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sábado, 18 de novembro de 2023

Corrupção, desastres ambientais e conflitos: organizações cívicas e cientistas alertam Bruxelas para cancelar mineração de matérias-primas críticas

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Bruxelas recebeu uma carta aberta, assinada por cerca de 1.000 organizações cívicas e 130 cientistas, no qual é requerido o cancelamento do Regulamento Europeu sobre as Matérias-Primas Críticas: a missiva, dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou os casos de corrupção e de incumprimento sócio-ambiental relacionados com diversas minas pela Europa. De acordo com os especialistas, a atual política de matérias-primas é insuficiente e inviável face à crise climática.

O Regulamento sobre as Matérias-Primas Críticas foi anunciado na passada segunda-feira, depois de um acordo político entre o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu: nesta proposta, Bruxelas pretende assegurar a segurança do aprovisionamento de 34 matérias-primas consideradas críticas para a transição energética. Para assegurar o objetivo, foram estabelecidas duas vertentes: o abastecimento a partir de novas parcerias estratégicas e novas explorações na Europa, que beneficiariam de um licenciamento acelerado.

No entanto, casos como a ‘Operação Influencer’, que provocou a queda do Governo português, sublinharam os grupos cívicos e cientistas, são sintomáticos em relação às deficiências da indústria extrativa e da sua governação, sobretudo em relação a riscos ambientais e sociais, bem como no que diz respeito ao incumprimento da legislação existente e à corrupção.

Na missiva, foram citados mais de 30 casos de corrupção e de desastres ambientais ligados à exploração e transformação mineira na Europa nos últimos 20 anos, em países como Espanha, Finlândia, Hungria, Macedónia, Portugal, Roménia, e Suécia.

“Infelizmente, o incumprimento parece ser a norma em Portugal, mesmo em casos bem documentados e conhecidos das autoridades. A tragédia de Borba, os rejeitados da mina da Panasqueira e, desde a semana passada, as águas ácidas em Aljustrel testemunham também o estado precário das autoridades competentes. A ‘Bolha’ de Bruxelas, que prevê licenciamentos em dois anos, parece muito longe da nossa realidade de projetos que já levam meia década no processo”, referiu Nik Völker, fundador da MiningWatch Portugal.

Na carta dirigida à Comissão, os signatários abordaram também o atual boom de projetos de prospeção e pesquisa e de exploração, causado pelas crises geopolíticas dos últimos anos e pela crescente procura de metais para a transição energética. Segundo os autores, existem cada vez mais conflitos entre modos de vida tradicionais, rurais e indígenas e projetos extrativos.

“O Parlamento Europeu e a Comissão tiveram a oportunidade de ir ao encontro das necessidades das comunidades locais com esta lei e falharam redondamente”, afirmou Bojana Novakovic do movimento contra a exploração mineira de lítio “Mars sa Drine”, na Sérvia. “Estamos fartos de implorar, apelar e negociar. A UE falhou connosco, por isso estamos a enviar uma mensagem clara – retirem a lei ou vão ver-nos nas ruas e em tribunal.”

Entre os 25 projetos listados encontram-se 8 com participação de entidades portuguesas, com um valor global de €56M: EXCEED (Savannah Lithium), GREENPEG (Universidade do Porto, Felmica), INFACT (Associação Portuguesa de Geólogos), S34I (Universidade do Porto), ION4RAW (Universidade de Coimbra), VAMOS (INSEC, Mineralia-Minas Lda, EDM), MIREU (NOVA ID FCT, CCDR-A), SEMACRET (FCIENCIAS / Universidade de Lisboa).

Em Portugal, a carta foi assinada pelas seguintes 28 organizações:
Associação Cultural Amigos da Serra da Estrela – ASE; Associação Montalegre Com Vida; Associação Povo e Natureza do Barroso – PNB; AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia; Bravo Mundo – Citizens Movement for a Safer Future; Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS) / Associação ALDEIA; Chaves Comunitária; Espaço A SACHOLA – Covas do Barroso; Extinction Rebellion Guimarães; FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade; Grupo de Investigação Territorial (GIT); Grupo pela Preservação da Serra da Argemela (GPSA); IRIS, Associação Nacional de Ambiente; MiningWatch Portugal; Movimento Amarante diz não à exploração de lítio Seixoso-Vieiros; Movimento Contra Mineração Penalva do Castelo, Mangualde e Satão; Movimento ContraMineração Beira Serra; Movimento Não às Minas – Montalegre; Movimento Seixoso-Vieiros: Lítio Não; Movimento SOS Serra d’Arga; Nao as Minas Beiras – Citizens Movement; Rede Minas Não; Rede para o Decrescimento em Portugal; Sciaena – Oceano # Conservação # Sensibilização; SOS – Serra da Cabreira; UDCB – Unidos em Defesa de Covas do Barroso; URZE – Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

RD Congo - Transição ecológica, a que custo? Relatório expõe face oculta da extração de cobalto e cobre


A expansão das minas industriais de cobalto e cobre na República Democrática do Congo (RDC) para baterias de veículos elétricos e outras tecnologias verdes levou à expulsão forçada de comunidades inteiras e a graves violações de Direitos Humanos, desde agressões sexuais, fogo posto ou espancamento, denunciou a Amnistia Internacional.

A República Democrática do Congo é um dos maiores produtores mundiais de cobalto - um mineral utilizado para fabricar baterias de iões de lítio para veículos elétricos e outros produtos - mas também é o maior produtor africano de cobre, uma matéria-prima utilizada em veículos elétricos ou noutros sistemas de energia renovável.

No relatório "Powering Change or Business as Usual?", divulgado esta terça-feira, a Amnistia Internacional e a organização Initiative pour la Bonne Gouvernance et les Droits Humains (IBGDH), com sede na República Democrática do Congo, descrevem o modus operandi das empresas multinacionais para expandir as operações mineiras que resultam na expulsão das comunidades das suas casas e das suas terras, sem uma reinstalação adequada.

A procura crescente das apelidadas “tecnologias de energia limpa” criou uma corrida das empresas a determinados metais, como o cobre e o cobalto, indispensáveis ao fabrico de veículos elétricos ou telemóveis.

Enquanto a bateria de um telemóvel requer sete gramas de cobalto, a bateria média de um veículo elétrico requer mais de 13 quilos. Desde 2010, a procura de cobalto triplicou. E prevê-se que atinja 222 mil toneladas até 2025.

"O mundo precisa urgentemente de se afastar dos combustíveis fósseis, que são os principais fatores da crise climática, mas a que custo?", questiona a Amnistia Internacional.

A organização reconhece a função vital das baterias recarregáveis na transição energética dos combustíveis fósseis, mas considera que “a justiça climática exige uma transição justa” e não à custa da violação de Direitos Humanos.

“A descarbonização da economia global não deve conduzir a mais violações dos direitos humanos, nem impedir as comunidades de usufruírem do seu direito à habitação”, defende em comunicado.

“Há minerais aqui”, têm de sair
A expansão das minas de cobalto e cobre à escala industrial no país tem conduzido a desalojamentos forçados, através de ameaças ou intimidações à população, conta o relatório das duas organizações de defesa dos Direitos Humanos.

Candy Ofime, uma das investigadores e co-autoras do relatório, explica o que está acontecer na RDC, num vídeo publicado pela Amnistia Internacional na sua conta da rede social X (antigo Twitter).

Em 2022, a Amnistia Internacional e o IBGDH estiveram na cidade de Kolwezi, na província de Lualaba, no sul do país, onde entrevistaram mais de 130 pessoas de seis projetos mineiros diferentes, que relataram a expulsão forçada de várias comunidades das suas casas e terras agrícolas.

A maioria testemunha que as comunidades não foram devidamente consultadas ou informadas e os planos de expansão das minas nunca foram tornados públicos. Em três dos quatro locais visitados, na cidade de Kolwezi e nos seus arredores, há testemunhos fortes de casos de violência sexual, fogo posto e espancamento.

"Não pedimos para ser deslocados, a empresa e o governo vieram e disseram-nos: 'Há minerais aqui'", contou Edmond Musans, de 62 anos, que teve de desmantelar a sua casa e partir, da cidade de Kolwezi.Desde que uma vasta mina de cobre e cobalto a céu aberto foi reaberta em 2015, pela Compagnie Minière de Musonoie Global SAS (COMMUS), uma empresa comum entre a Zijin Mining Group Ltd, uma empresa chinesa, e a Générale des Carrières et des Mines SA (Gécamines), a empresa mineira estatal da RDC.

