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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Dia Mundial do Refugiado - Ahmad Joudeh Dance


Ahmad Joudeh é um bailarino e coreógrafo holandês. Ele nasceu e foi criado como refugiado apátrida na Síria. Mudou-se para a Holanda com a ajuda da Companhia Nacional Holandesa de Ballet em 2016. Atualmente atua internacionalmente como artista. Em 2021, obteve a cidadania holandesa.

É importante celebrarmos o Dia Mundial do Refugiado porque as pessoas precisam de perceber o que os outros estão a passar e parar de tratar mal as pessoas consideradas refugiadas. Guerras, conflitos e outras dificuldades podem destruir a realidade de uma criança nos dias de hoje. Podemos ajudá-las a salvar o seu futuro.

Gostava que não ouvíssemos a palavra "refugiado" o tempo todo. A rotulagem tem um impacto enorme. Eu cresci a ser chamado de "refugiado" o tempo todo. O que é um "refugiado"? Como pode uma criança pequena compreender o conceito de "refugiado"?

As crianças não compreendem o que está a acontecer se elas e as suas famílias precisam de fugir e estão em constante movimento. E não conseguem perceber se vivem noutro país e continuam a ser chamadas de "refugiadas". Até quando uma pessoa pode ser considerada "refugiada"?

É a complexidade da pertença. As pessoas apoiam-se em rótulos para criar uma divisão, para fazer com que os outros pareçam inferiores e excluí-los sistematicamente.

Como podemos ser tão cruéis e deixar uma criança crescer sentindo que nunca pertence a lado nenhum? Que nunca se sentirá em casa e que não se poderá sentir segura.
Uma mudança não pode começar com ações de sistemas ou governos, mas precisa de começar na mente das pessoas.

As pessoas devem começar a reparar na forma como se olham e se tratam. Para isso, cada pessoa precisa de começar por si própria.
Entrevista aqui

Dia Mundial dos Refugiados - cortes brutais na ajuda humanitária estão a sufocar a assistência

UN High Commissioner for Refugees Filippo Grandi greets women and children returning to Syria from Lebanon on a bus at the Jdeidat-Yabous border crossing.

As Nações Unidas criticaram hoje, no Dia Mundial dos Refugiados, os cortes destinados à ajuda humanitária que põem em risco as 122 milhões de pessoas obrigadas a encontrar proteção longe dos locais de residência.

O responsável máximo pelo Alto Comissariado nas Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, lamentou em comunicado a incapacidade que se regista na solução dos conflitos e que provocou um aumento sem precedentes do número de refugiados de guerra em todo o mundo: 122 milhões.

Em concreto, Grandi referiu-se aos conflitos no Sudão, Ucrânia, República Democrática do Congo e Gaza. 

"Para piorar uma situação desesperada, os cortes brutais na ajuda humanitária estão a sufocar a assistência, ameaçando a vida de milhões de pessoas que precisam desesperadamente de ajuda", alertou o responsável pelo ACNUR na mensagem que assinala o Dia Mundial dos Refugiados.

O alto-comissário disse ainda que é importante reafirmar a solidariedade para com os refugiados com ações urgentes.

Por outro lado, demonstrou esperança em exemplos que disse serem inspiradores - que não especificou - de países localizados nos limites de zonas de guerra que continuam a acolher e a proteger refugiados.

"Os inúmeros atos individuais de bondade e compaixão (...) revelam a humanidade comum", afirmou sem detalhar. 

No mesmo documento, Filippo Grandi referiu que se encontra na Síria, onde após 14 anos de "crise e desespero" (guerra civil), dois milhões de pessoas já decidiram regressar.

No caso da Síria, Grandi referiu que existe esperança em relação à situação dos refugiados, tratando-se de uma oportunidade que deve ser aproveitada.  

Segundo Grandi, trata-se de momentos que são apenas possíveis graças à solidariedade demonstrada pelos países vizinhos da Síria, que proporcionam refúgio às pessoas.

O responsável da agência das Nações Unidas elogiou as comunidades sírias que estão a acolher os compatriotas com o apoio de instituições como o ACNUR e "parceiros locais e internacionais".

"Neste Dia Mundial dos Refugiados e todos os dias, os governos, as instituições, as empresas e os indivíduos podem provar que, ao ajudar as pessoas apanhadas em conflitos sem sentido, podem vir a alcançar estabilidade, humanidade e justiça", disse Grandi. 

Marcelo alia-se à ONU e pede solidariedade para com refugiados em Portugal
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou hoje que "este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal", pedindo ações nesse sentido e rejeitando "visões egoístas da comunidade". 

Numa mensagem publicada no 'site' oficial da Presidência da República, a propósito do dia mundial do refugiado, o chefe de Estado salienta que "a persistência e o agravamento dos conflitos, a crise climática, as complexas e perigosas inter-relações entre estes problemas, bem como os recentes cortes na ajuda humanitária forçam, neste ano de 2025, mais de 122 milhões de pessoas a abandonarem as suas casas em busca de segurança e proteção". 

Realçando que a Organização das Nações Unidas (ONU) pede solidariedade para com os refugiados, o Presidente da República português associa-se a este apelo. 

"Este é o momento para demonstrar solidariedade para com os refugiados que procuram Portugal, honrar as suas histórias e mostrar apoio inabalável à sua situação", lê-se na mensagem. 

O chefe de Estado português avisa que esta solidariedade expressa-se "por ações, entre as quais a criação de condições condignas de acolhimento e a promoção de políticas de proteção".

"Só assim se poderá priorizar um princípio de humanidade compartilhada, em detrimento de visões egoístas da comunidade", acrescenta. 

Ler mais:
«Não é para vocês»: abrigos israelitas excluem palestinianos enquanto as bombas caem

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Guerra e violência mantêm 122 milhões deslocados em todo o mundo


Cerca de 122,1 milhões de pessoas vivem longe de casa em todo o mundo devido a guerras, violência e perseguições, um recorde que quase dobra o número de 2015, indica um relatório publicado hoje pela ONU.

Conflitos como os de Myanmar (antiga Birmânia), Sudão e Ucrânia continuam a ser os principais responsáveis por esta deslocação forçada, que inclui mais de 42,7 milhões de refugiados em países que não o de origem e 73,5 milhões de deslocados internamente, de acordo com o relatório da agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Destes refugiados e deslocados internamente, 40% são menores de idade e 7% têm mais de 60 anos.

Os números recorde, atualizados até abril, surgem num contexto de "relações internacionais voláteis" e de conflitos marcados por um enorme sofrimento para os civis, afirmou o Alto Comissário do ACNUR, Filippo Grandi, no lançamento do relatório.

De acordo com o documento, a Síria deixou de ser o país com mais refugiados e deslocados em todo o mundo (13,5 milhões), tendo sido ultrapassada pelo Sudão, com 14,3 milhões de pessoas deslocadas pela guerra civil.

O Afeganistão ocupa o terceiro lugar, com 10,3 milhões de deslocados, e a Ucrânia a quarta posição, com 8,8 milhões.

