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terça-feira, 26 de maio de 2026

Cientistas descobrem por que a reciclagem de garrafas de plástico PET não é 100% eficaz


Uma investigação permitiu identificar os mecanismos moleculares que bloqueiam a degradação enzimática de um dos plásticos mais produzidos no mundo, o tereftalato de polietileno (PET), quando este se encontra na sua forma cristalina.

Publicado na revista The Journal of Physical Chemistry Letters, o estudo do Instituto de Ciências Marinhas (ICM-CSIC) e do Instituto de Química Avançada da Catalunha (IQAC-CSIC) apontou como principal problema a grande quantidade de energia necessária para a enzima se ligar às cadeias poliméricas quando estas estão extremamente compactadas.

Há duas décadas que os cientistas tentam aperfeiçoar enzimas capazes de decompor este material, presente em milhões de toneladas de resíduos, mas a maioria delas atua apenas na sua porção mais flexível, noticiou na terça-feira a agência Efe.

No entanto, os produtos comerciais apresentam frequentemente um elevado grau de cristalinidade, com moléculas altamente ordenadas, o que representa um desafio significativo para a degradação biológica.

Limitação estrutural e energética
Para realizar o estudo, a equipa científica combinou a análise de dados experimentais sobre o formato das cadeias de plástico com simulações computacionais de alta precisão.

Estas simulações permitiram observar como a enzima se liga a pequenos fragmentos de plástico e medir o gasto energético deste processo.
"Os nossos resultados demonstram que, embora a enzima seja teoricamente capaz de alcançar a posição correta para realizar o corte químico tanto em plástico macio como em plástico cristalino, o custo energético para tal neste último é proibitivo", observou o autor principal do estudo, Francesco Colizzi.
Ao compreender que a limitação é estrutural e energética, os investigadores podem agora concentrar-se na modificação da arquitetura das enzimas existentes.
"Se conseguirmos conceber enzimas que ultrapassem estas barreiras energéticas, estaremos muito mais próximos de uma verdadeira economia circular, onde as garrafas usadas possam ser transformadas em novas garrafas da mesma qualidade, vezes sem conta", realçou a primeira autora do estudo, Ania Di Pede-Mattatelli.
Para os cientistas, esta descoberta realça a necessidade de desenvolver novas ferramentas biotecnológicas para um processo de reciclagem circular mais sustentável e independente dos combustíveis fósseis.

Os investigadores sublinharam que a colaboração internacional é fundamental para alcançar o objetivo final, de criar um catálogo de biocatalisadores otimizados para diferentes tipos de resíduos plásticos, minimizando a pegada de carbono do processo de reciclagem e oferecendo uma alternativa viável à produção de plástico virgem derivado do petróleo.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Climate Extremes - Agriculture (Extremos Climáticos - Agricultura)


De onde vem a sua alimentação?
Como é que os alimentos de todo o mundo chegam à sua mesa?
Como são os sistemas alimentares globais afectados pelas alterações climáticas?
Aprenda sobre o sistema alimentar global e as suas complexas relações com as alterações climáticas com cientistas de renome e executivos do agronegócio!

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Legendas disponíveis em: inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, turco, português, português do Brasil, chinês e russo.

Porque é que a produtividade agrícola está a diminuir com o aquecimento global?
O sistema alimentar global é a maior fonte de emissão de gases com efeito de estufa. Por isso, fazer alterações no sistema alimentar pode ser a nossa principal ferramenta para combater as alterações climáticas.
Ao mesmo tempo, a agricultura global é uma das áreas mais vulneráveis ​​às alterações climáticas. A perda de produtividade agrícola significa menos disponibilidade de alimentos para a humanidade.
O futuro do nosso planeta depende da forma como lidamos com estes desafios agrícolas.

"Extremos Climáticos: Agricultura" explora estas questões, apresentando perspetivas de especialistas, investigação científica recente e desenvolvimentos tecnológicos.

O filme conta com informações de cientistas e especialistas pioneiros, incluindo Johan Rockstrom, Daniel Swain, Shely Aronov, Paul Behrens, Matthias Berninger, Benjamin Bodirsky, Sir Charles Godfray, Monika Zurek e Jamie Basillie, de instituições como o Instituto Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, a Escola Oxford Martin da Universidade de Oxford, a Bayer AG, a Universidade da Califórnia (Agricultura e Recursos Naturais), a InnerPlant e a Hedgehog Foods.

O documentário intitulado "Climate Extremes: Agriculture" aborda a profunda e complexa relação entre as alterações climáticas e o sistema alimentar global, explorando como o aumento das temperaturas e os eventos climáticos extremos, como secas e cheias, estão a prejudicar a produtividade agrícola mundial e a ameaçar a segurança alimentar. No que diz respeito aos principais temas abordados, a obra divide-se na análise dos impactos, das vulnerabilidades e do mosaico de soluções necessárias para o futuro.

No âmbito do impacto da agricultura no planeta, o documentário evidencia que o sistema alimentar atual é responsável por cerca de um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa, sendo o principal motor por trás do desrespeito pelas fronteiras planetárias, como a perda de biodiversidade e o consumo excessivo de água potável. Adicionalmente, analisa-se a vulnerabilidade das monoculturas, demonstrando que a falta de diversidade genética nas colheitas modernas torna o sistema frágil perante pragas e doenças, que se propagam mais rapidamente com o aquecimento global. Outro ponto crítico discutido é o risco de falhas simultâneas nos celeiros do mundo, alertando para o perigo real de secas ou ondas de calor atingirem simultaneamente várias das regiões produtoras de alimentos mais importantes do planeta, como os Estados Unidos e o Brasil, o que inviabilizaria o comércio internacional para compensar a escassez.

Como resposta a estes desafios, o documentário apresenta um mosaico de soluções que combina práticas ancestrais e alta tecnologia. Entre elas, destaca-se a agricultura de conservação, que propõe abandonar o arado tradicional e adotar o plantio direto para manter o carbono e a humidade no solo. Sugere-se também uma mudança na dieta através do flexitarianismo, reduzindo o consumo de carne industrializada e de derivados de ruminantes para libertar vastas áreas de terra para a conservação e diminuir as emissões de metano. A bio-revolução e a inteligência artificial surgem como ferramentas essenciais para compreender proteínas, acelerar o melhoramento genético de sementes mais resilientes e criar plantas que emitem sinais óticos quando atacadas por fungos. Por fim, apontam-se as fontes alternativas de proteína, com foco no cultivo de fungos e cogumelos em grande escala, utilizando resíduos agrícolas e quase sem gastar água ou solo.