Já na zona de Mukumbi, perto do local do projeto Mutoshi, gerido pela Chemicals of Africa SA (Chemaf), uma subsidiária da Chemaf Resources Ltd, com sede no Dubai, os antigos residentes testemunharam que foram forçados a partir das suas casas pelo representante do Chemaf e que os militares queimaram uma povoação e agrediram fisicamente a população para os obrigar a sair.“Têm de sair da aldeia agora", recordou Kanini Maska, um antigo residente, de 57 anos. "Não conseguimos recuperar nada, não tínhamos nada para sobreviver e passámos as noites na floresta”, acrescentou.

Também perto de Kolwezi, o projeto Metalkol Roan Tailings Reclamation (RTR), gerido por uma filial do Eurasian Resources Group (ERG), com sede no Luxemburgo e cujo maior acionista é o governo do Cazaquistão, levou ao despejo forçado de uma comunidade de agricultores.

Vinte e um foram expulsos, sem aviso prévio de despejo, por um destacamento de soldados que ocuparam a área, com alguns cães, enquanto os campos que tinham eram demolidos.

Uma mulher grávida relatou que, estava a tentar a recuperar as suas colheitas antes de serem destruídas quando foi violada em grupo por três soldados, enquanto outros soldados assistiam. Mais tarde, precisou de assistência médica e confessou ter tido medo de comunicar à Metalkol ou às autoridades locais.

"Direitos das comunidades não devem ser espezinhados"
Depois das autoridades nacionais da RDC terem levado a cabo ou facilitado a expulsão de comunidades inteiras e a violação de Direitos Humanos, o relatório “Powering Change or Business as Usual?” insta as autoridades do país a cessarem imediatamente estas ações.

A organização apela também à criação de uma comissão de inquérito imparcial sobre a situação e no reforço da aplicação das leis nacionais relacionadas com a exploração mineira e a proteção dos direitos das pessoas, em conformidade com as normas internacionais em matéria de Direitos Humanos. Nomeadamente, o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais e nos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.

"As empresas mineiras internacionais envolvidas têm bolsos fundos e podem facilmente dar-se ao luxo de fazer as mudanças necessárias para salvaguardar os direitos humanos, estabelecer processos que melhorem a vida das pessoas na região e remediar os abusos sofridos”, afirmou Donat Kambola, diretora do IBGDH, em comunicado.

De acordo com a Amnistia Internacional e a IBGDH, os compromissos das multinacionais que alegadamente aderem "a elevados padrões éticos revelaram-se vazios", por não garantirem que as suas atividades não prejudicam as comunidades locais. As empresas mineiras presentes no país têm a responsabilidade de investigar os abusos identificados, proporcionarem uma reparação efetiva dos danos ou agirem prontamente para evitar mais danos.

"A República Democrática do Congo pode desempenhar um papel fundamental na transição mundial dos combustíveis fósseis, mas os direitos das comunidades não devem ser espezinhados na corrida à extração de minerais críticos para a descarbonização da economia mundial”, concluiu Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

What the Fossil Fuel Industry Doesn't Want You To Know


Numa palestra emocionante, o Prémio Nobel Al Gore analisa os dois principais obstáculos às soluções climáticas e dá a sua opinião sobre como poderemos realmente resolver a crise ambiental a tempo. Não vai querer perder a sua dura acusação às empresas de combustíveis fósseis por retrocederem nos seus compromissos climáticos - e o seu apelo a uma repensação global dos papéis das indústrias poluentes na política e nas finanças.

Countdown é a iniciativa global do TED para acelerar soluções para a crise climática. O objetivo: construir um futuro melhor, reduzindo para metade as emissões de gases com efeito de estufa até 2030, na corrida para um mundo com zero emissões de carbono. Envolva-se em  Countdown

segunda-feira, 31 de julho de 2023

O desafio do cobalto - O lado negro da transição energética



Para garantir que a condução continue a ser possível apesar da crise climática, a indústria automóvel aposta nos carros eléctricos. Mas muitas das suas baterias usam uma matéria-prima extremamente problemática: o cobalto.

Calor, seca, inundações. A crise climática chegou à Europa. Para garantir que a condução continue sendo possível enquanto a pegada de CO2 é reduzida, a indústria automóvel recorreu a uma solução: a mudança rápida e abrangente para carros elétricos. A Comissão da UE decidiu pela mesma solução. Agora, não apenas a Tesla, mas a Volkswagen, Volvo, Peugeot e Renault estão investindo dezenas de biliões de euros em eletromobilidade. E a eletromobilidade requer baterias.

Mas muitas dessas baterias contêm uma matéria-prima extremamente problemática: o cobalto. Extraído na forma de minério, 65 a 70% da produção global de cobalto está localizada na República Democrática do Congo.

Este filme mostra o lado negro da mineração de cobalto. O trabalho infantil é apenas um dos muitos problemas. Todo o setor está cheio de corrupção. O solo está contaminado e a saúde e a vida das pessoas estão em risco. O domínio de mercado da China está levando a Europa a uma perigosa dependência. Diante dos gigantescos problemas colocados pela cobiçada matéria-prima, a UE busca outras formas de colocar as mãos no cobalto. O filme faz uma pergunta incómoda: as minas na Europa devem ser reabertas?

sábado, 15 de julho de 2023

Seis princípios a respeitar pelos eurodeputados nas votações sobre matérias-primas essenciais


Exploração de lítio, cobalto, terras raras? Votações do regulamento das matérias-primas essenciais na União Europeia iniciam-se na próxima semana.

Face à aceleração das discussões e negociações no Parlamento Europeu, várias comissões votarão o Regulamento relativo às matérias-primas essenciais (CRMA na sigla em Inglês) na próxima semana. No contexto deste rápido progresso, 42 organizações não-governamentais, entre as quais a ZERO, levantaram uma bandeira vermelha, expressando sérias preocupações de que as agendas económicas e industriais possam ofuscar a importância das regulamentações ambientais e dos direitos das comunidades locais. Esta decisão crucial pode abrir um precedente – será favorecida a indústria ou defender-se-á a integridade ambiental e os direitos das comunidades?

Matérias-primas críticas: importância económica e riscos de aprovisionamento

A Comissão Europeia considera que as matérias-primas essenciais (CRM) são elementos-chave na economia europeia, tendo por base a identificação das CRM em função da sua importância económica e dos riscos de aprovisionamento. A União Europeia (UE) depende de materiais importados, provenientes, na sua maioria, de poucos países.

A dependência de matérias-primas estrangeiras foi colocada sob os holofotes pela pandemia de COVID-19 e as subsequentes crises energéticas, enfatizando a vulnerabilidade da UE a interrupções na cadeia de abastecimento. Olhando para o futuro, espera-se que a procura de CRM aumente, alimentando a concorrência pelos recursos à escala global.

A UE reconhece 34 CRM, entre as quais seleciona um grupo de 16 materiais considerados matérias-primas estratégicas. Estes elementos não são apenas críticos para as indústrias atuais, mas são também parte integrante de setores emergentes como a tecnologia verde, a transformação digital, a defesa e a indústria aeroespacial.

Para fazer face a estes desafios, a Comissão Europeia propôs, em 16 de março de 2023, o EU Critical Raw Materials Act (CRMA). Esta legislação foi elaborada para reforçar a capacidade da União para extrair, processar e reciclar estas matérias-primas estratégicas e diversificar as suas fontes de importação fora das fronteiras da UE, criando assim uma cadeia de abastecimento mais resiliente e sustentável.

Equilibrar Desenvolvimento e Responsabilidade: um Imperativo para a Mudança

O setor de mineração continua a apresentar ameaças significativas aos direitos humanos, à integridade ambiental e às comunidades locais. As comissões estão prestes a dar um passo decisivo no sentido de reconhecer as graves consequências das atividades mineiras sem controlo. A mudança pode ser orientada para uma gestão sustentável dos recursos através da circularidade e contrariando o aumento descontrolado da procura. É essencial que estes votos façam face às questões prementes que afetam desproporcionalmente os povos indígenas, as mulheres e os trabalhadores. Estes grupos suportam frequentemente o peso das violações dos direitos humanos, da degradação ambiental e da corrupção inextricavelmente ligadas às atividades mineiras. O Business and Human Rights Resource Centre regista 510 denúncias de abusos de direitos humanos no setor de mineração ocorridas nos últimos 12 anos, envolvendo recursos críticos como cobalto, cobre, lítio, manganês, níquel e zinco.

