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segunda-feira, 20 de abril de 2026

A Ilusão Verde: A Desbiologização do Vegetal na Era do Antropoceno

Introdução
Na civilização contemporânea, o verde tornou-se a cor predileta do marketing global. Das fachadas dos arranha-céus urbanos aos relatórios de sustentabilidade corporativa, o mundo vegetal é constantemente evocado como a salvação do planeta. Contudo, sob esta aparente celebração, esconde-se um fenómeno alarmante denunciado pelo ecólogo Carlos M. Herrera no Blog AEET: a desbiologização do vegetal. Este conceito descreve um processo cultural e semântico em que as plantas são progressivamente despidas da sua identidade como seres vivos complexos, dinâmicos e evolutivos, sendo reduzidas a meras infraestruturas funcionais, mercadorias ou elementos de decoração.

O redutivismo funcional: da vida à infraestrutura
O cerne da desbiologização reside na transformação de organismos vivos em métricas económicas e utilitárias. Na linguagem política e económica atual, as florestas já não são vistas como ecossistemas dinâmicos gerados por milhões de anos de seleção natural; em vez disso, são rebatizadas como "sumidouros de carbono", "infraestruturas verdes" ou "capital natural".

Este vocabulário, que funciona como uma forma de anestesia social, despoja o vegetal da sua essência biológica. Ao focar a atenção pública exclusivamente na capacidade de uma árvore sequestrar dióxido de carbono ou conter a erosão, a sociedade ocidental comete um erro categórico: confunde a função ecológica de um organismo com a sua totalidade existencial. Uma planta não existe para servir o ser humano ou mitigar os excessos da indústria; ela existe como o resultado de uma linhagem evolutiva própria, marcada por complexas interações ecológicas com polinizadores e dispersores.

[Visão Tradicional] -> Ecossistema complexo, evolução e biodiversidade. vs. 
[Visão Desbiologizada] -> "Massa", créditos de carbono e infraestrutura útil.

A amnésia evolutiva e a cegueira botânica
A desbiologização alimenta-se e, ao mesmo tempo, aprofunda a chamada cegueira botânica (plant blindness) - a incapacidade humana de notar as plantas no seu próprio ambiente. Ao tratar os vegetais através de termos homogeneizadores como "massa florestal", ignora-se a complexidade subindividual, a variação genética e as intrincadas redes que ligam as plantas aos seus ecossistemas.

Quando a opinião pública é anestesiada por este reducionismo, torna-se fácil justificar o extrativismo acientífico. Se uma floresta antiga é vista apenas como um armazém de carbono, a lógica tecnocrática sugere que ela pode ser cortada e substituída por uma plantação homogénea de árvores exóticas de crescimento rápido, desde que a "métrica de carbono" seja compensada. Esta visão ignora que a biodiversidade, a história evolutiva e as relações tróficas daquela comunidade original são insubstituíveis. O declínio no conhecimento e na educação botânica nas academias agrava este cenário, distanciando os cidadãos da realidade ecológica básica.

Conclusão: recuperar a biologia do verde
A desbiologização do vegetal é, em última análise, um reflexo do antropocentrismo radical que carateriza a crise climática atual. Para reverter este cenário, não basta plantar árvores de forma indiscriminada sob a bandeira de uma sustentabilidade cosmética. É urgente resgatar o olhar científico que reconhece as plantas como agentes ativos da biosfera. Romper com a anestesia social exige rejeitar o jargão que transforma a natureza num balanço contabilístico corporativo e redescobrir o vegetal na sua plenitude biológica: como um organismo vivo, vulnerável, em constante evolução e dotado de uma dignidade ecológica intrínseca.

Referências Bibliográficas
Herrera, C. M. (2026). Desbiologizar lo vegetal. Asociación Española de Ecología Terrestre.
Herrera, C. M. (2008). Evolución de las relaciones entre plantas y polinizadores. Real Academia Sevillana de Ciencias. 
Stroud, S., Fennell, M., & Mitchley, J. (2022). The botanical education extinction and the fall of plant science. Plants, People, Planet, 4(6), 551-562. 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

O futuro será verde ou não será - a lição de Mancuso


Stefano Mancuso, botânico italiano e um dos maiores especialistas em neurobiologia vegetal, afirmou recentemente, em entrevista à Lusa, que os humanos deveriam aprender com as plantas a resolver problemas, em vez de fugir deles.

