Mostrar mensagens com a etiqueta Reutilização. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reutilização. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de agosto de 2026

A comida que compras no supermercado vai mudar (e não é no preço)


Primeiro foi a reciclagem de embalagens através do sistema Volta. Agora, a preocupação está literalmente à volta daquilo que comemos.

A União Europeia está a apertar as regras para as embalagens e os resíduos de embalagens e a primeira mudança com impacto direto na saúde dos consumidores começa já a aplicar-se: novos limites para os chamados PFAS, conhecidos como “químicos eternos”.

Os PFAS são um grupo de milhares de substâncias químicas utilizadas para conferir resistência à gordura, à humidade e ao calor, contudo, algumas destas substâncias são extremamente persistentes no ambiente e podem acumular-se no organismo humano.

É por isso que a União Europeia decidiu limitar a sua presença nas embalagens destinadas a entrar em contacto com alimentos, como, por exemplo, uma embalagem de queijo, de pizza ou de comida pronta em take away.

A partir de 12 de agosto de 2026, não podem ser colocadas no mercado embalagens que ultrapassem os valores definidos para estas substâncias. E a regra não se limita ao material de que é feita a embalagem que reveste comida ou bebidas quentes. Abrange também tintas, revestimentos e adesivos.

O que acontece aos alimentos que já estão nas prateleiras?
A recente mudança não significa que, de um dia para o outro, todas as embalagens dos supermercados tenham de ser substituídas.

As novas obrigações entram em vigor de forma faseada e existem períodos de adaptação previstos no novo enquadramento europeu. Para além disso, a partir de agora, as informações sobre o fabricante das embalagens terão de estar visíveis, permitindo identificar e contactar quem as colocou no mercado.

Mas as mudanças não ficam por aqui. A partir de 2028, deverá começar a aplicar-se em toda a União Europeia um sistema de rotulagem harmonizado para as embalagens. A ideia é tornar mais simples perceber como devem ser separadas e encaminhadas para reciclagem ou compostagem.

Já em 2030, a ideia é introduzir novas regras sobre a quantidade de espaço vazio nas embalagens, metas de reutilização e restrições a determinados formatos de plástico descartável de pequena dimensão, utilizados, por exemplo, no setor da hotelaria e restauração.

Segundo a Comissão Europeia, cada cidadão europeu deita fora, em média, cerca de meio quilo de embalagens por dia, isto entre copos de café, cápsulas de bebidas, películas aderentes, folhas de alumínio, caixas e embalagens de compras online.

Sem novas medidas, Bruxelas estima que o desperdício de embalagens na União Europeia poderia aumentar 19% até 2030. No caso específico dos resíduos de embalagens de plástico, o crescimento poderia chegar aos 46%.

Ainda faltam alguns anos para que grande parte das novas regras esteja plenamente em vigor. Mas a direção está definida: no supermercado do futuro, não estará apenas em causa aquilo que compramos dentro da embalagem. Também contará, cada vez mais, aquilo de que a própria embalagem é feita.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Sistema Volta: embalagens são esmagadas após devolução? A SIC Verifica

Um vídeo a circular no TikTok está a gerar dúvidas sobre o funcionamento do Sistema Volta. Nas imagens, vê-se o interior de uma máquina de devolução com embalagens já trituradas. Em poucos dias, a publicação acumulou milhares de visualizações e centenas de comentários, com vários utilizadores a acusarem o sistema de "hipocrisia" por exigir que garrafas e latas sejam depositadas intactas para serem esmagadas logo de seguida. Mas afinal, existe alguma contradição entre as regras de devolução e o destino dado às embalagens? A SIC Verifica.

"Olha como ficam as embalagens que eles querem que se depositem intactas na máquina do Sistema Volta", refere a legenda de um vídeo que está a gerar debate no TikTok.

Nas imagens, o autor da publicação mostra o interior de uma máquina de devolução cheia de embalagens esmagadas, sugerindo uma contradição entre as regras impostas aos consumidores e o tratamento dado posteriormente ao material recolhido.

A publicação rapidamente gerou debate entre os utilizadores da rede social, acumulando milhares de visualizações e centenas de comentários.

Enquanto alguns apontam uma "incoerência" no sistema, outros defendem que a compactação das embalagens faz parte do processo normal de recolha e reciclagem.
"Se ficassem inteiras, a máquina levava meia dúzia de garrafas", argumenta um utilizador, lembrando que a reciclagem dos materiais implica, inevitavelmente, a sua trituração posterior.

Máquinas exigem embalagens intactas para serem esmagadas logo após a devolução?
Contactada pela SIC Verifica, a SDR Portugal, entidade gestora do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), confirma que o vídeo mostra uma situação real e explica que não existe qualquer contradição entre exigir embalagens intactas na devolução e proceder depois à sua compactação.

Segundo a SDR Portugal, o processo divide-se em dois momentos distintos.

Num primeiro momento, as embalagens têm de ser entregues inteiras, não espalmadas e com o código de barras legível. No caso das garrafas, devem ainda manter a tampa colocada. Só assim é possível validar automaticamente a embalagem, confirmar que pertence ao sistema e evitar devoluções indevidas ou fraudulentas.

Já num segundo momento, depois de identificadas e aceites, as embalagens são compactadas ou esmagadas para "otimizar o armazenamento, o transporte e a logística do sistema".

"Estas condições são igualmente essenciais para garantir a qualidade do material recolhido, assegurando que não é contaminado. Este é um passo fundamental para assegurar que as embalagens são recicladas com um nível de pureza elevado e podem regressar ao circuito produtivo, nomeadamente à indústria alimentar”, adianta ainda a entidade.

A compactação serve ainda para impedir que a mesma embalagem seja novamente introduzida na máquina para obter novo reembolso.

A SDR Portugal esclarece ainda que as embalagens esmagadas continuam a ser recicladas.

“Depois de recolhidas, as embalagens seguem para os dois Centros de Contagem e Triagem da SDR Portugal, onde são contadas, verificadas e separadas por material. Posteriormente, são encaminhadas para recicladores especializados, que as transformam em matéria-prima reciclada”, esclarece.

O objetivo é que os "materiais regressem ao ciclo produtivo, num modelo que promove a economia circular", explica a entidade.

Na prática, acrescenta, "uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa e uma lata pode voltar a ser uma lata", reduzindo a necessidade de utilizar matérias-primas virgens na produção de novas embalagens.
A SIC Verifica que é verdadeiro.

O vídeo mostra efetivamente embalagens esmagadas no interior das máquinas do Sistema "Volta". As embalagens precisam de ser entregues intactas apenas para permitir a sua identificação e validação. Depois dessa fase, são compactadas por razões logísticas e para evitar fraudes, seguindo posteriormente para triagem e reciclagem.

Leia também
Sistema Volta: tem de regressar ao supermercado onde comprou a garrafa?
Sistema Volta: conhece a app que envia o dinheiro para a conta bancária?

sexta-feira, 10 de julho de 2026

França em revolta contra sistema de reciclagem de garrafas idêntico ao "Volta" em Portugal


Revolta ambiental. ONG's (Organizações Não Governamentais) e algumas autoridades locais eleitas estão a posicionar-se contra uma proposta do governo francês.

