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segunda-feira, 2 de março de 2026

Novo estudo revela que as culturas de subsistência contribuem também para a desflorestação e para as emissões de gases de efeito de estufa

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Um novo estudo, publicado na revista Nature Food em 23 de fevereiro de 2026, apresenta uma análise sem precedentes sobre a relação entre a produção global de mercadorias, a desflorestação e as respetivas emissões de carbono. 

Através da criação do modelo DeDuCE, os investigadores Chandrakant Singh e Martin Persson conseguiram mapear o impacto de 184 produtos em 179 países, cobrindo o período entre 2001 e 2022. A grande revelação do estudo é que as políticas ambientais atuais podem estar a sofrer de uma "visão em túnel", ao focarem-se excessivamente em produtos de exportação mediáticos, como a carne bovina, a soja e o óleo de palma, enquanto negligenciam o peso das culturas de subsistência e de base alimentar.

Nomeadamente as commodities como óleo de palma e soja têm um impacto concentrado (Sudeste Asiático e América do Sul, respectivamente). Por outro lado, a desflorestação causada por culturas básicas (arroz e milho) está globalmente distribuída, o que torna o seu controlo mais complexo para as cadeias de abastecimento internacionais.

Os dados revelam que a expansão de pastagens para o gado continua a ser a principal culpada, sendo responsável por 42% da desflorestação global e mais de metade das emissões de carbono associadas. No entanto, o estudo destaca que o arroz, o milho e a mandioca — frequentemente ignorados em regulamentações internacionais como as da União Europeia — representam já 11% da perda de florestas no mundo. 

Este fenómeno é particularmente desafiante porque estas culturas básicas estão dispersas globalmente e são destinadas, em grande parte, ao consumo interno dos países produtores, o que as torna menos suscetíveis a pressões comerciais externas.

Ao longo das duas décadas analisadas, a desflorestação para fins comerciais resultou na perda de quase 122 milhões de hectares de floresta e na emissão de 41,2 gigatoneladas de CO2. Os autores sublinham que, se o objetivo internacional for atingir a neutralidade carbónica e travar a perda de biodiversidade, é urgente alargar o âmbito da monitorização. 

O artigo conclui que não basta focar as atenções nas cadeias de abastecimento de luxo ou de exportação; é imperativo integrar as culturas agrícolas de base nas estratégias de conservação, equilibrando a necessidade crítica de segurança alimentar com a proteção dos ecossistemas florestais.

sábado, 7 de junho de 2025

Cientistas fazem descoberta genética que pode aumentar o rendimento do trigo em 10%



Um grupo de investigadores descobriu como melhorar geneticamente o trigo ao identificar um gene que influencia diretamente o peso e o enchimento dos grãos, tendo concluído que esta descoberta pode aumentar o rendimento do trigo em cerca de 10%.

O estudo, recentemente publicado na revista científica Plant Biotechnology Journal, recorreu à tecnologia de edição genética CRISPR para demonstrar que a modificação do gene TaWUS-like-5D pode contribuir para um maior rendimento desta cultura.

A investigação incidiu sobre a família de genes Wox, conhecida por regular aspetos cruciais do crescimento das plantas, embora o seu impacto direto em culturas alimentares como o trigo permanecesse, até agora, pouco estudado.

Utilizando a tecnologia CRISPR, os cientistas editaram geneticamente plantas de trigo, promovendo alterações no gene TaWUS-like-5D, com o objetivo de avaliar os efeitos no peso de mil grãos (TKW), um dos principais indicadores de produtividade.

Os resultados revelaram que as plantas com edições genéticas produziram grãos significativamente maiores, tendo estas registado um aumento no enchimento e no peso total do grão.

Assim, como o amido representa até 85% do peso seco do trigo, os investigadores concluíram que este gene desempenha “um papel determinante” na regulação do rendimento deste cereal.

De acordo com os autores do estudo, este avanço científico pode gerar impacto na segurança alimentar mundial, ao permitir o desenvolvimento de variedades de trigo mais produtivas e adaptadas aos desafios futuros.

O estudo refere que o trigo é uma “cultura globalmente importante” para garantir a segurança alimentar no mundo, especialmente num momento em que as previsões antecipam que a produção de trigo enfrente sérios desafios devido a uma combinação entre alterações climáticas e projeções de que a população mundial duplique até 2050.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Mapear a “árvore da superfamília” de uma planta pode criar culturas resilientes face às crises climáticas


Tendo crescido no Punjab, conhecido como “o celeiro da Índia”, o percurso profissional da investigadora da Universidade de Murdoch, Vanika Garg, no domínio da genómica das culturas esteve profundamente ligado à sua herança.

Sendo a agricultura a espinha dorsal da sua região, desenvolveu desde cedo uma apreciação tanto do significado da agricultura como do seu impacto nas comunidades.

A sua investigação atual como bióloga computacional centra-se na genómica do grão-de-bico, do trigo e das culturas hortícolas – e é coautora de uma série de artigos que exploram a utilização do super-pangenoma.

Ao construir e analisar a “árvore genealógica” de cada cultura, a investigação de Garg ajudará os agricultores e os cientistas a combater novas doenças e a resistir à alteração dos padrões climáticos.

Garg disse que o pangenoma tradicional, uma coleção de DNA compartilhada por todos os indivíduos de uma espécie, agia como um “álbum de família”, e o super-pangenoma que inclui um perfil distinto da genética de uma cultura, incluindo seus parentes selvagens, fornece um contexto extra crucial.

O conceito de super-pangenoma foi introduzido pela primeira vez num artigo de coautoria de investigadores, incluindo Garg, sob a liderança do Professor da Universidade de Murdoch, Rajeev Varshney, em 2019.

“Imagine criar um ‘álbum de superfamília’. Em vez de fotografias de uma só família, reúne fotografias de várias famílias, dos seus familiares, dos seus vizinhos e até de amigos de diferentes cidades”, afirmou Garg, citada em comunicado.

“Este álbum de superfamílias dá-lhe uma perspetiva muito mais ampla do aspeto das famílias e das variações de aparência, personalidades e estilos de vida”, acrescentou.

Segundo ela, através do estudo e, por vezes, do cruzamento de culturas domesticadas com parentes selvagens, os agricultores podem introduzir características especiais nas suas culturas, tornando-as mais fortes e adaptáveis.

“Quando os agricultores ou os cientistas se vêem confrontados com desafios, como uma nova doença que afecta as culturas ou a alteração dos padrões meteorológicos devido às alterações climáticas, podem procurar soluções nestes parentes selvagens”, sublinhou.

