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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Haaland versus Ronaldo


Haaland compra o livro mais caro da história da Noruega para doar a biblioteca pública

O avançado do Manchester City adquiriu uma obra rara de 1594 sobre as sagas dos reis nórdicos por cerca de 116 mil euros (1,3 milhões de coroas norueguesas). O jogador impôs apenas uma condição: que o livro fique exposto ao público.

Muita gente imaginou que Erling Haaland compraria um artigo histórico tão raro para o manter na sua coleção privada. Mas o jogador fez exatamente o oposto. Ao lado do pai, Alf-Inge Haaland, o avançado adquiriu a única cópia conhecida da edição de 1594 de "Heimskringla", uma das obras mais importantes da história da Noruega.

O livro reúne as famosas sagas dos reis noruegueses, escritas originalmente pelo historiador islandês Snorri Sturluson no século XIII. A obra foi arrematada num leilão por cerca de 1,3 milhões de coroas norueguesas — aproximadamente 116 mil euros —, tornando-se o livro mais caro alguma vez vendido na história do país.

Em vez de o guardar, Haaland decidiu doá-lo à biblioteca pública de Bryne, a cidade onde cresceu. A exigência foi apenas uma: que o livro permaneça exposto ao público para que qualquer pessoa possa conhecer essa parte da história da nação.

"Nunca fui um grande leitor, mas quero que o livro esteja sempre disponível para que as pessoas possam ler sobre aqueles que vieram da minha terra, de Bryne e Jæren. É mais fácil sentirmos atração pela leitura quando nos conseguimos rever nas pessoas e nos lugares sobre os quais se escreve", afirmou Haaland em comunicado.

Além da doação, a fundação do jogador criou um projeto de incentivo à leitura direcionado para as escolas do município. A partir do ano letivo de 2026/2027, os estudantes da região participarão numa competição de leitura, e as turmas vencedoras ganharão uma viagem a Oslo para assistir a um jogo da seleção da Noruega no estádio Ullevaal, com a oportunidade de conhecer o próprio Haaland.

O avançado explicou ainda a sua motivação por trás da iniciativa: "Tive a sorte de realizar o meu sonho através do futebol, e sei que nem todos têm essa oportunidade. Os livros dão a muito mais pessoas a oportunidade de sonhar em grande, ver novas possibilidades e encontrar o seu próprio caminho."

A iniciativa foi amplamente elogiada na Noruega por unir desporto, educação e preservação da história nacional, transformando um objeto de valor milionário num património acessível a toda a comunidade.

Notícia original

Um pouco sobre a  história do livro

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Governo paga 20 mil euros para ter SportTV em São Bento - uma atitude sem noção e insensível, típico de narcisistas


Ser confrontado com a notícia de que o Governo de Luís Montenegro decidiu gastar cerca de 20 mil euros para instalar o canal Sport TV na residência oficial do Primeiro Ministro e no Parlamento nesta altura do país é, no mínimo, um sinal de desfasamento profundo entre o que este executivo escolhe como prioridade e aquilo que os cidadãos realmente vivem.
Este contrato de três anos, celebrado por ajuste direto com a NOS, garante acesso ‘premium’ a canais desportivos que transmitem futebol, incluindo a liga portuguesa e competições europeias, e será pago com dinheiro público até 2028 — um montante que se justifica facilmente, mas que politicamente soa a falta de empatia e sentido de realidade face ao sofrimento de quem perdeu casa, energia ou meios de subsistência na sequência das tempestades. 
Não é a questão do valor — 20 mil euros não vão desestabilizar um Orçamento do Estado — é a hierarquia de prioridades que está em causa 
Quando o Governo admite défices para cobrir os apoios às vítimas das calamidades, quando milhares aguardam apoios urgentes e quando a própria resposta estatal foi lenta e insuficiente em muitas regiões, optar por gastar dinheiro dos contribuintes em canais desportivos para o Primeiro Ministro e para o Parlamento é uma demonstração flagrante de falta de noção sobre as expectativas e necessidades do país Esta decisão transmite uma mensagem implícita de desconexão social: enquanto cidadãos lutam com as consequências de uma catástrofe natural, o executivo parece mais preocupado com entretenimento institucional do que com a eficácia da resposta à crise. 
 A incapacidade de priorizar o essencial reflete, sobretudo, uma falta de empatia que não combina com responsabilidade governativa séria. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro - a essência de um regime cleptocrata


A mensagem de Natal de Luís Montenegro não foi neutra. Foi uma armadilha retórica para deslocar a responsabilidade do Governo para as pessoas. Segundo o Primeiro-Ministro, o país está bem e a economia cresce. Se não sentes isso na tua vida, se o salário é curto, o problema não é estrutural, é teu. Falta-te ambição. Falta-te “mentalidade de campeão”.