Em termos de refugiados em outros países, as quatro nações mencionadas tenham cada uma um número semelhante, cerca de seis milhões.

Em termos de países de acolhimento, o Irão ocupa o primeiro lugar, com 3,8 milhões de refugiados, na maioria afegãos, seguindo-se a Turquia (3,1 milhões, na maioria sírios), Colômbia (2,8 milhões, principalmente da Venezuela), Alemanha (2,7 milhões) e Uganda (1,7 milhões).

Em termos relativos, o Líbano lidera a lista, com um refugiado em cada oito habitantes, seguido do Chade e da Jordânia, onde a proporção é de um refugiado em cada 16 pessoas.

O relatório do ACNUR inclui ainda estatísticas relativas aos países que recebem mais pedidos de asilo, uma lista encabeçada pelos Estados Unidos (729 mil só na primeira metade de 2024), seguidos do Egito (433 mil para todo o ano), Alemanha (229 mil), Canadá (174 mil) e Espanha (167 mil, muitos deles colombianos, venezuelanos e ucranianos).

Numa perspetiva positiva, 9,8 milhões de pessoas - um número notavelmente mais elevado do que noutros anos - regressaram a casa em 2024, incluindo dois milhões de sírios, um número que deverá aumentar acentuadamente em 2025, na sequência da queda do regime de Bashar al-Assad, no final do ano passado.

Embora o regresso de deslocados seja, em princípio, uma notícia positiva, o ACNUR observa que, em alguns casos, ocorreram num contexto adverso para estas populações, como é o caso do grande número de afegãos que estão a ser forçados a voltar ao país, ainda abalado pela violência, a partir dos vizinhos Irão e Paquistão.

O ACNUR recorda no relatório que, contrariamente à perceção em muitos países desenvolvidos, 60% das pessoas deslocadas à força não abandonam o país de origem e que, dos refugiados que o fazem, dois em cada três vivem em países vizinhos e três em cada quatro em economias em desenvolvimento.

A agência da ONU alertou ainda para o facto de que, embora o número de deslocados no mundo tenha quase duplicado em relação aos 65 milhões contabilizados em 2015, o financiamento da agência permanece quase ao mesmo nível, "num contexto de cortes brutais na ajuda humanitária".

Embora o relatório não detalhe esses cortes, fontes internas da agência indicaram nos últimos meses que, na sequência do congelamento das contribuições dos EUA, um dos seus principais contribuintes, a agência foi forçada a reduzir o pessoal em todo o mundo em cerca de 30%.

Perante este cenário, a agência para os refugiados insta os dadores a continuarem a financiar os programas de assistência aos refugiados e deslocados, "um investimento essencial para a segurança regional e mundial".

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Mensagem Secretário-geral sobre os Glaciares da Região do Monte Evereste


Alerta climático!
No Nepal, o secretário-geral das Nações Unidas envia uma mensagem para o mundo:
“Os telhados do mundo estão a desabar."

O Nepal perdeu cerca de um terço do seu gelo em pouco mais de 30 anos e os glaciares estão a derreter a um ritmo recorde.
O facto de os glaciares do Nepal terem derretido 65 % mais depressa na última década do que na anterior "significa que podemos estar perante uma tragédia: o desaparecimento total dos glaciares.”

Por isso, António Guterres apela ainda: "Os glaciares estão a recuar, mas nós não podemos. Temos de acabar com a era dos combustíveis fósseis. Temos de agir agora para proteger as pessoas que estão na linha da frente. E para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC, para evitar o pior do caos climático. O mundo não pode esperar.”

terça-feira, 20 de junho de 2023

Dia Mundial do Refugiado - Salvar vidas não é um crime


Kokoschka nasceu no Império Áustro-Húngaro, no dia 01.03.1886 em Pöchlarn, filho de um ourives.
Em 1910 muda-se de Viena para Berlim, por rejeitar o Jugendstil. Esta cidade  era mais aberta às novidades que a sua amada Viena.
Depois da morte de sua mãe, em 1934, exila-se em Praga por razões políticas, lá conhece Olga Palkovska, com quem contraiu matrimónio.
Em 1938, devido à ocupação nazi da Checoslováquia, abandonou o seu estúdio na Moldávia . O austríaco foi classificado pelos nazis como um daqueles pintores degenerados que o regime de Hitler abominava.
Mais uma vez, Oskar Kokoschka teve que abandonar a sua vida e recomeçar outra vida noutro país e foge com a sua mulher para Londres. Em 1946 recebeu a cidadania inglesa.
Kokoschka ainda trocaria de pouso uma última vez.
Em 1953, estabelece-se em Villeneuve, Suíça, onde passa os últimos 27 anos de sua vida. Faleceu no dia 22 de fevereiro de 1980.
Oskar Kokoschka foi um excelente pintor, poeta, dramaturgo e pacifista.

Site:

sábado, 3 de junho de 2023

EUA e Reino Unido são «obstáculos à paz» no Iémen


«Washington e Londres estão a perturbar activamente as negociações políticas iemenitas-sauditas», escreve o diário Al-Akhbar na sua edição de ontem.

De acordo com o periódico libanês, EUA e Reino Unido estão a tentar «obstruir todos os esforços que podiam conduzir à paz e colocam entre as suas primeiras considerações o interesse de Israel».

Este «interesse israelita» é a razão pela qual a Arábia Saudita tem estado a «adiar» os acordos que fez com Saná, que incluem o levantamento de todos os bloqueios e o pagamento dos salários aos funcionários, revela o jornal.

Isto, em conjunto com o envolvimento norte-americano e britânico, visa manter o Iémen num «estado sem guerra, mas sem paz».

«Os líderes políticos no Iémen sabem desde o início que… Riade é incapaz de cumprir os termos do acordo e… acabar com as repercussões da guerra devido aos interesses regionais divergentes», disseram as fontes que o periódico cita, acrescentando que, «por mais que concordem em minar a independência e soberania do Iémen», os membros da coligação «estão em conflito uns com os outros».

Neste sentido, explica que os interesses sauditas divergem hoje bastante dos dos Emirados Árabes Unidos, das potências ocidentais e de Israel.

De acordo com Al-Akhbar, a Arábia Saudita – que liderou a brutal guerra de agressão contra o vizinho do Sul desde Março de 2015 – está interessada em acabar a guerra e em sair do «pântano iemenita».

Já os Emirados Árabes Unidos pretendem manter a ocupação dos portos e campos petrolíferos do Iémen, bem como a ocupação das vias fluviais e, em particular, das ilhas, nomeadamente o arquipélago de Socotra, onde os emiradenses têm vindo a trabalhar com Israel para as transformar em centros conjuntos militares e de inteligência.

Isto está em linha com os interesses norte-americano e israelita em aumentar a sua influência no Mar Vermelho, sendo que Israel, segundo o periódico, está particularmente interessado no Estreito de Bab al-Mandab, que considera uma «artéria vital» para o comércio com o Oriente e um elemento central para fazer alastrar a sua influência no Corno de África.

