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sábado, 10 de janeiro de 2026

Filme - O Triunfo dos Porcos (1954)


Escrita por George Orwell em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente, na luta contra o eixo nazifascista. Contudo, com o acirramento da Guerra Fria, o livro passa a ser amplamente usado pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo (Orwell  definia-se como um “socialista democrático”) e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. 

Resumo da obra e filme animado
O Triunfo dos Porcos é uma fábula política que utiliza uma quinta para criticar o totalitarismo e mostrar como o poder pode corromper. Na Quinta do Solar, os animais vivem sob o domínio do Sr. Jones, um fazendeiro cruel e negligente. Inspirados pelo discurso do velho porco Major, que sonha com uma sociedade igualitária sem humanos, os animais decidem rebelar-se contra o seu dono. Após a morte de Major, os porcos Napoleão e Bola-de-Neve lideram a revolta. Os animais expulsam o Sr. Jones e assumem o controlo da quinta, renomeando-a Quinta dos Animais, passando a trabalhar juntos sob o lema “todos os animais são iguais”.

Rapidamente surgem disputas entre Napoleão e Bola-de-Neve. Napoleão utiliza estratégias violentas e manipulação para expulsar Bola-de-Neve, concentra o poder em si, controla a informação e cria uma polícia secreta de cães para intimidar os outros animais. Com o tempo, Napoleão e os porcos começam a viver luxuosamente, enquanto os restantes animais enfrentam dificuldades e veem os princípios da revolução serem alterados. A máxima “Todos os animais são iguais” transforma-se em “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”.

No final, os porcos tornam-se indistinguíveis dos humanos e os animais percebem que a liberdade conquistada foi perdida, com a quinta a voltar a ser dominada por uma elite poderosa e corrupta. O livro transmite uma crítica à corrupção do poder e à manipulação política, mostrando como revoluções podem ser traídas por aqueles que deveriam defendê-las, sendo também uma metáfora da Revolução Russa e do surgimento do totalitarismo soviético.

Personagens

Porcos
Major – Um velho porco doméstico premiado em uma exposição que dá a inspiração que alimenta a rebelião no livro. É uma alegórica combinação Karl Marx, um dos criadores do comunismo, e Lenin, líder comunista da Revolução Russa e da recém-criada União Soviética, onde elabora os princípios da revolução. Seu crânio sendo colocado em exposição pública reverenciado lembra Lenin, cujo corpo embalsamado foi colocado em exposição.

Napoleão – Grande porco da raça Berkshire. De poucas palavras, mas com reputação de possuir um braço forte. É comumente associado como alegoria de Joseph Stalin.

Bola de Neve – Rival de Napoleão e líder após a queda de Jones. É comumente associado como alegoria de Leon Trótski.

Garganta – Porta-voz de Napoleão. É comumente associado como alegoria de Viatcheslav Molotov ou ao Pravda

Equinos
Sansão – O mais devotado dos animais. Trabalhador incansável, segue duas máximas na vida: "Trabalharei cada vez mais" e "Napoleão tem sempre razão", geralmente sendo uma alegoria ao proletariado.

Benjamim – O mais céptico dos animais. Não acredita na revolução e mantém-se alheio às disputas políticas. Há interpretações que o colocam como a representação do autor, na quinta.

Outros Animais
Ovelhas – Limitadas intelectualmente, as ovelhas não sabem ler e não conseguem memorizar todas as regras da granja, resumindo-se a balir incessantemente "Quatro pernas bom, duas pernas mau!". Em diversas passagens, debates são impossibilitados pela barulheira do rebanho.

Cães – Tirados da mãe logo cedo e criados por Napoleão, tornam-se sua guarda pessoal. São eles os responsáveis por ajudar Napoleão no golpe contra Bola-de-Neve e também em mantém os outros animais sob controle, através da violência e do medo, representando a KGB

Moisés – Corvo domesticado de Jones, foge depois da revolução para reaparecer algum tempo depois, sempre incentivando os animais a acreditarem que uma vida melhor os espera no céu, com várias promessas que incluem montanha de amar e feno à vontade. Apesar de não trabalhar, sua presença é tolerada pelos porcos, sendo a representação da Igreja

Humanos
Sr Jones – Dono da Quinta do Solar. Alcoólatra e cruel com os animais, que sofrem pelo chicote e pela fome, sendo uma representação do czar Nicolau II

Sr Frederick – Dono da Quinta Pinchfield, uma pequena fazenda vizinha a A Quinta dos Animais. Entra brevemente em aliança com Napoleão, para depois atacar a Granja. É comumente associado como alegoria de Adolf Hitler, e o acordo e o ataque a Pacto Molotov-Ribbentrop e Operação Barbarossa, respectivamente.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Viúva de Alexei Navalny diz que laboratórios independentes provaram envenenamento mortal do marido

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado

A viúva do líder da oposição russa Alexei Navalny afirmou hoje que o marido morreu envenenado, na sequência da confirmação por dois laboratórios diferentes depois de análises aos "restos biológicos" do ativista.

"Conseguimos transferir o material biológico de Alexei [Navalny] para o estrangeiro. Laboratórios de dois países diferentes realizaram análises. Estes laboratórios, independentes um do outro, concluíram que Alexei foi envenenado", escreveu Yulia Navalnaya numa mensagem publicada nas redes sociais e na qual exigiu que os resultados destes testes sejam tornados públicos.

O opositor russo, de 47 anos, um dos principais críticos do Presidente russo, Vladimir Putin, morreu na prisão em fevereiro do ano passado.

Navaly estava numa prisão no Ártico para cumprir uma pena de 19 anos sob "regime especial" e, segundo os serviços penitenciários, sentiu-se mal depois de uma caminhada e perdeu a consciência.

A viúva adiantou que Navalny tinha sido transferido para aquela prisão dois meses antes da morte, "claramente para esse fim".

"Durante os três anos que passou atrás das grades, o estado de saúde agravou-se. Não queriam apenas matá-lo, tentaram dominá-lo. Atormentaram-no com fome, frio e isolamento total. Foi impedido de receber telefonemas e visitas e deixaram de lhe entregar cartas. As reuniões com os advogados foram obstruídas. Passou longos períodos numa cela de castigo sem bens pessoais, sem livros e até sem papel ou caneta", contou.

Navalnaya realçou que a cela onde o marido se encontrava tinha "seis metros quadrados, uma chávena, uma escova de dentes e uma cama fixada na parede durante o dia, pelo que não era possível deitar-se nela".

"Esta foi a cela de castigo em que foi assassinado", denunciou.

Segundo Navalnaya, o opositor russo começou a sentir-se mal durante "uma caminhada programada" feita numa cela vizinha.