É aqui que a analogia com Cristiano Ronaldo se torna ofensiva. O modelo deste Governo não é quem segura o SNS ou a escola pública, é um multimilionário a jogar na Arábia Saudita, um regime autoritário que usa o desporto para lavar a sua imagem internacional. A mensagem é simples. Se ele conseguiu, tu também consegues. Ronaldo é a exceção absoluta. Usar uma exceção para julgar a vida de milhões de portugueses que trabalham, descontam e cumprem é profundamente desonesto.

Sete minutos de ladainha. Dizem que está tudo óptimo, mas quando chega à prática temos o menor aumento percentual do salário mínimo dos últimos anos e um ataque cerrado aos direitos laborais. Sinal claro de que a propaganda vive melhor do que as pessoas.

Enquanto vendem a ilusão do “país rico”, os números mostram onde fica a riqueza:
Jerónimo Martins: faturou 33,4 mil milhões € em 2024 (lucro: 599M€).
Sonae: cerca de 10 mil milhões € de volume de negócios (lucro: 223M€).
EDP: 801M€ de lucro.
Galp: 961M€ de lucro.
Banca: lucros recorde de 6,3 mil milhões €, à custa dos juros pagos pelas famílias.

A riqueza existe. A distribuição é que não. O “trickle-down” é uma mentira contada muitas vezes. A produtividade sobe, mas os ganhos ficam nos salários e prémios dos CEOs e nos dividendos, não nos salários de quem trabalha.

E sobre o essencial? Silêncio.

Ignorou as falhas graves no SNS, a habitação que esmaga vidas e ignorou a transparência. O mesmo Primeiro-Ministro que pede “mentalidade” opôs-se a revelar detalhes de 55 imóveis e lidera um Governo com um património conjunto de 20,9 milhões €, com três ministras a concentrarem mais de 11M€.
A distância entre quem governa e quem trabalha é abismal.

Esta mensagem não serviu para unir o país. Serviu para disciplinar. Para justificar desigualdade.
Para transformar problemas colectivos em culpas individuais.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Nota de 7 euros de Ronaldo é falsa, alerta Banco de Portugal

Em causa está a emissão de uma nota, no valor de 7 euros, em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo

O Banco de Portugal (BdP) alertou esta quinta-feira para publicações falsas, nas redes sociais, sobre a emissão de uma nota em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo, esclarecendo que não o fez nem tem previsto emitir uma nota assim.

"O Banco de Portugal tem tomado conhecimento de publicações falsas, divulgadas nas redes sociais, relativamente à emissão, pelo Banco de Portugal, de uma nota, no valor de 7 euros, em homenagem ao futebolista Cristiano Ronaldo", lê-se no comunicado publicado esta quinta-feira.

O banco central reiterou que não emitiu nem colocou em circulação, nem tem previsto emitir ou colocar em circulação, "qualquer nota alusiva à personalidade em questão".

"Esclarece-se ainda que a emissão de notas de euro pelo Banco de Portugal é feita no quadro do Eurosistema", acrescentou o banco central.


O Eurosistema é a autoridade monetária da área do euro, composta pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelos bancos centrais nacionais dos países da União Europeia que adotaram o euro. A sua principal função é manter a estabilidade de preços, e as suas atividades incluem a definição e implementação da política monetária, a realização de operações cambiais, a gestão das reservas cambiais e a promoção do bom funcionamento dos sistemas de pagamento. 

