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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dinheiro, gastos e benesses do Estado. Os segredos da vida financeira de Salazar


Há mitos que sobrevivem porque são confortáveis. O de D. Sebastião sobrevive porque alimenta a esperança. O de Robin dos Bosques porque consola os desfavorecidos. E o de António de Oliveira Salazar porque oferece aos seus admiradores uma espécie de superioridade moral retrospetiva: sim, foi ditador, dizem alguns, mas ao menos não roubou; sim, governou durante décadas sem eleições livres, mas morreu pobre; sim, concentrou um poder sem paralelo na história portuguesa contemporânea, mas nunca se aproveitou dele para enriquecer.

O problema dos mitos é a sua irritante tendência para se chocarem com os factos.

Um extenso trabalho de investigação do jornalista Marco Alves publicado na revista Sábado (n.º 1160, de 22 a 28 de julho de 2026) veio reunir um conjunto impressionante de informações sobre a situação patrimonial do antigo presidente do Conselho. E aquilo que emerge não é a figura de um milionário extravagante nem a de um cleptocrata à escala de outros ditadores europeus. Mas também não é a imagem do professor pobre, vestido de modéstia franciscana, que alguns continuam a apresentar.

Marco Alves já tinha, em 2023, publicado o livro Salazar Confidencial. Durante quatro décadas, António de Oliveira Salazar recebeu milhares de cartas de amigos, familiares, ministros, padres e figuras ilustres da elite do Estado Novo. Mendigavam ao presidente do Conselho favores, ajudas e cunhas para obterem um cargo, uma promoção, uma casa em Lisboa ou uma palavra de Salazar para intervir em todo o tipo de problemas, incluindo em processos judiciais e em casos de crime, violência e adultério envolvendo figuras notáveis da sociedade.

Importa recordar que essa imagem não foi construída apenas pelos admiradores que lhe sobreviveram. Foi também alimentada pelo próprio. Salazar ajudou a moldar cuidadosamente a perceção pública de uma vida austera e quase desapegada dos bens materiais. Ficou célebre a frase segundo a qual devia “à Providência a graça de ser pobre”. Décadas depois, essa frase permanece viva na memória coletiva e continua a funcionar como uma espécie de certificado moral póstumo.

A verdade, porém, como tantas vezes acontece, é mais incómoda.

Salazar cultivou durante toda a vida uma imagem de austeridade. Essa imagem tinha fundamento. Gostava pouco de ostentação, não se deixou seduzir pelo luxo exuberante e manteve hábitos relativamente sóbrios. Contudo, austeridade não é sinónimo de pobreza. Uma pessoa pode ser frugal sem ser pobre. E uma pessoa pode viver de forma simples sem deixar de acumular património.

Quando morreu, em 1970, Salazar possuía contas bancárias, propriedades rurais, terrenos, casas, objetos de prata, ouro, livros, manuscritos, coleções e diversos bens cujo valor, atualizado para os dias de hoje, atingiria montantes muito significativos. Só os depósitos bancários conhecidos correspondiam a cerca de 113 mil euros em valores atuais. A isso somavam-se casas, quintas, vinhas, olivais, pinhais e terrenos cujo valor acumulado, nos preços do mercado contemporâneo, atingiria facilmente valores de vários milhões de euros.

Nada disto faz dele um magnata. Mas também não permite continuar a repetir, sem qualificação, que "morreu pobre".

Aliás, a reportagem desmonta um dos aspetos mais curiosos da narrativa salazarista. O homem que passava a vida a falar de contenção financeira era simultaneamente proprietário de um património rural bastante respeitável. Herdou parte dele, adquiriu outra parte e valorizou alguns desses bens ao longo do tempo. Isso não constitui qualquer crime. O problema surge quando essa realidade desaparece da história e é substituída por uma imagem quase monástica.

Há ainda outro equívoco recorrente.

Os admiradores de Salazar costumam estabelecer uma comparação implícita entre o chefe do Estado Novo e alguns governantes contemporâneos. A mensagem é simples: os políticos de hoje entram pobres e saem ricos; Salazar entrou pobre e saiu pobre.

A primeira parte da frase pode ser objeto de discussão. A segunda torna-se mais difícil de sustentar.

Segundo os elementos revelados pela investigação, o antigo governante acumulou poupanças ao longo da vida, possuía património imobiliário e conservava um espólio de valor considerável. Não estamos perante alguém dependente da caridade alheia ou reduzido à indigência. Estamos perante um homem que viveu confortavelmente durante décadas e que morreu com uma situação financeira sólida.

Há ainda um dado curioso que raramente aparece nestas discussões. Atualizado para valores de hoje, o salário de Salazar como presidente do Conselho rondaria os 8.450 euros brutos mensais, valor que não difere dramaticamente daquele que aufere um primeiro-ministro contemporâneo. À primeira vista, isto parece reforçar a narrativa da modéstia. Mas só à primeira vista. É que Salazar passou cerca de 31 anos instalado no Palacete de São Bento sem suportar uma despesa que pesa fortemente no orçamento de qualquer cidadão comum: a habitação. A comparação só é justa quando se compara o pacote completo.

A questão torna-se ainda mais interessante quando se observa a fronteira entre o dinheiro privado e os recursos públicos.

Não surgem provas de enriquecimento ilícito no sentido clássico do termo. Mas aparecem numerosos exemplos de uma realidade típica dos regimes longos: a progressiva confusão entre o Estado e o governante.

Funcionários públicos trataram de assuntos privados relacionados com propriedades suas. Membros do Governo ocuparam-se de questões pessoais. Houve intervenções administrativas relativas a casas, terrenos, obras, jardins, abastecimento de água e diversos problemas da sua esfera particular. Tudo isto era frequentemente encarado com naturalidade.

E porquê?

Porque as ditaduras tendem a produzir esse efeito. Ao fim de décadas, deixa de ser evidente onde acaba o poder do Estado e onde começa a vida privada de quem governa. O aparelho público passa gradualmente a funcionar como extensão do governante.

Nem sequer é necessário existir corrupção para que essa promiscuidade aconteça.

O mesmo se verifica nos últimos anos da sua vida. Após a queda da cadeira que o afastou do poder, o Estado suportou despesas significativas relacionadas com os seus cuidados médicos e com a sua situação pessoal. Segundo os elementos reunidos pela investigação, os encargos associados ao tratamento prolongado de Salazar ascenderiam, a valores atuais, a cerca de 1,9 milhões de euros. Além disso, foi-lhe atribuído um vencimento vitalício após deixar o exercício efetivo das funções governativas.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Havia mais presos políticos depois do 25 de Abril do que antes?


Durante a cerimónia dos 50 anos da Constituição, no Parlamento, André Ventura disse que houve mais cidadãos presos no pós-25 de Abril do que antes da Revolução. A frase gerou reação, com os constituintes convidados para a sessão a levantarem-se em protesto, abandonando a sala. Os dados batem certo? A SIC Verifica.