O plano prevê a reciclagem de garrafas plásticas recolhidas, em vez da sua reutilização. O presidente Emmanuel Macron retomou o projeto no final de maio deste ano, apesar de grupos ambientalistas já terem feito um alerta sobre o assunto algures em 2023.

Mas então, porque é que esta distinção é tão importante?
A ideia do governo é reciclar garrafas plásticas em vez de reutilizá-las. Axèle Gibert, coordenadora de prevenção de resíduos da France Nature Environnement (FNE), explica a questão: "Não se trata de um sistema de depósito para reutilização... mas de um sistema que permitirá aos fabricantes recuperar essas garrafas para produzir ainda mais plástico".

O problema: as garrafas não são lavadas para reutilização posterior
Elas serão recicladas. Além disso, muitos críticos do projeto, incluindo funcionários eleitos, querem usar um termo diferente de “depósito”. Segundo eles, as garrafas não são “retornáveis”. Até falam em 'greenwashing'. Nicolas Garnier, membro da associação Amorce, só vê lucro para os fabricantes. “Esta ampla medida de 'greenwashing' não tem outro objetivo senão vender mais garrafas de plástico descartáveis”.

Para o presidente da Câmara de Bures-sur-Yvette (Essonne), “teremos agora que tomar medidas que façam o Estado compreender que não deixaremos que este absurdo nos detenha”. Do lado do governo, Mathieu Lefèvre, Ministro Delegado responsável pela Transição Ecológica, explica que “a taxa de recolha e reciclagem de garrafas e outras embalagens de plástico foi de apenas 58,4% em 2024, contra uma meta de 90%”.

O uso de plástico continua a destruir o nosso planeta.

Se esta meta não for atingida, "a implementação de um sistema de depósito para reciclagem tornar-se-á obrigatória a 1 de janeiro de 2029". Segundo Nicolas Garnier, o projeto "custaria aos consumidores entre 1 mil milhão e 3 mil milhões de euros". Há, portanto, um verdadeiro impasse entre o governo e os críticos do projeto. Alguns autarcas de várias partes da França, apoiados por sindicatos do setor de gestão de resíduos, estão prontos para adotar medidas drásticas.

Mais especificamente, ameaçaram "suspender o pagamento da TGAP" - sigla para a taxa geral sobre atividades poluentes. Esta ameaça poderá concretizar-se caso o governo não mude de rumo e insista em manter a sua posição. Falando em nome dos opositores do sistema, o deputado Philippe Vigier lamentou o que descreveu não mais como uma consulta, mas como uma "imposição" por parte do Estado.

Como funciona a TAGP  e porque é que os autarcas ameaçam suspender o pagamento?
A TGAP (Taxe Générale sur les Activités Polluantes) é a Taxa Geral sobre Atividades Poluentes em França, um imposto cobrado pelo Estado com base no princípio do poluidor-pagador. Quem paga esta taxa diretamente ao Estado não são os cidadãos, mas sim as entidades responsáveis pela gestão de resíduos. Na prática, sempre que uma autarquia francesa recolhe o lixo dos seus habitantes e o envia para um aterro ou para um incinerador, é obrigada a pagar ao governo central uma quantia fixa por cada tonelada de resíduos tratada. A nível nacional, este imposto representa um valor astronómico que ronda as centenas de milhões de euros anuais pagos pelos municípios aos cofres do Estado.

O descontentamento com o plano do governo de Emmanuel Macron levou os presidentes de câmara e os municípios franceses a ameaçarem suspender o pagamento desta taxa, por se sentirem profundamente injustiçados a nível financeiro e logístico. Ao longo dos últimos anos, as autarquias investiram milhões de euros na modernização de ecocentros públicos para separar o lixo doméstico. Dentro de todos os resíduos, as garrafas de plástico PET limpas funcionam como o filé mignon do lixo, sendo o único material que os municípios conseguem vender a bom preço às empresas de reciclagem para financiar e cobrir os custos do resto da recolha urbana.

O novo plano do governo destrói completamente este equilíbrio económico. Ao criar um sistema de máquinas de depósito nos supermercados, o Estado retira a recolha das garrafas de plástico das mãos dos municípios e entrega o negócio diretamente à indústria das grandes marcas de bebidas. Isto resulta num castigo duplo para as autarquias francesas, que perdem subitamente uma receita essencial com a venda do plástico, mas continuam com a obrigação onerosa de recolher o lixo que ninguém quer, como restos de comida, fraldas ou sofás. Para agravar a situação, os municípios teriam de continuar a pagar a pesada taxa TGAP ao Estado pelo envio desse lixo restante para incineração ou aterro, mesmo sem o retorno financeiro do plástico.

Esta ameaça de suspensão do pagamento funciona, portanto, como uma poderosa arma de arremesso político e uma autêntica greve fiscal ecologicamente motivada. Ao cortarem o fluxo deste imposto, os autarcas franceses lançam um ultimato claro ao governo central, avisando que não vão financiar os cofres do Estado se este insistir em retirar o negócio do plástico ao setor público para o entregar aos grandes industriais privados (como a Nestlé, Coca-Cola, Pepsi-Cola, etc.)

Empresas industriais estão na mira de grupos ambientalistas

Por enquanto, as discussões parecem estar paralisadas.
As relações estão tensas e as associações lamentam o facto de o governo permitir que a indústria continue a utilizar plástico — repetidamente — em vez de combater essa prática e tentar minimizar o seu uso.

Fonte

Artigo relacionado

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Na Suécia, calor de data centers passa a aquecer casas — e o “lixo térmico” virou energia útil para a população


Em Estocolmo, na Suécia, empresas de tecnologia firmaram parceria com a rede pública de aquecimento da cidade para reaproveitar o calor liberado por data centers — aqueles prédios cheios de servidores que armazenam dados da internet.

Os computadores funcionam 24 horas por dia e produzem enorme quantidade de calor.
Em vez de desperdiçar essa energia, o ar quente é captado, transferido para a rede de aquecimento urbano e enviado para casas, escolas e hospitais.

Em termos simples:
  1. servidores geram calor
  2. o calor é coletado por sistemas industriais
  3. entra na rede de aquecimento distrital
  4. ajuda a aquecer milhares de residências no inverno
Ou seja: internet → vira calor → vira conforto térmico.

A própria operadora do sistema estima que:
  1. até 10% do aquecimento urbano pode vir de data centers
  2. há queda nas emissões de CO₂
  3. o custo energético diminui
  4. a infraestrutura urbana fica mais eficiente
A Suécia já possui uma das maiores redes de aquecimento distrital do mundo — e a estratégia virou referência global em economia circular de energia.