“Em termos simples, os parentes selvagens das culturas são como os primos distantes resistentes e engenhosos de uma família que podem ensinar às nossas culturas normais alguns truques de sobrevivência”, concluiu.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

Walt Whitman e o melro


“Creio que uma folha de erva não vale menos que a jornada das estrelas | E que a formiga não é menos perfeita, nem um grão de areia, nem um ovo de carriça | E que o sapo é uma obra prima para o mais exigente | E que as amoras silvestres adornariam os salões do Céu | E que a mínima articulação da minha mão escarnece de toda a maquinaria | E que a vaca ruminando com a cabeça baixa supera a estátua | E que um rato é milagre suficiente para fazer vacilar milhões de infiéis.
Descubro que trago em mim gnaisse, carvão, filamentos de musgo, frutos, cereais, raízes comestíveis E que fui estucado com quadrúpedes e pássaros | E que me distanciei, por boas razões, do que está por detrás de mim | Mas quando quero faço regressar seja o que for ....... ”
Walt Whitman, Folhas de Erva

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Montalegre quer revitalizar o cultivo de centeio e os fornos tradicionais


Montalegre quer revitalizar a produção de centeio, um cereal cada vez mais valorizado devido à escassez no mercado, no âmbito de um projeto que inclui a requalificação de fornos antigos, disse ontem a presidente da câmara.

Fátima Fernandes explicou que foi já feita uma sementeira com centeio tradicional na Quinta da Veiga, numa parceria com a Cooperativa Agrícola do Barroso (CoopBarroso), com vista à produção de semente biológica.

Segundo informações já divulgadas pela autarquia do norte do distrito de Vila Real, em dois hectares de terreno naquela quinta, a CoopBarroso iniciou em novembro a produção de centeio, adquirido aos agricultores do concelho, com vista à certificação biológica.

O município adiantou que os “700 quilos semeados devem render, em julho próximo, perto de quatro toneladas”.

E, dentro de dois anos, acrescentou, pretende-se ter semente suficiente para replicar a quem queira aderir a este projeto apoiado pela Câmara de Montalegre.

O objetivo, para além do fomento da economia local, passa pelo incentivo à produção de uma semente que não pede grande exigência e que tem procura no mercado.

O município quer “dar nota aos agricultores que tem aqui mais uma fonte de rendimento”, sabendo-se que, atualmente, “o centeio é um cereal muito procurado e valorizado, principalmente aquele que é de produção biológica”.

Os cereais, que têm uma grande importância na dieta alimentar em Portugal, têm registado uma acentuada diminuição de produção nas últimas décadas.

As estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), reveladas em dezembro, apontam para uma diminuição em volume (-3,8%) na produção de cereais em 2023, em resultado de decréscimos em todos os cereais, à exceção do milho e arroz, devido às condições meteorológicas adversas.

Segundo o INE, a campanha cerealífera “foi bastante negativa, tendo os preços registado uma diminuição significativa (-23,7%), onde se destaca o trigo, a cevada e o milho, em consonância com a diminuição dos preços registada nos mercados internacionais, após o período de escassez de cereais (com preços elevados) na sequência da guerra na Ucrânia”.

“É uma produção fácil e, além do mais, interage muito bem com a produção de batata, porque habitualmente, e tradicionalmente, aquilo que acontecia é que nos terrenos onde havia onde era semeado o centeio, depois eram trabalhados para aí plantar as batatas”, explicou a autarca.

Fátima Fernandes recordou que o concelho de Montalegre já “foi um grande celeiro, principalmente de centeio”, e que ali ainda é produzido um “pão de excelência”

“E, portanto, porque não apostar desde a sementeira até depois ao pão e produto final, passando por todas as etapas, a semente a apanha, a debulha? (…) Temos que revitalizar as nossas eiras para se perceber como é que se fazia antigamente e depois os fornos”, salientou.

A sementeira está, especificou, inserida num projeto maior que quer dinamizar todo o território e cujo objetivo passa, também, pela requalificação de alguns fornos do Barroso, colocando-os a trabalhar, a produzir o pão e, desse modo, fazendo roteiros culturais e gastronómicos.

“É uma aposta que está perfeitamente enquadrada no Património Agrícola Mundial”, salientou.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Portanto, por mais que se torçam, a Ucrânia não vai aderir à UE. As potências agrícolas europeias não vão deixar.


A adesão à UE na potência agrícola Ucrânia resultaria na “morte” da agricultura familiar, alertou o sindicato dos agricultores alemães, no meio de preocupações crescentes sobre a futura direcção do programa de subsídios agrícolas da UE.

Leia o artigo original em alemão aqui .

Na sequência da recomendação da semana passada da Comissão Europeia para iniciar conversações formais de adesão com a Ucrânia , Joachim Rukwied, presidente da Associação Alemã de Agricultores (DBV), alertou para as suas consequências no sector agrícola.

A adesão “levaria ao fim da agricultura familiar na Europa”, disse ele numa conferência de imprensa sobre o futuro da Política Agrícola Comum (PAC) da UE na quarta-feira (15 de Novembro).

Isto deve “permanecer no pano de fundo de todas as discussões políticas”, acrescentou.

Rukwied destacou o grande sector agrícola da Ucrânia e o facto de a exploração agrícola média no país ser muitas vezes maior do que na UE.

A admissão significaria, portanto, “integrar na UE um setor agrícola com estruturas completamente diferentes, até explorações agrícolas da ordem de vários 100 mil hectares”, frisou.

Neste contexto, argumentou que uma Política Agrícola Comum (PAC) que inclua a Ucrânia “não é viável”, a menos que seja à custa das explorações agrícolas nos actuais países da UE.

Um documento de posição para o próximo período de financiamento da PAC, de 2028 a 2034, apresentado pela associação na quarta-feira foi, portanto, baseado no estado atual da UE e não num estado alargado, de acordo com Rukwied – embora a UE tenha mencionado uma meta provisória de estar pronto para a adesão até 2030.

Num impulso ao difícil processo de alargamento do bloco, a Comissão Europeia recomendou na quarta-feira (8 de Novembro) a abertura de negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia – bem como potencialmente com a Bósnia, numa fase muito posterior – assim que finalizarem a implementação das principais reformas pendentes.

Na verdade, existe um amplo consenso entre os representantes políticos e as organizações de que a PAC não poderia continuar na sua forma actual se a Ucrânia aderisse.

Em particular, os chamados pagamentos diretos, pagos às explorações agrícolas por hectare de terras agrícolas, provavelmente não seriam financeiramente viáveis ​​para as grandes áreas da Ucrânia.

Contudo, ao contrário da DBV, o Ministério da Agricultura alemão, por exemplo, pressionou no sentido de utilizar a próxima adesão como uma ocasião para reformar fundamentalmente a PAC e abandonar os pagamentos por superfície, em grande parte incondicionais.

Vários estados federais alemães , bem como organizações ambientais e representantes da agricultura biológica e de pequena escala, também se manifestaram a favor da preparação de fundos agrícolas da UE para a adesão da Ucrânia.

Entretanto, o governo de Kiev argumenta que a adesão da Ucrânia fortaleceria o sector agrícola da UE e tornaria a União num actor global na agricultura.

Além disso, um estudo recente realizado pelo Instituto de Estudos Económicos Internacionais de Viena concluiu que o sector agrícola ucraniano não se tornaria um “poço sem fundo” para a PAC porque é competitivo sem grandes subsídios – mas ao mesmo tempo, em alguns aspectos, “demasiado competitivo” em comparação com outros países da UE.

