sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Estrada Nacional 2, a "Route 66" de Portugal



A Route 66 de Portugal. 
Um roteiro para conhecer a estrada mais longa do país.
EN 2 (Estrada Nacional 2) de Chaves a Faro. 

"Em Portugal a escala é bem mais pequena, mas é também possível percorrer o país de lés-a-lés sem sair da mesma estrada. Falamos da Estrada Nacional 2 (EN2) que liga Chaves a Faro, um percurso de 738 quilómetros. Pelo caminho ficam centenas de pequenas localidades e algumas paisagens memoráveis."

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Baía de Armação de Pêra pode via ser área marinha protegida


O recife natural existente na baía de Armação de Pera pode vir a tornar-se numa área marinha protegida. A proposta de classificação será feita pela Câmara de Silves, que pretende lutar pela preservação deste ecossistema subaquático que é considerado único por vários especialistas da Universidade do Algarve (UAlg). A posição consta de um documento enviado pela autarquia à Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos no âmbito da discussão pública do Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional. O documento, a que o CM teve acesso, faz referência a um estudo científico do Centro de Ciências do Mar da UAlg , que identifica "o maior recife rochoso costeiro a baixa superfície de Portugal, que determina valores ecológicos ímpares no contexto da costa portuguesa". De acordo com os especialistas, o recife natural representa a "antiga linha de costa algarvia à data da última época glaciar, existindo há mais de 25 mil anos". Para preservar esta riqueza natural, a Câmara de Silves vai avançar com uma proposta de criação de uma área marinha protegida de interesse comunitário, junto com a UAlg, a Associação de Pescadores de Armação de Pera, a Fundação Oceano Azul e a empresa de mergulho Divespot, que tem feito o registo de muitas das espécies ao longo dos últimos 15 anos. Em defesa da proposta, a autarquia alerta que o "desenvolvimento de atividades humanas" previstas para zonas adjacentes, como "a produção aquícola ou extração de areias para alimentação de praias", podem "colocar em risco a preservação da biodiversidade".


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Bilionário cria fundo para a conservação de 30% do planeta até 2030

O empresário Hansjörg Wyss, de 83 anos, doou $1 mil milhões de dólares para proteção de biomas.


Hansjörg Wyss é um empresário e filantropo nascido na Suíça famoso por apoiar causas de justiça social, ciência e de proteção ambiental. A próxima grande ação do bilionário em parceria com a National Geographic Society é a criação de um fundo de 1 bilhão de dólares para proteger 30% do planeta até 2030.

O valor disponibilizado por Wyss será administrado pela fundação Wyss Campaign for Nature (Campanha Wyss pela Natureza).

A ação do filantropo é um marco de extrema importância e compactua do desejo da ONU (Organização das Nações Unidas) de atingir a meta estabelecida de proteção de 30% de todo meio ambiente do planeta nos próximos 12 anos. Atualmente, somente metade da vida selvagem e da natureza da Terra está protegida por iniciativas de preservação, então o apoio de Wyss através da Campanha dá forças para a permanência de tais ações.

Projetos beneficiados

Os primeiros nove projetos de conservação a receber doações serão o Parque Nacional Aconquija, a Reserva Nacional e o Projeto Parque Nacional Ansenuza, todos na Argentina; A Reserva Marinha do Corcovado, na Costa Rica; a iniciativa de Áreas Marinhas Protegidas do Caribe; o Fundo Amazônico dos Andes, que impacta o Peru, a Colômbia, a Bolívia, o Equador, o Brasil e a Guiana.

Também serão beneficiados a Fundação de Conservação dos Cárpatos, da Romênia, que lidera os esforços de conservação nas montanhas dos Cárpatos; a Área Protegida de Edéhzhíe, em Dehcho e a Área Nacional da Vida Selvagem no Canadá; Projeto Nimmie-Caira da Austrália e o Projeto do Parque Nacional Gonarezhou no Zimbábue.

Como os projetos são escolhidos

As iniciativas selecionadas para serem apoiadas pela Campanha podem ser de proteção terrestre, marinha ou ambas. Fora isso, o único parâmetro estabelecido é que o fundo beneficiará ações que já existam há algum tempo e que tenham apoio suficiente para permanecerem atuantes.