Transparência sempre:
  1. tecnologia real e documentada
  2. não elimina outras fontes de aquecimento
  3. depende de localização e infraestrutura
  4. expansão é gradual e monitorada
Mas mostra que até o “calor invisível” da internet pode ser convertido em benefício público.

Fontes:
– Stockholm Exergi (rede de aquecimento de Estocolmo)
– Swedish Energy Agency
– BBC / The Guardian / Reuters

domingo, 27 de julho de 2025

Calor à porta: 3 estratégias para um verão mais amigo do ambiente



Com o verão a começar, são muitos os que decidem aproveitar os longos dias de calor para tirar férias e recarregar baterias. Embora a descontração seja sempre bem-vinda, é importante não deixar de estar atento a comportamentos que, apesar de comuns, podem ser prejudiciais para o meio ambiente.

Para ajudar todos os que procuram reduzir a sua pegada individual e sensibilizar família, amigos e colegas durante esta época do ano, a Goparity, plataforma de finanças de impacto, reuniu três dicas para ter em conta:

1. Escolher protetores solares menos prejudiciais para o ambiente: um primeiro passo consciente pode ser a verificação dos rótulos e escolha de produtos que contenham o menor número de químicos. Vários protetores solares têm na sua composição partículas de microplástico que contribuem para aumentar a sua espessura ou melhorar a sua aparência, funcionando ainda como filtros UV mais acessíveis. Ao mergulhar no mar após ter aplicado estes protetores no corpo, os microplásticos acabam por ser libertados diretamente no oceano, prejudicando o equilíbrio do ecossistema. Além disso, sabe-se que mais de 3.500 produtos populares de proteção solar contêm ainda substâncias químicas, como oxibenzona e octinoxato, altamente nocivas para ecossistemas como os recifes de coral.

2. Optar por uma alimentação consciente, local e da época: desde os alimentos consumidos à forma como são transportados, podem ser feitas escolhas mais sustentáveis. É importante escolher garrafas ou recipientes térmicos e reutilizáveis sempre que possível. Estes são mais eficientes em termos financeiros, na preservação da temperatura da água e melhores para o ambiente; o mesmo pode ser dito relativamente à forma como se transportam e conservam os alimentos consumidos na praia, como as sandes ou a fruta – a comida levada de casa em recipientes que possam ser lavados e usados novamente é preferível ao recurso a comida pré-feita, embalada em recipientes de utilização única. A acrescentar, optar por alimentos da época produzidos em Portugal, como por exemplo as laranjas do Algarve ou cerejas do Fundão, não só contribuirá para a economia local como evitará as emissões de carbono do transporte de alimentos de outros países e continentes e os gastos energéticos da conservação em arcas de congelação.

3. Procurar reduzir a pegada ecológica individual: o transporte escolhido e a forma como se arrefecem as casas são dois bons pontos de partida. A climatização da casa pode pesar muito na pegada ambiental de cada um. Apesar das melhorias em anos recentes, Portugal continua atrás em relação à média europeia no que toca à eficiência energética dos edifícios, pelo que poderá dar-se primazia à ventilação natural e a equipamentos de melhor classificação energética, como as ventoinhas. No que toca a deslocações para os destinos de férias, é sempre bom tentar evitar aviões e se possível optar por transportes coletivos, como comboios, ou partilhar boleias, de modo a fazer escolhas mais amigas do ambiente (e em muitos casos da carteira). Segundo dados da ZERO, um comboio intercidades ou autocarro entre Lisboa e Porto tem uma pegada de 3,8 e 4,6kg de CO2 por pessoa, respetivamente, ao passo que fazer uma viagem sozinho num carro a gasóleo para o mesmo trajeto terá um peso de 50,2kg em emissões de CO2.

Para além dos comportamentos individuais que têm um impacto significativo quando reproduzidos em massa, a Goparity apela a que todas as empresas e organizações, tendo em conta o seu impacto coletivo, tenham em conta como podem minimizar a sua pegada ambiental. A principal missão da Goparity é a democratização do acesso às finanças sustentáveis, ligando empresas e indivíduos que querem investir em projetos com impacto positivo nas pessoas e no planeta.

A Goparity já permitiu mais de 35 milhões de euros investidos por mais de 45.000 membros registados. Os projetos financiados através da plataforma permitiram impactar positivamente cerca de 89.000 pessoas, criar quase 5.000 postos de trabalho e contribuir para evitar a emissão de 25.000 toneladas de emissões de CO2 para a atmosfera todos os anos.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Documentário: Antes que vire lixo


Na cidade de São Paulo, uma das mais influentes do Brasil, duas realidades contraditórias dividem o mesmo cenário, mas nem sempre são captadas pelo nosso olhar. 

Foi depois de cruzar a porta de um restaurante (onde um pedido chegou errado à mesa e a porção inteira de comida foi jogada fora) e se deparar com pessoas implorando por um pedaço de pão que a ideia do 'Antes que vire lixo' surgiu.
 
Neste documentário jornalístico mostramos algumas ações realizadas na cidade de São Paulo para tentar reduzir o desperdício de alimentos dos restaurantes, supermercados e feiras livres. 

Bora conferir? Produzida, gravada e editada por Beatriz Albertoni, Giulia Vidale e Paula Forster, a obra é resultado do nosso Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero (2016).

domingo, 19 de maio de 2024

Ode à Ecologia

Minha Foto: "Aquarela"
"Ó Terra mãe, de beleza infinita,
Teu corpo verdejante, oásis de vida,
Das profundezas aos picos altivos,
Guardas segredos, seres furtivos.
Oceano vasto, mar azul-celeste,
Berço das ondas, força inconteste,
Reinos submersos, mistério profundo,
No teu abraço, sustentas o mundo.
Florestas densas, pulmões do planeta,
Rios que correm, veias de água inquieta,
Cada folha, cada flor desabrochada,
É um hino à vida, uma ode encantada.
Animais livres, em harmonia dançam,
Ciclos naturais, eternos, se balançam,
O canto dos pássaros, sinfonia divina,
Ecos de um mundo, em paz, se alinha.
Céus estrelados, vastidão serena,
Mistérios do cosmos, beleza plena,
Constelações cintilam, luzes guiam,
Na noite escura, sonhos se criam.
Homem, filho ingrato, desperta e vê,
A terra chora, teu descaso, por quê?
Destróis o que te dá sustento e guarida,
Mas ainda há tempo, busca a saída.
Protege a fauna, flora e águas claras,
Repensa, reduz, reutiliza, repara, recicla
Com sabedoria, age com cuidado,
E a Terra renasce, num abraço renovado.
Que a Ecologia seja teu norte e guia,
Em cada acto, em cada novo dia,
Respeita a Terra, teu único lar,
E a natureza sempre há de te amar."
João Soares, 18.05.2024
Foto: Aguarela

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Dia Mundial da Terra: reutilização de T-Shirts usadas

Sacos feitos a partir de T-shirts velhas 


Dia Mundial da Terra 2024 – Planeta vs. Plásticos
O Dia Mundial da Terra é comemorado, anualmente, a 22 de abril. Esta data visa reconhecer a importância do planeta e alertar para a preservação dos recursos naturais do mundo, tendo como tema em 2024 - Planeta versus Plásticos

O Dia Mundial da Terra é uma celebração anual que visa despertar a consciência para a necessidade de proteger os recursos naturais para que possam ser usados pelas gerações futuras. O tema escolhido para este ano pela Earth Day Network (EDN) é o Planeta versus Plásticos, almejando que haja uma redução em 60% de todos os plásticos, até 2040.

