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terça-feira, 23 de junho de 2026

António Guterres exige "toda a verdade" sobre o custo climático da IA

O secretário-geral da ONU avisou que o mundo precisa de agir com "muito mais urgência" para limitar o aquecimento global. O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou os líderes do setor da Inteligência Artificial a “dizerem toda a verdade” sobre o impacto ambiental dos centros de dados, apontando o dedo aos combustíveis fósseis.

“Chega de custos escondidos. Chega de impor este fardo aos mais vulneráveis. É tempo de dizer toda a verdade. Se a IA quer contribuir para a construção de um futuro melhor, precisa de ser honesta sobre o seu custo atual”, disse António Guterres esta terça-feira, durante o seu discurso na Semana de Ação Climática de Londres, um evento anual realizado na capital britânica.

O secretário-geral da ONU anunciou o lançamento da Iniciativa de Transparência Ambiental da IA, que exigirá que os gigantes globais da inteligência artificial calculem e divulguem a pegada ambiental das suas atividades — em termos de carbono, água e uso da terra, por exemplo. As empresas ficam comprometidas, então, a abastecer essas atividades com energia renovável até ao final da década.

“As comunidades desconhecem muitas vezes o impacto ambiental da infraestrutura que está a ser desenvolvida à sua volta”, sublinhou Guterres, reconhecendo que a IA é “exigente em termos de terra, água e energia”, embora possa contribuir para “acelerar as soluções climáticas”.

Os centros de dados - os repositórios de servidores que alimentam a IA e outros serviços digitais - consomem energia de forma extremamente intensiva e atingiram a marca dos 448 terawatts/hora (TWh) de eletricidade em 2025. A consultoria Gartner estima um aumento de 26%, elevando o consumo para 565 TWh e a potência para 132 GW em 2026. As projeções da Agência Internacional da Energia (AIE) apontam para um consumo que pode variar entre 945 TWh e 1.050 TWh até 20230.

Guterres pede “mais urgência”
Numa altura em que a Europa enfrenta uma vaga de calor e vários países, como o Reino Unido, França e Itália, batem recordes de calor, o secretário-geral da ONU alerta que é preciso agir “com muito mais urgência”.

“Devemos agir com muito mais urgência para limitar rigorosamente a extensão e a duração de qualquer ultrapassagem de 1,5°C”, disse Guterres, referindo-se ao limite de aquecimento estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015, em comparação com os níveis pré-industriais.

Para além da proposta relativa ao setor tecnológico, o secretário-geral da ONU lançou também um “apelo global à ação sobre o metano”, o segundo maior contribuinte para as alterações climáticas a seguir ao dióxido de carbono (CO2), com o objetivo de alcançar “emissões próximas de zero em toda a cadeia de valor”.

Para isso, Guterres propõe uma série de metas relacionadas com as fugas de metano na indústria do petróleo e gás e com a queima, que consiste na queima do gás natural emitido durante a extração de petróleo sem o seu aproveitamento.

Guterres defende também a redução das emissões do setor agrícola e dos aterros sanitários.
"Exorto a indústria dos combustíveis fósseis a assumir a responsabilidade e a fazer o que já deveria ter sido feito há muito tempo", disse António Guterres, sublinhando que "só em 2025, foram queimados cerca de 167 mil milhões de metros cúbicos de gás, o equivalente ao consumo anual de África".

"Não podemos continuar a depender de um sistema baseado em combustíveis fósseis que alimenta tanto a crise climática como a crise energética", declarou o secretário no discurso durante a conferência em Londres.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Trump cometeu um erro estratégico no Estreito de Ormuz. Agora o Irão tem um ás de trunfo na mão - e está a jogá-lo nestas negociações


O Irão parte para as negociações de um acordo de paz com os Estados Unidos levando consigo a sua maior cartada. O controlo do Estreito de Ormuz é, na ótica do especialista em Direito Internacional Francisco Pereira Coutinho, um verdadeiro "ás de trunfo" que pode ajudar o regime a ter uma alavanca nas negociações que aí vêm, enquanto um frágil cessar-fogo se tenta aguentar.

Até lá, as últimas informações apontam que o Irão vai permitir a passagem de um máximo de 15 embarcações por dia através do Estreito de Ormuz, informou a agência de notícias estatal russa TASS, citando uma fonte iraniana não identificada. Esta informação, que ainda não foi confirmada por nenhum outro órgão de comunicação, surgiu depois de Hamid Hosseini, porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irão, ter declarado ao Financial Times que o Irão ia cobrar taxas de portagem - pagas em criptomoedas - a todos os petroleiros que passem pelo estreito e avaliar cada embarcação, podendo estar em cima da mesa um preço de dois milhões de dólares por embarcação.

"O estreito não está aberto, os navios não estão a passar. O Irão mantém o controlo do Estreito de Ormuz. E essa é uma mensagem importante que está a ser passada", afirma Francisco Pereira Coutinho à CNN Portugal. "Há muita informação contraditória, por isso não sabemos bem o que é verdade sobre o acordo. Mas até agora o que nós sabemos é que estão a passar menos navios do que antes do cessar-fogo ter sido anunciado. É uma arma de pressão que o Irão tem sobre a economia mundial e isso significa também sobre os EUA." 

Esta escalada da situação no Estreito de Ormuz "mostra a derrota estratégica de Trump", afirma Francisco Pereira Coutinho. Antes da intervenção americana, "o estreito estava aberto, o Irão nunca tinha feito isto. E agora o Irão tem esta arma nas negociações". Talvez por saber isso, o presidente dos Estados Unidos vai continuando com as ameaças - a última das quais prometeu a abertura da via, seja com a participação de Teerão ou não, o que soa a uma ameaça clara, até porque o regime dos aiatolas está a fazer um "pobre trabalho" nesta parte.

