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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Solaris (1972) de Tarkovsky: Porque é que a ficção científica é mais atual hoje do que nunca?

A ficção científica filosófica Solaris, adaptada do romance de Stanisław Lem e imortalizada no cinema por Andrei Tarkovsky em 1972 (com uma nova versão de Steven Soderbergh em 2002), é um drama existencial sobre os limites da mente humana perante o desconhecido e o peso inegociável da culpa e da memória. A narrativa acompanha Kris Kelvin, um psicólogo enviado a uma estação espacial que orbita o planeta misterioso Solaris. O planeta é coberto por um oceano protoplasmático gigante que demonstra ter consciência e, ao ler as mentes dos cientistas da estação, materializa as suas memórias, desejos e remorsos mais ocultos na forma de "visitantes" físicos. Kelvin vê-se forçado a conviver com uma cópia perfeita da sua falecida esposa, Hari, que se tinha suicidado anos antes após uma discussão entre o casal, forçando-o a enfrentar a carga emocional do seu passado.

O filme choca e mantém o seu impacto porque subverte as convenções da ficção científica tradicional de tecnologia e conquista galáctica para questionar a condição humana. Apresenta uma crítica à arrogância e ao antropocentrismo ao mostrar uma inteligência alienígena inacessível à lógica humana, evidenciando que a busca pelo cosmos é frequentemente uma fuga de nós próprios. A obra aborda a materialização da dor e do luto através da memória, transformando o remorso numa presença física, enquanto explora o mistério da identidade e da consciência ao mostrar a evolução de Hari de uma mera projeção para um ser com sofrimento e agência próprios. Toda esta atmosfera é intensificada pelo ritmo contemplativo e pelo isolamento claustrofóbico que espelha a própria prisão mental dos cientistas.

As influências científicas e filosóficas da obra elevam-na a uma profunda meditação existencial baseada na epistemologia, na psicanálise e na física teórica do século XX. No âmbito científico, o fracasso da "Solariologia" - a disciplina fictícia criada para catalogar o oceano - ilustra os limites do empirismo e antecipa a Teoria do Caos e os Sistemas Complexos, demonstrando como certos fenómenos ultrapassam a capacidade de modelação humana. Para explicar a existência dos visitantes, recorre-se a conceitos quânticos de matéria neutrónica mantida por campos de força, conferindo-lhes características biológicas humanas à escala macroscópica, mas com uma estrutura subatómica não celular e capacidade de regeneração. 

No plano filosófico e psicológico, o oceano funciona como uma metáfora direta do inconsciente: mobiliza o recalque freudiano ao materializar a culpa e o trauma reprimidos, e atua como a Sombra junguiana, forçando o indivíduo a confrontar a parte rejeitada da sua psique. Sob a ótica epistemológica e do existencialismo de inspiração kantiana, sartreana e kierkegaardiana, Solaris questiona se é possível conhecer verdadeiramente o "Outro" ou apenas as nossas próprias projeções, ao mesmo tempo que reflete sobre o livre-arbítrio e a autenticidade da vida e do sofrimento de uma entidade criada como cópia. [Fonte: Fundação Stanisław Lem

Apesar do sucesso da obra cinematográfica, a relação entre Stanisław Lem e Andrei Tarkovsky foi marcada por uma célebre divergência artística. Lem ficou desapontado com a adaptação de 1972, afirmando que Tarkovsky tinha filmado "Crime e Castigo" no espaço. O desentendimento deveu-se ao choque entre o foco epistemológico de Lem - focado na impossibilidade de comunicação com o extraterrestre - e o humanismo moral e espiritual de Tarkovsky, que centrou a narrativa no pecado e na redenção de Kelvin. Lem criticou ainda a inclusão de cerca de 40 minutos iniciais passados na Terra com a família do protagonista, por considerar que introduziam um sentimentalismo nostálgico alheio à sua obra, e lamentou a redução visual e conceptual do oceano a um mero pano de fundo para conflitos morais humanos.

Para ler mais detalhadamente sobre cada um destes aspetos e ver imagens e esquemas explicativos, pode aceder a mais informações sobre a sinopse e o impacto de Solaris, explorar as influências científicas e filosóficas de Solaris e conhecer o conflito entre Stanisław Lem e Andrei Tarkovsky.

Andrei Tarkovsky era um crente convicto e a sua visão do mundo estava profundamente enraizada na fé e na tradição do Cristianismo Ortodoxo. No entanto, a sua religiosidade não se traduzia num dogmatismo cego ou numa prática institucional rígida, mas sim numa espiritualidade mística, poética e existencial. Sob o regime soviético - uma ditadura oficialmente ateia e materialista -, afirmar a fé era um ato de resistência espiritual. No seu livro Esculpir o Tempo e nos seus diários (Martirológio), Tarkovsky afirmava que a arte não existia para propagar ideias políticas, mas sim para cultivar a alma e preparar o homem para a transcendência, tendo chegado a declarar que via o seu trabalho como uma forma alternativa de oração.

A influência da tradição e da iconografia ortodoxa transborda em toda a sua cinematografia. A ideia central de que o sofrimento aceite com amor e o sacrifício pessoal podem redimir o mundo permeia obras como Andrei Rublev (sobre o famoso pintor de ícones do século XV), Stalker e o seu filme de despedida, O Sacrifício. Além disso, a sua estética visual - com o uso recorrente e quase ritualístico da água, da terra, do fogo e da luz - funciona como uma revelação do sagrado na própria matéria, aproximando o seu cinema da teologia do ícone ortodoxo, onde a imagem visível remete sempre para o invisível.

À semelhança de Fyodor Dostoievski, uma das suas maiores referências intelectuais, a fé de Tarkovsky não nascia da ignorância da dúvida, mas sim do confronto direto com a crise espiritual do homem moderno. Em Stalker (1979), a figura do protagonista encarna o conceito russo de yurodivy (o "louco por Cristo"), um indivíduo marginalizado que preserva a capacidade de crer num mundo tornado pragmático e cínico. Embora tenha demonstrado interesse por correntes como o Zen Budismo, a matriz conceptual e espiritual de Tarkovsky manteve-se inequivocamente ortodoxa, considerando ele que o esquecimento do divino e a perda da dimensão transcendente eram a verdadeira tragédia da humanidade contemporânea.

domingo, 12 de julho de 2026

Crying Vessel - Bound In Mystery

Melhor som aqui
Letra
Moonrise, I hear you breathing,
Soft light through the trees,
Whispers in the black wind,
Carry me where shadows sleep.