Avaliar o impacto da adesão da Ucrânia nos subsídios agrícolas da UE segundo os critérios actuais não é um exercício relevante, uma vez que a adesão de Kiev à UE conduzirá provavelmente ao fim da Política Agrícola Comum tal como a conhecemos hoje, de acordo com o vice-ministro da Economia da Ucrânia, Taras Kachka.

“De facto, graças ao solo negro fértil e à mão-de-obra barata, a agricultura ucraniana produz de forma tão eficiente que representa uma concorrência séria para muitos países da UE, como mostra a disputa sobre as exportações de cereais da Ucrânia para a Polónia e a Hungria”, afirma o estudo.

Rukwied também alertou que a Ucrânia aderiria à UE “como um país cuja agricultura produz muito abaixo dos nossos padrões, por exemplo, no uso de pesticidas” e que, portanto, competiria injustamente com explorações agrícolas de outros países da UE.

Na realidade, porém, a Ucrânia terá de transpor todas as normas da UE para o direito nacional antes de poder aderir à União.

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domingo, 19 de novembro de 2023

Encontros Improváveis - Priotr Kropotkin e Philippe Janin

Philippe Janin  (1959- ). França- "Paisagem"

"Somos ricos, muitíssimos mais ricos do que cremos. Ricos pelo que possuímos agora; ainda mais ricos pelo que podemos conseguir com os instrumentos atuais; infinitamente mais ricos pelo que poderíamos obter de nosso solo, de nossa ciência e de nossa habilidade técnica, caso se aplicassem a procurar o bem estar de todos”.- Priotr Kropotkin, in "A Conquista do Pão" (1892)

Piotr Alexeyevich Kropotkin foi um geógrafo, economista, cientista político, sociólogo, zoólogo, historiador, filósofo e ativista político russo, um dos principais pensadores do anarquismo no fim do século XIX, considerado também o fundador da vertente anarco-comunista.

Philippe Janin concluiu os seus estudos em Grenoble para conseguir o Diploma de Arquiteto. Oscilou então entre estas duas paixões antes de se dedicar exclusivamente à pintura em 1989. Pintor figurativo de inspiração provençal, Philippe Janin construiu o seu estilo combinando exigências rigorosas no estabelecimento, no desenho da obra e na exigência técnica na aplicação de materiais e pastas coloridas.
O princípio é dominar a técnica para libertar a mente dos obstáculos materiais e ter essa espontaneidade e instinto neste mais sensual eles encontram seu lugar e expressão natural. Daí a primazia do trabalho.
Nada de intelectual nesta pesquisa e é simplesmente alcançar a emoção.

sábado, 4 de novembro de 2023

Alfredo Sendim: “O que está em causa não é o planeta nem a natureza, somos nós”

Food is the currency of Life
Como é que podemos explicar a alguém que vive a maior tempo na cidade e tem pouco contacto com o mundo rural o que é a agrofloresta?
A agrofloresta é essencialmente a ideia de coabitar com o sistema natural – ou ecossistemas – que nos criaram e estão à nossa volta e dos quais nós ainda hoje dependemos integralmente. Somos completamente dependentes dos recursos que eles produzem. E nós não sabemos de forma alguma, por muita capacidade e engenho que tenhamos, supri-los de outra forma sem ser através do sistema natural.

É muito fácil percebermos o modelo da agricultura, que passa essencialmente por termos uma relação com o que está à nossa volta, eliminando o sistema natural, um conjunto de elementos relacionados entre si e uma capacidade de auto-regeneração única. No fundo aprendemos a canalizar a energia deste sistema apenas para poucos elementos, que obviamente são interessantes para nós, sejam eles cereais, eucaliptos ou olivais. Quando o espaço é muito grande e o número de utilizadores é pequeno, esta fórmula até pode ser bastante razoável, por que se as pessoas destruírem um bocadinho de natureza e quando voltarem ao mesmo sítio já tudo tiver sido regenerado ecologicamente, não há qualquer problema. O problema é que esta modalidade acabou por arrombar o sistema, que deixou de ser capaz de produzir a energia que o faz funcionar.


E a Agrofloresta pode esta inverter essa realidade?
A agrofloresta é uma forma diferente de nos inserirmos na natureza, que já foi desenvolvida em Portugal na Idade Média, com aquele sistema que nos orgulhamos tanto, chamado montado. Este não é mais do que uma evidência, como que dizendo “vamos lá reagir, depois de termos destruído a natureza e os ecossistemas todos”. Aconteceu uma vez no Neolítico, outra, muito mais forte, a seguir ao Império Romano, e uma terceira depois de todo o período dos visigodos, seguido pelos árabes. Às tantas houve alguém que bateu com a mão na mesa e disse: e se nós tentássemos viver com o sistema?

O montado, por exemplo, é um sistema muito simplificado e muito domesticado, adaptado às nossas necessidades, mas é um sistema. A agrofloresta não é portanto mais do que a ideia de viver com um sistema natural, compreendendo-o e sendo nós também parte dele. Diria mesmo que a agrofloresta é hoje uma das expressões mais profundas da ética da agroecologia.

Em que sentido?
Por se opor a uma ética antropocentrada, muito maioritária no pensamento ocidental, que nos diz que não somos natureza, porque a natureza é violenta e selvagem e nós, por oposição, afastamo-nos dela, numa tentativa de nos divinizar. A natureza existe para a ordenarmos e para podermos usufruir dela. A ética da agroecologia é diferente, pois pressupõe umas determinadas capacidades para o homem, que os outros seres não têm, e isso dá-nos não só uma enorme responsabilidade, como nos coloca ao nível dos outros elementos da natureza, como parte dessa mesma natureza. Essa evidência é personalizada pela a árvore, o elemento vegetal que dura mais e é o motor deste sistema. São estes seres que, de forma bastante eficiente, conseguem fazer o milagre de transformar a luz do sol em matéria orgânica. Por isso, todos os outros reinos – o animal, os fungos, as bactérias, os protozoários – são complementares à árvore e ao reino vegetal. Um sistema que não tem este elemento central não é um sistema.

Fala-se muito do solo vivo e da sua importância para a humanidade, mas continuamos sem perceber que não há solo sem árvore. Quem alimenta o solo são as árvores e o sol funciona como uma bateria, pensada neste sistema para ser carregada através de um painel fotovoltaico que se chama biodiversidade e é formado por todos estes seres interrelacionados entre si.

E agricultura tradicional não permite o funcionamento desse regime?
Não porque inventámos uma outra forma de alimentar essa bateria, partindo o painel solar da biodiversidade, através de meios mecânicos e químicos, para a podermos usar de uma forma especulativa, muito contrária aos interesses das novas gerações.
É por isso que a agroecologia é uma ética e não um mero conjunto de técnicas. Mas é também uma abordagem prática, porque implica que aprendamos a viver com o sistema, e quem vive com o sistema é recolector, não é produtor.
Trata-se talvez da expressão mais atual dessa visão sistémica de não arrombar o sistema, mas sim perpetuá-lo, adaptando-o às nossas necessidades, mas sendo o homem, também um elemento ao seu serviço.