"O Alexei bateu à porta e disse que se sentia mal (...) Estava deitado no chão, com os joelhos sobre o estômago, a gemer de dor. Disse que o peito e a barriga estavam a arder. Começou a vomitar", contou.

"De acordo com o testemunho de alguns guardas prisionais, Alexei sofreu convulsões, respirava com dificuldade e tossia", acrescentou Navalnaya, referindo que "a ambulância foi chamada mais de 40 minutos depois de Alexei se ter começado a sentir mal".

"Nesse momento, já estava inconsciente. A ambulância, que chegou 10 minutos depois, tentou ressuscitá-lo, mas sem sucesso", adiantou.

A viúva lembrou que, após a morte do marido, prometeu fazer "todos os possíveis para investigar o assassínio de Alexei" Navalny, garantindo que tanto ela como a equipa que apoiava o opositor estão a cumprir essa promessa.

"Os assassinos trabalharam cuidadosamente para eliminar as pistas, mas conseguimos preservar algumas provas", disse.

Contou que conseguiram, em fevereiro de 2024, obter "amostras de material biológico de Alexei [Navalny] e contrabandeá-las em segurança para o estrangeiro".

Agora, os resultados dos testes de dois laboratórios "chegaram à mesma conclusão: Alexei foi assassinado. Mais especificamente, foi envenenado".

Navalnaya lamentou que "os países ocidentais não tenham base legal para abrir processos criminais" relativamente ao caso, mas lembrou que "também há considerações políticas".

"O Alexei era o meu marido. Era o meu amigo. Era um símbolo de esperança para o nosso país. Putin assassinou essa esperança. Temos o direito de saber como o fez. Peço aos laboratórios que realizaram os testes que publiquem os resultados", apelou.

"Parem de bajular Putin em nome de considerações ditas superiores. Enquanto permanecerem em silêncio, ele não para. Talvez alguém esteja a morrer agora por causa de outro envenenamento por Putin. Não apenas na Rússia, pois já vimos casos semelhantes noutras partes do mundo", instou.

"A única forma de confrontar Putin é agir com coragem e franqueza", concluiu.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Jeffrey Sachs: The Russian-Ukraine War Was Provoked


O professor Jeffrey Sachs é presidente da UN Sustainable Development Solutions Network (UNSDSN


Ele é autor de muitos livros best-sellers, incluindo  The End of Poverty The Ages of Globalization. Aqui está ele, provavelmente com a avaliação mais inteligente e precisa da guerra na Ucrânia, e da política externa americana em geral, já gravada em depoimento.

Em definições, pode visualizar a entrevista em Português.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Urbano Tavares Rodrigues – 100.º aniversário do nascimento

Marcha pela Paz, Lisboa, 1983: José Saramago, Piteira Santos, Maria Rosa Colaço, Lopes Graça, Manuel da Fonseca, José Cardoso Pires e Urbano Tavares Rodrigues.

Urbano Tavares Rodrigues – 100.º aniversário do nascimento de um homem bom, antifascista e muito culto – 6 de dezembro de 1923.

"Não quer dizer que não haja coisas boas na União Soviética, porque há, mas os mandantes estão um bocado fossilizados."
Estavam. Agora é aquele canalha do Putin. Um bandido da pior espécie. Um miserável do KGB. 

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo
Nos países subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder instituído, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, originário por via de regra da média e da pequena burguesia ou mais raramente das classes proletárias, contesta o status quo, propõe soluções revolucionárias ou, quando estas não podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar fazê-lo pela crítica, violenta ou irónica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os beneficiários do sistema de produção ergueram contra as aspirações da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude idêntica de inconformismo; porém, os resultados da sua actividade de criação e reflexão tornam-se matéria vendável e, nalguns casos, matéria integrável.
O consumo do objecto artístico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opinião, que os meios de comunicação de massa, em escala larguíssima , exercem, torna-se, senão totalmente inócuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conteúdo crítico. Despotencializa-se. Amolece. É o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve, ou procura absorver, as próprias formas políticas de exercício das liberdades ditas essenciais, quando aceita no seu seio o escritor, acusador iconoclasta por natureza, recuperando-o em banho asséptico, limando-lhe os dentes. Mas, entendamo-nos, nem sempre o artista se dá conta dessa operação, até porque nem sempre, de facto, é ele próprio o paciente da operação que lhe reduz a perigosidade, senão que o é, sim, a sua obra, a qual, pelo poder diminutivo de uma dada comercialização, se rectifica.

Urbano Tavares Rodrigues, in "Ensaios de Escreviver"

domingo, 6 de agosto de 2023

Quando é que o PCP vem pedir desculpas do Terror Vermelho (Lenine, Estaline, Mao Tsé-Tung e Polt Pt) que mataram centenas de milhões de pessoas?

Super-Lua, NYC por Dan Martland
"Camaradas! A revolta kulak em seus cinco distritos deve ser esmagada sem piedade... Vocês devem fazer dessas pessoas um exemplo.
(1): Pendure-as (quero dizer, pendurar publicamente, para que as pessoas vejam) pelo menos 100 kulaks, bastardos ricos, e sanguessugas conhecidos.
(2): Publiquem seus nomes.
(3): Confisquem todos os seus grãos.
(4): Selecionem os prisioneiros de acordo com as minhas instruções do telegrama de ontem.
Façam tudo isso de modo que, por quilómetros ao redor, as pessoas vejam tudo isso, compreendam, temam, e digam que estamos matando os kulaks sanguinários e que vamos continuar a fazê-lo..." -Lenine, 1918
Nós tivemos Fátima. Cada povo escolhe o seu lado. Muitas vezes mal e raramente bem. A cegueira mata. Mesmo entre ateístas.

sábado, 29 de julho de 2023

Rússia corrompeu agentes de Kyiv em 2014 e começou a planear invasão


O historiador Mark Hollingsworth afirmou à Lusa que a guerra em curso na Ucrânia está a ser planeada desde a anexação da Crimeia (2014), altura em que os serviços secretos russos conseguiram informações importantes ao corromperam agentes de Kyiv.

A situação é relatada no livro de investigação do historiador britânico "Manipulação - O KGB e as Democracias Ocidentais", recentemente publicado.

"A atual guerra (na Ucrânia) foi planeada desde 2014 [anexação da península da Crimeia] e, nessa altura, o FSB [Serviço Federal de Segurança, o sucessor do soviético KGB] conseguiu muita informação corrompendo os serviços de informações ucranianos e obtendo uma quantidade significativa de material que eu menciono com detalhe neste livro e esses factos são importantes para se perceber a invasão de 2022", disse à agência Lusa Hollingsworth.

"O que ainda é pouco conhecido", frisou o historiador britânico, é que os serviços de informações russos (FSB e SVR, os serviços secretos externos russos) em 2014 "corromperam, subornaram e intimidaram" agentes dos serviços secretos da Ucrânia e conseguiram ter acesso a documentos importantes de Kiev.

