terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Painéis solares transparentes transformarão as janelas em geradores de energia renovável (com vídeo)


Pesquisadores da Universidade Estadual do Michigan, EUA, desenvolveram painéis solares completamente transparentes, que podem ter inúmeras aplicações na arquitetura e também em outros campos, como por exemplo no desenvolvimento de automóveis mais amigos do ambiente.
Já antes se tinha tentado criar um dispositivo deste género, mas os resultados finais nunca foram satisfatórios. Até agora.
A equipe concentrou-se especialmente na transparência, de modo que, desenvolveu um concentrador solar luminescente transparente, que pode ser colocado sobre uma superfície transparente como uma janela, por exemplo. Pode colher energia solar sem afetar a passagem da luz.
A tecnologia utiliza moléculas orgânicas que absorvem comprimentos de onda de luz que não são visíveis ao olho humano, como a luz infravermelha e ultravioleta.
Estes dispositivos podem aproveitar ao máximo as fachadas dos enormes edifícios cobertos de vidro espalhados pelo globo. Não mudando em nada a aparência dos mesmos, e em simultâneo aproveitar a energia solar de forma eficiente.  Podem ser instalados em qualquer edifício.

Segundo o New York Times:

“Se as células puderem ser feitas de forma a durarem muito tempo, estes dispositivos poderão ser integrados em janelas de modo relativamente barato, já que grande parte do custo da energia fotovoltaica convencional não é da própria célula solar, mas dos materiais em que é aplicada, como o alumínio e o vidro. O revestimento de estruturas existentes com células solares eliminaria parte desse custo de material.”
Se as células transparentes, no final das contas, se mostrarem comercialmente viáveis, a energia que geram poderia compensar significativamente o uso de energia de grandes edifícios, disse o Dr. Lunt, que começará a lecionar na Universidade Estadual do Michigan neste outono.
“Não estamos a dizer que poderíamos abastecer todo o edifício, mas estamos a falar de uma quantidade significativa de energia, suficiente para coisas como iluminação e energia elétrica diária”, disse ele.

Do canto do rouxinol ao encanto da cotovia | Terras Sem Sombra

O Cineteatro Municipal de Serpa recebeu, no passado dia 9 de fevereiro, o segundo concerto do festival Terras Sem Sombra. Sob o mote À Vol d’Oiseau: Aves e Biodiversidade no Repertório Pianístico – do Barroco ao Presente, a pianista Ana Telles e o professor João Eduardo Rabaça subiram ao palco para conversar, explicar e tocar peças de Rameau e Schumann, Liszt e Messiaen, passando por Maurice Ravel ou Philippe Hersant. Num mundo em constante mudança e extinção massiva de espécies para a sua própria sobrevivência, foi uma oportunidade única assistir a um repertório de piano a solo quase como um refúgio musical que ressoou num público cada vez mais preocupado, expandido e afetado. Ana Telles conseguiu fazer um hino à natureza de artistas e compositores que nunca deixaram de se maravilhar com a beleza estupefaciente das paisagens e com a magia dos pássaros.

Olivier Messiaen chamou-os de “músicos de Deus”. Este fascínio persistente por pássaros pode ser inquirido até alguns dos primeiros exemplos de música notada: a famosa composição musical inglesa do século XIII, Sumer Is Icumen In, imita o apelo do cuco como um prenúncio da primavera, enquanto no século XVI foram produzidas por Jannequin e Gombert duas peças corais de grande sucesso, ambas chamadas Song of Birds. Desde o início, foram as formas de música mais simples que foram copiadas com maior frequência, por razões óbvias. Na sua Sinfonia Pastoral, por exemplo, Beethoven cita três pássaros: o inevitável cuco, a codorna, com o seu padrão rítmico repetitivo e reconhecível, e os trinados e notas longas que são as características salientes da canção do rouxinol. Mesmo quando os modelos são tão distintos, os resultados geralmente são pouco mais que caricaturas – os esboços são mais simples do que a melódica e ritmicamente mais originais, mais sofisticados e mais complexos. Inconvenientemente para os compositores, as aves não se limitam à escala cromática ou aos limites de um esquema métrico direto.