Apelamos a que o Parlamento Europeu corrija as deficiências dos sistemas de certificação na legislação proposta. As atuais disposições para a certificação de Projetos Estratégicos carecem de uma abordagem multilateral e de limites claros que garantam as questões ambientais e os direitos humanos. Defendemos que se vá além da dependência exclusiva da certificação, elevando as estruturas de governação e conferindo poder à Comissão Europeia para realizar análises independentes. A certificação deve complementar as avaliações rigorosas dos direitos humanos e do desempenho ambiental e não substituí-las. Estas medidas podem ajudar o Parlamento Europeu a garantir normas de sustentabilidade escrupulosas e a salvaguardar os direitos humanos e o ambiente no âmbito de Projetos Estratégicos.

Face às mudanças geopolíticas mundiais, à diminuição da produção de minério e ao aumento dos custos da energia, a UE precisa de reduzir a sua dependência das matérias-primas primárias. As políticas de suficiência, como o CRMA, podem diminuir a procura na UE e contrariar o desperdício no consumo. Ao moderar a procura, a UE pretende reforçar a resiliência, atenuar os riscos de violações dos direitos humanos e de danos ambientais, cumprir os objetivos climáticos da UE, promover a inovação e melhorar o bem-estar dos cidadãos europeus.

Os deputados ao Parlamento Europeu podem então criar um caminho para um futuro definido pela sustentabilidade e resiliência, onde os ecossistemas são preservados e uma economia global justa e sustentável é promovida.

Para Francisco Ferreira, Presidente da ZERO, “As votações nas várias comissões da próxima semana serão fundamentais na defesa dos direitos humanos e da proteção ambiental nas políticas de matérias-primas. A visão com impactes líquidos zero implica uma abordagem das causas profundas dos problemas, não apenas dos sintomas. A ação decisiva e a redução da procura podem estimular a inovação, reduzir a extração e conduzir-nos a um futuro sustentável protegendo as pessoas e o planeta.”

A ZERO, em linha com outras organizações de toda a europa apela ao respeito por seis princípios:
  1. A UE deve reduzir ativamente o consumo de matérias-primas em, pelo menos, 10 % até 2030 através de medidas como a eliminação progressiva dos produtos descartáveis que contêm matérias-primas essenciais, a implementação de um sistema de passaporte dos materiais e a promoção da eficiência dos materiais e de materiais alternativos.
  2. O CRMA não deve basear-se apenas em sistemas de certificação, mas deve realizar uma avaliação rigorosa dos direitos humanos e do desempenho ambiental, incluindo a governação multilateral, o cumprimento de normas, as regras de divulgação, os mecanismos de reclamação e as auditorias públicas.
  3. O foco do CRMA na segurança do abastecimento da UE deve priorizar as normas, a participação da sociedade civil e a proteção dos direitos humanos e do meio ambiente em países terceiros, alinhando parcerias com acordos internacionais, implementando mecanismos de monitorização, apoiando a industrialização doméstica, envolvendo a sociedade civil e os povos indígenas, garantindo transparência e evitando o desrespeito pelos compromissos.
  4. A aceleração dos procedimentos de licenciamento para projetos de matérias-primas essenciais deve equilibrar a proteção ambiental, a participação pública com a agilização dos prazos, incorporando elementos como o consentimento livre, prévio e informado (FPIC), os direitos indígenas e fazendo referência a acordos internacionais, alocando recursos, garantindo transparência e proibindo a mineração em alto mar.
  5. Dar prioridade a uma abordagem de economia circular no CRMA é crucial para o sucesso do Pacto Ecológico Europeu e para a autonomia da UE, através da implementação de uma estratégia de reciclagem, coerência com a hierarquia de resíduos, metas mais ambiciosas para a capacidade de reciclagem, otimização da recolha e separação de componentes, metas de conteúdo reciclado, medidas para contratos públicos e regulamentos abrangentes para a recuperação e remediação de resíduos mineiros.
  6. O CRMA deve incluir regras abrangentes para o cálculo e a verificação da pegada ambiental das matérias-primas essenciais, considerando os critérios relativos à pegada ambiental significativa, à circularidade e ao impacto da reciclagem, as normas internacionais, a consulta das partes interessadas, os pareceres científicos, as declarações sobre a pegada ambiental e o estabelecimento de classes de desempenho através de atos delegados.
Um apelo aos eurodeputados

À medida que se aproximam as próximas votações nas comissões do Parlamento Europeu, mantemo-nos atentos e expectantes. Estas decisões terão implicações profundas na proteção ambiental e dos direitos humanos e na gestão sustentável dos recursos. Aos eurodeputados das várias comissões é confiada a responsabilidade de fazer escolhas que moldarão não só a paisagem económica, mas também o futuro do nosso planeta e das suas comunidades. Esperamos que estejam à altura, aproveitando as suas funções para defender a redução do consumo de recursos, padrões de sustentabilidade mais fortes e uma avaliação abrangente dos direitos humanos e do desempenho ambiental. As suas ações podem abrir um precedente para um mundo mais sustentável e equitativo, garantindo o bem-estar do ambiente e das pessoas. Fazemos votos de que possamos testemunhar uma escolha pela sustentabilidade, resiliência e justiça.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Rochas fosfatadas na Noruega


A Norwegian miner has completed the exploration of a phosphate deposit that it claims is large enough to meet phosphorous demand for batteries and solar panels for the next 100 years.

Norge Mining, which will develop the site, says that it has discovered up to 70 billion tonnes of the mineral.

Around 90% of mined phosphate is used to produce fertiliser for the agriculture industry. Phosphorous is also used to produce lithium-ion phosphate batteries used in green technologies and batteries. The mineral is in high demand but currently faces significant supply issues.

According to the US Geological Survey, proven phosphate reserves equal 71 billion tonnes globally, only slightly larger than the total discovered in Norway.

Prior to this discovery, the largest phosphate deposit was located in the western Sahara region of Morocco, equalling around 50 billion tonnes. This is followed by China with 3.2 billion tonnes, Egypt with 2.8 billion tonnes and Algeria with 2.2 billion tonnes, according to US Geological Survey estimates.

Phosphorous appears on the EU’s list of strategic raw minerals. The bloc is almost entirely reliant on imports of phosphate and is concerned about its supply.

“The discovery is indeed great news, which would contribute to the objectives of the Commission’s proposal on the Critical Raw Material Act,” a spokesperson for the EU executive told Euractiv.

A polluting refining processes
Phosphorus refining is a highly carbon-intensive process. “This is part of the reason why there is no more production of this critical raw material in Europe; there was some production in the Netherlands many years ago, but they stopped it because of the heavy pollution,” Michael Wurmser, founder of Norge Mining told Euractiv.

Wurmser told reporters that Norge Mining will use carbon capture and storage to reduce the carbon emissions of the refining process.

“Europe is in an excellent position: we can use our advantage in clean tech innovation and skills development to turn the industry into a powerhouse of innovation and change and, in doing so, achieve the highest social and environmental standards,” said Bernd Schäfer, managing director of the European Raw Materials Alliance, earlier this year.

The discovery was initially made by Norge Mining in 2018 using information provided by the Norwegian Geological Survey. However, a drilling programme conducted by the company has found that ore reserves extend much deeper than initially estimated.

The deposit also contains vanadium and titanium, which are also classified as critical raw minerals by the EU. Vanadium is used to produce liquid batteries required by power companies.

Norge Mining is currently awaiting a permit from the EU and the Norwegian Government. Norwegian ministers have been supportive of the project and are treating it as a high priority, according to Norge Mining.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Uma mina a céu aberto


NIMBY é um acrónimo em inglês para a expressão Not In My Back Yard (não no meu quintal, em português). É um termo muito usado para descrever a oposição a projetos que são benéficos para a população como um todo, mas que têm um impacto local devastador, sobretudo a nível do ambiente. Há vários exemplos desse fenómeno.

