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domingo, 14 de dezembro de 2025

Dissidente Ales Bialiatski diz que prémio Nobel o "protegeu" na prisão


O dissidente bielorrusso Ales Bialiatski, libertado da prisão após um acordo entre Minsk e Washington, afirmou hoje que o seu prémio Nobel da Paz o protegeu na prisão e prometeu continuar a trabalhar no exílio.

"Mesmo tendo passado por todas as dificuldades que os presos políticos bielorrussos enfrentam - as celas de confinamento solitário, as humilhações constantes -, o prémio protegeu-me de outras coisas muito piores pelas quais outros colegas passaram", declarou a partir da Lituânia, citado pela agência de notícias francesa AFP.

 
"Eles (os guardas prisionais) perceberam que esta pessoa tinha recebido algum tipo de prémio e que não lhe podiam bater", acrescentou, rindo.

Ales Bialiatski, de 63 anos, fundou em 1996 e liderou durante muitos anos a Viasna (Primavera), a principal organização de direitos humanos e uma fonte essencial de informação sobre a repressão na Bielorrússia.

A Viasna documenta meticulosamente detenções, julgamentos e penas de prisão, com o objetivo de expor a opacidade do sistema judicial.

Tal trabalho valeu em 2022 a Ales Bialiatski a distinção com o prémio Nobel da Paz, partilhado com a organização não-governamental (ONG) Memorial (da Rússia), e com o Centro para as Liberdades Civis (da Ucrânia).

Ele próprio foi detido em 2021 e condenado em 2023 a 10 anos de prisão num caso de "tráfico de divisas", que a sua organização classificou como fabricado.

Hoje, sublinhou que vai continuar a sua luta no exílio, onde "muito ainda" pode ser feito.

"Não vou desistir. Nesta situação, a vida continua e devemos continuar o nosso trabalho", sustentou, declarando-se certo de que a situação na Bielorrússia mudará "para melhor, mais cedo ou mais tarde".

No poder desde 1994, o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, de 71 anos, esmagou vários movimentos de protesto, o maior dos quais, em 2020 e 2021, após uma eleição presidencial contestada que o enfraqueceu gravemente, levando-o a pedir ajuda do homólogo russo, Vladimir Putin.

O Governo bielorrusso foi posteriormente alvo de pesadas sanções por parte da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos devido a esses atos de repressão em massa e, em seguida, pelo seu apoio à invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, parcialmente lançada a partir de território bielorrusso.

Ales Bialiatski apelou hoje à UE para que negoceie com o Governo bielorrusso para pôr fim à perseguição política.

"Pelo bem da sociedade europeia e de outras democracias, devemos pôr fim à repressão na Bielorrússia", defendeu.

"A repressão é levada a cabo pelo regime - com quem mais se deve falar senão com o regime", comentou.

"Mas isso deve ser feito mantendo uma certa pressão, a partir de uma posição de força, porque o regime bielorrusso só compreende esse tipo de linguagem", concluiu Bialiatski.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Nobel da Paz 2022 entre 123 prisioneiros libertados na Bielorrússia



Os ativistas bielorrussos Ales Bialiatski, Nobel da Paz 2022, e Maria Kolesnikova foram libertados da prisão, anunciaram organizações de direitos humanos, após o Presidente ter autorizado a libertação de 123 prisioneiros, em troca do levantamento de sanções norte-americanas.

A libertação dos detidos foi avançada pela agência estatal Belta, uma informação já confirmada pela oposição e por grupos de defesa dos direitos humanos, como a organização não-governamental (ONG) Viasna.

Pouco antes de ser conhecida a decisão de Lukashenko, os Estados Unidos anunciaram que vão levantar algumas sanções comerciais contra a Bielorrússia, nomeadamente ao sector do potássio, no mais recente sinal de alívio das relações entre Washington e a isolada autocracia.

Lukashenko perdoou "123 cidadãos de diferentes países" após estas discussões com os Estados Unidos, anunciou a conta Poul Pervogo, afiliada à presidência bielorrussa, na plataforma Telegram, sem fornecer os nomes dos libertados.

O enviado especial dos EUA para a Bielorrússia, John Coale reuniu-se na sexta-feira e hoje com o líder autoritário do país, Alexander Lukashenko, para conversações na capital bielorrussa, Minsk.

Aliada próxima da Rússia, a Bielorrússia enfrenta há anos isolamento e sanções ocidentais.
Lukashenko governa a nação de 9,5 milhões de habitantes com mão de ferro há mais de três décadas, e o país tem sido repetidamente sancionado por países ocidentais, tanto pela sua repressão aos direitos humanos como por permitir que Moscovo utilizasse o seu território na invasão da Ucrânia em 2022.