No entanto, apontou o historiador, a "fraqueza" dos serviços secretos da Rússia (desde 2014) foi o uso de ideias preconcebidas sobre o que eles próprios entendiam ser a verdade ou a realidade, tendo depois tentado encontrar os factos que podiam encaixar-se nessas mesmas ideias.

"Por outras palavras, em vez de enviarem agentes com a missão de descobrir qual era a verdade e sobre o que estava a acontecer na Ucrânia, limitaram-se a uma ideia preconcebida sobre o que eles pensavam ser a verdade para depois dizerem às chefias o que as chefias queriam escutar. Isto é o que eu penso que está a acontecer na Ucrânia", afirmou Mark Hollingsworth, referindo-se à invasão russa iniciada em fevereiro de 2022.

Segundo a teoria de Hollingsworth, e no que diz respeito à campanha militar em curso há mais de um ano no território ucraniano, a direção do FSB comunica ao chefe de Estado russo, Vladimir Putin, o que ele quer ouvir em vez de investigar os factos.

Para o historiador britânico, geralmente este tipo de situações são "um problema no mundo dos serviços de informações" porque ao deixarem-se controlar pelas ideias políticas - simplesmente para agradarem aos líderes -, "esquecem" os factos que marcam a realidade. 

Por outro lado, o historiador diz que ainda é cedo para relacionar a retirada desordenada das forças internacionais do Afeganistão (concluída no verão de 2021) e a invasão de 2022 da Ucrânia, mas, na sua opinião, "é provável" que Moscovo tenha acompanhado os acontecimentos em Cabul para estudar o comportamento dos outros países e moldar o tipo de operação militar.

Quanto à rebelião contra as altas patentes da Defesa russa chefiada em meados de junho pelo líder do grupo russo de mercenários Wagner, o historiador diz que ainda é difícil perceber o que de facto aconteceu porque Yevgeny Prigozhin ainda está vivo.

"Se a operação tivesse sido uma tentativa de golpe de Estado, o líder seria executado ou preso e pelo que sabemos Prigozhin ainda é um homem livre", frisou.

"Penso que a tentativa de progressão até Moscovo foi uma forma de mostrar poder. É possível que Prigozhin - e isto é pura especulação - tenha informação sobre a fortuna de Putin e talvez por isso Putin não tenha atuado contra ele. É um assunto que ainda tem de ser investigado. Até ao momento é especulação", ressalvou.

No livro agora lançado em Portugal, Hollingsworth evidencia o papel da "desinformação" dos serviços secretos da antiga União Soviética durante a Guerra Fria e analisa igualmente a campanha da Rússia na Ucrânia desde a invasão da Crimeia, assim como os novos sistemas utilizados pelo FSB.

Sobre Putin, a obra refere que o chefe de Estado russo foi um oficial do KGB que inicialmente se dedicava a identificar, ameaçar e prender opositores da União Soviética nos anos 1980 e que mais tarde, na ex-República Democrática da Alemanha, assistiu à "humilhação" da queda do Muro de Berlim.

"Ele nunca esqueceu isso. Nunca esqueceu a humilhação. O que o motiva é restaurar a União Soviética no sentido nacionalista. Ele não é um comunista, ele apoiou a União Soviética mas sem ser um comunista. Apoiava um Estado forte e centralista, muito autoritário e nacionalista sem acreditar no comunismo como o sistema que deveria conduzir a economia", referiu o historiador.    

Mark Hollingsworth é autor, entre outras obras, da investigação "Londongrad" sobre as atividades dos oligarcas no Reino Unido e do livro "Thatcher's Fortunes" sobre a fortuna da antiga chefe de Governo britânica e o papel do filho, Mark Thatcher, em vários conflitos em África.  

À Lusa, e sobre projetos futuros, o historiador admitiu que seria "um desafio" escrever sobre o papel atual dos serviços secretos da República Popular da China, mas adiantou que "talvez escreva um terceiro e difícil livro sobre a Rússia" sobre a fortuna de Vladimir Putin.

"Por outro lado tenho muito interesse em História e estou, por isso, muito interessado também em escrever sobre o Duque de Windsor que chegou a ser o rei Eduardo VIII que abdicou em 1936, no Reino Unido. Ele esteve em Portugal em 1939 e 1940, durante a Segunda Guerra Mundial e era pró-nazi. O que foi fazer a Lisboa? Seja como for, isso é outra História", concluiu.

A obra "Manipulação - O KGB e as Democracias Ocidentais" (Bertrand Editora, 325 páginas) foi publicada este mês em Portugal e inclui uma lista de falsificações do KGB durante a Guerra Fria. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Sondagem da Católica. Maioria dos portugueses culpa Putin e Rússia pela guerra na Ucrânia


Nesta sondagem, 85% dos inquiridos responderam que “o principal responsável pela guerra na Ucrânia” é Putin/Rússia, enquanto apenas 1% considera que é o presidente Volodymyr Zelensky/Ucrânia.


A conclusão é de uma sondagem realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público, segundo a qual os inquiridos estão divididos sobre a atribuição de mais apoio financeiro a Kiev.

Dois por cento dos participantes acreditam que a culpa é dos Estados Unidos, 1% diz ser da NATO e outro 1% crê que os responsáveis são os países europeus/União Europeia. Sete por cento não sabem ou não quiseram responder, enquanto 3% responderam “outro”.

Questionados sobre como avaliam a atuação da NATO e dos seus países-membros até ao momento, no que diz respeito à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, 51% disseram que “estão a envolver-se o necessário”, 30% considerou que “estão a envolver-se menos do que deviam” e 12% pensam que “estão a envolver-se mais do que deviam”. Sete por cento não responderam.

Já sobre a atuação de Portugal, em concreto, quanto à guerra na Ucrânia, as respostas foram mais uniformes. Setenta e dois por cento dos inquiridos responderam que o país está a “envolver-se o necessário”, 12% disseram que está “a envolver-se menos do que devia” e 10% “mais do que devia”. Apenas 6% não responderam.

Portugueses divididos sobre apoio financeiro

Esta amostra da população portuguesa foi também questionada sobre se Portugal deve conceder mais apoio financeiro à Ucrânia, ao que a resposta foi equilibrada: 38% disseram discordar e 38% disseram concordar.

Catorze por cento “discordam completamente”, enquanto 6% “concordam completamente”.

Sobre o envio de mais material e equipamento militar de Lisboa para Kiev, as respostas foram mais díspares. Cinquenta e um por cento concordaram; 12% concordaram completamente; 24% discordaram; e 9% discordaram completamente.