Embora o cessar-fogo tenha sido anunciado no final de terça-feira, o dia seguinte registou o menor tráfego de navios através do Estreito de Ormuz desde o final de março, segundo dados da Kpler, empresa global de rastreamento de navios. Apenas cinco navios graneleiros transitaram pelo estreito, sem que nenhum petroleiro ou gasoduto fizesse a travessia, informou a empresa. Isto mesmo significa que um dos grandes objetivos da reabertura continua por cumprir, já que o petróleo continua sem sair do Golfo Pérsico, zona que antes de 28 de fevereiro produzia um quinto dos barris diários.

Os armadores ocidentais não arriscam passar por ali enquanto não são conhecidos mais pormenores sobre se e como o estreito poderá ser reaberto, sem que nenhuma embarcação estivesse atualmente a aventurar-se pela travessia, com exceção das ligadas ao Irão. “O cessar-fogo pode criar oportunidades de trânsito, mas ainda não oferece total segurança marítima”, disse a Maersk, a segunda maior empresa de transporte marítimo do mundo, acrescentando que continuaria a adotar uma “abordagem cautelosa”.

Esta quinta-feira de manhã, o ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan al Jaber, afirmou que havia 230 navios "carregados de petróleo e prontos para zarpar", mas impedidos de o fazer devido ao bloqueio do estreito - uma faixa de água com apenas 34km de largura entre o Irão e Omã, proporciona a passagem do Golfo Pérsico para o Oceano Índico e é a principal rota para cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e outros bens vitais, incluindo fertilizantes.

O Irão praticamente fechou o porto desde o início do conflito, no final de fevereiro, o que levou a uma redução da oferta e a um aumento dos preços globais do petróleo. Al Jaber exigiu que todas as embarcações tenham liberdade de navegar pelo corredor sem restrições, porque "nenhum país tem direito legítimo a determinar quem pode passar e sob que condições". Exigiu ainda que os produtores de energia "possam restabelecer a produção em larga escala de forma rápida e segura".

O trânsito no Estreito de Ormuz é uma das questões mais difíceis que os negociadores dos EUA e do Irão enfrentam na sua tentativa de transformar um cessar-fogo temporário numa paz duradoura. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na noite de terça-feira que o cessar-fogo estava condicionado à “abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz pela República Islâmica do Irão”. Por outro lado, um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão enumerou 10 pontos que constituem a base para as negociações com os EUA, incluindo um novo “protocolo para a passagem segura” pelo estreito, em coordenação com as forças armadas iranianas.

Quinze navios por dia é "uma gota no oceano"
Quinze navios por dia é “uma gota no oceano”, afirma António Costa Silva, um dos melhores especialistas de petróleo em Portugal. Antes da guerra passavam 91 navios, o que representa 20 milhões de barris de petróleo. Os “5 ou 6 milhões de barris” que vão ser transportados nestes 15 navios “não resolvem a situação, o efeito no mercado será muito limitado”, antevê o também antigo ministro da Economia à CNN Portugal. “Continuamos a ter um grande défice e, se isto se confirmar, vamos viver durante muito tempo debaixo desta asfixia.”

“Nesta altura há uma grande apreensão sobre a solidez do acordo de paz, que essencialmente sofre de dois escolhos”, diz António Costa Silva. “Por um lado o Líbano, perceber se faz ou não parte do acordo, Israel não quer que faça, a única coisa que Israel quer é que não haja acordo, e isso dá uma grande imprevisibilidade aos mercados; o outro é o estreito de Ormuz, a proibição de circulação é uma violação total do Direito Internacional, concretamente da convenção da ONU sobre o Direito do Mar, segundo o qual as passagens naturais devem estar livremente abertas à navegação. Isto é a subversão total das regras.” Sendo assim, perante todas as incertezas que existem sobre o futuro na região, prevê-se que os preços do crude e dos produtos refinados continuem a “aumentar bastante”, como aconteceu já na quinta-feira. 

Cerca das 13:00 de quinta-feira em Lisboa, o preço do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em junho, subiu 3,09 dólares. Apesar disso, a previsão para a próxima segunda-feira aponta para uma descida no preço dos combustíveis, ainda que os valores se mantenham bem acima dos registados antes da guerra.

Vários operadores do setor disseram ao Financial Times acreditar que a situação nos próximos dias se assemelhará ao que se passou nas últimas semanas, com um pequeno número de navios autorizados pelo Irão a ter permissão para passar por uma rota específica, até porque a Guarda Revolucionária Islâmica já admitiu que existe o risco de alguns locais terem minas marítimas. Esta autorização tem estado grandemente restrita às embarcações que têm relações com o Irão e que não têm qualquer ligação com os EUA, Israel ou os países do Golfo que serviram de base aos ataques.

Quem vai aceitar pagar para passar no Estreito de Ormuz?
Na quarta-feira surgiu a informação de que o Irão estava a cobrar cerca de dois milhões de dólares em criptomoedas aos navios que quisessem passar o Estreito. “O Irão precisa de monitorizar o que entra e sai do estreito para garantir que estas duas semanas não são utilizadas para a transferência de armas”, justificou Hamid Hosseini, porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irão, associação que trabalha em estreita colaboração com o governo, citado pelo Financial Times. “Tudo pode passar, mas o procedimento levará tempo para cada navio, e o Irão não tem pressa”, acrescentou.

Hosseini afirmou que qualquer petroleiro que passasse pelo estreito deveria enviar um e-mail às autoridades a informar sobre a sua carga. Após o envio, o Irão informaria o valor da taxa a pagar em criptomoedas, explicando que a tarifa é de um dólar por barril de petróleo, acrescentando que os petroleiros vazios podem passar livremente. Os petroleiros no Golfo Pérsico receberam, na quarta-feira, uma emissão de rádio a alertar que seriam alvos de ataques militares, a não ser que obtivessem aprovação prévia das autoridades iranianas. “Se alguma embarcação tentar transitar sem permissão, será destruída”, dizia a transmissão, em inglês, segundo uma gravação partilhada com o Financial Times.