Relativamente aos painelistas e especialistas presentes, embora o documentário não apresente letreiros com os nomes completos ao longo de todo o vídeo, as intervenções dividem-se de forma clara entre grandes cientistas do sistema terrestre, decisores do setor agrícola corporativo e inovadores tecnológicos. Os cientistas do clima e sistemas terrestres, como Johan Rockström e outros investigadores seniores, lideram a explicação sobre as fronteiras planetárias e os pontos de não retorno (tipping points), como o risco de savanização da Amazónia e a urgência de manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 °C. Por sua vez, os representantes da indústria agrícola, nomeadamente da Bayer, discutem o papel do investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) privado no melhoramento de sementes, a estagnação recente da produtividade devido ao clima e a criação de ferramentas digitais ou seguros para apoiar os pequenos agricultores no Sul Global. A encerrar o painel, os inovadores e empreendedores de biotecnologia, como a equipa da Hedgehog, explicam o desenvolvimento de novas tecnologias agroalimentares, com particular destaque para o cultivo vertical e otimizado de micélio e fungos, capaz de criar proteínas altamente eficientes sem exercer pressão adicional sobre a terra.

A substituição da proteína animal por fungos é apresentada como uma solução essencial para os sistemas alimentares sob pressão climática, focando-se na eficiência biológica deste reino. De acordo com os especialistas do filme, enquanto a pecuária tradicional exige grandes extensões de terra, gera emissões elevadas e é altamente vulnerável a secas e quebras de colheita de ração, os fungos podem ser cultivados em ambientes fechados e controlados, totalmente protegidos de eventos meteorológicos extremos. A grande vantagem está na capacidade do micélio (a estrutura fibrosa dos fungos) de realizar uma bioconversão eficiente, transformando resíduos e subprodutos agrícolas de baixo valor biológico numa proteína altamente nutritiva e rica em fibras, com uma fração minúscula do uso de água e solo exigido pelos animais. Além disso, o documentário detalha que o uso de automação, robótica e inteligência artificial permite otimizar as condições atmosféricas e de substrato para acelerar o crescimento dos fungos, reduzindo drasticamente os custos de produção e tornando esta alternativa economicamente viável para o consumo em massa.

Em relação à autoria e liderança destas iniciativas no documentário, vale a pena notar que o principal porta-voz e especialista responsável por apresentar esta tecnologia específica de quintas robóticas de cogumelos é um investigador e trata-se de Jamie Balsillie, CEO e cofundador da startup de tecnologia climática Hedgehog. É ele o especialista encarregado de explicar como transformar os fungos numa fonte de proteína acessível e de baixo impacto ambiental a partir do reaproveitamento de resíduos. Se estiver a pensar na liderança feminina principal presente no segmento de inovação agrícola desse mesmo documentário, o filme destaca a investigadora e empreendedora Shely Aronov, que é CEO e cofundadora da InnerPlant, uma startup focada em engenharia de sementes que faz com que as plantas emitam sinais óticos detetáveis por satélite quando sofrem de stresse climático.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Não queremos patentes das sementes e exigimos regulação das NTG´s

A UE está prestes a realizar a votação final sobre novas regras que desregulamentariam a maioria das culturas geneticamente modificadas desenvolvidas através de Novas Técnicas Genómicas (NGTs), prevista para 19 de maio. A proposta eliminaria a rotulagem, a rastreabilidade e a avaliação de riscos para a maioria destes produtos, levantando preocupações quanto à transparência, aos polinizadores e aos agricultores. O cenário atual confirma as minhas preocupações: o acordo provisório alcançado entre o Conselho e o Parlamento não inclui a proibição de patentes que o Parlamento tinha inicialmente exigido. Em vez disso, propõe apenas medidas de "transparência", o que na prática permite que grandes multinacionais continuem a patentear características genéticas de plantas, ameaçando a autonomia dos agricultores e a biodiversidade.
Portanto e por tudo isto e pela salvaguarda da nossa soberania alimentar e em defesa da agricultura biológica nacional - pondo em causa a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB 2027) - temos que agir!

𝐀 𝐬𝐨𝐜𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐜𝐢𝐯𝐢𝐥 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐦𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐫-𝐬𝐞 𝐚𝐭𝐫𝐚𝐯𝐞́𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐜𝐚𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐚.
𝐉𝐚́ 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝟗𝟓.𝟎𝟎𝟎 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐞𝐧𝐯𝐢𝐚𝐫𝐚𝐦 𝐞𝐦𝐚𝐢𝐥𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐝𝐞𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬.

Não brinquemos com a nossa alimentação nem mantenhamos os consumidores na ignorância – a rotulagem nas embalagens deve ser garantida ao longo de toda a cadeia de valor. Se estes novos produtos geneticamente modificados são tão promissores como a indústria de sementes afirma, então por que razão não devem ser rotulados em conformidade?
𝐄́ 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐧𝐬𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐳𝐚𝐫 𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐞𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐥𝐚𝐬 𝐬𝐮𝐚𝐬 𝐝𝐞𝐜𝐢𝐬𝐨̃𝐞𝐬; 𝐞𝐥𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐯𝐞𝐦 𝐝𝐞𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐭𝐞𝐠𝐞𝐫 𝐚 𝐚𝐠𝐫𝐢𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐥𝐢𝐯𝐫𝐞 𝐝𝐞 𝐎𝐆𝐌.

𝐀𝐣𝐮𝐝𝐞-𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐫𝐯𝐚𝐫 𝐨 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐥𝐡𝐚 𝐞 𝐚 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐬𝐨𝐛𝐞𝐫𝐚𝐧𝐢𝐚 𝐚𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫! 



O Contexto
A desregulamentação das NGTs irá comprometer as normas de segurança alimentar e o direito de escolha dos consumidores, sendo também provável que conduza a uma maior concentração no setor das sementes através do patenteamento de culturas alimentares.

Um artigo do Corporate Europe Observatory e da GMWatch mostra que os grupos de pressão da indústria tentam acalmar as preocupações sobre o impacto das culturas patenteadas com argumentos superficiais e enganosos. Uma sondagem recente revela que a maioria dos cidadãos da UE se opõe às patentes sobre plantas e animais.

Documentos de lóbi obtidos junto da Comissão Europeia revelam que: 
(1) os grupos de pressão da indústria Euroseeds e CropLife Europe, que representam multinacionais biotecnológicas como a Bayer e a Syngenta, minimizam os problemas associados às patentes e propõem «soluções» inadequadas, e 
(2) o grupo de pressão agrícola Copa-Cogeca emitiu um forte aviso contra as patentes, mas posteriormente silenciou-se sobre o assunto. Outros grupos agrícolas, como a Deutsche Bauern Verband e a ECVC, continuam a manifestar abertamente as suas objeções às patentes.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Países em desenvolvimento lideram culturas geneticamente modificadas no mundo

Fonte: aqui

De 2012 a 2024, os países em desenvolvimento ultrapassaram os países industrializados em hectares de culturas biotecnológicas (OGM), segundo o relatório do ISAAA. A estratégia foca estabilidade económica, resiliência climática e segurança alimentar.