Notou-se mais consenso no que diz respeito ao acolhimento de mais refugiados ucranianos por parte de Portugal. Cinquenta e oito por cento concordaram que o país deve receber mais destes refugiados e 21% “concordaram completamente”.

Do lado aposto, 15% discordaram e apenas 3% “discordaram completamente”.

Ucrânia vista como país “que mais perde com a guerra”

Foi também perguntado aos portugueses quanto consideram que cada país ganha ou perde com a guerra. Neste ponto, a sondagem da Católica concluiu que a Ucrânia é vista como o país que mais perde com o conflito, sendo que a Rússia e a União Europeia (incluindo Portugal) “também têm mais a perder do que a ganhar”.

Na coluna do “perde muito”, a Ucrânia sobressai, com 63% a responderem nesse sentido. Em segundo lugar, para os inquiridos, surge a Rússia, com 26% de respostas. Segue-se a União Europeia (18%), Portugal (12%), EUA (4%) e China (3%).

Já na coluna do “perde”, quem se destaca é Portugal. Sessenta por cento dos portugueses acreditam que o país perde com a guerra, seguindo-se a UE (55%), Rússia (41%), Ucrânia e EUA (ambos com 24%) e, por último, a China (15%).

Por outro lado, os participantes consideram que os Estados Unidos e, principalmente, a China, “são os países que menos têm a perder e mais poderão ganhar com esta guerra”. Pequim reuniu 39% das respostas na coluna do “ganha”, os EUA 30%, a Rússia 12%, UE 8%, Ucrânia 5% e Portugal 2%.

Na resposta “ganha muito” os resultados foram mais residuais, destacando-se a China (com 12%) e os Estados Unidos (11%).

Maioria acredita que guerra não sairá da Ucrânia

Sobre o futuro do conflito, 39% dos participantes consideraram mais provável que a guerra ainda vá demorar, mas que ficará circunscrita ao território ucraniano.

Já 26% acreditam que “o conflito vai tornar-se num conflito global”, enquanto 14% pensam que irá “alargar-se a outros países vizinhos que não sejam membros da NATO”.

Sete por cento creem que o mais provável é a guerra “alargar-se aos países vizinhos membros da NATO” e apenas 4% acreditam que “o conflito está a caminho de uma resolução”.

Dez por cento não sabem ou não quiseram responder.

Ficha Técnica

Este inquérito foi realizado pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena1 e Público entre os dias 9 e 17 de fevereiro de 2023. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir duma lista de números de telemóvel, também ela gerada de forma aleatória. Todas as entrevistas foram efetuadas por telefone (CATI). Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram obtidos 1002 inquéritos válidos, sendo 46% dos inquiridos mulheres. Distribuição geográfica: 29% da região Norte, 20% do Centro, 37% da A.M. de Lisboa, 7% do Alentejo, 4% do Algarve, 2% da Madeira e 2% dos Açores. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários e região com base no recenseamento eleitoral e nas estimativas do INE. A taxa de resposta foi de 26%. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1002 inquiridos é de 3,1%, com um nível de confiança de 95%.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Documentário: " As Vidas de Camus"

No dia 7 de Novembro de 1913 nasceu Albert Camus. 
Recebeu o Prémio Nobel de Literatura aos 44 anos e aos 46 morreu num desastre de automóvel, conduzido pelo seu editor Michel Gallimard. Na sua maleta estava contido o manuscrito de O Primeiro Homem, um romance autobiográfico. Por uma ironia do destino, nas notas ao texto, ele escreve que aquele romance deveria ficar inacabado. A sua mãe, Catherine Sintès, morreu em setembro do mesmo ano.



Camus não pretendia ter feito a viagem a Paris de carro, com seu editor Michel Gallimard, a mulher deste, Janine, e a filha deles, Anne. Pretendia ir de comboio, com o poeta René Char. Já haviam até comprado as passagens. Mas, por insistência de Michel, ele aceitou a boleia. Char também foi convidado, mas não quis lotar o carro. No acidente, o Facel Vega de Michel espatifou-se contra uma árvore. Apenas Camus morreu na hora. Michel morreu no hospital, cinco dias depois. O relógio do painel do carro parou no instante do acidente: 13h55.

Cinquenta anos depois, revelações do escritor e tradutor checo Jan Zabrana, contidas no seu diário publicado postumamente, sugerem a possibilidade de que Camus tenha sido, de fato, assassinado, por ordem do Ministro das Relações Exteriores da URSS, Dmitri Shepilov, em retaliação à oposição aberta que o escritor vinha fazendo a Moscovo - particularmente no artigo publicado na revista Franc-Tireur de março de 1957, em que atacava pessoalmente o ministro, responsabilizando-o pelo que chamou de "massacre", durante a repressão soviética à Revolução Húngara de 1956.Ainda hoje é questionável.

Biografias
Albert Camus

Sites
The Albert Camus Society 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Entrevista a William Browder - Putin can't back out, so the only option is to totally destroy him


Site
Bill Browder

Bill Browder, o homem que há mais de uma década dedica a vida a lutar contra a corrupção dos oligarcas, diz à TSF que o presidente russo é um criminoso, mas não é louco.

A invasão da Ucrânia não o surpreendeu mas diz que nada está a correr como Vladimir Putin queria. Os planos não se concretizaram e a segunda fase da guerra também não está a ter os resultados previstos. Bill Browder considera, por isso, que Putin é agora mais imprevisível, "ele foi totalmente humilhado e não lida bem com isso. Penso que como resultado Putin pode fazer algumas loucuras, não sei quais, mas podemos esperar ações desagradáveis, perversas e desoladoras por parte do presidente."

O antigo empresário que em meados dos anos 90 começou a investir na Rússia, diz que Putin foi humilhado e está também assustado e foi isso que o levou a invadir a Ucrânia. O chefe de estado teve medo que o povo se revoltasse por causa das dificuldades económicas causadas por todos os roubos. Ele decidiu, por isso, avançar para esta guerra como uma distração, como forma de garantir a popularidade. Browder defende que as palavras sobre a Nato e o grande império russo são para consumo interno, a razão da guerra é mais simples, ele está com medo.

Apesar de Putin estar assustado, o antigo empresário britânico, nascido nos Estados Unidos, não acredita que ele concretize as ameaças que tem feito. "Vamos supor que a Suécia e a Finlândia se juntam à Nato e ele quer atacá-los. Isso significa que vai entrar em guerra com a Aliança Atlântica. Ele mal se aguenta na Ucrânia e vai perder quase de imediato uma guerra com a NATO. Ele não é estúpido e sabe que se tentar usar uma arma nuclear haverá destruição mutua. É assim que a dissuasão nuclear funciona, aquele que tentar utilizar essas armas entende que será destruído rapidamente," explicou Browder em entrevista à TSF.