As decisões sobre as condições de passagem pelo estreito são tomadas pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão. As declarações de Hosseini sugerem que o Irão exigirá que todos os petroleiros utilizem a rota norte, junto à sua costa, o que levanta dúvidas sobre se as embarcações ligadas a países ocidentais ou do Golfo estarão dispostas a arriscar a travessia.

Permitir que o Irão continue a controlar esta importante via navegável será provavelmente algo inaceitável para os países do Golfo, incluindo a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos. Isto também levanta questões para a OPEP+, o grupo de produtores de petróleo, com os analistas a avisarem que a entrega do controlo do Estreito de Ormuz ao Irão pode alterar fundamentalmente o equilíbrio de poder dentro da organização, dando a Teerão um potencial poder de veto sobre as exportações de membros concorrentes ou rivais.

Entretanto, e para complicar ainda mais a situação, "Donald Trump sugeriu, meio a brincar, a possibilidade de criar uma espécie de joint venture entre vários países para explorar o Estreito de Ormuz, transformando-o numa oportunidade de negócios", lembra Francisco Pereira Coutinho. Embora não se possa confiar completamente nas palavras de Trump, há que sublinhar que esta proposta é uma violação do Direito Internacional. "Historicamente, os EUA sempre se interessaram em manter os estreitos abertos. Foi isso que aconteceu durante a guerra entre o Irão e o Iraque. Por isso, este tipo de declarações causa alguma preocupação. Os países do Golfo obviamente não podem aceitar uma coisa destas, é uma forma de extrair dinheiro a estes países, eles precisam do estreito para continuar as suas atividades económicas", afirma o especialista em relações internacionais. "Mesmo que os EUA se desinteressem do estreito, os países da região vão recorrer à força para garantir a sua reabertura."

Impor uma taxa aos navios que navegam pelo crucial Estreito de Ormuz "criaria um precedente perigoso" e os países não devem impedir a liberdade de navegação, disse a agência marítima da ONU na quinta-feira. "Não existe nenhum acordo internacional que permita a introdução de taxas para a travessia de estreitos internacionais. Qualquer taxa deste tipo criará um precedente perigoso", disse um porta-voz da Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU, citado pela Reuters. 

"Como é que isto se resolve? O Irão vai trocar este controlo sobre estreito pelo quê? Pelo levantamento de sanções?", pergunta Francisco Pereira Coutinho. A resposta a estas questões ainda não é clara, diz, recordando que o estreito não são só águas territoriais do Irão, são também de Omã.

Abrir o estreito pela força é "uma operação praticamente impossível"
A outra solução possível, na qual Trump continua a insistir, é realizar uma operação militar com o único objetivo de abrir o Estreito de Ormuz. “Sob o ponto de vista militar, essa é uma operação muito complicada”, considera o tenente-general Marco Serronha. “Além disso tenho sérias dúvidas que uma operação militar que tenha algum grau de eficácia no que toca ao objetivo de abrir o estreito à navegação. Não é possível controlar totalmente o estreito, não basta controlar as margens para dizer que a passagem é segura. Podem deixar passar os navios e escoltar os petroleiros, mas a qualquer momento o Irão pode lançar um míssil ou pode haver minas”, sublinha o especialista militar à CNN Portugal. 

Não sendo possível garantir a segurança do estreito, "as companhias de navegação internacionais não arriscam passar. Aliás, nem são as companhias, são as seguradoras", diz Marco Serronha. “Portanto, tenho muitas dúvidas sobre a eficácia de uma intervenção desse género e os EUA sabem isso, Trump pode dizer o que quiser, mas os seus chefes militares sabem isso. É uma operação praticamente impossível.”

“Uma solução possível e mais imediata seria os EUA conquistarem a ilha de Kharg e usarem isso como moeda de troca”, sugere Marco Serronha. “Sem a ilha, o Irão não consegue escoar o petróleo e o gás e seria obrigado a negociar com os EUA.”

Na quinta-feira, o secretário-geral da NATO, Mark Rute, afirmou que a NATO estará disposta a desempenhar um papel numa possível missão no Estreito de Ormuz, caso tenha condições para tal. "Se a NATO puder ajudar, obviamente não há razão para não ajudar", disse Rutte numa conferência em Washington. "No que diz respeito ao Estreito de Ormuz, o que estamos a ver sob a liderança de Keir Starmer e destes 34 países a trabalhar em estreita colaboração com os EUA é, naturalmente, um compromisso partilhado, um acordo de que não podemos aceitar que este comércio seja fechado. Precisa de ser aberto. E quando for aberto, precisamos de o manter aberto", acrescentou.

Nota pessoal
Os EUA nunca assinaram a Convenção  das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O Irão assinou, mas ainda não ratificou. Mesmo não sendo parte do tratado, os EUA utilizam as definições da Convenção para navegar em águas internacionais, o que cria uma situação diplomática irónica onde defendem as regras de um "clube" ao qual decidiram não pertencer oficialmente.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

A riqueza em África e o falso nacionalismo


Porque razão África é apetecível, maltratada, dizimada, colonizada, destruída e sem Paz e não nos dá Paz. A razão dos refugiados e imigrantes para a Europa tem culpados. O maior deles é China. Não sejamos puristas, nem nacionalistas e o raio que vos parta. Não sejamos hipócritas!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

COP será presidida novamente por homem com carreira no petróleo

Mukhtar Babayev
Um homem com carreira no setor do petróleo vai voltar a presidir à conferência do clima da ONU, já que o Azerbaijão nomeou o seu ministro da Ecologia e dos Recursos Naturais como presidente da COP29 de novembro.

“Sua Excelência Mukhtar Babayev foi nomeado presidente designado da 29.ª sessão da conferência das partes” da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, segundo informação do ministério enviada hoje à agência France Presse sobre a nomeação do ex-funcionário da petrolífera Socar.

