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quinta-feira, 5 de março de 2026

Faleceu António Lobo Antunes

Morreu António Lobo Antunes (1942-2026): "Já estou coberto de glória, mas isso não interessa nada, queria era fazer livros bons"

António Lobo Antunes - o Escritor maior e grande contador de histórias
“Eu não quero nem que me compreendam, nem que me discutam, quero que apanhem os livros como quem apanha uma febre.”
Figura maior da literatura portuguesa tinha 83 anos. Entre crónicas e romances, deixa-nos uma vasta obra, com mais de 40 livros escritos entre 1979 e 2024. Venceu o Prémio Camões em 2007.
Especializou-sem em Psiquiatria na Faculdade de Medicina em Lisboa. Em 1970, foi mobilizado para o serviço militar, período que foi central na sua obra, começando pelos primeiros livros, “Memória de Elefante”, “Os Cus de Judas” e “Conhecimento do Inferno”.
A sua obra foi traduzida em várias línguas, e o escritor foi, durante décadas, apontado como candidato ao Prémio Nobel da Literatura.

António Lobo Antunes e actividade Política
António Lobo Antunes manteve, ao longo da sua vida, uma relação complexa e frequentemente crítica com a política, caracterizando-se por uma postura de independência e um ceticismo profundo em relação às instituições partidárias. Embora tenha tido momentos de aproximação, como quando integrou as listas da Aliança Povo Unido (APU) nas legislativas de 1980, o escritor rapidamente se afastou, justificando que a sua natureza individualista e rebelde era incompatível com a disciplina de qualquer partido. Mais tarde, em 1985, manifestou um apoio público à candidatura presidencial de Maria de Lourdes Pintasilgo, movido por uma convicção íntima nos seus valores. Em anos posteriores, chegou a admitir que, na falta de alternativas, o seu voto tenderia para o Partido Socialista, embora notasse com nostalgia que a força política já não era a mesma dos tempos de Mário Soares.

Para Lobo Antunes, a política era vista através de uma lente quase irracional; ele defendia que as opções políticas eram tão afetivas como as escolhas de clubes de futebol, argumentando que as ideologias tradicionais se estavam a dissolver em fórmulas caducas. Esta visão era acompanhada por uma indisfarçável antipatia pela classe política, moldada em grande parte pelo trauma da Guerra Colonial. O autor nunca perdoou os líderes que enviavam homens para o combate sem nunca terem vivido o horror da guerra. No plano social, as suas posições foram igualmente marcantes: causou polémica ao defender o Iberismo — a ideia de que Portugal e Espanha deveriam ser um só país — e utilizou frequentemente a sua voz para denunciar a pobreza, a desigualdade social e o abandono da classe média, que considerava serem as verdadeiras raízes da violência na sociedade. 

Recordo-me bem destas entrevistas: Por Outro Lado: 2001 e 2006

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Black Swan Lane - Slip

I’ll never forget. 
What’s in your mind. 
It makes me blind. 
It makes me high. 
An infinite love. 

I cannot change. 
An infinite life. 
It makes me blind. 
It gets me high. 

Filmed in Turin, Manchester and Atlanta
Terry McGarry é a personagem principal do vídeo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Adrian Borland - We are the night


We were born in the barren day
Grew in the city like wild flowers
Between the concrete and through the clay
We saw a love and made it ours

You take me to my dreams
We leave the world behind
It's never understood
How we are the night

We're the life they'll never choose
We're the road they must refuse
We're the colours they'll never see

We're the moon and the stars
The moon and the stars
We are the night


"We Are the Night" é a 10ª faixa do quarto álbum solo de Adrian Borland, intitulado Cinematic (1996).

O Significado da Canção: Identidade e Refúgio
O título e a letra sugerem uma celebração (ou um lamento) sobre aqueles que não se encaixam na luz do dia, nas regras sociais ou na "normalidade" produtiva.

1. Solidariedade na Solidão
Quando Borland canta "Nós somos a noite", ele está criando uma conexão com os marginalizados, os sonhadores e os melancólicos. É uma declaração de pertencimento para quem se sente deslocado sob o sol. A noite não é vista como algo assustador, mas como um manto protetor.

