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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dinheiro, gastos e benesses do Estado. Os segredos da vida financeira de Salazar


Há mitos que sobrevivem porque são confortáveis. O de D. Sebastião sobrevive porque alimenta a esperança. O de Robin dos Bosques porque consola os desfavorecidos. E o de António de Oliveira Salazar porque oferece aos seus admiradores uma espécie de superioridade moral retrospetiva: sim, foi ditador, dizem alguns, mas ao menos não roubou; sim, governou durante décadas sem eleições livres, mas morreu pobre; sim, concentrou um poder sem paralelo na história portuguesa contemporânea, mas nunca se aproveitou dele para enriquecer.

O problema dos mitos é a sua irritante tendência para se chocarem com os factos.

Um extenso trabalho de investigação do jornalista Marco Alves publicado na revista Sábado (n.º 1160, de 22 a 28 de julho de 2026) veio reunir um conjunto impressionante de informações sobre a situação patrimonial do antigo presidente do Conselho. E aquilo que emerge não é a figura de um milionário extravagante nem a de um cleptocrata à escala de outros ditadores europeus. Mas também não é a imagem do professor pobre, vestido de modéstia franciscana, que alguns continuam a apresentar.

Marco Alves já tinha, em 2023, publicado o livro Salazar Confidencial. Durante quatro décadas, António de Oliveira Salazar recebeu milhares de cartas de amigos, familiares, ministros, padres e figuras ilustres da elite do Estado Novo. Mendigavam ao presidente do Conselho favores, ajudas e cunhas para obterem um cargo, uma promoção, uma casa em Lisboa ou uma palavra de Salazar para intervir em todo o tipo de problemas, incluindo em processos judiciais e em casos de crime, violência e adultério envolvendo figuras notáveis da sociedade.

Importa recordar que essa imagem não foi construída apenas pelos admiradores que lhe sobreviveram. Foi também alimentada pelo próprio. Salazar ajudou a moldar cuidadosamente a perceção pública de uma vida austera e quase desapegada dos bens materiais. Ficou célebre a frase segundo a qual devia “à Providência a graça de ser pobre”. Décadas depois, essa frase permanece viva na memória coletiva e continua a funcionar como uma espécie de certificado moral póstumo.

A verdade, porém, como tantas vezes acontece, é mais incómoda.

Salazar cultivou durante toda a vida uma imagem de austeridade. Essa imagem tinha fundamento. Gostava pouco de ostentação, não se deixou seduzir pelo luxo exuberante e manteve hábitos relativamente sóbrios. Contudo, austeridade não é sinónimo de pobreza. Uma pessoa pode ser frugal sem ser pobre. E uma pessoa pode viver de forma simples sem deixar de acumular património.

Quando morreu, em 1970, Salazar possuía contas bancárias, propriedades rurais, terrenos, casas, objetos de prata, ouro, livros, manuscritos, coleções e diversos bens cujo valor, atualizado para os dias de hoje, atingiria montantes muito significativos. Só os depósitos bancários conhecidos correspondiam a cerca de 113 mil euros em valores atuais. A isso somavam-se casas, quintas, vinhas, olivais, pinhais e terrenos cujo valor acumulado, nos preços do mercado contemporâneo, atingiria facilmente valores de vários milhões de euros.

Nada disto faz dele um magnata. Mas também não permite continuar a repetir, sem qualificação, que "morreu pobre".

Aliás, a reportagem desmonta um dos aspetos mais curiosos da narrativa salazarista. O homem que passava a vida a falar de contenção financeira era simultaneamente proprietário de um património rural bastante respeitável. Herdou parte dele, adquiriu outra parte e valorizou alguns desses bens ao longo do tempo. Isso não constitui qualquer crime. O problema surge quando essa realidade desaparece da história e é substituída por uma imagem quase monástica.

Há ainda outro equívoco recorrente.

Os admiradores de Salazar costumam estabelecer uma comparação implícita entre o chefe do Estado Novo e alguns governantes contemporâneos. A mensagem é simples: os políticos de hoje entram pobres e saem ricos; Salazar entrou pobre e saiu pobre.

A primeira parte da frase pode ser objeto de discussão. A segunda torna-se mais difícil de sustentar.