Há aqui duas ideias opostas, uma é que a ideia de domínio sobre a natureza, em oposto à agroecologia, é sinónimo de abundância. E depois há esta nova abordagem aos seres vivos e à importância que têm as plantas silvestres e os animais selvagens terão no sistema, de modo a garantir essa mesma abundância a longo prazo.

O mais possível. Na perspectiva antropocentrada o homem é o centro e só ele conta. Há uma ideia muito simples, que é a de imaginarmos que a dado momento chega um ser mais capacitado, com uma atitude perante a humanidade semelhante à que temos com a maioria dos nossos congéneres do reino animal. É um exercício simples e que pouca gente faz.

Acima de tudo é importante perceber a nossa iliteracia ecológica. Ao contrário do que muitas vezes se afirma, a ecologia não é uma mera ideologia de esquerda, mas sim uma ciência, criada precisamente para estudar o sistema que nos criou. E ao não reconhecermos isso ou ao não partilharmos esse conhecimento, assumimos uma posição apenas arrogante. E grande parte destas questões têm precisamente a ver com esse desconhecimento profundo da forma como o nosso sistema de vida e o planeta funcionam.

E como funciona afinal esse sistema?
Todos os ecossistemas são cíclicos, e todos eles vão acabar num estádio que designamos de deserto. O deserto é praticamente só minério, sem vida, porque não há matéria orgânica no solo. Os ecossistemas de deserto evoluem para um outro extremo que é o clímax, mas passando por uma fase intermédia que se chama acumulação. O clímax não significa maior quantidade, porque muitas vezes na fase de acumulação até há maior libertação de recursos, mas é seguramente a fase da eficiência. É importante percebermos que a atitude antropocentrada, ligada à agricultura industrial de monocultura, é a principal responsável pela delapidação destes recursos. E isto são dados científicos comprováveis, pois a parte terrestre do nosso planeta tem mais de 80% em condições de deserto, enquanto há doze mil anos, no Holoceno, tínhamos o quadro inverso, com 80% do planeta em estado de clímax.

Como é o caso do montado, que já referiu como exemplo desse conceito…
O montado é completamente uma agrofloresta, hoje muito querida por todas as pessoas que gostam deste tipo de conceitos, mas é também um símbolo. Foi criado na Idade Média e entretanto foi sendo aperfeiçoado até atingir esta última versão. é o que se chama um modelo de “sucessão dinâmica”, que serve não só para instalar o sistema e viver com o sistema, como também pretende e permite transformar rapidamente desertos em clímax. O sobreiro é um ser de clímax, que precisa de um sistema muito complexo, assim como o humano, para poder viver. E nós não percebemos estes conceitos básicos, assim como também não percebemos que, no Neolítico, entrámos pelo interior de Portugal e matámos tudo aquilo que se chama a megafauna, ou seja todos os animais maiores que nós, sem percebermos que estávamos a suprir uma ferramenta absolutamente essencial dos ecossistemas.

É curioso perceber que os miúdos conhecem os dinossauros todos mas não sabem os nomes dos animais que aqui viviam há quinhentos anos. Sem o sabermos, roubámos instrumentos fundamentais aos ecossistemas. Manipulámos os animais e os outros seres, vegetais, em função das nossas necessidades. Uma vaca, hoje, não é um instrumento num ecossistema, e cada vez que a domesticamos mais, mais lhe retiramos as capacidades de promoverem serviços no ecossistema.

Referiu que dois terços de Portugal são mato, mas que podem ser úteis. O que é possível fazer nessa parte do território?
Antes devemos perguntar-nos porque é que esses dois terços são mato, há quanto tempo o são e o que eram antes. A consequência desta abordagem não sistémica, de assaltar a natureza e de fazer agricultura é o mato, porque o mato é o deserto.

As plantas e os seres que nós vemos no mato são seres pioneiros, que estão a recuperar aquilo que nós estragámos. O drama disto é que em função das condições de clima e de sol cada uma destas etapas pode levar sete a setenta mil anos, e nas nossas condições de Mediterrâneo são mais para setenta do que para sete. Se apenas nos pusermos quietinhos a olhar para o mato à espera que regenere, vai demorar cinquenta mil anos. Não temos tempo para isso.

Aliás, a ideia que o homem só é capaz de destruir, não é capaz de regenerar activamente, não faz sentido. Não há nenhuma razão para que assim seja, por muito que haja algumas correntes de pensamento que gostem e utilizem essa ideia da origem maléfica da nossa espécie. Pelo contrário, somos tão capazes de destruir como de fazer coisas absolutamente maravilhosas. Esses dois terços já foram terras férteis, com florestas e bosques. Porque é que não comemos, por exemplo, plantas e frutos silvestres? A grande razão tem a ver com a agricultura. A agricultura do Neolítico levou à existência de mais humanos no Neolítico final. Mas esse entusiamo levou-nos à razia do ecossistema da Península Ibérica. O que se seguiu foram mais de dois mil anos de caos, de lei do mais forte, que apenas terminou com a chegada dos romanos, que convenceram os povos peninsulares que a comida do mato e do bosque, desse supermercado aberto que não podia ser taxado, não era boa. Fomos convencidos que a única comida boa era a domesticada e nunca mais se comeram bolotas nem produtos silvestres. Ou seja, virámos costas a uma diversidade enorme.

Tendo em conta o modelo económico que temos, como é que podemos encarar o consumo de bolota e de outros frutos silvestres no futuro?
Em primeiro lugar é preciso perceber que ninguém come trigo à dentada, na espiga. O trigo é um alimento extraordinário depois de transformado e processado em farinhas e noutro tipo de alimentos, portanto com a bolota há que se fazer o mesmo, aprender a processá-la e a transformá-la com utilidade prática. A questão da bolota é muito simples: no Mediterrâneo, uma área com carvalhos, por exemplo azinheiras e sobreiros, produz, mesmo com uma densidade baixa de árvores, mais quantidade de alimento do que qualquer cereal e sem gastar energia nas mobilizações de solo, sem provocar erosão, sem adubos, sem barragens e sem tubos. A bolota é tão interessante para a alimentação humana como qualquer cereal.

E a ideia de que se tem estar sempre a limpar, que sentido faz, tendo em conta que se devia aproveitar aquela biomassa?
Numa abordagem de monocultura, a limpeza não é mais do que retirar elementos do sistema para o poder controlar melhor. Normalmente aquilo a que chamamos limpezas são elementos do sistema que vão alimentar o solo. Quando comecei a fazer agricultura nos Açores, os meus colegas começaram a perguntar algo muito interessante, sobre a ração que eu tinha para o solo naquele ano, porque ali a noção que o solo, se não for alimentado – e não é com adubos – vai acabar.

Ou seja, para alimentar o mundo não é preciso recorrer aos transgénicos.
De forma alguma. Para alimentar o mundo é preciso, em primeiro lugar, percebermos o que é que comemos. Essa variável é fundamental. Outra questão é percebermos que somos a única espécie que não atende aos recursos quando pensa em multiplicar-se. Isto vem da tal divinação do ser humano. Se calhar temos de ter a consciência que com o planeta em 20% de clímax e 80% de deserto, se calhar não podemos ser tantos quantos gostaríamos de ser.

