Mostrar mensagens com a etiqueta Ecofascismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ecofascismo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de março de 2026

Sangue e Petróleo: A Ecologia Política do Fascismo Fóssil Contemporâneo

Robin Mackay (esquerda) e Mark Alizart (direita)

A emergência do conceito de carbofascismo (ou fascismo fóssil) marca uma rutura analítica necessária na compreensão das extremas-direitas contemporâneas. Ao contrário do ecofascismo tradicional, que instrumentaliza a preservação da natureza para justificar a exclusão xenófoba e o controlo populacional, o carbofascismo manifesta-se como uma defesa militante e autoritária da economia extrativista. Esta ideologia não é apenas um subproduto da ignorância científica; é uma reforma identitária que funde a supremacia branca e o destino das nações industrializadas ao consumo desenfreado de hidrocarbonetos. No centro desta tese, Andreas Malm e o Zetkin Collective argumentam que o investimento histórico no capital fóssil criou uma estrutura de dominação que as elites globais não estão dispostas a abandonar, mesmo perante o colapso biosférico.

O fenómeno assenta naquilo que a investigadora Cara Daggett denomina como petromasculinidade. Nesta ótica, a queima de combustíveis fósseis é interpretada como um símbolo de virilidade, autonomia e poder patriarcal. A transição para energias renováveis não é vista apenas como uma mudança técnica, mas como uma ameaça à própria identidade do "homem ocidental" e à sua posição de domínio sobre a natureza e os povos do Sul Global. Assim, o negacionismo climático deixa de ser um debate sobre factos para se tornar uma guerra cultural, onde o carro a gasóleo e a extração de carvão são elevados a totens de liberdade contra uma suposta "tirania ecológica" das instituições transnacionais.

Historicamente, o fascismo sempre teve uma relação ambivalente com a tecnologia e a natureza. No entanto, o fascismo fóssil do século XXI radicaliza esta ligação ao defender a continuidade do status quo energético através da repressão estatal e da violência contra os movimentos de justiça ambiental. À medida que os efeitos do aquecimento global intensificam as crises migratórias, o carbofascismo propõe uma solução de "fortaleza": garantir o acesso aos recursos energéticos para os grupos dominantes enquanto se militarizam as fronteiras contra as vítimas da degradação ambiental que o próprio sistema produz. 

Para Alizart, a negação das alterações climáticas por parte de certas elites não é ignorância, mas uma estratégia deliberada. O carbofascismo descreve um sistema onde o colapso ambiental é utilizado para justificar regimes autoritários, o fecho de fronteiras e a exclusão de populações inteiras "excedentes" que não caberão nos recursos escassos do futuro. Alizart utiliza o termo termoplítica para explicar como a gestão do calor e da energia se tornou a nova ferramenta de controle social. No cenário do carbofascismo, quem controla o carbono e a energia controla a vida e a morte.

Mackay tem um histórico ligado ao CCRU (Cybernetic Culture Research Unit). A sua visão sobre o carbofascismo é matizada pela ideia de que o sistema atual não está "quebrado", mas sim acelerando em direção a uma forma de controle autoritário baseada na escassez de recursos.

Em suma, o "Sangue e Petróleo" representa a fase final de um sistema que prefere o autoritarismo à descarbonização, transformando a geologia em ideologia de sobrevivência seletiva.

Referências Académicas
Alizart, M (2021). The Climate Coup
Daggett, C. (2018). Petro-masculinity: Fueling conspiracy theories and authoritarian desire. Millennium: Journal of International Studies, 47(1), 25-44.
Malm, A., & Zetkin Collective. (2021). White Skin, Black Fuel: On the Dangers of Fossil Fascism. Londres: Verso Books.
Moore, J. W. (2015). Capitalism in the Web of Life: Ecology and the Accumulation of Capital. Nova Iorque: Verso Books.
Staudenmaier, P. (2011). Ecofascism Revisited: Lessons from the German Experience. Porsgrunn: New Compass Press.
Turner, J., & Bailey, C. (2022). "Ecotype": Understanding the extremist environmental transitions. Studies in Conflict & Terrorism.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Carbofascismo, Transição Verde e o ICNF

No discurso final de Davos, os principais actores mundiais (Donald Trump,Mark Carney,Emmanuel Macron,Friedrich Merz,Ursula Leyen,Volodymyr Zelensky) não disseram uma palavra sequer sobre a crise climática.

Quanto a Portugal não me escapa comentar o recente episódio das declarações do Ministro da Agricultura, enviadas via vídeo aos dirigentes do ICNF. Quando a tutela sugere um caminho de maior agilidade que resvala no facilitismo, o que está em causa não é apenas um deslize comunicacional, mas um sinal político perigoso que ameaça a autonomia da conservação da natureza em Portugal.

𝐎 𝐅𝐚𝐜𝐢𝐥𝐢𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐑𝐢𝐬𝐜𝐨: 𝐚 m𝐢𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐝𝐨 𝐈𝐂𝐍𝐅 𝐧𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐝𝐞𝐬𝐩𝐚𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐏𝐫𝐨𝐜𝐞𝐬𝐬𝐨𝐬
A Integridade do "Não"
É urgente reafirmar o óbvio: o ICNF não é uma agência de promoção de investimentos. A sua função primordial é o escrutínio rigoroso. No equilíbrio ecológico, a reprovação de um projeto não representa um bloqueio ou uma falha de sistema; pelo contrário, é frequentemente o maior indicador de que as salvaguardas ambientais estão a funcionar.

O ICNF existe para: avaliar, monitorizar e garantir o cumprimento da lei.
O ICNF não existe para: "acelerar" processos à custa da fundamentação técnica ou "facilitar" licenciamentos em nome do crescimento económico imediato.

A erosão da Autoridade Técnica
Pressionar, ainda que de forma implícita, para que se aprove mais ou se decida mais rápido, desvirtua a missão institucional e fragiliza a autoridade científica dos técnicos que estão no terreno. Quando a política tenta ditar o ritmo à biologia e ao direito ambiental, quem perde é o património natural do país. A missão do ICNF é proteger o território, e essa proteção exige o tempo e o rigor que a lei impõe — sem atalhos.

Não podemos nem devemos aceitar os apelos nacionalistas e de eugenia. O tempo dos recuos nacionalistas esgotou-se perante a emergência climática. Em 2026, a soberania reside na capacidade de tecer alianças transfronteiriças. A nossa única saída é a construção de uma ecologia política comum, fundamentada na transparência e numa economia que respeite, finalmente, os limites planetários.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Carbofascismo

Um odor pútrido emana das margens do Lago Maracaibo, no oeste da Venezuela, uma região pontilhada por plataformas petrolíferas.

O que é “carbofascismo”?
Carbofascismo é um termo teórico usado para descrever uma tendência político‑ideológica que combina negação das crises ecológicas, defesa irrestrita de combustíveis fósseis e respostas autoritárias à política ambiental, refletindo um tipo de reação de direita que protege interesses carboníferos e a fossilização política da sociedade em detrimento de democracia ecológica ou justiça climática. Em outras palavras, ele denuncia uma visão política que prioriza a expansão contínua do uso de carbono fóssil (petróleo, carvão, gás) mesmo quando isso ameaça ecossistemas, sociedades e direitos humanos.

O termo é usado em pesquisas críticas sobre as conexões entre dependência de combustíveis fósseis, políticas autoritárias e resistência à transição ecológica. Não se refere a um partido ou movimento claramente definido historicamente, mas a um padrão ideológico observável em certas respostas políticas às crises climáticas e ecológicas.

Quem e quando foi cunhado?
O conceito de carbofascismo foi proposto pelo historiador ambiental Jean‑Baptiste Fressoz, segundo estudos posteriores de outros pesquisadores.

Jean‑Baptiste Fressoz é um historiador ambiental francês que aparece como a pessoa que coincidentemente introduziu o termo (ou pelo menos sua forma teórica original) para descrever essa combinação de negacionismo climático, defesa de combustíveis fósseis e elementos autoritários de governo e política.

O ensaio de Antoine Acker intitulado What Could Carbofascism Look Like? (Que aspecto o carbofascismo poderia ter?) expõe e discute este conceito a partir de uma perspectiva histórica e crítica, indicando que o termo foi cozinhado no debate académico sobre crise climática e política autoritária no contexto da pandemia de COVID‑19 e das respostas políticas globais.

Ou seja: não é um termo histórico clássico como “fascismo” (inventado nos anos 1910), mas sim um neologismo relativamente recente no debate académico, especialmente na historiografia ambiental crítica da última década.

Contexto de uso
O carbofascismo aparece em análises críticas de políticas públicas, movimentos sociais e respostas governamentais à crise climática, frequentemente ligadas ao estudo de como interesses econômicos fósseis influenciam e moldam democracias para preservar combustíveis sujos e bloquear medidas ambientais urgentes.

Isso é diferente, por exemplo, de ecofascismo — outro neologismo na crítica política — que costuma focar em extrema direita que usa a ecologia como pretexto para políticas autoritárias ou racistas, enquanto o termo carbofascismo enfatiza a defesa de combustíveis fósseis e a resposta política autoritária à crise climática.

Resumo rápido
Definição: ideologia política crítica que conecta defesa de combustíveis fósseis, negação de crises ecológicas e tendências autoritárias.

Origem do termo: cunhado no debate académico contemporâneo, ligado ao historiador ambiental Jean‑Baptiste Fressoz e analisado em ensaios como o de Antoine Acker.

Quando surgiu: no debate ecológico e político das últimas décadas (especialmente na era COVID‑19 e da intensificação do debate climático), portanto é um neologismo recente.

Fontes:

sábado, 24 de agosto de 2019

Arjen Wals: urgência das medidas ambientais pode levar a regimes “ecototalitários”

Investigador holandês defendeu em congresso em Lisboa o papel das escolas na educação ambiental.

Fonte: Público

Escolas com lagos e jardins com os seus próprios problemas ambientais podem criar uma geração menos apática aos riscos das alterações climáticas, defende o investigador holandês Arjen Wals, que alerta para os riscos do “ecototalitarismo”.

Em entrevista à agência Lusa em Lisboa, à margem do 15.º Congresso da Federação Ecológica Europeia, que começou nesta segunda-feira em Lisboa, o professor da Universidade de Wageningen e titular da cadeira de Aprendizagem Social e Desenvolvimento Sustentável da UNESCO afirmou que é preciso “agir para sair de uma economia e uma educação que serve a economia, que só serve para estimular o desenvolvimento, o crescimento e a inovação para aumentar o lucro de accionistas”.

“Os jovens pedem uma educação mais relevante, que responda aos desafios do nosso tempo”, afirmou, desenhando um modelo de escola que funciona como “ecossistema e laboratório”.

“Uma escola com um lago, com jardins, um ambiente biodiverso criado em conjunto por alunos, professores, organizações não governamentais da comunidade. Uma escola com oficinas anuais promovidas por lojas de reparação de bicicletas para ensinar aos alunos como o fazer. Um mercado na escola onde as pessoas possam vender ou trocar o tipo de coisas que poriam à venda na Internet e onde os produtores locais possam vender os seus produtos”, ilustrou.

Arjen Wals defende “programas escolares vivos, onde se pense na saúde, na qualidade do solo, na qualidade dos alimentos que se come, na eficiência energética da própria escola”.

“Porque não um marcador onde a escola mantenha a contabilidade das árvores que poupou ao ser mais eficiente no seu consumo de energia?”, sugere, indicando que todos são “actos de aprendizagem, também social”, que podem ir em sentido contrário à economia, “que faz pensar que nunca chega e que se precisa sempre de mais”.

Actualmente, a educação “promove muito o crescimento pessoal e o desenvolvimento, o que pode soar muito inocente, mas talvez esse seja o problema”, argumentou, defendendo que as escolas podem ser “um recreio de experimentação, não para acelerar, mas para abrandar”.

Um gesto pela sustentabilidade pode ser quase um acto transgressivo num mundo em que “a vida insustentável foi normalizada e viver de forma sustentável é mais difícil”.

Por exemplo, aponta a existência de comunidades que são energeticamente auto-suficientes, “algo que a tecnologia torna possível, mas que, às vezes, é dificultado pelos governos ou pelas empresas, que têm interesse em manter o sistema actual, que funciona no curto prazo mas nunca pensa no longo prazo”.

O discurso político sobre a resiliência precisa de um contraponto: “Sermos disruptivos e vermos por que vivemos como vivemos, que forças nos levam a ser insustentáveis.”

Isso tanto pode ser um lar ou uma comunidade que decide desligar-se da infra-estrutura geral de distribuição de energia ou “um miúdo num estado norte-americano onde não se fala de alterações climáticas levantar a mão na aula e fazer perguntas”.

Arjen Wals considerou “irónico e triste” que, “nos bairros da lata em Bombaim [Índia] ou na Cidade do Cabo [África do Sul], as pessoas com um nível de educação muito básico tenham uma pegada carbónica muito baixa, embora de forma involuntária”.

As circunstâncias em que vivem obrigam-nos a “desenvolver mecanismos com os quais se pode aprender”, por exemplo na circularidade, na reutilização e na apreciação que têm pela comunidade, “da qual precisam para sobreviver”.

“Há muitas maneiras de mudar o comportamento humano, seja pela legislação, multas, impostos, subsídios ou pela educação, que é também uma maneira de criar capacidades, competências e aptidões.”

A propósito de uma medida como as coimas para quem deitar beatas de cigarro para o chão, aprovadas recentemente no Parlamento português, Arjen Wals não as vê como um caminho para a educação mas para “o condicionamento, o treino”, considerando-a uma medida legítima mas frisando que é preciso cuidado para se ver “onde se vai parar”.

Se a urgência das medidas a tomar aumentar e encurtar a “janela de oportunidade” que os seres humanos têm para minorar os efeitos das alterações climáticas, isso pode levar a regimes “ecototalitários”.

“Dependeríamos de países que agem de forma autoritária, a dar passos ecológicos rápidos, como já vemos em alguns países do mundo, como a China, onde muita coisa mudou”, afirmou.

No país mais populoso do mundo, “há centrais a carvão a serem fechadas e parques solares e eólicos a aparecerem praticamente de um dia para outro, mas sem sinais de participação da sociedade nas decisões ou de democracia”, observou. “É eficaz, mas as pessoas ficam mais felizes? Não. Vamos para mecanismos como multas, controlo, observação de comportamento? Há uma maneira de o fazer de uma forma mais ética, mais ligada com os outros.”

Independentemente da janela de oportunidade para começar a mudar antes de as consequências serem irreversíveis durar “dez, 20 ou 50 anos”, Arjen Wals afirma que “a humanidade já mostrou que consegue coisas impressionantes”. “É a única espécie que conseguiu alterar a biodiversidade e o clima no planeta. É muito impressionante, mas infelizmente também não é muito saudável. Mostra o engenho humano e, se o conseguirmos usar com outra bússola moral, será possível inverter essas tendências”, defendeu. “Temos de acreditar nisso, porque o pessimismo nunca foi bom guia para mudanças positivas.”

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Antonio Turiel Documental Decrecimiento


Resource Scarcity and Eco-Fascism | Antonio Turiel

Militarisation, isolationism, extractivism.
It looks like we learned nothing from the 21st century, as the powers that be are approaching looming civilisational collapse by cranking up the gears on the very machine which caused it. We’re re-entering a period of dog-eat-dog in a resource scarce world, which could result in the return of serfdom.

That’s the warning from Antonio Turiel,  physicist and a mathematician who works as an environmental scientist at the Institute of Marine Sciences at the CSIC in Spain. On this big picture episode, we cover everything from fossil fuel production to re-armament to male supremacy, with Antonio cutting through noisy data to reveal exactly how resource scarcity is driving the violent shift in global politics, and what we can expect to happen in the coming years including military colonisation, food shortages, oil crashes, and rampant inequality.

Listen here the podcast

quinta-feira, 15 de julho de 2004

Novo D de Democracia: Desenvolvimento Sustentável



Ainda é a aurora....mas já existe no nosso País uma ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA PORTUGAL (ENDS)

FONTE:Portal do Governo

Desenvolvimento sustentável: «Desenvolvimento que satisfaça as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades»
"Development that meets the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs"
«O nosso Futuro Comum», Comissão Mundial para o Ambiente e o Desenvolvimento, 1987
"Our Common Future", World Commission on Environment and Development, 1987

O XV Governo Constitucional atribuiu a maior importância à preparação de uma Estratégia de Desenvolvimento Sustentável para Portugal (ENDS). Assim, na sequência de um processo que teve início em Abril de 2002, e do convite formulado em Janeiro deste ano por S. Exa. o Primeiro-Ministro a um conjunto de personalidades de reconhecido mérito nas áreas da Coesão Social, Desenvolvimento Económico e Protecção do Ambiente - Drª Isabel Mota, Professores Mário Pinto, Jorge Vasconcellos e Sá, e Viriato Soromenho Marques e Dr. Félix Ribeiro - para que preparassem a "visão estratégica" que iria enquadrar a ENDS e a sua implementação, foi hoje, 2 de Julho de 2004, entregue um documento que corresponde a essa solicitação.