Echoes drift in water,
Holds me, in the deep,
Your voice brings me stillness,
Calling me from your sleep.

Wash away my mortal skin,
Call of night, let me in
Take my breath and walk away
Our fate is bound in mystery.
Now guide me through your dreams,
Where silence comes between
Take a breath and draw me in,
Our fate is bound in mystery.

Softly, you touch my skin
Still light, through the breeze
Calmly, the winds are soaking
Everything thats in between

Wash away my mortal skin,
Call of night, let me in
Take my breath and walk away
Our fate is bound in mystery.
Now guide me through your dreams,
Where silence comes between
Take a breath and draw me in,
Our fate is bound in mystery.

Analisar a obra "Bound In Mystery" do duo Crying Vessel é mergulhar num universo onde a música, a narrativa visual e o pensamento intelectual operam como um portal para o oculto. O projeto, com uma identidade transatlântica suíço-americana idealizada pelo músico e produtor norte-americano Slade Templeton e expandida com a entrada do baterista suíço Basil Oberli, funde a precisão técnica europeia com a densidade visceral do submundo alternativo dos Estados Unidos. Musicalmente, a faixa assenta firmemente no revivalismo do Darkwave, do Post-Punk e do Goth Rock, destacando-se por guitarras cintilantes carregadas de chorus e reverb, sintetizadores atmosféricos que criam texturas densas e cinzentas, e uma performance vocal dual que flutua entre a melancolia arrastada dos anos 80, à semelhança de legados como The Cure e Depeche Mode, e um refrão expansivo e intensamente melódico.

A nível de significado, a canção explora a linha ténue onde o sonho, o ritual e o destino se confundem, seguindo a ligação invisível e inescapável entre duas almas através da escuridão. O tema central não se foca no medo do desconhecido, mas sim na rendição absoluta a ele, expressa em versos que aludem a um processo de transmutação espiritual e desapego da carne, sugerindo a necessidade de deixar morrer uma antiga versão de si mesmo para aceitar um laço ou ciclo que transcende a própria vida. Esta abordagem lírica e estética bebe diretamente de várias fontes de inspiração, começando pelo romance gótico do século dezanove de Mary Shelley e Bram Stoker, focado na paixão destrutiva e no isolamento. A obra lida ainda com o conceito de mitos ou ilusões que a mente cria ao tentar fugir do destino, evocando ideias filosóficas como o Amor Fati de Friedrich Nietzsche, que defende a aceitação total e o amor pela vida com todas as suas sombras e repetições eternas, e o fatalismo de Arthur Schopenhauer, que propõe que os indivíduos estão atados a uma vontade metafísica cega que os arrasta uns para os outros no escuro.

Visualmente, o teledisco opera dentro do subgénero cinematográfico do folk horror e do suspense psicológico, transformando o cenário de uma floresta densa e fria na manifestação física do subconsciente e do labirinto mental das personagens. A cinematografia adota o dinamismo caótico, a obsessão e a desintegração da identidade pessoal típicos do cinema de realizadores como Andrzej Żuławski (em Possession) e David Lynch, onde os membros da banda se movem como reflexos distorcidos um do outro, personificando a dualidade também presente nas duas vozes da música. O uso da natureza isolada como uma entidade viva e ritualística remete ainda para a estética de cineastas contemporâneos como Robert Eggers, conferindo ao vídeo uma textura granulada de película antiga que transporta o espectador para um plano temporal indefinido, reforçando a ideia de que este mistério é eterno e cíclico.

Surpreendentemente, embora a composição pareça pertencer inteiramente ao reino da arte e do misticismo, existe uma ponte fascinante entre a sua estética e conceitos da ciência moderna. A ligação invisível e inevitável descrita na letra funciona como uma tradução poética perfeita do entrelaçamento quântico na física, o fenómeno no qual duas partículas operam como um único sistema e determinam instantaneamente o estado uma da outra, independentemente da distância no universo. Paralelamente, o comportamento hipnótico, os movimentos repetitivos e o transe das personagens ligam-se à neurociência dos estados alterados de consciência, especificamente à diminuição da atividade na rede de modo padrão do cérebro, o que biologicamente causa a dissolução do ego e a perda das fronteiras entre o indivíduo e o mundo exterior. Por fim, a própria escolha de uma floresta escura ativa os mecanismos da psicologia evolutiva ligados à nictofobia, o medo ancestral do desconhecido que os seres humanos desenvolveram para a sobrevivência, transformando uma reação biológica de defesa numa experiência artística de rendição absoluta à escuridão.

sábado, 27 de junho de 2026

PJ Harvey - Voyager

Letra
Long years, far place
Dark nights, dark days
Frozen, silent
Bearing Earth-songs
Earth-songs

Force fields, high winds
Cold moons, bright rings
Hear my signal
Will you follow?

Look back at us
As a speck of dust
Darkness our home
Bear it through love

Last note, last sign
Neptune, Triton
Fading signal
Choose light, choose love

Voyager, look back
At a pale blue dot
All we don't know
A flake of snow

Dust in a sunbeam, blue dot
So far, so cold
Kindness, kindness
Care for
Our shelter, tender, tender


PJ Harvey lançou esta quarta-feira (24 de junho) um tema novo, ‘Voyager’.
O tema é inspirado pelo Programa Voyager, da NASA, iniciado em 1977. Foi composto durante as sessões de gravação para o próximo álbum de PJ Harvey, ainda sem data de lançamento definida.
Em comunicado à imprensa, a artista britânica disse-se “entusiasmada com o desafio de compor uma canção com a ‘voz’ da Voyager 2”, sonda lançada em agosto de 1977 e que se encontra, atualmente, fora do Sistema Solar. “Perguntei-me: que nos diria ela se pudesse?”. ‘Voyager’ conta, ainda, com uma citação do já falecido astrónomo Carl Sagan.

