consomem carne.

De Saúde
A etiologia é a parte da medicina que estuda a origem e as causas das doenças. Toda a investigação encaminhada no sentido de descobrir a origem das doenças entra no domínio da etiologia. Esta tem por objecto o conhecimento dos princípios prejudiciais à vida do ser humano.
A etiologia é a base da patologia e da terapêutica, pois sem o conhecimento das verdadeiras causas das doenças não é possível apreciar com exactidão a natureza dum processo patológico que atacou um orgão ou um sistema, nem quais são os meios curativos apropriados para reparar as lesões orgânicas ou para restabelecer a função alterada.

Em estado de saúde, todas as funções do organismo se verificam duma maneira normal, de modo que, nem sequer sentimos esse funcionamento.

Quando uma ou várias funções, tais como digestão, nutrição, circulação, respiração, secreção e excressão, não se realizam normalmente, verifica-se automaticamente, uma mudança no estado de saúde, que se manifesta por mal-estar, inflamação, dor, febre, congestão, más digestões e por outros sintomas que indicam a presença de uma doença em determinado orgão ou sistema.

A American National Academy of Sciences, relatou, em 1983, que "…pessoas podem prevenir muitos tipos de cancro, comendo menos carnes gordas e mais legumes e grãos".

Segundo a Dra. Jacqueline André (André, 1990), o consumo excessivo de carne é nocivo por muitas razões:

A carne é rica em gorduras, favorecendo, portanto, a arterosclerose e o enfarte do miocárdio, os cancros colon-rectais e a obesidade.

O facto de ser rica em colesterol faz dela uma causa de cancros hormonodependentes (mama, próstata, útero).

O facto de ser rica em ácidos nucleicos faz dela um factor de cálculos urinários, hiperuricémias e gota.

Os resíduos de antibióticos nela contidos podem, muito frequentemente, causar alergias.

Os antibióticos, de cujo uso (veterinário ou a título de aditivos alimentares) na preparação industrial da carne necessita, são um factor de resistências transferíveis.

A rápida sensação de saciedade que sua ingestão provoca, pode levar o consumidor a reduzir exageradamente a porção de fibras vegetais na sua dieta alimentar, o que é, sobretudo, um factor de prisão de ventre, de diabete e de cancros colon-rectais.

Aquele que retira a maior parte das suas proteínas da carne, frequentemente negligencia o consumo de leguminosas; esta situação pode conduzir a carências de magnésio, responsáveis principalmente por distúrbios do ritmo cardíaco, depressões nervosas e oxalato na urina.

O Dr. Alberto Lyra (Lyra, 1973) aponta os seguintes inconvenientes da carne como alimento:

Alimento anti-natural. O homem não fabrica amoníaco para neutralizar os ácidos resultantes do metabolismo da carne, como o fazem os carnívoros.

Alimento tóxico. A carne é um veneno lento mas seguro. Ela possui toxinas (venenos), resultantes da decomposição cadavérica, e outras resultantes do metabolismo animal, que ficam retidas e produzem mais toxinas pela desassimilação nos intestinos.

Alimento acidificante. Produz ácido fosfórico, sulfúrico e úrico, causadores de acidez humoral e de irritações esclerosantes. As proteínas em excesso são acidificantes e mucógenas.

Alimento desmineralizante. Os ácidos produzidos pela carne produzem desmineralização ao serem neutralizados no organismo.

Alimento excitante. A carne é um excitante muito forte, equiparável ao álcool, devido às substâncias tóxicas e extractivas dela provenientes. A sensação de vigor é esgotante, o que provoca o consumo de mais excitantes (álcool, açúcar, mais carne etc.). Surge uma aparência de vigor, devido à excitação, e cria-se um apetite enganador, que faz repelir os alimentos suaves. Daí a depressão inicial naqueles que abandonam o uso da carne. Devido ao seu poder excitante, que faz gastar as reservas vitais, e ao seu poder tóxico, a carne é um dos factores da abreviação da vida.