Entre 1996 e 2011, os países industrializados foram pioneiros na adoção de culturas GM (geneticamente modificadas). A partir de 2012, porém, o cenário global mudou: os 26 países em desenvolvimento passaram a deter a maioria da área plantada, com 57%, enquanto cinco países industrializados representaram 43%.

O relatório Global Status of Commercialized Biotech/GM Crops in 2024 (ISAAA Brief 57) destaca que esta mudança é motivada por políticas que privilegiam estabilidade económica, adaptação às alterações climáticas e segurança alimentar a longo prazo. Além disso, agricultores em países em desenvolvimento obtêm maior retorno financeiro por cada dólar investido do que os seus homólogos nos países industrializados.

Também há um artigo científico de livre acesso, que aborda a mesma problemática Global trends in the commercialization of genetically modified crops in 2024

O lado B da Agricultura Intensiva

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A probóscide de um mosquito pode revolucionar a bioimpressão 3D


Li recentemente na revista de divulgação científica New Scientist, uma notícia que mostra de forma extraordinária como a biodiversidade continua a surpreender-nos e a alimentar soluções tecnológicas em áreas que vão da medicina à engenharia de precisão. Não resisto a partilhar a descoberta, pelo modo como revela o papel notável da ciência e os horizontes sempre inesperados da investigação. Uma equipa de investigadores da Universidade McGill, no Canadá, descobriu que a tromba (probóscide) de um mosquito pode funcionar como um bico ultrafino para impressoras 3D, abrindo caminho para fabricar estruturas delicadas usadas na criação de tecidos e órgãos artificiais.

A equipa enfrentava um problema recorrente na bioengenharia: os bicos convencionais disponíveis eram demasiado grossos para produzir detalhes microscópicos. Em busca de alternativas naturais, analisaram diversas estruturas animais até concluírem que a probóscide das fêmeas de Aedes aegypti - o mesmo mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya - apresentava as características ideais. O apêndice, evoluído para perfurar pele humana com precisão, permitiu imprimir filamentos com apenas 20 micrómetros de espessura, cerca de um quarto da largura de um cabelo.

A técnica, batizada 3D necroprinting, distingue-se também pela simplicidade e pelo baixo custo. Um técnico treinado consegue produzir cerca de seis bicos por hora, cada um por menos de um dólar, e estes podem ser acoplados a impressoras 3D já existentes. Quando congelados, mantêm-se utilizáveis durante um ano, embora aproximadamente 30% apresentem falhas após duas semanas de uso intensivo.

Nos testes realizados, os investigadores utilizaram estes bicos naturais para imprimir estruturas com uma bio-tinta usada na construção de andaimes de tecidos biológicos, incluindo moldes de vasos sanguíneos - um passo essencial na engenharia de tecidos. Especialistas externos sublinham que este avanço ilustra algo mais vasto: a engenharia continua, muitas vezes, a tentar acompanhar a sofisticação das soluções produzidas pela evolução ao longo de milhões de anos.

Para além da curiosidade tecnológica, este trabalho reforça uma ideia fundamental para a economia e para o futuro da inovação: a biodiversidade é uma reserva viva de engenhosidade, repleta de soluções que não conseguimos prever. Cada espécie - mesmo as mais discretas ou incómodas - encerra potencial para inspirar avanços em saúde, materiais, robótica e muitas outras áreas. A probóscide de um mosquito transformada em ferramenta de impressão é apenas um exemplo entre muitos outros.

Nota final: esta descoberta sublinha também a importância de continuar a estudar a biodiversidade de forma sistemática e profunda. Só conhecemos uma fração da variedade de formas, estruturas e estratégias que a vida desenvolveu ao longo da evolução. Investir em investigação biológica não é apenas preservar conhecimento: é ampliar o leque de soluções possíveis para desafios futuros, muitos dos quais ainda nem conseguimos antecipar. Cada organismo estudado é uma nova oportunidade de aprendizagem, inovação e, potencialmente, transformação tecnológica.

Saber mais:

UE chega a acordo para novo quadro legal sobre técnicas genómicas na agricultura


O Conselho Europeu alcançou hoje um acordo provisório com o Parlamento Europeu para a criação de um novo quadro legal para as novas técnicas genómicas (NGTs), um passo considerado decisivo para reforçar a competitividade do setor agroalimentar europeu, aumentar a segurança alimentar e reduzir dependências externas.


De acordo com a comunicação, as NGTs abrangem um conjunto de técnicas capazes de adaptar sementes de formas que também poderiam ocorrer na natureza ou através de melhoramento convencional. Estas tecnologias permitem desenvolver variedades vegetais mais rapidamente e com características específicas, incluindo maior resistência à seca e às cheias, e menor necessidade de fertilizantes e pesticidas, respostas consideradas essenciais face aos desafios climáticos e produtivos que o setor enfrenta.

O acordo mantém a proposta da Comissão Europeia de dividir as plantas obtidas por NGTs em duas categorias:

Categoria 1 – Plantas equivalentes às convencionais
As plantas classificadas como NGT-1 são consideradas equivalentes às obtidas por métodos tradicionais. As autoridades nacionais deverão verificar a sua conformidade, mas a descendência destas plantas não terá de ser novamente avaliada.

Os produtos derivados de NGT-1 não serão rotulados como tal, preservando o princípio da equivalência. Contudo, as sementes e materiais de reprodução vegetal terão de ser claramente identificados, permitindo que os operadores mantenham cadeias de produção livres de NGTs, caso o pretendam.

O Parlamento e o Conselho concordaram ainda numa lista de traços excluídos, impedindo que variedades com tolerância a herbicidas ou capazes de produzir substâncias inseticidas sejam classificadas como NGT-1. Estas passarão automaticamente para Categoria 2.

Categoria 2 – Modificações mais complexas
As plantas cujas alterações genómicas sejam menos comparáveis às que ocorrem na natureza serão enquadradas como NGT-2 e continuarão sujeitas às regras da legislação de OGM atualmente em vigor, incluindo obrigação de rotulagem, rastreabilidade e monitorização.

Os Estados-membros poderão proibir o cultivo destas plantas no seu território e implementar medidas de coexistência para evitar a presença não intencional de NGT-2 noutras culturas.

O acordo aborda ainda preocupações de agricultores e técnicos sobre patentes associadas às novas técnicas. Para registar plantas NGT-1, as empresas terão de declarar as patentes existentes ou pendentes, que ficarão acessíveis numa base de dados pública. A divulgação voluntária de condições de licenciamento também será possível.

A comunicação também refere que será criado um grupo de peritos em patentes, com representantes dos Estados-membros, do Instituto Europeu de Patentes e do Gabinete Comunitário das Variedades Vegetais.

Além disso, um ano após a entrada em vigor do regulamento, a Comissão publicará um estudo sobre o impacto das patentes na inovação, no acesso a sementes e na competitividade do setor europeu de melhoramento vegetal.