Os Emirados Árabes Unidos tinham escolhido para presidente o sultão Al Jaber, dirigente da empresa nacional Adnoc, para presidir a conferência da ONU do clima, que terminou em dezembro em Dubai com um apelo histórico inédito para uma “transição” afastada dos combustíveis fósseis.

A presidência da COP28 já felicitou Babayev, que representou o Azerbaijão nas negociações do Dubai, através de uma mensagem na rede social X: “Vamos trabalhar com as presidências da COP29 e COP30 (no Brasil), bem como com a ONU para o Clima, para concretizar o sucesso histórico e transformador da COP28 e manter a meta de 1,5°C ”.

O novo presidente da COP tem no seu currículo, entre 1994 a 2003, funções no departamento de relações económicas externas da Socar, a empresa nacional de petróleo e gás, antes de passar para a área de marketing e operações económicas.

Entre 2007 e 2010, foi vice-presidente responsável pela ecologia da empresa de petróleo e gás e é ministro da Ecologia e Recursos Naturais desde 2019.

Historicamente, os presidentes da COP foram ministros ou diplomatas, com exceção do ano passado com Sultan Al Jaber, que é presidente da Adnoc, um dos maiores produtores de gás e petróleo do Golfo, e representou o seu país em várias COP’s e afirmou-se como líder da empresa de energia renovável Masdar.

O governo azeri nomeou o vice-ministro dos Negócios Exteriores, Yalchin Rafiyev, como negociador-chefe da COP29.

O anfitrião anual da COP é escolhido por consenso pelos países da região designada. Em 2023, os países asiáticos designaram os Emirados Árabes Unidos, e este ano, após meses de bloqueios, foi definido o Azerbaijão pelos países da Europa de Leste, que incluem a Rússia.

Este ano será Baku a receber a COP e poderá fazer recordar a edição anterior, já que foi uma das capitais mundiais do petróleo no início do século XX, como apontou à AFP Francis Perrin, especialista em energia do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, “com os interesses russos, da Shell e dos irmãos Nobel da época”.

O país desenvolveu grandes depósitos de petróleo e gás no Mar Cáspio desde a década de 1990, acrescentou.

Atualmente, o gás tornou-se mais importante do que o petróleo para este membro da OPEP+, exportado principalmente para a Europa.

“O país continua hoje muito dependente dos hidrocarbonetos, que representam pouco menos de 50% do seu PIB, pouco mais de 50% das suas receitas orçamentais e pouco mais de 90% das suas receitas de exportação”, analisou Perrin.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

E se a crise Hamas-Israel ganhasse outra dimensão geográfica? O impacto na economia mundial poderia ser catastrófico


Com o conflito militar em curso na Ucrânia, e depois da pandemia de covid-19, desponta mais uma tragédia mundial: a guerra Hamas-Israel.
Nesta fase, como consequência do ataque inicial do Hamas e da resposta de Israel, são já milhares de vidas perdidas.
No plano económico, ainda antes do conflito Hamas-Israel, o contexto global era já de muita imprevisibilidade e apreensão. Ao contrário do que podia parecer, a economia mundial mantinha-se em suspenso e submetida a um elevado grau de instabilidade. O atual corte na produção de petróleo, estrategicamente levado a cabo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, é um importante impulsionador da inflação. Por outro lado, a suspensão do acordo do Mar Negro, que impacta muito negativamente nos mercados de cereais, também configura um problema central à escala mundial. Com os preços dos combustíveis e dos cereais sob stress permanente, o ressurgimento da inflação manter-se-á latente. As partes que dominam petróleo, gás e cereais têm o poder de regular a estabilidade global.
Com a guerra Hamas-Israel, o enquadramento económico global agrava-se ainda mais. A agência de notícias financeiras norte-americana Bloomberg coloca em equação três cenários possíveis.
No caso de conflito permanecer confinado ao território palestiniano, o impacto nos preços do petróleo e na economia mundial será “reduzido”. Recorda-se que o recente desagravamento das relações entre EUA e Irão permitiu a este último aumentar significativamente a produção diária de petróleo. No entanto, como Teerão tem apoiado declaradamente grupos islâmicos que se opõem a Israel, qualquer envolvimento iraniano no ataque do Hamas a Israel poderia desencadear um confronto bélico de escala muito superior. Neste caso, o reforço das sanções dos EUA ao petróleo do Irão poderia penalizar os mercados mundiais em cerca de 700 mil barris desta matéria-prima por dia. Se assim fosse, segundo a Bloomberg, registar-se-ia um aumento estimado de três a quatro dólares nos preços do petróleo. O PIB mundial diminuiria 0,1 pontos percentuais. O impacto na inflação seria de 0,1 p.p.
Já se o conflito alastrasse ao Líbano e à Síria, o choque económico seria bastante mais significativo. O Irão apoia alguns grupos importantes nestes dois países. Um destes grupos é a organização política e paramilitar fundamentalista islâmica Hezbollah. O Hezbollah tem um papel central no Líbano. Com Líbano e Síria geograficamente envolvidos no atual confronto, as estimativas da Bloomberg apontam para uma subida de oito dólares no preço do barril de petróleo. O PIB mundial cairia 0,3 p.p. e a inflação registaria um aumento de 0,2 pontos percentuais.
Já um cenário ainda mais grave, de confronto militar direto entre Irão e Israel, poderia originar uma recessão global. A ameaça nuclear e a proximidade política e estratégica entre Irão e Rússia são dois pressupostos alarmantes. Por outro lado, a desestabilização efetiva de todo o Médio Oriente seria um acontecimento de consequências imprevisíveis e potencialmente catastróficas. Neste caso, segundo a Bloomberg, assistir-se-ia a um aumento de sessenta e quatro dólares no preço do barril de petróleo, a uma queda de 1,0 p.p. no PIB mundial e a um acréscimo de 1,2 pontos percentuais na inflação à escala global.
Independentemente dos três cenários traçados pela Bloomberg, o confronto Hamas-Israel é mais um acontecimento mundial que impulsiona a incerteza económica e financeira. Por esta razão, a volatilidade dos mercados começou já a fazer-se sentir.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

The Dirty Truth About Clean Technologies


Fonte: Der Spiegel- 04.11.2021

There’s a dirty secret hidden in every wind turbine. They may convert moving air cleanly and efficiently into electricity, but few know much about what they are made of. Much of the material inside wind turbines are the product of brutal encroachments on our natural world.