Além disso, refere a publicação, os serviços de segurança israelitas manifestam preocupação com a capacidade do movimento Ansarullah para atingir Israel com mísseis.

Em várias ocasiões, o Conselho Supremo Político do Iémen acusou os EUA e o Reino Unido de fomentarem a guerra de agressão contra o país.

Esta semana, os dirigentes Hutis, que acusaram Washington de «ter obstruído a paz em diferentes períodos», afirmaram que os norte-americanos «estão a minar os esforços da mediação de Omã para pôr fim à agressão».

Segundo refere a cadeia iemenita al-Masirah, nos últimos tempos, as visitas de enviados norte-americanos a zonas ocupadas do Iémen e a Riade intensificaram-se, com o intuito de «abortar» a aproximação entre Riade e Saná.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Guerra no Iémen faz 11 milhões de crianças precisarem de ajuda humanitária


O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lançou um alerta sobre a precária situação das crianças após oito anos de guerra no Iémen.

O agravamento do conflito, o fracasso económico do país e o desmonte de serviços essenciais lançaram mais de 11 milhões de menores numa situação desesperadora à espera de assistência humanitária urgente.

Em comunicado, a agência da ONU informa que milhões de crianças iemenitas estão sob risco de mal nutrição, e mais de 540 mil sofrem de forma aguda correndo risco de morte caso não receba tratamento urgente.

A Unicef explica que a vida de milhões de menores continua sendo massacrada pela guerra sem fim. O representante da agência no Iémen, Peter Hawkins, lembrou que mais de 11 mil crianças ficaram seriamente feridas pelo conflito entre março de 2015 e novembro passado.

O número de menores recrutados para o combate ultrapassa 4 mil.

Segundo a agência, houve mais de 900 ataques a instalações de saúde e educação assim como uso desses locais para fins militares.

A ONU afirma que oito anos de conflito, desespero e luto também colocaram 8 milhões de iemenitas na lista de espera para serviços de assistência psicossocial e de saúde.

Muitas famílias estão perdendo as crianças para o combate e o casamento infantil.

Os dados indicam que mais de 2,3 milhões de menores ainda estão vivendo em acampamentos de deslocados internos com acesso inadequado a serviços básicos de saúde e higiene.

O representante do Unicef diz que os oito anos do conflito levaram muitos a perder as esperanças. Várias crianças estão crescendo no meio da guerra e sem acreditar em dias melhores ou num futuro de paz.

A agência da ONU está pedindo US$ 484 milhões para continuar a salvar vidas neste ano.

Se não receber a quantia, o Unicef diz que será forçado a diminuir a assistência a crianças que precisam.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

ONU considera "horríveis" declarações de ministra britânica sobre migrantes

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, considerou hoje “horríveis” as recentes declarações da ministra do Interior britânica, Suella Braverman, que evocou uma “invasão” de requerentes de asilo no Reino Unido.


No início da semana, Braverman provocou indignação quando descreveu o número recorde de pessoas que procuram asilo no país como uma “invasão”.

Questionado sobre os comentários, Türk disse que tais palavras não eram admissíveis e alertou contra a desumanização dos migrantes.

“Invasão. Palavra horrível”, disse o novo alto comissário da ONU durante a sua primeira conferência.

“Estou feliz que tenha havido uma reação forte na Grã-Bretanha a esse uso da palavra”, salientou.

Türk lembrou que quando era o número dois na agência de refugiados da ONU (ACNUR) durante a crise migratória de 2015-2016 na Europa era precisamente “o tipo de palavras e linguagem desumanizantes” que ouviu de políticos europeus.

O alto comissário da ONU disse estar preocupado com o reaparecimento desse tipo de linguagem.

“Nós temos de trabalhar com firmeza para que não se intoxique questões que preocupam os seres humanos”, apontou.


Dados divulgados pelo Ministério da Defesa indicam que entre as 00:00 de sexta-feira e sábado, 990 pessoas foram detetadas a tentar atravessar o Canal da Mancha da França para o Reino Unido em 24 pequenas embarcações.

O número de pessoas que arriscam a perigosa viagem através de uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo aumentou acentuadamente nos últimos anos.

Só este ano chegaram ao Reino Unido 40.000 pessoas, contra 28.000 em todo o ano de 2021 e 8.500 em 2020. Dezenas de pessoas morreram a tentar, incluindo 27 em novembro de 2021, quando um barco em que viajavam virou.

Ainda assim, o Reino Unido recebe menos requerentes de asilo do que outros países europeus, incluindo França e Alemanha.

Reino Unido e França têm discutido sobre como deter os grupos organizados de tráfico de pessoas e reforçaram os meios de controlo, mas não estão de acordo sobre como fazê-lo.

O governo Conservador britânico anunciou um plano controverso para enviar pessoas que chegam em pequenos barcos para o Ruanda, onde os pedidos de asilo seriam processados.

Os críticos dizem que o plano é imoral e impraticável, estando atualmente suspenso enquanto é contestado nos tribunais.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Anunciados os laureados com o Prémio Nansen de Refugiados 2022


O ACNUR, Agência das Nações Unidas para os Refugiados, anunciou dia 4 de outubro os laureados com o Prémio Nansen de Refugiados de 2022.

Em 2022, assinala-se um século desde que Fridtjof Nansen - o primeiro Alto Comissário para os Refugiados - recebeu o Prémio Nobel da Paz, em 1922, pelos seus esforços para repatriar prisioneiros de guerra e para proteger milhões de refugiados deslocados pelo conflito, revolução e colapso dos Impérios Romanov, Otomano e Austro-Húngaro.

Passaram também 100 anos desde a criação do passaporte Nansen, um documento de identidade para refugiados, muitos deles apátridas, que também permitiu aos seus titulares atravessarem as fronteiras em busca de trabalho.

Todos os anos, o Prémio Nansen de Refugiados - com o nome do explorador, cientista, diplomata e humanitário norueguês Fridtjof Nansen - é atribuído a um indivíduo, grupo ou organização que tenha ido além do dever de proteger os refugiados, deslocados internos ou apátridas.

Angela Merkel recebeu o prémio Nansen Refugee Award do ACNUR pela proteção dos refugiados no auge da crise na Síria. Sob a liderança da então Chanceler Federal Merkel, a Alemanha acolheu mais de 1,2 milhões de refugiados e requerentes de asilo em 2015 e 2016 - no auge do conflito na Síria e no seio da violência mortal noutros locais.

Nessa altura, disse a então Chanceler: "Foi uma situação que pôs à prova os nossos valores europeus como raramente tinha acontecido antes. Era, nem mais nem menos, do que um imperativo humanitário". Apelou aos seus compatriotas alemães a rejeitarem o nacionalismo divisionista e exortou-os a serem "seguros de si e livres, compassivos e de mente aberta".