À Vol d’ Oiseau
Desta forma, o uso do canto dos pássaros na música passou a ser uma maneira de deliberadamente evocar um estado de espírito ou um local, ao invés de uma qualquer tentativa de ser ornitologicamente exato. Os compositores, antes do final do século XX, usavam o canto dos pássaros não tanto pelo que ele intrinsecamente era, mas pelo que ele poderia sugerir ou representar. Messiaen, no entanto, foi muito além da simples trivialidade. Há algo de sistemático no uso que deu aos cantos de pássaros e que ele notou e marcou com tanto cuidado: a sua mais importante partitura de pássaros, Catalogue d’Oiseaux, para piano a solo, composta em meados da década de 1950, indica isso mesmo. Mas mesmo os pássaros de Messiaen, apesar de todos os cuidados que teve a transcrever nas suas canções, raramente são reconhecíveis na sua música. Sem conhecer a fonte selvagem, é impossível identificar mais do que um punhado de centenas de pássaros que se aglomeram nos seus trabalhos posteriores.

Ana Telles e João Eduardo Rabaça ensinam-nos isso. A pianista desafia-nos a isso, enquanto deambula as mãos, de forma leve e suave, entre teclas. As gravações dos pássaros estendem-se e ouvem-se no auditório em estado bruto, não modelado, e os resultados servem como pano de fundo para o espaço de comentário dos intervenientes – ambos docentes na Universidade de Évora –, numa constante mudança entre a conversa e a música do piano, uma autêntica matéria-prima sonora, onde os pássaros são tratados muito além do que meros objetos musicais. A dificuldade em transcrever o canto dos pássaros para o papel é notória; os sonogramas produzidos eletronicamente podem gravar de forma gráfica o conteúdo e a estrutura, mas são de difícil leitura e compreensão para os leigos. Mas Messiaen é um caso especial. Embora seja possível entender o fascínio de outros compositores menos rigorosos pelo canto dos pássaros – até Mozart, de certa forma o mais instintivo dos compositores, teve um estorninho treinado para que pudesse escutar a sua espantosa imitação – as suas tentativas de incorporar elementos do canto nas suas obras, ou criar paralelos entre essa música e as suas próprias obras, sempre foram exercícios estéticos, tentativas fundamentalmente falhadas de conciliar dois instintos irreconciliáveis ​​entre aves e humanos.

Maurice Ravel também teve o seu papel. O tratamento do compositor francês nas vastas possibilidades do piano foi inspirado simultaneamente pelo estilo florido de Franz Liszt, e o mais profundo avanço na técnica do piano desde o tempo desse grande virtuoso. Este estilo veio a ser uma pedra angular do impressionismo francês e até influenciou o contemporâneo mais antigo de Ravel, Claude Debussy. A peça «Oiseaux Tristes» – também interpretada por Ana Telles – faz parte da obra Miroirs e é uma parte triste e melancólica que Ravel descreveu como “pássaros perdidos no torpor de uma floresta escura durante as horas mais quentes do verão”. O acompanhamento do tuplet estático e silencioso que persiste durante a maior parte da peça certamente evoca a névoa sufocante do verão. Mas acima disso, ouvimos os melancólicos cantos dos pássaros, perdidos na opressão da floresta, alguns suaves, outros mais altos e penetrantes. Grande parte do movimento passa silenciosamente, tornando a sua melancolia cada vez mais pungente, livre na estrutura e improvisação da natureza, de uma ascensão solitária a um forte que cria um clamoroso clímax do canto de pássaros. O clímax é fugaz, no entanto, a música rapidamente retorna ao seu triste comportamento. Uma cadência então precede o fim sombrio do movimento.

Embora tenha havido alguma teorização desejável e algumas tentativas de apresentar evidências circunstanciais, ninguém jamais sugeriu convincentemente que o canto dos pássaros tenha qualquer componente puramente estética. Parece que mesmo as músicas mais elaboradas evoluíram para um propósito estritamente biológico. Os pássaros cantam para maximizar as suas chances de transmitir os seus genes – definindo os seus territórios e atraindo um possível parceiro – e o que eles cantam, por mais complexo que seja, não tem qualquer propósito além do imperativo da herança. Alguns compositores escrevem música num esforço para definir o seu próprio território, mas fazem-no primeiramente por razões estéticas e valores artísticos. É uma perceção humana do canto dos pássaros, e a música que ouvimos é apenas uma proporção do que a mesma contém em termos de notas, sons rítmicos e estrutura. É apenas uma construção intelectual.

