Mostrar mensagens com a etiqueta Canárias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Canárias. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de julho de 2025

Participação no 5.º ISA Forum of Sociology: Investigadoras destacam comunicação e justiça socioambiental em territórios insulares



Entre os dias 6 e 11 de julho de 2025, decorreu na Mohammed V University, Universidade Mohammed V, em Rabat, Marrocos, o 5.º ISA Forum of Sociology.  Ana Bijóias Mendonça* e Fátima Alves*, participaram neste encontro internacional com a apresentação de duas comunicações centradas nos desafios da comunicação, participação e justiça socioambiental em contextos insulares.

No dia 9 julho, na sessão dedicada às dinâmicas socioambientais, as investigadoras apresentaram a comunicação “Building Brighten Futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian regions”, onde partilharam resultados de investigação que sublinham a importância de abordagens colaborativas e culturalmente enraizadas na construção de futuros mais sustentáveis. O trabalho apresentado destaca:
  1. A relevância das racionalidades leigas e dos saberes locais como recursos fundamentais para enfrentar a crise climática;
  2. A urgência de ultrapassar a ilusão de inclusão e reforçar políticas de proximidade, verdadeiramente participativas;
  3. A necessidade de consolidar redes de atores como alicerces para processos de codecisão orientados para a justiça socioambiental;
  4. A importância de escutar, traduzir, comunicar e coconstruir soluções com todas as vozes que habitam os territórios.
Já no dia 11 de julho, foi apresentada a comunicação “Powering Communication and Societal Engagement with Climate Research and Policies in Insular Territories”, baseada num estudo de caso comparado entre a Região Autónoma da Madeira e a Comunidade Autónoma das Canárias. A investigação analisou os mecanismos de construção e disseminação do conhecimento sobre alterações climáticas, revelando que os discursos institucionais continuam a privilegiar abordagens top-down. Apesar da retórica participativa, persistem resistências por parte dos poderes institucionalizados do conhecimento, dificultando o envolvimento efetivo das comunidades locais e de outros atores territoriais. O trabalho evidenciou:
  1. As dissonâncias e contradições que envolvem a comunicação sobre desafios socioambientais globais, com maior expressão nos territórios insulares;
  2. A necessidade de implementar mecanismos de comunicação mais alargados, céleres e eficazes;
  3. A importância de fomentar processos verdadeiramente inclusivos, coparticipados e consequentes que possam coadjuvar a tomada de decisão.
A presença das investigadoras neste fórum internacional reforça o compromisso com uma ecologia do conhecimento que valoriza a pluralidade epistémica e promove uma transição justa, enraizada nos contextos locais e atenta à diversidade de vozes e experiências que compõem os territórios.

Os resumos podem ser consultados no link abaixo.

*Grupo de Investigação Sociedades e Sustentabilidade Ambiental do Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet, Laboratório Associado TERRA da Universidade de Coimbra e da sua Extensão na Universidade Aberta de Portugal


Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Building brighten futures: Knowledge and communication on socio-environmental topics in two Macaronesian Regions. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 120–120). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

Bijóias Mendonça, A., & Alves, F. (2025). Powering communication and societal engagement with climate research and policies in insular territories. Em 5th ISA Forum of Sociology «Knowing Justice in the Anthropocene»—Book of Abstracts (pp. 121–121). International Sociological Association (ISA). https://www.isa-sociology.org/uploads/imgen/2252-5th-isa-forum-of-sociology-abstracts-book.pdf

domingo, 30 de junho de 2024

Terá sido esta a primeira casa auto-sustentável?


Em 1995, o Estúdio José Luis Rodríguez Gil criou uma casa sustentável nas Ilhas Canárias, Espanha. Chamada “Casa em Urbanização Experimental Bioclimática”, o edifício tem 120 metros quadrados em contraplacado e foi cuidadosamente desenhada para optimizar a eficiência dos seus painéis solares no telhado, enquanto uma pedra de basalto ajuda o edifício a proteger-se do sol e do vento.

Utilizando apenas materiais locais como pedra e basalto, para além de madeira certificada, a casa acaba por ter uma pegada carbónica reduzidíssima. E são exactamente estes materiais permitem que a moradia se integre com o ambiente natural envolvente, bastante rígido, deixando o impacto visual ao mínimo possível – o mesmo não se pode dizer das turbinas eólicas presentes no local, mas elas são fundamentais para que a casa seja energeticamente independente.

O mais interessante deste projecto é ver que, há três décadas, um proprietário teve a visão e fez o investimento financeiro para desenhar uma moradia completamente auto-sustentável. As turbinas eólicas, ainda que esteticamente questionáveis, são cruciais para que este objectivo se cumprisse, assim como os painéis fotovoltaicos.