O acordo provisório terá agora de ser formalmente validado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho antes de poder ser adotado.

Saber mais:
  1. Texto final acordado
  2. Mandato de negociação do Conselho
  3. Proposta da Comissão
  4. Novas técnicas genómicas: Conselho define mandato de negociação (comunicado de imprensa, 14 de março de 2025)
  5. Novas técnicas genómicas (informações gerais)

sábado, 15 de novembro de 2025

OpenAI investe em startup que combate armas biológicas criadas por IA



A OpenAI anunciou um novo movimento estratégico para reforçar a segurança no desenvolvimento de tecnologias avançadas. A criadora do ChatGPT confirmou que será a principal investidora do aporte de US$ 15 milhões na Red Queen Bio, uma startup voltada a impedir que atores mal-intencionados usem inteligência artificial para criar armas biológicas – um tema que tem ganho importância à medida que modelos avançados ampliam suas capacidades. As informações são da Reuters.

OpenAI amplia foco em segurança biológica
Segundo Hannu Rajaniemi, cofundador da Red Queen Bio, o objetivo é garantir que as defesas da indústria de IA evoluam na mesma velocidade dos riscos. A iniciativa faz parte de um esforço maior da OpenAI para apoiar empresas que lidam diretamente com ameaças emergentes no uso da tecnologia.

Num movimento semelhante no mês anterior, a companhia já havia investido na Valthos, uma startup de biosegurança baseada em Nova York.

Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, explicou que a organização pretende fortalecer o ecossistema como um todo. Para ele, a melhor forma de mitigar riscos é com mais tecnologia, ampliando a capacidade de identificar e neutralizar potenciais ameaças biológicas antes que elas se tornem reais.

Listas de preocupações levantadas por pesquisadores sobre o uso da IA:
  1. aceleração no desenvolvimento de medicamentos;
  2. criação de novas vacinas em menos tempo;
  3. possibilidade de uso indevido dessas capacidades para projetar armas biológicas;
  4. necessidade de sistemas de defesa proporcionais ao avanço da tecnologia.
Startup usará IA e experimentos laboratoriais
A Red Queen Bio nasceu a partir da Helix Nano, uma empresa de terapias baseadas em mRNA em estágio clínico que já utiliza IA no design de medicamentos. A Helix Nano também colaborou com a OpenAI na criação de testes para identificar riscos biológicos associados a modelos de inteligência artificial.

Como parte da transação, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e a membro do conselho, Nicole Seligman – ambos investidores anteriores da Helix Nano – receberão ações da Red Queen Bio. Kwon também possui participação indireta, avaliada em menos de US$ 2.500 por meio da aceleradora Y Combinator.

Ainda assim, a OpenAI afirma que nenhum desses executivos participou da aprovação do investimento, que foi revisado por membros sem conflitos de interesse e pela equipe de compliance da empresa.

De acordo com a startup, a combinação de modelos de IA e métodos tradicionais de laboratório será essencial para identificar novos riscos e desenvolver contramedidas. Rajaniemi ressalta que o avanço biotecnológico, impulsionado pela IA, está ocorrendo mais rapidamente do que o previsto, tornando urgente a criação de novas camadas de defesa. Além da OpenAI, outros investidores incluem Cerberus Ventures, Fifty Years e Halcyon Futures.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

As aranhas em Portugal


As aranhas, apesar da sua má reputação, são aliadas indispensáveis nos ecossistemas portugueses. Estão presentes em quase todos os ambientes, desde as dunas litorais e montados até aos campos agrícolas e jardins urbanos. O seu papel é essencial na regulação natural das populações de insetos, funcionando como verdadeiros controladores biológicos. Ao alimentarem-se de mosquitos, moscas, pulgões e muitas outras pragas, ajudam a manter o equilíbrio ecológico e a reduzir a necessidade de pesticidas, contribuindo assim para uma agricultura mais sustentável e amiga do ambiente.

Além disso, as aranhas ocupam uma posição importante nas cadeias alimentares: alimentam-se de insetos e, por sua vez, servem de alimento a aves, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos. Desta forma, participam ativamente no fluxo de energia e na estabilidade dos ecossistemas. A diversidade e abundância de aranhas são também indicadores da qualidade ambiental de um habitat — em locais poluídos ou degradados, muitas espécies desaparecem, tornando-se assim bioindicadores valiosos para avaliar o estado de conservação dos ecossistemas portugueses.

Mesmo nos ambientes urbanos, as aranhas desempenham um papel útil. Vivem discretamente em casas, jardins e parques, onde ajudam a controlar insetos domésticos, como mosquitos e baratas. Longe de representarem perigo, são inofensivas e benéficas para a saúde pública.

Por fim, as aranhas possuem um valor científico e biotecnológico notável. A sua seda, uma das substâncias naturais mais resistentes e elásticas conhecidas, tem inspirado investigações em áreas como a medicina, a engenharia e o design de materiais sustentáveis.

Em suma, as aranhas são guardiãs silenciosas da biodiversidade portuguesa. Discretas e eficazes, desempenham um papel insubstituível na manutenção da saúde e do equilíbrio dos nossos ecossistemas.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Sobre a trilogia de Margaret Atwood

Estive a ler a trilogia de Margaret Atwood: "Órix e Crex", "O Ano do Dilúvio" e "Maddaddman". Excelente. Temos que ler os 3 livros porque há interconexão narrativa. Sem ser desmancha-prazeres, eis alguns tópicos que podem despertar-vos para a sua leitura.

1. Órix e Crex
Narrado sobretudo por Jimmy (também chamado "Homem das Neves"), sobrevivente de uma catástrofe global.
Explora a amizade de Jimmy com Crake, um génio da biotecnologia que cria os "crakers", seres humanos geneticamente modificados para viver sem violência, religião ou competição.
Órix, figura misteriosa, é uma mulher marcada pela exploração sexual e torna-se chave na relação entre os dois amigos e na criação dos crakers.
O romance aborda bioengenharia, extinção, consumismo e desumanização.

2. O Ano do Dilúvio
Corre em paralelo temporal a Órix e Crex, mas com outra perspectiva. Segue Toby e Ren, membros de uma eco-seita chamada "Os Jardineiros de Deus", que defendem a preservação da vida e uma ética ecológica em contraste com o mundo corporativo e destrutivo em redor.
Mostra a degradação ambiental, a exploração animal e a desigualdade social.
O "Dilúvio Secular" anunciado pelos Jardineiros (uma catástrofe biotecnológica/pandémica) concretiza-se.

3. MaddAddam
Conclui a trilogia, unindo as linhas narrativas anteriores.
Mostra os sobreviventes humanos a tentar conviver com os crakers e outras espécies geneticamente alteradas.
Inclui a narrativa de Zeb e da sua ligação com Toby, trazendo à luz histórias sobre fanatismo, violência e resistência.
Explora como mitos e narrativas são criados para dar sentido ao mundo e como podem fundar novas sociedades.

