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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

França irá proibir uso da abaya em escolas


O governo da França irá proibir que as alunas de escolas do país usem a abaya, túnica comum em países do Norte da África e árabes, anunciou neste domingo o ministro da Educação francês, Gabriel Attal.

“Não será mais possível usar abaya na escola”, declarou Attal em entrevista ao canal de TV TF1, na qual considerou que a vestimenta vai de encontro às normas estritas de laicidade no ensino francês.

A abaya cobre o corpo e deixa de fora rosto, mãos e pés. Seu uso por adolescentes gerou polémica na França, sobretudo devido a críticas da direita.

“Quando o aluno entra numa sala de aula, não se deve poder identificar a sua religião ao olhar para ele”, disse o ministro.

Há relatos sobre o aumento do uso de "abayas" nos estabelecimentos de ensino, bem como das tensões dentro da escola sobre a questão entre professores e pais. O debate intensificou-se desde que um refugiado checheno radicalizado decapitou o professor Samuel Paty, que tinha mostrado aos alunos caricaturas do profeta Maomé, perto da escola num subúrbio de Paris, em 2020.

O deputado Éric Ciotti, presidente do partido de oposição Republicanos (direita), saudou a decisão, enquanto a deputada de esquerda Clémentine Autain a considerou inconstitucional e criticou “a política da vestimenta”.

Embora o Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) considere que a peça não representa um símbolo islâmico, o Ministério da Educação francês divulgou, no ano passado, uma circular autorizando as escolas a proibir a abaya, bem como bandanas e saias muito longas.

“As instruções não estavam claras, agora estão, e nós as saudamos”, disse à AFP Bruno Bobkiewicz, secretário-geral do sindicato que representa os diretores de instituições de ensino.

Em 2004, a França proibiu em escolas e institutos qualquer símbolo religioso ostensivo, como o véu islâmico e quipá.

domingo, 25 de junho de 2023

“Tenho muita dificuldade em ver um país muçulmano exemplar nos direitos humanos” – xeque Munir


O imã da Mesquita Central de Lisboa, xeque David Munir, admitiu hoje à agência Lusa que tem “muita dificuldade” em ver um país islâmico exemplar, sobretudo no domínio dos direitos humanos, afinal, um dos pilares do Islão.
“Na teoria, o regime islâmico é baseado na tolerância, na misericórdia e na igualdade. […] Mas a questão que se coloca é que, no Islão, à partida, para dizer a verdade, eu tenho muita dificuldade de ver um país Islâmico exemplar. Em tudo. Nos direitos humanos e, acima de tudo, em valorizar o próximo”, afirmou o xeque Munir.
Numa entrevista à agência Lusa, o imã, que sábado foi um dos oradores de uma conferência subordinada ao tema “A Reforma no Islão”, organizada pela Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL), Observatório do Mundo Islâmico (OMI) e Centro Cultural Colinas do Cruzeiro (CCCC), frisou, porém, que o regime islâmico tem consagrado os direitos de igualdade, liberdade de expressão, liberdade de crença e tolerância.
“Cabe ao califa, que já não existe, ao emir, implementar. Tem de estar disposto a ouvir várias opiniões (…) na assembleia de pessoas, dos sábios ou dos mais entendidos ou dos líderes, os que têm a liberdade de dar a sua opinião”, explicou.
David Munir deu como exemplo o caso da democracia, quando, em eleições, um partido ganha eleições democraticamente com maioria absoluta, que lhe permite “fazer e desfazer”, sem dar hipóteses às restantes forças políticas representadas no Parlamento.
“Nos países islâmicos, temos militares e temos ditadores e temos pessoas que querem o poder e que não o querem deixar. Quando há uma pequena abertura para a possibilidade de haver um governo civil, há sempre golpes de Estado. Este é o mundo islâmico atual, em que a democracia não entra. Isto é assim, mesmo que a pessoa queira [mudar], não dura muito”, argumentou.
Para o xeque Munir, atualmente no Islão qualquer pessoa que levante a voz contra o regime, passa a ser considerado não islâmico, situação que lamenta.
"As opiniões das pessoas são válidas até a pessoa conseguir provar que não vai contra os princípios básicos do Islão. Mas, do outro lado, o que acontece nos dias de hoje, em termos gerais, qualquer pessoa que dê uma opinião diferente da do líder ou do partido que está no poder, não tem hipótese”, defendeu.
“Se for um país um pouco mais pacífico, tudo bem, tem o seu espaço, mas há pessoas que passam por represálias, põem a sua vida em risco, não se pode dizer nada, não se pode falar nada. Isto não tem nada a ver com o Islão”, acrescentou, admitindo que foi assim que surgiram movimentos extremistas, como o grupo Estado Islâmico, os Talibã ou o Al Shabbab.
“A falta de conhecimento, o querer o poder a todo custo, alguma influência também do Ocidente para criar uma certa instabilidade, enfim, se misturarmos tudo isto, temos uma boa refeição. No mundo Islâmico, ou em alguns países islâmicos, quando alguém sofre política, social e economicamente, quando se perde tudo, não tem razão de viver, então vai-se criando psicologicamente uma certa raiva, um certo ódio contra aqueles que estão no poder. Do outro lado, vem um grupo que usa o Islão e diz que vai manter a justiça ou igualdade. Dão alguma esperança à pessoa que perdeu quase tudo e esta acaba por se alinhar com alguma esperança. Mas depois, também acaba por ver que também não são diferentes dos outros”, explicou.
No entanto, na opinião de Munir, quem mais sofre com os grupos terroristas islâmicos “são os próprios muçulmanos”.
“A vida é sagrada para todos nós. Mas como há muçulmanos que não compactuam com a ideia deles e com a filosofia deles, passaram a ser inimigos também", afirma.
"Temos, infelizmente, vários grupos, vários 'lobos solitários' à solta e, quando um grupo é detido, desfeito, cada um faz aquilo que puder, na medida do possível, para manter a política, a filosofia, a ideia, a ideologia do grupo, e muitas vezes vai tentando influenciar o outro”, afirmou o imã da Mesquita Central de Lisboa.
“A falta de conhecimento faz com que as pessoas adiram sem saber porquê. E quando começam a estudar, quando começam a ler, abrem a mente e descobrem que, afinal, não é bem assim. E, ao abrirem a mente, quando começam a confrontar o líder, ou os líderes, são postos do lado”, justificou.
Questionado pela Lusa sobre quais os países muçulmanos que convivem num regime democrático, o xeque Munir admitiu ter “alguma dificuldade em responder”, uma vez que, apesar de já ter vivido em muitos países, não residiu em nenhum Estado muçulmano, pois sempre morou em Portugal, “no Ocidente”.
“O que eu sei sobre os países islâmicos é aquilo que sabemos das notícias. No entanto, os países que eu visitei, que não foram poucos, foram muitos, na prática não notei aquilo que eu gostava de notar. A justiça, a igualdade, a parte económica e social. Temos pessoas muito, muito ricas ou temos os muito, muito, muito pobres. Um dos pilares do Islão é a caridade obrigatória, 12,5%. Se todos dessem, iríamos melhorar muito a situação dos mais carenciados. Mas os ricos querem ficar mais ricos e os pobres vão ficar mais pobres. Esta desigualdade é social, mas também é islâmica”, explicou.
Admitindo que há ainda muito a fazer para pacificar o Islão no seu todo, o xeque Munir lembrou que “os grupinhos, grupos, líderes e congregações” que querem impor o radicalismo porque a leitura que fazem do Islão é muito limitada, não estão abertos a dialogar com os outros, mesmo sendo muçulmanos.
“Isso obriga a que o processo avance lentamente. Nalguns casos deram-se passos à frente e depois para trás e isso é um bocado complicado”, concluiu.