Uma forma de ajudar a diminuir o consumo de plástico passa pela utilização de outros materiais que o possam substituir, como o caso do papel. Face ao plástico, o papel tem a vantagem de ser biodegradável e ainda pode ser obtido com impactos reduzidos no ambiente quando aplicadas práticas silvícolas sustentáveis. Realça-se que o papel é amplamente reciclável e pode ser transformado em novos produtos. Ou por ideias interessantes de reutilização  (como ilustrado na imagem acima) de fazer sacos a partir de T-shirts velhas, reduzindo o uso de sacos de plástico.

domingo, 22 de outubro de 2023

Os eco-eventos e o plástico


Os ecoeventos estão na moda, mas será que são efetivamente eventos sustentáveis?!
No caso desta fotografia que foi partilhada nas redes sociais, vemos dezenas de copos que supostamente deveriam ser entregues e devolvida a sua taxa de uso.
Mas isso não aconteceu, foram descartados sem qualquer triagem! Um resíduo que se transformaria num novo recurso foi desperdiçado e deixado à deriva.
É nestes momentos que me pergunto, porquê? Porque é que o ser humano não entende a importância de um simples gesto

sábado, 14 de outubro de 2023

Governo lança concurso para 6 centrais de biomassa


O Governo de António Costa aprovou um decreto-lei para a alteração do regime especial e extraordinário relativo à instalação e exploração de novas centrais de valorização de biomassa nos territórios mais vulneráveis ao risco de incêndios rurais, cuja delimitação foi aprovada pela Portaria n.º 301/2020, de 24 de dezembro. O diploma aprovado permite o lançamento de um concurso destinado à atribuição dos títulos de reserva de capacidade para a injeção na rede elétrica de serviço público, no total de 60 MW e com o limite de 10 MW por cada central.
O mapa dos territórios elegíveis pode ser consultado aqui. Fonte.


quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Embalagens descartáveis de papel têm forte impacto na biodiversidade e em futuros incêndios florestais em Portugal


A União Europeia (UE) está a rever o Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR). Neste contexto, as embalagens de papel e cartão têm um forte destaque, sendo de prever um aumento da procura, alicerçada na urgente necessidade de redução do uso do plástico e associado às características de renovação e biodegradação da madeira.

A revisão dessas regras pela UE é encarada pela indústria de celulose como uma oportunidade de expansão da sua área de negócio, associada às fibras da madeira, aos “biomateriais”. Em Portugal, essa oportunidade tem suscitado um aumento da pressão das celuloses sobre a governação para o aumento das áreas de plantações de eucalipto.

As embalagens de papel e cartão estão associadas à produção de madeira para triturar. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), na publicação das Contas Económicas da Silvicultura de 2021, em junho deste ano, a produção de madeira para triturar triturada representou em 2021 (dados provisórios) 41,4% da produção de madeira, cortiça e outros bens silvícolas, o vlor mais alto desde 2015. Já a produção de cortiça e de madeira para serração representaram apenas 24,4% e 20,2%, respetivamente. Face a 2020, em 2021 a produção de madeira para triturar aumentou 2,5%, ao contrário da produção de cortiça que contraiu 6,0%. Em 2021, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da silvicultura registou uma contração de 1,8%, mantendo a tendência decrescente registada desde 2015. O VAB da silvicultura representa atualmente menos de metade do peso registado em 2000. Ou seja, o aumento na produção de madeira para triturar ao longo deste período de tempo não tem peso económico significativo para a silvicultura nacional. Os reflexos fazem-se sentir não só na economia, mas têm impacto social, no emprego, e ambiental, na perda de biodiversidade e em emissões de gases de efeito estufa decorrentes da tendência crescente dos incêndios, sobretudo em áreas de “povoamento florestal”.

A produção de madeira para triturar, essencial para a produção de embalagens, de papel de escritório e de “bio”energia, está associada em Portugal, sobretudo, às plantações de eucalipto, a extensas áreas de monocultura, a modelos de silvicultura intensiva, a crescente risco de incêndio. A expansão da área destas plantações, pelo peso crescente da área sob gestão de abandono nas últimas décadas em Portugal, acarretará significativos problemas sociais e ambientais no futuro, entre os quais os associados aos incêndios florestais e emissões decorrentes, como assistimos recentemente em Odemira, em Ourém/Leiria e em Coimbra.

O mito da aposta “verde” nos “biomateriais”, nas “forest fibers” tem consequências negativas, motivo pela qual a Acréscimo manifesta a sua preocupação face ao oportunismo associado à revisão do normativo da UE protagonizado por parte da indústria de celulose. No plano europeu, a Environmental Paper Network (EPN) e a Fern produziram e divulgaram um vídeo sobre os impactos do uso de embalagem descartáveis de papel e cartão, no caso, associados ao setor alimentar, nomeadamente ao “fast food” e ao “take away”.

O embalamento em papel tem algumas vantagens sobre o uso de plástico no que diz respeito à sustentabilidade. São mais fáceis de reciclar e, por serem biodegradáveis, podem ser utilizados para fins como compostagem. No entanto, a produção de papel exige muitos recursos: p.e., fabricar um saco de papel consome mais energia do que a produção de um saco de plástico, e os produtos químicos e fertilizantes utilizados na produção de sacos de papel criam danos adicionais para o ambiente. Estudos demonstraram que, para um saco de papel neutralizar o seu impacto ambiental em comparação com o plástico, teria de ser utilizado entre três e 43 vezes. Como os sacos de papel são os menos duráveis de todas as opções de ensacamento, é improvável que um consumidor aproveite o suficiente de qualquer saco de papel para equilibrar o impacto ambiental. O facto de o papel ser reciclável tem as suas limitações. Como as fibras do papel ficam mais curtas e mais fracas cada vez que ocorre o processo de reciclagem, existe um limite de quantas vezes o papel pode ser reciclado.

Se qualquer material de embalamento tem o seu impacte ambiental, seja papel, plástico, tecido, vidro ou outro, o fundamental é optar por aquele material que garanta maior capacidade de reutilização. O embalamento à base do corte de arvoredo tem, a este nível, enormes limitações. Por outro lado, o uso de madeira para embalamento descartável gera menos emprego, menor valor acrescentado na silvicultura, tem maior impacto na perda de biodiversidade e está associado a bens que rapidamente libertam para a atmosfera o carbono antes sequestrado pelo arvoredo, carbono esse que contribui para o aquecimento global, o que acarreta fortes consequências em futuros incêndios florestais.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Grandes marcas destroem roupa que tinham prometido reciclar – investigação


Um par de calças doado à C&A foi queimado num forno de cimento e uma saia doada à H&M viajou 24.800 quilómetros, de Londres até um terreno baldio no Mali.