Mancuso recordou uma evidência antiga. As plantas não fogem, transformam o lugar onde estão. Essa imobilidade criativa, resultado de milhões de anos de evolução, encerra uma lição de enorme atualidade. Num mundo que procura soluções tecnológicas para todos os males, é nelas que se encontra a sabedoria de permanecer, adaptar e regenerar.
Concordar com Stefano Mancuso é reconhecer uma evidência que se tem tornado impossível de ignorar. Serão as plantas, e não a tecnologia, a oferecer soluções para a resolução de alguns dos maiores problemas da humanidade. Esta é uma afirmação que fere a vaidade moderna, habituada a ver nas máquinas a extensão gloriosa do cérebro humano. E, no entanto, tudo na história da Terra aponta para o contrário.

Muito antes de existirem ferramentas, cidades ou linguagem, os organismos fotossintéticos já haviam criado o oxigénio que respiramos, e as plantas contribuíram para estabilizar o solo e os ciclos que permitem a vida. Quando o homem ainda era sonho, elas já trabalhavam em silêncio na arquitetura do planeta.

A neurobiologia vegetal, campo que Mancuso ajudou a fundar, revela o que a intuição antiga já pressentia. As plantas processam informação, comunicam, ajustam respostas e resolvem problemas sem precisar de cérebro, através de mecanismos fisiológicos e bioquímicos.

Cada raiz, cada folha e as redes subterrâneas da rizosfera, onde fungos micorrízicos e bactérias simbióticas ligam plantas, funcionam como um tecido vivo de processamento e troca. Nesta descentralização está a sua força.

Enquanto a civilização humana constrói sistemas hierárquicos e frágeis, onde a queda de um centro pode paralisar o todo, as plantas operam numa estrutura descentralizada e resiliente. A raiz que morre não compromete o organismo, porque outras se estendem, outras aprendem, outras ocupam o vazio.

Esta lição de organização descentralizada desfaz a crença ingénua de que a tecnologia, criação habitualmente vertical e centralizada, pode substituir a sabedoria dos sistemas vivos. Um algoritmo pode processar dados, mas não compreende a textura da interdependência.

Uma máquina pode reproduzir formas, mas desconhece o ritmo paciente com que a vida se refaz. As plantas, pelo contrário, vivem no tempo longo da Terra. Não correm, não consomem, não conquistam. Regeneram.

É esta paciência vegetal que o homem perdeu. A era digital, com o seu ruído incessante, fez-nos confundir velocidade com progresso. O crescimento tornou-se uma corrida, o desenvolvimento uma métrica de exaustão. As plantas mostram-nos outro caminho. Crescem devagar, mas nunca em vão.

O carvalho que demora décadas a atingir a sua copa é o mesmo que cria sombra, abrigo, alimento e estabilidade para tudo o que o rodeia. Nenhum servidor informático, por mais potente, produzirá jamais uma floresta.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

A Nação das Plantas

Existe uma nação sem hierarquias ou fronteiras onde é proibido o uso de recursos naturais não renováveis. É a “Nação das Plantas”, cuja Constituição foi escrita pelo botânico italiano Stefano Mancuso.

Ver as coisas do ponto de vista das plantas é revolucionário. Somos quase o oposto delas. Nós consumimos energia e recursos. Elas produzem. Nosso organismo é concentrado e hierárquico. O delas é difuso, em rede. Fizemos o mundo à nossa imagem: todas as organizações são hierárquicas, há sempre uma “cabeça” no topo que toma todas as decisões. Isso é muito ineficiente. As plantas não têm nada que se compare ao nosso cérebro. Funcionam em rede, como a internet. Todas as decisões são tomadas localmente.

“A Nação das Plantas” imagina uma Constituição vegetal.
A Constituição das plantas tem oito artigos. O primeiro afirma que a nação das plantas reconhece a Terra como o lar comum de toda a vida e que todo ser vivo é soberano. A nação das plantas não reconhece nenhuma hierarquia ou fronteiras e proíbe o consumo de quaisquer recursos que não sejam renováveis para as próximas gerações.