Por exemplo, a coincineração na cimenteira de Souselas provocou uma grande contestação local contra a queima de resíduos industriais perigosos. Mais recentemente, Moita e Seixal opuseram-se à construção do aeroporto no Montijo, sendo que neste caso a lei (entretanto mudada) até dava poder de veto às autarquias locais. Agora estamos a assistir a um fenómeno semelhante com a exploração de lítio na mina do Barroso, no concelho de Boticas, distrito de Vila Real. Estamos a falar de uma mina que prevê uma exploração a céu aberto, com uma duração estimada de 17 anos, e uma área de concessão prevista de 593 hectares.

Depois de em 2022 este projeto da empresa britânica Savannah ter recebido um parecer "não favorável", na semana passada a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) deu ok à exploração das minas, apesar de ter imposto alguns remédios. Vamos colocar na balança os argumentos de um lado e de outro:

1. O Governo argumenta, e com razão, que a fileira do lítio vai ter um impacto relevante na economia. Só o projeto de Boticas prevê a produção de aproximadamente 200 mil toneladas de concentrado de espodumena por ano. Isso permitirá uma produção de lítio suficiente para o fabrico de meio milhão de baterias para carros elétricos por ano. 

2. A população local argumenta, e com razão, que estas minas a céu aberto terão um impacto ambiental muito grande na região e é a própria APA que reconhece que este projeto pode comprometer a classificação de Património Agrícola Mundial do Barroso.

A partilha dos ganhos económicos com a população local (por exemplo, com a construção de uma estrada de ligação à A24), a limitação à remoção de vegetação em alguns meses do ano e o compromisso de não captação de água no rio Covas ajudam a amenizar o impacto das minas. Mas convenhamos que se também morássemos em Covas do Barroso, Romainho e Muro e tivéssemos uma mina a céu aberto próxima da nossa aldeia, mesmo ao pé do nosso quintal, também diríamos a esta empresa britânica, em bom inglês, Not In My Back Yard.

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sexta-feira, 14 de abril de 2023

Apple vai usar apenas cobalto reciclado nas suas baterias até 2025


O mundo está a mudar aos poucos em vários setores. Um dos quais onde as empresas a nível mundial têm tido cada vez mais atenção respeita à sustentabilidade ambiental. A Apple quer destacar-se neste campo e anunciou mais uma medida: irá usar apenas cobalto reciclado nas suas baterias até ao ano de 2025.

Em comunicado, a Apple disse nesta quinta-feira (13) que apenas vai usar cobalto reciclado nas suas baterias até 2025. A empresa da maçã adiantou que esta mudança faz parte dos seus esforços para tornar todos os seus produtos neutros em carbono até ao final desta década.

O cobalto é um mineral fundamental para as baterias de lítio e é usado numa grande parte de dispositivos como smartphones, tablets e carros elétricos. Mas, há alguns anos, várias empresas tecnológicas foram acusadas de serem cúmplices na morte de muitas crianças na República Democrática do Congo, por estas terem sido obrigadas a minerar cobalto.


Portanto, os detalhes revelados pela empresa de Cupertino indicam que os ímanes que se encontram nos equipamentos da Apple vão começar a usar elementos químicos Terra-rara reciclados, enquanto que as placas de circuito impresso projetadas internamente vão usar solda de estanho reciclado e revestimento de ouro.

A Apple é uma das muitas empresas do setor tecnológico que tem como objetivo tornar-se neutra em carbono em toda a sua rede de fornecimento de componentes e ao longo do ciclo de vida de cada produto até 2030.

Segundo a empresa, um quarto de todo o cobalto que é usado nos produtos da Apple vem de material que foi reciclado em 2022, o que representa um aumento de 13% comparativamente ao ano anterior de 2021. As informações revelam ainda que a marca utiliza mais de dois terços de todo o alumínio, quase três quartos de todas as terras-raras e mais de 95% de todo o tungsténio nos seus produtos a partir de material reciclado.

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Relatório "Germany’s great hydrogen race" - Hidrogénio: será mesmo "verde"?


Durante anos, a Alemanha tem feito do hidrogénio a peça central de uma economia neutra para o clima e a UE tem acolhido de braços abertos este alegado "gás milagroso". O papel influente da Alemanha na definição da agenda da UE contribuiu para o hidrogénio estar agora no centro das políticas climática e industrial da UE, e Bruxelas planeia gastar milhares de milhões em subsídios públicos para estimular o setor europeu do hidrogénio.
Este endeusamento ignora vários factos sujos. Em primeiro lugar, 99% do hidrogénio atualmente produzido a nível mundial é hidrogénio "cinzento" feito a partir de combustíveis fósseis, com emissões anuais de CO2 superiores às de toda a Alemanha. Segundo, o hidrogénio 'azul' à base de fósseis, que está a ser promovido como uma alternativa 'com baixo teor de carbono', tem uma pegada climática que é quase tão má quando as suas emissões totais são tidas em conta. Finalmente, mesmo o hidrogénio "verde", considerado "livre de carbono" mas representando apenas 0,04 por cento da produção global de hidrogénio em 2021, vem com sérios desafios e riscos. É ineficiente em termos energéticos, comporta-se como um potente gás com efeito de estufa indireto, e a produção em grande escala exige grandes quantidades de terra, água e energia renovável. A sua produção pode alimentar o "green grabbing" - a apropriação de terras e recursos para fins ambientais. Uma procura inflacionada de hidrogénio está a ser utilizada como um cavalo de Tróia para prolongar a utilização de combustíveis fósseis.
Os projetos de hidrogénio verde apoiados pela Alemanha no estrangeiro seguem padrões coloniais. Os recursos são apropriados enquanto impactos negativos como os danos ecológicos e a escassez de energia são convenientemente externalizados. Os conflitos sobre o uso da terra e da água já estão à vista e podem intensificar-se nos próximos anos. Há também preocupações sobre a subsistência das comunidades piscatórias em resultado dos mega-portos e outras infra-estruturas de exportação, bem como a poluição causada pelos resíduos das fábricas de dessalinização que são necessárias para obter água para a produção de hidrogénio verde em regiões áridas.
Um exemplo chocante de violações dos direitos humanos relacionadas com projetos de hidrogénio verde é Neom, a megacidade da Arábia Saudita, onde o Thyssenkrupp irá instalar um enorme electrolisador para produzir hidrogénio para exportação. Tribos antigas foram expulsas das suas terras à força para dar lugar a Neom. Vários manifestantes foram condenados à morte por causa da sua resistência ao despejo, e um deles foi morto a tiro pelas forças de segurança em abril de 2020.
Os projectos de hidrogénio no Sul Global tendem a ser mega projetos centralizados e carecem de participação cívica. Um mapeamento de 27 países maioritariamente africanos não conseguiu identificar um único projeto de hidrogénio em que a comunidade tenha sido consultada antes da decisão de avançar com o projecto. É provável que um pequeno grupo de elite política e económica lucre com estes processos de cima para baixo.
O iminente colonialismo de hidrogénio na UE e na Alemanha não cumpre a sua promessa principal: ajudar a enfrentar a crise climática. Em vez disso, há um risco real de a corrida ao hidrogénio atrasar a ação para descarbonizar estruturalmente a economia: por exemplo, aumentar a eficiência energética dos edifícios (em vez de aquecer ineficientemente as casas com hidrogénio), fazer a transição para a agricultura agro-ecológica (em vez de apenas tornar verdes os fertilizantes sintéticos) e reduzir o tráfego (em vez de desperdiçar energia em carros movidos a hidrogénio).
Relatório completo aqui 

domingo, 26 de março de 2023

Há carros elétricos novos a serem enviados para a sucata

Há carros elétricos, praticamente novos, com poucos quilómetros, a serem abatidos após o seguro ter atribuído a perda total, mesmo em acidentes ligeiros. Esta situação poderá resultar em prémios de seguro mais caros e maior poluição com packs de baterias acumuladas. Então, onde para a sustentabilidade?


Afinal, onde está a sustentabilidade?
Para muitos veículos elétricos, não há forma de reparar ou avaliar a inviolabilidade do pack de bateria que sofreu um ligeiro dano após acidente. Como tal, a situação força as companhias de seguros a abater carros com poucos quilómetros - levando a prémios mais elevados e a ganhos menores com a passagem à eletricidade.

Existem já conjuntos de baterias a acumular-se em parques de sucata nalguns países onde a incidência de elétricos é maior. Este problema poderá pôr em causa a parte mais "económica" de usar um elétrico no dia a dia. E ninguém previu este cenário.

Esta informação foi partilhada pela Thatcham Research, uma empresa de análise de mercado para o setor das seguradoras.