2. A Luta Interna
É impossível separar a obra de Adrian Borland de sua saúde mental. Ele sofria de transtorno esquizoafetivo, e muitas de suas letras refletem a oscilação entre a clareza e a escuridão. "We Are the Night" pode ser interpretada como a aceitação de que a sombra faz parte da sua identidade.

3. Fuga da Realidade
A letra evoca a ideia de que a noite apaga as distinções e as pressões do mundo real. No escuro, as falhas são menos visíveis e a imaginação tem mais espaço para respirar. É um hino ao romantismo sombrio.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Unkle feat. Moby - God Moving Over The Face Of The Waters

O vídeo em questão, intitulado "UNKLE feat. Moby - God Moving Over The Face Of The Waters", é uma montagem que combina a música de Moby com cenas de um dos filmes mais icónicos do ano 2010, resultando numa fusão entre música eletrónica e cinema.

Significado da Canção
A música "God Moving Over The Face Of The Waters" foi composta por Moby para o seu álbum Everything Is Wrong (1995) e tornou-se famosa mundialmente como o tema de encerramento do filme Heat.

Título e Espiritualidade: O título é uma referência bíblica direta ao livro do Génesis 1:2 ("...e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas").

Interpretação de Moby: Moby descreveu a canção como a sua favorita, afirmando que a compôs com uma visão da criação — um estado de vazio e escuridão antes de algo novo surgir. Musicalmente, a mistura de arpejos de piano delicados com sintetizadores orquestrais simboliza a dualidade entre a luz e a escuridão, a esperança e a tristeza.

Quem é UNKLE?
No contexto deste vídeo específico, UNKLE aparece como o responsável pela mistura ou edição sonora. Fundado por James Lavelle em 1994, o UNKLE é um projeto britânico de música eletrónica e trip-hop conhecido por colaborar com grandes artistas (como Thom Yorke, DJ Shadow e o próprio Moby).

Conexão com o Cinema: O UNKLE tem uma relação profunda com o cinema. Neste caso, o UNKLE atua como um curador audiovisual. James Lavelle (o fundador) sempre teve a visão de que o UNKLE não é apenas uma banda, mas uma experiência estética. Ao colaborar com Ross Cairns, eles pegam em "Elite" (2010) um filme que por si só já é uma obra de arte sobre a condição humana - e dão-lhe uma nova camada emocional através da música.

Ao unir as imagens de "Elite" (violência pura, esforço físico e dor) com esta música espiritual, o vídeo representa a beleza no sofrimento.Os golpes são reais. O filme é um retrato visceral de boxeadores de "bare-knuckle" (combate sem luvas) e lutadores profissionais. Cairns utilizou câmaras de alta velocidade (Phantom) para captar o impacto real dos punhos no rosto, a ondulação da pele e o suor, criando uma estética crua e hipnótica Os "socos genuínos" tornam-se metáforas para as pancadas da vida, enquanto a música de Moby sugere uma elevação espiritual ou superação através dessa dor.

Este vídeo é considerado por muitos fãs como a união perfeita entre a estética da dor e a euforia sonora.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Nick Cave And The Bad Seeds - All Tomorrow's Parties


Versão ainda mais dramática que a original The Velvet Underground & Nico - All Tomorrow's Parties, de 1966.

All Tomorrow's Parties
The Velvet Underground

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties
And where will she go, and what shall she do
When midnight comes around
She'll turn once more to sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties
And what will she do with thursday's rags
When monday comes around
She'll turn once more to sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
For thursday's child is sunday's clown
For whom none will go mourning

A blackened shroud
A hand-me-down gown
Of rags and silks - a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties

Solidão e máscaras sociais em “All Tomorrow's Parties”
Em “All Tomorrow's Parties”, do The Velvet Underground, a repetição da pergunta “And what costume shall the poor girl wear to all tomorrow's parties” (“E que fantasia a pobre garota usará em todas as festas de amanhã”) destaca a angústia sobre identidade e pertencimento. A música faz referência ao ambiente das festas da Factory de Andy Warhol, conhecidas por reunir pessoas excêntricas e outsiders. A “pobre garota” representa tanto figuras reais, como Darryl (citada por John Cale), quanto qualquer pessoa marginalizada que tenta se encaixar em um meio marcado por aparências e expectativas sociais. O trecho “hand-me-down dress from who knows where” (“vestido usado, vindo sabe-se lá de onde”) reforça a sensação de exclusão e vulnerabilidade dessa personagem.