O discurso do líder do Chega agitou as bancadas e gerou reações e indignação. Alguns dos deputados constituintes presentes na sessão solene desta quinta-feira, comemorativa do 50.º aniversário da Constituição - entre os quais Helena Roseta e Jerónimo de Sousa - abandonaram as galerias do Parlamento durante a intervenção do líder do Chega, regressando após o fim do seu discurso.

André Ventura disse que houve cidadãos que, "já com esta Constituição ou à beira desta Constituição, já após a revolução ou perto da revolução, [que] foram presos sem mandato, foram mortos em atentados das FP-25".

Pedindo desculpa pela "falta de cortesia", Ventura foi mais longe e perguntou "o que dirão as gerações futuras" quando souberem que "um Parlamento amnistiou um grupo terrorista de esquerda que tinha na sua lista mortes de bebés, seres humanos, casais, às mãos da extrema-esquerda".

Depois, a frase que espoletou o abandono da sala:
"Pouco tempo depois do 25 de Abril, havia mais presos políticos do que havia antes do 25 de Abril de 1974, essa é a verdade", garantiu.

Mas... será mesmo?
Num livro escrito por João Menino Vargas, antigo Capitão de Abril que morreu em 2025, dá-se conta de que o regime deposto pelo 25 de Abril tinha quase 4.400 prisioneiros políticos, 127 dos quais em Portugal continental e os restantes nas colónias, à data da Revolução. Com maior precisão, o site da Comissão Comemorativa 50 Anos do 25 de Abril, aponta 128 "oposicionistas" libertados das prisões de Caxias e Peniche, e 4.249 presos políticos nas colónias.

Além disso, a historiadora Irene Flunser Pimentel contabilizou mais de 12 mil presos políticos durante a ditadura, mas estima que, no total, possam ser mais de 30 mil os presos durante esse período.

O SIC Verifica falou com Irene Flunser Pimentel, que desmontou a narrativa:
"É uma ideia falsa, é uma narrativa da extrema-direita e de alguma direita e que, no fundo, é para se ignorar que vivemos em ditadura até ao dia 25 de Abril de 74".

"Eu estudei na Torre do Tombo, não vejo esses historiadores, alguns até são historiadores, mas políticos, deputados, nunca os vi na Torre do Tombo, a ver os arquivos da PIDE, e eu estive seis meses só para contabilizar os presos de 45 a 74. [Estamos a falar de] 12.800 e qualquer coisa", explica a historiadora, acrescentando que esta contabilização não conta com todos os estrangeiros presos ou imigrantes.

Mas, além destes quase 13 mil, Irene Pimentel lembra que em "1933, quando foi formada a primeira polícia política desta ditadura, porque já havia anteriores - a PVDE - eram muitos mais".
"Estão contabilizados, em várias fases, 30 mil, 40 mil [presos políticos]", dá conta a historiadora.

E no pós-25 de Abril?
No dia em que se deu a Revolução, a polícia política portuguesa, PIDE/DGS, teria cerca de três mil agentes e 20 mil informadores que começaram a ser detidos nos dias e semanas a seguir à revolução e ao longo de mais de um ano em que viveram sem qualquer acusação formal.

Em julho, num comunicado, os SCE da PIDE/LP informavam que se encontravam presos mil ex-agentes da PIDE-DGS. Mais tarde, em dezembro de 1976, havia registo de 118 presos por envolvimento no 25 de Novembro, estes seriam libertados no mesmo ano.

Irene Flunser Pimentel explica aqueles que foram detidos nos dias que se seguiram ao 25 de Abril foram elementos da PIDE.
"Os únicos mortos do 25 de Abril foram quatro portugueses que foram fuzilados pela PIDE/DGS na rua António Maria Cardoso às 8 horas de dia 25 de Abril. Portanto, são os únicos mortos. E 45 feridos. A partir daí era impossível, porque não estava no programa prender os elementos da PIDE, mas eles praticaram crimes até ao fim. E, portanto, começaram a ser presos aqueles que estavam na rua António Maria Cardoso a tentar defender aquela sede e, depois, ao longo dos meses, muitos informadores e outros elementos da PIDE, aqueles todos que não fugiram. Portanto, estes são os presos políticos [do pós-25 de Abril]", afirma a historiadora.

Até 1986 foram pronunciadas 2.755 sentenças aplicadas a elementos da PIDE/DGS. O número distancia-se dos quase 4.400 prisioneiros políticos de 74 e dos mais de 30 mil durante todo o período em que o país viveu em ditadura.

Destes, "uns estiveram [presos] seis meses, outros estiveram um pouco mais, os maiores torturadores ficaram mais tempo", mas "não houve julgamentos destas pessoas" porque só com a Constituição se criou o aparelho judicial e este estipulava que "nunca mais iria haver julgamentos políticos".

André Ventura provocou indignação ao afirmar que havia mais presos políticos após o 25 de Abril do que durante a ditadura. No entanto, a narrativa é falsa, como confirma a historiadora Irene Pimentel. A ditadura teve cerca de 30 mil presos políticos e em 1974 foram identificados perto de 4.400 presos políticos em Portugal e nas colónias. No pós-Revolução foram detidos principalmente ex-agentes da PIDE, num número significativamente inferior.

terça-feira, 17 de março de 2026

"Trump is aiming for dictatorship". That’s the verdict of the world’s most credible democracy watchdog

The Gunman and the Would-Be Dictator [The Atlantic, July 14, 2024]

The US is no longer a democracy. One of the most credible global sources on the health of democratic nations now says this outright. The Varieties of Democracy (V-Dem) Institute at Gothenburg University reaches the alarming conclusion in its annual report, that the US is hurtling towards autocracy at a faster rate than Hungary and Turkey.

“Our data on the USA goes back to 1789. What we’re seeing now is the most severe magnitude of democratic backsliding ever in the country,” says Staffan Lindberg, founder of the institute.

Since 2012, Lindberg has led his small group of researchers in Sweden to become the world’s leading source for analysis of the health of global democracy. In their latest report, published on Tuesday, they conclude that the US, for the first time in more than half a century, has lost its long-term status as a liberal democracy. The country is now going through a rapid process of what the report’s authors call “autocratisation”.

“For Orbán in Hungary, it took about four years, for Vučić in Serbia, it took eight years, and for Erdoğan in Turkey and Modi in India, it took about 10 years to accomplish the suppression of democratic institutions that Trump has achieved in only one year,” Lindberg says.

US democracy is now back at the worst recorded level since 1965, when US civil rights laws first introduced de facto universal suffrage. All progress made since then has been erased, according to the report.

Worldwide, democracy has receded to its lowest levels since the mid-70s. “The world has never before seen as many countries autocratising at the same time,” Lindberg says.

A record 41% (3.4 billion) of the world’s population currently resides in countries where democracy is deteriorating, the report claims, adding that Washington is leading this global turn away from democracy.

The researchers use 48 different metrics to assess democratic health, such as the freedom of expression and the media, the quality of elections and the observance of the rule of law. The resulting “liberal democracy index” shows that the speed with which US democracy is being dismantled is unprecedented in modern history. The main factor is a “rapid and aggressive concentration of powers in the presidency”, Lindberg says. Congress has been marginalised, jeopardising the “checks and balances” (judicial and legislative constraints on the executive) so crucial to US democracy. At the same time, civil rights have been rapidly declining and freedom of expression is now at its lowest level since the 1940s.