Sobre o Autor
Stefano Mancuso nasceu em 1965, em Catanzaro, na Itália. É formado pela Università degli Studi di Firenze (UniFI). Em 2005, fundou o LINV – International Laboratory of Plant Neurobiology, um laboratório dedicado à neurobiologia vegetal, que explora a sinalização e a comunicação entre plantas em todos os seus níveis de organização biológica. Em 2012, participou do projeto Plantoid e projetou um robô para que agisse e crescesse como uma planta. Em 2014, ele abriu, na UniFI, uma start-up dedicada à biomimética vegetal, ramo que envolve artefatos tecnológicos imitando determinadas capacidades das plantas, e desenvolveu um modelo de estufa flutuante chamado “Jellyfish Barge”. É considerado um dos expoentes da neurobiologia vegetal. Publicou, entre outros, os livros, "Revolução das plantas", "A incrível viagem das plantas" e "Planta do mundo"

domingo, 18 de junho de 2023

Peter Wohlleben- Se encararmos as florestas como meras plantações de árvores, no futuro teremos somente “desertos”


Quando se fala de alterações climáticas, as florestas são sobretudo vistas como reservatórios de carbono. Defende que elas são muito mais do que isto: têm um papel importante no clima, no arrefecimento, nas chuvas e ciclo da água. Isto tem sido ignorado?
Sem dúvida. Tudo o que vemos de momento é o debate sobre queimar madeira em centrais de carvão por causa das fortes acções de lobbying da indústria florestal naquilo que é tido como neutralidade carbónica. O principal efeito das florestas é a influência no clima local e isso já foi escrito em 1831. É sabido há muito tempo e toda a gente pode senti-lo nos jardins, nos parques das cidades, mas tem sido sempre desconsiderado.

Em Portugal há muita discussão sobre o eucalipto – que é a árvore mais comum no nosso território e também uma das que mais arderam nos últimos anos –, sobretudo pela relação com os incêndios florestais. Concorda? Deveria haver mais variedade de árvores, sobretudo autóctones?
Estas alterações contam muito. As florestas naturais, primitivas, consistem sobretudo de diferentes espécies de carvalho e outras, que não ardem tanto nos incêndios florestais. Por natureza, estes incêndios eram um fenómeno muito raro. As plantações de pinheiros, por exemplo, aumentam o perigo de incêndios florestais e o eucalipto ainda é pior. Vemos estas temperaturas elevadas em incêndios florestais em zonas de eucaliptos, que até derretem carros e blocos de alumínio. Não é nada como teríamos num incêndio florestal ‘natural’. Portanto, são inteiramente causados pelos humanos.



Em termos de gestão florestal, qual é a melhor maneira de prevenir incêndios florestais?
A melhor maneira de prevenir é ter mais florestas naturais. Nas florestas naturais temos mais biomassa – que é o principal factor na questão do arrefecimento e da chuva –, mais árvores velhas, com cascas mais grossas, muito mais madeira morta. E há quem pense que florestas com uma maior quantidade de madeira morta ardem mais facilmente, mas é ao contrário. Há arvores que estão completamente repletas de água, mesmo em alturas mais áridas de Verão, portanto funcionam como uma esponja. Esta madeira morta em florestas naturais dificilmente arde. Tudo junto: ter mais florestas naturais, mais florestas húmidas, ter mais chuva nestas florestas. Devíamos olhar para os efeitos das florestas no clima local e menos para a madeira.

Entrevista Público ao escritor e guarda-florestal Peter Wohlleben. 1 de Maio de 2022

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Livro - "Goodbye Phone, Hello World" de Paul Greenberg

Nesta conferência a investigadora  Suzanne Simard mostra como as árvores se comunicam umas com as outras, mesmo sendo de espécies e sistemas diferentes. Elas formam uma rede de comunicação semelhante ao das redes de neurónios do nosso cérebro e a sincronicidade do universo.


"The more we learn about the lives of the life around us the more we see how narrow the digital peephole tech has given us to nature. Why does a tree bearing one taxonomic name sometimes communicate with a tree of another name beneath the soil’s surface? Why do trees send out chemical signals into the air that seem to be understood by the forest at large? Why does our own blood pressure drop when we find ourselves in the company the coniferous and deciduous, our own troubled thoughts outnumbered by the seemingly better wishes of the woods?
We don’t know. And we can’t come to know by LeafSnapping our way through nature. For that kind of understanding we need to spend time with a wisdom that is bigger than the most powerful microprocessor. Dull as it might seem in the moment, getting to really know the lives of organisms as they live them might just lead us to a more exciting understanding of our place in the universe.
And so, next time you’re in the woods, try putting your phone in your pocket. Better yet, leave it at home. If a moment of boredom washes over you, let it wash. The forest is waiting to bathe you with a different kind of tonic. But to get that particular bath, you have to be naked enough to receive the waters."- Paul Greenberg

Disconnect- Connect with Nature- Respect- Wisdom- Forests.

domingo, 10 de abril de 2022

Documentário: Árvores Inteligentes


Árvores Inteligentes (Trailer) from Dorcon Film on Vimeo.