Segundo os elementos revelados pela investigação, o antigo governante acumulou poupanças ao longo da vida, possuía património imobiliário e conservava um espólio de valor considerável. Não estamos perante alguém dependente da caridade alheia ou reduzido à indigência. Estamos perante um homem que viveu confortavelmente durante décadas e que morreu com uma situação financeira sólida.

Há ainda um dado curioso que raramente aparece nestas discussões. Atualizado para valores de hoje, o salário de Salazar como presidente do Conselho rondaria os 8.450 euros brutos mensais, valor que não difere dramaticamente daquele que aufere um primeiro-ministro contemporâneo. À primeira vista, isto parece reforçar a narrativa da modéstia. Mas só à primeira vista. É que Salazar passou cerca de 31 anos instalado no Palacete de São Bento sem suportar uma despesa que pesa fortemente no orçamento de qualquer cidadão comum: a habitação. A comparação só é justa quando se compara o pacote completo.

A questão torna-se ainda mais interessante quando se observa a fronteira entre o dinheiro privado e os recursos públicos.

Não surgem provas de enriquecimento ilícito no sentido clássico do termo. Mas aparecem numerosos exemplos de uma realidade típica dos regimes longos: a progressiva confusão entre o Estado e o governante.

Funcionários públicos trataram de assuntos privados relacionados com propriedades suas. Membros do Governo ocuparam-se de questões pessoais. Houve intervenções administrativas relativas a casas, terrenos, obras, jardins, abastecimento de água e diversos problemas da sua esfera particular. Tudo isto era frequentemente encarado com naturalidade.

E porquê?

Porque as ditaduras tendem a produzir esse efeito. Ao fim de décadas, deixa de ser evidente onde acaba o poder do Estado e onde começa a vida privada de quem governa. O aparelho público passa gradualmente a funcionar como extensão do governante.

Nem sequer é necessário existir corrupção para que essa promiscuidade aconteça.

O mesmo se verifica nos últimos anos da sua vida. Após a queda da cadeira que o afastou do poder, o Estado suportou despesas significativas relacionadas com os seus cuidados médicos e com a sua situação pessoal. Segundo os elementos reunidos pela investigação, os encargos associados ao tratamento prolongado de Salazar ascenderiam, a valores atuais, a cerca de 1,9 milhões de euros. Além disso, foi-lhe atribuído um vencimento vitalício após deixar o exercício efetivo das funções governativas.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

“Estamos a assustar as pessoas”, diz CEO da Nvidia sobre cortes ligados à IA

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, criticou executivos de tecnologia que atribuem despedimentos em massa ao avanço da inteligência artificial (IA) e afirmou que o discurso tem sido usado de forma “preguiçosa” e “irresponsável”. Em entrevista ao canal Channel News Asia na segunda-feira, dia 25, o executivo disse que muitas empresas estarão a utilizar a IA como justificativa pública para cortes que, na prática, terão relação com o excesso de contratações, custos elevados e má gestão.

As declarações de Huang surgem num momento em que gigantes da tecnologia têm feito despedimentos enquanto ampliam investimentos bilionários em IA. Nos últimos anos, os executivos passaram a afirmar que as ferramentas automatizadas estariam a substituir parte da força de trabalho humana, alimentando o medo sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

Para Huang, porém, a linha temporal apresentada por algumas empresas não faz sentido. “A IA acabou de chegar, como é possível que já esteja a causar perda de empregos?”, afirmou o executivo. Segundo ele, algumas companhias passaram a relacionar os cortes de pessoal à tecnologia antes mesmo de esta se tornar amplamente útil em ambientes corporativos.

O CEO da Nvidia também criticou o uso do tema como estratégia de comunicação com investidores e o mercado. “Era apenas uma maneira de parecerem inteligentes, e eu detesto isso”, disse. “Acho que estamos a assustar as pessoas, e isso é irresponsável”.

A discussão ganhou força após casos recentes em empresas de tecnologia. No início deste ano, Jack Dorsey anunciou uma grande redução na equipa da Block e citou o avanço de “ferramentas de inteligência” como parte das transformações na companhia. Ex-funcionários, porém, afirmaram que os cortes estavam ligados principalmente ao excesso de contratações realizado durante a pandemia de covid-19.