Temas centrais da trilogia
Biotecnologia e manipulação genética – questiona os limites éticos da ciência.
Colapso ecológico e social – crítica ao capitalismo corporativo, à exploração ambiental e ao consumismo.
Religião e mito – mostra como as histórias moldam identidades e sobrevivência.
Humanidade vs. pós-humanidade – pergunta o que significa ser humano num mundo de criações artificiais.
Esperança e reconstrução – apesar da distopia, abre espaço para reinvenção e novas formas de vida.

Em resumo, a Trilogia de Margaret Atwood, é uma poderosa reflexão sobre o futuro da humanidade perante as crises ecológicas e tecnológicas que ela própria engendra. Ao explorar a manipulação genética, o colapso ambiental e o poder das corporações, a autora expõe os riscos de um progresso sem ética. Mas, para além da distopia, a obra sublinha a necessidade vital das narrativas: são as histórias — mitos, memórias e lendas — que permitem aos sobreviventes reinventar-se e encontrar sentido. Em última análise, Atwood mostra que contar histórias é uma forma de resistir, de criar comunidade e de sobreviver.

domingo, 29 de dezembro de 2024

Cientistas alertam para riscos de 'vida espelho' com potencial devastador


Cientistas internacionais emitiram um alerta sobre a ameaça existencial representada por "vida espelho", micro-organismos sintéticos criados como reflexos estruturais de micróbios naturais. Esses organismos poderiam superar as defesas naturais de seres humanos, animais e plantas, causando danos irreversíveis, segundo um grupo de 40 pesquisadores, incluindo dois ganhadores do Prêmio Nobel.
Em um artigo divulgado na revista Science, publicado pelo Financial Times, os pesquisadores argumentam que os avanços na biologia sintética, embora promovam importantes inovações na saúde, também trazem o risco de gerar novos organismos potencialmente mortais, seja por acidente ou intencionalmente.

O perigo da "vida espelho"
A "vida espelho" baseia-se no fenômeno científico da quiralidade, ou "mão única", em que moléculas possuem a mesma composição química, mas são estruturalmente diferentes por serem imagens espelhadas. Micróbios espelho poderiam evadir o sistema imunológico humano e as defesas naturais de outros organismos, causando infecções letais e superando espécies naturais em diversos ecossistemas.

Segundo Jack Szostak, professor da Universidade de Chicago e ganhador do Nobel de Fisiologia ou Medicina, "a liberação de bactérias espelho no ambiente poderia ser pior do que qualquer desafio enfrentado anteriormente, e muito além de nossa capacidade de mitigação".

Michael Kay, bioquímico da Universidade de Utah, acrescenta que esses organismos seriam a "última espécie invasora", com capacidade de superar as defesas naturais de corpos humanos e ecossistemas.

Avanços tecnológicos e riscos globais
Os cientistas enfatizam a necessidade de ação internacional para regulamentar o desenvolvimento dessa tecnologia antes que ela se torne viável.

Com o rápido progresso nas tecnologias de biologia sintética impulsionadas por inteligência artificial, a criação de células vivas espelho deve ser possível em apenas 10 anos, segundo Vaughn Cooper, professor de microbiologia da Universidade de Pittsburgh.

O artigo no Science também aponta que os avanços recentes mostram que bactérias comuns, como a E. coli, podem crescer com fontes de alimentos que não possuem uma especificidade quiral, refutando a ideia de que organismos espelho seriam inviáveis por falta de nutrição adequada.
Medidas regulatórias urgentes

Os autores sugerem a adoção de modelos de regulamentação, como as Diretrizes de Biossegurança de Tianjin, elaboradas em 2021. Essas diretrizes promovem a colaboração internacional para monitorar e limitar tecnologias que poderiam facilitar a criação de organismos sintéticos perigosos.

Apesar das incertezas, os cientistas concordam que a ameaça é grave. "Bactérias espelho poderiam causar uma onda de infecções devastadoras se escapassem de um laboratório", alerta Eörs Szathmáry, professor de biologia evolutiva da Universidade Eötvös, na Hungria.

O avanço da biologia sintética trouxe benefícios inegáveis para a humanidade, mas também apresenta riscos consideráveis. O desenvolvimento de micro-organismos sintéticos "espelho" requer atenção global imediata para evitar um potencial desastre ambiental e biológico que poderia ameaçar todas as formas de vida conhecidas.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Mapear a “árvore da superfamília” de uma planta pode criar culturas resilientes face às crises climáticas


Tendo crescido no Punjab, conhecido como “o celeiro da Índia”, o percurso profissional da investigadora da Universidade de Murdoch, Vanika Garg, no domínio da genómica das culturas esteve profundamente ligado à sua herança.

Sendo a agricultura a espinha dorsal da sua região, desenvolveu desde cedo uma apreciação tanto do significado da agricultura como do seu impacto nas comunidades.

A sua investigação atual como bióloga computacional centra-se na genómica do grão-de-bico, do trigo e das culturas hortícolas – e é coautora de uma série de artigos que exploram a utilização do super-pangenoma.

Ao construir e analisar a “árvore genealógica” de cada cultura, a investigação de Garg ajudará os agricultores e os cientistas a combater novas doenças e a resistir à alteração dos padrões climáticos.

Garg disse que o pangenoma tradicional, uma coleção de DNA compartilhada por todos os indivíduos de uma espécie, agia como um “álbum de família”, e o super-pangenoma que inclui um perfil distinto da genética de uma cultura, incluindo seus parentes selvagens, fornece um contexto extra crucial.

O conceito de super-pangenoma foi introduzido pela primeira vez num artigo de coautoria de investigadores, incluindo Garg, sob a liderança do Professor da Universidade de Murdoch, Rajeev Varshney, em 2019.

“Imagine criar um ‘álbum de superfamília’. Em vez de fotografias de uma só família, reúne fotografias de várias famílias, dos seus familiares, dos seus vizinhos e até de amigos de diferentes cidades”, afirmou Garg, citada em comunicado.

“Este álbum de superfamílias dá-lhe uma perspetiva muito mais ampla do aspeto das famílias e das variações de aparência, personalidades e estilos de vida”, acrescentou.

Segundo ela, através do estudo e, por vezes, do cruzamento de culturas domesticadas com parentes selvagens, os agricultores podem introduzir características especiais nas suas culturas, tornando-as mais fortes e adaptáveis.

“Quando os agricultores ou os cientistas se vêem confrontados com desafios, como uma nova doença que afecta as culturas ou a alteração dos padrões meteorológicos devido às alterações climáticas, podem procurar soluções nestes parentes selvagens”, sublinhou.