Documentário que explora a forma como as árvores comunicam entre si, a partir das observações de um engenheiro florestal e do microscópio de uma cientista.

As árvores conversam, conhecem laços familiares e cuidam de seus filhos? Isso é estranho demais para ser verdade? A cientista Suzanne Simard (Universidade de British Columbia, Canadá) e o autor alemão Peter Wohlleben vêm observando e investigando a comunicação entre as árvores ao longo de décadas. E as suas descobertas são surpreendentes.

As árvores são muito mais do que fileiras de madeira à espera de serem transformadas em móveis, edifícios ou lenha. São mais do que organismos que produzem oxigénio ou limpam o ar para nós. São seres individuais que têm sentimentos, conhecem a amizade, têm uma linguagem própria e cuidam uns dos outros. Este documentário explora as várias maneiras pelas quais as árvores se comunicam entre si a partir das observações de um engenheiro florestal, bem como através do microscópio de uma cientista.

“Se os temas de harmonia, conexão e colaboração entre humanos e árvores no filme Avatar o inspiraram, fique por perto. Essa ficção foi inspirada, em parte, por árvores da vida real ... Mas há mais. Muito mais. E tem implicações globais para todos nós.” (Rachel Clark, Psychology Today).

“Juntos, Wohlleben e Simard são uma equipa dos sonhos das árvores." (Melissa Breyer, "Trees Can Form Bonds Like an Old Couple and Look After Each Other", Treehugger.com).

Página Oficial

Saber mais:
Biografias
Páginas Oficiais

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Palestra: Inteligência em plantas e a importância dos estudos em neurobiologia vegetal


As plantas despertam o fascínio do ser humano há séculos e cada pessoa, cientista ou não, tem uma visão sobre elas, que no geral remete a seres vivos passivos com respostas pré-programadas ao longo de milhões de anos de evolução. Talvez isso se deva pelo fato delas estarem presas a um substrato e sujeitas a ação de fatores bióticos e abióticos. Mas justamente por essa situação, as plantas, desde as mais simples até as mais complexas, tiveram que se adaptar as condições ambientais para poderem prosperar no planeta. Para tanto, seu metabolismo essencial à manutenção da vida foi além da produção de compostos orgânicos, até atingir um grau para lidar com informações do ambiente e do seu conjunto de células exibindo isso como um comportamento complexo, de tomada de decisões e resolução de problemas culminando em um ser inteligente dentro do contexto vegetal. Nessa revisão, apresentamos a perspectiva neurobiológica de estudo das plantas e o surgimento da Neurobiologia Vegetal e seu início no Brasil e no mundo. Apresentamos uma visão integrada da sinalização em plantas, a ocorrência de neurotransmissores e sinais elétricos bem como inteligência vegetal e a comunicação entre plantas e outros organismos. A Neurobiologia Vegetal tem contribuído para uma mudança na forma como vemos as plantas e nos posicionamos diante delas enquanto seres vivos e com o ambiente a nossa volta. Enquanto ciência, a Neurobiologia transcende os limites das ciências vegetais e atinge o interesse das ciências humanas, por nos fazer refletir sobre o nosso lugar no planeta.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Comunicação entre plantas permite alertar contra perigos

Fonte: aqui

Uma nova pesquisa de cientistas da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, mostra que plantas conseguem se comunicar entre si quando são atacadas por pragas.

O estudo mostra que elas compartilham mensagens na forma de produtos químicos transportados pelo ar, conhecidos como compostos orgânicos voláteis (COVs), responsáveis por transferir informações entre as plantas.

A equipe de Andre Kessler, professor de ecologia e biologia evolutiva na Universidade Cornell, analisou a Solidago altissima, uma espécie botânica nativa do nordeste americano, e monitorou o impacto de um herbívoro específico: o besouro Trirhabda canadensis.