Sheik David Munir foi professor de Língua árabe no Instituto Oriental da Universidade Nova de Lisboa, na Universidade Independente e na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

É ainda membro do Conselho Consultivo Internacional da Fundação Paz e Democracia Monsenhor Martinho da Costa Lopes.

Tem como obras publicadas: “Deus que nunca o foi” (1987), “Ensinamentos Elementares do Islão” (1988) e “Da Ciência e Filosofia à Religião” (1996).

quarta-feira, 7 de junho de 2023

ONU apresenta avanços no trabalho para alcançar justiça para as vítimas do Daesh


Procurar justiça para todos os iraquianos afetados pelas atrocidades cometidas pelos membros do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, conhecido como Daesh, é o trabalho de Christian Ritscher.

Nesta quarta-feira, ele falou aos membros do Conselho de Segurança sobre o último relatório divulgado pela equipa que chefia, criada há cinco anos a pedido do Iraque.

Investigações
Segundo Christian Ritscher, a Equipa de Investigação da ONU para a Responsabilização por Crimes Cometidos pelo Daesh (UNITAD) continua a trabalhar para promover a responsabilização por crimes internacionais e apoiar o julgamento dos autores desses delitos em todo o mundo.

Ele também explicou a ação da equipa com as comunidades afetadas por crimes e sobreviventes dos ataques, bem como anciãos tribais e clérigos.

Ritscher também abordou o progresso das investigações para avaliar uma série de questões, incluindo o desenvolvimento e uso de armas químicas pelo Daesh, crimes contra crianças e muçulmanos sunitas, bem como ataques a cristãos além de investigações contínuas sobre atentados a yazidis e xiitas.

Crimes internacionais
O representante da ONU afirma que a cooperação com as autoridades iraquianas foi essencial para o trabalho, acrescentando que três pilares devem ser implementados para garantir que o sucesso seja alcançado: "tribunais competentes, provas aceitáveis e quadro jurídico adequado".

Para alcançar este objetivo, a Equipa de Investigação está empenhada em apoiar o processo liderado pelo Iraque “para estabelecer um quadro legal que permita que os crimes do Daesh sejam autuados como crimes internacionais perante os tribunais nacionais”.

Ritscher adiciona que a medida deve enquadrar a brutalidade dos ataques como crimes internacionais e não apenas como organização terrorista.

Longo trabalho
O chefe da investigação destacou que a cooperação com a Justiça iraquiana inclui o reforço da capacidade dos magistrados do país, trabalho contínuo e conjunto na construção de casos, além de um projeto de digitalização.

Até o momento, 8 milhões de páginas de documentos relacionados com o Estado Islâmico em posse das autoridades iraquianas e das autoridades da região do Curdistão foram digitalizados.

Ritscher elogiou o sucesso alcançado até agora, mas também alertou que o trabalho está longe de terminar: "O que queremos ver são julgamentos justos perante tribunais especializados no Iraque, com a participação ativa de vítimas e sobreviventes".

Ele acrescentou que a equipa está atualmente a trabalhar para fornecer apoio para investigações e julgamentos a 17 jurisdições de diferentes países.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

O selo da Jornada Mundial da Juventude- estética Estado Novo e demonstra a côr política do Vaticano