Bill Browder disse à TSF que Putin "foi humilhado", o que o torna "imprevisível".

Para Browder as sanções que têm sido aplicadas pelo ocidente são corretas mas devem ir mais longe. Ele sublinha que Vladimir Putin só vai ser travado se lhe cortarem o acesso ao dinheiro e para isso é preciso que a Europa deixe de comprar gás e petróleo à Rússia.

Browder lembra que durante décadas o ocidente optou por ignorar a ameaça colocada por Putin, mas a invasão da Ucrânia mudou esse cenário. Reconhece que ele próprio, quando o antigo agente do KGB se tornou primeiro-ministro e depois presidente, se convenceu que Putin seria benéfico para o país. Na altura Browder tinha criado o Hermitage Fund, gerido pelo Hermitage Capital Management, que chegou a ter o maior portefólio de investidores estrangeiros na Rússia. O fundo investiu em diversas companhias estatais, entre elas a Gazprom.



Com o descalabro económico do país, Browder apercebeu-se que havia oligarcas a roubar dinheiro em empresas nas quais tinha investido. Para proteger os investimentos começou a denunciar os homens mais ricos da Rússia e Putin apoiou-o. Só mais tarde o antigo empresário percebeu que o presidente não queria combater a corrupção, queria apenas ser o maior oligarca de todos.

Vladimir Putin conseguiu atingir esse objectivo prendendo aquele que era na altura o homem mais rico do país, Mikhail Khodorkovsky. Em 2003 ele foi detido, julgado por fraude e condenado a 10 anos de prisão. Os outros oligarcas viram isso e pensaram que se uma pessoa muito mais rica e mais poderosa do que eles tinha caído em desgraça, então tinham que se entender com Putin. "Foi nessa altura que todos chegaram a um acordo com Putin. Ficavam em liberdade e não seria perseguidos se entregassem ao líder do país 50% das fortunas," revelou Browder à TSF.

A partir daí o britânico deixou de estar em consonância com os interesses de Putin e rapidamente percebeu isso. "Fui expulso do país, em 2005, e declarado uma ameaça à segurança nacional. Os meus escritórios em Moscovo foram alvo de rusgas em 2007, apreenderam todos os documentos que foram, mais tarde, usados numa fraude complexa para roubar 230 milhões de dólares que a empresa tinha pago em impostos ao governo russo."

Browder conta à TSF o início de Putin à frente da Rússia.

Foi nessa altura que o antigo empresário contratou o advogado moscovita, Sergei Magnitsky, que descobriu os responsáveis pela fraude contra o estado russo. Confiantes de que Putin não podia estar envolvido, Browder divulgou o caso publicamente no estrangeiro e Magnitsky fez queixa às autoridades, um gesto que teve consequências devastadoras. "Ele testemunhou contra os funcionários envolvidos, foi preso por eles, torturado durante 358 dias e assassinado quando estava à guarda da polícia. Tinha 37 anos," Browder admite que foi um crime que lhe mudou a vida. Decidiu abandonar todos os negócios e lutar para que os responsáveis do assassinato fossem levados à justiça.

Incapaz de agir dentro da Rússia, criou a lei Magnitsky, aprovada já por 34 países e que prevê o congelamento dos bens e o cancelamento dos vistos a todos os que violam os direitos humanos no mundo.

Há nesta altura 150 pessoas abrangidas pela lei, mas Bill Browder diz que há milhares que temem cair nas teias da legislação.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Putin's position would not give him 'immunity' from war crime prosecution, says ICC chief prosecutor


Vladimir Putin is not immune from war crimes prosecution if the evidence points towards him, according to the International Criminal Court's (ICC) chief prosecutor.

Karim A. A. Khan KC, who is currently investigating offences on the ground in Ukraine, told Euronews that the Russian president's position would not allow him to escape with impunity.

"Neither is superior orders a defence, nor is the official position of an individual as a general or as a president or as a prime minister grounds for immunity," the prosecutor said.

"There's no immunity for international crimes, and one of the Nuremberg principles, as you'll know, is that there's no statute of limitations for war crimes or crimes against humanity."

Russia is accused of committing war crimes throughout Ukraine, with rape, murder and torture all being used against the civilian population.

It comes as missile strikes launched on Monday by Moscow killed at least 19 people and wounded 105 in Ukraine.

Khan said these kind of attacks are unacceptable if found to be true.

"One thing is clear: you cannot deliberately, intentionally target civilian objects, schools and hospitals, places of residence of civilians unless they're being used to gain a distinct military advantage," he said on Wednesday.

"Even then, there is rule of proportionality. And this is something, you know, applicable.

"Of course, you can extrapolate from that in terms of a variety of different targets, whether they're bridges or energy locations. But spreading terror is not allowed. And then one is to look at things as part of an overall pattern, as opposed to just a one off instances."

The ICC prosecutor also said international law is more relevant than ever, given the current tensions between Russia and the West.

"We're in a very critical moment, the minute leaders talk about using violence, using bombs, using the bullet. It's a matter to pause and think, where are we going? But the minute we talk about tactical nuclear weapons, it's not just the twilight zone. It's the eve of a nightmare. And we need to take it extremely seriously," Khan said.

"I think the law has a role to play. It won't solve all the world's problems, but we need to make sure that it is seen to be relevant in these most critical moments that your viewers are living through, that we're all living through it. This is not a Hollywood movie. This is not something that is some drama. This is something that is up close and personal to too many."

Khan and his joint investigative team are currently looking into war crimes in Ukraine with six EU countries under the umbrella of Eurojust, the bloc's judicial co-operation agency.


Captured and wounded Wagner convict who served a term for aggravated murder (which he obviously denies). Says out of his group of 50 people, 12 remain alive so far.

domingo, 23 de outubro de 2022

Why Vladimir Putin is beholden to Stalin’s legacy

Não  esquecer que Kherson é uma das quatro regiões que o presidente Vladimir Putin anexou ilegalmente no mês passado.[link]

The Russian president has embraced the Soviet cult of fear and control. His invasion of Ukraine is a colossal gamble to secure his place in history.


Stalin's ideology was Marxism-Leninism, Putin's is a commitment to a revived "Russian world", defined in terms of traditional culture and Orthodox Christianity, though with a distinct lack of emphasis on Jesus' Sermon on the the Mount. From Putin's perspective, Ukraine has special significance, with historical roots going back to Vladimir the Great, the Grand Prince of Kiev, who introduced Orthodox Christianity to the Russian domain in 988 AD.[aqui]

Sebag Montefiore argues that key elements of the old Soviet governance structure persisted into the post-Soviet era, especially the secret police service , though with a new set of initials (FSB vs KGB), that remained largely intact and was crucial to Putin's rise to power.