A grande descoberta é o que Kessler chama de “comunicação de canal aberto”. Quando as plantas estão sob ataque, seus cheiros — transportados por COVs — se tornam mais semelhantes.

“Então, elas meio que convergem para a mesma linguagem, ou para os mesmos sinais de alerta, a fim de compartilhar informações livremente”, diz Kessler. “A troca de informações se torna independente do nível de relação de uma planta com sua vizinha”.

A pesquisa constatou que plantas vizinhas recebem alertas de COVs e se preparam para a ameaça, que pode ser, por exemplo, uma praga de insetos.

“Vemos frequentemente que as plantas mudam seu metabolismo quando são atacadas por patógenos ou herbívoros”, diz Kessler. “Mas não é uma mudança aleatória — na verdade, essas mudanças químicas e metabólicas também as ajudam a lidar com esses agressores. É algo muito parecido com o nosso sistema imunológico: embora as plantas não possuam anticorpos como nós, elas podem se defender usando recursos químicos danosos.”

Esses recursos químicos incluem compostos defensivos. Alguns dos COVs, por exemplo, podem atrair insetos predadores, ou parasitóides, que matam os herbívoros agressores e salvam a planta.

As descobertas podem ter aplicações práticas em todo o mundo.

“Há muito tempo, aos humanos pensam em usar as interações planta-planta na agricultura orgânica para proteger as plantações, especialmente quando há mais de uma espécie plantada no mesmo local”, diz Kessler. “Estamos envolvidos em um trabalho de um sistema no Quénia — chamado ‘push-pull‘ e desenvolvido pelo Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos — que se baseia na manipulação do fluxo de informações para controlar pragas em campos de milho.”

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Stefano Mancuso - Uma nova visão das plantas


Stefano Mancuso: Doutorado em Neurobiologia. Dirige o Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal e é o meu fundador da International Society for Plant Signaling and Behaviour. A sua linha de investigação centra-se no estudo da neurobiologia vegetal, que explora a sinalização e a comunicação a todos os níveis da organização biológica, desde a genética às moléculas, às células e às comunidades ecológicas. É professor associado na Universidade de Florença, editor-chefe da revista Internacional Plant Signaling and Behavior publicada nos Estados Unidos pela Landes Biosciences. É o investigador principal do programa “Perceção da gravidade, tradução de sinais e resposta de voz em plantas superiores” da ESA (Agência Espacial Europeia).

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Encontros Improváveis - Gabriela Mistral


"Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu;
Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu" ~ Gabriela Mistral

Não se trata apenas de admirar a paisagem; é uma conexão com seres que operam em uma escala de tempo e resiliência muito diferente da nossa.

Por que as árvores nos fascinam?
Testemunhas do Tempo: Algumas árvores que vemos hoje já estavam aqui antes dos nossos bisavós e continuarão depois de nós. Elas são arquivos vivos da história.

Arquitetura Natural: A geometria das copas, o padrão das cascas e a complexidade das raízes são lições de design e eficiência.

Bem-estar (Shinrin-yoku): Os japoneses criaram o termo Shinrin-yoku ("Banho de Floresta"). Estar entre árvores comprovadamente reduz o cortisol (hormona do stress) e melhora a imunidade.

Generosidade Silenciosa: Elas filtram o ar, oferecem sombra, regulam a temperatura e sustentam ecossistemas inteiros sem pedir nada em troca.

Curiosidades sobre a "Vida Social" das Árvores
Se você ama árvores, vai adorar saber que elas não são seres isolados:

A "Wood Wide Web": Através de redes de fungos subterrâneos (micorrizas), as árvores se comunicam, trocam nutrientes e até avisam umas às outras sobre ataques de pragas.

Solidariedade: Árvores mais velhas, as "árvores-mãe", enviam açúcar extra através das raízes para as mudas mais jovens que estão na sombra e não conseguem fazer fotossíntese suficiente.

Timidez da Copa: Algumas espécies apresentam a "timidez foliar", onde as copas das árvores vizinhas nunca se tocam, deixando frestas de luz que parecem rios no céu.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Suzanne Simard - As Árvores Falam


Suzanne Simard, nesta espectacular e amena charla compara-nos os seus resultados de muitos anos de investigação em bosques, especificamente sobre a comunicação entre árvores e entre espécies e a estreita relação com os fungos no solo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A Planta Inteligente -Toda a verdade numa excelente reportagem do New Yorker (em Inglês)



By Michael Pollan teaches journalism at the University of California, Berkeley. “Cooked: A Natural History of Transformation” is his most recent book.