A maior parte das roupas doadas a grandes marcas, que prometem reutilizá-las ou reciclá-las, é na verdade destruída, deixada em armazéns ou enviada para África, segundo uma investigação divulgada esta segunda-feira.

A investigação, da responsabilidade da organização “Changing Markets Foundation”, com sede nos Países Baixos, indica que várias cadeias internacionais “deitam fora roupas que prometeram salvar”. E trata-se de roupa, diz a organização, em perfeitas condições.

A organização não-governamental (ONG) explica num comunicado que usou “air tags” da Apple (dispositivos que enviam a localização) e assim conseguiu rastrear 21 peças de roupa usada, em perfeitas condições. Os artigos foram doados às lojas H&M, Zara, C&A, Primark, Nike, The North Face, Uniqlo e M&S na Bélgica, França, Alemanha e Reino Unido, e outros doados a uma grande cadeia de vendas online.

Grandes marcas comprometem-se a reciclar, produzir menos resíduos, acabar com produtos químicos perigosos, e fazem ofertas para quem entregar roupa em segunda mão, que dizem será para reciclar ou reutilizar.

Segundo a organização, apesar das promessas, três quartos dos artigos (16 em 21) foram destruídos, deixados em armazéns ou exportados para África, onde cerca de metade da roupa usada é retalhada para outras utilizações ou abandonada.

A “Changing Markets Foundation” dá exemplos: um par de calças doado à M&S foi destruído numa semana, outro par doado à C&A foi queimado num forno de cimento, uma saia doada à H&M viajou 24.800 quilómetros, de Londres até um terreno baldio no Mali, onde parece ter sido despejada. Três artigos acabaram na Ucrânia, onde as regras de importação foram flexibilizadas devido à guerra. Apenas cinco artigos dos 21 foram reutilizados na Europa ou acabaram numa loja de revenda.

“A maior parte dos programas promete explicitamente não deitar fora a roupa utilizável. Mas nenhuma das marcas mencionadas mantém registos públicos sobre o destino das roupas que lhes são doadas. Em vez disso, entregam-nas a empresas especializadas em reutilização, reciclagem e eliminação final” diz a ONG no comunicado.

Urska Trunk, da ONG, diz citada no documento que as promessas das lojas são mais um truque de “lavagem ecológica” (greenwashing), porque os artigos doados em perfeitas condições são na sua maioria destruídos, deixados em armazéns ou enviados para o outro lado do mundo.

A “Changing Markets” lembra que a União Europeia está a reforçar as regras em matéria de resíduos e pede uma lei forte, que contemple objetivos obrigatórios de reutilização e de reciclagem.

O “greenwashing” é uma estratégia de publicidade através da qual uma empresa poluidora pretende fazer passar uma imagem de responsabilidade ambiental, que na verdade não tem.

terça-feira, 25 de julho de 2023

Experts Say Decades of Recycling Hype Has Backfired Dramatically



You've just finished a cup of coffee at your favorite cafe. Now you're facing a trash bin, a recycling bin and a compost bin. What's the most planet-friendly thing to do with your cup?

Many of us would opt for the recycling bin – but that's often the wrong choice. In order to hold liquids, most paper coffee cups are made with a thin plastic lining, which makes separating these materials and recycling them difficult.

In fact, the most sustainable option isn't available at the trash bin. It happens earlier, before you're handed a disposable cup in the first place.

In our research on waste behavior, sustainability, engineering design and decision making, we examine what U.S. residents understand about the efficacy of different waste management strategies and which of those strategies they prefer.

In two nationwide surveys in the U.S. that we conducted in October 2019 and March 2022, we found that people overlook waste reduction and reuse in favor of recycling. We call this tendency recycling bias and reduction neglect.

Our results show that a decades-long effort to educate the U.S. public about recycling has succeeded in some ways but failed in others. These efforts have made recycling an option that consumers see as important – but to the detriment of more sustainable options. And it has not made people more effective recyclers.

A global waste crisis
Experts and advocates widely agree that humans are generating waste worldwide at levels that are unmanageable and unsustainable. Microplastics are polluting the Earth's most remote regions and amassing in the bodies of humans and animals.

Producing and disposing of goods is a major source of greenhouse gas emissions and a public health threat, especially for vulnerable communities that receive large quantities of waste. New research suggests that even when plastic does get recycled, it produces staggering amounts of microplastic pollution.

Given the scope and urgency of this problem, in June 2023 the United Nations convened talks with government representatives from around the globe to begin drafting a legally binding pact aimed at stemming harmful plastic waste. Meanwhile, many U.S. cities and states are banning single-use plastic products or restricting their use.

Upstream and downstream solutions
Experts have long recommended tackling the waste problem by prioritizing source reduction strategies that prevent the creation of waste in the first place, rather than seeking to manage and mitigate its impact later.

The U.S. Environmental Protection Agency and other prominent environmental organizations like the U.N. Environment Programme use a framework called the waste management hierarchy that ranks strategies from most to least environmentally preferred.

The familiar waste management hierarchy urges people to "Reduce, Reuse, Recycle," in that order. Creating items that can be recycled is better from a sustainability perspective than burning them in an incinerator or burying them in a landfill, but it still consumes energy and resources.

In contrast, reducing waste generation conserves natural resources and avoids other negative environmental impacts throughout a product's life.

R's out of place
In our surveys, participants completed a series of questions and tasks that elicited their views of different waste strategies. In response to open-ended questions about the most effective way to reduce landfill waste or solve environmental issues associated with waste, participants overwhelmingly cited recycling and other downstream strategies.

We also asked people to rank the four strategies of the Environmental Protection Agency's waste management hierarchy from most to least environmentally preferred.

In that order, they include source reduction and reuse; recycling and composting; energy recovery, such as burning trash to generate energy; and treatment and disposal, typically in a landfill. More than three out of four participants (78%) ordered the strategies incorrectly.

When they were asked to rank the reduce/reuse/recycle options in the same way, participants fared somewhat better, but nearly half (46%) still misordered the popular phrase.

Finally, we asked participants to choose between just two options – waste prevention and recycling. This time, over 80% of participants understood that preventing waste was much better than recycling.

Recycling badly
While our participants defaulted to recycling as a waste management strategy, they did not execute it very well.

This isn't surprising, since the current U.S. recycling system puts the onus on consumers to separate recyclable materials and keep contaminants out of the bin.

There is a lot of variation in what can be recycled from community to community, and this standard can change frequently as new products are introduced and markets for recycled materials shift.

Our second study asked participants to sort common consumer goods into virtual recycling, compost and trash bins and then say how confident they were in their choices.

Many people placed common recycling contaminants, including plastic bags (58%), disposable coffee cups (46%) and light bulbs (26%), erroneously – and often confidently – in the virtual recycling bins.