Putin has gone on the record, including in his long pre-war speech that attempted to justify the invasion, condemning the "excesses:" of Stalin's rule, while effectively forbidding ongoing examination of Stalin's crimes and legacy.

In one key respect, however, he has shown himself to be more dangerous than Stalin. The author contends that Stalin was strategically cautious, and would have been unlikely to have attempted something like the Ukraine invasion.

By the way Sebag Montefiore's book Stalin: The Court of the Red Tsar is a terrific read.

This is no surprise because the modern Russian state that Stalin forged in the early 1920s was never dismantled in the democratic turbulence of the 1990s. Despite its democratic façade, the Russian executive remained an autocracy in which presidents – similar to early tsars – chose their own successors as both Boris Yeltsin and Putin have done. The security organisation founded by Lenin, the Cheka, shaped and micromanaged by Stalin, and known by a succession of dreary acronyms – OGPU, NKVD, MGB, KGB, FSB – was divided by Yeltsin but never disassembled.

A former KGB lieutenant colonel, Putin is a proud Chekist. Then there is Ukraine, a country that was brutally repressed by Stalin and now attacked by Putin. The Russian president shares a part of Stalin’s determination to liquidate the nationality and ­independence of Ukraine at any cost. The differences ­between the two are as great as the similarities. But perhaps it is the similarities that count today.

But the differences are striking too. Stalin was a Georgian, born with the surname Dzhugashvili. Putin, born in Leningrad, emphasised in the early days of the invasion of Ukraine “I’m a Russian”. Stalin was a fanatical internationalist Marxist; Putin believes in the exceptionalist “Russian world” starting with the Orthodox conversion of Vladimir the Great in 988. He despises Marxist ideology, believing the Leninist revolution shattered Russian imperium. Eschewing Communism, he promotes Kremlin-KGB-capitalism. Stalin, who had no interest in money and only possessed a couple of uniforms (though he enjoyed the use of comfortable mansions) would be disgusted by the vulgarity of the yachts and planes of ­Russia’s ultra-rich.

Although Communism is gone, Stalin’s secret police force is intact and remains central to Putin’s reign. Stalin deliberately co-opted Russian criminal culture into the Cheka, personifying this gangster-Bolshevik nexus himself. He won Lenin’s favour by organising bank robberies with a gang of mafiosi and psychopaths in order to fund the Party. When a fastidious Marxist complained to Lenin about Stalin’s thuggery, he replied, “He’s exactly the type we need.” Putin has a special link: his grandfather Spiridon Putin was a chef who started at the Astoria Hotel in St Petersburg, where he cooked for Rasputin, but then joined the OGPU/ NKVD “service staff” who worked at state dachas, serving Lenin and Stalin himself. As a young law student, Putin joined the KGB in 1975. During Leonid Brezhnev’s sclerotic reign (1964 to 1982), the KGB under the talented Yuri ­Andropov was the only organisation that retained its prestige as an order of “Soviet knighthood”. In 1991 Putin was working as a KGB lieutenant colonel in Dresden, east Germany when the Soviet Union collapsed. He drove home despondent.

The New Tsar: How Putin Became Russia's Dictator



When Russian President Boris Yeltsin appointed a little-known spy chief as his Prime Minister and successor in 1999, the rouble crashed. Nobody had heard of this former KGB agent and few believed he would make any mark.

Vladimir Putin would soon show Russians, and the world, what he was made of.

Within weeks of his appointment as Prime Minister, apartment blocks in Moscow and other cities began exploding, killing and wounding hundreds of civilians. The Kremlin blamed Chechen separatists and soon launched a brutal war against the tiny state.

The war resulted in huge civilian casualties but it raised Putin’s profile at home. Months later, he was elected president.

Correspondent Eric Campbell was in Russia when Putin began his rise to power and has followed his career ever since.

Campbell tracks Putin’s journey to the top, from his origins in an impoverished tenement in St Petersburg to his ruthless prosecution of the war against Chechnya to his relentless attacks on any political opposition at home.

Campbell closely chronicled Putin for over two decades as the leader set about muzzling the media, rigging elections and targeting his political opponents, at home and abroad.

Now as the President-for-Life invades neighbouring Ukraine and threatens the world with the nuclear option, Campbell asks, how far will he go?

This is an in-depth profile of a man who’s smashed the world order and dared the West to risk World War Three to stop him.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Documentário: The end of a superpower - The collapse of the Soviet Union (2021)




O presidente russo, Vladimir Putin, descreveu o colapso da União Soviética como "a maior catástrofe geopolítica do século XX". Este documentário de 2021 mostra o caminho que a política externa russa seguiu sob Putin.

[Este documentário foi lançado originalmente em 2021. Em fevereiro de 2022, o presidente russo Vladimir Putin ordenou a invasão da Ucrânia.]

Em 25 de dezembro de 1991, a União Soviética entrou em colapso. Junto com ela veio a esperança pelo fim da Guerra Fria, pela independência e liberdade para as ex-repúblicas soviéticas. Mas para muitos também trouxe pobreza e guerra. O que resta dos sonhos daquela época? O documentário inclui testemunhas contemporâneas e políticos dos anos decisivos e mostra o que aconteceu com o legado de uma potência mundial.

sábado, 5 de março de 2022

Documentário - Putin's Way


Neste documentário de 2015, FRONTLINE traça a ascensão de Vladimir Putin de espião desempregado a czar moderno e investiga as acusações de criminalidade e corrupção que cercaram seu reinado na Rússia. 

Neste filme de 2015, uma coprodução com a Canadian Broadcasting Corporation, o produtor Neil Docherty e a correspondente Gillian Findlay traçam a carreira de Putin duas décadas antes de seu início político em São Petersburgo, onde as alegações de corrupção começaram quase imediatamente. Com base em relatos em primeira mão de magnatas dos negócios russos exilados, escritores e políticos, bem como a pesquisa exaustiva de Karen Dawisha, autora do best-seller “Putin's Kleptocracy”, o filme examinou episódios preocupantes no passado de Putin, de supostas atividades de lavagem de dinheiro e laços com o crime organizado, com uma fortuna pessoal secreta que se diz estar na casa dos biliões.

Mais documentários relacionados:

1. Como é que chegámos aqui? Dois documentários para perceber a Guerra na Ucrânia

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Como é que chegámos aqui? Dois documentários para perceber a Guerra na Ucrânia

A invasão russa à Ucrânia começou esta quinta-feira, 24 de fevereiro, depois de semanas de tensão e ameaças por parte do governo liderado por Vladimir Putin. A Ucrânia, antiga república da União Soviética, é um estado independente desde 1991. No entanto, o território que conhecemos atualmente como Ucrânia tem sido ponto de disputa de poder ao longo de vários séculos.
Em 2014, após os protestos denominados Euromaidan, que culminaram na deposição do presidente Vikor Yanukovych, as tensões entre a Ucrânia e a Rússia ressurgiram, com o apoio de Moscovo a vários territórios autoproclamados independentes (entre os quais a Crimeia, Donetsk e Luhansk). Para melhor compreender não só os acontecimentos atuais, mas também para perceber qual a importância atual dos dois países no panorama geopolítico internacional, sugerimos dois documentários.