Os materiais escolhidos também ajudam a maximizar a eficiência energética. Isto tudo em 1995, quando a reciclagem ainda era um termo desconhecido para a Europa do Sul, quanto mais as renováveis.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Na altura em que abandonam o ninho, 90% dos cagarros já têm o estômago cheio de plástico, mostra estudo do Instituto Okeanos


Trabalho baseado em necropsias a mais de 1100 aves, uma amostra especialmente robusta, eleva esta espécie marinha à categoria de bioindicador
Com o seu grito esganiçado, os cagarros são uma marca das noites de verão açorianas. Esta ave marinha, que nidifica em Portugal e Espanha, em concreto nos arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias, ganharam agora um novo estatuto, graças ao trabalho de uma equipa do Instituto de Investigação em Ciências do Mar – Okeanos – da Universidade dos Açores.

Num estudo publicado na revista “Environment International“, o cagarro (Calonectris borealis) surge, pela primeira vez, como um indicador do lixo marinho no Atlântico Norte, ajudando a perceber quais as tendências na presença de plásticos nesta região do oceano.

Este título de bioindicador não surgiu do nada. É antes o resultado de um trabalho de quase nove anos e mais de 1100 necropsias a cagarros juvenis e no qual os investigadores descobriram que mais de 90% dos juvenis desta espécie, quando abandonam o ninho, já contém partículas plásticas nos seus estômagos. Um dos valores mais altos encontrados, quando comparado com outras espécies de cagarros noutras regiões.

O método mais simples de monitorizar a quantidade de plásticos a circular no mar é por amostragem. “Mas não é um método tão bom”, diz à Exame Informática a investigadora responsável pelo estudo, Yasmina Gonzalez. É mais rigoroso e oferece mais informação a pesquisa deste material no sistema digestivo de espécies chave. A tartaruga, por exemplo, é uma delas. Só que no Atlântico Norte não são assim tão comuns. É por isso que o grupo de estudo do lixo marinho do Okeanos começou a pensar nos cagarros como um veículo de monitorização do problema. “Trata-se de espécies que acumulam plástico e que também são vítimas da contaminação luminosa”, justifica Yasmina.

Com uma passagem muito estreita entre a parte principal do estômago e a moela, nos cagarros as pequenas partículas de plástico vão-se acumulando, em vez de serem regurgitadas, como acontece noutras espécies de aves. Sendo assim, as micropartículas vão-se acumulando e formando pedaços maiores e bem visíveis (como se pode ver nas fotos).

Quando saem do ninho, os juvenis ficam atarantados com as luzes das cidades e apesar de serem alvo de campanhas de proteção, como a SOS Cagarro, alguns acampam por morrer com os embates. São estas vítimas da poluição luminosa que têm vindo a ser necropsiadas, desde 2015, o que resultou num dos estudos de maior amostra e mais robustos que já foi feito, sublinha a investigadora. “Este é um estudo de grande relevância pois apesar de recentemente terem sido propostas diferentes espécies como bioindicadores de lixo marinho no oceano, até agora poucas se baseavam em análises exaustivas que permitissem a sua aceitação efetiva”, detalha.

“O facto destes juvenis conterem plásticos nos estômagos, mesmo antes de se alimentarem por si próprios, indica que os plásticos são ingeridos durante o processo de alimentação pelos progenitores, durante o seu crescimento no ninho”, detalha-se em comunicado de imprensa. “Os juvenis vítimas da poluição luminosa oferecem uma amostra não invasiva, facilmente acessível, o que os torna cientificamente úteis, a longo prazo, para programas de monitorização do lixo marinho, implementadas pelos Governos destas Regiões Autónomas de Portugal e de Espanha, no quadro das políticas europeias, nomeadamente da Diretiva Quadro Estratégia Marinha”, explica Christopher Pham, do Instituto OKEANOS, supervisor do estudo e investigador responsável pela equipa que estuda os impactos do lixo marinho no bom estado ambiental do oceano.

Nos cagarros açorianos, a média de partículas encontradas foi de 10 por cada animal, nas Canárias foi ainda mais, 28, revela Yasmina Gonzalez. Além da diferença em termos de quantidade, também é percetível a diferença na origem, com “mais elementos que vêm da pesca” na população do arquipélago espanhol.

Com base neste trabalho, a equipa do Okeanos pretende agora propor um novo limite considerado aceitável para a presença de plásticos nestas espécies marinhas. Mas de pouco adianta legislar se os comportamentos não se alterarem. “O problema não é o material em si, o material é valioso. O problema é o seu uso único. Temos de ser mais críticos e conscientes na utilização”, recomenda.

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

23 de Novembro – Um dia dedicado à Floresta Autóctone


A 23 de novembro celebra-se o Dia da Floresta Autóctone, uma data estabelecida para promover a importância de preservar e plantar espécies que fazem parte do património natural.

Este dia foi escolhido como alternativa ao Dia Mundial da Floresta (21 de março), criado originalmente para países do norte da Europa, que têm nessa altura melhores condições para a plantação de árvores. Na Península Ibérica, as condições climatéricas do mês de novembro, com temperaturas mais baixas e alguma precipitação, são mais favoráveis para a plantação de árvores.


De acordo com a Quercus, a plantação de árvores em Portugal, durante a primavera, apresentam frequentemente um baixo sucesso associado ao aumento das temperaturas e redução das chuvas que se faz sentir com a proximidade do verão.

O que é a Floresta Autóctone?
A Floresta Autóctone consiste numa floresta de árvores originárias do próprio território.

A floresta autóctone portuguesa é toda a floresta formada por árvores originárias do nosso país, como é o caso dos carvalhos, dos medronheiros, dos castanheiros, dos loureiros, das azinheiras, dos azereiros, dos sobreiros.

Qual a importância das florestas autóctones?
  1. Estão mais adaptadas às condições do solo e do clima do território, por isso são mais resistentes a pragas, doenças, longos períodos de seca ou de chuva intensa, em comparação com espécies introduzidas;
  2. Ajudam a manter a fertilidade do espaço rural, o equilíbrio biológico das paisagens e a diversidade dos recursos genéticos;
  3. Fazem parte do nosso ecossistema. São importantes lugares de refúgio e reprodução para um grande número de espécies animais autóctones, muitas delas também em vias de extinção;
  4. Exercem um importante papel na redução do efeito estufa;
  5. Regulam o ciclo hidrológico e a qualidade da água;
  6. Embora de crescimento mais lento, são normalmente mais resistentes e resilientes aos incêndios florestais.

72% da floresta portuguesa é composta por espécies florestais autóctones
Em Portugal, as árvores autóctones representam cerca de 72% da floresta, uma percentagem que é composta principalmente por espécies como o pinheiro-bravo (Pinus pinaster), o sobreiro (Quercus suber), a azinheira (Quercus rotundofila) e o pinheiro-manso (Pinus pinea). Juntas, estas quatro espécies representam 61% da área florestal total em Portugal continental (ICNF, 2017).

Mas estas árvores estão longe de ser casos únicos. Segundo os dados do GlobalTree Portal, Portugal tem 103 espécies de árvores autóctones. Esta lista inclui espécies menos conhecidas, como o pau-branco (Picconia azorica), endemismo açoriano  ou o marmulano (Sideroxylon mirmulans), um endemismo madeirense, das Canárias e Cabo Verde e outras mais conhecidas, como a aveleira (Corylus avellana), a alfarrobeira (Ceratonia siliqua), o freixo (Fraxinus angustifolia), o choupo-branco (Populus alba) ou o salgueiro-branco (Salix alba).

Ainda de acordo com o GlobalTree Portal, das 103 espécies nativas, 9 estão em risco global de extinção e uma está classificada como “possivelmente ameaçada”.

Como cuidar e manter as espécies autóctones?
Cuidar e manter espécies autóctones, sobretudo as que estão em maior risco, implica:
  1. Gerir os habitats existentes;
  2. Recuperar paisagens degradadas e reforçar a presença destas espécies através de ações de plantação;
  3. São também fundamentais as ações ex-situ, ou seja, fora dos habitats naturais, criando capacidade de conservação de biodiversidade e evitando a extinção das espécies mais vulneráveis.
A participação e colaboração de todos é fundamental para que a nossa floresta autóctone esteja cada vez mais protegida. Todos podemos contribuir para a preservação e expansão das nossas espécies indígenas!

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Deu-me agora uma saudade de Cabo-Verde

Deu-me agora uma saudade de Cabo-Verde. Canárias, Marrocos e Guiné-Bissau. Quem vai a África fica DEFINITIVAMENTE marcado: é o colorido, o calor, o Sol que é diferente, o mar, as gentes. Apaixonamo-nos para a vida. Depois à noite, além de quente, é um estrelário faíscante. E muitos afectos.

Não sei bem o que fazer
Nem sei como te dizer
Cada vez que me chegas me sinto mais longe de ti
Teu pudor foi transmitido
E será neutralizado
Teu pudor foi transmitido

Não importa o quanto faça
Pouco importa a cor do ouro
Na corrida ao teu afeto
A medalha sempre é bronze
Sou órfã da tua ternura

Muito me salta à vista
Quando chegas reta e firme
Que pouco posso fazer para te fazer mudar?
Teu pudor foi transmitido
E será neutralizado
Teu pudor foi transmitido

Se soubesses abraçar
De vez em quando beijar
E aos recantos imperfeitos
Com menos rigor apontar
Quem seria eu?
Sou órfã da tua ternura

Quando estamos tu e eu
E ao meu lado adormeces
Um oceano nos separa
Mas tu não sabes de nada
A canção que se repete
A tristeza que me cala

O amor foi recebido
Apesar do que tu calas
O amor foi recebido
Apesar do que tu calas