Filippo Grandi, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, elogiou a determinação da ex-Chanceler Federal Merkel em proteger os requerentes de asilo e em defender os direitos humanos, os princípios humanitários e o direito internacional. "Ao ajudar mais de um milhão de refugiados a sobreviver e a reconstruir, Angela Merkel demonstrou grande coragem moral e política", disse Grandi.

"Foi uma verdadeira liderança, apelando à nossa humanidade comum, permanecendo firme contra aqueles que pregavam o medo e a discriminação". Ela mostrou o que pode ser alcançado quando os políticos tomam o rumo certo e trabalham para encontrar soluções para os desafios do mundo, em vez de simplesmente transferirem a responsabilidade para outros".

O comité de seleção disse que estava, desta forma, a reconhecer a "liderança, coragem e compaixão da ex-Chanceler Federal Merkel ao assegurar a proteção de centenas de milhares de pessoas desesperadas", bem como os seus esforços para encontrar "soluções viáveis a longo prazo" para aqueles que procuram segurança.



A Dra. Angela Merkel, então Chanceler Federal da Alemanha, trabalha no seu gabinete no edifício da Chancelaria Federal em Berlim, em 2011. © UNHCR/Steffen Kugler

Além de proteger as pessoas forçadas a fugir da guerra, perseguições e violações dos direitos humanos, a antiga Chanceler foi a força motriz por detrás dos esforços coletivos da Alemanha para as receber e as ajudar a integrarem-se na sociedade, através de programas de educação e formação, soluções de emprego e integração no mercado de trabalho. Ela foi também fundamental na expansão do programa de reinstalação da Alemanha, que ajudou a proteger dezenas de milhares de refugiados vulneráveis.

Foi também fundamental para assegurar o crescimento da Alemanha como um parceiro humanitário substancial, fiável e ativo, incluindo em operações de refugiados em todo o mundo. Tanto as suas políticas como as suas declarações públicas foram forças positivas nos debates europeus e mundiais sobre questões de asilo e na gestão de crises de deslocação forçada.

O comité de seleção do Prémio Nansen do ACNUR homenageou também quatro vencedores regionais, em 2022:

Em África, o Corpo de Bombeiros de Mbera, um grupo de refugiados de combate a incêndios totalmente voluntário na Mauritânia que extinguiu mais de 100 incêndios florestais e plantou milhares de árvores para preservar vidas, meios de subsistência e o ambiente local;

Nas Américas, Vicenta González, cujos quase 50 anos de serviço a deslocados e outras pessoas vulneráveis incluíram o estabelecimento de uma cooperativa de cacau na Costa Rica para apoiar pessoas refugiadas e mulheres da comunidade de acolhimento, incluindo sobreviventes de violência doméstica;

Na Ásia e no Pacífico, Meikswe Myanmar, uma organização humanitária que ajuda as comunidades necessitadas, incluindo os deslocados internos, com artigos de emergência, cuidados de saúde, educação e oportunidades de subsistência;

No Médio Oriente e Norte de África, o Dr. Nagham Hasan, um ginecologista iraquiano que presta cuidados médicos e psicossociais a raparigas e mulheres Yazidi que sobreviveram à perseguição, escravidão e violência baseada no género nas mãos de grupos extremistas no Norte do Iraque.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Sahel tornou-se "uma bomba" que pode explodir e causar problemas graves à Europa

O representante do ACNUR no Mali considerou hoje que o Sahel tornou-se "uma bomba" que pode explodir e causar problemas graves à Europa, se não lhe for dada a ajuda e atenção que requer.



"O Sahel (sub-região africana que se estende da Mauritânia à Etiópia) é uma bomba relógio, com mais de dois milhões de pessoas deslocadas internamente e com muitas das suas regiões sob o controlo de grupos islâmicos" extremistas, disse Mohamed Askia Touré, do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Além do avanço dos grupos extremistas islâmicos, nestes países, especialmente no Mali - epicentro do Sahel -, outras máfias relacionadas com o tráfico humano ou grupos de mercenários, como o Grupo Wagner russo, estão a instalar-se na região, afirmou Askia Touré.

"Neste contexto, se não houver ajuda do exterior às autoridades locais, como as do Mali, os cidadãos fugirão" e serão "tentados a emigrar para a Europa", sublinhou.

"Milhares de pessoas são forçadas a partir porque não há alternativas, e vão para norte; a tentação de ir para a Europa é muito grande", e é por isso que a Europa tem de ajudar a estabilizar o Mali e o resto do Sahel, para não ter de enfrentar situações mais graves, acrescentou.

“Sessenta por cento do território do Mali", explicou o responsável, "não está nas mãos do Governo, e nestas regiões, nesta terra de ninguém, não há escolas, hospitais, nem assistência de qualquer tipo. O importante é ajudar as autoridades legítimas a proporcionarem proteção e segurança à população.

Askia Touré, ele próprio nascido na Mauritânia, sublinhou por outro lado a importância da saída do Mali da missão militar enviada pela União Europeia, que permitiu aos grupos extremistas islâmicos e outros controlarem mais território.

Depois da partida dos europeus, "a missão da ONU no Mali (MINUSMA) e o exército maliano deixaram de ter a capacidade de garantir a segurança dos cidadãos". A consequência é "mais refugiados e mais pessoas deslocadas", num ciclo do qual não há saída, disse.

Na opinião do responsável do ACNUR, primeiro a pandemia e depois a guerra na Ucrânia fizeram com que o Mali "ficasse de fora dos holofotes" da preocupação dos países ocidentais.

Isto é "realmente lamentável", considerou, "porque, em termos de crises políticas, económicas, de direitos humanos, de refugiados e de deslocados, a situação no país só piorou".

Askia Touré recordou que a ajuda à Ucrânia desde o início da guerra em fevereiro é dez vezes superior à que foi dada pela Europa a toda a África nos últimos anos, pelo que apelou a uma "maior empatia" em relação ao Sahel.

Segundo o ACNUR, existem mais de 181.000 requerentes de asilo malianos em todo o mundo, e cerca de 84.000 regressaram ao país, de acordo com fontes governamentais. O país acolheu também cerca de 56.000 refugiados oriundos do estrangeiro.

Askia Touré explicou que o Mali está entre os cinco países do mundo que mais contribuem para encher os barcos que tentam atravessar o Atlântico ou o Mediterrâneo nas rotas migratórias para Espanha.

O responsável reunir-se-á nos próximos dias em Madrid com funcionários dos ministérios espanhóis do Interior, Negócios Estrangeiros e Imigração, com os quais o ACNUR espera estabelecer novos laços de cooperação que ajudem a estabilizar o país africano.

Saber mais:

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

The climate crisis is destroying the human rights of those least responsible for it



The UN must urgently appoint a special rapporteur on climate change and human rights to galvanise action on the biggest threat to fundamental freedoms.

By Patrick Verkooijen and AK Abdul Momen

Climate breakdown is making a mockery of human rights.

