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sexta-feira, 27 de março de 2026

Nick Cave and Warren Ellis - We Are Not Alone


Melhor som aqui
Apresentação do álbum aqui
Letra
This world has ears and rocks have eyes
Nature loves to hide
The world is a bush full of fiery eyes

Nature loves to hide
I've travelled a lot, I was observed
I was observed and unaware

I've travelled a lot unaware I was observed, I was observed
We are not alone (Good news for life) 20X

Uma Meditação sobre a Natureza: "We Are Not Alone"
No seu trabalho colaborativo para o documentário A Pantera das Neves (The Velvet Queen), Nick Cave e Warren Ellis exploram a linha ténue que separa a humanidade do divino. A canção "We Are Not Alone" serve como o pulsar emocional desta jornada, afastando-se da obsessão moderna pelo "eu" em direção a uma ligação profunda e comunitária com o meio ambiente.

A música sugere que a "presença" não se resume apenas a outras pessoas; trata-se dos espíritos da paisagem, dos animais que nos observam das sombras e dos ecos ancestrais que habitam os lugares silenciosos do mundo. É uma chamada de atenção, assustadoramente bela, para pararmos, ouvirmos e reconhecermos o nosso lugar dentro da tapeçaria viva do planeta.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Blood Orange - The Field


The Field (feat. The Durutti Column, Tariq Al-Sabir, Blood Orange & Caroline Polachek)

Feel it every day
And the sun keeps you warm

Hard to let you go
See you and I know why it's always grey (it's always grey, it's always)
Hard to let you go (oh)
Healthy as we pray (yeah) for a journey home (for a journey home)
For a
Oh

Sing to me
In the heat of the sun
In the heat of the sun
And sing to me
Sing to me
When the day is done
The day is done
Sing to me

Hard to let you go (hard to let you go)
See you and I know why it's always grey (oh)
Why it's always grey (hard to let you go, and sing to me)
Hard to let you go (ah)
Healthy as we pray (ah) for a journey home (home, oh)

Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me (hmm)
When the day is done
Sing to me
In the heat of the sun
And sing to me (oh)
When the day is done
(In the end of day)

"The Field (feat. The Durutti Column, Tariq Al-Sabir, Blood Orange & Caroline Polachek)", de Daniel Caesar, transforma a imagem de um campo rural num espaço simbólico de refúgio emocional e saudade. O verso “Hard to let you go / See you and I know why it's always grey” (“Difícil deixar você ir / Vejo você e entendo por que está sempre cinza”) mostra como a ausência de alguém querido traz uma melancolia constante ao cotidiano. Essa ideia é reforçada por Dev Hynes (Blood Orange), que descreveu a faixa como uma canção sobre “aqueles que sentimos falta quando fechamos os olhos”.

O pedido repetido “Sing to me” (“Cante para mim”) funciona como um apelo por conforto e conexão, sugerindo que a música e a memória ajudam a suavizar a dor da ausência. O sample de “Sing to Me”, do The Durutti Column, intensifica o clima nostálgico e contemplativo da faixa. A colaboração entre artistas de estilos diferentes enriquece a emoção da música, trazendo diferentes perspectivas sobre perda e esperança. A menção ao “journey home” (“jornada para casa”) pode ser entendida tanto como o desejo de reencontrar alguém quanto como uma busca interna por paz. Assim, “The Field” constrói uma narrativa sensível sobre lidar com a tristeza, encontrando consolo nas lembranças e no ambiente sereno do campo.

sábado, 8 de maio de 2021

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Música do BioTerra: Durutti Column - Fado


A man with pictures
He tries to fill your pockets
When all your charm has left you
It doesn't take much to make it go
He speaked to me in pictures
He talked to me in stories
They're someone else's stories
You never had a thing
That you could call your own
And when I left you
There's someone else's burden
I never thought I'd see you here with me
Here today

A man with pictures
He tries to fill your pockets
When all your charm has left you
And it doesn't take much to make it go away
He speaked to me in pictures
I answered you in stories
They're someone else's stories
I never had a thing
That I could call my own


Mesmo sendo uma faixa puramente instrumental e sem uma letra falada, o significado de "Fado" reside inteiramente na atmosfera e na intenção cultural que Vini Reilly imprimiu à composição. A canção faz parte do álbum Sex and Death, editado em 1994, um período particularmente cinzento e de grande incerteza para o projeto The Durutti Column após a falência da mítica editora Factory Records. Ao batizar a faixa com o nome do género musical mais tradicional de Portugal, o músico britânico procurou canalizar o sentimento universal da saudade — o peso do destino, a dor da ausência e a melancolia existencial — adaptando-o à sua própria linguagem musical.

Estruturalmente, a composição vive de um contraste fascinante que a crítica da época descreveu como um "funk descontraído e maleável". Sobre esta base rítmica moderna e urbana, Reilly sobrepõe os seus característicos dedilhados de guitarra elétrica, que aqui mimetizam o dramatismo e a tensão da guitarra portuguesa. Os vocalizados etéreos e sem palavras de Cowie Eastwood surgem não para contar uma história com início, meio e fim, mas sim para funcionar como um lamento abstrato. A voz é utilizada como um instrumento puro de emoção e transe, imitando a entrega visceral de uma fadista, mas despida de barreiras linguísticas.

Em suma, o significado de "Fado" não deve ser decifrado de forma intelectual, mas sim sentido como uma pintura impressionista em formato de áudio. É a reinterpretação britânica de um lamento sobre o destino humano, fiel à própria filosofia de Vini Reilly, que sempre defendeu que os ouvintes não se deviam prender à forma da sua música, mas sim focar-se inteiramente no seu conteúdo emocional.

domingo, 29 de novembro de 2020

Música do BioTerra - Harold Budd & Robin Guthrie - An hour, a day, no more...


Based on the ambient theme "A minute, a day, no more" from Harold Budd & Robin Guthrie. This is a 1 hour meditative version. Loop crossfade starts at 5:03:000 (12 loops used). Completed in Adobe Audition.    
Harold Budd (youtube)
Robin Guthrie (youtube)

sábado, 5 de setembro de 2015

Música do BioTerra: God Is an Astronaut - Forever Lost


Com imagens dos filmes "Baraka" (1992) , de Ron Fricke e "Home" (2009), de Yann Arthus-Bertrand

Página Oficial

Curiosidade: O nome da banda  foi inspirado numa citação do filme Nightbreed (no Brasil, Raça das Trevas), de 1990, dirigido por Clive Barker. 

A frase completa, proferida pela personagem Peloquin no filme, é:
"All things are true. God's an Astronaut. Oz is Over the Rainbow, and Midian is where the monsters live."
(Tudo é verdade. Deus é um astronauta. Oz é além do arco-íris, e Midian é onde os monstros vivem.) 

domingo, 3 de abril de 2011

Encontros Improváveis: Durutti Column e Cecília Meireles



É preciso não esquecer nada
por Cecília Meireles


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

O que é preciso esquecer é o dia carregado de actos,
a idéia de recompensa e de glória.

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Kate Bush - Army Dreamers


Melhor som aqui
Letra

(B-F-P-O)
(Army dreamers)
(Mammy's hero)
(B-F-P-O)
(Mammy's hero)

Our little army boy
Is comin' home from B-F-P-O
We've a bunch of purple flowers
To decorate a mammy's hero

Mournin' in the aerodrome
The weather warmer, he is colder
Four men in uniform
To carry home my little soldier

[Refrão]
(What could he do? Should have been a rock star)
But he didn't have the money for a guitar
(What could he do? Should have been a politician)
But he never had a proper education
(What could he do? Should have been a father)
But he never even made it to his twenties

What a waste, army dreamers
Ooh, what a waste of army dreamers (army dreamers)

Tears over a tin box
Oh, Jesus Christ, he wasn't to know
Like a chicken with a fox
He couldn't win the war with ego

Give the kid the pick of pips
And give him all your stripes and ribbons
Now he's sittin' in his hole
He might as well have buttons and bows

[Refrão]

What a waste, army dreamers
Ooh, what a waste of army dreamers (army dreamers)
Ooh, what a waste of all them army dreamers (army dreamers)
Army dreamers (army dreamers), army dreamers (army dreamers)

(B-F-P-O)
(Army dreamers)
(Mammy's hero) 5X

Dor materna e crítica social em “Army Dreamers” de Kate Bush
Em “Army Dreamers”, Kate Bush utiliza um sotaque irlandês para dar mais vulnerabilidade e tradição à história de uma mãe que lamenta a perda do filho para a guerra. O refrão repetido, “What a waste, army dreamers” (“Que desperdício, sonhadores do exército”), reforça a sensação de vidas jovens desperdiçadas. Versos como “He never even made it to his twenties” (“Ele nem chegou aos vinte anos”) ressaltam a tragédia de futuros interrompidos. Termos como “B-F-P-O” (British Forces Post Office) e imagens como “four men in uniform to carry home my little soldier” (“quatro homens de uniforme para levar meu pequeno soldado para casa”) evocam o ritual militar de devolver corpos, tornando a dor da mãe ainda mais real e universal.

A letra aborda de forma direta as poucas opções disponíveis para jovens de classes menos favorecidas. Bush sugere que, se tivessem mais oportunidades — “should have been a rock star... but he didn't have the money for a guitar” (“deveria ter sido um astro do rock... mas não tinha dinheiro para um violão”) ou “should have been a politician... but he never had a proper education” (“deveria ter sido um político... mas nunca teve uma educação adequada”) — talvez pudessem evitar o destino militar. A metáfora “like a chicken with a fox, he couldn't win the war with ego” (“como uma galinha diante de uma raposa, ele não podia vencer a guerra só com orgulho”) mostra que esses jovens são colocados em situações impossíveis, sem preparo ou chance real de sobrevivência. Lançada num período de tensões militares e censurada durante a Guerra do Golfo, a música faz uma crítica clara à romantização do heroísmo militar. O recente ressurgimento da canção nas redes sociais mostra que a sua mensagem sobre o desperdício de vidas e a dor das famílias continua atual e impactante.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Encontros Improváveis- Leonardo Boff e Durutti Column

 

Leonardo Boff Teólogo 

Espírito, Matéria e Vida: eras do humano 

As sínteses históricas são, a miúde, arbitrárias. A nossa também o é. Mas elas atendem à uma exigência que temos por marcos orientadores que nos ajudam a entender a nós mesmos e nossa própria história. Fazemos então uma espécie de leitura de cego que capta apenas os pontos relevantes. Vejo três grandes percursos, verdadeiras eras, que assinalam as relações do ser humano para com a natureza. 

A primeira é a era do espírito. Ela plasmou as culturas originárias e ancestrais. Os seres humanos sentiam-se movidos por forças que agiam no cosmos e neles, realidades numinosas e omni-englobantes que lhes conferiam proteção e segurança. Era a experiência xamânica do espírito que perpassava todas as coisas, criando uma union mystique com todos os seres e dando a percepção de pertença a um todo maior. Grandes símbolos, ritos e mitos davam corpo a esta experiência fontal. Foi então que se projetaram imagens do Divino. Essas imagens, continuando imagens, significavam também centros energéticos da vida e da natureza com os quais o ser humano devia se confrontar e ouvir seus apelos. Havia também todos os avatares da condição humana, mas era o espiritual que dava sentido a todas as instâncias. Essa era marcou nosso inconsciente coletivo até os dias atuais. 

A segunda é era da matéria. Os seres humanos descobriram a força física da matéria e da natureza. Já não viam aí uma imagem do Divino. Era um objeto para o seu uso. A agricultura do neolítico há dez mil anos revela a presença desta era. Os pais fundadores do método científico deram-lhe um quadro teórico, dizendo que a natureza não tem consciência, portanto, podemos tratá-la como queremos. Interferiram até chegar ao o mundo atómico e subatómico com o qual se pode destruir e construir. As forças espirituais e psíquicas da era anterior foram consideradas magia e superstição e como tais combatidas. A concentração nesta experiência introduziu a profanidade. Deus é pensado sem o mundo, fazendo com que surgisse um mundo sem Deus. Operou-se pelas energias arrancadas da matéria a dominação da natureza e a ilimitada exploração de suas riquezas. Já fomos além dos limites de suporte da Terra e dispomos de meios de nos destruir totalmente. Mas surgiu também uma nova responsabilidade e a exigência de uma ética do cuidado. 

Estamos entrando agora na era da vida. A vida une matéria e espírito. Ela representa uma possibilidade da matéria quando distante do equilíbrio e em contexto de alta complexidade. Então irrompe a vida. Para eclodir, a vida supõe a teia de interdependências do físico com o químico, da biosfera com a hidrosfera, com a atmosfera e com a geosfera. Tudo está ligado à vida seja como pre-condição seja como ambiente. Portanto, ela ocupa a centralidade. No conjunto dos seres, o ser humano tem essa missão: de ser o jardineiro e curador da vida. A ela cabe salvaguardar a vida de Gaia, preservar a biodiversidade e garantir um futuro para si e para todos. É o desafio do atual momento de aquecimento global. A era da vida está ameaçada. Urge manter as condições de sua continuidade e coevolução. A vida e não o crescimento deveria ser o grande projeto planetário e nacional. Não perceber esse deslocamento é auto-enganar-se. A bom tempo nos conclama a sabedoria bíblica: "eu lhes proponho a vida ou a morte. Escolha, pois, a vida para que você e seus descendentes possam viver"(Deut. 30,19).

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Encontros Improváveis- Durutti Column e Martin Luther King- Let me tell you something



"True peace is not merely the absence of tension; it is the presence of justice [...]
To cure injustices, you must expose them before the light of human conscience"


"Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda hoje plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos."

"Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por alguma força que venha de fora. O seu pensamento é a planta concebida por um arquitecto para construir um edifício denominado prosperidade. Você deve tornar o seu pensamento mais elevado, mais belo e mais próspero."

"Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização."

"...a mais urgente pergunta a ser feita nesta vida é: - O que fiz hoje pelos outros???..."

 (amanhã é dia do Mestre- assassinado a 4 de Abril de 1968)