“We’ve seen a very fast concentration of power in the executive wing. The legislative branch has practically abdicated its powers to the president. It no longer functions as a check on executive power,” Lindberg says.
Livro lançado em Setembro de 2020, pouco tempo antes de Joe Biden derrotar Donald Trump 1.0

In Donald Trump’s first year as president, he signed 225 executive orders, whereas the Republican-controlled Congress passed only 49 new laws. “Most of Trump’s executive orders were significant. He shut down entire departments of the government, firing hundreds of thousands of employees. The bills passed by Congress were mostly insignificant modifications to existing laws. So, we no longer have a meaningful division between the legislative and executive branches,” Lindberg says.

Congress has been marginalised and freedom of expression is at its lowest level since the 1940s
Meanwhile, the supreme court has also mostly abdicated power, and even when it does strike down Trump’s executive orders, he circumvents it, Lindberg tells me. He points out that there are more than 600 ongoing judicial procedures against the Trump administration in the courts.

Another aspect of America’s rapidly deteriorating democracy, according to the report, is the removal of internal guardrails that protect the federal government from abuse of power. When I ask Lindberg how we should read the findings, his response is emphatic. “Trump has fired inspector generals and higher levels of civil servants across departments, and replaced them with loyalists. This is exactly what Orbán and Erdoğan did. They remove the constraints on power. It should be obvious by now that Trump is aiming for dictatorship.”

So how did a small research institute in Gothenburg become such a credible source on the decline of democracy in Washington? When Lindberg, a soft-spoken political scientist, founded the V-Dem Institute in 2012, global democracy was near its historic peak.

“Back then, we were all researching the process of democratisation, and we were frustrated that the metrics weren’t good enough, so we wanted to create a credible global index that was relevant for the whole community of democracy researchers,” he says.

Five years later, when the institute published its first dataset of global democracy, its experts realised that things were rapidly going in the wrong direction. “Now, all of us researching democratisation have become researchers on autocratisation,” Lindberg says.

At the time, their reports were criticised for “exaggerating” the risks to global democratic stability. “We were called alarmists. But now our warnings seem justified,” Lindberg says.

The core group of a dozen researchers in Gothenburg works with 4,200 researchers in 180 countries, using what they claim to be the largest global dataset on democracy, with more than 32m data points for 202 countries and territories, spanning from 1789 to 2025. “We have universal standards, but also people on the ground to tell us what is actually going on. The reports are 100% scientific, research-driven, and our data is free from bias and state influence, from general punditry and political considerations.”

V-Dem’s report, titled Unravelling the Democratic Era?, should be required reading for Europe, where seven EU member states – Hungary, Greece, Croatia, Slovenia, Slovakia, Italy and Romania – are “affected by autocratisation”, amid signs of governments using media censorship, curbs on freedom of expression and repression of civil society. Portugal and Bulgaria have joined the institute’s “watchlist”.

The report identifies the UK as a “new autocratiser”, driven by “a substantial decline” in freedom of expression and the media. “In the UK, it began before Keir Starmer, with the Elections Act 2022, and the government expanding its power over electoral commissions,” Lindberg says. “The Policing Act 2022 decreased civil rights and free speech. The Online Safety Act 2023 was used to penalise online speech and lawsuits silencing journalists. The Higher Education (Freedom of Speech) Act 2023 increased demands on universities to monitor protests and police free speech. What’s worrying is that once the democratic backsliding begins, it’s often hard to stop.”.

Denmark, Sweden, Norway, Switzerland, Estonia and Ireland top V-Dem’s global democracy index for 2025. The efforts of others, including Poland, are highlighted for attempting to “U-turn” away from autocracy. But only 18 countries across the world are democratising, a historic low.

A single bright spot in the assessment of the US is that free and open elections are still being held, and the electoral system “remains stable for now”. But executive orders since Trump came to power point to new risks for the electoral system.

Threats to bureaucrats and poll workers administering elections are already alarming, Lindberg says. “We’ve seen media reports that 40% of election/poll workers have quit since 2020. And Trump never accepted his defeat then. Why would he accept a defeat now? If we see a denial of the election results in 2026, then it’s a complete democratic breakdown.”

A potential source of cautious optimism may be that Trump’s authoritarian turn is increasingly unpopular. His approval rating is now below 40%. Large numbers of Trump voters are deeply disappointed with the new war in Iran, and with steadily rising living costs. Many of the liberal states that have been Trump targets, such as Minnesota and California, have successfully fought back against threats to civil rights and local communities.

“We’re also seeing more criticism from within the Maga movement,” Lindberg says.

It would be naive, as the report warns, to think that European countries are immune to democratic decline, whatever happens in Washington. “It’s a global trend,” says Lindberg, “so it’s not just America that is driving this. Research clearly shows that the far right, once they gain power, have a high probability of dismantling democratic institutions.” [ Anne Applebaum expert on dictators warns: Don't lose hope - that's what they want]


In many countries across Europe, voters are now mobilising to elect their own versions of Trump, despite the administration’s open threats to the continent and its persistent support for extremist parties that undermine European stability. Establishment conservatives are following along, hoping against reason that things will somehow work out better this time than in previous eras of authoritarian rule. With stark numbers and crystal-clear language, the V-Dem report underscores the risks of this path.




sábado, 17 de janeiro de 2026

Governo dos EUA faz ameaça anti-imigração em português



“Se você vier aos Estados Unidos para roubar os americanos, o presidente Trump vai te jogar na cadeia e te mandar de volta para o lugar de onde você veio.” A mensagem, escrita em português do Brasil, foi colocada esta semana na conta oficial do Departamento de Estado dos EUA no X (antigo Twitter).

A acompanhar a publicação, uma fotografia de Donald Trump a preto e branco com uma legenda em letras garrafais: “Envia-os de volta.”

O Departamento de Estado dos EUA, equivalente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Portugal, tem contas nas redes sociais em várias línguas - e aproveitou-as para passar, também na língua portuguesa, a mensagem anti-imigração de Donald Trump.

Ao longo do último ano, o Presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou a ação contra a imigração ilegal nos Estados Unidos, promovendo rusgas em massa por todo o país para capturar imigrantes ilegais, deportações e perseguições judiciais — e mergulhando no medo várias comunidades imigrantes, incluindo a comunidade portuguesa de Nova Jérsia.

Na quarta-feira (14), o canal de televisão Fox News Digital comunicou que seria congelada a emissão de autorização para permanência nos Estados Unidos. Pouco depois, por meio de publicação em seu perfil no X, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou a informação. O Departamento de Estado justificou a medida por meio de postagem na mesma rede social.

“O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos imigrantes recebem benefícios sociais do povo norte-americano em taxas inaceitáveis, o congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza dos [cidadãos] norte-americanos”, disse o órgão.