Start with the most fundamental right of all: the right to life, liberty and security. Two million people have died as a result of a five-fold increase in weather-related disasters in our lifetimes. And given that 90% of these deaths have occurred in developing countries, which have contributed the least to global heating, the climate crisis is also making a mockery of the notion that we are all born equal – as the UN Declaration of Human Rights and numerous national constitutions assert.

Next, consider other fundamental freedoms, such as the right to work, to an education, to own property. These too are being undermined by the climate emergency. UNHCR, the UN refugee agency, estimates that 21.5 million people are displaced by climate change-related disasters every year – more than twice the number of those forced to flee conflict or violence.


Rights that most of us take for granted – the right to nationhood, for example – could soon be denied to citizens of island nations if rising sea levels continue unchecked.

The climate crisis is setting back the clock on human progress. More than 2 billion people live in countries with high exposure to climate-related hazards.Their capacity to recover when disaster strikes is limited. And when those affected are refugees and displaced populations, the impact is simply heartbreaking. When flooding and landslides struck the Rohingya refugee camps in Bangladesh this summer, thousands of people relived the nightmare of losing everything and being displaced yet again.


We believe it’s time to train the spotlight on the impact our climate emergency is having on human rights. It may sound obvious, but it is not happening.

Take the reality of climate refugees. At present, neither they nor environmental migrants nor environmentally displaced people are recognised by the 1951 UN Convention on Refugees. They are not entitled to even the minimum protection accorded under international human rights law. This must change.

Consider also the rights of younger generations who will come of age during the current climate emergency, and the rights of those who have yet to be born. As Greta Thunberg reminds us, should they be denied their fundamental human rights because of our failure to act on climate breakdown?

The rights of climate refugees, of young people and of future generations are now being tested through the courts. Climate litigation is increasing. At the last count, there were more than 1,800 cases outstanding in dozens of countries around the world, rich and poor.



The supreme court of the Netherlands has mandated emissions cuts on both the government and Royal Dutch Shell. Families from the EU, Kenya and Fiji are taking the European parliament and the Council of the EU to court in an attempt to enforce more ambitious climate-change mitigation targets. In Pakistan, the supreme court has upheld the right of Punjab to protect its water-stressed areas against further industrial development, specifically citing climate change and the rights of unborn generations in its ruling.

“The tragedy is that tomorrow’s generations aren’t here to challenge this pillaging of their inheritance. This court should be mindful that its decisions also adjudicate upon the rights of the future generations of this country,” Justice Syed Mansoor Ali Shah said in his summing up.

But lawsuits are a slow and piecemeal way of enforcing human rights. More importantly, they don’t work in countries with weak legal systems or where human rights are not respected.

We will not win the battle against the climate emergency one lawsuit at a time.


This is just one of the reasons why the Climate Vulnerable Forum (CVF), a group of 48 nations on the frontlines of climate breakdown, which is supported by the Global Center on Adaptation, has been backing a motion for a new UN special rapporteur on climate change and human rights since 2019. We are asking the UN Human Rights Council, whose mission it is to protect human rights, to create this new position.

Only this month, Michelle Bachelet, a former President of Chile and current head of the Human Rights Council, called the “triple planetary crises” of climate change, pollution and nature loss “the greatest challenge to human rights of our era.”


We agree, and it is why we believe climate threats to human rights deserve a higher priority within the UN.

The new special rapporteur would have a mandate to protect people from the worst impacts of the climate crisis. He or she will have their work cut out. Sea levels are rising, sea ice is retreating, glaciers are melting and rainfall patterns have become more unpredictable. Extreme weather events are becoming more frequent and more intense. The UNHCR predicts that the number of climate refugees and displaced people could reach 200 million a year by 2050 – nearly double the number today.

The special rapporteur will have a duty to witness the impact of climate breakdown on human rights first-hand, visiting countries affected by climate disasters and galvanizing action across the family of UN organizations and the wider public sphere.

There is no time to lose. The longer we delay action to support people who are vulnerable to climate breakdown, the worse the consequences are likely to be, making responses even more complex and costly.

The UN’s top scientists warned in August that even if we were to succeed in reining in emissions, we still face many decades of climate disruption because of the greenhouse gases that are already trapped in the atmosphere.

This decision to appoint a UN special envoy on climate and human rights is long overdue. The UN Human Rights Council, currently in session, could take this decision now. This is precisely what the CVF has called for in its manifesto for Cop26. By doing so, the Council would demonstrate that UN bodies can take decisive climate measures, a much-needed positive impulse for the Glasgow summit on which our planet’s fate hinges. That move is also the international community’s strongest signal it is prepared to staunch the climate emergency’s hemorrhaging of human rights. We sincerely hope it will.

Patrick Verkooijen is CEO of the Global Center on Adaptation, AK Abdul Momen is the Minister of Foreign Affairs of Bangladesh that is presiding the Climate Vulnerable Forum

Fonte: aqui

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Dados revelam impactos da emergência climática no deslocamento forçado

Visualização de dados mostra como a emergência climática e outras ameaças podem forçar novos deslocamentos e acentuar vulnerabilidade de pessoas já deslocadas


Os impactos das mudanças climáticas estão sendo sentidos em todo o mundo, mas os países que lutam com conflitos, pobreza e altas taxas de deslocamento forçado estão enfrentando alguns dos efeitos mais graves.

Do Afeganistão à América Central, secas, inundações e outros eventos climáticos extremos estão atingindo pessoas menos preparadas para se recuperar e se adaptar.

No Dia Mundial Humanitário, o ACNUR lança a versão em português do painel: “Deslocados na linha de frente da emergência climática.” Os números mostram como o aquecimento global aumenta os riscos para pessoas que já vivem em regiões de conflitos e instabilidade, levando a mais deslocamentos e, muitas vezes, diminuindo as possibilidades de retorno.

Desastres relacionados às mudanças climáticas podem acentuar a pobreza, a insegurança alimentar e o acesso a recursos naturais, levando à instabilidade e à violência. A visualização de dados olha para o exemplo do Afeganistão, onde secas e inundações recorrentes, combinadas a décadas de conflito e deslocamento, deixaram milhões de pessoas vulneráveis ​​à fome este ano.

Moçambique está passando por uma confluência semelhante de conflitos e desastres múltiplos com um ciclone após o outro atingindo a região central do país, enquanto o aumento da violência e de turbulências ao norte deslocam centenas de milhares de pessoas.

Muitos dos países mais sujeitos aos impactos das mudanças climáticas já abrigam um grande número de pessoas refugiadas e deslocados internos. Em Bangladesh, mais de 870 mil refugiados Rohingya que fugiram da violência em Mianmar estão agora vulneráveis a ciclones e inundações cada vez mais frequentes e intensos.

“Esperar que ocorra um desastre não é uma opção”

O ACNUR está trabalhando para reduzir os riscos que eventos climáticos extremos representam para pessoas refugiadas e deslocados internos. Em Bangladesh, a Agência trabalha com parceiros para plantar árvores de rápido crescimento em regiões dos campos de refugiados que são propensas a deslizamentos de terra durante as tempestades de monções, e distribui fontes alternativas de energia à lenha de cozinha.