Fonte: The Intelligent Plant .A Reporter at Large    
    
In 1973, a book claiming that plants were sentient beings that feel emotions, prefer classical music to rock and roll, and can respond to the unspoken thoughts of humans hundreds of miles away landed on the New York Times best-seller list for nonfiction. “The Secret Life of Plants,” by Peter Tompkins and Christopher Bird, presented a beguiling mashup of legitimate plant science, quack experiments, and mystical nature worship that captured the public imagination at a time when New Age thinking was seeping into the mainstream. The most memorable passages described the experiments of a former C.I.A. polygraph expert named Cleve Backster, who, in 1966, on a whim, hooked up a galvanometer to the leaf of a dracaena, a houseplant that he kept in his office. To his astonishment, Backster found that simply by imagining the dracaena being set on fire he could make it rouse the needle of the polygraph machine, registering a surge of electrical activity suggesting that the plant felt stress. “Could the plant have been reading his mind?” the authors ask. “Backster felt like running into the street and shouting to the world, ‘Plants can think!’ “

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As árvores mãe reconhecem os seus descendentes e enviam-lhes "mensagens de sabedoria" (texto em Inglês)

                               
More information continues to surface that trees may be far more connected than we thought. Forest ecologist Suzanne Simard of The University of British Colombia gave a TED talk in June 2016, during which she detailed research that shows mother trees recognize their kin. At a time when an increasing number of people are disconnected from the natural world, Simard hoped to persuade the audience to think differently about forests.

In the talk Simard said, “…we set about an experiment, and we grew mother trees with kin and stranger’s seedlings. And it turns out they do recognize their own kin. Mother trees colonize their kin with bigger mycorrhizal networks. They send them more carbon below ground. They even reduce their own root competition to make elbow room for their kids. When mother trees are injured or dying, they also send messages of wisdom on to the next generation of seedlings…so trees talk.”

Trees send each other carbon through mycelium, or fungal threads, and it looks like the sending process isn’t simply random. According to Simard’s research, mother trees prioritize their offspring when it comes to providing them with key nutrients and other resources. Trees can send not only carbon through mycorrhizal networks, but also nitrogen, water, defense signals, phosphorous, and allele chemicals.

Simard says mycorrhizal networks have “nodes and links.” Fungi act as links, and trees as the nodes. The busiest nodes she calls mother trees. Mother trees can sometimes be connected to hundreds of trees, and the carbon they pass to those trees is said to increase seedling survival by four times.
Her findings are incredibly relevant for conservation. If too many mother trees are cut down, “the whole system collapses.” Simard thinks we’d be more careful about cutting down trees if we were aware of the deep connections between their “families”. You can watch her whole TED talk here.
Via Treehugger

Mais leituras

domingo, 20 de março de 2016

Ted Talk- Raquel Sussman- "As coisas vivas mais antigas do mundo"


All that lives must die—but some organisms get a little more time on this Earth than others. For nearly a decade, the photographer Rachel Sussman has been traveling around the world, capturing images of the oldest continuously living things in the world, part of an effort to “step outside our quotidian experience of time and start to consider a deeper timescale,” as she put it in a TED talk in 2010. Everything she has photographed for the project is at least 2,000 years old, if not much, much older. That includes something as unimaginably ancient as the Posidonia sea grass meadow, found in protected waters in the Mediterranean Sea, which may be 100,000 years old, and something comparatively younger, like baobab trees found in southern Africa. It is a record of survival, of those organisms—and they’re all plants, lichen or coral, as the oldest animals live less than 200 years—that beat the odds of genetics and simply lasted.

Sussman has a new photo book out that details her project, along with a foreword by the science writer Carl Zimmer. There’s a sense of wonder imbued in these photographs of organisms that seem to be a physical record of time, but there’s also a call to action. Many of these subjects of Sussman’s portraits are under threat from habitat loss or climate change or simple human idiocy. (Sussman has written movingly about the loss of the 3,500 year-old Senator tree in Orlando, destroyed in a fire that was almost certainly set on purpose.) “The oldest living things in the world are a record and celebration of our past, a call to action in the present and a barometer of the future,” Sussman has said—and the images that follow prove her out.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Video: Do Bean Plants Show Intelligence?