"Estamos a comprar carros elétricos por razões de sustentabilidade. Mas um VE não é muito sustentável se tivermos de deitar fora a bateria após uma pequena colisão", disse Matthew Avery, diretor da empresa.

A questão de fundo é que as baterias podem custar dezenas de milhares de euros e representar até 50% do preço de um carro elétrico. Ora, este cenário colocado na balança de custos, poderá inviabilizar a substituição da própria bateria.

Não é fácil nem barato reparar a bateria...
Depende de cada fabricantes, não existe uma fórmula genérica, algo que seja transversal aos fabricantes. Por exemplo, fabricantes como a Ford, General Motors, entre outras têm políticas de fácil substituição e reparação, já no caso da Tesla, o caminho é o oposto.

Segundo refere a Reuters, citando a Thatcham, O Model Y da empresa de Elon Musk, construído no Texas, tem um novo conjunto de baterias estruturais. Este pacote foi descrito por especialistas como tendo "capacidade de reparação zero".

Nesse sentido, uma investigação da Reuters sobre as vendas de salvados elétricos nos EUA e Europa mostra uma grande quantidade carros da Tesla, Nissan, Hyundai, Stellantis, BMW, Renault, entre outros, com o mesmo problema. Carros relativamente novos, com poucos quilómetros sinalizados para abate.

Os elétricos constituem apenas uma fração dos veículos na estrada, tornando os dados de toda a indústria difíceis de obter, mas a tendência de carros com baixas emissões de emissões zero com danos menores está a crescer. A decisão de Tesla de tornar os pacotes de baterias "estruturais" - parte da carroçaria do carro - permitiu-lhe reduzir os custos de produção, mas corre o risco de empurrar estes custos de volta para os consumidores e seguradoras.

Seguros dos elétricos poderão ser mais caros?
Apesar do relatório indiciar este eventual custo acrescido dos prémios de seguro para quem tem um elétrico, a Tesla não se referiu a quaisquer problemas com as seguradoras que seguram os seus veículos. Contudo, em janeiro o CEO Elon Musk disse que os prémios das companhias de seguros de terceiros "em alguns casos eram excessivamente elevados".

Tal cenário, referem especialistas da indústria, pode ser agravado se a Tesla e outros fabricantes de automóveis não produzam packs de baterias mais fáceis de reparar e forneçam acesso de terceiros a dados de células de bateria. Os custos associados a estas perdas terão de ser passadas aos proprietários e iremos ver mais carros de baixa quilometragem em perda total e mais poluição resultante da acumulação das baterias avariadas.

quinta-feira, 16 de março de 2023

O “ouro branco” da Argentina: o seu boom do lítio terminará mal?

Como uma batalha pelos recursos minerais na Argentina poderia determinar a luta contra o aquecimento global.

A Argentina possui enormes reservas de lítio, um metal leve usado em baterias elétricas que provavelmente será vital para reduzir a nossa dependência de combustíveis fósseis que aquecem o planeta.

Mas essas reservas situam-se sob as vastas planícies salinas andinas – um ecossistema único que se estende entre a Argentina, a Bolívia e o Chile e que as comunidades indígenas estão desesperadas por proteger de um boom mineiro.

Eles dizem que a produção de lítio suga as escassas águas subterrâneas e seria ambientalmente catastrófica para esta região deslumbrante, mas árida.

Então, é possível extrair o metal – e combater as alterações climáticas – sem causar danos ecológicos significativos? Pessoas e Poder investigam.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

O fósforo salvou nosso modo de vida - e agora ameaça acabar com ele


A agricultura convencional depende do fósforo mineral, cuja metade das reservas estão no Saara Ocidental sob controlo de Marrocos e que sabemos hoje estar em decréscimo de produção.  
China, EUA, Russia, Austrália e alguns países sul-americanos têm pequenas fracções das restantes reservas, que vão reter para si.
A Europa não tem quaisquer reservas mas envia diáriamente milhares de toneladas de fósforo recuperável pelo esgoto abaixo. 
A dura realidade é que a Europa está tão vulnerável por falta de inputs agrícolas como por falta de combustíveis fósseis e só consegue mitigar isso adoptando práticas agrícolas que promovam circularidade do que chamamos resíduos orgânicos.
Enquanto produtores em Modo de Produção Biológico todos os dias contribuímos para a melhoria dos solos, para a eliminação de resíduos nos aterros e para a eliminação de importações de fósforo e produtos agrícolas.
Reportagem New Yorker
Scientists warn of ‘phosphogeddon’ as critical fertiliser shortages loom

domingo, 22 de janeiro de 2023

De que tecnologia precisamos para chegarmos ao carbono-zero?

O mundo sabe agora que precisamos de chegar a emissões net-zero, ou mesmo a emissões negativas, para compensar o tempo perdido no combate às alterações climáticas. Mas que lacunas na tecnologia precisam de ser preenchidas para que isso se torne realidade?

Que tecnologias podem ajudar-nos a alcançar o net-zero
A ação climática está agora em curso. Contudo, as nossas ações não aconteceram com rapidez suficiente para atingir as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius. A fim de atingir estes objetivos, a tecnologia “deve desenvolver-se rapidamente para alcançar mais descarbonização e captura de carbono”, sublinha o “Inhabitat”.

Segundo a mesma fonte, para compreender que tecnologias poderiam ajudar a atingir os objetivos de mitigação do clima, primeiro temos de analisar que tecnologias estão disponíveis para resolver o problema. Eis alguns tipos de tecnologias que estão a ajudar a combater as alterações climáticas:
– captura e armazenamento de carbono
– biocombustíveis e energia limpa
– tecnologia de armazenamento de energia e bateria
– tecnologia de monitorização para medir o progresso

Cada uma destas tecnologias pode ajudar-nos a atingir emissões líquidas nulas. Mas sendo o objetivo atual, o mais tardar em 2050, de inverter os danos dos últimos 100 anos de industrialização, o tempo não está do lado do desenvolvimento tecnológico. Aqui estão as formas como podemos preencher as lacunas no tempo.

Tecnologias de captura de carbono
A captura de carbono pode ser tão simples como filtros em chaminés de fábrica, e tão complexa como a plantação de florestas e a utilização de pedras de pavimentação absorventes de carbono para recapturar o carbono libertado para a atmosfera. Estas tecnologias estão em desenvolvimento há 50 anos, mas recentemente mais destes produtos foram libertados, com 70% das aplicações de captura de carbono no espaço de recuperação de petróleo e gás, de acordo com um relatório do Instituto de Economia e Análise Financeira da Energia.

Isto parece um progresso, mas apenas 300 milhões de toneladas de carbono foram capturadas em todo o mundo, o que é apenas uma fração do que é necessário para cumprir os objetivos do Acordo de Paris. Estas tecnologias requerem também investimentos significativos em infraestruturas, tais como oleodutos e instalações de armazenamento, que competem com outras prioridades e investimentos para mitigar as alterações climáticas.

Biocombustíveis e combustíveis de energia
Os combustíveis energéticos são qualquer fonte de energia como o hidrogénio, metano, propano ou combustíveis líquidos sintéticos. Os biocombustíveis são mais especificamente combustíveis criados utilizando uma fonte como materiais vegetais como o etanol feito de milho ou o biodiesel feito de materiais residuais. Estes combustíveis podem preencher lacunas no fornecimento de energia, oferecendo alternativas mais limpas ao petróleo e ao gás. No entanto, o custo de produção destes combustíveis pode ainda compensar o benefício, ao mesmo tempo que cria bloqueios e resíduos no abastecimento alimentar quando os combustíveis são produzidos a partir das mesmas matérias-primas que o abastecimento alimentar. Tal pode ser o caso do etanol feito a partir de milho.

A melhor aposta para os combustíveis energéticos ou biocombustíveis vem da criação de soluções circulares que fazem uso de produtos residuais. Isto resolve a crise do plástico e dos resíduos alimentares, enquanto cria novas fontes de combustível, sem criar problemas de custos, exceto no custo de produção, que vai diminuindo à medida que estas tecnologias amadurecem.

Combustíveis energéticos como o hidrogénio ou o amoníaco podem ajudar a descarbonizar sectores que são difíceis de eletrificar, também. Isto incluiria indústrias como a aviação, a navegação marítima e o fabrico de aço, cimento e químicos.