“Em termos simples, os parentes selvagens das culturas são como os primos distantes resistentes e engenhosos de uma família que podem ensinar às nossas culturas normais alguns truques de sobrevivência”, concluiu.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

“Nanofios” de bactérias podem ajudar a desenvolver a tecnologia eletrónica verde


Os cientistas modificaram filamentos de proteínas originalmente produzidos por bactérias para conduzirem eletricidade.

Num estudo publicado recentemente na revista Small, os investigadores revelaram que os nanofios de proteínas – que foram modificados através da adição de um único composto – podem conduzir eletricidade a curtas distâncias e aproveitar a energia da humidade do ar.

“As nossas descobertas abrem possibilidades para o desenvolvimento de componentes e dispositivos elétricos sustentáveis e amigos do ambiente, baseados em proteínas”, afirma Lorenzo Travaglini, principal autor do estudo. “Estes nanofios artificiais poderão um dia conduzir a inovações na recolha de energia, em aplicações biomédicas e na deteção ambiental”, acrescenta.

Os desenvolvimentos no campo interdisciplinar que combina a engenharia de proteínas e a nanoeletrónica são também promissores para o desenvolvimento de tecnologias de ponta que façam a ponte entre os sistemas biológicos e os dispositivos eletrónicos.

“Em última análise, o nosso objetivo é modificar os materiais produzidos pelas bactérias para criar componentes eletrónicos. Isto poderá conduzir a uma nova era de eletrónica verde, ajudando a moldar um futuro mais sustentável”, sublinha Travaglini, que é supervisionado por Dominic Glover no SYNbioLAB da Escola de Biotecnologia e Ciências Biomoleculares.

Inspirar-se na natureza
A eletricidade é criada pelo movimento dos eletrões – pequenas partículas que transportam uma carga elétrica – entre os átomos.

“Muitos eventos na natureza requerem o movimento de eletrões e são a fonte de inspiração para novas técnicas de recolha de eletricidade”, diz Ravaglini. “Por exemplo, a clorofila nas plantas precisa de mover eletrões entre diferentes proteínas para fazer a fotossíntese”.

As bactérias que ocorrem naturalmente também utilizam filamentos condutores, conhecidos como nanofios, para transferir eletrões através das suas membranas. É importante notar que os nanofios bacterianos que conduzem eletricidade têm o potencial de interagir com sistemas biológicos, como as células vivas, e podem ser utilizados em biossensores para monitorizar sinais internos do corpo utilizando uma interface homem-máquina.

No entanto, quando extraídos diretamente de bactérias, estes nanofios naturais são difíceis de modificar e têm uma funcionalidade limitada.

“Para ultrapassar estas limitações, criámos geneticamente uma fibra utilizando a bactéria E. coli”, afirma Travaglini. “Modificámos o ADN da E. coli de modo a que a bactéria não só produzisse as proteínas de que necessitava para sobreviver, mas também construísse a proteína específica que tínhamos concebido, que depois modificámos e montámos em nanofios no laboratório”, acrescenta.

A equipa sabia que, por si só, a proteína produzida pela bactéria não seria altamente condutora, mas que precisariam de acrescentar um único ingrediente.

A peça que faltava no puzzle era uma molécula de hemo.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A minha opinião sobre transumanismo

O vídeo usa cenas do filme "In Time 2011"

Nunca fui muito adepto da tecnologia, a fé transumanista. Dizem eles que tudo pode ser resolvido com ciência (manipulada) e mais tecnologia. Mais do mesmo. Capitalismo é uma armadilha envenenada. Sou adepto sim de soluções baseadas na Natureza e um imperativo civilizacional de renaturalizar. Não sou primitivista, mas nada me consola que um bom livro, todo sublinhado, com notas pessoais. Detesto tablets. Não gosto da Icloud. Para quê? E a nossa privacidade, que o Metaverso utiliza para nos encharcar com anúncios, quase personalizados. Consumir, mais e mais recursos. Não dá. Há que desacelerar isto. Não tenho varinha de condão, mas o transumanismo é pernicioso e por vezes letal. 
Escolhi este trecho de um filme que nos alerta para um futuro que está aí à porta. Não augura nada de bom. Detesto transumanistas. Ponto.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Nova árvore da vida das Aves


Um novo estudo genético dá agora uma ideia mais clara sobre a árvore genealógica das aves. Todas têm um ancestral comum, que viveu há cerca de 90 milhões de anos, que se dividiu em 3 grupos: o das aves que nas voam, como a ema, o kiwi e a avestruz, o dos patos, galinhas de água e afins, e o das Neoaves, que inclui mais de 95% das aves actuais. Mas só há cerca de 61 milhões de anos, após a extinção dos dinossaurios seus parentes 5 milhões de anos antes, é que as aves se diversificaram. O mesmo aconteceu com os mamíferos, cujas linhagens ancestrais remontam ao Jurássico, mas que que se mantiveram na sombra até à extinção dos dinossaurios.

Uma ave, o hoatzin da América do Sul, não se parece com nada e é a única representante da sua linhagem, mantendo-se a sua origem um mistério. Curiosa é a associação dos falcões com os papagaios. Já os passeriformes, que representam mais de 50% de todas as aves, terão surgido na Austrália e daí se expandido para todo o mundo. São o grupo mais recente e diverso do planeta.

O estudo do genoma é o produto de quase uma década de pesquisa, conduzida como parte do Projeto Bird 10.000 Genomes. O objetivo final deste projeto é sequenciar os genomas de todas as 10.000 espécies de aves vivas.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Tic tac. Estamos a 90 segundos do fim, continua a marcar Relógio do Apocalipse



O Relógio do Apocalipse diz, de novo, que estamos a 90 segundos da meia-noite, o que significa a destruição da humanidade.

Os especialistas da revista Bulletin of Atomic Scientist acertaram esta terça-feira os ponteiros e, tal como no ano passado, continuamos bem perto do dia do "juízo final", ou seja a 90 segundos da meia-noite, que é como quem diz para a auto-destruição da humanidade.

Pela 77ª vez, o Dooms Day Clock é acertado e representa um alerta que a comunidade científica faz à humanidade, uma chamada de atenção para o dia em que tudo termina.

"A humanidade continua a enfrentar um nível de perigo sem precedentes", refere a Bulletin of Atomic Scientist, responsável por acertar o relógio, que mantém-se a 90 segundos da meia-noite, tal como em 2023, ano em que a proximidade da humanidade ao dia da auto destruição foi justificada pela guerra na Ucrânia, mais concretamente a ameaça nuclear proveniente da Rússia.

Este ano, os ponteiros do relógio voltaram a ser acertados, mas mantemo-nos a 90 segundos, apenas um minuto e meio, da meia-noite. O que não significa estagnação. "A nossa decisão não deve ser tomada como um sinal de que a situação da segurança internacional se atenuou. Em vez disso, os líderes e os cidadãos de todo o mundo devem encarar esta declaração como um aviso severo e reagir com urgência, como se hoje fosse o momento mais perigoso da história moderna. Porque pode muito bem ser", alerta o Conselho de Ciência e Segurança do Boletim.