O tom melancólico da canção se intensifica com a imagem da garota que, ao fim das festas, “turns once more to sunday's clown and cry behind the door” (“volta mais uma vez ao palhaço de domingo e chora atrás da porta”). O “clown” funciona como metáfora para a máscara social que ela precisa usar, escondendo sua solidão e tristeza sob a superfície festiva. A alternância entre “thursday's rags” (“trapos de quinta-feira”) e “yesterday's gowns” (“vestidos de ontem”) sugere um ciclo de tentativas frustradas de renovação, onde o passado e a precariedade sempre retornam. O verso “For thursday's child is sunday's clown, for whom none will go mourning” (“Pois a criança de quinta-feira é o palhaço de domingo, por quem ninguém vai lamentar”) reforça o anonimato e o desamparo da personagem. Assim, a música faz uma crítica à superficialidade e à efemeridade das relações sociais, especialmente em ambientes artísticos e boémios, onde a busca por aceitação muitas vezes esconde solidão e sofrimento.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Consenso Imigração



A polarização e fratura que o tema da imigração tem provocado na sociedade portuguesa precisa de ser revertido. Precisamos de encontrar o "caminho do meio", uma abordagem equilibrada, capaz de mobilizar um consenso alargado, de uma política de imigração humanista e realista.

É necessário deixarmo-nos de agredir mutuamente e, pior ainda, de usar os imigrantes para o combate politico-partidário. Haverá caminhos para nos unirmos no essencial e para dialogar sobre as diferenças de perspetivas e negociar pontos de convergência. Esta iniciativa que mobiliza várias pessoas, no seu núcleo fundador, entre os quais os últimos 4 Altos-comissários para a Imigração, irá fazer o seu caminho e procurará ser parte da solução.

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Carta de Princípios do “Consenso Imigração”

Num tempo marcado por discursos de medo, de simplificações e generalizações perigosas e de crescente polarização em torno do fenómeno migratório, afirmamos a necessidade urgente de construir um espaço de pensamento, diálogo e propostas que recupere o valor do consenso informado, da dignidade humana e da convivência intercultural.
Portugal, além de ser historicamente um país incontornavelmente ligado a dinâmicas migratórias de entrada e de saída, enfrenta hoje uma crise demográfica com acentuado envelhecimento da população e necessidades de mão de obra cruciais para o contínuo desenvolvimento da nossa economia e desenvolvimento social.

O “Consenso Imigração” nasce como um espaço de reflexão da sociedade civil, enquanto expressão plural e independente, reunindo pessoas e instituições, a partir de uma significativa diversidade política e ideológica, comprometidas com uma visão positiva, realista e humana da imigração em Portugal — uma visão que reconhece os desafios, mas não ignora os contributos, as histórias e o potencial transformador da diversidade para a criação de uma comunidade com futuro.
Esta Carta de Princípios orienta o nosso trabalho coletivo.

1.⁠ ⁠Dignidade Humana como fundamento
Afirmamos o respeito pelo princípio de direitos humanos universais e da dignidade de todas as pessoas, independentemente da sua origem, nacionalidade, religião, nível socioeconómico, características étnico-raciais ou estatuto migratório. Recusamos a instrumentalização da imigração para fins políticos ou eleitorais.

2.⁠ ⁠Conhecimento rigoroso como base para a ação
Defendemos que o debate público sobre imigração deve assentar em dados fiáveis, investigação científica e análise crítica. Combater a desinformação, em todas as esferas, seja nas redes sociais, na comunicação social ou na interação direta com as comunidades é um imperativo ético e democrático.

3.⁠ ⁠Combate à polarização e compromisso com o diálogo e o consenso
Assumimos o compromisso de promover o diálogo construtivo, ouvindo diferentes perspectivas e rejeitando a lógica dos extremos. O consenso não é ausência de debate — é a procura honesta de pontos comuns para soluções sustentadas.

4.⁠ ⁠Valorização da contribuição dos Migrantes
Reconhecemos e tornamos visíveis os contributos sociais, económicos e culturais das pessoas migrantes para o desenvolvimento do país. A imigração legal, se bem gerida nos seus fluxos e devidamente integrada, não é uma ameaça — é uma oportunidade de desenvolvimento para o país, que exige políticas públicas justas, realistas e inclusivas.