Alimento que contribui para o aparecimento de diversas doenças e degenerações humanas: Apendicite, arteriosclerose, artritismo, eczema, enterite, gastrite, nefrite, reumatismo, úlcera gástrica, vegetações adenóides.

Transmissor de doenças contagiosas e parasitárias: Brucelose, intoxicações alimentares, salmonelose, ténia (solitária), triquinose, tuberculose. No decurso de enfermidades do fígado, dos rins, dos intestinos, da pele, de perturbações nervosas, não há melhor regime do que o vegetariano.

Económicas
Há cada vez mais pessoas a optarem conscientemente por uma alimentação vegetariana. As razões são várias: alguns combatem o mal trato animal, outros a exploração do ambiente e outros ainda, optam por consumir alimetos mais saudáveis.

A carne alimenta poucos à custa de muitos. Isto é, segundo informações do Departamento de Agricultura dos E. U. A., mais de 90% dos cereais produzidos naquele país são destinados ao alimento de gado: vacas, porcos, ovelhas e galinhas.

Estéticas
O comércio de carne é uma das principais fontes de brutalidade que há no mundo. O vegetarianismo promove beleza, o amor, o respeito e a cultura. A comparação dos horríveis espetáculos, sons e odores de um matadouro, com a beleza e o perfume de uma horta ou de um pomar, não deixa lugar a dúvidas quanto a esta questão.

Ecológicas
O problema nº 1 da saúde no mundo, é a destruição crónica.
A criação de gado devasta imensas áreas verdes naturais. O homem provoca desequilíbrios na Natureza, ao alterar processos evolutivos normais de animais e vegetais. A demanda por carne barata, é uma das principais causas da destruição das florestas tropicais e outras florestas em todo o mundo. Isto contribui para a extinção das espécies e a desertificação, além da poluição causada pelo dióxido de carbono.

Éticas
O vegetarianismo está a alcançar cotas de popularidade desconhecidas e a cada dia se generaliza mais a convicção de que o estilo de vida vegetariano é o mais são, compassivo e com mais respeito pelo meio ambiente; no entanto, apesar da grande informação disponível aos consumidores, alertando para os perigos a que conduz o consumo de produtos de origem animal e das múltiplas vantagens de uma dieta isenta de carne, as pressões dos grandes interesses comerciais, políticos e religiosos, para manterem o estatuto de controlo das ideias e do capital dos seus potenciais clientes ou seguidores, continua a distorcer e a debilitar o enorme impacto social da mensagem vegetariana.

Muitas pessoas consideram as razões éticas como as mais importantes para tornar-se vegetariano. Num estudo chamado Acerca de comer carne, o autor romano Plutarco, escreveu: "Podes perguntar porque razão Pitágoras se abstinha de comer carne? Por mim, espanta-me muito e pergunto-me que grande distúrbio ou estado mental o do primeiro homem que levou aos seus lábios a carne de uma criatura morta, cobrindo a sua mesa de corpos mortos e pálidos e se aventurou a chamar alimento e nutrição, a esses seres que em algum momento se alegraram, choraram, movimentaram e viveram…? Como puderam os seus olhos suportar a matança, quando as suas gargantas eram cortadas e os seus membros esquartejados? Como pode o seu nariz suportar tais odores? (…) certamente não comemos leões e lobos por autodefesa, pelo contrário, matamos criaturas dóceis que nem sequer têm dentes para ferir-nos. Por um pouco de carne, privamo-los do sol, da luz e da vida à qual têm direito".