Claro que tinha que ser o negro a ajoelhar-se e a subjugar-se perante a Igreja colonizadora! Não gosto deste selo.
E andamos a debater e ver o sofrimento e vozes dos casos Mamadou Ba e Katar Moreira, que já foram apelidados de tudo e tratados como objectos . Os jovens dos bairros da Jamaica, etc. Juro, estamos numa época muito sui generis. O neofascista e advogado Mário Machado, que tem "skinhead" tatuado no peito, e agora a impôr o balofo "respeitinho" através dos tribunais. O Paulo Portas e os colégios privados. As armas, tudo me causa impressão e repulsa.
O monumento dos Descobrimentos é salazarista. Não descobrimos o Brasil. Já lá viviam os povos indígenas, escolarizados pela Igreja Católica e escravizados. 
As cores do selo é o utilizado pela Mocidade Portuguesa.
Nada é feito ao acaso. A data de emissão é próxima do dia famigerado do Golpe Militar de 1926, que elegeu Salazar. Com este selo o Vaticano revela a Instituição que é: de direita e extrema-direita. 
A Igreja lucrou milhões durante o fascismo e ia adorar voltarmos a isso.
21 séculos depois mesmo com a internet, o Vaticano regride e sedia-se em Roma, com toda a pujança dos primeiros Papas católicos. Depois não nos queixemos da fatwa, terrorismo islâmico em solo europeu, a guerra Rússia-Ucrânica, o sefarditismo, etc.
É um selo italiano, e é preciso ver que é feito no momento em que a Itália tem governo próximo do fascismo.
A Igreja Católica fez muitas crueldades na História, nomeadamente:
  1. A Inquisição e a perseguição aos judeus. 
  2. A evangelização dos povos indígenas do Canadá e da  América do Sul, a evangelização em África. 
  3. A proximidade e conluio com os ditadores da extrema-direita no Brasil, Argentina e Chile. 

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Música do BioTerra: El Lebrijano com a orquestra Andaluz de Tânger - Dame la libertad


Dame la libertad del agua de los mares.
Dame la libertad de la tormenta.
Dame la libertad de la tierra misma.
Dame la libertad del aire.
Dame la libertad de los pájaros de las marismas,
vagadores de las sendas nunca vistas.

De noche mi corazón conmigo mismo pelea,
si esto no es morir de amor, que venga Dios y lo vea.
Al moro me fui a buscarte y en tu casa me metí
y ahora que estamos juntitos, a ver quién me aparta a mí.

Unos le rezan a Dios y otros le rezan a Alá
y otros se quedan callaos que es su forma de rezar.
A ver si llega la hora, a ver si tú te das cuenta
que lo que ya se ha perdío, ni se busca ni se encuentra.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Pedofilia nos estados islâmicos


Infelizmente não é só na Igreja Católica que existe pedofilia e encontrar caminhos para que jamais volte a acontecer [ler artigo aqui]. O relatório da Internet Watch Fondation de 2021, concluiu que a cada dois minutos, uma página da web mostrava uma criança sendo abusada sexualmente.

Já uma reportagem da Revista Veja, da Editora Abril, edição nº 1982, ano 39, nº 45, de 15 de novembro de 2006, no escritório de advogados entrevistados já processaram pedófilos católicos, islâmicos, luteranos, mórmons, testemunhas de Jeová, protestantes e evangélicos.

Este livro " A Jóia de Medina" é fruto de extensa pesquisa e escrito com elegância pela jornalista americana Sherry Jones e mescla romance, história e aventura para narrar a emocionante saga da jovem A’isha, que se tornou a esposa favorita de Maomé e uma das mulheres mais reverenciadas do mundo islâmico. Na dura e exótica sociedade árabe do século XVII que presenciou a fundação do Islão, uma menina de 6 anos está prestes a dar o primeiro passo para se tornar uma das mulheres mais poderosas de sua época. A’isha bint Abi Bakr é a filha de um rico comerciante de Meca e acaba de ficar noiva do profeta Maomé. Quando se casa, aos 9 anos, ela se vê obrigada a confiar na própria inteligência e coragem. Agora é senhora de seu destino e deve estabelecer o seu lugar na comunidade, lutando contra a perseguição religiosa, intrigas políticas, ciúmes das outras esposas do harém e as próprias tentações. Conforme passa a amar Maomé, sua devoção e perspicácia fazem dela uma conselheira indispensável, tornando-a a mulher mais importante do Islão, uma defensora fervorosa das palavras e do legado do marido. Neste livro evoca a beleza e a árdua realidade da vida em uma época perdida no tempo, durante um tempo de guerra, aprendizado e iluminação. A primorosa descrição das origens da fé islâmica e de cenas da vida do profeta causou inquietação na comunidade muçulmana. Em agosto de 2008, a Random House, uma das maiores editoras do mundo, anunciou o cancelamento da publicação do romance, preocupada com uma eventual retaliação da comunidade muçulmana, gerando uma enorme onda de indignação pelo mundo. Salman Rushdie, o consagrado autor dos "Versículos Satânicos", classificou o episódio de “censura”. Depois de anunciar que publicaria a obra, Martin Rynja, editora da britânica Gibson Square, teve a sua casa atacada. Cercado de polémica, este livro é uma rara oportunidade de observar um relato histórico sobre o nascimento do Islão e o poder das mulheres através dos olhos de uma inesquecível heroína. 

Os estudiosos do Corão e da vida de Maomé estão divididos. Alguns dos hadiths (tradições do Profeta) em relação a idade de Aisha no tempo de seu casamento com o profeta são problemáticos. 
Uns apresentam evidências contra a aceitação das fictícias histórias de Hisham ibn ‘Urwah, para limpar o nome do Profeta como um homem velho irresponsável predando uma menina inocente [ler aqui]. Outros estudioso vêm Maomé pedófilo, guerreiro sanguinário e sem escrúpulos [ler aqui

A maioria dos países islâmicos têm leis para maioridade que variam dos 15 até os 21 anos. No entanto, alguns países afetados pela pobreza extrema, falta de infraestrutura social, pouca escolaridade e expectativa de vida baixa são mais propensos a terem números maiores de casamentos infantis. 

Relatos de muçulmanos que fazem sexo com meninos menores de idade também ocorrem. Um dos exemplos recorrentes são os casos dos bachar bazis no Afeganistão, que são meninos com traços mais femininos que são obrigados a dançar e servir como escravos sexuais para homens mais velhos. Embora isso seja parte da cultura do país, é considerado um crime pela lei islâmica e é passível de punição severa de acordo com a sharia.

