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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Oceano reivindica lugar entre os Domínios Estratégicos da AI²


Numa posição conjunta, MARE, CESAM, CIIMAR, CCMAR e OKEANOS pedem que o Oceano entre na lista de Domínios Estratégicos que a AI² está a definir para orientar o financiamento da ciência portuguesa na próxima década.

 Os cinco maiores centros de investigação da área do mar em Portugal, o MARE, o CESAM, o CIIMAR, o CCMAR e o OKEANOS, assinaram, em conjunto, um manifesto a pedir à Agência para a Investigação e Inovação (AI²) que reconheça o Oceano como um dos Domínios Estratégicos nacionais. O documento, apresentado no Encontro Ciência 2026, reúne os cinco diretores numa única posição e chega numa altura em que a agência está a decidir quais as áreas que vão concentrar o investimento público em investigação e inovação nos próximos anos.

Os diretores destas unidades de investigação argumentam que poucas áreas cruzam tantas dimensões em simultâneo como o mar, da soberania à segurança, do clima à diplomacia, e lembram que Portugal gere uma Zona Económica Exclusiva de 1,7 milhões de quilómetros quadrados, com uma proposta de extensão da plataforma continental que ultrapassa os 4 milhões de quilómetros quadrados, uma área maior do que o território terrestre de toda a União Europeia. Cerca de 97% do território nacional é mar.

Juntos, os cinco centros representam mais de 900 investigadores doutorados integrados, mais de 10 500 publicações científicas em cinco anos e mais de 700 projetos financiados, num total de cerca de 206 milhões de euros de financiamento competitivo, participando nas principais infraestruturas científicas europeias e reforçando a importância da investigação nesta área em Portugal.

O pedido não surge isolado. Em março, no âmbito do Fórum de Investigação no Oceano, os mesmos cinco centros já tinham assinado a Declaração de Aveiro sobre a Ciência do Mar Português 2026-2035, um diagnóstico conjunto que apontava a precariedade nas carreiras, a falta e difícil acesso a navios e outros equipamentos e infraestruturas de investigação, dados dispersos entre instituições, lacunas na monitorização de longo prazo e uma interface ciência‑política débil, como as principais fragilidades estruturais críticas nesta área de investigação.

O reconhecimento como Domínio Estratégico traduzir-se-ia num investimento sustentado e próprio para acesso a navios de investigação nacionais, ROVs ou AUVs, hoje dependente de financiamento associado a projetos, na estabilização de carreiras científicas, técnicas e de apoio à I&D em ciências do mar, com a meta de 50% dos investigadores com mais de cinco anos de pós-doutoramento a terem contrato permanente ou de longo prazo até 2035, e num programa nacional de monitorização do oceano, do litoral ao mar profundo, hoje inexistente de forma integrada.

Outras áreas relevantes a suportar passariam pela criação de um ecossistema nacional de dados marinhos interoperável, ligado ao gémeo digital europeu do oceano (EDITO) e a sistemas de alerta precoce baseados em inteligência artificial, e pela criação de mecanismos formais de interface entre ciência, políticas públicas e indústria, incluindo uma rede de laboratórios vivos (Living Labs) e plataformas digitais de apoio à decisão.

“Portugal não é apenas um país com mar. É um país definido pelo mar”, lê-se no manifesto assinado pelos cinco diretores, que acrescenta: “Portugal pode voltar a ser uma potência marítima por via do conhecimento”.

Para os cinco centros, o estatuto de Domínio Estratégico serviria para tirar o investimento em ciência do mar da lógica de financiamento a curto prazo, projeto a projeto, dando-lhe continuidade e escala nacional, com dados, tecnologia digital e inteligência artificial aplicada ao oceano. O pedido chega também numa altura em que a União Europeia discute uma Lei Europeia dos Oceanos e investe em gémeos digitais do oceano, uma “oportunidade única”, dizem, “para Portugal liderar e não apenas acompanhar” o processo.

“Investir no Oceano não é investir apenas numa área científica. É investir na soberania, na competitividade, na segurança, na sustentabilidade e no futuro de Portugal”, conclui o manifesto.

Os cinco centros
  • MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) reúne a Universidade de Évora, a FCUL, a FCT-NOVA, a Universidade de Coimbra, a Universidade da Madeira, o IPLeiria, o IPSetúbal, o ISPA e o ARDITI, sob direção de Pedro R. Almeida.
  • CESAM (Centro de Estudos do Ambiente e do Mar), sediado na Universidade de Aveiro, é dirigido por Amadeu Soares.
  • CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental), sediado na Universidade do Porto, é dirigido por Vitor Vasconcelos.
  • CCMAR (Centro de Ciências do Mar), sediado na Universidade do Algarve, é dirigido por Adelino Canário.
  • OKEANOS (Instituto de Investigação em Ciências do Mar), sediado na Universidade dos Açores, é dirigido por Gui Menezes.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas: primeira celebração em Portugal acontece no Algarve no dia 1 de agosto


No próximo sábado, dia 1 de agosto, assinala-se mais um Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas, e Portugal junta-se à celebração pela primeira vez.

Criada em 2021 por organizações da África do Sul, desde então transformou-se num movimento global, apoiado pela Década do Oceano das Nações Unidas. O grande objetivo é sensibilizar para a importância das áreas marinhas protegidas na conservação dos oceanos, no desenvolvimento sustentável e no bem-estar das comunidades humanas.

Em Portugal, as celebrações serão realizadas de forma descentralizada em Albufeira, Lagoa e Silves, os três municípios abrangidos pelo Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a primeira área marinha protegida a ser criada em Portugal no século XXI e também a primeira de interesse comunitário. Abrangendo cerca de 156 quilómetros quadrados, protege um dos mais importantes recifes rochosos costeiros do Algarve, reconhecido pela sua elevada biodiversidade e pela relevância ecológica, social e económica que representa para a região.

O Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado foi criado em 2024

A organização regional fica a cargo da AIMM – Associação para a Investigação do Meio Marinho, com o apoio da Fundação Oceano Azul. Entre os parceiros contam-se também o CCMAR – Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, os municípios de Albufeira, Lagoa e Silves e a Marina de Albufeira. Em comunicado, a AIMM diz que a iniciativa conta ainda com a adesão de várias empresas marítimo-turísticas da região.

“A celebração assume especial relevância a nível nacional e internacional por assinalar a primeira participação de Portugal nesta iniciativa internacional dedicada à valorização e divulgação das áreas marinhas protegidas”, diz a organização coordenadora.

Ao longo do dia 1 de agosto, serão promovidas várias ações destinadas a divulgar o Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado, a sua biodiversidade e a importância da sua conservação.

Em Albufeira, a AIMM, juntamente com outros parceiros, estará presente na inauguração da exposição “Parque Natural Marinho do Recife do Algarve – Pedra do Valado”, marcada para as 11h00, no Espaço Expositivo P5, na baixa de Albufeira. A inauguração contará com uma breve apresentação da AIMM sobre o Dia Internacional das Áreas Marinhas Protegidas e a importância desta área.