quinta-feira, 10 de março de 2005

Número de animais torturados e massacrados para consumo humano



Com base nas estatísticas da FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations - ) sobre Agricultura (Statistical Databases – Agriculture), o Secretariado da União Vegetariana Europeia (EVU), num comunicado recente, apresentou o número de animais mortos no mundo para consumo humano durante o ano de 2003. Os números foram estabelecidos a partir de relatórios provenientes de mais de 210 países. Mas deve ter-se em atenção que alguns países e territórios não fornecem dados.
Animais abatidos em 2003 (por ordem decrescente):
  1. - Galinhas e frangos: 45 biliões e 900 milhões
  2. - Patos: 2 biliões e 260 milhões
  3. - Porcos: 1 bilião e 240 milhões
  4. - Coelhos: 857 milhões
  5. - Perus: 691 milhões
  6. - Gansos: 533 milhões
  7. - Carneiros, ovelhas, cordeiros: 515 milhões
  8. - Cabras: 345 milhões- Bois, vacas, vitelos: 292 milhões
  9. - Roedores: 65 milhões- Pombos e outras aves: 63 milhões
  10. - Búfalos: 23 milhões
  11. - Cavalos: 4 milhões
  12. - Asnos, mulas, machos: 3 milhões
  13. - Camelos e outros camelídeos: 2 milhões
A soma de todos estes números prefazem um total de mais de 50 biliões de animais, sem ter em conta os animais aquáticos (mamíferos, peixes e crustáceos). Os números referem-se apenas aos animais abatidos nos matadouros. Excluem-se os animais de criação extensiva (geralmente para consumo doméstico) assim como os que são alvo da caça, difíceis de contabilizar por não haver qualquer tipo de controlo. Tendo em conta que um omnívoro consome em média 80 animais por ano e que a população mundial não-vegetariana é de biliões, depreende-se que o número exacto de animais mortos para a alimentação humana será muito superior àquele que os dados da FAO nos fornece. Sabe-se que só nos EUA se consomem anualmente mais de 10 biliões de animais. Sendo que a esperança média de vida em Portugal é de 75 anos, um omnívoro consome cerca de 6.000 animais durante a sua vida.
Referência:

sábado, 5 de fevereiro de 2005

Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente



Documento denuncia Zoo de Lisboa abate animais ilegalmente Administração do zoo admite abate e justifica acto com a lei que regulamenta parques Susana Leitão
O Jardim Zoológico de Lisboa "abate animais ilegalmente". O abate acontece "às segundas-feiras, às 08.15, junto ao gabinete de compras, perto do armazém, num matadouro, também ele ilegal". Esta é uma das queixas que consta de documentação que denuncia algumas situações ocorridas no zoo, e aque o DN teve acesso.A administração do zoo admite que abate animais, mas diz que não é ilegal, justificando o acto com a legislação. E o veterinário do parque argumenta ser normal todos os zoos do mundo praticarem a eutanásia. "Só há um decreto lei que regulamenta a actividade do parque e que é o que aplicamos no zoo, Decreto-lei 59/2003 Artigo 13, nº. 1. Com base neste artigo decidimos que determinados animais têm de ser abatidos. Todos os zoos praticam a eutanásia, todos os zoos têm de praticar a eutanásia", afirmou ao DN o veterinário-administrador da instituição, Fernando Paisana. O responsável defende que "se o animal é abatido é porque tem de ser. É porque um conjunto de veterinários, e não só um, decidiu que assim tinha deser. E vamos continuar a abater". Acrescentando "Se tenho uma exploração com animais em vias de extinção, nasce um macho e nasce outro macho, um destes tem que ser abatido. Por norma, contactamos a Associação Europeia de Zoos e Aquária (EAZA) e perguntamos se há algum zoo interessado no animal, se não há o animal tem que ser abatido, com base legal". Muita da carne que alimenta os carnívoros do parque é oferecida por particulares. No entanto, na maior parte das vezes chega ao zoo ainda com vida."Num local qualquer matamos um burro, ou um cavalo, cortamos aos bocados e damos aos leões», explica Fernando Paisana. «Uma coisa que fazemos com rigor é não dar carne aos nossos animais sem que seja inspeccionada por um veterinário, e de forma tão rigorosa como se fosse para consumo público" ,salienta. O presidente da Animal - Associação Nortenha de Intervenção no MundoAnimal -, Miguel Moutinho confirmou ter conhecimento desta situação ecritica a atitude, argumentando que "a maneira como os burros (e,eventualmente, cavalos ou outros animais) são mortos no Jardim Zoológico de Lisboa, revela que há várias infracções ao Decreto-lei n.º 28/96, de 2 de Abril, que regulamenta a protecção dos animais no abate". Por seu lado, Fernando Paisana garante que todos os passos são efectuados com o "conhecimento da Direcção-Geral de Veterinária. E a única recomendação que esta dá é que o animal seja abatido com o mínimo de dor. São abatidos atiro, morte instantânea, aqui no zoo, não pode ser noutro sítio".Outra situação denunciada no dossier é a falta de condições em que vivemalguns animais, nomeadamente felinos, grandes primatas, e outros animais de grande porte (ver texto ao lado). O veterinário administrador do zoo assume também que há, de facto, animais mal instalados, mas sublinha que a situação será resolvida. "Temos problemas nos grandes primatas e nos felinos. Não é oj ardim que é uma porcaria. A ala dos felinos, com excepção dos leões, está mal. As restantes estão bem. Os primatas estão pessimamente, mesmo assim estão melhor do que em grandes zoos da Europa".
Jaulas podem ter os dias contados na Maia
Paula FerreiraSansão vai, em breve, viajar para um jardim zoológico na Holanda. O jovem orangotango vive no Zoo da Maia num espaço exíguo. Com acara encostada ao vidro da jaula, os olhos não perdem a expressão triste,apesar das manifestações de carinho de uma funcionária do zoo. "Ele é um barato, é o meu preferido", diz a tratadora das focas, inactiva até que oespectáculo aquático regresse, em Fevereiro.DN-Ursula Zanggerfuturo. Objectivo é acabar com as jaulas e instalar os animais em ilhas, comtoda a segurança para os visitantesO orangotango representa o paradigma deste zoo. Carlos Teixeira, presidenteda Junta de Freguesia da Maia, entidade que gere o espaço temático dedicadoà vida selvagem, lembra que o Sansão "veio de um jardim onde se encontravaainda em piores instalações". Não encontrou as condições ideais, isso énotório, embora, como ressalva o autarca, pelo menos "tem aquecimento".Conscientes de que aquele espaço não é o indicado para o primata, osresponsáveis trataram de arranjar uma alternativa. Na passada semana chegou a resposta um zoo dos Países Baixos vai acolher Sansão que poderá ver a suaqualidade de vida melhorar bastante.Este é um dos caminhos encetados para adaptar o zoo às exigências da novalegislação. Se no momento não é possível aumentar a área do parque, com 3,5hectares, optou-se por diminuir o número de animais, sobretudo no que dizrespeito aos mamíferos. Os próximos a serem contemplados com mais espaço serão os leopardos. Um animal será cedido a outro zoo e as duas jaulasexistentes transformadas numa única.O espaço, considera o presidente da autarquia, é uma questão des ensibilidade, mas não está esquecido. "Temos um acordo verbal com a Câmarada Maia que permitirá triplicar a área". O sonho de Carlos Teixeira é acabarcom as jaulas e instalar os animais em ilhas com toda a segurança para os visitantes. Até lá, vão