In this video, Pollan considers time-lapse videos of bean plants searching for a metal pole to climb. Even before the plants reach the pole, they seem to “know” where it is and to try to wrap around it. One plant even seems to cede a pole to another plant that found it first. Some question whether these videos show “plant intelligence,” but the footage is compelling, regardless.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Plantas têm memória, sentem dor e são inteligentes

Confira este vídeo de Michael Pollan.



Pode ser uma planta inteligente? Alguns cientistas insistem que são - uma vez que elas podem sentir, aprender, lembrar e até mesmo reagir de formas que seriam familiares aos seres humanos.

A nova pesquisa está em um campo chamado neurobiologia de plantas - o que é meio que um equívoco, porque mesmo os cientistas desta área não argumentam que as plantas tenham neurónios ou cérebros.

"Elas têm estruturas análogas", explica Michael Pollan, autor de livros como The Omnivore's Dilemma (O Dilema do Onívoro) e The Botany of Desire (A Botânica do Desejo). "Elas têm maneiras de tomar todos os dados sensoriais que se reúnem em suas vidas quootidianas ... integrá-los e, em seguida, se comportar de forma adequada em resposta. E elas fazem isso sem cérebro, o que, de certa forma, é o que é incrível sobre isso, porque assumimos automaticamente que você precisa de um cérebro para processar a informação".

E nós supomos que precisamos de ouvidos para ouvir. Mas os pesquisadores, diz Pollan, tocaram uma gravação de uma lagarta comendo uma folha para plantas - e as plantas reagiram. Elas começam a secretar substâncias químicas defensivas - embora a planta não esteja realmente ameaçada, diz Pollan. "Ela está de alguma forma ouvindo o que é, para ela, um som aterrorizante de uma lagarta comendo suas folhas."

Plantas podem sentir

Pollan diz que as plantas têm todos os mesmos sentidos como os seres humanos, e alguns a mais. Além da audição e do paladar, por exemplo, elas podem detectar a gravidade, a presença de água, ou até sentir que um obstáculo está bloqueando suas raízes, antes de entrar em contato com ele. As raízes das plantas mudam de direção, diz ele, para evitar obstáculos.

E a dor? As plantas sentem? Pollan diz que elas respondem aos anestésicos. "Você pode apagar uma planta com um anestésico humano. ... E não só isso, as plantas produzem seus próprios compostos que são anestésicos para nós." 

De acordo com os pesquisadores do Instituto de Física Aplicada da Universidade de Bonn, na Alemanha, as plantas libertam gases que são o equivalente a gritos de dor. Usando um microfone movido a laser, os pesquisadores captaram ondas sonoras produzidas por plantas que libertam gases quando cortadas ou feridas. Apesar de não ser audível ao ouvido humano, as vozes secretas das plantas têm revelado que os pepinos gritam quando estão doentes, e as flores se lamentam quando suas folhas são cortadas [fonte: Deutsche Welle].

Sistema nervoso de plantas

Como as plantas sentem e reagem ainda é um pouco desconhecido. Elas não têm células nervosas como os seres humanos, mas elas têm um sistema de envio de sinais elétricos e até mesmo a produção de neurotransmissores, como dopamina, serotonina e outras substâncias químicas que o cérebro humano usa para enviar sinais.

As plantas realmente sentem dor

As evidências desses complexos sistemas de comunicação são sinais de que as plantas sentem dor. Ainda mais, os cientistas supõem que as plantas podem apresentar um comportamento inteligente sem possuir um cérebro ou consciência.

Elas podem se lembrar

Pollan descreve um experimento feito pela bióloga de animais Monica Gagliano. Ela apresentou uma pesquisa que sugere que a planta Mimosa pudica pode aprender com a experiência. E, Pollan diz, por apenas sugerir que uma planta poderia aprender, era tão controverso que seu artigo foi rejeitado por 10 revistas científicas antes de ser finalmente publicado.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Plantas podem aprender, mudar o comportamento e recordar

Mimosa pudica
Os cientistas desconfiam que as plantas são muito mais inteligentes do que se imagina. Há uns tempos, um estudo revelou que as plantas conseguiam fazer cálculos de divisão. Outro, revelava que estas podiam cantar e fazer música. Agora, os cientistas da Universidade da Austrália Ocidental analisaram o comportamento da dormideira (Mimosa pudica) – também conhecida por dorme-dorme -, uma planta nativa da América do Sul, e descobriram que esta pode aprender e recordar.