De acordo com Greg Zimmerman, membro sênior da Campanha, ainda não foi decidido como o restante do dinheiro será distribuído – além dos projetos citados acima – porque as iniciativas serão escolhidas ao longo do tempo. “Ninguém quer gastar dinheiro para proteger uma área que será protegida por alguns anos e, quando houver uma mudança política em algum lugar, o local não estará mais protegido”, diz ele.

Além dos projetos, o dinheiro da Campanha Wyss pela Natureza também financiará medidas de conservação da ciência e campanhas de conscientização de proteção da natureza.

sábado, 24 de novembro de 2018

Documentário "Homo Sapiens" por Nikolaus Geyrhalter


Dirigido/Escrito pelo reconhecido Produtor Documental Nikolaus Geyrhalter (Nikolaus Geyrhalter Filmproduktion), Homo Sapiens expõe a finitude e fragilidade da existência humana, o fim da era industrial e o que significa hoje em dia ser um humano.
Este documentário é assustadoramente muito mais distópico do que qualquer filme de Sci-Fi tipo Mad Max, porque é real. Por sua pura exaltação visual, cada imagem individual cria intensas emoções de desolação que ressoam muito além da ironia fácil sugerida pelo título do filme.
A simplicidade do conceito subjacente é ecoada por uma estrutura igualmente simples: uma sequência contínua de filmagens amplas e estáticas apresentadas sem comentários ou identificações que só são divididas em capítulos nominais por breves trechos de tela preta.
À medida que o fluxo de imagens vazias continua inabalável, o vazio que elas exalam torna-se tão agudo, que se condensa ao desejo de as interpretar, como se essas imagens inquietantes só pudessem ser vistas como consequências de alguma catástrofe futura desconhecida, em vez de facetas do presente.
Contudo a cadencia da interpretação não pára por aí, já que tentar entender o apocalípse conceptual de Geyrhalter apenas gera mais perguntas.
O que restará das nossas vidas depois de partirmos? Espaços vazios, ruínas, cidades cada vez mais cobertas de vegetação, estradas em em decadência: as áreas que actualmente habitamos, agora abandonadas e em decomposição, gradualmente recuperado pela natureza depois de lhe ter retirado muito tempo atrás.
Homo Sapiens é uma ode/homenagem à humanidade vista de um possível cenário futuro.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Nestas lojas finlandesas, compra-se em segunda mão, poupam-se recursos e criam-se peças únicas


Numa altura em que o mundo se preocupa cada vez mais com o impacto da produção dos bens de consumo e a utilização insustentável dos recursos naturais, surgem projetos que procuram fazer a diferença.

É este o caso dos centros de reutilização “Kierrätyskeskus” na Finlândia. Os seus grandes armazéns – diferentes das habituais lojas de segunda mão – fornecem uma alternativa à “cultura do descartável” e combatem o desperdício

Existem sete, espalhados por várias cidades da área metropolitana de Helsínquia. O inventário destas lojas sem fins lucrativos inclui uma enorme variedade de objetos em segunda mão a preços acessíveis, como mobília, eletrodomésticos, roupa, brinquedos, livros, utensílios de cozinha, bicicletas, artigos de desporto e muito, muito mais. Para o resto do país, está disponível uma loja online.

Estamos a consumir os recursos naturais a um ritmo insustentável. O cerne do Kierrätyskeskus reside na redução deste hábito destrutivo, de modo a promover e permitir a reutilização, upcycling, DIY e um estilo de vida sustentável. Acreditamos que cada um de nós pode ser mais do que apenas um consumidor”, explica a organização.

Os artigos disponíveis nas lojas são doados pelo público ou por empresas. Os centros reparam os eletrodomésticos e aparelhos eletrónicos doados que possam estar avariados e ainda fazem “upcycling” de alguns artigos, criando novos produtos para a Plan B, a sua própria marca de moda, mobiliário e acessórios

Toda a notícia aqui

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Poema da Semana - John O'Donohue



Somos loucos e perigosamente livres...