Não é permitido obrigar os meninos a agirem como meninas e, de acordo com os relatos da vida do Profeta Muhammad, os estupros podem ser punidos com morte.

É comum que, em regiões mais pobres, os pais busquem emancipar os filhos cada vez mais cedo para aliviar as despesas da família. Não é por acaso que também há uma grande incidência de trabalho infantil nesses lugares. Além disso, a dificuldade em colocar e manter as crianças nas escolas faz com que o período da adolescência seja encurtado por causa das necessidades mais urgentes das famílias.

No entanto, podemos ver abaixo que alguns países islâmicos estão a tentar mudar esta realidade. Exemplos:
  1. No Egito, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  2. Na Turquia, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos. O casamento aos 17 é permitido somente com o consentimento dos pais. Aos 16, é necessária uma autorização da justiça do país e, antes disso, é proibido.
  3. Na Arábia Saudita, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  4. Nos Emirados Árabes Unidos, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  5. Na Palestina, o casamento só é permitido pela lei após os 18 anos.
  6. Na Indonésia, o casamento só é permitido pela lei após os 19 anos.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Arundhati Roy - O Deus das Pequenas Coisas


A ler o artigo: The Dismantling of the World as We Know It

O Deus das Pequenas Coisas, da indiana Arundhati Roy (Companhia de Bolso, 352 páginas), poderia ser descrito como um livro sobre a relação quase siamesa entre irmãos gémeos. Ou sobre a Casa Ayenemen, um lugar em que realidade e imaginação se misturam de forma fluída. Mas a melhor definição é da própria autora: essa é uma obra sobre as leis que determinam “quem deve ser amado, e como. E quanto”.

O livro fala de castas e toca em temas tabus. Por isso, a autora foi levada a tribunal por obscenidade.

O livro tem como ponto de partida o retorno de Rahel, uma das metades do casal de gémeos bivitelinos que protagoniza a narrativa, para a cidade em que nasceu, após um longo tempo distante da Índia. Essa volta é significativa porque é a partir dos fragmentos da história que persistem em móveis, objetos e paredes de sua antiga casa que a escritora nos guiará até o dia fatídico em que tudo mudou. Logo na primeira página, Arundhati Roy nos encanta com seu poder descritivo, sua capacidade de criar imagens fortes e vívidas, nos deixando familiarizados com o ambiente que ela busca retratar:

Maio em Ayemenem é um mês quente, parado. Os dias são longos e húmidos. O rio encolhe, e corvos pretos se banqueteiam com belas mangas em árvores imóveis, verde-empoeiradas. Bananas vermelhas amadurecem. Jacas explodem. Varejeiras dissolutas zunem vagabundas no ar perfumado. Depois se estatelam contra vidraças transparentes e morrem, totalmente enganas, ao sol. (…) Mas no começo de junho irrompe a monção sudoeste, e vem três meses de vento e água com curtos intervalos de sol duro e brilhante em que crianças excitadas aproveitam pra brincar.

Conforme Rahel explora o entorno da casa, ela nos apresenta o “microcosmo” composto por sua família, uma representação da Índia presa entre tentativas de modernização e velhos preconceitos arraigados na sociedade. No mosaico familiar composto pela mãe divorciada, pelo tio sem rumo, por uma avó de personalidade forte e por uma tia cujos sonhos desabaram, um a um, até que só sobrasse o rancor e a inveja, vamos conhecendo os personagens decisivos para a noite do Terror, como é descrito o dia em que “tudo mudou”.

A chegada de Sophie Mol, filha do tio Chacko, inglesa de peles claras e cabelo afogueado, estará indelevelmente associada à esses acontecimentos, mas é apenas aos poucos que a autora constrói esse quebra-cabeça.

Antes de tudo, ela parece querer nos mostrar que o mais insignificante dos acontecimentos, a menor das vergonhas, a mais banal conversa, podem levar a tragédias familiares sem precedentes.

No entanto, sua escrita quase lírica, em que substantivos viram verbos, em que palavras e termos se repetem, em que o onírico estado de ser da infância se confronta com a dureza crua do mundo dos adultos, pode ser um pouco cansativa e arrastada em alguns momentos, até que a narrativa engrene, na metade final do livro. A leitura, no entanto, continua a fluir, especialmente por causa da capacidade de Roy de elaborar imagens pungentes em metáforas que poderiam ser banais:

O silêncio encheu o carro como uma esponja encharcada. Derrotado cortou como uma faca numa coisa macia. O sol brilhava com um suspiro estremecido. Era esse o problema das famílias. Assim como médicos hostis, elas sabiam exatamente onde machucar.

Atravessar a primeira parte, mais morosa, vale a pena pelo desfecho triste, mas muito belo dessa narrativa, que levou a autora a ser a primeira indiana premiada com o Man Booker Prize, em 1987. Ao falar de quem pode amar a quem, e quanto – e o potencial trágico de se romper essas regras não-escritas, Roy constrói um lindo romance sobre o arcaico sistema de castas indiano, que prevalece até hoje, num paradoxo que o “mundo não discute, não questiona”, como declarou a autora.

Biografia e Obra
Arundhati Roy

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Sahel tornou-se "uma bomba" que pode explodir e causar problemas graves à Europa

O representante do ACNUR no Mali considerou hoje que o Sahel tornou-se "uma bomba" que pode explodir e causar problemas graves à Europa, se não lhe for dada a ajuda e atenção que requer.



"O Sahel (sub-região africana que se estende da Mauritânia à Etiópia) é uma bomba relógio, com mais de dois milhões de pessoas deslocadas internamente e com muitas das suas regiões sob o controlo de grupos islâmicos" extremistas, disse Mohamed Askia Touré, do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Além do avanço dos grupos extremistas islâmicos, nestes países, especialmente no Mali - epicentro do Sahel -, outras máfias relacionadas com o tráfico humano ou grupos de mercenários, como o Grupo Wagner russo, estão a instalar-se na região, afirmou Askia Touré.