Analistas do setor também apontam que o atual ciclo de investimentos em IA tem elevado fortemente os custos operacionais das empresas. O acesso a infraestruturas de computação em nuvem e chips especializados continua caro, o que pressiona os orçamentos e leva as companhias a reverem os planos de contratação. A própria Nvidia tornou-se uma das empresas mais valiosas do mundo justamente por fornecer os chips usados em sistemas de IA.

Apesar disso, Huang afirmou acreditar que a IA poderá gerar mais empregos a longo prazo. Segundo ele, empresas mais produtivas tendem a crescer mais rapidamente e, consequentemente, a aumentar as suas equipas. “Elas tornam-se maiores e mais lucrativas. E quando crescem e se tornam mais lucrativas, acabam por contratar mais pessoas”, disse o executivo.

O discurso de Huang acompanha uma mudança de tom entre os líderes do setor tecnológico. Na semana passada, Demis Hassabis também criticou as empresas que atribuem despedimentos à IA e classificou esse tipo de justificativa como “falta de imaginação” (a famosa “desculpa esfarrapada”).

terça-feira, 29 de outubro de 2024

Novo relatório da Oxfam alerta que cinquenta dos bilionários mais ricos do mundo produzem mais poluição por carbono em 90 minutos do que a pessoa média em toda a sua vida



BREAKING: Fifty of the world’s richest billionaires produce more carbon pollution in 90 minutes than the average person does in their entire
lifetime. Oxfam’s new report exposes the luxury-driven lifestyles of the super-rich as a key driver of the climate crisis. Private jets, superyachts, and fossil fuel investments are pushing us closer to a global catastrophe. This isn’t just about lavish living—it’s about the future of our planet.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Jorge Paiva: “Sou cientificamente realizado e civicamente desiludido”


Jorge Paiva é dos nomes mais reconhecidos da botânica em Portugal. Faz 90 anos este domingo, motivo para celebrar uma vida dedicada às plantas, à ciência e à actividade cívica. Ou de “saltimbanco”.

É fitotaxonomista, um biólogo que classifica plantas, e a esta faceta de cientista acrescenta-se a de professor, divulgador de ciência e despertador de consciências com intensa actividade cívica em defesa do ambiente - em palestras, artigos de opinião e até em postais de Natal que, há mais de 30 anos, faz e envia a milhares de pessoas.

Entrevista completa aqui

Resumo
“Fiz trabalho científico reconhecido, [descrevi] algumas espécies novas e grupos novos. Mas a parte da minha actividade cívica, ambiental e cultural é uma desilusão brutal. Sou cientificamente realizado e civicamente desiludido”. E explicava porquê:
“Fiz mais de 2.500 palestras. Verifiquei que os alunos na escola gostavam muito de ouvir o que tinha para dizer e ficavam alertados para o que estava a acontecer. Escrevi muitos artigos de opinião. Mas depois os alunos são tão massacrados com propaganda consumista que quando chegam à universidade a maioria esquece-se. E, quando vão para as suas profissões esqueceram-se. E quando chegam a políticos não fazem absolutamente nada”.
Deixo só mais duas notas sobre a entrevista que refiro. Uma, a propósito de uma decisão tomada há alguns anos pelo BioTerra, de não publicar fotografias dos incêndios de Verão. Referindo-se às imagens dos fogos nas televisões Jorge Paiva diz que servem para “activar a piromania” e interroga-se: “Porque é que se mostra este espectáculo dantesco?”
Uma outra nota, a propósito do suplemento dos 36 anos do aniversário do jornal e da inclusão do tema do ambiente, no inquérito feito a mais de quatro dezenas de personalidades. Jorge Paiva explica o seu desapontamento. “ (...) as pessoas vivem no comodismo. Ninguém quer alterar a sua maneira de viver. Temos de alterar a nossa maneira de viver, que é extremamente consumista. (Senão) É impossível, não vamos lá.”