O problema com os biocombustíveis e os combustíveis de potência é a energia e o custo necessários para converter o material de origem em combustível. Se estas tecnologias puderem ser amadurecidas para utilizar energia limpa para produzir os combustíveis necessários, poderia ser uma opção mais viável. Espera-se que os combustíveis de energia preencham lacunas nas indústrias, em vez de serem soluções amplamente aplicáveis. A eletrificação é uma solução mais geral para as necessidades energéticas para a maioria das aplicações, incluindo o carregamento doméstico e de veículos e a alimentação da rede para uso residencial e comercial.

Mais de 80% da energia global ainda é fornecida por combustíveis fósseis, pelo que há aqui muito espaço para todos contribuírem para ajudar a descarbonizar o mundo da utilização de combustíveis fósseis no sector industrial.

Tecnologias solares, eólicas e de baterias
As energias renováveis são um tema mais simples. As tecnologias eólicas e solares amadureceram e são agora mais baratas de produzir do que a tradicional energia de origem fóssil. A questão aqui é o investimento em deslocar a rede para energia limpa, que é um empreendimento maciço agora em curso.

Os preços crescentes do gás e do petróleo estão a pressionar a mudança para ocorrer mais rapidamente, mas a rede ainda precisa de mais capacidade de armazenamento para se agarrar à energia produzida pela tecnologia eólica e solar. Os proprietários podem produzir alguma da sua própria energia, embora o custo dos painéis solares seja ainda proibitivamente elevado.

Com o aumento da eficiência das células solares e baterias domésticas mais baratas, os proprietários podem cada vez mais contribuir com energia limpa para a rede. E para remover os picos de procura da rede durante as horas noturnas, quando os residentes estão em casa utilizando eletricidade para carregar EVs e alimentar aparelhos domésticos. Os incentivos governamentais para ajudar os residentes a pagar a energia solar, e os programas que fazem uso da tecnologia de baterias para armazenar a energia produzida durante as horas de vazio para as horas de maior procura, ajudarão a aliviar a pressão.

A necessidade de acelerar a adoção destas tecnologias favorece a energia eólica e solar, que são mais fáceis de escalar do que as centrais hidroelétricas, geotérmicas ou nucleares, que requerem investimentos a longo prazo. O Roteiro da AIE para o Net Zero até 2050 traça um caminho para aumentar rapidamente a escala solar e ganhar esta década, incluindo mais do que triplicar a quantidade de tecnologia eólica e solar instalada anualmente até 2030, em comparação com 2020. As pequenas turbinas eólicas eficientes e solares no telhado poderiam ajudar a alcançar o net-zero para as cidades.

Tecnologia inteligente para medir o progresso climático
A eficiência energética é uma área frequentemente negligenciada, onde a procura de energia é reduzida através de uma menor procura. De acordo com um estudo da McKinsey, a eficiência energética tem o potencial de reduzir as emissões globais em 40%. Iluminação mais eficiente, aparelhos e outras tecnologias consumidoras de energia podem ser combinadas com tecnologia inteligente para monitorizar a utilização de energia e otimizar a eficiência.

A tecnologia inteligente poderia incluir medidores de energia inteligentes, tecnologia de monitorização de energia em casa ou no escritório que reduz a utilização de energia durante as horas de folga, sistemas de controlo melhorados para a indústria, redes inteligentes e tecnologia para fabrico avançado que reduz a utilização de energia à escala. A IA pode também ajudar a prever as necessidades energéticas em toda a rede para ajudar a equilibrar as necessidades energéticas e evitar o desperdício.

Quão plausível é que alcancemos a tempo emissões líquidas zero?


Para além da tecnologia, os governos também precisam de procurar formas de tornar possível que os clientes empresariais e residenciais de energia possam pagar energia limpa e reduzir a procura. Os clientes com baixos rendimentos não podem instalar energia solar em telhados, por exemplo, sem alterações significativas no custo e na oportunidade de participação a nível individual.

Com isto vem o lembrete de que a grande maioria das emissões provém efetivamente da indústria, e as empresas e países altamente poluentes são o principal objetivo para reduzir as emissões a tempo de cumprir os objetivos climáticos. “Esperamos que uma combinação de incentivos e subsídios governamentais aliados a uma tecnologia melhorada possa ser implementada a tempo de descarbonizar a sociedade, mas precisa de ser aliada à supervisão governamental para empresas e entidades governamentais não cooperantes, para que a oportunidade de parar as alterações climáticas não nos escape”, conclui o site.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Aposta no alumínio e baterias põe Adaro a valorizar mais de 1.500%. É a melhor ação do ano


As ações da PT Adaro Minerals Indonésia apresentam o melhor desempenho do planeta em 2022 apesar de já terem caído desde um pico atingido em abril, escreve a Bloomberg.

A Adaro foi a vencedora do ano no mercado acionista mundial, impulsionada principalmente pela subida dos preços do carvão, mas também por aplicar os lucros na diversificação da sua atividade para um modelo mais sustentável.

As contas são da Bloomberg, que escreve que o valor das ações da PT Adaro Minerals Indonésia oscilou desde o pico em abril, mas ainda está acima dos seus pares no Bloomberg World Index, composto por 2.803 membros. Os títulos da cotada dão origem a mais do dobro das mais-valias da vice-campeã Turkish Airlines.

O preço das ações da Adaro disparou desde a estreia a 3 de janeiro em Jacarta, passando de 100 rupias para 2.990 rupias em pouco mais de três meses, antes de cair.

Na quarta-feira fechou a valer 1.695 rupias, com um valor de mercado de cerca de 4,5 mil milhões de dólares (cerca de 4,25 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual).

A evolução das ações da Adaro está ligada aos preços globais do carvão, mas os analistas citados pela Bloomberg acreditam que os ganhos da companhia estão relacionados com a estratégia de diversificação da empresa, que usou os lucros inesperados - "windfall profits", que estão a ser alvo de tributação em várias atividades económicas e países, incluindo Portugal - para apostar noutros negócios, como a produção de alumínio e de baterias para veículos elétricos.

O resultado líquido da empresa disparou 482% nos primeiros nove meses do ano, refletindo um aumento para mais do dobro dos preços médios de venda. O volume das vendas de carvão subiu 41%. Cinco analistas contactados pela Bloomberg estimam uma nova evolução positiva de 42% nos preços das ações nos próximos 12 meses.

Cientista utiliza “material milagroso” para fazer combustível sustentável


Os investigadores da Universidade de Cambridge desenvolveram um novo sistema de energia solar para converter gases com efeito de estufa e resíduos plásticos em combustíveis sustentáveis. O novo reator movido a energia solar poderá ter aplicações em muitas indústrias.

“A conversão de resíduos em algo útil utilizando energia solar é um objetivo importante da nossa investigação”, disse Erwin Reisner, professor no Departamento de Química Yusuf Hamied da Universidade de Cambridge, citado pelo “The Independent”. “A poluição plástica é um enorme problema a nível mundial, e muitas vezes muitos dos plásticos que deitamos em contentores de reciclagem são incinerados ou acabam em aterros sanitários”, acrescentou.

Este novo reator é especialmente significativo porque é o primeiro a converter simultaneamente dois fluxos de resíduos diferentes – plástico e CO2 – em dois produtos químicos separados. O segredo é um chamado material milagroso chamado Perovskita, que algumas pessoas preveem que revolucionará a indústria solar.

A Perovskita não é nada de novo. Gustav Rose, um cientista russo a trabalhar na Universidade de Berlim, descobriu o mineral em 1839 nas Montanhas Urais da Rússia. O mineral, que (em inglês) tem o nome do mineralogista russo Lev Perovski, é composto de óxido de cálcio titânio (CaTiO2). Há cerca de dois séculos que os cientistas andam a brincar com ele. Mas só por volta do ano 2000 é que novos processos de fabrico de células solares baseados em Perovskita realmente arrancaram. Os cientistas de materiais estão entusiasmados com a utilização da Perovskita porque é muito abundante na natureza.

Antes dos investigadores da Universidade de Cambridge terem desenvolvido este novo sistema, não havia qualquer forma de converter seletiva e eficientemente o CO2 em produtos de alto valor.