Das 1294 espécies de fauna e flora reportadas na costa algarvia, 889 foram identificadas na Pedra do Valado. 703 são invertebrados, 75 são espécies de algas, e 111 são peixes, incluindo espécies com estatuto de conservação, como os cavalos-marinhos e os meros. 

Em Silves, a AIMM, em colaboração com o CCMAR e a Associação de Pescadores de Armação de Pêra, irá promover, na Praia dos Pescadores, em Armação de Pêra, um peddy-paper com jogos e dinâmicas relacionados com o Parque. Está também prevista uma demonstração, por parte dos pescadores locais, das artes de pesca tradicionalmente utilizadas na região. As atividades decorrerão entre as 9h30 e as 11h00.

Por fim, em Lagoa, a AIMM estará presente na Praia de Benagil, onde investigadores da organização irão colaborar, ao longo do dia, nos briefings dirigidos aos visitantes das grutas de Benagil que realizem a visita de caiaque.

sábado, 13 de junho de 2026

Milhares de espécies de peixes são apanhadas na pesca de arrasto de fundo, incluindo ameaçadas de extinção

Mais de 3.000 espécies de peixes são apanhadas na pesca de arrasto de fundo, um tipo de captura que arrasta redes pelo leito marinho e apanha tudo à sua passagem. Esta é apenas uma estimativa e o número real pode mesmo ser o dobro.

A conclusão é de uma investigação da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, publicada na revista ‘Reviews in Fish Biology and Fisheries’. O trabalho é descrito pelos autores como o primeiro inventário global das espécies de peixes cuja captura é reportada no âmbito da pesca de arrasto de fundo, e teve por base mais de 9.000 registos de todo o mundo de 1895 a 2021.

“Esta é a imagem mais clara que temos da amplitude da pesca de arrasto de fundo”, diz Sarah Foster, primeira autora do estudo. “Revela quantas espécies estão a ser capturadas e o quanto nos tem escapado”, acrescenta.

De acordo com a equipa, uma em cada sete espécies de peixes registadas, e que tenham um estatuto de conservação conhecido na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, está ameaçada ou quase ameaçada de extinção.

Por outro lado, uma em cada quatro ou sobre ela não há dados suficientes para fazer uma avaliação adequada quanto à sua conservação, ou não foi ainda avaliada, o que, para estes investigadores, significa que uma grande porção da pesca de arrasto de fundo estão a acontecer no meio de um “vácuo de informação”.

Entre as espécies apanhadas nessas pesadas redes que devastam os fundos marinhos contam-se a criticamente ameaçada raia Glaucostegus typus, o ameaçado tubarão-zebra (Stegostoma tigrinum) e pelo menos três espécies vulneráveis de cavalos-marinhos. Além disso, os cientistas descobriram que  num terço das 323 famílias de peixes registadas pelo menos metade de todas as espécies eram apanhadas nas redes de arrasto de fundo.

“A pesca de arrasto de fundo arrasta ramos inteiros da árvore da vida marinha. Não faz distinção entre espécies comuns e aquelas que está já à beira da extinção”, afirma Syd Ascione, coautora do artigo, acrescentando que essa prática está a pôr pressão sobre “espécies únicas em termos evolutivos, incluindo muitas sobre as quais sabemos demasiado pouco”.

Os números revelam ainda que cerca de 95% das espécies apanhadas na pesca de arrasto de fundo não eram o alvo, mas, mesmo assim, 64% foram capturadas e não foram devolvidas ao mar. Os investigadores dizem que, por tudo isso, as estimativas que apresentam são altamente conservadoras, e que os números reais podem ser muito maiores.

Apontando que cerca de 99% da pesca de arrasto de fundo acontece em águas sob a jurisdição de Estados, “é importante que os governos adotem abordagens precaucionárias e que proíbam a pesca de arrasto de fundo em vastas áreas do oceano”, especialmente em áreas marinhas protegidas, defende Amanda Vincent, que também assina este trabalho.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Portugal deve liderar a proteção do Mar dos Sargaços




Uma “floresta tropical flutuante dourada” precisa urgentemente de proteção. Perto dos Açores, uma extensão de oceano aberto em águas internacionais abriga verdadeiros tesouros da Natureza. Tapetes de algas douradas, chamadas Sargassum, fervilham de vida: são refúgio para espécies ameaçadas, berçário para tartarugas-bebé e uma paragem na rota migratória das majestosas baleias jubarte.

Longe dos olhares do mundo, esta região de águas cheias de vida e de tapetes de algas absorve carbono em quantidades sete vezes superiores às de outras regiões semelhantes. Um trabalho absolutamente fundamental para a equilibrar o clima.

Apesar de todos estes benefícios para os seres humanos e para o planeta, o Mar de Sargaços está em grave risco. Sem proteção, encontra-se vulnerável a interesses de governos e empresas. Contudo, recordamos que Portugal comprometeu-se a proteger 30% dos Oceanos. É urgente começar pelo Mar de Sargaços!

O Mar de Sargaços está em risco…
Os Oceanos são verdadeiros tesouros e, entre governos e empresas, não falta quem os queira explorar, longe dos olhares do mundo.

O que está em risco no Mar de Sargaços:
  1. Poluição: o mesmo sistema de correntes que mantém o Sargaço nesta região, aprisiona plásticos e outro tipo de poluição, que ameaçam asfixiar as tartarugas e restantes espécies marinhas.
  2. Mineração em mar profundo: empresas e líderes mundiais já começaram os primeiros testes para conseguirem rasgar o fundo do oceano e extrair minerais. Para alimentar interesses financeiros, querem colocar em risco ecossistemas essenciais à vida no planeta.
  3. Exploração: a pesca industrial excessiva está a dizimar as populações de peixes e a destruir habitats marinhos.
  4. Dados científicos recolhidos ao longo de 40 anos revelam uma aceleração acentuada nas alterações da temperatura, salinidade, níveis de oxigénio e acidez da água.
Cada momento de atraso na criação de um santuário totalmente protegido significa que podemos perder para sempre a vida marinha e um ecossistema insubstituível.

O que podemos fazer?
A recente entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos é uma prova inequívoca de que os governos conseguem unir-se para proteger o nosso futuro comum. Após vários anos de campanha da Greenpeace e de outras organizações da sociedade civil, esta vitória histórica para os oceanos é apenas o início de um novo capítulo na defesa do mar. Falta agora tornar a sua promessa em realidade: proteger 30% dos oceanos até 2030.

Através desse Tratado, o Governo português tem agora a oportunidade e o dever de assumir um papel de liderança internacional, apoiando a criação de um santuário marinho protegido no Mar dos Sargaços.

Esta seria uma ação fundamental que ajudaria a estabilizar o clima, proteger os meios de subsistência de milhões de pessoas e garantir um oceano saudável para as próximas gerações!