Professores Ana Telles e João Eduardo Rabaça

Fonte: aqui

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Açores com temperaturas mais altas e tempestades mais frequentes até 2100

Foto e notícia aqui

O Programa Regional para as Alterações Climáticas (PRAC) que o Governo dos Açores entregou na Assembleia Legislativa Regional prevê que o arquipélago registe temperaturas mais elevadas e tempestades mais frequentes até ao final do século.

De acordo com as previsões feitas por especialistas em alterações climáticas, e que serviram de base ao documento que será submetido à apreciação dos deputados, a temperatura média do ar deverá apresentar uma "trajetória ascendente" nos Açores, até 2100, podendo aumentar entre 1,4 e 3,2 graus celsius.

Os especialistas explicam, no entanto, que esse aumento gradual da temperatura do ar será mais acentuado nas ilhas do grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria), que ficam situados mais a sul do arquipélago.

Quanto à precipitação, e de acordo com o mesmo documento, a tendência é para que aumente no inverno, sobretudo no grupo Central (Faial, Pico, São Jorge, Graciosa e Terceira) e diminua no verão, em especial nas ilhas do grupo Ocidental (Flores e Corvo), situadas mais a norte.

Com base nestas previsões, o PRAC aponta para a possibilidade de ocorrerem mais inundações e cheias nos Açores, durante o inverno, e menos precipitação sazonal no verão, adiantando que é também provável que ocorram com mais frequência episódios de vento extremo e tempestades, bem como a sobrelevação da água do mar.

Nestas circunstâncias, é também previsível que aumente o risco de "galgamentos de mar" junto à orla costeira das ilhas, cenário agravado pela esperada subida do nível médio das águas que, no caso dos Açores, poderá atingir um metro até ao final do século.

Este estudo, elaborado com a intenção de precaver cenários de risco e preparar a região para possíveis alterações climáticas, é criticado, no entanto, por alguns especialistas.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), emitiu parecer "positivo" ao diploma, mas considera "superficial" a descrição sobre a modelação climática apresentada no documento, apresentando também uma "lacuna importante" ao não considerar "as alterações climáticas já verificadas".

Também Eduardo Brito de Azevedo, professor da Universidade dos Açores, especialista em climatologia, ouvido pelos deputados, considera o estudo "muito genérico" e "vago", apresentando mesmo o que considera serem alguns "erros crassos".

A proposta de PRAC está pronta a subir a plenário, para discussão e votação, o que deverá acontecer na sessão marcada para a próxima semana, na Horta.

Dez dicas para reduzir o uso do plástico na sua casa

Foto e notícia aqui

A União Europeia vai proibir palhinhas, cotonetes e copos de plástico dentro de dois anos. Lisboa quer limpar a cidade de copos de plástico até 2020 e em escolas da cidade as refeições em cuvetes de plástico já são coisa do passado.

Sim, já demos conta: o plástico é sério candidato a inimigo número 1 do ambiente, num tempo em que a consciência ambiental é mais aguda. Há previsões catastróficas: se nada for feito, em 2050, haverá mais plástico nos mares do que peixes. Mais de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos.

A solução é mesmo evitar o uso de plásticos. Sandra Laville, editora de ambiente do jornal britânico The Guardian, apontou dez dicas para que possamos reduzir o uso de plástico. Mas, atenção, alguns dos produtos podem doer mais na sua carteira.

1. Comece por casa. Faça uma auditoria ao plástico que existe em sua casa: embalagens de gel de banho, desodorizantes, detergentes, frascos de champô. Dispense o gel de banho e troque-o por sabão ou sabonete; use cotonetes de bambu, por exemplo; procure embalagens de detergente líquido em garrafas plásticas recicladas e encontre uma recarga para as encher de novo. Também há papel higiénico em embalagens recicladas.

2. Nos EUA, todos os anos são descartadas mil milhões de escovas de dentes de plástico - trata-se de cerca de 50 milhões de quilos de resíduos. Tente usar escovas de dentes de bambu: biodegradam-se em cerca de seis meses.

3. Quando vai às compras, leve sacos de tecido reutilizáveis.

4. Tente comprar por atacado e colocar produtos secos, como arroz, macarrão ou lentilhas, em frascos de vidro, para evitar a compra de produtos embrulhados em plástico.

