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terça-feira, 12 de agosto de 2025

Geração Silenciosa: quem são, principais características e o seu legado histórico


O conceito de “Geração Silenciosa” carrega em si um dos maiores paradoxos da história recente. O termo foi consagrado e popularizado em novembro de 1951, através do artigo da Revista Time: People: The Younger Generation, que descrevia os jovens nascidos entre 1928 e 1945 como um grupo prudente, focado no dever e sem grandes ambições de rutura radical. Contudo, quando analisamos o século XX com o distanciamento do tempo, percebemos que foi sob essa fachada de contenção que se ergueram as bases do mundo contemporâneo.

Para compreender a mentalidade desta geração, é preciso olhar para o ambiente em que cresceu. Nascidos entre a crise financeira do final dos anos 1920 e o fim da Segunda Guerra Mundial, estes indivíduos vivenciaram a infância e a juventude num contexto de racionamento e incerteza global. Ao contrário da geração anterior, que viveu o conflito na linha da frente, a Geração Silenciosa viveu-o nos bastidores e através do olhar infantil. Esta vivência moldou uma relação muito específica com a estabilidade e o risco.

O impacto demográfico dessa época de crises também se fez notar. Conforme detalhado nos dados históricos do relatório Demographic Trends in the 20th Century (U.S. Census Bureau) e no estudo comparativo sobre o hiato geracional do Pew Research Center, trata-se de um grupo populacional invulgarmente reduzido, consequência da queda vertiginosa da taxa de natalidade durante a Grande Depressão. Contudo, o seu peso institucional foi enorme. No mercado de trabalho, consolidaram a cultura da lealdade organizacional — trabalhar décadas para a mesma empresa não era visto como falta de ambição, mas sim como a conquista máxima de segurança familiar.

Existe, porém, um contraste fascinante entre a postura discreta desta geração e a sua produção cultural e social. Embora a geração seguinte, os Baby Boomers, tenha ficado famosa pelas manifestações de rua dos anos 1960, a arquitetura intelectual e estratégica desses movimentos foi desenhada pela Geração Silenciosa.

No campo dos direitos civis nos Estados Unidos, figuras centrais como Martin Luther King Jr., Malcolm X e Rosa Parks pertenciam a esta faixa etária. Na cultura global, a banda sonora da própria contestação foi criada por eles: Bob Dylan, Paul McCartney, John Lennon e Jimi Hendrix deram voz a uma era de mudanças sem precedentes. No mundo dos negócios e dos meios de comunicação, visionários como Ted Turner (fundador da CNN) transformaram a forma como a informação circula ao criar o jornalismo contínuo de 24 horas.

Mesmo no domínio da ciência e da tecnologia, foi este grupo que abriu caminho para a era digital moderna. Das missões espaciais que levaram o homem à Lua às primeiras linguagens de programação e arquiteturas de computadores comerciais, os avanços fundamentais foram desenvolvidos por mentes que cresceram a aprender o valor do detalhe e da persistência.

A Geração Silenciosa nunca foi verdadeiramente omissa; foi, essencialmente, uma geração de pontes. Entre a severidade dos seus pais e o ruído da revolução cultural dos seus filhos, ela garantiu a continuidade económica, construiu os estados sociais de pós-guerra e criou as ferramentas da globalização. As transformações mais duradouras nem sempre nascem do confronto direto - muitas vezes, são erguidas com o trabalho rigoroso de quem simplesmente faz o que tem de ser feito.

Fontes e Documentos Específicos
  1. Revista TIME (Arquivo Histórico de 1951):People: The Younger Generation 
  2. U.S. Census Bureau (Relatório Técnico CENSR-4): Demographic Trends in the 20th Century 
  3. Pew Research Center (Estudo Social): Fortysomething: Life Attitudes of the Silent Generation 

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Música do BioTerra: Mísia- Garras dos Sentidos

No centenário de Agustina-Bessa Luís: Mísia canta um poema que a escritora escreveu para um fado.


Não quero cantar amores.
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas.
Não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demência dos olhares,
Alegre festa de pranto;
São furor obediente,
São frios raios solares.

Da má sorte defendidos,
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.

Saber mais sobre Agustina-Bessa Luís:
Agustina Bessa-Luís e Manoel de Oliveira
Entrevista
Nasci Adulta e Morrerei Criança

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Filme: "Non" ou a Vã Glória de Mandar


Non, ou a Vã Glória de Mandar é um filme português de longa-metragem realizado em 1990 por Manoel de Oliveira. Trata da história de Portugal tal como contada pelo alferes Cabrita aos homens da sua companhia em plena guerra colonial. Recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Cannes.
A palavra "Non" foi resgatada dos escritos do Padre António Vieira, que a definia como uma "terrível palavra" associada à impossibilidade de expansão ou ao limite do poder humano.
A narrativa decorre maioritariamente em África, no ano de 1974, em plena Guerra Colonial. Enquanto um contingente de soldados portugueses avança por um território em conflito, o Alferes Cabrita (interpretado por Luís Miguel Cintra) relata aos seus camaradas diversos momentos marcantes da história militar do país. Através de sucessivos flashbacks e saltos temporais, a longa-metragem retrata a identidade nacional sob a perspetiva de grandes reveses históricos, tais como:
  • A resistência de Viriato face à invasão do Império Romano.
  • A Batalha de Alcácer-Quibir e o fatídico desaparecimento de D. Sebastião.
  • A queda do império e o fim dos mitos de expansão territorial.
O filme culmina de forma simbólica com a morte do Alferes Cabrita exatamente no dia 25 de abril de 1974, data da Revolução dos Cravos que marcou o fim da ditadura e da própria guerra em África.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Filme- Cinco Dias Cinco Noites (1996)



A partir do romance homónimo de Álvaro Cunhal, escrito sob o pseudónimo Manuel Tiago, Fonseca e Costa filma o drama dos opositores políticos ao regime salazarista durante os anos 40 que tentam clandestinamente passar a fronteira para o exílio. O protagonista é André, fugido da prisão, que tenta fugir do país com a ajuda de um contrabandista, Lambaça, que domina as terras de fronteira em Trás-os-Montes. A relação entre os dois homens vai evoluir da antipatia para uma enorme admiração e respeito mútuos durante os cinco dias e cinco noites em que andam escondidos entre montes e vales.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Documentário da semana: O Pintor e a Cidade (Manoel de Oliveira, 1956)

No dia 25 de Abril, resolvi homenagear a minha cidade, o Porto, com os olhares de Manoel de Oliveira e do pintor António Cruz.


Documentário sobre a cidade do Porto através das aguarelas do pintor António Cruz. O artista sai do seu atelier e percorre a cidade. As imagens reais alternam com as impressões estéticas que o artista vai registando nas suas aguarelas. 

Observações: Estreado em 1956 no São Luíz e no Alvalade, em Lisboa. Teve o aplauso unânime da crítica. Aplauso que se repetiu em Paris e em Veneza e que lhe valeu, em 1957, o primeiro prémio internacional da sua carreira, a Harpa de Ouro do Festival de Cork, na Irlanda. Recebeu, também, o Prémio SNI para a Melhor Fotografia.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Respiro


Avanços na Agenda 21 - Freiburg, 11 de Dezembro de 2007 - Depois de vários meses de intensa preparação, os Guias European Responsibility in Procurement (RESPIRO) foram oficialmente lançados no dia 3 de Dezembro de 2007, após a conferência na cidade de Lille, em França. Mais Informações Respiro Project 

Parabéns, Manoel de Oliveira