Exige que o Governo português atue já, liderando a criação de um santuário marinho no Mar dos Sargaços e protegendo tartarugas, baleias, tubarões e tantas outras espécies. Os oceanos não podem esperar!

Saber mais
1.Tratado do Alto-Mar entra em vigor e Portugal é desafiado a proteger Mar de Sargaços
2.Assinar e divulgar a petição da Greenpeace

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Dia Mundial dos Oceanos alerta para importância das áreas marinhas protegidas


O Dia Mundial dos Oceanos, que se celebra hoje, alerta para a importância de uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas (AMP) que “restaure ecossistemas”, lembrando que “todas as nações dependem de oceanos saudáveis”.

Reconhecido pelas Nações Unidas desde 2008, o Dia Mundial dos Oceanos envolve mais de duas mil organizações em 180 países.

Este ano, a efeméride tem como tema “Áreas Marinhas Protegidas Robustas para o Nosso Planeta Azul”.

“Podemos acelerar o progresso e ajudar a criar uma rede global de Áreas Marinhas Protegidas que restaure ecossistemas, construa resiliência e inspire esperança para o futuro”, lê-se na mensagem que assinala a data.

Segundo o portal do Dia Mundial dos Oceanos, a criação de AMP “rigorosamente regulamentadas” será “essencial para transformar os compromissos globais em resultados reais de conservação” e alcançar a meta de proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030.

Atualmente, à escala global, menos de 17% da área terrestre e apenas 8% dos oceanos estão protegidos.

Em outubro, Portugal previa antecipar para 2026 a meta de 30% de AMP, com a criação Reserva Natural Marinha D. Carlos, que cobre 173.000 quilómetros quadrados, abrangendo uma vasta cadeia de montes submarinos e planícies abissais entre Sagres e o Arquipélago da Madeira.

“Todas as nações dependem de oceanos saudáveis [para garantir] a estabilidade climática, a biodiversidade e o bem-estar humano. A proteção dos oceanos, incluindo o alto-mar, é uma responsabilidade partilhada”, acrescenta a mensagem do Dia Mundial dos Oceanos 2026.

Em janeiro entrou em vigor o Tratado do Alto-Mar, que estabelece o enquadramento legal para a designação de AMP em águas internacionais.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Já ouviu falar do Síndrome da Referência Móvel - Shifting Baseline Syndrome?



Do you suffer from Shifting Baseline Syndrome (SBS)? Well, the answer is that everyone probably does. While SBS is not an actual medical condition, it has been gaining traction across environmental disciplines, as well as featuring in modern environmental literature, as seen in Isabella Tree’s Wilding: The Return of Nature to a British Farm and George Monbiot’s Feral.

What is Shifting Baseline Syndrome?

Coined by Daniel Pauly in 1995, while speaking of increasing tolerance to fish stock declines over generations, SBS also has roots in psychology, where it is referred to as ‘environmental generational amnesia’. Simply put, Shifting Baseline Syndrome is ‘a gradual change in the accepted norms for the condition of the natural environment due to a lack of experience, memory and/or knowledge of its past condition’. In this sense, what we consider to be a healthy environment now, past generations would consider to be degraded, and what we judge to be degraded now, the next generation will consider to be healthy or ‘normal’. As Soga and Gaston (2018) argue, without memory, knowledge, or experience of past environmental conditions, current generations cannot perceive how much their environment has changed because they are comparing it to their own ‘normal’ baseline and not to historical baselines.

Evidence for Shifting Baseline Syndrome in Conservation
While Shifting Baseline Syndrome is acknowledged by environmental scientists, particularly by conservationists, there is little research to support its existence that is beyond anecdotal, yet this evidence occurs globally; for example, in Eastern Indonesia, where biodiversity has declined rapidly over 30 years, younger fishers were found to recall a lower abundance of wildlife in the past, meaning they were perceiving less of a decline in the wildlife population, compared to older fishers. Similarly, in the Bolivian Amazonia, it was found that younger generations perceived the number of locally-extinct tree and fish species as lower compared to older generations. Again, a study in the Seward Peninsula in Alaska, USA, an area that is facing rapid hydrological environmental change as a result of climate change, found that younger people were less aware of changes in the quality and availability of five local water resources. While these studies are not directly about SBS, they have each recorded a difference in how older and younger generations perceive environmental change locally, which draws back to Soga and Gaston’s framework, which emphasises the importance of differences in memory, knowledge, and experience.

Despite the lack of empirical evidence, Shifting Baseline Syndrome is being given attention, perhaps because it has implications for individuals and environmental policy in fighting against climate change.

On an individual level, SBS has increased our tolerance to environmental degradation, including wildlife population decline, increased pollution and loss of natural habitats. This is because people will evaluate the severity of environmental degradation by referencing it back to their own cognitive baseline. In the UK, George Monbiot summarises the state of conservation, saying, “conservation in this country has become indistinguishable from destruction because what we’re conserving is an ecocidal system of sheep ranching. Sheep eat everything, and as a result, there’s no birds, no insects. We’ve lost almost everything, and yet we regard that as normal and natural.” In the UK people are actively conserving ecologically desolate ecosystems as they have no reference to past British wilderness.

At a societal level, this unawareness of past environmental conditions or current rates of degradation has implications for policymakers. For example, in the UK, the Environment Act of 1995 (the original legislation for National Parks was introduced in 1949) revised the legislation stating the statutory purpose for National Parks. Their main goal is to ‘conserve and enhance the natural beauty, wildlife and cultural heritage’. Those who introduced this legislation originally had a perception of ‘natural beauty, wildlife, and cultural heritage’, and so current National Park conservation practise is driven by a static perception, despite itself studying a subject of constant dynamism. When National Parks were originally established they were characterised by traditional agriculture. While this may seem insignificant the inclusion of ‘cultural heritage’ protects agriculture as part of the landscape, despite its environmental impact. Therefore the conservation approach in these areas can be described as unambitious as they maintain what is simply there or set targets that are not inclusive of historical data and trends. However, people are satisfied because the landscape looks the same as when the legislation was introduced.

Thus, our conservation and policy efforts are becoming less effective with each generation, while we become more satisfied with our diminishing actions because our targets are weaker in terms of biodiversity and habitat heterogeneity. The result is a feedback loop, where every generation’s increasing tolerance for environmental decline results in insufficient conservation efforts that inevitably cannot forestall degradation which next generations will tolerate because they have no preconception of the state of the environment.

Despite the ‘doom and gloom’, Soga and Gaston have designed theoretical response frameworks that could help mitigate the effects of SBS. They argue that solutions to minimise the impact of SBS lie in environmental restoration, increased data collection, reducing the ‘extinction of experience’ (the decline of people interacting with nature) and education.