Composição e objetivos
Composição: O Eurosistema inclui o BCE e os bancos centrais nacionais dos Estados-Membros que adotaram o euro, como o Banco de Portugal.
Objetivo principal: Manter a estabilidade de preços na área do euro, procurando um aumento anual dos preços inferior, mas próximo, de 2%.

Outras funções:
  1. Salvaguardar a estabilidade financeira.
  2. Promover a integração financeira europeia.
  3. Emitir notas de euro.
  4. Compilar estatísticas. 
  5. Funcionamento
Tomada de decisões: As decisões de política monetária são tomadas pelo Conselho do BCE, que é composto pelos membros executivos do BCE e pelos governadores dos bancos centrais nacionais.

Implementação: A implementação dessas decisões é feita de forma descentralizada pelos bancos centrais nacionais. O Banco de Portugal, por exemplo, interage com as instituições bancárias portuguesas para executar as decisões do BCE no mercado nacional.

Instrumentos: O Eurosistema utiliza instrumentos como a fixação das taxas de juro diretoras, operações de mercado aberto, facilidades permanentes e programas de compra de ativos financeiros para influenciar a liquidez do sistema bancário. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A ética foi vendida. Cristiano Ronaldo é o rosto. O verdadeiro jogo dos milhões que envolveu EUA, Arábia Saudita e até Musk fez-se nos bastidores.


A Arábia Saudita deu esta semana um passo decisivo para se afirmar como um dos polos mundiais da Inteligência Artificial. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman fechou em Washington, DC um acordo que junta a xAI, empresa de Elon Musk, à recém-criada Humain - o braço estatal saudita dedicado à IA - para construir no país um novo megacentro de dados com capacidade até 500 megawatts. De acordo com o ministro do Investimento do país, Khalid Al-Falih, o valor do acordo é de 557 mil milhões de dólares.

A parceria foi anunciada num pacote mais vasto de entendimentos militares e tecnológicos entre Riade e Washington, DC, num momento em que os EUA flexibilizam o acesso saudita a semicondutores avançados - chips essenciais para treinar modelos de IA e que se tornaram instrumentos de diplomacia tecnológica.

Elon Musk tem procurado novos aliados para acelerar o crescimento da xAI e aproximar-se do ritmo de gigantes como a OpenAI, Anthropic e Google. Já a Arábia Saudita está a canalizar parte do seu fundo soberano de riqueza, avaliado em cerca de um bilião de dólares, para diversificar a economia além do petróleo e transformar o reino num fornecedor global de capacidades de computação.

Esta convergência de interesses resultou no acordo com a Humain, empresa lançada em maio pelo príncipe herdeiro e que ambiciona fornecer 6% da capacidade global de computação para IA nos próximos anos. A estratégia saudita passa por aproveitar a vasta disponibilidade energética, extensas áreas de terreno e ligações a cabos de fibra ótica internacionais para oferecer capacidade de processamento a preços competitivos. 

A parceria com Musk, que inclui também a expansão do uso dos modelos da Grok, o chatbot da xAI, reforça a tendência: cada grande empresa norte-americana de IA está a aproximar-se de um aliado estratégico na Península Arábica: a OpenAI fechou este ano um acordo com a MGX e a G42, dos Emirados Árabes Unidos, para a construção de um centro de dados perto de Abu Dhabi e a Anthropic recebeu investimento do fundo soberano do Catar. Já a Nvidia, a Amazon, a Microsoft e a Qualcomm têm vindo igualmente a reforçar presença na Arábia Saudita.

O acordo com a xAI esteve meses em negociação, travado pelas dúvidas em Washington, DC sobre o destino final dos chips que Riade pretende adquirir. Em maio, a administração Trump anunciou o envio de milhares de unidades da Nvidia para o país, mas o processo ficou pendente devido às preocupações sobre as ligações sauditas à China. 

Com o desbloqueio do dossiê, o projeto avançou e Musk celebrou publicamente a parceria: "O futuro da inteligência será construído com computação massiva e eficiente, combinada com modelos de IA avançados. As capacidades de Humain permitem-nos acelerar esse futuro na Arábia Saudita". 

Tareq Amin, diretor-executivo da Humain, disse tratar-se de uma operação que cria "uma escala que poucos podem igualar".