diminuindo o número de efectivos. Em relação aos pumas, jaguares, tigres ou panteras "não há dificuldades" em conseguir interessados. Mas, em outros casos, a estratégia é evitar que procriem, "uma vez que somos contra a eutanásia", afirma o responsável do zoo. Para evitar o crescimento das espécies, separam os animais na altura do cio ou optam pela utilização de anticoncepcionais. Mas a procriação é também uma mais-valia. Ontem, o urso pardo encontrava-se sozinho. A sua companheira estava na maternidade com o ursinho nascido emDezembro. Mãe e filho deverão regressar daqui a um mês para deliciar ascrianças, principais clientes do Zoo da Maia. Em breve, os visitantes poderão visionar o que se passa na maternidade através de circuito vídeo,reforçando a componente pedagógica do parque temático. Essa necessidade foi,segundo Carlos Teixeira, a principal observação da equipa do Instituto de Conservação da Natureza e da Direcção-Geral de Veterinária, que está a acompanhar o processo de licenciamento do zoo, o qual deverá ser concluído em Abril
Lei proíbe exibição de animais O Decreto-lei n.º 59/2003 de 1 de Abril, transposição para a legislação portuguesa de uma directiva comunitária aprovada há três anos, obriga todos os jardins zoológicos a salvaguardar os parâmetros de bem-estar de cada animal, assim como proíbe a exibição de animais unicamente para fins comerciais. Ou seja, os jardins zoológicos, e parques temáticos, vão ser obrigados a ter um papel pedagógico e de preservação da natureza e de espécies. A mesma legislação assegura a fiscalização aos recintos. Se estas exigências não forem cumpridas até Abril deste ano, os recintos deverão ser encerrados de vez. Entretanto, a administração do zoo de Lisboa garantiu ao DN que até lá irá começar as obras para melhorar as instalações dos animais,c om ou sem ajuda do Estado.
Zoológico tem más condições 
O Jardim Zoológico de Lisboa não tem "condições mínimas" para alojar os animais. "As instalações são muito pobres. Aliás, é mesmo um dos mais pobresda Europa". A caracterização foi feita por Daniel Turner, da Born Free Foundation, uma organização de defesa dos animais, que esteve recentemente em Portugal para investigar aquele recinto. E a análise realizada é bastante crítica no que toca ao funcionamento do parque, confirmando um conjunto dequeixas reunidas no dossier interno a que o DN teve acesso. A associação Animal diz "não estranhar estas denúncias", apesar de o seu autor preferir manter o anonimato. "Todos os dias recebemos cartas, email sou telefonemas com as mesmas reclamações. No entanto, as pessoas não se identificam, o que nos impossibilita de dar seguimento jurídico às questões", explica Miguel Moutinho, presidente daquela associação. Por seu turno, o responsável da Born Free Foundation explica porque é que as instalações do recinto lisboeta não têm condições "Quando o zoo foi construído não se teve em conta os animais, mas sim o público. Uma prática que tem vindo a manter ao longo dos anos", afirma Daniel Turner. Segundo o dossier, os "casos mais aberrantes são os dos grandes primatas e felinos". O especialista britânico explicou ao DN que a depressão em alguns animais é bastante visível e resulta das "condições miseráveis em que são mantidos e pela falta de estímulos. Esse tipo de distúrbio comportamental, nomeadamente a repetição permanente dos movimentos estereotipados, assim como a auto-mutilação, é passível de ser revertida, mas para isso era necessário devolver aos animais algumas das condições que eles teriam no seu habitat natural".Daniel Turner alerta para o facto de as instalações dos grandes animais,como os elefantes, girafas, gorilas ou chimpanzés terem "condições miseráveis . E, aproveita para lembrar a Aldeia dos Macacos. "Aquela aldeia, como lhe chamam", ironizou, "está na mesma há anos. Os animais têm de facto espaço, mas a qualidade do mesmo é má, pois não têm vegetação para fazer oque fazem na vida selvagem, como andarem de ramo em ramo". Um dos grandes problemas, explica, é que "muitos Zoos não entendem que o importante é a qualidade das instalações e não a quantidade".O responsável deixa um alerta "Será que as grandes empresas que patrocinam estes animais sabem em que condições é que estes vivem? Julgo que não. Caso contrário, tudo seria mais grave".S.L

"People say they don't care about politics; they're not involved or don't want to get involved, but they are. Their involvement just masqueradesas indifference or inattention. It is the silent acquiescence of the millions that supports the system. When you don't oppose a system, your silence becomes approval, for it does not hing to interrupt the system. People use all sorts of excuses for their indifference. They even appealto God as a shorthand route for supporting the status quo. They talkabout law and order. But look at the system, look at the present social"order" of society. Do you see God? Do you see law and order? There is nothing but disorder, and instead of law there is only the illusion ofsecurity. It is an illusion because it is built on a long history ofinjustices: racism, criminality, and the enslavement and genocide of millions. Many people say it is insane to resist the system, butactually, it is insane not to."*/Mumia Abu-Jamal/*