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Música do BioTerra: A Garota Não - 422


A roleta nem andou à roda
Mas é que ser excêntrico é moda
Combustível é mais do que império
É calar quem está no ministério

É calar quem cumpre cada dia
É calar toda a democracia
É fazer de tudo um argumento
Até nos toldar o pensamento

422 milhões
Do planeta fome eu sou
Que país tão bom pra tubarões
Do planeta fome eu sou
422 milhões
Do planeta fome eu sou
Somos accionistas sem ações

Se não for a guerra e a pandemia
Será porque alguém disse poesia
Será por passar um barco à vela
Sеrá porque alguém veio à janela

A subida é prato do dia
Tanto imposto barriga vazia
E еsta raiva que juntos calamos
Faz crescer a mão dos soberanos

422 milhões
No final de cada semestre a comunicação social traz-nos a boa nova: as gasolineiras continuam a conseguir crescer nos lucros. Sorrimos, temos feito um bom trabalho como accionistas destes cartéis. Contam-se aos milhões. E nós sempre a entregar. Pagamos o custo do petróleo e da importação, o custo da transformação do petróleo em gasolina e gasóleo e a margem de ganância de cada posto. E depois pagamos também impostos ao nosso país: há o IVA, o Imposto sobre Produtos Petrolíferos, as taxas sobre emissões de dióxido de carbono e a contribuição do serviço rodoviário. Todos sabemos disto!...
Não, claro que não sabemos. Que sabemos nós… a não ser que tudo isto é redundante?
E pelo meio fala-se em sustentabilidade e políticas verdes. Anunciam-se metas e valores de investimento. Fala-se em transportes alternativos. Mas andar de bicicleta nas nossas cidades é penoso - não há ciclovias nem preparação para a cidadania e as bermas das estradas são corridas de obstáculos. Fala-se de transportes coletivos. Mas acontece que são insuficientes e não fazem muitas vezes a leitura do fluxo das deslocações nos territórios - e por isso não chegam a ser uma resposta real para quem quer deixar o carro em casa.
A Elza Soares uma vez respondeu a um apresentador: eu vim do Planeta Fome. Eu também, e se calhar por isso é que os relatórios das gasolineiras me sabem tão mal.
Obrigada aos amigos que me ajudaram a dar corpo a esta canção:
Sérgio Miendes no baixo e co-produção
Renato Sousa Musico na guitarra maravilha
Diogo Sousa na bateria
Abraço.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Fidelizações nas telecomunicações são "um embuste", com número "dramático" de queixas, diz presidente da Anacom


“As fidelizações são um engano em que o País tem caído”, disse João Cadete de Matos, presidente da Autoridade Nacional de Comunicações, no parlamento, pedindo ao Governo que aja “rápido” para limitar duração máxima.

“Grave”, “um engano”, “um embuste”, “verdadeiramente chocante”. Foi assim que o presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), João Cadete de Matos, descreveu, em mais uma audição na Assembleia da República, as propostas de fidelização das operadoras de telecomunicações em Portugal, que considera anticoncorrenciais e lesivas dos interesses dos consumidores.

O regulador apelou, de forma veemente, a que o Governo mudasse a lei para limitar as fidelizações a um máximo de seis meses, face aos dois anos atuais, porque o leilão de 5G consagrou a entrada de dois novos operadores. E acusou as incumbentes de terem intensificado as campanhas de refidelização durante o leilão de 5G, classificando algumas delas de refidelizações abusivas, para limitar ao máximo a migração para os novos serviços, eventualmente mais baratos.

“Já não pedimos ao Governo que considere” alterar a lei, invectivou. “Pedimos ao governo que faça. E que faça rápido”.

Na intervenção inicial do regulador aos deputados da Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, numa audição requerida pelo PCP sobre os aumentos dos preços nas telecomunicações e no serviço postal garantido pelos CTT, Cadete de Matos disse que, se o regime de fidelização não for revisto de forma urgente, os consumidores estão sujeitos a mais aumentos de preços à taxa de inflação nos próximos anos iguais aos que estão já em vigor nas incumbentes.

Isto num país que paga telecomunicações já 20% acima dos preços praticados na União Europeia. Portugal, disse, registou um aumento de 8% no custo das telecomunicações nos últimos 12 anos, quando nos 27 os preços caíram no mesmo período.