Environmental restoration, mainly in the form of rewilding, will be able to demonstrate historical baselines to those who are potentially affected by SBS. Data collection will help to better inform current and future generations how the environment is changing and has changed from past conditions. Soga and Gaston suggest that citizen science could play a huge role in creating ‘large-scale, long-term data sets’ as well as increasing people’s interactions with nature to reduce this extinction of experience. In addition to this, reducing the extinction of experience through the promotion of positive experiences with nature will help to increase interaction with the environment. Finally, education will help individuals to better assess the state of the environment and to accurately communicate its past and present condition.

Thus, even while we wait for the scientific study of Shifting Baseline Syndrome to begin, the acknowledgement of this concept in environmental science means that leaders in the field could take steps to help mitigate its potential effects. Soga and Gatson’s solutions, specifically rewilding and education, could increase people’s interactions with nature and promote the importance of effective conservation.

quinta-feira, 12 de março de 2026

As observações de satélite confirmam a previsão da variação do nível do mar dos anos 90


As projeções climáticas dos anos 90 acertaram em cheio na subida do nível do mar, mas subestimaram o degelo das camadas de gelo. Agora, com a aceleração da subida do nível do mar, os cientistas alertam para os riscos regionais e para a possibilidade de um colapso catastrófico.

As alterações globais do nível do mar são medidas por satélites há mais de 30 anos e uma comparação com as projeções climáticas de meados da década de 1990 mostra que estas são notavelmente exatas, de acordo com dois investigadores da Universidade de Tulane.

“O derradeiro teste às projeções climáticas é compará-las com o que se passou desde que foram feitas, mas isso requer paciência - são necessárias décadas de observações”. Torbjörn Törnqvist, autor principal do estudo e Professor de Geologia no Departamento de Ciências da Terra e do Ambiente.
Törnqvist frisa ainda que os investigadores ficaram espantados com a qualidade das primeiras projeções, especialmente quando comparamos a rudeza dos modelos existentes na altura, com os que estão disponíveis agora.

O nível do mar não varia de forma uniforme
O coautor Sönke Dangendorf, Professor Associado no Departamento de Ciências e Engenharia Fluvial e Costeira, afirmou que, embora seja encorajador ver a qualidade das primeiras projeções, o desafio atual é traduzir a informação global em projeções adaptadas às necessidades específicas das partes interessadas em locais como o sul do Louisiana.

"O nível do mar não sobe uniformemente - varia muito. O nosso estudo recente desta variabilidade regional e dos processos que lhe estão subjacentes baseia-se, em grande medida, nos dados das missões de satélite da NASA e nos programas de monitorização dos oceanos da NOAA. A continuação destes esforços é mais importante do que nunca e essencial para a tomada de decisões informadas em benefício das pessoas que vivem ao longo da costa.” Sönke Dangendorf.

Uma nova era de monitorização das alterações globais do nível do mar arrancou quando foram lançados satélites no início dos anos 90 para medir a altura da superfície do oceano. Isto mostrou que a taxa de subida global do nível do mar desde essa altura tem sido, em média, de cerca de 0,30 centímetros por ano. Só mais recentemente é que se tornou possível detetar que a taxa de subida do nível do mar está a acelerar.

Quando os investigadores da NASA demonstraram, em outubro de 2024, que a taxa duplicou durante este período de 30 anos, chegou o momento de comparar esta descoberta com as projeções feitas em meados da década de 1990, independentemente das medições por satélite.

As projeções do IPCC verificaram-se bastante próximas da realidade, apesar da subestimação do degelo
Em 1996, o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) publicou um relatório de avaliação pouco depois do início das medições do nível do mar por satélite. Projetava que o valor mais provável da subida global do nível do mar nos próximos 30 anos seria de quase 8 cm, notavelmente próximo dos 9 cm que se verificaram. Mas também subestimou o papel do degelo em mais de 2 cm.

Na altura, pouco se sabia sobre o papel do aquecimento das águas oceânicas e sobre a forma como este poderia desestabilizar os setores marinhos do manto de gelo antártico a partir de baixo. O fluxo de gelo do manto de gelo da Gronelândia para o oceano também tem sido mais rápido do que o previsto.

As regiões com cotas ao nível do mar encontram-se sob maior risco, em caso de subida do nível do mesmo.

As dificuldades do passado em prever o comportamento dos mantos de gelo também contêm uma mensagem para o futuro. As atuais projeções da futura subida do nível do mar consideram a possibilidade, embora incerta e de baixa probabilidade, de um colapso catastrófico do manto de gelo antes do final deste século.

As regiões costeiras baixas dos Estados Unidos seriam particularmente afetadas se esse colapso ocorresse na Antártida.

Referências bibliográficas

R. S. Nerem
Nerem, R. S., Beckley, B. D., Fasullo, J. T., Hamlington, B. D., Masters, D., & Mitchum, G. T. (2018). Climate-change–driven accelerated sea-level rise detected in the altimeter era. Proceedings of the National Academy of Sciences, 115(9), 2022-2025

Torbjörn E. Törnqvist, Clinton P. Conrad, Sönke Dangendorf, Benjamin D. Hamlington. Evaluating IPCC Projections of Global Sea-Level Change From the Pre-Satellite Era. Advancing Earth and Space Science - Earth’s Future (2025).

domingo, 16 de novembro de 2025

Dia Nacional do Mar


Para assinalar esta data, a plataforma Estudo Autónomo lança o novo ebook “Um oceano que nos liga”, que celebra o oceano como um elemento de descoberta, de partilha e de responsabilidade coletiva.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Trophic convergence of marine vertebrate communities worldwide


Marine vertebrate communities globally exhibit trophic convergence, meaning communities in different locations with similar environmental conditions develop similar feeding structures and functional roles. This functional similarity, driven primarily by temperature, productivity, and depth, results in the emergence of six distinct types of trophic communities worldwide. This convergence challenges traditional biogeographic models based on geographic isolation and supports the idea that shared environmental pressures shape marine ecosystems, even with different species.[artigo aqui]

Key findings

Six global trophic community types: Studies have identified six consistent types of marine trophic communities (TC1-TC6) that appear across the globe.

Environmental drivers: The specific type of trophic community that emerges in a region is largely determined by environmental factors, especially:
  • Temperature: As temperatures get colder towards the poles, overall trophic complexity tends to decrease.
  • Productivity: The availability of energy at the base of the food web is a fundamental driver of community structure.
  • Depth: Shallower coastal areas tend to support more complex and specialized trophic communities.
Functional similarity over evolutionary history: The findings show that geographically distant communities with different evolutionary origins can converge into the same functional type when they share similar environmental conditions. This indicates a strong role for convergent evolution in shaping global marine biodiversity patterns.

Implications for conservation: The existence of these global trophic analogs provides a new benchmark for conservation and management efforts, helping scientists to better understand and predict the impacts of environmental change on marine biodiversity.