"Neste contexto, se não houver ajuda do exterior às autoridades locais, como as do Mali, os cidadãos fugirão" e serão "tentados a emigrar para a Europa", sublinhou.

"Milhares de pessoas são forçadas a partir porque não há alternativas, e vão para norte; a tentação de ir para a Europa é muito grande", e é por isso que a Europa tem de ajudar a estabilizar o Mali e o resto do Sahel, para não ter de enfrentar situações mais graves, acrescentou.

“Sessenta por cento do território do Mali", explicou o responsável, "não está nas mãos do Governo, e nestas regiões, nesta terra de ninguém, não há escolas, hospitais, nem assistência de qualquer tipo. O importante é ajudar as autoridades legítimas a proporcionarem proteção e segurança à população.

Askia Touré, ele próprio nascido na Mauritânia, sublinhou por outro lado a importância da saída do Mali da missão militar enviada pela União Europeia, que permitiu aos grupos extremistas islâmicos e outros controlarem mais território.

Depois da partida dos europeus, "a missão da ONU no Mali (MINUSMA) e o exército maliano deixaram de ter a capacidade de garantir a segurança dos cidadãos". A consequência é "mais refugiados e mais pessoas deslocadas", num ciclo do qual não há saída, disse.

Na opinião do responsável do ACNUR, primeiro a pandemia e depois a guerra na Ucrânia fizeram com que o Mali "ficasse de fora dos holofotes" da preocupação dos países ocidentais.

Isto é "realmente lamentável", considerou, "porque, em termos de crises políticas, económicas, de direitos humanos, de refugiados e de deslocados, a situação no país só piorou".

Askia Touré recordou que a ajuda à Ucrânia desde o início da guerra em fevereiro é dez vezes superior à que foi dada pela Europa a toda a África nos últimos anos, pelo que apelou a uma "maior empatia" em relação ao Sahel.

Segundo o ACNUR, existem mais de 181.000 requerentes de asilo malianos em todo o mundo, e cerca de 84.000 regressaram ao país, de acordo com fontes governamentais. O país acolheu também cerca de 56.000 refugiados oriundos do estrangeiro.

Askia Touré explicou que o Mali está entre os cinco países do mundo que mais contribuem para encher os barcos que tentam atravessar o Atlântico ou o Mediterrâneo nas rotas migratórias para Espanha.

O responsável reunir-se-á nos próximos dias em Madrid com funcionários dos ministérios espanhóis do Interior, Negócios Estrangeiros e Imigração, com os quais o ACNUR espera estabelecer novos laços de cooperação que ajudem a estabilizar o país africano.

Saber mais:

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Averróis - Um muçulmano erudito, contemporâneo de D. Afonso Henriques


Bem perto de nós, nascido em Córdova, então território muçulmano, viveu o grande filósofo de origem árabe, Abu al-Walid Muhammad Ibn Ahmad Ibn Munhammad Ibn Ruchd (1126-1198), mais conhecido por Averróis (distorção latina do seu cognome árabe). A Andaluzia era, então, um dos mais notáveis centros de sabedoria da humanidade, e aí teve lugar um movimento intelectual notável que acabou por ser aniquilado pela reconquista cristã. Nesse tempo, fizemos o mesmo que hoje fazem os radicais islâmicos. 
Muitos dos textos dos filósofos gregos salvos das bibliotecas de então, foram ali traduzidos. Durante a última metade da Idade Média, mais de quatro séculos, o árabe foi a língua dominante na filosofia e na ciência embrionária europeias.
A intensa defesa que fez do pensamento científico e da sua independência relativamente aos dogmas da Igreja, deram sustentáculo ao avanço, tantas vezes difícil, levado a cabo, primeiro, por naturalistas e, mais tarde, por geólogos. Ao afirmar que, “com excepção do sobrenatural, o pensamento se deve sujeitar à força da razão”, este muçulmano ibérico deve ser considerado um precursor do pensamento científico e, neste sentido, a sua influência foi grande e decisiva na evolução da ciência, em geral. Seguidor do aristotelismo, que soube fundir com uma parcela de platonismo, Averróis afirmava que, a par da verdade óbvia do dia-a-dia, observável e aceite pelo povo, e da verdade mística da fé defendida e propalada pelos teólogos, há a verdade científica, fruto da razão, podendo estar em desacordo umas com as outras. Num tempo em que a teologia dominava sobre a filosofia natural (ciências da natureza), as suas ideias alastraram entre a comunidade de estudiosos cristãos da Universidade de Paris, criando uma corrente de pensamento científico puro e independente das crenças religiosas, oposto à envelhecida tese de Santo Agostinho (354-430), segundo a qual havia uma única verdade, a dos santos evangelhos. Para Averróis, uma dada afirmação pode ser teologicamente verdadeira e filosoficamente (cientificamente) falsa e vice-versa.
Este, que foi o mais afamado pensador islâmico da Idade Média, viveu muito à frente do seu tempo, abrindo o caminho para o Renascimento e influenciando, significativamente, a filosofia europeia. Intelectual de grande ecletismo, Averróis foi médico, astrónomo, jurista e teólogo. Estudioso do direito canónico muçulmano, foi um dos maiores conhecedores e comentadores do pensamento de Aristóteles, tendo ficado conhecido na história da filosofia pelo cognome de “O Comentador”.
Durante parte da sua vida, Averróis contou com a protecção dos califas locais, até que foi desterrado por Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur que, na mesma linha das hierarquias do catolicismo, considerou as suas opiniões desrespeitadoras e em desacordo com o Corão. Muito da sua obra acabou também por ser condenada pela Igreja Católica.

domingo, 25 de setembro de 2022

A morte de Mahsa Amini gera uma onda de protestos no Irão


O nome dela é Mahsa Amini. Tinha 22 anos e foi espancada pela polícia iraniana, por uso “indevido” do véu islâmico. Morreu no hospital, em decorrência da surra, na sexta-feira, 16 de setembro.