"... é um estranho e maravilhoso facto estar aqui,
Andando por aí num corpo, ter um mundo inteiro
dentro de ti e um mundo ao alcance dos teus dedos fora de ti.
É um privilégio imenso, e é incrível
como os seres humanos conseguem esquecer o milagre de estarmos aqui.
Rilke disse: 'estar aqui é tanto,' e é estranho
como a realidade social nos pode amortecer e anestesiar assim
para que a maravilhosa mística das nossas vidas passe totalmente despercebida.
Estamos aqui.
Somos loucos e perigosamente livres."

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Poema da Semana- António Aleixo

Bengt Lindström, 1925 - 2008

Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.

P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão?

Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.

António Aleixo

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Para Marta, as árvores nativas são “tecnologia biológica” para conservar o planeta



Reflorestar, conservar e envolver são palavras de ordem no dicionário de Marta Pinto. Licenciada em Biologia, mestre em Ciências do Mar e defensora da conservação do meio ambiente, através da plantação de árvores nativas, é coordenadora do Grupo de Estudos Ambientais na Universidade Católica Portuguesa (UCP), no Porto. Foi das suas mãos que nasceu, há oito anos, o FUTURO: projecto das 100 mil árvores, cujos resultados foram reunidos num livro, apresentado esta quarta-feira, 7 de Novembro.

Antes de chegar ao FUTURO, Marta passou por várias fases profissionais que sempre criaram pontes entre a biologia e as ciências sociais e que também estavam ligadas àquilo que faz hoje: desenvolvimento de projectos de articulação entre a academia e a comunidade, principalmente na área do ambiente e da sustentabilidade. Com 45 anos, nascida e criada no Porto, foi nesta cidade que estudou e onde, agora, trabalha.

A casa de Marta, que chegou a trabalhar nos Estados Unidos, num departamento de Geografia Humana, é a UCP: já lá vão 15 anos desde que ali entrou pela primeira vez para trabalhar. De uma coordenação entre a instituição e as entidades externas — como é o caso dos municípios e proprietários florestais — nasceu o desafio (e a necessidade) de plantar 100 mil árvores na Área Metropolitana do Porto (AMP).

Em oito anos, a cidade está diferente e isso nota-se nos mais de 170 hectares de árvores nativas plantadas. Antes disso, a paisagem era a de um solo subaproveitado. “Eram áreas que tinham espécies invasoras, como o eucalipto, que tinham ardido e, por isso, estavam degradadas.” “Nós fomos recuperar estas áreas”, acrescentou. Optimista por natureza, como se descreve, acredita que a reflorestação e a plantação de árvores é um pequeno passo no caminho que conduz à manutenção de um planeta mais verde.

No entanto, e apesar do optimismo, diz não ser ingénua ao ponto de pensar que os desafios relativos à sustentabilidade – como é o caso de questões relacionadas com a biodiversidade e das alterações climáticas – que estão, neste momento, em cima da mesa, não constituem, por si só, uma “grande luta que todos temos pela frente”.

“Nós estamos, de facto, num momento-chave da nossa sobrevivência e não creio que o planeta vá ter problemas, o planeta é impecável e vai adaptar-se.” “Acho, isso sim, que o que estamos a fazer é colocar em causa a nossa sobrevivência e o nosso estilo de vida”, rematou. Com isto, Marta Pinto confere grande importância às acções locais, que vê como “determinantes para se conseguir dar um contributo de uma forma positiva”.

Os desafios a nível global são imensos, diz, e difíceis de resolver no imediato. No entanto, iniciativas como a das 100 mil árvores tornam-se decisivas a nível local, já que servem de inspiração a replicações e provocam impacto concreto a nível territorial. Além de, a longo prazo, contribuírem para reduzir em muito a quantidade de gases poluentes na atmosfera.

Apesar de tudo, essa mesma redução não pode, para já, ser traduzida em números nem reflecte os resultados que virá a reflectir daqui a 15 ou 20 anos, explica a especialista. “Estas árvores que plantámos têm a capacidade de armazenar 10 mil toneladas de carbono por ano e esse é um ponto muito importante mas, neste momento, ainda estão a crescer", reforçou. Marta lembra, porém, que essa meta só será atingida "daqui a 15 ou 20 anos".