“Mais grave ainda é Portugal ter assistido, nomeadamente quando durou a campanha do leilão das frequências [5G], ao aumento das refidelizações e refideliações abusivas”, disse Cadete de Matos. “É dramático o número de consumidores que se queixam do abuso das refidelizações”, não autorizadas ou autorizadas à distância, ou sem apresentar “toda a informação sobre o que implicam essas refidelizações”.

“Muitos clientes só sabem disto no fim do contrato, porque não percebem por que foram refidelizados”, acrescentou. “É verdadeiramente chocante (…) vamos ser muito atuantes e tirar conclusões nessa matéria”, garantiu.

“Recebemos queixas neste mês de janeiro e fevereiro” com consumidores que "em janeiro tinham sido abordados pelas empresas com novas ofertas" e com a garantia de que não iriam aumentar preços, declarou João Cadete de Matos.

“Passado uma semana ou duas receberam a informação que o preço iria aumentar” à taxa de inflação, disse.

“Não há razão nenhuma” para preços atuais
A entrada de dois novos operadores, a Dense Air e a Digi, vai espicaçar a concorrência. Mas para potenciar a queda dos preços, é necessário uma revisão da lei no que toca à duração máxima das fidelizações, disse Cadete de Matos.

“Aquilo que esperamos que aconteça, já este ano e nos próximos, com o investimento destas empresas, é que haja em Portugal as ofertas que há em Espanha e em Itália. Mas para isso temos de libertar os consumidores das ofertas de 24 meses”, defendeu.

Exemplificou com um contrato de fibra ótica, que "consegue ser contratado com uma mensalidade de 20 euros" em Espanha, “com um prazo de compromisso de 3 meses”.

“Em Portugal o preço mais baixo que existe é 30 euros, e é o preço que é prestado pelo operador Nowo”, o operador com a quota mais baixa. Os restantes operadores praticam preços mínimos de 38 euros, mas com fidelizações de dois anos, disse.

“Foi apresentado aos portugueses que com as fidelizações as comunicações eram mais baratas”, disse. “É um embuste no que é dito aos portugueses, que são as vantagens, os descontos”, acrescentou. E interrogou-se, depois de aludir aos preços : “qual é a razão" para serviços como o de Internet “custarem o dobro em Portugal? Não ha razão absolutamente nenhuma”.

“As fidelizações são um engano em que o País tem caído”, resumiu.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Eucaliptal é fogo, seca e desertificação


O eucaliptal é responsável pela seca (árvore que absorve grandes quantidade água dos solos), é monocultura intensiva interferindo no ciclo geoquímico do carbono, logo, causa efeitos de estufa.

O abandono rural e a migração para o litoral é provocado pelo lóbi das celuloses. 

Cá em Portugal há um garrote por parte das celuloses sobre nós, mantendo o país refém dos seus lucros. E assim estamos...mergulhados num petróleo "verde", sem que os sucessivos Governos tomem medidas mais fortes de investimento em floresta autóctone. Regenerar e restauro.

Ler mais:

terça-feira, 31 de maio de 2022

Cash-rich companies are inadvertently funding the climate crisis



A groundbreaking new report shows the unintended consequences when companies park their cash holdings at major banks. The authors developed a new methodology enabling any company to calculate the carbon impact of its financial footprint and use its influence to accelerate decarbonization.

The Carbon Bankroll: the Climate Impact and Untapped Power of Corporate Cash provides groundbreaking analysis of the hidden climate impact of corporate finances, making it possible to understand the scale of emissions generated by a company’s cash, investments, and financial practices. The report was jointly published by the Climate Safe Lending Network (CSLN), The Outdoor Policy Outfit (TOPO), and BankFWD.

Using publicly available data from 10 major corporations, the report illuminates how the financial system – particularly the banking sector, which uses cash deposits to finance fossil fuel infrastructure – undermines the sustainability efforts of climate-conscious companies.

It finds that for several major companies, including Google, Meta, and PayPal, the emissions associated with their cash holdings and investments exceed all their other emissions combined.