Essa morte gerou protestos e mais repressão policial. Há relatos de mulheres impedidas de entrar em edifícios estatais ou em bancos por não cumprirem o código de vestuário islâmico.

Mulheres iranianas são obrigadas a cobrir os cabelos e a usar roupas largas para esconder o corpo. No Brasil, são consideradas culpadas de violação se usam saias curtas ou decotes fartos. Em África são obrigadas a usar colares mutilantes como forma de controlar sua castidade. Em mais de 40 países da África e da Ásia têm o clitóris mutilado para que não sintam prazer. Na Índia são mortas ao nascer porque nasceram mulheres.

13 de setembro. Mahsa Amini visitava Teerão, Irão, com a família quando foi presa pelo uso "inapropriado" do véu islãmico, hijab, tendo assim incumprido as regras e desrespeitado o código de vestuário da República do Irão. Neste país, as mulheres são obrigadas a tapar o cabelo e pescoço com o hijab quando estão em público. Entre muitas outras proibições, está também o uso de saias e calças justas ou roupa com cores vivas. A jovem foi levada para o Centro de Detenção de Vozara - onde acabou por desmaiar - para aprender o código de vestuário, afirma a CNN. Foi transportada para o hospital e acabou por morrer, passados três dias em coma. A BBC aponta para a existência de registos de que os agentes atingiram Amini com um bastão e forçaram a sua cabeça contra um veículo oficial, repetidamente e de forma brusca. Já a polícia do Teerão afirma que "não houve nenhum contacto físico" entre os oficiais e Mahsa Amini.

Este acontecimento lançou uma onda de manifestações pelo país fora, em cidades como Teerão, Rasht, Ispahan e no sul do Irão. Muitas mulheres não estão a usar os seus hijabs em público e a queimá-los, enquanto gritam "Morte ao ditador!", referindo-se ao líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei.

Mulheres a protestar contra o uso do 'hijab'
Mulheres a protestar contra o uso do 'hijab'Foto: Getty Images
Os protestos estendem-se até às redes sociais, onde existem cada vez mais vídeos de mulheres iranianas a cortar o próprio cabelo, como aqui mostramos

No último dia 20, as autoridades afirmaram que os seus carros foram queimados pelos protestantes e que os agentes de autoridade foram atingidos com pedras. De forma a retaliar, a polícia usou gás lacrimogéneo para afastar multidões. A BBC avança que já foram mortas 9 pessoas que se encontravam nas manifestações, por estarem a quebrar as regras do hijab.
Polícia retalia contra os manifestantes em Teerão
Polícia retalia contra os manifestantes em TeerãoFoto: Getty Images
As Nações Unidas já condenaram este ataque e as autoridades pelas suas atitudes violentas para com os manifestantes.

O grupo não governamental Iran Human Rights, com sede em Oslo, afirmou que pelo menos 31 civis tinham sido mortos em seis noites de violência.

O Tesouro dos EUA também impôs sanções a Mohammad Rostami Cheshmeh Gachi, o chefe da polícia de moralidade, Haj Ahmad Mirzaei, o chefe da divisão de Teerão da polícia de moralidade, e cinco outros altos funcionários de segurança envolvidos nas repressões dos manifestantes.

O jornal afirmou que Rostami tinha anunciado no início deste ano que as mulheres seriam punidas por se recusarem a usar um hijab.

"O governo iraniano precisa de acabar com a sua perseguição sistémica às mulheres e permitir o protesto pacífico", disse o Secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, "os Estados Unidos continuarão a manifestar o nosso apoio aos direitos humanos no Irão e a pedir contas àqueles que os violam".

As sanções do Tesouro visam congelar quaisquer bens que os designados possam ter sob jurisdição dos EUA e proibir qualquer indivíduo ou empresa americana - incluindo bancos internacionais com operações nos EUA - de fazer negócios com eles, limitando efetivamente o seu acesso a redes financeiras globais.

sábado, 11 de setembro de 2021

Como está o Mundo depois do 11 de Setembro?

O maior atentado terrorista da História mudou muito mais do que a paisagem de Nova Iorque. Mudou o Mundo. Mudou as pessoas. Mudou as políticas. Quais as principais consequências dos ataques ao coração da América e como está hoje o Mundo? As reflexões são do comentador da SIC, Nuno Rogeiro, do economista João Duque, do diretor executivo da Amnistia Internacional, Pedro A. Neto, e do jornalista Ricardo Costa.
                                    

Os atentados mais mortais da História

11 de setembro de 2001. O dia em que os EUA foram alvo de um ataque terrorista que atingiu vários símbolos do poder económico e militar do país. O Mundo assistiu em direto pelas televisões à destruição das Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, num atentado que também atingiu o Pentágono, perto de Washington.

O ataque mais mortal da História foi executado por 19 elementos da Al-Qaeda, que sequestraram e pilotaram quatro aviões com destino à Califórnia. Dois atingiram as Torres Gémeas, que colapsaram em menos de duas horas, e um terceiro fez explodir parte do Pentágono.

Um quarto avião, que presumivelmente tinha como alvo o Capitólio ou a Casa Branca, despenhou-se em Shanksville, na Pensilvânia, depois dos passageiros e a tripulação terem lutado com os sequestradores.

Não houve sobreviventes em qualquer dos voos. Morreram quase três mil pessoas.