Toda a reportagem aqui

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Conferência: Eric Holt-Giménez - Capitalism, Food and Social Movements


Eric Holt-Giménez, Diretor Executivo da Food First, discute as repercussões da agricultura industrial no meio ambiente, nossas vidas e nossa esfera pública. A solução: criar contramovimentos aliados, responsáveis e internacionais para construir a vontade política. Este foi um discurso principal para a Conferência de Verão da NOFA 2018.

Começando do zero, Eric estudou e trabalhou com agricultores latino-americanos que protegeram as suas fazendas de desastres naturais implementando métodos agroecológicos em suas terras. A partir dessa base, a paixão de Eric atinge as estruturas do sistema alimentar que deixa muitos trabalhadores rurais, trabalhadores de serviços de alimentação e comunidades de cor sem segurança alimentar em um planeta que produz muito mais alimentos do que a população da Terra precisa todos os anos.

Whitewash: The Story Of A Weed Killer, Cancer, And The Corruption Of Science


It's the pesticide on our dinner plates, a chemical so pervasive it’s in the air we breathe, our water, our soil, and even found increasingly in our own bodies. Known as Monsanto's Roundup by consumers, and as glyphosate by scientists, the world's most popular weed killer is used everywhere from backyard gardens to golf courses to millions of acres of farmland. For decades it's been touted as safe enough to drink, but a growing body of evidence indicates just the opposite, with research tying the chemical to cancers and a host of other health threats.  
   


In Whitewash, veteran journalist Carey Gillam uncovers one of the most controversial stories in the history of food and agriculture, exposing new evidence of corporate influence. Gillam introduces readers to farm families devastated by cancers which they believe are caused by the chemical, and to scientists whose reputations have been smeared for publishing research that contradicted business interests. Readers learn about the arm twisting of regulators who signed off on the chemical, echoing company assurances of safety even as they permitted higher residues of the pesticide in food and skipped compliance tests. And, in startling detail, Gillam reveals secret industry communications that pull back the curtain on corporate efforts to manipulate public perception.
  
Whitewash is more than an exposé about the hazards of one chemical or even the influence of one company. It's a story of power, politics, and the deadly consequences of putting corporate interests ahead of public safety.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O que os vencedores do Nobel de Economia nos ensinaram sobre desenvolvimento sustentável



Qual o verdadeiro significado de riqueza? É provável que cada pessoa tenha uma resposta diferente para a pergunta. Muitos economistas também se debruçaram sobre ela, mas dois em especial ganharam o reconhecimento da academia por revelarem ao mundo um novo olhar sobre o crescimento econômico. Nos 50 anos do Nobel de Economia, a Academia Real Sueca de Ciências premiou dois pesquisadores americanos que buscaram respostas para um dos desafios mais básicos do nosso tempo: como fazer com que o crescimento econômico de longo prazo seja sustentável sem comprometer o planeta para as gerações futuras.

A visão macroeconômica de William Nordhaus e Paul Romer se complementam. O primeiro foi pioneiro nos estudos que relacionam mudanças climáticas e seus impactos econômicos ao criar um modelo que descreve essa interação. O segundo comprovou que o conhecimento é uma forma de impulsionar a economia a longo prazo, hipótese até então não comprovada.

O reconhecimento pelas contribuições dos economistas foi anunciado logo depois do lançamento do mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que reúne os principais cientistas de clima do mundo. A mensagem do relatório é bastante clara: é necessária uma nova, enorme e imediata transformação para limitar o aquecimento do planeta em 1,5°C. Os países precisam cooperar e agir rápido com ações coordenadas em uma escala ainda sem precedentes. E o trabalho de Nordhaus e Romer são fundamentais para isso.