Segundo a investigação, coordenada por Monica Gagliano, Michael Renton, Stefano Mancuso e Martial Depczynski, a dormideira dobras as folhas quando é tocada, sendo que os cientistas acreditam que esse movimento é um mecanismo de defesa contra os herbívoros. Isto porque os animais que pastam são menos propensos a querem comer folhas murchas.
Para além deste mecanismo, explica o Planeta Sustentável, as plantas demonstraram que estão a aprender, de forma mais rápida, os truques da sobrevivência em ambientes desfavoráveis ou com pouca luz. Por outro lado, elas são capazes de recordar o comportamento adquirido algumas semanas após o teste.
Esta capacidade acontece porque, ao contrário dos animais, as plantas não se podem movimentar. Por isso, precisam de aprender de forma mais rápida a adaptarem-se ao ambiente, um processo que é possível devido a uma sofisticada rede à base de cálcio, que se assemelha ao processo de memória dos animais.

Os investigadores recorreram a teste que consistiam em deixar cair água, repetidamente, nas folhas da dormideira, tanto em ambientes de muita e pouca luz – a dormideira dobra as folhas como resposta às gotas de água. O teste demonstrou que a dormideira deixou de fechar as folhas quando percebeu que as gotas de água que, repetidamente, caiam sobre si, não tinham nenhuma consequência nefasta. Assim, a planta pôde aprender e adquirir um novo comportamento em segundos. A aprendizagem foi mais rápida em ambientes menos favoráveis – tal como nos animais. Paralelamente, as plantas puderam relembrar-se do que tinham aprendido durante várias semanas, até quando as condições do seu ambiente mudaram.

Daniel Chamovitz, director do Manna Center for Plant Biosciences da Universidade de Tel Aviv, vai mais longe no estudo das plantas, afirmando que estas podem sentir, ver, cheirar e recordar. Um mundo realmente surpreendente. 

domingo, 11 de abril de 2010

O Dilema do Omnívoro - Michael Pollan


O autor americano fez uma espécie de genealogia da comida ao percorrer, em marcha a ré, a trajetória do alimento da mesa até sua origem mais remota. Muito além do jornalismo, dá absolutamente todas as explicações a respeito de cada ingrediente consumido diariamente. Ao contrário dos que tentam esquecer os abusos da indústria alimentar, Michael Pollan leu o rótulo e viajou até o pedaço de terra onde cada substância foi plantada. Percebeu que identificar o desenvolvimento, a manipulação e a industrialização das comidas processadas exige talento de um detetive ecológico, munido de coragem e destreza. No início dessa investigação retrospectiva da cadeia alimentar, o autor descobriu a omnipresença do milho, que alimenta não só a galinha como o cordeiro e o salmão! Obra da superprodução dessas calorias baratas conquistada pela agricultura americana. Seja nos refrigerantes, no creme para o café, na fruta em lata ou nas misturas para bolos, o grão é superestimado pela indústria, apesar de seus conhecidos danos à saúde. Por isso Pollan visitou campos cultivados, pilotou tratores em milharais e fez perguntas capciosas aos produtores, obrigados a tornar cada processo transparente e acessível ao leigo. O jornalista devassou o processamento da comida em todos os seus aspectos, até o das propostas aparentemente mais saudáveis. Quando descobriu as fazendas "orgânicas industriais", surpreendeu-se com a contradição da proposta: numa grande cadeia de lojas de produtos orgânicos, o rótulo do frango "Rosie" afirmava ser "criado em liberdade". Ao seguir seus traços até o abrigo em que vivia, verificou que, a não ser pelo certificado orgânico de sua ração, também era mantido em cárceres como os das galinhas confinadas em quintas industriais. Michael Pollan visitou matadouros e delatou a brutalidade com que os animais são abatidos nos Estados Unidos, segundo ele, sem precedentes em todo o mundo. A certa altura, foi à caça de um porco para se consciencializar da agonia do bicho, estripando-o e o preparando para um jantar feito apenas com ingredientes que ele próprio colectou. Trata-se de um impressionante e detalhado tratado sobre alimentação que, pela competência e incansável pesquisa do autor, foi incluído nas listas dos melhores livros do ano das principais publicações americanas.

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