"Voyager", o single de PJ Harvey lançado em junho de 2026 a convite do físico Brian Cox para a sua digressão mundial Emergence, afasta-se do rock visceral de guitarras do início da sua carreira para abraçar uma sonoridade espacial, flutuante e de gravidade zero. A faixa insere-se no panorama do ambient e do art pop eletrónico, sendo construída sobre pulsações eletrónicas lentas e minimalistas e sintetizadores modulares, onde se destacam o Prophet-5 tocado por Harvey e o baixo de sintetizador Juno tocado pelo próprio Brian Cox. Há uma utilização intencional de efeitos que simulam distorções de fita e pequenas falhas de áudio, como se a música fosse um sinal de rádio enfraquecido a viajar pelo espaço, uma atmosfera que ganha uma imensa sensação de amplitude e grandiosidade cinematográfica graças aos arranjos de cordas criados por Dario Marianelli e executados pela Orquestra de Miraval. Sobre esta massa instrumental, a voz de PJ Harvey surge de forma etérea, fantasmagórica e descorporificada, acentuando uma profunda sensação de solidão cósmica.

O conceito central da canção é uma das propostas mais fascinantes da carreira da artista, uma vez que a letra é escrita e cantada sob a perspetiva da própria sonda espacial Voyager 2, lançada pela NASA em 1977 e que hoje navega pelo espaço interestelar, a milhares de milhões de quilómetros da Terra. Harvey revelou ter-se inspirado na questão de saber o que a espaçonave nos diria se pudesse falar, mimetizando os relatórios da sonda ao cruzar os limites do nosso sistema solar através de versos que mencionam forças de campo, ventos fortes, luas frias e anéis brilhantes. O significado da canção desdobra-se em camadas emocionais e filosóficas, prestando uma homenagem direta ao astrónomo Carl Sagan, que idealizou o Disco de Ouro da Voyager e poeticamente batizou o nosso planeta de "Ponto Azul Claro", uma ideia que a artista recupera ao usar metáforas que nos reduzem a um floco de neve ou a um grão de poeira na imensidão do cosmos. Ao olhar para a Terra através dos olhos da máquina distante, a música funciona como uma meditação sobre a nossa extrema pequenez e fragilidade, sugerindo que, diante do vazio absoluto do universo, os conflitos e as fronteiras humanas perdem totalmente o sentido. Apesar de mergulhada num ambiente frio e mecanizado, a mensagem final que PJ Harvey extrai dessa vastidão é profundamente humanitária e otimista, culminando num apelo urgente à sobrevivência e à união para a humanidade que ficou para trás, sintetizado no verso que nos incita a escolher a luz e a escolher o amor.

sábado, 28 de março de 2026

Albert Einstein sobre a nossa interconectividade ecológica e cósmica


"O ser humano é uma parte do todo a que chamamos 'Universo', uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia-se a si próprio, aos seus pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto — uma espécie de ilusão de ótica da sua consciência.

Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, que nos restringe aos nossos desejos pessoais e ao afeto por algumas pessoas mais próximas. A nossa tarefa deve ser libertarmo-nos dessa prisão, alargando o nosso círculo de compaixão de modo a abranger todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza na sua beleza."

Esta passagem profunda pertence a uma carta de condolências escrita por Albert Einstein em 12 de fevereiro de 1950.

O destinatário era o Rabino Robert S. Marcus, na época Diretor Político do Congresso Judaico Mundial. O Dr. Marcus havia escrito a Einstein num momento de desespero absoluto, procurando conforto espiritual após a morte prematura do seu filho de 11 anos, vítima de poliomielite.

O Contexto da Carta
Marcus questionava Einstein sobre como conciliar a visão científica do mundo com a necessidade de acreditar na imortalidade da alma para suportar a dor da perda. Einstein respondeu com este texto, que se tornou uma das suas reflexões mais famosas sobre a espiritualidade secular e a interconexão da vida.

O Texto Original (Inglês)
"A human being is a part of the whole, called by us 'Universe,' a part limited in time and space. He experiences himself, his thoughts and feelings as something separated from the rest — a kind of optical delusion of his consciousness.

This delusion is a kind of prison for us, restricting us to our personal desires and to affection for a few persons nearest to us. Our task must be to free ourselves from this prison by widening our circle of compassion to embrace all living creatures and the whole of nature in its beauty."

Onde ler o original
Como Einstein escreveu esta carta de forma privada, ela não foi um artigo científico publicado originalmente, mas foi preservada nos Arquivos Albert Einstein. Pode encontrar o registo e transcrições em fontes arquivísticas e literárias de referência:

  1. Albert Einstein Archives: o documento está catalogado sob a referência 33-188.
  2. Livro: The New Quotable Einstein, editado por Alice Calaprice (Princeton University Press).
  3. Digital: o site The Marginalian possui um artigo detalhado que inclui a carta enviada pelo Rabino e a resposta de Einstein.
A carta completa também está no livro "The Quantum and the Lotus: A Journey to the Frontiers Where Science and Buddhism Meet", 2020

Matthieu Ricard formou-se em biologia molecular, trabalhou e concluiu um Doutoramento no Instituto Pasteur, em Paris, sob a supervisão do cientista francês François Jacob, um cientista vencedor do Prémio Nobel, mas quando leu sobre filosofia budista, sentiu-se atraído pelo budismo. Eventualmente, deixou a sua vida na ciência para estudar com mestres tibetanos e é agora monge budista e tradutor do Dalai Lama, vivendo no mosteiro de Shechen, perto de Katmandu, no Nepal. Trinh Thuan nasceu numa família budista no Vietname, mas ficou intrigado com a explosão de descobertas na astronomia durante a década de 1960. Foi para o prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia para estudar com alguns dos maiores nomes da área e é agora um astrofísico aclamado e especialista em como as galáxias se formaram.
Quando Matthieu Ricard e Trinh Thuan se conheceram numa conferência académica, no verão de 1997, começaram a discutir as muitas ligações notáveis ​​entre os ensinamentos do Budismo e as descobertas da ciência recente. Esta conversa transformou-se numa correspondência surpreendente, explorando uma série de questões fascinantes. O universo teve um início? Ou será que o nosso universo é apenas um numa série de universos infinitos, sem fim nem princípio? Será que o conceito de um início do tempo é fundamentalmente falho? Será que a nossa perceção do tempo é, na verdade, uma ilusão, um fenómeno criado nos nossos cérebros que não possui uma realidade última? Será que o impressionante ajuste fino do universo, que produziu as condições ideais para a evolução da vida, é um sinal de que um "princípio da criação" está em ação no nosso mundo? Se tal princípio da criação sustenta o funcionamento do universo, o que nos diz isto sobre a existência ou não de um Criador divino? Como é que a interpretação radical da realidade oferecida pela física quântica se conforma e, ao mesmo tempo, difere da conceção budista da realidade? O que é a consciência e como evoluiu? Pode a consciência existir independentemente de um cérebro que a gere?
A estimulante viagem de descoberta percorrida pelos autores nas suas discussões é recriada de forma primorosa em "O Quântico e o Lótus", escrito ao estilo de um diálogo animado entre amigos. Tanto os ensinamentos fundamentais do Budismo como as descobertas da ciência contemporânea são apresentados com grande clareza, e o leitor ficará profundamente impressionado com as muitas correspondências entre as duas correntes de pensamento e de revelação. Ao longo do seu diálogo, os autores chegam a um notável encontro de mentes, oferecendo, em última análise, uma nova e vital compreensão das muitas formas como a ciência e o budismo se confirmam e se complementam, e das formas como, como escreve Matthieu Ricard, "o conhecimento dos nossos espíritos e o conhecimento do mundo são mutuamente esclarecedores e fortalecedores".
"O Quântico e o Lótus é uma exploração instigante e reveladora dos paralelos fascinantes entre o pensamento vanguardista na física e o Budismo - uma conversa brilhante que qualquer pessoa pensante teria prazer em ouvir." — Daniel Goleman, autor de "Inteligência Emocional"
"O Quântico e o Lótus é o resultado rico e inspirador de um diálogo profundamente interessante entre a ciência ocidental e a filosofia budista. Este livro notável contribuirá muito para uma melhor compreensão da verdadeira natureza do nosso mundo e da forma como vivemos as nossas vidas." —Sua Santidade o Dalai Lama

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Gaia e Nossa Conexão Cósmica


“Que nosso tempo seja lembrado pelo despertar de um nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, pela intensificação da luta pela justiça e pela paz e pela alegre celebração da vida”.

Esta frase emblemática encerra o preâmbulo da Carta da Terra, um documento fundamental que apela a uma nova consciência global, apelando ao respeito pela diversidade, sustentabilidade ecológica, justiça social e uma cultura de paz. Este apelo visa transformar a sociedade em direcção a um futuro mais justo e sustentável.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Os cientistas criam luz a partir do nada, este estudo mostra como manipular o tempo e o espaço para o conseguir


Os investigadores da Universidade de Rostock e da Universidade de Birmingham publicaram as suas descobertas na revista Nature Photonics, abrindo possibilidades interessantes para tecnologias futuras.

Numa descoberta que soa quase a magia, os cientistas descobriram uma forma de criar flashes de luz que parecem vir do nada e desaparecem de forma igualmente misteriosa. Mas não se trata de um truque - é o resultado de repensar a forma como o próprio tempo pode moldar as leis da física.

O tempo sempre foi a dimensão mais estranha. Enquanto nos podemos mover livremente no espaço, o tempo só anda para a frente. Esta “seta do tempo” foi descrita de forma célebre pelo astrofísico britânico Sir Arthur Eddington há quase um século.

No entanto, apesar da sua singularidade, o tempo tem recebido tradicionalmente menos atenção na física do que o espaço. Esta situação está a começar a mudar. Estudos recentes sobre “cristais espácio-temporais” - estruturas que repetem padrões tanto no espaço como no tempo - inspiraram os cientistas a pensar de forma diferente sobre o papel do tempo.

Poderá a natureza unidirecional do tempo conduzir a efeitos físicos inteiramente novos?
Esta nova investigação responde a esta pergunta com um ousado “sim”. Através de experiências cuidadosamente concebidas, a equipa de investigadores conseguiu fazer com que a luz aparecesse num momento único e exato no espaço e no tempo.

“É quase bíblico. No início não há nada, e depois a física diz: “Que haja luz!” - e aí está ela, num ponto do espaço e do tempo.” - Professor Alexander Szameit da Universidade de Rostock.

Mas estas explosões de luz não são aleatórias. Seguem princípios matemáticos profundos, conhecidos como topologia. A professora Hannah Price, da Universidade de Birmingham, explica que a topologia, embora abstrata, estabelece regras que regem o comportamento físico. Graças a estas regras matemáticas, os flashes de luz são extraordinariamente estáveis.

Esta luz, ao contrário do que é normal, é mais estável
Uma vez que o tempo só avança, estes acontecimentos especiais estão naturalmente protegidos contra perturbações externas, como alterações aleatórias na experiência ou luz difusa. O Dr. Joshua Feis, de Rostock, observou que este tipo de estabilidade é raro; a maioria dos estados de luz conhecidos são facilmente perturbados por fatores externos. Ao abraçar a natureza estranha e única do tempo, os investigadores abriram um novo capítulo na compreensão do universo - e a porta para futuras descobertas.

O Dr. Sebastian Weidemann acrescentou que esta proteção integrada pode ser extremamente útil em aplicações do mundo real, como a melhoria dos sistemas de imagem, comunicações e tecnologias laser.

A descoberta mostra que, tratando o tempo como algo mais do que um simples cenário de fundo - e combinando-o com as poderosas ideias da topologia - os cientistas podem encontrar fenómenos inteiramente novos. É um lembrete de que, mesmo em campos bem explorados como a física, ainda há tesouros escondidos à espera de serem descobertos.

Referência da notícia
Joshua Feis, Sebastian Weidemann, Tom Sheppard, Hannah M. Price & Alexander Szameit. Space-time-topological events in photonic quantum walks. Nature Photonics (2025).

quarta-feira, 22 de maio de 2024

David Inshaw


Música do BioTerra: Death In Rome - Stalingrad


From the bottomless pit 
Stalingrad of the soul
 
I call out to thee 
I call out to thee 
My third army is stuck in the deepest mud
 
I call out to thee 
I call out to thee
rousing from my sleep not knowing where I am
And everything is connected with everything 
is connected with everything

And I call out to thee
it’s my deepest prayer my devoted request 
To guide me on my way 
To escape the cauldron
 
I want a love that strikes me like a lightning bolt 
I want a love that sets my heart on fire fire [3X]

domingo, 24 de março de 2024

Ponto de situação da Energia Nuclear no Mundo


Europa, EUA e China
Numa cimeira internacional sobre energia nuclear que decorreu durante um dia em Bruxelas, na Bélgica, 34 nações apoiaram uma declaração de apoio à energia nuclear. Os países apelam aos reguladores para que desbloqueiem totalmente o potencial da energia nuclear, numa declaração que tinha como principal objetivo atrair o apoio dos bancos de desenvolvimento para financiar a sua instalação e manutenção. Além de se comprometerem com a construção de novas centrais nucleares em geral, a declaração também defende a rápida implantação de reatores avançados, incluindo pequenos reatores modulares, em todo o mundo. No entanto, acrescenta que, na Europa, ainda existem alguns países, como a Alemanha e a Áustria, que se opõem ao nuclear e querem que o investimento em energia com baixo teor de carbono se concentre nas energias renováveis. Fontes: AP, Euronews e Reuters.

Alemanha
Um estudo encomendado pelo Serviço Federal Alemão para a Segurança da Gestão dos Resíduos Nucleares, examinou os vários tipos de reatores nucleares em desenvolvimento no mundo, analisando a sua economia, segurança e potencial de resíduos radioativos e conclui que os problemas conhecidos da tecnologia nuclear não são susceptíveis de serem resolvidos pelos novos tipos de reatores. No entanto, políticos dos partidos União Democrata-Cristã da Alemanha (CDU) e Partido Democrata Livre (FDP) propuseram recentemente o relançamento da energia nuclear. Martin Schlak, Der Spiegel.

Austrália
O Dr. Alan Finkel, presidente do Centro de Excelência ARC para a Biotecnologia Quântica da Universidade de Queensland e antigo cientista-chefe da Austrália, explica que, apesar das recentes posturas políticas na Austrália, o país não está prestes a assistir a um aumento dramático da energia nuclear. "Embora a energia nuclear possa ressurgir a nível mundial e vir a ter um papel na Austrália, neste momento, por muita intenção que haja de ativar uma indústria de energia nuclear, é difícil de prever antes de 2040", afirma. Finkel atribui esta situação aos custos elevados e aos prazos longos, salientando que a Austrália é a única nação do G20 a ter uma proibição legislativa da energia nuclear, que teria de ser levantada antes de se poderem construir reatores. A nação também estaria a começar do zero e é "improvável que a Austrália passe de retardatária a líder", salienta. Finkel afirma que a energia eólica e solar devem ser a prioridade na Austrália e que "qualquer apelo para passar diretamente do carvão para o nuclear é efetivamente um apelo para atrasar a descarbonização do nosso sistema de eletricidade em 20 anos".

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

John Clauser, que nunca foi Professor de Física é membro activo da CO2 Coalition


John Clauser, que nunca foi Professor de Física é membro activo da CO2 Coalition que é uma organização de defesa sem fins lucrativos nos Estados Unidos, fundada em 2015. As suas alegações negacionistas das alterações climáticas entram em conflito com o consenso científico sobre as alterações climáticas.

História
A Coligação CO2 é a sucessora do Instituto George C. Marshall, um grupo de reflexão focado em questões de defesa e climáticas que foi encerrado em 2015. William O'Keefe, diretor executivo do Instituto Marshall e ex-CEO do American Petroleum Institute, continuou como CEO da Coligação CO2. William Happer, professor emérito de física conhecido por discordar do consenso sobre as alterações climáticas, foi outro fundador da Coligação CO2 do Instituto Marshall. Happer disse que a associação com o contrarianismo climático afetou negativamente o financiamento do Instituto Marshall, a saber: "Muitas fundações que normalmente teriam apoiado a defesa não o fariam porque o nome Marshall estava associado ao clima". As atividades de defesa do Instituto Marshall foram transferidas para o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais
Nos seus primeiros quatro anos, a Coligação CO2 recebeu mais de 1 milhão de dólares em contribuições de fundações que apoiam causas conservadoras e de responsáveis da indústria energética.

Atividades
A Coligação CO2 foi uma das mais de 40 organizações a assinar uma carta datada de 8 de maio de 2017, ao presidente Donald Trump, agradecendo-lhe pela sua promessa de campanha de se retirar do Acordo de Paris, que Trump anunciou em 1 de junho de 2017.

Em 2021, a Coligação CO2 apresentou um comentário público opondo-se às regras de divulgação das alterações climáticas da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. A Coligação afirmou que "Não há 'crise climática' e não há evidências de que haverá uma", e ainda "O dióxido de carbono, o gás supostamente a causa do aquecimento catastrófico, não é tóxico e não causa danos", afirmações que estão em desacordo com o consenso científico sobre as alterações climáticas.

Em 2022, a Coligação apresentou um comentário público sobre os riscos relacionados com o clima à Commodity Futures Trading Commission, concluindo que "a ciência real demonstra que não há emergência climática e que não há riscos financeiros ou outros riscos relacionados com o clima causados por combustíveis fósseis e CO2." O comentário criticou os relatórios de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e as Avaliações Climáticas Nacionais dos EUA, os resumos consensuais oficiais da ciência climática que informam as políticas públicas:

Francamente, a "ciência" citada para apoiar a investigação da CFTC e possíveis ações é meramente a opinião do governo do Painel Internacional para as Alterações Climáticas (IPCC) e do Programa Global de Pesquisa Climática dos EUA (USGCRP), que não é ciência e não pode ser usado como base científica para qualquer CFTC ou outra ação governamental."

Em 2023, um stand da CO2 Coalition foi expulso da convenção anual da National Science Teaching Association. A Coligação distribuiu uma história em quadrinhos infantil ensinando sobre o dióxido de carbono como uma parte essencial da vida. O cientista climático Andrew Dessler disse: "Ao focar 100 por cento nesta ideia de que as plantas precisam de CO2, eles estão intencionalmente enganando as pessoas, evitando os problemas reais do CO2, sobre os quais eles nem falaram." A Coligação também distribuiu um panfleto desafiando o que chamou de "a adoção pela NSTA da hipótese do 'aquecimento nocivo causado pelo homem', apesar de sua base em ciência falha e opiniões governamentais..." No contrato para comparecer à convenção, a organização havia concordado que os seus materiais seriam consistentes com a posição da NSTA sobre as alterações climáticas.

Em Fevereiro de 2023, a Coligação CO2 tinha publicado doze livros brancos, seis “questões climáticas aprofundadas”, oito resumos de políticas científicas, testemunhos de membros da coligação e publicações de membros da coligação. O grupo continua a falar publicamente e a emitir comunicados de imprensa sobre questões relacionadas com a produção de energia, as alterações climáticas e a defesa dos combustíveis fósseis.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Fiama Hasse Pais Brandão - Quando ainda não sabia as palavras possíveis


"Quando ainda não sabia as palavras possíveis
para passar entre voz e silêncio dos outros,
tal como entre troncos das florestas mudas,
eu falava com as nuvens que vinham
sobre nós a cantar, de trémulas asas,
e aspergiam os aromas do extâse."

Fiama Hasse Pais Brandão, ‘As Fábulas’


"When I still didn't know the possible words
to pass between the voice and silence of others,
just like among the trunks of mute forests,
I spoke to the clouds that came
singing above us, with trembling wings,
and sprinkled the aromas of ecstasy."

Fiama Hasse Pais Brandão

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Computação quântica e criptografia


Um artigo altamente recomendado da Reuters, “ EUA e China correm para proteger os segredos dos computadores quânticos ” , explora a corrida entre a China e os Estados Unidos para poder começar a usar a computação quântica para quebrar sistemas de criptografia criptográfica, pelo poder de forma praticamente ilimitada e, inversamente, considerando como proteger os seus repositórios de informação estratégica de tecnologias capazes de decifrá-la.

O artigo e o infográfico que o acompanha são abertos e vão um pouco além da simplicidade com que muitos usam o argumento de que “assim que chegarem os computadores quânticos, a criptografia será inútil e todos poderemos acessar toda a informação”. na realidade, a chamada criptografia quântica não é tão simples nem tão imediata como alguns tentam propor, não se reduz simplesmente a um suposto ataque de força bruta com poder ilimitado, e claro, o avanço da tecnologia já propõe modelos de pós -computação quântica capaz de resistir a este tipo de desenvolvimentos (que, por outro lado, ainda estão longe de serem estáveis ​​ou de poderem ser utilizados de forma sistemática).

Estamos a falar de uma disciplina da qual o seu proponente mais representativo, Richard Feynman , chegou ao ponto de dizer "Acho que posso dizer com segurança que ninguém entende a mecânica quântica", uma afirmação que provavelmente ainda é verdadeira hoje, trinta e seis anos depois. após sua morte. . É claro que veremos avanços nesta área e tempos como o atual, em que as superpotências tentam acessar todo tipo de informação criptografada com a ideia, sobretudo, de poder armazená-la para descriptografá-la quando os computadores quânticos e as metodologias para isso estão suficientemente desenvolvidos. Alguns afirmam, de facto, que tudo o que circula nas redes é encriptado – uma percentagem crescente de todo o tráfego, dada a popularização do protocolo HTTPS com atores como Let’s Encrypt , que permitem que até o tráfego gerado por esta humilde página seja encriptado – pode em algum momento será decifrado, o que leva alguns a ficarem obcecados em capturar tudo para quando esse dia chegar. Será por causa do trânsito!

Porém, devemos propor uma visão dinâmica da tecnologia, e entender que assim que a criptografia quântica atingir uma certa maturidade, veremos a implementação, por tudo que a justifique, da criptografia pós-quântica. O chamado Dia Q é frequentemente referido como o dia do advento da quebra de código através da computação quântica e alguns, de facto, situam-no em algum momento entre o próximo ano e meados do século , mas o desenvolvimento de metodologias capazes é normalmente ignorado para resistir ao tipo de ataque imposto pela computação quântica , uma área em que já existem numerosos desenvolvimentos que não são implementados, simplesmente porque representam uma mudança complexa e ainda não são considerados necessários.

Já há alguns anos, sempre que menciono algo relacionado à criptografia, tenho que responder à pergunta sobre o que acontecerá quando a computação quântica atingir a maturidade, e minha resposta sempre foi a mesma: as tecnologias não amadurecem da noite para o dia muito menos – e, quando o fazem, por sua vez, permitem-nos confiar no seu desenvolvimento para fazer avançar todas as disciplinas relacionadas. A objeção, portanto, não é tão simples nem tão imediata. Ainda temos criptografia por um tempo.

sábado, 25 de novembro de 2023

Michael Marder


"Planets are errant stars; they fascinated the ancients because unlike other stars they did not stay put in the night sky. Humanity is an errant species; perhaps this is why it is a planetary species, dreaming of becoming interplanetary. In their wanderings, planets are nevertheless bound to stars they orbit, not to mention the gravitational fields organizing the spacetime around them. Does our errant, nearly lost, kind have any analogous bonds left?"

Michael Marder

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Conectividade - Um ensaio de Michael Marder

A Lua Cheia está a chegar e eu encanto-me com leituras sobre conectividade, ecologismo, nossa Gaia, a tecnologia e o Universo.

"O mal-estar na civilização", um livro que Sigmund Freud escreveu há quase cem anos, começa com uma consideração sobre “o sentimento oceânico”, “um sentimento de algo ilimitado, ilimitado”, “um sentimento de um vínculo indissolúvel, de ser um com o mundo externo como um todo.” Freud, que confessou ser incapaz de descobrir esse afecto em si mesmo, certamente não cunhou o termo, que apareceu pela primeira vez numa carta de 1927 de seu amigo, o escritor francês e vencedor do Nobel Romain Rolland. O que o psicanalista propõe é uma interpretação original, segundo a qual a sensação de “ser um com o mundo externo como um todo” é um sintoma de desvanecimento das fronteiras do ego, lembrando o estado de uma criança no seio materno, ainda incapaz de “ser capaz de lidar”. distinguir seu ego do mundo externo como a fonte das sensações que fluem sobre ele.”

Na fusão primária e secundária com o mundo, porém, já não existe ou ainda não existe uma relação com esse mundo: fundir-se no outro é tão prejudicial para a lógica da relacionalidade como a separação e o desapego absolutos. Será que, como resultado, relações de qualquer tipo dependem de atos cuidadosos de calibração da distância (física ou não) entre o que se relaciona e o que se relaciona? Talvez, mas esta intuição deixa escapar algo crucial sobre relações e conexões que não são posteriores aos termos inter-relacionados nem limitadas às suas aproximações positivas. É necessário cavar ou aprofundar um pouco mais para começar a entender como eles funcionam.

A textura elementar do sentimento que Rolland expressa em palavras e sobre a qual Freud expressa as suas dúvidas é importante. O sentimento oceânico dissolve, ao liquefazer, as fronteiras entre o ego e o mundo. Hoje, outro tipo de sentimento está em ascensão, o “sentimento terreno”, que é o análogo do sentimento oceânico, desta vez direcionado para a terra. Tanto os críticos do Antropoceno como os defensores da ecologia profunda ou da teoria de Gaia têm este sentimento, tingido de um misto de nojo e fascínio, repulsa e atração. Ao contrário da água, a terra é um substrato duro para a existência física, mas também é múltipla na sua unidade, combinando, acomodando todos os outros elementos na sua superfície e nas suas profundezas. Não podemos nos fundir com ele por fusão, mas podemos decair nele, tornando-nos parte dele, como resultado, que é o que acontece na morte, pelo menos de acordo com alguns ritos funerários. E também podemos obstruí-lo com materiais não decomponíveis. Qualquer que seja a nossa posição, o século XXI obriga-nos a estabelecer uma relação com a terra e a clarificar a própria lógica da relacionalidade no processo.

Como é possível calibrar a nossa relação com a Terra numa situação em que estamos simultaneamente demasiado longe e demasiado perto dela?

A dificuldade da tarefa em questão é que a inclusão imanente no rebanho terreno do ser chamado “humano” (o grego antropos) é simultaneamente perturbada e exacerbada hoje. A era das viagens espaciais, pressagiada pelo movimento intelectual conhecido como cosmismo russo, coloca-nos à distância do planeta, mesmo que nunca tenhamos saído da sua superfície. O avanço tecnológico que nos permitiu ver a Terra tal como ela é vista do espaço exterior atribui-nos o papel de observadores externos, desvinculados do planeta. Na formulação contundente de Kelly Oliver, “as fotografias da Terra vistas do espaço provocam a reação de ‘ame-a ou deixe-a’ que alimenta a ilusão de controle e domínio ao sugerir que devemos, ou podemos, escolher um ou outro, mas não ambos. ” Ninguém pode deixar de ser afetado por esta provocação; até o príncipe William opina sobre o assunto. Por outro lado, o Antropoceno, com resíduos industriais incrustados nos estratos da Terra e presentes em todos os ecossistemas do planeta, sinaliza o envolvimento inextricável dos nossos “corpos tecnológicos” transgeracionais na geofisicalidade do planeta. Como é possível calibrar a nossa relação com a Terra numa situação em que estamos simultaneamente demasiado longe e demasiado perto dela? Não será a relação da Terra connosco, em última análise, desregulamentada e irregulável, apesar de toda a ousadia da geoengenharia?

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Ervin László - A Experiência Akashica: A Ciência e o Campo de Memória Cósmica


O Dr. Ervin Laszlo é um renomeado filósofo, autor e pioneiro no campo dos estudos da consciência, que fez contribuições significativas para a nossa compreensão dos Registos Akáshicos e as suas profundas implicações para a consciência e espiritualidade humanas. Com uma carreira notável ao longo de várias décadas, o Dr. Laszlo mergulhou profundamente nos domínios da metafísica, cosmologia e teoria de sistemas, ganhando reconhecimento internacional como um dos principais pensadores em seu campo.

Nascido em Budapeste, Hungria, em 1932, o Dr. Laszlo foi exposto a uma rica tapeçaria de influências culturais e intelectuais desde tenra idade. Ele prosseguiu os estudos em filosofia, ciências naturais e música, e obteve um Ph.D. em filosofia pela Sorbonne em Paris. Ao longo da sua jornada académica, ele começou a questionar os paradigmas convencionais da ciência e a explorar as interconexões entre as dimensões física, mental e espiritual da realidade.

Uma das contribuições mais inovadoras é a sua exploração dos Registos Akáshicos, um conceito profundamente enraizado nas antigas tradições espirituais e na sabedoria coletiva da humanidade. De acordo com esse conceito, os Registos Akáshicos são um repositório energético que contém o conhecimento e as experiências de todos os seres ao longo do tempo e do espaço. Acredita-se que ter acesso aos Registos Akáshicos permite que os indivíduos se conectem com uma consciência universal, obtendo insights sobre as suas vidas passadas, desafios atuais e potenciais futuros.

Com base na sua extensa pesquisa e exploração, o Dr. Laszlo lançou luz sobre os aspectos científicos e metafísicos dos Registos Akáshicos. Ele propõe que esses registos existam como um campo não físico, uma memória cósmica que transcende o espaço e o tempo. Ele sugere que os Registos Akáshicos servem como uma fonte fundamental de informação e inspiração, acessível àqueles que estão abertos a receber a sua sabedoria por meio de estados profundos de consciência, meditação e investigação intuitiva.

O trabalho do Dr. Laszlo sobre os Registos Akáshicos teve um impacto profundo no campo dos estudos da consciência e na nossa compreensão do potencial humano. Ao reconhecer a existência e acessibilidade desse vasto reservatório de conhecimento, ele oferece um novo paradigma para o  crescimento pessoal, desenvolvimento espiritual e transformação coletiva. As suas percepções sobre os Registos Akáshicos inspiraram inúmeras pessoas a explorar as profundezas de sua própria consciência, buscando orientação, cura e um senso de propósito mais profundo.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Físico de Oxford prova que o Universo não é Real - Vivemos num Holograma Cósmico - Jude Currivan


Dr. Jude Currivan é uma cosmóloga, curadora planetária, futurista, autor e co-fundador da WholeWorld-View. Anteriormente, ela era uma das mulheres de negócios mais importantes do Reino Unido, possui mestrado em física pela Universidade de Oxford, especializado em física quântica e cosmologia, e doutorado em arqueologia antropológica pela Universidade de Reading, pesquisando cosmologias antigas. Ela viajou para quase 80 países e trabalhou com guardiões da sabedoria de muitas tradições e a sua vasta experiência e conhecimento de eventos mundiais, sistemas e tendências, levou-a a falar sobre reformas transformacionais no Reino Unido, EUA, Europa, Japão, Coréia do Sul e Australásia.

Ela é uma pesquisadora ao longo da vida na compreensão científica e experimental da natureza da realidade, integrando ciência de ponta, pesquisa sobre consciência e ensinamentos de sabedoria universal numa visão de mundo holística. Ela é autora de sete livros, sendo o mais vendido e vencedor do prémio Nautilus, The Cosmic Hologram: In-formation at the Center of Creation (2017, Inner Traditions) e The Story of Gaia: The Big Breath and the Evolutionary Journey of nosso Planeta Consciente (outubro de 2022, Tradições Interiores) e é membro do círculo dos Líderes Evolucionários. Em 2017, ela cofundou a WholeWorld-View para comunicar o paradigma emergente da realidade unificada e servir à compreensão, experiência e incorporação da consciência da unidade para capacitar a evolução consciente.

Em 2022, ela foi premiada Meshworker of the Year da Cidade Integral.

Site:

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Carlo Rovelli - o coração da ciência


O físico teórico italiano Carlo Rovelli tornou-se conhecido ao publicar "Sete Breves Lições de Física", best-seller que explica o universo com textos e abordagem acessíveis. Nesta sua participação no Fronteiras do Pensamento, ele explora o cerne da ciência, o que chama de coração. Segundo ele, é a partir do seu entendimento que compreendemos de fato o que é a ciência e o que ela significa nos nossos dias. 

O italiano Carlo Rovelli é um dos pioneiros na pesquisa sobre gravidade quântica. Graduado em Física pela Universidade de Bolonha, com doutorado e pós-doutorado pela Universidade de Pádua, é professor na Universidade Aix-Marseille e diretor do grupo de pesquisa do Centro de Física Teórica de Luminy, em Marseille na França.

Introduction to Loop Quantum Gravity - Carlo Rovelli

terça-feira, 21 de junho de 2022

Karen Barad - Imaginações Materiais


Karen Barad é uma das mais influentes referências do pensamento contemporâneo. Com formação em física, tem trabalhado na área dos Estudos Feministas, Filosofia e História da Consciência, na Universidade de Califórnia, Santa Cruz. O seu livro, Meeting the universe halfway: Quantum Physics and the Entanglement of Matter and Meaning, é um ambicioso tomo com vastas implicações para vários campos das ciências naturais, ciências sociais e humanidades. Um reflexo direto dos seus estudos, que se centram nas áreas da filosofia continental, da filosofia da física, em particular dos impactos da física quântica no pensamento e nos estudos culturais e feministas. Nesta conferência, que partirá de uma nova compreensão da materialidade, estará também em conversa Romain Emma-Rose Bigé, investigadora, curadora, escritora que improvisa com danças contemporâneas experimentais e filosofias queer e transfeministas.

Anointed, o poema visual e sonoro de Kathy Kijiner que vais ouvir de seguida, é uma escolha de Karen para abrir algumas das suas conferências.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

A Teia da Vida: Uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos - Fritjof Capra


Os cientistas estão desafiando as visões convencionais da evolução e da organização dos sistemas vivos e desenvolvendo novas teorias com implicações filosóficas e sociais revolucionárias. A vitalidade e acessibilidade das ideias de Fritjof Capra fizeram dele talvez o porta-voz mais eloquente das últimas descobertas emergentes nas fronteiras do pensamento científico, social e filosófico. 

Em seus best-sellers internacionais The Tao of Physics e The Turning Point, ele justapôs física e misticismo para definir uma nova visão da realidade. 

Em The Web of Life, Capra dá mais um passo gigantesco, estabelecendo uma nova linguagem científica para descrever inter-relações e interdependência de fenómenos psicológicos, biológicos, físicos, sociais e culturais - a "teia da vida".

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Federico Faggin - Consciousness As The Ground Of Being

Physicist Federico Faggin talks about his new theory which puts our inner experience and the desire to know ourselves at the centre of reality.

                                   

Federico Faggin is a physicist and entrepreneur who made his name – and his fortune – as the inventor of the world’s first microprocessor, the Intel 4004 chip, which is the device at the heart of all our computer technology. In his later life, he has turned his attention to the study of consciousness, and in 2011, with his wife, he founded the Federico and Elvia Faggin Foundation  which is dedicated to supporting research into its nature and origin. With Giacomo Mauro D’Ariano, he has now developed a new physical model of reality in which consciousness, not matter, is seen as the foundational principle. We have already reviewed his autobiography, Silicon, in the magazine (click here); in this interview, conducted by Richard Gault and Jane Clark via Zoom at his home in Silicon Valley, we had the chance to ask him further about his theory and its implications for our understanding of human life.

Entrevista aqui