O departamento também afirmou que a interrupção do serviço afetava países “cujos imigrantes frequentemente se tornam um encargo público” para o país. “Estamos trabalhando para garantir que a generosidade do povo norte-americano não seja mais explorada”, escreveu. O órgão finalizou a publicação dizendo que “o governo Trump sempre colocará os Estados Unidos em primeiro lugar”.

Trump imigrante, mãe de Trump imigrante, mulher de Trump imigrante. Trump pedófilo. Aliado e alimentando com biliões de dólares ditadores de extrema-direita na América Latina  [aqui]  . Roubou e invadiu Venezuela e ameaça o mesmo noutros Países do Norte Gobal.

sábado, 10 de janeiro de 2026

Filme - O Triunfo dos Porcos (1954)


Escrita por George Orwell em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente, na luta contra o eixo nazifascista. Contudo, com o acirramento da Guerra Fria, o livro passa a ser amplamente usado pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo (Orwell  definia-se como um “socialista democrático”) e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. 

Resumo da obra e filme animado
O Triunfo dos Porcos é uma fábula política que utiliza uma quinta para criticar o totalitarismo e mostrar como o poder pode corromper. Na Quinta do Solar, os animais vivem sob o domínio do Sr. Jones, um fazendeiro cruel e negligente. Inspirados pelo discurso do velho porco Major, que sonha com uma sociedade igualitária sem humanos, os animais decidem rebelar-se contra o seu dono. Após a morte de Major, os porcos Napoleão e Bola-de-Neve lideram a revolta. Os animais expulsam o Sr. Jones e assumem o controlo da quinta, renomeando-a Quinta dos Animais, passando a trabalhar juntos sob o lema “todos os animais são iguais”.

Rapidamente surgem disputas entre Napoleão e Bola-de-Neve. Napoleão utiliza estratégias violentas e manipulação para expulsar Bola-de-Neve, concentra o poder em si, controla a informação e cria uma polícia secreta de cães para intimidar os outros animais. Com o tempo, Napoleão e os porcos começam a viver luxuosamente, enquanto os restantes animais enfrentam dificuldades e veem os princípios da revolução serem alterados. A máxima “Todos os animais são iguais” transforma-se em “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”.

No final, os porcos tornam-se indistinguíveis dos humanos e os animais percebem que a liberdade conquistada foi perdida, com a quinta a voltar a ser dominada por uma elite poderosa e corrupta. O livro transmite uma crítica à corrupção do poder e à manipulação política, mostrando como revoluções podem ser traídas por aqueles que deveriam defendê-las, sendo também uma metáfora da Revolução Russa e do surgimento do totalitarismo soviético.

Personagens

Porcos
Major – Um velho porco doméstico premiado em uma exposição que dá a inspiração que alimenta a rebelião no livro. É uma alegórica combinação Karl Marx, um dos criadores do comunismo, e Lenin, líder comunista da Revolução Russa e da recém-criada União Soviética, onde elabora os princípios da revolução. Seu crânio sendo colocado em exposição pública reverenciado lembra Lenin, cujo corpo embalsamado foi colocado em exposição.

Napoleão – Grande porco da raça Berkshire. De poucas palavras, mas com reputação de possuir um braço forte. É comumente associado como alegoria de Joseph Stalin.

Bola de Neve – Rival de Napoleão e líder após a queda de Jones. É comumente associado como alegoria de Leon Trótski.

Garganta – Porta-voz de Napoleão. É comumente associado como alegoria de Viatcheslav Molotov ou ao Pravda

Equinos
Sansão – O mais devotado dos animais. Trabalhador incansável, segue duas máximas na vida: "Trabalharei cada vez mais" e "Napoleão tem sempre razão", geralmente sendo uma alegoria ao proletariado.

Benjamim – O mais céptico dos animais. Não acredita na revolução e mantém-se alheio às disputas políticas. Há interpretações que o colocam como a representação do autor, na quinta.

Outros Animais
Ovelhas – Limitadas intelectualmente, as ovelhas não sabem ler e não conseguem memorizar todas as regras da granja, resumindo-se a balir incessantemente "Quatro pernas bom, duas pernas mau!". Em diversas passagens, debates são impossibilitados pela barulheira do rebanho.

Cães – Tirados da mãe logo cedo e criados por Napoleão, tornam-se sua guarda pessoal. São eles os responsáveis por ajudar Napoleão no golpe contra Bola-de-Neve e também em mantém os outros animais sob controle, através da violência e do medo, representando a KGB

Moisés – Corvo domesticado de Jones, foge depois da revolução para reaparecer algum tempo depois, sempre incentivando os animais a acreditarem que uma vida melhor os espera no céu, com várias promessas que incluem montanha de amar e feno à vontade. Apesar de não trabalhar, sua presença é tolerada pelos porcos, sendo a representação da Igreja

Humanos
Sr Jones – Dono da Quinta do Solar. Alcoólatra e cruel com os animais, que sofrem pelo chicote e pela fome, sendo uma representação do czar Nicolau II

Sr Frederick – Dono da Quinta Pinchfield, uma pequena fazenda vizinha a A Quinta dos Animais. Entra brevemente em aliança com Napoleão, para depois atacar a Granja. É comumente associado como alegoria de Adolf Hitler, e o acordo e o ataque a Pacto Molotov-Ribbentrop e Operação Barbarossa, respectivamente.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Trump não queria que Machado se tornasse presidente porque ela aceitou o Prémio Nobel da Paz — o "pecado supremo"


Segundo fontes próximas da Casa Branca, o presidente Trump estaria insatisfeito com a vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, porque esta não lhe entregou o prémio.
A informação foi inicialmente divulgada pelo Washington Post, que falou com duas fontes que afirmaram que Trump perdeu o interesse em apoiar a líder da oposição venezuelana, que governou o país, porque esta aceitou o Prémio Nobel da Paz, o que, aos olhos do presidente, foi o "pecado supremo".
Embora Machado tenha lançado recentemente uma ofensiva para conquistar a simpatia de Trump, o presidente parece tê-la rejeitado, principalmente num discurso televisivo no fim de semana.
Durante a conferência de imprensa, Trump disse: "Acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Não tem o apoio interno nem o respeito do país"

Trump novamente a mostrar o que é: um corrupto, homem de negócios polémico e várias vezes falido, um ditador e um cérebro de miúdo com birras. E o mundo treme todo...

sábado, 3 de janeiro de 2026

Ainda a invasão da Venezuela por Trump


“Todos os Membros devem abster-se, nas suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou de qqer outra forma incompatível com os Propósitos das Nações Unidas"
Art. 2º, §4º, da Carta ONU

Meia dúzia de notas sobre Trump e  Nicolás Maduro.
1. Maduro e Trump estão bem um para o outro. Trump, perdeu as eleições de 2020 e recusou reconhecer o resultado, algo inédito na história moderna dos EUA. Tentou pressionar instituições para reverter o resultado eleitoral. Trump tentou manter o poder contra o resultado eleitoral.