Cocteau Twins - How to Bring a Blush to the Snow


A canção “How to Bring a Blush to the Snow”, dos Cocteau Twins, faz parte do álbum Victorialand (1986), um dos trabalhos mais etéreos e contemplativos da banda. Gravado sem o baixista Simon Raymonde, o disco apresenta uma sonoridade leve, dominada por guitarras cristalinas e ambientes sonoros quase imateriais, que criam a sensação de um espaço gelado e luminoso, entre a melancolia e o sonho. A faixa em particular destaca-se pelo seu clima de fragilidade e pela forma como as guitarras parecem “tremeluzir”, acompanhando a voz de Elizabeth Fraser — uma voz que não narra, mas se transforma num instrumento emocional.

Como em quase todas as canções dos Cocteau Twins, as letras são enigmáticas, por vezes ininteligíveis, e o significado é mais sugerido do que dito. O título, “How to Bring a Blush to the Snow” (“Como fazer a neve corar”), evoca a ideia de dar cor, calor ou vida a algo frio e imaculado. Pode ser lido como uma metáfora para o despertar da emoção num ambiente de silêncio e distância, ou como a tentativa de introduzir humanidade e ternura num mundo de gelo — literal ou simbólico. Há quem veja na canção uma meditação sobre o renascimento e a delicadeza, uma paisagem sonora onde o frio se dissolve aos poucos pela presença de algo vivo.

Em Victorialand, as referências à neve, ao vento e às paisagens árticas são recorrentes, e esta faixa parece representar o momento em que a natureza começa a mudar, quando o gelo ganha um leve rubor — o presságio da primavera ou do afeto. Mais do que transmitir uma mensagem concreta, a canção convida o ouvinte a uma experiência sensorial: é sobre sentir a beleza efémera do calor que toca o frio, do silêncio que ganha voz. O seu significado, como o próprio mundo dos Cocteau Twins, reside menos nas palavras e mais na emoção que provoca.

No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything I did everything No no no no no (I did everything) (I want a banana) But it’s driving me bonkers (I did everything) (I want a banana) Every beddie time he cries (I want a banana) (I want a banana) They mostly never soothe them (Oh wonderful food-ah) (Oh wonderful food-ah) I did everything (The fold-over, proper cheeks, I got …) I did everything (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) (oh) Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Rotondedissima Rotondo tondo tondo rotondo Don’t know, hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah Oh wonderful food-ah Someone hurry, hurry (Oh wonderful food-ah) Siss, I miss your commentary (Oh wonderful food-ah) Any time he cries (You ate a banana) (You ate a banana) They mostly never soothe them (You ate a banana) (You ate a banana) Oh wonderful food-ah (The fold-over, proper cheeks, I got …) Oh wonderful food-ah (… Be firm, I said “It’s very fattening!”) Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo Tondo Bravo Rota, did ya see you move a mondo

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Duas Leis, Um Planeta e um Tribunal Silencioso


Será possível proteger o planeta com leis que não podem ser aplicadas?

Este episódio explora o frágil equilíbrio entre o Direito Vinculativo — como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) — e o Direito Não Vinculativo, as estruturas voluntárias que moldam a governação climática global.

Enquanto os oceanos são regidos por tratados vinculativos, a terra e a atmosfera permanecem sob discricionariedade nacional — e o planeta paga o preço.

Da desflorestação à perfuração em águas profundas, vemos repetir-se o mesmo paradoxo: leis vinculativas sem aplicação e acordos voluntários sem resultados.

Nesta perspetiva, o vídeo apresenta a ideia de uma Autoridade Global para o Clima (AGC) — uma ponte entre o que é vinculativo e o que é meramente prometido, capaz de transformar os compromissos globais em leis planetárias aplicáveis.

Porque a nossa crise não é a ausência de leis — é a ausência de autoridade.

Para aprofundar esta temática nada como ver os vídeos e webseminários do Center for Earth Jurisprudence

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

‘Change course now’: humanity has missed 1.5ºC climate target, says UN head

Humanity has failed to limit global heating to 1.5º C and must change course immediately, the secretary general of the UN has warned.

In his only interview before next month’s Cop30 climate summit, António Guterres acknowledged it is now “inevitable” that humanity will overshoot the target in the Paris climate agreement, with “devastating consequences” for the world.

He urged the leaders who will gather in the Brazilian rainforest city of Belém to realise that the longer they delay cutting emissions, the greater the danger of passing catastrophic “tipping points” in the Amazon, the Arctic and the oceans.

“Let’s recognise our failure,” he told the Guardian and Amazon-based news organisation Sumaúma. “The truth is that we have failed to avoid an overshooting above 1.5ºC in the next few years. And that going above 1.5C has devastating consequences. Some of these devastating consequences are tipping points, be it in the Amazon, be it in Greenland, or western Antarctica or the coral reefs.

He said the priority at Cop30 was to shift direction: “It is absolutely indispensable to change course in order to make sure that the overshoot is as short as possible and as low in intensity as possible to avoid tipping points like the Amazon. We don’t want to see the Amazon as a savannah. But that is a real risk if we don’t change course and if we don’t make a dramatic decrease of emissions as soon as possible.”

The planet’s past 10 years have been the hottest in recorded history. Despite growing scientific alarm at the speed of global temperature increases caused by the burning of fossil fuels – oil, coal and gas – the secretary general said government commitments have come up short.

Fewer than a third of the world’s nations (62 out of 197) have sent in their climate action plans, known as nationally determined contributions (NDCs) under the Paris agreement. The US under Donald Trump has abandoned the process. Europe has promised but so far failed to deliver. China, the world’s biggest emitter, has been accused of undercommitting.

António Guterres giving his speech at Cop29 in Baku, Azerbaijan, in November 2024. 

Guterres said the lack of NDC ambition means the Paris goal of 1.5ºC will be breached, at least temporarily: “From those [NDCs] received until now, there is an expectation of a reduction of emissions of 10%. We would need 60% [to stay within 1.5ºC]. So overshooting is now inevitable.”

He did not give up on the target though, and said it may still be possible to temporarily overshoot and then bring temperatures down in time to return to 1.5ºC by the end of the century, but this would require a change of direction at and beyond Cop30.

He called for governments to rebalance representation at Cops so that civil society groups, particularly from Indigenous communities, will have a greater presence and influence than people paid by corporations.

“We all know what the lobbyists want,” he said. “It’s to increase their profits, with the price being paid by humankind.”

He said a transition away from fossil fuels was a matter of economic self-interest, because it was clear that the era of fossil fuels was coming to an end: “We are seeing a renewables revolution and the transition will inevitably accelerate and there will be no way in which humankind will be able to use all the oil and gas already discovered,” he said.

Asked if he had raised this with the Brazilian president, Luiz Inácio Lula da Silva, whose government has just given the green light for oil exploration near the mouth of the Amazon, he said: “Not yet. I’ll take advantage of the Cop [to do this].

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Superfície global do oceano atingiu a temperatura recorde de 21 graus em 2024

Extensão do gelo no Ártico e na Antártida está a atingir mínimos históricos, de acordo com outros dados recolhidos no relatório do Serviço de Monitorização Marinha do programa europeu Copernicus.