Cerca de 40 países participaram virtualmente da Cúpula de Líderes sobre o Clima organizada pelo Presidente Joe Biden entre 22 e 23 de abril. O ACNUR pede que todos os Estados intensifiquem suas ações para combater as mudanças climáticas e prover proteção e assistência às pessoas deslocadas por esses efeitos.

“Precisamos investir agora na preparação para mitigar as necessidades futuras de proteção e evitar mais deslocamentos causados ​​por mudanças climáticas”, afirmou o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, no início deste ano.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Dia Internacional dos Migrantes


A 18 de dezembro assinala-se o Dia Internacional dos Migrantes.

O objetivo deste dia é sensibilizar os governos e os cidadãos para as oportunidades e desafios da migração, salientando os valores da tolerância, do multiculturalismo e da entreajuda. Por outro lado, lado, destaca-se ainda que nem sempre a rota para o país de destino é segura, pelo que os migrantes arriscam por vezes a sua vida em nome de melhores condições.

Esta data foi escolhida por coincidir com o dia de adoção da «Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e os Membros das suas Famílias», sendo implementada através da Resolução 55/93 da Assembleia Geral da ONU.

Imagem: UNHCR/Francesco Malavolta

Documentos

Resolução 55/93 da Assembleia Geral da ONU que implementa o Dia Internacional dos Migrantes | ONU [en]
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Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e os Membros das suas Famílias
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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Don Walsh: com a subida das águas do mar, “teremos nações inteiras a ter de ir embora”

Foto e notícia aqui

Foi há quase 60 anos que o tenente norte-americano Don Walsh e o engenheiro suíço Jacques Piccard decidiram ir onde nunca ninguém tinha ido: o ponto mais fundo do mar, na Fossa das Marianas, a quase 11 mil metros de profundidade — e conseguiram-no. Agora, volvidas seis décadas, o oceanógrafo Don Walsh tem notado nas suas expedições o efeito destruidor das alterações climáticas e deixa o alerta de que ainda “temos tempo” para mudar as cidades costeiras para terrenos mais elevados; caso contrário, haverá cada vez mais refugiados climáticos. “Pela primeira vez na história da humanidade, teremos nações inteiras a ter de ir embora das suas terras por causa das alterações climáticas. Para onde vão?”, questiona.

É o caso das ilhas Seicheles, de Tuvalu ou das Maldivas, onde a maior parte do terreno está nem a um metro acima do nível da água do mar, diz ao PÚBLICO Don Walsh, numa entrevista à margem da Conferência Global de Exploração (Glex), que se realizou pela primeira vez em Lisboa para assinalar os 500 anos da circum-navegação de Fernão de Magalhães. “É um assunto muito sério e o mais provável é que muitas das pessoas perderão as suas casas e as suas terras por não darem ouvidos aos conselhos dos especialistas”, explica.

De olhos postos no rio Tejo, Don Walsh refere que a natureza se mexe devagar, mas que é ela que está ao comando. “Nesta zona ribeirinha de Lisboa não se está muito acima do nível da água. Até ao final deste século, poderemos não ter edifícios submersos, mas as estradas e infra-estruturas começarão a ficar inundadas”, aponta o explorador.

No “rés-do-chão” do oceano
Dos 87 anos de vida de Don Walsh, a maior parte deles foi passada enquanto uma das únicas duas pessoas no mundo a ter ido ao ponto mais fundo do oceano (em 2012 o realizador James Cameron juntou-se à lista, assim como Victor Vescovo em Maio deste ano; Jacques Piccard morreu em 2008). Foi quando tinha 28 anos, a 23 de Janeiro de 1960, que se aventurou com Jacques Piccard a bordo do batíscafo Trieste – desenhado pelo pai de Piccard, Auguste – até ao Challenger Deep, uma ranhura nas profundezas da Fossa das Marianas que é o ponto mais fundo do mar (o nome é uma homenagem ao navio britânico Challenger II, que descobriu o ponto em 1951). Chegaram aos 10.911 metros.

domingo, 7 de julho de 2019

8 Mitos sobre Refugiados que é Urgente Desconstruir

Fonte: Amnistia Internacional

Mito 1. OS REFUGIADOS ESTÃO TODOS A FUGIR PARA A EUROPA! FACTO: A maioria dos refugiados foge para países vizinhos. Os que mais acolhem refugiados são a Turquia (3,7 milhões), o Paquistão (1,4 milhões), o Uganda (1,2 milhões), o Sudão (1,1 milhões) e a Alemanha* (1,1 milhões). Os países considerados desenvolvidos acolhem apenas 16% dos refugiados.

Mito 2. NÃO É URGENTE. A CRISE JÁ PASSOU! FACTO: A população refugiada sob a proteção do ACNUR praticamente duplicou desde 2012 e a tendência tem sido para o aumento destes números. Registavam-se em junho de 2019: 70,8 milhões de deslocados; 25,9 milhões de refugiados (incluindo 5,5 milhões de palestinianos refugiados); 20,4 milhões de refugiados sob a proteção do ACNUR; 3,5 milhões de requerentes de asilo; 41,3 milhões de deslocados internos; 2,9 milhões de pessoas retornados aos seus países de origem; 138.600 crianças sem acompanhamento ou separadas das suas famílias; Quase metade dos refugiados são menores de 18 anos; 37 mil novos deslocados a cada dia de 2018; 67% dos refugiados são originários de 5 países: 6,7 milhões da Síria; 2,7 milhões do Afeganistão; 2,3 milhões do Sudão do Sul; 1,1 milhão do Myanmar; Quase 1 milhão da Somália. (Números do ACNUR de junho de 2019 – https://www.unhcr.org/globaltrends2018/)

Mito 3. JÁ HÁ TANTOS EM PORTUGAL! FACTO: No quadro do programa de recolocação e reinstalação do governo, que terminou em março de 2018, Portugal acolheu (de dezembro de 2015 a março de 2018) 1552 refugiados, distribuídos por 99 municípios. No entanto, 768 abandonaram o país e apenas 79 voltaram a Portugal. Ou seja, 45% dos refugiados que foram acolhidos já não se encontram no nosso território.