Each unit requires cement, sand, steel, zinc and aluminum. And tons of copper: for the generator, for the gearbox, for the transformer station and for the endless strands of cable. Around 67 tons of copper can be found in a medium-sized offshore turbine. To extract this amount of copper, miners have to move almost 50,000 tons of earth and rock, around five times the weight of the Eiffel Tower. The ore is shredded, ground, watered and leached. The bottom line: a lot of nature destroyed for a little bit of green power.

A visit to the Los Pelambres mine in northern Chile provides a clear grasp of the dimensions involved. It is home to one of the world’s largest copper deposits, a giant gray crater at an altitude of 3,600 meters (11,800 feet). The earth here is full of metalliferous ore. Just under 2 percent of the world’s copper production comes from this single pit.

Dump trucks, 3,500-horsepower strong, transport multi-ton loads down the terrace roads that line the mine. The boulders are transported by conveyor belt almost 13 kilometers (8 miles) into the valley, where the copper is extracted from the rock. This processing requires huge amounts of electricity and water, a particularly precious commodity in this arid region.

The project is operated by Antofagasta, a London-based Chilean mining corporation that owns 60 percent of the mine. The company built a hydroelectric plant in 2013, almost exclusively to supply electricity to Los Pelambres. Farmers protested against it, and have blamed the project for water shortages in the region.

Now, though, the mine is slated to grow even larger. The company is pumping additional volumes of desalinated seawater from the Pacific coast across the country. Company executives hope this will enable them to continue operating the mine for a few more years. Global demand for copper, after all, is expected to grow immensely, for power cables and electric motors. And for wind turbines.

“We are using resources of the future to pay for the present.”

There are great hopes that the green technology can be used to help save the climate, but that rescue also entails stripping the planet of precious resources. And this is the paradox behind what is currently the most important project of the industrialized world: the global energy transition. The dilemma, which is becoming increasingly apparent, is also on the minds of the 25,000 or so delegates at the World Climate Conference currently taking place in Glasgow. Deposits in the poor South are being exploited so that the rich North can transition to environmental sustainability. At least to a lifestyle that appears sustainable. Mathis Wackernagel, a resource researcher who lives in California, describes it as a disastrous development. "We haven’t quite thought the future through,” he says.

Wackernagel, who was born in Basel, Switzerland, in 1962, is one of the most influential figures in the environmental movement. He coined two metaphors that have influenced thinking about sustainability around the world.

One is the idea of the environmental footprint, which indicates how much land and sea area is needed to renew the resources that we have consumed. According to Wackernagel’s calculations, 1.75 Earths would be needed for the planet to regenerate itself. If all the people on the planet were to behave as wastefully as the inhabitants of Germany, it would require almost three Earths.

The other is Earth Overshoot Day, which marks the day each year on which humanity has used as many resources as the planet can replenish in a year. This year, that day fell on July 29. The two metaphors serve to underscore Wackernagel’s main point: "We are using resources of the future to pay for the present.”

He’s referring to the daily consumption of around 90 million barrels of crude oil, the use of land for buildings, roads or arable land – and also the exploitation of mineral resources. Wackernagel says the biological budget is limited and that humans must decide what they want to use it for. If we use it to mine copper, then it won’t, for example, be available for the cultivation of beets. He says it’s too short-sighted to think that all we have to do to protect the environment is to recreate the fossil-fueled world with electricity and swap the six-cylinder Jaguar for the battery-powered Tesla.

Few are aware of this fact as they drive their electric vehicle, use electricity from wind or solar power, or have a lithium-ion storage facility set up in the basement – making them feel like pioneers in sustainability. Many don't realize how extremely polluting the production of raw materials from which climate technologies are manufactured really is. Who knew, for example, that 77 tons of carbon dioxide are emitted during the manufacture of one ton of neodymium, a rare earth metal that is used in wind turbines? By comparison: Even the production of a ton of steel only emits around 1.9 tons of CO2.

Almost 50 years after American scientist Donella Meadows and her fellow campaigners warned of "the limits to growth” in their report to the Club of Rome, the overexploitation of nature is taking on a surprising new dimension. The massive demand for materials has continually been the underappreciated factor in all the technologies that are intended to help make the world more sustainable. Wind turbines, photovoltaic systems, electric cars, lithium-ion batteries, high-voltage power lines and fuel cells all have one thing in common: Inconceivable amounts of raw materials are consumed in their production.

In a solar park measuring 1,000 by 1,000 meters, there are fully 11 tons of silver. A single Tesla Model S contains as much lithium as around 10,000 mobile phones. An electric car requires six times as many critical raw materials as a combustion engine – mainly copper, graphite, cobalt and nickel for the battery system. An onshore wind turbine contains around nine times as many of these substances as a gas-fired power plant of comparable capacity.

It is the specific properties they contain that makes these metals so desirable. Cobalt and nickel increase the energy density in a battery. Neodymium amplifies the magnetic forces in wind generators. Platinum accelerates processes in fuel cells, and iridium does the same for electrolyzers. Copper’s conductivity makes it relevant in every electrical installation. Around 150 million tons of copper are installed in power lines around the globe. And humankind is only at the beginning of its energy transition.

According to calculations by the International Energy Agency (IEA), global demand for critical raw materials will quadruple by 2040 – in the case of lithium, demand is expected to be as high as 42 times greater. According to IEA head Fatih Birol, these materials are becoming "essential components of a future clean global energy system.”