Superfície global do oceano atingiu a temperatura recorde de 21 graus em 2024© Daniele Semeraro

O ritmo do aquecimento do oceano está a "acelerar" e a temperatura global à superfície bateu um recorde na primavera de 2024, atingindo 21 graus Celsius (ºC), segundo um relatório do Serviço de Monitorização Marinha do programa europeu Copernicus.

"Todo o oceano é afetado pela tripla crise planetária: alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição", é referido no nono relatório sobre o estado dos mares do Serviço de Monitorização Marinha do programa da União Europeia de observação da Terra publicado esta terça-feira.

O nível do oceano está a subir a um ritmo sem precedentes de 40,8 milímetros (mm) por década, e a extensão do gelo no Ártico e na Antártida está a atingir mínimos históricos, de acordo com outros dados recolhidos no relatório.

"Reduzir as emissões, embora essencial, já não é suficiente por si só para salvar o planeta", conclui o relatório, sublinhando que "os governos devem restaurar os ecossistemas e reforçar as políticas oceânicas para proteger uma economia azul global que vale milhares de milhões".

De acordo com os dados apresentados, analisados por mais de 70 cientistas, o aquecimento da superfície do oceano é "particularmente rápido" e três vezes superior à média no Mar Negro, praticamente o mesmo que no Báltico, e mais do dobro da média no Mediterrâneo, onde o aumento é de 0,41ºC por década e as ondas de calor marinhas ocorrem entre 16 e 23 dias a mais a cada 10 anos.

Tanto 2023 como 2024 registaram ondas de calor "excecionalmente intensas e persistentes", que levaram a temperaturas da superfície do oceano 0,25ºC superiores aos recordes anteriores, superando os recordes de 2015 e 2016.

Houve zonas do Atlântico que, em 2023, experimentaram mais de 300 dias em condições de ondas de calor marinhas.

No verão desse ano, a onda de calor mais longa alguma vez registada no Mediterrâneo fez com que as temperaturas à superfície subissem 4,3 graus acima do normal naquele mar, ou seja, 40,8 mm de subida do nível do mar por década.

A subida global do nível do mar está também a "acelerar a um ritmo sem precedentes": 31,4 mm por década entre 1999 e 2006, 39,3 mm por década entre 2007 e 2015 e 40,8 mm por década entre 2016 e 2024.

O aumento cumulativo entre 1901 e 2024 é de 228 mm, sendo o risco resultante de inundações e erosão em zonas costeiras que albergam cerca de 200 milhões de pessoas.

Todos os países europeus com densidades populacionais costeiras acima das 200 pessoas por quilómetro quadrado estão a registar uma subida do nível do mar acima da média.

Em relação à perda de gelo marinho, o Ártico registou quatro mínimos históricos entre dezembro de 2024 e março de 2025, mês em que se registaram menos 1,94 milhões de quilómetros quadrados do que a média de inverno de longo prazo, uma área quase seis vezes superior à Polónia.

Na Antártida, 2025 marca o terceiro ano consecutivo de baixa extensão de gelo marinho. Em fevereiro, havia menos 1,6 milhões de quilómetros quadrados do que a média de longo prazo, uma área quase três vezes superior à de França.

O aquecimento e a acidificação afetam 16% dos corais ameaçados e 30% dos severamente ameaçados.

Os resíduos plásticos poluem todas as bacias oceânicas e, entre os países que emitem mais de 10.000 toneladas por ano, 75% fazem fronteira com os recifes de coral.

O Serviço de Monitorização Marinha é um dos seis que compõem o programa de observação da Terra Copernicus, financiado pela União Europeia.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Esta espécie de caranguejo pode ser um aliado de peso na sobrevivência dos corais


Um caranguejo Cyclodius ungulatus escondido entre os braços de um coral, na Grande Barreira de Coral, na Austrália.

O branqueamento dos recifes de coral é uma das evidências mais marcantes e visualmente impactantes dos efeitos das alterações climáticas. À medida que a temperatura do planeta aumenta, os mares e oceanos também se tornam mais quentes.

Os recifes de coral, habitats de uma enorme diversidade de vida que rivaliza quase com a que é encontrada nas florestas tropicais em terra, são formados por relações íntimas e interdependentes entre os pólipos coralinos e microalgas que dão cor às estruturas calcárias que formam os recifes. Quando a temperatura é demasiado alta, os corais expulsam as algas e tornam-se brancos, dando-se o branqueamento. Se as condições voltarem rapidamente ao normal, os corais podem voltar a aceitar as algas e sobreviver. Caso contrário, acabarão por morrer.

“As espécies basilares, como os corais, criam a base de um ecossistema”, aponta, em comunicado, Julianna Renzi, da Duke University. “Eles criam estruturas que outras espécies usam como abrigo, modificam o ambiente local e fornecem alimento para outros organismos”, explica.

Num planeta em drásticas mudanças, com os corais a serem só uma de um sem-número de espécies não-humanas que estão a sofrer duramente com os impactos de séculos de poluição e destruição ambiental e ecológica pelas mãos dos humanos, a investigadora e colegas publicaram um artigo na revista ‘Proceedings of the Royal Society B’ no qual revelam que uma espécie de caranguejo, o australiano Cyclodius ungulatus, pode ajudar a atenuar a pressão sentida pelos corais.

Através de experiências em tanques realizadas em plena Grande Barreira de Coral, na Austrália, os investigadores analisaram as respostas de corais da espécie Acropora aspera a vários fatores de stress. Em alguns tanques, amostras de coral foram sujeitas a ferimentos físicos, outras à presença de algas nocivas ou a temperaturas mais elevadas da água, e noutros colocaram os caranguejos C. ungulatus para perceber que efeitos teriam na saúde dos corais.

Ao longo de um mês, os investigadores foram registando a evolução dos corais, especialmente a perda de tecido, uma resposta típica quando as condições ambientais não são as ideais. E perceberam que a presença das algas e águas mais quentes resultavam em grandes perdas de tecido. No entanto, notaram que nos tanques com caranguejos as perdas de tecido eram muito menores, especialmente em corais com ferimentos.

Em contexto natural, os corais são predados por peixes que se alimentam das suas algas e dos pólipos, criando feridas, que, por sua vez, podem fragilizar o coral e reduzir a sua capacidade para lidar com outros fatores de stress, como o aumento da temperatura.

Nos recifes, os caranguejos C.ungulatus foram observados a evitar o tecido vivo dos corais e alimentar-se, ao invés, de algas que vão colonizando os corais e prejudicando a sua saúde. Um coral ferido terá mais dificuldade em resistir às algas que se vão fixando na sua casa calcária e torna-se, por isso, mais vulnerável.

Os investigadores acreditam que as feridas nos corais libertam um muco que atrai esses crustáceos, que acabam por ajudá-los a livrar-se das algas que lhes drenam a energia.