Duas décadas depois, há imagens que não se esquecem e muitas foram as marcas que ficaram. O medo e a desconfiança tomaram conta do Mundo. Os Estados apostaram como nunca em políticas de segurança. Somos cada vez mais vigiados. Por isso, um ataque desta dimensão hoje é muito menos provável.
Uma ameaça que não se sabe qual era

Para Nuno Rogeiro, o 11 de setembro mudou claramente a segurança no Mundo. “A segurança física: passámos a ter mais polícia nas ruas, a segurança eletrónica, a segurança biométrica, as entradas e saídas nos aeroportos, as entradas e saídas nos aviões, a proteção das próprias tripulações dos aviões, e depois a criação de novos serviços" (muitas vezes exagerados), disse em declarações à SIC Notícias.

Para o comentador da SIC, “as sociedades foram treinadas para estarem mais vigilantes contra uma ameaça que não se sabe muito bem qual era.”

Em nome dessa ameaça, diz Ricardo Costa, “passou a ser normal o controlo das viagens e das telecomunicações” e “as sociedades deram tudo aos Estados de um dia para o outro”.

Pedro A. Neto, da Amnistia Internacional, concorda que o 11 de setembro fez crescer a vigilância, mas também o despertar para direitos de privacidade para os quais não tínhamos consciência. “Os governos estavam a fazer uma intromissão na nossa vida privada às custas do argumento securitário”.

“Passámos a perceber o outro como um potencial inimigo”

Além disso, acrescenta ainda que, depois dos atentados, o mundo fechou-se. “Passámos a perceber o outro, não como um ser humano, mas, muitas vezes, como um potencial inimigo”.

Uma ideia partilhada por Ricardo Costa. “Nós passámos a olhar com mais medo, receio e desconfiança para o outro, para o imigrante, para as pessoas que têm uma cultura diferente, sobretudo para as pessoas da religião islâmica. Há uma grande confusão entre o que é o Islão e o Islão radical. O Islão radical é uma pequena percentagem ínfima do Islão.”

Nuno Rogeiro não tem dúvida que as principais vítimas do 11 de setembro foram as pessoas, em especial as que fazem parte da “geração que cresceu sem parte da família”, devido aos atentados.
Quem é que vai voltar a andar de avião?

A imagem que se tem do 11 de setembro é de um ataque ao coração do capitalismo da América. Naquele dia o Mundo acorda sob o impacto dos aviões nos prédios e a bolsa treme. O mundo também treme "porque percebe que é frágil face a atentados terroristas”, explica João Duque. As pessoas tinham medo e perguntavam, por exemplo, "quem é que vai voltar a andar de avião?"

Vários setores da sociedade foram afetados. O da aviação foi o primeiro. Mas outros se seguiram. “A aviação, o turismo, que depende da mobilidade das pessoas, o setor dos seguros e até o setor financeiro, que financiava todas estas atividades", exemplifica.

Já o mercado de ações, recuperou rapidamente. “No final do ano já estava praticamente ao nível do pré-11 de setembro”.

As consequências financeiras do 11 de setembro

A recuperação foi lenta, mas aconteceu, as pessoas continuaram a andar de avião e o controlo dos movimentos financeiros passou a ser muito mais rigoroso. Por exemplo, “toda a lógica atual do controlo financeiro tem a ver com o 11 de setembro”, diz Ricardo Costa.
"O Daesh é um filho do 11 de setembro"

O Mundo continua, no entanto, a viver com fragilidades que derivam do 11 de setembro. "Essas fragilidades viram-se agora no Afeganistão, de uma forma mais atroz e grave. Voltou tudo ao ponto em que estava antes", afirma o diretor executivo da AI.

Nuno Rogeiro também considera que o Afeganistão pode vir a ser uma ameaça à segurança mundial. "O Daesh é um filho do 11 de setembro e da Al-Qaeda, que acha que o pai foi demasiado fraco". Por isso, "a nova geração quer um 11 de setembro ainda maior. A grande questão é saber se as sociedades estão preparadas para resistir".

Para o economista João Duque, "por muita segurança que se tenha, haverá sempre um dia que a firewall há-de deixar passar alguma coisa e nesse dia haverá estragos. O que se espera é que não se provoquem tantos estragos como anteriormente".

Fonte e mais imagens aqui

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9 séries, documentários e filmes nos vinte anos do 11 de Setembro

domingo, 20 de junho de 2021

Ainda Ronaldo e a Coca-Cola



Por João Mendes
Gostei de ver a UEFA a sair em defesa da Coca-Cola, na sequência da ronalidice a que assistimos há dois dias. Até porque nem todos se podem dar ao luxo de cuspir no prato onde comeram, como fez Cristiano Ronaldo.
Por causa deste episódio, fui espreitar os patrocinadores oficiais do Euro 2020. E descobri que pelo menos um terço das empresas patrocinadoras são geridas por oligarcas e directamente controladas por um regime totalitário:
Qatar Airways: a companhia aérea de um regime absolutista, cuja Constituição se baseia na Sharia, onde o testemunho de uma mulher em tribunal vale metade - literalmente - do testemunho de um homem, e onde se aplicam penas como a flagelação ou a lapidação. Direitos humanos? Que se fodam os direitos humanos.
Gazprom: empresa energética do regime russo, gerida por um oligarca que come na mão de Vladimir Putin, de seu nome Aleksej Miller. É também um dos principais patrocinadores da Liga dos Campeões. Como se o dinheiro do futebol europeu não fosse já suficientemente sujo.
Hisense: tecnológica chinesa, dona da Lenovo e da Xiaomi, controlada pelo regime de partido único chinês. Tem tentáculos no Schalke 04, na NASCAR, em provas organizadas pela Red Bull e já patrocinou, anteriormente, o Euro 2016 e o Mundial de 2018. Na volta também tratam da "segurança" destes eventos.
Tiktok: rede social chinesa, "propriedade" de Zhang Yiming, um empresário que é o 13° mais rico da China. Vassalo de Xi Jinping, a sua ByteDance, casa-mãe do Tiktok, é suspeita de ser uma fachada para um sistema de vigilância internacional do regime chinês, alimentada pela cortesia dos milhões de utilizadores do Tiktok.
Sorte desta malta, nenhuma destas empresas está sediada em Cuba, Venezuela ou Coreia do Norte, os três únicos regimes ditatoriais que o Ocidente democrático não tolera. Todos os restantes torturadores, lapidadores e assassinos são bem vindos e neoliberalíssimo capitalismo cá os espera, de braços e pernas bem abertas. Pelo preço certo em euros, tudo se resolve. Que role a bola.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