Over the course of his professional career, Birol, who has a doctorate in energy economics, has never really had to deal with these materials until recently. His area of focus had always been oil and gas, first as an analyst for OPEC and later, at the IEA, founded in Paris in 1974 by the consuming countries in response to the first oil price crisis. The crisis painfully demonstrated to governments just how dependent they had become on the drip of a few producing states.

Almost a half a century later, Birol is now observing how the industrialized nations are falling into a new dependency – not on oil, but on metals. And it could prove to be even more serious.

Many of these critical commodities come from a small group of countries. Indonesia and the Philippines command around 45 percent of the global nickel supply. China supplies 60 percent of rare earth metals. The Congo is responsible for about two-thirds of cobalt production. South Africa dominates around 70 percent of the platinum market.

The geographical concentration is even more pronounced than in the oil business. OPEC covers just 35 percent of global supply. In mining, on the other hand, only 10 countries produce around 70 percent of the raw materials by value.

The good news is that, from a geological view, there is no shortage of metals. Even the rare earths are neither rare nor earths. Nor are they in any way exclusive to China.

On the other hand, mining is becoming more and more expensive, and ore quality and raw material content are declining. As the tight supply meets surging demand, prices are skyrocketing. Within 12 months, important metals have become massively more expensive: The price of nickel has risen by 26 percent, copper by 43 percent and aluminum by 56 percent. The price of lithium carbonate has roughly tripled in a year to more than $20,000 per ton. At the same time, stocks of metal in warehouses around the world are plummeting.

It’s obvious that something is out of balance. IAE head Birol is familiar with the situation from the oil business, and the metals markets could also fall into a similar situation. Birol speaks of the looming discrepancy between ambition and supply: between the aspiration to protect the climate and the difficulty of obtaining enough affordable copper, nickel and lithium.

Given that the depletion of resources is concentrated in a few countries, particularly those that are politically unstable, their supply is becoming a global security issue. "This could lead to disruptions,” warns Birol.

And it begs the question: How clean are green technologies really?

domingo, 30 de outubro de 2022

A Rússia vai perder a batalha energética


A grande vítima de toda a crise energética que vivemos será mesmo... a Rússia. É o que salienta o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, em entrevista à Euronews, na qual explica porque é que Moscovo deu o passo errado.

"A Rússia vai sair a perder desta batalha energética pela seguinte razão: antes da invasão, cerca de 75% do total de exportações de gás russo vinha para a Europa, assim como 55% das exportações de petróleo. A Europa era, de longe, o maior mercado, o maior cliente da Rússia. E a Rússia perdeu-o para sempre. E não é possível construir gasodutos rapidamente para enviar gás para a China ou Índia. No cenário mais otimista, são necessários dez anos para construir gasodutos desses", explica.

No entanto, para Fatih Birol, as previsões de que este inverno será o mais duro não estão corretas.

"Vamos chegar até fevereiro ou março sem grandes problemas porque conseguimos armazenar muito gás natural, graças às políticas europeias. Vamos usá-lo durante este inverno. Mas a questão é que o inverno seguinte pode ser ainda mais duro do que este. Quando chegarmos a fevereiro ou março, já teremos utilizado uma grande parte do gás que guardámos. Como é que vamos conseguir armazenar novamente, encher novamente as reservas? Essa é a grande questão, porque as condições do mercado não serão fáceis", considera.

Falando sobre a economia russa, Georgieva projetou contrações em 2022 e 2023, juntamente com implicações prejudiciais de médio e longo prazo.

"Um, [a Rússia] está perdendo o acesso à tecnologia que teria ajudado o país a modernizar e diversificar sua economia. Segundo, está perdendo pessoas. A saída de russos, especialmente russos altamente qualificados, por causa da guerra está prejudicando a Rússia, " ela disse.

"E terceiro, está perdendo seu papel na economia global."

Campanha Global Witness - Stop Russian oil

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Vladimir Putin prevê o fim do domínio ocidental

Vladimir Putin acredita que domínio do Ocidente está a chegar ao fim. Com a guerra da Ucrânia sempre em eco, o líder do Kremlin traçou a sua visão do mundo, numa conferência de analistas políticos internacionais, onde se discutiu o papel da Rússia no mundo. O ódio em relação ao Ocidente e loas à Grande Rússia tal como já previ aqui nesta postagem.


Putin, acusou o Ocidente de jogar sujo e que está "a tentar desesperadamente" "governar o mundo". [aqui em video] 

O conselheiro presidencial da Ucrânia, Mykhailo Podolyak, descreveu o discurso de Putin como sendo freudiano, pois acusa os outros de tudo o que faz; prevendo que: "quem semeia ventos, colhe tempestades". E a tempestade está a chegar". Os Estados Unidos, por seu lado, colocam a ameaça russa em perspetiva, comparando-a com o desafio que a China representa. 

Lloyd Austin reconheceu a preocupação sobre uma possível "escalada" das tensões com a Rússia. Declarando ainda que a resposta comunidade internacional seria significativa em caso de ataque nuclear.

Douglas London considera Putin previsível e consistente  na política e passar a mensagem da Grande Rússia para o Ocidente.

Discurso completo aqui

Análise da CNN
Um jogo "perigoso, sangrento e sujo" que coloca o mundo perante a "década mais perigosa” desde o fim da Segunda Guerra Mundial: Vladimir Putin teceu esta quinta-feira duras críticas ao Ocidente e aos seus líderes e ex-líderes - nem Liz Truss foi esquecida num longo discurso em que o presidente russo defendeu também a doutrina militar e os valores do seu país. “O mundo unipolar é coisa do passado. Estamos numa fronteira histórica. À frente está a década mais perigosa, imprevisível e, ao mesmo tempo, importante desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, afirmou no Valdai Discussion Club em Moscovo.

Sobre Clube Valdai aqui
Site oficial - Valdai Discussion Club

quinta-feira, 11 de maio de 2017

É a energia estúpida, por João Camargo


«(…) O relatório é assinado por cientistas, nomeadamente da BP, da BMW, da ENEL, da Federação da Indústria Motora, da Fundação Kuwait e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Os cenários de energia são baseados nos relatórios da IEA, que por sua vez utiliza os dados da Exxon-Mobil, da Shell, da Chevron, da BP, da Total e da Statoil. Ironicamente, ao longo das últimas décadas, as petrolíferas e, consequentemente, a IEA sobrevalorizaram o futuro consumo de combustíveis fósseis e subvalorizaram o desenvolvimento as energias renováveis. Em 2010 a agência previa que só em 2024 se atingiriam 180 GW de capacidade de energia solar PV, valor que foi atingido em 2015. A potência de energia eólica prevista em 2002 para 2030 foi atingida em 2010. Perante o mais baixo nível de investimentos em combustíveis fósseis em 60 anos (acompanhando um investimento recorde em renováveis), a IEA apelou em 2016 a um reforço do investimento em fósseis. 

Portanto, os dados utilizados são dados que projectam um contínuo crescimento económico da indústria petrolífera, o que não bate com a realidade e, mais do que uma avaliação imparcial, fornece uma lista de desejos (das petrolíferas). Se adicionarmos que as petrolíferas como a Exxon-Mobil, a Texaco e a Shell sabiam desde os anos 70 do século passado da ameaça das alterações climáticas causadas pela queima de petróleo, gás e carvão, e que passaram os últimos 20 anos a pagar a negacionistas para evitar acção climática, ficamos mais tranquilos em relação à credibilidade.


(…) Em vez de usarem mensageiros, as petrolíferas devem responder pelos seus interesses económicos. A adjectivação e a invectiva pessoal têm pouco valor, mesmo acompanhadas de título e de cátedra, especialmente quando a única fundamentação dada para responder a uma carta de 66 cientistas preocupados com o futuro é usar os relatórios dos interesses de uma indústria de energia estúpida que, mesmo na queda, teima em levar-nos a todos para o caos climático.»

João Camargo in É a energia estúpida – Sábado 9mai2017

domingo, 7 de agosto de 2016

"It is during the night in the ocean when the greatest migration on earth occurs" by Russ George





Feeding The Greatest Migration On Earth - Russ George
Fonte: RUSS GEORGE


The greatest migration on Earth.
Each day and night the sonars and other instruments reveal a rapid change in the bloom. As the phytoplankton bloom grows tiny zooplankton that graze upon those ocean plants respond both in number and behaviour.
These tiny ocean zooplankton, mixatrophs, will be seen and eaten if they are near the surface during daylight (or moonlight). To remain safe they hide in the deep dark waters and migrate to the surface only in the dark of night.

During daylight hours the zooplankton are 300+ meters down resting on the “deep thermocline” layer. As daylight wanes each evening their nightly migration to the surface pastures begins. There they engorge themselves with the blooms “fresh greens.” By morning light they swim back to the dark depths and safety where like bucolic cows they rest and digest.
The team is here to watch, measure, and captures samples of this ‘greatest migration’ on Earth. Russ George the chief scientist describes the spectacle, “It is as if we are perched in a tree on the great plains of Africa privileged to witness the great herds of beasts as they run past. Here there are animals of every size and shape albeit in mostly miniature planktonic forms. We see the salps, jellies, copepods, amphipods, krill, and more.” Mysteriously rare and missing are the pteropods but that’s another story.
Sea life from near and far are drawn to an ocean oasis.

That this wondrous plankton growth is beneficial is perfectly clear as is seen in the immediate shift from scarcity to abundance in sea life of all kinds. Spouting plumes of misty breath from the great whales, Fins, Seis, Sperms, and Orcas reveal the most obvious herds attracted to and now thriving on this renewed pasture. Two months ago, before the bloom, whale sightings were so few that not more than five or six were seen during weeks at sea. Now every day shows at least that many, some days whales are counted by the score.

Do or Do Naught
Ocean Pastures that sustain the greatest migration on earth have been turning into ever bluer ‘blue deserts’ for decades. Each year 1% of the plant-life of the oceans is lost due to our neglect of these vital pastures. To put that in context in every five year span of time the oceans lose the equivalent plant life to the entire Amazon Rainforest. We are all concerned about the fate of the Amazon which has lost 20% of its plant life. But since the 1950’s when records clearly show the loss of ocean pasture plant life at 1% per year we’ve lost 10 entire Amazon Rainforest’s of our vital ocean plant life. We can and must restore the ocean pastures! Join me.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Como pode ser vantajoso o pico do petróleo


O documentário A Crude Awakening: The Oil Crash (2006), realizado por Basil Gelpke e Ray McCormack, é uma das análises mais rigorosas sobre o conceito geológico do Pico do Petróleo (Peak Oil). O filme afasta-se de cenários ficcionais para examinar a dependência energética da civilização moderna sob uma perspetiva científica, económica e histórica.

Em vez de abordar o esgotamento imediato do recurso, o documentário explica que o verdadeiro perigo reside no fim do petróleo barato e de fácil extração. Esta premissa fundamenta-se no modelo matemático desenvolvido pelo geofísico M. King Hubbert no artigo Nuclear Energy and the Fossil Fuels, apresentado ao American Petroleum Institute em 1956, que demonstra como a extração de qualquer poço ou região segue uma curva em formato de sino até entrar em declínio irreversível.