“Este trabalho mostra que uma parceria biológica intricada [entre coral e caranguejo] aumenta grandemente a capacidade dos corais para resistirem ao stress térmico”, aponta, em nota, Brian Silliman, outros dos autores do artigo.

“Os caranguejos não afetam diretamente a tolerância [dos corais] ao calor”, mas, sustenta o investigador, “parecem remover o stress causado pelas lesões ao limparem as feridas dos corais”.

É uma relação do tipo mutualista, em que ambas as espécies saem a ganhar: os caranguejos alimentam-se das algas que prejudicam os corais e esses últimos veem-se livres de mais uma preocupação e podem direcionar as suas energias para lidar com outras ameaças. Como tal, os investigadores acreditam que projetos de restauro de recifes que incorporem organismos mutualistas, como este caranguejo, poderão ser maiores hipóteses de sucesso.

“Numa era definida pela intensificação de alterações ambientais de dimensão global, é crucial não apenas compreender os impactos de múltiplos fatores de stress em organismos-chave [como os corais], mas também perceber o que poderá ser feito para alivá-los”, escrevem o investigadores no artigo.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Em 2025 a civilização ultrapassou 7 dos 9 limites planetários

Este infográfico poderia estar nas primeiras páginas de todos os jornais do mundo, mas dificilmente circula fora dos fóruns científicos e ativistas.

Dos nove limites planetários que, segundo se diz, garantem um planeta habitável por humanos, até 2025 a civilização atual terá ultrapassado sete, com a controversa acidificação dos oceanos como o novo ponto de não retorno ou "ponto de inflexão".

Em 2009, eram duas, em 2015, eram três e, em 2023, já eram seis — cada faixa vermelha é um aviso ignorado para um futuro devorado pelo presente, de acordo com este artigo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Adeus às embalagens de plástico? Jovens portugueses criam cápsula de algas com gel de banho que se dissolve na água



Todos os anos, 120 mil milhões de embalagens de plástico são descartadas. Os produtos de higiene, por exemplo, são usados durante semanas, mas as embalagens têm vida longa e acabam muitas vezes nos oceanos ou em aterros.

Para reduzir a quantidade de plástico que é desperdiçada, quatro jovens da Maia criaram uma alternativa biodegradável que cabe na palma da mão: a Clea é uma cápsula com gel que se desfaz durante o banho.

Este novo tipo de embalagem para produtos de higiene, tem gel de banho no interior, mas poderá ter também champô ou amaciador. A cápsula é compatível com a pele e sustentável já que é feita a partir de uma substância extraída das algas.

Foi no ano passado, na Escola Secundária da Maia, que tudo começou. Numa disciplina de opção do 12º ano, os alunos foram desafiados a desenvolver um projeto inovador sobre sustentabilidade. Para isso, a secundária da Maia tem protocolos com vários parceiros científicos, como a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde os alunos têm oportunidade de desenvolver produtos, testar soluções e criar protótipos.[vídeo]

O produto já foi até distinguido com vários prémios, incluindo uma bolsa da National Geographic Society. Mais difícil tem sido convencer as marcas a apostarem nesta inovação.

Isabel Oliveira, Nuno Aroso, Maria Toga e Vasco Cardoso sonharam, a escola secundária deu-lhes asas e a ideia ganhou forma nos laboratórios da FEUP. Agora, só o mercado pode fazer a diferença.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Compromisso de Nice declara "vitória" mesmo sem Tratado fechado sobre águas internacionais


A maior conferência de sempre sobre Oceanos não teve uma declaração vinculativa, dando força à necessidade de aprovar compromissos em diversas políticas oceânicas. O Tratado do Alto Mar está mais próximo da entrada em vigor, em janeiro, e há um grupo de 20 países que também fazem pausa na mineração do mar profundo.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, começou a gritar "vitória" ainda a Conferência dos Oceanos estava a começar. Com a presença de 64 chefes de Estado e de Governo, 115 ministros e 12 mil delegados, a organização partilhada entre França e Costa Rica esperava dar um impulso a diversas frentes negociais na diplomacia dos oceanos. Mas apesar da mobilização, a declaração de Nice não tem metas nem é vinculativa e a reunião não foi suficiente para chegar às 60 ratificações do Tratado do Alto Mar, que deve regular 64% do oceano global.

Cinquenta Estados já depositaram os seus instrumentos de ratificação e mais seis países terminaram os seus processos nacionais nesse sentido. O comunicado final revela que 12 Estados adicionais "comprometeram-se a depositar os seus instrumentos de ratificação" do Acordo sobre Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional até à Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2025. A cerimónia que marca a concretização das ratificações tem até data marcada: 23 de setembro em Nova Iorque.

A entrada em vigor deve acontecer 120 dias depois, ou seja, no final de janeiro. Com este Tratado, arranca um processo vinculativo de decisão com as COP (Conferências das Partes) semelhantes às mediáticas Conferências do Clima, ambas no domínio das Nações Unidas. A COP 1 do Alto Mar poderá ser organizada em Setembro de 2026.

Campeões dos Oceanos
No final da Conferência de Nice, contabilizam-se 37 países que aprovaram uma pausa preventiva à mineração no fundo do mar, defendendo que é preciso investigar, em primeiro lugar, os ecossistemas antes de explorar os seus recursos. Portugal foi o primeiro país a transformar esta moratória numa lei aprovada na Assembleia da República, com os votos contra do Chega e abstenção da Iniciativa Liberal.

Vinte e três países publicaram uma declaração conjunta para mobilizar a comunidade internacional neste sentido, contando também com o apoio de alguns bancos que anunciaram que não deverão financiar mais projetos de mineração nessa área.

No total, foram identificados 20 Estados-membros considerados "campeões dos oceanos" por terem ratificado o Acordo BBNJ e apoiado a moratória sobre a mineração no fundo do mar. Este grupo de países pretende mobilizar a comunidade internacional para uma governança ambiciosa dos oceanos.

Portugal está entre os 20 países deste grupo, a par do Chile, Chipre, Costa Rica, Dinamarca, Espanha, Fiji, Finlândia, França, Grécia, Ilhas Marshall, Letónia, Malta, Micronésia, Mónaco, Palao, Panamá, Eslovénia, Tuvalu e Vanuatu.

Plásticos e Áreas Protegidas
O combate à poluição registou diversos compromissos, sobretudo uma declaração subscrita por 96 países de apoio ao tratado global para combater a poluição por plástico, a negociar em Agosto. 19 Estados anunciaram planos nacionais para proteger e restaurar ecossistemas oceânicos e gerir os resíduos costeiros, incluindo os plásticos. Menos significativo foi o avanço em relação a métodos de pesca destrutivos, com a Dinamarca e França a assumirem liderança da proibição da pesca de arrasto de fundo.

Nice trouxe também uma muito ligeira aproximação ao objetivo de proteger 30% das terras e mares até 2030. Passou de 8,4% para mais de 10% de áreas protegidas, embora muitos careçam de planos de gestão para evitar que sejam apenas "áreas de papel".