“The companies highlighted in this report are all environmental leaders that have been working for years to combat climate change and decarbonize their supply chains. This report reveals that these companies’ substantial climate accomplishments are being severely undermined by a misaligned financial system that is channeling hundreds of billions of corporate US dollars into the carbon-intensive sectors driving the climate crisis.” — Paul Moinester,Executive Director of TOPO

The Carbon Bankroll offers companies a methodology to estimate how much their financial practices work against their goals to rein in emissions from direct and indirect operations across their value chains. The analysis also suggests how companies can leverage their financial holdings to accelerate the decarbonization of the financial sector, which is critical to achieving the global climate goal of limiting warming to 1.5°C.

The recent growth of environmentally and socially responsible investments reflects increasing recognition by companies that how they bank and invest their money has an impact on people and the planet. The report’s research and replicable methodology, which was produced in partnership with financial auditors at South Pole, fills critical data gaps that underscore the magnitude of the emissions generated by corporate cash and investments. By discovering the enormous scale of these emissions, the report emphasizes the need for companies to prioritize the decarbonization of their cash and investments. Key findings include:

  • For some of the world’s largest companies, including Google, Meta, Microsoft, and Salesforce, their cash holdings are their largest source of emissions, increasing total emissions by 91% to 112% when compared to most recently reported emissions.
  • For companies with more carbon-intensive operations such as Amazon and Johnson & Johnson, their cash holdings still constitute one of their largest emissions sources, increasing total emissions by 11%-15% compared to most recently reported emissions.
  • In 2021, the emissions generated by Microsoft’s $130 billion held in cash and investments was comparable to the cumulative emissions generated by the manufacturing, transportation, and use of every Microsoft product in the world.
  • In 2020, Amazon’s $81 billion held in cash and short-term investments generated more emissions than the purchased energy used to power every Amazon facility around the world, which includes its data centers, fulfillment centers, physical stores, and other facilities.

“The bad news is that many companies considered to be leaders in climate mitigation are not anywhere close to net zero, due to Scope 3 emissions associated with their cash holdings. The good news is that now, with this new methodology, companies can easily benchmark these hidden emissions and drive rapid change in the banking industry." — Karl Burkart, Co-founder and Executive Director, One Earth

The report suggests that just as companies have worked to decarbonize their operational and energy supply chains, they can work to decarbonize their financial supply chain by pushing their banks to decrease financing for fossil fuels, or by moving their money. Doing so, the report explains, would help companies achieve their corporate climate goals and improve the financial sector’s climate performance at a time when large banks have continued to finance fossil fuel expansion at levels that are incompatible with their own climate commitments.

The Carbon Bankroll is an invitation to companies to join in a collaborative effort, developing a comprehensive playbook for companies to drive positive change through their financial supply chains.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Família Soares dos Santos foge a impostos através de offshores

A investigação aos Pandora Papers revela que a família Soares dos Santos, com uma fortuna calculada de pelo menos 3,6 mil milhões de euros, recorreu a empresas sediadas no Panamá, Ilhas Virgens Britânicas e ilha de Jersey para gerir a fortuna através de um trust sediado na Suíça.



São uma das famílias mais ricas de Portugal, dona do grupo Jerónimo Martins e da cadeia de supermercados Pingo Doce, uma das empresas portuguesas onde se regista historicamente a maior disparidade salarial. Até à morte do patriarca Alexandre Soares dos Santos, em 2019, a Forbes identificava a família como a segunda mais rica do país, com uma fortuna estimada em 3,6 mil milhões de euros.

A investigação do ICIJ/Expresso (link is external)aos Pandora papers revelou três entidades com ligações à família Soares dos Santos.

Em 2005 e 2007, a empresa com sede no Panamá Brookrow Holding, criada pela Alcogal - o mesmo escritório de advogados utilizado pelo GES para lavar dinheiro de suborno para um ministro venezuelano -, aprova procurações para atribuir poderes de abertura e movimentação de contas bancárias de Alexandre Soares dos Santos à sua mulher e a quatro filhos do casal.



Em 2006, é criado o Soares dos Santos Family Trust, fundo registado na ilha de Jersey e gerido por um trustee com sede na Suíça, a SwissIndependent Trustees S. A.

Em 2010, a mesma Brookrow foi o veículo utilizado para vender 16,7% de outra companhia offshore, a Invescom Ltd, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, por 25,5 milhões de euros ao trust da família.

Um trust é um fundo que gere bens imobiliários ou financeiros em nome de uma ou mais pessoas, com o objetivo de gerar lucro e regras definidas para distribuição desses rendimentos. São também um dos veículos preferidos para gerir fortunas sem estarem sujeitas a obrigações fiscais, particularmente úteis para evitar impostos sucessórios no caso de heranças, sendo estabelecidas muitas vezes em offshores ou zonas de fiscalidade vantajosa, como é o caso.

Com a sua função cumprida, a Brookrow Holdings, que por sua vez era detida por outra companhia offshore, a Independente Nominees Ltd., foi dissolvida em fevereiro de 2014.

Questionada pelo Expresso, a família confirma a existência do trust mas afirma não deter empresas em offshores, que de facto já não tem, uma vez que a Brookrow foi entretanto dissolvida e a Invescom, por seu lado, passou das Ilhas Virgens Britânicas para a Holanda, o mesmo país para onde deslocaram a sede fiscal do grupo Jerónimo Martins em 2012, em plena crise de austeridade. No entanto, não comentam o facto de o trust funcionar com base na ilha de Jersey.

Afirma também que “a conduta da família pauta-se pelo cumprimento rigoroso da lei, incluindo as suas obrigações fiscais”. O que é igualmente verdade, uma vez que nada impede a família de ter a fortuna e a respetiva capitalização num trust com sede num offshore, evitando quaisquer obrigações fiscais sobre os rendimentos que não sejam repatriados em Portugal.

O regime de acumulação da fortuna da segunda família mais rica do país está documentado no livro "Os Burgueses", de Francisco Louçã, João Teixeira Lopes e Jorge Costa, com o capítulo relativo a Soares dos Santos disponível neste artigo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Noam Chomsky - The Political Economy of the Mass Media


O livro a que se refere — cujo título exato é Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (1988), escrito por Noam Chomsky e Edward S. Herman — é uma das críticas mais influentes à forma como a grande imprensa opera nas democracias ocidentais, especialmente nos Estados Unidos.

A tese central que Chomsky defende é a de que os meios de comunicação de massa não funcionam como um contra-poder independente, mas sim como um sistema de propaganda que molda a opinião pública para defender os interesses económicos e políticos das elites.

Para explicar como isso acontece sem que haja censura estatal direta, eles criaram o "Modelo de Propaganda", que se baseia em 5 filtros pelos quais a informação tem de passar antes de chegar ao público:

Os 5 Filtros da Informação
  1. Propriedade e Dimensão: a maioria dos grandes meios de comunicação pertence a gigantescas corporações cujo objetivo principal é o lucro. Os seus interesses estão desalinhados com o jornalismo puramente independente.
  2. Financiamento por Publicidade: o verdadeiro cliente do jornal não é o leitor, é o anunciante. As notícias são o "isco" para vender a atenção do público às empresas que pagam a publicidade. Conteúdos que ameacem o ambiente de negócios tendem a ser marginalizados.
  3. Fontes de Informação Oficiais: para reduzir custos, os jornalistas dependem de fontes "fiáveis" e baratas: comunicados do governo, conferências de imprensa da polícia, Pentágono ou grandes empresas. Isto permite que o poder defina a narrativa.
  4. "Flak" (Fogo Cruzado/Disciplinação): se um jornalista ou canal sai da linha institucional, sofre pressões imediatas — processos judiciais, boicotes de anunciantes ou campanhas de difamação para o desacreditar.
  5. O Inimigo Comum (Ideologia Antagonista): Originalmente, Chomsky identificou o Anticomunismo como o grande filtro de controlo. Mais recentemente, este filtro foi adaptado para a "Guerra ao Terror", o "Medo ao Imigrante" ou a polarização extrema, criando um mecanismo de "nós contra eles" que mobiliza a opinião pública através do medo.
A essência da crítica: nas ditaduras, o controlo da população faz-se pela força (o bastão). Nas democracias, onde o Estado não pode usar a força bruta para calar os cidadãos, o controlo faz-se através da gestão do pensamento. O consentimento da população para políticas que muitas vezes a prejudicam é "manufaturado" (fabricado) pelos media.