Arábia Saudita quer garantir soberania na computação 
Na mesma semana, outro desenvolvimento reforçou as ambições digitais do reino. O fundo público de investimento saudita (PIF), a Saudi Information Technology (SITE) e a Microsoft assinaram um memorando de entendimento para explorar a implementação de serviços de "cloud soberana" no país - infraestruturas que permitem alojar dados sensíveis sob controlo nacional, cumprindo requisitos estritos de segurança e residência de dados. 

A Microsoft, que já proporciona soluções semelhantes a governos e setores altamente regulados noutros países, irá trabalhar com o PIF e a SITE para avaliar de que forma o modelo pode ser aplicado à realidade saudita. O objetivo passa por reforçar a infraestrutura digital e apoiar o crescimento do setor das tecnologias de informação no reino. 

O memorando, ainda não vinculativo, prevê igualmente cooperação em investigação, desenvolvimento, inovação e transferência de conhecimento.

As críticas recorrentes ao histórico saudita em matéria de direitos humanos não parece ser um fator dissuasor para as empresas tecnológicas. Na véspera do anúncio, líderes de algumas das maiores empresas dos EUA participaram num jantar em Washington, DC em honra de Mohammed bin Salman, onde Elon Musk também marcou presença - assim como Cristiano Ronaldo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

O encontro desejado de Cristiano Ronaldo com Trump e as Arábias


Jamal Khashoggi era colunista do Washington Post quando foi assassinado dentro do consulado saudita em Istambul, a mando do governo saudita. O mundo inteiro condenou o crime em 2018, com exceção de Trump. Não se tratava de um mero "things happen". Tratou-se de um assassinato cruel sancionado pelo Estado, motivado pelo exercício da liberdade de expressão. 
Agora Trump 2025 insiste na tecla "Aconteceram coisas, mas o Príncipe não sabia de nada, e podemos ficar por aí", disse aos jornalistas, no Salão Oval. 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐢𝐮!! Em novembro desse ano, um relatório da CIA, divulgado na imprensa americana, concluiu Mohammad bin Salman de ter ordenado a morte de Khashoggi, o que causou furor internacional e tensões diplomáticas.
Donald Trump acrescentou ainda que Jamal Khashoggi era "uma pessoa extremamente controversa" (???). 
Mohammed ben Salman disse, por sua vez, que a morte do jornalista foi dolorosa e que a Arábia Saudita fará tudo o que está ao seu alcance "para que não volte a acontecer".
As declarações surgem após o anúncio de um investimento saudita de quase um bilião de dólares nos Estados Unidos, durante a primeira visita do príncipe aos EUA desde 2018.
O The New York Times já tinha avançado que o craque da Seleção portuguesa e do Al Nassr ia regressar aos Estados Unidos, avançando com a marcação de um jogo amigável entre Estados Unidos e Portugal, para março de 2026.
Essa será a primeira vez que Cristiano Ronaldo vai jogar em solo norte-americano desde 2014, altura em que defrontou o Manchester United com a camisola do Real Madrid, a 2 de agosto daquele ano.
Pela Seleção jogou nesse mesmo verão a Nova Jérsia, a 10 de junho, contra a República da Irlanda.
Portanto Cristiano Ronaldo está assim de regresso aos Estados Unidos, país onde não joga há mais de 11 anos, e onde tem uma polémica com Kathryn Mayorga, professora que acusou o jogador de violação em 2017, numa entrevista dada ao jornal alemão Der Spiegel, e num caso que remonta a 2009, quando o jogador esteve de férias em Las Vegas.
Desde então que a presença de Cristiano Ronaldo em solo norte-americano tem sido uma questão polémica, não havendo quaisquer registos públicos do jogador naquele país - o último data de 2016. A ausência foi particularmente notada depois de jogos da Juventus terem sido reagendados para outros locais quando o jogador representava o clube italiano.
No dia em que internamente Donald Trump é pressionado para libertar os ficheiros de Epstein, o jantar de  Cristiano Ronaldo com Donald Trump e  Mohammed ben Salman é uma espécie de sportswahing atendendo que os três são figuras internacionais com escândalos e Ronaldo funcionará como um troféu para a melhoria da imagem de países com problemas de direitos humanos, como a Arábia Saudita e EUA.