For a few materials, such as cardboard and aluminum foil, the correct answer can vary depending on the capacities of local waste management systems.

This is known as wishcycling – placing nonrecyclable items in the recycling stream in the hope or belief that they will be recycled. Wishcycling creates additional costs and problems for recyclers, who have to sort the materials, and sometimes results in otherwise recyclable materials being landfilled or incinerated instead.

Although our participants were strongly biased toward recycling, they weren't confident that it would work.

Participants in our first survey were asked to estimate what fraction of plastic has been recycled since plastic production began. According to a widely cited estimate, the answer is just 9%.

Our respondents thought that 25% of plastic had been recycled – more than expert estimates but still a low amount. And they correctly reasoned that a majority of it has ended up in landfills and the environment.

Empowering consumers to cut waste
Post-consumer waste is the result of a long supply chain with environmental impacts at every stage. However, U.S. policy and corporate discourse focuses on consumers as the main source of waste, as implied by the term "post-consumer waste."

Other approaches put more responsibility on producers by requiring them to take back their products for disposal, cover recycling costs and design and produce goods that are easy to recycle effectively.

These approaches are used in some sectors in the U.S., including lead-acid car batteries and consumer electronics, but they are largely voluntary or mandated at the state and local level.

When we asked participants in our second study where change could have the most impact and where they felt they could have the most impact as individuals, they correctly focused on upstream interventions.

But they felt they could only affect the system through what they chose to purchase and how they subsequently disposed of it – in other words, acting as consumers, not as citizens.

As waste-related pollution accumulates worldwide, corporations continue to shame and blame consumers rather than reducing the amount of disposable products they create.

In our view, recycling is not a get-out-of-jail-free card for overproducing and consuming goods, and it is time that the U.S. stopped treating it as such.

terça-feira, 11 de julho de 2023

O que se passa com a reciclagem em Portugal?


Números muito negros. Portugal é um dos países da UE que menos reciclam plástico, papel, vidro e outros resíduos embalados. Em 2021, Portugal reciclou 30% dos seus resíduos municipais, uma percentagem só superior à da Roménia, Malta, Chipre e Estónia. A Alemanha, no topo do ranking, reciclou 71%.

Dados: Pordata

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Entrevista a Nicolas Jourdain: Economia circular pode ser “difícil de implementar” mas “o potencial é enorme”


A economia circular é apontada como um pilar-chave da transição para modos de produção e consumo mais sustentáveis e com menos impactos sobre o planeta. A maior parte dos recursos que nos são disponibilizados pela Terra, e dos quais as nossas economias e vidas hoje dependem, não são infinitos, pelo que os modelos de extração, transformação, comercialização e consumo também não podem basear-se na ideia de que são inesgotáveis.

Por isso mesmo, a União Europeia quer duplicar a presença de materiais reciclados nas economias regionais até 2030, mas este não parece ser um caminho fácil. Em 2021, os materiais reciclados representaram 11,7% de todos os materiais usados, um aumento de menos de 1% face a 2010.

Como tal, ainda temos muito terreno por desbravar para que consigamos concretizar uma verdadeira circularidade nas economias europeias.

Nicolas Jourdain, responsável de Economia Circular da KPMG para as regiões da Europa, Médio Oriente e África, falou com a ‘Green Savers’ sobre o potencial da circularidade para ajudar as economias europeias, e não só, a serem mais sustentáveis, a reduzirem a pressão sobre os sistemas planetários e a recuperarem, pelo menos em parte, a harmonia com a Natureza.

Estima-se que, se mantivermos os atuais níveis de consumo de recursos naturais, em 2050 precisaremos de três Terras para satisfazer as nossas necessidades. Do outro lado da moeda, temos os resíduos gerados pelo consumo, que se estima que aumentem em 70% até 2050. Como é que a economia circular pode ajudar a inverter estas tendências?

Das 100 mil milhões de toneladas de recursos naturais extraídas todos os anos, apenas cerca de 7% são circulares, pelo que o potencial é enorme. Mas temos de enfrentar uma grande mudança comportamental na compra de materiais, na produção, nos modelos de negócio, nos padrões de consumo e na gestão do fim de vida dos produtos. Tudo tem de basear-se nos princípios da economia circular, que visa dissociar o crescimento económico da extração de recursos naturais.

Os atuais debates sobre o tratado para pôr fim à poluição por plásticos, por exemplo, são muito interessantes, pois demonstram o que está em jogo e as forças frequentemente contraditórias em jogo para se chegar a uma solução sustentável. Das 408 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos produzidos todos os anos, menos de 18% são efetivamente separadas para reciclagem em todo o mundo e, frequentemente, o resultado é uma qualidade degradada. O problema não está na reciclagem, mas no próprio design dos produtos e na sua conceção inicial.

Quase tudo é concebido para ser deitado fora após a utilização, como se o material não tivesse qualquer valor residual. Tudo tem de ser reinventado em termos de conceção, volume, utilização e tratamento dos produtos, quando já não precisamos deles. Os mesmos princípios aplicam-se a praticamente todos os materiais de base utilizados para produzir os bens que consumimos: têxteis, metais, cimento, biomassa, vidro e combustíveis fósseis.

A transição energética é apontada como fundamental para reduzir os impactos humanos no planeta, combater as alterações climáticas, reduzir a poluição e travar a perda de biodiversidade. As tecnologias de energias renováveis podem basear-se na economia circular para serem verdadeiramente sustentáveis, em vez de dependerem da extração contínua de minerais e outras matérias-primas?

Abordámos esta questão fundamental num relatório intitulado “Resourcing the energy transition”.

Ao implementar o Acordo de Paris, são necessários esforços globais por parte dos governos e do setor privado para avançar para um sistema de energias renováveis. Fechar o ciclo não será fácil. O desenvolvimento destas estratégias de economia circular pode deparar-se com barreiras jurídicas, financeiras, organizacionais e operacionais, que exigem a colaboração entre as diferentes partes interessadas e, potencialmente, novas competências (tecnológicas, ambientais e económicas) para ultrapassá-las.

No entanto, à medida que a tecnologia avança, as oportunidades de adotar os princípios da economia circular e a sua aplicação aos recursos necessários para este sistema energético e para outras inovações tecnológicas deve estar no topo da agenda das empresas de um amplo espectro de setores.

A passagem para um sistema de energias renováveis e a transição para uma economia mais circular fazem parte da mesma agenda.

Porque é que é tão importante que a economia circular se torne o ponto de orientação das economias e deixe de ser algo marginal? As empresas apercebem-se da sua importância, não só para o planeta, mas para elas próprias?

É evidente que, atualmente, a economia circular é reconhecida pelos governos e decisores políticos como uma solução importante, se não a única solução, para resolver em profundidade os problemas do aquecimento global devido às emissões de gases com efeito de estufa, da poluição do solo, do ar e da água e do impacto na natureza e na biodiversidade devido à extração cada vez mais massiva de matérias-primas virgens (combustíveis fósseis, minerais ferrosos e não ferrosos, biomassa).