 Mito 4. ELES VÊM PARA USUFRUIR DOS NOSSOS BENEFÍCIOS E PARA ROUBAR OS NOSSOS EMPREGOS! FACTO: Os refugiados ao abrigo do programa de recolocação e reinstalação têm apoio de instituições que recebem, maioritariamente, financiamento europeu. Cada refugiado adulto recebe 150 euros por mês. Este programa de apoio do governo dura 18 meses, findos os quais os refugiados devem tornar-se autónomos e sem precisar de qualquer apoio do governo, o que aconteceu em 42% dos casos, em 2018. No final de 2018, 48% dos refugiados já estavam integrados em formação profissional, ensino superior ou emprego. Todos os estudos indicam benefícios económicos para os países de acolhimento: verifica-se um aumento das receitas fiscais líquidas, sobretudo quando os refugiados optam por ficar a residir no país de acolhimento, que compensa os gastos públicos aplicados no ano da chegada. © Amnesty International

 Mito 5. A EUROPA DEVE REFORÇAR AS SUAS FRONTEIRAS PARA EVITAR A IMIGRAÇÃO E AS MORTES! FACTO: Não está provado que a construção de muros e diminuição de meios de busca e salvamento contribuam para impedir a entrada de pessoas. Não é a existência de operações de busca e salvamento no mar que atrai mais pessoas. Pelo contrário, chegaram mais pessoas à Europa e registaram-se mais mortes nas alturas em que os programas de busca e salvamento tinham menos meios à sua disposição, documentaram académicos europeus.

Mito 6. OS REFUGIADOS FAZEM VIAGENS PERIGOSAS POR ESCOLHA PRÓPRIA E/OU POR INCONSCIÊNCIA! FACTO: Os refugiados fogem do terror, da miséria e de guerras. Ninguém colocaria a sua vida e a da sua família em risco se não fosse impossível ficar nos locais de onde fogem, especialmente sabendo o que poderão enfrentar na viagem: Travessias marítimas ou terrestres extremamente difíceis com risco de morte; Espancamentos, maus tratos, violações e assassinatos perpetrados por traficantes (a quem têm de pagar somas avultadas) e por algumas autoridades; Permanências longas (muitas das vezes duram anos) em campos sobrelotados, sem condições de acolhimento dignas (abrigos em tendas durante o Inverno, escassas condições de saneamento, de acesso a alimentação e cuidados de saúde, agressões e violações); Condições de acolhimento e integração nem sempre adequadas, com pouco dinheiro para usarem no quotidiano, barreiras linguísticas e culturais, burocracias a nível da documentação, falta de reconhecimento das qualificações (o que dificulta o emprego); Discriminação e xenofobia em alguns países de acolhimento que degeneram em ameaças e ofensas (muitas das vezes graves) físicas e psicológicas Muitos destes desafios e obstáculos acabam por incentivar muitos refugiados e requerentes de asilo a abandonarem o país de acolhimento. Em 2019, 559 pessoas tinham perdido a vida no Mediterrâneo ou estavam desaparecidas. 

Mito 7. NÃO QUERO APOIAR A INTEGRAÇÃO DE REFUGIADOS PORQUE ASSIM AS PESSOAS MAIS NECESSITADAS EM PORTUGAL FICARÃO SEM AJUDA! FACTO: Muitas das associações que prontamente se disponibilizaram para apoiar a chegada de refugiados são as mesmas que já ajudam outros grupos vulneráveis da sociedade portuguesa. Os fundos canalizados para esses fins não são divididos ou substituídos por outros destinados a outras necessidades. Na verdade, vêm de outras fontes de financiamento, especialmente da União Europeia. Na solidariedade não existe competitividade.

Mito 8. DE QUALQUER FORMA, NÃO POSSO FAZER NADA! FACTO: De facto, pode fazer alguma coisa: Assine e partilhe as nossas petições, especialmente o nosso Manifesto https://www.amnistia.pt/peticao/eu-acolho/ Participe na nossa ação Love not Walls, através da qual pretendemos ultrapassar o número de quilómetros do muro que está a ser construído entre os EUA e o México, em https://lovenotwalls.amnistia.pt * Por lapso, os dados da Alemanha não foram incluídos na primeira publicação. Atualização efetuada no dia 25 de junho de 2019.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dia Mundial dos Refugiados

O Dia Mundial do Refugiado está marcado no calendário a 20 de junho.

Africa-Congo-Rwanda-Ugana-IDP-Refugees

Nesta data presta-se homenagem à resistência e à força de todos os refugiados do mundo que foram obrigados a fugir de suas casas por motivos de perseguição, calamidades ou de guerra. Neste dia as celebridades gravam vídeos de apoio a refugiados, os refugiados são convidados a contar as suas histórias, entre outras atividades que se realizam por todo o mundo.

Um “refugiado” é uma pessoa que sofre perseguição pela sua raça, naturalidade, religião, grupo social ou opinião política e que se encontra fora do seu país, não podendo a ele retornar por força de perseguição.

Estima-se que existem mais de 45 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo que foram forçadas a encontrar um novo local para viver. As regiões mundiais com mais refugiados são o Médio Oriente, o Sudeste Asiático, a África Oriental e o Corno de África. Segundo o Parlamento Europeu, na Europa, os países que mais proteção oferecem a refugiados são a Suécia, a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido.

Foi no ano 2000 que a ONU instituiu o Dia Mundial do Refugiado, com o objetivo de consciencializar os governos e as populações para o problema grave dos refugiados.

Pode juntar-se à comemoração da data com a hashtag #ComOsRefugiados e assinar uma petição pelos refugiados no site oficial da data.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia Mundial da Ajuda Humanitária


O Dia Mundial Humanitário celebra-se anualmente a 19 de agosto.

O objetivo do Dia Mundial Humanitário é homenagear todos os voluntários do mundo pelo seu trabalho e divulgar as obras realizadas pelas organizações humanitárias espalhadas pelo globo apesar de todas as dificuldades vividas. A data também é conhecida como o Dia Mundial da Ajuda Humanitária e o Dia da Memória dos Trabalhadores Humanitários, prestando tributo a todos os funcionários e trabalhadores humanitários que foram mortos no exercício do seu trabalho.

Neste dia, onde o mote é ajudar o próximo, pode fazer donativos ou juntar-se a uma organização humanitária local ou global. Pode também divulgar a data e as causas atuais urgentes nas redes sociais. Existem mais de 130 milhões de pessoas a precisar de ajuda humanitária para sobreviver.

Origem da data
O Dia Mundial Humanitário foi comemorado pela primeira vez em 2009, após a Assembleia Geral da ONU ter decretado o dia em sessão plenária em dezembro de 2008. O dia 19 de agosto foi escolhido em honra do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Sérgio Vieira de Mello, e de outros 21 funcionários e colaboradores da ONU falecidos no Iraque em 2003 durante uma missão de paz. [Remember The Fallen]

Documentos
Resolução A/63/L.49 adotada na Assembleia Geral da ONU sobre o Dia Mundial da Ajuda Humanitária | ONU [en]  DESCARREGAR

Declaração do Alto Representante Borrel e Comissário Janez Lenarčič sobre o Dia Internacional da Ajuda Humanitária [en]  DESCARREGAR

Links relacionados

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Rokia Traore - Mouneïssa


Canção do primeiro álbum de Rokia Traore Mouneissa (1998)
Sítio oficial Rokia Traore
Biografia [uk]