2. Em maio de 2018, Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos numa polémica eleição, não reconhecida pela oposição, pela Organização dos Estados Americanos e União Europeia, além de países como Estados Unidos e Brasil. Em janeiro de 2019, foi empossado para um segundo mandato. Isso acabou gerando uma grave crise política interna, com a Assembleia Nacional não reconhecendo a posse do presidente e várias nações do mundo removeram os seus embaixadores de Caracas, como protesto. Para a oposição, Nicolás Maduro estava, efetivamente, transformando a Venezuela numa ditadura sob seu comando.

3. Porém, esta intervenção americana é ilegítima e injustificada — representa uma gravíssima violação do Direito Internacional Público. Não é uma manobra de defesa, é uma manobra de dominação geoestratégica. Trump apresenta a desculpa dos cartéis de droga, mas o objetivo é chegar ao petróleo, ao lítio, ao ouro, aos minerais raros. Um regresso à lógica imperialista do século XIX que legitima outras intervenções e ocupações noutras partes do mundo. Uma visão de uma tripartição do globo, em que os EUA dominam o continente americano, a Rússia fica com a Ucrânia e a China ocupa Taiwan.

4. Além disso, esta intervenção na Venezuela é também uma conveniente manobra de diversão para os incómodos Epstein Files. Trump é um perigoso narcísico, um autoritário anti-democrático que só conhece o cotão do seu umbigo e instintos viscerais. Move-se por uma lógica egoísta, transacional e pela lei da força.

5. Mesmo sendo obviamente desejável uma mudança de regime na Venezuela, é assustador que seja feita desta forma.

6. A imposição pela força não pode ser aplaudida, mesmo quando é contra regimes de que não gostamos. Porque a pergunta obrigatória é esta: e quando esta imposição pela força for feita contra regimes, líderes ou países de que gostamos?


Trump anunciou a invasão nas redes sociais. Inédito. Desrespeitou auscultação prévia do Senado e do Congresso!


E quando o próximo ciclo de ficheiros Epstein for libertado, Trump invadirá a Gronelândia!

sábado, 27 de dezembro de 2025

Porque votas chega?

Não há nada de revolucionário em votar no Chega.
Há desespero, há raiva, há frustração acumulada. E isso é compreensível, o que não é compreensível é confundir raiva com lucidez.
Durante décadas, Portugal foi governado pelos mesmos blocos políticos. Muitos de vós votaram neles. Outros abstiveram-se. Outros desligaram.
Agora, de repente, apresentam-se como “os que sempre viram a verdade”, como se tivessem acabado de acordar para um país que sempre existiu.
Não acordaram para a verdade!

Acordaram para um discurso simplista que vos disse exactamente aquilo que queriam ouvir!
Há algo que convém não esquecer: uma parte significativa das figuras do Chega vem precisamente desses blocos políticos que dizem combater. Vieram do PSD, do CDS, do sistema que hoje acusam de todos os males.

Durante anos, enquanto lá estiveram, o país não lhes parecia assim tão intolerável. A indignação só apareceu quando perderam espaço, influência ou a possibilidade de subir na hierarquia.

Para alguns, a ruptura não foi moral nem política. Foi uma derrota interna. E a conversão súbita em “anti-sistema” raramente é sinal de virtude tardia. É, muitas vezes, apenas ressentimento reciclado.
É confortável acreditar que existe um culpado único para tudo. É confortável apontar o dedo a “eles”: os imigrantes, os pobres, os dependentes de subsídios, os professores, os jornalistas, os “esquerdistas”, seja lá o que isso signifique esta semana.

É muito mais difícil aceitar que os problemas de um país são estruturais, antigos, complexos, e que não se resolvem com slogans nem com gritos.

Pergunta simples: sabem definir, sem caricaturas, o que é direita e esquerda em política? Sabem distinguir liberalismo económico de conservadorismo moral?

Sabem explicar por que razão o mesmo líder um dia é carne e noutro é peixe? Num dia é liberal e noutro "Esquerdalha"? Num dia é um malfeitor e noutro "respeitador da lei"? Num dia é um racista psicopata e noutro anda a rezar à virgem santíssima?

Não é coerência. É oportunismo.
Não é coragem. É teatro.
O discurso muda conforme a oportunidade. Num dia é lei e ordem, no outro é vitimização. Num dia é liberal selvagem, no outro é sindicalista.

Não há visão de país. Há apenas estímulos emocionais dirigidos a quem está cansado demais para pensar. E pensar dá trabalho.

Pensar obriga a admitir que a corrupção não nasce apenas nos partidos. Nasce na pequena fraude aceite, no jeitinho, na cunha, no “não faz mal”, no “todos fazem”.

Nasce na falta de cultura cívica, na ausência de leitura, na recusa do contraditório, no desprezo pelo conhecimento.

Não é um problema de ideologia. É um problema de carácter colectivo!

Dizem que “andaram a roubar-nos”. Onde estavam vocês enquanto isso acontecia? A participar? A fiscalizar? A informar-se? Ou simplesmente a viver, desligados, até alguém vos apontar um bode expiatório conveniente?

A raiva pode ser compreensível. Mas não é um projecto político. Nunca foi. E quando a raiva governa, não cai sobre os poderosos. Cai sempre sobre os mais fracos. Sobre quem tem menos voz, menos recursos, menos defesa.

Falam muito de crianças e de futuro. Então pensem nisto: que exemplo é ensinar um filho a resolver problemas com ódio, com humilhação, com desprezo pelo outro?

Que futuro se constrói quando se troca pensamento crítico por frases feitas?

Quando foi a última vez que leram um livro? Um qualquer. Quando foi a última vez que ficaram meia hora em silêncio, sem televisão, sem tablet, sem telemóvel, apenas a pensar? Não a reagir. A pensar.
Talvez descubram algo desconfortável: que muitas das palavras que repetem não são vossas. Que a indignação foi cultivada. Que a realidade é mais complexa do que vos disseram. E que ninguém vos está a salvar.

Esse momento dói. Mas liberta.

Porque perceber que o mundo não se conserta esmagando outros é o primeiro passo para deixar de ser manipulado.

Porque perceber que a democracia exige mais do que raiva é o primeiro passo para a levar a sério.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Freedom of the Press Worldwide 2025


The ongoing wave of media shutdowns
  1. According to data collected by RSF for the 2025 World Press Freedom Index, in 160 out of the 180 countries assessed, media outlets achieve financial stability “with difficulty” — or “not at all.”
  2. Worse, news outlets are shutting down due to economic hardship in nearly a third of countries globally. This is the case in the United States (57th, down 2 places) Tunisia (129th, down 11 places) and Argentina (87th, down 21 places).
  3. The situation in Palestine (163rd) is disastrous. In Gaza, the Israeli army has destroyed newsrooms, killed nearly 200 journalists and imposed a total blockade on the strip for over 18 months. In Haiti (112th, down 18 places), the lack of political stability has also plunged the media economy into chaos.
  4. Even relatively well-ranked countries such as South Africa (27th) and New Zealand (16th) are not immune to such challenges.
  5. Thirty-four countries stand out for the mass closures of their media outlets, which has led to the exile of journalists in recent years. This is especially true in Nicaragua (172nd, down 9 places), Belarus (166th), Iran (176th), Myanmar (169th), Sudan (156th), Azerbaijan (167th) and Afghanistan (175th), where economic difficulties compound the effects of political pressure.

The United States: leader of the economic depression
In the United States (57th, down 2 places), where the economic indicator has dropped by more than 14 points in two years, vast regions are turning into news deserts. Local journalism is bearing the brunt of the economic downturn: over 60 per cent of journalists and media experts surveyed by RSF in Arizona, Florida, Nevada and Pennsylvania agree that it is “difficult to earn a living wage as a journalist,” and 75 per cent believe that “the average media outlet struggles for economic viability.” The country’s 28-place drop in the social indicator reveals that the press operates in an increasingly hostile environment.

President Donald Trump’s second term has already intensified this trend as false economic pretexts are used to bring the press into line. This led to the abrupt end to funding for the US Agency for Global Media (USAGM), which affected several newsrooms — including Voice of America and Radio Free Europe/Radio Liberty — and, as a result, over 400 million citizens worldwide were suddenly deprived of access to reliable information. Similarly, the freeze on funding for the US Agency for International Development (USAID) halted US international aid, throwing hundreds of news outlets into a critical state of economic instability and forcing some to shut down — particularly in Ukraine (62nd).

Media concentration and the dominance of online platforms
These serious funding cuts are an additional blow to a media economy already weakened by the dominance that tech giants such as Google, Apple, Facebook, Amazon and Microsoft have over the dissemination of information. These largely unregulated platforms are absorbing an ever-growing share of advertising revenues that would usually support journalism. Total spending on advertising through social media reached 247.3 billion USD in 2024, a 14 per cent increase compared to 2023. These online platforms further hamper the information space by contributing to the spread of manipulated and misleading content, amplifying disinformation.

In addition to the loss of advertising revenue, which has severely disrupted and constrained the media economy, media ownership concentration is another key factor in the deterioration of the Index’s economic indicator and poses a serious threat to media plurality. Data from the Index shows that media ownership is highly concentrated in 46 countries and, in some cases, entirely controlled by the state.

This is evident in Russia (171st, down 9 places), where the press is dominated by the state or Kremlin-linked oligarchs, and in Hungary (68th), where the government stifles outlets critical of its policies through the unequal distribution of state advertising. It is also apparent in countries where “foreign influence” laws are used to repress independent journalism, such as Georgia (114th, down 11 places). In Tunisia (129th, down 11 places), Peru (130th) and Hong Kong (140th), where public subsidies are now directed toward pro-government media.

Even in highly ranked countries like Australia (29th), Canada (21st) and Czechia (10th), media concentration is cause for concern. In France (25th, down 4 places), a significant share of the national press is controlled by a few wealthy owners. This growing concentration restricts editorial diversity, increases the risk of self-censorship and raises serious concerns about newsrooms’ independence from the economic and political interests of their shareholders.

The Index’s survey shows that editorial interference is indeed compounding the problem. In over half of the countries and territories evaluated by the Index (92 out of 180), a majority of respondents reported that media owners “always” or “often” limited their outlet’s editorial independence. In Lebanon (132nd), India (151st), Armenia (34th) and Bulgaria (70th, down 11 places), many outlets owe their survival to conditional financing from individuals close to the political or business worlds. The majority of respondents in 21 countries, including Rwanda (146th), the United Arab Emirates (164th) and Vietnam (173rd), said media owners “always” interfered editorially.

Global state of press freedom is "difficult," a historical first
For over ten years, the Index’s results have warned of a worldwide decline in press freedom. In 2025, a new low point emerged: the average score of all assessed countries fell below 55 points, falling into the category of a “difficult situation.” More than six out of ten countries (112 in total) saw their overall scores decline in the Index.

For the first time in the history of the Index, the conditions for practising journalism are “difficult” or “very serious” in over half of the world’s countries and satisfactory in fewer than one in four.

An increasingly red map
In 42 countries — harbouring over half of the world’s population — the situation is classified as “very serious.” In these zones, press freedom is entirely absent and practising journalism is particularly dangerous. This is the case in Palestine (163rd), where the Israeli army has been annihilating journalism for over 18 months, killing nearly 200 media professionals — including at least 43 murdered while working — and imposing a blackout on the besieged strip. Israel (112th) continued its decline in the Index, dropping 11 places.

Three East African countries — Uganda (143rd), Ethiopia (145th), and Rwanda (146th) — entered the “very serious” category this year. Hong Kong (140th) also moved into the red zone for the first time, and is now the same colour as China (178th, down 6 places), which has joined the bottom three countries, alongside North Korea (179th) and Eritrea (180th). In Central Asia, Kyrgyzstan (144th) and Kazakhstan (141st) have darkened the region. In the Middle East, Jordan (147th) plummeted 15 places, largely due to repressive legislation used against the press.

The Index by region: the gap widens between the European Union and other zones
The Middle East-North Africa region remains the most dangerous in the world for journalists, harbouring the mass destruction of journalism in Gaza by the Israeli army. Every country in the region is in a “difficult” or “very serious” press freedom situation, except Qatar (79th). The press is caught between crackdowns from authoritarian regimes and persistent economic precariousness. Tunisia (129th, down 11 places), the only North African country to fall this year, recorded the sharpest drop in the region’s economic indicator (down 7.97 points, down 30 places), due to a political crisis where independent outlets are under direct threat. Iran (176th), where journalists are gagged and all critical viewpoints are suppressed, remains near the bottom of the Index, alongside Syria (177th), which is still awaiting a profound transformation of its media landscape post-Bachar al-Assad.

Out of the 32 countries and territories in the Asia-Pacific region, 20 have seen their economic score decline in the 2025 World Press Freedom Index. The systemic media control in authoritarian regimes is often inspired by China’s propaganda model. China (178th) remains the world’s largest jail for journalists and reentered the bottom trio of the Index, coming just ahead of North Korea (179th). Meanwhile, the concentration of media ownership in the hands of influential groups linked to those in power — as seen in India (151st) — combined with growing economic pressures even in established democracies, means that press freedom in the region faces mounting repression and increasing uncertainty.

In Sub-Saharan Africa, press freedom is experiencing a worrying decline. Eritrea (180th) retained its position as the worst-ranking country in the Index. The economic score deteriorated in 80 per cent of the region’s countries. In the Democratic Republic of the Congo (133rd, down 10 places), where the economic indicator plummeted, the media landscape is hampered by persistent polarisation and repression in the east of the country. Similar patterns appeared in other conflict zones, such as Burkina Faso (105th, down 19 places), Sudan (156th, down 7 places), and Mali (199th, down 5 places). In these situations, newsrooms are forced to self-censor, close or go into exile. The hyper-concentration of media ownership in the hands of political figures or business elites without safeguards for editorial independence remains a recurring problem, as seen in Cameroon (131st), Nigeria (122nd, down 10) and Rwanda (146th). By contrast, Senegal (74th) moved up 20 places as its authorities launched economic reform initiatives, which still need to be implemented and carried out in a consultative manner.

In the Americas, the vast majority of countries (22 out of 28) have seen their economic indicators decline. In the United States (57th), Donald Trump’s second term as president has brought a troubling deterioration in press freedom. In Argentina (87th), President Javier Milei has stigmatised journalists and dismantled public media. Press freedom has been weakened in Peru (130th) and El Salvador (135th), undermined by propaganda and attacks on outlets critical of those in power. Mexico (124th), the most dangerous country for journalists in the region, has also seen a sharp decline in its economic score. Nicaragua (172nd) comes in last in the region and sits at the bottom of the Index, as the Ortega-Murillo regime has dismantled the independent media. In contrast, Brazil (63rd) has continued its recovery after the Bolsonaro era.

Europe still leads the regional rankings but is increasingly divided. 
The Eastern Europe- Central Asia (EEAC) region has experienced the steepest overall decline worldwide, while the European Union (EU)-Balkans zone has the highest overall score globally, and its gap with the rest of the world continues to grow. However, even the EU-Balkans zone is hurt by the media’s economic crisis, as seven in 10 countries (28 out of 40) have seen their economic score decline. What’s more, the implementation of the European Media Freedom Act (EMFA) — which could benefit the media economy — is still pending. The situation is worsening in Portugal (8th), Croatia (60th), and Kosovo (99th). Norway (1st) remains the only country in the world to enjoy a “good” rating across all five indicators of the Index. It held on to its top spot for the ninth consecutive year, increasing its lead over other countries. Estonia (2nd) moved up to second place, closely followed by the Netherlands (3rd), which overtook Sweden (4th) in the world’s top three.

Relatório completo aqui

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Larry Ellison prevê um estado de vigilância dominado pela Inteligência Artificial

George Orwell’s 1984 warned of a future where Big Brother watches every move. Today, modern technology is making that vision a reality, and Oracle founder Larry Ellison—the world’s first-richest person— sees a growing opportunity for his company to help authorities analyze real-time data from millions of surveillance cameras.

“Citizens will be on their best behavior, because we’re constantly recording and reporting everything that is going on,” Ellison said in an hour-long Q&A during Oracle’s Financial Analyst Meeting last week.

Fortune reached out to Oracle for clarification, but officials did not respond.

The world Ellison described sounds eerily similar to China’s social credit system, which controls citizens’ behavior through a network of cameras using some of the world’s most advanced facial recognition software to surveil their populace.

Nevertheless, his prediction may already be here in a sense.

Nowadays, it’s commonplace for Americans to whip out their smartphone and film their fellow citizens before uploading it to social media.

Some confrontations can go viral, with outraged users often attempting to doxx individuals and even coordinate a pressure campaign to get them fired.

This risk may not even be confined to those caught acting poorly in public.

Elon Musk, for example, is being sued by Jewish student Ben Brody for defamation after claiming on social media he was, in fact, a neo-Nazi (Musk’s attempt to have the case dismissed for reasons of constitutionally protected free speech was overruled by a court in May).

In Ellison’s view, citizens and state security organs like the police monitoring their every move will, however, be on an equal playing field.

He expects law enforcement officers will also be subject to constant surveillance.

“Every police officer is going to be supervised at all times, and if there’s a problem, AI will report that problem,” he said, in comments cited by Tech Crunch.

Whether this kind of 24-7 surveillance of everyone and everything means law enforcement will automatically be on their best behavior is, however, debatable.

George Floyd’s murderer was convicted largely because the former Minneapolis police officer Derek Chauvin was filmed in broad daylight for more than nine minutes as he slowly choked the man to death.

While the footage was shot close enough to Chauvin to suggest he was aware he was being filmed, he may not have known.

That isn’t true, though, for Miami-Dade officer Danny Torres, who was suspended from duty after footage from his own colleagues’ bodycams showed he used unnecessary and excessive force when arresting NFL football player Tyreek Hill for speeding.

domingo, 10 de agosto de 2025

Vergonha


Miguel Sousa Tavares in "Expresso" de 07/08/2025

Numa jogada de mau gosto, o Hamas decidiu publicar fotografias de dois reféns israelitas em seu poder, famélicos e abatidos, acompanhadas da legenda “eles comem o mesmo que nós”, numa referência à estratégia de fome adoptada pelo Governo de Israel em Gaza. Netanyahu, como era de esperar, saltou logo sobre a oportunidade, acusando o Hamas de barbárie e anunciando a total ocupação de Gaza: esperava, talvez, que a fome que ele inflige a três milhões de pessoas (proibindo-as inclusivamente de pescar no seu mar!) não afectasse a alimentação dos reféns israelitas. E, em Bruxelas, Kaja Kallas, a responsável pela política externa da UE e que jamais teve uma palavra a condenar o genocídio em Gaza, acompanhou Netanyahu na sua indignação e exigiu a imediata libertação dos reféns, sem pedir nada em troca da parte de Israel. Num momento em que finalmente se levantam vozes dentro de Israel a condenar a ofensiva em Gaza — vozes de antigos chefes militares e de segurança, de organizações humanitárias ou do escritor David Grossman, falando também em genocídio —, a UE, enquanto organização, continua a fingir que não estamos a assistir em Gaza à mais sinistra limpeza étnica levada a cabo por um Governo dito democrático. Mas, como disse Yuli Novak, da organização israelita B’Tselem, “isto não poderia acontecer sem o apoio do mundo ocidental”.

Dentro da UE e escudado na sua inércia, Portugal tem sido um caso notável de hipocrisia e cobardia. Eu chego a ter vontade de rir ao assistir aos contorcionismos explicativos do ministro Paulo Rangel para tentar não ter posição sobre o assunto, fingindo que a tem, numa patética estratégia de “agarrem-nos senão reconhecemos o Estado da Palestina”. Primeiro, confiante na inércia de toda a União, Rangel afirmava que o reconhecimento, a existir, deveria ser uma decisão conjunta dos 27. Os reconhecimentos unilaterais feitos por Espanha e Irlanda não o abalaram, mas ficou claramente sem chão quando Macron anunciou que a França ia reconhecer o Estado palestiniano e a Inglaterra fez o mesmo. Aí, Rangel fez uma inolvidável intervenção na ONU, em que garantiu à assembleia mundial que Portugal tinha detectado uma alteração histórica na posição palestiniana, a qual abria caminho a um possível reconhecimento. Em suma, enquanto o PM inglês colocava exigências a Israel sob a ameaça de reconhecer a Palestina independente, o nosso ministro partia do princípio oposto para sustentar, sem se desmanchar, que a Autoridade Palestiniana aceitara as exigências de Luís Montenegro para poder ser reconhecida por Portugal como Estado. Note-se: a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia e não o Hamas em Gaza. Entre essas exigências de Montenegro, Rangel destacou a reforma das instituições palestinianas e a realização de eleições: patéticas demandas para quem acabava de regressar de uma cimeira da inútil CPLP realizada na Guiné-Bissau — um país cujo Presidente amordaçou a democracia no seu país e governa sem ir a eleições — e antes de a chefia da mesma CPLP ser transmitida à Guiné Equatorial — onde jamais houve eleições e persiste há décadas uma ditadura familiar, brutal e corrupta como nenhuma outra. Sim, Portugal é hoje um exemplo eloquente da podridão moral em que vegeta a União Europeia, governada por políticos sem respeito pelo passado e pelos valores europeus.