“Uma tecnologia movida a energia solar que pudesse ajudar a combater a poluição plástica e os gases com efeito de estufa ao mesmo tempo poderia ser uma mudança de jogo no desenvolvimento de uma economia circular”, disse Subhajit Bhattacharjee da Universidade de Cambridge, também citado pelo “The Independent”. “O que há de especial neste sistema é a versatilidade e afinação – estamos a fazer moléculas à base de carbono bastante simples neste momento, mas no futuro poderíamos ser capazes de afinar o sistema para fazer produtos muito mais complexos, apenas mudando o catalisador”, concluiu.

Saber mais:

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Bateria de sódio-enxofre supera em 4 vezes as baterias de lítio


Bateria de sal marinho

Há uma grande expectativa de que as baterias de sódio venham a substituir as baterias de lítio, sobretudo depois que uma bateria sólida de sódio superou 1000 ciclos de carga e descarga.

Contudo, ainda não está claro qual das opções existentes vencerá a corrida para o mercado - assim como acontece com as baterias baseadas em lítio, as baterias baseadas em sódio vêm em diferentes sabores, como íões de sódio, baterias de sódio de estado sólido, baterias sódio-ar e baterias de sódio-enxofre.

Agora, Bin-Wei Zhang e colegas da Universidade de Sidney, na Austrália, conseguiram um marco importante justamente nesta última opção, as baterias de sódio-enxofre.

Usando um processo de pirólise simples e elétrodos à base de carbono para melhorar a reatividade do enxofre e a reversibilidade das reações entre o enxofre e o sódio, o protótipo apresentou uma densidade de energia recorde e um tempo de vida ultralongo a temperatura ambiente.

"Nossa bateria de sódio tem o potencial de reduzir drasticamente os custos, fornecendo quatro vezes mais capacidade de armazenamento. Este é um avanço significativo para o desenvolvimento da energia renovável que, embora reduza os custos a longo prazo, apresenta várias barreiras financeiras à entrada," disse o professor Shenlong Zhao, coordenador da equipe.

Bateria de baixo custo
Embora as primeiras baterias de sódio-enxofre (Na-S) tenham sido desenvolvidas há mais de cinquenta anos, elas têm sido consideradas uma alternativa menos promissora devido a uma baixa capacidade de energia e poucos ciclos de vida (carregamento/descarregamento).

Mas melhorá-las pode valer a pena porque o sódio-enxofre é um tipo de sal fundido que pode ser processado a partir da água do mar, custando muito menos para ser produzido do que o lítio.

Os pesquisadores afirmam que sua bateria Na-S agora representa também uma alternativa mais densa em energia e menos tóxica às baterias de íõess de lítio, que, embora usadas extensivamente em dispositivos eletrónicos e para armazenamento de energia, são muito caras.

Os resultados foram tão promissores que a equipa já fala em comercialização, com os trabalhos já em andamento para passar dos protótipos em escala de "bateria botão" para células encapsuladas em alumínio, comercialmente usadas para fabricar diversos modelos de baterias.

Bibliografia:


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Documentário - The price of green energy


Veículos elétricos, energia eólica e solar: A era dos combustíveis fósseis está a chegar ao fim. Ao mesmo tempo, a procura por outras matérias-primas está a aumentar. É um negócio bilionário, com sérias consequências ambientais. Atualmente, metais de terras raras como grafite, cobre e lítio são componentes-chave em muitos produtos de alta tecnologia. Isso inclui não apenas smartphones e laptops, mas também veículos elétricos e parques eólicos. Apesar de ser fundamental para um futuro mais ecológico, o processo de extração desses metais raros muitas vezes não leva em consideração a saúde e a segurança dos trabalhadores ou os padrões ambientais básicos. A China é líder de mercado na mineração e comercialização de metais de terras raras. As consequências negativas podem ser vistas em lugares como a província de Heilongjiang. Aqui, resíduos tóxicos do processo de extração de grafite podem ser encontrados a vários quilómetros das minas de grafite. Cobre e lítio, usados ​​na produção de baterias, são extraídos em grande escala no Chile e na Bolívia. O comércio global de matérias-primas é um negócio florescente de biliões de dólares. Mas as reservas são finitas. É por isso que o consumo deve ser reduzido e as cotas de reciclagem desses recursos tão procurados devem ser aumentadas.

Saber mais:
The dirty truth about clean energy

quarta-feira, 20 de julho de 2022

The dirty truth about clean energy metals

Sungun copper mine- Fars Media Corporation

Everyone knows what needs to be done to bring down CO2 levels; pump less of it into the atmosphere. But instead of reducing overall energy consumption, the focus is on increasing ‘green’ energy consumption: electric vehicles, massive electric storage installations, solar ‘farms’ and monster wind turbines. More consumption to cure the cancer of overconsumption. Ah, yes, and tree planting. Anything but serious reduction of fossil fuel consumption.

The voices calling for careful considerations of the impacts of a transition to ‘clean’ energy are drowned by the misplaced optimism of a green future. Few are asking commonsense questions that, if not answered now could easily create a worse environmental disaster later – and even compound the climate crisis. The elephant in the room few want to acknowledge is the destruction of people and the environment that will result from the hunger for so-called green energy minerals – mainly copper, cobalt, nickel and lithium.

Because of the growing demand and consequent high prices for these materials, mining companies will end up operating mega-mines in places that would otherwise be politically, environmentally, socially and/or economically unwise. These include ecologically fragile sites, biodiversity hotspots, indigenous territories, and politically unstable countries.

Some mines will deforest thousands of hectares and contaminate water resources with heavy metals. Deforestation, especially in tropical countries, will significantly reduce the Earth’s biodiversity. While the resolution adopted at the COP 26 to stop deforestation by 2030 will help somewhat, 10 more years of deforestation will bring us closer to several tipping points regarding climate, and will irremediably reduce biodiversity. Lost species cannot be brought back in 10, or 100 years’ time. Once they are extinct they are gone forever.

The biodiversity crisis, it’s worth mentioning, is considered almost as critical as the climate crisis – and the two are intimately interrelated. Climate change is leading to loss of biodiversity; meanwhile, loss of biodiversity makes ecosystems less resilient, and less able to absorb CO2… and we all know what follows.

The environmental degradation that accompanies mining will affect other key ecosystem services, such as purifying air and water, regulating stream and river flows, and reducing erosion and flooding. These and dozens more ecosystem services are critically endangered. If we act now, we can at least try to limit the most damaging of the impacts.

Then there are the human rights violations that are so closely tied to mining. Many communities, whether indigenous or campesino, will not agree to relocate willingly. Besides violating fundamental human rights, forced relocation upsets all facets of communal and personal life, identity, livelihoods and connection with the land. And, given the amount of mining for metals needed to feed the so-called “clean energy transition”, forced relocation will be part and parcel of any such transition.

Materials
According to an International Energy Agency (IEA) report, in order to “hit net-zero globally by 2050, would require six times more mineral inputs in 2040 than today” (emphasis in the original).

The minerals considered by the IEA report are copper, nickel, cobalt and lithium, as well as graphite and rare earths. They are sometimes referred to as the ‘critical minerals’. Given the power and greed of the fossil fuel barons and the relative failure of COP26, it is extremely unlikely the world will reach net zero emissions by 2050. But even a less optimistic scenario still calls for a quadrupling of mineral inputs from today’s levels. That’s one hell of an increase in a relatively short time – especially when considering the social, cultural and environmental impacts mineral extraction is having right now.

Questions to ask
Following are just some of the questions we should be asking ourselves in order to avoid deepening the environmental crisis:
  • Where will those minerals come from?
  • Are there enough of these metals in the world to make sure that not only the wealthy citizens of the North will reap the benefits from them?
  • What will be the social, cultural and environmental impacts of extracting and processing these metals?
  • What steps can be taken to assure that the rights of local communities are not violated, and that they don’t end up paying the costs of producing these minerals?
  • What will happen if we create an even bigger environmental crisis while trying to fix the climate crisis? And what can we do now to avoid that scenario?
Perspective
It is understandably hard to grasp the amount of land and materials that a ‘green energy’ transition will entail. Sixty-seven tons of pure copper goes into each medium-sized off-shore wind turbine. Similarly, a plug-in electric vehicle needs 2 to 4 times more copper than the standard internal combustion vehicle. The battery in that same electric vehicle uses as much lithium as 10,000 smartphone batteries. Meanwhile, energy storage installations will need to increase capacity by more than 20 times current levels.

Nickel is another essential component of vehicle batteries, and its production is particularly destructive. For example the contamination generated by the Norlisk nickel mine and processing plant in Russia’s Artic region has devastated at least 350,000 hectares of forests.