Rokia Traoré is a singer/songwriter/guitarist /dancer from Mali.
In many parts of West Africa, professional musicians are often from a certain lowly caste called the 'griots'. However, Traoré's family are from the Bamana ethnic group who do not observe this restriction so strictly. Therefore when Rokia was young she was able to sing with others at wedding celebrations, despite coming from a privileged background.
As Rokia's father was a diplomat, her family spent a lot of time in different countries while Rokia was growing up. She came into contact with many local and international styles of music, although her parents were reluctant for her to become a musician. When she was a bit older Rokia stayed at the lycée in Bamako while her parents were in Brussels and there she developed her voice and first performed in public.
In 1997 she met Ali Farka Toure who gave her quite a lot of guidance and then in 1998 she recorded her first album, Mouneïssa. The tracks on 2000's Wanita CD are all in Bamanan except 'Château de sable', which is in French. Her lyrics cover issues like respect, traditions and relationships. She is joined by Boubacar Traoré on the track 'Mancipera'. Coco Mbassi does the backing vocals on several tracks and Toumani Diabaté plays kora. Hauntingly beautiful gentle tracks make this a real treasure trove. The hallmark of Rokia's music is trance-like rhythms, in contrast to many of the other women musicians from Mali like Kandia Kouyate. The accompanying instruments Traore chooses are unique as they are traditional like the balafon (giant wooden xylophone) and the tiny n'goni, which are not normally heard together. She also uses kora and calabash percussion.

domingo, 23 de novembro de 2008

Por que há uma guerra no Iémen e qual é o papel das potências internacionais

O Iémen, um dos mais pobres entre os países árabes, está há três anos numa violenta guerra civil.

Os combates deixaram o país à beira de uma crise de fome devastadora, que, segundo as Nações Unidas, pode estar afetando até 14 milhões de pessoas.

ONGs como a Save The Children acreditam que cerca de 85 mil crianças menores de cinco anos morreram nestes três anos de guerra por desnutrição.

A seguir, explicamos as causas desse conflito e quem são as partes envolvidas.

1. Como começou a guerra?
O conflito tem suas raízes na Primavera Árabe, de 2011, quando uma revolta popular forçou o presidente, Ali Abdullah Saleh, a deixar o poder nas mãos do vice, Abdrabbuh Mansour Hadi.
Supunha-se que a transição política levaria à estabilidade, mas o presidente Hadi enfrentou diferentes problemas, entre eles, ataques da Al-Qaeda e de um movimento separatista no sul, corrupção, insegurança alimentar e o fato de que muitos militares seguiam sendo leais a Saleh.
O movimento huti, que defende a minoria xiita zaidi do Iémen e lutou em várias rebeliões contra Saleh na década passada, se aproveitou da debilidade do novo presidente para tomar controle da Província de Saada e de zonas próximas.
Desiludidos, muitos iemenitas, mesmo sunitas, apoiaram os hutis, e, ao final de 2014, os rebeldes tomaram Saná, a capital, forçando Hadi a se exilar.

2. Quem está se enfrentando no conflito?
O conflito escalou dramaticamente em março de 2015, quando a Arábia Saudita e outros oito países árabes, principalmente sunitas e apoiados pelos Estados Unidos, Reino Unido e França, fizeram ataques aéreos contra os hutis com o objetivo declarado de restaurar o governo de Hadi.
A coligação temia que o sucesso dos hutis daria ao Irã, rival regional e país majoritariamente xiita, um ponto de apoio no Iémen, vizinho da Arábia Saudita.
A Arábia Saudita disse que o Irão está apoiando os hutis com armas e suporte logístico, o que o Irã nega.
Os dois lados vêm sofrendo com as lutas internas. Os hutis romperam com Saleh e combatentes seus o mataram em dezembro de 2017.

3. O que aconteceu desde então?
Em 2015, as tropas da coligação conseguiram se estabelecer na cidade de Áden e expulsaram os hutis e seus aliados de grande parte do sul do país.
Ainda que o governo de Hadi tenha se estabelecido temporariamente em Áden, o presidente continua no exílio.
Os hutis, no entanto, não foram expulsos de Saná e conseguiram se manter na cidade de Taiz, de onde disparam mísseis e artilharia em direção à Arábia Saudita.
Militantes deles e da Al-Qaeda na Península Arábica e seus rivais, grupos ligados ao Estado Islâmico, se aproveitaram do caos e tomaram territórios no sul do país, onde fizeram ataques letais, especialmente em Áden.
O lançamento de um míssil balístico em Riad, capital da Arábia Saudita, em novembro de 2017, fez a coalizão saudita reforçar seu bloqueio contra o Iémen.
A coligação  afirmou que o objetivo era impedir o contrabando de armas do Irão para os rebeldes, o que Teerão nega.
Mas a ONU afirma que as restrições poderiam provocar "a maior crise de fome que o mundo viu nas últimas décadas".
Todos os esforços organizados pela ONU para negociar um acordo de paz fracassaram.

4. Qual tem sido o custo humano?
A situação no Iémen é, segundo as Nações Unidas, um desastre humanitário.
Mais de 6.800 civis morreram e ao menos 10.700 ficaram feridos desde março de 2015, diz a ONU.
A guerra dura há mais de três anos e nela já morreram 6.800 pessoas.
Mais da metade dos mortos e feridos foram vítimas de ataques aéreos da coligação saudita.
Segundo o Conselho de Direitos Humanos da ONU, os civis têm sido vítimas de "implacáveis violações da lei humanitária internacional".
No ano passado, um surto de cólera afetou um milhão de pessoas, das quais 2 mil morreram - muitas delas, crianças.
Foi a maior e mais rápida epidemia já registrada, e ela se espalhou tão velozmente por causa da destruição dos sistemas de encanamento e saneamento.
Cerca de 75% da população (22,2 milhões de pessoas) precisam de assistência humanitária urgente, incluindo 11,3 milhões em situação grave que requerem ajuda imediata para sobreviver.
A piora da situação é tal que, segundo a ONU, há 14 milhões de pessoas que sofrem de insegurança alimentar, 8,5 milhões das quais se levantam sem saber se terão algo para comer ao longo do dia.
E a desnutrição aguda ameaça a vida de aproximadamente 400 mil crianças de menos de cinco anos.
Só metade das 3.500 instalações sanitárias do país funcionam completamente, o que significa que 16,4 milhões de pessoas carecem de assistência médica básica.
A guerra também forçou mais de três milhões de pessoas a fugirem de seus lares. Dois milhões seguem deslocados.

5. O que isso tem a ver com o resto do mundo?
Apesar da gravidade, o conflito no Iémen tem sido descrito como "guerra esquecida" pela escassa atenção que tem recebido do resto do mundo.
O que acontece ali pode exacerbar as tensões na região. Os países ocidentais temem que haja mais ataques, à medida que a situação for ficando mais instável.
As agências de inteligência ocidentais consideram que a Al-Qaeda na Península Arábica é o braço mais perigoso do grupo por seu conhecimento técnico e alcance mundial. Além disso, há preocupação pelo surgimento de grupos associados ao Estado Islâmico no Iémen.
Estrategicamente, o país é importante por sua localização no estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, pelo qual passa grande parte dos navios petroleiros do mundo.