Aliás, o mundo enfrenta mais uma guerra, agora no Médio Oriente, entre Israel e o grupo extremista palestiniano Hamas.

Além da guerra na Ucrânia, o mundo enfrenta a ameaça das armas nucleares, com a deterioração dos acordos de redução deste tipo de armamento, as alterações climáticas, que levaram a que 2023 fosse considerado como o ano mais quente já registado. Os avanços nas tecnologias de engenharia genética, bem como os registados na área da Inteligência Artificial também preocupam.

"Não se deixem enganar: acertar o relógio a 90 segundos para a meia-noite não é uma indicação de que o mundo está estável. Muito pelo contrário. É urgente que os governos e as comunidades em todo o mundo ajam. E o Boletim continua esperançoso – e inspirado – em ver as gerações mais jovens liderar a luta”, refere Rachel Bronson, presidente e diretora executiva do Bulletin of Atomic Scientist, em comunicado.

Para Jerry Brown, presidente executivo do Boletim, é como se os líderes mundiais "estivessem no Titanic". Afinal, "estão a conduzir o mundo para a catástrofe – mais bombas nucleares, grandes emissões de carbono, patógenos perigosos e inteligência artificial". "Só as grandes potências como a China, a América e a Rússia podem fazer-nos recuar. Apesar dos antagonismos profundos, eles devem cooperar – ou estaremos condenados", conclui o responsável.

Fundado em 1945 por Albert Einstein, J. Robert Oppenheimer e cientistas da Universidade de Chicago que ajudaram a desenvolver as primeiras armas atómicas no âmbito do Projeto Manhattan, o Bulletin of the Atomic Scientists criou o Relógio do Apocalipse dois anos mais tarde, em 1947, "um indicador universalmente reconhecido da vulnerabilidade do mundo a catástrofes globais causadas por tecnologias criadas pelo homem".

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Inédito - Cientistas conseguem manipular microbioma das plantas para aumentar proteção das plantas contra bactérias


Pela primeira vez, os investigadores da Universidade de Southampton conseguiram manipular o microbioma das plantas para melhorar a saúde das culturas, aumentando a presença de bactérias boas nas plantas. Os resultados do estudo, publicado na revista Nature Communications, poderão reduzir a necessidade e a dependência de pesticidas que são normalmente prejudiciais para o ambiente.

Os microbiomas do intestino humano influenciam o sistema imunitário, que luta contra os organismos causadores de doenças. Nas plantas, microbiomas como bactérias, fungos, vírus e outros microorganismos presentes nas raízes, caules e folhas afectam a vulnerabilidade das plantas a várias doenças.

A equipa de investigação descobriu que a sobreexpressão de um gene específico encontrado no cluster de biossíntese de lignina da planta de arroz aumentava as bactérias benéficas no microbioma da planta. Os resultados mostraram que as plantas modificadas são mais resistentes à praga bacteriana nas culturas de arroz, uma causa comum de perdas de rendimento nos países asiáticos.

“Pela primeira vez, conseguimos alterar a composição do microbioma de uma planta de uma forma direcionada, aumentando o número de bactérias benéficas que podem proteger a planta de outras bactérias nocivas”, afirmou Tomislav Cernava, coautor do artigo e Professor Associado da Universidade de Southampton. Atualmente, os investigadores estão a explorar a presença de outros micróbios benéficos para melhorar ainda mais a saúde das plantas. 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Nobel da Medicina 2023: dois cientistas galardoados pela tecnologia que levou à vacina contra a Covid-19


Durante a pandemia muitas pessoas se questionaram como tinha sido possível desenvolver vacinas contra a Covid-19 em tão pouco tempo. Na verdade, a investigação que mudou a compreensão de como o RNA mensageiro (ARN - ácido ribonucleico em português) interage com o nosso sistema imunitário já estava a ser desenolvida há cerca de 30 anos, pelos cientistas Katalin Karikó e Drew Weissman, agora laureados com o Prémio Nobel da Medicina de 2023.
As descobertas foram fundamentais para o desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro eficazes contra a COVID-19 durante a pandemia. Através das suas descobertas "os laureados contribuíram para o desenvolvimento de vacinas, a uma taxa de resposta sem precedentes, durante uma das maiores ameaças à saúde humana nos tempos modernos", revelou o Comité do Prémio Nobel no Instituto Karolinska, na Suécia.
Para a docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Helena Sá, "o trabalho pioneiro conjunto e extraordinário na descoberta da forma como a molécula do RNA mensageiro pode ser utilizada, in vivo, na área de prevenção e tratamento de doenças" permitiu que se iniciasse uma "era de grande interesse para a medicina".

A Assembleia do Nobel é composta por 50 professores do Instituto Karolinska e concede o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Desde 1901, este prémio é atribuído aos cientistas que fizeram as descobertas mais importantes para o benefício da humanidade.

Katalin Karikó e Drew Weissman

Katalin Karikó nasceu em 1955 em Szolnok, Hungria. Recebeu o doutoramento pela Universidade de Szeged em 1982 e realizou posteriormente investigações de pós-doutoramento na Academia Húngara de Ciências, em Szeged, na Temple University, Filadélfia, e na Universidade de Ciências da Saúde, Bethesda. Em 1989, foi nomeada professora assistente na Universidade da Pensilvânia, onde permaneceu até 2013. Depois disso, tornou-se vice-presidente da BioNTech RNA Pharmaceuticals. Desde 2021, é professora na Universidade de Szeged e professora adjunta na Perelman School of Medicine da Universidade da Pensilvânia.

Drew Weissman nasceu em 1959 em Massachusetts, EUA. Recebeu o doutoramento pela Universidade de Boston em 1987, fez formação clínica no Beth Israel Deaconess Medical Center na Harvard Medical School e fez investigação de pós-doutoramento no National Institutes of Health. Em 1997, Weissman criou um grupo de investigação na Perelman School of Medicine da Universidade da Pensilvânia e é diretor do Penn Institute for RNA Innovations.

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sábado, 26 de agosto de 2023

Quem é Vivek Ramaswamy, o empresário necro- milionário que quer chegar à Casa Branca e brilhou no debate republicano?


Na corrida presidencial do Partido Republicano para a Casa Branca, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece em pesquisas como o favorito, mas trava uma forte disputa interna com o atual governador da Flórida, Ron de Santis.

Ainda assim, um filho de imigrantes novato na política conseguiu desbancar esses dois principais nomes e se tornar o protagonista do primeiro debate dos candidatos republicanos à presidência dos EUA, realizado na noite de quarta-feira (24) - nos Estados Unidos, os partidos realizam uma votação prévia às eleições gerais, as chamadas primárias, para escolher o candidato que concorrerá pela sigla.