Mas a transição de uma economia linear, baseada precisamente em volumes muito elevados, em reduzidos ciclos de vida dos produtos e numa intensidade de extração muito elevada dos recursos naturais a custos relativamente baixos, é particularmente difícil de implementar.

Estamos a falar de uma transformação completa dos modelos empresariais e das relações entre as funções empresariais e com os fornecedores, clientes e concorrentes, que devem evoluir para uma maior integração e colaboração. Muitas coisas precisam de ser repensadas, como a conceção dos produtos e a gestão do ciclo de vida, para prolongar ou mesmo multiplicar a vida dos produtos vendidos ou alugados, uma vez que a economia circular evoluirá necessariamente para modelos de aluguer ou de leasing, em que o cliente pagará pela utilização e pelos serviços prestados pelo produto, em vez de ter propriedade sobre ele.

É uma transição que levará tempo, mas muitos líderes de mercado já vão com avanço. Os líderes da circularidade estão a emergir em muitos setores, como o automóvel, a eletrónica, o equipamento industrial ou a construção. A longo prazo, será uma corrida pela competitividade e inovação.

Os produtos circulares e responsáveis tornar-se-ão uma questão importante tanto para o impacto ambiental das empresas como para os clientes e os consumidores, que deixarão de aceitar produtos irresponsáveis que causam danos aos ecossistemas e à sua saúde.

O que é que tem impedido a economia circular de se afirmar verdadeiramente e de se tornar a regra e não a exceção? Será que é a resistência das empresas e indústrias em utilizar materiais “usados”, é o facto de os consumidores não exigirem esta mudança e quererem produtos novos, ou será que a responsabilidade recai sobre os organismos governamentais e reguladores que não implementam as regras necessárias?

Penso que é um pouco de tudo isso. Mas, na minha opinião, é sobretudo uma questão de acesso fácil a recursos virgens e a combustíveis fósseis baratos nos últimos 150 anos. Toda a indústria tem sido organizada em torno de uma economia linear de “pegar, fazer, usar, desperdiçar” desde o final do século XIX, com uma aceleração acentuada após a Segunda Guerra Mundial.

Por isso, tudo precisa de ser alterado e adaptado, e isso envolverá o lado da oferta e inovações das empresas, o setor público e, especialmente, as cidades e regiões, o apetite dos consumidores por esses novos tipos de produtos e padrões de consumo mais responsáveis, os legisladores e os investidores.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Portugal diminuiu emissões de gases com efeito de estufa, mas falhou nos resíduos

Os dados da Pordata mostram também uma grande dependência da energia fóssil e que Portugal tem vindo a ter temperaturas cada vez mais altas.

Portugal é dos países da União Europeia (UE) que mais diminuiu as emissões de gases com efeito de estufa mas foi incapaz de lidar com os resíduos, estando neste caso muito abaixo da média europeia.

Os números fazem parte de um retrato estatístico da situação ambiental em Portugal, divulgado no Dia Mundial do Ambiente pela base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, a Pordata, em colaboração com a Agência Portuguesa do Ambiente.

Se os dados mostram que desde 2005 Portugal reduziu 35% das emissões de gases com efeito de estufa (média da UE é 24%), mostram também uma grande dependência ainda da energia fóssil, e mostram que o país tem vindo a ter temperaturas cada vez mais altas, e que produz cada vez mais resíduos.

Energia e transportes produzem metade das emissões de gases em Portugal
A Pordata nota na análise que face a 2005, e apesar das oscilações, as emissões de GEE têm baixado na generalidade dos setores, em Portugal e na UE, com exceção da agricultura em Portugal, cujas emissões de GEE aumentaram 4,7%.

Na área da energia, apesar dos ganhos nas renováveis, a energia fóssil representa 65% do cabaz (repartição pelas diferentes fontes da energia aprovisionada), com 40,6% vinda do petróleo e 23,6% do gás natural, em 2021. Face a 2000 o peso do carvão baixou de 15% para menos de 1% e o petróleo caiu mais de 20 pontos percentuais, com crescimento do gás natural e das renováveis.

Positivo é o peso das energias renováveis na produção de energia elétrica. Em 2021 64,9% da produção vinha de fontes renováveis. Desde 2018, destaca o Pordata, mais de metade da produção elétrica tem como fonte as energias renováveis.

Economia portuguesa é das que mais recursos naturais consome
Segundo os dados da Pordata, em 2021, Portugal consumiu cerca de 174 milhões de toneladas de materiais (segundo o Eurostat, o INE indica 163,9 milhões), o equivalente a 16,9 toneladas por habitante, quando o valor da média europeia não vai além das 14,1 toneladas por habitante.

A Pordata explica que os minerais não metálicos, muito usados na construção, são os mais consumidos em Portugal, representando 63% do total em 2021.

"Em Portugal, o consumo interno de materiais aumentou 65% entre 1995 e 2008, ano em que atingiu o seu valor máximo com 242 milhões de toneladas. A trajetória posterior foi de forte redução durante o período da crise económica, tendo-se seguido uma quase estabilização em torno de 164 milhões de toneladas", explica a análise, a que a Lusa teve acesso.

De acordo com os números, no balanço entre crescimento económico e consumo de materiais, Portugal atingiu em 2013 uma melhoria de 23% na produtividade dos recursos (quociente entre o PIB e o Consumo Interno de Materiais), face a 1995.

Desde então, apesar de manter sempre a produtividade acima de 1995, nunca mais atingiu o mesmo valor. Em 2021 foi de 14%.

Na área dos resíduos os números mostram que em 2020 cada pessoa produziu em média 1,4 quilos de lixo por dia. Desde 1995 que a produção de resíduos "per capita" tem aumentado, um aumento que desde então foi de 46%, quando a média europeia não passou dos 12%.

Outro fator negativo é o da deposição de resíduos em aterro, metade dos resíduos portugueses tiveram esse destino em 2021, o dobro da média europeia (23%).

A Pordata nota que o ponto de partida de Portugal foi diferente, porque em 1995 cerca de 90% dos resíduos urbanos em Portugal iam para aterro, contra 65% da média europeia.

Um ponto de partida também diferente na reciclagem. No mesmo ano de 1995 Portugal reciclava 1% e a média europeia já era de 12%. Assim, em 2021, o principal destino dos resíduos urbanos na UE era a reciclagem (30%) mas em Portugal atingia-se apenas os 13%.

Hoje, Dia Mundial do Ambiente
O Dia Mundial do Ambiente celebra-se anualmente a 05 de junho desde 1974. Este ano, tendo como países anfitriões a Costa do Marfim e os Países Baixos, debate soluções para a poluição plástica.

Nos últimos 50 anos tem sido um pretexto para sensibilizar a população mundial para as questões ambientais.

Para assinalar a data, os desafios a emergência climática serão debatidos num debate na Central Tejo, em Lisboa, numa iniciativa das entidades gestoras de resíduos, Novo Verde e ERP Portugal, em parceria com a Fundação EDP.