A proposta de ENDS agora apresentada tomou em consideração a versão apresentada em 2002 (ENDS 2002), as recomendações que resultaram da discussão pública então realizada e os painéis sectoriais e mesas redondas que se lhe seguiram. Foi também desenvolvida com a colaboração dos Ministérios envolvidos e, na maior parte dos casos, com o envolvimento directo dos membros do Governo.

Este documento corresponde também aos objectivos de
- reformular e completar o documento anterior, reequilibrando as três dimensões do Desenvolvimento Sustentável - económico, social e ambiental;
- permitir cumprir os compromissos assumidos por Portugal em termos de Desenvolvimento Sustentável no âmbito das Nações Unidas e da União Europeia;
- servir de quadro de referência a futuros exercícios de planeamento, designadamente à negociação do futuro pacote financeiro de fundos estruturais;
- conferir coerência aos vários Planos e programas sectoriais, articulando os vários instrumentos já elaborados ou em fase de elaboração;
- e, sobretudo, transmitir uma visão para o País, para a próxima década, traçar um "fio condutor" e metas para o desenvolvimento sustentável de Portugal, e constituir, simultaneamente, um documento "aberto", adaptável a mudanças e conjunturas.

Esta Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável tem como Grande Desígnio "fazer de Portugal, no horizonte de 2015, um dos países mais competitivos da União Europeia, num quadro de qualidade ambiental e de responsabilidade social".

Para isso será necessário prosseguir um conjunto de seis grandes Objectivos:
1. Qualificação dos Portugueses em Direcção à Sociedade do Conhecimento
2. Economia Sustentável, Competitiva e Orientada para Actividades do Futuro
3. Gestão Eficiente e Preventiva do Ambiente e do Património Natural
4. Organização Equilibrada do Território que Valorize Portugal no Espaço Europeu e que Proporcione Qualidade de Vida
5. Dinâmica de Coesão social e de Responsabilidade Individual
6. Papel Activo de Portugal na Cooperação Global

Cada um destes Objectivos desdobra-se num grupo de Vectores Estratégicos e estes, por sua vez, em Linhas de Orientação, Indicadores e Metas que, no seu conjunto, são a base do Plano de Implementação da Estratégia (PIENDS) que, através de acções e medidas (Fichas Estratégicas), concretizará o grande desígnio aqui apresentado.
O documento apresentado inclui ainda um Diagnóstico para a Sustentabilidade em Portugal, uma análise do que poderá ser o futuro de Portugal e propostas para a Aplicação e Gestão da Estratégia, nomeadamente a criação de uma Unidade de Missão para o Desenvolvimento Sustentável, tutelada pelo Primeiro-Ministro.

O trabalho realizado e reunido em dois volumes "Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável" e "Plano de Implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável: Fichas Estratégicas" deverá agora ser apresentado ao Conselho de Ministros, dando lugar a uma nova fase de trabalho que corresponderá a completar algumas áreas ainda em falta, afinar conteúdos e harmonizar metas.

Tendo presente que a ENDS só terá possibilidades de ter êxito se for entendida como um desafio mobilizador da sociedade portuguesa, dos diferentes parceiros sociais e, individualmente, de cada cidadão em particular, disponibiliza-se desde já, no "Portal do Governo", o documento de "Estratégia", sem prejuízo de vir a ser promovida a sua divulgação através de "mesas redondas" ou "seminários" e de serem solicitados contributos a parceiros sociais e personalidades de mérito.

A responsável máxima é a Eng.ª Teresa Gamito, que é assessora do ( ex-) Primeiro-Ministro

Assessoria para Ambiente, Ordenamento e Transportes

Engª. Teresa Maria Gamito - Adjunta
Secretária (a mesma da Assessoria Económica)
Rua da Imprensa à Estrela, 4 - 1200-888 Lisboa
Telef.: (+351) 213 923 500
Correio electrónico: gpm@pm.gov.pt
Presença na Internet: Este Portal

Um leitor desabafou-me o seguinte :quase 2 anos após a Cimeira de Joanesburgo, nesta altura já devíamos estar a discutir não em que ponto está a ENDS mas sim qual o ponto da situação actual e para quando o 2º relatório nacional de desenvolvimento sustentável (baseado num conjunto alargado de indicadores).