Esta União Europeia envergonha hoje qualquer europeu que antes se orgulhava de pertencer a um espaço político onde a ética e a coerência de princípios contavam. Na cimeira da NATO, a União, com a honrosa excepção da Espanha, ajoelhou-se aos pés de Trump, aceitando gastar 5% do PIB em armas — e americanas, de preferência. Fica como símbolo dessa capitulação o português Luís Montenegro tentando dar “uma palavrinha” particular a Trump, dizendo-lhe que éramos velhos amigos dos Estados Unidos e sugerindo alguma misericórdia para connosco na rajada das tarifas, e o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, acalmando as indignações surdas com a previsão de que o que a União cedera nas armas pouparia nas tarifas.

Viu-se. Na Escócia, Ursula von der Leyen começou por ser ainda mais humilhada por Trump do que o fora por Erdogan. Na Turquia, não tinha cadeira para se sentar, no clube de golfe privado de Donald Trump, na Escócia, para onde foi convocada, teve uma cadeira para se sentar enquanto esperava longamente que o Presidente americano acabasse um jogo de golfe com o filho e tivesse disponibilidade para a receber. Assim tratada como serventuária — ela e a Europa que representa —, não admira que depois tivesse sido sujeita a uma capitulação total e humilhante pelo abusador profissional americano. Von der Leyen aceitou um aumento das tarifas sobre as exportações europeias para os Estados Unidos de 15%, quase mil vezes o que vigorava e em troca de tarifas de 0% para as exportações americanas dirigidas à Europa. Desistiu de taxar as tecnológicas americanas ou de minimamente controlar os seus abusos. Aceitou comprar 750 mil milhões de dólares de energia aos Estados Unidos, assim interrompendo a estratégia de descarbonização em que a UE estava a ser pioneira e substituindo-a por uma total dependência energética de um só país — muito para lá daquilo que se criticava aos países europeus que compravam energia à Rússia. Agora, os EUA passam a determinar a política energética da Europa, aumentam livremente os preços, e Trump e os seus amigos do petróleo, negacionistas das alterações climáticas, encontram um mercado garantido à medida das suas ambições. Mas a senhora foi ainda mais longe, comprometendo-se a investir 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e a gastar em armas americanas o grosso do investimento a ser levado a cabo para atingir os tais 5% do PIB em armamento. Se tudo isto fosse exequível e executado, acabava a Europa que conhecemos: livre, próspera, orgulhosa do seu sistema social. Mas, mesmo sem o podermos ainda dizer, Von der Leyen, que já enxovalhara a União e os valores europeus com o seu silêncio cúmplice perante o genocídio em Gaza, rematou agora a sua prestação prostrando-se aos pé de um fora-da-lei internacional e dando-lhe tudo o que ele queria, na esperança de o conseguir apaziguar. Mas até nisso esta funesta alemã que nos calhou em sorte está errada: quando se cede uma vez perante a intimidação e a chantagem, está escrito que se terá de ceder mais vezes. Trump é um vampiro que precisa de se alimentar todos os dias do sangue dos fracos, dos indefesos, dos que se ajoelham e dos que ele inveja.

Os tempos vão maus e mesmo incompreensíveis para quem gostaria de se orgulhar de ser português e europeu. Resta-nos ter vergonha: pode ser que eles reparem.

domingo, 20 de julho de 2025

New Candys - Regicide


Just by following our enemy
I can lose for a victory
And if we wanna change our destiny
There’s a way that can set us free

Just by following our enemy
I can lose for a victory
And if we wanna change our history
There’s a way that can set us free

You left me off
Right from the start
You left me off
In exile after my regicide

Go on, arrest me and kill me
I know my guilt is not here

Just by following our enemy
I can live for a victory
And if we wanna change our destiny
There’s a way that can set us free…
Therе’s a way that can set us
There’s a way

You lеft me off
Right from the start
You left me off
In exile after my regicide

Shoot the king to show your better side

Inspirado por Gaetano Bresci, um anarquista que assassinou o Rei de Itália, Humberto I, em 1900 para protestar contra o massacre de manifestantes, Fernando Nuti refere esta figura como ponto de partida: fala do exílio, da violência propositada – "Não matei Humberto. Eu matei o rei. Eu matei um princípio" (frase pronunciada por Bresci imediatamente após o assassinato, em resposta às acusações da multidão) – e da culpa inevitável que este ato deixa para trás.

O termo regicídio, literalmente “assassinato de um rei”, serve de metáfora para a rebelião contra as estruturas de poder ultrapassadas, uma luta que questiona se o fim justifica os meios.

Interpretação Lírica
Os versos:
“Atira ao rei para mostrar o teu melhor lado / Deixaste-me / No exílio após o meu regicídio” combinam temas de vingança, exílio e transformação pessoal. O narrador parece chegar a uma conclusão sobre se o ato violento representa uma verdadeira mudança ou apenas a substituição de uma opressão por outra.

Som e Estilo
Musicalmente, a música mistura guitarras psicadélicas com baixo eletrónico gótico e um ritmo disco nos versos, criando um contraste entre a mensagem violenta e uma atmosfera quase dançante.
Esta dicotomia reforça a ideia do sinistro envolto no sedutor.

Conclusão
“Regicide” é uma reflexão profunda sobre a violência política e moral. Ela questiona:

É legítimo derrubar o poder quando este oprime?
Existe o risco de nos tornarmos naquilo que foi criticado?
O que é sacrificado — a solidão, o exílio, a culpa — em nome da mudança?

A ambiguidade lírica permite múltiplas interpretações, e é esse o propósito: não fornecer respostas fáceis, mas provocar reflexão.

Fontes

quinta-feira, 29 de maio de 2025

A janela encantada


A vida sempre foi boa comigo.
Quando soube que o meu coração
estava carregado de sombras
e que ele só se alimenta de luz,
abriu uma janela no meu peito
para que por ela possam entrar
o resplendor do orvalho
o fulgor das estrelas
e o invisível arco-íris do amor.

Thiago de Mello
In De uma vez por todas, 1996

Amadeu Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, Amazonas, em 30 de março de 1926. Além de tradutor e ensaísta, é um dos poetas mais influentes e respeitados do país, sendo reconhecido como um ícone da literatura regional. A luta política, o lirismo, as relações de família e os amores são facetas marcantes em sua obra.

Preso durante a ditadura militar (1964-1985), exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Da amizade veio a decisão de traduzirem os poemas um do outro.

Mello morou na Argentina, no Chile, em Portugal, na França e na Alemanha. Voltou à sua cidade natal, onde viveu até à sua morte.