Though most lithium deposits are not usually located deep underground, operations to extract it can dry up aquifers, affect communities’ access to water, and lower its quality. Lithium operations use an inordinate amount of water. In some cases, up to 500,000 gallons to produce just one ton of lithium.


In its analysis of the mineral needs for a net-zero future, the IEA did not include non-mineral materials. Balsa wood is one of these. Because of its light weight, it is highly coveted for the blades in giant wind turbines. Even though ‘balsa fever’ has only recently been an issue, it is already causing social and environmental problems in the Amazon.

A matter of scale
Most people don’t have the slightest idea of the impacts of large-scale mining. A single such mining project can easily impact thousands of hectares of land – land that can be covered in primary tropical forest harboring dozens of endangered species of animals and plants, as well as protecting key watersheds, and mitigating the effects of climate change. The same forested land could also be a major or potential tourist draw and provide drinking water to thousands. It could also be the source of food, fiber, medicines and building materials for local communities, and be held sacred by local populations.

Because of decreasing metal content found in most metal ores, which in the case of copper can be less than 0.5% (1,000 kg of ore yields 5 kg of pure copper), the environmental impacts are hard to imagine. In the case of the La Escondida copper mine in Chile’s Atacama desert, the tailings pond alone – which is used to store toxic waste from copper processing – measures 5,500 hectares (13,375 acres). The dams holding the tailings ponds are prone to collapse, and when they do they annihilate everything in their path. In 2019, for example, the collapse of the tailings dam at Samarco mining operations, owned by Brazilian company Vale, killed 270 Brazilians and devasted the river system in the vicinity of the town of Brumadinho. Four years earlier, a similar disaster killed 19 locals and wiped out the town of Bento Rodrigues, creating the worst environmental disaster in Brazil’s history. The toxic sludge reached the Atlantic Ocean, 660 kilometers away. Experts say it could take decades for the river system to recover, if at all. The mine was co-owed by BHP Billiton, the world’s largest mining corporation.

The dirty truth about clean energy metals
The low metal content in ores is accompanied by natural occurring contaminants. Heavy metals, like lead, arsenic and cadmium are almost invariably found alongside copper. Nickel ores are likewise contaminated with heavy metals.

Then there is the issue of scale. The largest open-pit operations can move almost one million tons of material (both ore and waste) per day. They do this 365 days a year. To break up the hard rock that these metals are found in, as well as to access the metals, millions of pounds of explosives are used. The Bingham Canyon copper mine in Utah, for example, uses 1,000 tons of explosives per day. And the deeper the miners have to go to access the metals, the more dire the environmental impacts.

Diesel is a key component of the most common blasting material, and the trucks that haul ore and waste can consume thousands of liters of diesel per day to transport the broken up mineralized subsoil to the surface for milling. And this is only for the extraction phase: the refining of metals like copper consume much more energy than the actual extraction. For these reasons, companies are reluctant to release their product’s real CO2 footprint, nor the amount of toxic substances dumped into the environment.

One could sum up the situation regarding mining and ‘green metals’ in one simple phrase from a 2020 United Nations Conference on Trade and Development report: “Most consumers are only aware of the ‘clean’ aspects of electric vehicles,” says Pamela Coke-Hamilton, UNCTAD’s director of international trade. “The dirty aspects of the production process are out of sight.”


Mining and Poverty
Then there is the issue of poverty. Mining for colbalt in the Democratic Republic of Congo (DRC) has not only created environmental disasters, but also fueled violent armed groups and debilitating corruption. The country, in spite of being rich in mineral resources, including cobalt and copper, is one of the world’s poorest.

Cases like that of the DRG, and Zaire, two important copper exporters, highlight a well-known curse associated with the dependence of developing countries on exporting raw minerals to rich ones. Niger, exporter of uranium, and Ghana exporter of gold, are both affected by high rates of poverty, just one aspect of the phenomenon that has come to be known as the natural resource curse: countries rich in natural resources are often afflicted by poverty, corruption, authoritarian governments, and violent conflict.

African nations are not alone in this. Bolivia, which has for centuries enriched other countries with its tin and silver, is still plagued by endemic poverty (and it has now opened itself up to lithium investments). Meanwhile, the some of the poorest Mexican municipalities are precisely where most gold mines are located. The same applies to the mining provinces in Peru.

These are the countries and sites that many companies had avoided because of political instability. But with demand for green energy metals raising their price, corporations are now willing to consider them as investment opportunities.

One deeply troubling aspect of the new green metal rush is that the miners and governments will keep going out of their way to avoid correctly valuing the other types of wealth within a mining concession, including the value that ecosystem services provide local communities and the world. Some of these are mentioned above, and include erosion prevention, regulating stream flows, biodiversity conservation, and ironically, mitigating the effects of climate change.

There is a reason for such perversity. For if mining companies were forced to put a real price tag on ecosystem services and all other kinds of wealth within a proposed mining project that would be negatively affected, the balance would be invariably tilt in favor of protecting these areas. As you can imagine, this kind of information is the last thing that mining companies and the buyers of their ‘green energy metals’ want to acknowledge, at least publicly

Getting Real
There is a real possibility that what I am presenting will be seen as alarmist and exaggerated. Let me bring it all home by using an example not too distant from where I live, the Intag region of northwest Ecuador. Approximately 15 kilometers away as the parrot flies, several transnational mining corporations have been trying to develop a large-scale open pit copper mine. The Llurimagua mining concession is within the Tropical Andes, the most diverse of the world’s Biodiversity Hotspots. It is covered in primary cloud forests, which not only protect dozens of species of animals facing extinction, but also 43 sources of rivers and streams.

All of this is in one mining concession of less than 5,000 hectares (12,500 acres). Some animals that make their home in the orchid-rich forest are critically endangered. These include a fish species and three frogs, two of which have been reported nowhere else on the planet. Several primates who live here are also on the list of endangered species, including the Brown-headed Spider Monkey, one of the most threatened primates in the world. Pumas, ocelots, and the Andean bear are likewise inhabitants of this biodiverse wonderland.

A 1990’s preliminary environmental impact study prepared by experts for a small copper mine in this area predicted that the mining operations would deforest so much land that the local climate would dry up. The study also predicted contamination of rivers with lead, arsenic, chromium and cadmium. Four communities would have to be relocated to make room for the mine and its accompanying infrastructure. The study did not analyze the impact to thousands of farmers who depend on rain for their livelihood.

Then, the following year, the company inferred that the copper deposit could be five times larger. In 2018, Codelco reported that the Llurimagua copper deposit could even be much, much larger. The Llurimagua area is not, by any means, unique.

These are precisely the biological and cultural jewels and human rights that the growing demand for green metals is putting at risk. Companies know this, and are taking steps to insulate themselves from the loss of reputation that will come from producing or buying metals from these sites. It is what is motivating mining corporations and the buyers of their products, including car manufacturers, to join organizations that will supply them with certificates of compliance with social and environmental standards. Instead of certifying the companies, the organizations certify individual mines, which means a company can sell its reputation based on one mine, but produce and sell dirty metals from the rest of its portfolio. Currently, there are dozens of these greenwashing outfits. Keep tuned because more are bound to sprout up in the coming months and years.

The main objective of this text is not to be alarmist, nor to prevent an energy transition. It is to draw attention to its peril and consequences. And, to motivate a serious discussion in order to avoid the impacts to people and the environment briefly detailed above.

The most important measures to take right now are to create red lines with local stakeholders in order to keep mining and other extractive industries out of these special sites. One of the most important is respecting the right of local populations to decide their own future. Consultations need to be genuine, and if consent is given for extractive activities, it needs to be done freely, without pressure and only after thoroughly knowing the proposed activities’ impacts. Sacred lands, biodiversity hotspots, native forests and habitats harboring endangered species must be off-limits to mining. Given that mining can contaminate water in perpetuity, projects that pose a risk of contaminating water sources with heavy metals or cancerous substances must be strictly prohibited. Mining too, has no place in the world’s seabeds or the Artic. These are just some of the no-go sites that governments must exclude from mining if we are not to aggravate the existing environmental crisis and create new ones.

More than enough damage has been done to cultures, species and whole ecosystems sacrificing them in the name of economic development. Now it is being done in the name of the clean energy transition. A transition that will be anything but clean if the materials come from these special places.

Isn’t that the same mentality that got us where we are today?