O dia é também assinalado com outras iniciativas, quer em Lisboa quer em cidades como Guimarães ou Coimbra, Braga, Guarda ou Funchal, sobretudo com conferências.

A propósito da efeméride a empresa Prosegur apresenta uma lista do que considera os principais crimes ambientais, na qual inclui a pesca irregular, não declarada e não regulamentada, a posse e o comércio ilegal de espécies, a caça ilegal ou furtiva, a exploração ilegal e o tráfico de madeira, a extração ilegal de recursos minerais e a gestão ilegal de resíduos.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Plásticos Recicláveis: Conheça os Tipos e Características



O plástico, como conhecemos hoje, foi criado em 1920 por um químico alemão que descobriu a estrutura molecular dos polímeros. Seu nome tem origem na palavra grega “plastikos”, que significa “que pode ser moldado”.

Porém, os estudos que levaram até essa descoberta começaram por volta de 1860, quando o químico e inventor britânico Alexander Parkes descobriu o nitrato de celulose, a chamada “parkesina”, um material altamente flexível, impermeável e com características de opacidade.

Ao longo dos anos, muita coisa mudou e esse material foi sendo aperfeiçoado. Pesquisadores identificaram possibilidades na variação das características de cada polímero, diversificando seus tipos. Assim surgiu a divisão dos plásticos em: termoplásticos (podem ser reciclado) e termorrígidos (não são recicláveis).

Tipos de plásticos recicláveis
Como nem todos os plásticos podem ser reciclados, aqueles que têm essa propriedade são representados por um triângulo formado por três setas e com um número de identificação para a classificação quando chegam ao centro de reciclagem.

O uso dessa simbologia nas embalagens não é necessariamente obrigatório, mas é amplamente utilizado pelos fabricantes, pois facilita o processo de separação e reciclagem dos materiais. A numeração vai de 1 a 7. Os plásticos representados pelos números de 1 a 6 são, geralmente, reciclados.
Tipos e características dos plásticos recicláveis
.
1 – PET (Tereftalato de Polietileno)
O PET é um dos plásticos recicláveis mais comuns, formado pela reação entre o ácido tereftálico e o etileno glicol. Normalmente, usado na produção de frascos e garrafas para alimentos, como é o caso das garrafas de refrigerante e água, além de embalagens de medicamentos e cosméticos. Trata-se de material transparente, inquebrável, impermeável e leve.
Sua desvantagem é ser feito a partir do petróleo, uma fonte não renovável, e quando misturado a outros tipos de materiais, como fibras de algodão, torna-se inviável para reciclagem.

2 – PEAD (Polietileno de Alta Densidade)
O PEAD é comumente utilizado para fabricação de tampas e embalagens, como é o caso dos frascos de amaciantes, alvejantes, shampoos, detergentes e óleos automotivos; bem como, sacolas de supermercados, potes e utilidades domésticas.

É muito utilizado por ser inquebrável, resistente a baixas temperaturas, leve, impermeável, rígido e com resistência química. Pode ser obtido a partir do petróleo ou de fontes vegetais. Nesse último caso, temos o chamado plástico verde.

3 – PVC (Policloreto de Vinila)
O PVC é formado por 57% de cloro e 43% de eteno (derivado do petróleo). Tem como característica ser mais rígido, transparente (quando desejável), impermeável, e inquebrável.

Popularmente conhecido por seu uso na construção civil, em tubulações de água e esgoto, é também comumente encontrado em embalagens como as de óleos comestíveis, água mineral e potes de maionese. Além disso, é bastante utilizado em produtos mais resistentes, como cones de sinalização, calhas e até mesmo brinquedos. Apesar da reciclagem do PVC ser possível quando o material é bem separado, esse tipo de plástico é um dos que apresenta maior dificuldade quando chega aos centros de triagem.

4 – PEBD (Polietileno de Baixa Densidade)
O PEBD, é um tipo de plástico muito utilizado por ser flexível, leve, transparente e impermeável. Pode ser obtido a partir do petróleo ou de fontes vegetais, neste último caso chamado de plástico verde.

Usado para fabricar sacolas para supermercados e lojas, embalagens de leite e outros alimentos, como pães, frios e embutidos, bem como sacos de lixo e materiais hospitalares.

5 – PP (Polipropileno)
O PP é um tipo de plástico reciclável produzido a partir do gás propeno. Tem como características ser inquebrável, transparente, brilhante, rígido e resistente a mudanças de temperatura, além de conservar bem aromas.

Muito utilizado em filmes para embalagens e alimentos, na fabricação de produtos industriais e da construção civil, como cordas, tubos para água quente, fios e cabos. Também tem sido utilizado em frascos, caixas de bebidas, autopeças, potes e utilidades domésticas. Possui propriedades semelhantes às do polietileno, mas com um ponto de amolecimento mais elevado.

6 – PS (Poliestireno)
O PS possui características como leveza, capacidade de isolamento térmico, baixo custo, flexibilidade e é moldável sob a ação do calor, o que o deixa em forma líquida ou pastosa.

Usado para fabricar potes para alimentos, como iogurtes, sorvetes e doces, frascos, em partes de eletrodomésticos, como a parte interna de portas de geladeiras, em brinquedos e em alguns produtos descartáveis, como copos plásticos e aparelhos de barbear.


.
O processo de reciclagem do plástico pode ser realizado de três formas: a reciclagem física ou mecânica, a química ou de resina, e a energética. Cada um conta com características próprias e usos distintos:
1 – Reciclagem mecânica
É o tipo mais comum de reciclagem de plásticos. O processo começa com a coleta do material, tanto de resíduos industriais, como de coleta doméstica. Em seguida, o plástico passa por uma limpeza e triagem, para que seja analisado o que será aproveitado. Depois disso, o processo de reciclagem é iniciado. Todo o material é reduzido a pequenos grãos, sem que isso modifique suas propriedades físicas, que servirão como matéria-prima para a produção de outros produtos. Esse tipo de reciclagem é visto em cooperativas de coleta seletiva.

2 – Reciclagem química ou de resina
Trata-se de um processo mais complexo, já que o plástico passa por uma transformação química capaz de fazê-lo retroceder à sua condição anterior. Esse procedimento é conhecido como logística reversa. O objeto plástico retorna à sua condição inicial por meio de manipulações químicas, que envolvem a aplicação de solventes, ácidos, calor, entre outros processos químicos.

3 – Reciclagem energética
No caso da reciclagem energética, o material recolhido é transformado em energia termelétrica, em um processo em que o plástico reciclável é submetido a altas temperaturas, e o vapor que resulta dessa incineração é convertido em energia capaz de movimentar hélices conectadas a turbinas. Desse movimento, para cada 1.000 quilos de plástico reciclado, são produzidos 640 Kwh.

O processo ocorre devido à composição do plástico, que é derivado do petróleo, capaz de produzir energia suficiente para substituir o óleo diesel e demais combustíveis fósseis quando aquecido.

Documentário: