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quinta-feira, 25 de abril de 2024

Esforços de conservação estão a travar a perda de biodiversidade


Os esforços globais de conservação das últimas décadas têm conseguido abrandar a perda de biodiversidade e evitar extinções, segundo uma revisão científica publicada pela The Royal Society.

O estudo, que envolveu investigadores australianos e internacionais, procurou responder a três questões centrais: se a conservação tem reduzido as taxas globais de extinção, se tem permitido recuperar populações anteriormente em declínio e qual o progresso na proteção de áreas naturais a nível mundial.

Apesar de reconhecerem que o estado atual da biodiversidade é “grave”, os autores defendem que há um desfasamento entre narrativas que anunciam uma catástrofe planetária iminente — frequentemente descrita como a “sexta extinção” — e as evidências científicas documentadas sobre sucessos e falhas concretas das políticas de conservação.

Extinções evitadas e populações recuperadas
De acordo com a análise, existem provas de que medidas de conservação impediram a extinção de várias espécies e contribuíram para a recuperação de algumas populações outrora em declínio.

Além disso, a área global de territórios protegidos — tanto em terra como no oceano — tem aumentado de forma consistente. Em muitos casos, essas áreas têm sido designadas em locais considerados estratégicos para reduzir o risco de extinção e favorecer a recuperação de espécies ameaçadas.

Falta medir melhor o que resulta
Os investigadores sublinham, no entanto, que persistem lacunas significativas no conhecimento sobre a dimensão real da perda de biodiversidade. Defendem que o sucesso futuro dependerá da definição de métricas claras e transparentes que permitam avaliar, de forma rigorosa, o que funciona e o que não funciona em matéria de conservação.

Mais do que adotar discursos alarmistas, argumentam, será essencial reforçar a monitorização, melhorar os critérios de seleção de áreas protegidas e investir em políticas baseadas em evidência científica sólida.

A conclusão é cautelosamente otimista: embora a crise da biodiversidade seja real e preocupante, os dados disponíveis mostram que a conservação pode produzir resultados concretos — e que esses resultados tendem a ser mais eficazes quando acompanhados por avaliação sistemática e objetivos bem definidos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Da escravidão à independência com o cacau no Sul da Bahia


O assentamento Dois Riachões, no Sul da Bahia (Brasil), é o tema do documentário realizado pelo fotógrafo Fellipe Abreu e pela jornalista Patrícia Moll.

«Meu avô nunca comeu chocolate, nunca, quem comia era o coronel. Ele morreu sem saber o que era chocolate», diz o agricultor Edivaldo dos Santos na curta-metragem.

«Eu quebrei muito cacau e eu não tinha direito de chupar um caroço de cacau, porque o cabo de turma estava do nosso lado, vigiando tudo», afirma, por seu lado, Luiza Batista.

Edivaldo, Luiza e outros 150 agricultores que vivem no assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, romperam com o ciclo tradicional de produção praticado pelos herdeiros dos coronéis das fazendas da Bahia, apostando numa produção agroecológica que tem sido referência para outras comunidades que lutam pela reforma agrária no Brasil, indica o Brasil de Fato.

Ligados à Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados (Ceta), os agricultores ocuparam o local em 2007, mas só em 2018 se verificou a regularização da terra. Além do cacau, no assentamento produzem frutas, hortaliças e grãos.

Teresa Santiago, agricultora em Dois Riachões, explica que a agroecologia é a base de todo o processo, e que a comercialização é um dos tripés da sua luta. Os agricultores conseguem escoar a produção nas feiras, com vendas directas ao consumidor e através de programas federais como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Programa Nacional de Alimentação Escolar.

No entender da agricultora, a liberdade foi construída a partir da luta pela terra, quando passaram a ser donos do lote e da produção.

«Você deixa de ser oprimido, deixa de ter ali alguém que vai mandar dizer o que você vai fazer para outra maneira de viver e construir colectivamente a luta pela terra. No documentário, quando a gente fala da soberania, é a soberania em todas as suas vertentes, seja social, alimentar, na questão ambiental, produtiva e económica», afirma.
Melhoria de condições de vida, trabalho colectivo e defesa do ambiente

Fellipe Abreu, um dos realizadores, explica que, durante as gravações do documentário, eles puderam acompanhar as mudanças na comercialização, como as amêndoas de cacau passaram a ter mais valor e como os agricultores construíram uma fábrica de chocolate no assentamento, tendo inclusive lançado a marca «Dois Riachões».

Patrícia Moll diz que a ideia do documentário surgiu por não ser uma história conhecida e pelo facto de o chocolate ser algo universal que interessa a diversas culturas. Do que viu, destacou a organização e o trabalho colectivo das famílias.

«Eles fazem tudo juntos, passam o dia na roça do seu Fulano, depois vão para a roça do seu Beltrano, sempre se divertindo e cantando enquanto fazem a quebragem. Também é lindo ver eles terem conseguido conquistar essa soberania alimentar e hoje cozinharem e produzirem os próprios alimentos e finalmente poderem comer o próprio chocolate», afirmou a realizadora.
O cacau faz parte da história do Brasil e no Sul da Bahia é um dos principais produtos agrícolas. A produção de cacau cabruca de Dois Riachões é tida como exemplo de aliada da conservação ambiental, na medida em que tem em conta não só a produção do alimento livre de tóxicos, como a preservação de espécies florestais nativas, a manutenção dos recursos hídricos e da fauna local.

«O sistema cabruca de produção de cacau não derruba a mata nativa, ele coexiste junto com ela. Se você olhar para uma lavoura de cacau cabruca, você vê a Mata Atlântica por cima e o cacau por baixo», comenta Fellipe Abreu.

O documentário, co-produzido de forma independente, é a primeira curta de Patrícia Moll e Fellipe Abreu juntos. A ideia, segundo refere o Brasil de Fato, é que a obra, já premiada em vários festivais, ajude a viabilizar outros projectos semelhantes com o olhar voltado para o mundo rural, a agricultura familiar e a cultura alimentar do Brasil.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Documentário- O Lado Negro do Chocolate (Shady Chocolate)



O chocolate que consumimos é produzido com o uso de trabalho infantil e tráfico de crianças?

O premiado jornalista dinamarquês, Miki Mistrati, decide investigar os boatos. Sua busca atrás de respostas o leva até Mali, na África Ocidental, onde câmaras ocultas revelam o tráfico de crianças para as plantações de cacau da vizinha Costa do Marfim. A Costa do Marfim é o maior produtor de cacau, respondendo por cerca de 40% da produção mundial. Empresas como a Nestlé, Barry Callebaut e Mars assinaram em 2001 o Protocolo do Cacau, comprometendo-se a erradicar totalmente o trabalho infantil no sector até 2008. Será que o seu chocolate tem um gosto amargo? Acompanhe Miki até a África para expor "O Lado Negro do Chocolate".

As 7 marcas de chocolate que utilizam cacau proveniente de trabalho escravo infantil são:

Hershey
Mars
Nestlé
ADM Cocoa
Godiva
Fowler’s Chocolate
Kraft

sábado, 21 de janeiro de 2012

Documentário: O lado Negro do Chocolate ( The Dark Side Of Chocolate) - 2010


O documentário 2010 The Dark Side of Chocolate alega que as compras da Nestlé grãos de cacau de plantações da Costa do Marfim que usam trabalho escravo infantil. As crianças são geralmente de 12 a 15 anos de idade, e alguns são traficadas de países vizinhos. As primeiras alegações de que a escravidão infantil é utilizado na produção de cacau apareceu em 1998. No final de 2000, um documentário da BBC relataram o uso de crianças escravas na produção de cacau na África Ocidental. Outros meios de comunicação seguiram, relatando generalização de crianças escravas e tráfico de crianças na produção de cacau. Em setembro de 2001, Alford Bradley, presidente e CEO da Nestlé e EUA, assinaram o Protocolo Harkin-Engel (comumente chamado de Protocolo do Cacau), um acordo internacional que visa a erradicação do trabalho infantil na produção de cacau. Em 2005, após a indústria do cacau não tinha conhecido o Harkin-Engel prazo protocolo para certificação das piores formas de trabalho infantil (de acordo com a Organização Internacional do Trabalho da Convenção 182) havia sido eliminado da produção de cacau, a Organização Internacional do Trabalho Fundo de Direitos apresentou uma ação judicial em 2005, sob a Alien Tort Claims Act contra a Nestlé e outras em nome dos três filhos do Mali. A ação alegou às crianças que foram traficadas para a Costa do Marfim, forçadas à escravidão e experiências de espancamentos frequentes em uma plantação de cacau. Em setembro de 2010, o EUA Tribunal do Distrito Central da Califórnia, determinou que a corporação não pode ser considerada responsável por violações do direito internacional e encerrou o processo. O caso foi objecto de recurso para o Tribunal de Apelação dos EUA. A 2009 operação policial conjunta realizada pela Interpol e agentes de aplicação da lei de Costa do Marfim resultou no resgate de 54 crianças e a prisão de oito pessoas envolvidas no recrutamento ilegal de crianças.