A nível científico, Nice assistiu à assinatura de uma declaração para a criação do Centro Internacional Mercator para o Oceano, com 12 Estados europeus, incluindo Portugal. Haverá um segundo congresso "One Ocean Science" em 2028 para avaliar o cumprimento das recomendações transmitidas no congresso que se realizou em Nice nos dias que antecederam a Conferência da ONU, com dois mil cientistas de todo o mundo.

Pescas e Portos
Nice permitiu ainda aumentar o número de ratificações do acordo "Fish 1" da Organização Mundial do Comércio, que limita os subsídios à pesca ilegal, à pesca de espécies esgotadas e às embarcações que pescam sem regulação no alto mar. São agora 103, incluindo 14 ratificações este ano, ainda curto para chegar às 111 necessárias para a entrada em vigor do acordo.

O objetivo de melhorar a segurança a bordo dos navios de pesca está também mais próximo. 23 países já ratificaram o "Acordo da Cidade do Cabo" da Organização Marítima Internacional, com 2.935 navios elegíveis, ainda longe das 3600 embarcações necessárias para entrar em vigor, previsivelmente no final do ano.

A China ratificou também o Acordo sobre Medidas do Estado do Porto (PSMA) da FAO, que conta agora com 82 partes, de acordo com o chamado Compromisso de Nice. Costa do Marfim e Bélgica juntaram-se a outros 22 países que se comprometem-se a garantir condições de trabalho dignas aos trabalhadores do setor das pescas, aprovando a Convenção de 2007 da Organização Internacional do Trabalho.

Falta dinheiro para o Mar
Vários acordos regionais foram apresentados, destacando-se o primeiro Pacto Europeu para o Oceano, com cerca de mil milhões de euros investidos em diversas facetas desta Pacto. Ao nível dos Parlamentos, foi criada a Coligação Interparlamentar para a Proteção dos Oceanos (ICOP), anunciando um "pacote legislativo para o oceano" que cada membro se compromete a levar ao seu próprio parlamento.

Ao contrário da expressão popular, falta "atirar" bastante dinheiro ao mar. No plano do financiamento, a presidência francesa da Conferência reconhece que há sub-financiamento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 para a defesa da vida marinha. Apenas 10 mil milhões de dólares foram investidos quando as necessidades para a sustentabilidade dos oceanos situavam-se em 175 mil milhões de dólares entre 2015 e 2019. Por isso, foi criado o programa One Ocean Finance, plataforma que junta governos, instituições financeiras, Nações Unidas e sociedade civil para dar um novo impulso no financiamento azul.

No entanto, a organização prefere sublinhar o compromisso de milhares de milhões de euros das empresas e fundações privadas, na ordem de 8,7 mil milhões de euros para os próximos 5 anos, metade dois quais com origem no setor filantrópico.

Os ativos sob gestão das instituições signatárias do Compromisso de Financiamento Oceânico "BackBlue "ultrapassam os 3 mil milhões de euros. 20 bancos públicos de desenvolvimento, representando 7,5 mil milhões de dólares por ano em investimentos em finanças azuis sustentáveis, uniram-se para formar a Coligação Oceânica das Finanças em Comum. 80 organizações de 25 países, representando um volume de negócios combinado de 600 mil milhões de euros e empregando 2 milhões de pessoas, aprovaram o apelo "Negócios no Oceano".

Um dos pontos mais sensíveis diz respeito à descarbonização total do transporte marítimo até 2050. O acordo nesse sentido foi reafirmado pelos países e armadores presentes em Nice e deverá mobilizar 100 mil milhões de dólares nos próximos dez anos para combustíveis limpos, transição energética marítima nos países do Sul e desenvolvimento do transporte por propulsão a vela.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Civil society applauds the President of the Council of the EU António Costa’s call for a deep-sea mining moratorium



At the UN Ocean Conference, the President of the Council of the EU António Costa, representing all EU Member States, called for a moratorium on deep-sea mining for the first time.

The Environmental Justice Foundation, Seas At Risk and the Deep Sea Conservation Coalition applaud these remarks and the strong stance they take against deep-sea mining.

Steve Trent, CEO and Founder of the Environmental Justice Foundation, said:
“President Costa has made it abundantly clear: deep-sea mining is a risk the world cannot afford and does not need. His call for a moratorium shows bold, much-needed leadership in defence of our planet’s last untouched ecosystem.”

“There is no scientific basis or economic case for deep-sea mining. Instead, President Costa is championing a smarter, more resilient path, one built on innovation in circular economy solutions within the planet’s boundaries. With today’s statement, the EU powerfully strengthens a growing global consensus.”

“President Costa has echoed the voices of business leaders, financial institutions, scientists, Indigenous communities, fisheries groups, environmental defenders, and more than 30 governments who have all urged action to prevent irreversible harm to fragile deep-sea ecosystems.”

Monica Verbeek, Executive Director of Seas At Risk, said:
“President Costa has sent a powerful signal at a pivotal moment. His words reaffirm that no country has the right to plunder the deep seabed, a shared global heritage of humankind. The world must not be manipulated by a few rogue deep-sea mining interests seeking profit at the expense of fragile ecosystems and future generations. We welcome this European clarity which adds vital momentum to the growing call for a moratorium on deep-sea mining ahead of the international negotiations in the ISA.”

Sandrine Polti, Europe Lead for the Deep Sea Conservation Coalition, said:
“We welcome the strong stance of the Council President, reaffirming the EU’s commitment to a moratorium on deep-sea mining. The deep ocean is one of the most important and least understood ecosystems on Earth. But what we already know is clear: deep-sea mining poses unacceptable environmental, social and financial risks. We must prioritise science before opening the door to such a new destructive extractive industry. We urge all EU Member States yet to support a moratorium or precautionary pause to act swiftly – our ocean’s future depends on it.”

Notes to editors

Seas At Risk is a Brussels-based NGO campaigning for the protection and restoration of the marine environment. Together with its 30+ members from all over Europe, it works to make sure that life in our seas and oceans is abundant, diverse, climate-resilient, and not threatened by human activities.

About EJF
Our work to secure environmental justice aims to protect our global climate, ocean, forests, wetlands, wildlife and defend the fundamental human right to a secure natural environment, recognising that all other rights are contingent on this. EJF works internationally to inform policy and drive systemic, durable reforms to protect our environment and defend human rights. We investigate and expose abuses and support environmental defenders, Indigenous peoples, communities, and independent journalists on the frontlines of environmental injustice. Our campaigns aim to secure peaceful, equitable and sustainable futures. Our investigators, researchers, filmmakers, and campaigners work with grassroots partners and environmental defenders across the globe. 

About the Deep Sea Conservation Coalition
The Deep Sea Conservation Coalition (DSCC), founded in 2004, is a group of more than 130 non-governmental organizations, fishers’ associations, and law and policy institutes worldwide working together to ensure the protection of vulnerable deep-sea ecosystems.