Com tiradas debochadas e um discurso que segue a cartilha da ultradireita, Vivek Ramaswamy, um empresário exótico e filho de imigrantes indianos, foi o vencedor do debate, na avaliação da imprensa norte-americana e de especialistas do país, que vem chamando o pré-candidato de "o novo Trump".
Donald Trump optou por não ir ao debate por conta de uma audiência judicial nesta quinta-feira na Georgia. Esperava-se que os quatro processos aos quais o ex-presidente responde na Justiça fossem o ponto central do debate, mas os candidatos decidiram não tocar no tema.

Já De Santis, um ultraconservador que vem se apresentando como a grande alternativa a Trump dentro do partido, não conseguiu se manter no centro das atenções e acabou apagado, também na avaliação da imprensa dos EUA.

Ramaswamy aproveitou então o vácuo de protagonismo e conquistou os holofotes no debate, mesmo sem ter nenhum histórico na vida política e pouco até como eleitor. Ele revelou que não votou para presidente por 15 anos seguidos (nos EUA, o voto não é obrigatório).

Trajetória
Vivek Ramaswamy entrou na política financiado por ele mesmo. Aos 38 anos, é um empresário bilionário da área de biotecnologia, e inclusive já escreveu livros sobre o assunto. Vive numa mansão no estado de Ohio, onde nasceu e cresceu.

Seu pai era um engenheiro e advogado de patentes e foi morar nos Estados Unidos para trabalhar na General Electric. Já sua mãe era psiquiatra - apesar de ser filhos de imigrantes, ele defende a deportação de todos os que entram no país de forma irregular (leia mais abaixo).

Ele fez fortuna após abrir uma empresa de biotecnologia - o pré-candidato é formado em biologia pela universidade Harvard. No ano passado, fundou uma empresa de gestão de ativos.

Ao decidir entrar na política, ele se afiliou ao Partido Republicano e começou a adotar um discurso ultraconservador. Ao mesmo tempo, no entanto, gosta de se apresentar como um político jovem, risonho e descontraído.

Se diz amante de rap, um estilo musical com discurso geralmente associado às pautas do Partido Democrata - pelas redes sociais, circula até um vídeo no qual ele canta um rap e dança num palco quando ele era estudante de Harvard.

Recentemente, ao ser questionado por jornalistas sobre se via ambiguidades em suas ideias e as defendidas em letras de músicas de rap, ele justificou que, assim como vários cantores do género, se sente um "outsider" (excluído, em uma tradução livre).

O termo é um dos exemplos de como Ramaswamy da cartilha da extrema direita - um dos pontos mais comuns de políticos ultradireitistas é se apresentar como um "outsider", alguém de fora do sistema político que chegou para mudá-lo.

Aborto - Ramaswamy se diz contra o aborto, que já chamou de um assassinato. Mas também afirma não concordar com uma proibição do aborto no país inteiro. Sua proposta é que cada estado deveria proibir a interrupção da gravidez a partir das seis semanas de gestação.

Alterações climáticas - É contra qualquer política pública para amenizar as emissões de carbono dos Estados Unidos ou combater as mudanças climáticas.

Imigração - Embora seja filho de imigrantes, Ramaswany é o pré-candidato republicano mais linha dura contra a entrada ilegal de estrangeiros nos EUA. Ele defende o fortalecimento das fronteiras e a deportação de qualquer imigrante que tenha entrado no país de forma ilegal - não está claro se esse foi o caminho de seus pais.

Direitos da população LGBTQIA+ - O pré-candidato quer retirar todas as leis que concedem direitos às pessoas trans, que ele chama de uma doença mental.

O pré-candidato também costuma se definir como um "anti woke", em referência ao termo "woke", em referência a jovens dos Estados Unidos engajados em diversos temas sociais, políticos e ambientais. Ele já disse inclusive lamentar que os EUA tenham se tornado "um país cheio de vítimas".

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Documentário - Comer Vai Nos Levar À Extinção


O documentário ‘Eating Our Way to Extinction’ (Comer vai nos levar à extinção) vai mudar a sua perceção sobre a comida e a sua relação com o futuro do nosso planeta.

Este documentário aborda “o elefante na sala” sobre o qual ninguém quer falar… Seremos a próxima espécie a caminho da extinção?

Qual é o verdadeiro custo da comida? Quem paga o preço?

Sabia que a pecuária é responsável por 80% da desflorestação da Amazónia?

“Este é o filme que as gerações futuras vão desejar que todos tivessem assistido hoje”, afirmou Leonardo DiCaprio.

Narrado por Kate Winslet, conta também a com a participação de Jeremy Rifkin e de Sylvia Earle. A versão em português do Brasil é narrada por Xuxa Mengehel.

Outros entrevistados:
  1. Bruce Friedrich
  2. Doug Maw
  3. Marco Springmann
  4. Michael Greger
  5. Tony Robbins
  6. Udo Erasmus

quinta-feira, 29 de junho de 2023

A Comissão Europeia autorizou três novas variedades de milho geneticamente modificado


A Comissão Europeia autorizou três novas variedades de milho geneticamente modificado, bem como a renovação das autorizações de três variedades de soja transgénica e de uma variedade de algodão. Estes transgénicos são todos propriedade da Bayer e destinam-se a ser importados como alimentos para consumo humano e animal. Até à data, a Comissão Europeia autorizou a importação de cerca de uma centena de plantas geneticamente modificadas, incluindo milho, soja, colza, algodão e beterraba. Estas autorizações, válidas por dez anos, não permitem o cultivo destas plantas, mas apenas a sua utilização na alimentação humana e animal (milho, soja, colza) ou como agrocombustível (colza, soja). Apenas o milho Mon810 continua a ser autorizado para cultivo, após a renovação da sua autorização em 2017.

A Comissão recorda que “qualquer produto feito a partir destes OGM estará sujeito a regras estritas da UE em matéria de rotulagem e rastreabilidade”, duas obrigações que permitem nomeadamente aos agricultores e consumidores fazer uma escolha informada. Ainda assim, essas autorizações levantam questões. A Comissão Europeia está em processo de desregulamentação de novos OGMs (sem definir seu contorno científico e legal). E, num documento recentemente vazado , a DG Saúde considerou que eles "são tão seguros quanto seus equivalentes convencionais". A DG Saúde também propõe simplesmente não detectar e rastrear esses novos OGMs.

A Comissão Europeia e as empresas vendem-nos o sonho de novos OGM, mais precisos, mais rápidos de desenvolver, mais interessantes para o consumidor nos Estados Unidos, onde as primeiras decisões de desregulamentação de novos OGM datam de mais de dez anos. Os novos OGMs ainda não são cultivados em larga escala, e as questões de precisão e economia de tempo ainda precisam ser demonstradas, além dos discursos publicitários.