5. Encontrar respostas para as preocupações da sociedade de acolhimento
Compreendemos que, em momentos de crescimento rápido do número de imigrantes, podem emergir incertezas e receios. Integramos e respeitamos esse sentimento. Dialogaremos para a procura de soluções que, no quadro do respeito pela lei e pela dignidade humana, promovam um bem-estar comum, gerador de tranquilidade e um sentimento de fraternidade e de diálogo entre todos, autóctones e imigrantes.

6. Recusa da generalização e da culpabilização coletiva
Comportamentos incorretos ou ilegais podem existir em qualquer grupo social - autóctones ou imigrantes, crentes ou não-crentes, caucasianos ou negros, pessoas de direita ou de esquerda, pobres ou ricos. Porém, isso não pode culpabilizar, nem caracterizar todo um grupo por alguma ação de um indivíduo.
Recusamos a estigmatização coletiva. Não se pode confundir a árvore com a floresta.

7. Compromisso com a coesão social e a inclusão, sem discriminação.
Defendemos a convivência baseada no respeito mútuo entre pessoas de diferentes origens e culturas, combatendo todas as formas de racismo, xenofobia, aporofobia e exclusão. A integração é um processo bidirecional que exige responsabilidade individual e coletiva.

8. Responsabilidade partilhada e Governança colaborativa
Entendemos que as questões migratórias são um desafio nacional e europeu, que exigem uma resposta articulada entre o Estado, as autarquias, o setor empresarial, a sociedade civil e as comunidades migrantes. Neste contexto, sublinhamos o papel da sociedade civil organizada, com a participação ativa e ampla dos cidadãos, como contributo relevante e urgente. Ninguém está dispensado desta responsabilidade. Cada tem um papel a desempenhar na construção das soluções necessárias.

9 . Esperança como horizonte político
Recusamos a política do medo e do ressentimento. Escolhemos a esperança como horizonte para pensar e construir um país mais justo, inclusivo e preparado para os desafios do século XXI, em que se constrói, todos os dias, o futuro que desejamos.
Assumimos estes princípios como guia para as nossas intervenções públicas, investigações, propostas e parcerias. O “Consenso Imigração” está aberto à participação de pessoas e entidades que partilhem esta visão e desejem contribuir para um debate mais responsável e construtivo sobre imigração em Portugal.

Lisboa, 16 de Junho de 2025

Catarina Marcelino (ex-Sec. Estado da Igualdade)
Catarina Reis Oliveira (ex-Coordenadora do Observatório das Migrações)
Eugénia Quaresma (Dir. Obra Católica Portuguesa das Migrações)
Francisca Assis Teixeira (ex-Diretora Centro Nacional de Apoio ao Imigrante)
Lucinda Fonseca (Professora universitária, Especialista em Migrações)
Paulo Mendes (ex-Presidente da AIPA – Associação Imigrantes dos Açores)
Pedro Calado (Ex-Alto-Comissário para as Migrações)
Rosário Farmhouse (ex-Alta-Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural)
Rui Marques (ex-Alto-Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural)
Sónia Pereira (ex- Alta Comissária para as Migrações)

terça-feira, 12 de abril de 2022

Seminário: Aporofobia- um termo que não tem fronteiras

No passado dia 7 de abril, durante a semana da interculturalidade, foi realizado um seminário pela EAPN Portugal sobre a Aporofobia. O seminário contou com presença do presidente da EAPN Portugal, EAPN Espanha entre outros oradores.

O Seminário teve como objetivo informar sobre este termo e promover o trabalho em rede de forma a fomentar respeito pela diversidade e interculturalidade.

O que é a Aporofobia?
Criado e desenvolvido pela escritora e filósofa Adela Cortina, aporofobia define o ódio aos indigentes e a aversão aos desfavorecidos. Proveniente de duas palavras gregas: “áporos”, o pobre, o desamparado, e “fobéo”, que significa temer, odiar, rejeitar, aporofobia é um termo notado no discurso publico.

De acordo com o presidente da EAPN Portugal, Jardim Moreira “A aporofobia não tem fronteiras às pessoas refugiadas, incapacitáveis, imigrantes (..) o seu discurso de ódio afeta todos.”

Porque é que a Aporofobia deve ser um tema a abordar?
No seminário, Elizabeth Santos do Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza mencionou a importância de medidas contra a aporofobia através de uma infografia com dados relacionados com este tema, tais como:
  1. Em 2019, 67% da população portuguesa considera que a discriminação com base na origem étnica é comum ou muito comum no seu país;
  2. Em 2019, 17% da população portuguesa ficaria desconfortável se tivesse contacto diário com colegas de trabalho de etnia cigana;
  3. Em 2020, cerca de 655 queixas foram recebidas pela Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial.
Entre outros…

Através desta infografia, Elizabeth Santos concluiu que existe uma “Tendência para representações sociais negativas sobre as causas da pobreza, predominando explicações de cariz individual em detrimento do social. (…) reproduz estereótipos: não quer trabalhar; vive à custa de subsídios, é manipuladora etc… “e umas das suas recomendações foi a “Promoção de espaços de reflexão interna, em equipa, entre todos os colaboradores e instituições”.

Analisando os dados da infografia, que pode aceder aqui, poderá ver mais informações relevantes sobre este tema.

Algumas campanhas contra a Aporofobia
Foram apresentadas várias campanhas contra a aporofobia:

“O DISCURSO DE ÓDIO NÃO É ARGUMENTO. #DARAVOLTAAOTEXTO #EAPN”

– Em 2021, a EAPN Portugal lançou, no âmbito da Semana da Interculturalidade, uma campanha nacional, contra o discurso do ódio, sob o lema “O Discurso de Ódio não é Argumento. #Daravoltaao texto #EAPN”.

Saiba mais sobre a campanha aqui.

#ContraAporofobia da EAPN Espanha

Lançada em Espanha em 2019, a campanha pretendeu incentivar os cidadãos a assumirem um compromisso social, no combate à pobreza e à exclusão social, através de entidades sociais que servem grupos que se encontram em situação de exclusão.

Pode ficar a conhecer mais sobre esta campanha aqui.

O seminário concluiu com um apelo aos técnicos para refletirem em formas de combater este tema e respeitar as várias comunidades que vivem no país.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Documentário: Plantar pobreza, el negocio forestal en Chile

As plantações de pinheiros e eucaliptos, as fábricas de celulose e todas as infraestruturas rodoviárias e portuárias que as suportam são elementos que, embora formem a engrenagem de um negócio substancial e exclusivo, representam a exploração dos territórios que ocupam e o empobrecimento das suas comunidades.

Atualmente, as áreas que albergam plantações e fábricas de celulose não oferecem condições de habitabilidade aos seus moradores, obrigando-os a migrar e deixando os espaços anteriormente utilizados para a produção ou recolha de alimentos e para a conservação florestal inteiramente à disposição da indústria florestal. Prova desta realidade é que as comunidades apresentadas como tendo uma "vocação florestal" apresentam taxas de migração e de pobreza que ultrapassam a média nacional.

Contudo, todo este processo foi moldado pela subserviência  das autoridades no poder. Desde a ditadura militar aos governos civis, todos defenderam este sector empresarial, apelidando a abertura de novas áreas de extracção e serviços para a indústria florestal de "desenvolvimento", referindo-se às plantações florestais como "florestas" e apelidando a imposição da vontade corporativa através da repressão e do terrorismo de Estado de "Estado de Direito".

"Plantar a Pobreza" procura contribuir para a compreensão do processo de expansão desta indústria e dos seus efeitos a diferentes escalas. Sem se limitar a documentar desastres e miséria, "Plantar a Pobreza" demonstra a possibilidade de inverter as condições criadas pelo sector florestal, através dos testemunhos de comunidades marginalizadas que desenvolvem iniciativas de restauração florestal, recuperação hídrica e soberania alimentar.

Nós, que vivemos neste território, deparamo-nos com um falso dilema: "Ou existem empresas florestais ou existe pobreza". Na realidade, constatamos que o nosso empobrecimento se agravou com a expansão destas empresas. Hoje, a recuperação do nosso território é essencial para a nossa sobrevivência, e não pode haver dúvidas: a indústria florestal precisa de ir embora e devem ser implementadas políticas de recuperação ambiental e social. O documentário "Plantar a Pobreza" procura contribuir para esta luta.