A não ser que se reverta...
E que nós caminhemos para a abundância. Mas mesmo assim temos de ter uma bitola para percebermos conscientemente e com métodos libertários, que nenhum ser neste planeta atua como nós. Não há nenhuma espécie que não atenda à forma como se reproduz em relação aos recursos que existem.

Se não houver recursos, vamos sofrer. Sendo que a questão fundamental passa pelo relacionamento entre nós próprios. Como diz o Papa Francisco é uma questão social. Nós nunca vamos reverter esta posição de domínio perante a natureza se não a invertermos entre nós próprios. Não somos iguais a um mosquito, porque temos funções diferentes no ecossistema, mas como São Francisco de Assis tão bem nos mostrou, também não somos nem mais nem menos que um mosquito, pelo que não podemos ter a arrogância de matar milhões de mosquitos apenas porque interessa fazer negócio.

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segunda-feira, 16 de outubro de 2023

E se a crise Hamas-Israel ganhasse outra dimensão geográfica? O impacto na economia mundial poderia ser catastrófico


Com o conflito militar em curso na Ucrânia, e depois da pandemia de covid-19, desponta mais uma tragédia mundial: a guerra Hamas-Israel.
Nesta fase, como consequência do ataque inicial do Hamas e da resposta de Israel, são já milhares de vidas perdidas.
No plano económico, ainda antes do conflito Hamas-Israel, o contexto global era já de muita imprevisibilidade e apreensão. Ao contrário do que podia parecer, a economia mundial mantinha-se em suspenso e submetida a um elevado grau de instabilidade. O atual corte na produção de petróleo, estrategicamente levado a cabo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, é um importante impulsionador da inflação. Por outro lado, a suspensão do acordo do Mar Negro, que impacta muito negativamente nos mercados de cereais, também configura um problema central à escala mundial. Com os preços dos combustíveis e dos cereais sob stress permanente, o ressurgimento da inflação manter-se-á latente. As partes que dominam petróleo, gás e cereais têm o poder de regular a estabilidade global.
Com a guerra Hamas-Israel, o enquadramento económico global agrava-se ainda mais. A agência de notícias financeiras norte-americana Bloomberg coloca em equação três cenários possíveis.
No caso de conflito permanecer confinado ao território palestiniano, o impacto nos preços do petróleo e na economia mundial será “reduzido”. Recorda-se que o recente desagravamento das relações entre EUA e Irão permitiu a este último aumentar significativamente a produção diária de petróleo. No entanto, como Teerão tem apoiado declaradamente grupos islâmicos que se opõem a Israel, qualquer envolvimento iraniano no ataque do Hamas a Israel poderia desencadear um confronto bélico de escala muito superior. Neste caso, o reforço das sanções dos EUA ao petróleo do Irão poderia penalizar os mercados mundiais em cerca de 700 mil barris desta matéria-prima por dia. Se assim fosse, segundo a Bloomberg, registar-se-ia um aumento estimado de três a quatro dólares nos preços do petróleo. O PIB mundial diminuiria 0,1 pontos percentuais. O impacto na inflação seria de 0,1 p.p.
Já se o conflito alastrasse ao Líbano e à Síria, o choque económico seria bastante mais significativo. O Irão apoia alguns grupos importantes nestes dois países. Um destes grupos é a organização política e paramilitar fundamentalista islâmica Hezbollah. O Hezbollah tem um papel central no Líbano. Com Líbano e Síria geograficamente envolvidos no atual confronto, as estimativas da Bloomberg apontam para uma subida de oito dólares no preço do barril de petróleo. O PIB mundial cairia 0,3 p.p. e a inflação registaria um aumento de 0,2 pontos percentuais.
Já um cenário ainda mais grave, de confronto militar direto entre Irão e Israel, poderia originar uma recessão global. A ameaça nuclear e a proximidade política e estratégica entre Irão e Rússia são dois pressupostos alarmantes. Por outro lado, a desestabilização efetiva de todo o Médio Oriente seria um acontecimento de consequências imprevisíveis e potencialmente catastróficas. Neste caso, segundo a Bloomberg, assistir-se-ia a um aumento de sessenta e quatro dólares no preço do barril de petróleo, a uma queda de 1,0 p.p. no PIB mundial e a um acréscimo de 1,2 pontos percentuais na inflação à escala global.
Independentemente dos três cenários traçados pela Bloomberg, o confronto Hamas-Israel é mais um acontecimento mundial que impulsiona a incerteza económica e financeira. Por esta razão, a volatilidade dos mercados começou já a fazer-se sentir.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Ano de seca. Colheita de cereais para outono e inverno é "a pior de sempre"


A campanha de colheita de cereais para grão de outono e inverno, já concluída, é “a pior de sempre para todas as espécies cerealíferas”, indicou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística. O ano agrícola volta a sofrer os efeitos da situação de seca, quadro que abrange 96,9 por cento do território continental do país.“

A colheita dos cereais para grão de outono/inverno está concluída, confirmando a atual campanha como a pior de sempre para todas as espécies cerealíferas, resultado dos decréscimos de área de produtividade”, adianta o INE nas previsões agrícolas agora divulgadas.

Os cereais semeados tardiamente, por causa das chuvas de dezembro do ano passado e janeiro deste ano, foram “muito penalizados”. Por outro lado, a falta de precipitação na primavera e as altas temperaturas penalizaram igualmente o desenvolvimento de cereais praganosos, o que deu azo a um espigamento precoce.A seca abrange 96,9 por cento do território do continente, dos quais 34,4 por cento, a sul do Tejo, estão sob seca severa ou extrema.

Já a instalação de culturas de primavera e verão “decorreu com normalidade”, dado que o regadio está assegurado em 60 albufeiras. Cinco albufeiras hidrográficas mantêm-se, desde 2022, debaixo de restrições de rega.

O volume de água armazenada nas principais albufeiras com aproveitamento hidroagrícola, em Portugal continental, encontrava-se em julho a 66 por cento da capacidade total, aquém dos 71 por cento do mês anterior, mas acima do período homólogo, quando estava a 61 por cento.

Ainda segundo o Instituto Nacional de Estatística, a “escassa produção de matéria verde para o pastoreio” obrigou à antecipação da suplementação da pecuária em regime extensivo, com base em alimentos conservados.

No Alentejo, as quebras de produtividade da matéria verde foram de 20 a 80 por cento, com a maior redução a ter lugar nos concelhos de Castro Verde, Ourique, Mértola e Almodôvar. A norte do Tejo, todavia, a situação “não assume a mesma gravidade, estando a suplementação com alimentos grosseiros armazenados e/ou alimentos concentrados mais próxima dos parâmetros normais”.

Outras culturas
“De um modo geral”, escreve o INE”, as culturas de primavera e verão “apresentam um regular desenvolvimento, embora no caso do tomate para indústria se antevejam produtividades inferiores ao normal”.

Os pomares de pereiras e macieiras devem sofrer reduções de produtividade de, dez e 15 por cento, respetivamente, ao passo que a produção de cereja registou uma queda de 55 por cento, relativamente à anterior campanha.

Já a área de milho de regadio deverá igualar o valor do ano anterior – esta cultura, em fase de enchimento do grão, mostra “um bom desenvolvimento vegetativo e sem problemas fitossanitários relevantes”.Nas vinhas, o INE não anota acidentes sanitários relevantes e as vindimas devem ser antecipadas. Estima-se que a produtividade aumente em todas as regiões, com a exceção do Dão. O rendimento unitário global deve atingir os 42 hectolitros por hectare, mais oito por cento em comparação com 2022.

A maioria dos arrozais estava, no final de julho, na denominada fase de encanamento. Esta cultura mostra um “bom desenvolvimento vegetativo, embora com a presença de infestantes”, desde logo nas zonas litorais do Baixo Mondego e Vouga.

No norte e no centro, o desenvolvimento da batata de regadio beneficiou das condições meteorológicas. “Na Península de Setúbal, a produtividade da batata de consumo foi idêntica à da campanha anterior, sendo que na batata para indústria foi superior, estimando-se um acréscimo global na ordem de cinco por cento”, lê-se no documento do INE.

Mesmo com um quadro meteorológico desfavorável, os pomares de pessegueiros estão com produtividades de cerca de dez toneladas por hectare, volume próximo do habitual. No que diz respeito à amêndoa, a produtividade global deve crescer 15 por cento.

sábado, 29 de julho de 2023

Rússia corrompeu agentes de Kyiv em 2014 e começou a planear invasão


O historiador Mark Hollingsworth afirmou à Lusa que a guerra em curso na Ucrânia está a ser planeada desde a anexação da Crimeia (2014), altura em que os serviços secretos russos conseguiram informações importantes ao corromperam agentes de Kyiv.

A situação é relatada no livro de investigação do historiador britânico "Manipulação - O KGB e as Democracias Ocidentais", recentemente publicado.

"A atual guerra (na Ucrânia) foi planeada desde 2014 [anexação da península da Crimeia] e, nessa altura, o FSB [Serviço Federal de Segurança, o sucessor do soviético KGB] conseguiu muita informação corrompendo os serviços de informações ucranianos e obtendo uma quantidade significativa de material que eu menciono com detalhe neste livro e esses factos são importantes para se perceber a invasão de 2022", disse à agência Lusa Hollingsworth.

"O que ainda é pouco conhecido", frisou o historiador britânico, é que os serviços de informações russos (FSB e SVR, os serviços secretos externos russos) em 2014 "corromperam, subornaram e intimidaram" agentes dos serviços secretos da Ucrânia e conseguiram ter acesso a documentos importantes de Kiev.

No entanto, apontou o historiador, a "fraqueza" dos serviços secretos da Rússia (desde 2014) foi o uso de ideias preconcebidas sobre o que eles próprios entendiam ser a verdade ou a realidade, tendo depois tentado encontrar os factos que podiam encaixar-se nessas mesmas ideias.

"Por outras palavras, em vez de enviarem agentes com a missão de descobrir qual era a verdade e sobre o que estava a acontecer na Ucrânia, limitaram-se a uma ideia preconcebida sobre o que eles pensavam ser a verdade para depois dizerem às chefias o que as chefias queriam escutar. Isto é o que eu penso que está a acontecer na Ucrânia", afirmou Mark Hollingsworth, referindo-se à invasão russa iniciada em fevereiro de 2022.

Segundo a teoria de Hollingsworth, e no que diz respeito à campanha militar em curso há mais de um ano no território ucraniano, a direção do FSB comunica ao chefe de Estado russo, Vladimir Putin, o que ele quer ouvir em vez de investigar os factos.

Para o historiador britânico, geralmente este tipo de situações são "um problema no mundo dos serviços de informações" porque ao deixarem-se controlar pelas ideias políticas - simplesmente para agradarem aos líderes -, "esquecem" os factos que marcam a realidade. 

Por outro lado, o historiador diz que ainda é cedo para relacionar a retirada desordenada das forças internacionais do Afeganistão (concluída no verão de 2021) e a invasão de 2022 da Ucrânia, mas, na sua opinião, "é provável" que Moscovo tenha acompanhado os acontecimentos em Cabul para estudar o comportamento dos outros países e moldar o tipo de operação militar.

Quanto à rebelião contra as altas patentes da Defesa russa chefiada em meados de junho pelo líder do grupo russo de mercenários Wagner, o historiador diz que ainda é difícil perceber o que de facto aconteceu porque Yevgeny Prigozhin ainda está vivo.

"Se a operação tivesse sido uma tentativa de golpe de Estado, o líder seria executado ou preso e pelo que sabemos Prigozhin ainda é um homem livre", frisou.

"Penso que a tentativa de progressão até Moscovo foi uma forma de mostrar poder. É possível que Prigozhin - e isto é pura especulação - tenha informação sobre a fortuna de Putin e talvez por isso Putin não tenha atuado contra ele. É um assunto que ainda tem de ser investigado. Até ao momento é especulação", ressalvou.

No livro agora lançado em Portugal, Hollingsworth evidencia o papel da "desinformação" dos serviços secretos da antiga União Soviética durante a Guerra Fria e analisa igualmente a campanha da Rússia na Ucrânia desde a invasão da Crimeia, assim como os novos sistemas utilizados pelo FSB.

Sobre Putin, a obra refere que o chefe de Estado russo foi um oficial do KGB que inicialmente se dedicava a identificar, ameaçar e prender opositores da União Soviética nos anos 1980 e que mais tarde, na ex-República Democrática da Alemanha, assistiu à "humilhação" da queda do Muro de Berlim.

"Ele nunca esqueceu isso. Nunca esqueceu a humilhação. O que o motiva é restaurar a União Soviética no sentido nacionalista. Ele não é um comunista, ele apoiou a União Soviética mas sem ser um comunista. Apoiava um Estado forte e centralista, muito autoritário e nacionalista sem acreditar no comunismo como o sistema que deveria conduzir a economia", referiu o historiador.    

Mark Hollingsworth é autor, entre outras obras, da investigação "Londongrad" sobre as atividades dos oligarcas no Reino Unido e do livro "Thatcher's Fortunes" sobre a fortuna da antiga chefe de Governo britânica e o papel do filho, Mark Thatcher, em vários conflitos em África.  

À Lusa, e sobre projetos futuros, o historiador admitiu que seria "um desafio" escrever sobre o papel atual dos serviços secretos da República Popular da China, mas adiantou que "talvez escreva um terceiro e difícil livro sobre a Rússia" sobre a fortuna de Vladimir Putin.

"Por outro lado tenho muito interesse em História e estou, por isso, muito interessado também em escrever sobre o Duque de Windsor que chegou a ser o rei Eduardo VIII que abdicou em 1936, no Reino Unido. Ele esteve em Portugal em 1939 e 1940, durante a Segunda Guerra Mundial e era pró-nazi. O que foi fazer a Lisboa? Seja como for, isso é outra História", concluiu.

A obra "Manipulação - O KGB e as Democracias Ocidentais" (Bertrand Editora, 325 páginas) foi publicada este mês em Portugal e inclui uma lista de falsificações do KGB durante a Guerra Fria. 

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Cerca de 60 mil toneladas de cereais destruídas em ataque russo em Odessa


Entretanto, tanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, como o seu conselheiro, Mykahailo Podolyak, afirmaram que se tratou de um "ataque deliberado" à infraestrutura.

O ministro da agricultura ucraniano, Mykola Solsky, afirmou esta quarta-feira que uma quantidade "considerável" de infraestrutura de exportação de cereais no porto de Chornomorsk, na região de Odessa , ficou danificada na sequência de um ataque russo, reporta a agência Reuters.

O ataque destruiu 60.000 toneladas de cereais no porto, que deveriam ter sido carregadas e embarcadas pela Black Sea Grain Initiative há 60 dias.

"O ataque noturno colocou uma parte considerável da infraestrutura de exportação de cereais no porto de Chornomorsk fora de operação", referiu Solsky numa publicação no Telegram.

De recordar que mísseis russos lançados na noite de terça-feira contra o porto de Odessa atingiram um terminal de cereais, um terminal de petróleo e outras infraestruturas, revelou a administração militar de região de Odessa.

O ataque também provocou um incêndio na zona portuária, acrescentou a fonte.
Vários edifícios ficaram também danificados em outra área de Odessa quando os destroços de um míssil intercetado caíram, provocando ferimentos em três civis.

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The seed war

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Centeios mais antigos da Península Ibérica descobertos no Norte de Portugal e Galiza


Uma equipa internacional liderada por investigadores portugueses divulgou hoje um estudo que permite conhecer o centeio mais antigo da Península Ibérica e discute a cronologia e o contexto histórico em que esta espécie foi introduzida e cultivada nesta região.

De acordo com os investigadores, os grãos e restos de espigas de centeio mais antigas da Península Ibérica datam da Idade do Ferro, nomeadamente de um período entre o século III a.C. e a primeira metade do século I a.C., foram recolhidos nos sítios arqueológicos do Freixo/Tongobriga (Marco de Canaveses), Crastoeiro (Mondim de Basto) e Castro de São Domingos (Lousada) no Norte de Portugal, bem como no Castelo Pequeno de Santigoso (A Mezquita) na Galiza.

A cronologia foi confirmada através de uma série de datações de radiocarbono e da aplicação de análises estatísticas, numa investigação que decorreu no BIOPOLIS/CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto), no âmbito do doutoramento de Luís Seabra e no contexto de uma ampla colaboração entre investigadores de instituições como a School of Archaeology da University of Oxford, Universidad de Cantabria, Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, Wessex Archaeology e o Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

A busca pelo centeio mais antigo do território peninsular, e um dos mais antigos da Europa ocidental, iniciou-se há oito anos quando Luís Seabra estudava, no âmbito do seu mestrado, um conjunto de frutos e sementes provenientes do sítio do Crastoeiro, localizado no sopé do mítico Monte Farinha, mais conhecido por Alto da Senhora da Graça.

Na altura, uma datação de radiocarbono permitiu compreender a antiguidade do centeio aí encontrado, mas, tratando-se de um caso isolado, era difícil entender a sua integração na agricultura da Idade do Ferro da região.

Ao avançar para doutoramento, Luís Seabra estudou “inúmeros” conjuntos arqueológicos e arqueobotânicos em busca de mais centeio e encontrou o que procurava.

“Compreendemos que o centeio surge com mais recorrência do que antes pensávamos, em sítios da Idade do Ferro, mais precisamente, com cronologias estimadas entre os séculos III e I a.C., no Norte de Portugal e sul da Galiza”, refere Luís Seabra.

Contudo, sublinha, “os dados obtidos não permitem esclarecer por completo se estes primeiros vestígios decorrem do efetivo cultivo desta espécie ou se o centeio que aqui se encontrava era uma mera infestante de outros cereais, como o trigo espelta, amplamente cultivado na região durante este período”.

Para tentar esclarecer esta questão, a equipa avaliou os contextos arqueológicos em que foram recolhidos os vestígios de centeio e realizou um estudo biométrico de modo a compreender se houve modificações nos grãos deste cereal ao longo do tempo, medindo e comparando estes conjuntos arqueobotânicos mais antigos com cereais de diferentes sítios arqueológicos de cronologia Romana e Medieval da mesma região, explica João Tereso, investigador do BIOPOLIS/CIBIO-InBIO e coordenador do estudo.

“Os resultados não foram conclusivos a este respeito, mas demonstraram que os grãos de centeio só aumentam significativamente de dimensão a partir da Idade Média”, afirma o coordenador do estudo hoje publicado na revista PLoS ONE

Ainda assim, a investigação sugere que “o centeio terá sido introduzido inadvertidamente como infestante durante a Idade do Ferro, tendo o seu cultivo efetivo iniciado num momento avançado da Época Romana, provavelmente entre o final do século II e o século IV da nossa Era. Esta hipótese sustenta-se, principalmente, no facto do centeio ser esporádico e secundário face a outros cereais na cronologia mais antiga e estar posteriormente ausente durante cerca de dois séculos, até ressurgir no final do século II ou início de III”.

“No futuro será necessário, porém, reforçar a amostragem sobre contextos da Idade do Ferro e de Época Romana, de modo a testar as hipóteses que colocamos agora. Como qualquer investigação em Arqueologia, é sempre possível que o próximo achado, nosso, ou de outra equipa, nos contradiga, mas essa é uma das partes mais fascinantes da ciência”, considera João Tereso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

A chocante monotonia das prateleiras de supermercados

A indústria alimentar vende a ilusão de variedade. Mas há sete mil plantas comestíveis na Terra e 90% do que consumimos vem de apenas 15 espécies. Sabores e aromas artificiais imperam. Contudo, há como reinventar a cozinha da biodiversidade. Por Ricardo Abramovay em Outras Palavras.



Quando vai ao supermercado, a quantidade de cores, formatos, marcas, desenhos, fotos e alternativas é desconcertante. À primeira vista, as suas possibilidades de escolha, para as refeições que tem pela frente, são cada vez maiores.

Mas, na verdade, a palavra mais marcante do padrão alimentar contemporâneo é monotonia. E isso representa uma tripla ameaça: à saúde, à segurança alimentar e aos serviços ecossistémicos dos quais todos dependemos.

Como assim? Como evocar monotonia, diante da estonteante variação das prateleiras?

O Estado Mundial das Plantas e dos Fungos(link is external), relatório recém-publicado pelo britânico Kew Royal Botanic Gardens, instituição prestigiada, dirigida pelo investigador brasileiro Alexandre Antonelli, ajuda a responder a esta pergunta.

O estudo mostra que as plantas comestíveis catalogadas globalmente pela ciência chegam ao impressionante número de 7.039. Destas, 417 são consideradas cultiváveis. As descobertas de novas plantas não cessam. Só em 2019, os botânicos registaram 1.942 novas plantas e 1.866 fungos que ainda não conheciam. No Brasil, duas novas espécies de mandioca selvagem foram catalogadas.