5. Recicle os brinquedos de plástico que as crianças já não usam. Procure entregar em associações na sua zona, doando a crianças desfavorecidas. E opte por lojas de segunda mão ao procurar presentes.

6. Leve o seu café num termo ou copo reutilizáveis.

7. Diga não aos talheres de plástico. Na sua marmita inclua um garfo de metal ou use uma alternativa compostável.

8. Não use película plástica aderente para a sua comida. Em alternativa, use folhas de alumínio ou caixas de plástico reutilizáveis.

9. Use uma máquina de barbear elétrica em vez de lâminas descartáveis de plástico.

10. Escreva para empresas cujas embalagens não sejam recicláveis, pedindo-lhes que considerem o uso de materiais menos destrutivos.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Cientistas britânicos analisam 50 mamíferos e encontram microplásticos em todos

Foto e notícia aqui


Investigadores da Universidade de Exeter e do Laboratório Marinho de Plymouth, no Sudoeste de Inglaterra, examinaram 50 animais, entre várias espécies de golfinhos, focas e baleias, e encontraram microplásticos (fragmentos com menos de cinco milímetros) em todos, segundo informação divulgada pela universidade.

A maior parte das partículas (84%) eram de fibras sintéticas, que podem vir de fontes como roupas, redes de pesca e escovas de dentes, enquanto as restantes provinham de fragmentos, possivelmente de embalagens de alimentos e garrafas de plástico.

É chocante, mas não surpreendente, que todos os animais tenham ingerido microplásticos", disse a principal autora do estudo, Sarah Nelms. A investigadora disse que o número de partículas encontrado em cada animal foi de 5,5 em média, um valor "relativamente baixo", o que sugere que as partículas ou passam pelo sistema digestivo ou são regurgitadas. "Não sabemos ainda quais os efeitos que os microplásticos, ou os químicos neles presentes, têm nos mamíferos marinhos. É preciso mais investigação para se perceber melhor os possíveis impactos na saúde dos animais", disse Sarah Nelms.

Segundo a investigação, que foi publicada na Scientific Reports, foram várias as causas que provocaram a morte dos animais estudados, mas os que morreram devido a doenças infecciosas tinham mais partículas de plástico do que os que morreram por outras causas. "Não podemos tirar nenhuma conclusão explícita sobre o potencial biológico desta observação", notou Brendan Godley, do Centro de Ecologia e Conservação, da mesma universidade, concluindo que estão a ser dados "os primeiros passos na compreensão deste poluente omnipresente".


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A invulgar coexistência entre pessoas e crocodilos em aldeias da Índia

Foto e notícia aqui

Seria uma visão perturbadora para a maioria das pessoas. Adultos e crianças a curta distância de vários crocodilos. Os seres humanos com os seus afazeres quotidianos e os répteis a apanhar peixes para comer ou então parados a aproveitarem os raios de sol. No entanto, em várias aldeias do estado de Gujarat, na Índia, este é um cenário habitual há várias décadas, como dá conta a BBC.

A região de Charotar está delimitada por dois rios, o Sabarmati e o Mahi que é a casa de pelo menos 200 crocodilos-persa, uma espécie que pode atingir entre quatro a cinco metros de comprimento e que é considerada extremamente perigosa.

Mas nas aldeias de Charotar, há uma coexistência praticamente pacífica. As pessoas nadam no rio, lavam-se e lavam as suas roupas ao lado dos crocodilos.

De acordo com o CrocBITE, uma base de dados global de crocodilos, os crocodilos-persa mataram 18 pessoas em todo o mundo em 2018. Mas em Charotar, a ONG Voluntary Nature Conservancy documentou apenas 26 ataques em 30 anos, sendo que 17 desses ataques envolveram gado. Uma criança morreu em 2009 e os outros oito ataques resultaram em ferimentos ligeiros.

Segundo a BBC, os habitantes locais até parecem gostar de ter os crocodilos por perto. Na vila de Deva, por exemplo, os residentes chegaram a realizar o funeral de um crocodilo que morreu e construíram um santuário à deusa Khodiyar, uma divindade local que costuma ser retratada na companhia de um crocodilo.


Não se julgue que é por esta ligação religiosa que há uma coexistência pacífica entre seres humanos e répteis. Os habitantes de Deva gostam tanto dos crocodilos que até planeiam escavar um novo lago para que os animais tenham mais espaço.