A crise na Palestina e a desonestidade intelectual de Henrique Raposo

No artigo de hoje no Expresso, Henrique Raposo compara Israel, um Estado, ao Hamas, um movimento político, armado e religioso. Ao fazê-lo, Henrique Raposo, que não é um ignorante, engana deliberadamente os seus leitores, contribuindo para desinformar e alimentar a radicalização. Contudo, existe um aspecto que torna Israel comparável ao Hamas: ambos praticam o terrorismo, ainda que em formatos diferentes. Sendo o israelita mais eficaz e mortífero.

Henrique Raposo afirma que Israel, um Estado belicista, protege os direitos das mulheres e dos gays, ao passo que o Hamas, um movimento extremista, não o faz. Poderia Henrique Raposo comparar a qualidade da democracia no Estado de Israel àquela praticada pela Autoridade Palestiniana na Cisjordânia? Ou, sei lá, os terroristas do Hamas aos terroristas de um dos muitos grupos extremistas judeus, como Yigal Amir, o homem que matou Yitzhak Rabin? Poder podia, mas isso não serviria os propósitos ideológicos subjacentes ao texto de Henrique Raposo.

Mais: caso decidisse ser intelectualmente honesto, algo que não foi claramente a sua intenção, Henrique Raposo teria que abordar as constantes violações do plano de partilha do território, a questão dos colonatos ilegais na Cisjordânia, toda história do êxodo que começou em 1948, que levou a que mais de 700 mil palestinianos perdessem as suas casas e todas as suas posses às mãos do autoritarismo sionista, para não falar na violência do apartheid em que Israel se transformou. To name a few. Mas era chato e lá se ia a narrativa.

Mas sim, Raposo tem razão neste aspecto: não existe equivalência moral possível. Não existe equivalência moral possível entre um Estado criado de raiz de forma administrativa, à força e segundo a lei do mais forte, com o drama de um povo, que sempre habitou aquelas terras, e que foi expulso de suas casas, remetido para guetos, e vem sendo massacrado desde então, abrindo caminho à ascensão de forças terroristas como o Hamas. Não existe equivalência moral possível. A única equivalência possível é imoral e é entre sucessivos governos sionistas, não raras vezes de extrema-direita, como o actual, e aquilo que de pior se produziu em termos de barbárie fascista na Europa e não só.

Por João Marques, Aventar 

domingo, 17 de julho de 2016

Documentário "Califa" e o Golpe na Túrquia


O "Califa", título original "The Caliph - The story of over 1.300 years of Islamic history" é um documentário muito interessante da Aljazeera acerca do Califado, da sua origem em 632 até 1924 (período durante o qual obviamente sofreu várias mutações). Muito pertinente para perceber melhor o mundo em que vivemos. Dividido em 3 partes, o último episódio está previsto para 29 de Julho.

Episódio 1
 
Episódio 2
Episódio 3

sábado, 8 de agosto de 2015

Documentário: Islão- a História não contada


Tom Holland pointe le "trou noir" des origines de l'islam et enquête comme un détective sur les incohérences des sources musulmanes, l'absence de sources anciennes, l'absence de mention à Mahomet ou à La Mecque avant la fin du 7e siècle, le caractère très tardif de la 1ere biographie de Mahomet qui date de 200 ans après sa mort ... Il rencontre les spécialistes, les chercheurs et archéologues (Seyyed Hossein Nasr, Patricia Crone, Guy Stroumsa, Fred Donner et Tali Erickson-Gini), visite les lieux, contemple les vestiges pour confronter le matériel historique au discours islamique. Pour aller plus loin : Le grand secret de l’islam la synthèse des dernières recherches historiques sur les origines de l'islam (dont celles de Patricia Crone), pour comprendre enfin d'où vient l'islam, comment il est apparu, pourquoi il est comme il est. Documentary film by Tom Holland for Channel 4 television, broadcasted in August 2012 (all rights reserved to Channel 4) Tom Holland points to the "black hole" of the origins of Islam and investigates as a detective on the inconsistencies of muslim sources, the absence of ancient sources, the absence of any mention of Muhammad or Mecca before the end of the 7th century , the very late nature of the 1st biography of Muhammad (dated from 200 years after his death). He meets specialists, scholars and archaeologists (Seyyed Hossein Nasr, Patricia Crone, Guy Stroumsa, Fred Donner and Tali Erickson-Gini), visits the sites, contemplates the vestiges, looks for historical material, which he confronts with the Islamic narrative.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Música do BioTerra: Death in June - She Say Destroy


Into that darkness
Into that darkness
Like jackals howling
Like flowers unfolding

Into that darkness
Into that darkness
The banners in tatters
The virgin is blessed

Into that darkness
Into that darkness
As if seeking there
Hope's bloody prey
The dead dog sinking
Turning and turning

Into that darkness
Into that darkness
The bodies collapsed
Swollen with gas

Into that darkness
Into that darkness
In the hovels and gutters
Her face to the storm

Into that darkness
Into that darkness
Still broken, still bleeding
The crack of the neck
The gut shriek of thunder
The blood call of lightning

She said destroy in black New York...

Into that darkness
Into that darkness
Like jackals howling
Like flowes unfolding

Into that darkness
Into that darkness
The virgin has blessed
The call of the beast

Into that darkness
Into that darkness
As if seeking there
Hope's bloody prey
The dead dog sinking
Turning and turning
She said destroy in black New York...

Melhor som aqui