A Bielorrússia, que procura melhorar as relações com Washington, libertou centenas de prisioneiros desde julho de 2024.

sexta-feira, 3 de março de 2023

Prémio Nobel Ales Bialiatski condenado a 10 anos de prisão na Bielorrússia



O ativista bielorrusso Ales Bialiatski, co-vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2022 e figura-chave do movimento democrático na Bielorrússia, foi condenado hoje a 10 anos de prisão por um tribunal de Minsk, noticiou a imprensa internacional.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), o ativista dos direitos humanos e outras três figuras importantes da organização não-governamental (ONG) Viasna - que foi fundada por Bialiatski - foram condenados por financiar protestos antigovernamentais.

Os ativistas dos direitos humanos Valentin Stefanovitch e Vladimir Labkovitch foram condenados, respetivamente, a nove e sete anos de prisão, de acordo com a agência de notícias AFP.

Um quarto réu, Dmitri Soloviev, julgado à revelia após fugir para a Polónia, recebeu uma sentença de oito anos de prisão. Todos também foram multados em 185.000 rublos bielorrussos (69.000 euros).

As acusações contra Bialiatski e os seus colegas estavam relacionadas ao fornecimento de dinheiro do Viasna a prisioneiros políticos e ajuda nos pagamentos de honorários a advogados.

Detidos após protestos contra reeleição do Presidente Lukashenko
Os ativistas foram detidos após os protestos massivos nas eleições de 2020, que possibilitaram um novo mandato ao Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko.

A oposição bielorrussa afirmou categoricamente que houve fraudes nas eleições de 2020.

Lukashenko - no cargo desde 1994 - reprimiu a oposição e os meios de comunicação independentes.

Os protestos de 2020 persistiram por vários meses, atingindo grande parte da Bielorrússia e as autoridades tomaram medidas duras de repressão.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Nobel da Paz, aos defensores dos direitos humanos na Bielorrússia, Rússia e Ucrânia



O Comité norueguês honrou os que representam a sociedade civil e protegem os seus direitos fundamentais. Os galardoados são o dissidente Bialiatski, a ONG russa Memorial e o Centro para as Liberdades Civis da Ucrânia.

Há muitos anos que "eles têm promovido o direito de criticar o poder e proteger os direitos fundamentais da população". Por isso, e muito mais, um ativista, o bielorrusso Ales Bialiatski, e duas organizações de direitos humanos, a Memorial, uma ONG russa, e o Centro Ucraniano de Liberdades Civis, foram agraciados com o Prémio Nobel da Paz 2022. O Comité Nobel norueguês aponta que os galardoados representam "a sociedade civil nos seus respetivos países" e que eles têm feito "um esforço notável para documentar crimes de guerra, violações dos direitos humanos e abusos de poder". Juntos, prossegue a exposição de motivos, "eles demonstraram a importância da sociedade civil para a paz e a democracia".

Bialiatski, um dissidente bielorrusso"
Ales Bialiatski", explica o Comité, "foi um dos iniciadores do movimento democrático que surgiu na Bielorrússia em meados da década de 1980. Ele dedicou a sua vida à promoção da democracia e do progresso pacífico no seu país de origem" e várias vezes as autoridades "tentaram silenciá-lo". Bialiatski está detido sem julgamento desde 2020, após manifestações em grande escala contra o regime. Antes já havia sido preso de 2011 a 2014. "Apesar das enormes dificuldades pessoais, não cedeu nada da sua luta pelos direitos humanos e pela democracia na Bielorrússia", explica o Comité, que espera que o prémio não prejudique o ativista, cuja imediata libertação foi solicitada.

O ativismo da ONG russa Memorial
O prémio à ONG Memorial, explicou a presidente do Comité norueguês Berit Reiss-Andersen, é em reconhecimento da atividade da organização, baseada na "noção de que enfrentar crimes do passado é essencial para prevenir novos crimes". A Memorial, que foi declarada agente estrangeiro na Rússia e, por isso, foi fechada, foi fundada em 1987 por ativistas da então União Soviética, entre eles Andrei Sakharov e Svetlana Gannuchkina, que "queriam garantir que as vítimas das opressões do regime comunista" nunca fossem esquecidas. Após o colapso da URSS, tornou-se a principal organização de direitos humanos na Rússia.

O papel do Centro de Liberdades Civis na Ucrânia
O Centro de Liberdades Civis, lê-se na motivação, foi fundado com "o propósito de fazer avançar os direitos humanos e a democracia na Ucrânia". Após o início da guerra em fevereiro, "empenhou-se" em esforços para identificar e documentar os crimes de guerra russos contra a população ucraniana. O Centro, explicam, "está a desempenhar um papel central em responsabilizar os culpados pelos seus crimes" e está empenhado em "fortalecer a sociedade civil, pressionando para tornar a Ucrânia uma democracia plena".