O filme salienta que o crude não serve apenas como combustível para transportes, funcionando também como a espinha dorsal da petroquímica mundial. A sua escassez compromete a produção de fertilizantes industriais sintéticos - indispensáveis para a agricultura em escala global —, além de plásticos, produtos farmacêuticos e redes de abastecimento. Para ilustrar os efeitos do declínio geológico, os realizadores percorrem bacias petrolíferas esgotadas como Baku, no Azerbaijão, e Lake Maracaibo, na Venezuela, enquanto alertam para a sobre-estimativa sistemática das reservas declaradas pelos países da OPEP e para o risco acrescido de conflitos por recursos naturais, tese desenvolvida pelo professor Michael Klare na sua obra Resource Wars: The New Landscape of Global Conflict.

A argumentação do documentário baseia-se nas intervenções de 27 especialistas de renome internacional. Entre eles destaca-se Colin Campbell, geólogo petrolífero com carreira em multinacionais como a Amoco e a Texaco, além de cofundador da Association for the Study of Peak Oil and Gas (ASPO). Juntam-se-lhe Kenneth S. Deffeyes, geólogo e professor emérito da Universidade de Princeton que trabalhou com M. King Hubbert; Matthew Simmons, banqueiro de investimento em energia e autor de Twilight in the Desert: The Coming Saudi Oil Shock and the World Economy; Fadhil Chalabi, antigo Secretário-Geral da OPEP; Terry Lynn Karl, professora da Universidade de Stanford especialista na maldição dos recursos; e Roscoe Bartlett, físico e congressista norte-americano que liderou o Congressional Peak Oil Caucus.

Ao analisar as soluções, o documentário demonstra que nenhuma alternativa energética renovável possui a densidade e a Taxa de Retorno Energético (EROEI) do petróleo convencional, conceito detalhado no estudo académico EROI of Global Energy Resources: A Status Review, publicado por Charles A. S. Hall. A energia solar e a eólica enfrentam limites de intermitência na indústria pesada; os biocombustíveis consomem solos aráveis e ameaçam a segurança alimentar; e a economia do hidrogénio exige mais energia na sua síntese do que aquela que devolve na combustão.

A conclusão apresentada pelos cientistas indica que a única resposta viável passa pela redução drástica do consumo global de energia, pela reorganização do planeamento urbano e pela relocalização da produção. Esta necessidade de planeamento prévio é corroborada pelo relatório oficial encomendado pelo Departamento de Energia dos EUA, conhecido como Relatório Hirsch (Peaking of World Oil Production: Impacts, Mitigation, & Risk Management), que conclui que a mitigação dos impactos do Pico do Petróleo exige pelo menos 20 anos de reconversão infraestrutural antes do início do declínio geológico.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Salvem O Nosso Céu


Dia 16 de Setembro - Dia Mundial para a Protecção da Camada do Ozono

Urge alertar consciências para os problemas que põem em causa o equilíbrio do nosso planeta.Desta forma, CITIDEP, GAIA e YEE vão lançar uma campanha sobre a Camada do Ozono (COZ) no dia 16 de Setembro, Dia Mundial para a Protecção da Camada do Ozono, junto de escolas básicas e secundárias. Esta campanha será dirigida essencialmente aos mais jovens em virtude destes representarem as gerações em que é possível promover a reflexão e posterior alteração de atitudes e comportamentos de uma forma mais eficaz e rápida.As escolas Secundária Pedro Nunes e Jerónimo Emiliano de Andrade, serão alvo da campanha e irão receber posters, flyers e t-shirts. Se queres colaborar vai à Página YEE Youth and Environment Europe Project no fundo dessa página está o material da campanha em português. Podes imprimir o póster e afixar onde achares melhor, assim como imprimir o panfleto e divulgar junto da família, trabalho, amigos, etc.
Ficem bem e até à próxima!


Obrigado Pedro Almeida

Mais informações

Para ler com muita atenção e de divulgação livre
Cidades para Bicicletas,Cidades para o Futuro (pdf do grupo muito dinâmico da Bicicletada)
Relatório Cidades Europeias Sustentáveis ( Importante alerta - já de 1996!! - e documento estruturante essencial para perceber o que ainda se pode fazer nas nossas cidades, estas medidas essas sim são genuínas requalificações e não ao que temos assistido ao longo dos Programas Polis e também disponível aqui em pdf)

Por uma Vida Mais Verde (texto e fotos do evento de Verão publicadas no blogue do Grupo Gaia - Porto)

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Petróleo: mistura de hidrocarbonetos


O Petróleo é um produto da transformação da matéria orgânica (encontrada no fundo dos mares ou em terra) que passou por modificações ao longo de milhares de anos. O nome dado a essa espécie deriva do latim: petra = pedra, oleum = óleo e, como o próprio nome já diz, é um líquido oleoso (denso e de cor escura), extraído da pedra.

Composição química do Petróleo: Esta matéria é composta por produtos nitrogenados e sulfurados (derivados do nitrogênio e enxofre), oxigênio e matéria orgânica decomposta. É considerado uma mistura de hidrocarbonetos porque seus derivados possuem de 1 a 38 carbonos em suas cadeias estruturais, como também hidrogênio.

Jazidas de Petróleo: talvez você pense que o petróleo é encontrado na forma de um rio subterrâneo, mas não é verdade. O óleo fica impregnado às rochas sedimentares (rochas porosas formadas por calcário e areia) e estas o absorvem transportando-o para o interior da crosta terrestre. As jazidas (poços de petróleo) são formadas porque algumas rochas são impermeáveis, sendo assim, o óleo se acumula formando poços de petróleo.

Extração de Petróleo: primeiro é preciso localizá-lo, o que é difícil porque se encontra em locais subterrâneos. Após a etapa de localização é hora de perfurar o poço, e para retirar o petróleo depende da quantidade de gás presente: se for em grande quantidade o óleo é expelido sozinho em razão da pressão exercida sobre o mesmo, agora se não houver pressão alguma é preciso recorrer às bombas de extração.

Utilizações do Petróleo: sua utilização mais conhecida é como combustível de automóveis, mas também é usado na obtenção de plásticos, fibras artificiais e até medicamentos.

Saber mais:
Crude Oil (wiki-EN)
Petróleo (wki-PT)