As plantas catalogadas em 2019 concentram-se na Ásia (36%) e na América Latina (34%), confirmando a liderança em biodiversidade dos territórios situados no Hemisfério Sul. Mas, diante desta diversidade, por que então falar em monotonia?

É que esta espetacular variedade quase nunca chega ao seu prato. Cerca de 90% do que a humanidade ingere vem de apenas 15 produtos plantados, dos quais dependem a alimentação humana e a alimentação animal contemporâneas. Quatro mil milhões de pessoas têm a sua alimentação baseada quase exclusivamente em arroz, milho e trigo.

Os processos de transformação industrial ampliam a variedade da oferta de produtos, mas não a biodiversidade daquilo de que são feitos. Pelo contrário, esta é sistematicamente reduzida em benefício de componentes industriais que permitem fabricar o gosto, o aroma, a consistência e a aparência do que é vendido, sobre a base da escassa variedade do que vem das plantas.

O problema não é o alimento industrializado — como o macarrão, o queijo ou o azeite, por exemplo. O busílis da questão é a ampliação do ultraprocessamento alimentar, que se apoia em matérias-primas básicas e pouco variadas e, ao mesmo tempo, numa engenharia de alimentos cada vez mais poderosa, como vêm mostrando diversos trabalhos do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP(link is external).

É aí que se encontra o vínculo fundamental entre a organização da agropecuária, a saúde humana e o estado atual da biodiversidade. A monotonia e a escassez em géneros naturais dos produtos ultraprocessados (aliadas a técnicas que neles introduzem componentes artificiais e, frequentemente, viciantes) são um dos mais importantes vetores da pandemia global de obesidade(link is external). Ao mesmo tempo, a homogeneidade e a baixa diversificação dos ambientes agropecuários são determinantes fundamentais da erosão global da diversidade genética, como mostra a Avaliação Global da Biodiversidade e dos Serviços Ecossistêmicos(link is external).

Um dos elementos mais preocupantes da erosão genética contemporânea está nas gigantescas concentrações animais(link is external), sobre a base das quais o mundo tem, hoje, proteínas mais baratas do que nunca. Estas concentrações representam riscos crescentes à saúde pública e ao meio ambiente.

Tim Spector(link is external), epidemiologista genético britânico, acaba de publicar um livro em que recomenda não tal ou qual regime alimentar, não quantas vezes por dia cada um deve comer, ou quanto exercício fazer, mas, antes de tudo, uma dieta com ao menos trinta plantas diferentes por semana. Para Spector, os alimentos ultraprocessados deveriam ser taxados e o produto desta imposição deveria subsidiar e baratear a diversificação do consumo comida de verdade — sobretudo, frutas e vegetais. Para ele, estimular a arte da cozinha doméstica é parte importante da necessária transição. Aprendemos a ler e escrever, mas precisamos também aprender mais sobre comida e cozinha.

A integração entre saúde, produção agropecuária e fortalecimento dos serviços ecossistémicos indispensáveis à vida social será um dos maiores desafios da Conferência Global sobre Biodiversidade(link is external), que deveria ter acontecido na China e foi transferida para o ano que vem, em função da pandemia. O que está em jogo são, em primeiro lugar, as florestas tropicais e a urgente necessidade de interromper sua devastação. Mas, no programa da conferência, estará também não só a maneira como se usa a floresta, mas o vínculo entre agropecuária, saúde e erosão da biodiversidade.

A Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde Animal e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação estão a trabalhar juntas em torno da noção de One Health (algo como “a saúde é uma só”). Mas, como mostra um trabalho recente de investigadores da Fondation Nationale des Sciences Politiques(link is external), multiplicam-se as iniciativas que procuram compreender e elaborar políticas juntando padrões de consumo alimentar, produção agropecuária, saúde humana e meio ambiente.

Para o Brasil, esta unidade é um trunfo e um imenso desafio. O trunfo está no facto de sermos o país mais mega-diverso do planeta, apesar do abalo na nossa reputação global — derivado do avanço da destruição na Amazónia, no Pantanal, no Cerrado e do descaso das atuais políticas governamentais em preservar estes patrimónios universais pelos quais os brasileiros deveriam ser responsáveis.

O desafio é que de nada adianta alardearmos a condição de maiores exportadores mundiais de alimentos, se um dos mais importantes resultados deste desempenho for a erosão da diversidade genética da agropecuária e produtos cuja transformação — e cujo uso — fazem parte de um problema que a humanidade quer combater: a pandemia de obesidade.

A eficiência no mundo contemporâneo exige uma abordagem que vá além da capacidade de produzir a baixo custo. O maior desafio está em articular organicamente produção agropecuária, o fortalecimento da biodiversidade e melhoria na saúde humana. Nisso, o Brasil teria tudo para assumir a liderança global.

Ricardo Abramovay é sociólogo, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, autor de vários livros. É especialista em sociologia rural e desenvolvimento sustentável.

sábado, 7 de abril de 2007

Dia Nacional Dos Moínhos


O que é o "Dia dos Moinhos Abertos"?

O conceito desta actividade é extremamente simples:
Fazer funcionar em simultâneo e abrir ao público para acesso livre tantos moinhos quantos for possível em todo o país!

Quem pode participar na organização?
Pretendemos lançar uma iniciativa de alcance nacional e ampla divulgação com o objectivo de chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, organizações associativas, Autarquias locais, Museus, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.

Esta iniciativa promovida pela Etnoideia tem o apoio da TIMS, Sociedade Internacional de Molinologia, cujos membros não pertencentes à Rede Portuguesa são convidados a aderir e colaborar. A TIMS colaborará ainda ao nível da divulgação internacional do evento por todo o mundo.

Por isso, apelamos à sua participação activa, através do seu envolvimento pessoal e das organizações a que pertence ou com as quais se relaciona.
Este dia, além de chamar a atenção para os moinhos tradicionais portugueses poderá também servir para identificar problemas e oportunidades, germinar projectos e ideias, ou mesmo para levar a cabo pequenas beneficiações (limpezas, pinturas, consertos de coberturas, etc) com a participação de activistas e visitantes que o pretendam, preservando os moinhos e criando dinâmicas em torno deles.

Mas este dia constitui também uma oportunidade única para aumentar o número de pessoas e instituições que constituem a Rede Portuguesa de Moinhos reforçando a sua implantação e representatividade nacional e, consequentemente, a sua capacidade de acção a favor dos moinhos tradicionais, por isso pedimos-lhe também que ajude a divulgar a Rede.

Como optimizar os seus impactos?
De acordo com os nossos dados das edições anteriores, contando com os moinhos directamente ligados à Rede Portuguesa de Moinhos, com o facto de alguns moinhos estarem em núcleo (cada moinho conta como um moinho, por isso num núcleo haverá vários abertos), contando com os moinhos cujos proprietários e moleiros podem ser contactados por cada um de nós (contamos consigo também para o fazer), acreditamos ser possível alcançar novamente  entre 120 e 150 moinhos a funcionar.