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sábado, 1 de agosto de 2026

Abrandar ritmo e CEO de IA? Líder da OpenAI mudou opiniões

Numa recente participação num podcast, Sam Altman, o cofundador e CEO da OpenAI, mostra que - em menos de um ano - mudou de opinião em relação a dois assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento de Inteligência Artificial.

CEO da OpenAI, Sam Altman, marcou presença no mais recente episódio podcast Invest Like the Best e afirmou que estava na altura de abrandar o desenvolvimento de Inteligência Artificial. As declarações contrastam com aquela que tem sido a posição defendida até aqui pelo líder da empresa responsável pelo ChatGPT.

“Talvez tenhamos de abrandar o ritmo de desenvolvimento de Inteligência Artificial para termos tempo suficiente, enquanto sociedade, para nos adaptarmos a alguns destes novos níveis de capacidade”, afirmou Altman, notando que ainda não sabe ao certo como este abrandamento poderia ser atingido.

A posição é um pouco diferente daquela que Altman defendeu há poucos meses, nomeadamente durante a sua participação na conferência US Infrastructure Summit da BlackRock, que teve lugar em março deste ano.

Nesta conferência, Altman falou sobre o facto de a Inteligência Artificial não ser uma tecnologia muito popular nos EUA, afirmando que está a ser culpada por praticamente todos os problemas - incluindo os despedimentos que têm sido feitos nos últimos meses em empresas tecnológicas.

No entanto, o CEO da OpenAI considerou que era importante seguir em frente no que diz respeito ao desenvolvimento de Inteligência Artificial, apontando que um abrandamento do ritmo poderia significar que os EUA ficariam para trás no que diz respeito à inovação.

“Se não avançarmos tão rapidamente como outros países na adoção [e Inteligência Artificial], penso que perderemos a vantagem que temos por sermos a potência económica que somos”, notou Altman na conferência. “E isso depende da rapidez com que as empresas a adotam. Depende da rapidez com que os nossos cientistas a adotam, da rapidez com que o nosso governo a adota”.

O CEO da OpenAI declarou ainda que “esta é uma oportunidade única em muitas gerações para realmente melhorar a economia” e de “reescrever algumas das regras da sociedade que não estão a funcionar à luz desta nova e incrível fonte de riqueza”.

IA a liderar empresas? Sam Altman volta a contradizer-se
No mesmo episódio deste podcast, Altman voltou a mostrar que mudou de mudança de posição em outro assunto relacionado com Inteligência Artificial. O patrão da OpenAI afirmou em novembro que queria que a empresa fosse a primeira a ser liderada por uma Inteligência Artificial.

Mais ainda, conta o site The Next Web que Altman chegou a afirmar que seria uma vergonha se a OpenAI não fosse a primeira empresa a ter uma Inteligência Artificial como CEO.

“Seria uma vergonha para mim se a OpenAI não fosse a primeira grande empresa a ser liderada por um CEO de Inteligência Artificial”, afirmou Altman em conversa no podcast Conversations with Tyler, em novembro de 2025.

Agora, no podcast Invest Like the Best, Altman reconheceu que, afinal, ninguém quer ser liderado por uma Inteligência Artificial.

“Penso que, no meu caso, por exemplo, o mundo quer saber quem será responsável pelas decisões da empresa, quem será responsabilizado no caso de as decisões serem más e ninguém quer uma IA como CEO”, notou o líder da OpenAI.

Ler mais:
Dois modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI que escaparam autonomamente do ambiente controlado em que eram testados para atacar o site Hugging Face também se infiltraram noutras plataformas, revelou a empresa.

O cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, foi um dos mais recentes convidados do podcast “Relentless” e admitiu que ficou viciado no TikTok. O que começou com apenas 10 minutos de utilização antes de dormir, acabou por se transformar em várias horas de utilização contínua.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Agentes hackers de OpenAI e Anthropic rebelam-se em novos testes


Testes de cibersegurança realizados por um laboratório de inteligência artificial (IA) no Reino Unido resultaram em novos incidentes com agentes de elevadas capacidades. Os incidentes foram registados envolvendo sistemas da OpenAI e da Anthropic.

Quem descobriu os novos hacks foi o AI Security Institute (AISI), uma agência governamental que teve autorização para realizar experiências com modelos de linguagem avançados. Durante uma bateria de testes, tanto o Mythos 5 como o GPT-5.6-Sol comportaram-se de forma inadequada para atingir o objetivo proposto.

Os casos são diferentes, em alvo e formato, dos já registados anteriormente envolvendo as duas companhias: o acesso não autorizado ao repositório Hugging Face e a série de invasões promovida pelas IA da proprietária do Claude.

«Agradecemos a parceria do AISI ao longo deste processo, incluindo o trabalho de identificar, investigar e partilhar detalhes sobre a atividade. Esperamos dar continuidade à nossa colaboração», afirma a OpenAI numa publicação.

Anthropic, por enquanto, emitiu apenas uma breve declaração a agradecer ao AISI «pela liderança no incidente, que confirma a necessidade de uma conversa de maior dimensão sobre como avaliar com segurança agentes de IA cada vez mais capazes».

Como foram os novos ataques
Segundo o relatório de incidente do AISI, os incidentes foram detetados a 28 de julho deste ano. A equipa que controlava as avaliações notou «transferências invulgares de dados» nos servidores e investigou a origem dessas atividades.
  • Ao todo, foram 19 ações maliciosas causadas pelos agentes de IA controlados pelos dois modelos: duas delas pelo GPT-5.6-Sol e as restantes pelo Mythos 5;
  • Todas as IA receberam o mesmo teste: uma tarefa de «capturar a bandeira» (capture the flag), ou seja, resolver um desafio de cibersegurança como se de um especialista no assunto se tratasse e apresentar uma prova de que a ação tinha sido concluída;
  • O caso mais grave envolveu a Anthropic: um dos agentes tentou adicionar código malicioso a um projeto em código aberto (open-source) no GitHub. Para o fazer, criou identidades falsas e utilizou-as para tentar convencer o proprietário da conta a aprovar as modificações - ação que foi recusada antes de ter qualquer impacto;
  • Noutras ações detetadas, um agente chegou a publicar no GitHub a oferecer colaboração para trabalhar com outros agentes que realizavam o mesmo teste, deixando inclusive instruções sobre como fazer progressos.
Ao contrário dos testes anteriores, os agentes tinham acesso convencional à internet e sabiam disso, mas o prompt não sugeria como a rede poderia ou deveria ser utilizada na avaliação. Qualquer filtro de cibersegurança foi também desativado para utilizar a capacidade máxima da IA.

Entidades pedem limites
GitHub e outras organizações envolvidas foram contactadas para remover código que eventualmente tenha ficado pendente. Nenhum dano real foi provocado durante as avaliações, mas o AISI reforça que as descobertas são graves e exigem «atenção imediata».

«Esta é a primeira vez que vemos riscos relacionados com a autonomia e o engano manifestarem-se de forma tão clara, sem um comando específico e no mundo real», refere a organização. Já o CEO da Hugging Face pediu a responsabilização de programadores e empresas de IA que criem bots que realizem atividades maliciosas na rede, mesmo que se «rebelem» durante os testes.