O custo da economia de carbono

William Nordhaus começou seus estudos, que já incluíam a questão da sustentabilidade, na década de 1970, quando o debate ainda era incipiente. Mais tarde desenvolveu o Dynamic Integrated Climate-Economy Model, modelagem nomeada para propositalmente formar o acrônimo DICE, que significa “dado” em inglês – segundo o pesquisador, um jeito de sugerir que estamos jogando (ou apostando) com o futuro da Terra. A abordagem permanece até hoje como um padrão adotado globalmente, inclusive pelo IPCC.

Mesmo após décadas debruçado sobre o assunto, Nordhaus permanece batalhando para convencer o mundo de que uma taxação global sobre o carbono é a melhor solução para lidar com as mudanças climáticas, já que a atmosfera não tem fronteiras, como ele costuma dizer. É um trabalho árduo, que não avançou na União Europeia nem nos Estados Unidos, embora a ciência do professor de Yale já tenha evoluído do total descrédito até o reconhecimento por colegas economistas, com a inclusão com destaque no relatório do IPCC e agora o Nobel. O trabalho do economista também inspirou o WRI a desenvolver pesquisas para destravar a aplicação da taxação de carbono.

Alguns países como Canadá e Coréia do Sul adaptaram a ideia do professor com algum sucesso, aplicando a solução não como apenas um imposto, mas como um ganho financeiro para os contribuintes. Em entrevista ao New York Times logo após o prêmio, Nordhaus falou sobre o caso da Colúmbia Britânica, no Canadá, para ele um modelo que deu certo: “Você aumenta os preços da eletricidade em US$ 100 por ano, mas o governo devolve um dividendo que reduz os preços da Internet em US$ 100 por ano. Em termos reais, você está aumentando o preço dos bens ligados ao carbono e reduzindo os preços dos bens que não tem uso intensivo de carbono. Esse é um modelo de como algo assim pode funcionar. Tem os efeitos econômicos corretos, mas politicamente não é tão desgastante (quanto um imposto)”.

O valor da economia do conhecimento

Se Nordhaus olhou diretamente para as mudanças climáticas, Paul Romer analisou o desenvolvimento a partir do campo das ideias e da tecnologia. Esse seria o gráfico que inspirou o americano a estudar economia:

Ao se perguntar como um país pode crescer tanto economicamente, Romer decidiu tentar tirar das sombras o valor da inovação. Havia o entendimento de que o conhecimento tinha a capacidade de estimular o desenvolvimento econômico, mas economistas ainda achavam que as ideias eram fruto da inspiração dos cidadãos, não de políticas públicas para estimular a ciência.

Ao entrar nos detalhes, lançou a Teoria do Crescimento Endógeno. A tese mostra que políticas de incentivo à pesquisa e à educação, além de regulações sobre a propriedade intelectual, contribuem com o desenvolvimento de tecnologias e, consequentemente, com a melhoria no mercado. A globalização e as trocas de conhecimento entre países e territórios vieram para dar escala ainda maior a esse crescimento no campo intelectual.

Ciência capaz de transformar

Romer e Nordhaus deram a precisão dos dados ao que até então eram apenas intuições. Durante a coletiva de imprensa logo após a entrega da premiação, Romer refletiu sobre o conhecimento gerado por eles. “As pessoas acham que proteger o ambiente será tão caro e difícil que elas preferem ignorar o problema e fingir que não existe”, disse. “Os humanos são capazes de realizações incríveis desde que concentrem seus esforços.”

Também na coletiva, Nordhaus complementou: "Acho que entendemos a ciência. Acho que entendemos a economia da poluição. Entendemos muito bem os danos. Mas nós não entendemos como reunir os países. Essa é a fronteira de trabalho que precisa ser vencida hoje”.

Poema da Semana - Ruy Belo

Lin Shun-Shiung
O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro


Ruy Belo, in 'Homem de Palavra[s]'

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?

Este evento realizou-se no dia 29 de Setembro 2018 na Herdade Tapada da Tojeira, Vila Velha de Ródão. A sessão foi dinamizada por Margarida Silva, bióloga e especialista em desenvolvimento sustentável e foi organizada pela Plataforma Transgénicos Fora! e Herdade Tapada da Tojeira (com apoio da Confederacão agricultores Portugal - CAP de Castelo Branco).