1- Ukraine On Fire - Oliver Stone

Não disponível em Portugal. Terá que o ver no Youtube
"Será que estamos a assistir ao início da Guerra Fria 2.0 ?", questiona o realizador Oliver Stone no documentário lançado em 2017. O filme apresenta uma perspetiva completamente diferente dos acontecimentos de 2014, que conduziram à deposição de Vikor Yanukovych.

Stone entrevista não só o então presidente deposto da Ucrânia, mas também Vladimir Putin, que acusam os Estados Unidos e também a NATO de espalharem propaganda anti-Rússia e de terem ajudado a planear o golpe de Estado. Oliver Stone tem manifestado, ao longo dos anos, uma opinião crítica em relação à estratégia norte-americana no que toca a conflitos internacionais.


Atualização: Já possível ver o Ukraine on Fire em Português. Encontrei-o no Youtube


2- Poutine - Le retour de l'ours dans la danse



Oportunística e sem escrúpulos, a política externa de Vladimir Putin colocou a Rússia de volta no centro das questões geoestratégicas globais. Como muitos especialistas, o documentarista Frédéric Tonolli questiona as motivações profundas desta nova guerra fria.

Em fevereiro de 2007, durante a Conferência de Segurança Global de Munique, Vladimir Putin ficou com raiva – com frio. No pódio, ele denuncia o unilateralismo dos Estados Unidos e anuncia o fim de um mundo unipolar. Embora virulento, seu discurso não é realmente ouvido. Sete anos depois que o obscuro oficial da KGB tomou o poder de surpresa, os ocidentais ainda subestimam sua obsessão em colocar a Rússia de volta no centro do cenário mundial. No entanto, quando Putin vê a NATO se aproximando gradualmente das fronteiras russas graças à adesão de países do antigo bloco oriental, sentindo-se ameaçado e traído, ele ataca com força e rapidez. Atua na Geórgia, Ucrânia ou Crimeia, defende seus interesses na Síria ou na Líbia, estende sua influência no continente africano, particularmente na República Centro-Africana. Estrategista e oportunista, o autocrata fez da política externa sua arma fatal, instrumento de orgulho renovado e de coesão nacional. Até onde ele irá?

O martelo e a bagunça
Um país arruinado no início dos anos 2000, desprezado e isolado, a Rússia é hoje respeitada, temida e fantasiada. A caminho de bater o recorde de longevidade de Stalin, o "tsar" Putin está construindo passo a passo, mas de forma violenta, seu sonho do retorno de um grande império não alinhado e autónomo. Este documentário do experiente Frédéric Tonolli (prémio Albert-Londres em 1996) vasculha as profundas motivações do homem que é descrito como um "realista pragmático" e não um ideólogo. Entre a "diplomacia do martelo" e a "estratégia da desordem", diplomatas, opositores e observadores, incluindo o ex-ministro Hubert Védrine, jornalistas russos independentes, mas ameaçados, como Dmitri Mouratov, vencedor do Prémio Nobel da Paz, ou o palestrante Kevin Limonier analisam a capacidade inigualável de Putin de interferir nas falhas da geopolítica global. É inegável, o urso russo lidera a dança de uma nova guerra fria.



Saber mais:

sábado, 16 de janeiro de 2021

Le Carré, o maior escritor britânico do pós-guerra


John le Carré sempre recusou que os seus livros fossem candidatos a prémios e, quando o seu nome apareceu em 2011 na lista do Booker, exigiu que fosse retirado. Hesitava em considerar-se um “autor” e essa estranha modéstia favoreceu que a sua obra fosse acantonada num género entendido como secundário, o romance de espionagem. No entanto, nada de mais injusto. Le Carré foi o maior escritor britânico do pós-guerra e criou uma literatura sem par, inventou um estilo e, em contraste com Fleming e o seu 007, um dandy que brilha pela tecnologia e por um glamour passadista, criou personagens e enredos extraordinários, contraditórios e vivos. Depois da guerra fria, o tema dos seus primeiros grandes livros, Le Carré continuou a pintar um meticuloso inventário da viragem do século e nenhum outro autor se lhe compara nesse monumento.
Um velho espião cansado
Como os obituários recordaram, Le Carré teve uma primeira vida como espião. Por mais de uma década, sob o disfarce primeiro de estudante e depois de diplomata, fez parte do MI5 e do MI6. O princípio não foi heróico: recrutado em Berna em 1948-9, conta que um casal o abordou numa igreja, convencendo-o de que a pátria precisava dos seus serviços, e voltou a Oxford encarregue de espiar esquerdistas na faculdade. Seguiu depois carreira na Alemanha, responsável por entrevistar desertores soviéticos de segunda linha. E começou a escrever os seus primeiros romances, até que o serviço o aconselhou a abandonar funções em 1963, temendo inconfidências ou a liberdade da pena, tanto mais que a sua identidade fora revelada pela mais bem sucedida toupeira dos serviços russos, Kim Philby. Mikhail Lyubimov, que dirigiu a espionagem russa em Londres de 1960 a 1964 e depois se ocupou em Moscovo do departamento britânico ao longo da década seguinte, confirmou que terá sido Philby a revelar a função de David Cornwell, aliás Le Carré.
Por algum tempo e fiel aos seus compromissos anteriores, Le Carré desmentiu esta ligação. No entanto, foi aí que aprendeu o suficiente da profissão para ser rigoroso e detalhado nas suas histórias. Por isso, diz-se que Markus Wolf, o chefe da espionagem da Alemanha de Leste e, provavelmente, o modelo para Karla, já lá vou, teria temido que Le Carré mantivesse contacto com algum informador na sua agência. Ou que Richard Helms, mais tarde chefe da CIA, detestava esta revelação dos métodos dos espiões. Nada que parasse o autor.
Smiley e Karla
O culminar da sua obra é a figura de George Smiley. No primeiro livro em que surge, “Chamada para a Morte”, de 1961, é apresentado pela sua mulher: “Quando a Lady Ann Sercombe casou com George Smiley no fim da guerra, descreveu-o às suas amigas de Mayfair, muito espantadas pela notícia, como um personagem de uma banalidade surpreendente”. Ele já era o “velho espião cansado”, um “solteirão falhado de meia idade” que preferia ter estudado obscuros escritores alemães do século XVII, mas que fora chamado para uma carreira nos serviços de informação. Smiley é o contraponto do misterioso e implacável Karla, que dirige os serviços de Moscovo, com quem joga um xadrez fascinante até ao fim.
Pergunta Borges, em “Notas sobre (para) Bernard Shaw”, incluído em “Outras Inquirições”: “Um autor pode criar personagens superiores a ele? Eu responderei que não e nesta resposta irei abranger o intelectual e o moral. Penso que de nós não sairão criaturas mais lúcidas ou mais nobres do que os nossos melhores momentos”. Pois Le Carré prova o contrário. Smiley, que foi o seu “pai de substituição”, ou o seu “mentor secreto”, é mais verdadeiro para si próprio do que para as conveniências do seu criador. É um poderoso retrato de uma época, de uma atitude, é uma história: “eles (os personagens) foram os veteranos de um conformismo burguês, encontram penosamente o seu lugar e respeitam a estabilidade das instituições burguesas. Parece-me que eram todos uns românticos que sofriam por serem testemunhas da sua morte espiritual na sociedade que defendiam”, escreve Le Carré. Essa decadência é penosa e, quando Smiley regressa, 56 anos depois da sua entrada em cena, foi para invetivar Trump e o Brexit, em “Um Legado de Espiões” (2017), uma vida de desilusão.
O mundo como ele é
O primeiro sucesso de Le Carré foi “O Espião que Saiu do Frio” (1963), mas foi depois “A Toupeira” (1974), que iniciou a trilogia de Karla (1977 e 1979), que o estabeleceu com o mestre do thriller de espionagem. Dez anos depois, a queda do Muro de Berlim deslocou a geopolítica da guerra fria, mas o autor recriou-se como o escritor das sombras, da duplicidade e da manipulação em que assenta o domínio. Percorreu o Ruanda, a Chechénia, a Turquia, o Panamá, voltou à Rússia e Alemanha, foi à Palestina, ao Caribe, ao Líbano, veio a Lisboa e escreveu. As suas duas dúzias de livros constituem um dos melhores retratos, se não o melhor, destas adaptações do poder como crime ao longo do fim do século.
Tratam do conflito israelo-palestino (A Rapariga do Tambor, 1983), dos traficantes de armas (1993, O Gerente da Noite), da mentira (O Alfaiate do Panamá, 1996), das manigâncias da lavagem de dinheiro (Single & Single, 1999), da exploração de África (O Fiel Jardineiro, 2001, O Canto da Missão, 2006), do papel de Tony Blair na invasão do Iraque (Amigos até ao Fim, 2003), das técnicas de sequestro e das prisões clandestinas da CIA (O Homem mais Procurado, 2008, que o New York Times considerou “a sua novela mais poderosa”) e, de novo, uma feroz denúncia do terror a pretexto da guerra ao terror (Uma verdade incómoda, 2013). Foi autobiográfico em “Um Espião Perfeito” (1986), polemizou acidamente com Salman Rushdie no confronto épico entre dois egos (1997) e, em outubro de 2019, com o “Agente em Campo”, deixou o seu testamento. Um livro melancólico, mais uma vez sobre um fracasso. Foi esse o recado de Le Carré: os seus velhos espiões cansados são, como nós, testemunhas do desencantamento do nosso tempo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O Livro Negro do Comunismo


Originalmente publicada na França pela editora Robert Laffont, a obra foi lançada por ocasião dos 80 anos da Revolução Russa e se propõe a realizar um inventário da repressão política, execuções extra-judiciais, deportações, crimes de guerra e abusos de direitos humanos alegadamente perpetrados por regimes comunistas. 

A introdução, a cargo do editor Stéphane Courtois, declara que "…os regimes comunistas tornaram o crime em massa uma forma de governo". Usando estimativas não oficiais, apresenta um total de mortes que chega aos 94 milhões. A estimativa do número de mortes alegado por Courtois é a seguinte:
  • 20 milhões na União Soviética
  • 65 milhões na República Popular da China
  • 1 milhão no Vietname
  • 2 milhões na Coreia do Norte
  • 2 milhões no Camboja
  • 1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu
  • 150 mil na América Latina
  • 1,7 milhões na África
  • 1,5 milhões no Afeganistão
  • 10 000 mortes "resultantes das ações do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder" 
O livro defende explicitamente que os regimes comunistas são responsáveis por um número maior de mortes do que qualquer outra ideologia ou movimento político, incluindo o fascismo. As estatísticas das vítimas incluem execuções, fomes intencionalmente provocadas, mortes resultantes de deportações, prisões e trabalhos forçados.

Uma lista parcial mais detalhada de alguns crimes cometidos na União Soviética durante os regimes de Lenin e Stalin descritos no livro inclui:
  • As execuções de dezenas de milhares de reféns e prisioneiros e de centenas de milhares de operários e camponeses rebeldes entre 1918 e 1922.
  • A grande fome russa de 1921, que causou a morte de 5 milhões de pessoas.
  • A deportação e o extermínio dos cossacos do Rio Don em 1920.
  • O extermínio de dezenas de milhares em campos de concentração no período entre 1918 e 1930.
  • O Grande Expurgo, que acabou com a vida de 690 000 pessoas.
  • A deportação dos chamados "kulaks" entre 1930 e 1932.
  • O genocídio de 10 milhões de ucranianos - conhecido como "Holodomor" - e de 2 milhões de outros durante a fome de 1932 e 1933.
  • As deportações de polacos, ucranianos, bálticos, moldavos e bessarábios entre 1939 e 1941 e entre 1944 e 1945.
  • A deportação dos alemães do Volga.
  • A deportação dos tártaros da Crimeia em 1943.
  • A deportação dos chechenos em 1944.
  • A deportação dos inguches em 1944.
Saber mais:

E-livro

sábado, 16 de junho de 2007

Música do BioTerra: Clan of Xymox- Muscoviet Mosquito


I must write a letter to you
I must make myself clear
It is spot on time, right on cue
I am a clam, somebody said to me
It's obscene, there must be a motive behind
It's obscure. there must be someone behind

A muscovite mosquito, a muscovite mosquito

A vivid image anyway
Someone said, you're a clam,
Consider this!

Mmm, listen oh, listen to me, you're far
A thousand miles away from here
I am here, I am here in this ooze through country
Trampled down by mega people
A dispute will never end
A retrospection, it sounds obscene
A disconnection,

A final balance sheet for muscovite mosquito
For muscovite mosquito
For muscovite mosquito, it sound obscene
It sound so obscure, for muscovite mosquito
My final balance sheet is gone... for

Muscovite mosquito, muscovite mosquito
It's spot on time, right on cue
You missed the chance, somebody vexedly said
It's obscene, there must be motives behind
It's obscure, there must be someone behind